Contra fatos não há argumentos, diz antigo provérbio. Aplicado ao

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Brasil Urgente: primeiros sinais de colapso do novo governo
Contra fatos não há argumentos, diz antigo provérbio. Aplicado ao atual governo
brasileiro é uma verdadeira sentença de morte. A quantidade de fatos revelados nos
últimos dias demonstra claro enfraquecimento das bases materiais de
governabilidade do regime. Desmentem duvidosos argumentos dos seus economistas
de que as coisas estão a melhorar.
A propagandeada retomada da confiança dos capitalistas sofreu repentino
arrefecimento com novos fatos. Aumentaram as suspeitas de que o governo Temer
não é a repetição do exitoso (para seus interesses, claro) governo Itamar, aquele que
sucedeu Fernando Collor e implantou o plano Real em 1994. Como esperavam
realisticamente desde o início as pessoas bem informadas o que se revela é que o
governo Temer é um governo Dilma piorado. Os fatos comprovam essa realidade.
Começando pela sua base material. Um fato econômico de primeira grandeza foi
divulgado nesta manhã de quinta-feira (20): o Índice de Atividade Econômica do
Banco Central do Brasil (IBC-Br) registra recuo de 0.91% em agosto/2016.
Importante: foi a maior redução mensal desde maio/2015 (1,02%). Em doze meses
até agosto, o indicador registrou contração de 5,6%. É muita coisa.
Quer dizer, o nível de atividade da economia brasileira não só continuou no terreno
negativo como intensificou o ritmo de queda em Agosto. Ao invés de ir para frente, a
economia continua a andar de ré. Em 2016, o IBC-Br caiu em quase todos os meses,
com exceção de abril (+0.18%) e junho (+0,27%$). É quase uma catastrófica
depressão. É o que diz os cálculos do BACEN.
O IBC-Br é um indicador que procura antecipar a tendência do desempenho do
Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo IBGE. É um indicador mais
rigoroso que o PIB, em termos teóricos, pois, ao contrário do que acontece no cálculo
deste último, o IBC-Br foca nas variáveis mais relevantes da economia real –
incorporando as estimativas da agropecuária, indústria e serviços, além de impostos.
Mesmo sabendo deste indicador “antecedente” do PIB, os integrantes do Comitê de
Política Monetária do BACEN decidiram na reunião de quarta-feira (19) reduzir a
taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14,0% ao ano. Foi a primeiro corte da
taxa em quatro anos. Comemoraram o fato como a conquista de um título mundial.
Entretanto, a Selic é a maior taxa básica em todas as economias mais importantes do
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mundo. Para a equipe econômica de Temer isso não tem a menor importância.
Mesmo com a economia real afundando, como indica o próprio IBC-br, os senhores
da pátria financeira reduzem apenas milimétricamente a sua indecente taxa de juros.
Não estão nem um pouco preocupados que a sua manutenção nestes níveis absurdos
e, diga-se de passagem, totalmente desnecessária para a estabilização econômica. Ao
contrário, não só aumenta a depressão econômica, como vimos pelos números do
IBC-Br, como também arrebenta com as contas públicas. Quase a metade das
receitas do orçamento da União é destinada ao pagamento das despesas com a dívida
pública nacional.
É muito difícil encontrar no mercado mundial uma burguesia tão irresponsável e
atrasada como a brasileira. A política monetária parasitária e suicida é apenas um
exemplo de irresponsabilidade da burguesia que acaba gerando a tendência
econômica real da ingovernabilidade política do atual governo. Mas não é só isso.
Existem outros fatos ainda mais importantes que estão a indicar a tendência de
fulminante colapso econômico. A partir da ideia equivocada dos economistas sobre
taxa de juros e inflação e com os dados dos preços e da produção industrial brasileira
a serem divulgado nos próximos dias, aprofundaremos um pouco mais essas
observações acerca da situação econômica brasileira.
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