ANÁLISE DA EFICIÊNCIA DE DIFERENTES MÉTODOS

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ANÁLISE DA EFICIÊNCIA DE DIFERENTES MÉTODOS DE COLETA PARA O
GÊNERO Pambolus HALIDAY, 1836 (HYMENOPTERA, BRACONIDAE,
HORMIINAE) EM REMANESCENTES DA MATA ATLÂNTICA OMBRÓFILA
DENSA DO BRASIL .
Melo, I. F.1; Penteado-Dias, A. M.1; Souza, C. S.1; Pereira,A. G.1;Shimbori,E. M.1
1
Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva, Rodovia Washington Luís,
km 235 - SP-310, CEP 13565-905, São Carlos - São Paulo – Brasil. E-mail: [email protected].
RESUMO
Este trabalho consiste em analisar os métodos de coleta mais eficientes para o gênero
Pambolus Haliday, 1836, levando em consideração a sua biologia.
Entre as coletas feitas com Malaise e Moericke, a “Varredura” da vegetação,
apresentou os melhores resultados.
ABSTRACT
This study is about to analize the most efficients methods of collecting Pambolus
Haliday, 1836, genera, considering its biology.
Between the collects done with Malaise and Moericke and Vegetation “Sweeping”
showed up the best results.
INTRODUÇÃO
Os insetos são considerados o maior grupo do Reino Animal, compreendendo mais de
750.000 espécies (BARNES & RUPPERT, 1996), dentro deste grupo encontramos a ordem
Hymenoptera que contém atualmente cerca de 120.000 espécies (BUZZI, 2002), e é uma
das maiores da classe, compreendendo insetos fitófagos, vespas solitárias e vespas
parasitóides. Esta ordem é dividida em duas subordens: Symphyta e Apocrita. O táxon
Apocrita é tradicionalmente subdividido em Parasitica e Aculeata (GAULD & BOLTON,
1988), sendo todos os parasitóides pertencentes à Série Parasitica.
Os insetos parasitóides constituem o maior componente de muitos ecossistemas
terrestres e podem constituir mais de 20% de todas as espécies de insetos. Portanto, a
avaliação da diversidade deste grupo apresenta grande relevância (LASALLE & GAULD,
1993; GODFRAY, 1994) e apesar da sua abundância, pouco se sabe sobre a estrutura
dessa comunidade (LASALLE & GAULD, 1993), especialmente nos trópicos (MEMMOTT et
al., 1994).
A família Braconidae é a segunda maior família de Hymenoptera, com pelo menos
40.000 espécies distribuídas por todo o mundo (SHARKEY,1993). Os membros desta
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família são insetos relativamente pequenos, raramente ultrapassando 15mm de
comprimento. Assemelham-se aos Ichneumonidae por não terem uma célula costal nas
asas anteriores, mas diferem por não terem uma nervura recorrente em suas asas
(BORROR & DELONG, 1988); são em sua maioria, endoparasitóides coinobiontes, embora
um grande número de espécies seja ectoparasitóide idiobionte. Têm como hospedeiros uma
ampla variedade de insetos, em particular estágios larvais de Lepidoptera, Coleoptera e
Diptera. Este grupo apresenta 24 subfamílias (WHITFIELD & WHARTON, 1997); dentre elas
encontramos a subfamília Hormiinae que é constituída por insetos ectoparasitóides de
larvas de Lepidoptera e Coleoptera, mais raramente de Hymenoptera e Diptera (WHITFIELD
& WHARTON, 1997). Os Hormiinae são em geral parasitóides de insetos associados a um
único hospedeiro (MATTHEWS, 1984), isso dá a eles a habilidade em regular populações
de insetos fitófagos, e manter a densidade de espécies de herbívoros, assim como prevenir
que as plantas hospedeiras sejam dizimadas.
Dentro da subfamília supracitada temos o gênero Pambolus, com 12 espécies para a
região Neotropical. Para o Brasil há apenas uma espécie de Pambolus descrita, o que indica
a falta de estudos e trabalhos de pesquisa voltados para este grupo. A biologia deste gênero
é pouco conhecida, mas há registro de larvas de Coleoptera utilizadas como hospedeiro.
As áreas onde foram realizadas as coletas correspondem ao domínio da Mata
Atlântica Ombrófila Densa, um ambiente caracterizado pela ocorrência de chuvas
orográficas, alto índice de precipitação, entre 2000 e 3000 mm/ano, alta umidade relativa do
ar, 65 a 100%, solo rico devido à rápida ciclagem de nutrientes, favorecendo uma floresta
fechada e densa com um microclima gerando sombra e umidade (www.promuriqui.org.br).
Originalmente, a Mata Atlântica estendia-se desde o Estado do Rio Grande do Norte
até os limites do extremo sul do Brasil, e segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e o
INPE- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entre 2000 e 2005, foi realizado um novo
levantamento. Infelizmente, hoje restam apenas 7,26% da cobertura original de Mata
Atlântica – o que corresponde a 97.596 km² dos 1,3 milhões de km² iniciais -, somando-se
áreas acima de 100 hectares.
Apesar da devastação acentuada, a Mata Atlântica ainda abriga uma parcela
significativa da diversidade biológica do Brasil, com altos níveis de endemismo.
OBJETIVOS
Este trabalho teve como objetivo testar a eficiência de três métodos na captura de
indivíduos do gênero Pambolus, a fim de favorecer seu estudo.
MATERIAL E MÉTODOS
As coletas foram realizadas em 18 pontos, de 10 estados brasileiros: Mata de São
João, Ilhéus, Porto Seguro,(BA); Ubatuba, Salesópolis, Ribeirão Grande, e Peruíbe (SP);
São Bento do Sul, e São Francisco do Sul (SC); Morretes (PR); Nova Iguaçu e Santa Maria
Madalena (RJ); Santa Teresa e Linhares (ES), Santa Luzia do Itanhy (SE); Quebrangulo
(AL); Recife (PE); João Pessoa (PB); dentro de áreas de proteção ambiental com
remanescentes de Mata Atlântica Ombrófila Densa, referente ao projeto “Riqueza e
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Diversidade de Hymenoptera e Isoptera ao longo de um gradiente latitudinal na Mata
Atlântica – a floresta pluvial do leste do Brasil (BIOTA-FAPESP) depositados na Coleção
Entomológica do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva, UFSCar (DCBU).
Os pontos de amostragem se estenderam de João Pessoa na Paraíba (07º06’54”S),
até São Bento do Sul – Santa Catarina (26º19’25.6”S).
Para testar a eficiência dos métodos de para o gênero Pambolus, foram utilizados três
diferentes tipos de armadilhas:
A armadilha Malaise, semelhante a uma tenda de rede fina no interior da qual, insetos
voadores capturados tendem a subir para escapar, passando para um recipiente coletor
contendo um fixador; a armadilha Moericke que contém uma mistura de água, formol e
detergente. O formol conserva o material, enquanto o detergente quebra a tensão superficial
da água, colocados em um recipiente de cor amarela sobre o solo, os insetos são atraídos e
caem no líquido ficando presos. A varredura da vegetação é feita com auxílio de uma rede
entomológica de tecido, presa a um aro de metal, que é batida contra a vegetação, seguidas
vezes com duração de 5 minutos, e os insetos capturados são depositados em sacos
plásticos contendo clorofórmio.
Os períodos de coleta foram de seis dias em cada localidade, contando com dez
armadilhas Malaise, cinco no interior da mata e cinco em trilhas ou próximas a córregos.
Ocuparam dois transectos paralelos espaçados 100m entre si, assim como as armadilhas
espaçadas 100m cada uma, abrangendo uma área total de 50.000m2. O mesmo esquema
foi utilizado para a Moericke, e em cada localidade foram instaladas 100 armadilhas por seis
dias consecutivos.
Ao final das coletas, a subfamília Hormiinae foi identificada em nível de gênero
utilizando a chave de identificação de WHITFIELD & WHARTON (1997).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos são apresentados na Tabela 1 e Figura 1.
Tabela 1 . Numero de espécimes do Gênero Pambolus coletados por armadilhas Malaise
em remanescentes de mata atlântica
Métodos de
Malaise Moericke Varredura
Coleta
26
217
194
N° de Indivíduos
Total
437
Figura 1 Frequência relativa de coleta dos espécimes do gênero Pambolus em
remanescentes de mata atlântica
85
5.94%
Malaise
44.39%
Moericke
49.65%
Varredura
A baixa eficiência da armadilha Malaise, com o menor índice de coleta (26 indivíduos),
corresponde a 5,94 % do total.Isso pode estar associado ao fato de ser uma armadilha
interceptadora de vôo, logo este não seria o método de coleta mais indicado para estudos
com este grupo.A Armadilha Moericke, apresentou o maior índice de coleta, com 217
indivíduos, correspondendo a um total de 49,65% do total. Espécies desse gênero habitam o
estrato arbóreo inferior e apresentam limitada capacidade de vôo, isto pode estar
relacionado ao fato desta armadilha ter coletado a maior quantidade por ficar em contato
direto com o solo, próxima a vegetação rasteira, favorecendo a captura.O fato desse gênero
ser composto por ectoparasitóides de hospedeiros ocultos, como minadores e galhadores
pode explicar a alta eficiência do método de "Varredura" da vegetação. Obteve-se 194
indivíduos, correspondendo a 44,39 % do total. É provável que os parasitóides gastem mais
tempo entre a vegetação a procura de seus hospedeiros.
CONCLUSÕES
Para o gênero Pambolus, considerando sua biologia e hábitos, o método de coleta
que apresentou maior eficiência foi a Armadilha Moericke, seguido pela "Varredura" da
vegetação e armadilha Malaise. A maior eficiência destes métodos de coleta pode ser
resultado da seletividade dos mesmos em relação à morfologia e biologia destes insetos,
entretanto, todos os métodos de coleta são necessários para estudos mais completos a
respeito do gênero.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A Mata Atlântica do Brasil – Disponível em: http://www.promuriqui.org.br/Portugues/habitat.htm.
Acessado em 11/08/2008 ás 17:50 hrs
BARNES, D.R; RUPPERT, E.E. Zoologia dos Invertebrados. 6º ed. São Paulo: Roca,
1996. 1029p.
BORROR, J.D; DELONG, M.D. Introdução ao Estudo dos Insetos, 2º ed. São Paulo:
Edgard Blucher, 1988. 812p.
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BUZZI, Z.J. Entomologia Didática. 4º ed. Curitiba: USPR, 2002. 347 p.
GAULD, I.D; BOLTON, B. The Hymenoptera. Oxford: Oxford University Press, 1988. 332p.
GODFRAY, H.C.J. Parasitoids: behavioral and evolutionary ecology. Princeton:
Princeton University Press, 1994. 437 p.
LASALLE, J.; GAULD, I.D. Hymenoptera and Biodiversity. Wallingford: C.A.B.
International, 1993. 347p.
MATTHEWS, R.M. Biology of Braconidae. Annual Review of Entomology, 19; p.15-32, 1984.
MEMMOTT, J.; GODFRAY, H.C.J.; TONKIN, D.W. The structure of a tropical hostparasitoid community. J.Anim.Ecol., v. 63, p. 521-540, 1994.
SHARKEY, M. J. Family Braconidae. In: GOULET, H.; HUBER, J. T. Hymenoptera of the
world: an identification guide to families. Ottawa, p. 362- 395, 1993.
WHARTON, R. A.; MARSH, P. M.; SHARKEY, M.J. (eds) Manual of the new world genera
of the family Braconidae (Hymenoptera). Special publication of the International Society
of Hymenopterists. Ottawa, 439p, 1997.
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