Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponiahot!

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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Produção de hortaliças em ambiente protegido:
uma técnica a ser aprendida
O professor Paulo Cezar Rezende Fontes é titular
no departamento de Fitotecnia da Universidade Federal
de Viçosa (UFV) e leciona Olericultura e Nutrição Mineral
de Plantas. É engenheiro agrônomo e mestre
em Fitotecnia pela UFV e PhD pela Purdue University (EUA),
tendo trabalhado como pesquisador e coordenador
do Programa Estadual de Pesquisas em Olericultura da
EPAMIG. Atualmente trabalha como consultor de diversos
periódicos e instituições brasileiras para assuntos ligados
à olericultura e desenvolve pesquisas como bolsista do CNPq.
IA - Quais os aspectos positivos e negativos da introdução do sistema de
produção de hortaliças em ambiente
protegido (PHAP) para a olericultura
nacional?
Paulo Fontes - O sistema de produção
de hortaliças em ambiente protegido tem
para a olericultura nacional alguns aspectos
positivos, dentre eles: fortalecimento dos
conceitos de qualidade total, intensidade,
escala, competência, competitividade,
precisão, custo, oferta programada e
produtos diferenciados, personalizados, com
sabor, grau de maturação e valor agregado; introdução de técnicas culturais mais
refinadas e precisas, com conseqüente valorização do conhecimento. Vale ressaltar
ainda que este método levou o produtor de
hortaliças a entender que não pode agir
como um executor de práticas culturais, mas
deve dispor de uma visão clara de todo o
sistema de produção, especialmente o que
o mercado quer e pode comprar, ou o que
compraria e com qual custo.
A introdução deste sistema poderá ajudar a expandir a olericultura nas atividades
de lazer, socialização, treinamento, produção da própria hortaliça e como terapia
em locais pouco convencionais como hotéis-fazenda, presídios, apartamentos,
chácaras, orfanatos, escolas, fundo de
quintal, entre outros.
O maior problema foi a sua irresponsável introdução. Apesar da existência de
alguns profissionais que estudam o tema
com seriedade, houve pessoas com conclusões predeterminadas. E o pior, disseminaram a falsa idéia da produção protegida como um processo quase milagroso,
salvador, sem limitações e melhor, mais
rentável, mais fácil, capaz de substituir e
mesmo contrapor ao processo de produção
tradicional.
Contudo, o destaque mais negativo foi
a indução de pessoas não-familiarizadas
com as hortaliças, ou seja, curiosos, a entrarem no negócio, utilizando técnicas e
procedimentos sofisticados, na maioria das
vezes inadaptados ao sistema de produção
vigente.
IA - Quais benefícios os produtores
podem esperar da PHAP em relação
ao sistema tradicional a céu aberto?
Paulo Fontes - Com os conhecimentos
existentes e pelas peculiaridades do sistema, intensividade em tecnologia e capital,
alguns benefícios podem ser conseguidos,
como: precocidade da produção, maior
produtividade, produtos mais limpos, menor lixiviação de adubos, maiores eficiências nos usos da água e dos fertilizantes
e, às vezes, decréscimo na incidência de
doenças.
IA - Quais as dificuldades e/ou problemas que têm impedido maiores
eficácia e expansão da PHAP?
Paulo Fontes - Há dificuldades em
diversas áreas, pois é atividade recente no
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Brasil. Apesar de alguns tímidos esforços
do ensino, pesquisa, extensão, firmas
produtoras, há problemas técnicos nãoresolvidos em diversos aspectos das áreas
tecnológica, gerencial e de mercado. O
crescimento da PHAP será acentuado,
quando forem desenvolvidos sistemas de
produção simples, adaptados e competitivos em custos com aqueles a céu aberto.
Também, há problemas na área de consumo. O brasileiro tem ainda o hábito de
consumir pequena quantidade de hortaliças. Porém, acreditamos que as maiores
dificuldades estão ligadas ao custo para
investimento fixo e ao poder de compra
da população, o que acarreta, pelo menos
momentaneamente, baixa rentabilidade à
atividade. Esperamos que estas dificuldades
sejam passageiras e possíveis de serem
solucionadas.
IA - Por que a PHAP ainda não “decolou” conforme previsto?
Paulo Fontes - Acreditamos que as
razões mais fortes têm sido: economia em
recessão; alto custo; insumos com os preços
altos; pequeno estoque de conhecimento
sobre as interações genótipos x técnicas
culturais x ambiente protegido x localidades
brasileiras; despreparo/desconhecimento/
mau uso de técnicas e princípios já conhecidos; desilusão com o “milagroso processo
de produção” por parte de alguns produtores e, praticamente, por todos os “aventureiros” ou amadores.
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IA - Quais produtores estariam aptos à
utilização desta técnica?
Paulo Fontes - Aqueles produtores que
entenderem ou forem capazes de ser
orientados para 10 pontos básicos:
- ser produtor tradicional das espécies
que for plantar sob proteção;
- ser capaz de oferecer o produto na
hora, na forma e no preço que o mercado quer, atentando para a oferta
de produtos de visualização e sabor
apurados;
- dispor de mão-de-obra motivada e
treinada;
- ter competência gerencial e administrativa;
- entender que a PHAP tem que ser
encarada como um sistema de produção intensivo e harmônico; em que
mão-de-obra, genótipo, equipamentos, estrutura física, bem como
as práticas de manejo da cultura,
água, planta, solo e insumos necessitam ser realizadas com coerência,
competência e eficácia para serem
otimizadas, obedecendo-se sempre o
conceito de tecnologia apropriada
para cada local;
- dispor de informação e conhecimento
agronômico sobre a cultura, apropriados para as condições do seu
empreendimento;
- ser criativo e estar disposto a crescer
aprendendo;
- ser crítico e ter a mentalidade de experimentação em relação a mercado,
estrutura, fatores de produção e
outros que lhes são oferecidos como
“o que há de melhor no mercado”;
- não acreditar em milagres, mas em
experiência, conhecimento, competência e trabalho;
- o décimo mandamento fica a critério
do leitor.
IA - Em termos de localidades, onde o
PHAP é mais viável ?
Paulo Fontes - Acredito que a localidade deva ter: tradição no cultivo de hortaliças, alguma condição desfavorável de
clima e proximidade dos centros consumidores. Além disso, deverá permitir que
no ambiente protegido seja possível
produzir as hortaliças que o mercado quer,
com vantagens comparativa e competiti-
Cultivo de Hortaliças em Solo e Hidroponia em Ambiente Protegido
va com outras localidades de produção a
céu aberto, durante todo o ano. Existem
opções no Brasil. Na região Sudeste, os
locais situados em altitude média, em torno
de 600m, aparentemente são os mais
indicados.
de estrutura de proteção e de equipamentos terão mais chances de ser viáveis economicamente. Estudos terão que mostrar
os caminhos.
IA - Por que nessa região ?
Paulo Fontes - Pela desinfecção do
solo e pelo plantio em substratos. Ambas
são soluções de custos iniciais altos e
sofrem fortes influências ambiental, econômica e do sistema de produção utilizado,
exigindo conhecimentos específicos, pouco
disponíveis para as condições brasileiras.
Obviamente, nos outros países, a apropriação dos procedimentos vem sendo
conseguida ao longo de vários anos, por
pesquisas adaptadas às peculiaridades
regionais, sem mágicas ou milagres.
Paulo Fontes - Por ser região tradicional implica em facilidades logísticas,
mão-de-obra treinada, conhecimento da
cultura, inclusive oportunidades e dificuldades de comercialização. A proximidade
dos centros consumidores oferece ao produtor a oportunidade de efetuar a venda
diretamente ao consumidor, trabalhando
com o “preço feito” ao invés da venda por
consignação. Nesses locais, o verão é chuvoso, com temperaturas não muito altas e
o inverno é pouco rigoroso. Assim, é possível utilizar o ambiente protegido o ano
todo, sem custos adicionais altos, beneficiando-se dos efeitos guarda-chuva, no
verão, e estufa, no inverno. Com isto,
aumenta-se a possibilidade de amortização mais rápida do capital investido e
intensifica-se o processo.
IA - Que problemas podem ocorrer com
o uso intensivo do solo sob estufa?
Paulo Fontes - Aparentemente, os
problemas principais são: acúmulos de
patógenos e de sais no solo. Sem falar na
possibilidade de ocorrência de efeitos
negativos dos plantios repetidos de
determinada espécie no mesmo local, que
deverão ser resolvidos por técnicos e
pesquisadores.
IA - Como os produtores brasileiros de
hortaliças em ambiente não-protegido têm resolvido os problemas
enumerados?
Paulo Fontes - Mudando de área, diferentemente de outros países, onde há
dificuldades para tal, pois é pequena a
disponibilidade de áreas novas, ou porque
os produtores estabeleceram onerosa estrutura fixa (não somente a estufa, mas depósitos, moradias, área de pós-colheita etc),
inviável de ser transportada para outros
locais. Até que tenhamos equacionados e
resolvidos (técnica e economicamente)
aqueles problemas, acreditamos que as
concepções mais simples e de baixo custo
IA - Como os produtores de outros países têm resolvido esses problemas?
IA - Qual a sua opinião sobre o uso de
substrato ao invés do solo na PHAP?
Paulo Fontes - Da mesma maneira que
consideramos a PHAP em relação à produção de hortaliças no país: complementar. Os diversos substratos, água, areia e
materiais sintético, natural e orgânico, são
usados em diferentes sistemas. Acreditamos que o esforço da pesquisa, na busca
de conhecimento para viabilizar a PHAP,
vai passar, em parte, pelo uso adequado
dos substratos. Acreditamos que os naturais e orgânicos serão os mais estudados,
visto que os demais são mais limitados por
razões técnicas ou operacionais ou ambientais ou mesmo sanitárias.
IA - E o futuro da PHAP para os técnicos
e produtores ?
Paulo Fontes - Temos muito que
aprender, especialmente porque a PHAP
cresceu bastante na China. Nesse país, em
1986, a área para a PHAP foi menos que
70 mil ha. Em 1996, atingiu 500 mil ha
ou 14% da área total dedicada à produção de hortaliças. Seja na China, seja no
Brasil, aprender e crescer não é possível
sem a disponibilidade de recursos materiais e humanos capazes de desenvolverem
e/ou adaptarem tecnologias compatíveis
com específicas condições edafoclimáticas
e de mercado e sem considerar os valores
culturais, sociais e, acima de tudo, econômico dos produtores. E a estes, como o futuro pertence a Deus, cabe-lhes seguir os
mandamentos.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
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REVISTA BIMESTRAL
ISSN 0100-3364
INPI: 1231/0650500
Cultivo de hortaliças em
ambiente protegido exige
capacitação técnica do produtor
COMISSÃO EDITORIAL
Márcio Amaral
Marcos Reis Araújo
Marcelo Franco
Antônio M. S. Andrade
Luthero Rios Alvarenga
José Braz Façanha
Eustáquio da Abadia Amaral
Vânia Lúcia Alves Lacerda
A produção de hortaliças vem passando por transformações
em busca da modernização necessária para melhorar sua rentabilidade e competitividade, o que tem exigido dos agricultores
esforços no sentido de identificar e eliminar as deficiências
EDITOR
Vânia Lúcia Alves Lacerda
tecnológicas, gerenciais e organizacionais que ocorrem nos dis-
COORDENAÇÃO TÉCNICA
Valter Rodrigues Oliveira e Maria Aparecida Nogueira Sediyama
tintos elos do agronegócio.
São vários os desafios a enfrentar, sendo alguns deles: melhorar a eficiência produtiva do sistema, aumentar a competiti-
COORDENAÇÃO EDITORIAL
Marlene A. Ribeiro Gomide
vidade dos produtos, reduzir os riscos, reduzir ao mínimo os custos
AUTORIA DOS ARTIGOS
Adriana Luzia Pontes, Antonio Bliska Júnior, Carlos Alberto Gemeinder de
Moraes, Carlos Alberto Lopes, Denizart Bolonhezi, Flávio Marquini,
Francisco Neto de Assis, Francisco Xavier Ribeiro do Vale, Francisval de
Melo Carvalho, Hélcio Costa, Heloísa Santos Fernandes, Henoque Ribeiro
da Silva, Hermínia Emília Prieto Martinez, João Tessarioli Neto, José Geraldo
Barbosa, José Usan Torres Brandão Filho, Juarez José Vanni Müller, Laércio
Zambolim, Luciano Oliveira Geisenhoff, Luis Cláudio Paterno Silveira,
Magno de Souza, Marcelo Picanço, Marta Elena Gonzalez Mendez, Osmar
Alves Carrijo, Osni Callegari, Paulo César Costa, Paulo Cezar Rezende Fontes,
Paulo Roberto Gomes Pereira, Paulo Sérgio Koch, Paulo Tarcísio Della
Vecchia, Pedro Jacob Christoffoleti, Pedro Roberto Furlani, Roberto Funes
Abrahão, Rumy Goto, Sérgio Roberto Martins, Sylvio Luís Honório, Tadeu
Graciolli Guimarães, Valdemar Faquin, Valmir José Vizzotto, Waldir Aparecido
Marouelli
unitários da produção e aumentar a receita na venda dos produtos, agregando-lhes qualidade e valor e eliminando os elos
desnecessários da cadeia de intermediação. Isto só pode ser
conseguido com o uso de tecnologias geradas e disponibilizadas
pela pesquisa e aplicadas eficientemente nas diversas etapas
do agronegócio por olericultores profissionais, com capacitação
técnica e intuição empresarial.
A tecnologia do cultivo em solo em ambiente protegido,
quando introduzida no Brasil, visava o cultivo de hortaliças na
entressafra, época em que os produtos alcançavam preços
REVISÃO LINGÜÍSTICA E GRÁFICA
Marlene A. Ribeiro Gomide, Rosely A. R. Battista Pereira
elevados de mercado. Atualmente, é uma tecnologia incorporada ao sistema de produção de hortaliças. Os pontos-chave na
NORMALIZAÇÃO
Fátima Rocha Gomes e Maria Lúcia de Melo Silveira
expansão desse novo sistema de produção têm sido o aumento
da competitividade, a internacionalização dos padrões de con-
PRODUÇÃO E ARTE
Digitação: Anderson dos Santos Coelho, Maria Alice Vieira e
Rosangela Maria Mota Ennes
Formatação: Maria Alice Vieira, Rosangela Maria Mota Ennes
Capa: Lamounier Lucas Pereira Júnior
Programação visual: Lamounier Lucas Pereira Júnior
IMPRESSÃO
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Rua Simão Antonio 1.070 - Cincão - Contagem - Fone: 391-0644
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Informe Agropecuário. - v.3, n.25 - (jan. 1977) Belo Horizonte: EPAMIG, 1977 .
v.: il.
.-
Bimestral
Cont. de Informe Agropecuário: conjuntura e estatística. v.1, n.1 - (abr.1975).
ISSN 0100-3364
1. Agropecuária - Periódico. 2. Agricultura - Aspecto
Econômico - Periódico. I. EPAMIG.
CDD 630.5
sumo, as mudanças no sistema de comercialização e o fundamental papel do consumidor no direcionamento do mercado,
no controle de qualidade e na exigência de produtos mais elaborados.
Com vistas à otimização da produtividade e de cada fator
de produção e devido à expansão da demanda por produtos
nobres e de alta qualidade, por consumidores mais exgentes e
de maior poder aquisitivo, observa-se nos últimos anos, no Brasil,
associado às estruturas de proteção, crescimento substancial
do cultivo de hortaliças em sistemas hidropônicos. Embora este
sistema esteja voltado principalmente para o cultivo de hortaliças de folhas, ele tem despertado interesse dos produtores para
a produção de hortaliças de frutos.
A EPAMIG, na sua missão de produzir e difundir conhecimento
e engajada no processo de modernização da olericultura brasileira, traz nesta edição especial de número 200 e 201, informações técnicas sobre essas modalidades de cultivo tão importantes para o agronegócio brasileiro.
ASSINATURAS: SETA/EPAMIG
Amazonas, 115 - 6o andar - Caixa Postal 515 - Fone: (031) 273-3544 Ramais 137/149
Fax: (031) 201-8867 - CEP 30180-902 Belo Horizonte, MG, Brasil
CGC(MF) 17.138.140/0001-23 - Insc. Est.: 062.150146.0047
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Márcio Amaral
Presidente da EPAMIG
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
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História e perspectivas da produção de hortaliças
em ambiente protegido no Brasil
Paulo Tarcísio Della Vecchia 1
Paulo Sérgio Koch 2
Resumo - O polímero de polietileno, descoberto no final da década de 30 e introduzido
na agricultura no início da década de 50, revolucionou a produção comercial de
algumas hortaliças em diversas regiões do mundo. Nas décadas de 70 e 80, houve
uma grande expansão da área de cultivo de hortaliças em ambiente protegido,
particularmente na Ásia e costa do mar Mediterrâneo. Estima-se que a área de
hortaliças em cultivo protegido (casas de vegetação e túneis altos) no mundo seja de
cerca de 200 mil hectares. No Brasil, esta tecnologia foi introduzida na década de 70.
Observou-se um rápido crescimento do cultivo de hortaliças com essa tecnologia, no
início da década de 90. Estimativas apresentadas em 1994 apontavam para uma área
de cultivo protegido de hortaliças de cerca de 2 mil hectares, com taxa anual de crescimento de 30%. Projeções para a virada do milênio indicavam uma área potencial
de produção de hortaliças em ambiente protegido de cerca de 10 mil hectares. Levantamento realizado em 1999, entretanto, estima a área de produção de hortaliças em
ambiente protegido no Brasil em cerca de 1.390 hectares. Diversos fatores têm sido
apontados como responsáveis pelo não crescimento do cultivo protegido de hortaliças no país. Entretanto, podem ser apontados como fatores decisivos, a dificuldade
no estabelecimento de uma vantagem comparativa no mercado para as hortaliças
produzidas em ambiente protegido e a competição dos produtos produzidos em
campo aberto. Todavia, existem perspectivas de reversão deste quadro a curto e
médio prazos, considerando-se como fatores indicativos o maior envolvimento da
instituição pública na condução de pesquisas pertinentes à área, a conscientização de
técnicos e produtores em relação às reais potencialidades da nova tecnologia de
produção e as mudanças no cenário de abastecimento dos instrumentos varejistas.
Palavras-chave: Hortaliças; Cultivo protegido; Plasticultura.
INTRODUÇÃO
A expressão cultivo protegido tem sido
utilizada, na literatura internacional, com um
significado bastante amplo. Ela engloba um
conjunto de práticas e tecnologias (quebraventos, mulches de solo, casas de vegetação,
túneis altos, túneis baixos, irrigação, etc.),
utilizados pelos produtores para um cultivo
mais seguro e protegido de suas lavouras
(Wittwer & Castilla, 1995). Da mesma forma,
o termo plasticultura também tem sido
utilizado com um significado amplo. Ele define um sistema de cultivo de plantas, em
que um grande benefício é obtido pela utilização de produtos (filmes plásticos, tubos
de irrigação, telas, etc.) derivados de polímeros plásticos (Lamont, 1996). Entretanto,
neste artigo, a expressão cultivo protegido
e o termo plasticultura são utilizados e
referem-se especificamente ao cultivo de
hortaliças em casas de vegetação e/ou túneis altos cobertos com filmes plásticos.
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HISTÓRIA
O descobrimento do polímero de polietileno, no final da década de 30, e sua
subseqüente introdução na agricultura,
no início da década de 50, revolucionaram a produção comercial de algumas hortaliças em diversas regiões do mundo
(Lamont, 1996). Japão, China, Estados
Unidos, Inglaterra e Israel lideraram esta
introdução na década de 50, seguidos pela
Espanha, França, Grécia, Turquia, Itália e
Engo Agro, Ph.D., Diretor Pesq. Agroflora S/A, Caixa Postal 427, CEP 12900-000 Bragança Paulista-SP.
Engo Agro, M.Sc., Gerente Pesq. Agroflora S/A, Caixa Postal 427, CEP 12900-000 Bragança Paulista-SP.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
outros países da costa do mar Mediterrâneo, na década seguinte (Wittwer, 1993).
No Brasil, a introdução desta tecnologia
ocorreu na década de 70, com a instalação
dos projetos pioneiros de cultivo de tomate em ambiente protegido pelo Instituto
Adventista Agroindustrial de Manaus, no
Amazonas (Martins, 1996), e de cultivo de
pepino japonês em ambiente protegido por
produtores cooperados da extinta Cooperativa Agrícola de Cotia - Cooperativa Central (CAC-CC) na região do cinturão verde
da cidade de São Paulo (Kumagaia, 1991).
Uma resenha histórica do desenvolvimento do cultivo de hortaliças em ambiente
protegido no Brasil e no mundo é apresentada no Quadro 1. A área desse tipo de cultivo teve um rápido crescimento, parti-
QUADRO 1 - Resenha histórica do desenvolvimento do cultivo de hortaliças em ambiente protegido com cobertura de filmes plásticos no Brasil e no
mundo
Período
1930
Principais acontecimentos
- Cientistas britânicos descobrem o polímero de polietileno (Lamont, 1996).
1950-1960 - Introdução do uso de filmes de polietileno e de outros polímeros de cadeias lineares ou ramificados, para o cultivo de plantas como
mulches, ou para a cobertura de túneis baixos e casas de vegetação. Japão, China, Israel, Estados Unidos e Inglaterra lideram esta
introdução (Wittwer, 1993).
1960-1970 - Introdução do cultivo de hortaliças em ambiente protegido nos países da costa do mar Mediterrâneo: Espanha, França, Grécia, Turquia,
Itália etc. (Wittwer, 1993).
- Rápido crescimento do cultivo de hortaliças em ambiente protegido na China e Japão (Wittwer, 1993).
1970-1980 - Rápido crescimento do cultivo de hortaliças em ambiente protegido nos países da costa do mar Mediterrâneo, principalmente na
Espanha e Itália (Wittwer & Castilla, 1995).
- A China assume a liderança mundial no cultivo de hortaliças em ambiente protegido (Wittwer & Castilla, 1995).
- Introdução do cultivo de hortaliças em ambiente protegido em países da América do Sul, principalmente no Chile em 1975 e Argentina
em 1976 (Cereghino, 1991).
- Instalação do projeto de cultivo de tomate em ambiente protegido pelo Instituto Adventista Agroindustrial de Manaus (Martins, 1996).
- Produtores cooperados da ex CAC-CC iniciam, em 1978, o cultivo de pepino japonês em ambiente protegido na região do cinturão verde
de São Paulo (Kumagaia, 1991).
1980-1990 - A produção de hortaliças em ambiente protegido, nos países da costa do mar Mediterrâneo, passa a ser a mais importante da Europa,
a ponto de a região ser considerada a Horta da Europa. Casas de vegetação do Norte da Europa, anteriormente destinadas à produção de
hortaliças, passam a concentrar-se mais na produção de flores e plantas ornamentais (Wittwer & Castilla, 1995).
- Devido ao sucesso obtido pelos primeiros produtores de pepino japonês, o cultivo de hortaliças em ambiente protegido amplia-se,
inicialmente entre os produtores, cooperados da ex CAC-CC e, posteriormente, entre outros produtores, principalmente nos estados do
Sul e Sudeste do Brasil.
- Em 1984, por iniciativa da Petroquímica Triunfo S/A, é elaborado e desenvolvido o Projeto São Tomé que tem como uma de suas metas,
desenvolver o cultivo de hortaliças em ambiente protegido na Região Sul do Brasil (Sganzerla, 1991).
- Diversas empresas privadas são criadas nos meados da década, visando o desenvolvimento, produção e comercialização de estruturas
metálicas para a construção de estufas. Empresas químicas e petroquímicas envolvem-se mais diretamente com a produção de filmes de
polietileno de melhor qualidade no Brasil. Dentre estas, destacam-se a Politeno, Poliolefinas, Petroquímica Triunfo, Union Carbide do
Brasil, Ciba Geigy e a Cianamid (Araújo, 1991).
- A partir da segunda metade desta década, diversas instituições públicas do Brasil iniciam seus trabalhos de pesquisa visando à melhoria
da produção de hortaliças em ambientes protegidos. Destacam-se como líderes neste trabalho a Faculdade de Ciências Agrárias e
Veterinárias (FCAV) da Unesp - Jaboticabal, SP; a Embrapa Hortaliças - Brasília, DF; o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar),
Curitiba, PR; a Universidade de Passo Fundo (UPF) - Passo Fundo, RS e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) - Pelotas, RS.
1990-1999 - A exemplo do que ocorreu com as casas de vidro do Norte da Europa, parte da área, anteriormente destinada à produção de hortaliças
nos ambientes protegidos da costa do mar Mediterrâneo, passa a ser destinada à produção de flores e plantas ornamentais (Wittwer &
Castilla, 1995).
- No início da década, impulsionados pelos primeiros resultados alcançados e pelo entusiasmo de técnicos da pesquisa e extensão, alguns
governos estaduais subsidiam programas para instalação de estufas destinadas ao cultivo de hortaliças no Brasil. Dentre estes destacase o programa da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Hamerschmidt, 1996/1997).
- Em 1991, iniciam-se os primeiros cultivos hidropônicos de alface em ambiente protegido na região do cinturão verde de São Paulo.
- Em 1994, a área de produção de hortaliças em ambiente protegido no Brasil é estimada em 2 mil hectares com crescimento anual de 30%
e projeções que apontam para uma área de 10 mil hectares na virada do milênio (Minami, 1995).
- Realização do I Fórum Internacional de Cultivo Protegido em Botucatu, SP, em 1997.
- Instalação do Comitê Brasileiro de Plasticultura, em 1999.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
cularmente na Ásia e costa do mar Mediterrâneo, nas décadas de 70 e 80. O Quadro 2 apresenta uma estimativa da área e
das principais hortaliças cultivadas em
casas de vegetação e túneis altos cobertos
com filmes plásticos, nos principais países
do mundo. No Brasil, observou-se também
um rápido crescimento desse cultivo, no
início da década de 90. Estimativas apresentadas em 1994 apontavam para uma área
de produção de hortaliças em ambiente
protegido de cerca de 2 mil hectares, taxa
anual de crescimento de 30% e projeções
para uma área de cerca de 10 mil hectares
na virada do milênio (Minami, 1995).
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QUADRO 2 - Estimativa da área cultivada com hortaliças em casas de vegetação e túneis altos
cobertos com filmes plásticos nos principais países do mundo
País
Área
(ha)
Culturas(1)
China
62.000
Pepino, tomate, morango, pimentão, berinjela,
cebola, cebolinha, vagem, couve-chinesa, abóbora.
Japão
30.000
Pepino, tomate, morango, melão.
Espanha
24.000
Melancia, pimentão, melão, morango, tomate,
pepino, abóbora.
Itália
21.000
Tomate, morango, pimentão, melão, pepino.
Grécia
11.000
Tomate, pepino, melão, pimentão, berinjela.
Argélia
10.000
Tomate, pepino, melão.
França
6.000
Tomate, pepino, morango.
Egito
6.000
Tomate, pepino, melão.
SITUAÇÃO ATUAL
Portugal
5.000
Melão, morango, tomate, pimentão.
Estimativas da área de produção de hortaliças em ambiente protegido no Brasil,
para o ano de 1998, não corroboram com as
expectativas de crescimento do início da
década. De acordo com levantamento efetuado em 1999, cerca de 1.390 ha foram
cultivados com hortaliças nesse sistema,
no Brasil, no ano de 1998. São Paulo, Paraná
e Rio Grande do Sul foram os estados com
maior área de produção. Dentre as hortaliças mais utilizadas destacaram-se o pimentão, a alface, o tomate e o pepino (Quadro 3).
Diversos fatores têm sido apontados
como responsáveis pelo baixo crescimento
do cultivo protegido de hortaliças no Brasil.
Martins (1996) e Goto (1997) apontaram
como principais os seguintes: equívocos
ou má-fé na divulgação da tecnologia, sem
o respaldo de informações adequadas previamente geradas e testadas pela pesquisa
agrícola, que resultaram em experiências
negativas para muitos produtores, com
prejuízos econômicos e conseqüente descrença no uso desse sistema de produção;
equívocos no estabelecimento de prioridades de pesquisa para o atendimento das
demandas reais do setor; falta de integração entre instituições públicas de pesquisa, extensão rural, produtores e empresas
privadas para a divulgação de resultados
de pesquisa, introdução de novas tecnologias e fomento da plasticultura; dificuldades para o estabelecimento e/ou a
Coréia do Sul
4.000
Pepino, tomate, vagem, repolho.
Marrocos
3.400
Tomate, pepino, pimentão, berinjela.
Turquia
3.000
Tomate, pepino, melão, berinjela, pimentão.
Rússia
3.000
Pepino, cebola, tomate, morango.
Reino Unido, Holanda, Bélgica,
Escandinávia e Alemanha
6.000
Tomate, pepino, alface, morango.
FONTE: Wittwer (1993).
(1) Culturas em ordem aproximada de importância.
superação de problemas relacionados com
a comercialização diferenciada das hortaliças produzidas em ambientes protegidos de forma que justifiquem e estimulem
o investimento na plasticultura; profunda
crise sócio-econômica experimentada pelo
Brasil ao longo das décadas de 80 e 90 com
graves conseqüências no crescimento do
consumo, no custo e disponibilidade de
crédito para investimento agrícola. Alguns
dos problemas apontados por Martins
(1996) e Goto (1997) são evidentes e de fácil
reconhecimento. Outros, porém, merecem
uma reflexão mais profunda.
Em relação à pesquisa sobre o cultivo
de hortaliças em ambiente protegido, uma
análise dos trabalhos apresentados nos
congressos da Sociedade de Olericultura
do Brasil (SOB) pode ajudar a visualizar
melhor a realidade do início da plasticultura
comercial no país. O primeiro trabalho
sobre esse sistema de cultivo apresentado
no congresso da SOB, após a introdução
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dessa tecnologia em escala comercial no
Brasil, data de 1985. Durante o período de
1985 a 1994, apenas 47 trabalhos sobre
plasticultura foram apresentados. Destes,
somente um tratou do aspecto nutrição e
adubação de plantas e dois trataram do
controle de pragas e doenças, aspectos
identificados como críticos no cultivo de
hortaliças em ambiente protegido. O mesmo
pode ser constatado para outras áreas de
conhecimento (Quadro 4). Tais dados sugerem que a pesquisa não conseguiu antecipar-se em relação às necessidades da
nova tecnologia de produção de hortaliças,
particularmente durante o período inicial e
de crescimento acelerado da plasticultura
no Brasil. A falta de informações da pesquisa pode ter contribuído para dificuldades e experiências negativas de muitos
produtores, particularmente aqueles mais
novos na atividade. Entretanto, não se
acredita que tenha sido um fator relevante
no baixo crescimento do cultivo protegido
8
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 3 - Estimativa da área cultivada com hortaliças em ambiente protegido no Brasil, para o ano de 1998
Área
(ha)
Estado
Principais culturas(1)
Principais regiões/cidades
São Paulo
550
Pimentão, tomate, pepino, alface,
folhosas(2)
Mogi das Cruzes, Salesópolis, Itaquaquecetuba, Ibiúna, Vargem Grande, São
Miguel Arcanjo, Campinas, Salto, Indaiatuba, Jaguariúna, Holambra, Bragança
Paulista, Tuiuti, Pinhalzinho, Sorocaba, Tietê, Boituva, Cerquilho, Itapetininga,
Tatui, Capão Bonito, Guapiara, Araçatuba, Birigui, Marília, Tupã.
Paraná
240
Alface, pepino, tomate, pimentão
Curitiba, Santo Antônio da Platina, Londrina, Maringá, Cascavel, Guarapuava,
Campo Mourão, Pato Branco, Cornélio Procópio, União da Vitória, Ponta
Grossa.
Rio Grande do Sul
200
Alface, tomate, pepino, pimentão
Porto Alegre, Serra Gaúcha, Depressão Central, Campanha, Santa Rosa,
Planalto, Vale do Taquari, Alto Uruguai, Zona Sul.
Mato Grosso do Sul
100
Alface, melão, pepino, tomate
Angélica, Aparecida do Taboado, Bataguassu, Campo Grande, Dourados,
Fátima do Sul, Itaporã, Naviraí, Nova Andradina, Rochedo, Sidrolândia, São
Gabriel do Oeste, Taquarussu.
Rio de Janeiro
100
Pimentão, tomate, alface, jiló
Terezópolis, Sumidouro, Paty do Alferes, Itaperuna, São José do Vale do Rio
Preto, Petrópolis, Saquarema, Nova Friburgo, Miguel Pereira, Bom Jardim,
Vassouras, São José de Ubá, Araruama, Cambuci, Varre-Saí, Itaocara.
Distrito Federal
70
Pimentão, folhosas, tomate, pepino
Espalhadas por todos os núcleos rurais.
Santa Catarina
50
Tomate, alface, pepino, pimentão
Região Oeste, Planalto Alto, Vale do Itajaí, Região Litorânea.
Minas Gerais
20
Alface, pimentão, tomate, folhosas(2)
Belo Horizonte, Sete Lagoas, Divinópolis, Araguarí, Uberlândia, Patos de
Minas, Juiz de Fora, Barbacena, Muriaé, Teofilo Otoni, Mucuri, Montes
Claros.
Espírito Santo
10
Pimentão, alface, tomate, pepino
Venda Nova, Santa Maria.
Outros
50
_
_
(1) Principais culturas em ordem aproximada de importância. (2) Entre as folhosas incluem-se principalmente agrião, almeirão, rúcula, espinafre
japonês e algumas espécies condimentares (cebolinha, salsa, coentro, etc.).
QUADRO 4 - Trabalhos de pesquisa sobre o cultivo de hortaliças em ambiente protegido apresentados nos congressos da SOB no período 19871998
Período
Número
de
trabalhos
1987-1990
16
Avaliação de cultivares (8), agroclimato- Tomate (9), pepino (3),
logia (4), irrigação (1), economia (1), nu- melão (3), hortaliças ditrição e adubação (1), filmes plásticos (1) versas (1)
EMBRAPA Hortaliças, DF (7), UNESP-FCAV, SP (2),
EMBRAPA Clima Temperado, RS (2), UFPEL, RS (1),
UPF, RS (1), UFSM, RS (1), IAPAR, PR (1), UEPAE,
PA (1)
1991-1994
30
Avaliação de cultivares (13), agroclimatologia (5), práticas culturais (4), hidroponia (3), filmes plásticos (3), controle
de pragas e doenças (2), irrigação (1)
Tomate (12), pepino (8),
alface (5), pimentão (2),
abobrinha (1), vagem (1),
melão (1)
EMBRAPA Hortaliças, DF (10), UNESP-FCAV, SP
(6), UPF, RS (6), IAPAR, PR (4), EPAGRI, SC (2),
UNESP-IS, SP (1), UEL, PR (1)
1995-1998
72
Avaliação de cultivares (21), práticas
culturais (20), Hidroponia (11), nutrição
e adubação (5), tipos de ambiente protegido (4), irrigação (3), controle de pragas
e doenças (3), agroclimatologia (2), filmes
plásticos (2), economia (1)
Tomate (21), alface (20),
pepino (12), melão (5),
pimentão (5), abobrinha
(2), hortaliças diversas
(2), morango (1)
UNESP-FCAV, SP (13), EMBRAPA-Hortaliças, DF (11),
UNESP-FCA, SP (8), UFPEL, RS (7), UENF, RJ (4),
UFSCAR, SP (4), IAPAR, PR (3), EMBRAPA-Clima
Temperado, RS (3), UNB, DF (3), UFV, MG (2), UFLA,
MG (2), UPF, RS (2), UFSM, RS (2), USP-ESALQ, SP
(2), IAC, SP (1), UNESP-IS, SP (1), UEL, PR (1),
UFAM, AM (1), UFPI, PI (1), UNIMAR, SP (1)
Linhas de pesquisa
Culturas
Instituições de pesquisa
NOTA: O número entre parênteses indica o total de trabalhos apresentados por linhas de pesquisa, culturas e/ou instituições de pesquisa.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
de hortaliças no Brasil. É característica
inerente da pesquisa agrícola trabalhar
sobre demandas criadas pela adoção de
novos sistemas de produção, particularmente quando estes apresentam um rápido
crescimento. O exemplo de Almeria, na
Espanha, ilustra bem este fato. Embora a
pesquisa espanhola também não tenha
antecipado às necessidades dos produtores no cultivo de hortaliças em ambiente
protegido, a falta dela, principalmente no
início do desenvolvimento e adoção da
nova tecnologia de produção, não impediu
o crescimento da atividade na região que
veio tornar-se a maior área contínua de
produção de hortaliças em ambiente protegido do mundo.
O que parece ter sido crítico para o
baixo crescimento da plasticultura no Brasil
foi a dificuldade de estabelecimento de uma
vantagem comparativa, em nível de mercado, para as hortaliças produzidas em
ambiente protegido. A falta de experiência
de muitos produtores, particularmente em
relação à classificação, embalagem e comercialização diferenciada dos produtos
produzidos em ambiente protegido, parece
ter sido decisiva para o insucesso e a descrença deles no uso de ambiente protegido
para a produção de hortaliças. Outro fator
importante a ser considerado é a competição dos produtos cultivados em campo
aberto. Devido às dimensões continentais
do Brasil e a sua extraordinária diversidade
climática, a produção de hortaliças de
qualidade em campo aberto é quase sempre
possível, particularmente para algumas
espécies. Tomando como exemplo o tomateiro, frutos desta espécie, produzidos
em campo aberto, têm sido cuidadosamente
classificados e embalados por alguns
produtores e/ou embaladores com qualidade comparável, em aparência, à dos
tomates produzidos em ambiente protegido.
PERSPECTIVAS FUTURAS
Apesar do baixo crescimento ou mesmo
retrocesso observado nos últimos anos, no
uso de ambiente protegido para o cultivo
de hortaliças no Brasil, existem perspectivas de que esse quadro possa ser alterado
a curto ou a médio prazo. A seguir são destacados os fatores indicativos dessa possível mudança.
Maior envolvimento da
instituição pública na
condução de pesquisas
pertinentes à área
De 1995 a 1998 o número de trabalhos
apresentados nos congressos da SOB,
sobre o cultivo de hortaliças em ambiente
protegido no Brasil foi bastante superior
àqueles apresentados no período de 1985
a 1994. Cerca de 20 instituições públicas
de diversos Estados brasileiros estiveram
envolvidas com a condução dessas pesquisas (Quadro 4). Desde que estas instituições sejam capazes de dar continuidade
ao trabalho já iniciado e que tenham como
preocupação constante a identificação
correta das reais necessidades de pesquisa
na área, elas certamente poderão fornecer,
a partir de agora, o suporte técnico necessário para o desenvolvimento seguro da
plasticultura no Brasil.
Amadurecimento em relação
às potencialidades da nova
tecnologia de produção
Cerca de 20 anos se passaram desde o
início da introdução do cultivo protegido
de hortaliças, no Brasil. Durante este período, produtores profissionais e amadores,
sem nenhuma experiência, envolveram-se
no cultivo de hortaliças em ambiente protegido. Se a adoção da nova tecnologia
já foi difícil para os produtores profissionais, ela foi sem dúvida motivo de frustração para muitos amadores. Estes já abandonaram a atividade, restaram somente os
profissionais. Também, já não se observa
mais a euforia dos primeiros anos. Percebese, portanto, que houve um amadurecimento em relação às potencialidades da
nova tecnologia tanto entre produtores,
como entre profissionais das esferas públicas e privadas responsáveis pelo fomento da atividade. Dentro deste novo
cenário, espera-se que, a partir de agora,
os investimentos na área sejam mais
conscientes e, portanto, com maiores
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9
possibilidades de sucesso e crescimento.
Mudanças no cenário do
abastecimento dos
instrumentos varejistas
Já foi dito que o sucesso do cultivo de
hortaliças em ambiente protegido depende
da possibilidade do estabelecimento de
uma vantagem comparativa evidente, para
produtos produzidos sob estas condições,
quando comparados aos produzidos em
campo aberto. Para que isto ocorra, é necessário obter não só qualidade, mas
também alta produtividade nos cultivos
sob ambiente protegido. Nas palavras de
Martins (1996) será preciso “produzir mais
e melhor com menor custo por unidade
produzida”. Trabalhos de pesquisa conduzidos no Brasil, como por exemplo o de
Fontes et al. (1997) e Rodrigues (1997), confirmam a possibilidade de produzir mais e
melhor sob ambiente protegido. Parece que
a maior dificuldade tem sido a comercialização diferenciada dos produtos, pois,
além da excelência na padronização e qualidade dos produtos, é necessário também
produzir em escala compatível para garantir
o atendimento dos instrumentos diferenciados do mercado varejista. Não basta
produzir qualidade, se não for possível
produzir também quantidade regularmente. Tem-se observado, em particular nos
últimos anos, um crescente interesse dos
supermercados no segmento dos hortifrutigranjeiros. Estes exigem qualidade e
escala. Começam a surgir no Brasil as
primeiras empresas e associações de produtores interessadas em atender este nicho
de mercado. Acredita-se que o cultivo protegido de hortaliças possa vir a dar grande suporte a esta iniciativa, garantindo a
qualidade e os volumes necessários, particularmente para algumas espécies de
hortaliças que apresentam dificuldades
de produção em épocas específicas do
ano. Seria importante considerar as produções obtidas em campo aberto e em
ambiente protegido como produções complementares para o atendimento desta
demanda.
10
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Technology, Alexandria, v.6, n.3, p.150-154,
1996.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos profissionais, relacionados a seguir, pelo fornecimento das
estatísticas referentes à área de produção de hortaliças em ambiente protegido, principais culturas e regiões ou cidades que utilizam esta tecnologia de produção em seus
respectivos Estados de atuação: Engo Agro Jandir Vicentini Esteves (RS); Engo Agro
Euclides Challenberger (SC); Engo Agro Iniberto Hamerschmidt (PR); Enga Agra Mariana
Zatarim (MS); Engo Agro Luiz Gomes Correia (MG); Engo Agro Norton Naldi Filho (RJ); Sr.
Fernando Cabral Ferraz (ES).
Ao Dr. Sylvan H. Wittwer pela autorização para reprodução dos dados do Quadro 2.
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SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE PLASTICULTURA, 1, 1989, Jaboticabal. Anais...
Plasticultura. 2.ed. Jaboticabal: FUNEP, 1991.
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SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE PLASTICULTURA, 1, 1989, Jaboticabal. Anais...
Plasticultura. 2.ed. Jaboticabal: FUNEP, 1991.
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of a plasticulturae vegetable system? Hort
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limites sócio-econômicos e tecnológicos frente as novas e crescentes demandas. Horticultura Brasileira, Bra-sília, v.14, n.2, p.133138, nov. 1996.
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Esta-do de São Paulo. São Paulo: Associação
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I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 5 - 1 0 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
11
Local de instalação e construção de estufas
para cultivo de hortaliças
Antonio Bliska Júnior 1
Sylvio Luís Honório 2
Resumo - Aspectos importantes da aplicação do plástico na agricultura em função das
condições climáticas, sistemas de cultivo, materiais disponíveis para construção e outros
considerados relevantes para o sucesso do cultivo protegido são discutidos. De maneira
especial é abordada a questão da temperatura, o que sem dúvida é o principal problema
da plasticultura brasileira.
Palavras-chave: Cultivo protegido; Plasticultura; Horticultura; Cultivo sem solo.
INTRODUÇÃO
A escolha do local de uma área destinada ao cultivo intensivo, quer seja em
solo, quer seja em hidroponia, deve atender
a critérios técnicos rigorosos para o bom
funcionamento das estufas. Considerandose o cultivo em solo, a primeira medida é
atestar a sanidade deste, para evitar problemas com nematóides e outros fitopatógenos, pragas ou plantas daninhas que
possam comprometer a atividade agrícola.
Tal medida é obrigatória, uma vez que as
estufas, principalmente aquelas de estrutura metálica, são fixas e permanecerão no
mesmo local por um período não inferior a
20 anos. Feito isto, devem-se considerar
aspectos referentes à localização, tais como: topografia, latitude, altitude, orientação
quanto à insolação, entre outros.
Antes, porém, vale lembrar que é difícil
conseguir atender a todas as condições
consideradas ideais para a correta instalação de uma estufa. A decisão da escolha
do local mais adequado deve ser tomada
com bom-senso e com base na análise
conjunta dos fatores descritos a seguir.
Além disso, o empresário agrícola/produtor rural deve recorrer, se possível, a técnicos com comprovada experiência no cultivo
protegido, para auxiliá-lo no projeto e insta-
lação da estufa. Toda estrutura da estufa e
de apoio à atividade hortícola deve resultar
de um projeto específico para o local onde
vai ser construída.
PARÂMETROS DE PROJETO
A localização da estufa em função da
topografia é que vai determinar a necessidade de realizar uma terraplenagem prévia
para sua construção. No caso de instalações hidropônicas, tal necessidade visa
adequar o sistema de distribuição e drenagem da solução nutritiva, facilitando a
operacionalização do sistema hidráulico.
Neste caso, recomenda-se uma declividade
de 2 a 3%. Já para o cultivo no solo, a mesma
declividade pode ser adotada, mas sua
recomendação visa somente facilitar a
drenagem do excesso de água de irrigação,
no interior da estufa, ou da chuva, externamente. Em terrenos de maiores declividades (até 15%), as estufas podem ser
construídas, mas deve-se ter consciência
da necessidade de alterações estruturais e
das dificuldades operacionais que tal situação vai impor.
Altitude e latitude devem ser levadas
em consideração em função de sua importância com relação ao clima e microclima
do local escolhido, para a construção da
1
estufa. O conhecimento prévio das condições climáticas é obtido junto aos órgãos
competentes que mantêm postos meteorológicos instalados em todo o país. A
obtenção de séries climáticas, normalmente,
não integra os projetos de estufas construídas no Brasil e, por negligenciar este
aspecto ou relegá-lo a segundo plano, muitos erros de projeto, problemas de manejo
e até mesmo prejuízos comerciais têm
ocorrido. Os problemas mais comuns são
o excesso de calor no interior da estufa e a
danificação parcial ou total dos plásticos
de cobertura e da própria estrutura metálica
subdimensionada, devido à incidência de
ventos um pouco mais intensos. Vale lembrar que dificilmente uma empresa nacional
dá garantias de suas estufas quanto a
ocorrências de ordem climática. No entanto,
em outros países essas garantias existem e
são, inclusive, exigidas para efeito de
seguro das estruturas das estufas.
Outro fator de máxima importância em
qualquer projeto de cultivo protegido é a
água. Esta deve ser previamente analisada
quanto à sua qualidade (físico-química e
biológica) e mensurada quanto à sua disponibilidade.
O correto levantamento das informações climáticas, aliado ao conhecimento
das condições de crescimento e desenvol-
Engo Agro, M.Sc., Prof. UNICAMP-FEAGRI, Caixa Postal 6011, CEP 13083-970 Campinas, SP. E-mail: [email protected]
Engo Agro, Ph.D., Prof. Assist. UNICAMP-FEAGRI, Caixa Postal 6011, CEP 13083-970 Campinas, SP. E-mail: honó[email protected]
2
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200/201, p.11-14, set./dez. 1999
12
RELAÇÃO ENERGIA - PLANTA AMBIENTE
O sol, fonte primária de energia na forma de radiação global (calor, raios infravermelhos, luz visível e ultravioleta), aquece
durante o dia o ambiente (ar), plantas,
estruturas e o solo da estufa. À noite, essa
energia é reemitida pela estufa na forma
de ondas longas ou é dissipada por perdas
de ar quente, vapor de água, etc. Em condição real, tem-se uma permanente troca
de energia e gases (vapor de água, dióxido
de carbono, etc.) entre a estufa e o ambiente
externo. Na Região Sul do Brasil ou em
climas de altitude, especialmente em regiões serranas, o acúmulo de calor viabiliza
a produção fora de época, no inverno principalmente, além de abreviar o ciclo da
cultura. Nestas condições, deve-se orientar
a estufa, com a sua maior dimensão (comprimento) alinhada com o eixo Norte-Sul
da rosa-dos-ventos, de maneira a receber a
máxima carga de radiação solar. Nas demais
regiões, o excesso de calor e as altas temperaturas alcançadas no interior da estufa
farão com que a planta cesse a atividade
fotossintética (Gráfico 1). Por isso, reco-
Topt
Fotossíntese
vimento exigidas pela espécie que se pretende cultivar (temperatura, umidade,
luminosidade, concentração de dióxido de
carbono e nutrição) em ambiente protegido,
vai permitir a otimização dos benefícios que
esta ferramenta chamada estufa pode trazer
ao empresário/produtor agrícola. Para que
se tenha ciência da importância disso,
ressalta-se que profissionais habilitados,
como engenheiros agrícolas e agrônomos,
são aptos a dimensionar, com precisão de
0,5ºC nos projetos de estufas, as temperaturas incidentes em seu interior ao longo
do ano. Isto é possível devido ao chamado
Cálculo de Carga Térmica. Na prática, devido à dificuldade de contatar técnicos
capacitados a fazer este tipo de cálculo,
têm-se sugerido aos usuários do cultivo
protegido algumas medidas de bom-senso,
com base em fórmulas simples, as quais
permitam um dimensionamento adequado
e que atenda aos requisitos mínimos de
ventilação das estufas nas condições brasileiras de clima tropical.
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Tmín
Tmáx.
0
10
20
30
40
Temperatura da folha (oC)
Gráfico 1 - Relação entre fotossíntese da planta e temperatura da folha
menda-se o posicionamento ao longo do
eixo Leste-Oeste da rosa-dos-ventos, situação que reduz a incidência de radiação
em mais de 20%.
No cultivo em estufas, o produtor/empresário deve estar consciente da necessidade de possuir pelo menos um termômetro de “máxima e de mínima”. Desse modo, poderá coletar dados de temperatura
regularmente no interior da estufa. De posse
desses valores de temperatura, poderá
aplicá-los à Equação 1 e, com o auxílio do
Gráfico 1, saber se as plantas estão realizando fotossíntese, ou seja, trabalho.
ximo a capacidade de ventilação natural,
utilizando-se do efeito chaminé, onde o ar
quente sobe por si só. Para o cultivo de
plantas, dentro de valores adequados de
temperatura, umidade, etc., a estufa precisa
estar equipada com janelas nas laterais e
no telhado (janela zenital ou lanternim), de
acordo com a porcentagem de ventilação
(V%) descrita na Equação 2, de valor mínimo igual a 30%, chegando a 40% nas
regiões de clima mais quente.
Equação 2:
V% =
Superfície das janelas (m2)
x 100
Superfície da estufa (m2)
Equação 1:
Tm =
T9 + 2 x T21 + Tmáx. + Tmín.
5
em que:
Tm
= temperatura média (ºC),
T9
= temperatura às 9 horas (ºC),
T21 = temperatura às 21 horas (ºC),
Tmáx. = temperatura máxima (ºC),
Tmín. = temperatura mínima (ºC).
VENTILAÇÃO
Como em grande parte do território nacional a insolação é alta, a maior preocupação deve ser com a ventilação, para
eliminar o excesso de calor do interior das
estufas. Para isso, deve-se explorar ao má-
Na Equação 2, por superfície da estufa
subentende-se a área das paredes frontais,
laterais e do telhado, ou seja, a superfície
recoberta com plástico.
Além deste, outro critério importante,
chamado de volumétrico, também deve ser
observado. Ele consiste na relação prática
de m3/m2, ou seja, na relação entre o volume
de ar e a superfície da estufa (neste caso,
piso da estufa). Deve ser no mínimo de 3m3
de ar por 1m2 de área coberta. Isto equivale
a dizer que o pé direito de uma estufa, na
calha, deve ser superior a 2,80m. Atualmente, mesmo em regiões de clima temperado, a tendência tem sido trabalhar com
maiores volumes de ar, que possibilitam
menor variação de temperatura com um
manejo adequado.
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200/201, p.11-14, set./dez. 1999
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Também o vento local deve ser considerado na localização da estrutura, para que
se utilizem seus efeitos benéficos na retirada do excesso de calor das estufas. Os
aspectos de proteção contra ventos fortes devem ser observados com cuidado,
principalmente no que se refere à distância
mínima do quebra-vento até a estufa. Esta
deve ser de 10m e sua altura deve superar a
parte superior da cumeeira da estufa em
1,5m.
ARQUITETURA DA ESTUFA
Com relação à arquitetura da estufa,
deve-se ter em mente sua funcionalidade e
praticidade para o controle do seu ambiente
interno e a manutenção da estrutura como
um todo. Estufas em arco podem facilitar a
colocação do plástico, mas, em compensação, apresentam o inconveniente de proporcionar o acúmulo de ar quente e dificultar a instalação de janelas zenitais (no
telhado). Por isso, sua construção deve
restringir-se a culturas de porte baixo, que
não interferem na movimentação do ar com
o uso exclusivo das janelas laterais. A construção de estufas com telhado em duas
águas facilita a instalação de janelas zenitais ou lanternins e permite melhor manejo
do ambiente.
Novos modelos de estruturas mais simples e leves estão sendo projetados por
empresas européias, visando o mercado
tropical de estufas. Para atender a esse
segmento crescente, em que o Brasil está
incluído, estão surgindo estufas com telhados móveis (tipo cabriolet) e coberturas
que funcionam como cortinas móveis a
base de poliéster.
Estruturalmente, a estufa deve ser dimensionada para suportar:
a) carga permanente (estrutura e cobertura plástica) e vertical;
b) carga de equipamentos (presentes
ou de instalação futura) - sistemas
de irrigação, ventiladores, etc.;
c) carga de vento. Nota-se que o
principal efeito do vento é exercido
no perímetro da estufa, exigindo
reforços estruturais para suportar
sua carga;
d) carga da cultura. Para suporte de
plantas em vasos, isto pode representar até 1.000N/m2 ou em tomateiro
tutorado, 150N/m2.
Dentre os materiais estruturais disponíveis para a construção de estufas, têmse o ferro galvanizado, a madeira, o bambu,
o concreto e até o próprio plástico rígido.
Cada um deles vai apresentar características técnicas e econômicas que vão
determinar a escolha. No entanto, na questão econômica não se pode restringir a uma
análise imediatista. Deve-se ponderar a
relação custo benefício de cada material ao
longo do tempo. Neste quesito, normalmente, uma estrutura de ferro galvanizado,
apesar de seu custo elevado por metro
quadrado, leva vantagem, quando consideradas a baixa manutenção e o longo
período de vida útil da estrutura.
Dentro de uma estufa podem-se alterar
a quantidade e a qualidade da luz incidente sobre as plantas. Isto é possível com a
utilização apropriada dos materiais de
cobertura de estufas de modo que atuem
como verdadeiros filtros de radiação e de
luz. A escolha adequada de plásticos, telas
de sombreamento e telas reflexivas requer
conhecimento das características e funções de cada um desses materiais.
Atualmente, a oferta no mercado de
diversos materiais de cobertura produzidos
no país e a entrada de produtos importados
tendem a beneficiar o usuário, não só pelo
aspecto econômico, mas também pelo
técnico. Mais uma vez a perfeita caracterização da necessidade de luz pela cultura
vai ser fundamental na escolha do plástico
e/ou tela de sombreamento. Um dos erros
mais freqüentes nas condições brasileiras
de clima tem sido a utilização inadequada
das telas de sombreamento, principalmente as de coloração preta, para redução da
temperatura e fechamento lateral de estufas. Como o nome diz, é uma tela de sombreamento que limita a passagem de luz.
Quando usada no interior das estufas, sua
coloração escura vai provocar aumento in-
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200/201, p.11-14, set./dez. 1999
13
desejado da temperatura por ser um acumulador de energia e, portanto, de calor. A
sua fixação na lateral da estufa, para impedir
a passagem dos insetos, é limitada pelo
tamanho da trama da tela e mais uma vez
provoca acúmulo de calor, por causa da
sua coloração, além de impedir uma ventilação mais adequada. Nestas situações,
o uso de telas reflexivas, de telas de coloração clara e de janelas escamoteáveis deve
ser considerado.
Na cobertura da estufa propriamente
dita, além dos tradicionais filmes plásticos
transparentes de polietileno, estão disponíveis, ao empresário agrícola, os filmes
térmicos coextrudados (multicamadas),
recomendados para regiões de maior exigência de retenção de calor; filme difusor
de luz, recomendado para culturas de porte
alto que provocam auto-sombreamento
como tomate, pepino etc., e filmes coloridos,
como o vermelho (próprio para o cultivo
de rosas e gérberas), que aumentam a taxa
fotossintética das plantas, ou o azul, que
possui ação inibidora na entrada de insetos
vetores de viroses e no desenvolvimento
de fungos (Botrytis e Pseudoperonospora
cubensis) no interior da estufa.
Na prática, o uso do plástico ainda requer atenção em outros aspectos, como a
sua fixação sobre a estrutura, que deve ser
de tal forma que não haja contato direto
com esta, evitando sua deterioração. O recurso da pintura ou do uso de plásticos
velhos “encapando” a estrutura pode ser
usado, mas deve ser substituído por perfis
de design próprio para evitar o apoio do
plástico. Outro detalhe é prever a utilização correta do plástico antigotejo (evita
que a água condensada no interior da estufa pingue sobre as plantas, trazendo
problemas fitossanitários), segundo a
exigência da cultura e estufa projetada, para
escoar a água adequadamente no seu interior.
O correto tensionamento do plástico
deve mantê-lo firme, para que não vibre com
o vento e tenha a menor movimentação
possível com a dilatação e contração, devido à variação de temperatura ambiente.
14
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
MONITORAMENTO DO
AMBIENTE
O controle do ambiente de um cultivo
protegido implica na utilização de instrumentos para medir as condições climáticas interna e externa. Nos países desenvolvidos isto normalmente é feito por
uma miniestação meteorológica instalada nas casas de vegetação, equipadas
com sensores (umidostatos, termostatos
etc.), que permitem a ligação direta com
um computador. De forma geral, isto é
feito para medir e coletar dados do ambiente interno (temperatura, umidade relativa e dióxido de carbono) e do ambiente externo (temperatura, velocidade e direção do vento, radiação solar e precipitação).
Esta realidade ainda está distante, uma
vez que poucos produtores/empresários
têm acesso a essa tecnologia. Por isso, trabalhamos com equipamentos mais simples,
tais como:
a) termômetro de máxima e de mínima: é um tubo de vidro fino com um
fluido sensível ao calor, normalmente
o mercúrio, que tem seu volume
alterado com as variações de temperatura. Possui um marcador ou índice, para facilitar a leitura e registro
dos dados;
b) termômetro de bulbo seco e bulbo úmido ou psicrômetro: além da
medição da temperatura, permite a
determinação das condições de umidade relativa. É um termômetro comum, de dois bulbos, sendo um
deles envolto em material permanentemente umedecido.
Com a tomada diária dos dados de temperatura e umidade relativa do ar, o produtor/empresário vai começar a se familiarizar com as variações microclimáticas do
ambiente da estufa e poderá aprender, gradativamente, como alterá-las em função
do manejo de abertura e fechamento de
janelas, irrigação, disposição das linhas de
plantio, densidade de plantio e outras operações.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar de aparentemente ser uma
tecnologia simples, a plasticultura não se
resume a esticar um plástico por cima da
cultura. Requer conhecimentos técnicos e
experiência na condução de um ambiente
que, apesar de visar à proteção da planta,
vai provocar reações diferentes na cultura
em estufa, quando comparada ao cultivo
tradicional no campo.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
15
Caracterização climática e manejo de ambientes
protegidos: a experiência brasileira
1
Sérgio Roberto Martins 2
Heloisa Santos Fernandes 2
Francisco Neto de Assis 2
Marta Elena Gonzalez Mendez 2
Resumo - O cultivo em ambiente protegido é uma importante alternativa para
superar limitações climáticas, especialmente considerando sua eficiência quanto à
captação da energia radiante e aproveitamento pelas plantas da temperatura, água
e nutrientes disponíveis. São relatadas de forma resumida, as principais características climáticas de ambientes protegidos, com ênfase na realidade brasileira, a
partir de informações geradas nas principais instituições de ensino e pesquisa do
país. São abordados os parâmetros radiação solar, temperatura do ar e do solo,
umidade do ar e evapotranspiração, considerando diferentes peculiaridades quanto a estruturas, orientação solar, plásticos, cobertura do solo, espécies cultivadas
etc.
Palavras-chave: Plásticos; Estufa; Radiação solar; Umidade; Temperatura;
Evapotranspiração.
INTRODUÇÃO
A eficiência fotossintética depende da
capacidade da planta em captar a energia
solar e transformá-la em biomassa aproveitável. Nos agrossistemas, também é
importante considerar a energia complementar em função das tecnologias utilizadas: o balanço energético será positivo,
quando a energia produzida, expressa através da biomassa, superar o total da energia
consumida.
Os ambientes protegidos podem apresentar balanço energético negativo, especialmente em locais que utilizam alto
consumo de energia não-renovável no
aquecimento para superar as limitações
climáticas, mão-de-obra de custo elevado
e alto índice de mecanização. Na Europa,
Fernández Gonzalez (1981) exemplifica este
aspecto, referindo-se ao cultivo de alface
em estufa que consome 55.000kcal/kg, numa proporção de 12 vezes mais energia que
o cultivo em campo (4.500kcal/kg). Matallana Gonzalez & Marfa I Pages (1980)
ressaltam que o cultivo de flores em estufa
consome 5,4 vezes mais energia que no
campo; entretanto, 80% desta energia
utilizada é devida ao uso de combustível
para aquecimento. Fora isto, o consumo
energético poderia ser o mesmo que no campo. Estes autores observam que em países
europeus, a calefação de estufas é responsável por grande parte do consumo energético da agricultura (42% na Bélgica, 25%
no Reino Unido e 30% na Alemanha).
Em contrapartida, Slater (1983) destaca
os ambientes protegidos dentre as estratégias para superar limitações climáticas,
especialmente considerando a sua eficiência na captação da energia radiante e melhor
aproveitamento pelas plantas da temperatura, água disponível e nutrientes, proporcionando rendimentos oito a dez vezes
maiores que no campo. No Brasil, diversas
pesquisas têm confirmado esta hipótese,
indicando que mesmo em estufas nãoclimatizadas, os rendimentos superam
aqueles obtidos no campo. Adicional-
1
mente, os produtos colhidos apresentam
melhor qualidade; as plantas consomem
menos água; diminui-se a lixiviação dos
nutrientes; melhora-se o aproveitamento da
radiação solar; há um aumento significativo
da temperatura interna do ar e do solo; os
patógenos do solo, nematóides e plantas
daninhas, podem ser controlados com
aplicação de filmes plásticos. A melhoria
da eficiência fotossintética das plantas é o
grande desafio para a produção agrícola.
Tanto no campo como em ambientes
protegidos, é desejável condições ideais
para a expressão do genótipo quanto a sua
capacidade fotossintética, que depende da
disponibilidade de água e nutrientes, clima,
idade da planta, área foliar, sanidade, etc.
Caballero (1980) recomenda aumentar o
rendimento das culturas por meio de alternativas tais como: desenvolvimento de variedades adaptáveis a ambientes específicos (estufas); plantas com alta saturação
luminosa; interação entre aplicação de
nitrogênio, radiação solar e características
Trabalho realizado com o apoio do CNPq/FAPERGS.
Engo Agro, D.Sc., Prof. UFPel - Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel - Depto Agronomia, Caixa Postal 354, CEP 96077-170 Pelotas-RS. E-mail:
[email protected]
2
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16
fotossintéticas das plantas e; aumento de
concentração de CO2 no ambiente (aplicável principalmente em estufas).
As condições ambientais durante o
período reprodutivo das plantas determinam a velocidade de diferenciação floral
e a duração do período vegetativo. Afetam
principalmente o desenvolvimento da inflorescência e a capacidade potencial de armazenamento de substâncias de reservas nos
órgãos reprodutivos. Esta, por sua vez,
depende das dimensões do sistema fotossintetizador (índice de área foliar) e sua
duração. São questões fundamentais no
cultivo em estufa em função das condições
ambientais que afetam o crescimento e
desenvolvimento das plantas e das práticas fitotécnicas empregadas (sistemas de
condução de plantas, desbastes, podas
etc.).
O efeito estufa, isto é, o incremento de
calor no interior dos ambientes protegidos,
depende do balanço de energia, determinado pelos processos de reflexão, absorção
e transmitância em ambas as faces da cobertura plástica utilizada. Os fluxos de energia
resultantes destes processos dependem
das características óticas, térmicas e mecânicas do plástico; do ângulo de incidência
da radiação solar; da superfície exposta,
do volume e das condições internas da estufa (tipo de solo, culturas etc.) e externas
(características climáticas, época do ano,
hora solar).
Com o objetivo de caracterizar o clima
de ambientes protegidos, com ênfase na
realidade brasileira, utilizaram-se informações geradas nas principais instituições
de ensino e pesquisa do país. Referem-se
tão-somente a publicações em revistas e
congressos científicos, deixando de mencionar uma série de trabalhos, não menos
importantes, realizados em diversas regiões
do país pelos organismos de extensão rural
e pelos agricultores.
EFICIÊNCIA FOTOSSINTÉTICA E
ENERGIA FIXADA PARA A
PRODUÇÃO
Da radiação solar incidente na superfície
atmosférica (constante solar = 2cal/cm2/min),
somente pouco mais da metade chega à
superfície do solo (radiação solar global),
por causa das perdas sofridas através da
atmosfera: reflexão por nuvens, absorção
por gases (vapor d’água, CO2, ozônio) e
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
dispersão por partículas (gases, poeiras,
aerossóis).
Na superfície das plantas, a radiação
global sofre uma segunda série de reduções. Somente 50% têm capacidade fotossintética (radiação fotossinteticamente
ativa (PAR)). Uma fração é utilizada para
o processo de evapotranspiração (calor
latente de evaporação), outra aquecerá o
ar e o perfil do solo (calor sensível), outra
é refletida novamente para a atmosfera
(20% da global) e, a restante, é absorvida
pelos pigmentos fotossintéticos e xantofilas (10%). Considere-se ainda que as
espécies cultivadas apresentam distinta
proporção de superfície fotossinteticamente ativa ao longo do ciclo, não cobrem
totalmente o solo e desperdiçam luz quando
maturam, deixando de crescer e formar matéria seca. O saldo final deste fluxo de energia é o que a planta utilizará para formar os
compostos orgânicos (assimilação de CO2
em carboidratos) da biomassa.
Na agricultura a eficiência fotossintética tem enfoque produtivo, ou seja, relaciona a fração de energia radiante que
recebe uma determinada área de cultivo e a
biomassa formada, que inclui os efeitos das
características fisiológicas específicas,
ambientais, ontogênicas, genéticas etc.
(Caballero, 1980).
O processo fotossintético é avaliado
por sua eficiência quântica, ou seja, a relação entre a energia necessária para reduzir
um determinado número de moléculas de
CO2 a carboidratos (112 a 118kcal/mol,
sendo que a luz possui um conteúdo de
energia de 40 a 44kcal/mol e a exigência
quântica total é de 8 a 12 quanta de luz
visível por molécula de CO2 fixada) e a que
se pode obter dos fotossintatos produzidos
(entre 25 e 35%). Destes, considere-se a
energia consumida pela respiração e pela
fotorrespiração, que, apesar de ser praticamente inexistente nas plantas C4, representa
quase 50% da fotossíntese líquida nas
plantas C3. A contabilidade final desses
processos indica um consumo de energia
de 20 a 26%, para plantas C3 e 36 a 40%,
para plantas C4 (Caballero, 1980).
Considerando todos estes fluxos, a
eficiência líquida teórica da conversão da
radiação solar global e da PAR seria para
as plantas C3 de 4,8 e 11%, e para as plantas
C4 de 6,1 e 14%, respectivamente. Porém,
na prática isto não ocorre, por causa das
limitações ambientais (elementos do clima
e solo) e, dos fatores intrínsecos da planta
(características morfológicas e fisiológicas,
que influenciam na utilização da luz: arquitetura da planta, capacidade de persistência, transporte e armazenamento de
fotossintatos etc.). No caso de estufas
plásticas, há que se considerar a redução
de entrada de radiação solar (aproximadamente 20%), devido ao material plástico,
que depende, por sua vez, de fatores, tais
como, componentes químicos do filme plástico, espessura, grau de envelhecimento
etc.
Finalmente, é importante considerar as
características da biomassa colhida, que
geralmente é apenas uma fração da biomassa total produzida (na beterraba açucareira quase o total da biomassa colhida é
aproveitada), bem como as perdas na colheita (≅ 10%).
Toda esta contabilidade indica que a
eficiência energética final da fixação da
radiação PAR, na maioria das espécies
cultivadas, ainda é muito pequena (≅ 1%).
Entretanto, sob condições ótimas (níveis
adequados de radiação e grau de saturação
de luz para cada espécie) e durante períodos curtos e intensos de crescimento, este
valor pode aproximar-se dos valores máximos teóricos já descritos.
A RADIAÇÃO SOLAR
A radiação solar é o principal fator que
limita o rendimento das espécies tanto no
campo, como em ambientes protegidos,
especialmente nos meses de inverno e em
altas latitudes, por causa da escassa disponibilidade de energia radiante. Para as
culturas do tomate e pepino, redução de
1% de iluminação supõe redução de 1% na
produção. Assim, mesmo em regiões que
dispõem de abundante radiação solar,
como o sudeste espanhol, próximo ao solstício de inverno e ao meio-dia solar, a densidade de fluxo quântico é de 900µmol.q/m2/s,
ou seja, aquém do ponto lumínico superior
(1.000µmol.q/m2/s) das principais espécies
hortícolas produzidas em estufa: tomate,
pimentão, feijão-vagem e pepino (Cocksull,
1989, 1998, citado por Lorenzo Mínguez,
1998). Portanto, é evidente a necessidade
de garantir o limite trófico das distintas espécies e assim a produção de assimilados
necessários para manter a cultura; ou seja,
uma energia radiante disponível de, aproximadamente, 200kcal/cm2/dia ou 8,4MJ/m2/dia.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
As distintas regiões do Brasil, em geral,
mostram uma redução da radiação solar
incidente no interior da estufa com relação
ao meio externo, de 5 a 35%. Estes valores
variam com o tipo de plástico (composição
química e espessura), com o ângulo de elevação do sol (estação do ano e hora do dia)
e também dependem dos demais fluxos
sobre o filme: reflexão e absorção. Os maiores valores de transmitância para a radiação
global, saldo de radiação, PAR e luminosidade têm sido observados para o
polietileno de baixa densidade (PEBD), horas centrais do dia e estações mais quentes
do ano.
Em Pelotas (RS), Farias et al. (1993) citam
valores médios de transmitância de 70 a
90% (93 a 95% próximo ao meio-dia), em
PEBD, com 150µ de espessura, tanto para
radiação global como para a radiação difusa. Estes dados foram confirmados por
Camacho et al. (1995), para PEBD, com 100µ,
que observaram os maiores valores nos
meses mais quentes do ano e maiores valores médios da fração difusa no ambiente
interno da estufa (55%) do que externo
(45%). Resultados semelhantes foram
obtidos por Buriol et al. (1995b), no período
de julho a janeiro em Santa Maria (RS), em
estufa coberta com filme plástico de 100µ:
maior valor médio de transmitância nas
horas centrais do dia (81,3%), em comparação às primeiras horas da manhã (56,2%);
nos dias limpos, em comparação aos nublados e nos dias sem condensação de
vapor d’água sob o plástico, em comparação aos com condensação. Observaram
também que a fração difusa da radiação
solar foi maior no interior da estufa do que
no meio externo, especialmente nos dias
límpidos e com condensação, evidenciando
o efeito dispersante do plástico e do vapor
d’água na superfície interna do filme.
Na região Sudeste, em Botucatu (SP),
Souza & Escobedo (1995) observaram em
estufa plástica cultivada com feijão-vagem,
transmitância de 66% para a radiação global e saldo de radiação, com os maiores
valores nas horas centrais do dia. Neste
mesmo local, Figueiredo et al. (1995) observaram em estufa com PEBD de 100µ cultivada com alface, transmitância de radiação
global entre 63 e 81% ao longo do ciclo da
cultura. Assis & Escobedo (1998) encontraram, os maiores valores de transmitância
da radiação global em estufas com orientação leste-oeste (valor máximo de 69%)
em comparação com as localizadas no sentido norte-sul (valor máximo de 60%). Esta
maior eficiência na captação e no armazenamento de energia das estufas orientadas no sentido leste-oeste foi comprovada
por Galvani et al. (1997), quanto aos valores
médios de saldo de radiação e fluxo convectivo de calor latente. Para estas mesmas
condições, Assis & Escobedo (1997) destacam a importância da cobertura plástica na
fração difusa da radiação solar, o que ameniza os efeitos do albedo da cultura da
alface no interior da estufa em relação ao
ângulo de elevação solar quanto à sazonalidade e às distintas horas do dia, diferentemente do meio externo em que os menores
valores foram observados ao meio-dia e no
período do verão. Em Arthur Nogueira (SP),
Folegatti et al. (1997) mostraram que no
período de primavera, em estufa exposta
no sentido noroeste-sudeste coberta com
PEBD de 150µ, a transmitância variou de
48 a 71% (média de 63%).
Com relação ao material plástico, Sentelhas et al. (1997), em Piracicaba (SP),
verificaram no período de verão melhor desempenho do PEBD na redução da radiação
solar global (20,3%), PAR (13,3%), saldo
de radiação (22,6%) e luminosidade (23,4%)
no interior da estufa, do que o policloreto
de vinila (PVC), com respectivamente 35%,
29,9%, 39,6% e 26,7%.
Ricieri & Escobedo (1996), em Botucatu
(SP), mostraram que a transmitância de filme
plástico (100µ) à radiação solar global em
estufa colocada no sentido norte-sul foi
maior em dias limpos (91,6%) do que em
dias nublados (87,3%). Para o mesmo período, estes valores foram bastante superiores, quando comparados à transmitância
de filmes com 150µ em estufa com orientação nordeste, embora mantendo a mesma
tendência: 65,34% (dias limpos) e 55,23%
(dias nublados). Para as duas estufas, em
dias nublados, o valor da transmitância da
radiação difusa foi muito similar ao da radiação global. Para os dias limpos observouse um maior ganho da fração difusa interna
(9,1%) na estufa coberta com filme de maior
espessura, em comparação à outra (7,8%).
Em Brasília (DF), houve maior interceptação da PAR (79%), em estufa tipo
guarda-chuva (sem proteção lateral), coberta com PEBD de 50µ, do que em estufa
coberta com filme de 100µ (71% de interceptação) (Reis et al., 1991). Verificou-se,
ainda, que das nove cultivares de tomate
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avaliadas, seis apresentaram maior rendimento em estufa (média de 52%), em comparação com cultivo no campo, e a maioria
das cultivares teve melhor desempenho
sob o filme plástico que interceptou menos
radiação solar global incidente.
Para a região Nordeste, em Rio Largo
(AL), a radiação solar excessiva chega a
ser mais limitante para a produção de olerícolas do que a precipitação (Souza et al.,
1995). Esses autores verificaram que o uso
de tela plástica (sombrite) sobre estrutura
de madeira, disposta no sentido norte-sul,
diminuiu a incidência da radiação solar
global interna em 34%, especialmente nos
horários em que o sol encontrava-se próximo ao zênite do local. Observaram, ainda,
que a maior transmissividade da cobertura
plástica à radiação solar ocorreu das 10 às
14 horas, diminuindo com a inclinação dos
raios solares. Pezzopane et al. (1997) encontraram resultados similares em Alegre (ES),
para o período de setembro a dezembro,
quando a atenuação média proporcionada
pela tela de sombreamento foi de 42 e 45%
para as radiações solar global e PAR, respectivamente; com os maiores valores nas
horas centrais do dia. Em Pelotas (RS), em
túneis baixos, verificou-se maior atenuação da PAR com uso de diferentes tipos de
telas de sombreamento em dias limpos
(35,2; 54,1 e 77%), em comparação aos dias
nublados (39,7; 63,2 e 81,4%), com os fluxos
máximos às 12 horas (Voltolini et al., 1997).
A atenuação da radiação solar também
pode ser alcançada com o uso de pintura
de cal no filme plástico. Entretanto, independentemente da técnica utilizada, é importante considerar o efeito negativo do
sombreamento sobre o comportamento das
culturas, como por exemplo o estiolamento
e o pegamento de frutos.
TEMPERATURA DO AR
No Rio Grande do Sul, Farias et al.
(1991), em Pelotas, e Buriol et al. (1993), em
Santa Maria, estudaram o efeito estufa em
distintos tipos de estufas cobertas com
PEBD de 100µ de espessura. Em Santa
Maria, nos meses de inverno, o gradiente
vertical médio das temperaturas mínimas
do ar no interior da estufa (5 e 150cm de
altura) foi menor que no ambiente externo,
especialmente nos dias mais frios (temperatura interna mais uniforme no interior
da estufa), quando se obteve maior efeito
18
estufa - a 5cm de altura, o ganho alcançou
o valor máximo de 2,3oC e a 150cm de 3,1oC,
sendo afetado pelo manejo da ventilação
da estufa. Ainda em Santa Maria, Buriol et
al. (1997) verificaram que em estufas
cultivadas com alface (pequeno porte) e
tomate (grande porte), diferentemente do
meio externo, durante o período diurno
ocorreu um aumento da temperatura do ar,
concentrando a camada de ar mais quente
no topo da estufa, o que não foi observado
no período noturno. Em Pelotas, verificouse que o efeito benéfico da cobertura plástica esteve intimamente relacionado com
as condições do ambiente externo, com
maior ganho nos meses de primavera nos
valores decendiais da temperatura máxima
absoluta do ar (0,5 a 6,4oC), em comparação
com a temperatura mínima (0 a 4,6oC).
Em ambos os locais foi observado o
fenômeno da inversão térmica no interior
das estufas. Em Santa Maria, as diferenças
de temperaturas negativas para o meio interno em comparação com o externo variou
de -0,2 a -2,6oC. Em Pelotas, em dias encobertos, variou de 0 a -4,5oC, o que foi confirmado por Camacho et al. (1995), que
observaram valores de temperatura no interior da estufa de até -5oC inferiores ao
meio externo, durante o outono.
Tanto para temperaturas máximas como
mínimas, Buriol et al. (1995a) ressaltam a
importância do manejo dos túneis baixos
de PEBD. Estes autores observaram que,
em Santa Maria (RS), no início da primavera,
houve um maior efeito estufa para as temperaturas máximas, especialmente quando
os túneis eram abertos às 8 horas da manhã
e fechados nas horas centrais do dia, permitindo este manejo, os menores decréscimos
da temperatura mínima no interior do túnel.
Com relação ao tipo de material plástico,
Heldwein et al. (1995) destacam que para
os meses de inverno em Santa Maria (RS),
praticamente não houve diferença nos valores de temperatura mínima a 5cm do solo
desnudo no interior de estufas cobertas
com filmes de PEBD e acetato de vinil etileno (EVA). Quanto aos diferentes tipos de
túneis, Cunha et al. (1997) relatam que aqueles perfurados ou com aberturas laterais,
como o túnel guarda-chuva, proporcionaram temperaturas mínimas do ar superiores
ao ambiente externo e que as temperaturas
mais elevadas ocorreram em túnel convencional. Verificaram ainda, que as maiores
diferenças na temperatura do ar entre os
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
túneis ocorreram nas noites frias e límpidas
e de calmaria, quando houve uma renovação constante do ar na superfície do ambiente externo pela ação dos ventos.
Na região Sudeste, Faria Júnior et al.
(1993) não encontraram diferenças entre
estufa tipo capela e tipo teto em arco, ambas
cobertas com PEBD de 75µ, quanto às
temperaturas média, mínima e máxima, que
foram em média 32,2, 21,8 e 40,7oC, respectivamente. Entretanto, chamam a atenção
para o fato de as estufas terem proporcionado maiores temperaturas máximas em
comparação com o meio externo. Pezzopane
et al. (1992), citados por Sentelhas & Santos
(1995) também verificaram, no inverno,
maiores temperaturas máximas no interior
da estufa, com amplitude térmica entre o
interior e o exterior de, aproximadamente,
6oC. Folegatti et al. (1997) observaram que,
na primavera, os valores das temperaturas
máxima, média e mínima do ar dentro da
estufa (14,8%, 8,5% e 5,9%, respectivamente) foram sempre superiores aos do
exterior, com o menor valor das mínimas de
12,2ºC e o maior valor das máximas de
42,2oC.
Reis (1997) relata que em Brasília (DF),
estufa tipo teto em arco, coberta com filme
PEBD de 150µ, apresentou ganho de temperatura com relação ao meio externo de
até 8,7oC (às 14 horas), que permaneceu
maior que 7oC até às 2 horas da manhã e
diminuiu gradativamente até às 8 horas,
quando se observou a menor diferença
(4,7oC). Em Alagoas (RN), Nascimento Filho
et al. (1997) verificaram menores valores de
temperaturas tanto em estufa tipo túnel
alto, coberta com PEBD com 100µ e disposta no sentido leste-oeste, quanto em
estufa coberta com tela de sombreamento
com 50% de atenuação de radiação solar,
em comparação com o meio externo, especialmente em dias ensolarados. Verificaram
que, principalmente após às 13 horas, a
temperatura sob PEBD foi menor que sob
sombrite. Nos dias nublados, ambos os
materiais de cobertura proporcionaram temperaturas similares, mas as temperaturas
internas das estufas mantiveram-se menores que no meio externo.
São muitos os fatores que influenciam
o acúmulo e a disponibilidade de calor para
as plantas cultivadas em ambientes protegidos, especialmente no Brasil. As dimensões continentais do país, que abrangem
amplos limites longitudinais e de relevo,
associadas à imensa costa oceânica e gigantesca floresta tropical, conferem uma
extraordinária diversidade climática (Martins, 1996). São questões importantes que
dificultam a generalização de técnicas
capazes de permitir o ótimo biológico para
as plantas cultivadas, em termos de temperatura. Nas regiões mais frias e especialmente durante à noite, o desafio está em
dispor de temperaturas que atendam as
exigências das espécies hortícolas, cujas
temperatura-base inferior e temperatura
ótima situam-se entre 7 e 14oC e 15 e 20oC,
respectivamente.
Espécies termófilas apresentam redução
no crescimento e desenvolvimento, quando a temperatura do ar é inferior a 10 - 12oC,
devido à redução da absorção de água e
nutrientes pelas raízes, à diminuição da taxa
de assimilação líquida, à redução do transporte e distribuição de assimilados, à redução da expansão foliar e a alterações
anatômicas e morfológicas nas folhas,
tornando-as mais curtas, largas e grossas,
com pecíolos de menor longitude (Lorenzo
Mínguez, 1998). A redução da absorção em
conseqüência de temperaturas baixas ocorre por causa do aumento da viscosidade
da água e da diminuição da permeabilidade
da membrana celular. Tais efeitos implicam
em alterações fenológicas nas espécies
cultivadas em ambientes protegidos. Schiedeck et al. (1997), em trabalho realizado em
Bento Gonçalves (RS), observaram uma
antecipação do ciclo da videira Niágara
Rosada, em 25 dias (uva com 18oBrix),
quando cultivada em estufa plástica coberta com PEBD de 100µ de espessura,
independente da época da poda.
Em regiões com temperaturas noturnas
inferiores a 10-12oC, evidencia-se a necessidade de adição de calor, por meio de sistemas de calefação. Soma-se a este fator, o
fenômeno da inversão térmica que ocorre,
especialmente em noites límpidas e sem
turbulência no interior das estufas e que
exige atenção especial quanto às exigências térmicas das plantas. Nas regiões mais
quentes o excesso de calor diurno também
é limitante - as plantas tendem a assumir a
temperatura do ar - o que exige a adoção de
métodos de redução de calor desde os mais
rudimentares e simples, como o branqueamento da superfície do plástico, até os mais
sofisticados e eficientes como os sistemas
automáticos de resfriamento.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
UMIDADE DO AR
A umidade relativa do ar no interior de
uma estufa está determinada diretamente
pela temperatura, numa relação inversa entre
ambas: diminui durante o dia e aumenta
durante a noite (a umidade relativa do ar,
no período de 24 horas pode variar de 30 a
100%). Representa a retenção de vapor
d’água do ar, cujo déficit de pressão está
intimamente vinculado ao processo da
evapotranspiração, afetando o equilíbrio
hídrico das plantas e provocando um descompasso entre demanda evaporativa e
capacidade do sistema radicular em absorver água e nutrientes. Nas estações e
períodos mais quentes do dia, as plantas,
especialmente aquelas com baixo índice de
área foliar, diminuem a transpiração, sendo
assim impedidas de aproveitar a energia
disponível (Lorenzo Mínguez, 1998). Outro
efeito da umidade do ar no interior dos
ambientes protegidos é sua condensação
na face interna do filme plástico de cobertura e conseqüente redução na transmitância
da radiação solar, afetando negativamente
a disponibilidade de energia para as plantas.
A alta umidade do ar também influi no
aparecimento de desordens fisiológicas e
de doenças criptogâmicas nas plantas cultivadas em estufas. Em situação de excessiva higrometria, ou seja, de baixo déficit
de pressão de vapor - DPV (0,1kPa), pode
ocorrer deficiência de Ca em folhas jovens
em expansão, devido ao deficiente transporte deste elemento em função da restrição evapotranspirativa (Lorenzo Mínguez,
1998). Sentelhas & Santos (1995) destacam
a relação da umidade relativa do ar com o
orvalho e sua duração sobre as plantas,
devido a sua importância nos processos
epidemiológicos, que favorecem a germinação de esporos de fungos e sua penetração nas folhas através dos estômatos.
Menzies (1967), citado por Pezzopane et al.
(1995), relata que, em geral, os fitopatógenos requerem para infecção, de 6 a 12
horas ou mais de presença de água livre na
superfície das folhas.
No Brasil, diversos trabalhos têm mostrado as variações diárias da umidade
relativa do ar em ambientes protegidos. Em
Pelotas (RS), Farias et al. (1991), trabalhando em estufa tipo capela não-climatizada e
coberta com PEBD de 100µ, observaram na
primavera, média dos valores máximos e
mínimos de umidade relativa do ar de 2,19%
e 5,78% superior a do meio externo, respectivamente, atingindo valores de 100% entre
4 e 6 horas da manhã e 32% às 14 horas.
Pezzopane et al. (1995), em Campinas (SP),
estudaram o efeito da umidade relativa do
ar no interior das estufas, por meio da duração do período de molhamento (DPM),
durante 78 dias (junho a setembro). Verificaram que, na estufa o DPM nunca foi
menor que 15 horas diárias, com valor médio de 17,6 horas, enquanto que a céu
aberto a média foi de 7 horas.
Ainda na região Sudeste, Folegatti et
al. (1997), utilizando estufa tipo capela
coberta com PEBD de 150µ e localizada no
sentido noroeste - sudeste, observaram para o período de primavera, nos dias com
baixa umidade, maiores valores de umidade
do ar no interior da estufa em comparação
com o meio externo, ao contrário do que
aconteceu em dias com muita umidade. Estes autores verificaram, ainda, uma menor
amplitude de umidade relativa do ar no
interior da estufa, devido ao manejo das
cortinas e à baixa renovação do ar interior.
A importância do manejo em túneis
baixos cobertos com PEBD de 100µ, no
início da primavera, também é evidenciada
por Buriol et al. (1997), no sul do Brasil. A
umidade relativa mínima absoluta e a média
dos valores mínimos foram superiores ao
meio externo, tendo sido atribuídas ao alto
valor da pressão parcial de vapor em função da pouca renovação de ar e à maior umidade do solo no interior dos túneis. Assim,
esses autores recomendam que a abertura
e o fechamento dos túneis sejam feitos de
acordo com as condições meteorológicas
de cada dia.
Quanto às soluções para superar os
problemas relacionados com a umidade
relativa do ar no interior das estufas, especialmente o excesso de vapor d’água, é
necessário um adequado manejo da estufa.
Este compreende, no caso de estufas nãoclimatizadas, aberturas (em 30% da superfície total) que proporcionem uma ventilação
natural eficiente e, nas estufas climatizadas,
o uso de ventiladores e desumidificadores.
Os mecanismos de ventilação, especialmente os naturais, não dispensam o manejo
adequado de abertura e fechamento das
estufas, pois dependerão das condições
climáticas e meteorológicas locais. Os filmes
plásticos, no que pese sua eficiência no
aproveitamento da radiação solar, devem
ser capazes de reduzir a condensação e
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evitar o gotejo sobre as plantas (efeito que
em parte pode ser conseguido com um desenho de cumeeira, que favoreça o escorrimento da água condensada para as
laterais da estufa). Cabe salientar, ainda, a
necessidade de ter plantas bem vigorosas e com bom equilíbrio entre parte aérea
e raiz, para superar os efeitos fisiológicos
causados pelos elevados valores de DPV,
isto é, a baixa umidade relativa do ar; e
riscos de incidência de patógenos nos momentos de baixo DPV, ou seja, de alta
umidade relativa do ar.
TEMPERATURA DO SOLO
A utilização de material inerte sobre o
solo, que altere suas propriedades físicas,
químicas e biológicas, com objetivo de incrementar a produção agrícola, é uma
prática bastante difundida no mundo e
conhecida como: cobertura do solo, mulching, acolchado, enarenado, paillage,
paiacciuto. Dentre os materiais utilizados
destacam-se os restos vegetais, a areia e
os filmes plásticos.
Em virtude das suas vantagens, a técnica de cobertura do solo com filmes plásticos é responsável por dois terços da área
agrícola mundial sob plástico e metade da
área agrícola também sob plástico da
Europa. O plástico sobre o solo conserva a
sua umidade (diminui a evaporação e a lixiviação, proporcionando economia de água
e nutrientes) e a sua temperatura (diminui a
amplitude térmica), diminui a umidade
relativa do ar e favorece o metabolismo da
planta e a precocidade do ciclo vegetativo.
Outras vantagens do uso do plástico: melhora a estrutura física do solo, pois impede
a erosão e diminui a compactação; aumenta
a porosidade; favorece a fertilidade natural
(maior nitrificação e solubilidade de sais) e
os microorganismos benéficos e ainda
possibilita maior quantidade de P assimilável nos horizontes superiores e o melhor
aproveitamento dos fertilizantes. Além
disso, o plástico pode ser utilizado na técnica de solarização, no controle de fitopatógenos de solo, nematóides e plantas
daninhas.
Estes efeitos dependem das propriedades dos diferentes tipos de filmes plásticos. Os filmes transparentes, em geral,
apresentam alta transmitância e baixa absorção de calor em comparação com os filmes
pretos (Quadro 1). Se, por um lado, incre-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Refletividade e transmitância de solo desnudo e de filmes preto e transparente
Propriedades
Solo desnudo
Filme preto
Filme transparente
Onda curta
0,24
0,09
0,25
Onda longa
-
0,01
0,03
Onda curta
-
0,02
0,93
Onda longa
-
0,14
0,78
Refletividade
Transmitância
FONTE: Dados básicos: Liakatas et al. (1986).
mentam a entrada de calor no solo, por
outro, favorecem o desenvolvimento de
plantas daninhas. Os filmes pretos apresentam transmitância quase nula e maior
absorção de calor, assim como um maior
efeito no rendimento que na precocidade
das culturas e, podem ser utilizados no
controle de plantas daninhas. Além desses,
outros tipos de materiais têm sido utilizados, tais como, os filmes dupla face
(branco/negro), fotoseletivos, aluminizados, etc.
O efeito térmico dos filmes plásticos
sobre o solo é o resultado do balanço de
energia que resulta da interação dos fluxos
de radiação de onda curta (do sol) e de onda longa (do solo) incidentes em ambas as
faces do filme plástico, dependente de suas
características óticas: transmitância, albedo
e absorção (Quadro 1).
Em comparação com um solo desnudo,
a maior parte da energia disponível na superfície de um filme plástico é utilizada no
fluxo de calor sensível para o solo. Na medida que este esteja bem suprido de água,
melhora sua condutividade térmica e calor
específico e, como conseqüência, melhora
a distribuição do calor no seu perfil. A condensação na face interna do filme reduz sua
transmitância à onda longa do solo, diminuindo as trocas convectivas com a atmosfera.
No Brasil, desde meados deste século,
diversas pesquisas têm sido realizadas para
o estudo dessas interações em distintos
tipos de materiais de cobertura do solo,
tanto em culturas extensivas como em horticultura (Araújo, 1991 e Araújo & Castellane, 1996).
Schneider et al. (1993) chamam atenção
para o fato de que, à primeira vista numa
estufa, a temperatura do solo - função das
propriedades térmicas e da densidade do
fluxo de radiação solar global incidente na
estufa - deveria ser menor que no ambiente
externo, uma vez que a energia solar disponível no interior é menor que no meio externo. Porém, o efeito é inverso, pois, existem
menor volume de ar e menor renovação do
ar junto à superfície do solo, havendo menor
transferência de energia na forma de calor
latente e sensível em comparação com o
meio externo, o que provoca maior fluxo de
calor para o solo e, consequentemente,
maior aquecimento do solo no interior da
estufa. Assim, em Santa Maria (RS), em
duas estufas (tipo capela e tipo túnel) cobertas com PEBD de 100µ de espessura,
cultivadas com alface e pimentão por dois
anos, observou-se que, em média, os valores de temperatura do solo no interior das
estufas sempre foram mais elevados (entre
1,7 e 6,3oC), em comparação com o solo
externo a elas, independente da profundidade medida, ano e horário de observação.
Nos dias mais frios, estas diferenças foram
mais elevadas às 9 e 21 horas. Às 15 horas,
coincidente com o período de ventilação,
houve uma maior renovação de ar junto à
superfície do solo, determinando uma maior
transferência de energia do solo para o ar
e, conseqüentemente, um menor aquecimento do solo no interior da estufa. Este
efeito também foi observado nos dias mais
quentes, quando foram verificadas as menores diferenças entre as temperaturas do
solo do meio interno e externo, associado
à maior ventilação nestes dias. Assim, destaca-se a importância do manejo da estufa
tanto no que diz respeito a sua ventilação,
como à vedação, já que ambas determinam
os fluxos energéticos entre o meio interno
e externo da estufa.
Entretanto, cabe ressaltar que o tipo de
material de cobertura empregado é fundamental nestas interações. Por exemplo,
Souza et al. (1995), em Rio Largo (AL),
observaram em cultivo de pimentão, que a
temperatura do solo a céu aberto foi superior a do solo sob plástico, independente
da profundidade, da medida e do horário,
quando da utilização de tela plástica preta
com 50% de sombreamento, onde apenas
34% da radiação solar global penetrou no
ambiente da cultura. Em Santa Maria (RS),
Streck et al. (1996), utilizando plástico preto
em cobertura do solo, concluíram que, tanto
no campo como no interior de estufa, os
valores estimados de densidade de fluxo
de calor no solo e os valores de temperatura
mínima, média e máxima foram superiores
em comparação com o solo desnudo e que
o polietileno preto diminuiu a amplitude
máxima da onda diária de temperatura do
solo. Para o mesmo local, Buriol et al. (1996)
compararam polietileno e polipropileno,
ambos transparentes e com 50µ de espessura, e verificaram, nos dois casos, que o
solo conservou a umidade por mais tempo
e apresentou maior valor de temperatura
mínima em comparação com o solo desnudo. Observaram também que o solo sob
cobertura de polietileno apresentou densidade de fluxo de calor mais elevada, mostrando o melhor desempenho deste material.
Ainda quanto a diferentes tipos de
materiais de cobertura, Martins et al. (1997),
para o cultivo de pimentão em estufa coberta com PEBD de 100µ, compararam
cobertura do solo com areia, usando polietileno transparente e polietileno preto, com
o solo desnudo (sem cobertura). Todos os
tipos de cobertura do solo resultaram em
melhor desempenho agronômico das plantas, com destaque para o plástico preto.
Com relação à temperatura, o melhor desempenho foi observado no solo coberto
com filme plástico transparente. As coberturas apresentaram idêntico comportamento quanto à manutenção da água no solo,
especialmente até seis dias após a irrigação,
em comparação com o solo desnudo.
Castellane (1996), em Jaboticabal (SP),
comparou o efeito de polietileno preto,
branco/preto e vermelho durante os meses
de junho a setembro, na cultura do pimentão. Os resultados mostraram que às 8
horas a temperatura do solo a 5cm de profundidade foi maior em todos os trata-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
mentos, comparada com solo desnudo, com
melhor desempenho para o filme vermelho
e pior para o filme preto. Às 14 horas, o melhor desempenho ocorreu sob o filme preto
(1,94oC a 5,0oC) e vermelho (1,54oC a 4,73oC).
Verificou ainda, que com o desenvolvimento da cultura, as diferenças entre as
temperaturas do solo desnudo e dos
cobertos com filmes plásticos diminuíram,
atribuindo este efeito ao sombreamento
provocado pelo desenvolvimento da cultura. Devido a uma certa transparência do
filme vermelho, o desenvolvimento de
plantas daninhas impediu o contato do
plástico com o solo, reduzindo a condução
do calor, razão pela qual na primeira quinzena de agosto, a temperatura do solo sob
este material foi inferior a do solo desnudo.
Streck et al. (1997) comparam diversos
filmes opacos: preto, branco, azul, verde,
amarelo e vermelho, em cobertura de solo
no cultivo do tomateiro. Concluíram que
não houve diferença entre eles, quanto ao
rendimento da cultura, embora se tenha
observado maior relação entre a biomassa
seca de frutos e a biomassa seca total da
parte aérea com o uso de plásticos de maior
refletividade (branco, verde e amarelo) e
que as temperaturas máximas do solo e do
ar foram maiores com os plásticos preto,
azul e vermelho.
EVAPOTRANSPIRAÇÃO
Sabe-se que a evapotranspiração é um
processo físico e fisiológico desejável nas
plantas cultivadas. Por um lado, enseja a
abertura estomática das plantas e conseqüente absorção de CO2 para a produção
de biomassa; por outro, é responsável pelo
consumo de grande parte do calor latente
de evaporação, favorecendo o resfriamento
do ambiente e da própria planta.
O grande problema é que as plantas são
conservadoras quanto ao consumo hídrico, especialmente quando submetidas a
estresses ambientais e particularmente
diante do estresse hídrico (Lorenzo Mínguez, 1998). Esta questão é mais relevante
em ambientes protegidos, onde a reação
ao estresse hídrico é facilmente observada:
enrolamento, amarelecimento e queda das
folhas. O desafio, portanto, é conseguir um
equilíbrio constante entre perdas (transpiração) e ganhos (absorção) de água,
durante o ciclo das plantas (Stanghellini,
1998). Para amenizar o problema, é impor-
tante manter o potencial hídrico das plantas
em níveis que facilitem a abertura estomática; garantir bom armazenamento de água
no solo; facilitar a absorção de água pelas
raízes e proporcionar uma demanda evaporativa adequada do ambiente interno da
estufa, quanto à radiação solar, temperatura, umidade relativa e conteúdo de CO2.
Segundo Villa Nova (1987), citado por
Folegatti et al. (1997), embora seja difícil
separar cada um dos elementos meteorológicos na evapotranspiração, pois, de
maneira geral, eles agem simultaneamente,
numa dada região, a evapotranspiração é
diretamente proporcional à disponibilidade
de energia solar, temperatura e velocidade
do vento e inversamente proporcional à
umidade relativa do ar.
Um dos principais efeitos dos filmes
plásticos colocados sobre as estufas é a
diminuição da demanda evaporativa em
função da diminuição da radiação solar e
do vento, que são os principais determinantes da evapotranspiração. Diversos
trabalhos de pesquisa realizados em outros
países mostram que o consumo hídrico de
espécies cultivadas em ambientes protegidos é 20 a 40% inferior, em relação ao
cultivo a céu aberto.
De maneira análoga, estes valores
também têm sido verificados no Brasil. No
Rio Grande do Sul, Reisser Júnior (1991)
concluiu que a evapotranspiração máxima
da cultura da alface em estufa coberta com
PEBD foi inferior ao cultivo no campo, indicando uma menor demanda atmosférica,
devido à atenuação da radiação pelo filme
plástico e à ausência de vento. No verão e
no inverno, os valores totais de evapotranspiração máxima em cultivo no campo
foram, respectivamente, 27,13 e 33,83%
maiores do que os registrados no interior
da estufa. Além disso, o curso da evapotranspiração ao longo do dia mostrou que
esta é bastante influenciada pela radiação
solar global incidente: os maiores valores
de evapotranspiração coincidiram com os
picos máximos de temperatura e de radiação
global. Farias et al. (1994) cultivaram feijãovagem em estufa tipo capela coberta com
PEBD de 100µ, na primavera, e verificaram
que a evapotranspiração média diária
estimada pelo método de Penman, para o
interior da estufa, foi em média 71% da
verificada no meio externo.
Em Santa Maria (RS), Dalsasso et al.
(1997) verificaram para o tomateiro culti-
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vado em estufa plástica, na primavera e no
outono, um consumo hídrico de 38 e 53%,
respectivamente, menor que os 400mm indicados em climas úmidos para o cultivo
no campo. Gomide et al. (1996) destacam
que o conhecimento da demanda hídrica
das culturas envolve a relação de vários
fatores ligados à planta, solo e atmosfera,
que juntos permitem estabelecer o uso e o
manejo adequados da irrigação e propõem
um protótipo de lisímetro de pesagem com
monitoramento automático, para avaliar as
necessidades hídricas de culturas em casas
de vegetação. Entretanto, Folegatti et al.
(1997), em estudo com crisântemos, também
utilizando lisímetro de pesagem com célula
de carga, chamam a atenção para o fato de
que os elementos meteorológicos determinados no interior da estufa são os que
permitem uma melhor estimativa da evapotranspiração por meio de modelos de regressão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme foi exposto no presente artigo, no que diz respeito aos aspectos agroclimáticos, a pesquisa agrícola brasileira
tem abordado os principais pontos inerentes ao universo dos cultivos em ambientes
protegidos: tipos de túneis, de estufas e
de distintas orientações solar; tipos de
filmes plásticos; caracterização da ambiência interna; interações entre parâmetros
climáticos; solo e espécies cultivadas; relações hídricas etc. Entretanto, há necessidade de compreender cada vez mais e com
maior profundidade possível as interações
entre o meio interno dos ambientes protegidos e o meio externo, considerando o
continuum solo-planta-atmosfera. Tais informações permitirão um manejo adequado
das práticas fitotécnicas de produção e dos
diferentes tipos de agrossistemas - estufas,
túneis, cobertura do solo - otimizando o
balanço energético destes; especialmente
em função das novas demandas que desafiam tanto os agrossistemas não-climatizados
(também denominados passivos), como os
de clima controlado: produtos sadios produzidos com tecnologias limpas, com baixo
custo energético, de alta qualidade, que
permitam agregar valor, que facilitem as
tarefas do produtor (sistemas automatizados), gerem oportunidades de trabalho
e favoreçam o reparto da riqueza.
22
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Produção de mudas para o cultivo de hortaliças
em solo e hidroponia
Paulo Roberto Gomes Pereira 1
Hermínia Emília Prieto Martinez 2
Resumo - Os principais métodos que podem ser usados na produção de mudas para
o cultivo de hortaliças em ambiente protegido, são descritos, com suas vantagens e
desvantagens. Considerando a impossibilidade de ter uma receita, salienta-se a necessidade de otimizar o fornecimento dos fatores genótipo, água, O2, luz, CO2, temperatura e nutrientes para a obtenção de mudas de alta qualidade. Apresentam-se também informações e conceitos básicos atuais sobre esses fatores que são necessários ao
entendimento, planejamento e realização de testes pelo próprio produtor, e de trabalhos de pesquisa científicos para otimizar cada um deles. Quanto ao transplantio das
mudas, é dada ênfase para eliminação ou redução dos possíveis estresses hídrico,
nutricional e físico.
Palavras-chave: Cultivo sem solo; Cultivo protegido; Produção de mudas.
INTRODUÇÃO
O transplante de mudas é uma prática
muito utilizada no cultivo da maioria das
hortaliças, particularmente daquelas com
sementes muito pequenas, com germinação
lenta ou difícil e de altos custos. A utilização de mudas permite um maior controle
do espaçamento, garante a população desejada e plantas uniformes e ainda facilita
o controle de plantas daninhas na cultura.
Outro fator muito importante é a necessidade de maximizar a utilização de áreas de
tamanho reduzido e de custo mais elevado,
como é o caso do cultivo protegido, tornando-se possível a obtenção de um maior
número de colheitas no ano. Para o cultivo
em hidroponia, torna-se obrigatória a utilização de mudas.
O crescimento e o desenvolvimento das
plantas são funções dos fatores água, luz,
temperatura, nutrientes, oxigênio, CO2 e
genótipo. Outros fatores, bem como pragas e doenças, influenciarão direta ou
indiretamente na disponibilidade ou na
utilização deles. Assim, o cultivo protegido
é uma alternativa tecnológica que objetiva
otimizar o fornecimento desses fatores para
a expressão da máxima potencialidade
genética das plantas. Para que isto se torne
possível, é fundamental que sejam utilizadas mudas de ótima qualidade, cuja
produção também depende da otimização
do fornecimento desses fatores e da qualidade das sementes. Portanto, independente do método a ser adotado para a
produção de mudas de ótima qualidade, é
fundamental que se utilize o ambiente
protegido.
Considerando a impossibilidade de padronizar o fornecimento daqueles fatores,
bem como a complexa interação entre eles,
não existe receita única e infalível para a
produção de mudas. Assim, são apresentados os principais métodos que podem
ser utilizados para a produção de mudas e
as bases para a escolha de materiais e métodos, e discutidos os fatores que influenciam a germinação das sementes, o estabelecimento, o crescimento e o desenvolvimento das mudas, bem como os cuidados
necessários para se realizar o transplante
para o solo ou solução nutritiva em ambiente protegido.
MÉTODOS DE PRODUÇÃO DE
MUDAS DE HORTALIÇAS
São vários os métodos de produção de
mudas para o cultivo protegido que podem
ser utilizados. A escolha dependerá da
avaliação da relação entre o custo e o benefício; da disponibilidade de materiais e mãode-obra necessários para cada método; do
sistema de cultivo a ser usado, se em solo
ou substrato sólido, ou se em hidroponia;
da espécie de hortaliça; da disponibilidade, qualidade e custo de mudas prontas
adquiridas de empresas especializadas.
Na relação custo/benefício, deve-se levar em consideração, entre outras características, o alto custo da área sob cultivo
protegido, escolhendo-se métodos que
permitam a produção de mudas, que após
transplantadas tenham alta taxa de crescimento, e assim se possa obter um maior
número possível de colheitas no ano, com
1
Engo Agro, D.Sc., Prof. Adj. UFV - Depto Fitotecnia, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
Enga Agra, D.Sc., Prof. Adj. UFV - Depto Fitotecnia, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
alta produtividade e qualidade.
Para o sistema de cultivo em hidroponia,
não se devem usar métodos que aumentam
a probabilidade de contaminação do sistema hidropônico com patógenos, como é o
caso do uso de canteiros, ou de métodos
que dificultam a lavagem das raízes, retendo substrato aderido que pode causar
entupimento do sistema hidropônico ou danos mecânicos ao sistema radicular. Quanto maior o estresse, maior o tempo para se
restabelecer a razão raiz/parte aérea própria
da espécie para aquele ambiente, e assim,
maior o tempo de recuperação após o transplante.
Atualmente, muitos produtores têm-se
especializado na produção de mudas, tornando-se um rentável negócio. Avanços
tecnológicos têm contribuído para o crescimento desta indústria. A disponibilidade
de bandejas de diferentes materiais e
tamanho de células, de substratos artificiais
ou naturais prontos para a utilização e a
possibilidade de automação de muitas
operações como semeadura, irrigação,
adubação, controle fitossanitário e manejo
do ambiente têm reduzido os custos e
aumentado a qualidade das mudas produzidas. Em razão desta redução de custos,
muitas vezes é mais econômico para o
produtor adquirir a muda pronta, ao invés
de investir em materiais, equipamentos e
mão-de-obra necessários para a produção
própria. O produtor deve estar atento
quanto ao estádio de desenvolvimento,
qualidade geral das raízes, parte aérea e
principalmente quanto ao aspecto fitossanitário das mudas adquiridas. Assim
sendo, a idoneidade do produtor de mudas
é fundamental.
Os métodos de produção de mudas
podem ser divididos em três segmentos
distintos: canteiros, recipientes e blocos
de materiais porosos.
Canteiros
Os métodos de produção de mudas em
canteiros são pouco utilizados para o cultivo protegido em solo, principalmente em
razão da maior probabilidade de contaminação das mudas com patógenos, maior
desuniformidade, maior dano mecânico e
dificuldades de manuseio das mudas durante o transplante. O uso de mudas provenientes de canteiros para hidroponia não é
recomendado. Entretanto, não tendo alternativas, essas mudas poderão ser usadas
com alto risco de contaminação com patógenos de todo o sistema hidropônico.
Para reduzir este risco, deve-se fazer um
tratamento do sistema radicular com fungicidas o mais eficiente possível.
Recipientes
São muitos os métodos de produção
de mudas que variam o recipiente e o
substrato de enchimento. Estes métodos
são os mais utilizados para o cultivo em
ambiente protegido, em razão da maior
uniformidade das mudas, maior sanidade,
menor estresse durante o transplante e da
disponibilidade de diferentes substratos
que podem ser produzidos pelo produtor
ou adquiridos prontos no mercado.
Os recipientes podem ser individuais
ou multicelulares e de tamanhos variados.
Os individuais têm a vantagem de permitir
que se varie o espaçamento entre mudas,
embora dificultem o manuseio, sendo mais
utilizados os tubetes plásticos, sacos plásticos, copos plásticos e de papel de jornal.
Os multicelulares são as bandejas de diversos materiais como plástico, poliestireno
expandido, fibras vegetais prensadas e resinadas. As bandejas devem ser de fácil
limpeza e desinfecção e de maior durabilidade.
Quanto ao tamanho dos recipientes,
deve-se usar aquele que permita a otimização do fornecimento de água, luz e
nutrientes até a muda atingir o tamanho
necessário para o transplante.
É comum o uso de bandejas de isopor
com tamanho e número diferentes de
células. Em geral, as bandejas de isopor
possuem 67,5cm de comprimento, 34,5cm
de largura e altura que pode variar de 4,8cm
em badejas de 288 células a 6,3cm na bandeja de 128 células e 12cm em bandejas de
72 e 128 células. Minami (1995) recomenda
bandejas de 288 células para acelga, alface,
almeirão, beterraba, brócolos, chicória,
couve, couve-chinesa, couve-flor, mostarda, repolho e fumo. Bandejas de 128 células com 6,3cm de altura são recomendadas para abóbora, salsão, beringela, ervilha, espinafre, feijão-vagem, jiló, melancia,
melão, moranga, morango, pepino, pimenta,
pimentão, quiabo, tomate, citros, fumo,
maracujá, várias plantas ornamentais, pês-
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sego, Pinus e cana-de-açúcar. As de 128
células com 12cm de altura podem ser
usadas para café, citros, eucalipto, maracujá, plantas ornamentais, pêssego, Pinus
e seringueira. As de 72 células com 12cm
de profundidade podem ser usadas para
algaroba, cacau, jojoba, mamão, plantas
ornamentais, seringueira e urucum. Entretanto, atualmente tem sido muito comum
entre os produtores o uso de bandejas
de 200 células com 6,0cm de altura, em
substituição à bandeja de 288 células, por
permitir o transplante de mudas mais desenvolvidas sem causar estresse e reduzir
o tempo até a colheita. Em 100 metros
quadrados de estufa, admitindo uma área
útil de 75% e germinação de 95%, é possível
colocar 322 bandejas, que possibilitarão a
formação de 89 mil mudas em bandejas de
288 células e 64.400 mudas em bandejas de
200 células.
Deve-se considerar para definir o tamanho da bandeja a ser utilizada para a
produção de mudas que, variando o tamanho do recipiente, altera-se o volume de
enraizamento das plantas, o qual afeta o
crescimento da parte aérea (Leskovar, 1998).
As raízes recebem fotoassimilados e hormônios e fornecem para a parte aérea água,
nutrientes e hormônios, além de dar suporte
à planta. O crescimento e partição de matéria seca entre parte aérea e raízes, a fotossíntese, o teor de clorofila nas folhas, a
absorção de nutrientes e água, a respiração,
o florescimento, bem como a produção das
plantas, são afetados pela restrição das raízes e, portanto, pelo tamanho do recipiente
(Nesmith & Duval, 1998). Maior massa de
raízes em recipientes pequenos contribui
para redução do espaço poroso e maior
competição por oxigênio. Mudas com sistema radicular restrito, quando transplantadas para o campo, são freqüentemente
incapazes de compensar a evapotranspiração, mesmo se bem irrigadas após o
transplante. A taxa de crescimento de mudas em geral é proporcional ao volume do
recipiente, e a produção inicial de tomate
foi maior em plantas originadas de mudas
produzidas em recipientes maiores, embora
a produção total não tenha sido influenciada (Wien, 1997b). Assim sendo, onde a
produção inicial obtiver maiores preços,
poderá ser interessante produzir mudas em
recipientes maiores.
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As empresas produtoras de mudas preferem os recipientes menores, para otimizar a utilização da área e reduzir o gasto de
substrato, e assim os custos da muda. O
produtor, consumidor da muda, entretanto,
está interessado em tamanho de recipiente
que proporcione ótimo crescimento após
o transplante e menor tempo até a colheita.
Deve-se procurar minimizar o tempo no qual
as mudas têm o sistema radicular restringido, determinando a época para o transplante. A empresa quer vender mudas mais
novas e o produtor quer uma muda mais
desenvolvida, que ocupará um menor tempo da área de preço elevado. Neste caso, a
relação custo/benefício resultante do tamanho do recipiente deve ser levada em
consideração pelo produtor na hora de
comprar ou produzir sua própria muda.
Como substratos, podem ser utilizados
diversos materiais, que na maioria das
vezes são em mistura de dois ou mais,
objetivando otimizar o fornecimento de
água, oxigênio, nutrientes, características
físicas e facilidade no manuseio durante a
produção e o transplante das mudas. Como
exemplos desses materiais podem-se citar
o próprio solo, areia, diversos tipos de composto orgânico, cascas de árvores com
diferentes granulometrias e estado de
decomposição, casca de arroz carbonizada,
casca de coco, bagaço de cana, turfa, vermiculita, algodão, carvão vegetal moído etc.
A mistura de dois ou mais materiais
deve resultar em substrato uniforme, de
baixo custo, leve; com alta capacidade de
troca de cátions; ausentes ou com baixo
teor de elementos químicos tóxicos para as
plantas; com alta retenção de umidade e
boa aeração; de fácil manuseio no preparo
e enchimento dos recipientes; com alta
capacidade de agregação e aderência às
raízes, mantendo-se intactos durante o
transplante; isentos de patógenos ou de
fácil desinfecção etc. A mistura pode ser
feita manualmente com pás e enxadas ou
usando misturadores, como por exemplo
as betoneiras. Dependendo dos materiais
utilizados para fazer o substrato pode ser
necessária a desinfecção. Segundo o manual do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Hortaliças Asiático (Vegetable..., 1990), a desinfecção pode ser feita
utilizando-se compostos químicos líquidos
ou gasosos, aquecimento a vapor, a seco
ou solarização.
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Os materiais que têm sido mais utilizados na preparação dos substratos para
produção de mudas, para o cultivo em solo
ou substrato sólido são a vermiculita, o
composto orgânico, as cascas de árvores
e a casca de arroz carbonizada. Para a hidroponia, a inclusão de materiais orgânicos
aumenta a probabilidade de contaminação
com patógenos e dificulta a lavagem das
raízes, pois estes mantêm-se aderidos nelas,
aumentando o dano mecânico promovido
para sua total retirada do sistema radicular.
Assim sendo, tem sido muito utilizada a
vermiculita isoladamente ou em cubos de
materiais porosos, para fornecer nutrientes
via solução nutritiva.
Para a hidroponia, além da vermiculita,
podem ser empregados outros substratos,
como algodão hidrófilo, areia lavada ou a
perlita. O importante é que o substrato utilizado se destaque com facilidade das
raízes, por ocasião da lavagem que antecede o transplante.
Cubos de materiais porosos
Atualmente estão disponíveis no mercado cubos de espuma fenólica e de lã de
rocha com diferentes tamanhos, fornecidos
em placas. Os nutrientes são ministrados
adicionando-se uma fina camada de solução nutritiva no fundo das placas. Como
vantagens destes materiais, podem-se citar: isenção de patógenos e pragas, fácil
manuseio e, principalmente, podem ser
mantidos aderidos às raízes após o transplante para a solução nutritiva em hidroponia. Por esta razão, tem aumentado muito
a sua utilização por hidroponistas. Segundo Furlani (1998), o Instituto Agronômico
de Campinas (IAC) iniciou estudos com
espuma fenólica na produção de mudas
para hidroponia, obtendo resultados altamente vantajosos, o que levou muitos produtores a adotarem esta técnica.
Para a utilização da espuma fenólica,
deve-se fazer uma lavagem prévia das placas utilizando água corrente abundante, em
tempo suficiente para eliminar todos os
resíduos ácidos resultantes do processo
de fabricação. Caso estes resíduos permaneçam, prejudicarão a germinação, a emergência e o crescimento das mudas.
Os cubos de materiais porosos apresentam tamanho variável. São encontrados
no mercado cubos de espuma fenólica com
4cm de aresta, recomendados para a produção de mudas de tomate, pepino e pimentão, e de 2cm de aresta, para a produção de
mudas de hortaliças de menor porte, como
alface e agrião.
Em espuma fenólica, a semeadura pode
ser executada com o auxílio de qualquer
objeto pontiagudo para a abertura de orifícios, colocando-se uma semente por cubo
a aproximadamente 0,5cm de profundidade
no caso de hortaliças folhosas e 1,0cm de
profundidade no caso de hortaliças de frutos, dependendo do tamanho da semente.
Para que a semente não saia do orifício e a
radícula não se volte para fora do substrato,
deve-se fechá-lo escarificando os bordos
ou com uma fina camada de vermiculita.
Alguns produtores têm perfurado o cubo
de um lado a outro para melhor direcionar
as raízes.
As placas de espuma fenólica, do mesmo modo que as bandejas de isopor, podem
ser dispostas em tanques rasos e mantidas
úmidas por subirrigação, empregando-se
água até a emergência e solução nutritiva
diluída a 50% em seguida. Na construção
dos tanques, deve-se considerar a necessidade de alterar o espaçamento entre cubos
à medida em que as mudas se desenvolvem.
Os cubos são relativamente pequenos,
devendo ser destacados e distanciados uns
dos outros sempre que necessário.
FATORES QUE INFLUENCIAM A
GERMINAÇÃO DAS SEMENTES,
ESTABELECIMENTO,
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO DAS
MUDAS
A otimização do fornecimento destes
fatores que influenciam a germinação das
sementes, o estabelecimento, o crescimento e o desenvolvimento das mudas começa
com a escolha do local de produção de mudas. Este local deve ter boa drenagem do
solo, pouca declividade, boa luminosidade, evitando sombreamento já no início da
tarde, disponibilidade de água de boa
qualidade, longe de fonte de inóculo de
patógenos, sem ventos fortes e sem formação de neblina. Oliveira et al. (1997) apresentam os fatores a serem considerados
na escolha do local da estufa.
Para que um determinado método de
produção de mudas adotado seja otimizado,
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
é fundamental o conhecimento dos processos fisiológicos e dos fatores genótipos e
de qualidade da semente, água, oxigênio,
temperatura, luz, CO2 e nutrientes. Controlando o fornecimento desses fatores,
podem-se controlar a taxa de crescimento
e a morfologia da muda, assim como a
altura, o sistema radicular e a relação raiz/
parte aérea, facilitando a obtenção da muda na época pretendida e a operação de
transplante, sem afetar a produção após o
transplante.
Qualidade da semente
Nesse artigo, assume-se que sementes
de genótipos selecionados em empresas
e instituições de pesquisas tenham sido
corretamente colhidas, beneficiadas, armazenadas, tratadas e embaladas, estando
disponíveis para o cultivo em ambiente
protegido. A isenção de patógenos é uma
característica fundamental à qualidade da
semente.
Embora não se tenham disponíveis no
mercado sementes peletizadas de todas as
espécies e variedades, esta tecnologia é
desejável para se aumentar a precisão e
exatidão da semeadura e a aderência de
aditivos para proteger a semente e a qualidade da muda.
A manutenção da qualidade da semente depende do período, da temperatura e
da umidade de armazenamento (Taylor,
1997). Dessa forma, as condições em que
as sementes são armazenadas pelo comerciante e posteriormente pelo produtor, determinarão a manutenção da sua qualidade.
Considerando que atualmente não se podem comercializar sementes a granel, e não
estão disponíveis embalagens de tamanhos
variados, o produtor deve ter condições
adequadas para armazenamento de maior
quantidade durante longos períodos, para
evitar a perda, já que, em geral, as sementes
têm custos muito elevados. Para isso, as
empresas produtoras de sementes devem
dar informações específicas aos comerciantes e produtores sobre a forma mais
adequada para o armazenamento, de modo
que mantenha e expresse as características
selecionadas e divulgadas sobre cada genótipo.
No método de bandejas, a semente deve
ser colocada no centro da célula, cobrindoa com uma camada de 0,5 a 0,7cm de ver-
miculita ou do próprio substrato. Tem-se
procurado colocar uma semente em cada
célula para evitar o desbaste, que exige
muita mão-de-obra e cuidado, e para reduzir o gasto de sementes que em geral são
muito caras. Como dificilmente ocorre 100%
de germinação e crescimento uniforme,
deve-se determinar o número médio de
mudas de boa qualidade em cada bandeja.
Água e oxigênio
A germinação das sementes inicia-se
com a absorção de água que ocorre tipicamente em três fases. Tem-se a fase inicial
de rápida absorção (Fase I), seguida por
uma fase lag (Fase II) e então finalizando
com um lento aumento da absorção, levando à emissão da radícula e crescimento
da parte aérea (Fase III). Na fase I, tem-se a
embebição que ocorre rapidamente devido
ao potencial mátrico negativo da semente,
estando completa para a maioria das espécies em 4 a 8 horas. Sementes de alface
completam a fase I em 1 a 2 horas (Cantliffe,
1998). Na fase II, tem-se pouca absorção
de água, ocorrendo metabolismo normal das
células completamente hidratadas. A duração é variável, podendo ser de 6 a 24 horas em repolho e de 6 a 48 horas em tomate.
Na fase III, a semente torna-se um seedling
e perde sua capacidade de tolerar a dessecação.
Até a fase II a semente pode ser dessecada novamente sem perder a viabilidade. Algumas empresas produtoras de
sementes estão promovendo o priming
osmótico ou mátrico dessas sementes, ou
seja, promovem as fases I e II da germinação
em solução com baixo potencial hídrico
devido ao potencial osmótico ou mátrico e
desidratação a seguir, tornando as sementes não sensíveis a altas temperaturas e
fotoblásticas negativas (Wien, 1997a).
Para o fornecimento de água, deve-se
evitar estresse na semente e na muda, que
pode ser causado tanto por falta quanto
por excesso. Em condições de excesso, a
água ocupa todo o espaço poroso e reduz
a troca gasosa, que é mais prejudicial nas
fases II e III da germinação. Sob altas
temperaturas, o excesso de água é mais
problemático, tornando as sementes mais
sensíveis à indução da dormência secundária e, aumentando a taxa respiratória da
raiz e a demanda de água. Durante o cres-
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cimento da muda, a deficiência de oxigênio
reduzirá a própria absorção de água,
causando murcha, afetando a membrana
celular, as relações de água, a nutrição mineral, a produção e transporte de reguladores de crescimento, a fotossíntese, a
respiração e o transporte de carboidratos
(Pezeshki, 1994). Além da deficiência de
oxigênio, o excesso de água promoverá
lixiviação de nutrientes do substrato. Um
outro estresse também é causado pelo
déficit de água.
Em um substrato, a distribuição de ar,
água e sólidos depende de vários fatores,
incluindo espaço poroso, densidade, tamanho e acomodação das partículas do
substrato e altura do recipiente. O espaço
poroso total é inversamente proporcional
à densidade do substrato. Brent (1983),
citado por Argo (1998), observou em 32
combinações de turfa, vermiculita e argila
calcinada ou areia com densidades variando de 90 a 1.500kg/m3 que Poros Totais
(% do volume) = 98,39 (± 0,26) - 0,03655
(± 0,00036) x densidade (kg/m 3). Em
substrato isento de solo e com base em
turfa, o espaço poroso pode representar
de 85 a 93% do volume total. A altura do
recipiente também afeta a razão entre ar
e água no espaço poroso do substrato.
Fonteno (1988), citado por Argo (1998),
observou que em um substrato na capacidade de campo, a concentração de água
aumentou de 64% para 82%, quando a altura do recipiente respectivamente aumentou
de 5cm para 15cm.
O tamanho das partículas e a distribuição de poros influenciam a proporção
ar/água no substrato após a drenagem.
Prenstjarvi & Robertson (1975), citados por
Argo (1998), observaram que em turfa com
partículas menores que 0,01mm, o diâmetro
dos poros mantinha a água não-disponível. Partículas entre 0,01 e 0,8mm retinham
muito da água aplicada. Entre 0,8 e 6,0mm,
aumentaram a proporção de poros nãocapilares e assim o espaço com ar após a
irrigação. Acima de 6mm predominaram
grandes poros não-capilares. Os componentes do substrato casca de arroz carbonizada e vermiculita com maior granulometria teriam a função de aumentar o
tamanho dos poros e assim o arejamento.
A redução do volume do substrato no
recipiente ou o encolhimento que ocorre
28
principalmente após a primeira irrigação,
é resultante do ângulo de deposição ou
acomodação das partículas e também
influencia a proporção ar/água. A redução
no volume ocorre quando pequenas partículas acomodam-se dentro de grandes poros não-capilares. Nash & Pokorny (1990),
citados por Argo (1998), observaram que
quanto maior a diferença de tamanho entre as partículas de dois componentes do
substrato, principalmente em proporções
iguais, maior é o encolhimento. Assim
sendo, a mistura de materiais com tamanho
de partículas similares reduz ou elimina esta
redução no volume após a irrigação.
Outro ponto a considerar na mistura de
materiais é a capacidade de reumedecimento do substrato após a secagem e armazenamento por longos períodos. Materiais
orgânicos tendem a se tornarem hidrofóbicos a partir de determinado teor de
umidade, que pode ser atingido após longos períodos de armazenamento (Argo,
1998). Quanto mais seco e maior o estado
de decomposição do material orgânico,
maior é a dificuldade de reumedecimento.
A adição de materiais grosseiros como vermiculita, areia ou casca de arroz carbonizada
diminui o problema.
A partir destas considerações podemse entender melhor as recomendações de
irrigação e procurar otimizar o fornecimento
de água e oxigênio para a produção de
mudas de alta qualidade.
Irrigação
A irrigação do leito de sementeira deve
ser feita com muito cuidado, especialmente
quando as sementes são muito pequenas.
Grandes gotas de água podem descobrir
as sementes e prejudicar a germinação.
Como uma regra, o substrato deve ser mantido úmido, evitando-se excessos ou falta
de água. Para maior uniformidade da germinação, logo após a semeadura, deve-se
cobrir a superfície do substrato com material que reduz a evaporação e evita danos à
superfície causados pela irrigação. A irrigação deve ser efetuada imediatamente após
a semeadura para maior uniformidade da
germinação. Em bandejas, é comum o
empilhamento até o início da emergência,
quando são distribuídas e podem ser mantidas suspensas em bancadas para que
ocorra a poda natural das raízes que saem
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das células. Esta poda estimula o enraizamento secundário que contribui para maior
aderência do substrato à muda durante o
transplante.
Para a otimização do fornecimento de
água, devem-se responder às perguntas
qual, quanto, quando e como, conforme a
seguir:
a) o qual diz respeito à qualidade da
água, que é determinada pela isenção de patógenos e composição
química. Argo (1998) e Biernbaum &
Versluys (1998) citam várias referências que caracterizam a qualidade
química da água quanto à alcalinidade, pH, condutividade elétrica
(CE) e concentração de nutrientes.
A alcalinidade máxima admitida varia
de 40 a 200mg/l de carbonato e bicarbonato na água, dependendo
dos fertilizantes usados na adubação
a ser feita e do tamanho do recipiente. Quanto menor o recipiente,
menor deve ser a alcalinidade máxima admitida. Valores maiores que
80mg/l são considerados críticos e,
neste caso, o uso de fertilizantes contendo amônio para suprir parte do
nitrogênio (N) ou a acidificação da
água é recomendado. O pH da água
seria o método de rotina mais indicado para monitorar a alcalinidade, podendo variar de 5,0 a 7,0. A CE
admitida, determinada pela concentração de íons, pode ser de até
1,3dS/m, se a concentração de sódio
(Na) e cloro (Cl) não for maior que
60mg/l. Para o Na, o valor limite seria
de 40mg/l. A presença de elementos
fitotóxicos como boro (B) e flúor (F)
deve ser observada, não devendo
ultrapassar de 1mg/l.
b) o quanto de água a ser aplicada em
cada irrigação dependerá do volume
de substrato, do formato do recipiente, do tamanho das partículas do
substrato etc. A quantidade total
não deve ultrapassar a capacidade
de retenção e nem promover a lixiviação. Grosseiramente é possível
determinar também a capacidade de
campo de um substrato contido em
uma célula de uma bandeja. Após o
enchimento das bandejas com substrato seco, adiciona-se bem lenta-
mente água no centro das células até
iniciar o escorrimento causado pela
força da gravidade, e anota-se o volume gasto. Este procedimento deve
ser repetido em várias células para
se obter a média.
c) o quando irrigar, determinado pela
freqüência, pode ser por vários métodos, tais como: tensiômetro para
recipientes maiores e predição de
perda de água usando dados experimentais de temperatura, radiação,
umidade relativa e perda de peso.
A água disponível pode ser determinada pesando-se por exemplo a
bandeja, o substrato e a planta após
a irrigação; subtraindo-se o peso,
quando a planta iniciar o murchamento. A irrigação geralmente é feita
quando 75 a 85% da água disponível é perdida. Este método pode
ser usado para regular outros sistemas de controle como por exemplo
o da “folha mágica”. Neste sistema,
descrito por Sgarzela (1997), um tipo
de raquete feita com sombrite recebe água na mesma proporção das
mudas. Quando recebe um volume
predeterminado, a raquete abaixa
devido ao peso e desliga a bomba
de irrigação. Com a perda de peso
causado pela evaporação, a raquete
sobe e liga novamente a bomba. Este
sistema deve ser regulado continuamente para cada estádio de desenvolvimento da muda.
A irrigação não deve ser feita no
final da tarde, pois as superfícies
do substrato e da folha permanecendo molhadas durante à noite,
favorecem a ocorrência de doenças.
O estádio de desenvolvimento da
muda também influenciará no manejo
da água. Segundo Biernbaum &
Versluys (1998), a produção de mudas é dividida em quatro estádios. O
estádio I vai da semeadura até a
emissão da radícula; o estádio II
abrange a emissão da radícula até a
formação de folhas cotiledonares; o
estádio III é o desenvolvimento das
folhas verdadeiras e o estádio IV é a
finalização ou o endurecimento. Em
geral, a medida que a muda vai-se
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desenvolvendo, os níveis de umidade são reduzidos para promover o
seu endurecimento e assim aumentar
a tolerância ao estresse ou choque
de transplante. O crescimento da
muda pode ser eficientemente controlado pela irrigação, desde que devidamente manejada (Liptay et al.,
1998).
d) o como efetuar a irrigação, têm-se
basicamente cinco métodos: aspersão manual, aspersores estacionários ou móveis, fog e subirrigação.
O método de irrigação a ser utilizado
dependerá do método de produção
da mudas e de recursos disponíveis.
A aspersão manual demanda mais
mão-de-obra. É difícil uniformizar a
distribuição da água e a obtenção
de gotas pequenas, resultando em
mudas desuniformes e de pior qualidade.
Para a irrigação por aspersores,
usam-se em geral microaspersores
que podem ser estacionários ou móveis. Devem-se usar uma distribuição de aspersores e pressão de água
que garantam a uniformidade de
irrigação.
No sistema fog, gotas de água
muito pequenas (5mm) são produzidas para manter altos níveis de
umidade relativa. Para isso, exige-se
água pura ou de alta qualidade. Devese evitar que neste sistema se forme
água de condensação no teto da estrutura de proteção, o que poderá
danificar plantas e causar a dispersão do substrato.
A subirrigação permite maior
uniformidade de aplicação de água
ou solução nutritiva, não molha as
folhas e, assim, reduz as doenças e
tem menor custo. As bandejas são
agrupadas em tanques rasos sobre
bancadas, fornecendo-se água ou
solução nutritiva por subirrigação
sempre que necessário, mantendose o substrato úmido, mas não encharcado. Emprega-se água até a
emergência das plântulas e solução
nutritiva a 50% após essa fase. É interessante que toda a superfície do
tanque fique recoberta pelas bandejas, pois o contato da solução
nutritiva com a luz propicia o desenvolvimento de algas. Bandejas com
células de pequeno volume são saturadas rapidamente e, estando em
contato direto com o fundo do tanque, não permitem a poda natural das
raízes, como acontece nas bandejas
suspensas. Quando se têm células
maiores, as bandejas podem permanecer suspensas e, assim, tem-se a
poda, quando se retira a água periodicamente.
Pelo processo descrito, dependendo da
temperatura, obtêm-se mudas de alface com
cerca de 8cm de altura e quatro a seis folhas
em 21 a 25 dias.
Temperatura
A temperatura influencia todas as atividades fisiológicas durante a germinação
da semente, crescimento e desenvolvimento da planta, controlando a taxa das
reações químicas. As temperaturas indicadas para cada espécie podem variar com a
cultivar e com a temperatura efetiva do
substrato utilizado, que é influenciada pelo
teor de umidade, cor e materiais presentes.
Considerando que a taxa de crescimento
depende da temperatura no ponto de crescimento, tem sido observada em alface uma
maior correlação positiva entre crescimento
e temperatura do solo do que temperatura
do ar.
A temperatura do ambiente protegido
usado para a produção da muda deve-se
aproximar o máximo possível da temperatura ótima para cada espécie e cultivar.
Quando se têm temperaturas subótimas ou
supra-ótimas para uma determinada espécie, um estresse pode ser induzido, cujos
efeitos dependerão da magnitude da temperatura.
Em condições tropicais, o estresse causado por alta temperatura é mais comum.
Por exemplo, sementes de alface quando
submetidas à temperatura de 30ºC ou mais,
durante as fases I e II da germinação, entram em dormência secundária. Algumas
cultivares que em condições normais não
necessitam de luz durante a germinação,
tornam-se fotoblásticas positivas após
indução de dormência secundária por alta
temperatura (Taiz & Zeiger, 1991). Esta seria
a razão da necessidade de semeadura rasa
de sementes de alface. A injúria da planta
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por alta temperatura pode ser devido ao
esgotamento (respiração maior que fotossíntese), toxidez (produção de etanol e
acetaldeído devido à respiração anaeróbica
quando falta oxigênio para suprir a alta
respiração) e desnaturação de proteínas
(destruição de proteínas). Membranas de
células estressadas pelo calor tornam-se
mais permeáveis ao citosol, tornado-se mais
susceptíveis a doenças, pois as substâncias liberadas servem como alimento para
microrganismos. Sintomas de estresse de
alta temperatura em mudas são redução na
taxa de crescimento e áreas com tecidos
mortos nas folhas e caule.
A temperatura é uma das ferramentas
que podem ser usadas para controlar a
altura de mudas produzidas em ambiente
protegido (Berghage, 1998). Em geral a
temperatura em ambiente protegido tende
a ser menor mais próximo do solo. Assim
sendo, a conveniência de se usar bancadas
mais baixas deve ser considerada.
Luz
Para a otimização no fornecimento de
luz, deve-se atentar para as características:
duração, intensidade e qualidade da luz. A
qualidade da luz torna-se importante sob
condições de luz artificial, tipo de filme
plástico e cobertura usada para reduzir a
temperatura. Por exemplo, a colocação de
telas de sombreamento inapropriadas e/ou
a pintura excessiva da cobertura com cal
reduzirão a intensidade luminosa, onde
predomina luz no comprimento de onda
vermelho, e causarão maior auto-sombreamento entre mudas e uma redução na
relação raiz/parte aérea, tornando as mudas
menos tolerantes ao transplante para a área
definitiva. Nesta condição, as plantas também tornam-se mais suculentas e estioladas, sendo mais susceptíveis a doenças
e ataques de insetos.
A energia luminosa total recebida pela
planta depende do comprimento do dia e
da intensidade de luz. Assim, a luz do sol
excessiva pode causar danos às plântulas
logo após a emergência. Por esta razão,
deve-se promover o sombreamento, por
exemplo usando um sombrite, que deve ser
retirado tão logo a plântula esteja estabelecida. Para as espécies insensíveis ao
fotoperíodo na fase de muda, quanto mais
prolongada a exposição à luz, maior a
30
fotossíntese e maior o crescimento.
Dependendo do comprimento do dia e
da intensidade de luz, a suplementação de
luz pode aumentar o peso das raízes e da
parte aérea de mudas de tomate, brócolos,
alface e pimentão (Tremblay & Cosselin,
1998), reduzindo assim o tempo para o
transplante e aumentando a eficiência de
uso do espaço mais caro.
Nutrientes
O estado nutricional ótimo da muda é
fundamental para o seu crescimento, desenvolvimento e potencial de produção no
campo após o transplante. Entretanto, em
razão da interação entre um grande número
de fatores que influenciam o crescimento e
a composição mineral das mudas, é impossível ter uma recomendação única e segura
para o fornecimento de nutrientes. Em
olericultura, a adubação, em geral, representa pouco no custo total de produção.
Por esta razão, é mais comum o problema
de toxidez que a deficiência. Assim, para
otimizar o fornecimento dos nutrientes para
as mudas é fundamental que se considere
os seguintes fatores: espécie; cultivar;
híbridos; concentração ótima de cada nutriente; taxa de crescimento; demanda de
nutrientes entre semeadura e transplante;
luz; temperatura; umidade relativa; água;
CO2; método de produção da muda; disponibilidade de nutrientes; capacidade de
troca de cátions (CTC); pH; soma e saturação de bases; salinidade e volume do
substrato; tipo de recipientes; fontes, concentrações, formas e freqüência de aplicação de fertilizantes.
Os poucos trabalhos científicos publicados com nutrição de mudas, especialmente em periódicos nacionais, apresentam
uma diversidade grande na metodologia e
nos resultados e falta uma descrição mais
detalhada da metodologia, tornando-se
difícil uma interpretação, que objetiva
adaptação e recomendação sob uma base
comercial. Além disso, são poucos os trabalhos que relacionam nutrição da muda
com a produção após o transplante. Raij
(1993), Carmello (1995), Dufault (1998) e
Argo (1998) tornam clara esta dificuldade
para a interpretação dos trabalhos científicos de otimização da nutrição das mudas.
As informações sobre nutrição mineral
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
e concentrações ótimas aproximadas de
cada nutriente para espécies olerícolas
podem ser encontradas em publicações
como as de Haag & Minami (1981), Reuter
& Robinson (1986), Jones et al. (1991),
Bergmann (1992) e Ferreira et al. (1993).
As recomendações para o fornecimento de nutrientes variam com o método
utilizado de produção de muda. Em canteiros, a forma mais eficiente é a aplicação
dos fertilizantes e homogeneização no solo
antes da semeadura. Neste sistema, a adubação com base em análise de solo e critérios de interpretação atuais pode ser adotada (Raij, 1993), fazendo-se adaptações
locais fundamentadas em observações
anteriores. A adição de adubos orgânicos
decompostos e bem curtidos constitui
importante fonte de nutrientes com liberação lenta. Entretanto, apenas a matéria
orgânica não é suficiente para fornecer
todos os nutrientes, especialmente fósforo
(P) e cálcio (Ca). Neste caso, a incorporação
de fontes destes nutrientes, em todo o volume do leito da sementeira, é fundamental.
O P, em razão de sua mobilidade no solo
por difusão, deve estar presente em maior
concentração, para maior absorção pelas
mudas que têm sistema radicular com
pequena superfície de absorção. Devido à
imobilidade do Ca no floema, ele deve ser
fornecido no ponto de crescimento da raiz.
A aplicação de algum micronutriente
específico via foliar poderá ser feita em
última opção, apenas corretiva, se o solo
ou substrato não foi devidamente corrigido. Neste caso, devem-se tomar cuidados
para evitar a toxidez. O molibdênio (Mo)
pode ser aplicado via foliar obtendo-se
respostas positivas em muitos casos e com
pequeno risco de toxidez. O B aplicado via
foliar é pouco eficiente em razão de sua
baixa mobilidade no floema da planta
(Marschner, 1995), exigindo assim um
grande número de aplicações, com risco
de causar toxidez.
O fornecimento de macronutrientes via
foliar não é eficiente, por causa da quantidade exigida pela planta, tornando-se necessário um grande número de aplicações.
Nos métodos de produção de mudas
em recipientes e blocos porosos, os nutrientes podem ser fornecidos por fertirrigação, aspersão ou subirrigação. Para a
definição de doses, composição da solução
e freqüência de aplicação dos nutrientes,
deve-se calcular a demanda de nutrientes
por dia com base na taxa de crescimento e
concentração ótima de cada nutriente no
tecido da planta.
Considerando a diversidade das fontes
de variação para nutrição, crescimento e
desenvolvimento da muda, é fundamental
que cada produtor faça pequenos testes,
objetivando a otimização de seu sistema e
da qualidade das mudas obtidas.
TRANSPLANTE DE MUDAS
A operação de transplante, que consiste
na transferência da muda do local de produção para a área definitiva, é uma etapa
fundamental para a sobrevivência e desempenho da muda. Para se proceder ao
transplante, alguns cuidados devem ser tomados a fim de evitar ou reduzir o estresse
hídrico, nutricional ou físico durante e após
essa operação.
A quantidade de água disponível é função principalmente do teor de água e volume do substrato que se mantém aderido ao
sistema radicular. O estresse nutricional
ocorrerá quando a demanda metabólica for
maior que a reserva interna e a quantidade
absorvida. O estresse físico ocorre quando
são ocasionados danos mecânicos nas
raízes ou na parte aérea. Em geral, quanto
maior o volume de substrato que se mantém
aderido à muda durante e após o transplante, menores serão os estresses.
Reduzindo-se estes estresses, menor
será o chamado choque de transplante. Para
isso, deve-se levar em consideração o método de produção da muda, a idade, o
volume e o formato do recipiente, tipo de
substrato, estado nutricional, teor de
matéria seca, bem como as condições climáticas e horário de transplante, ventos, técnicas e distância de transporte e condições
de preparo da área definitiva.
No sistema de produção de mudas em
canteiros, onde se procede a desinfecção,
o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento
de Hortaliças Asiático (Vegetable..., 1990)
recomenda cortar a raiz pivotante da muda
usando uma faca, uma semana antes do
transplantio, para estimular a ramificação e
formação de raízes novas junto à raiz
principal. Este procedimento contribui para
reter maior volume de solo e melhorar a
relação raiz/parte aérea. Efeito semelhante
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
ocorre no sistema de produção de mudas
em bandejas suspensas, onde ocorre a poda natural devido ao contato da raiz com o
ar atmosférico. Nicola (1998) cita que mudas
de alface com arquitetura do sistema radicular com maior número de raízes laterais
são mais eficientes para a absorção de água
e nutrientes da camada superficial do solo.
Quanto ao horário de transplante, devese procurar fazê-lo quando a transpiração
é menor, mais ao final da tarde, para que
seja restabelecida a absorção de água e nutrientes no período noturno. Se o ambiente
protegido possuir sistema de controle da
insolação e temperatura, o transplante
poderá ser feito a qualquer hora do dia.
O transplante para o sistema hidropônico pode provocar maior estresse mecânico quando a muda é produzida com
substrato, que deve ser lavado antes da
transferência para a solução nutritiva.
Neste caso, especialmente com a muda
mais velha, o dano ao sistema radicular será
maior e o tempo para recuperação também.
Quando se usam blocos porosos este
problema deixa de existir.
Finalmente, o uso do bom-senso e a
imaginação para resolver problemas locais
permitirão realizar o transplante em condições que permitam à muda de ótima
qualidade expressar todo seu potencial produtivo em ambiente protegido.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O cultivo protegido é uma alternativa
para aumentar a produção por área durante
todo o ano e melhorar a qualidade dos produtos. A utilização de mudas de alto padrão
de qualidade para a implantação da cultura
é fundamental. Considerando que são
vários os métodos que podem ser utilizados
para a produção destas mudas, deve-se
escolher, após criteriosa avaliação, aquele
de melhor relação custo/benefício para as
condições consideradas.
Os conhecimentos básicos disponíveis
sobre o fornecimento de água, O2, CO2, luz,
temperatura e nutrientes permitem ao produtor direcionar e planejar seus testes, uma
vez que é impossível ter-se uma receita
única, objetivando otimizar estes fatores
para cada genótipo e condições locais. Deve ser conduzido um maior número de
trabalhos de pesquisa científica, com o
objetivo de gerar conhecimentos básicos
para otimizar o fornecimento destes fatores. Nestes trabalhos deve-se relatar de
forma clara e mais informativa possível a
metodologia, para que se possa repeti-la
ou adaptá-la comercialmente.
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32
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Manejo do solo para a produção de hortaliças
em ambiente protegido
Juarez José Vanni Müller 1
Valmir José Vizzotto 1
Resumo - É relativamente recente a utilização do solo em ambiente protegido
para o cultivo de hortaliças no Brasil. Dados relativos ao manejo do solo nesta
condição são praticamente inexistentes. Os aspectos abordados têm como base o
conhecimento do uso do solo na forma tradicional e a experiência recente adquirida em cultivo protegido.
Palavras-chave: Cultivo protegido; Hortaliças; Matéria orgânica; Rotação; Consorciação; Manejo do solo.
INTRODUÇÃO
No Brasil, o cultivo protegido conduzido em abrigos fixos é realizado em condições naturais de solo, o que não acontece
na quase totalidade dos países que adotam
este sistema de cultivo, onde o solo provêm
de substratos minerais ou orgânicos, que
são colocados no interior do abrigo e utilizados por um determinado espaço de
tempo. Após esta utilização são substituídos ou passam por um processo de lavagem/desinfecção, para serem novamente
reutilizados.
SOLO
O solo é um meio complexo, constituído
de resíduos da decomposição de rochas
através do processo de intemperismo, material orgânico em vários estádios de degradação, organismos, ar e água.
A composição de um solo virgem é o
resultado da ação conjunta do clima, relevo
e da atuação dos microorganismos sobre a
rocha que lhe originou. Em relação ao clima,
destacam-se as chuvas, que lentamente vão
lixiviando os elementos mais solúveis. No
corpo do solo vão ficando compostos químicos progressivamente mais estáveis, mas
menos ricos em nutrientes minerais e com
menor capacidade de retê-los. Esta ação é
mais rápida nos trópicos, porque as reações
químicas são favorecidas pelas temperaturas mais elevadas.
A fertilidade natural do solo está relacionada com a rocha de origem. Solos originários
de material vulcânico geralmente têm boa
fertilidade natural, enquanto os originados
de arenitos são de baixa fertilidade natural,
em função da elevada porcentagem de
quartzo, mineral praticamente insolúvel.
MATÉRIA ORGÂNICA
A matéria orgânica no solo tem várias
funções benéficas. Do ponto de vista físico,
destacam-se os aumentos da porosidade,
infiltração, retenção de água e da resistência à erosão, redução do período de
encharcamento, compactação do solo e variações de umidade e temperatura do solo.
Do ponto de vista biológico também
há vários aspectos positivos, entre eles aumento da vida no solo, maior enraizamento
das plantas, maior resistência das plantas
a secas, doenças e pragas, e aumento do
sabor e período de conservação dos alimentos produzidos, além de constituir numa
fonte de nutrientes para o solo.
No aspecto químico, a matéria orgânica
aumenta a capacidade de troca de cátions,
favorecendo o aproveitamento de adubos
minerais e diminuindo o risco de salinização.
A intervenção no solo, através das práticas de preparo, deve ser a menor possível,
pois sua estrutura está intimamente relacionada com a atividade biológica. Os microorganismos, através do suprimento de
matéria orgânica, atuarão na estruturação
do solo e na sua porosidade. Os poros no
solo são fundamentais na aeração e no
fornecimento de oxigênio, que são indispensáveis para a absorção de nutrientes e,
conseqüentemente, para o desenvolvimento das plantas.
Em cultivos intensivos, como ocorre em
ambientes protegidos, as condições físicas
do solo geralmente são deficientes, principalmente por causa da baixa atividade
biológica, que ocorre em função da deficiente
energia para a ação e crescimento dos microorganismos, isto é, biomassa. Portanto, é
fundamental o fornecimento contínuo de
biomassa para a recuperação física desses
solos.
No cultivo de hortaliças, geralmente de
espécies de ciclo relativamente curto e com
altas produções por área, a demanda por
biomassa no solo é muito mais intensa.
Embora a matéria orgânica seja a fornecedora natural de micronutrientes, indispensáveis para as plantas, além de outros
elementos, ela não é essencialmente um
adubo e sim um condicionador do solo.
Deve-se fazer uma análise química do
material orgânico, principalmente quando
for compostado, para, em função das necessidades da cultura, ser realizada uma
adubação equilibrada, evitando-se excesso
ou falta de nutrientes. Quando ocorre uma
nutrição desequilibrada, a planta fica mais
susceptível ao ataque de doenças e pragas.
1
Engo Agro, M.Sc., Pesq. EPAGRI - Escritório Municipal de Pirabeirada, Rua Georg Burger, 179, Bairro Pirabeirada, CEP 89239-30 Joinville-SC.
E-mail: [email protected]
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Vários resíduos orgânicos podem ser
utilizados. Deve-se ter o cuidado de evitar
materiais contaminados com patógenos,
pragas, sementes, metais pesados e substâncias fitotóxicas (fenóis, resinas, terpenos,
taninos etc.), tendo maior atenção, quando
este material vier de fora da propriedade. À
exceção dos metais pesados, os problemas
com os demais contaminantes podem ser
resolvidos, quando o material sofre um bom
processo de compostagem. A ação dos metais pesados pode ser reduzida ou eliminada
através de:
a) calagem: com pH próximo da neutralidade, a disponibilidade dos metais pesados é reduzida;
b) capacidade de troca de cátions (CTC):
quanto maior for a CTC, mais metais
pesados serão removidos da solução do solo;
c) matéria orgânica: quanto maior for o
teor de matéria orgânica no solo,
menor será a disponibilidade dos metais pesados para as raízes.
Alguns materiais orgânicos que
podem ser utilizados no solo são:
- restos vegetais: folhas, ramas,
caules, palhas, cascas, talos, bagaços, sabugos e polpas. Estes
materiais podem ser colocados
sobre o solo ou incorporados superficialmente. Também poderão
ser compostados previamente;
- estercos de animais: antes da utilização, o esterco deve passar pelo processo de fermentação ou
ser compostado com restos
vegetais;
- resíduos industriais sólidos de
origem vegetal: bagaço de frutas
e de cana, bagacinho de cana,
tortas oleaginosas, polpa de sisal
e raspas de mandioca. Utilizar
estes produtos, de preferência,
após passarem pelo processo de
compostagem, que pode ser realizado com a adição de outros
produtos orgânicos. As tortas
podem ser usadas diretamente
no solo;
- resíduos industriais sólidos de
origem animal: farinhas de sangue, de peixe, de ossos, de casco
e de chifres, pó de couro curtido
e resíduos intestinais. As farinhas podem ser usadas diretamente no solo.
33
Recomenda-se que os solos,
dentro dos abrigos/estufas, sejam mantidos com um teor de
matéria orgânica em torno de 5%.
ROTAÇÃO E CONSORCIAÇÃO
A rotação e a consorciação de culturas,
além de favorecerem um melhor aproveitamento dos nutrientes e água, diminuem a
ocorrência de pragas e doenças.
A utilização de plantas com sistemas
radiculares diferentes deixa no solo canais
de diferentes espessuras e comprimentos que
favorecerão o seu arejamento.
Tanto a rotação quanto a consorciação
de culturas devem ser bem planejadas, levando-se em consideração os seguintes
aspectos:
a) rotação: escolher plantas que sejam
companheiras, utilizar aquelas de famílias diferentes, usar leguminosas
para repor o nitrogênio do solo, considerar o tipo de irrigação das culturas;
b) consorciação: definir qual cultura é a
mais importante; associar plantas que
têm muitas folhas, com outras de poucas; combinar plantas de ciclo longo
com as de ciclo curto; utilizar plantas
com diferentes arquiteturas e formas
de crescimento; combinar plantas
com exigências diferentes de água e
nutrição; associar plantas com sistemas radiculares de diferentes profundidades; combinar plantas sombreadoras com aquelas pouco exigentes
em luminosidade.
ADUBAÇÃO VERDE
Recomenda-se, a cada dois anos, realizar
uma adubação verde dentro dos abrigos, com
a posterior incorporação das plantas ao solo.
Esta técnica fornecerá matéria orgânica e nutrientes ao solo, auxiliará na reciclagem dos nutrientes não utilizados nos
cultivos anteriores e diminuirá a ocorrência de doenças de solo.
SALINIZAÇÃO DO SOLO
A salinização é o acúmulo de cátions
(sódio, potássio, magnésio e cálcio) e ânions
(nitratos e cloretos) no solo.
No cultivo em estufas, por causa da não
ocorrência de chuvas, da utilização de adubação mineral elevada e do acentuado uso
da irrigação por gotejamento, há uma tendência de acúmulo de sais na parte superficial do solo.
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 3 2 - 3 5 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Com o uso contínuo da mesma área de
solo, a salinização poderá atingir valores que
se tornarão fitotóxicos para a maioria das
culturas, reduzindo a produção e favorecendo a ocorrência de pragas e doenças.
Adubação
Na adubação das culturas olerícolas são
utilizados vários tipos de adubos, especialmente os nitrogenados e potássicos. Os
nitrogenados, tais como, os nitratos de amônio, de cálcio e de potássio apresentam um
índice de salinidade relativamente elevado
(superior a 50%). Por sua vez, no grupo dos
potássicos, à exceção do cloreto de potássio
(109,4%), os demais (sulfatos de potássio e
de potássio + magnésio) apresentam índices
inferiores a 50%. Os fosfatados são os de
menor índice de salinidade, entre 8 e 30%.
Em função do uso de doses elevadas de
fertilizantes no cultivo protegido, torna-se
evidente a necessidade de realizar análises
periódicas do solo, para controlar o efeito
prejudicial deste insumo pelo aumento do
índice de salinidade. No Quadro 1 é mostrado
QUADRO 1 - Tolerância relativa de algumas culturas à salinidade do solo
Cultura
Limite máximo da
salinidade (dS/m)(1)
Sensíveis
Feijão
Cenoura
Morango
1,0
1,0
1,0
Cenoura
1,2
Moderadamente sensíveis
Nabo
Rabanete
Alface
Pimentão
Batata-doce
Fava
Milho doce
Batata
Couve
Espinafre
Pepino
Tomate
0,9
1,2
1,3
1,5
1,5
1,6
1,7
1,7
1,8
2,0
2,5
2,5
Brócolos
2,8
Moderadamente tolerantes
Beterraba
4,0
Abobrinha
4,7
FONTE: Dados básicos: Lorenz & Maynard (1988).
(1) 1 decisiemen por metro (dS/m) = 1mmho/cm
= ±640mg de sal/L.
34
o índice máximo de salinidade do solo
supor-tado por algumas culturas, sem perdas
da produtividade.
Irrigação
O consumo de água pelas plantas cultivadas em abrigo é, normalmente, mais
elevado do que quando realizado ao ar livre.
Em média, estima-se uma necessidade em
torno de 600 a 900l/m2, dependendo das
condições edafoclimáticas e do tipo de
cultura. Considerando que o conteúdo de
sais na água de irrigação varia de 100 a
1.000mg/l, um consumo de 500l/m2 adiciona
ao solo 500 a 5.000kg de sais por hectare. O
teor de sais na água pode, portanto, atingir
níveis que levem à restrição do seu uso. Para valores de até 0,7dS/m (decisiemen por
metro), pode-se utilizar a água de irrigação
sem problemas; de 0,7 a 3,0dS/m, começase a ter problemas e, para valores superiores
a 3,0, deve-se restringir ou mesmo evitar o
seu uso. No Quadro 2, resumem-se os valores da condutividade elétrica da água de
irrigação para perdas de 10, 25 e 50% de
produtividade de algumas culturas.
Dessalinização do solo
No caso de um índice de salinização
prejudicial ao desenvolvimento normal de
determinada cultura, a lixiviação é um mal
necessário. Consiste em irrigar a área com
o equivalente a dez vezes a capacidade de
retenção do solo até a drenagem completa.
Para a obtenção de uma lixiviação eficaz,
recomenda-se o seguinte esquema de irrigação: irrigar durante 15 a 20 minutos; 6
horas mais tarde repetir a irrigação; 24 horas
após, aplicar mais 200mm; finalmente deixar
drenar totalmente. Como recomendação
adicional sugere-se uma adubação orgânica, para aumentar o teor de húmus estável
do solo.
Culturas com mais tolerância
à salinidade
Em áreas com problemas de salinidade,
o uso intercalar de espécies mais tolerantes
pode reduzir a condutividade elétrica do solo
para valores aceitáveis por culturas menos
tolerantes e de maior rendimento. Experimento com cevada semeada numa densidade de
20g/m2, reduziu a condutividade elétrica do
solo, após 46 dias, de 4,77 para 1,54dS/m, na
camada de solo de 0 a 20cm, e de 4,46 para
1,44dS/m, na camada de 20 a 40cm (Gomes,
1996, citado por Rosas, 1997). Rosas (1997)
indica também como espécies com tolerân-
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 2 – Valores da condutividade elétrica da água de irrigação para perdas de 10, 25 e 50%
de produtividade de algumas hortaliças
Porcentagem de perda de produtividade
Cultura
10
25
50
dS/m
dS/m
dS/m
Feijão
1,0
1,5
2,4
Alface
1,4
2,1
3,4
Pimentão
1,5
2,2
3,4
Melão
2,4
3,8
6,1
Pepino
2,2
2,9
4,2
Tomate
2,3
3,4
5,0
Cenoura
1,1
1,9
3,1
Morango
0,9
1,2
1,7
Cebola
1,2
1,8
2,9
Rabanete
1,3
2,1
3,4
Batata
1,7
2,5
3,9
Espinafre
2,2
3,5
5,7
Brócolos
2,6
3,7
5,5
Beterraba
3,4
4,5
6,4
FONTE: Dados básicos: Lorenz & Maynard (1988).
cia à salinidade, o alho, a beterraba, a abobrinha, o trigo e o azevém. Dentre as espécies não cultivadas destacam-se Paspalum
vaginatum (gramão) que suporta índices
de salinidade de até 35dS/m; Triplex
portucaloides L. e Limonium vulgare Miller.
Outra espécie com boa tolerância é Solanum
muricatum, que apresenta elevada produtividade mesmo em solo com condutividade elétrica de 8dS/m (Ruiz & Nues,
citados por Rosas, 1997).
SOLARIZAÇÃO
Em função da utilização intensiva do
solo em ambientes protegidos, haverá a
tendência de aumento das doenças de solo.
Além das práticas de utilização de matéria
orgânica, rotação e consorciação de culturas
e adubação verde, é importante a solarização
do solo dos abrigos.
A solarização consiste na utilização da
energia solar para a desinfestação do solo.
Esta técnica favorece a eliminação de fitopatógenos (fungos, bactérias e nematóides),
plantas daninhas e pragas.
Com a cobertura do solo úmido com filmes plásticos transparentes, haverá elevação da temperatura do solo, que atuará
sobre os fitopatógenos e pragas, eliminando-
os. Com a elevação da temperatura e a disponibilidade de umidade e de luminosidade
(filme plástico transparente), haverá germinação das sementes de plantas daninhas,
com posterior morte delas sob esta condição de estufa.
Para que seja eficiente, a solarização
deverá ser realizada nos períodos de maior
intensidade solar. Em regiões de clima subtropical, o período mais propício é o verão.
A inativação térmica de diversos patógenos dependerá da temperatura do solo.
Quanto menor a temperatura, maior deverá
ser o tempo de exposição. Nas camadas mais
profundas do solo, onde as temperaturas
não são muito elevadas, ocorrem rachaduras nos escleródios (estrutura de resistência
de alguns tipos de fungos), permitindo a
ação de microorganismos antagonistas. Em
estufas, recomenda-se a solarização por períodos de 20 a 30 dias.
Na escolha do plástico a ser utilizado, o
aspecto mais importante é que este seja
transparente, pois permite uma melhor passagem da radiação solar e, conseqüentemente, um efeito estufa mais eficiente,
dando condições, através da luminosidade,
para a germinação das sementes de plantas
daninhas. A espessura do filme plástico está
relacionada com sua vida útil e custo. Filmes
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 3 2 - 3 5 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
plásticos com maior espessura poderão ser
utilizados várias vezes, porém são de custo
mais elevado.
O processo de solarização deve seguir a
seguinte seqüência:
a) preparar o solo de modo convencional;
b) molhar o solo, deixando-o bem úmido;
c) colocar o filme plástico transparente
sobre toda a área. Nas bordas, o filme
deverá ser enterrado, para evitar a
perda de calor;
d) manter o abrigo/estufa todo fechado;
e) após o período de solarização, retirar
o plástico e realizar o plantio.
Em Devay et al. (1991) e Souza (1994), citados por Katan & Devay (1991) e Ghini
(1997) é relatada a ação da solarização sobre
fitopatógenos, tais como:
a) fungos: Bipolaris sorokiniana,
Didymella licopersici, Fusarium spp.,
Phytophthora spp., Plasmodiophora
spp., Pyrenochaeta spp., Pythium spp.,
Rhizoctonia solani, Sclerotinia spp.,
Sclerotium spp., Thielaviopsis
basicola, Verticillium spp.;
b) bactérias: Agrobacterium tumefaciens,
Streptomyces scabies;
c) nematóides: Criconella, Ditylenchus,
Globodera, Helicotylenchus,
Heterodera, Meloidogyne,
Paratrichodorus, Pratylenchus,
Xiphinema.
O uso de produtos químicos para tratamento do solo, além do alto custo financeiro, geralmente cria um vácuo biológico,
como o caso do brometo de metila, que
elimina a vida do solo. Este vácuo biológico
favorece o estabelecimento posterior de
fitopatógenos, que em razão da eliminação
dos microorganismos antagônicos, proporcionarão, cada vez mais, maior ocorrência e
problemas mais severos.
A solarização também atua em diversos
processos do solo, como na liberação de nitrogênio (amônia e nitrato), cálcio e magnésio; mudanças na composição do solo, melhorando a sua estrutura e favorecendo um
maior desenvolvimento e produtividade das
plantas.
CORREÇÃO DA ACIDEZ
TROCÁVEL DO SOLO
As hortaliças, assim como a quase
totalidade das plantas cultivadas, somente
produzem satisfatoriamente numa faixa de
pH entre 5,5 e 6,5 e com ausência de alumínio trocável. Quando o solo encontra-se
numa faixa de pH abaixo ou acima destes
valores, ocorrem sintomas drásticos de deficiência de grande parte dos nutrientes do
solo, além da toxidez de alumínio e manganês
(pH baixo).
Portanto, recomenda-se aplicar o calcário com três meses de antecedência ao
plantio, em duas vezes, sendo a metade antes de lavrar o solo e a outra metade após a
lavração, seguida de uma a duas gradagens,
com a finalidade de distribuir o calcário
uniformemente numa camada de aproximadamente 20cm de profundidade, área que
será intensamente explorada pelas raízes.
PLANTIO
Antes da semeadura ou plantio, efetuar
uma ou mais gradagens segundo as necessidades, a fim de que o solo fique em condições de receber a cultura.
Havendo necessidade de construção de
canteiros, recomenda-se o uso de encanteirador ou equipamento similar disponível
na propriedade. Deixar aproximadamente
50cm entre os canteiros para facilitar os
tratos culturais.
Nestas operações, deve-se evitar ao
máximo a utilização de enxada rotativa, pelo
fato de destruir totalmente a estrutura original do solo, compactando-o, o que impede
a infiltração normal da água. Além disso,
esta prática provoca a formação de uma
crosta superficial que, no caso de semeadura, impede a germinação normal das
sementes, causando morte das plântulas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ambiente dentro do abrigo/estufa é
muito precioso, pois é difícil e oneroso mudar
a estrutura de local. Em função disso, todos
os cuidados devem ser tomados para manter
o solo, nesses ambientes, com as melhores
características físicas, químicas e biológicas.
Portanto, o manejo correto do solo, adubação equilibrada, rotação e consorciação de
culturas e adubação orgânica e verde são
fundamentais.
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36
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Manejo dos fertilizantes nas culturas de hortaliças
cultivadas em solo, em ambiente protegido
Paulo Cezar Rezende Fontes 1
Tadeu Graciolli Guimarães 2
Resumo - O manejo dos fertilizantes na produção de hortaliças em ambiente protegido
é um desafio para técnicos e produtores que dispõem de escassas informações sobre
o tema. Enfatiza-se, a existência de relação funcional ótima entre dose do fertilizante
(mineral + orgânico) e produtividade das hortaliças, havendo a necessidade de adequar
a dose a ser aplicada em complementaridade à capacidade do solo em suprir de nutrientes as plantas. São propostos critérios para o parcelamento do nitrogênio e do
potássio na fertirrigação por gotejamento e teores críticos de nutrientes na planta,
para efeito de diagnóstico do seu estado nutricional e avaliação do programa de
adubação utilizado. Também é proposto um programa de adubação do tomateiro
em ambiente protegido e, acima de tudo, enfatizada a necessidade de o responsável
pela cultura ter informação e conhecimento dos princípios, procedimentos, técnicas
e avanços relacionados e ser capaz de ajustá-los a sua situação específica.
Palavras-chave: Fertilização; Adubação; Plasticultura; Nutrição mineral.
INTRODUÇÃO
A produção de hortaliças em solo, em
ambiente protegido, é um importante desafio para técnicos, pesquisadores e produtores que dispõem de recentes e raras
informações sobre o tema, em condições
brasileiras. O sucesso do empreendimento depende da otimização de diversas
variáveis, dentre as quais o programa de
fertilização da cultura. É difícil utilizar a
tecnologia de outros países, onde é comum
o uso de substratos, na maioria das vezes
inertes e removíveis, ao invés do solo. Neste, é um desafio otimizar a produção e não
salinizar as áreas pelas doses, habitualmente elevadas, utilizadas na produção
tradicional das hortaliças. No cultivo a céu
aberto, a chuva, as perdas e as trocas freqüentes de áreas encarregam-se de desalinizar o solo.
Neste artigo enfocam-se alguns conceitos envolvidos no manejo dos fertilizantes
na produção de hortaliças, utilizando-se de
exemplos na cultura do tomateiro, com a
qual se tem trabalhado mais. A maioria das
culturas em ambiente protegido pode ser
conduzida como plantas de ciclo normal
ou expandir-se por semanas e meses. A
expansão do ciclo da cultura implica, quase
sempre, em maiores produtividades e, nem
sempre, em necessidade de maiores quantidades de fertilizantes. Serão salientados
alguns princípios e experiências dos autores na tentativa de subsidiar o racional uso
dos fertilizantes nas culturas de hortaliças.
Devido ao relativamente reduzido custo
dos fertilizantes, é mais oportuno errar para
mais do que pela falta de adubo. Entretanto,
é necessário incorporar nos procedimentos utilizados no processo produtivo os
conhecimentos existentes sobre análises
de solo e planta. Finalmente, enfatiza-se
que a sintonia fina ou o refinamento das
recomendações de manejo dos fertilizantes
na produção de hortaliças necessita ser
conseguido em cada situação específica,
ensejando e mesmo condicionando o
produtor ou o responsável técnico pela
cultura a ser um experimentador in loco.
RELAÇÃO ENTRE DOSES
DE FERTILIZANTES E
PRODUTIVIDADE
A relação entre as doses de um nutriente aplicadas ao solo (abscissa) e as
produtividades da cultura (ordenada) pode
ser representada graficamente por uma
curva. Usualmente, três regiões desta curva podem ser destacadas: a primeira, de
sensível aumento na produtividade com o
aumento nas doses. A segunda, em que
para pequenos aumentos da produtividade
são necessárias doses altas do nutriente.
Finalmente, a terceira, em que há decréscimo na produtividade com o aumento das
doses. Os aspectos matemático e estatís-
1
Engo Agro, Ph.D., Prof. Tit. UFV - Depto Fitotecnia, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
Engo Agro, D.Sc., Prof. Adj. UFU, Campus de Umuarama, Av. Amazonas s/n, CEP 38400-902 Uberlândia-MG.
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
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37
38
tico sobre os ajustes de curvas de produtividade em função de doses dos fertilizantes são complexos e levam, quase sempre,
à obtenção de diferentes doses ótimas de
fertilizantes. Porém, nem sempre a relação
entre doses de um nutriente e a produtividade será representada por uma curva,
como descrita anteriormente. Se o teor do
nutriente no solo é adequado para a produção máxima, a curva de resposta da produção é horizontal ou paralela à abscissa.
Isto pode ser o caso de solos que vêm
recebendo adições freqüentes de fertilizantes, tornando os teores dos nutrientes
disponíveis elevados, como é o caso das
áreas sob estufas.
Não são freqüentes os estudos relacionando o teor disponível do nutriente no
solo e a produtividade de hortaliças. Mais
comuns são os estudos que relacionam
doses do nutriente e a produtividade da
cultura, sem considerar o teor do nutriente
no solo. Adubar com doses elevadas, sem
considerar o teor existente no solo, na
maioria das vezes funciona, pois a planta
tem mecanismos seletivos na absorção
iônica até que concentrações desbalanceadas ou tóxicas sejam atingidas, quando
então ocorrerá decréscimo na produtividade. Ademais, em condições protegidas,
a demanda por nutrientes é alta, pois a produção de matéria seca também é alta. Por
exemplo, com 115t/ha de frutos, o tomateiro acumulou na parte aérea 8.850kg de matéria seca (67% nos frutos), no período de
135 dias no campo, isto é, a taxa média de
66kg/ha/dia, embora tenha atingido o valor máximo de 5.710mg/planta/dia correspondentes a 127kg/ha/dia (Fayad, 1998).
Em outras condições, valores máximos
de 8.552mg/planta/dia (Fayad, 1998) e
9.500mg/planta/dia (Heuvelink, 1995) têm
sido encontrados para o tomateiro. O máximo de 6.000mg/planta/dia foi encontrado para a cultura do pimentão (Negreiros,
1995). As taxas médias raramente ultrapassam de 45 para o feijão e 150kg/ha/dia
para o milho.
Em condições protegidas, comparada
com o campo, as culturas podem ser conduzidas por maior período, sendo as produtividades, normalmente, maiores. Por
exemplo, utilizando as mesmas práticas
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
culturais, os híbridos de tomate Sunny e
EF-50, que se desenvolveram entre meados
do outono e primavera, em Viçosa (MG),
em condições protegidas, produziram em
média 140% mais frutos comerciais que no
campo (Fontes et al., 1997). Do mesmo
modo, no inverno, foi verificado aumento
médio de 207% na produtividade da alface
em relação àquela obtida no campo sem
proteção (Rodrigues, 1997).
As maiores produtividades, normalmente obtidas em ambientes protegidos,
podem induzir ao conceito da necessidade
de serem aplicadas maiores doses de fertilizantes para as culturas que se desenvolvem nesse ambiente. Não é um conceito
sempre correto, pois, a combinação de fatores, dentre os quais o cultivo em ambiente
aberto, época chuvosa do ano, solos arenosos, irrigação por sulcos e parcelamentos
mais espaçados das doses, acarreta perdas
elevadas de nutrientes, principalmente nitrogênio (N) e potássio (K). Em contraste,
o cultivo em ambiente protegido e fertirrigações diárias ou semanais, embora o volume de solo explorado pelas raízes seja
menor, concorrem para maior eficiência do
uso dos fertilizantes. A quase ausência de
dados comparativos entre ambos os sistemas dificulta a racional extrapolação da
experiência acumulada pelos produtores
tradicionais a céu aberto para as condições
protegidas.
ANÁLISE DE SOLO
A aplicação de fertilizantes com base
na disponibilidade dos nutrientes existentes no solo é a forma mais apropriada de
evitar acúmulo excessivo de sais, mesmo
considerando os problemas inerentes à
utilização da análise de solo, como critério
de recomendação de adubação. A generalizada idéia de que as hortaliças necessitam de quantidades elevadas de nutrientes no solo (nível crítico alto), nem sempre é verdadeira, embora a maioria das
cultivares tenha sido selecionada em
condições de alta disponibilidade de nutrientes, visando produtividades elevadas
em curtos períodos. As hortaliças, quase
sempre, são propagadas por mudas produzidas em recipientes preenchidos com
substrato que recebem, por unidade de
volume, grandes quantidades de fertilizantes os quais ficam à disposição, quase
em contato direto, do ainda reduzido sistema radicular. Nesta situação, o nível dos
nutrientes no meio, principalmente do
fósforo (P), é alto. Porém, com o progressivo crescimento do sistema radicular,
ocupando significativo volume do recipiente e posterior transplantio para o campo,
a capacidade de absorção aumenta, provavelmente reduzindo o nível considerado
crítico. Se os teores de nutrientes no solo
são suficientemente altos, acima de níveis
considerados críticos, de tal modo que a
aplicação de fertilizantes não corresponderá a aumento econômico da produtividade, o produtor estará perdendo dinheiro. Adicionalmente, estará correndo o risco
de acentuar a concentração de determinados nutrientes no solo, causando desbalanços e efeito salino, os quais poderão
influenciar negativamente a produtividade
e a rentabilidade da cultura. Obviamente,
poder-se-ia considerar a possibilidade de
o excesso de fertilizantes tornar-se poluidor
do meio ambiente, em analogia às atuais
preocupações existentes nos países mais
desenvolvidos.
Os critérios para a interpretação da análise do solo (Quadro 1) e recomendação de
adubação para os cultivos nos moldes tradicionais são publicados por diversos Estados brasileiros e estrangeiros (Quadro 2).
É imperioso que estes valores sejam utilizados apenas como balizadores ou referências. Na Flórida, Estados Unidos, os
produtores de hortaliças, geralmente, colocam mais adubo do que as quantidades
recomendadas pelos testes de calibração
(Hanlon & Hochmuth, 1992). Este fato
também deve estar ocorrendo no Brasil.
É difícil imaginar que o universo de
variações existentes em todo o processo
produtivo, incluindo genótipo, ambiente,
solo e manejo cultural, estará contemplado
naqueles critérios. Mesmo em países de
extensões territoriais reduzidas, com safras
em períodos definidos, maior homogeneidade na tecnologia de produção, com
disponibilidade de recursos para a pesquisa, associações organizadas e atuantes
de produtores de alface, tomate, pimentão
ou outras olerícolas, os estudos de calibra-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
39
QUADRO 1 - Escalas para a interpretação de análise de solo no estado de Minas Gerais (Brasil)
e na Flórida (Estados Unidos)
Teores no solo(1)
Textura
do
solo
Nutriente
Muito
baixo
Baixo
Minas Gerais(A)
Médio
Alto
Muito
alto
(mg/dm3)
Fósforo
Argilosa
–
0-5
6 - 10
11 - 20
> 20
Fósforo
Média
–
0 - 10
11 - 20
21 - 40
> 40
Fósforo
Arenosa
–
0 - 20
21 - 30
31 - 60
> 60
Potássio
Qualquer
–
0 - 45
46 - 80
81 - 120
> 120
Flórida(B)
Fósforo
–
< 10
10 - 15
16 - 30
31 - 60
> 60
Potássio
–
< 20
20 - 35
36 - 60
61 - 125
> 125
Fósforo-critério antigo
–
< 16
16 - 33
34 - 66
67 - 132
> 132
Potássio-critério antigo
–
< 25
25 - 50
51 - 100 101 - 200
FONTE: Dados básicos: (A) Fontes (no prelo) e (B) Hanlon & Hochmuth (1992).
(1) Extrator Mehlich 1.
> 200
(mg/kg)
QUADRO 2 - Recomendações de doses de P2O5 e K2O (kg/ha) para algumas culturas em ambiente
não-protegido e ciclos normais das plantas, no estado de Minas Gerais (Brasil) e na
Flórida (Estados Unidos), em função dos teores no solo
Teor no solo
Cultura
Nutriente
Muito
baixo
Baixo
P 2O 5
K2O
183
179
149
145
Minas Gerais
P 2O 5
K2O
-
Alface
Minas Gerais
P 2O 5
K2O
Melão
Flórida
Alto
Muito
alto(1)
115
112
0
0
0
0
300
240
240
180
100
80
50
0 (80)
-
400
120
300
90
100
60
50
0 (60)
P 2O 5
K2O
183
179
149
145
115
112
0
0
0
0
Feijão de Vagem
Flórida
P 2O 5
K2O
92
89
92
89
69
67
0
0
0
0
Tomate
Flórida
P 2O 5
K2O
183
179
149
145
115
112
0
0
0
0
Pimentão
Flórida
Médio
FONTE: Dados básicos: Fontes & Monnerat (1984), Hanlon & Hochmuth (1992), Casali &
Fontes (no prelo) e Fontes (no prelo).
(1) Apenas reposição.
ção, que visam o estabelecimento de doses
dos fertilizantes, com base na análise do
solo, fornecem indicações gerais ou referenciais, as quais necessitam sofrer ajustes
locais.
Em condições protegidas, além da
análise de solo tradicional, a utilização da
análise da condutividade elétrica do extrato
de saturação do solo é prática aconselhável,
pois, dependendo da qualidade da água
de irrigação e do excesso de fertilizantes,
pode ter havido acúmulo de sais no perfil
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do solo. A alta salinidade no meio pode
provocar diversos problemas na planta,
inclusive a morte.
Portanto, quando os teores de sais no
solo tornam-se elevados, precisam ser
removidos ou lixiviados pela aplicação de
água ou pela chuva sobre o solo da estufa
descoberta. A quantidade de água é
variável em função da textura do solo e dos
teores de sais no solo. Assim, solos arenosos e não-arenosos com 5dS/m podem
necessitar de 70 e 100l/m2, respectivamente, aplicados em dois a cinco dias
(Papadopoulos, 1994). Esta operação, normalmente, reduz a condutividade elétrica e
os teores de nitrato e de K do solo. Tem-se
usado, na Universidade Federal de Viçosa
(UFV), este artifício para executar experimentos, nos quais é necessário baixo teor
de N no solo.
Estudos de Rhoades & Miyamoto
(1990) indicam a tolerância das espécies à
condutividade elétrica do solo, sendo as
culturas de alface, pimentão, pepino e tomate, consideradas moderadamente sensíveis. Estes autores citam que os limites
de salinidade para estas culturas são 1,3;
1,5; 2,5 e 2,5dS/m, respectivamente. Entretanto, esses limites devem ser considerados com reservas, quando as plantas
têm constante disponibilidade de água,
como no caso da irrigação por gotejamento.
Trabalhos de calibração das análises
de nutrientes e de condutividade elétrica
do solo e a conseqüente utilização dos
resultados, principalmente em ambiente
protegido e irrigação por gotejamento, são
escassos. A alternativa é utilizar os critérios
atualmente existentes para as culturas nos
moldes tradicionais, buscando-se informações mais concretas sobre os possíveis
índices críticos de salinidade no solo. Os
resultados da análise do solo podem ser
utilizados para o estabelecimento das doses
referenciais de calcário, P e K, podendo ser
usada, com mais restrições, para os micronutrientes. Para o N, na UFV, há primórdios
de trabalhos tentando apropriar critérios
ou índices no solo para a sua recomendação em olerícolas.
Entretanto, para haver a sintonia fina, sinônimo de ajuste das informações
obtidas pelos pesquisadores em situação
específica, da recomendação da dose ade-
40
quada dos nutrientes, dentre eles P, K e
micronutrientes, com base na análise do
solo, é prudente não esperar pelos resultados advindos das instituições de pesquisas ou das universidades públicas ou
privadas. Mesmo nos países que dedicam
maiores recursos à pesquisa, dispondo de
grande volume de informações publicadas,
a sintonia fina do programa de fertilização,
como de quase todas as demais práticas
no sistema produtivo, inclusive a análise
foliar, dependerá da participação do produtor, na sua situação específica. A sintonia fina das recomendações geradas pela
pesquisa, escassa no Brasil, deve começar
com a seleção de um critério para estabelecer o programa de fertilização da
cultura. Este critério poderia ser usado em
pequeno percentual da área plantada, para
servir como testemunha para a prática
normalmente adotada pelo produtor. Adequando-se procedimentos, após certo
período, pode-se otimizar a utilização dos
fertilizantes com base nas análises do solo
e da planta. Agrônomos são capazes de
orientar os produtores nesta tarefa de
ajuste local.
ANÁLISE FOLIAR
A avaliação do estado nutricional da
planta, como ferramenta de diagnose e
prognose, é útil e importante, desde que
todas as etapas do processo sejam executadas corretamente, precisando ser incorporada aos procedimentos utilizados na
produção de hortaliças em ambiente protegido, principalmente no manejo da fertilização com N e K. Tanto a análise de tecidos
secos (análise foliar tradicional), como a
da seiva (elementos solúveis) são possíveis de ser utilizadas com os microelétrodos
portáteis, disponíveis no mercado. Teores
de nutrientes em tecidos de alface, pimentão e tomate considerados adequados,
utilizando como exemplos resultados de
experimentos desenvolvidos na UFV, são
mostrados no Quadro 3. Indicações de
níveis críticos dos nutrientes para as hortaliças mais importantes podem ser encontrados em Mills & Jones Júnior (1996),
Hartz & Hochmuth (1996) e Huett et al.
(1997).
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 3 - Concentrações críticas de N e K na seiva e nas matérias secas de folhas, pecíolos
ou limbos foliares, em função do estádio de desenvolvimento de algumas culturas
Concentração de nutrientes
Estádio
de
N-NO 3
N-NO 3
N
K
Cultura
desenvolvimento
Seiva
Matéria Seca Matéria Seca Matéria Seca
(mg/l)
(dag/kg)
(dag/ka)
(dag/kg)
Alface
8a folha
Final do ciclo
–
–
0,64 (F)
–
4,27 (F)
3,75 (F)
7,00 (F)
5,00 (F)
Pimentão
Início de frutificação
Intensa frutificação
–
–
1,00 (P)
–
4,00 (F)
3,50 (F)
6,00 (F)
4,00 (F)
2o cacho
2959 (P)
0,97 (P)
5,86 (L)
10,30 (P)
4o cacho
1409 (P)
0,29 (P)
4,37 (L)
7,30 (P)
6o cacho
1175 (P)
0,14 (P)
2,91 (L)
3,00 (P)
FONTE: Dados básicos: Sampaio et al. (1995), Sampaio (1996), Fontes et al. (1995, 1997) e
Guimarães (1998).
NOTA: F - Folhas; P - Pecíolos; L - Limbos foliares.
Tomate
MATÉRIA ORGÂNICA
É pouco provável a obtenção de produtividade máxima de qualquer hortaliça sem
a adição de matéria orgânica, principalmente em solos com baixo ou médio teor
de matéria orgânica (< 3dag/kg). Esta, além
de melhorar algumas características físicas
do solo, incorpora razoáveis quantidades
de nutrientes biodisponíveis. Segundo
Kiehl (1985), os teores de N nos estercos
de bovinos e de galinhas isentos de água
estão em torno de 1,67 e 3,99%; os teores
de P2O5, de 0,86 e 4,74%, e os teores de
K2O, de 1,37 e 2,0%, respectivamente. Portanto, a adição de 30 t/ha de esterco de
bovinos com 30% de matéria seca incorpora
ao solo, aproximadamente, 150kg de N, 80kg
de P2O5 e 120kg de K2O. A adição de 5 t/ha
de cama de aves (três lotes), cujo teor de
matéria seca é alto, em torno de 70%, pode
incorporar ao solo 110kg de N, 120 de P2O5
e 90 de K2O. Se é difícil a quantificação dos
nutrientes incorporados ao solo pela adição de matéria orgânica, mais difícil é definir
índices de suas disponibilidades às plantas.
Normalmente, pode ser aceito que metade
do N, 30% do P e 70% do K adicionados
como estercos estejam disponíveis para as
plantas. Portanto, a adição de 30 t/ha de
esterco de bovinos pode disponibilizar para
as plantas 75kg de N, 25kg de P2O5 e 80kg
de K2O.
Existem algumas alternativas para a
substituição dos estercos de animais, dentre as quais o húmus de minhoca, o composto orgânico de resíduos vegetais e, com
restrições à presença de metais pesados, o
composto de lixo urbano. O efeito da adição
deste ao solo sobre a produção de cultivares de alface foi estudado por Costa (1998).
As produtividades das cultivares aumentaram com o aumento das doses aplicadas,
sendo 30 t/ha a maior dose aplicada (em
toda a superfície do canteiro). Além disso,
houve aumento dos teores dos metais pesados zinco (Zn), cobre (Cu), chumbo (Pb)
e cádmio (Cd) nas folhas.
A adição nos sulcos de transplantio de
30 t/ha de esterco de bovinos, contendo
70% de umidade, corresponderia à aplicação de 9 t/ha de matéria seca (cerca de
15.000dm3). Supondo que os sulcos de
transplantio sejam espaçados de 1m e tenham 0,15m de largura e 0,20m de profundidade, haverá a formação de uma faixa de
substrato. Esta faixa conterá o esterco
misturado ao solo em proporções que podem variar de 100:0 (somente esterco no
sulco), até 0:100 (somente solo no sulco).
A faixa de substrato conterá então: solo,
esterco, fertilizantes (normalmente, uma
fonte de fósforo, o sulfato de magnésio e
os micronutrientes) e, em alguns casos, o
praguicida de solo. Além disso, receberá a
água, o N e o K via gotejamento. Este tipo
de prática cultural não poderia ser consi-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
A extração de nutrientes pelas partes
da planta (análises das quantidades de
matéria seca e de nutrientes) é indicativo
da eficiência dos processos envolvidos na
produção e partição de assimilados e nos
seus acúmulos nos órgãos da planta. As
quantidades retiradas de nutrientes ao
longo do ciclo da cultura, principalmente
N e K, proporcionam indicativos para as
doses e parcelamento dos adubos a serem
utilizados. Entretanto, as quantidades
removidas dependem de diversos fatores,
entre os quais a produtividade de matéria
seca e a disponibilidade dos nutrientes para
as raízes (quantidades existentes no solo
mais as adicionadas como fertilizantes
orgânicos e minerais). Se a disponibilidade
for alta, a planta absorverá quantidades
excessivas de nutrientes (consumo de
luxo), principalmente K, resultando em
menores absorções de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) (Sampaio, 1996 e Fontes et al.,
1996), não resultando em aumentos de
quantidade e qualidade do produto colhido,
podendo haver decréscimos nas mesmas.
Dose excessiva de N proporciona aspecto luxuriante da vegetação do tomateiro,
porém com menor partição de assimilados
para os frutos (Guimarães, 1998), podendo
provocar, às vezes, a falsa impressão que
máximas produtividades total, comercial e
ponderada de 155, 136 e 126 t/ha, respectivamente, as quais corresponderam a 1.168,
1.025 e 950kg/ha/dia de permanência da
cultura no campo (133 dias após o transplantio). Ao invés de aplicar semanalmente
as quantidades de N e K, estas poderiam
ser divididas por sete e aplicadas diariamente, esquema mais apropriado em sistemas automatizados. Resultados com outras
espécies precisam ser estabelecidos e avaliados em condições protegidas.
Muitas vezes, em sistemas automatizados, para evitar cálculos, é possível, ao
integrar informações, desenvolver programas de computador que gerem recomendações de parcelamento da adubação,
como por exemplo o citado por Breimer et
al. (1988). Entretanto, os programas apenas
executam tarefas ou rotinas que precisam
ser preestabelecidas e validadas por trabalhos apropriados de pesquisas.
MODO DE APLICAR OS
FERTILIZANTES
No cultivo de hortaliças em ambiente protegido, os nutrientes podem ser
6000
210
5000
175
4000
140
3000
105
2000
70
GMS
GN
GK
1000
35
0
15
30
45
60
75
90
105
Dias após o transplantio
Taxa de absorção de N e K
(mg/planta/dia)
DINÂMICA DE ABSORÇÃO DO N
E DO K COMO CRITÉRIO PARA
OS SEUS PARCELAMENTOS
as plantas estejam mais bem nutridas.
Em cultivo protegido, o tomateiro fertirrigado (híbrido EF-50, 22.200 plantas/ha,
ciclo de 135 dias após o transplantio, produtividade comercial de 109 t/ha correspondentes a 807kg/ha/dia de permanência
da cultura no campo) extraiu, pela parte
aérea, 264, 211, 195, 49, 40 e 30kg/ha de K,
N, Ca, enxofre (S), Mg e P, respectivamente
(Fayad, 1998). Neste trabalho, as taxas de
absorção de N e K acompanharam a taxa
de crescimento da cultura (Gráfico 1), sendo
que as quantidades percentuais de N e K
acumuladas pela planta ao longo do ciclo
encontram-se no Quadro 4, podendo servir
como cronograma referencial para a aplicação de ambos via água de irrigação. Assim,
baseando-se parcialmente nestes resultados foram definidas as porcentagens das
quantidades totais de N e K a ser aplicadas
por semana, ao longo do ciclo do tomateiro
(Quadro 4). A sugestão foi utilizada por
Camargos (1998), para o parcelamento das
doses de N e K via irrigação por gotejamento, em experimento com a cultura do
tomateiro ‘Carmen’. Neste experimento foi
utilizada a suspensão do nitrocálcio e do
cloreto de potássio, tendo sido obtidas as
G (mg/planta/dia)
derado um cultivo quase em substrato? Na
UFV, utilizando a técnica de cultivo em
substrato acondicionado em saco plástico,
foi possível maximizar a produtividade do
tomateiro (165 t/ha), adicionando-se até
15% de esterco seco de suínos à mistura
de solo + substrato comercial (Loures, 1997
e Loures et al., 1998).
Apesar de difícil manuseio, produtores
de hortaliças, principalmente em ambientes
protegidos, não devem deixar de aplicar
matéria orgânica ao solo. Tal prática irá
proporcionar economia de nutrientes, principalmente de N, adição de micronutrientes,
maiores retenção de umidade e aeração do
solo, facilidade de crescimento radicular e,
acima de tudo, efeitos biológicos positivos,
porém pouco conhecidos e difíceis de ser
estudados.
41
120
0
135
Gráfico 1 - Taxas de produção de matéria seca (GMS) e de absorções de N (GN) e
K (GK) pela parte aérea do tomateiro cultivado em condições protegidas,
ao longo do seu ciclo cultural
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 4 - Estimativa da absorção de N e K (valores acumulados em %) na parte aérea das
cultivares de tomate EF-50 e Santa Clara e sugestão das porcentagens das doses
de N e K a ser utilizadas na fertirrigação, em função da idade da planta
Idade da planta
(dias após o
transplantio)
7
14
21
28
35
42
49
56
63
70
77
84
91
98
105
112
119
126
133
Nutriente
N
EF-50
K
Santa Clara
2,9
4,3
6,3
9,2
13,3
18,8
25,9
(2)
34,5
44,4
54,8
64,9
74,0
81,5
87,5
91,9
95,1
97,4
98,9
100
4,6
7,6
12,4
19,5
(2)
29,3
41,6
55,0
67,7
78,4
86,2
91,6
95,1
97,2
98,5
99,2
99,7
100
–
–
EF-50
2,4
3,6
5,4
8,1
11,9
17,2
24,3
33,1
43,3
54,2
64,8
74,3
82,0
88,0
92,4
95,5
97,6
99,0
100
Santa Clara
1,7
4,3
9,4
16,6
25,4
35,3
45,9
56,7
67,2
77,1
85,7
92,7
97,7
100
–
–
–
–
–
% das doses
sugeridas de
N e K(1)
5
5
5
8
8
8
8
8
8
8
8
8
8
–
–
–
–
–
–
FONTE: Dados básicos: Fayad (1998).
(1) Aplicar 5% das doses de N e de K no sulco, antes do transplantio. (2) Aparecimento dos
frutos nas plantas.
aplicados ao solo de três formas:
a) manual ou mecânica;
b) via água de irrigação, normalmente
por gotejamento;
c) de forma mista, vias manual e água.
A primeira é o método tradicional,
comumente utilizado na produção de hortaliças, em condições não-protegidas. Na
segunda, todos os nutrientes são aplicados
via água, normalmente por gotejamento
superficial, embora seja possível utilizar o
sistema de gotejamento subterrâneo. Ambas admitem formas simples e sofisticadas
de controle das doses dos fertilizantes,
inclusive com a utilização de computadores. O terceiro método é o que mais se tem
usado.
Por este método, após a calagem, todo
o fertilizante contendo P é colocado no solo, nos sulcos antes do transplantio das
mudas. Poderia talvez ser colocado via gotejamento, principalmente em solo ou
substrato com baixa ou nula capacidade
de adsorção. O P é, praticamente imóvel no
solo e a sua disponibilidade e eficácia são
dependentes, em grande parte, de sua chegada às raízes. Em culturas nas quais o espaçamento entre sulcos é mais amplo, como
por exemplo tomate e pimentão, a localização do P é facilitada. Porém, para culturas
como a alface, cujo espaçamento entre mudas transplantadas é pequeno, geralmente
25 a 35cm, a localização do adubo fosfatado
torna-se mais difícil. Nesse caso, o adubo
geralmente é colocado a lanço e incorporado em toda a área do canteiro, implicando,
quase sempre, na necessidade de dose
maior de P e no cuidado dele não ser incorporado muito profundamente, dando-lhe a
oportunidade de encontrar as raízes das
mudas recém-transplantadas. A probabilidade disso ocorrer dependerá de diversos
fatores, dentre os quais as quantidades de
raiz e de P existentes nas mudas e da concentração de P na rizosfera (Fontes & Wilcox,
1983, 1984ab, Fontes et al., 1984, 1986,
Fontes, 1987 e Fontes & Fontes, 1992).
Os demais nutrientes, principalmente
N e K, têm sido colocados via água de irrigação, por gotejamento, utilizando-se o
injetor Venturi (Denículi et al., 1992) ou o
tanque de derivação de fluxo. Sistema de
fertirrigação, em escala comercial, pode ser
totalmente automatizado usando timers ou
controladores para regular o volume a ser
aplicado da solução contendo os fertilizantes. Existem diversos tipos de injetores
com diferentes capacidades para injetar
fertilizantes. Esta capacidade, normalmente,
é fornecida pelo fabricante ou calculada
pelo usuário, sendo expressa pela razão
entre a vazão succionada pelo injetor e a
vazão dos tubogotejadores. Assim, por
exemplo, 1:100 significa que a concentração
da solução no tanque de fertilizante será
diluída por 100. Basicamente, para aplicar
fertilizantes ao tomateiro em estufas de
400m2 tem-se usado: tomada de água (cota
alta), filtros, válvula reguladora de pressão,
um tanque para solução nutritiva acoplado ao injetor Venturi e os tubogotejadores
(Loures et al., 1998 e Camargos, 1998). Para
a aplicação dos fertilizantes nos trabalhos
de Sampaio (1996) e Guimarães (1998), foi
utilizado o tanque de derivação de fluxo
em substituição ao sistema Venturi. Uma
possibilidade mais simples e funcional, em
caso de número não muito alto de plantas,
é a colocação da dose desejada do fertilizante diretamente em um tanque grande,
contendo o volume total de água que será
utilizado na irrigação. Outros equipamentos, procedimentos e automação podem ser utilizados na aplicação de fertilizantes na água de irrigação. Frizzone &
Botrel (1994) fornecem algumas informações sobre a aplicação de fertilizantes
via água de irrigação. Detalhamentos de
sistemas de irrigação por gotejamento, em
ambiente protegido, para áreas com grande
número de estufas, podem ser feitos por
técnicos especializados.
FONTES DOS NUTRIENTES
Na produção de hortaliças em solo, em
ambiente protegido, diversas fontes de
fertilizantes podem ser utilizadas. Assim,
podem ser citadas: uréia (45% de N), sulfato
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
de amônio (20% de N), nitrato de amônio
(34% de N), nitrocálcio (22% de N, 10% de
CaO e 7% de MgO), nitrato de potássio
(14% de N e 46% de K2O), monoamônio
fosfato (11% de N e 50% de P2O5), diamônio
fosfato (18% de N e 46% de P2O5), cloreto
de potássio (60% de K2O e 47% de Cl), sulfato de potássio (50% de K2O e 17% de S),
sulfato duplo de potássio e magnésio (22%
de S e 15% de MgO) e nitrato de potássio
(44% de K2O e 14% de N). Como fonte
fosfatada, podem ser citadas: superfosfato
simples (20% de P2O5, 26% de CaO e 12%
de S), superfosfato triplo (42% de P2O5 e
18% de CaO), termofosfato magnesiano
(19% de P2O5, 30% de CaO e 18% de MgO),
mono e diamônio fosfatos e ácido fosfórico
(54% de P2O5), sendo os três últimos os
mais usados na água de irrigação.
É aceito que ambas as formas de N
(NH4+ e NO3-) podem ser perdidas pelo solo
por diversos processos dentre os quais a
erosão, percolação, denitrificação (perdas
de moléculas de gás nitrogênio em ambiente
de deficiência de aeração a partir do nitrato),
volatilização (formação de amônia a partir
de NH4+ em condições alcalinas), fixação à
argila do solo, entre outros. É difícil imaginar, por peculiaridades do sistema, perdas
significativas de N em ambiente protegido.
Além dos enumerados, existem os fertilizantes de liberação lenta mais usados em
outros países. Também existem as apropriadas fórmulas completas (NPK) que
podem ser utilizadas via água de irrigação,
sendo porém menos flexíveis para o fornecimento de quantidade precisa de determinado nutriente.
Normalmente, os nutrientes são comercializados na forma sólida, embora existam os fertilizantes líquidos que não são
comuns entre os produtores brasileiros
de hortaliças. Boas et al. (1994) e Berjon &
Murray (1998) mencionam valores apropriados de condutividade elétrica da solução nutritiva a ser empregada na fertirrigação, normalmente expressos em dS/m.
Embora este valor não seja transformável,
multiplicando-o por 680 ou 700 obtem-se,
empiricamente, a concentração de nutrientes na solução, em mg/l. Entretanto, mais
apropriado é expressar a concentração de
cada nutriente na solução ou a quantidade
de determinado fertilizante por volume de
água.
Os micronutrientes podem ser fornecidos sob a forma inorgânica (óxidos e sulfatos de cobre e zinco, bórax, ácido bórico,
molibidato de sódio), de quelatos orgânicos
ou sintéticos (principalmente EDTA) e de
fritas (silicatos) ou FTE. Alguns aspectos
relacionados com as fontes de nutrientes
são discutidos em Coutinho et al. (1993),
Boas et al. (1994) e Vitti et al. (1994).
Na UFV, tem-se usado na cultura do
tomateiro, em ambiente protegido, a aplicação nos sulcos, antes do transplantio
das mudas, 10 t/ha de esterco de galinha, o
superfosfato simples ou triplo, 200kg/ha de
sulfato de magnésio, 5 a 10kg/ha de bórax,
5 a 10kg/ha de sulfato de zinco e 200g/ha
de molibidato de sódio. Alternativamente,
os micronutrientes também têm sido aplicados diluídos na água de irrigação, via
gotejamento, juntos ao N (nitrocálcio, uréia
e/ou sulfato de amônio) e K (cloreto de
potássio). A aplicação do nitrocálcio via
gotejamento fica facilitada, utilizando-se
apenas o sobrenadante da solução do
fertilizante preparada com antecedência.
SUGESTÃO DE PROGRAMA
DE ADUBAÇÃO DO TOMATEIRO
EM ESTUFA
Para a cultura do tomateiro plantado no
solo, no espaçamento de 1,0 x 0,5m, em ambiente protegido e fertirrigado, com potencialidade de produzir em torno de 100 t/ha,
sugere-se analisar o solo e usar o Quadro 1
como referência para interpretação dos resultados dos teores de P e K. Aplicar calcário caso o pH do solo for menor que 6,0.
Aplicar nos sulcos, antes do transplantio
das mudas, bem misturados com o solo,
toda a dose de P, utilizando como referência o Quadro 2; 30 t de esterco de bovinos
bem decomposto ou 8 t de cama de frangos;
200kg de sulfato de magnésio; 5kg de
bórax; 5kg de sulfato de zinco e 0,5kg de
molibidato de amônio, por hectare (aplicando os micronutrientes a cada três ou
quatro anos). Definir a dose de K pelo
Quadro 2 ou utilizar 230kg de K2O/ha, caso
o teor no solo for baixo. Aplicar 180kg de
N/ha, caso tenha sido adicionada a matéria
orgânica e 240kg de N/ha, caso não tenha
sido adicionada. Parcelar as doses de N e
K via água de irrigação, de acordo com a
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43
sugestão do Quadro 4. Amostrar as folhas
opostas ao segundo e quarto cachos, no
florescimento deles. Analisar os teores de
N e K e utilizar o Quadro 3 como referência
para a interpretação dos resultados.
A presente sugestão considera que o
ciclo do tomateiro será em torno de 135 dias,
após o transplantio ou até a planta atingir sete cachos. Se a cultura for conduzida
com maior número de cachos é recomendável a adição de mais 20kg de N e 30kg de
K2O/ha, para cada cacho deixado na planta
após o sétimo. Na decisão de ampliar o ciclo
do tomateiro sugere-se consultar Fontes
(1997), que é também válido para as culturas
de pepino, berinjela, pimentão, enfim para
todas aquelas que podem ser exploradas
como plantas quase perenes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para a obtenção de alta produção de
uma cultura por unidade de área protegida,
é necessário adequado programa de fertilização. O manejo dos fertilizantes na produção de hortaliças em ambiente protegido
é um desafio para técnicos e produtores
que dispõem de escassas informações sobre o tema. A determinação das quantidades exatas dos nutrientes a aplicar é
tarefa difícil, principalmente para o N,
devido às dificuldades nas determinações
de sua demanda pelas plantas e das
quantidades disponibilizadas às plantas
pelo solo e pela adição de fertilizantes químicos e orgânicos. Apesar das dificuldades
e dos limitados resultados experimentais
nas condições brasileiras, há disponibilidade de informações sobre princípios,
procedimentos, técnicas e avanços sobre
o tema abordado no artigo. Entretanto, as
informações disponíveis necessitam ser
ajustadas ou submetidas à sintonia fina
para cada situação específica. Isto demanda
conhecimento atualizado e postura investigativa in loco dos produtores e dos responsáveis pela produção de hortaliças em
ambiente protegido.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
45
Manejo da água do solo na produção de hortaliças
em cultivo protegido
Osmar Alves Carrijo 1
Waldir Aparecido Marouelli 2
Henoque Ribeiro da Silva 1
Resumo - Cultivos protegidos se distinguem dos sistemas de produção a céu aberto
pelo uso intensivo do solo e controle parcial de fatores ambientais. Na irrigação
desses cultivos devem-se levar em consideração aspectos de solo, água, planta, microclima, retenção de água no solo, qualidade da água, métodos de irrigação, volume
de água a ser aplicado e freqüência de irrigação. O sistema por gotejamento é o mais
utilizado, pois proporciona redução de custos de manutenção do sistema e de mãode-obra; proporciona alta eficiência de aplicação de água à cultura; possibilita
aplicação uniforme dos adubos minerais através da água de irrigação e o uso de água
e de solos salinos para a produção das culturas por propiciar irrigações mais freqüentes
e a manutenção de condições de alta umidade no solo. O manejo da irrigação pode ser
realizado com o uso de tensiômetros, com o tanque classe A ou com ambos e o tempo
de irrigação pode ser calculado, usando-se os mesmos parâmetros para cálculo do
volume de água e freqüência de irrigação. O tempo de irrigação é importante para a
automação do sistema com temporizador e válvulas solenóides.
Palavras-chave: Irrigação; Casa de vegetação; Tensiômetro; Tanque Classe A.
INTRODUÇÃO
A água é um dos fatores mais importantes para a produção das culturas. Além
da sua participação na constituição celular
e nos diversos processos fisiológicos na
planta, ela está diretamente relacionada aos
processos de absorção de nutrientes e
resfriamento da superfície vegetal.
Cultivos realizados em ambiente protegido distinguem-se dos demais sistemas
de produção a céu aberto, principalmente
pelo uso intensivo do solo e controle parcial
de fatores ambientais. Assim, o manejo
adequado do sistema solo-água-plantaambiente é de fundamental importância para o sucesso de empreendimentos neste
sistema de produção.
Na irrigação desses cultivos, devemse levar em consideração aspectos de solo,
água, planta, microclima e equipamentos
utilizados, para se obter o máximo rendimento das culturas, tais como: retenção de
água no solo; qualidade da água; métodos
de irrigação (como irrigar); volume de água
a ser aplicado (quanto irrigar) e freqüência
de irrigação (quando irrigar).
As seções a seguir pretendem abordar
cada um destes aspectos, visando proporcionar um melhor entendimento dos processos envolvidos e servir como fonte de
referência, de forma clara, simples e atualizada, para o manejo adequado da irrigação
em cultivos sob proteção.
RETENÇÃO DE ÁGUA NO SOLO
O solo é um meio poroso composto por
uma combinação de partículas sólidas (orgânicas e minerais), água (solução do solo)
1
e ar (vazios ou poros). Devido a este volume poroso ser limitado e ao fato de cada
solo também apresentar uma capacidade
limitada de retenção ou armazenamento,
toda água aplicada em excesso no solo é
drenada para camadas mais profundas.
O solo é o reservatório de água para as
plantas, e sua capacidade de armazenar
água apresenta um limite superior (capacidade de campo) e um limite inferior (ponto
de murcha permanente). A diferença entre
esses limites fornece o que se denomina
de “água disponível” para a planta ou
capacidade de retenção de água no solo,
comumente expressa em milímetros de água
retidos por centímetro de solo (mm/cm de
solo). Os diversos tipos de solos retêm
quantidades diferentes de água conforme
mostra o Quadro 1.
Engo Agro, Ph.D., Pesq. Embrapa Hortaliças, Caixa Postal 218, CEP 70359-970 Brasília, DF. E-mail: [email protected]
Engo Agric., Ph.D., Pesq. Embrapa Hortaliças, Caixa Postal 218, CEP 70359-970 Brasília, DF.
2
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 4 5 - 5 1 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Teores médios de argila e areia, limite superior de retenção de água e água disponível
em diferentes tipos de solos
Tipo de solo
Teor de
argila
(%)
Teor de
areia
(%)
Limite
superior
(cm3/cm3)
Água
disponível
(mm/cm)(1)
60
20
0,53
1,3
Argiloso
Argilo-siltoso
45
8
0,49
1,6
Franco-argilo-siltoso
35
10
0,45
1,7
Franco-argiloso
35
35
0,39
1,3
Franco-siltoso
15
20
0,39
1,8
Franco
18
40
0,33
1,4
Franco-argilo-arenoso
28
60
0,30
0,9
Franco-arenoso
10
65
0,26
1,1
6
82
0,21
0,9
92
0,18
0,8
Areia franca
Arenoso
5
FONTE: Dados básicos: Saxton et al. (1986).
(1) milímetro de água por centímetro de solo.
A água encontrada na natureza pode
conter impurezas que inviabilizam seu uso
para a irrigação, a menos que seja devidamente tratada. As impurezas contidas
dependem da procedência da água, podendo estar em suspensão (silte, argila,
matéria orgânica ou organismos vivos) ou
dissolvidas (sais, metais pesados, pesticidas e gases). A quantidade e tipo dessas
impurezas determinam se a fonte de água
existente é de boa qualidade para uso em
irrigação.
industriais ou agrícolas. O principal problema causado na água pela poluição com
esgotos urbanos é a presença de microrganismos transmissores de doenças, tais
como Escherichia coli, vibrião colérico,
salmonelas e diversos parasitas intestinais.
Hortaliças, em especial aquelas consumidas cruas, quando irrigadas com tais
águas, podem servir de veículo de transmissão de uma série de doenças aos consumidores como esquistossomose, amebíase, giardíase, verminoses, febre tifóide
e cólera. Assim, o controle sanitário das
águas utilizadas para irrigação é de grande
importância em saúde pública. O tratamento de água é geralmente um processo
dispendioso e não é ainda utilizado pelos
agricultores no Brasil. A cloração é uma
opção de fácil adoção e custo moderado,
que pode reduzir sensivelmente a pressão
infectante de patógenos na água de irrigação.
Limites de contaminação da água para
fins de irrigação foi regulamentado pela
resolução no 20/86, do Conselho Nacional
do Meio Ambiente, que estabelece a classificação das águas, segundo seus usos
predominantes (Marouelli et al., 1998).
Aspectos sanitários
A fonte de água (rios, córregos, poços
ou açudes) se diz poluída, quando é contaminada por esgotos urbanos, resíduos
Aspectos físicos
As características físicas da água incluem sólidos em suspensão e substâncias
orgânicas dissolvidas. Partículas em sus-
Aqueles valores não são afetados com
um aumento de 3 a 4% no teor de matéria
orgânica do solo, porque os limites inferior
e superior são afetados proporcionalmente. O grau de agregação das partículas do
solo, sua estrutura, pode afetar a capacidade de retenção de água. Por exemplo,
solos franco argilosos sob cerrado apresentam um grau de agregação de partículas tal que a sua capacidade de retenção de
água é semelhante à de um solo franco
arenoso, ou seja, 1,1mm/cm de solo (Carrijo
& Oliveira, 1997).
QUALIDADE DA ÁGUA DE
IRRIGAÇÃO
pensão podem restringir o uso da água para
irrigação, visto que podem interferir na
uniformidade de distribuição de água em
sistemas de microirrigação (gotejamento e
microaspersão). Para evitar problemas de
entupimento e de má-distribuição, a água
utilizada, especialmente em se tratando de
microirrigação, deve ser previamente filtrada.
Os filtros mais utilizados para filtragem
de água, para fins de irrigação, são os de
areia (ou qualquer meio poroso), de tela,
de anéis e de ação centrífuga. Filtros de
tela e de anéis removem com eficiência partículas inorgânicas como areia (fina a muito
fina), mas entopem facilmente com águas
que contêm matéria orgânica e algas. Filtros
de areia são recomendados para remoção,
tanto de algas e partículas de maior diâmetro, quanto de partículas finas e de material orgânico. Entretanto, filtros de areia
devem ser seguidos por um filtro de tela ou
anéis, para evitar que partículas do filtro
adentrem o sistema de irrigação. Filtros de
ação centrífuga são indicados para remoção de partículas notadamente mais pesadas que a água, tais como a areia.
O tamanho máximo de partícula que
pode ser tolerado no sistema de irrigação
depende das características de construção
do emissor. Para a maioria dos gotejadores
é recomendada a remoção de partículas
maiores que 0,075mm, podendo este limite
chegar a 0,6mm, para alguns tipos específicos.
Aspectos químicos
A concentração de sais, metais pesados
e outros elementos químicos nocivos à
cultura, na água de irrigação, não é
normalmente suficiente para prejudicar
diretamente as plantas. Os danos são devidos, quase sempre, à acumulação desses elementos químicos no solo, em razão
do manejo inadequado da irrigação e/ou
de drenagem deficiente do solo. Esses
elementos químicos podem ser advindos
de sais normalmente encontrados no solo
e/ou de resíduos industriais e agrícolas que
apresentam uma maior complexidade, pois
diversos produtos químicos podem estar
envolvidos.
Os resíduos industriais contaminam as
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
fontes de água, principalmente pelo lançamento maciço de metais pesados e outros
íons tóxicos que podem causar distúrbios
e doenças, tanto nas plantas cultivadas
como no homem. Esse é um problema bastante sério e exige monitoramento constante, principalmente nas águas próximas
de áreas industriais. Os resíduos de inseticidas, fungicidas, herbicidas e adubos na
água de irrigação podem causar toxicidade
às plantas, além de distúrbios nos animais,
inclusive, no homem.
A influência dos sais solúveis sobre o
desenvolvimento e a produção das plantas manifesta-se por meio do aumento da
pressão osmótica da solução do solo,
reduzindo a disponibilidade de água à
planta; do desbalanceamento nutricional
da planta; da modificação da estrutura do
solo e da toxicidade causada por certos
íons. A salinização ocorre, principalmente
nas regiões de clima árido e semi-árido,
onde os baixos índices de precipitações e
ocorrência de altas temperaturas, provocam
uma intensa evaporação da água e a deposição de sais na superfície do solo ao
longo dos anos. Um processo semelhante
pode ocorrer dentro das estruturas plásticas em uso para o cultivo protegido, se
medidas preventivas não forem tomadas,
pois o uso intensivo de adubação, a falta
de chuvas ou irrigação para drenar o excesso de fertilizantes e a contínua evaporação
da água do solo pode aumentar o teor de
sais na solução do solo.
Quanto à presença de sais dissolvidos
na água ou solução do solo, deve-se observar a concentração total de sais solúveis,
que determina o seu grau de salinidade, e
também a possibilidade de sodificação do
solo, caracterizada pela proporção de sódio
(Na+) em relação a outros cátions, principalmente cálcio e magnésio, e expressa pela
sigla RAS (razão ou relação de adsorção
de sódio). A concentração de sódio no solo
afeta também a sua permeabilidade.
A condutividade elétrica (CE) é utilizada para expressar a concentração total de
sais, tanto para a classificação como para a
diagnose das águas usadas na irrigação e
das condições de salinidade do solo. Condutividade elétrica da solução do solo aci-
ma de 1,5mS pode causar danos e redução
de produtividade na maioria das hortaliças
plantadas em estufa (Hochmuth, 1991).
Quando a salinidade da solução do solo
aumenta, mais água necessita ser aplicada
para se obter uma mesma produtividade
(Letey, 1993). A salinidade do solo pode
reduzir o desenvolvimento das culturas,
devido à competição no processo de absorção pelas plantas entre os sais dissolvidos
na solução do solo e os nutrientes.
Quanto ao grau de tolerância à salinidade, as culturas normalmente plantadas
sob cultivo protegido obedecem à seguinte seqüência: melão > brócolos > tomate >
pepino > pimentão > alface.
O uso de cobertura do solo ou mulching
pode diminuir a salinização, principalmente
próximo à superfície, pois reduz a evaporação da água do solo e a conseqüente deposição de sais na camada superficial.
A lixiviação forçada desses sais, por
meio de irrigação por aspersão, é outra
prática usada no controle da salinização
dos solos de estufa. Para uso dessa prática,
porém, o solo deve possuir boa capacidade
de infiltração e drenagem pois, geralmente,
são aplicadas altas lâminas de irrigação.
Para os solos de cerrado, normalmente a
capacidade de retenção máxima de água
está em torno de 1,1mm/cm de solo, então,
deve-se aplicar uma lâmina equivalente a
no mínimo duas vezes a profundidade do
perfil, em milímetros de água. Exemplo: em
um perfil de 50cm, a ser lavado, basta multiplicar 1,1 vezes 100 para se obter a lâmina a
ser aplicada de 110mm de água.
Ao invés da irrigação por aspersão para
se promover a lavagem dos sais, pode-se
retirar a cobertura de plástico da estufa e
permitir chuvas pesadas no seu interior.
Esta prática promove a lixiviação dos sais
e a quantidade de chuva a ser permitida
deve situar-se em torno do valor calculado
anteriormente.
Produtos químicos ou minerais podem
também ser utilizados no controle da salinização, visando substituir os cátions
adsorvidos à matriz do solo, como o sódio,
o cálcio, os nitratos e os sulfatos. Entre os
produtos químicos, merece destaque o
gesso agrícola que é aplicado na superfí-
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cie do solo e incorporado à semelhança do
calcário. Após a aplicação do gesso, o
perfil do solo deve ser lavado por meio da
irrigação.
O sistema de irrigação e a freqüência
de aplicação da água são fatores importantes no manejo de solos e águas salinas.
Irrigações freqüentes possibilitam manter
o solo com alta umidade, facilitam a absorção de água pelas plantas e podem reduzir
o efeito indesejável do excesso de sais, caso ocorra.
O sistema de irrigação por gotejamento
é um dos mais recomendados para uso em
solos e águas salinas, pois propicia irrigações freqüentes e condições de alta umidade no solo sem problemas de saturação,
promovendo a diluição dos sais e um adequado potencial osmótico da solução do
solo. Em gotejamento, a área superficial e o
volume molhado é também reduzido o que
diminui a área salinizada.
Temperatura da água
Em algumas situações, a água de irrigação pode permanecer relativamente fria
e ocasionar uma diferença considerável de
temperatura entre o solo e a água. Há um
desequilíbrio hídrico nas plantas e interrupção temporária na absorção de água
pelas raízes, quando a temperatura da solução do solo cultivado sob proteção está
elevada e é reduzida bruscamente, por meio
da irrigação. O continuar da transpiração
provoca a desidratação dos tecidos foliares, podendo levá-los à morte. Este problema pode-se tornar sério nas regiões frias,
como também no período de inverno nas
regiões quentes, onde há uma intensa radiação dentro da estufa e aquecimento do
solo, especialmente para intervalos mais
espaçados entre uma e outra irrigação. Tais
problemas advindos de diferenças térmicas
entre as temperaturas da água de irrigação
e do solo podem ser evitados ou reduzidos,
quando se faz a irrigação ao amanhecer ou
ao anoitecer e com maiores freqüências.
MÉTODOS DE IRRIGAÇÃO
Os métodos de irrigação passíveis de
ser utilizados sob estufas são: sulcos, aspersão e sistemas localizados.
48
Irrigação por sulcos
A irrigação por sulcos é geralmente a
de menor custo de instalação por unidade de área. Apesar disso, esse sistema é
pouco utilizado em cultivos sob proteção,
principalmente porque requer superfície do
terreno mais uniforme, mais mão-de-obra
(horas/homem) por unidade irrigada, maior
movimentação no interior da estufa, utiliza
um volume de água de irrigação muito
maior, aumenta a umidade relativa do ar no
interior das estufa e pode provocar erosão
e lixiviação dos nutrientes solúveis.
Irrigação por aspersão
Devido às características próprias dos
cultivos sob proteção (áreas e dimensões
relativamente pequenas), os tipos de aspersão mais utilizados são a microaspersão e
a aspersão de baixa pressão. São utilizados
somente no cultivo de hortaliças folhosas
e na formação de mudas. Os sistemas por
aspersão apresentam algumas desvantagens em relação a outros sistemas, quais
sejam: aumenta muito a umidade relativa
do ar no interior das estufas, necessita, na
maioria dos casos, de um sistema de bombeamento maior (aumento da pressão de
serviço), molha toda a área da estufa e parte
aérea das plantas, ocasionando um aumento da ocorrência de doenças de solo e folha,
e de plantas daninhas.
Microirrigação
Diversos tipos deste sistema podem ser
utilizados como o xique-xique, fitas e gotejamento.
O xique-xique é um sistema simples,
fabricado pelo próprio produtor. Consiste
de um tubo de polietileno preto, com pequenas perfurações espaçadas de 30 a 60cm.
As perfurações são cobertas com uma luva de mangueira, de diâmetro maior que a
mangueira de irrigação, que serve para que
a água escorra sem formar um jato. Devido
à falta de uniformidade no tamanho das
perfurações feitas no tubo de polietileno,
este sistema apresenta a desvantagem de
uma grande desuniformidade na aplicação
de água e adubos fornecidos em fertirrigação.
O sistema de fitas (tipo Santeno) con-
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
siste de mangueiras de polietileno de baixa
densidade e espessura, bastante delgada
e com microperfurações feitas geralmente,
à laser e a distâncias pré-determinadas.
Apresentam uma vazão relativamente uniforme dos microfuros, mas devido ao seu
minúsculo diâmetro necessitam de um bom
sistema de filtragem da água.
Gotejamento é a irrigação mais conhecida e recomendada para o cultivo protegido. As linhas de gotejamento po-dem
ser instaladas, tanto sobre a superfície do
solo (caso mais comum), como abaixo da
superfície do solo (irrigação subsuperficial) ainda pouco utilizada no país. Os
gotejadores são inseridos sobre ou no interior do tubo de polietileno ou entre duas
seções do tubo. Um tipo comum no mercado são os chamados tubos gotejadores,
em que os orifícios de saída e o sistema de
dissipação de energia são colocados no
próprio tubo.
O sistema por gotejamento é o mais
utilizado nos cultivos sob proteção, pois
com ele pode-se obter economia de custeio
da irrigação e de mão-de-obra, alta economia
e eficiência de aplicação da água no solo,
boa uniformidade de aplicação dos adubos
minerais através da água de irrigação e pode-se utilizar água e solos salinos para a
produção das culturas.
A grande desvantagem do gotejamento
é o relativo elevado custo inicial de implantação em relação aos demais sistemas, pois
necessita de um cabeçal de controle completo (30 a 40% do custo total) e uma rede
de tubos de polietileno de baixa densidade
com os gotejadores (60 a 70% do custo
total). O cabeçal de controle deve dispor
de filtros, para evitar o entupimento dos
gotejadores, além de manômetros, reguladores da pressão, injetor de fertilizantes
e registros, para controle da entrada da
água. A irrigação pode ser automatizada,
neste caso o cabeçal deve dispor de válvulas solenóides e temporizador.
MANEJO DA IRRIGAÇÃO
Um dos aspectos mais importantes da
irrigação é a reposição da água ao solo em
quantidade adequada e na ocasião oportuna. O excesso de irrigação geralmente
reduz a produtividade e a qualidade da
produção, pode provocar o crescimento
excessivo da planta, o retardamento da
maturação dos frutos, a lixiviação de nutrientes solúveis (N e K), queda de flores,
maior ocorrência de doenças de solo e
distúrbios fisiológicos, maiores gastos com
energia e o desgaste do sistema de irrigação.
A quantidade de água a ser aplicada
por irrigação deve ser igual àquela necessária para repor a umidade do solo junto às
raízes das plantas. A quantidade de água
pode ser estimada com base na evapotranspiração da cultura (ETc) ou a partir do
déficit de água do solo. A evapotranspiração da cultura é calculada multiplicando-se a evapotranspiração de referência (ET0) pelo coeficiente da cultura (Kc),
ETc = ET0.Kc.
O coeficiente Kc varia principalmente
em função das características da cultura,
traduzindo em menor escala a variação dos
fatores climáticos. Isto faz com que valores
padrões de Kc possam ser transferidos de
um local para outro, mesmo sob condições
climáticas diversas como as observadas em
cultivos realizados dentro e fora de estruturas de proteção de plástico. Quando
as irrigações são diárias ou freqüentes,
como via de regra ocorre em cultivos protegidos irrigados por sistemas de gotejamento, é necessário estimar a ETc diariamente.
Isto implica que os valores de Kc deveriam
ser obtidos utilizando-se do conceito de
coeficientes basais ou de base, K cb ,
conforme preconizado por Wright (1982), e
não pelo conceito de coeficientes médios
(Allen et al., 1996). No entanto, devido à
facilidade de uso optou-se pelo conceito
de coeficientes médios.
Os coeficientes da cultura (Quadro 2)
para hortaliças conduzidas sob proteção
de plástico, foram adaptados para três
períodos de desenvolvimento da cultura,
ou seja, período inicial e de crescimento
rápido, período de crescimento reduzido e
período final, respectivamente. A duração
destes estádios varia com as condições
climáticas, cultura e cultivares, e seus valores respectivos de Kc podem ser estimados
a partir de três valores basicos deste coe-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
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QUADRO 2 - Coeficientes de cultura médios inicial (Kci), intermediário (Kcm) e final (Kcf) propostos para diferentes estádios de desenvolvimento da cultura
Valores do coeficiente de cultura
Hortaliças
Alface
Melão
Pepino
Pimentão
Tomate
Vagem
Kci(1)
0,7 - 0,9
0,6 - 0,8
0,7 - 0,8
0,6 - 0,8
0,7 - 0,8
0,6 - 0,8
Kcm
1,1 - 1,2
1,1 - 1,2
1,0 - 1,1
1,1 - 1,2
1,1 - 1,2
1,0 - 1,1
Kcf
1,0
1,0
0,9
0,9
0,8
0,9
FONTE: Dados básicos: Doorenbos & Pruitt (1977), Marouelli et al. (1996) e Carrijo & Oliveira
(1997).
(1) Na irrigação por gotejamento, o Kci assume valores maiores que os normalmente encontrados na
literatura, pois as irrigações são normalmente realizadas em regime de alta freqüência, e a evaporação
do solo é significativamente elevada. O primeiro valor é para irrigações de dois em dois dias e o
segundo para irrigações diárias.
ficiente, a saber: coeficiente inicial e de c
escimento rápido (Kci) que vai da semea-du
ra ou transplante até a máxima cobertura d
solo, coeficiente intermediário (Kcm) d
sde que ocorreu a máxima cobertura do s
lo até o início do período final, próximo às
últimas colheitas e coeficiente final (Kcf),
até a última colheita ou completa senescência da planta.
O volume de água a aplicar em uma
irrigação (V) é calculado multiplicando-se
a quantidade de água (ETc em altura equivalente de água, lâmina) ocorrida a partir
da última irrigação, pela área a ser irrigada
(A). Por exemplo: Se desde a última irrigação
a evapotranspiração acumulada da cultura
(ETc) foi de 10mm e deseja-se irrigar uma
área (A) de 400m2, com área coberta de 8m
de largura por 50m de comprimento, o volume de água (V) a aplicar na irrigação é:
V = ETc . A = 10mm x (1m / 1000mm) x 400m2
= 4m3 ou 4.000l de água.
No cálculo do volume de água na irrigação por gotejamento, deve-se estimar
qual a fração da área efetivamente irrigada
e reduzir o valor de V, multiplicando-o por
esta fração. Para a maioria dos cultivos
protegidos, a fração da área irrigada por
gotejamento pode variar entre 50 e 100%.
A fração de área molhada a 30cm abaixo da
superfície do solo (Am) pode ser calculada
por Am = W / dl, em que, dl é a distância
entre as linhas de gotejamento e W é a
largura da faixa ou diâmetro molhado, que
deve ser determinado localmente. Mas, para
orientação, na maioria dos solos agrícolas
W tem o valor de 0,50m para solos arenosos, de 0,90 para solos francos e 1,10m
para solos argilosos (Keller & Bliesner,
1990). Como os diversos sistemas de irrigação por gotejamento apresentam uma
eficiência de irrigação média de 80 a 90%, o
volume de água deverá ser aumentado para
compensar esta deficiência do sistema, ou
seja, para o exemplo considerado e um
espaçamento entre as linhas de gotejadores de 1m e solo franco argiloso basta
multiplicar os 4m3 pela Am estimada e o resultado deve ser dividido por 0,85 (assumindo uma eficiência de aplicação de 85%):
Vl = V ..( W / dl) / Efi = 4m3 x (0,9m / 1m) /
0,85 = 4,2m3 ou 4.200l.
As irrigações por gotejamento podem
ser facilmente automatizadas com o uso de
temporizador (controladores de irrigação)
e válvulas solenóides. O temporizador
controla a irrigação usando o tempo de
irrigação. Portanto, a determinação do tempo de irrigação é de suma importância,
quando se pretende automatizar o sistema
de irrigação.
Para se calcular o tempo de irrigação
necessário para aplicar o volume de água
de irrigação, basta dividir este volume pela
taxa de aplicação das linhas laterais (vazão
média do gotejador vezes o número de
gotejadores existentes na área coberta a
ser irrigada) instaladas na área.
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Por exemplo: considerando-se uma área
coberta com oito linhas laterais de gotejamento de 48m de comprimento, espaçadas
entre si de 1,0m, com espaçamento entre
gotejadores de 0,30m e com vazão média
do gotejador de 1,7l/h. Pode-se efetuar o
cálculo da taxa de aplicação como se segue:
- o número de gotejadores por linha é
igual a 160, resultado da divisão do
comprimento da linha pelo espaçamento, ou seja, 48 / 0,3 = 160 gotejadores por linha;
- o total de gotejadores é obtido multiplicando 160 gotejadores por linha por
oito linhas, que nos dá um total de
1.280 gotejadores;
- a taxa de aplicação de água resulta do
produto entre o total de gotejadores
vezes a vazão média do gotejador, ou
seja, 1.280 x 1,7 l/h, que dá uma taxa
de 2.176l/h;
- para se obter o tempo de irrigação,
basta dividir o volume de 4.200l,
calculado anteriormente, por 2.176l/h
que fornece 1,93h (≅ 116min).
Este tempo de irrigação pode ser dividido em mais de um ciclo diário de irrigação,
dependendo de limitações impostas pelo
sistema de irrigação e pelo sistema soloplanta, como por exemplo dois ciclos diários de aplicação de água com duração de
58min. Ciclos de aplicação de água mais
curtos podem evitar perdas por percolação profunda e aumentar a superfície de
área molhada pelo gotejador, sem acarretar maiores perdas por evaporação.
Para o manejo racional da irrigação, há
necessidade de estabelecer uma freqüência de irrigação, calcular o volume de água
e tempo de irrigação. Para plantios em solo
sob cultivo protegido, podem ser utilizados turnos de rega fixos, duas vezes ao
dia, diariamente ou de dois em dois dias.
Para uma indicação da adequação da irrigação, o uso de tensiômetros ou outro equipamento que avalie a umidade do solo é
desejável.
No cultivo no solo, o manejo da irrigação por gotejamento pode ser criteriosamente estabelecido, baseando-se nas
leituras de tensiômetros ou no cálculo da
50
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Manejo da irrigação por
gotejamento com uso de
tensiômetros
O tensiômetro é indicado para a determinação do momento adequado da irrigação
em plantios em solo sob cultivo protegido.
Recomenda-se a utilização de tensiômetros
providos de vacuômetros, pela simplicidade de uso. Em áreas cobertas apresentando um mesmo tipo de solo, devem ser
instalados no mínimo quatro tensiômetros
por área coberta, sendo dois instalados na
profundidade de maior concentração das
raízes e os outros dois, no limite inferior do
sistema radicular e dentro do bulbo molhado. Para os solos cultivados em estufa
pode-se considerar: 10-15cm e 20-30cm de
profundidade, respectivamente. Para solos
de textura média (franco argiloso ou franco
arenoso), irrigar quando o tensiômetro indicar tensões entre 10 a 15kPa (0,10 a 0,15bar),
para solos de textura fina (argilosos) entre
15 a 20kPa (0,15 a 0,2bar) e para solos de
textura grossa (arenosos) entre 5 e 10kPa
(0,05 a 0,10bar).
Em estufas com infestação com patógenos de solo, como fungos (Fusarium sp.,
Rizoctonia sp., etc.), bactérias (Ralstonia
solanacearum spp., Erwinia sp., etc.) ou
nematóides, recomenda-se manter o solo
com menor teor de umidade, para minimizar
o desenvolvimento desses microorganismos indesejáveis. A irrigação, neste caso,
deve ser menos freqüente, de dois em dois
dias ou a intervalos maiores, para proporcionar tensões máximas em torno de 20 a
30kPa para solos arenosos e 40 a 50kPa
para solos francos a argilosos.
O tempo de irrigação pode ser calculado
usando, a seguinte equação:
Ti =
600 . (Ls - Li) . Ds . Z . dg . dl . Am
Efi . Qg
600 . (Ls - Li) . Ds . Z . dg . W
Efi . Qg
=
gravimétrica (decimal), que é a máxima umidade que não causa problema de aeração e
pode ser obtida de uma curva característica
de umidade do solo (Gráfico 1) - para orientação geral, podem-se assumir valores de
umidade a 3kPa para solos arenosos, a 5kPa
para solos francos e a 10kPa para solos
argilosos; Li é o limite inferior de umidade
gravimétrica (decimal), ou seja, é a umidade
correspondente à tensão de umidade em
que se pretende reiniciar as irrigações, já
mencionadas anteriormente; Ds é a densidade do solo, em g/cm3; Z é a profundidade do perfil de solo a ser irrigado (profundidade do sistema radicular) em cm; dg
é a distância entre os gotejadores, em m; dl
é o espaçamento entre as linhas de gotejadores, em m; Am é a fração de área molhada (decimal); W é a faixa ou diâmetro
molhado a 30cm de profundidade, em m;
Qg é a vazão do gotejador, em l/h e; Efi é a
eficiência da irrigação por gotejamento, que
é variável, mas na maioria dos sistemas bem
dimensionados possuem um valor entre 90
a 95%.
Exemplo: um produtor deseja irrigar
uma cultura de pimentão já em plena produção (80 dias) dentro de uma estufa plástica. O solo é franco argiloso e para este
tipo de solo Ls = 0,40 para uma tensão de
5kPa; Li = 0,37 para uma tensão de 10kPa
(Gráfico 1); Ds = 1,05g/cm3 e a profundida-
de do sistema radicular é de 30cm. Ele está
usando um tubo gotejador com vazão de
1,7l/h por emissor; o espaçamento entre
gotejadores é 0,3m e entre linhas é de 1,0m.
Calcula-se o tempo de irrigação para repor
a quantidade de água evapotranspirada no
período da seguinte maneira:
solução: para solo franco argiloso, a largura
da faixa molhada (W) é de 0,90 m (Keller &
Bliesner, 1990).
Ti =
600 . (Ls - Li) . Ds . Z . dg . W
Efi . Qg
=
600 x (0,40 - 0,37) x 1,05 x 30 x 0,30 x 0,90
0,85 x 1,7
=
106 min
A quantidade de água aplicada deve
ser ajustada, se após quatro a seis horas a
tensão de umidade do solo não estiver
dentro do intervalo recomendado. Para este
ajuste e usando as leituras dos tensiômetros, deve-se proceder da seguinte
maneira:
a) se a tensão medida pelo tensiômetro
instalado a 15cm de profundidade
estiver maior que o nível máximo
recomendado (10kPa no exemplo
acima), aumentar a quantidade de
água aplicada;
60
Teor de Umidade (%)
evapotranspiração da cultura que pode, por
exemplo, ser estimada através da evaporação de um tanque classe A.
55
50
45
40
35
30
;
em que: Ti é o tempo de irrigação em minutos; Ls é o limite superior de umidade
0
2
4
6
8
10
20
30
50
70
100
Tensão (kPa)
Gráfico 1 - Curva de retenção de umidade do solo
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
b) se a tensão da água do solo medida
pelo tensiômetro a 30cm de profundidade estiver menor que a mínima
recomendada (5kPa no exemplo acima), reduzir a quantidade de água a
ser aplicada.
Manejo da irrigação por
gotejamento com uso do
tanque classe A
Para este método, o momento de irrigação pode ser determinado com o uso de
tensiômetros como no método anterior ou
usar turno de regas fixo, que para o sistema
de irrigação por gotejamento deve ser de
um a dois dias.
Para se determinarem o tempo e a quantidade de água de irrigação, usando o tanque classe A, há necessidade de determinar
a evapotranspiração de referência (ET0),
que é calculada multiplicando a evaporação total do tanque classe A (EVA), no
intervalo entre duas irrigações consecutivas, pelo Kp do tanque (ET0 = Kp . EVA). O
Kp do tanque é função da cobertura do solo,
onde é instalado o tanque, da velo-cidade
do vento e da umidade relativa média do ar,
variando, grosso modo, de 0,6 a 0,8 para
tanques instalados fora das estruturas de
proteção. Os valores de Kp propostos pela
Food and Agriculture Organization of the
United Nations (FAO) podem ser encontrados em Marouelli et al. (1996). Para
tanques instalados no interior de estufas
(velocidade do vento zero e umidade
próxima de 100%), o Kp se aproxima de 1,00
(Prados et al., 1986).
A evapotranspiração da cultura na irrigação por gotejamento (ETcg) é menor que
em outros métodos de irrigação, pois nem
toda a superfície do solo é molhada, o que
significa que há uma perda menor de água
por evaporação. Desta maneira, a evapotranspiração da cultura (ETc) deve ser ajustada para compensar essa menor perda por
evaporação, o que pode ser feito usando a
relação ETcg= ETc . 0,1(As)1/2, em que As é a
estimativa da percentagem de área sombreada pela cultura ao meio dia (Keller &
Bliesner, 1990).
No manejo da irrigação por gotejamento, usando a ET cg estimada com o
tanque classe A ou outro método, pode
51
ser utilizada a seguinte equação para calcular o tempo de irrigação:
Ti =
60 . ETcg . dg . dl
Efi . Qg
;
em que: ETcg é a evapotranspiração entre
duas irrigações consecutivas, em mm. As
demais variáveis já foram especificadas
anteriormente.
Exemplo: usando os dados do exemplo
anterior em que o produtor deseja irrigar
uma cultura de pimentão já em plena
produção (80 dias) dentro de uma estufa
plástica. A percentagem de sombreamento
da cultura ao meio dia, foi estimada em 50%.
As irrigações são diárias e a evaporação
do tanque classe A colocado no interior
da casa de vegetação foi 10mm e ele está
usando o mesmo tubo gotejador. Calculase o tempo de irrigação para repor a
quantidade de água evapotranspirada no
período da seguinte maneira:
se A ou ainda a combinação dos dois. Na
combinação dos dois métodos, o tensiômetro é usado para determinar o momento da
irrigação e checar as condições de umidade
do solo e o tanque classe A para determinar
a lâmina de água de reposição.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALLEN, R.G.; SMITH, M.; PEREIRA, L.S.;
PRUITT, W.O. Modifications to the FAO
crop coefficient approach. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON EVAPOTRANSPIRATION AND IRRIGATION
SCHEDULING, 1996, San Antonio, Tx.
Proceedings... San Antonio: ASAE, 1996.
p.124-132.
CARRIJO, O.A.; OLIVEIRA, C.A. da S. Irrigação
de hortaliças em solos cultivados sob
proteção de plástico. Brasília: EMBRAPACNPH, 1997. 19p. (EMBRAPA-CNPH.
Circular Técnica, 10).
DOORENBOS, J.; PRUITT, W.O. Guidelines
for predicting crop water requirements.
Rome: FAO, 1977. 179p. (FAO. Irrigation
and Drainage Paper, 24).
a) primeiro deve-se calcular a ETc da
cultura
KELLER, J.; BLIESNER, R.D. Sprinkle and
trickle irrigation. New York: Nostrand
Reinhold, 1990. 652p.
ETc = Kc . (EVA . Kp) = 1,1 x (10 x 1) =
11,0mm
LETEY, J. Relationship between salinity and
efficient water use. Irrigation Science, New
York, v.14, p.75-84, 1993.
b) depois a evapotranspiração da cultura para a irrigação por gotejamento
(ETcg)
ETcg = ETc . 0,1 . (As)1/2= 11,0 x 0,1 x
(60)1/2 = 8,5mm
c) e finalmente o tempo de irrigação (Ti)
Ti = (ETcg . 60 . dg . dl) / (Efi . Qg)
Ti = (8,5 x 60 x 1 x 0,3) / (0,85 x 1,7) =
106min
Deve-se, portanto, irrigar a cultura do
exemplo por 106 minutos, para repor ao solo
a água evapotranspirada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para a irrigação em solos sob estruturas
de proteção, a fonte de água deve ser de
boa qualidade, usar preferencialmente a
irrigação por gotejamento com cabeçal de
controle dotado de um bom sistema de
filtragem e injetor de fertilizantes, sendo
recomendável o uso de temporizador e válvulas solenóides para automação do sistema. O controle da irrigação dever ser
realizado com tensiômetros ou tanque clas-
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HOCHMUTH, G.J. Greenhouse vegetable
production handbook. Gainesville: University of Florida-Cooperative Extension
Service, 1991. 15p. (University of Florida.
Circular, 48).
MAROUELLI, W.A.; SILVA, H.R. Aspectos
sanitários da água para fins de irrigação.
Brasília: EMBRAPA-CNPH, 1998. 8p.
(EMBRAPA-CNPH. Comunicado Técnico, 5).
MAROUELLI, W.A.; SILVA, W.L. de C; SILVA,
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WRIGHT, J. L. New evaporation crop
coefficients. Journal of Irrigation and
Drainage Division, New York, v.108, p.5774, 1982.
52
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Manejo de plantas daninhas em culturas protegidas
Pedro Jacob Christoffoleti 1
Adriana Luzia Pontes 2
João Tessarioli Neto 3
Resumo – Descrevem-se as técnicas de manejo das plantas daninhas em culturas
protegidas, relacionando medidas preventivas de erradicação e de controle. São
discutidas desde as medidas preventivas relacionadas com a escolha da semente,
substrato e local de produção, até os cuidados com a água de irrigação, para que
se possa ter um controle satisfatório, principalmente das plantas daninhas perenes como a tiririca e a grama-seda, de difícil controle. Alguns herbicidas podem
ser utilizados no manejo de vegetação externa às estufas. A solarização (plástico
transparente) e a vaporização do solo são métodos de controle, eficientes e nãotóxicos, mas são trabalhosos e pouco viáveis economicamente. A utilização de
plásticos opacos, por impedir a penetração de luz e resultar em bom controle de
plantas, é uma opção para o manejo de plantas daninhas em culturas protegidas,
principalmente em substituição à fumigação que, em breve, será banida, devido
à proibição dos produtos utilizados.
Palavras-chave: Plantas daninhas; Prevenção; Controle; Herbicidas.
INTRODUÇÃO
As plantas, definidas como daninhas,
são aquelas que estão desenvolvendo naturalmente em um ambiente, em tal intensidade, que interferem com os objetivos do
homem, principalmente na agricultura. Elas
sobrevivem naturalmente no ambiente em
função de características de agressividade,
como alta produção de dissemínulos, os
quais apresentam dormência e grande capacidade de sobrevivência às condições
adversas, dentre outras. Estas plantas surgiram e evoluíram com a agricultura e encontram-se, ainda, em um processo evolutivo
com as mudanças das práticas culturais.
Existem plantas daninhas que também se
adaptaram em ambientes controlados e
que, portanto, necessitam de controle.
Este controle é muito mais complexo que
em sistemas produtivos não-controlados,
pois limita-se ao uso dos métodos de controle disponíveis. Na agricultura extensiva
existe um grande desenvolvimento do controle químico e a possibilidade do cultivo
mecânico por meio de equipamentos tratorizados. Sendo assim, o manejo de plantas daninhas em ambientes controlados fica
limitado a métodos mais trabalhosos e
caros, utilizados em pequena escala.
O manejo de plantas daninhas em qualquer sistema agrícola, incluindo, portanto,
culturas protegidas, deve ser feito de forma
integrada, ou seja, desde a compra da semente até os cuidados no local definitivo
de plantio. Devem-se incluir medidas preventivas de erradicação e de manejo, sendo
que, nas medidas de manejo, estão os métodos culturais, mecânicos, físicos e químicos. O sucesso de um empreendimento com
culturas protegidas depende de um planejamento prévio que envolva todas as etapas do processo produtivo, integrado às
medidas de manejo de plantas daninhas.
O objetivo deste artigo é descrever as
técnicas de manejo das plantas daninhas
em culturas protegidas, relacionando medidas preventivas, de erradicação e de controle.
MEDIDAS PREVENTIVAS
Impedir a entrada e a disseminação de
sementes e de outros órgãos de reprodução
de espécies de plantas daninhas é a melhor
e mais eficaz forma de evitar a infestação
de áreas limpas, isentas de plantas daninhas. Algumas medidas preventivas importantes serão descritas a seguir.
Aquisição de sementes
registradas ou certificadas
A aquisição de sementes para o plantio
em ambientes controlados é importante que
seja feita de empresas idôneas, garantindo
assim um produto livre de sementes de
plantas daninhas. Existe uma legislação
(Brasil, 1989) que classifica as sementes de
plantas daninhas em lotes de sementes
comerciais como: sementes proibidas, que
nunca devem estar presentes em um lote
de sementes e sementes toleradas até certo
nível de infestação. Sendo assim, é necessária a aquisição de sementes certificadas,
registradas ou fisca-lizadas que obedeçam
1
Engo Agro, D.Sc. Prof. ESALQ - Depto Produção Vegetal, Caixa Postal 09, CEP 13418-900 Piracicaba-SP. E-mail: [email protected]
Enga Agra, Mestranda em Fitotecnia, Caixa Postal 09, CEP 13418-900 Piracicaba – SP. E-mail: [email protected]
3
Engo Agro, D.Sc., Prof. ESALQ - Depto Produção Vegetal, Caixa Postal 09, CEP 13418-900 Piracicaba-SP. E-mail: [email protected]
2
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 5 2 - 5 5 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
padrões da legis-lação de comercialização
de sementes.
Uso de substratos livres da
contaminação com plantas
daninhas
O uso de substratos para a produção
de mudas ou mesmo para a produção comercial em recipientes em ambientes controlados é muito comum. A escolha deste
substrato é função de uma série de fatores
sendo, no entanto, comum o uso de matéria
orgânica de origem animal ou vegetal, podendo também ser utilizado matéria-prima
de origem mineral ou sintética, a qual sofre
um processo de fermentação antes de seu
uso. É necessário que todos os componentes do substrato estejam livres de contaminação com plantas daninhas perenes,
observando para tanto a origem do material
e o local do seu armazenamento e manipulação. No caso da utilização da matéria
orgânica, o período de fermentação necessário para destruir o poder germinativo de
todos os dissemínulos de plantas daninhas
é em torno de três meses.
Escolha de local para as
instalações
O local onde serão instaladas as estufas, seja para produção de mudas ou para
o cultivo definitivo, e outras instalações
necessárias para a implantação do sistema
de culturas protegidas deve ser criteriosamente escolhido. A presença de plantas
daninhas perenes é sem dúvida um dos fatores que limitam a escolha do local. Áreas
infestadas com plantas daninhas, que se
propagam vegetativamente, devem ser evitadas, pois estas plantas constituirão um
problema de manejo, principalmente se a
intenção for a utilização direta do solo para
o cultivo no interior das estufas. Em outros
sistemas de cultivo como a hidroponia, por
exemplo, as plantas daninhas acabam-se
tornando menos problemáticas pois, como
o solo não será usado diretamente para o
cultivo, mas sim apenas para a sustentação
da estrutura hidropônica, ocorre uma tendência de esterilização deste solo, para
posterior recobrimento com algum tipo de
material inerte como pedrisco, que permite
que o local permaneça com maior higiene
por um tempo mais prolongado. No caso
de aparecimento de plantas daninhas com
a estrutura já implantada, recomenda-se o
uso de herbicidas, com muita cautela, para
que não entrem em contato com o sistema,
o que poderia ser muito prejudicial ao cultivo.
Cuidados na produção de
mudas
Um outro problema que as plantas daninhas de propagação vegetativa representam para a agricultura protegida é a
contaminação de mudas com os propágulos vegetativos. Caso o objetivo do empreendimento seja a produção de mudas,
segundo a legislação vigente do comércio
de mudas e sementes (Brasil, 1989), é proibida a presença de propágulos vegetativo
de plantas, tais como, tiririca (Cyperus
rotundus), grama-seda (Cynodon
dactylon), capim-massambará (Sorghum
halepense), dentre outras.
Se, no entanto, não for possível encontrar na propriedade uma área isenta destas
plantas daninhas, é importante que antes
da construção das instalações seja feita
uma erradicação das plantas daninhas perenes da área.
A seguir é descrito um sistema de manejo e erradicação de duas plantas daninhas
perenes (tiririca e grama-seda); sendo que,
para as demais plantas perenes, é importante que o agricultor procure um especialista
no assunto ou mesmo consulte publicações
especializadas.
Manejo e erradicação da planta
daninha tiririca
A tiririca deve ser controlada antes mesmo da implantação de qualquer instalação
agrícola para cultura protegida. Seu manejo
deve iniciar-se no inverno, quando se encontra com seus órgãos de propagação
vegetativa dormentes. Deve ser feito um
preparo do solo com arado ou grade de
disco, com a finalidade de individualizar
todos os tubérculos que estão interligados
no solo. Desta forma, na primavera/verão,
quando as condições de temperatura e
umidade do solo são favoráveis para a
brotação dos tubérculos, haverá o mínimo
possível de tubérculos dormentes. O revolvimento mecânico do solo tem também, por
finalidade, expor alguns tubérculos à dessecação pela luz solar.
Durante a primavera/verão, quando a
tiririca encontra-se vegetando e em fase de
pré-floração, deve-se aplicar um herbicida
de ação sistêmica, como o glyphosate e ou
sulfosate. Se houver tempo, antes da im-
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53
plantação das instalações, é recomendável
que nova aração seja feita, com o objetivo
de trazer para a superfície os tubérculos
enterrados e que estavam em estado de dormência durante a primeira aplicação de
herbicida. Espera-se que as plantas emergidas atinjam o estado de pré-floração e
assim faz-se uma nova aplicação do herbicida sistêmico.
Manejo e erradicação da planta
daninha grama-seda
A grama-seda é uma planta daninha
perene que se propaga por sementes, estolhos e rizomas. Seu controle deve ser feito
antes da implantação das instalações, por
meio de controle mecânico na época de
baixa precipitação pluvial, integrado ao uso
de herbicida sistêmico durante a primavera/
verão, quando a planta inicia o processo
de translocação de fotossintetizados para
o sistema subterrâneo de propagação vegetativa.
Uso de água de irrigação
livres de contaminação com
plantas daninhas
Uma das principais formas de disseminação das plantas daninhas na agricultura
irrigada é por meio da água de irrigação. A
maioria das sementes das plantas daninhas
flutua sobre a água, enquanto outras conseguem sobreviver submersas por um período prolongado. A água usada na irrigação das plantas cultivadas em estufas pode
conter sementes de plantas daninhas, que
são incorporadas a partir daquelas que
crescem ao redor dos depósitos de água e
canais abertos. É importante, portanto, que
a água usada em estufas seja mantida em
depósitos, cujas margens sejam mantidas
isentas de plantas daninhas nocivas à atividade, e que, se canais abertos de irrigação
forem usados para a condução da água,
estes sejam mantidos limpos e livres de
plantas daninhas, principalmente nas suas
margens.
CONTROLE DA VEGETAÇÃO
DANINHA NAS ÁREAS
ADJACENTES ÀS INSTALAÇÕES
As áreas circunvizinhas das instalações
para culturas protegidas devem ser mantidas
com a vegetação controlada. O manejo dessa vegetação pode ser feito com o uso de
gramados ou por meio de herbicidas.
54
Uso de gramados
Uma das formas bastante utilizadas
pelos produtores é a manutenção da área
vegetada com grama-batatais (Paspalum
notatum). Este tipo de vegetação impede a
proliferação de plantas daninhas e principalmente a multiplicação de seus dissemínulos. O uso de gramados ao redor das
instalações é bastante conveniente, pois
facilita a movimentação dos operadores e
máquinas, mesmo durante o período chuvoso. Os gramados também evitam que a
água acumulada ao redor das instalações
durante uma chuva iniciem um processo
erosivo, principalmente em áreas declivosas.
O uso desse tipo de cobertura vegetal
ao lado das instalações deve ser feito apenas em áreas onde se planeja um longo
período de utilização da área e das instalações na sua forma original, principalmente
quanto à sua disposição no terreno. A
manutenção dos gramados deve ser feita
através do uso de roçadeiras. A implantação das áreas gramadas entre as instalações deve ser criteriosamente planejada
para a passagem de máquinas, de tal forma
que a mecanização das roçagens seja o mais
racional possível, principalmente quando
tratorizada.
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Principais herbicidas utilizados no manejo da vegetação externa às instalações
Concentração
(g/kg ou g/l)
Formulação
(tipo)
Dose do
produto
comercial
(kg ou l/ha)
Direct
720
GRDA
0,5 - 3,4
Glifosato Nortox
360
SA
1,0 - 6,0
Herbicida
Nome comum
Glyphosate
Sulfosate
Nome comercial
(marca)
Glion
360
SA
1,0 - 6,0
Trop
360
SA
1,0 - 6,0
Roundup
360
SA
1,0 - 6,0
Touchdown
480
SA
1,0 - 6,0
Zaap
480
SA
1,0 - 6,0
2,4-D + glyphosate
Command
160 + 120
CE
4,0 - 7,0
Paraquat
Gramoxone
200
CE
1,5 - 3,0
Diquat
Reglone
200
SA
1,0 - 2,0
Diquat + paraquat
Smash
75 + 125
SA
2,0
Gluphosinate
Finale
200
SA
2,5 - 3,0
NOTA: GRDA - Grânulos dispersíveis em água; SA - Solução aquosa; CE - Concentrado
emulsionável.
Uso de herbicidas
A aplicação de herbicidas dessecantes
entre as instalações deve ser feita com
cautela, pois, se as plantas daninhas, no
momento da aplicação, estiverem muito
desenvolvidas, haverá a formação de uma
palhada. Esta palhada pode representar
risco de fogo para as instalações que normalmente são feitas de material altamente
inflamável. Por outro lado, quando bem
manejada, a cobertura morta significa uma
proteção do solo contra a erosão provocada pela água acumulada ao redor das instalações durante uma chuva de alta intensidade. É importante salientar que toda a
chuva que cai sobre as estufas acumula-se
ao redor delas e, caso não haja um sistema
de escoamento eficiente, pode ocorrer um
processo erosivo.
O controle dessa vegetação pode ser
feito com herbicidas dessecantes não-seletivos, tais como glyphosate, sulfosate, diquat
ou paraquat (Quadro 1) aplicados pósemergência. Deve-se evitar a pulverização
em horários com vento que favorecem o
processo de deriva do herbicida para as
instalações.
Herbicidas residuais de ação total também podem ser usados nesta situação. O
herbicida imazapyr, por exemplo, é usado
em áreas não agrícolas para eliminação total
da vegetação, com efeito residual. Neste
caso, deve existir um planejamento de nãoutilização da área por um determinado período.
CONTROLE DAS PLANTAS
DANINHAS COM O USO DE
FILMES PLÁSTICOS
O emprego de filmes plásticos para o
manejo de plantas daninhas é considerado
altamente positivo. Podem ser utilizados
ambos os filmes, transparentes e opacos.
Solarização (plástico
transparente)
A solarização consiste no processo de
aquecimento do solo pela luz solar, e seu
efeito sobre o controle das plantas daninhas é considerado altamente positivo.
Este aquecimento é obtido com a colocação
de plástico transparente na superfície do
solo durante o verão, quando a temperatura
ambiente é mais elevada. Normalmente, a
temperatura abaixo do plástico fica em torno
de 10oC mais elevada que acima dele. Este
efeito é proporcionado pela retenção de
ondas de determinado comprimento, que é
refletida do solo. Os seedlings das plantas
daninhas e mesmo as sementes superficiais
são mortas pelo calor, como conseqüência
da desnaturação das proteínas.
Este método de desinfecção pode ser
utilizado tanto para o solo como para substratos. Trata-se de um dos melhores métodos de desinfecção, uma vez que não
expõem o solo e as plantas aos produtos
químicos que poderão se tornar contaminantes.
Normalmente, o período de solarização
necessário para um bom controle das plan-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
tas daninhas varia de 10 a 20 dias. Se o período for maior, 30 dias por exemplo, existe um
efeito residual sobre o banco de sementes,
pois há reflexos na infestação de plantas
daninhas não só daquele ano, mas também
do próximo.
O uso da técnica de solarização é eficiente, porém cara e trabalhosa. O custo
do plástico a ser colocado na superfície e a
mão-de-obra para sua instalação tornam a
técnica onerosa; no entanto este método
pode ser usado em culturas de alto valor
comercial e em situações onde outros métodos de controle não podem ser empregados.
O uso de herbicidas pode ser reduzido
nos solos solarizados, pelo significativo
controle que apresenta. Além disso, também pode ocorrer redução da necessidade
de aplicação de determinados herbicidas
pré-emergentes, pelo fato de as populações
de microrganismos decompositores de tais
produtos poderem ser reduzidas com a
solarização. Com isso ocorre um aumento
da eficiência e da persistência do herbicida
no solo, podendo ser observado até mesmo
um sintoma de fitotoxicidade nas culturas,
mesmo com a aplicação das doses recomendadas.
Plástico opaco
Esta técnica consiste em colocar uma
película de plástico esticada sobre os canteiros ou linhas de cultivo, dentro das estufas. Dentre as vantagens, está a inexistência
de plantas competidoras, uma vez que no
plástico esticado é feita uma pequena abertura somente para o plantio das mudas, ficando o restante da área do canteiro totalmente recoberta por ele.
O uso de plástico opaco é uma opção
para o controle de plantas daninhas em estufas, pois as áreas não são extensivas. O
plástico opaco controla as plantas daninhas, bloquea a passagem de raios solares,
indispensáveis para a quebra da dormência
da maioria das sementes. Mesmo que a
semente não necessite de luz para germinação e haja a formação do seedling abaixo
do plástico opaco, a planta não se desenvolve por falta de luz.
Qualquer barreira à penetração de luz
até onde se localizam as sementes, afeta as
fotoblásticas positivas, que são as formas
de sementes da maioria das plantas daninhas. Estas sementes necessitam de uma
indução através da luz vermelha (660nm),
para que todo fitocromo seja convertido
na forma ativa. A luz de comprimento de
onda 660nm encontra-se em abundância na
luz solar que incide diretamente no solo. O
plástico opaco impede a passagem da luz,
deixando a semente dormente.
De acordo com a distinta capacidade
do polietileno para refletir o espectro solar,
existem as seguintes classes:
a) transparente: oferece maior precocidade às culturas, porém apresenta
problemas com as plantas daninhas
que se desenvolvem sob o plástico,
pois elas crescem com rapidez e vigor, podendo até levantar a película;
55
tado por meio de campânulas, onde se
introduz o vapor através de um tubo que
estabelece a ligação com o gerador de calor.
O calor a temperaturas de 80 a 90oC
durante 10 min, no mínimo, elimina insetos,
ácaros, fungos e plantas infestantes. Porém
não é conveniente que a temperatura de
desinfecção ultrapasse 100oC, pois, neste
caso, ocorre a destruição de bactérias úteis
e o solo pode ficar estéril durante algum
tempo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
b) negro opaco: é o que proporciona
menor precocidade às culturas,
porém impede totalmente o crescimento das plantas daninhas uma
vez que veda a passagem da luz
solar, impedindo que ocorra fotossíntese, além da alta temperatura
produzida, que acaba por eliminar
as plantas daninhas existentes. Devido ao aquecimento, pode causar
queimaduras nas plantas que estiverem diretamente em contato com
a película;
O ambiente protegido proporciona
grandes vantagens para o cultivo de hortaliças, porém, quando se trata do controle
de plantas daninhas, acaba tornando-se
fator limitante no sentido de, pelas próprias
condições intensivas, diminuir a gama de
possibilidades de controle.
Conforme mencionado, existem métodos alternativos, porém, alguns se tornam
caros ou de difícil manejo. Com isso, o que
mais se tem feito para controle de plantas
daninhas em ambiente protegido é a aplicação de herbicida anteriormente à implantação das culturas, seguida de utilização
do mulching nas linhas de plantio e capina
manual nas entrelinhas, depois do plantio.
c) cinza: é o intermediário entre as duas
classes apresentadas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
FUMIGAÇÃO/VAPORIZAÇÃO
DO SOLO
A fumigação do solo com produtos
como o brometo de metila tem sido usada
para controlar pragas, doenças e plantas
daninhas. No entanto esta prática será em
breve banida pela proibição do uso deste
produto. Já a vaporização do solo pode
constituir-se numa forma de controle, desde
que a temperatura do solo atinja níveis que
denaturem as proteínas das plantas daninhas. A vaporização do solo deve ocorrer
durante várias horas para promover um
efeito de controle em plantas daninhas,
sendo, portanto, economicamente uma técnica pouco viável.
A desinfecção por vaporização pode
ser realizada em profundidade ou em superfície. Em profundidades superiores a
20cm, utilizam-se um injetor oco perfurado
na extremidade e a máquina produtora de
água quente ou vapor de água. No caso de
desinfecção superficial, o trabalho é execu-
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BRASIL. Comissão Nacional de Sementes e
Mudas. Legislação Federal de sementes
e mudas. Brasília, 1989. 318p.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
GOTO, R.; TIVELLI, S.W. Produção de
hortaliças em ambiente protegido: condições subtropicais. São Paulo: UNESP,
1998. 319p.
MINAMI, K. Produção de mudas de alta
qualidade em horticultura. São Paulo:
T.A. Queiroz, 1995. 128p.
PROGRAMA de plasticultura para o Estado
de São Paulo. São Paulo: AEASP, [1995].
109p. Apostila.
SERRANO CERMEÑO, Z. Estufas: instalações e manejo. Lisboa: Litexa, 1990. 355p.
SGANZERLA, E. Nova agricultura: a fascinante arte de cultivar com plásticos. 4.ed.
Porto Alegre: Petroquímica Triunfo, 1991.
303p.
56
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Cultivo de alface em solo em
ambiente protegido
1
Heloisa Santos Fernandes 2
Sergio Roberto Martins 2
Resumo - Com manejo adequado, quase todas as cultivares de alface podem ser plantadas em ambiente protegido durante todo o ano, sendo importante a correta escolha,
devido às diferenças quanto ao ciclo, rendimento, resistência ao frio e tolerância ao
calor. Com as novas demandas por produtos agroecológicos, a utilização de fertilizantes orgânicos, para reduzir as quantidades de fertilizantes químicos, tem sido
adotada de forma crescente. O ambiente protegido facilita o monitoramento e o
controle direto da umidade do solo, bem como de outros parâmetros agrometeorológicos, minimizando estresses da planta.
Palavras-chave: Alface; Estufa; Rendimento; Manejo.
INTRODUÇÃO
A alface (Lactuca sativa L.) é uma espécie mundialmente conhecida e considerada
a mais importante hortaliça folhosa. É
consumida na dieta brasileira, principalmente na forma de saladas cruas, sendo
considerada uma planta de propriedades
tranqüilizantes, com alto conteúdo de
vitaminas A, B e C, além de cálcio (Ca),
fósforo (P), potássio (K) e outros minerais,
encontrados em maiores teores nas cultivares com folhas de bordos lisos e sem
formação de cabeça (Mallar, 1978 e Maroto,
1992). Destaca-se também seu teor em próvitamina A, que alcança 4000UI por 100g
de matéria fresca nas alfaces de folhas
verdes (cerca de quatro vezes ao encontrado no tomate). Contudo, este teor é bem
mais baixo nas folhas brancas, internas, das
alfaces repolhudas (Sonnenberg, 1981).
O volume de produção dessa hortaliça
varia ao longo do ano em função das condições climáticas específicas de cada re-
gião. No Sul do Brasil, o seu cultivo passa
por dois períodos com condições pouco
favoráveis. O primeiro ocorre nos meses
de inverno, quando as baixas temperaturas
(inferiores a 10ºC) e precipitações pluviométricas prolongadas, retardam o crescimento e danificam as plantas. No segundo
período desfavorável - o verão, elevadas
temperaturas do ar (acima de 20ºC) e elevada intensidade da radiação solar favorecem, sobretudo, o pendoamento precoce
das plantas.
No Sudeste, por suas características de
clima subtropical e sem baixas temperaturas,
a produção é normal e regular nos meses
de abril a dezembro, diminui a partir do mês
de janeiro e agrava-se em fevereiro e março,
no cultivo de verão (Goto, 1998).
Portanto, no verão os fatores temperatura e fotoperíodo elevados prejudicam
o cultivo dessa hortaliça em praticamente todas as regiões produtoras. Com a
escassez do produto e alta demanda do
consumo, obviamente os preços do produto se elevam nessa época, o que propicia
maiores retornos aos olericultores que
conduziram seu cultivo com sucesso.
Tendo em vista um consumo crescente
e versátil e a modernização do setor de
distribuição, é exigido do produtor qualidade, quantidade e principalmente regularidade na sua produção. Neste contexto,
o cultivo em ambientes protegidos vem
apresentando crescente adoção pelos olericultores em razão da possibilidade do
controle parcial dos fatores ambientais
adversos (Souza et al., 1994), facilidade do
manejo, redução de riscos, previsibilidade
e constância da produção.
A utilização de túneis ou estufas com
filme de polietileno tem sido uma alternativa
técnica e econômica para minimizar o efeito
negativo das baixas temperaturas no período de inverno rigoroso no sul do Brasil,
pois propicia um ganho térmico tanto nas
temperaturas do solo como do ar (Buriol et
1
Trabalho realizado com o apoio do CNPq/FAPERGS.
Engo Agro, D.Sc., Prof. UFPel - Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel - Depto Agronomia, Caixa Postal 354, CEP 96077-170 Pelotas - RS.
E-mail: [email protected]
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
al., 1993ab, Schneider et al., 1993, Farias et
al., 1993 e Camacho, 1994). Além de proteger a cultura de chuvas, granizo e vento, o
microclima formado no seu interior permite ganhos na qualidade, produtividade e
precocidade dos cultivos (Segovia, 1991).
Embora as mudanças micrometeorológicas, proporcionadas pelos ambientes protegidos, sejam responsáveis pelo bom
desempenho das culturas, a falta de cultivares selecionadas ou melhoradas, para
esses ambientes, aliada a temperaturas
elevadas, tem-se constituído em fatores
limitantes ao desenvolvimento desta modalidade de exploração em determinadas
regiões.
FISIOLOGIA DO
DESENVOLVIMENTO
O crescimento vegetativo da alface é
definido como o período que abrange desde a emergência das plantas até a iniciação
floral. Representa sua produção economicamente viável que se encerra ao atingir o
maior tamanho das folhas. Da semeadura
até o transplante das mudas, o crescimento
da parte aérea e do sistema radicular é lento
(Becker, 1990). Após essa fase, inicia-se
uma etapa de intensa emissão de folhas e
de acúmulo de massa seca, atingindo seu
máximo em função das cultivares e condições climáticas.
Fatores como o fotoperíodo, intensidade luminosa, concentração de CO2 e
especialmente a temperatura influenciam
acentuadamente o desenvolvimento e o
crescimento da alface (Panduro, 1986 e
Müller, 1991).
Ainda que exista grande número de
cultivares que se adaptam às variações de
clima, normalmente, as temperaturas ótimas de crescimento encontram-se entre 15
e 20ºC, e temperaturas noturnas inferiores a 15ºC são consideradas importantes,
principalmente, para a formação de cabeça (Filgueira, 1982). Em fase de crescimento rápido, a alface exige uma amplitude
térmica entre dia e noite: as temperaturas diurnas devem estar situadas entre 14 e
18ºC e as noturnas entre 5 e 8ºC (Serrano
Cermeño, 1996).
No inverno, as baixas temperaturas do
ar retardam o crescimento da alface e podem danificar as plantas, deixando-as com
aspecto bronzeado e, por conseqüência,
inutilizadas para a comercialização (Filgueira, 1982). Por outro lado, as altas temperaturas aceleram o ciclo da cultura,
resultando em plantas menores, com pouca
firmeza nas cultivares de formação de cabeça, floração prematura e queimaduras nos
bordos das folhas, além da indução do
sabor amargo (Mallar, 1978). Temperaturas acima de 30°C interrompem o desenvolvimento da alface (Serrano Cermeño,
1996).
A exigência térmica da cultura da alface
também tem sido estimada através de grausdia, que representam o somatório de calor
efetivo para o crescimento das plantas acumulado durante o dia, sendo obtido pela
subtração da temperatura base da planta
da temperatura média diária. Para completarem cada subperíodo do ciclo de vida,
as plantas requerem um acúmulo de certa
soma de calor, comumente expressa pelo
índice graus-dia. Considera-se que há uma
relação linear entre a temperatura e a taxa
de desenvolvimento relativo da planta, desde que não existam limitações de outros
fatores (Lozada & Angelocci, 1997). Para
Pelotas (RS), Rosa (1998) determinou para
as cultivares Regina, Kagraner, Great Lakes
e Brisa, no subperíodo germinação-transplante, valores de soma térmica que variaram entre 328 e 381 graus-dia. Para este
mesmo subperíodo, Brunini et al. (1976)
encontraram para a cultivar White Boston
um mínimo de 332 e um máximo de 444
graus-dia.
Cada espécie vegetal possui uma temperatura basal que pode variar entre suas
distintas fases fenológicas. Entretanto,
para facilitar sua aplicação, é comum o emprego de um valor médio único para todo o
ciclo da cultura. Para a alface ‘White
Boston’, Brunini et al. (1976) estabeleceram
uma temperatura base inferior para o subperíodo germinação-transplante, de 6ºC, e
para o subperíodo transplante-colheita, de
10ºC.
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57
CULTIVARES
A escolha da cultivar também depende, dentre outros fatores, das exigências
de mercado: folhas lisas ou crespas, formando ou não cabeça, com distintas colorações (de verde-amarelada até verde-escura), com bordos arroxeados até
completamente arroxeados (Goto, 1998).
Em geral, as cultivares que pertencem
ao grupo repolhuda manteiga (formam
cabeça e possuem as folhas lisas) são as
preferidas, entretanto, não são facilmente
cultiváveis no verão. Destacam-se neste
grupo ‘Kagraner’, ‘Áurea’, ‘Série Brasil’ e
‘White Boston’. As cultivares Elisa e
Carolina AG-576, por apresentarem alta
compacidade de formação de cabeça e resistência ao pendoamento, também são
largamente utilizadas. Outro grupo de cultivares de boa aceitação no mercado é aquele que possui folhas lisas sem formação de
cabeça, por exemplo a ‘Regina’.
Os olericultores da Serra Gaúcha vêm
adotando cultivares de folhas crespas
devido ao ótimo desempenho apresentado,
quando cultivadas em ambientes protegidos. São destinadas principalmente à
rede de restaurantes industriais e fastfood
por suas peculiares características - folhas
crocantes e resistência às temperaturas
elevadas sem apresentar escurecimento,
quando do preparo dos alimentos.
Desde que o manejo da cultura seja
adequado, quase todas as cultivares podem ser cultivadas em ambientes protegidos durante todo o ano, com ciclo variando
de 28 dias, no verão, até 60 dias, no inverno
(Rosa et al., 1996). Entretanto, sob condições de alta temperatura e longo fotoperíodo, algumas cultivares são mais
sensíveis quanto ao pendoamento e início
na fase reprodutiva. Outras, sob baixas
temperaturas no inverno, apresentam
crescimento e desenvolvimento vegetativo
lento, estendendo seu ciclo e, portanto,
apresentando sérios prejuízos quanto à
comercialização.
Diante de tais fatos, para garantir o
sucesso da produção, o olericultor deve
considerar como item de grande importância a escolha adequada das cultivares,
58
cujas características estão apresentadas no
Quadro 1.
Respostas agronômicas de
cultivares em ambientes
protegidos
Cultivares de alface testadas em vários
locais, em diferentes modelos e tipos de
ambientes protegidos e estações do ano,
evidenciam diferenças contrastantes
quanto ao ciclo da cultura e rendimento.
Segovia et al. (1997) compararam, no
inverno, as cultivares Brasil 202, White
Boston e Regina, no interior e exterior de
uma estufa de polietileno, em Santa Maria
(RS). Os resultados revelaram maiores área
foliar, massa verde da parte aérea, massa
seca das folhas, do caule e das raízes e
maior relação entre a parte aérea e sistema
radicular, nas plantas cultivadas no interior
da estufa. Dentre as três cultivares, ‘Brasil
202’ apresentou maior precocidade (sete
dias de antecipação na colheita), além de
maior acumulação de massa seca total. Esses resultados permitem identificar no
ambiente protegido, uma alternativa técnica promissora para o cultivo da alface
nessa estação do ano. Entretanto, é importante destacar que o “efeito estufa”, ou seja, o ganho térmico, foi mais acentuado
durante o dia. À noite, os valores de temperatura foram muito similares aos do
ambiente natural.
Na região de Pelotas (RS), Rosa et al.
(1996), utilizando estufa de tipo “pampeana”, modelo arco abatido, coberta com
polietileno de baixa densidade, compararam, em cultivo de verão, as cultivares
Regina, Kagraner, Elisa e Grand Rapids e
observaram o melhor desempenho da cv.
Regina, quanto ao número de folhas (56).
Em cultivo de primavera, em túnel baixo
perfurado, Streck et al. (1994) observaram
o número máximo de 44 folhas por planta
até o final do ciclo.
Rosa (1998), no sul do Rio Grande do
Sul, avaliou o comportamento das cultivares Regina, Kagraner, Great Lakes e Brisa
em todas as estações do ano, em estufa
plástica, constatando maior precocidade e
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Características desejáveis nas cultivares de alface de acordo com a estação do ano
Época de colheita
Características
Inverno
Primavera
Verão
Outono
Resistência ao florescimento
Resistência ao frio (congelamento)
Crescimento em baixas temperaturas
Tolerância ao calor
Qualidade durante a comercialização
Resistência a doenças
_
(1)
(2)
_
_
_
_
(1)
(1)
_
_
(1)
(2)
_
_
(1)
(1)
(2)
(2)
_
_
_
_
_
(1) Característica importante. (2) Característica mais importante.
produção nas cultivares Regina e Kagraner.
No verão, observou que ‘Brisa’ apresentou
a maior porcentagem de plantas pendoadas.
Em São Paulo, essa cultivar é recomendada
como tolerante para esta característica
(Goto, 1998).
PRODUÇÃO DE MUDAS
A produção de mudas de alface, a
exemplo das demais hortaliças, constituise numa das etapas de cultivo mais importantes, devido a sua influência no desempenho final da planta (Minami, 1995). Os
recentes avanços desta prática fitotécnica
têm proporcionado aumentos substanciais
tanto na produção como na produtividade.
Para o sucesso de qualquer sistema de
produção de mudas, é fundamental o uso
de sementes de alta qualidade. Além disso,
o olericultor deve garantir as condições
ideais para que os processos fisiológicos
de germinação e emergência dêem-se o
mais rápido possível. Benjamim (1990),
citado por Minami (1995), observou, para a
alface, plantas maiores quando o tempo de
emergência foi de sete dias, em comparação
com aquelas que tardaram 15 dias para
emergir, evidenciando que tais diferenças
traduzem-se em grandes diferenças durante
o desenvolvimento da planta.
Segundo Kotowsky (1927), citado por
Goto (1998), as sementes de alface germinam, quando a temperatura do solo encontra-se na faixa de 11 a 25ºC, sendo a faixa
ideal de germinação compreendida entre 18
a 25ºC. Acima ou abaixo destes valores,
dependendo da cultivar, a germinação co-
meça a ser inibida (Borthwick & Robbins,
1928). Com temperaturas do solo superiores
a 30ºC, o processo germinativo é inibido
em praticamente todas as cultivares, fazendo com que suas sementes entrem em dormência secundária.
A dormência é um dos grandes problemas na produção de mudas de alface,
uma vez que ocorre no verão, coincidindo
com o período em que os olericultores podem obter bons lucros com a cultura. Um
procedimento muito utilizado pelos olericultores, para superar este problema, consiste em envolver as sementes em um pano
úmido, mantendo-as próximas ao congelador de uma geladeira doméstica, em
temperaturas de 4 a 6ºC, por cerca de 48 a
72 horas e, posteriormente, efetuar a semeadura (Filgueira, 1982).
Basicamente, a produção de mudas em
ambientes protegidos pode ser realizada em bandejas multicelulares, em tanques
e/ou bancadas, utilizando diversos tipos
de substratos, contando com o aporte
necessário da irrigação, adubação e controle fitossanitário.
Em geral, são utilizadas bandejas multicelulares de poliestireno expandido (isopor) de 200 a 288 células cada uma, com o
formato de pirâmide invertida e orifício
basal que permite, quando assentadas sobre bancadas, a saída das raízes que em
contato com o ar secam naturalmente (poda
ao ar). A ausência de contato com o operador ou ferramentas, reduz a possibilidade
de contaminação.
As estruturas das bancadas podem ser
em madeira, alumínio, aço galvanizado,
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
bambu ou alvenaria, devendo possuir uma
altura mínima do solo de 0,8m, a fim de evitar
contaminações, facilitar o manejo das
bandejas e tratos culturais. Recomenda-se
uma distância mínima de 1m da cobertura
da estufa em relação às bandejas, para que
as mudas não sofram com as baixas temperaturas e exista um volume de ar suficiente
para manter temperaturas internas adequadas.
Em sistema misto, em que se utilizam
bancadas e tanques (float system), as
mudas são previamente desenvolvidas em
bandejas até o estádio de duas folhas definitivas e, posteriormente, colocadas em
tanques impermeabilizados e contendo
uma solução de sulfato de cobre 0,035%,
para manter o controle fitossanitário e promover o desenvolvimento de sistemas radiculares secundários.
Em ambos os sistemas, a semeadura é
realizada com sementes nuas (duas a três
sementes por célula) ou peletizadas (uma
semente por célula). No primeiro caso, ao
atingir o estádio de uma folha verdadeira,
efetua-se o desbaste, deixando-se apenas
uma muda por célula. A muda está pronta
para ser transplantada, quando apresenta
quatro a cinco folhas definitivas.
Um bom desenvolvimento de mudas
depende de substratos adequados. Embora
se disponha de um grande número de marcas comerciais, o desempenho obtido com
tais materiais tem-se mostrado extremamente irregular, sendo objeto de crítica por
diversos olericultores da região Sul do
Brasil. Menezes Júnior (1998) confirma esta
questão e recomenda a formulação de
substratos pelo próprio agricultor (com
diminuição de custo) desde que o material
seja devidamente esterilizado. Dentre 27
diferentes formulações de substratos para
alface testadas por este autor, entre as quais
dois substratos comerciais, destacaram-se
as que constam de 75% de solo mineral
com 25% de vermiculita ou 25% de esterco bovino ou 25% de vermicomposto de
esterco bovino.
O sistema de irrigação mais utilizado
para a produção de mudas em bancadas
tem sido o de microaspersão, sendo as
mudas irrigadas de duas a quatro vezes ao
dia, durante dois a três minutos, dependendo das condições climáticas e do tipo
de substrato utilizado. Este sistema é
composto basicamente de um conjunto
moto-bomba, filtro e, uma ou mais linhas
de aspersão com microaspersores antigotejo localizados acima das mudas a uma
distância aproximada de 1m.
A adubação das mudas pode ser realizada com adubos granulados misturados
ao substrato ou via foliar, tanto para
substratos comerciais como para aqueles
formulados na propriedade. Devem-se
priorizar sistemas que assegurem um melhor controle e uniformidade de distribuição dos adubos. Segundo Goto (1998), é
importante que durante a fase de formação
das mudas não se utilizem adubos que
contenham nitrogênio. O nitrogênio só
deve ser utilizado em cobertura, caso ocorra
deficiência. Substratos que contenham
adubos fosfatados e potássicos, auxiliarão
na obtenção de mudas vigorosas, sadias e
não estioladas.
Sob condições de alta temperatura e
excessiva luminosidade, é recomendada a
proteção das mudas com telado com 30%
de sombreamento, evitando-se, assim,
problemas quanto à germinação e ao pendoamento. Logo após este período inicial,
o telado deve ser retirado, para evitar o
estiolamento das mudas.
NUTRIÇÃO, CALAGEM E
ADUBAÇÃO
A alface é suscetível à acidez do solo.
Neste sentido, as quantidades de corretivos a serem aplicadas no solo visam atingir um pH em água de 6,0 a 6,8. Sugere-se
prioridade para a aplicação de calcário dolomítico em função de sua riqueza em Mg.
Para melhor decidir sobre a adubação
do solo em ambiente protegido, deve-se
realizar a amostragem de solo para análise
físico-química, no mínimo, uma vez por ano.
Devido à aplicação de fertilizantes em altas
doses e de forma intensiva, no decorrer do
tempo pode haver acúmulo de alguns nu-
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59
trientes, permitindo que o próprio solo
atenda parte das necessidades da cultura e, conseqüentemente, permitindo um
decréscimo nas doses de adubo a serem
aplicadas sem que ocorra redução na produtividade.
Em solos com elevados teores de K e
de P, a cultura responde apenas ao fornecimento de nitrogênio (N) (Foltran et al.,
1987). A deficiência de N em alface retarda
o crescimento da planta, induz a ausência
ou má-formação da cabeça e, as folhas mais
velhas tornam-se amareladas e desprendem-se da planta com facilidade (Garcia et
al., 1982).
Adubação orgânica
A adubação orgânica tem sido largamente utilizada na produção de hortaliças,
em face das novas demandas do mercado
consumidor por produtos de melhor qualidade. De tal forma, já existe uma significativa produção científica sobre a utilização de fertilizantes orgânicos com vistas
a reduzir as quantidades de fertilizantes
químicos aplicados na produção de alface
(Nakagawa et al., 1989, 1992 e Quijano,
1999). No Quadro 2 podem ser observadas
as concentrações médias de N, P e K de
alguns materiais utilizados como adubos
orgânicos.
Na cultura da alface, até cerca de 30
dias após a emergência, tanto em ambiente
natural como no ambiente protegido, o
acúmulo de nutrientes nas plantas é lento,
aumentando rapidamente após este período
(Fernandes et al., 1981, Garcia et al., 1982 e
Quijano, 1999). Cerca de 80% do total de N
é absorvido nos estágios finais da cultura
(Katayama, 1993). Portanto, este nutriente
requer um manejo especial quanto à adubação, sendo conveniente retardar sua
aplicação em cobertura. Nas condições de
verão em Pelotas (RS), foram observadas,
nos últimos dez dias de cultivo de alface
em ambiente protegido, as maiores exigências em N, P, K, Ca e magnésio (Mg),
correspondendo entre 64 e 80% do total
acumulado de nutrientes para a cultivar
60
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 2 - Concentração média de nitrogênio (N), fósforo (P2O5), potássio (K2O) e matéria
orgânica de alguns materiais utilizados como adubo orgânico
Materiais
N
Nutrientes
P 2O 5
K2O
Matéria
Orgânica
0,50 - 0,80
1,90 - 5,73
1,62
1,89
2,35
1,54
1,23
60,00
35,00 - 60,00
62,11
54,00
46,28
92,20
78,78
necessidade de melhor controle quanto à
dosagem e à fonte do nutriente utilizado,
uma vez que, em ambiente protegido, o ciclo
da alface é reduzido.
%
(A)
1,20
1,00 - 3,00
1,92
3,04
2,54
5,44
2,19
Composto
Vermicomposto(B)
Esterco de gado(A)
Esterco de galinha(A)
Esterco de porco(A)
Torta de mamona(A)
Torta de filtro(A)
0,80 - 1,00
4,50 - 9,16
1,01
4,70
4,93
1,91
2,32
kg/m3 de chorume
Esterco líquido de suínos (C)
Esterco líquido de bovinos (C)
4,50
1,40
4,00
0,80
3,20
2,60
1,60
1,40
6,00
4,60
3,40
14,90
kg/t
Esterco pastoso de bovinos
(C)
FONTE: (A) Kiehl (1985), (B) Antoniolli et al. (1996) e (C) Recomendações... (1994).
Regina, e entre 68 e 78% para a cultivar
Carolina (Quijano, 1999).
Adubação foliar
Barros (1979) constatou efeito positivo
na produtividade de alface com aplicações
de uréia (0,6%), fosfato diamônico (0,2%)
ou fosfato monoamônico (0,2%) via foliar.
Embora Castellane et al. (1986) não tenham
observado diferenças significativas na
produtividade total de alface (t/ha), quando
compararam os efeitos do fornecimento de
N no solo e via foliar, verificaram maior
eficácia da aplicação foliar, ou seja, unidade
a mais de produção por unidade de uréia
aplicada.
A pulverização foliar em alface com
fertilizantes orgânicos líquidos é ainda uma
técnica pouco estudada. O vermicomposto
líquido é um complemento nutricional de
macro e micronutrientes com funções hormonais e, por se tratar de um produto orgânico e natural, pode ser aplicado em maiores
concentrações (Antoniolli et al., 1996). Em
ambiente protegido, Quijano (1999) obteve
respostas positivas no crescimento de
alface, cv. Regina, quando pulverizada com
vermicompostos líquidos em cobertura
(Quadro 3).
Fertirrigação
A fertirrigação objetiva aliar a prática
de irrigação ao fornecimento de nutrientes
em cobertura, como uma forma mais eficiente de aumentar a disponibilidade e a
absorção de elementos minerais essenciais
à planta.
Em culturas de sistema radicular mais
desenvolvido, a fertirrigação pode dificultar a exploração de nutrientes em profundidade, contudo, para alface que naturalmente apresenta um sistema radicular
superficial, esta técnica pode ser utilizada
de forma eficiente. Salienta-se, porém, a
PREPARO DE CANTEIROS E
ESPAÇAMENTO
Em estufas, os canteiros são preparados
com uma largura baseada no número de fileiras longitudinais de plantas que serão
adotadas. É comum a utilização de duas a
três fileiras em canteiros estreitos com 0,60
a 0,90m, ou quatro a cinco fileiras em canteiros convencionais de 1,0 a 1,2m de largura.
O espaçamento usual entre plantas é
de 0,30 x 0,30m, podendo ser adotado o de
0,30 x 0,25m para cultivares de menor porte. Cultivares de plantas maiores, como a
‘Great Lakes’, exigem espaçamentos de
0,40 x 0,30m. Espaçamento de 0,25 x 0,25m
é muitas vezes utilizado em cultivo de verão. Nessa época, para evitar os riscos da
depreciação do produto ocasionado pelo
pendoamento, o olericultor antecipa a colheita. O menor tamanho das plantas colhidas é compensado pela obtenção de
melhores preços, os quais comumente
ocorrem na entressafra.
CONTROLE DA UMIDADE DO
SOLO E IRRIGAÇÃO
A grande vantagem do cultivo em ambiente protegido é possibilitar o monito-
QUADRO 3 - Produtividade (t/ha) de duas cultivares de alface, com diferentes adubações
Cultivares
Adubações
Carolina
Regina
5,56
6,85
Adubo mineral(1)
19,14
16,81
Cobertura com vermicomposto de restos de
erva-mate e café na forma líquida(2)
14,19
16,97
Cobertura com vermicomposto de esterco de
suínos na forma líquida(2)
13,34
12,92
Testemunha absoluta
FONTE: Quijano (1999).
(1) Adubação de base 40kg/ha de N, 40kg/ha P2O5 e 60kg/ha de K2O e, 30kg/ha de N em cobertura,
aos 12 e 22 dias após o transplante. (2) Adubação de base com 13t/ha de vermicomposto bovino
e cobertura com 2.500 l/ha de vermicomposto líquido, aos 12 e 22 dias após o transplante.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
ramento e controle do consumo hídrico das
plantas, minimizando por conseqüência,
estresses da planta por deficiência e excesso de água. Em decorrência, este controle
efetivo do suprimento d’água constitui-se
em fator essencial na busca da maximização
da produção, atenuando a interferência de
outros fatores, tais como a ocorrência de
doenças e pragas.
O manejo da água deve ser realizado
respondendo a duas perguntas básicas.
Quando irrigar e quanto de água utilizar? O
monitoramento da tensão de água no solo,
utilizando tensiômetros instalados na profundidade efetiva do sistema radicular, que
para a cultura da alface varia de 20 a 30cm,
pode ser uma boa estratégia para atender
estas questões (recomenda-se para a alface
limite de tensão de -0,40 bar). Por outro
lado, o conhecimento da evapotranspiração da cultura (ETc), nas suas distintas
fases fenológicas, é fundamental para atender de forma correta as suas necessidades
hídricas. Para tanto, o produtor pode basear-se em dados locais da evapotranspiração de referência (ET o) fornecidos
geralmente por instituições de ensino, pesquisa e extensão, que deverão ser corrigidos por coeficientes de cultura (kc) determinados previamente pela pesquisa
(Carrijo et al., 1999).
Na cultura da alface, a irrigação varia
em função da estação de cultivo. Nos meses ou locais em que ocorrem temperaturas
elevadas (verão), a irrigação além de atender
às necessidades hídricas da cultura, tem o
objetivo de exercer função termorreguladora da superfície das plantas, baixando
a temperatura do ambiente e, evitando
queimaduras nas folhas, principalmente
nas horas mais quentes do dia. Assim,
sugere-se irrigar com microaspersores e
adotar práticas de sombreamento da cultura, utilizando telas de sombreamento
(50%) ou a caiação do polietileno, a fim
de evitar o excesso de calor e de luminosidade, que induzem à emissão do pendão floral. Nas demais condições é recomendado o fornecimento de água por
gotejamento.
DOENÇAS E TIPBURN
As doenças observadas com maior
freqüência nos ambientes protegidos podem ser evitadas ou pelo menos atenuadas,
por meio de uma série de medidas preventivas como: utilização de sementes e
materiais de propagação isentos de patógenos; rotação de culturas, fertilização
adequada, limpeza e desinfecção de equipamentos; eliminação de restos de culturas, preparo adequado do solo para facilitar
germinação e crescimento de plântulas,
espaçamentos e densidades adequadas ao
bom arejamento e promotor de um balanço
de energia radiante favorável ao desenvolvimento da planta; práticas que permitam ganho de calor no solo e um manejo
adequado da água.
Com relação ao manejo da água, o atendimento correto das necessidades hídricas,
conforme visto anteriormente, é fundamental para se evitar déficit e principalmente excesso, que induz o aparecimento
de doenças no solo. Além disso, é importante considerar a qualidade da água de
irrigação, especialmente considerando que
o cultivo da alface é realizado, normalmente, próximo aos grandes centros urbanos e industriais, com graves problemas
de contaminação hídrica por coliformes
fecais e metais pesados.
Dentre as doenças destacam-se as seguintes:
a) podridão de esclerotínia ou basal
(Sclerotinia sclerotiorum De Bary):
causa tombamento de mudas em
sementeiras, ou a podridão e murcha total da planta adulta. Ocorre
sob umidade relativa no ar elevada
e temperaturas favoravelmente
baixas;
b) queima da saia (Rhizoctonia solani):
as folhas mais próximas do solo
apresentam lesões necróticas nas
nervuras e no pecíolo, evoluindo
para uma necrose escura do limbo e
posterior queima total das folhas
mais velhas. Temperaturas amenas
e baixas, associadas com alta umi-
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61
dade no solo, favorecem a doença;
c) septoriose (Septoria lactucae): responsável pela formação de manchas
necróticas irregulares, com centro
escuro, com numerosos corpos de
frutificação na parte central. O tecido
necrosado pode romper-se e cair,
havendo coalescência das manchas,
resultando no crestamento e morte
das folhas externas afetadas. Temperaturas amenas e umidade relativa
do ar elevada favorecem seu ataque
e disseminação;
d) outra doença constatada em alface,
no verão, principalmente, em estufas
cultivadas anteriormente com tomate, é vira-cabeça. O controle desta
virose está diretamente relacionado
a medidas que evitem o aparecimento de seu agente transmissor, o
tripes.
O tipburn é um distúrbio fisiológico
ocasionado pelo aumento da atividade
fotossintética, que pode provocar injúrias
pela ruptura dos vasos lactíferos da folha.
O látex é desprendido próximo aos bordos
das folhas, causando o colapso e necrose
dos tecidos. Um crescimento intenso, não
acompanhado pela absorção do cálcio,
pode favorecer a manifestação do sintoma
especialmente em folhas jovens. Ocorre
facilmente em cultivos sob grande intensidade e exposição a luz, com alta umidade
e temperatura ambiental. É importante
destacar a existência de cultivares resistentes ao tipbum, dentre estas Crespa
Repolhuda, Elba, Grand Rapids TBR e
Hanson.
COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO
O momento propício à colheita se dá
quando a planta atinge o seu máximo
desenvolvimento e as folhas ainda estão
tenras e não há início de florescimento. A
determinação do ponto de colheita não é
tão simples, uma vez que o tamanho da
planta varia conforme a estação do ano.
No verão, colhe-se com menor tamanho,
pois o ciclo da planta é encurtado devido
62
às altas temperaturas e maior comprimento
do dia. Evita-se assim o gosto amargo que
antecede o pendoamento, muito comum
nesta estação.
O olericultor tradicional ainda comercializa seu produto por intermédio das
Centrais de Abastecimentos (Ceasas), em
caixas de madeira com capacidade para 18
a 20 plantas, conhecidas como tipo K,
padronizadas pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (MA). Em São
Paulo (Entreposto Terminal), a alface é comercializada em engradados de 12kg, muito embora também sejam utilizadas caixas
“R” com capacidade para 4kg do produto
(Goto, 1998).
Muitos olericultores destacam a maior
qualidade do produto obtido sob cultivo
protegido, comercializando as alfaces depois de limpas, embaladas individualmente
em filmes plásticos e com rótulos de procedência, em redes de supermercados e
casas especializadas.
Devido às pressões de mercado, a comercialização de hortaliças vem passando
por rápidas e grandes modificações, direcionando-se para uma agricultura de
contrato, na qual estão estabelecidas regras
de compra e venda, em que o olericultor é
obrigado a produzir o que já está vendido.
Estas questões estão determinando as
oportunidades de mercado.
ASPECTOS ECONÔMICOS
Segundo levantamento realizado por
Barum et al. (1998), uma estufa de baixo
custo (tipo passivo, sem climatização) com
400m2 requer um investimento inicial de
cerca de R$ 2.100,00. Estes autores estimam
que, para uma capacidade máxima anual
de produção de 29.120 plantas, o custo
fixo será de aproximadamente, R$ 1.930,00
e o custo variável será de R$ 1.660,00. Neste caso, o custo total médio por planta
se ria de R$ 0,123. O componente dos custos mais expressivo é a mão-de-obra representada por três empregados em tempo
parcial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pelo exposto, é evidente que o cultivo
de alface em ambiente protegido continuará
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
sendo uma alternativa promissora para os
olericultores das mais diversas regiões do
país, especialmente devido à relativa
simplicidade de seu manejo e ampla gama
de cultivares que podem ser cultivadas em
todas as estações do ano.
É importante, entretanto, que o agricultor escolha de forma adequada o material
a ser cultivado, pois diferenças contrastantes quanto ao ciclo, rendimento, resistência ao frio, tolerância ao calor, dentre
outras, mesmo em ambiente protegido,
definem o sucesso da produção. Quanto
ao sistema de produção de mudas, estudos
mais aprofundados sobre melhores fontes
e combinações de substratos devem ser
desenvolvidos.
Tendo em vista as novas demandas do
mercado consumidor por produtos de melhor qualidade visual e isentos de resíduos,
a utilização de fertilizantes orgânicos pode
reduzir as quantidades de fertilizantes
minerais aplicadas na produção de alface,
constituindo-se numa importante ferramenta de trabalho. Todas estas questões
assumem relevância especialmente no
cultivo da alface em ambientes protegidos,
devido à possibilidade de monitoramento
e ao controle de diversos parâmetros agroclimáticos, o que permite melhorar a eficiência do balanço de energia para as plantas e, conseqüentemente, minimizar seus
níveis de estresse.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Cultivo de hortaliças de frutos em solo em ambiente protegido
José Usan Torres Brandão Filho 1
Osni Callegari 2
Resumo - Algumas opções de hortaliças de frutos que podem ser cultivadas em ambiente protegido com perspectivas bastante promissoras
são abordadas. Além de culturas clássicas como o tomate, o pepino e o
pimentão que são, possivelmente, as hortaliças mais utilizadas neste
tipo de cultivo, considerou-se, ainda, o melão, pela grande procura e
perspectiva de retorno que vem adquirindo, a abobrinha de moita e o
feijão-vagem, por acreditar serem culturas de grande potencial em determinadas épocas do ano e locais. Vale lembrar que poderiam ter sido
enfocadas outras hortaliças de frutos, como por exemplo a berinjela e a
melancia, que poderão vir a se tornar importantes neste tipo de exploração.
Palavras-chave: Solanáceas; Curcubitáceas; Cultivo protegido.
INTRODUÇÃO
O cultivo protegido, por se tratar de um
sistema que apresenta como principais
vantagens a obtenção de colheita fora da
época normal, a precocidade, o aumento
da produtividade e a melhoria da qualidade,
é uma ferramenta que pode trazer grandes
benefícios, principalmente aos pequenos
e médios produtores. Caracteriza-se pela
intensidade em todos os aspectos, desde
a necessidade de insumos e mão-de-obra,
até a possibilidade de retorno econômico.
Tem-se observado aumento considerável da utilização do cultivo protegido
em todo o território brasileiro. Entretanto,
vários são os casos de insucesso, levando
muitos a abandonar a atividade após algum
tempo.
Algumas causas poderiam ser responsáveis por esse fato lamentável, mas de maneira geral o grande problema está na falta
de um planejamento adequado de que a
atividade necessita, levando-se em consideração os aspectos comerciais e fitotécnicos.
Desta forma, antes da tomada de decisão da
utilização ou não do cultivo protegido, duas
perguntas devem ser respondidas: O que
plantar? Como produzir?
Quanto à primeira pergunta, esta deve
ser entendida como todo o processo de
comercialização, pois é de fundamental
importância uma pesquisa minuciosa de
mercado, a fim de se determinarem quais as
preferências do consumidor, qual o volume
a ser produzido, para quem vender. Com o
mercado indicando ou sugerindo o que
plantar, devem-se então concentrar esforços no sentido de conseguir os melhores
resultados na produção.
Para se obterem as melhores respostas,
é imprescindível conhecer muito bem as
condições básicas necessárias para que a
planta tenha um bom crescimento e desenvolvimento (Goto, 1995). O rendimento e a
qualidade de uma cultura dependem basicamente do germoplasma, do solo, do
clima e do próprio homem, sendo então de
fundamental importância a compreensão de
cada um desses fatores e de suas interrelações (Brandão Filho & Vasconcelos,
1998). Assim, torna-se muito importante um
conhecimento do manejo do ambiente protegido e das necessidades da espécie vegetal
escolhida, a fim de se obterem os melhores
resultados.
Várias são as opções de culturas para
ambientes protegidos e, dentre as horta-
liças de frutos, têm-se como principais: o
tomate, o melão, o pepino, o pimentão, a
abobrinha de moita e o feijão-vagem.
TOMATE
Devido à dificuldade de produção do
tomate em algumas épocas do ano, principalmente durante o verão chuvoso e no
inverno, o seu cultivo em ambiente protegido vem crescendo rapidamente, tornando-se a principal hortaliça, também neste
tipo de cultivo no Brasil (Martins, 1992).
Temperatura
O tomateiro, normalmente, não tolera
temperaturas extremas, entretanto a tolerância depende da cultivar, pois existem cultivares muito mais tolerantes que outras.
Em cada fase do ciclo do tomateiro,
existe uma temperatura considerada ótima,
mas, de maneira geral, temperaturas diurnas
entre 25 e 30oC e noturnas entre 15 e 20oC
são consideradas como favoráveis para
seu bom desenvolvimento e produção.
Quando o tomateiro é exposto a temperaturas extremas, ele apresenta baixa produtividade e qualidade de frutos (Minami &
Haag, 1989, Goto, 1995 e Reghin, 1996).
1
Engo Agro, M.Sc., Prof. Assist. Universidade Estadual de Maringá - Depto Agronomia, Av. Colombo 5.790, CEP 87020-900 Maringá-PR.
Engo Agro, M.Sc., Pesq. Universidade Estadual de Maringá - Depto Agronomia, Av. Colombo 5.790, CEP 87020-900 Maringá-PR.
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Umidade
A umidade relativa do ar considerada
ideal durante a fase de crescimento vegetativo do tomateiro é de 50 a 70%. No solo,
considera-se a faixa ótima de disponibilidade de água, aquela situada entre 0,2 e
0,8bar, mantendo-se entre 60 a 70% da
capacidade de campo. Segundo Lopes &
Stripari (1998), para a manutenção da umidade do solo no nível ótimo, devem-se adicionar menores quantidades de água a
cada irrigação e reduzir o intervalo de tempo
entre uma irrigação e outra.
Cultivares e híbridos
Em ambientes protegidos, têm-se utilizado cultivares e híbridos dos grupos santa
cruz, caqui e cereja, a saber: do grupo santa
cruz - Débora Plus, Bruna VF, Jumbo AG
592, Concord AG 595; do grupo caqui ou
salada - Carmen, Colorado, Parador, AG
233, Barão Vermelho AG 561, Donador; do
grupo cereja - Sweet Million, Mountais
Belle, Sweet Gold.
Condução da cultura
O transplante para o local definitivo
deve ser feito quando as mudas apresentarem quatro a cinco folhas definitivas. O
espaçamento a ser utilizado vai depender
da cultivar/híbrido e do sistema de condução, variando de 70 a 110cm entre as linhas
e de 30 a 70cm entre as plantas.
O tomateiro pode ser conduzido com
uma, duas ou três hastes. Na condução com
uma haste, deixa-se somente a principal,
retirando-se todas as brotações laterais,
sendo esta a condução mais comum entre
os produtores. Na condução com duas ou
três hastes, deixa-se desenvolver a primeira
ou as duas primeiras brotações laterais, conduzindo-as com a haste principal, formando
uma planta com duas ou três hastes produtivas e um sistema radicular. Neste caso, o
espaçamento a ser utilizado deve ser maior,
conforme o número de hastes a ser conduzido.
Tratos culturais como tutoramento (utilização de fitas e arames para a condução
vertical das plantas), desbrota (eliminação
das brotações das axilas das folhas durante
toda a fase de crescimento) e desbaste de
frutos (seleção e eliminação dos frutos em
excesso quando estes atingem cerca de
2,0cm de diâmetro) são necessários para
boa condução e manejo da cultura.
Colheita
O ponto ideal de colheita é aquele em
que o fruto encontra-se em seu maior tamanho e antes de ter atingido a coloração
desejada. Uma boa técnica para se determinar este ponto é o corte do fruto. Se ao realizar este corte as sementes nada sofrerem,
este é o ponto ideal. Para os tomates “longa
vida”, recomenda-se a colheita quando os
frutos já estiverem vermelhos.
MELÃO
Por ser um fruto com características
particulares, o melão tornou-se uma opção
bastante procurada pelos produtores que
empregam o sistema de cultivo em ambiente
protegido, utilizando, neste, cultivares diferentes daquelas cultivadas na região Nordeste do Brasil, como a ‘Valenciano amarelo’ (Brandão Filho & Vasconcellos, 1998).
Em ambientes protegidos, são produzidos
melões que apresentam vantagens como:
sem concorrência no mercado; frutos com
excelente aspecto visual e grande teor de
sólidos solúveis (sabor); excelente cotação
no mercado, podendo, por isso, ser cultivados em pequenas áreas com boa lucratividade. Algumas cultivares de melão
utilizadas neste sistema de cultivo são Bonus, Louis, Nero e Sun Rise.
Temperatura
De maneira geral, o crescimento vegetativo do meloeiro é prejudicado por temperaturas do ar inferiores a 13oC e superiores a
40oC, sendo a faixa de 25 a 32oC considerada
como ótima para o seu desenvolvimento
vegetativo.
Umidade e aeração
A umidade relativa do ar considerada
ideal durante a fase de crescimento vegetativo do meloeiro é de 65 a 75%.
A água em excesso no solo altera processos químicos e biológicos, limita a quantidade de oxigênio e acelera a formação de
compostos tóxicos na raiz. Por outro lado,
a deficiência hídrica pode-se tornar a principal causa de decréscimo da produtividade.
O teor de água ideal no solo varia de
acordo com uma série de fatores, principalmente, com o estádio de desenvolvimento
da cultura. O uso de tensiômetros é o mais
indicado para o controle do teor de umidade
do solo, e o manejo pode ser realizado a ní-
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veis de tensão de água no solo que variam
de 0,3 a 0,6bar numa profundidade de 30cm
(Fonseca, 1994).
Florescimento
A floração do meloeiro se inicia, normalmente, pelo aparecimento da flor masculina,
duas a três semanas antes da flor feminina
ou hermafrodita. As flores masculinas localizam-se no ramo principal, enquanto que
as flores hermafroditas localizam-se nos
ramos secundários.
A polinização pode ser aberta, sendo
as abelhas os principais agentes polinizadores. Contudo, em alguns casos, é recomendável a polinização manual, tratando-se de
uma técnica simples e de bom aproveitamento. Após a polinização, deve-se marcar
a flor polinizada com uma fita colorida, para
se controlar a data de polinização.
Frutificação
No melão, o estádio de crescimento
compreende os primeiros 25 dias, enquanto
que a maturação e o amadurecimento duram
cerca de mais 29 dias (Suzuki & Nonaka,
1990). Isto significa que, aos 25 dias após a
polinização, já se tem o fruto praticamente
formado com relação ao tamanho e peso,
entretanto este apresenta baixo valor de
graus Brix.
Condução da cultura
O transplante para o local definitivo
deve ser feito quando as mudas apresentarem duas a três folhas definitivas. O plantio
pode ser feito em linhas duplas com espaçamento de 70 a 90cm entre as linhas x 100 a
120cm entre as linhas duplas x 40 a 50cm
entre as plantas.
O sistema de condução das plantas é o
tutorado vertical, podendo ser usado como
tutor a rede agrícola ou o fitilho na vertical,
que deve ser amarrado em três arames colocados em paralelo na horizontal a 20, 120 e
200cm do solo.
A planta deve ser conduzida com haste
única, retirando-se todos os brotos até o
10o ou 12o entrenó. No 12o, 13o e 14o entrenós, devem ser deixadas as hastes secundárias, pois nestas surgirão as flores
hermafroditas (futuros frutos). O procedimento a ser realizado nestas três ou quatro
hastes secundárias deve ser o de retirar todos os brotos que surgirem e fazer a capação, deixando-se uma folha após o fruto,
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
que deve estar o mais próximo possível da
haste principal. Polinizar a primeira ou
segunda flor hermafrodita. Nos próximos
entrenós, continua-se a retirar todos os
brotos até o 20o entrenó. No 21o, 22o e 23o
entrenós, deixar crescer as hastes secundárias e fazer a capação da planta. Nestas
hastes secundárias, deixar crescer uma
nova brotação em cada uma delas (hastes
terciárias). Uma folha após o surgimento
da haste terciária, fazer a capação da haste
secundária, deixando-se as hastes terciárias crescer livremente (Fig. 1). Quando os
frutos estiverem do tamanho de uma bolinha de tênis de mesa (mais ou menos 3cm
de diâmetro), realizar o desbaste, deixando
um ou dois frutos por planta.
Colheita
O conhecimento do ponto ideal de colheita do melão é de fundamental importância, pois os frutos somente apresentarão
qualidade elevada quando colhidos no
momento exato. Caso a colheita ocorra antes do tempo ideal, o fruto, embora possa
apresentar boa aparência, terá sua qualidade interna bastante prejudicada, principalmente em relação ao teor de sólidos
solúveis (oBrix), apresentando-se praticamente sem sabor. Por ser difícil a determinação do ponto de colheita, recomenda-se
marcar a data de polinização, determinando
a data de colheita de acordo com o número
de dias necessários para o pleno desenvolvimento e maturação do fruto.
PEPINO
É considerada a segunda hortaliça mais
importante, cultivada sob ambiente protegido (López, 1995, citado por Cañizares,
1998).
Em ambiente protegido, o pepino apresenta melhor qualidade e maior produtividade em relação ao produzido em campo
aberto. Em função disso, esta cultura
passou a ser uma excelente opção para o
cultivo protegido em períodos de menor
oferta (maio a setembro) e na obtenção de
preços mais elevados devido à melhor
qualidade dos frutos.
Temperatura
O pepino é exigente em temperaturas
elevadas, para o seu bom desenvolvimento, não tolerando temperaturas inferiores a
12oC. Podem-se considerar temperaturas
Figura 1 - Esquema da condução do meloeiro
FONTE: Brandão Filho & Vasconcellos (1998).
próximas de 30oC durante o dia e 20oC
durante a noite como sendo ideais para o
desenvolvimento da cultura.
Umidade e aeração
A umidade relativa do ar ótima para a
cultura é de 70 a 90%. Como praticamente
toda cucurbitácea, o pepino é extremamente
exigente em aeração do solo, o que torna
ainda mais importante o bom manejo da
água no solo, evitando encharcamentos e
conseqüente falta de oxigênio, bem como
a deficiência hídrica, que pode levar a grandes perdas na produtividade.
O uso de tensiômetros é de fundamental importância para o monitoramento
da umidade do solo, devendo a tensão de
água no solo ser mantida entre 0,1 e 0,2bar,
próxima à capacidade de campo (Cañizares,
1998).
Cultivares e híbridos
Para o cultivo protegido têm-se basicamente dois tipos de pepinos:
a) pepino caipira: trata-se sem dúvida
do tipo mais comum, sendo muito
utilizado no cultivo a céu aberto. As
plantas são de crescimento indeterminado e ginóicas, e seus frutos são
de coloração verde-clara, com dimensões de 12 a 15cm de comprimento e 4 a 5cm de diâmetro e de
casca lisa com espinhos brancos.
Dentre os cultivares/híbridos mais
cultivados estão Safira, Caipira,
Guarani;
b) pepino japonês: assim são conhecidos os pepinos plantados quase
que exclusivamente em ambiente
protegido e apresentam as seguintes características: são plantas com
hábito de crescimento indeterminado, monóicas ou ginóicas partenocárpicas, com frutos de coloração
verde-escura brilhante, com dimensões de 20 a 23cm de comprimento
e 2 a 2,5cm de diâmetro, que podem
ser consumidos com casca. Dentre
as cultivares e híbridos mais cultivados estão Nikkey, Hokuhoo, Rensei
e Yoshinari. Dentro deste tipo, podem-se colocar também as cultivares
conhecidas como holandesas (pepino holandês), que são de cresci-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
mento indeterminado, ginóicas partenocárpicas, com frutos de coloração verde-escura com 16 a 18cm de
comprimento e 2 a 4cm de diâmetro.
Alguns híbridos recomendados
para cultivo protegido são Janeen e
Hatem.
Condução da cultura
O transplante das mudas deve ser feito
quando estas apresentarem de quatro a seis
folhas definitivas, num espaçamento de 100
x 50cm.
A planta deve ser conduzida tutorada
através do sistema de rede agrícola ou de
fitilho na vertical. Para tal, recomendam-se
estender dois fios de arame na horizontal,
o primeiro a 15cm e o segundo a 200cm do
nível do solo, com fitilhos na vertical por
onde as plantas serão tutoradas.
Colheita
A colheita inicia-se, normalmente, 40 a
45 dias após o transplante, prolongandose por aproximadamente 100 dias. Deve ser
realizada diariamente ou em dias alternados,
evitando-se deixar o fruto crescer além do
seu tamanho normal, pois isto pode acarretar problemas como a diminuição da produtividade, o aumento do número de frutos
tortos, dentre outros.
Enxertia
Trata-se de uma técnica que vem ganhando espaço dia-a-dia entre os melhores
produtores de pepino do cinturão verde
de São Paulo. Consiste em enxertar o pepino em uma cultivar de abóbora (Cucurbita
maxima, Cucurbita moschata ou um híbrido delas), obtendo-se, com isto, plantas
com maior resistência a doenças de solo e
a temperaturas extremas e frutos com um
brilho especial, devido à perda de sua cerosidade natural (Tsambanakis, 1984 e Cañizares, 1996). As cultivares de pepino tipo
japonês Ikky, Excit Ikky e Strong Ikky têm
sido as mais utilizadas atualmente.
PIMENTÃO
O pimentão é uma das culturas mais
indicadas para ser utilizada em ambiente
protegido (Takazaki, 1991), pela grande produtividade que pode ser alcançada nestas
condições, que, segundo Serrano Cermeño
(1990), pode variar de 80 a 150t/ha, com-
paradas a 40 a 60t/ha normalmente obtidas
ao ar livre. Acrescenta-se a isso a melhor
qualidade dos frutos, devido à maior proteção destes contra ataques de insetos,
queimadura do sol e chuvas pesadas, que
propiciam a obtenção de frutos maiores.
Temperatura
De modo geral, considera-se como temperatura ótima, para o bom desenvolvimento e produção do pimentão, a faixa de
20 a 30oC durante o dia e, de 15 a 20oC durante a noite, devendo-se evitar temperaturas
inferiores a 10oC e superiores a 35oC.
Umidade
A umidade relativa do ar ideal está compreendida na faixa de 50 a 70%. Segundo
Tivelli (1998), a cultura do pimentão é muito
sensível tanto à falta de água no solo como
a seu excesso. Durante o cultivo, o solo
deve ser mantido entre 70 e 80% da
capacidade de campo.
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Recomenda-se, também, retirar a primeira
flor que surge nesta primeira bifurcação, a
fim de se conseguirem maior produção e
qualidade dos futuros frutos.
Após determinar quantas hastes vão
ser conduzidas, devem-se retirar periodicamente as brotações que, por ventura,
estejam direcionadas para a parte interna
da planta.
Colheita
Inicia-se cerca de 80 a 100 dias após o
transplante, devendo ser realizada quando
os frutos apresentarem o máximo de desenvolvimento (com duas a três semanas de
idade), isto para a comercialização do fruto
verde. No caso da comercialização de frutos maduros, estes devem ser colhidos
quando apresentarem, em média, 50% de
sua superfície madura (com seis a sete semanas de idade).
ABOBRINHA-DE-MOITA
Cultivares e híbridos
No momento da escolha da cultivar/
híbrido de pimentão para plantio, deve-se
levar em conta o formato do fruto que se
deseja (cônico, quadrado ou retangular) e
a coloração (verde, vermelha, amarela, alaranjada, creme ou roxa). Têm-se, portanto,
várias opções que devem ser determinadas
pelo mercado que se pretende atender.
Podem ser utlizados híbridos como:
Acuário, Admiral, Amanda, Cardinal, Elisa,
Lilac, Luis, Magali, Marengo, Melody,
Orange Wonder, Safari, Zarco.
As abóboras normalmente apresentam
épocas em que o preço torna-se bastante
compensador, em decorrência da pequena
oferta em alguns períodos do ano (junho a
setembro e janeiro a fevereiro). A abobrinha
de moita distingue-se das demais abóboras,
pelo fato de suas hastes serem muito curtas
e relativamente grossas, facilitando, seu cultivo em ambiente protegido. Dessa forma,
conseguem-se contornar os dois principais
problemas na sua produção convencional:
baixas temperaturas e excesso de chuvas.
Condução da cultura
O transplante deve ser feito quando as
mudas estiverem com quatro a cinco folhas
definitivas.
O espaçamento a ser utilizado vai depender da condução a ser seguida. Segundo Tivelli (1998), para a condução em V ou
em espaldeira simples, recomenda-se a condução em linhas simples, com espaçamento
de 100 a 150cm x 30 a 50cm. Para a condução
em espaldeira dupla, recomenda-se a condução em linhas duplas, com espaçamentos de 60cm entre as linhas x 120cm
entre as linhas duplas x 20 a 50cm entre as
plantas.
Um trato cultural fundamental é a desbrota, que deve ser realizada de todos os
brotos laterais até a primeira bifurcação.
Abóboras não toleram temperaturas
baixas, entretanto, as muito elevadas são
também desfavoráveis, podendo acarretar
sérios problemas. De modo geral, temperaturas em torno de 25oC são consideradas
ideais.
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Temperatura
Cultivares e híbridos
Apesar de não existirem cultivares específicas para o cultivo em ambiente protegido, tem-se observado que os agricultores
que utilizam as cultivares convencionais
existentes no mercado, têm obtido boas
produtividades e qualidade de fruto. Para
tanto, são necessários alguns cuidados
especiais com a polinização, especialmente
no que se refere a uma boa população de
abelhas ou à polinização manual. Dentre
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as principais cultivares e híbridos utilizados
têm-se Alba, Atlanta, Bianca, Caserta, Clara, Clarinda, Novita, Golden Dawn e Gold
Rush.
Condução da cultura
As mudas devem ser transplantadas
quando estas apresentarem com duas a
três folhas verdadeiras.
Segundo Cardoso (1998), existem diversas opções de espaçamento, sendo as
principais: canteiros de 90cm de largura com
uma linha por canteiro e espaçamento de
60cm entre as plantas; plantio em linhas
duplas em canteiros de 110cm de largura,
com 60cm entre as linhas e 80cm entre as
plantas.
Colheita
Os frutos no ponto de colheita, normalmente, apresentam cerca de 200 a 250g e 18
a 20cm de comprimento. A colheita iniciase com aproximadamente 30 dias após o
transplante, podendo prolongar-se por 60
a 70 dias. A colheita deve ser feita diariamente ou em dias alternados.
FEIJÃO-VAGEM
Apresenta-se como uma adaptação do
feijão-comum, com variedades próprias ao
consumo como hortaliças, em que a parte
comestível é constituída pela vagem com
os grãos ainda tenros e imaturos.
Temperatura
É uma espécie muito sensível ao frio e
geadas, ocorrendo desta forma uma elevação dos preços em determinadas épocas
do ano. Temperaturas extremas podem provocar diversos distúrbios, principalmente
abortamento de flores e de frutos ainda
jovens. Desta forma, um bom manejo do
ambiente faz-se necessário. De maneira
geral, temperaturas na faixa de 20 a 30ºC
são consideradas favoráveis ao bom
desenvolvimento e produção do feijãovagem.
Condução da cultura
A semeadura deve ser realizada diretamente nos canteiros, em sulcos com aproximadamente 2cm de profundidade. Podese fazer o plantio em linhas simples em
canteiros de 90cm de largura e 50cm entre
as plantas, ou em linhas duplas em can-
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
teiros de 110cm de largura, 60cm entre as
linhas simples e 70cm entre as plantas.
Deve-se realizar um desbaste, a fim de
se conseguir o espaçamento desejado entre as plantas, deixando-se apenas uma
planta por cova. Como são plantas na grande maioria de crescimento indeterminado,
a condução vertical através de tutoramento
com fitilho e arame torna-se imprescindível.
Colheita
Deve ser realizada em dias alternados,
iniciando-se, aproximadamente 50 a 70 dias
após a semeadura, estendendo-se por cerca
de 60 dias.
As cultivares indicadas são tipo macarrão - Andra, Brasília, Favorito, Itatiba,
Preferido, dentre outras; tipo manteiga Alessa, Estrela, Atibaia, Senhorita.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O cultivo protegido consiste de uma
técnica que exige dedicação e conhecimento por parte de quem pretende utilizála. Constitui-se, em uma ferramenta que
pode trazer importantes retornos econômicos. No entanto, é necessário estudar o
mercado que se pretende atingir e a cultura
que se pretende trabalhar, para que isso
ocorra.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
69
Cultivo de hortaliças de flores
em ambiente protegido
Rumy Goto 1
Paulo César Costa 2
Resumo - Considerações acerca do crescimento e desenvolvimento das hortaliças de
flores em ambiente protegido, são feitas. Discute-se o aspecto fisiológico da cultura,
para adequar o seu cultivo neste tipo de sistema de produção. O planejamento e a
visão econômica precisam ser considerados, tendo em vista a área ocupada pela
planta ser relativamente grande nestas culturas. O ambiente que se forma dentro das
estruturas de proteção, como elevação da temperatura em algumas horas do dia,
poderia interferir na fisiologia das plantas, resultando em produtos de menor valor
comercial. Para tanto, o ideal é um estudo regionalizado para se avaliar, tanto técnica como economicamente, a viabilidade da sua exploração. Por outro lado, cultivar
estas espécies no sistema hidropônico é uma questão muito mais difícil por não
existirem ainda soluções testadas que possam atender às plantas nos estádios que
definem a formação das flores.
Palavras-chave: Couve-flor; Couve-brócolos; Brássicas.
As hortaliças de flores com maior expressão econômica são da família Brassicacea e dentre estas as mais importantes
são a couve-flor e a couve-brócolos.
No Brasil, com a introdução da tecnologia de cultivo de hortaliças em ambiente
protegido há aproximadamente 15 anos
(Goto, 1997), têm sido cultivadas principalmente as hortaliças do grupo de frutos
(solanáceas e cucurbitáceas), além de algumas folhosas e condimentares. Apenas alguns produtores, em pequena escala, têm
experimentado produzir outras hortaliças,
dentre elas, as brássicas.
Antes de discutir a viabilidade do cultivo de hortaliças de flores sob estufas, é
bom analisar o comportamento do mercado
com relação às culturas da couve-flor
(Gráfico 1) e couve-brócolos (Gráfico 2).
Observa-se uma clara semelhança de
comportamento da sazonalidade de preços
dessas duas hortaliças, que entram em declínio a partir de meados de fevereiro para
março, sofrendo algumas oscilações entre
julho e outubro e voltando a ter uma elevação a partir de novembro.
É importante ressaltar que nas épocas
de menor preço (junho/julho e setembro/
outubro), este fica em torno de US$ 0,50/kg,
enquanto que nas épocas de maior preço
(janeiro/fevereiro), atinge um máximo aproximado de US$ 1,00/kg.
Diante disso, é necessário muita reflexão para saber se realmente vale a pena
Sazonalidade dos preços de couve-flor
1,00
0,90
0,80
US$/kg
INTRODUÇÃO
0,70
0,60
0,50
0,40
0,30
JAN.
FEV.
MAR.
ABR.
MAIO
JUN.
JUL.
AGO.
SET.
OUT.
NOV.
DEZ.
Gráfico 1 - Oscilação de preços da couve-flor durante o ano
FONTE: CEAGESP.
1
Enga Agra, D.Sc., Profa Assist. UNESP-FCA, Caixa Postal 237, 18603-970 Botucatu-SP. E-mail: [email protected]
Engo Agro, M.Sc., Doutorando, Cons. Téc. UNESP-FCA - Depto Horticultura, Fazenda Experimental Lajeado, Caixa Postal 237, 18603-970
Botucatu-SP.
2
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70
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Sazonalidade dos preços de brócolos
1,10
1,00
US$/kg
0,90
0,80
0,70
0,60
0,50
0,40
JAN .
FEV.
MAR.
ABR.
MAIO
JUN.
JUL.
AGO.
SET.
OUT.
NOV.
DEZ.
Gráfico 2 - Oscilação de preços da couve-brócolos durante o ano
FONTE: CEAGESP.
investir neste tipo de cultivo com as hortaliças de flores. Para tanto, tentar-se-á descrever um pouco da fisiologia de crescimento
e desenvolvimento, a fim de dar uma noção
do comportamento dessas culturas em
ambiente protegido.
HÁBITO DE CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO
Ao se optar pelo cultivo de qualquer
hortaliça em ambiente protegido é necessário conhecer o hábito de crescimento e
de desenvolvimento das plantas; características estas influenciadas por fatores
como: temperatura, fotoperíodo, intensidade luminosa, época de cultivo, irrigação
e outros (Knott, 1951, citado por Kimoto,
1993).
Por serem originadas e domesticadas
em regiões de clima frio e/ou temperado,
as brássicas, em condições subtropicais
brasileiras, eram cultivadas somente no
inverno, ou seja, no período de março a
agosto. Contudo, com os programas de
melhoramento genético realizados por
pesquisadores brasileiros e pela introdução de híbridos resistentes ao calor, foi
possível contornar os problemas das cultivares precoces, relacionados com a formação prematura de cabeça, quando submetidas a um breve período de frio ocasional. Dessa forma, tornou-se possível
realizar o seu cultivo durante todo o ano,
proporcionando uma expansão gradativa
para as outras regiões do território bra-
sileiro (Athanázio, 1983, Maluf et al., 1988
e Kimoto, 1993).
Em geral, as brássicas obedecem uma
seqüência de crescimento e desenvolvimento, podendo ser dividida em quatro
estádios.
Couve-flor
No caso da couve-flor o primeiro estádio, considerado a fase de muda, compreende o período da germinação até cinco
a sete folhas definitivas (0 a 36 dias); o
segundo compreende a fase de expansão
das folhas externas (37 a 56 dias); o terceiro
estádio é caracterizado pelo desenvolvimento das folhas externas e pela diferenciação do primórdio floral (57 a 76 dias); e o
quarto estádio compreende o desenvolvimento do órgão chamado ”curd”, que é
o primórdio floral, conhecido como cabeça
(Kimoto, 1993). Esses dois últimos estádios
estão relacionados com a temperatura, estresse causado por transplante, cultivar/
híbrido e/ou estado nutricional. Portanto,
havendo a escolha errada do material a ser
plantado, todo o investimento ficará inviabilizado.
Não se tem notícia de plantios comerciais de couve-flor em ambiente protegido
em grande escala, pois a área ocupada por
uma planta é relativamente grande, uma vez
que o espaçamento normalmente utilizado
é 0,80 x 0,50m. As brássicas são, no entanto,
uma boa opção de rotação de culturas.
Utilizam-se mais as estruturas semicobertas, ou seja, somente com a cobertura
no teto e de pé-direito alto para promover
boa ventilação.
Ao se optar pelo plantio da couve-flor
em ambiente protegido, devem-se escolher
sempre os materiais mais adaptados ao
verão ou de meia-estação, os quais necessitam durante o terceiro e o quarto estádios
de temperaturas nunca abaixo de 20oC. Se
forem utilizadas cultivares/híbridos de
inverno, pode não ocorrer a formação da
cabeça, pois estas necessitam de temperaturas entre 14 e 20oC para induzir a diferenciação do primórdio floral e, dependendo
da região de cultivo, esta condição pode
não ser possível, dentro deste tipo de ambiente.
De acordo com o comportamento dos
preços apresentado anteriormente (Gráfico 1), conclui-se que no verão, quando
as temperaturas são mais elevadas e as chuvas mais intensas, o cultivo sob estufas
pode ser economicamente compensador.
Em outras épocas a utilização deste tipo de
cultivo seria inviável, pois há muita oferta
do produto de cultivo convencional, tendo
em vista a maioria das regiões produtoras
apresentar inverno seco e temperaturas
amenas.
As cultivares/híbridos mais recomendadas para cultivo protegido são: Shiromaru
II, Miyai, Verona, Mogiano, Piracicaba
Precoce.
Manejar o ambiente de cultivo é muito
importante. Se o objetivo for plantar no verão, devem-se sempre utilizar estruturas
sem as cortinas laterais, para que haja uma
boa ventilação e redução da temperatura.
Em situações de condições extremas
muito frias, para evitar geadas, a estrutura
deverá ser normal com fechamento lateral
ou com simples tela de proteção, plantando-se cultivares/híbridos de inverno,
como Shiromaru III, ou de outono.
Couve-brócolos
Possui estádios de crescimento e desenvolvimento muito semelhantes ao da
couve-flor, diferindo somente em relação ao
terceiro e quarto estádios, que no caso da
couve-brócolos compreende à diferen-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
ciação e desenvolvimento dos botões florais.
A parte comercial da planta, deno-minada
de cabeça, na couve-brócolos é composta
por um conjunto de botões florais
acompanhado de um pedúnculo tenro e fino.
Os comentários feitos para se cultivar
a couve-flor em ambientes protegidos, são
também válidos para a couve-brócolos.
As cultivares/híbridos de verão indicadas são: Ramoso Santana de Verão, Condor, Piracicaba Precoce e Flórida. Tem-se
ainda algumas opções de híbridos de brócolos do tipo cabeça única, tais como: Baron e Sabre. No entanto, na nossa opinião,
o tipo ramoso poderá ter um valor econômico melhor, pois proporciona um período
maior de colheita.
Em locais de inverno rigoroso com geadas fortes, como na região Norte de Portugal, a utilização de coberturas por cerca de
seis semanas após o transplante, ou seja,
até o terceiro estádio, para estimular a expansão das folhas de couve-brócolos, resultou num aumento de produtividade entre
30 e 90% e antecipação da colheita em
quatro a dez dias, com bom retorno do investimento inicial (Abrantes, 1997). Este
autor relata também a utilização de coberturas semitransparentes, conhecidas no
mercado como “tecido não tecido”, que
proporcionam um ligeiro aumento de temperatura no solo e na parte aérea da planta,
com efeito positivo sobre o crescimento e
o desenvolvimento da couve-brócolos.
CULTIVO HIDROPÔNICO DE
HORTALIÇAS DE FLORES
No caso de cultivo de brássicas em sistema hidropônico, é necessário que se estabeleça um bom balanço de solução nutritiva
e se conheça as curvas de crescimento, o
acúmulo de biomassa seca em função da
idade das plantas, além da quantidade de
nutrientes extraída por elas. O balanço de
nutrientes da solução deve ser similar à
relação entre os diversos nutrientes encontrados nas plantas, em cada fase de desenvolvimento.
Pelo fato de cada estádio de desenvolvimento ter particularidades com relação à
absorção dos nutrientes, o balanço de
nutrientes das soluções nutritivas deve
mudar durante o ciclo das plantas, acompanhando as exigências nutricionais delas.
Aconselha-se o uso de pelo menos
duas soluções nutritivas diferentes no
cultivo do brócolos e da couve-flor, sendo
uma correspondente ao desenvolvimento
da planta até o início da formação de cabeça
e outra desde a formação de cabeça até o
final do ciclo da cultura. Na fase de formação de mudas, deve-se preocupar com o
fornecimento de maior quantidade de
fósforo e menor quantidade de nitrogênio,
evitando-se assim o estiolamento das
mudas. Um fator importante para uma boa
produção em brássicas é um bom desenvolvimento das folhas externas, tanto em área
como em número de folhas. Logo, no início
do desenvolvimento, devem ser fornecidos
em maiores quantidades às plantas, os
nutrientes que contribuem para um maior
desenvolvimento das folhas externas, como nitrogênio, potássio, cálcio e fósforo.
Na fase de formação de cabeças e nas fases
seguintes, recomenda-se o uso de soluções nutritivas que contenham menores
quantidades de nitrogênio.
Antes da formulação de uma solução
nutritiva, devem-se fazer análises químicas
de tecidos em cada fase de desenvolvimento da cultura de modo que se tenha
melhor conhecimento possível sobre a
relação entre os nutrientes nas plantas, de
acordo com a idade delas. Com base nesses
dados procede-se a formulação da solução
nutritiva com balanços de nutrientes próximos àqueles encontrados em tecidos.
A concentração da solução nutritiva
deve ter valores de condutividade elétrica
que oscilem entre 2 e 3mS/cm e valores de
pH variando de 5,5 a 6,5.
As fontes de nutrientes comumente
utilizadas são: nitrato de cálcio, nitrato de
potássio, cloreto de potássio, cloreto de
cálcio, fosfato mono-amônio, fosfato diamônio, sulfato de magnésio, sulfato de
amônio, uréia, cloreto de zinco, cloreto de
cobre, ácido bórico, ácido molibdico,
cloreto de manganês e o complexo ferroEDDHA.
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71
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O cultivo de hortaliças de flores em
ambiente protegido ainda não é amplamente
utilizado. Existem algumas experiências no
campo, como foi visto em recente visita a
um produtor na região de Brasília (DF). As
pesquisas com hortaliças de flores em cultivo protegido nas instituições, tanto de
pesquisa como de ensino no Brasil, também são raras, a não ser quando um pesquisador objetiva elaborar um programa de
melhoramento ou de produção de sementes. São necessárias pesquisas não só na
área técnica, mas um estudo econômico para
se avaliar a relação entre custo e benefício.
Em se falando do cultivo deste grupo
de hortaliças no sistema hidropônico, a
questão se torna ainda mais complicada,
pois não se tem conhecimento desse tipo
de exploração até o momento.
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Genética, Ribeirão Preto, v.11, p.905920, 1988.
72
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Estruturas para o cultivo hidropônico
Pedro Roberto Furlani 1
Luis Cláudio Paterno Silveira 2
Denizart Bolonhezi 3
Valdemar Faquin 4
Resumo - Enfocam-se os componentes básicos das estruturas que compõem os principais sistemas hidropônicos e as vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de
canais de cultivo usados. São apresentadas instruções básicas relacionadas com o dimensionamento apropriado dos componentes básicos necessários para o estabelecimento de culturas de hortaliças de folhas e de frutos, incluindo a produção de
mudas.
Palavras-chave: Canal de cultivo; Dimensionamento hidráulico; Fluxo de solução de
nutrientes; Hortaliças de folhas; Hortaliças de frutos.
INTRODUÇÃO
A hidroponia, termo derivado de duas
palavras de origem grega - hidro, que significa água, e ponia, que significa trabalho está-se desenvolvendo rapidamente como
meio de produção vegetal, principalmente
de hortaliças sob cultivo protegido. A hidroponia é uma técnica alternativa de cultivo protegido, na qual o solo é substituído
por uma solução aquosa, que contém apenas os elementos minerais essenciais aos
vegetais (Graves, 1983, Jensen & Collins,
1985 e Resh, 1996).
Para a instalação de um sistema de
cultivo hidropônico é necessário que se
conheçam detalhadamente as estruturas
básicas necessárias que o compõem
(Castellane & Araújo, 1994, Cooper, 1996,
Faquin et al., 1996, Martinez & Silva Filho,
1997 e Furlani, 1998). Os tipos de sistema
hidropônico determinam estruturas com
características próprias, sendo que os mais
utilizados são:
a) nutrient film technique (NFT) ou técnica do fluxo laminar de nutrientes:
este sistema é composto basicamente de um tanque de solução nutritiva, de um sistema de bombeamento, dos canais de cultivo e de
um sistema de retorno ao tanque. A
solução nutritiva é bombeada aos
canais e escoa por gravidade, formando uma fina lâmina de solução
que irriga as raízes;
b) deep film technique (DFT) ou cultivo
na água, ou floating: neste sistema
a solução nutritiva forma uma lâmina
profunda (5 a 20cm), onde as raízes
ficam submersas. Não existem canais
e sim uma mesa plana onde circula a
solução, através de um sistema de
entrada e drenagem característicos;
c) com substratos: este sistema é para
hortaliças frutíferas, flores e outras
culturas que têm o sistema radicular
e a parte aérea mais desenvolvidos.
Utilizam-se vasos cheios de material
inerte, como areia, pedras diversas
(seixos, brita), vermiculita, perlita, lã
de rocha, espuma fenólica, espuma
de poliuretano e outros para a sustentação da planta, onde a solução
nutritiva é percolada através desses
materiais e drenada pela parte inferior
dos vasos, retornando ao tanque de
solução.
A seguir são fornecidos os detalhes
estruturais de cada sistema, bem como os
pormenores de montagem e manutenção
destas estruturas.
SISTEMA HIDRÁULICO
Para os sistemas hidropônicos devemse selecionar os materiais hidráulicos existentes no mercado mais adequados para
atender às exigências de cada sistema de
cultivo, garantindo o abastecimento de
solução nutritiva com qualidade e segurança. Para isso, utilizam-se tubos de plástico de polietileno não-reciclado (flexível)
ou de cloreto de polivinila (PVC rígido) e
registros fabricados com materiais inertes.
O sistema hidráulico é responsável pelo
armazenamento, recalque e drenagem da
solução nutritiva, sendo composto de um
1
Engo Agro, Ph.D., Pesq. Cient., IAC-CSRA/Bolsista CNPq, Caixa Postal 28, CEP 13001-970 Campinas-SP. E-mail: [email protected]
Engo Agro, M.Sc., Assist. Téc. IAC - Estação Experimental de Agronomia em Pindorama, Caixa Postal 24, CEP 15830-000 Pindorama-SP.
3
Engo Agro, Pesq. Cient. IAC - Núcleo de Agronomia da Alta Mogiana, Caixa Postal 271, CEP 14001-970 Ribeirão Preto-SP.
4
Engo Agro, D.Sc., Prof. Tit. UFLA-Depto Ciência do Solo, Bolsista CNPq, Caixa Postal 37, CEP 37200-000 Lavras-MG. E-mail: [email protected]
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
ou mais reservatórios de solução, do conjunto motobomba e dos encanamentos e
registros.
Reservatórios
Os reservatórios ou tanques de solução
podem ser construídos de diversos materiais, como plástico PVC, fibra de vidro
ou de acrílico, fibrocimento e alvenaria. Os
tanques de plástico PVC e de fibra têm sido
os preferidos, devido ao menor custo, facilidade de manuseio e, por serem inertes,
não necessitam de qualquer revestimento
interno. Já os tanques construídos em alvenaria, bem como as caixas de fibrocimento,
necessitam do revestimento interno com
impermeabilizantes destinados a este fim.
O mais comumente utilizado e com bons
resultados é a tinta betuminosa (Neutrol),
mas pode-se optar pela impermeabilização
com lençol plástico preto. Sem estes cuidados a solução nutritiva, por ser corrosiva,
será contaminada por elementos presentes
na composição destes materiais.
O depósito deve ser colocado em local
sombreado e enterrado, para evitar a ação
dos raios solares, além de ser vedado para
evitar a formação de algas e a entrada de
animais de pequeno porte. Sua instalação
deve ser, preferencialmente, abaixo do nível
da tubulação de drenagem, facilitando o
retorno da solução por gravidade.
A capacidade do reservatório vai depender do número de plantas e da espécie
que será cultivada. Deve-se obedecer um
limite mínimo de 0,1 a 0,25l/planta para
mudas, de 0,25 a 0,5l/planta, para plantas de pequeno porte (rúcula, almeirão), de
0,5 a 1,0l/planta para as de porte médio (alface, salsa, cebolinha, agrião, manjericão,
morango, cravo, crisântemo), de 1,0 a 5,0l/
planta para plantas de maior porte (tomate,
pepino, melão, pimentão, berinjela, couve,
salsão etc.). Quanto maior a relação entre
o volume do tanque e o número de plantas nas bancadas, ocorrerão menores variações na concentração e temperatura da
solução nutritiva. Entretanto, não se recomenda a instalação de depósitos com capacidade maior do que 5.000l, devido à maior
dificuldade para o manejo químico (correção do pH e da condutividade elétrica (CE))
e oxigenação da solução nutrititiva. Em
caso de contaminação por patógenos, um
grande número de plantas será perdido,
pois um só tanque estará em contato com
muitas bancadas de cultivo. Recomendase a utilização de maior número de reservatórios pequenos ao invés de poucos
tanques de grande volume, pois facilita e
agiliza o manejo, o controle fitossanitário
(atendimento do período de carência do defensivo usado) e a limpeza e desinfecção
de todo o sistema, com conseqüente
aumento de qualidade do produto final.
Normalmente, o reservatório é instalado
na parte mais baixa do terreno para permitir
que o retorno da solução ocorra por gravidade. Poucos produtores utilizam dois
depósitos: o tanque principal na parte mais
alta, utilizando-se a gravidade para levar a
solução aos canais de cultivo, e um depósito menor na parte baixa do terreno, de
onde é feito o bombeamento da solução
coletada, para o tanque principal. O uso de
dois depósitos (superior e inferior) tem
propiciado dificuldades no manejo químico
da solução nutritiva, aumentos na sua
temperatura e no custo de implantação.
Motobomba e encanamentos
Este conjunto tem a função de levar a
solução nutritiva às bancadas em quantidade suficiente para a irrigação das raízes,
bem como conduzir a solução de volta ao
tanque após a passagem pelas bancadas.
Recomenda-se instalar a motobomba “afogada”, ou seja, abaixo da metade da altura do reservatório, para impedir a entrada
de ar no sistema e conseqüente falha no
bombeamento, o que pode causar danos
às plantas. É recomendável a escolha de
bombas, cujos elementos internos sejam
resistentes à corrosão pela solução nutritiva.
Para qualquer sistema NFT, a capacidade de vazão do conjunto motobomba
deve ser dimensionada de acordo com o
número de canais que será irrigado, considerando-se a altura manométrica e o retorno
de solução ao tanque. Para fins práticos,
recomenda-se uma vazão de solução nutritiva nos canais de cultivo de 0,5, 1,5 e
5,0l/min por canal, respectivamente, para
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 7 2 - 8 0 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
73
mudas, plantas de ciclo curto e de ciclo
longo. O resultado da multiplicação da
vazão necessária pelo número de canais a
ser irrigado fornece a quantidade mínima
de litros por minuto para a irrigação das
plantas. Considerando-se as perdas de
carga nas tubulações, a altura manométrica
de recalque e principalmente a necessidade
do retorno de parte da solução ao tanque
de armazenamento, aconselha-se aumentar
em 50% a vazão calculada.
Para sistemas de floating obedecemse as mesmas regras de dimensionamento
do sistema hidráulico para NFT, porém
neste caso não há canais de cultivo e sim
mesas de solução. Desse modo, o cálculo
é feito de acordo com o fluxo de água que
deve circular pela bancada num determinado espaço de tempo. Resh (1995) recomenda efetuar a cada hora, uma ou duas
trocas completas do volume de solução
presente na bancada. Para uma bancada
com 1.000l de solução deve-se fazer circular de 1.000 a 2.000l/h. Porém, outros
manejos podem ser feitos, dependendo da
temperatura da solução, permitindo-se em
alguns casos a circulação durante alguns
minutos por hora.
O retorno da solução para o tanque dáse por duas vias: pela tubulação de drenagem e pelo retorno instalado no encanamento de recalque. O retorno da solução
ao tanque, via tubulação de drenagem,
promove uma certa movimentação e aeração
da solução nutritiva, mas a difusão do
oxigênio é apenas superficial. Para a oxigenação adequada de todo volume do
tanque, deve-se efetuar o retorno de parte
da solução succionada de volta ao tanque
(Fig. 1). Neste retorno, instala-se um dispositivo tipo venturi, para a introdução de ar
na solução nutritiva armazenada no depósito. A construção do venturi é bastante
simples: primeiro restringe-se o diâmetro
do cotovelo de retorno colocando-se um
tubo interno de menor diâmetro; externamente reveste-se o cotovelo com um outro
tubo de diâmetro maior, fazendo-se um furo
pequeno na lateral para a entrada do ar,
que será succionado automaticamente pela
passagem de solução pelo tubo interno
(Fig. 2). Para qualquer sistema hidropônico
74
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Tubulação de
retorno das
bancadas
Retorno da
motobomba
Recalque
para as
bancadas
Venturi
(Fig. 2)
Registros
Solução
nutritiva
Motobomba
Reservatório
Sucção
Figura 1 - Esquema do reservatório, motobomba e encanamentos de recalque e
drenagem de solução
Cotovelo
Tubo interno
ao cotovelo
Retorno da
bomba
vegetal e com o tipo de canal utilizado. A
altura e a largura da bancada variam de
acordo com a espécie vegetal: até 1,0m de
altura e 2,0m de largura para mudas e
plantas de ciclo curto (hortaliças de folhas)
e até 0,2m de altura e 1,0m de largura para
plantas de ciclo longo (hortaliças de frutos),
suficientes para uma pessoa trabalhar de
maneira confortável nas laterais da mesa,
facilitando as operações de transplante, os
tratamentos fitossanitários quando necessários, os tratos culturais, a colheita e a
limpeza da mesa. O comprimento da mesa
de cultivo não deve exceder os 30m, para
evitar variações na temperatura e nos níveis
de oxigênio e de sais da solução nutritiva
ao longo do canal de cultivo. Além disso,
como normalmente há um desnível da mesa
entre 2 e 4%, bancadas muito extensas
instaladas em terreno plano ficam com sua
parte final muito próxima ao solo, prejudicando o manejo e o escoamento da solução para o tanque de armazenamento e
aumentando os riscos de contaminações
via solo.
Base de sustentação para os
canais de cultivo
Espaço
vazio
Passagem da solução
succionando o ar para
dentro do tubo
Ar
Furo para
entrada de
ar
Tubo externo
ao cotovelo
Solução
oxigenada
Figura 2 - Montagem de um dispositivo tipo venturi
a aeração da solução é obrigatória, mas nas
bancadas de floating esta necessidade é
ainda maior.
BANCADAS OU MESAS DE
CULTIVO
As bancadas para hidroponia são
compostas de suportes de madeira ou outro
material, formando uma base de sustentação para os canais de cultivo, que podem
ser de diversos tipos. Também fazem parte
da bancada os materiais para sustentação
das plantas que são colocados sobre os
canais. As dimensões das bancadas normalmente obedecem a certos padrões, que
podem variar de acordo com a espécie
Para os diversos sistemas de cultivo
têm-se diferentes tipos de bancadas, no
entanto, os suportes para os canais, vasos
com substrato ou para o floating podem
ser semelhantes. Normalmente esta base é
construída de madeira, utilizando-se
caibros parafusados em forma de “U”
invertido e enterrados no solo (Fig. 3).
Pode-se optar também pela utilização de
cavaletes removíveis ou por estruturas
metálicas (alumínio, aço zincado, ferro),
além de madeira roliça. A montagem da base deve ser de tal modo que determine o
desnível necessário para os canais, para
que haja o escoamento da solução, por
gravidade, através das raízes. Para as
bancadas de floating deve-se instalar a
base perfeitamente nivelada. A altura da
base vai depender da espécie vegetal, conforme já discutido.
Canais de cultivo
Os canais de cultivo, por onde escoa a
solução nutritiva, são importantes para o
sucesso do sistema NFT. A conformação
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
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Telhas de fibrocimento
Travessa
12345
12345
12345
12345
12345
Porca
Parafuso
12345
12345
12345
12345
12345
Caibro
± 1m
Nível do
solo
± 40 cm
1,8 a 2,0 m
Figura 3 - Suporte de madeira construído com caibros e travessa parafusados e
enterrados no solo
do canal, sua profundidade e largura
influenciam na qualidade do produto final
colhido. Diversos são os tipos de canais
que podem ser utilizados.
Filme de polietileno/arame
A Figura 4 ilustra a montagem deste
tipo de canal de cultivo para plantas de
ciclo curto. As bancadas de filme plástico
são de construção barata porém trabalhosa,
de difícil manuseio e manutenção e não
permitem variações no espaçamento dos
canais. Apesar dos bons resultados que
promovem, são cada vez menos utilizadas.
Para plantas de porte maior, os canais dispensam a base de arame para sustentação do filme plástico, pois são apoiados
diretamente em pequenas valetas abertas
no terreno, como será discutido mais adiante.
Travessa
Filme de
polietileno
Suporte das
plantas
Canal
Furo
Arame
galvanizado
Mourão
As telhas de fibrocimento com ondas
rasas (2,5cm de altura e espaçadas de 7,5cm)
são indicadas para a produção de mudas.
Para algumas culturas de pequeno porte,
como a rúcula, o almeirão e o agrião, este
tipo de canal serve para a condução das
plantas até a fase de colheita. A bancada é
construída colocando-se as telhas de maneira que fiquem com as extremidades
encostadas umas nas outras ou sobrepostas (Fig. 5). Normalmente, possuem
0,5m de largura por 2,44m de comprimento
e, portanto, utilizam-se três fileiras (largura = 1,5m) ou quatro fileiras (largura = 2,0m),
colocadas paralelamente até atingir o
comprimento pretendido. São relativamente baratas, mas necessitam de atenção
na montagem, sendo necessário revestir
as telhas com filme plástico para evitar o
contato da solução nutritiva com o cimento
amianto e também vazamentos. Recomenda-se o mesmo tipo de filme plástico
usado para a cobertura da estufa, porém
com no máximo 100 micras de espessura
para facilitar a sua colocação sobre a telha.
A desvantagem que apresentam é a limitação no espaçamento das linhas da cultura, que vai sempre obedecer a múltiplos
de 7,5cm.
As telhas com ondas maiores (5cm de
altura e espaçadas de 18cm) também são
utilizadas para o cultivo de plantas de ciclo
curto como: alface, salsa, cebolinha, almeirão, salsão, morango e outras. Necessitam
dos mesmos cuidados citados anteriormente para a montagem das telhas com
ondas rasas e apresentam as mesmas
limitações no espaçamento adequado das
culturas. Os calhetões, que são as telhas
grandes utilizadas em grandes barracões,
podem ser empregados para o cultivo de
hortaliças frutíferas, como pepino, tomate,
pimentão e muitas outras. Podem ser utilizados também nos cultivos com substratos, sendo preenchidos com areia, pedra,
argila expandida, flocos de lã de rocha ou
de espuma fenólica.
Tubos de PVC
Figura 4 - Bancada de fios de arame galvanizado e filme de polietileno
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Os canos de PVC utilizados para esgoto
(tubos brancos ou pretos) ou irrigação
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Suporte das
plantas
Sobreposição
Furos
Canal
Figura 5 - Telhas de fibrocimento com as extremidades sobrepostas para formar os
canais
solução com o PVC, pode-se revestir internamente o canal de cultivo com filme
plástico (o mesmo tipo usado para revestimento das telhas de fibrocimento).
Assim, evita-se qualquer contaminação da
solução nutritiva pelo contato com o PVC.
Também, é aconselhável a pintura externa
dos canos brancos com tinta de coloração
alumínio, para evitar entrada de luz e o
aquecimento. Bancadas construídas com
estes canais são muito versáteis, pois o
usuário pode variar o espaçamento das
linhas de cultivo e a profundidade do canal,
de acordo com a cultura e sua fase de
desenvolvimento. Além disso são leves,
de fácil limpeza e não exigem estruturas
muito robustas para a sua sustentação.
Tubos de polipropileno
(azuis) são ainda os mais encontrados em
sistemas de hidroponia NFT. Serrando-se
os canos ao meio obtêm-se dois canais de
cultivo com profundidade igual à metade
do diâmetro do tubo (Fig. 6). Podem-se unir
quantos canais forem necessários, para
isso utiliza-se cola para encanamentos,
silicone e, se necessário, arrebites.
Os canais de PVC servem para todas as
fases de desenvolvimento das hortaliças
mais cultivadas. Normalmente, para mudas
utilizam-se os tubos de 40 a 50mm, para
fase intermediária os de 75 a 100mm e para
a fase definitiva ou produção os de 100 a
200mm, dependendo da espécie cultivada.
Para facilitar a limpeza e evitar contato da
Suporte das
plantas
Furos
Canal
Tubo de
cortado
PVC
cortado
Fixação na
ripa da
bancada
Canaleta de
retorno coleta
Base
Camada de
silicone
Tubo de
PVC
Emenda com
arrebites
Figura 6 - Bancada de canos de PVC, mostrando também a canaleta de retorno de
solução e a fixação do suporte das plantas à bancada.
NOTA: No detalhe, a união dos tubos
Estes têm o formato semicircular e são
comercializados nos tamanhos pequeno
(50mm), médio (100mm) e grande (150mm),
já contendo furos para a colocação das
mudas no espaçamento escolhido (Fig. 7).
Embora o uso desses tubos seja muito recente, tem apresentado bons resultados
práticos tanto para mudas, plantas maiores
ou mesmo para culturas de maior porte, com
resultados semelhantes aos obtidos com
tubos de PVC, com exceção da limpeza que
é mais difícil. Para alface e rúcula, estes perfis hidropônicos têm sido instalados na
posição normal, ou seja, com a parte chata
para cima, o que dá maior apoio para as
folhas. Para plantas frutíferas, de porte
maior, pode-se optar por montar os tubos
com a parte achatada para baixo, o que
propicia uma maior área para o desenvolvimento do sistema radicular. Por serem de
polipropileno, dispensam o revestimento
interno, são mais fáceis de emendar, pois já
vêm com os encaixes e apresentam todas
as vantagens dos tubos de PVC.
Canais individuais
Como opção para culturas de sistema
radicular e parte aérea maiores, podem-se
confeccionar os canais sobre o solo ou,
preferencialmente, sobre uma base baixa.
Para tal, faz-se o acerto da declividade do
solo onde será disposto o canal e, em
seguida, estica-se um fio de arame entre
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
77
Maior área para
apoio das
folhas
Furos
Maior área de
apoio sobre a
base
Perfil
hidropônico na
posição normal
Perfil
hidropônico na
posição
invertida
Base
Figura 7 - Perfis hidropônicos nas duas posições utilizadas
dois mourões, com o auxílio de esticadores,
de modo que o mesmo fique a uma distância
de aproximadamente 20cm do solo ou da
base. Sobre o solo ou a base de sustentação, estende-se o plástico de dupla face
(preto e branco) (Duplalon), com a face
branca para fora, ou duas camadas de fil-
Floating ou piscina
me plástico, o transparente primeiro e depois o preto, que são dobrados para cima e
presos ao varal de arame, formando um
canal de fundo chato e formato triangular
(Fig. 8). A entrada de solução nos canais
dá-se por uma linha de canos que percorre
a cabeceira dos canais e o escoamento
Tubo de
alimentação
Presilhas
Espaços para
as plantas
Escoamento
Entrada de
solução
15-20
cm
Arame
esticado
10-20 cm
Filme plástico
Canaleta de
drenagem
Escora
Figura 8 - Canal feito sobre o solo com filme plástico dobrado e fixado com presilhas
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ocorre por gravidade até a canaleta de drenagem, que leva ao depósito de solução
em nível inferior, enterrado ou não, de acordo com o terreno. Estes canais também
podem ser utilizados com substrato sólido.
Este tipo de estrutura tem sido usado para
o cultivo de tomate, pepino, pimentão e de
outras hortaliças de maior porte, pois fica
mais fácil a sustentação e condução da parte
aérea, uma vez que as plantas estão no nível
do solo, adaptando-se aos sistemas de
tutoramento apropriados para essas culturas. Além disso, as extremidades das
plantas ficam mais afastadas do teto da
estufa, onde se acumula o ar quente que
pode prejudicar o desenvolvimento vegetal,
notadamente o florescimento.
No sistema DFT não existem canais, mas
sim uma mesa ou caixa rasa nivelada, onde
permanece uma lâmina de solução nutritiva. Os materiais utilizados para sua construção podem ser madeira, plástico e fibras
sintéticas (em moldes pré-fabricados).
A altura da lateral da caixa de cultivo
deve ser de 10 a 15cm, dependendo da lâmina desejada, que normalmente varia de 5
a 10cm. O suporte da mesa também pode
ser de madeira ou de outros materiais, como
descrito para as bancadas do sistema NFT.
Para a manutenção da lâmina de solução,
deve-se instalar um sistema de alimentação
e drenagem compatíveis, ou seja, a drenagem sempre maior ou igual à entrada de
solução, para se manter o nível da lâmina.
Podem-se fazer os drenos através de furos
nas laterais da caixa, conectados ao sistema
de retorno ao tanque. Outra opção é fazer
apenas as saídas de fundo, instalando-se
uma ou mais flanges de acordo com a vazão
de entrada. Nestas flanges adapta-se um
pedaço de cano de PVC na altura desejada
para a lâmina. Adicionalmente, deve-se
instalar uma saída no fundo da mesa para a
drenagem total em caso de limpeza e troca
de solução. A entrada de solução pode ser
feita através de vários pontos na lateral da
mesa ou por um cano perfurado e submerso
na lâmina de solução, alocado na parte
central da mesa e que percorra toda sua
extensão (Fig. 9).
78
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Dreno de fundo
Lateral da mesa (15
a 20 cm)
Drenagem lateral
(nível fixo)
Saída com
adaptador de
nível da solução
Fundo
Entrada lateral de
solução
Entrada superior de
solução
Venturi
Tampa
Tubo de
alimentação
submerso
Solução injetada
Base
Figura 9 - Mesa de floating mostrando as opções de drenagem e alimentação laterais ou de fundo
Como nesse sistema as raízes das plantas permanecem submersas na solução
nutritiva por todo o período de cultivo, a
oxigenação da solução merece especial
atenção, tanto no depósito, quanto na caixa
de cultivo. A instalação de um venturi na
tubulação de alimentação (Fig. 9) permite
uma eficiente oxigenação na lâmina de solução.
Para as mesas pré-fabricadas em material plástico ou fibra de vidro e com revestimento interno, não é necessária a impermeabilização, mas naquelas feitas de
madeira devemos cobrir o fundo e as laterais
com dois filmes plásticos, sempre o preto
por baixo e o de polietileno tratado contra
radiação ultravioleta (UV) por cima, para
conferir resistência aos raios solares.
Este sistema DFT, muito usado para a
produção de mudas em bandejas de isopor, contendo substratos de algodão ou
vermiculita, pode apresentar as seguintes
vantagens sobre o sistema NFT, quando
utilizado para a produção de plantas adultas:
a) promover menor variação da temperatura da solução havendo exemplos de uso no exterior (Flórida, Ilhas
do Caribe), sendo pouco comum no
Brasil;
b) possibilitar automação na reposição
de água através de bóia automática
que mantém a altura da lâmina constante;
c) promover menor variação nas concentrações dos nutrientes, devido à
maior relação litros de solução por
planta, comparado ao sistema NFT,
facilitando o manejo químico da
solução nutritiva.
As desvantagens estão relacionadas
com a necessidade de maior volume inicial
de solução nutritiva por planta, maior risco
de aparecimento de algas se o sistema não
for devidamente protegido da luz solar, e
risco de desequilíbrio nutricional ocasionado por uso prolongado da mesma solução, devido a componentes químicos que
a própria água pode conter. Além disso,
neste tipo de cultivo também ocorrem os
riscos com a disseminação de doenças
radiculares, com perdas totais das plantas.
Com substrato
Dependendo do tipo de substrato utilizado para a sustentação das plantas podem-se utilizar as bancadas de canais.
Normalmente, as telhas são utilizadas,
quando o substrato é cascalho, areia, seixos, pedra britada, argila expandida, cacos
de cerâmica, casca de arroz carbonizada e
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
outros. O uso dessa técnica tem sido restrito, devido ao aquecimento do substrato
e da solução e desenvolvimento de algas
pela incidência direta dos raios solares. A
permanência de raízes após a colheita
também é indesejável, pois favorece o desenvolvimento de microrganismos. Além
disso, na colheita de hortaliças de folhas
com as raízes intactas, colhe-se também um
pouco do substrato, depreciando o produto.
Quando se usa lã de rocha ou espuma fenólica, podem-se utilizar os canais de
PVC e os individuais (próximos ao solo).
Nestes casos não se dispensa a cobertura
dos canais para proteção do bloco de lã de
rocha ou de espuma, sem a qual o desenvolvimento de algas seria muito grande. As
plantas são enraizadas nestes substratos
e os intervalos de irrigação podem ser mais
espaçados, ou seja, poucos intervalos de
irrigação durante o dia são suficientes,
porque o substrato retém umidade. O sistema de irrigação pode ser semelhante ao
do NFT, mas pode-se também optar pela
irrigação individual dos blocos de substrato com mangueiras finas (tipo espaguete)
ou por gotejamento. Estas opções tem sido
usadas para o cultivo de tomate e pepino
(Papadopoulos, 1991, 1994).
Quando se utiliza a areia lavada, vermi-
79
culita ou perlita, como substrato de enraizamento, é necessário o cultivo das plantas em sacos ou vasos de plástico. Para
hortaliças de frutos, os vasos com areia
são bastante utilizados e o sistema é
simples: os recipientes são colocados sobre uma base de sustentação baixa, para
evitar o contato com o solo e permitir que
se instale o sistema de drenagem. Uma linha de alimentação de solução percorre a
seqüência de vasos, injetando um determinado volume durante um certo tempo. A
solução percolará pelo substrato, irrigando as raízes e o excesso será drenado pelo
fundo ou pela lateral do vaso. Pode haver
retorno de partículas sólidas pela linha de
drenagem, recomendando-se o uso de um
filtro (Fig. 10). A freqüência de irrigação
será determinada pela capacidade de retenção de umidade do substrato ou pela
demanda da evapotranspiração.
COBERTURA DOS CANAIS E
FIXAÇÃO DAS PLANTAS
Para a fixação das plantas e bloqueio
dos raios solares nos canais de cultivo ou
no floating, podem ser usados isopor,
filmes plásticos ou de embalagens tipo
longa vida (Tetra Pak) e outros materiais
sintéticos, furados no espaçamento dese-
jado. Nos vasos e canais com substrato,
de maneira geral, não é utilizado nenhum
material para cobertura.
Nos canais de filme de polietileno/arame, nos de telhas e no floating, o isopor é
utilizado na forma de placas de 1,5 ou 2,0cm
de espessura, cobrindo toda a superfície
da bancada, sendo furado apenas nos
locais das plantas. É necessária a fixação
destas placas com fios de nylon, fitilhos
ou ripas para evitar danos pela ação dos
ventos. Nos tubos de PVC cortados ao
meio, pode-se utilizar o isopor em fitas
encaixadas no interior dos canais, conferindo uma economia no consumo desse
material de cobertura. Estas fitas podem ser
cortadas no centro de cada furo, de modo
que facilite a colheita (Fig. 11). Quando as
plantas são retiradas, estas partes separamse, deixando que as raízes saiam facilmente
do interior do canal. Têm sido estudadas
alternativas ao isopor, pois este se quebra
com relativa facilidade (principalmente na
colheita) e também por ser um tipo de
material que contém CFC (cloro-fluorcarbono), portanto nocivo à camada de
ozônio.
O filme plástico de dupla face (Duplalon) vem sendo utilizado em substituição ao isopor com vantagens: é mais
barato e de fácil instalação, pois basta
Mangueira
individual
Filtro
Vaso
Tubulação de
alimentação
Retorno
Recalque
Dreno lateral
(opcional)
Substrato
Linha de
drenagem
Dreno de fundo
Figura 10 - Esquema simplificado de um sistema de vasos
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Reservatório
80
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Parte aérea
Junção das
peças
Raízes
Canal de
PVC
Furo formado
no encaixe
Retirada da planta
com disjunção das
peças
Peça de isopor
Figura 11 - Detalhes do uso da fita de isopor que se encaixa nos bordos dos canais
de PVC
esticar o filme sobre a mesa, fixar as laterais
e furar no espaçamento desejado, fazendose um corte em “X”. Além disso é de fácil
limpeza e adapta-se perfeitamente à conformação do colo das plantas, impedindo a
formação de algas dentro do canal. Entretanto, a sua durabilidade ainda é pequena comparada ao isopor e outros materiais.
Outras mantas sintéticas estão sendo testadas para serem utilizadas na sustentação
das plantas, mas seus elevados custos e
menor durabilidade têm limitado sua utilização.
A lâmina utilizada para confeccionar as
embalagens tipo longa vida (Tetra Pak)
tem sido empregada com sucesso na cobertura de mesas de cultivo e sustentação das
plantas. É um produto relativamente barato,
de excelente durabilidade, de fácil limpeza,
com boa capacidade de isolamento térmico
e resistente aos raios solares.
Os tubos de PVC inteiros e os perfis
hidropônicos dispensam qualquer tipo de
sustentação para as plantas, pois são
fechados, fornecendo o apoio suficiente
para a maioria das hortaliças folhosas. Para
plantas de grande porte é necessário o
tutoramento, não importando o tipo de
canal utilizado.
Os vasos com substrato também dispensam a sustentação para as plantas de
pequeno porte, mas o tutoramento para as
hortaliças de frutos é igualmente necessário.
REGULADOR DE TEMPO OU
TEMPORIZADOR
A circulação da solução nutritiva é comandada por um sistema regulador de
tempo, ou temporizador. Este equipamento
permite que os tempos de irrigação e drenagem ocorram de acordo com a programação desejada. Existem no mercado desde
temporizadores mecânicos com intervalos
de 10 por 10, 15 por 15 e 20 por 20 minutos,
até temporizadores eletrônicos com intervalos que variam de segundos a minutos.
O tempo de irrigação varia muito entre os
sistemas, bancadas, regiões, tipos de cobertura, espécie cultivada, época do ano e
outros fatores, não havendo regra geral.
Em locais quentes, durante o verão, o sistema deverá permanecer ligado ininterruptamente durante as horas mais quentes do
dia, ao passo que no mesmo local, no inverno, este manejo será diferente. Quando se
usa a irrigação contínua durante o período
mais quente do dia, deve-se tomar cuidado
para que haja aeração adequada da solução
nutritiva para evitar deficiência de oxigênio
no sistema radicular. Normalmente, durante
o período noturno o sistema pode permanecer desligado ou com duas a três irrigações de 10-15 minutos espaçadas de 4 a 5
horas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As necessidades de estruturas para o
cultivo hidropônico de hortaliças em ambiente protegido servem como ponto de
referência para o produtor. É evidente que
outros sistemas e materiais diferentes dos
já mencionados podem ser usados para a
produção hidropônica. Na técnica hidropônica, as condições ambientais devem
atender às necessidades básicas das culturas, quanto à temperatura, luminosidade
e fotoperíodo e umidade relativa. Locais
não aptos para o cultivo convencional (via
solo) de uma determinada cultura, também
apresentarão dificuldades para o cultivo
hidropônico. Portanto, antes de pensar em
um projeto de hidroponia, o produtor deve
proceder a um levantamento das condições
ambientais, para verificar se o ambiente é
favorável ao cultivo da espécie vegetal de
interesse.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
81
Substratos para hidroponia
Herminia Emilia Prieto Martinez 1
José Geraldo Barbosa 2
Resumo - Os sistemas hidropônicos podem contar com a presença de substratos
com baixa atividade química, que auxiliam a ancoragem das plantas e promovem
aeração adequada para o sistema radicular. A escolha de substratos para cultivos
hidropônicos deve considerar suas propriedades físicas e físico-químicas. São discutidos a importância de pH, grau de decomposição, capacidade tampão da acidez,
capacidade de troca catiônica e reserva de nutrientes, teor de nutrientes, disponibilidade de água e aeração. São descritas, ainda, as principais características dos
substratos areia, cascalho, perlita, pumita, argila expandida, lãs minerais, espumas
sintéticas, turfa, cascas e serragem.
Palavras-chave: Cultivo sem solo; Substratos; Hidroponia.
INTRODUÇÃO
Os sistemas hidropônicos podem ser
constituídos de duas ou três fases (Lim &
Wan, 1984). Os mais simples são compostos
de duas fases, ar e água, nas quais estão
diluídos os nutrientes. A essa categoria
pertencem o cultivo em água e a aeroponia.
No cultivo em água, a fase gasosa é mecanicamente misturada numa fase líquida,
enquanto que na aeroponia a fase líquida é
pulverizada na fase gasosa. Os sistemas
de três fases apresentam uma fase sólida
adicional, que age como enchimento. A fase
líquida banha e a gasosa se aloja no espaço
poroso do enchimento. Esse enchimento é
um dos fatores mais importantes no sucesso ou insucesso dos sistemas hidropônicos que o contém (Perez Melian et al.,
1977).
Grande variedade de substratos pode
ser usada em cultivos hidropônicos. Seu
uso facilita a ancoragem das plantas, especialmente daquelas de porte mais alto
como pepino, tomate, pimentão e melão.
A escolha do substrato mais adequado
depende, entretanto, do conhecimento das
propriedades físicas e químicas do material
ou mistura usados, pois há grandes diferenças entre os diversos materiais e, destas,
depende a sua adequação à cultura que se
quer cultivar (Verdonck et al., 1981 e Regulski Júnior, 1983). A escolha de um substrato deve também considerar o sistema de
cultivo que será adotado e outros fatores
como preço, disponibilidade e reusabilidade (Morgan, 1998a).
PROPRIEDADES FÍSICAS E
FÍSICO-QUÍMICAS
IMPORTANTES PARA A
ESCOLHA DE SUBSTRATOS
PARA HIDROPONIA
Sob o ponto de vista da hidroponia,
as principais propriedades físicas e fisicoquímicas dos substratos são: pH, tamanho
das partículas, densidade real e aparente,
estabilidade, capacidade de retenção de
água sob diversas tensões e capacidade
de troca catiônica (Morgan, 1998a).
Potencial hidrogeniônico
(pH) e capacidade tampão
da acidez
Há grande variação de pH entre os
diversos substratos. O litter de Pinus apresenta pH entre 3,9 e 5,5; a turfa entre 3,0 e
4,5; as cascas entre 6,0 e 6,8; a perlita entre
6,5 e 7,2; as lãs minerais e a argila expandida
têm pH aproximado de 7,0 e a vermiculita
entre 5,5 e 9,0 (Verdonck et al., 1981).
1
As exigências em pH das diversas plantas ou grupos de plantas também variam,
sendo necessário que, para determinadas
plantas, sejam escolhidos substratos com
pH adequado, a menos que haja possibilidade de correção prévia.
A capacidade tampão da acidez dá idéia
das alterações que podem ocorrer no pH
do meio com a adição de fertilizantes ou
águas de irrigação ricas em carbonatos. Os
substratos orgânicos resistem mais a alterações no pH, enquanto que os inorgânicos
podem sofrer alterações bruscas, podendo
passar de fortemente ácidos a fortemente
alcalinos e vice-versa.
Grau de decomposição
O grau de decomposição do substrato
é importante por dar informações sobre a
relação entre densidade e espaço poroso
total, como mostra o Quadro 1. Quanto
maior o tamanho das partículas, ou seja,
quanto menos decomposto for o substrato,
menor será a densidade aparente e maior o
volume total de poros (VTP). De acordo
com Baevre (1981), o VTP pode ser calculado pela relação VTP = 100 - (Da/DR), em
que Da é a densidade global ou aparente e
DR é a densidade real ou massa específica.
A diferença entre o VTP estimado e o VTP
Enga Agra, D.Sc., Prof. Adj. UFV-Depto Fitotecnia, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
Engo Agro, D.Sc., Prof. Adj. UFV-Depto Fitotecnia, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Características físicas e químicas de alguns substratos usados em cultivos hidropônicos
Substrato(1)
Característica
Areia
fina
Cascalho
Argila
expandida
Lã
mineral
Vermiculita
Pumita
Cascas
Serragem
fresca
Moderada
Moderada
Turfa
Capacidade de retenção de água
Alta
Baixa
Baixa
Alta
Alta
Moderada
Porosidade de aeração
Baixa
Moderada
Alta
Alta
Moderada
Alta
Moderada
Alta
Moderada
Tamanho das partículas
Pequeno
Grande
Grande
Fibras
Médio
Médio
(2)
Médio
Médio
Médio
Alta
Densidade global (aparente)
Alta
Alta
Moderada
Baixa
Baixa
Moderada
Moderada
Baixa
Baixa
Ação capilar
Moderada
Baixa
Baixa
Alta
Alta
Moderada
Alta
Moderada
Alta
Perda de água por evaporação superficial
Moderada
Moderada
Moderada
Alta
Alta
Baixa
Alta
Baixa
Alta
Perda da estrutura com o uso continuado
Baixa
Nenhuma
Baixa
Moderada
Moderada
Baixa
Moderada
Alta
Moderada
Possibilidade de reutilização
Boa
Boa
Boa
Ruim
Boa
Boa
Não usual
Não usual
Não usual
7,2
6,9
6,6
7,1
7,3
7,0
5,8
6,0
6,5
pH
(3)
Capacidade de troca catiônica (mg/l)
Baixa
(3)
Concentração de sódio (mg/kg)
Baixa
10-40
20
(3)
(3)
Variável
_
Baixa
Baixa
Alta
(3)
(3)
(3)
0-1
16
0-1
_
(3)
5,5-9,0
Baixa
5,5-6,8
_
_
_
3,0-4,5
(3)
80-500
Baixa
50-150
_
(3)
_
_
50
Variável
FONTE: Dados básicos: Morgan (1998a).
(1) Com diferentes processamentos e origens, os mesmos substratos podem apresentar variações nas características. (2) Varia de acordo com o grau de
moagem. (3) De acordo com Verdonck et al. (1981, 1983), Choudhury & Faria (1982) e Resh (1995).
determinado através de saturação com
água, representa o volume de poros ocluídos, diretamente relacionado com o grau
de desintegração das partículas. Quanto
maior o volume de poros ocluídos, menor
o grau de desintegração e maior o risco de
ocorrer desintegração e alteração na porosidade durante o cultivo (Perez Melian et
al., 1977).
Capacidade de troca
catiônica, teor e reserva de
nutrientes
A capacidade de troca catiônica (CTC)
pode variar largamente entre os diversos
materiais ou misturas usados como meios
de cultivo, desempenhando papel fundamental na reserva de nutrientes para as
plantas (Verdonck et al., 1981). Dessas
propriedades dependerá o manejo da nutrição mineral nos diversos sistemas de condução das plantas, hidropônicos ou não.
Se determinado substrato apresenta boa
reserva de um mineral, facilmente extraível,
este poderá ser fornecido em menor proporção ou mesmo omitido na solução nutritiva.
Para cultivos hidropônicos a riqueza
dos substratos em nutrientes minerais é de
menor importância, já que estes podem ser
totalmente fornecidos pela solução nutritiva. O manejo de sistemas com substratos
inertes, sem capacidade de troca e que não
liberam nutrientes para a solução nutritiva
é, em geral, mais fácil. O uso de substratos
que contenham um ou mais nutrientes pode, entretanto, ser interessante, dependendo de sua disponibilidade e custo. De toda
maneira é bom saber se o substrato escolhido apresenta ou não nutrientes e em que
concentração. É usual avaliar o teor de
nutrientes de forma indireta pela condutividade elétrica (CE) em um extrato aquoso
do meio. Quanto maior a CE, maior a concentração de íons, nutrientes ou não. A
metodologia usada para a determinação da
CE é, no entanto, variável. Alguns laboratórios tomam por base o volume, outros o
peso. Além disso usam diferentes proporções substrato/água, de modo que os
resultados nem sempre são compatíveis
(Verdonck et al., 1981). Quando há suspeita
de presença de elementos potencialmente
tóxicos, como por exemplo o sódio (Na), é
importante sua quantificação (Morgan,
1998b).
O Quadro 1 apresenta a capacidade de
troca catiônica de alguns substratos. Turfa,
por exemplo, apresenta CTC relativamente
alta, enquanto que areia e espumas sintéticas apresentam baixa CTC. Esta capacidade
de troca catiônica entre 10 e 30cmolc/dm3 é
considerada adequada para plantas envasadas (Goh & Haynes, 1977), embora em
cultivos hidropônicos a CTC seja de menor
importância.
Disponibilidade de água e
ar
A capacidade de retenção de água pelo
substrato também é importante na determinação da freqüência de irrigação. White
& Mastarlez (1966), estudando as características de retenção de água em várias misturas, introduziram o conceito de capacidade de vaso, que indica o máximo de água
retida pelo substrato no vaso, após drenagem natural. Não existe interesse em
pontos extremos de alta tensão, o que leva
a planta a um estado de estresse, dificilmente permitido em condições controladas
de cultivo. Assim, conforme proposto por
Boot & Verdonck (1972), as curvas são
elaboradas sob pontos de tensão 0, 10, 50
e 100cm de coluna de água. A capacidade
de aeração é dada pela diferença entre porosidade total (volume de água a 0cm de
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
tensão) e a porcentagem de volume de água
a 10cm de sucção. A água facilmente
disponível é aquela liberada entre 10 e 50cm
de tensão. A água, considerada de reserva,
é aquela liberada entre 50 e 100cm de tensão,
sendo utilizada pela planta sob condições
anormais, como temperaturas elevadas. A
disponibilidade de água pode ser determinada por meio da curva de retenção de
água. Esta curva informa a uma dada tensão
de sucção, qual a porcentagem do volume
total de poros ocupada por água e qual a
porcentagem desse volume ocupada por
ar. Dessas curvas, deriva-se a maior parte
das propriedades físicas importantes para
os substratos (Verdonck et al., 1981).
Diferentes substratos apresentam diferentes proporções entre água fracamente
retida e fortemente retida pelo meio, o que
é de extrema importância num programa
adequado de irrigação. A freqüência de
irrigação pode ser ajustada de acordo com
a transpiração e evaporação. Quando ocorre saturação do substrato pela água, após
a irrigação, é preciso ter oxigênio disponível
para o bom crescimento da raiz. Assim, o
substrato deve ser irregular e solto, permitindo espaço suficiente entre as partículas
(Noordegraaf, 1994).
Quanto menor o tamanho das partículas, maior a retenção de água, porém, se
as partículas forem extremamente pequenas, pode ocorrer asfixia radicular. De acordo com Perez Melian et al. (1977) e Baevre
(1981), um bom substrato para hidroponia
deve apresentar 70% do volume total de
poros, com igual porcentagem de microporos e macroporos.
Por vezes usam-se hidrogéis para aumentar a capacidade de retenção de água
de substratos como por exemplo a turfa,
com respostas nem sempre positivas. Em
geral, as respostas positivas são atribuídas
a aumentos na quantidade de água e ar
disponíveis e respostas negativas a toxicidade do gel e anoxia radicular.
A capacidade de aeração pode ser definida como a porcentagem de poros cheios
de ar em um meio, após saturação com água
e drenagem livre (Bucbee & Frinck, 1986).
Estes autores estudaram alterações nas
propriedades físicas do meio e no crescimento de plantas ornamentais em função
de mudanças na aeração. Usaram para isso
um substrato composto de vermiculita e
turfa na proporção 1:1 (v:v), ajustando-o à
aeração de 1,0; 2,2; 5,0; 11,3; 13,3; 20,0 e
33,6% do VTP por alteração no tamanho
das partículas dos constituintes.
Bucbee & Frinck (1986) concluíram que
mudanças na aeração de um meio envasado
provocam mudanças em outras propriedades físicas que afetam o crescimento das
plantas. A capacidade de reter água foi a
característica física mais afetada. A água
retida em potenciais matriciais superiores
a -30cb, que é a mais utilizada pelas plantas,
aumentou até que a aeração atingiu cerca
de 13% do VTP, e então declinou. A água
retida mais fortemente e a água total declinaram curvilinearmente e linearmente em
cada caso, enquanto que a aeração aumentou. Concluíram ainda que, embora os substratos sejam recomendados para grande
variedade de espécies, as plantas envasadas variam em suas exigências quanto à
aeração, e que a aeração que otimiza o crescimento de begônia, coleus, impatiens e
schefflera está na faixa entre 10 e 25% do
VTP. Morgan (1998a) afirma que não há
concordância entre os vários pesquisadores quanto à melhor combinação entre
capacidade de retenção de água e volume
de poros cheios de ar. De modo geral recomenda que os substratos apresentem 35
a 50% v:v de capacidade de retenção de
água e 25 a 40% v:v de espaço de aeração,
após drenagem.
Quando se dispõe de materiais com
outras características favoráveis, porém em
condições extremas quanto à disponibilidade de água ou ar, a mistura entre eles
pode ser interessante (Verdonck et al.,
1981).
Considerações adicionais
De acordo com Verdonck et al. (1983),
um substrato com 10 a 30% de matéria sólida, 40 a 50% de VTP, 20 a 30% de água
facilmente disponível no VTP e pH entre
5,0 e 5,8 seria adequado para a maior parte
das culturas.
Morgan (1998a) recomenda que se escolham substratos com baixo conteúdo de
sais, leves, de fácil manuseio, livres de insetos, livres de patógenos ou compostos
tóxicos, capazes de misturarem-se a outros
meios, reutilizáveis, que possam ser submetidos a altas temperaturas ou produtos
químicos para desinfecção e que mantenham o volume em diferentes estados de
umidade. O Quadro 1 resume as principais
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características dos substratos mais usados
em hidroponia.
SUBSTRATOS INORGÂNICOS
Os substratos inorgânicos usados em
cultivos hidropônicos, podem ser naturais
ou manipulados. Entre os naturais têm-se
principalmente a areia e o cascalho e entre
os manipulados, destacam-se perlita, pumita, argila expandida, vermiculita, lãs minerais e espumas sintéticas.
Naturais
Areia
É um substrato muito usado, adaptando-se bem a regiões desérticas como as
existentes no Oriente Médio e Norte da
África. Normalmente, emprega-se areia de
praia dessalinizada ou areia de rio lavada,
em bancadas recobertas por plástico, na
superfície total da casa de vegetação, ou
em sacos. Em geral, a solução nutritiva é
fornecida por gotejamento individual a cada planta, regulando-se a concentração e a
vazão de nutrientes de modo que tenha um
excedente muito pequeno, que é recolhido
por um sistema de drenagem ao fundo das
bancadas ou sob o solo na casa de vegetação e descartado. Assim, a solução não
recircula, o que reduz a possibilidade de
disseminação de patógenos.
O diâmetro das partículas deve situarse entre 0,6 e 2,0 - 2,5mm (Resh, 1995 e Morgan, 1998a). Dentro desses limites, além de
ter bom desenvolvimento de raízes laterais,
a aeração é adequada e o meio suficientemente denso para que a solução se mova
lateralmente por capilaridade e os nutrientes sejam distribuídos uniformemente por
toda zona radicular.
A maior densidade do meio promove
melhor desenvolvimento lateral de raízes,
tornando-as também mais curtas, o que
reduz o risco de obstrução do sistema de
drenagem e representa uma vantagem em
relação aos sistemas hidropônicos em que
se usa cascalho como substrato. Também,
a capacidade de armazenar água é maior
nestes do que em sistemas que usam cascalho, propiciando turnos de rega mais
longos (Resh, 1995).
Tais sistemas de cultivo são fáceis de
operar e de manter. Em caso de haver necessidade de reparos, o fornecimento de água
e nutrientes não é tão crítico, já que a areia
84
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
consegue reter parte destes nos microporos (Resh, 1995). Em misturas, presta-se
para dar estabilidade a vasos ou sacos,
quando se usam substratos mais leves
(Morgan, 1998a).
As desvantagens desse substrato são
a alta densidade das partículas, a dificuldade de desinfecção e o acúmulo de sais.
A alta densidade das partículas torna-o
pesado e de difícil manuseio. A desinfecção adequada exige o uso de vapor ou
fumigação com produtos químicos e o acúmulo de sais obriga a lavagens periódicas.
Além disso, as partículas finas da areia
tendem a obstruir os tubos de irrigação e
gotejadores, sendo necessário o uso de
filtros de 100 a 200mesh (Resh, 1995 e Morgan, 1998a).
Cascalho
O cascalho é amplamente utilizado em
cultivos hidropônicos, principalmente em
sistemas de fluxo laminar de nutrientes
(NFT) e subirrigação, podendo, eventualmente, ser usado com irrigação por gotejamento.
Para uso em subirrigação, Resh (1995)
recomenda granito moído com partículas
de diâmetro entre 1,6 e 19,0mm. Em média,
as partículas devem ter 12,7mm de diâmetro.
Para o uso com gotejamento o diâmetro das
partículas deve estar entre 3,2 e 9,5mm, com
diâmetro médio entre 4,8 e 6,3mm.
O cascalho de material calcário deve ser
evitado, pois eleva o pH da solução, liberando cálcio (Ca) e magnésio (Mg) que
reagem com o fósforo (P) da solução, formando fosfatos bicálcicos e tricálcicos
insolúveis. O pH elevado ainda leva a deficiências de micronutrientes, especialmente
de ferro (Resh, 1995). Cascalho com mais
que 10% de material solúvel em ácido deve
ser tratado com soluções de 0,5 a 5,0% (p:v)
de superfosfato triplo, que reagirá com as
partículas da superfície, até que estas
fiquem recobertas por fosfatos insolúveis.
A lavagem deve ser intercalada com água
pura e o processo encerrado, quando, após
várias horas de contato, uma solução de
100mg/l de P não tenha sua concentração
reduzida a menos de 30mg/l do elemento.
A camada de fosfatos precipitados sobre
o cascalho solubiliza-se lentamente e após
certo tempo de uso o processo deve ser
repetido (Resh, 1995).
Apesar de sua elevada densidade (peso) que dificulta o manuseio (Morgan,
1998a), o cascalho presta-se bem para o
cultivo de grande variedade de plantas e
permite o uso eficiente de água e nutrientes, tanto ao ar livre quanto em casa de vegetação. Permite também, boa aeração e
nutrição uniforme. Tem, entretanto, como
desvantagem a difícil desinfecção. As raízes
penetram nos pequenos poros, de onde
não são retiradas com facilidade, e com o
tempo o cascalho fica todo recoberto por
finas raízes e tem que ser substituído. Outro
problema é a baixa retenção de umidade
(Resh, 1995). Sistemas que usam cascalho
geralmente são dispendiosos para construir, manter e reparar, além de permitir a rápida propagação de fungos como Fusarium
e Verticillium.
Perez Melian et al. (1977) testaram o uso
de cascalho obtido a partir de rochas trituradas, com partículas irregulares de 2 a
10mm de diâmetro e de cascalho de rochas
transportado pela erosão, com partículas
arrendondadas de 2 a 10, e 2 a 8mm de
diâmetro, no cultivo hidropônico de tomates ‘Marglobe’. Estes autores observaram
que, embora não houvesse sinais visíveis
de déficit hídrico, quando apenas uma
irrigação diária era realizada, quatro irrigações diárias resultavam em maior produção
e menor incidência de podridão estilar. Relatam ainda, que o cascalho de formas irregulares reteve mais água, o que atribuem à
possibilidade de um arranjo de partículas
com maior proporção de microporos.
Pumita
A pumita consiste em material silícico
de origem vulcânica moído e peneirado não
submetido à expansão. Para horticultura,
usa-se material com 3 a 5mm de diâmetro.
Presta-se bem para o cultivo de grande número de espécies de plantas, especialmente
as de ciclo longo. Pode ser usada sobre
bancadas, na superfície total da casa de
vegetação ou em sacos (Morgan, 1998a).
Tem as mesmas propriedades da perlita,
porém é mais pesada e retém menos água,
sendo muito usada em misturas com turfa
e areia (Resh, 1995). Fazendo a caracterização física e química da pumita (pedra
pome), Boertje (1995) obteve 85% de espaço poroso total, 40% de espaço de aeração,
densidade de volume de 400g/l, pH = 7 e,
CE de 0,2dS/m a 25ºC. Sob 10, 50 e 100cm
de tensão de sucção, a água retida foi de
45, 40 e 40%, respectivamente. De posse
destes resultados, sugeriu-se que partículas com diâmetro entre 0,5 e 2,0mm fossem
usadas para enraizamento de estacas, 2,0 e
6,0mm usadas como substrato e entre 6,0 e
12,0mm, em hidrocultura.
Manipulados
Perlita
É um material silícico de origem vulcânica, extraído dos rios de lava. Esse material
moído e peneirado é aquecido a 1.400ºF,
temperatura na qual a pouca água que contém se evapora e as partículas expandemse. Formam-se partículas estéreis, muito
leves, com o aspecto de sementes esponjosas e peso de 0,08 a 0,13kg/dm3 (Resh,
1995). A perlita absorve três a quatro vezes
o seu peso em água, tendo pH entre 6,0 e
8,0. Não apresenta CTC, nem contém nutrientes na forma disponível. Tem estrutura
rígida, mas as partículas vão-se partindo com
o uso. Partículas finas prestam-se como
substrato para a germinação e as maiores
são muito usadas em misturas com turfa ou
areia e turfa, quando aumenta a aeração
(Resh, 1995).
É um substrato excelente para enraizamento, podendo também ser usado em
sistemas hidropônicos recirculantes, nos
quais, em nível experimental, possibilitaram
produções de tomates superiores à turfa
(Wilson & Hitchin, 1984). Pode ser usada,
ainda, em cultura de tecidos, onde mostrou
ser um valioso meio para o estabelecimento
inicial das plantas (Martyr, 1981).
A perlita industrial apresenta partículas
de tamanho muito variado, incluindo grande proporção de pó fino. Para muitos usos,
esse pó fino tem pequena ou nenhuma conseqüência, mas para usos hortícolas, grande proporção de partículas com tamanho
inferior a 250mm promove encharcamento,
o que poderá ser desastroso (Martyr, 1981).
Para horticultura, Resh (1995) recomenda
partículas com diâmetros entre 1,4 e 1,6mm.
Assim, produtores especializados na produção de perlita hortícola devem fazer um
peneiramento extra, retirando o material fino
tanto quanto possível. A procura de um
substrato barato leva ao uso de material
com partículas de tamanho inadequado,
especialmente em locais onde o uso de
perlita em horticultura está sendo intro-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
duzido, sendo este fato certamente o maior
responsável pelos resultados variáveis obtidos pelos usuários (Martyr, 1981).
É um erro pensar que a perlita expandida
é um material invariável com uma composição química constante ou características
físicas idênticas. A natureza da rocha vulcânica, o método de processamento e a
distribuição das partículas por tamanho
afetam as propriedades físicas e químicas
do produto final. Embora em pequena
quantidade, há minérios que apresentam
níveis muito altos de ferro (Fe), manganês
(Mn), zinco (Zn) e flúor (F), que são fitotóxicos, especialmente quando as partículas finas não são separadas (Martyr,
1981).
De acordo com Martyr (1981), no Reino
Unido encontram-se quatro tipos de perlita:
com diâmetro de 3,0 a 6,0mm; de 1,5 a 5,0mm;
de 1,0 a 3,0mm e de 0,1 a 1,5mm. O maior
tamanho é adequado para propagação de
plantas, especialmente sob nebulização. É
também recomendado para hidroponia em
NFT, subirrigação ou gotejamento. Sob NFT
a perlita reduz grandemente a ocorrência
de apodrecimento em volta do colo das
plantas, causado pela evaporação superficial e conseqüente acúmulo de nutrientes
(collar burn). Essas partículas grosseiras
dão excelente aeração e não se quebram
com facilidade, embora se deva ter cuidado
para não misturá-las excessivamente, quando usadas na produção de misturas. O segundo tipo, com partículas entre 1,5 e
5,0mm de diâmetro, presta-se bem para misturas para plantas envasadas. A larga faixa
de tamanho permite uma mistura mais íntima
com outros componentes, facilitando o movimento da água. O tipo com partículas de
diâmetros entre 1,0 e 3,0mm, constitui-se
num bom meio para germinação e crescimento de seedlings. O tipo super fino, com
partículas de diâmetros entre 0,1 e 1,5mm, é
usado como cobertura refletiva em cultivos
em casa de vegetação, em blocos de turfa
para aumentar a proporção de grânulos de
textura fina e, como condicionador de solos.
Argila expandida
Segundo Walton (1980) e Schnitzler &
Michalsky (1992), a argila expandida rígida
é um produto granular obtido pelo aquecimento da argila em fornos rotativos a
1.100ºC. Esta temperatura causa a esterilização e expansão das partículas em grânulos
rígidos arredondados, permitindo o seu uso
por vários ciclos de produção. A argila
expandida começou a ser usada na construção civil antes de ser empregada para
hidroponia. No Brasil, é conhecida como
cinasita.
É um substrato bastante comum para o
cultivo sem solo, sendo muito utilizada na
Inglaterra e Alemanha para a produção de
hortaliças, plantas para corte de flor e ornamentais, especificamente em sistemas
fechados (Kämpf et al., 1992 e Fisher &
Meinken, 1995).
Determinando as características físicas
da argila expandida (cinasita), Barbosa
(1996) observou que o espaço poroso total
foi de 69,00; 71,07; 71,54 e 72,24%, para as
classes granulométricas de 4 a 10, 4 a 13, 10
a 13 e 13 a 20mm de diâmetro, respectivamente. O volume de poros externos
variou de 42 a 46% e o de poros internos
de 26,00 a 29,07%. A densidade variou de
0,65 a 0,50 g/cm3, da menor para a maior
classe granulométrica. A retenção de água
pelos poros internos após 1, 7 e 20 dias de
embebição variou de 2,8 a 4,0%; de 3,9 a
6% e de 5,9 a 7,5%, respectivamente, da
menor para a maior classe granulométrica
de argila expandida. A maior porcentagem
de saturação de água nas maiores granulometrias pode ser explicada pela existência
de maior porosidade total.
Outro fator importante foi a desuniformidade da densidade observada nos grãos
nas maiores granulometrias e mesmo as
menores densidades secas e úmidas que
quantificam os espaços vazios entre e dentro dos grãos. Esta lenta e baixa capacidade
de retenção de água possibilita maior arejamento e deve ser levada em conta ao se
planejar a freqüência de saturação da argila
expandida de forma que não falte água para
as plantas.
O volume de água liberado sob tensão
de sucção de 0 a 10cm de coluna de água,
correspondente ao espaço de aeração, variou de 24 a 40% da menor para a maior
classe granulométrica, respectivamente,
tendo ficado, nas três classes menores, dentro do sugerido para substratos hortícolas.
O volume de água facilmente disponível
ficou muito acima do sugerido, variando
de 74 a 60% da menor para a maior granulometria. A argila expandida apresentou um
baixo volume global de água liberada, o qual
variou de 68 a 28,6ml/l, da menor para a
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85
maior granulometria.
De modo geral, os dados sobre características físicas da argila expandida enquadram-se dentro dos valores preconizados
para substratos hortícolas, exceto a sua
baixa a moderada capacidade de retenção
de água. No aspecto químico, o valor elevado do pH sugere uma vigilância maior
no seu monitoramento. A ausência de sais
solúveis apresenta-se como uma vantagem,
pois permite um controle preciso dos nutrientes da solução nutritiva.
Vermiculita
Segundo Douglas (1987), a vermiculita
é um material encontrado em depósitos de
ocorrência natural em várias partes do mundo. Constitui-se de um argilo mineral do
tipo 2:1 com lâminas justapostas de tetraedros de sílica e octaedros de alumínio
(Al), Fe e Mg e de estrutura variável. Entre
as lâminas existe água que está ligada aos
cátions trocáveis e água que não os circunda, denominada água livre. Quando
aquecida a 350-650ºC perde a água interlaminar na forma de vapor, ocorrendo um considerável aumento de espaço entre suas
camadas (Choudhury & Faria, 1982). Formam-se partículas pequenas, com formato
de sementes, porosas como esponjas e
muito leves (0,096 a 0,160kg/dm3). Embora
essas partículas retenham grande quantidade de água (0,40 a 0,53l/dm3) são insolúveis nesta. Apresentam reação neutra
(Resh, 1995) ou levemente alcalina (Wilson & Hitchin, 1984), e bom poder tampão
(Resh, 1995). Sua alta CTC entre 100 e
150cmolc/kg (Choudhury & Faria, 1982)
confere-lhe capacidade de reter nutrientes
e ir cedendo-os às plantas posteriormente
(Resh, 1995). Seus conteúdos em Mg e
potássio (K), ainda que baixos, são facilmente disponíveis para as plantas (Resh,
1995).
Segundo Resh (1995), para fins agrícolas a vermiculita classifica-se em quatro
tamanhos:
a) no 1 - 5 a 8mm de diâmetro;
b) no 2 - 2 a 3mm de diâmetro. É o tipo
mais comum;
c) no 3 - 1 a 2mm de diâmetro;
d) no 4 - 0,75 a 1,0mm de diâmetro. Usado
para germinação.
De acordo com Wilson & Hitchin (1984),
na Escócia têm sido obtidas excelentes
86
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
produções de tomates em sistemas hidropônicos que usam vermiculita como substrato.
Lãs minerais
A lã de rocha é produzida pela fusão de
rochas basálticas e carvão coke em altofornos à temperatura de 1.600ºC. A lava
produzida é drenada e passada através de
uma série de rotores de alta velocidade que
fazem com que as gotas se transformem em
finas fibras de 0,004mm de espessura e 3mm
de comprimento, que são então resfriadas
por uma corrente de ar. Com o objetivo de
produzir um material estável e poroso, o
adesivo baquelita é adicionado em conexão
com o desenvolvimento das fibras. Após a
adição de baquelita, as fibras são depositadas em um tapete de espessura conveniente. O tapete é prensado, endurecido e
finalmente cortado em pedaços. Durante o
endurecimento, as fibras recebem uma
quantidade controlada de tensoativo, que
as torna absorventes (Blaabjerg, 1983 e
Donnan & Biggs, 1984).
A alta temperatura de fusão (1.600ºC),
usada em sua produção dá origem a um
produto estéril e 100% puro (Blaabjerg,
1983), que, quando reutilizado, deve ser
esterilizado com produtos químicos ou com
vapor. A lã de rocha pode ser submetida a
alta pressão ou a ar sob alta pressão, mas
não a alta temperatura que tende a quebrar
a ligação entre as fibras. Não pode, portanto, ser esterilizada por autoclavagem
(Donnan & Biggs, 1984).
O material básico da lã mineral é a
diabase e sua composição química corresponde à da maioria dos solos minerais. Os
mais importantes minerais presentes em sua
composição são silício (Si), Ca, Al e Mg.
Quando seca é um material muito leve,
com densidade média de 0,07kg/dm3, e
embora contenha importantes nutrientes
em sua composição estes não são daí liberados, pois o material é insolúvel em água
pura ou soluções nutritivas com pH entre
5,0 e 8,0 (Blaabjerg, 1983 e Donnan & Biggs,
1984).
As fibras de lã mineral podem ser
quebradas fisicamente pelas raízes em expansão ou por ação mecânica, mas não são
biodegradáveis. A decomposição das fibras
só ocorre em pH muito baixo. Em pH 5,0
observa-se lenta decomposição, porém em
pH 4,0 esta é evidente. O óxido de silício
(SiO2) tem, entretanto, demolição muito
lenta. Devido à sua natureza química, a lã
mineral não causa problema ambiental,
quando incorporada ao solo, onde pode
aumentar a aeração e a drenagem (Blaabjerg, 1983 e Donnan & Biggs, 1984).
Sua capacidade de troca de cátions é
zero. O material não adsorve, nem troca
nutrientes com a solução. Sendo assim,
pode ser reutilizado após lixiviação (Donnan & Biggs, 1984). Apresenta pH levemente alcalino e poder tampão muito
pequeno, porém, na primeira irrigação, pode
elevar levemente o pH da solução. As
melhores condições de crescimento são
obtidas com pH em torno de 5,8 e, nessas
condições as lãs minerais podem ser consideradas completamente inertes, já que as
fibras não liberam nem adsorvem nutriente
algum. Isso possibilita um ótimo controle
da nutrição (Blaabjerg, 1983 e Donnan &
Biggs, 1984).
As lãs minerais apresentam 97% de
poros no volume total, conseguindo reter
grande quantidade de água totalmente
disponível para as plantas. Determinando
a curva de retenção de água em lã de rocha
sob tensão de 0 a -10kPa (0 a 100cm de coluna de água), Silva et al. (1995) observaram
que sob saturação, a retenção foi de 95%
do volume total, mas caiu rapidamente com
o aumento da tensão de 0-5kPa, mostrando
que pequena tensão causou uma rápida
queda na condutividade hidráulica, sugerindo que o fluxo de água nas raízes pode
ser impedido. A aeração também é adequada e a proporção relativa entre água e
ar depende da espessura do material, das
características de drenagem da superfície
na qual o material se apoia e da forma pela
qual a água é suprida. Blocos ou placas
com 75mm de espessura assentados sobre
polietileno retêm 80% de água e 17% de ar.
Há um gradiente de hidratação no meio,
que fica muito molhado na base e seco na
superfície. A lã de rocha pode ser produzida
em grânulos, blocos de propagação, blocos
de crescimento e bolsões de crescimento
(Donnan & Biggs, 1984).
Blocos de 40mm de espessura e subdivisões superficiais, para dar blocos individuais de 1.225mm2, são muito usados na
Europa em propagação de plantas. Prestam-se bem para a produção de mudas para
cultivos hidropônicos. Na Austrália, são
usados também para plantas com proble-
mas de pegamento ou de transplantio,
como grevillea e rosas miniatura. Outro uso
importante é na micropropagação de plantas provenientes de cultura de tecidos (Donnan & Biggs, 1984).
Na Holanda, o uso de bolsões de plástico contendo lã de rocha é comum. Máquinas especialmente desenvolvidas para
esse fim nivelam perfeitamente o solo, que
após fumigado é recoberto por uma lâmina
de plástico branco de 0,1mm de espessura.
Sobre essa superfície plana estabelecemse os sistemas de aquecimento, drenagem
e irrigação, dispondo-se a seguir os bolsões
em ruas de cultivo. Há bolsões de diversos
tamanhos e estes devem ser furados no
espaçamento adequado para receber a muda e um gotejador que alimentará o sistema
com solução nutritiva. Existem diversos
sistemas automatizados para o controle da
irrigação, da nutrição e do pH. Welleman &
Verwer (1984) descrevem a instalação de
sistemas desse tipo, dando detalhes sobre
as unidades de controle disponíveis no
mercado holandês.
Sonneveld & Welles (1984) discutem o
uso de lã de rocha para o cultivo de hortaliças, na Holanda, comparando-o ao de
outros substratos. Segundo estes autores,
para hortaliças de frutos, em geral usam-se
bolsões contendo 14dm3 de lã de rocha por
metro quadrado de casa de vegetação. Também é comum o uso de tiras de 30cm de
largura x 7,5cm de espessura e comprimento
variável, para plantas cultivadas em duas
ruas, e tiras de 15cm de largura x 7,5cm de
espessura para plantas cultivadas em quatro ruas. O sistema padrão holandês consiste em bolsões de lã de rocha embrulhada
em filme plástico, mas há também sistemas
de cultivo em calhas dispostas horizontalmente, nas quais são colocadas tiras ou
cubos de lã de rocha. Geralmente uma lâmina não recirculante de 1 ou 2cm é mantida
no fundo das calhas, embora o convencional sistema de gotejamento também seja
usado.
As placas de lã de rocha esterilizadas
com vapor podem ser reutilizadas. Em nível
experimental, as produções não se reduziram com a reutilização das placas e, em alguns casos, as produções foram até maiores
nas placas reutilizadas. Estas sem esterilização são, entretanto, perigosas, podendo
resultar em ataque generalizado de patógenos à cultura (Sonneveld & Welles, 1984).
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Espumas sintéticas
Derivadas de uréia-formaldeído, poliuretano, poliestireno ou resina fenólica, as
espumas sintéticas são um substrato com
grande número de aplicações. São muito
usadas nos Estados Unidos para enraizamento e propagação de flores de corte e
outras plantas ornamentais como folhagens tropicais, produção de plantas matrizes de gerânios, germinação de sementes
de schefflera, produção de cravos, rosas,
antúrios, gérberas e poinsetias e micropropagação em cultura de tecidos, onde podem
ser usadas como substituto do estágio de
ágar, ou como receptores de micropropágulos sem raízes.
Tem sido usada espuma particulada ou
densa para o cultivo de orquídeas, havendo
estudos para o seu uso na produção de
rosas. Hortaliças como tomate, pepino e
pimentão têm sido cultivadas em sacos contendo espumas sintéticas, porém um dos
seus usos principais é na produção de alface sob fluxo laminar de nutrientes (Boodley,
1984ab e Resh, 1995).
De acordo com Boodley (1984ab), na
produção de alface as sementes são germinadas sob nebulização e, após 19 dias,
as mudas já enraizadas em espuma, são
removidas para casa de vegetação para
finalizar o crescimento sob NFT, ou transplantadas diretamente em outro meio de
crescimento.
Segundo Resh (1995) podem ser usadas também em canteiros, misturadas com
partículas inertes, como por exemplo, a areia,
para o cultivo de cravos, orquídeas e gladíolo, entre outros.
As espumas sintéticas são leves, estéreis e de fácil manuseio, o que facilita seu
uso em procedimentos automatizados.
Além disso, mantêm suas características
físicas por muitos anos, o que não ocorre
com turfa, cascas e outros substratos orgânicos sujeitos à decomposição (Boodley,
1984a). Sua propriedade de grande capacidade de retenção de água e excelente
aeração é cuidadosamente controlada através da sofisticada química de sua manufatura (Boodley, 1984a). De acordo com Resh
(1995), 1g de espuma de uréia-formaldeído
pode reter 100ml de água.
Podem ser fabricadas com diversas
densidades, espessuras e tamanho de células. Nos Estados Unidos os tipos mais
usados são espumas derivadas de uretano
e resina fenólica. Além da leveza, grande
retenção de umidade e boa drenagem, as
espumas sintéticas têm baixa condutividade elétrica, o que permite total controle
da nutrição das plantas.
SUBSTRATOS ORGÂNICOS
Grande variedade de substratos orgânicos podem ser usados em cultivos hidropônicos.
Turfa
A turfa consiste em vegetação aquática, pantanosa, parcialmente decomposta.
A composição dos diferentes depósitos de
turfa varia amplamente, dependendo da
vegetação original, estado de decomposição, conteúdo mineral e grau de acidificação (Resh, 1995).
Segundo Resh (1995), a turfa de musgos
como Sphagnum, Eriophorum e outros é a
de melhor qualidade. Apresenta pH entre
3,8 e 4,5 e tem elevada capacidade de retenção de água, que chega a dez vezes o seu
peso. Contém cerca de 1% de nitrogênio
(N) e quase nada de P e K. Sua limitação,
como a de outros tipos de turfa, está na
aeração deficiente e baixa proporção de
água prontamente disponível para as plantas, ou seja, entre 24 e 29% do VTP, dependendo do seu grau de moagem (Verdure,
1981).
A turfa de Sphagnum é formada pela desidratação de resíduos recentes, inclusive partes vivas de S. papilosum, S.
capillacium e S. palustre. É relativamente
estéril e leve, decompondo-se mais lentamente que outros tipos de turfa e apresentando qualidade superior (Resh, 1995).
A turfa preta resulta de material altamente decomposto e tem propriedades físicas
ruins. Apresenta pH entre 4,1 e 5,3 e 70 a
85% de matéria orgânica. Além da aeração
deficiente, perde água irreversivelmente. A
maior parte de seu espaço poroso constituise de microporos, de modo que apenas 13%
do VTP é ocupado por água prontamente
disponível para as plantas (Verdure, 1981).
O problema da perda irreversível de
água pode ser parcialmente corrigido com
uma leve secagem antes de seu uso. Não é
possível, no entanto, secá-la muito, porque
reduz sua capacidade de retenção de água,
que cai de 94% na turfa fresca, para 75% na
turfa com 75% de umidade. Além disso, a
secagem, embora melhore a aeração, pode
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reduzir o volume de água prontamente
disponível. Turfa excessivamente seca dá
origem a blocos quebradiços e de difícil
manuseio (Verdure, 1981).
A turfa é muito usada em misturas com
areia, lã de rocha, poliestireno, perlita, cascas, vermiculita e outros, na formulação de
substratos com diferentes propriedades
físicas (Wilson & Hitchin, 1984). De acordo
com Resh (1995) as misturas mais usadas
são:
a) turfa : perlita : areia (2 : 2 : 1);
b) turfa : perlita (1 : 1);
c) turfa : areia (1 : 1), (1 : 3), (3 : 1);
d) turfa : vermiculita (1 : 1);
e) turfa : pumita : areia(2 : 2 : 1).
Na Europa, é muito difundido o uso de
turfa na confecção de blocos para produção de mudas. Neste caso, a turfa granulada e umedecida recebe calcário, nutrientes
e pesticidas, sendo então comprimida para
formar blocos de forma cuboidal, com 2,7 a
5,0cm de lado. Máquinas especialmente
desenvolvidas para esse fim produzem 10
mil a 20 mil destes blocos por hora (Pill &
Stubollo, 1986).
Foi um dos primeiros substratos usados
no cultivo hidropônico. Na Europa, a
grande demanda tem elevado seu custo, o
que leva à procura de substratos alternativos (Wilson & Hitchin, 1984).
Cascas
O uso de cascas em hidroponia, na
forma pura ou em misturas com outros
substratos vem aumentando nas últimas
décadas (Wilson & Hitchin, 1984). O material é particularmente atraente, onde a
indústria madeireira é bem desenvolvida e
as cascas um subproduto de baixo custo.
As cascas podem ser usadas em recipientes os mais diversos, em bolsões de
polietileno ou mesmo em blocos manufaturados (Wilson, 1981). Esse material
geralmente sofre compostagem antes do
uso como substrato hortícola, havendo,
entretanto, alguns trabalhos que relatam o
uso de cascas frescas moídas. As cascas
podem ser usadas para os mais diversos
cultivos sem solo, desde que se corrijam
suas características desfavoráveis.
A compostagem, normalmente realizada, visa degradar compostos fitotóxicos
como terpenos, fenóis e taninos, que impedem o bom desenvolvimento das plantas,
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reduzir a alta relação entre carbono (C) e N
e, eliminar microrganismos patogênicos e
insetos (Wilson, 1981, Kull, 1981, Wilson
& Hitchin, 1984 e Maree, 1984). De acordo
com Wilson (1981), na Inglaterra as cascas
sofrem moagem em moinho de martelo,
passam por peneira de 1,9cm de malha, são
colocadas em grandes pilhas e lavadas
seguidas vezes. Normalmente, recebem
1kg/m3 de N e são deixadas compostar por
nove semanas, com 50% de umidade. Durante esse período ocorre a decomposição
microbiológica e oxidação química de materiais orgânicos como carboidratos, celulose, ligninas, substâncias fenólicas e
taninos. Verdonck et al. (1983) recomendam
um período de compostagem de dois a três
meses para cascas puras, e de três a quatro
meses para misturas de cascas com outros
materiais como lixo urbano, esterco de galinha ou porco. Para cascas de madeiras
duras, esses autores recomendam a adição
de 1dag/kg de N na forma de uréia, e para
cascas de madeiras moles 0,5 a 0,75dag/kg.
Recomendam ainda que durante o processo, a umidade se situe entre 65 e 70% e
o teor de oxigênio (O2) em cerca de 5% do
volume total de gases.
Os teores de Mn nas cascas podem ser
elevados, especialmente em espécies que
cresceram em solos ácidos. Toxidez de Mn,
ou deficiência de Fe induzida, pode ocorrer
nessas condições (Wilson, 1981 e Wilson
& Hitchin, 1984). O fornecimento de quelato
de Fe p.a., a 5%, normalmente corrige o
problema (Harris & Maree, 1984). De acordo com Harris & Maree (1984), substratos
a base de cascas de Pinus frescas podem
apresentar ainda problemas com micronutrientes, Mg, Ca e N.
Segundo Wilson (1981) e Verdonck et
al. (1983), os compostos de cascas, com
freqüência, apresentam baixo teor de água
disponível para as plantas, sendo essa
característica melhorada pela mistura com
lodo de esgoto, esterco animal ou outros
dejetos.
Composto de cascas tem sido usado
com sucesso em cultivos de plantas ornamentais e tomates na Bélgica, Estados Unidos e África do Sul. A intensificação de
seu uso depende da disponibilidade e localização dos resíduos, que determinam sua
competitividade em relação a outros substratos.
Maree (1984) e Harris & Maree (1984)
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
relatam que as cascas de madeiras moles
como Pinus radiata e P. pinaster contêm
menor concentração de substâncias fitotóxicas, podendo ser usadas na forma fresca.
Adicionalmente, Maree (1984) diz que
cascas de Pinus frescas e moídas não parecem apresentar problemas com a ocorrência de fungos dos gêneros Pythium e
Phytophthora, como serragem, mesmo
quando não submetidas à esterilização.
Serragem
É um subproduto da indústria florestal,
sendo, portanto, abundante e barato em
determinadas regiões. É um material leve e
com boa aeração (Resh, 1995), porém com
alta relação entre C e N e baixa capacidade
de retenção de água, podendo tais características ser melhoradas pela compostagem
(Kull, 1981). Para cultivos hidropônicos,
Resh (1995) recomenda que se use serragem
moderadamente fina, que permite melhor
difusão lateral da umidade que a serragem
grossa. Além do mais, serragem grossa
propicia o excessivo aprofundamento radicular, podendo as raízes obstruir o sistema
de drenagem.
Segundo Maree (1984) um dos problemas da serragem é a ocorrência de doenças
causadas por Pythium e Phytophthora,
especialmente quando usada em dois
cultivos subseqüentes. Resh (1995) recomenda sua esterilização com vapor ou
produtos químicos antes do uso. A serragem de algumas espécies, como a tuia roxa,
pode ser fitotóxica. Nesses casos a compostagem prévia é indicada.
Misturas de serragem e areia e/ou turfa
têm sido experimentadas com êxito, embora
tenham maior custo (Kull, 1981 e Resh,
1995).
A serragem é geralmente usada em
bancadas, recebendo a solução nutritiva
por gotejamento. Maree (1984) testou seu
uso em sacos de polietileno com 14dm3 de
serragem fresca de Pinus pinaster, e obteve
bons resultados na produção de pepinos
para sementes. Este autor verificou que o
uso do recipiente impede a rápida disseminação de doenças a toda a cultura, concluindo que serragem fresca de Pinus pinaster
pode ser usada nesse sistema, sem esterilização, por dois cultivos sucessivos.
Dentre as desvantagens do uso de
serragem têm-se que: sua estrutura quebrase com o uso, dando origem a partículas
muito finas, o que compromete a aeração;
o meio favorece o acúmulo de sais e determinadas espécies podem conter substâncias fitotóxicas; é necessário o uso de filtros
nos capilares de gotejamento e estes
devem ser limpos com freqüência; existe
grande perda de material em cada ciclo de
cultivo, por decomposição ou por aderirse às raízes (Resh, 1995 e Morgan, 1998a).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi visto, grande número de substratos pode ser usado em cultivos hidropônicos. Em geral, tais substratos são
utilizados para produção de mudas, e para
o cultivo em sistemas de subirrigação ou
em sacos com gotejamento. O sucesso do
uso de substratos em hidroponia depende
não só das características físicas, químicas
e físico-químicas do meio empregado, mas
também da forma como cada sistema é
manejado. Cada substrato possui características próprias que devem ser conhecidas,
avaliando-se em cada caso sua adequação
ao sistema e à cultura que se deseja produzir.
As plantas necessitam de água, oxigênio
e nutrientes em quantidades e proporções
adequadas para sobreviver e atingir produtividades elevadas. Num substrato
particular, o atendimento a essas necessidades dependerá das propriedades físicas,
químicas e físico-químicas do meio e de
práticas de manejo, como irrigação e aplicação de nutrientes. Como exemplo, pode-se
citar que o teor de umidade de um meio
hidropônico depende não só da porosidade desse meio, mas também do tamanho
do container, da freqüência, duração e
método de irrigação.
Na escolha do substrato, além das
propriedades físicas, químicas e físicoquímicas, devem-se considerar a sua estabilidade ao longo do tempo, a possibilidade
de usá-lo em vários ciclos de cultivo, a isenção de toxinas ou patógenos, assim como
a sua disponibilidade no mercado e o seu
custo.
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90
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Nutrição mineral de hortaliças, preparo e
manejo de soluções nutritivas
Pedro Roberto Furlani 1
Denizart Bolonhezi 2
Luis Cláudio Paterno Silveira 3
Valdemar Faquin 4
Resumo - Quando se procede uma análise das exigências nutricionais de plantas
visando o cultivo hidropônico, devem-se enfocar as relações existentes entre os
nutrientes, pois isso é uma indicação das relações de extração do meio de crescimento.
São apresentadas as relações foliares existentes entre os teores considerados
adequados de N, P, Ca, Mg e S com os de K para diferentes culturas passíveis de
serem cultivadas hidroponicamente. A solução nutritiva ideal para o cultivo hidropônico depende não somente das concentrações dos nutrientes, mas também
do tipo ou do sistema hidropônico, dos fatores ambientais, da época do ano, do
estádio fisiológico da cultura, da espécie vegetal e da cultivar. São apresentadas
diferentes formulações de soluções nutritivas usadas e recomendadas por autores
de diversos países para o cultivo hidropônico de diferentes culturas. São descritos
os critérios para o preparo e manejo da solução nutritiva durante o desenvolvimento
de plantas, incluindo-se a composição química da água usada no cultivo hidropônico,
interpretação de análise química periódica e das medidas do pH e da condutividade
elétrica. Para as condições brasileiras, as recomendações de formulações de soluções
nutritivas levam em conta o clima regional.
Palavras-chave: Macronutrientes; Micronutrientes; pH; Condutividade elétrica;
Adubos; Cultivo hidropônico.
INTRODUÇÃO
Desde a criação do termo hidropônico pelo pesquisador da Universidade da
Califórnia, Dr. W. F. Gericke, na década de
30, a técnica de produção de plantas sem
solo vem sendo popularizada. Segundo
Benoit & Ceustermans (1995), a despeito
do maior custo inicial para instalação, várias
são as vantagens do cultivo comercial de
plantas em hidroponia, as quais podem ser
resumidas como a seguir: padronização da
cultura e do ambiente radicular; drástica
redução no uso de água; eficiência do uso
de fertilizantes; melhor controle do crescimento vegetativo; maior produção por
área, qualidade e precocidade; maior ergonomia no trabalho; maiores possibilidades
de mecanização e automatização da cultura.
A obtenção das vantagens dependerá
de diversos fatores, mas principalmente do
domínio dos conhecimentos sobre a formulação e manejo mais adequados das
soluções nutritivas.
No Brasil, tem crescido nos últimos
anos o interesse pelo cultivo em hidroponia, predominando o sistema nutrient
film technique (NFT), ou seja, a técnica do
fluxo laminar de nutrientes. Muitos dos
cultivos hidropônicos não obtêm sucesso,
devido ao desconhecimento dos aspectos
de manejo nutricional desse sistema de
produção. Neste contexto, enfocaremos os
aspectos importantes pertinentes ao preparo e aos critérios de reposição de nutrientes, bem como as diversas fórmulas de soluções nutritivas para diferentes culturas.
1
Engo Agro, Ph.D., Pesq. IAC-CSRA, Bolsista CNPq, Caixa Postal 28, CEP 13001-970 Campinas-SP. E-mail: [email protected]
Engo Agro, Pesq. IAC - Núcleo de Agronomia da Alta Mogiana, Caixa Postal 271, CEP 14001-970 Ribeirão Preto-SP.
3
Engo Agro, M.Sc., Assist. Téc. IAC - Estação Experimental de Agronomia em Pindorama, Caixa Postal 24, CEP 15830-000 Pindorama-SP.
4
Engo Agro, D.Sc., Prof. Tit. UFLA - Depto Ciência do Solo, Bolsista CNPq, Caixa Postal 37, CEP 37200-000 Lavras-MG. E-mail: [email protected]
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
NOÇÕES DE NUTRIÇÃO
MINERAL DE PLANTAS
Ao contrário dos animais e microrganismos, os elementos químicos essenciais
requeridos pelas plantas superiores são
exclusivamente de natureza inorgânica. A
identificação desses nutrientes atendeu
aos critérios de essencialidade propostos
por Arnon & Stout (1939), citados por Resh
(1996), ou seja:
a) a deficiência ou a falta de um elemento impossibilita a planta de completar o seu ciclo biológico;
b) a deficiência é específica para o elemento em questão;
c) o elemento deve estar envolvido
diretamente na nutrição da planta,
quer seja constituindo um metabólito essencial, quer seja requerido
para a ação de um sistema enzimático.
Dessa forma, com os elementos químicos carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio
(O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio
(K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S),
boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe),
manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco
(Zn), uma planta é capaz de desenvolver e
completar seu ciclo biológico, se as condições ambientais forem favoráveis. Com
exceção dos nutrientes não-minerais C, H
e O, que são incorporados ao metabolismo
vegetal, através da água e ar atmosférico,
os demais nutrientes minerais são absorvidos via raízes.
Além desses nutrientes, outros elementos químicos têm sido esporadicamente
considerados benéficos ao crescimento de
plantas, sem contudo atender aos critérios
de essencialidade. Como exemplo, podemos citar o sódio (Na) para plantas halófitas, o silício (Si) para algumas gramíneas
e o cobalto (Co) para plantas leguminosas
fixadoras de nitrogênio atmosférico.
De acordo com a redistribuição no interior das plantas, os nutrientes podem ser
classificados em três grupos: móveis (NO3,
NH4, P, K e Mg), intermediários (S, Mn, Fe,
Zn, Cu e Mo) e imóveis (Ca e B). Essa classificação é muito útil na identificação de
sintomas de deficiência de um determinado
nutriente. Por exemplo, os sintomas de falta
91
de N e de B ocorrem em partes mais velhas
(folhas velhas) e mais jovens da planta
(pontos de crescimento), respectivamente.
Em cultivos hidropônicos, a absorção
é geralmente proporcional à concentração
de nutrientes na solução próxima às raízes
sendo muito influenciada pelos fatores do
ambiente, tais como; salinidade, oxigenação, temperatura e pH da solução nutritiva,
intensidade de luz, fotoperíodo, temperatura e umidade do ar (Adams, 1992, 1994).
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE
HORTALIÇAS VISANDO O
CULTIVO HIDROPÔNICO
Quando se procede uma análise das
exigências nutricionais de plantas, visando
o cultivo em solução nutritiva, devem-se
enfocar as relações existentes entre os nutrientes, pois essa é uma indicação da rela-
ção de extração do meio de crescimento.
As quantidades totais absorvidas apresentam importância secundária, uma vez que
no cultivo hidropônico procura-se manter
relativamente constante as concentrações
dos nutrientes no meio de crescimento,
diferente do que ocorre em solo, onde se
procura fornecer as quantidades exigidas
pelas plantas através do conhecimento prévio das quantidades disponíveis existentes
no próprio solo.
No Quadro 1 são apresentadas as relações existentes entre os teores foliares
considerados adequados de N, P, Ca, Mg e
S com os de K, considerados adequados
para diferentes culturas passíveis de ser
cultivadas no sistema hidropônico - NFT.
Embora haja diferenças nos teores de nutrientes em folhas em função de cultivares,
épocas de amostragem e posição das folhas, os valores apresentados indicam que
QUADRO 1 - Relações entre os teores foliares (g/kg) de N, P, Ca, Mg e S e os teores de K
considerados adequados para diferentes culturas
(continua)
Culturas
K
N
P
Ca
Mg
S
Agrião
1,00
0,83
0,17
0,25
0,07
0,05
Alface
1,00
0,62
0,09
0,31
0,08
0,03
Almeirão
1,00
0,65
0,11
0,12
0,03
-
Cebolinha
1,00
0,75
0,08
0,50
0,10
0,16
Chicória
1,00
0,82
0,11
0,36
0,07
-
Couve
1,00
1,20
0,16
0,62
0,14
-
Hortaliças de folhas
Espinafre
1,00
1,00
0,11
0,78
0,18
0,20
Repolho
1,00
1,00
0,15
0,63
0,15
0,13
Rúcula
1,00
0,78
0,09
0,84
0,07
-
Salsa
1,00
1,14
0,17
0,43
0,11
-
Berinjela
1,00
1,00
0,16
0,40
0,14
-
Ervilha
1,00
1,67
0,20
0,67
0,17
-
Feijão-vagem
1,00
1,43
0,14
0,71
0,17
0,11
Hortaliças de frutos
Jiló
1,00
1,57
0,14
0,57
0,11
-
Melão
1,00
1,14
0,14
1,14
0,29
0,08
Morango
1,00
0,67
0,10
0,67
0,27
0,10
Pepino
1,00
1,22
0,18
0,56
0,16
0,13
Pimenta
1,00
1,00
0,13
0,63
0,20
-
Pimentão
1,00
0,90
0,10
0,50
0,16
-
Quiabo
1,00
1,29
0,11
1,14
0,23
0,10
Tomate
1,00
1,25
0,15
0,75
0,15
0,16
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92
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
(conclusão)
Culturas
K
N
P
Ca
Mg
S
Brócolos
1,00
1,50
0,20
0,67
0,17
0,18
Couve-flor
1,00
1,25
0,15
0,75
0,10
-
na produção de frutos, as relações entre N
e K e, P e K consideradas devem ser diferentes das usadas para o desenvolvimento
vegetativo. No período de floração e frutificação deve-se reduzir a relação N/K e
aumentar P/K. Essas alterações são fáceis
de ser feitas no cultivo hidropônico.
Hortaliças de flores
Ornamentais
Antúrio
1,00
1,00
0,20
0,80
0,32
0,20
Azaléia
1,00
2,00
0,40
1,00
0,70
0,35
Begônia
1,00
1,11
0,11
0,44
0,11
0,12
Crisântemo
1,00
1,00
0,14
0,30
0,14
0,10
Gladíolo
1,00
1,29
0,20
0,71
0,09
-
Gloxínia
1,00
1,00
0,10
0,50
0,15
0,13
Gypsophila
1,00
1,25
0,13
0,88
0,18
0,12
Hibiscus
1,00
1,75
0,35
1,00
0,30
0,16
Palmeira
1,00
1,00
0,17
0,67
0,20
0,18
Rosa
1,00
1,60
0,16
0,60
0,16
0,21
Schefflera
1,00
1,00
0,13
0,50
0,17
0,16
Violeta-africana
1,00
0,90
0,10
0,30
0,12
0,11
COMPOSIÇÃO DE SOLUÇÕES
NUTRITIVAS
A composição ideal de uma solução
nutritiva depende não somente das concentrações dos nutrientes, mas também de
outros fatores ligados ao cultivo, incluindose o tipo ou o sistema hidropônico, os fatores ambientais, a época do ano (duração
do período da luz), estádio fenológico, a
espécie vegetal e a cultivar em produção.
A Figura 1 mostra as origens dos nutrientes no cultivo em solo e hidroponia. Comparando-se as composições químicas de extratos de solo e de soluções
nutritivas, Martinez (1997) comentou que
as maiores diferenças existentes entre
esses dois meios de crescimento de plantas (solo e hidroponia) referem-se à concentração de P. Enquanto na solução
de um solo fértil essa concentração é de
FONTE: Dados básicos: Raij et al. (1997).
existem diferenças entre essas relações para as diversas espécies, considerando o
desenvolvimento vegetativo adequado, e
que isto deve ser levado em consideração,
quando se utiliza uma única composição
de solução nutritiva para o crescimento de
variadas espécies vegetais. Quando isso
ocorre com espécies que possuem relação
de extração diferente, há uma grande possibilidade de desequilíbrio nutricional com
o acúmulo e/ou a falta de nutrientes ao longo do período de crescimento e desenvolvimento das plantas, principalmente para
aquelas de ciclo mais longo, quando a
solução nutritiva não é renovada integralmente. Os valores apresentados também
indicam que, para a reposição de nutrientes
durante o desenvolvimento das plantas,
essas relações devem ser consideradas.
Por exemplo, quando se usa uma única
solução nutritiva para o crescimento de
diferentes hortaliças de folhas, pode-se
antever que as plantas de espinafre e rúcula
irão absorver maiores quantidades de Ca
que as plantas de agrião, alface e almeirão,
para cada unidade de K absorvido. Se isso
não foi considerado na reposição de nutrientes, ocorrerá deficiência de Ca para
essas culturas com maior capacidade de
extração.
Por outro lado, para as culturas que
possuem fase reprodutiva com interesse
comercial, seja na produção de flores seja
Solo
Fração
inorgânica
Fração
orgânica
Húmus
Parte
aérea
planta
Raízes
Absorção
água e
nutrientes
Minerais
decompostos
Hidroponia
Dissolvidos em
água do solo
Sais
inorgânicos
Solução do solo
Solução nutritiva
Dissolvidos
em água
Figura 1 - Analogia entre as origens dos nutrientes absorvidos por plantas cultivadas
em solo e em hidroponia
FONTE: Dados básicos: Resh (1996).
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
0,004mmol/l (0,12mg/l)5, nas soluções nutritivas é 125 a 675 vezes maior, isto é, entre
0,5 e 2,7mmol/l (15 e 84mg/l). Segundo essa
autora, ao contrário, o K e o N apresentam
concentrações na solução do solo muito
superiores às da solução nutritiva, sendo,
respectivamente, de 49 a 126 vezes e de 16
a 56 vezes mais elevadas nessa solução.
Para os demais nutrientes, as diferenças
são de menor magnitude. A composição
da solução de um solo sofre muito pouca
alteração em função da extração de nutrientes pelas plantas, uma vez que no solo,
além da relação entre o volume de solução
e o volume de raízes ser muito elevada,
também ocorre uma capacidade contínua
de reposição de nutrientes a partir dos processos de decomposição e/ou liberação
dos componentes inorgânico e orgânico.
Isso não ocorre com soluções nutritivas,
onde normalmente a relação de volume
solução/raízes além de ser muito menor do
que em condições de solo, a reposição de
nutrientes naturalmente não existe.
Diversas soluções nutritivas já foram
propostas na literatura havendo, em alguns
casos, diferenças marcantes entre elas com
relação às concentrações dos macronutrientes, enquanto que para os micronutrientes, as diferenças são bem menores.
Hewitt (1966), citado por Benton Jones
Junior (1982), apresenta uma lista de 160
diferentes fórmulas, com base nos vários
tipos de sais e combinações de fontes de
93
nitrogênio.
No entanto, é comum encontrar na literatura a frase “solução nutritiva modificada de Hoagland”, isto é, fórmulas derivadas da proposta em 1938, por Hoagland
& Arnon, citados por Resh (1996), em que
as concentrações dos nutrientes expressos
em mg/l são: N-N03 (210), P (31), K (234),
Ca (160), Mg (48), S (64), B (0,5), Cu (0,02),
Fe (1,0), Mn (0,5), Mo (0,01) e Zn (0,05).
Também existe outra versão dessa solução
com a adição de N-NH4 (14), mantendo-se
o N total constante. Esses dois tipos de
soluções têm sido as mais usadas em pesquisa com nutrição mineral de plantas e
constituem a base para a formulação de
inúmeras soluções nutritivas comerciais
existentes em todo o mundo.
De maneira geral, segundo Barry (1996),
as concentrações de nutrientes nas soluções nutritivas apresentam-se nas seguintes faixas (mg/l): N (70-250), P (15-80),
K (150-400), Ca (70-200), Mg (15-80), S
(20-200), Fe (0,8-6), Mn (0,5-2), B (0,1-0,6),
Cu (0,05-0,3), Zn (0,1-0,5) e Mo (0,05-0,15).
Esses valores podem ser observados nos
Quadros 2, 3 e 4, nos quais estão apresentadas diferentes soluções nutritivas para
várias espécies de hortaliças. Convém
salientar que, para as condições em que
foram avaliadas, todas conferem bons resultados, no entanto, pode-se dizer que
não existe uma formulação que seja única e
melhor que todas as outras. Como men-
cionado anteriormente, são pequenas as
diferenças entre as concentrações de um
mesmo micronutriente nas diferentes soluções nutritivas. Por exemplo, nas soluções
propostas por Yamazaki, citado por Sazaki
(1992), as concentrações dos micronutrientes são as mesmas, independente da
cultura.
Também já existem no mercado brasileiro formulações importadas na forma de
cristais e prontas para o uso, tais como:
Kristalon Laranja 6-12-36 (adiciona-se
Tenso-cocktail), Plant Prod 7-11-27,
Peter’s Professional Hydro-Sol 5-11-26.
Devido à limitação química de acrescentar
o Ca com os demais nutrientes numa mesma
formulação, há a necessidade de adição de
uma fonte de Ca, sendo mais utilizado o
nitrato de cálcio Hydro especial.
PREPARO E MANEJO QUÍMICO
DE SOLUÇÕES NUTRITIVAS
Os produtores que optarem pela confecção da solução nutritiva podem utilizar
qualquer sal solúvel, desde que forneça o
nutriente requerido e não contenha elemento químico que possa prejudicar o desenvolvimento das plantas. Nos Quadros 5 e 6
encontram-se listados os sais/fertilizantes comumente usados para o preparo de
soluções nutritivas. Alguns cuidados devem ser observados no preparo das soluções nutritivas destinadas à produção
comercial:
QUADRO 2 - Concentrações de nutrientes (g/1.000l) para o cultivo hidropônico de alface
N-NO3 N-NH4
86,5
P
K
Ca
Mg
S-SO4
B
Cu
Fe
Mn
Mo
Zn
Fonte
8,7
12
145
45
12
16
0,2
0,01
2,0
0,2
0,005
0,02
Sazaki (1992)
266
18
62
430
180
24
36
0,3
0,05
2,2
0,3
0,05
0,05
Sonneveld & Straver (1994)
156
_
28
252
93
26
34
0,5
0,05
3,0
0,5
0,05
0,1
Muckle (1993)
238
_
62
426
161
24
32
0,3
0,05
5,0
0,4
0,05
0,3
Castellane & Araújo (1994)
166
_
30
279
149
46
90
0,5
0,02
2,5
2,0
0,05
0,1
Lim & Wan (1984)
206
_
50
211
200
29
38
0,5
0,02
3,0
0,5
0,1
0,15
Adams (1994)
165
_
35
339
78
23
49
0,1
0,10
5,0
0,2
0,03
0,14
Carrasco & Izquierdo (1996)
174
24
39
183
142
38
52
0,3
0,02
2,0
0,4
0,06
0,06
Furlani (1998)
(1)
(1) acrescentar 14g e 21g de Si/1000l, para alface e pepino, respectivamente.
5
Para converter mmol/l para mg/l ou g/1.000l ou “ppm”, multiplica-se o valor em mmol/l pelo valor da massa atômica do nutriente. No caso do
P, a massa atômica é igual a 31.
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94
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 3 - Concentrações de nutrientes (g/1.000l) para o cultivo hidropônico de algumas hortaliças de frutos
Cultura
N-NO3
N-NH 4
P
K
Ca
Mg
S-SO4
B
Cu
Fe
Mn
Mo
Zn
Fonte
Tomate
103,5
151
192
169
12
14
-
16
39
46
62
109
254
275
311
67,5
110
144
153
24
24
32
43
32
48
42
50
0,2
0,3
0,5
0,3
0,01
0,05
0,05
0,05
2,0
0,8
0,5
4,3
0,2
0,6
0,5
1,1
0,005
0,05
0,05
0,05
0,02
0,05
0,1
0,3
Sazaki (1992)
Sonneveld & Straver (1994)
Muckle (1993)
Castellane & Araújo (1994)
Pepino
198
168
185
174
21
14
-
24
31
46
56
217,5
254
229
258
157,5
110
170
153
48
24
32
41
64
32
42
54
0,2
0,3
0,5
0,3
0,01
0,05
0,05
0,05
2,0
0,8
1,0
4,3
0,2
0,6
0,5
1,1
0,005
0,05
0,05
0,05
0,02
0,05
0,1
0,3
Sazaki (1994)
Sonneveld & Straver (1994)
Muckle (1993)
Castellane & Araújo (1994)
Pimenta
175
18 5
14
-
31
46
244
231
120
170
27
32
32
50
0,3
0,5
0,05
0,05
0,8
1,5
0,6
0,5
0,05
0,05
0,05
0,1
Sonneveld & Straver (1994)
Muckle (1993)
Pimentão
152
-
39
245
110
29
32
0,3
0,05
3,7
0,4
0,05
0,3
Castellane & Straver (1994)
Berinjela
165
17 9
14
-
31
46
254
303
90
127
37
39
36
48
0,3
0,3
0,05
0,05
0,8
3,2
0,6
0,6
0,05
0,05
0,05
0,3
Sonneveld & Straver (1994)
Castellane & Araújo (1994)
Morango
73,4
140
101
125
13 8
8,7
7
3
35
12
39
44
46
36
109
205
208
176
292
45
110
123
119
95
12
27
51
24
30
16
36
134
32
-
0,2
0,3
0,5
0,3
-
0,01
0,05
0,05
0,05
0,17
2,0
1,0
3,0
2,5
6,0
0,2
0,6
0,5
0,4
0,5
0,005
0,05
0,05
0,05
-
0,02
0,05
0,1
0,3
0,2
Sazaki (1992)
Sonneveld & Straver (1994)
Muckle (1993)
Castellane & Araújo (1994)
Sarooshi & Cressewell (1994)
Melão
198
170
25,2
-
32
39
217,5
225
157,5
153
36
24
48
32
0,2
0,3
0,01
0,05
2,0
2,2
0,2
0,6
0,005
0,05
0,02
0,3
Sazaki (1992)
Castellane & Araujo (1994)
(1)
(2)
20 0
130
-
50
40
680
400
180
70
30
30
-
0,5
0,5
0,2
0,2
6,0
6,0
0,5
0,5
0,2
0,2
0,2
0,2
Pardossi et al. (1994)
Pardossi et al. (1994)
(1) Primavera. (2) Verão.
QUADRO 4 - Concentrações de nutrientes (g/1.000l) recomendadas para o cultivo hidropônico de plantas ornamentais
Cultura
N-NO 3
N-NH 4
P
K
Ca
Mg
S-SO4
B
Cu
Fe
Mn
Mo
Zn
Alstroemeria
158
105
18
11
39
31
235
186
115
80
24
18
40
40
0,3
0,2
0,05
0,05
1,4
1,4
0,6
0,3
0,05
0,05
0,3
0,3
Anemona
182
14
47
254
150
24
40
0,3
0,05
2,0
0,3
0,05
0,3
Cravo
182
102
14
11
39
19
244
156
150
70
24
12
40
26
0,6
0,2
0,05
0,03
1,4
1,1
0,6
0,3
0,05
0,05
0,3
0,2
Antúrio
91
14
31
176
60
24
48
0,2
0,03
0,8
0,2
0,05
0,2
Aster
182
14
39
244
150
24
40
0,3
0,05
1,4
0,6
0,05
0,3
Bouvardia
182
112
18
14
54
47
235
156
170
100
24
12
48
24
0,2
0,2
0,05
0,05
1,4
1,4
0,3
0,3
0,05
0,05
0,2
0,2
Crisântemo
179
18
31
293
100
24
32
0,2
0,03
3,4
1,1
0,05
0,2
Cymbidium
63
56
7
17
31
31
137
127
80
65
21
21
68
72
0,2
0,2
0,03
0,03
0,4
0,4
0,6
0,6
0,05
0,05
0,2
0,3
Euforbia
161
14
47
235
140
24
48
0,2
0,03
2,0
0,6
0,05
0,2
Freesia
203
17
39
303
135
36
48
0,3
0,05
1,4
0,6
0,05
0,3
Gerbera
158
105
21
14
38
23
215
166
120
70
24
12
40
24
0,3
0,2
0,05
0,03
2,0
1,4
0,3
0,3
0,05
0,05
0,3
0,3
Gypsophila
210
17
54
274
180
30
48
0,3
0,05
1,4
0,6
0,05
0,3
Hippeastrum
182
14
39
293
125
24
40
0,3
0,03
0,6
0,6
0,05
0,3
Plantas envasadas
148
15
47
215
120
18
32
0,2
0,03
1,1
0,6
0,05
0,2
Rosa
60
154
7
18
16
39
90
196
44
140
10
18
16
40
0,2
0,2
0,05
0,03
1,4
0,8
0,3
0,3
0,05
0,05
0,2
0,2
Statice
168
14
FONTE: Sonneveld & Straver (1994).
31
235
120
24
32
0,03
0,05
0,8
0,6
0,05
0,3
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 9 0 - 9 8 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
95
QUADRO 5 - Sais/fertilizantes usados como fontes de macronutrientes para o preparo de soluções
nutritivas
CE
Quantidade para
Nutriente Concentração
(solução
preparar 1 mg/l de
Sal ou fertilizante
fornecido
(%)
0,1%)
cada nutriente
(mS)
(g/1.000l)
Nitrato de potássio
(13-0-44)
K
N-NO3
36,5
13
1,28
2,74
7,69
Nitrato de cálcio Hydro®
Ca
N-NO3
N-NH4
19
14,5
1,0
1,18
5,26
6,90
100,00
Magnitra-L® 41%, D=1,35
Mg
N-NO3
6
7
0,50
Fosfato monoamônio (MAP)
purificado (11-60-0)
N-NH4
P
11
26
0,95
9,09
3,85
Nitrato de amônio
N-NH4
N-NO3
16,5
16,5
1,50
6,06
6,06
16,67 (12,35ml)
14,29 (10,59ml)
Fosfato monopotássico (MKP)
(0-52-34)
K
P
29
23
0,70
3,45
4,35
Cloreto de potássio (branco)
K
Cl
52
47
1,70
1,92
2,13
Sulfato de potássio
K
S
41
17
1,20
2,44
5,88
Sulfato de magnésio
Mg
S
10
13
0,88
10,00
7,69
P
27
1,00
3,70 (2,18ml)
Ácido fosfórico 85%, D = 1,7
QUADRO 6 - Sais/fertilizantes usados como fontes de micronutrientes para o preparo de soluções
nutritivas
Quantidade para
Nutriente
Concentração
preparar 0,1 mg/l de
Sal ou fertilizante
fornecido
(%)
cada nutriente
(g/1.000l)
FeEDTA (Dissolvine® pó)
FeEDTA (Arbore Fe® líquido)
FeEDDHA (Ferrilene® pó)
FeEDDHMA (Tenso-Fe® pó)
Fe
Fe
Fe
Fe
13
4
6
6
0,77
2,50
1,67
1,67
Ácido bórico
Bórax
B
B
17
11
0,59
0,91
Sulfato de cobre
CuEDTA
Cu
Cu
13
5
0,77
2,00
Sulfato de manganês
Cloreto de manganês
MnEDTA
Mn
Mn
Mn
26
27
5
0,38
0,37
2,00
Sulfato de zinco
Cloreto de zinco
ZnEDTA
Zn
Zn
Zn
22
45
7
0,45
0,22
1,43
Molibdato de sódio
Molibdato de amônio
Ácido molíbdico
Mo
Mo
Mo
39
54
66
0,26
0,19
0,15
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 9 0 - 9 8 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
a) conhecer a qualidade da água, quanto as suas características químicas
(quantidades de nutrientes e concentração salina) e microbiológicas
(presença de coliformes fecais e patógenos). Se os teores de algum dos
macro e/ou micronutrientes forem
respectivamente maiores que 25% e
50% dos valores da fórmula adotada,
as quantidades dos sais que fornecem esses nutrientes devem ser recalculadas;
b) observar a relação custo/benefício
e solubilidade na escolha dos sais
fertilizantes;
c) utilizar N na forma amoniacal (NH4)
não mais do que 20% da quantidade
total de N da formulação;
d) evitar a mistura de solução concentrada de nitrato de cálcio com sulfatos e fosfatos, pois podem ocorrer
a formação de compostos insolúveis
(precipitados) como sulfato de cálcio
e fosfato de cálcio;
e) dar preferência ao uso de molibdato
de amônio ou ácido molibdico, em
vez do molibdato de sódio, pois este
é muito alcalino e quando adicionado ao coquetel dos demais sais
de micronutrientes pode ocasionar
precipitações de alguns deles.
Uma grande parte das soluções nutritivas não tem capacidade tampão, dessa
forma o pH varia continuamente, não se
mantendo dentro de uma faixa ideal.
Variações na faixa de 4,5 a 7,5 são toleradas,
sem problemas ao crescimento das plantas.
No entanto, valores abaixo de 4,0 afetam a
integridade das membranas celulares e
valores superiores a 6,5 exigem atenção
redobrada com possíveis sintomas de
deficiência de Fe, P, B e Mn.
As variações de pH que ocorrem na
solução nutritiva são reflexos da absorção
diferenciada de cátions e ânions. Por
exemplo, quando o N é fornecido na forma
nítrica, a absorção de ânions é maior que
cátions ocorrendo elevação do pH. Por esta
razão, recomenda-se o fornecimento de
parte do N também na forma amoniacal
(NH4), tornando a solução mais tamponada.
96
É mais conveniente manter a solução nutritiva equilibrada em cátions e ânions para
atender à demanda da planta, que tentar
manter o pH numa faixa estreita de valores
através do uso de ácidos (sulfúrico, fosfórico, nítrico ou clorídrico) e/ou bases
fortes (hidróxido de sódio, ou de potássio,
ou de amônio), para diminuir ou aumentar
o pH do meio de crescimento, respectivamente. Convém salientar que o uso desses produtos deve ser feito com cautela,
pois podem causar sérias queimaduras,
quando em contato com a pele e olhos do
operador.
Considerando que a absorção de nutrientes pelas plantas é seletiva em função
da espécie e cultivar, a reposição dos nutrientes durante o desenvolvimento das
plantas, sem afetar o balanço entre as suas
concentrações na solução nutritiva, é o
maior desafio dos produtores hidropônicos.
Diferentes formas de reposição de nutrientes são mencionadas na literatura, de
acordo com Berry (1996). Durante o desenvolvimento do cultivo hidropônico
comercial, os sistemas de manejo foram
também evoluindo. Inicialmente, procurava-se renovar periodicamente a solução
nutritiva. Entretanto, essa prática ocasionava desperdícios além do efeito poluente
e foi substituída pela adição de sais, proporcional ao volume de água consumido
pelas plantas, usando como critério os
valores da evapotranspiração. Este critério
provocava aumentos nas concentrações
de nutrientes extraídos em menores quantidades e, se a solução nutritiva não fosse
balanceada para a cultura, também provocava a deficiência dos nutrientes extraídos
em maiores quantidades. Embora fácil de
usar na prática, este critério foi substituído
pelo controle da concentração salina da
solução nutritiva mediante monitoramento
com condutivímetro portátil. No entanto, a
leitura fornecida pelo condutivímetro não
discrimina os nutrientes, podendo também
ocasionar desequilíbrios nutricionais. Para
contornar esses problemas, a análise química periódica da solução nutritiva seria a
única maneira de repor à solução nutritiva
as quantidades de nutrientes que foram
absorvidas pelas plantas. Do ponto de vista
prático, exige-se que a análise seja feita de
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
forma rápida e com custo baixo, o que nem
sempre é conseguido por produtores que
se situam distantes dos laboratórios de
análises. Mais recentemente, tem sido direcionados esforços para o desenvolvimento
de sensores que estimam a concentração
dos nutrientes individualmente. Entretanto, nada definitivo e confiável existe no
mercado brasileiro.
Para calcular as quantidades de sais ou
de fertilizantes necessárias para o preparo
de qualquer uma das soluções nutritivas
listadas nos Quadros 2, 3 e 4, pode-se
multiplicar a concentração requerida do
nutriente pela quantidade listada na quinta
coluna do Quadro 5, para se obter 1mg/l
de um determinado macronutriente, ou
0,1mg/l de um micronutriente.
Também a condutividade elétrica (CE)
em mS de qualquer solução nutritiva pode
ser estimada a priori, somando-se os resultados da multiplicação da quantidade
de cada sal pelo respectivo coeficiente de
condutividade elétrica, mostrado na quarta coluna do Quadro 5, tomando-se o cuidado de transformar as quantidades em g/l
para kg/1.000l.
SUGESTÃO DE FORMULAÇÕES
PARA O PREPARO DE
SOLUÇÕES NUTRITIVAS PARA
DIVERSAS CULTURAS EM
HIDROPONIA-NFT
A seguir são citadas as sugestões para
as culturas e seus respectivos autores:
Papadopoulos (1991): tomate - solução
estoque A (g/100l): nitrato de cálcio
(9.900), nitrato de potássio (6.600); solução
estoque B (g/100l): sulfato de magnésio
(5.000), fosfato monopotássico (MKP)
(2.700), Dissolvine (FeEDTA - 13% Fe)
(300), sulfato de manganês (50), ácido
bórico (20), sulfato de cobre (3), sulfato de
zinco (3,5), molibdato de amônio (1).
Para preparar 1.000l de solução nutritiva com CE ao redor de 2,2mS, acrescentar
8l de cada uma das soluções estoques ao
reservatório e completar o volume com
água. Quando iniciar com uma cultura nova
(transplante de mudas), preparar uma
solução com CE igual a 1,5mS e aumentar
gradualmente a CE para 2,2mS durante a
primeira semana de crescimento.
Resh (1993): tomate - solução estoque
A1 (g/100l): nitrato de cálcio (4.600);
solução estoque B1 (g/100l): nitrato de
potássio (2.300), fosfato monopotássico
(1.800), sulfato de potássio (1.600) e sulfato
de magnésio (2.000); solução estoque A 2
(g/100l): nitrato de cálcio (6.900); solução
estoque B2 (g/100l): nitrato de potássio
(1.900), fosfato monopotássico (2.500),
sulfato de potássio (3.900) e sulfato de
magnésio (3.300); solução estoque A 3
(g/100l): nitrato de cálcio (9.200); solução
estoque B3 (g/100l): nitrato de potássio
(3.100), fosfato monopotássico (2.900),
sulfato de potássio (5.000) e sulfato de
magnésio (4.500); solução estoque C
(g/100l): ácido bórico (17), sulfato de
manganês (32), sulfato de cobre (2,8),
sulfato de zinco (4,5), molibdato de sódio
(1,3), quelato de ferro (10% Fe) (300). As
soluções estoques com índices 1, 2 e 3
referem-se, respectivamente, aos estádios
de crescimento 1 - pós-emergência até a
primeira folha verdadeira, 2 - da primeira
folha verdadeira até o aparecimento dos
primeiros frutos com 0,5 a 1,5cm de diâmetro, e 3 - desta fase em diante até o final
do ciclo. A solução estoque C (micronutrientes) é a mesma para os três estádios.
Para preparar 1.000l de solução nutritiva para uso nas três distintas fases de
desenvolvimento do tomateiro, acrescentar
10l de cada uma das soluções estoques A,
B e C ao reservatório e completar o volume
com água.
Papadopoulos (1994): pepino - solução estoque A (g/100l): nitrato de cálcio
(4.400), nitrato de potássio (6.270), nitrato de amônio (500); solução estoque B
(g/100l): sulfato de magnésio (5.000),
fosfato monopotássico (MKP) (220), Dissolvine (FeEDTA - 13% Fe) (100), sulfato
de manganês (25), ácido bórico (9), sulfato
de cobre (3), sulfato de zinco (3,5), molibdato
de amônio (1).
Para preparar 1.000l de solução nutritiva com CE ao redor de 2,2mS, acrescentar
8l de cada uma das soluções estoques ao
reservatório e completar o volume com
água. Quando iniciar com uma cultura nova
(transplante de mudas), preparar uma
solução com CE igual a 1,5mS e aumentar
gradualmente a CE para 2,2mS durante a
primeira semana de crescimento.
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 9 0 - 9 8 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Carrasco & Izquierdo (1996): hortaliças
diversas (alface, manjericão, melão, tomate
e pepino) - solução estoque A (g/100l):
nitrato de cálcio (4.330); solução estoque
B (g/100l): nitrato de potássio (8.295),
nitrato de magnésio (3.270), fosfato monopotássico (MKP) (2.070), sulfato de
potássio (3.665), quelato de ferro (FeEDTA13% Fe) (400), Sequelene (Mistura de
micros: 1,6% Mn, 0,88% B, 0,8% Cu, 0,24%
Mo e 1,12% Zn) (1,25).
Para preparar 1.000l de uma solução
nutritiva com CE ao redor de 2,5mS, acrescentar 10l de cada uma das soluções estoques ao reservatório e completar o volume
com água. Para as diferentes espécies, usar
a seguinte faixa recomendada de CE: alface
(1,5 a 2,5 mS), manjericão (1,5 a 2,0 mS),
melão (3,0 a 3,5 mS), pepino (3,0 a 3,5 mS) e
tomate (2,5 a 3,0 mS).
Furlani (1998): diversas hortaliças de
folhas - o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) tem uma proposta de preparo e
manejo de solução nutritiva para cultivo
hidropônico, destinada para diversas espécies de plantas e já utilizada por muitos
produtores em escala comercial. O produtor pode confeccionar a solução nutritiva,
utilizando sais ou fertilizantes simples, de
maneira fácil e rápida. No seu preparo são
usadas as quantidades de sais/fertilizantes, conforme consta do Quadro 7 (Furlani,
1998). Com essas quantidades de sais, a
QUADRO 7 - Quantidades de sais para o preparo
de 1.000l de solução nutritiva proposta pelo IAC
No
Sal/fertilizante
g/1.000l

1
2
3
4
5
6
7
Nitrato de cálcio Hydro Especial 750
Nitrato de potássio
500
Fosfato monoamônio
150
Sulfato de magnésio
400
Sulfato de cobre
0,15
Sulfato de zinco
0,5
Sulfato de manganês
1,5
8
Ácido bórico ou
Bórax
1,5
2,3
9
Molibdato de sódio ou
Molibdato de amônio
0,15
0,15
10 Tenso-Fe (FeEDDHMA-6%Fe) ou 30
Dissolvine (FeEDTA-13%Fe) ou 13,8
30
Ferrilene (FeEDDHA-6%Fe)
FONTE: Furlani (1998).
solução nutritiva resultante, teoricamente,
deve ter a composição apresentada no
Quadro 2 (Furlani, 1998). É importante
salientar que a quantidade fornecida de N
e P pode variar, dependendo da qualidade
do fertilizante fosfato monoamônio (MAP),
podendo-se optar entre o comum (22% de
P) e o purificado (26% de P). Em virtude
das pequenas quantidades utilizadas, os
micronutrientes podem ser fornecidos no
preparo da solução inicial, através da alíquota de 100ml de uma solução estoque,
contendo em 1l dez vezes as quantidades
recomendadas de cada sal de micronutriente, com exceção do Fe que deve ser
fornecido separadamente.
O manejo da solução nutritiva sugerido
pelo IAC é com base no trabalho de Nielsen
(1984), que utiliza o critério da manutenção da condutividade elétrica, mediante a
adição de soluções de ajuste com composições químicas que apresentam uma
relação entre os nutrientes semelhante à
extraída pela planta cultivada. A partir de
dados da composição química de diversas
hortaliças folhosas (Quadro 1), Furlani
(1998) sugere as formulações constantes
nos Quadros 7 e 8 para o preparo e manejo
da solução nutritiva, respectivamente. Para
preparar a solução nutritiva, dissolver cada
sal separadamente e acrescentar ao depósito, já contendo cerca de 900l de água,
cada uma das soluções concentradas e na
ordem em que estão listadas no Quadro 7.
Após a adição da última solução concentrada, acrescentar água até atingir o volume
de 1.000l. Tomar a medida da condutividade elétrica. O valor da CE da solução
nutritiva IAC situa-se ao redor de 2,0mS
ou 2000µS ou 1280ppm ou 20CF (1mS =
1.000µS; 640ppm = 1.000µS; 1CF = 100µS).
Pequena variação poderá ser encontrada
em função da composição química da água
usada para o seu preparo. No caso de optar
pelo uso de uma solução nutritiva com
condutividade de 1,0 ou 1,5mS ou 1.000 ou
1.500µS (recomendada para o verão e para
locais de clima quente - Regiões Norte e
Nordeste), basta multiplicar por 0,50 ou 0,75
os valores das quantidades dos macronutrientes indicados no Quadro 7, mantendo em 100% os micronutrientes.
É conveniente que o volume do depó-
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97
QUADRO 8 - Composições das soluções de ajuste
para as culturas de hortaliças de
folhas
SoluQuanSal/fertilizante
ção
tidade
g/10 l
A
Nitrato de potássio
1.200
Fosfato monoamônio purificado
200
Sulfato de magnésio
240
B
Nitrato de cálcio Hydro especial
C
Sulfato de cobre
Sulfato de zinco
Sulfato de manganês
Ácido bórico ou
Bórax
600
g/1 l
Molibdato de sódio ou
Molibdato de amônio
Tenso-Fe (FeEDDHMA-6%Fe) ou
Dissolvine (FeEDTA-13%Fe) ou
Ferrilene (FeEDDHA-6%Fe)
1,0
2,0
10,0
5,0
7,75
1,0
1,0
20
10
20
sito seja completado quantas vezes forem
necessárias durante o dia, para evitar elevação muito grande na concentração salina
da solução nutritiva. Para o ajuste da solução durante o crescimento e desenvolvimento das plantas, seguir o seguinte
procedimento:
a) fechar o registro de irrigação todos
os dias logo pela manhã, esperar toda a solução voltar ao depósito, completar o volume do reservatório com
água e homogeneizar a solução nutritiva;
b) proceder a leitura da condutividade
elétrica, retirando uma amostra de
solução do reservatório;
c) adicionar 1l da solução A, 1l da solução B e 50ml da solução C (Quadro 8) para cada diferença na condutividade inicial de 0,25mS ou 250µS
ou 150ppm. Para os micronutrientes,
a reposição pode ser semanal, em
vez de diária através da solução C.
Neste caso, adicionar 25% da quantidade de Fe e 50% dos demais micronutrientes listados no Quadro 7;
d) efetuar nova leitura após a adição
das soluções de ajuste e homogeneização da solução nutritiva e,
caso ela esteja na faixa adotada, abrir
98
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
o registro de irrigação das plantas. É
conveniente manter o reservatório
de solução nutritiva sempre no nível,
acrescentando água para repor o
volume evapotranspirado. Caso seja
conveniente, o volume poderá ser
completado à tarde e a condutividade elétrica medida e corrigida na
manhã do dia seguinte, tomando-se
o cuidado de verificar se não ocorreu
vazamentos durante à noite.
O ajuste químico perfeito da solução
nutritiva depende da cultivar, do ambiente
de crescimento, da época do ano e principalmente da qualidade da água usada no
cultivo hidropônico. Quando se procede a
adição de água para repor as perdas por
evapotranspiração, acrescentam-se também os nutrientes que estão presentes na
água.
A água usada no cultivo hidropônico
no IAC tem apresentado a seguinte composição: 19mg/l para Ca, 5mg/l para Mg e
5mg/l para K e 0,2mS de CE. Isso indica
que para cada 1.000l de água reposta ao
tanque, acrescentam-se também 19g de
Ca, 5g de Mg e 5g de K. Como conseqüência dessas adições ao longo do tempo, para repor as perdas por evapotranspiração
(o consumo médio de água num cultivo de
alface hidropônica situa-se entre 75 e
100ml/planta/dia), poderá ocorrer desequilíbrio entre os nutrientes na solução
nutritiva, com excesso de Ca e Mg em
relação ao K. Para contornar essa tendência,
deve-se proceder à análise química da
solução nutritiva e efetuar as correções nos
níveis dos nutrientes, ou então renovar a
solução nutritiva quando as quantidades
dos nutrientes acrescentados com a água
atingirem valores maiores dos iniciais. A
renovação da solução nutritiva também é
recomendada para evitar aumento nas
concentrações de materiais orgânicos
(restos de plantas, exsudatos de raízes e
crescimento de algas), que podem servir
como substrato para o desenvolvimento
de microrganismos maléficos. Além disso,
quando a água usada para o cultivo
hidropônico apresentar CE entre 0,2 e
0,4mS, há uma indicação que possui sais
dissolvidos (carbonatos, bicarbonatos,
sódio, Ca, K, Mg, S etc.) e, com o tempo de
cultivo e sua constante adição para repor
as perdas evapotranspiradas, ocorrerá uma
diminuição gradativa da CE efetiva dos
nutrientes, por causa do acúmulo de elementos indesejáveis.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos cultivos comerciais é comum ocorrer murchamento de plantas nas horas mais
quentes do dia. Para contornar tal problema, é importante manter o nível de solução
do reservatório próximo da capacidade
adotada, principalmente para as culturas
de ciclo rápido, pois em decorrência da
maior absorção de água e aumento de
temperatura, a condutividade elétrica real
pode aumentar no decorrer do dia e atingir valores críticos para as plantas. Para
regiões de clima quente, este sintoma pode
ser resultado de aumento na concentração
de sais na solução nutritiva, pois sabe-se
que proporcionalmente as plantas absorvem mais água que nutrientes. Vale ressaltar que nestes locais é conveniente trabalhar com soluções mais diluídas. Outra
causa do murchamento está relacionada
com o apodrecimento do sistema radicular
por patógenos e/ou por falta de oxigênio
na solução nutritiva, cujos sintomas iniciais
causam escurecimento das raízes. Portanto,
antes de qualquer decisão sobre a causa
provável desse murchamento, o produtor
deve procurar identificá-la corretamente.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
99
Cultivo de hortaliças de folhas em hidroponia
em ambiente protegido
Valdemar Faquin 1
Pedro Roberto Furlani 2
Resumo - São apresentadas sugestões da estrutura básica - estufa, bancadas, sistema
hidráulico, temporizador; produção de mudas; solução nutritiva - composição, preparo e manejo; cuidados fitossanitários; colheita, pós-colheita e comercialização para o
cultivo hidropônico das principais hortaliças folhosas. Destacam-se três aspectos básicos fundamentais para o sucesso de um empreendimento hidropônico: existência de
mercado consumidor, conhecimento técnico ou assistência técnica especializada sobre
o sistema e água de boa qualidade química e microbiológica.
Palavras-chave: Cultivo sem solo; Solução nutritiva; Alface; Agrião; Rúcula; Couvede-folhas; Salsinha; Cebolinha.
INTRODUÇÃO
O cultivo comercial de hortaliças e de
outras espécies pelo sistema hidropônico
é bastante recente no Brasil, mas vêm-se
desenvolvendo muito rápido, principalmente próximo aos grandes centros consumidores, e se tornando uma grande
alternativa para o cultivo protegido.
Diversas técnicas de cultivo sem solo têm sido desenvolvidas (Resh, 1997):
nutrient film technique (NFT) - denominado de técnica do fluxo laminar de nutrientes; deep film technique (DFT) - também
denominado de floating; em substrato; em
aeroponia - sistema em que as raízes das
plantas ficam suspensas recebendo água
e nutrientes por atomizadores. Certamente, o NFT é a principal técnica usada no
Brasil.
Muitas são as espécies cultivadas em
hidroponia, principalmente as hortaliças.
Dentre elas, as principais folhosas cultivadas comercialmente no Brasil são: alface (principalmente), agrião, rúcula, almei-
rão, couve-de-folhas, salsinha, cebolinha,
coentro, salsão etc., praticamente todas no
sistema NFT.
Ressaltam-se três aspectos importantes
que o produtor deve considerar na tomada
de decisão para implantação do sistema
hidropônico: existência de mercado consumidor para o produto, conhecimento técnico básico sobre o sistema e água de boa
qualidade química e microbiológica.
PRINCIPAIS VANTAGENS E
DESVANTAGENS DO CULTIVO
SEM SOLO
O cultivo hidropônico é bastante promissor, devido a uma série de vantagens
que apresenta em relação ao cultivo tradicional a campo e mesmo ao cultivo
protegido, no solo, assim como o uso de
pequenas áreas, obtenção de elevadas
produtividades, permite o cultivo durante
todo o ano, os produtos são de boa qualidade com melhores preços no mercado,
exige pequeno uso de defensivos agrícolas,
1
possibilita um uso eficiente e econômico
de água e fertilizantes, o sistema é livre da
salinização e contaminação por patógenos
- comuns em cultivo protegido em solo,
dispensa a rotação de culturas e controle
de plantas daninhas e, como o solo não é
utilizado, o meio ambiente é preservado.
Algumas desvantagens são: o custo inicial
de implantação é elevado, exige um alto
grau de tecnologia e acompanhamento
permanente do sistema, dependência de
energia elétrica ou de sistema alternativo,
fácil disseminação de patógenos pelo sistema pela própria solução nutritiva.
ESTRUTURA BÁSICA PARA O
CULTIVO DE HORTALIÇAS DE
FOLHAS
As instalações de um sistema NFT para
o cultivo de hortaliças de folhas são compostas basicamente por casa de vegetação (estufa); bancadas para produção de
mudas e de cultivo; sistema hidráulico
composto por reservatório para a solução
Engo Agro, D.Sc., Prof. Tit. UFLA-Depto Ciência do Solo, Bolsista CNPq, Caixa Postal 37, CEP 37200-000 Lavras-MG. E-mail: [email protected]
Engo Agro, Ph.D., Pesq. Cient. IAC-CSRA, Bolsista CNPq, Caixa Postal 28, CEP 13001-970 Campinas-SP. E-mail: [email protected]
2
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100
nutritiva; encanamentos e registros para
distribuição e retorno da solução nutritiva; conjunto motobomba e temporizador
(timer). Outros detalhes sobre a estrutura
de cultivo hidropônico são encontrados em
Furlani et al. (1999b).
Estufa
A estufa ou casa de vegetação, construída de diversos materiais como madeira,
ferro, concreto, canos galvanizados, peças
de alumínio, é uma estrutura com cobertura
plástica transparente, que confere às plantas proteção contra adversidades do clima,
encurta o ciclo da cultura, aumenta a produtividade e propicia colheitas fora de
época. Para a cobertura das estufas, os
filmes de polietileno transparentes com
tratamento contra os raios ultravioletas
(UV), de espessura de 0,10 ou 0,15mm, são
os mais utilizados. Lateralmente, as estufas podem ser providas de uma tela plástica e, no inverno mais rigoroso, de cortinas
de filme de polietileno.
Na prática, as dimensões das estufas
são bastante variadas. Podem ser usadas
estufas individuais para cada bancada de
cultivo, com 2m de largura e até 15m de
comprimento. As estufas grandes, de 6 a
7m de largura e comprimento variado,
acomodando diversas bancadas no seu
interior, são as mais utilizadas. Existem
diferentes tipos de estufas, denominadas
de Arco ou Túnel Alto, Capela ou Duas
Águas, Londrina e as Arco-geminadas e
Capela-geminadas (Faquin et al., 1996), e a
escolha fica a critério do interessado.
Em locais muito quentes, a altura do
pé-direito da estufa grande não deve ser
inferior a 2,80m, para facilitar a dissipação
do ar quente do seu interior.
Para a construção da estufa, de acordo
com Castellane & Araújo (1994), alguns
aspectos devem ser considerados: local
sem sombreamento, mas protegido dos
ventos predominantes, próximo da fonte
de água, de energia elétrica e da casa do
responsável.
O custo de uma estufa simples, dependendo da largura, material utilizado na
construção, da altura e do plástico usado
na cobertura, varia de R$ 5,00 a R$ 20,00
por metro quadrado (Furlani, 1998).
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Bancadas de cultivo
As bancadas de cultivo de hortaliças
folhosas no sistema NFT, montadas cerca
de 1,0m do solo, devem apresentar de 1,5 a
2,0m de largura e comprimento que pode
variar de 12 a 30m. Bancadas muito longas
devem ser evitadas, pois pode haver redução da concentração de nutrientes e de
oxigênio para as plantas do final delas,
além de contribuir para o aquecimento da
solução e dificultar o planejamento da
produção diária, quando se considera a
desinfecção.
As bancadas contêm os canais com
declividade de 2 a 4%, por onde circula a
solução nutritiva por gravidade e se desenvolvem as raízes das plantas. Os canais
podem ser formados por telhas de cimentoamianto forradas com filme plástico, tubos
de PVC de 75 ou 100mm inteiros ou cortados ao meio e perfis que estão sendo fabricados especialmente para hidroponia. A
profundidade dos canais de 2,5 a 3,0cm é
recomendada para as bancadas de précrescimento e de 4,0 a 5,0cm para as da
fase final.
Para a cobertura dos canais têm sido
usadas placas de isopor (1,5 ou 2,0cm de
espessura), filmes plásticos dupla face (preto e branco) de 0,15 ou 0,20mm e placas da
Tetra Pak, perfuradas no espaçamento
desejado, que servem para fixar as plantas
e bloquear a incidência de luz nas raízes e
na solução. O espaçamento recomendado
para alface na fase final varia de 0,20 a 0,30m,
e para a rúcula, agrião e almeirão pode variar de 0,075 a 0,20m. Na fase de pré-crescimento, é recomendada aproximadamente
metade desses espaçamentos.
Sistema hidráulico
O sistema hidráulico de um conjunto
hidropônico NFT é fechado, ou seja, a solução nutritiva é bombeada de um reservatório, passa pelas raízes das plantas nos
canais das bancadas e volta por gravidade ao reservatório. Como a solução nutritiva é composta por sais, deve-se dar
preferência para materiais de PVC, plástico e fibra de vidro, para se evitar a corrosão dos componentes do sistema hidráulico.
Reservatório, tubulações e
registros
A capacidade do reservatório depende
da espécie e do número de plantas a cultivar. Para a alface, tem sido recomendado o
volume de 1l/planta, evitando uma redução
diária muito grande na concentração dos
nutrientes e um aquecimento excessivo da
solução nutritiva. O reservatório deve ser
colocado na parte mais baixa do conjunto de estufas, permitindo que a solução
nutritiva retorne das bancadas por gravidade. Sempre que possível, o reservatório
deve ser enterrado no solo, o que auxiliará
na manutenção de uma temperatura mais
baixa da solução. Não se recomenda o uso
de reservatórios com volumes superiores
a 5 mil litros, devido às dificuldades de
manejo e troca da solução.
A tubulação que sai do conjunto motobomba e vai até as bancadas (tubulação de
recalque) deve ser tecnicamente dimensionada, para atender à vazão dos canais
de todas as bancadas. A instalação de um
registro individual em cada bancada permitirá o controle da vazão nos canais de
cultivo, que deverá ser de 1,5 a 2,0l/min em
cada canal. A tubulação de retorno da solução das bancadas para o reservatório
deve ser de tubo de PVC para esgoto. As
tubulações de recalque e de retorno devem
ser subterrâneas, a fim de evitar o aquecimento excessivo da solução circulante.
Conjunto motobomba
O conjunto motobomba acoplado ao
reservatório tem a função de bombear a
solução nutritiva até as bancadas de cultivo. Recomenda-se o uso de bombas construídas com material resistente à corrosão.
Deve-se dar preferência para as bombas
centrífugas, instaladas abaixo do nível
superior do depósito de solução (afogada).
O conjunto motobomba deve ser tecnicamente dimensionado, sendo para isso
necessário o conhecimento da vazão total
do conjunto de bancadas, que se está atendendo (Q) e da altura manométrica (Hm).
São esses os dados que se deve informar
para a aquisição do equipamento no comércio.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
101
a) tradicional: são usadas bandejas de
isopor de 128 ou 200 células, preenchidas com substrato organo-mineral adubado, onde as mudas permanecem até o transplante, recebendo
irrigações e, às vezes, adubações de
cobertura nitrogenadas e potássicas. Antes de serem transplantadas
para as bancadas de pré-crescimento, necessitam da remoção do substrato das raízes por lavagem;
A Figura 1 mostra um conjunto de circulação da solução nutritiva, em um sistema
hidropônico NFT.
Temporizador (Timer)
De maneira geral, a circulação da solução nutritiva pelos canais das bancadas
é intermitente, controlada por um timer. Têm
sido usados períodos de 15 a 20 minutos
de circulação e de 10 a 15 minutos de descanso, desde o raiar do sol até o anoitecer.
À noite, recomenda-se a circulação por 10
a 15 minutos a intervalos de 3 a 4 horas.
b) sistema de piscina ou floating: as
bandejas de isopor utilizadas são de
288 células, preenchidas com vermiculita ou pequenas mechas de algodão hidrófilo, mantidas na estufa
sob irrigação adequada até a completa emergência das plântulas.
Quando as folhas das plântulas atingirem cerca de 0,5cm, as bandejas
são levadas para uma caixa rasa de
madeira revestida internamente por
um filme plástico, ou confeccionada
de fibra de vidro (±10cm de borda),
previamente dimensionada para a
acomodação de determinado número
PRODUÇÃO DE MUDAS
Essa é uma fase muito importante no
processo de cultivo hidropônico. Alguns
fatores devem ser previamente considerados, tais como a variedade a ser cultivada,
origem das sementes, substrato a ser utilizado, local de germinação e manejo do
berçário.
As mudas podem ser adquiridas de
produtores idôneos ou produzidas pelo
próprio produtor. Alguns sistemas são
usados, para a produção própria:
de bandejas (piscina). Na piscina
permanece uma lâmina de 5cm de
solução nutritiva circulante, ligada
ao conjunto motobomba e ao reservatório por um encanamento de
recalque e de retorno próprio. As
bandejas com as mudas permanecem
flutuando na solução nutritiva até
o transplante para as bancadas de
crescimento, quando essas atingirem de quatro a cinco folhas. A nutrição das mudas na piscina é feita
pela solução nutritiva, não havendo
necessidade de adubação do substrato. A Figura 2 ilustra bem esse
sistema;
c) espuma fenólica: trata-se de um
material estéril produzido à base de
resina fenólica. É encontrado em
placas de 33 x 40cm e espessura de 2
a 4cm, com células pré-marcadas de
2 x 2cm, com um total de 320 células
por placa. Furlani (1998) apresenta o
procedimento para a produção de
mudas nesse sistema: dividir as placas ao meio; lavá-las muito bem com
Telha fibro-cimento ou tubo PVC
Tubulação de distribuição
Registro
Hm
Tubulação de
recalque
Declive 2%
1%
Registro
15 cm
Moto-bomba
Tubulação
de retorno
Figura 1 Esquema do
circuito
hidráulico de
um sistema
hidropônico
NFT
FONTE: Faquin
et al. (1996).
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102
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Caixa com lâmina de
aprox. 5 cm de solução
Recalque
Bandejas com mudas
Retorno
Depósito de solução
Moto-bomba
Figura 2 - Berçário para a produção de mudas, onde as bandejas de isopor permanecem flutuando na lâmina de solução.
FONTE: Faquin et al. (1996).
água corrente e/ou deixá-las de molho por uma noite; para evitar que a
placa se quebre, apoiá-la em suporte
furado que pode ser a base de uma
bandeja de isopor; perfurar o centro
da célula formando orifícios de 1cm
de profundidade; semear uma única
semente peletizada de alface ou couve (no máximo três para sementes
nuas); para rúcula, agrião, almeirão,
salsa e cebolinha, semear de quatro
a seis sementes por orifício; cobrir
as sementes através de escarificação
das bordas dos orifícios ou com vermiculita fina; irrigar levemente a placa e colocar para germinar em local
adequado; levar as placas para a estufa 48 horas após a semeadura e
manter a espuma úmida; após a
emissão da primeira folha, levar para
bancadas próprias dotadas de canais
rasos com solução circulante, no
espaçamento de 5 x 5cm (canaletas
de PVC ou perfis de polipropileno
de 50mm) ou 7,5 x 5cm (telhas de
fibrocimento); separar os cubos
através de uma lâmina cortante,
transferindo-os para os canais através de uma pinça; os orifícios do
isopor que cobre as canaletas de-
vem ter no máximo 3cm de diâ-metro.
Assim, quando as mudas estiverem
com quatro a cinco folhas, estarão
prontas para o transplante para as
bancadas definitivas.
Os sistemas de piscina e mais recentemente, a espuma fenólica, têm sido os
mais utilizados na produção de mudas de
hortaliças folhosas para hidroponia.
SOLUÇÃO NUTRITIVA
Não existe uma solução nutritiva ideal
para todas as culturas. A composição da
solução nutritiva varia com uma série de
fatores, tais como: a espécie de planta cultivada (a exigência nutricional varia entre
elas), idade da planta, época do ano (duração do período de luz), fatores ambientais
(temperatura, umidade, luminosidade),
parte da planta colhida etc. Existem diversas sugestões de soluções nutritivas para
hortaliças folhosas, com diferenças maiores
nas concentrações dos macronutrientes e
menores nas dos micronutrientes.
O primeiro passo importante no preparo
da solução nutritiva é o uso de água de
boa qualidade, tanto no aspecto químico
(concentração salina e quantidade de
nutrientes) quanto no microbiológico
(presença de coliformes fecais, vibrião colérico, dentre outros). Dentre as propriedades químicas, o pH, a presença de cálcio
(Ca), magnésio (Mg), boro (B), flúor (F),
cloro (Cl), sulfato, sódio (Na), ferro (Fe),
carbonatos e a condutividade elétrica (CE),
devem ser avaliados previamente através
de uma análise química da água. A CE inferior a 0,3mS/cm (miliSiemens/cm), com
uma concentração de sais inferior a 200ppm
(mg/l) é desejável. Pode-se estimar a concentração total de sais em ppm pela seguinte expressão: ppm de sais = 640.CE (mS/cm).
A presença de macronutrientes na água em
valores superiores a 25% da formulação
sugerida deve ser considerada tanto no
preparo da solução básica, quanto nos ajustes diários de reposição a serem realizados
(Furlani, 1998).
Os sais usados para o preparo da solução nutritiva, de maneira geral, são fertilizantes comerciais de alta solubilidade e de
boa pureza química. Furlani et al. (1999a)
apresentam os sais e os fertilizantes com
as respectivas composições que são recomendados para o preparo de soluções nutritivas hidropônicas. Na escolha dos sais/
fertilizantes devem-se considerar o custo,
a solubilidade, a presença de elementos
nutrientes ou não potencialmente tóxicos
e de resíduos insolúveis. Para os nitrogenados, deve-se atentar para que a forma
amoniacal (N-NH4), como regra geral, não
ultrapasse 15 a 20% da quantidade total de
nitrogênio (N) na solução. O N-NH4 em
concentrações superiores à citada é fitotóxico, reduzindo a produção e a qualidade
visual do produto, como mostrado para a
alface por Faquin et al. (1994). A ocorrência
de deficiência de cálcio nas plantas, como
o tipburn na alface, também é favorecida
pela presença de amônio na solução.
A composição química ou formulação
ideal da solução nutritiva é aquela que
atende às exigências nutricionais da espécie cultivada, em todas as fases do seu ciclo. Para tanto, estudos sobre a nutrição
mineral de hortaliças cultivadas em hidroponia, com a determinação das exigências
nutricionais de cada espécie, são essenciais para o estabelecimento das concentrações e proporções dos nutrientes, tanto
para a formulação da solução nutritiva
básica, quanto para a reposição periódica
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
dos nutrientes durante o desenvolvimento
da cultura.
SUGESTÃO DE SOLUÇÃO
NUTRITIVA BÁSICA
Tem sido usada com sucesso para o
cultivo hidropônico de diversas hortaliças
folhosas em muitos Estados brasileiros,
principalmente em São Paulo e em Minas
Gerais, a solução nutritiva proposta por
Furlani (1998), citado por Furlani et al.
(1999a, Quadro 7). Esta solução básica de
cultivo, teoricamente, deve ter a composição apresentada por Furlani (1998), citado
por Furlani et al. (1999a, Quadro 2).
Ressalta-se que no preparo da solução
nutritiva, as fontes dos nutrientes devem
ser dissolvidas separadamente. Nunca se
deve misturar na forma concentrada soluções que contenham cálcio, sulfato e
fosfato, pois pode ocorrer a precipitação
de sulfato de cálcio e fosfato de cálcio
insolúveis.
Manejo da solução nutritiva
durante o crescimento das
plantas
Reposição dos nutrientes
A maneira mais correta de avaliar a
necessidade de reposição dos nutrientes é
a análise química periódica da solução nutritiva. Mas, apresenta o inconveniente da
demora na obtenção dos resultados e do
custo das análises.
Com base nas sugestões de Nielsen
(1984) e em estudos das exigências nutricionais de diferentes hortaliças folhosas,
Furlani (1998) estabeleceu um sistema de
reposição de nutrientes em proporções
semelhantes às extraídas por essas espécies, mediante a manutenção da CE desejada da solução nutritiva. Esse sistema
tem sido adotado com sucesso por muitos
produtores no Brasil, para contemplar as
diferentes espécies de hortaliças de folhas, tais como a alface, o agrião, a almeirão,
a couve-de-folhas, a rúcula, a salsa e a
cebolinha. Para esse ajuste, devem-se preparar três soluções-estoque, conforme
apresentadas por Furlani et al. (1999a,
Quadro 8).
Procedimento de ajuste da
condutividade elétrica
Deve-se completar o nível do reservatório com água no final da tarde. No dia
seguinte pela manhã, medir a CE através
de um condutivímetro portátil. Adicionar
para cada 1.000l de solução nutritiva do
reservatório, 1l da solução A, 1l da solução B e 50ml da solução C, para uma queda na condutividade de 0,25mS/cm, ou
250µS/cm, ou 150ppm. Tem sido recomendada uma CE na solução de cultivo de 1,8
a 2,0mS/cm para a alface crespa ou americana e para as cultivares do tipo lisa ou
manteiga uma CE entre 1,4 a 1,6mS/cm.
Exemplo: Depósito de 5.000l e a CE desejada igual a 2,0mS/cm. Considerando que
o volume do depósito foi completado com
água no dia anterior, admitir que a CE medida pela manhã foi de 1,65mS/cm. Portanto,
a diferença a ser reposta é de 0,35mS/cm.
Para tanto, adicionar para cada 1.000l do
depósito, 1,4l da solução A, 1,4l da solução B e 70ml da solução C. Como o depósito tem capacidade para 5.000l, esses valores deverão ser multiplicados por 5.
É importante lembrar que a presença de
nutrientes na água também deve ser considerada nessa reposição.
Recomenda-se a renovação completa
da solução nutritiva mensalmente. Isso se
faz necessário pelo desbalanceamento dos
nutrientes, pelo acúmulo de material orgânico originado de restos de raízes das plantas e pelo desenvolvimento de algas.
Outros aspectos importantes no
manejo da solução nutritiva
a) pH: o monitoramento do pH da solução deve ser feito diariamente
através de um “peagâmetro portátil”,
mantendo seu valor na faixa de 5,5 a
6,5, embora variações de uma unidade acima ou abaixo desses valores
têm sido bem toleradas pelas plantas. Em valores acima de 7,0, geralmente ocorre a precipitação de micronutrientes catiônicos na solução,
induzindo suas deficiências nas
plantas. Têm sido usados os hidróxidos de sódio e de potássio para a
elevação do pH e os ácidos clorídrico, sulfúrico e nítrico para o seu
abaixamento. O manuseio desses
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103
produtos deve ser bastante cuidadoso, evitando-se o contato direto
com a pele e os olhos;
b) oxigenação e temperatura: a oxigenação da solução nutritiva é importante para a respiração das raízes.
Quando a solução nutritiva apresenta baixos níveis de oxigênio (O2),
ocorre a morte dos meristemas radiculares, pequena ramificação das
raízes e baixa absorção de água e
nutrientes. Com a morte das raízes,
normalmente ocorre a incidência do
fungo Pythium.
O conteúdo de O2 dissolvido na
solução nutritiva não deve ser inferior a 5ppm, sendo o valor ótimo
em torno de 8,6ppm (Jensen, 1997).
O aumento no nível de O2 pode ser
obtido pela turbulência da solução
nutritiva no reservatório, através do
retorno da solução sob pressão da
bomba, em tubulação própria para
dentro do depósito ou borbulhamento por ar comprimido.
O nível de O2 na solução é dependente da sua temperatura. A solução
aquecida tende a perder a capacidade de reter o O2. De acordo com
Jensen (1997), para se evitar o pendoamento e a morte das raízes da
alface, a temperatura da solução não
deve exceder a 20ºC, principalmente
quando a temperatura do ar estiver
acima de 32ºC. Para a maioria das
hortaliças, a temperatura das raízes
não deve estar abaixo de 13ºC;
c) luz e desinfecção das bancadas e
bandejas: em todo o sistema hidropônico a solução nutritiva deve ficar
protegida da luz, para se evitar o
desenvolvimento de algas. Estas
retiram oxigênio e nutrientes e eliminam toxinas na solução, além de
contribuir para o acúmulo de material
orgânico, favorecendo o desenvolvimento de microrganismos maléficos às plantas.
Recomenda-se, também, como principal
operação de prevenção ao desenvolvimento de patógenos, uma desinfecção
preventiva e periódica do sistema hidropônico, com hipoclorito de sódio ou de
104
cálcio líquido comercial a 5% ou com água
sanitária a 10%. Portanto, as bancadas de
cultivo após cada colheita, as placas e
bandejas de isopor após cada uso, bem
como os demais materiais utilizados, devem
receber uma cuidadosa lavagem com os
produtos indicados e ser bem enxaguados
com água corrente.
CUIDADOS FITOSSANITÁRIOS
Como o cultivo hidropônico é feito na
ausência do solo, a incidência de doenças
e pragas é minimizada, mas não eliminada.
As principais doenças que ocorrem, atingem principalmente as raízes e são facilmente disseminadas pelo sistema. Têm
sido relatadas viroses, bacterioses e doenças fúngicas introduzidas pelo ar, substrato, sementes, água e insetos.
O controle de patógenos em hidroponia
é difícil e nem sempre podem-se utilizar os
métodos usados no campo. A melhor maneira para se evitar problemas é a prevenção. Sugere-se: água de boa qualidade, de
preferência de poço; substratos desinfetados; sementes de firmas idôneas e certificadas; desinfecção periódica de equipamentos, bandejas, bancadas e isopor com
hipoclorito de sódio ou cálcio; evitar trânsito interno de pessoas e animais. Quando
a doença está instalada, sugere-se: erradicação das plantas doentes; uso de cloro
na solução nutritiva - cuidado com fitotoxidez; defensivos - não há registros para
uso em hidroponia.
Algumas pragas também têm sido
encontradas em hortaliças folhosas em hidroponia, sendo as mais comuns o pulgão,
o trips, as lagartas e as vaquinhas. As estufas fechadas lateralmente com telas plásticas evitam o acesso de algumas pragas.
COLHEITA, PÓS-COLHEITA E
COMERCIALIZAÇÃO
Para a preservação e o desfrute da qualidade das hortaliças produzidas em hidroponia, muitos cuidados devem ser
tomados. As principais perdas são por
esmagamento, murchamento, apodrecimento e senescência.
A colheita deve ser feita nas horas mais
frescas do dia e com bastante cuidado, para se evitarem danos. A eliminação das
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
folhas velhas, geralmente amareladas, é
importante. Sugere-se a comercialização do
produto em saquinhos plásticos, personalizados e de dimensões adequadas. A comercialização das plantas com as raízes
também confere maior durabilidade e
qualidade ao produto, tanto no balcão do
comerciante, quanto na geladeira do consumidor.
O transporte do produto deve ser feito
em caixas próprias e em veículos que apresentem um ambiente protegido de ventos
e de calor. Todo o manuseio do produto
desde a colheita, embalagem, transporte,
colocação nas bancadas do comércio etc.,
é um aspecto a ser considerado para a
preservação da qualidade das hortaliças
produzidas em hidroponia.
CUSTOS DE INSTALAÇÃO E
PRODUÇÃO
Os custos de instalação são bastante
variáveis em função dos materiais usados
na estrutura. Estima-se um custo de cerca
de R$ 30,00 por metro quadrado de canteiro
de cultivo, considerando-se toda a estrutura hidropônica. Por exemplo, admitindose 20 pés de alface por metro quadrado,
para a produção de 10.000pés/mês, seriam
necessários 500 m2 de canteiro, com um
custo total aproximado de R$ 15.000,00.
Tem sido estimado um custo de produção por pé de alface oscilando entre 10
e 15 centavos de real. Os itens que mais
pesam nesse custo são a mão-de-obra,
embalagem personalizada e a energia elétrica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O cultivo hidropônico de hortaliças
tem-se mostrado como uma boa alternativa
de diversificação da produção agrícola, ou
mesmo como uma técnica com inúmeras
vantagens sobre o cultivo no solo em campo aberto ou em ambiente protegido. Mas,
antes da implantação da atividade, recomenda-se um estudo criterioso do mercado
consumidor, um conhecimento técnico
básico sobre todo o sistema ou de assistência técnica especializada, a escolha de
local apropriado e com água de boa qualidade química e microbiológica, além de um
acompanhamento permanente do funciona-
mento do sistema. Tentativas frustradas
têm sido verificadas pela não-observação
de um ou mais desses itens básicos enumerados.
Nunca é demais relembrar: um estudo
prévio do mercado consumidor é essencial
antes da implantação do negócio.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
105
Cultivo de hortaliças de frutos em hidroponia
em ambiente protegido
Carlos Alberto Gemeinder de Moraes 1
Pedro Roberto Furlani 2
Resumo - Cultivo de hortaliças de frutos: opção importante na atividade hidropônica.
Observam-se neste sistema duas tendências: primeiro, o fato de produtores tradicionais de hortaliças de folhas em hidroponia, por exigência de mercado, sentirem
necessidade de diversificar e, naturalmente, os frutos hidropônicos têm entrado na
ordem do dia; segundo, a elevada produtividade das hortaliças de frutos e a regularidade de oferta requerida têm levado o produtor a especializar-se no cultivo
hidropônico de determinadas hortaliças desse tipo, como acontece em países com
tradição desse cultivo. Nas duas tendências, observa-se uma forte influência do
mercado consumidor. Outro aspecto importante é o manejo nutricional das
hortaliças de frutos em sistemas hidropônicos, que se tem mostrado distinto ao do
cultivo hidropônico de folhosas. O consumo dos nutrientes apresenta aspecto nãolinear, direcionando a reposição nutricional às diferentes fases de desenvolvimento
da lavoura. As elevadas produtividades alcançadas com hortaliças de frutos em
sistemas hidropônicos colocam esse sistema de cultivo como altamente promissor,
apesar de ainda não termos atingido valores tão elevados, quando comparados aos
obtidos em países tradicionais. Torna-se necessário, no entanto, formar técnicos e
agricultores capacitados e preparados na tecnologia, para atender de forma eficiente
ao mercado, tornando o fruto hidropônico competitivo pela qualidade.
Palavras-chave: Cultivo sem solo; Solução nutritiva; Tomate; Melão; Morango;
Pepino; Pimentão.
INTRODUÇÃO
O cultivo hidropônico vem crescendo
substancialmente no Brasil. Dentro deste
contexto, a produção de frutos hidropônicos representa uma segunda etapa na
evolução da hidroponia. A princípio, somente hortaliças de folhas vinham sendo cultivadas em sistemas hidropônicos.
Atualmente, devido à necessidade premente do mercado consumidor, ávido por
produtos que possam atender a seus novos
anseios, os agricultores estão sentindo a
necessidade do uso de ferramentas de
produção eficientes. Neste caso, o produtor
hidropônico assume o papel de empreendedor, analisando a forma de produzir, e
diversificador, quando observa a mudança
substancial em seu relacionamento com o
mercado consumidor.
Este artigo analisa o papel da hidroponia na área de hortaliças de frutos e suas
perspectivas para o agricultor, a agroindústria e o mercado.
Quando a plasticultura deu seus primeiros passos no Brasil, havia um grande
interesse em direcionarem-se determinados
cultivos para épocas em que os produtos
alcançavam elevados preços de mercado.
1
Era a chamada entressafra, que financeiramente justificava o uso desta tecnologia
de produção. Hoje, dificilmente encontramse épocas ou produtos com preços predefinidos e fatores como a qualidade, a
embalagem e a regularidade de oferta agregam valores e diferenciam os produtores
num mercado cada vez mais competitivo. É
o que chamamos de valores individuais,
do produto e do produtor. Por outro lado,
o consumidor tem atualmente um papel
muito mais importante no direcionamento
do mercado, responsabilizando-se pelo
controle da qualidade dos produtos, exi-
Engo Agro, Produtor e Consultor em Hidroponia, PLANAT S/C Ltda. Rua Profa Elisa dos Santos, 147, CEP 18320-000 Apiaí-SP. E-mail:
[email protected]
2
Engo Agro, Ph.D., Pesq. IAC-CSRA, Bolsista CNPq, Caixa Postal 28, CEP 13001-970 Campinas-SP. E-mail: [email protected]
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106
gindo sempre produtos mais elaborados e
definidos em regras claras de mercado.
Dentre as hortaliças de frutos mais
cultivadas em hidroponia no Brasil, destacam-se principalmente os híbridos nobres
de tomateiro como caqui, minitomate,
tomate cereja e, atualmente, os tipos longa
vida. Pela sua grande aceitação de mercado
e com valores compensadores, o tomate
tem sido, dentre as hortaliças de frutos, a
de maior interesse por parte dos agricultores. Outras hortaliças também têm potencial para hidroponia e deverão dentro
de poucos anos desenvolver-se, tais como
pimentões (principalmente os de colorações diferentes dos tradicionais vermelho
e verde), pepinos (tipo japonês e holandês),
melões (tipo rendilhado), morangos (em
rotação com folhosas em período de inverno) e até mesmo alguns tipos de abóboras
(italiana e especiais) e berinjelas especiais.
No Brasil, o cultivo de frutos hidropônicos tem apresentado produtividade
superior às atingidas em cultivos tradicionais em estufas-solo. Este diferencial
deverá ser superado a cada dia, pelo conhecimento adquirido pelos agricultores,
manejo adequado e novas pesquisas. A
ferramenta de trabalho, no caso a hidroponia, ainda não está totalmente ajustada a este tipo de cultivo, ou seja, muitas
variáveis de produção tais como, material
genético, tratos culturais, nutrição e suas
inter-relações ainda são pouco conhecidas
no Brasil. Apesar disso, esta técnica tem
mostrado grande evolução em produtividade. O mais importante é que, a implantação de áreas com tecnologia de ponta de
nada servirá, se o produto final não atingir
metas de qualidade, que o diferenciem
positivamente no mercado consumidor.
Neste aspecto, a hidroponia tem tudo para
dar certo em hortaliças de frutos.
No Quadro 1, encontram-se dados comparativos entre o comportamento produtivo de algumas hortaliças de frutos em
condições hidropônicas protegidas e em
campo aberto. Verifica-se que as culturas
de pepino e pimentões foram as que apresentaram maiores diferenciais de produção
em hidroponia, seguidas das culturas de
tomate e berinjela.
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Produtividade comparada de algumas hortaliças de frutos em condições de hidroponia
e em campo aberto
Hidroponia
Campo
Cultura
Produtividade/
Número
Total/ano
(t/ha)
safra (t/ha)
safras/ano
(t/ano)
Pepino
300
2
Berinjela
28
Pimentão verde
57
Pimentão colorido
45
Tomate
550
FONTE: Knott, citado por Jensen (1997b).
(1) Período 11 meses.
LIMITAÇÕES AO USO
INTENSIVO DO SOLO E
CONSIDERAÇÕES SOBRE O
CULTIVO HIDROPÔNICO DE
HORTALIÇAS DE FRUTOS
No início, o cultivo em ambiente protegido apresentou-se ao agricultor como uma
importante ferramenta de trabalho, em que
podia-se programar a colheita, com produtividades e rendimentos econômicos
bem acima dos apresentados no cultivo
tradicional no campo. Este mesmo cultivo
protegido, por outro lado, criou um ambiente de trabalho totalmente diferente do que
o agricultor estava habituado e preparado
para manejá-lo. Com o passar do tempo, o
uso intensivo das áreas de produção tem
promovido o aparecimento gradativo de
problemas, os quais, em algumas regiões
produtoras, estão sendo limitantes à produção.
Há muito tempo se fala em hidroponia
como ferramenta alternativa de produção
em ambiente protegido, mas nunca houve
tanto interesse em implantá-la, como após
o aparecimento das limitações relacionadas com o cultivo sucessivo em solo. Em
algumas hortaliças de frutos, os problemas
relativos a pragas e doenças originadas do
solo são ainda mais agressivos, não somente quando se analisa a suscetibilidade
dos híbridos cultivados, mas também pelo
tempo relativamente longo que as lavouras
de frutos se mantêm em um mesmo local
de cultivo, favorecendo o estabelecimento
de patógenos. A estes fatos, somam-se a
inexperiência do agricultor e até mesmo dos
técnicos da área e também o aumento no
(1)
600
30
2
56
20
2
114
16
2
90
10
1
550
100
potencial de inóculo nas áreas utilizadas.
O ambiente protegido propicia um ambiente
favorável à lavoura e, posteriormente, após
alguns cultivos sucessivos, também favorece o desenvolvimento de diversas
doenças de solo e parte aérea. Neste momento, perde-se um pouco do tão desejado
controle da lavoura. Contaminações de solo
(bactérias e fungos fitopatogênicos), nematóides e salinização (acúmulo de sais no
perfil cultivável do solo) são os principais
problemas deste cultivo intensivo. As dificuldades encontradas em cultivo no solo
são perfeitamente contornáveis, quando o
agricultor tem consciência e domina a
técnica (adição de matéria orgânica, manejo
na irrigação e rotação de culturas), porém
não se pode negar que essas dificuldades
têm favorecido o interesse por cultivos
hidropônicos em hortaliças de frutos.
ESTRUTRA PARA CULTIVO
HIDROPÔNICO DE HORTALIÇAS
DE FRUTOS
A estrutura física (casa de vegetação
ou estufa) para cultivos hidropônicos não
apresenta diferenças significativas, quando comparada ao cultivo em solo. Podem
ser utilizados vários materiais em sua construção, desde bambu, madeira, até os mais
elaborados e de maior custo como arcos
metálicos. O importante nesta etapa do projeto é fornecer o ambiente mais favorável
às plantas, pois a casa de vegetação, desde
que bem planejada terá uma influência
favorável sobre o sistema hidropônico. As
hortaliças de frutos têm, de maneira geral,
hábitos eretos e a estrutura da planta mui-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
tas vezes é conduzida por tutores. Sempre
deve-se ter estruturas adaptadas ao cultivo, para que o ambiente interno atenda
às necessidades produtivas das plantas.
Pensando nisso, o agricultor deverá optar
por casas de vegetação mais altas que
possam melhorar a troca de ar nas áreas,
favorecendo também o manejo e a polinização muito necessária em algumas espécies. Recomenda-se o pé direito com no
mínimo 3,0m de altura.
Sistemas hidropônicos mais
utilizados no Brasil
No Brasil, observam-se duas tendências
em cultivo de hortaliças de frutos em hidroponia: o sistema nutrient film technique
(NFT) e o cultivo em substratos (areia, vermiculita ou organomineral). Em ambos, os
resultados são satisfatórios e cada qual
apresenta suas vantagens e desvantagens
em relação ao outro. Na literatura internacional podem-se citar Papadopoulos (1991,
1994), Resh (1996), Carrasco & Izquierdo
(1996), Delfin (1996), Cooper (1996) e Jensen
(1997a) e na nacional, Castellane & Araújo
(1994) e Moraes (1997) como exemplos em
sistemas hidropônicos e a pesquisa tem
trabalhado na definição de novas opções.
Nota-se no Brasil, uma tendência em se
implantar o sistema NFT, da mesma forma e
em concordância com as tendências na
Europa, Ásia e Estados Unidos. Isto se
deve a alguns fatores tais como, controle
mais efetivo da nutrição, custo reduzido e
facilidades nas renovações das áreas de
cultivo. Optando-se por qualquer sistema de cultivo, é de importância vital o
conhecimento da ferramenta de trabalho,
no caso o sistema hidropônico. O local de
crescimento das raízes, quando se trata
mais especificamente de hidroponia, é fundamental e de extrema importância. Neste
ambiente, as raízes vão determinar a absorção de água e de nutrientes, o que vai
impulsionar e direcionar o crescimento e
vigor da lavoura. As raízes, além da função
de absorção, têm também a função de
armazenamento energético de origem fotossintética. De nada adiantaria um complexo
estrutural com casa de vegetação muito
bem implantada, sementes com alto potencial genético, controle ambiental da
lavoura, se não houvesse um sistema de
raízes altamente preparado e desenvolvido
para realizar uma absorção dos fertilizantes
adequadamente. Observa-se que, em qualquer tipo de sistema hidropônico, o fator
ambiente é determinante no desenvolvimento da lavoura, tanto nas raízes, quanto
na parte aérea.
Sistema NFT
Quando envolve o sistema NFT, devem-se definir obrigatoriamente o tipo e a
dimensão da canaleta de cultivo. A quantidade de raízes formadas em hortaliças de
folhas difere muito da quantidade apresentada pelas hortaliças de frutos. Estas
apresentam, normalmente, porte aéreo
maior com sistema radicular mais desenvolvido e, como conseqüência, necessitam
de canais de cultivo proporcionais ao volume de raízes. Neste caso, a indústria nacional tem trabalhado bastante no desenvolvimento desses sistemas. Hoje, algumas
empresas já comercializam canais de cultivo
com diversos tamanhos, apresentando
volume interno e conformações dimensionados e adequados ao sistema radicular
das plantas. O custo destes materiais ainda
é elevado, mas observando-se a durabilidade do material, a médio prazo, este custo
inicial ficaria diluído, viabilizando sua
utilização.
Independente do tipo de canal de cultivo que se faça opção, vale ressaltar que,
sendo a estrutura física independente do
sistema hidropônico, a substituição dos
canais de cultivo é perfeitamente aceitável,
à medida que o agricultor vai dominando a
técnica e se capitalizando. Normalmente,
os canais de cultivo apresentam cerca de
25m de comprimento, distância que permite
uma boa aeração e manutenção de temperaturas favoráveis ao crescimento radicular. A declividade recomendada atinge cerca
de 2 a 3%, permitindo um fluxo de solução
que efetue a manutenção de teores de umidade e oxigênio ideais na superfície radicular. Estes fatores técnicos são muito
importantes, pois a relação entre a declividade, volume de irrigação, turnos de irrigação e dimensionamento dos canais de
cultivo vai determinar o ambiente e o desenvolvimento das raízes. Outro fator de
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107
extrema importância é a concentração salina ou condutividade elétrica da solução
nutritiva.
Cultivo em substratos
O cultivo em substratos, normalmente
em sacos plásticos, pode ser dividido basicamente em dois tipos: substrato inerte e
substrato misto. No substrato inerte utilizam-se materiais que não liberam quaisquer
elementos ao sistema, caracterizando-se
pela função única de suporte das raízes.
Utilizam-se vermiculita, lã de rocha e areia
como material de cultivo. Nos cultivos em
substratos mistos, realizam-se misturas as
mais diversas, com composições orgânicas
e inorgânicas, muitas vezes heterogêneas,
dificultando uma programação da irrigação
e distribuição da umidade, sem contar com
alguns desequilíbrios no manejo nutricional.
SISTEMA HIDRÁULICO
O sistema hidráulico é responsável pelo
armazenamento, recalque e drenagem da
solução nutritiva, sendo composto de um
ou mais reservatórios de solução, do conjunto motobomba e de encanamento e
registro.
Fluxo e turnos de irrigação
Em sistema NFT, o sistema hidráulico
sempre será determinado em função do
ambiente radicular. Em cada ambiente de
cultivo, têm-se características diferentes em
relação ao dimensionamento hidráulico e,
portanto, não se podem estabelecer volume e fluxo da solução nutritiva, se não levar
em conta outros fatores, como temperatura
da solução nutritiva, a oxigenação no seu
caminhamento pelas canaletas, o diâmetro
e comprimento adotados nas canaletas de
cultivo e a declividade do sistema. Com
estas informações, faz-se o dimensionamento adequado do fluxo de solução nutritiva.
Em relação aos turnos de irrigação, notase que há muitas diferenças entre cada
sistema e principalmente diferenças em
um mesmo sistema. Da mesma forma, o
ambiente de cultivo vai ser determinante
no estabelecimento dos turnos de irrigação.
108
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Valores em torno de 5,0 a 8,0l/min para
tomateiros e 2 a 4l/min para morangos, têmse mostrado eficientes em declividades de
2 a 4% com turnos de irrigação de 10 x 10
minutos. Este padrão de referência tem sido
adotado com sucesso em climas amenos
com temperatura de solução nutritiva não
elevada (temperatura máxima média de
26ºC). Para temperaturas mais elevadas,
tem-se uma concentração menor de oxigênio na solução nutritiva e, conseqüentemente, deve-se elevar a vazão nos canais
de cultivo, o que melhora a oxigenação. A
velocidade com que a solução passa pelos
canais é variável em função do desenvolvimento das raízes, portanto, o ambiente
radicular altera-se diariamente, devendo-se
adequar os turnos e vazão periodicamente.
Volume do reservatório da
solução nutritiva
Em sistemas hidropônicos sem substratos ou utilizando-se de substratos inertes,
as plantas não possuem nenhuma opção
para extrair seus nutrientes, a não ser da
solução nutritiva. Neste caso, os fertilizantes deverão estar obrigatoriamente
disponíveis na solução nutritiva. Direta-
mente, o volume do reservatório não
apresenta influência sobre a nutrição
disponibilizada pela solução nutritiva,
porém, como o sistema é dinâmico, o
reservatório desempenha um papel importante na manutenção destes nutrientes.
Quanto maior o volume de solução nutritiva, maior o estoque de nutrientes disponível para as plantas. À medida que as
plantas absorvem os fertilizantes, há uma
diminuição dos elementos disponíveis
proporcionalmente ao volume do reservatório, ou seja, quanto maior o volume
adotado, menor a variação nutricional no
reservatório. Podem-se determinar estas
variáveis, sempre considerando um número
fixo de plantas no sistema e, à medida que
se adotam quantidades maiores de plantas
ou densidades maiores, há a necessidade
de elevar o volume do reservatório, evitando-se, assim, que as concentrações
nutricionais alterem-se demasiadamente.
Para tomateiros, tem-se notado que
valores em torno de 5 a 8l/planta são suficientes. Já para morangos, valores em
torno de 1,5 a 2,0l/planta têm-se mostrado
eficazes no cultivo.
No Quadro 2, encontram-se resumidos
os procedimentos e requisitos básicos para
o cultivo de algumas hortaliças de frutos
pela técnica de hidroponia-NFT.
PRODUÇÃO DE MUDAS
Uma das primeiras preocupações do
agricultor, quando inicia seu cultivo hidropônico é a contaminação de seu sistema
de cultivo. Com base nesta preocupação, a
fase de preparo e desenvolvimento de
mudas para cultivos hidropônicos é uma
etapa muito importante no processo produtivo. Os sistemas fechados, como o NFT,
apresentam riscos maiores de contaminação
e disseminação de doenças, pois a solução
nutritiva circulante entra em contato com
todas as plantas do sistema, facilitando a
movimentação de patógenos. Já os sistemas abertos são menos suscetíveis, pois
as plantas estão estabelecidas individualmente e não têm contato umas com as
outras. Não existe a obrigatoriedade em
utilizarem-se mudas produzidas em sistemas hidropônicos, porém, além da adaptação mais adequada ao sistema definitivo,
tem-se uma confiabilidade maior em relação à ausência de contaminantes. Para que
se possam utilizar mudas originárias de
substratos orgânicos, o agricultor deverá
QUADRO 2 - Sugestão de procedimentos para a produção hidropônica de algumas hortaliças de frutos
Número
de sementes
por célula
Fase
Tamanho(1)
do canal
1
_
muda I
produção
pequeno
grande
Muda I
_
muda II
produção
médio
grande
Pepino
1
_
muda I
produção
Pimenta
1-3
_
Pimentão
Tomate
Cultura
Melão “Net”
Morango
Condutividade
Volume de
Espaçamento Espaçamento Número de
2
entre as linhas entre as plantas plantas/10m solução por canal solução nutritiva
(mS/cm)
(cm)
(cm)
(l/min)
de canteiro
5,0-7,5
75-100
5,0-7,5
30
2000-4000
33-44
0,5-1,0
2,0-4,0
1,0-1,2
2,0-3,5
10,0-15,0
25-35
10,0-15,0
25-35
450-1000
82-160
1,5-2,0
2,0-4,0
1,0-1,2
1,4-1,6
pequeno
grande
5,0-7,5
50-75
5,0-7,5
50-75
2000-4000
18-40
0,5-1,0
2,0-4,0
1,0-1,2
2,0-3,0
muda I
produção
pequeno
grande
5,0-7,5
75-100
5,0-7,5
50-70
2000-4000
13-27
0,5-1,0
2,0-4,0
1,0-1,2
2,0-3,0
1-3
_
muda I
produção
pequeno
grande
5,0-7,5
75-100
5,0-7,5
50-75
2000-4000
13-27
0,5-1,0
2,0-4,0
1,0-1,2
2,0-3,0
1-3
_
muda I
produção
pequeno
grande
5,0-7,5
75-100
5,0-7,5
50-75
2000-4000
13-27
0,5-1,0
2,0-4,0
1,0-1,2
2,0-4,0
FONTE: Furlani et al. (no prelo).
(1)Tamanho do canal: pequeno: 2,5cm de profundidade e 5,0cm de diâmetro; médio: 5cm de profundidade e 10cm de diâmetro; grande: 15cm de
profundidade e 15cm de diâmetro.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
transpor um processo de descontaminação
das raízes, fato que causa um estresse
demasiado e ocasiona um crescimento lento em fase inicial de cultivo.
Alguns processos para a produção de
mudas, visando sempre à sanidade do
futuro sistema produtivo, foram desenvolvidos e têm sido aplicados com sucesso.
Dentre eles destacam-se o cultivo em vermiculita, espuma fenólica, diversos substratos e lã de rocha.
Os suportes inertes como a vermiculita,
a espuma fenólica e a lã de rocha são mais
adequados a sistemas fechados, como o
NFT. Já os cultivos em sistemas abertos
(em substratos), sem muitas preocupações
com contaminações, recebem todos os tipos de mudas, inclusive de origem orgânica. A Figura 1 apresenta uma ilustração
de mudas de tomateiro obtidas em espuma
fenólica.
e fitossanitários, a fertilização hidropônica
em lavouras de frutos apresenta características peculiares e a nutrição deve adquirir
conceitos mais técnicos de fertilização.
Quaisquer variações no manejo da lavoura
ou a realização de tratos culturais diferenciados, bem como o ambiente de cultivo e
a utilização de híbrido/variedades podem
alterar o consumo nutricional das plantas
e determinar curvas de absorção específicas. Como o produto final é o fruto, a sua
qualidade está mais diretamente relacionada com a nutrição ou se mostra na prática
muito mais visível. Diferenças qualitativas
no tamanho, cor, sabor, formato, textura,
podem ser estabelecidas pelo estado nutricional da planta.
Dentre as variáveis mais importantes e
que causam mudanças no consumo nutricional têm-se:
NUTRIÇÃO EM HORTALIÇAS DE
FRUTOS
a) época de cultivo (variações no fotoperíodo e temperatura - estações do
ano);
Devido em grande parte ao ciclo longo
de cultivo e consumo diferenciado de
nutrientes, associados a fatores ambientais
b) vigor do híbrido/variedade: híbridos
mais vigorosos consomem mais que
outros menos vigorosos;
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109
c) manejo da lavoura: incluem os fatores ambientais da parte aérea (desbrota, condução e tratos culturais) e
do sistema radicular (concentração
de nutrientes, temperatura das raízes,
oxigenação, volume e fluxo de solução nutritiva, turno e freqüência de
irrigações);
d) estádio de desenvolvimento das
plantas (vegetativo e reprodutivo);
e) fitossanidade (pragas e doenças);
f) distúrbios fisiológicos;
g) polinização: lavouras com polinização eficiente têm consumo maior
dos nutrientes relacionados com a
formação de frutos.
Existem lavouras que apresentam consumo de nutrientes mais homogêneo, não
tanto pela característica do material, mas
pela uniformidade do ambiente de cultivo.
Quanto mais uniforme o ambiente, tem-se
uma tendência de consumo mais linear e
previsível. Neste caso, deve-se considerar
que há um acréscimo no consumo, à medida que a planta se desenvolve, considerando também uma modificação no padrão
110
de consumo de alguns fertilizantes em
função do estádio em que a planta se encontra (desenvolvimento vegetativo, florescimento e frutificação). Estes fatores
acarretam ajustes nas adubações, visando
obter o máximo de cada cultivo, e conseqüentemente atingir as metas previstas
para a lavoura.
Pensando nisto, nota-se que a reposição de nutrientes durante o crescimento
e desenvolvimento das plantas é mais
importante do que o preparo da solução
nutritiva ou a definição de faixas nutricionais específicas para determinada espécie. As hortaliças de frutos apresentam
muitas variações em suas necessidades
nutricionais durante seu ciclo de desenvolvimento.
MANEJO DA SOLUÇÃO
NUTRITIVA EM SISTEMA NFT
Devido ao ciclo longo de cultivo, vários
fatores intrínsecos e ambientais determinam o consumo dos nutrientes e sua disponibilidade no sistema. Portanto, mais importante se tornam a reposição nutricional e o
acompanhamento adequado do consumo
dos nutrientes de forma individualizada.
À medida que as raízes entram em contato com a solução nutritiva, ocorre a absorção dos nutrientes e seu transporte para a
parte aérea. Deve-se estar ciente de que a
solução salina preparada inicialmente está
sendo gradativamente alterada, ao mesmo
tempo que as plantas se desenvolvem.
Desta forma os elementos deverão estar
sendo repostos de forma sistemática, para
que as plantas possam estar sempre retirando os nutrientes desejados do sistema.
No Gráfico 1, encontram-se as variações
que ocorrem com as concentrações dos
elementos na solução nutritiva durante uma
fase de desenvolvimento de plantas de
tomateiro cultivadas em hidroponia - NFT.
As amostragens de solução nutritiva para
análise química foram efetuadas após ter
completado o volume do depósito com
água para repor as perdas por evapotranspiração.
Como saber de forma confiável a quantidade de cada nutriente que a planta retira
do sistema, diariamente? Quais nutrientes
devem ser repostos diariamente à solução
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Concentração
nutricional
(mg/l)
Reposições
Máximo
Média
nutricional
Variação
nutricional
Mínimo
Tempo
Gráfico 1 - Variação na concentração dos elementos na solução nutritiva durante a
fase de desenvolvimento da planta
nutritiva? Vários mecanismos de controle
nutricional têm sido utilizados, para se
realizar a reposição nutricional. Uma forma
simples de estabelecer, se houve ou não
consumo, é o uso do condutivímetro. Porém, este equipamento indica o consumo
global de nutrientes, não estabelecendo
quais elementos foram retirados, ou seja,
não qualifica os elementos, sendo apenas
uma referência, se a planta retirou ou não
elementos químicos do sistema. Neste
caso, a análise química da solução nutritiva
é a única maneira de definir quais elementos
foram retirados e suas quantidades. Com
as informações sobre condutividade elétrica e a análise química da solução nutritiva
em mãos, estabelece-se o método de adubação. Tendo conhecimento da quantidade
de elementos disponíveis em duas análises
consecutivas, por diferença, tem-se o consumo individualizado no período, podendo
estabelecer médias para cada elemento. Na
verdade, as reposições nutricionais são
determinadas em conjunto, pela condutividade e pela análise química. O condutivímetro aponta para o consumo geral e a
análise para o consumo específico.
Outra pergunta que aparece de imediato é - quando realizar as análises? O condutivímetro fornece parâmetros para se
estabelecer a periodicidade das análises.
Como os resultados da análise química
apresentam de forma clara as quantidades
de elementos presentes na solução nutritiva e suas médias de consumo, pode-se
supor que as médias adotadas são bem
próximas das médias atuais, efetivando uma
adubação programada (fertilização estimada). Repondo nutrientes com base nas
médias de consumo, a condutividade
deverá cair gradativamente até valores
mínimos, sendo que após isto, efetua-se
nova análise ou troca-se a adubação por
completo. O condutivímetro vai ser o
parâmetro de referência, indicando se as
médias utilizadas ainda são suficientes para
repor os elementos retirados. Cada lavoura
aceita valores de condutividade específicos
e até mesmo exige valores diferentes para
cada estádio de desenvolvimento.
Resumindo, a média entre análises é
utilizada como parâmetro de adubação para
o período subseqüente, até que o condutivímetro nos aponte para nova análise
química ou troca completa de solução
nutritiva.
Na prática, observa-se que os elementos devem ser tratados de forma individualizada. Isto não impede que se utilizem
compostos mistos e formulações em seu
ajuste. Basta aplicar os fertilizantes (fórmulas) de forma que forneçam os respectivos
elementos, em quantidades ou estimativas
desejadas.
Deve-se lembrar que a reposição de
água no sistema NFT deverá ser diária,
completando-se o volume inicial, independentemente da adubação de reposição.
Com o desenvolvimento da lavoura e
as reposições nutricionais constantes, há
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
a necessidade de efetuar a troca completa da solução nutritiva. Esta troca elimina
possíveis contaminações do sistema, tanto
nutricional quanto fitossanitária. As reposições sucessivas podem introduzir à
solução nutritiva, elementos ou compostos
químicos que não são essenciais às plantas
ou outros que se podem acumular, promovendo excessos. O ciclo da lavoura e o
seu desenvolvimento vão determinar o
tempo de utilização de uma mesma solução
nutritiva.
Existem produtores que realizam trocas
periódicas completas sem realizar análises
químicas. Em volumes exagerados, teoricamente não se tem uma alteração nutricional
significativa no reservatório, porém não
favorece o entendimento e a definição de
alguns padrões de consumo, importantes
na evolução da produtividade e manejo
adequado da solução nutritiva.
SUGESTÃO DE FORMULAÇÕES
PARA O PREPARO DE
SOLUÇÕES NUTRITIVAS PARA
HORTALIÇAS DE FRUTOS
Diversas formulações de soluções nutritivas para hortaliças de frutos encontramse disponíveis em Furlani et al. (no prelo,
1999). Nos Quadros 3 e 4, encontram-se
duas sugestões de preparo de soluções para o cultivo de tomateiro e morangueiro,
respectivamente.
As reposições para tomateiros são realizadas com base em análises químicas da
solução nutritiva circulante, estabelecendo-se médias de consumo individuais
dos elementos entre análises. As diferentes fases de cultivo, apresentadas no
Quadro 3, são adaptações aos padrões de
consumo de cada fase de desenvolvimento,
otimizando os elementos mais consumidos
em função da extração individual. Esta
referência de adubação tem sido utilizada
com sucesso no cultivo de tomates hidropônicos e ajusta os elementos consumidos
nas fases de cultivo. Deve-se notar porém,
que todas as variáveis de consumo deverão ser dimensionadas nas reposições. A
condutividade elétrica adotada em cada
fase é crescente, à medida que os frutos
vão-se formando e a planta se aproxima da
colheita.
111
QUADRO 3 - Sugestão de formulação de solução nutritiva para a cultura do tomateiro em
g/1.000l
Fase A(1)
Sal ou fertilizante
Nitrato de potássio
Fase B(1)
Fase C(1)
150
40
40
800
1.000
1.100
Monoamoniofosfato
250
250
250
Sulfato de magnésio
400
400
400
Cloreto de potássio
500
600
760
Nitrato de cálcio Hydro

Sulfato ferroso
Ácido bórico
12,0
12,0
12,0
3,0
3,0
3,0
Sulfato de cobre
0,2
0,2
0,2
Sulfato de manganês
3,0
3,0
3,0
Sulfato de zinco
0,5
0,5
0,5
Molibdato de sódio
0,15
0,15
0,15
NOTA: Nas fases de semeadura até 30 dias após o transplante das mudas (fase A), de 30 a 60 dias
após transplante das mudas (fase B) e de 60 dias após o transplante das mudas até o
término da colheita (fase C).
(1) Composição da solução nutritiva (mg/l) - macronutrientes: fase A - N-NO3 (135), N-NH4 (35),
P (52), K (314), Ca (152), Mg (40), S (70); fase B - N-NO3 (150), N-NH4 (37), P (52), K (326), Ca
(190), Mg (40), S (70); fase C - N-NO3 (164), N-NH4 (38), P (52), K (409), Ca (209), Mg (40), S
(70). Para os micronutrientes, as concentrações não variam em função das fases e são as seguintes
(mg/l): B (0,5), Cu (0,05), Fe (2,4), Mn (0,75), Mo (0,06), Zn (0,11).
Para o morangueiro, apresentam-se
duas fases distintas e características em
relação à nutrição. Na fase vegetativa temos produção de massa foliar e formação
de estolões, onde não se observam frutos
ou sua produção é pequena e a fase produtiva tem-se praticamente formação de
frutos. O Quadro 4 apresenta a composição
básica da solução nutritiva em cada fase
de cultivo.
A reposição nutricional sugerida para
o morangueiro utiliza o critério da manutenção da condutividade elétrica, mediante
adição de soluções de ajuste sempre que
esta atingir valores predeterminados. As
soluções estoque apresentam composições químicas que possuem uma relação
entre os nutrientes, semelhante à extraída
pela planta cultivada. Na fase reprodutiva
podem-se aplicar valores de condutividade
mais elevados (1,5 a 2,0mS), mas deve-se
reduzir a concentração para valores em
torno de 1,0 a 1,5mS, na fase vegetativa,
evitando a queima das folhas. A condutividade elétrica elevada na fase reprodutiva
proporciona frutos mais saborosos e consistentes.
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QUADRO 4 - Sugestão de formulação de solução nutritiva para a cultura do
morangueiro nas fases vegetativa (fase A) e produtiva (fase
B) em g/1.000l
Fase A(1) Fase B(1)
Sal ou fertilizante
Nitrato de potássio
650
800
900
1.060
Monoamoniofosfato
240
240
Sulfato de magnésio
400
400
Nitrato de cálcio Hydro

Sulfato ferroso
8,0
8,0
Ácido bórico
1,5
3,5
Sulfato de cobre
0,25
0,25
Sulfato de manganês
2,5
2,5
Sulfato de zinco
1,0
1,0
Molibdato de sódio
0,1
0,1
(1) Composição da solução nutritiva (mg/l) macronutrientes: fase A - N-NO3 (215), N-NH4
(35), P (50), K (234), Ca (171), Mg (40), S
(70); fase B - N-NO3 (258), N-NH4 (37), P
(50), K (288), Ca (201), Mg (40), S (70);
micronutrientes: fase A - B (0,26); fase B - B
(0,60). Para os demais micronutrientes, as
concentrações não variam em função das fases e
são as seguintes (mg/l): Cu (0,06), Fe (1,6), Mn
(0,63), Mo (0,04), Zn (0,22).
112
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Na prática, avalia-se a condutividade elétrica da solução circulante e sempre
que esta apresentar valores baixos (valores menores que 1,0mS na fase A e 1,5mS
na fase B), adicionam-se volumes fixos
das soluções estoque A e B, até que se
estabeleça a condutividade desejada. Os
micronutrientes são introduzidos ao sistema, proporcionalmente ao volume dos
estoque A e B (300ml de estoque de micronutrientes/l estoque A ou B aplicado).
COLHEITA E EMBALAGEM
Um fato muito associado às hortaliças
de folhas produzidas em hidroponia é
a presença das plantas com as raízes intactas e visíveis na embalagem. Esta
característica, muito utilizada na prática
para identificar e divulgar a origem do
produto, não se aplica aos frutos hidropônicos. Assim sendo, na hidroponia de
frutos, adicionalmente à qualidade, a embalagem torna-se parte importante na divulgação e venda, identificando o produto. Ela deve transmitir ao consumidor a
personalidade desse produto, valor, informações e benefício comparativo que o mesmo apresenta, quando comparado a um
produto oriundo do cultivo tradicional.
Atualmente, o consumidor está-se acostumando a observar as embalagens e já
existe um relacionamento do produto com
ele. As informações constantes na embalagem criam um comprometimento do
produtor com o cliente, fortalecendo a sua
marca no mercado e desenvolvendo a confiabilidade do seu produto. Adicionalmente, a embalagem além de diferenciar e
proteger o produto, agrega valores, criando
remuneração diferenciada. Um produto
diferenciado merece embalagem diferenciada. Ao produtor cabe desenvolver um
produto em que a embalagem o identifica
(Fig. 2 e 3).
Figura 2 - Tomate caqui embalado em bandejas de isopor e
filme de PVC
Figura 1 - Produção de mudas de tomateiro em espuma
fenólica
Figura 3 Tomate caqui
embalado em
caixa de
papelão
contendo a
identificação
do produto e
do produtor
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
CONTROLE FITOSSANITÁRIO
As hortaliças de frutos apresentam
ciclos longos de cultivo, exigindo tratos
culturais dedicados e controle preventivo
de pragas e doenças. A opção por cultivo
protegido se manifesta, quando o produtor
necessita de um ambiente de cultivo mais
favorável ao desenvolvimento das plantas,
porém muitas vezes este ambiente pode
facilitar o desenvolvimento de patógenos
e criar condições adequadas à multiplicação de insetos. De forma geral, durante
os primeiros cultivos, a casa de vegetação
possui baixo potencial de inóculo, o que
favorece a utilização de defensivos em
quantidades reduzidas. Porém, à medida
que se utiliza ininterruptamente o mesmo
local para o cultivo sucessivo de uma
mesma espécie e/ou cultivar, o ambiente
torna-se uma fonte cumulativa de agentes
transmissores de doenças e pragas. Até o
momento, não se tem notícias de defensivos desenvolvidos especialmente para
cultivos hidropônicos e as dúvidas em
relação às dosagens e carências em ambiente protegido ainda permanecem não esclarecidas.
A hidroponia vem sendo erroneamente
taxada de tecnologia, em que não se aplicam agrotóxicos ou defensivos. Em lavouras de frutos, nota-se apenas uma diminui-
113
ção em seu uso. Outras possibilidades vêm
surgindo em relação ao controle de pragas
e doenças como o controle biológico, perfeitamente aplicável ao cultivo hidropônico. Em centros mais evoluídos, o controle
ambiental exerce uma influência muito
grande no manejo de pragas e doenças e
tem sido aplicado em seu controle.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
COOPER, A. The ABC of NFT. Narrabeen:
Casper, 1996. 171p.
A hidroponia veio ocupar um espaço
e realizar uma tarefa importante no Brasil.
O potencial gerado com a simples implantação de uma técnica perfeitamente acessível ao agricultor está permitindo que a
agricultura intensiva seja introduzida de
forma definitiva na agroindústria nacional,
criando no empresário rural, novos argumentos e lucratividade. Todavia, isso é
apenas o início de uma caminhada que, se
bem trabalhada, poderá gerar muita tecnologia e sucesso. A possibilidade de se
programarem as safras, obtendo um controle efetivo sobre a lavoura já é uma realidade e em pouco tempo, casas de vegetação estarão operando automatizadas e
muito mais eficientes, acarretando produtividades almejadas. Não é somente o mercado consumidor que exige modernização,
mas também o agricultor que sente que sem
o uso de inovações tecnológicas não sobreviverá por muito tempo.
CARRASCO, G.; IZQUIERDO, J.A. A média
empresa hidropônica: a técnica da solução
nutritiva recirculante (“NFT”). Talca, Chile:
Universidade de Talca/FAO, 1996. 91p.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Doenças de hortaliças em cultivo protegido
Laércio Zambolim 1
Hélcio Costa 2
Carlos Alberto Lopes 3
Francisco Xavier Ribeiro do Vale 1
Resumo - Em todas as regiões geográficas do país, as hortaliças são cultivadas em
ambiente protegido, notadamente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. As
hortaliças mais comumente cultivadas são o tomate, o pepino, o pimentão e a
alface. Nos cultivos protegidos, gasta-se maior quantidade de agroquímicos por
área para o controle de doenças e pragas. Resistência aos agroquímicos também é
comum nos cultivos protegidos, principalmente quando são empregados fungicidas
com modo de ação específico. Entre as doenças de maior incidência nos cultivos
protegidos destacam-se o oídio (míldio pulverulento) e míldio na parte aérea das
plantas e, como doenças do solo, destacam-se a murcha de Verticillium, a murcha
de Fusarium e os nematóides-das-galhas. Além das doenças bióticas, inúmeros
distúrbios fisiológicos (abióticos) surgem nos cultivos protegidos. As medidas de
controle devem ser de caráter preventivo de maneira que patógenos do solo não
sejam levados pelas sementes e mudas para o solo no interior das estufas. Durante
o cultivo das plantas, atomizações com fungicidas de contato em rodízio com os
sistêmicos, aliados a práticas culturais diversas (nutrição equilibrada, controle da
irrigação e da umidade no interior das estufas, resistência genética etc.) são medidas recomendadas. Após a colheita, a rotação de cultura com espécies de plantas de
famílias diferentes, principalmente gramíneas e crucíferas, é prática recomendada
nos cultivos protegidos.
Palavras-chave: Controle de doenças; Cultivo protegido; Hortaliças; Patógenos.
INTRODUÇÃO
Dentre as hortaliças mais cultivadas
nas diferentes regiões do país destacamse: o tomate (tipo cereja e caqui), o pimentão
(amarelo e vermelho), o pepino (tipo japonês), a alface e o melão (Quadro 1).
Levantamento realizado por Oliveira
(1995), sobre o emprego de casas de vegetação no Brasil, revelou que a área ocupada
pelas casas de vidro era de 20.755m2 e a de
casas de plástico 63.474m2. Entre os modelos das casas, o tipo capela é o mais usado
(46,22%), sendo o polietileno o material de
maior emprego. No Brasil, diferentemente
da Holanda e Japão, não existem casas de
vidro climatizadas e sim semiclimatizadas.
No Quadro 2, onde o sistema protegido
é comparado ao convencional, observa-se
que o ambiente protegido é alterado, a
severidade de doenças e pragas tende a
aumentar, assim como a resistência a fitopatógenos e a pragas, em razão da aplicação
de agroquímicos.
Entretanto, a maior precocidade, a maior
produtividade e a melhor qualidade das
hortaliças em sistemas protegidos são vantagens comparativas em relação ao sistema
convencional. Estes fatos, aliados a outros,
tais como: proteção contra chuvas de granizo, geadas, chuvas e vento, fazem com que
o cultivo protegido venha aumentando no
país.
Mas, um dos pontos que pode limitar a
produção de hortaliças em cultivos prote-
gidos, trata-se da pouca difusão e adoção
das táticas de manejo integrado. Manejo
integrado não se refere apenas ao manejo
de fitopatógenos e pragas, mas também ao
manejo da irrigação, dos agroquímicos, da
fertilização do solo etc. A rotação de culturas, por exemplo, é uma prática obrigatória
em qualquer sistema de cultivo que, no entanto, raramente tem sido utilizada em cultivos protegidos.
A prática de fumigar o solo visando
resolver um problema de doenças, pode torná-lo ainda maior. Na fumigação, fungos e
bactérias antagonistas aos fitopatógenos
normalmente são eliminados, criando-se,
portanto, um vácuo biológico, o que facilita
a multiplicação rápida dos fungos, bacté-
1
Engo Agro, Ph.D., Prof. Tit. UFV - Depto Fitopatologia, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
Engo Agro, D.Sc. Pesq. EMCAPER, Caixa Postal 391, CEP 29001-970 Vitória-ES.
3
Engo Agro, Ph.D., Pesq. EMBRAPA Hortaliças, Caixa Postal 218, CEP 70359-970 Brasília-DF.
2
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
115
QUADRO 1 - Hortaliças comumente empregadas em cultivo protegido de acordo com as regiões
geográficas
Nome comum
Nome científico
Região Norte
Pimentão
Capsicum anuum
Região Nordeste
Pimentão
Repolho
Tomate
Capsicum annuum
Brassica oleracea var. capitata
Lycopersicon esculentum
Região Centro-Oeste
Abóbora
Agrião
Alface
Berinjela
Couve-flor
Espinafre
Fava
Melão
Moranga
Pepino
Repolho
Tomate
Cucurbita moschata
Nasturtium officinale
Lactuca sativa
Solanum melongena
Brassica oleracea var. botrytis
Spinacea oleracea
Phaseolus lunatus
Cucumis melo
Cucurbita maxima
Cucumis sativus
Brassica oleracea var. capitata
Lycopersicon esculentum
Região Sudeste
Abóbora
Agrião
Alface
Batata
Batata-doce
Berinjela
Coentro
Feijão-vagem
Jiló
Morango
Pimentão
Pepino
Salsa
Tomate
Cucurbita moschata
Nasturtium officinale
Lactuca sativa
Solanum tuberosum
Ipomea batatas
Solanum melongena
Coriandrum sativum
Phaseolus vulgaris
Solanum gilo
Fragaria hibrida
Capsicum annuum
Cucumis sativus
Petroselinum crispum
Lycopersicon esculentum
Região Sul
Abobrinha
Alface
Coentro
Melão
Morango
Pepino
Pimentão
Salsa
Tomate
Cucurbita spp.
Lactuca sativa
Coriandrum sativum
Cucumis melo
Fragaria hybrida
Cucumis sativus
Capsicum annuum
Petroselinum crispum
Lycopersicon esculentum
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rias e nematóides fitoparasitas.
FORMAS DE SOBREVIVÊNCIA
DE FITOPATÓGENOS EM
CULTIVO PROTEGIDO
No Quadro 3, as diversas formas de
sobrevivência (clamidosporos, escleródios, oósporos, células bacterianas e
ootecas) permitem a fitopatógenos sobreviverem por longos períodos no solo, na
ausência da planta hospedeira, principalmente os clamidosporos de Fusarium,
escleródios de Rhizoctonia solani e
Sclerotinia sclerotiorum e células bacterianas de Ralstonia solanacearum.
Tais estruturas de sobrevivência surgem nos solos das estufas por meio de água
de irrigação e implementos agrícolas contaminados e por meio de sementes e mudas
contaminadas com fitopatógenos.
É comum encontrar no campo, fontes
de água que podem servir para irrigação,
tais como: represas, lagos, riachos e córregos já contaminados com estruturas de
fitopatógenos. A contaminação ocorre
devido a vários fatores, dentre os quais
destacam-se: enxurradas que levam solos
de cultivo de hortaliças e hortaliças em
estado de decomposição descartadas próximas a fontes de água, córregos, lagos e
represas que constituem em fontes de bactérias como Ralstonia solanacearum,
Erwinia carotovora, nematóides e fungos
do solo.
Outra fonte de contaminação dos solos
em cultivo protegido são os implementos
agrícolas, que normalmente carregam propágulos de patógenos (estruturas de fungos, células bacterianas, ovos e juvenis de
nematóides) no interior de agregados do
solo de campos contaminados para solos
das estufas.
As doenças em cultivos protegidos
tendem a tornar-se mais severas ainda,
pois, além dos fatores expostos, há que se
levar em conta, também, que a população
de plantas é muito maior do que em cultivos
sem proteção. Em cultivos muito adensados como acontece nas estufas, o ambiente
torna-se muito mais favorável à infecção e
disseminação de fitopatógenos. Desta ma-
116
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 2 - Produção de hortaliças em cultivo protegido comparado ao cultivo convencional
Tipo de cultivo
Característica
Protegido
Convencional
Temperatura do ar e solo
Maior
Menor
Umidade do ar e solo
Maior
Menor
Ventos
Ausente
Presente
População de plantas
Maior
Menor
Fitotoxidez por nutrientes e pesticidas
Comumente
Raramente
Salinização do solo
Comumente
Raramente
Produtividade
Maior
Menor
Qualidade visual
Maior
Menor
Luminosidade
Intensidade menor
Intensidade maior
Estiolamento de plantas
Sim
Não
Precocidade
Maior
Menor
Fitopatógenos do solo
Limitante
Pouco limitante
Severidade de pragas
Maior
Menor
Presença de nematóides nas raízes
Freqüente
Menos freqüente
Severidade de doenças
Maior
Menor
Incidência de oídio ou míldio pulverulento
Comum
Raro
Gasto com inseticidas e acaricidas por área
Maior
Menor
Resistência de insetos, ácaro e fitopatógenos aos agroquímicos
Maior probabilidade
Menor probabilidade
Contaminação de aplicadores por agroquímicos
Maior probabilidade
Menor probabilidade
Inimigos naturais de insetos-praga
Ausentes
Presentes
Manejo integrado
Pouco difundido
Mais difundido
QUADRO 3 - Formas de sobrevivência de fitopatógenos do solo em cultivo protegido
Doença
Patógeno
Forma de sobrevivência
Murcha de Fusarium
Fusarium oxysporum
Clamidosporos no solo
Mucha de Verticillium
Verticillium dahliae
Microescleródios no solo
Podridão de esclerotinia
Sclerotinia sclerotiorum
Escleródios no solo e tecidos da planta
Tombamento
Rhizoctonia solani
Escleródios no solo
Murcha
Phytophthora capsici
Oósporo e Clamidosporo no solo e tecidos de planta
Podridão de Fusarium
Fusarium solani f.sp. cucurbitae
Clamidosporos no solo
Mofo-cinzento
Botrytis cinerea
Microescleródios no solo
Murchadeira
Ralstonia solanacearum
Células bacterianas no solo e nos tecidos de planta
Podridão-mole
Erwinia carotovora
Células bacterianas no solo e nos tecidos da planta
Cancro bacteriano
Clavibacter michiganense subsp. michiganensis
Células bacterianas no solo e nos tecidos da planta
Nematóide-das-galhas
Meloidogyne spp.
Ootecas e juvenis no solo e tecidos da planta
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
neira, alguns patógenos foliares (bactérias
e fungos) são também favorecidos. Além
disso, a disseminação é grandemente
facilitada (cultivo adensado) tanto dos
patógenos do solo quanto da parte aérea.
Dentre as principais formas de disseminação e transmissão de patógenos da parte
aérea destacam-se os insetos, o vento, os
aerossóis, o tipo de irrigação e as práticas
culturais, como podas, desbrota e amarração de partes vegetativas de hortaliças. A
transmissão ocorre por meio de ferramentas
de cultivo.
DOENÇAS DE MAIOR
INCIDÊNCIA EM HORTALIÇAS
EM CULTIVOS PROTEGIDOS
No Quadro 4, encontram-se as culturas
comumente cultivadas em estufas, em diversas regiões do Brasil, e as doenças que
apresentam maior incidência nestas culturas.
Observe que nos cultivos protegidos,
há grande predominância de patógenos do
solo (fungos, bactérias e nematóides). Na
parte aérea das plantas é comum o oídio
(míldio pulverulento).
Os patógenos do solo têm inviabilizado,
em alguns locais, o cultivo de hortaliças
em estufas, pelo fato de produzirem estruturas de resistência e permanecerem por
longo período no solo. Como os fumigantes
de solo não têm propiciado controle satisfatório dos patógenos de solo, o cultivo
nas estufas pode tornar-se inviável, como
verificado em várias estufas na região Sudeste.
Quanto às doenças da parte aérea, a
predominância é de oídio e de míldio, e na
cultura do pimentão do gênero Oidiopsis.
Tais doenças têm predominado nos cultivos protegidos em 100% das estufas.
DOENÇAS ABIÓTICAS EM
CULTIVOS PROTEGIDOS
No Quadro 5, encontram-se os principais distúrbios fisiológicos e suas possíveis
causas em diversas culturas, em cultivo
protegido.
Nos ambientes protegidos, pelo fato de
a temperatura, a umidade relativa, o molha-
mento foliar, a insolação, o vento, a evapotranspiração etc. serem diferentes do ambiente exterior, é de se esperar que surjam
maiores problemas fisiológicos nas plantas.
Além disso, o fato de a prática de rotação
de cultura e de o emprego de compostos
orgânicos não serem comumente empregados aliados à fertilização, problemas com
a salinização do solo surgem e podem também contribuir sobremaneira para o surgimento das doenças abióticas.
Observe também, que muitos dos distúrbios fisiológicos em cultivo protegido
surgem devido ao desequilíbrio de nutrientes no solo. Pelo fato de a fertilização
ser fornecida via água de irrigação, deficiências ou excessos de um ou outro nutriente ocorrem comumente nos solos e
levam ao distúrbio fisiológico. Os sintomas
de tais distúrbios, em alguns casos, podem
ser confundidos com sintomas causados
por patógenos, o que leva invariavelmente
à aplicação de fungicidas erroneamente.
Além dos distúrbios citados no Quadro 5,
citam-se também a queima pelo sol e o uso
de agroquímicos aplicados isoladamente
ou em misturas. Ao contrário do que se
possa imaginar, muitas vezes tem-se utilizado muito mais agroquímicos em cultivo
protegido do que em plantas em ambiente
externo.
CONTROLE DAS DOENÇAS QUE
INCIDEM NOS CULTIVOS
PROTEGIDOS
Diversas medidas podem ser utilizadas
no controle de patógenos em cultivos protegidos. Há medidas preventivas que visam
evitar a entrada de patógenos no ambiente
dos cultivos protegidos antes de a cultura
ser implantada e também medidas que
visam a eliminação ou redução do inóculo
no solo dos cultivos protegidos após a colheita. Dentre as medidas que reduzem o
inóculo inicial no interior das estufas destacam-se:
- escolha do local de instalação das
estufas;
- plantio em solo livre de patógenos;
- emprego de sementes e mudas sadias
e certificadas livres de patógenos;
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- solarização do solo;
- inundação do solo;
- desinfestação do solo;
- fumigação do solo;
- revolvimento do solo seguido de
pousio;
- rotação de culturas;
- emprego de compostos orgânicos no
solo;
- tratamento de sementes com fungicidas protetores e sistêmicos;
- tratamento térmico de sementes e
mudas;
- plantio em substratos artificiais em
recipientes sobre o solo;
- emprego de telado de náilon;
- eliminação de plantas hospedeiras
próximas às estufas;
- emprego de armadilhas de insetos ao
redor e dentro das estufas (armadilha
amarela adesiva e de água);
- roguing (remoção de mudas e plantas doentes);
- enxertia;
- emprego de cultivares com resistência vertical;
- emprego de implementos agrícolas e
ferramentas livres de patógenos;
- plantio de plantas-armadilhas ao redor da estufa;
- destruição de restos culturais de plantios anteriores;
- pousio (período sem uso de cultura
na estufa).
Medidas tais como a escolha do local
de instalação das estufas; plantio em solo
livre de patógenos; plantio em substratos
artificiais em recipientes sobre o solo; emprego de armadilhas de insetos ao redor e
dentro das estufas e o plantio de cultivares resistentes às doenças são de grande
importância, notadamente à adoção de
cultivares resistentes.
Ressalta-se aqui a grande importância
da adoção das medidas que visam impedir
a entrada de patógenos nos solos dos cultivos protegidos. Certos fungos, bactérias
e nematóides, quando infestam o solo, seja
118
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 4 - Doenças de maior incidência em hortaliças em cultivos protegidos
Doença
Patógeno
Tombamento e Podridão das raízes Pythium ultimum,
Cultura
Tomate, melão, pimentão, alface, berinjela, pepino
P. aphanidermatum,
Phytophthora spp.
Rhizoctonia solani
Murcha
Phytophthora capsici
Pimentão
Murcha de Verticillium
Verticillium dahliae
Tomate, melão, pepino, pimentão, berinjela, quiabo
Verticillium albo-atrum
Murcha de Fusarium
Formae specialis de Fusarium oxysporum
Tomate, melão, pepino
Podridão de Fusarium
Fusarium solani f.sp. cucurbitae
Melão
Podridão de esclerotinia
Sclerotinia sclerotiorum
Tomate, pimentão, alface, melão, pepino
Míldio pulverulento (Oídio)
Erysiphe sp., Oidium spp.
Tomate, pimentão, pepino, abobrinha, berinjela, melão,
Leveillula taurica
feijão-vagem, ervilha, morango
Sphaerotheca fuliginea
Sphaerotheca macularis
Mofo-cinzento
Botrytis cinerea
Tomate, pepino, alface, berinjela, feijão-vagem, morango
Míldio
Bremia lactucae
Alface
Pseudoperonospora cubensis
Melão, pepino, abóbora
Mofo-das-folhas
Fulvia fulva (Cladosporium fulvum)
Tomate
Mofo
Cladosporium cucumerinum
Pepino, melão, abóbora
Murchadeira
Ralstonia solanacearum
Tomate, pimentão
Talo oco
Erwinia carotovora
Tomate, pimentão
Mancha-angular
Pseudomonas syringae pv. lachrymans
Pepino, melão
Nematóide-das-galhas
Meloidogyne spp.
Tomate, alface, pepino, quiabo, pimentão
Cancro bacteriano
Clavibacter michiganense subsp. michiganensis
Tomate
Mancha-zonada
Leandria momordicae
Pepino
Gomose
Didymella bryoniae
Melão
Antracnose
Colletotrichum lagenarium
Melão
Mosaico
Vírus do mosaico das cucurbitáceas
Abóbora, abobrinha, melão, pepino
Mosaico
Vírus do mosaico do fumo
Tomate
Mosaico
Vírus da mancha anelar do mamoeiro estirpe
Pepino, melão
melancia (PRSV-W)
Mosaico dourado
Vírus do mosaico dourado (TGMV)
Tomate
Vira-Cabeça
Vírus do vira cabeça do tomateiro (TSWV)
Tomate
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
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QUADRO 5 - Doenças abióticas causadas por distúrbios fisiológicos em cultivo protegido
Distúrbio fisiológico
Causa
Tomate
Maturação irregular
Solo salino, alta temperatura
Estiolamento das plantas
Excesso de N, deficiência de luminosidade
Escurecimento dos vasos dos frutos
Baixa luminosidade, alta temperatura, alta umidade do solo, excesso de N,
carência de K
Podridão apical
Alta temperatura, ar seco, alteração brusca de umidade do solo, deficiência de
Ca, salinidade
Fruto rendilhado
Baixa umidade do solo, alta temperatura, deficiência de K
Abortamento de flores e ocorrência de frutos ocados
Temperaturas acima de 38ºC ou abaixo de 13ºC, luminosidade deficiente,
excesso de N
Morte de meristema apical
Temperatura abaixo de 5ºC; ventos frios ou geada; excesso de N ou de K;
deficiência de K, B e Ca
Bifurcação de rácimos
Desequilíbrio entre N, Ca e K associado à queda ou flutuação de temperatura
Lóculo aberto e janela do caule
Alta umidade, alta temperatura, alta fertilidade (N); deficiência de Ca, Mg,
Mo e B
Pimentão
Aborto floral (redução na percentagem de germinação do
grão de pólen)
Temperatura acima de 35ºC, presença de ventos, baixa luminosidade, excesso
de N
Pepino
Isoporização interna
Alta dosagem de N, crescimento vegetativo intenso, deficiência de B
Necrose interna do fruto
Temperatura baixa
Podridão apical
Deficiência de Ca
Manchas foliares claras com formato irregular
Salinização do solo
Frutos cinturados (defeitos)
Alta ou baixa temperatura, baixa umidade, alto nível de amônio ou de K,
deficiência de Ca e B
Branqueamento de folhas
Salinidade do solo, alto nível de Ca ou K no solo, solos cultivados intensamente,
temperaturas baixas no inverno/primavera, baixa temperatura do solo
Alface
Tipburn (queima dos bordos das folhas novas)
Manejo inadequado da cultura provoca crescimento acelerado e a absorção de
Ca não acompanha o ritmo de crescimento
Melão
Rachadura
Manejo inadequado de água, adubação desbalanceada
Má-formação do fruto; frutos comprimidos; defeituosos;
Crescimento vegetativo vigoroso, polinização ineficiente
má-cicatrização do umbigo
Fermentação do interior do fruto
Polpa derrete da região da semente para a casca, formando um álcool de sabor
e odor desagradável. Este distúrbio está relacionado com a contínua absorção
de N na maturação e colheita.
Recomenda-se muito cuidado no manejo da água e da adubação, para não
interferir no ponto de colheita
FONTE: Dados básicos: Takazaki & Della Vecchia (1993).
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
por sementes contaminadas, água de irrigação, seja por implementos agrícolas,
dificilmente são erradicados. A fumigação
que, teoricamente, seria uma medida importante na eliminação destes patógenos do
solo, ao contrário, não tem propiciado bons
resultados, devido exatamente não estar
sendo empregada de maneira correta nos
cultivos protegidos. A fumigação do solo
deve ser recomendada em associação com
outras práticas agrícolas, tais como: após
a retirada da cobertura do solo, fazer a incorporação de compostos orgânicos oriundos
de local sabidamente isento de patógenos;
empregar, na irrigação, água de boa qualidade e isenta de patógenos; evitar que
solos do exterior das estufas sejam levados
para o local fumigado, pois nesse caso a
recolonização por patógenos poderá ser
muito rápida; atomizar todo solo fumigado
com uma suspensão de fungicidas e antibióticos, desta maneira, evita-se a recontaminação do solo fumigado com patógenos.
Outras medidas importantes na redução de
inóculo de patógenos do solo, tais como a
inundação em áreas, onde houver esta possibilidade, e o emprego do polietileno transparente de até 100mm de espessura, seriam
de grande valia. A solarização do solo por
60 dias no mínimo tem propiciado bons
resultados na redução da população de
patógenos do solo, em locais onde a temperatura da camada de 0 a 10cm de solo atinja
valores superiores a 45ºC por quatro horas
diárias no mínimo.
A descontaminação de enxadas, grades, arados e roda de tratores, antes de entrarem no interior das estufas, visa impedir
que patógenos de outras áreas contaminadas penetrem no interior das estufas.
Para isso, torna-se importante a lavagem
com água e sabão de todas as partes dos
implementos que irão ficar em contato com
o solo das estufas.
Há medidas que também aplicam-se
durante a fase de crescimento das culturas.
Dentre as que reduzem a taxa de doenças
no interior das estufas, destacam-se:
- emprego de cultivares com resistência horizontal;
- atomização com fungicidas, quando
necessário;
- rotação de fungicidas com modo de
ação específico e não específico;
- evitar construir estufas em regiões
su-jeitas a nevoeiros;
- controlar a ventilação no interior das
estufas;
- descontaminação de ferramentas
destinadas a desbrotas e podas (hipoclorito de sódio a 5%);
- controle da irrigação dentro das estufas, evitando o excesso de umidade no solo;
- pulverização com extrato de plantas
e calda de fumo;
- pulverização
thuringiensis;
com
Bacillus
- emprego de vespas parasitóides
(Hymenoptera) no controle de pulgões;
- pulverização com calda sulfocálcica
bem diluída (1:90), para controle de
ácaros e certas doenças como oídio;
- nutrição equilibrada das plantas
(cálcio (Ca), potássio (K), magnésio
(Mg), nitrogênio (N));
- escolha de épocas mais adequadas
ao plantio;
- emprego de mudas de bandejas que
contenha maior volume de substrato
(por exemplo 128 células);
- controlar a abertura e fechamento
das cortinas laterais das estufas.
A medida mais importante seria o emprego de cultivares e/ou híbridos com resistência horizontal. Entretanto, mesmo
adotando-se o plantio destas cultivares
e/ou híbridos, ainda se torna importante a
recomendação de práticas culturais e a atomização com fungicidas em certos casos.
Com relação à resistência genética, diversas cultivares e híbridos são lançados a
cada ano no Brasil. Assim, é importante o
conhecimento destes materiais para escolher aquele com resistência ao patógeno
que causa maiores perdas nas condições
onde ele vai ser plantado.
Uma das práticas culturais mais importantes consiste no controle da umidade
no solo e/ou na parte aérea das plantas no
interior das estufas. Para isso, torna-se
necessário controlar a abertura e o fechamento das cortinas laterais das estufas, de
tal modo que desfavoreçam patógenos que
demandam maior intervalo de tempo de
molhamento foliar para infectar o hospedeiro. Por outro lado, há que se ter um
equilíbrio entre os períodos de molhamento
e de seca das folhas, pois numa mesma cultura, como o pepino, o oídio e o míldio incidem, dependendo destas condições.
Quando há períodos de seca prolongados,
ocorre a incidência do oídio e, quando há
períodos de molhamento longo, o míldio
passa a predominar. Entretanto, na prática
tem sido constatada a presença das duas
doenças ao mesmo tempo na cultura.
Uma das medidas mais comumente
empregadas durante o crescimento das
plantas é o emprego de fungicidas. Doenças como o oídio e o míldio requerem a
utilização de fungicidas para os seus controles. Entretanto, há outras doenças que
incidem em maior ou menor intensidade,
dependendo da cultura, como o mofo cinzento, a mancha-zonada e a antracnose.
A recomendação básica consiste no emprego de fungicidas protetores que apresentam modo de ação não-específico.
Quando houver necessidade do uso de
produtos sistêmicos, com modo de ação
específico, devem-se alterná-los com os
produtos de contato.
O emprego de produtos que não aumentem a pressão de seleção de pragas e
doenças, também é de grande importância
nos cultivos protegidos. O emprego de
caldas e extrato de plantas, do Bacillus
thuringiensis, da calda sulfocálcica e do
enxofre visam manter algumas pragas e
doenças em equilíbrio nos cultivos protegidos.
As operações de desbrota e poda
também são responsáveis pela disseminação de doenças nas estufas, principalmente as viroses. No melão, a severidade
da gomose aumenta em cultivo protegido,
devido à operação de desbrota disseminar
o patógeno Didymella bryoniae, sendo
necessário empregar ferramentas desin-
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
festadas com hipoclorito de sódio a 5%,
após a desbrota de cada planta.
A época de plantio também é medida
que pode ser explorada, para evitar a fase
da cultura em que a doença torna-se mais
severa em ambientes protegidos. Em se
tratando da murchadeira do tomate, causada por Ralstonia solanacearum, tem sido
constatada baixa incidência da doença na
estação do inverno, época em que predominam temperaturas baixas.
PRINCIPAIS DOENÇAS QUE
INCIDEM EM CULTIVOS
PROTEGIDOS
A seguir são descritas as doenças de
maior incidência nas principais hortaliças
em cultivo protegido.
Alface
Míldio - Bremia lactucae
O controle mais eficiente desta doença
em alface deve ser feito pelo emprego de
variedades resistentes; entretanto, devido
à dificuldade de obtê-las, recomenda-se
manter o interior da estufa com um teor de
umidade relativa no ar que desfavoreça à
doença, isto é, entre 40 e 60%. É recomendada também a remoção da umidade das
folhas no final do dia, por um processo de
arejamento da estufa, ou pelo aumento da
temperatura para decrescer a umidade relativa do ar.
A remoção de restos culturais no final
do ciclo também é prática recomendada,
para evitar que estruturas de sobrevivência
do patógeno passem de uma estação de
cultivo para outra.
Pulverizações com fungicidas registrados para a cultura são recomendadas
somente na fase de seedling.
Tombamento de mudinhas Pythium spp., Rhizoctonia
solani, Phytophthora spp.
Ocorre na fase de germinação e crescimento das mudinhas de alface e logo após
o transplante. O tombamento é geralmente
favorecido por temperaturas superiores a
25ºC, alta umidade relativa, solos maldrenados e irrigação excessiva. Portanto,
qualquer medida que melhore o arejamento
e evite a alta umidade no solo desfavorece
o tombamento das mudinhas.
O tratamento das sementes com fungicidas apropriados também é recomendado na prevenção da doença.
Podridão de esclerotinia Sclerotinia sclerotiorum
Para o controle deste patógeno na
cultura da alface, recomenda-se que sejam
evitadas irrigações excessivas e empregadas adubação orgânica equilibrada para
aumentar a atividade microbiana no solo.
A inundação do solo é também prática
recomendada, principalmente em locais onde há disponibilidade de água. Esta prática
visa reduzir a população de escleródios no
solo.
A solarização do solo por meio do
emprego do polietileno transparente, por
60 dias no mínimo, é recomendada. Dessa
forma, reduz-se não só a população de S.
sclerotiorum, mas também a de outros fungos, bactérias e nematóides que atacam a
cultura.
Septoriose - Septoria lactucae
O patógeno é transmitido pelas sementes, portanto, deve-se ter muito cuidado
na aquisição das sementes de alface. Atomizações com fungicidas apropriados são
recomendadas na fase inicial de crescimento da cultura. Entretanto, a medida
principal consiste em controlar o excesso
de umidade e evitar a alta densidade de
plantas.
Podridão-mole - Erwinia spp.
A medida de controle mais importante
na cultura da alface é a prevenção, isto é,
devem-se evitar injúrias mecânicas nos
tecidos das plantas, excesso de irrigação e
conseqüente excesso de umidade no solo
e no ar. Antibióticos antibacterianos não
têm dado controle satisfatório da podridãomole. Quanto mais seco for o ambiente,
após o surgimento da doença nas plantas,
maiores são as chances de sucesso no seu
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controle.
Mosaico da alface - vírus do
mosaico da alface
Os sintomas incluem mosaico nas folhas da alface, deformação e crescimento
severamente reduzido do limbo foliar. Tratase de um vírus transmitido pelas sementes
e por pulgões. Entretanto, o controle químico dos afídeos não é eficiente, pois o
modo de transmissão não persistente do
vírus pelo vetor, inviabiliza o controle. Há,
entretanto, cultivares resistentes.
Melão
Crestamento gomoso do caule Didymella bryoniae
Os sintomas nas folhas da cultura do
melão surgem sob a forma de lesões, que
inicialmente são circulares, necróticas,
tendendo a coalescer posteriormente, formando grandes áreas com o crestamento.
O sinal característico da doença é a
presença de goma sobre as lesões em todos
os órgãos atacados.
A doença propaga-se de planta para
planta na operação de desbrota, na qual o
patógeno é levado em lâminas de ferramentas de plantas doentes para as sadias.
A infecção pelo patógeno é rara em umidade
relativa do ar próxima a 60%, e a doença
torna-se grave a partir de 90% de umidade
relativa, sobretudo quando há presença de
água livre sobre as plantas.
Recomenda-se muito cuidado nas
operações de desbrota, procedendo-se a
desinfestação da lâmina cortante com
hipoclorito de sódio a 5%, após a desbrota
de cada planta.
Míldio - Pseudoperonospora
cubensis
A alta umidade relativa do ar e a presença de água livre sobre as folhas do meloeiro
são condições indispensáveis para que
ocorra infecção. A temperatura favorável
situa-se na faixa de 17 a 22ºC.
O controle da doença baseia-se em
medidas culturais, tais como: evitar molhar
as folhas com a água de irrigação, reduzir a
122
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
umidade relativa do ar e, se a doença surgir,
proceder atomizações com fungicidas
apropriados.
Míldio pulverulento Sphaerotheca fulginea, Erisiphe
cichoracearum
Na forma imperfeita o patógeno é conhecido como Oidium spp.
O controle da doença na cultura do melão tem sido feito com aplicações de fungicidas registrados. Entretanto, têm ocorrido
casos de resistência ao patógeno, quando
se utiliza somente um fungicida sistêmico
do mesmo grupo químico. Portanto, a
recomendação é que se utilize rodízio de
fungicidas sistêmicos, de grupos químicos
diferentes, intercalados com fungicidas de
contato.
Murcha de Fusarium - Fusarium
oxysporum f.sp. melonis
Murcha de Verticillium - Verticillium
dahliae
A murcha de Fusarium ocorre mais
rapidamente e a murcha de Verticillium
mais lentamente. Em virtude de produzirem
estruturas de resistência, clamidosporos (Fusarium) e microescleródios
(Verticillium), podem permanecer no solo
por vários anos na ausência do hospedeiro.
Com relação à murcha de Fusarium, há
cultivares de melão resistentes a algumas
raças do patógeno. Enxertia de melão em
Cucurbita ficifolia ou em Benincasa
cerifera tem dado bons resultados, muito
embora onere muito o custo de produção.
Entretanto, a medida de controle mais
eficiente é a prevenção, isto é, tomar todo
cuidado para que tais fungos não sejam
introduzidos e disseminados na área de
cultivo.
Medidas culturais tais como: fertilização
balanceada dos elementos minerais, pH em
torno de 6,5 e emprego de compostos orgânicos sempre devem ser adotadas.
Mancha-angular - Pseudomonas
syringae pv. lacrymans
A bactéria penetra normalmente pelos
estômatos, sob condições de temperatura
entre 24 e 28ºC e umidade relativa do ar
alta, causando sérios danos à cultura do
melão.
O patógeno é disseminado pelas sementes e pelo respingo de chuva. Portanto,
os tratos culturais dentro das estufas podem contribuir também para a disseminação
desta bactéria.
Não há produtos químicos capazes de
controlar efetivamente a doença. No entanto, recomenda-se aplicar preventivamente,
em locais onde a doença vem ocorrendo, a
mistura de produtos a base de cobre com o
mancozeb.
Medidas culturais, como evitar o excesso de umidade relativa do ar, também podem desfavorecer o surgimento da doença.
Podridão aquosa dos frutos Erwinia spp.
Em razão de ferimentos causados nos
frutos de melão durante a colheita ou o
armazenamento, ou mesmo a injúria provocada por insetos, a bactéria pode penetrar
e causar a podridão dos frutos exalando
forte odor, uma vez que ela dificilmente
penetraria na casca sadia.
Como medida de controle, recomendase tomar cuidados durante os tratos culturais no campo, na colheita, transporte e armazenamento, para evitar injúria nos frutos.
Virose - vírus do mosaico do
mamoeiro estirpe melancia
(VMM-m1), vírus do mosaico
da melancia - 2 (VMV-2)
Os sintomas da virose na cultura do
melão são folhas deformadas, cloróticas,
com presença de bolhas e de tamanho reduzido; internódios curtos e frutos deformados, de tamanho reduzido e com mosaicos.
A transmissão ocorre por sementes,
mecanicamente por meio de tratos culturais
e por meio de vetores (pulgões dos gêneros
Alphis e Myzus). A transmissão é do tipo
não persistente, ou seja, o vírus fica retido
no aparelho bucal do afídeo, sendo adquirido e transmitido em curto período.
O controle deve ser cultural, empregando-se sementes sadias, cultivares resistentes e barreiras (telas de náilon) contra
pulgões; estudando-se a melhor época de
plantio para evitar os insetos e eliminandose plantas da família das cucurbitáceas
próximas ao plantio do melão.
Pimentão
Requeima, ou murcha, ou
podridão da raiz - Phytophthora
capsici
Sob condições de alta umidade, é comum notar a presença de mofo-branco, que
é formado por esporângios e micélio do
fungo nas partes infestadas. Além do pimentão, o fungo ataca também outras
solanáceas e cucurbitáceas. A sobrevivência do fungo ocorre por meio de micélio
e esporângio, em restos culturais infectados, podendo os solos permanecer contaminados por até três a cinco anos.
O controle da doença torna-se muito
difícil ou quase impossível depois que as
plantas já estiverem infectadas. Portanto,
as medidas de controle devem ser preventivas, isto é, adotar toda e qualquer medida
que desfavoreça o patógeno, tais como:
plantar em solos bem-drenados, evitar
solos muito úmidos, evitar o excesso de
irrigação e optar por híbridos resistentes.
Oídio - Oidiopsis sicula
Os sintomas são observados nas folhas
da cultura do pimentão, onde na face superior verificam-se manchas amarelas de
bordos irregulares, de dimensões variáveis
em função das cultivares e/ou híbridos e
das condições de cultivo. Na face inferior
correspondente, observa-se o desenvolvimento de um micélio pulverulento branco,
pouco denso.
Em condições muito favoráveis ocorre
uma desfolha acentuada das plantas, com
conseqüente redução na produtividade.
Dentre as medidas de controle, a utilização
de fungicidas é a mais empregada. Entretanto, para muitos destes fungicidas, não
há registro para uso nesta cultura no Brasil.
Mofo-branco - Sclerotinia
sclerotiorum
O sintoma inicia-se logo após a floração
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
na cultura do pimentão, quando é observado o sintoma característico da doença,
mofo-branco, nas hastes que após alguns
dias secam e morrem. No interior das hastes
do pimentão, é comum encontrar os escleródios do fungo, que é a principal forma de
sobrevivência do patógeno na ausência do
hospedeiro. A doença torna-se mais severa
em épocas frias e solo úmido. Em áreas com
histórico de ocorrência da doença, devemse adotar medidas culturais para reduzir a
população do fungo no solo. Dentre as medidas destacam-se: inundar a área quando
for viável, por um período de 30 a 45 dias;
tombar a leiva visando enterrio das camadas superficiais do solo a uma profundidade de 20 a 25cm e evitar o excesso de
umidade no solo.
Talo oco e podridão-mole Erwinia carotovora var.
carotovora, Erwinia carotovora
var. chrysanthemi
A E. carotovora subsp. carotovora
causa o talo oco em hastes e a E. carotovora
subsp. chrysanthemi causa podridão-mole
em frutos de pimentão. Tais bactérias
sobrevivem tipicamente no solo e atacam a
cultura sob condições de alta umidade do
solo e do ar e temperaturas altas.
Essas bactérias atacam ainda um grande
número de espécies de plantas, notadamente as crucíferas, que são ótimas hospedeiras. Dentre as medidas de controle destacam-se: cuidado em não ferir as plantas
com os implementos agrícolas ou práticas
culturais; controle da irrigação evitandose encharcar o solo; controle dos insetos
que causam injúrias nos frutos; não-plantio
de pimentão após crucíferas e atomização
das plantas com a mistura de fungicida
cúprico com mancozeb.
Tomate
Murcha de Fusarium - Fusarium
oxysporum f.sp. lycopersici
É comum as folhas do tomateiro apresentarem-se amarelas num de seus lados e
verdes no restante delas.
Às vezes, apenas os folíolos de um dos
lados da folha mostram-se amarelos. Ao se
observarem os vasos lenhosos do pecíolo
das folhas amarelas, nota-se que estes apresentam-se de cor parda e com aparência
seca. Em casos avançados, a descoloração
dos vasos estende-se, desde as raízes até
próximo ao ponteiro, sempre em correspondência com a área de folhas amareladas.
Na ausência do hospedeiro, o fungo
permanece no solo ou em restos culturais
sob a forma de clamidosporos. Sob essa
forma, ele pode permanecer no solo por
mais de cinco anos. Agentes de disseminação, tais como: vento, água de superfície,
implementos agrícolas e mudas, levam o
patógeno de um local para outro. As sementes também podem disseminar micélio
dormente no seu interior ou os clamidosporos aderentes na sua superfície.
O fungo pode atacar o tomateiro numa
ampla faixa de temperatura que varia de 21
a 33ºC, com ótimo a 28ºC.
Os sintomas tornam-se mais graves,
quando as plantas crescem em solo com
pouca água ou em solos pobres, ácidos e
carentes em cálcio.
Portanto, toda e qualquer medida deve
ser preventiva, a saber: tratamento das
sementes, visando matar os conídios que
aderem à sua superfície, calagem do solo
antes do plantio, fertilização equilibrada
com macro e micronutrientes, rotação da
cultura com gramíneas e emprego de compostos orgânicos no plantio, para aumentar
a microflora antagonística.
Murcha de Verticillium - Verticillium dahliae
Sua importância é maior em virtude do
seu agente ser capaz de causar doenças
em mais de 200 espécies de plantas, cultivadas ou não, o que aumenta a probabilidade
de estar presente na maioria dos solos
cultivados. Além disso, o fungo sobrevive
no solo sob a forma de clamidosporos e
microescleródios, dificultando a aplicação
de medidas de controle. Os sintomas de
murcha na cultura do tomate surgem inicialmente em apenas um dos lados da planta.
As folhas podem apresentar áreas amare-
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123
ladas, de formato variável, como se fosse
um V, com o vértice voltado para a nervura
principal. Sintoma de descoloração dos
vasos da raiz principal, ou nas áreas próximas ao colo, pode estar restrito a apenas
alguns feixes vasculares e raramente atinge
o pecíolo das folhas.
A faixa de temperatura para infecção
está entre 13 e 30ºC, com o ótimo entre 22 a
24ºC. O teor de umidade do solo que
favorece a planta, também favorece o desenvolvimento da doença.
Apenas medidas preventivas são
recomendadas para o controle da doença,
destacando-se a rotação da cultura com
gramíneas por vários anos; o uso de cultivares e híbridos resistentes, quando disponíveis, e o não-plantio em solos infestados e cultivados por vários anos com
outras solanáceas, como quiabo e alcachofra, entre outras.
Murchadeira - Ralstonia
solanacearum
A bactéria sobrevive no solo aderido
às argilas por mais de cinco anos, na ausência do hospedeiro. Ela é patogênica a
mais de 200 espécies de plantas, distribuída
em mais de 35 famílias de plantas. As
condições que favorecem à doença são
temperaturas altas (26 a 38ºC) e alta umidade.
Água de irrigação contaminada tem sido o
principal meio de introdução da bactéria
nos solos de cultivos protegidos.
Um aspecto importante é que, nas
estufas, onde o tomateiro apresenta sintomas de murcha, têm-se observado plantas de pimentão sadias lado a lado e na
mesma fileira do tomateiro. Isto levanta a
hipótese de tolerância de algumas cultivares de pimentão à murchadeira.
A principal medida de controle da
murchadeira é evitar a entrada da bactéria
nos solos das estufas. Cuidado especial
deve ser dado à água de irrigação, sementes, mudas e solo impregnado de implementos agrícolas. Local de plantio cultivado
anteriormente com solanáceas, deve ser
evitado. A rotação de cultura, a solarização
do solo por dois meses no mínimo e o plan-
124
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
tio em épocas frias do ano são medidas
que podem ser adotadas para o controle
da doença.
Pepino
Antracnose - Colletotrichum
lagenarium, C. orbicularae, C.
gloeosporioides f. sp. cucurbitae
A antracnose manifesta-se na cultura
do pepino como lesões encharcadas, seguida de necrose, resultando em manchas
circulares circundadas por um halo de
tecido amarelado. Lesões elípticas e deprimidas e recobertas por uma massa rosada
podem ser observadas nas hastes, no pecíolo e nos frutos já desenvolvidos.
Para o controle da doença, recomendam-se o emprego de sementes sadias e
tratadas e pulverizações com fungicidas
sistêmicos alternados com fungicidas de
contato, quando as condições favorecem
o seu surgimento.
Míldio pulverulento - Erisiphe
cichoracearum, Oidium sp.
O míldio pulverulento manifesta-se por
um crescimento branco pulverulento na
superfície inferior das folhas e ramos tenros
da planta.
A doença é favorecida por baixa umidade relativa do ar e temperatura acima de
25ºC. Como medida de controle, recomendam-se pulverizações com fungicidas
sistêmicos específicos para o oídio,
intercaladas com fungicidas a base de
enxofre. Entretanto, deve-se tomar cuidado,
pois se a temperatura subir acima de 28ºC,
o enxofre pode causar fitotoxidez à cultura.
Míldio - Pseudoperonospora
cubensis
A doença inicia-se na cultura do pepino
como áreas de tecido encharcado que se
tornam necróticas e limitadas pelas nervuras, formando manchas angulares. Sob
condições de alta umidade formam-se, na
face ventral da folha, frutificações do fungo
de coloração verde-oliva a púrpura.
O controle da doença deve ser feito
permitindo que haja ventilação dentro do
ambiente protegido, visando reduzir o
período em que as folhas permanecem
molhadas. Maior espaçamento e pulverizações com fungicidas específicos de baixa
fitotoxidez também podem ser adotadas
como medidas de controle.
Mancha-zonada - Leandria
momordicae
Trata-se de uma doença muito severa
que pode dizimar a cultura do pepino em
até uma semana, como observado em várias
estufas. Os sintomas iniciais da doença são
pontos lesionados pequenos de forma
circular a angular. Posteriormente, as lesões
crescem e coalescem tornando-se esbranquiçadas e quebradiças.
Daí, recomenda-se realizar adubação em
cobertura com compostos orgânicos, visando prolongar o período vegetativo das
folhas e o aumento na superfície foliar.
Pulverizações com tiofanato metílico +
chlorothalonil são recomendadas, muito
embora dificilmente seja obtido um controle
eficiente da doença com tal medida. Resistência genética não existe.
Podridão de raízes e do colo Fusarium solani f.sp. cucurbitae
O patógeno, ao colonizar o sistema
vascular da planta, provoca murcha e amarelecimento generalizado nela. Quando a
planta é jovem, a doença pode causar sintomas de podridão, provocando o que se
denomina podridão do colo e, conseqüentemente, morte da planta.
O controle da doença na cultura do pepino deve ser feito de maneira integrada:
utilizar nitrogênio sob a forma de nitrato,
ajustar o pH do solo para 6,5, empregar
cultivares/híbridos resistentes, plantar em
áreas livres do patógeno e usar enxertia
sobre materiais resistentes.
Mancha-angular - Pseudomonas
lachrymans
A doença manifesta-se na cultura do
pepino por meio de pequenas áreas de tecido encharcado, limitadas pelas nervuras,
e daí adquire a forma angular típica.
O controle da mancha-angular é difícil
após o seu surgimento na cultura. Devido
a isto, recomenda-se, como medida preventiva, o tratamento de sementes (ex.: termoterapia). Pulverizações preventivas com
mancozeb e produtos a base de cobre em
mistura também são recomendadas, mas
nem sempre dão resultados satisfatórios.
Vírus do mosaico do pepino
A virose manifesta-se com áreas de
tecido cloróticas, misturadas com áreas de
tecido verde normal, internódios curtos e
folhas com tamanho reduzido. As flores
atacadas são anormais e não frutificam. Os
frutos em desenvolvimento apresentam variação em cor e tamanho e, muitas vezes
são deformados. Recomenda-se para o
controle da doença, o emprego de sementes sadias e controle dos insetos vetores,
os afídeos.
Nematóides-das-galhas Meloidogyne spp.
Em levantamentos iniciais efetuados em
algumas estufas da região Sudeste, constatou-se predominância de Meloidogyne
javanica, associado a esta cultura.
A medida mais eficiente de controle é
impedir a entrada do nematóide nas estufas,
desinfestando-se os implementos agrícolas
e ferramentas. Recomendam-se também o
emprego de compostos orgânicos no plantio e a solarização do solo. A enxertia de
pepino em abóbora tem dado bons resultados, sendo este porta-enxerto resistente
aos fitonematóides, bem como a outros
patógenos do solo.
Mofo branco - Sclerotinia
sclerotiorum
A doença torna-se mais severa na cultura do pepino em épocas frias e solo úmido.
Em áreas com histórico de ocorrência da
doença, devem-se adotar medidas culturais
para reduzir a população do fungo no solo.
Dentre estas destacam-se: inundação da
área, quando esta for viável, por um período
de 30 a 45 dias; tombamento da leiva
visando enterrio das camadas superficiais
do solo a uma profundidade de 20 a 25cm e
evitar excesso de umidade no solo.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
CONCLUSÃO
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
As principais conclusões sobre as
doenças de hortaliças em cultivos protegidos são:
TAKAZAKI, P.; DELLA VECCHIA, P.T. Problemas nutricionais e fisiológicos de hortaliças em ambiente protegido. In:
FERREIRA, M.E.; CASTELLANE, P.D.;
CRUZ, M.C.P. da. (Coord.). Nutrição e
adubação de hortaliças. Piracicaba:
Potafos, 1993. p.481-487.
a) as formas de sobrevivência dos
patógenos nos solos: clamidosporos; escleródios; microescleródios; oósporos; ootecas e células
bacterianas (Erwinia, Clavibacter e
Ralstonia) podem-se constituir em
grandes problemas em cultivos
protegidos;
b) nos cultivos protegidos predominam as doenças oídio e míldio na
parte aérea das plantas e murcha de
Fusarium, murcha de Verticillium e
nematóides-das-galhas como doenças de patógenos do solo;
c) a severidade das doenças é maior
nos cultivos protegidos em comparação com o cultivo tradicional;
d) gasta-se maior quantidade de agroquímicos por área nos cultivos protegidos do que em cultivo tradicional,
no controle de doenças;
e) o ambiente no interior das estufas,
por ser diferente do ambiente exterior, favorece determinadas doenças
que, normalmente, não seriam problemas nos cultivos tradicionais;
f) inúmeros distúrbios fisiológicos
ocorrem em cultivos protegidos;
recomenda-se a diagnose correta para evitar uso abusivo de fungicidas;
g) as medidas de controle das doenças
bióticas e abióticas devem ser integradas, isto é, plantio em solo livre
de patógenos, emprego de sementes
e mudas sadias, práticas agrícolas
que reduzem inóculo de patógenos
do solo, rotação de culturas, plantio
de cultivares resistentes, controle da
irrigação e da umidade no interior
das estufas, fertilização equilibrada,
aplicação de fungicidas, escolha de
épocas adequadas de plantio etc.
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126
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Manejo integrado de pragas de hortaliças
em ambiente protegido
Marcelo Picanço 1
Flávio Marquini 2
Resumo - Têm-se observado em ambiente protegido, maiores problemas com
pragas do que nos cultivos realizados no campo, principalmente em relação à
espécies-praga que encontram neste ambiente condições ótimas de desenvolvimento e reprodução, como ocorre com alguns ácaros, insetos minadores-de-folhas e broqueadores-de-frutos. Um controle efetivo e economicamente viável de
pragas requer a adoção de um programa integrado que considere não somente a
praga, mas também o ambiente de cultivo e as diferentes formas de controle.
Palavras-chave: Táticas do MIP; Amostragem de pragas; Níveis de controle; Controle de pragas; Perdas por pragas.
INTRODUÇÃO
O ataque de pragas a hortaliças representa um dos principais problemas
enfrentados pelos olericultores. Estes
problemas são maiores ainda, quando o
cultivo é realizado em ambiente protegido.
Entretanto, devido a sua realização em
instalações que protegem a planta da ação
de certos intempéries climáticos, muitas
vezes tem-se a idéia de que não ocorrerão
problemas com pragas. Assim, é comum a
idéia de que cultivo em ambiente protegido
seja sinônimo de cultivo sem aplicação de
inseticidas e/ou acaricidas, o que não corresponde a realidade. Neste contexto, é freqüente a adoção de medidas de controle
(geralmente utiliza-se o método químico),
quando é constatada a presença de ácaros
ou insetos fitófagos. Apesar de este sistema ser predominante no Brasil, seu uso eleva o custo de produção, podendo também
poluir o ambiente e causar intoxicações ao
homem. Outra opção é a adoção de sistema
de manejo integrado de pragas (MIP), no
qual um ácaro ou inseto fitófago só é considerado praga, quando causa danos econômicos. Este sistema objetiva a preservação
ou o incremento dos fatores de mortalidade
natural, através do uso integrado dos métodos de controle selecionados com base
em parâmetros econômicos, ecológicos e
sociológicos. Apesar da importância do
assunto, não existem no Brasil resultados
de pesquisa que definam sistemas de
manejo integrado de pragas, para os cultivos de hortaliças em ambiente protegido.
Assim, com o objetivo de preencher parte
desta lacuna, serão abordados neste artigo
os problemas com pragas, os componentes
do MIP, listadas as principais pragas e proposto um sistema de manejo integrado de
pragas para as principais hortaliças cultivadas em ambiente protegido no Brasil.
PROBLEMAS COM PRAGAS EM
CULTIVOS DE HORTALIÇAS EM
AMBIENTE PROTEGIDO
Os insetos e os ácaros-praga constituem um dos principais problemas enfrentados pelos olericultores. As perdas na
produção geralmente são de 10 a 30% da
renda bruta obtida. Entretanto, em determinadas situações o ataque de pragas pode
comprometer 100% da produção (Picanço
et al., 1997a, 1998a e Bento, 1999). Outro
fator que contribui para o agravamento dos
problemas com pragas nesta situação, são
as exigências cosméticas do produto pelo
mercado consumidor (Villas-Boas & Castelo Branco, 1990).
Devido ao cultivo de hortaliças em ambiente protegido ser realizado no interior
de instalações, que protegem a planta da
ação de certos intempéries climáticos, o olericultor e alguns técnicos, muitas vezes, têm
a idéia de que neste ambiente não terão
problemas com pragas. Assim, é muito
comum a idéia de que cultivo em ambiente
protegido seja sinônimo de cultivo sem
aplicação de inseticidas e/ou acaricidas,
idéia esta que não corresponde à realidade.
Tem-se observado em outros países e sobretudo no Brasil que nestes ambientes
geralmente são maiores os problemas com
pragas do que nos cultivos realizados no
campo. Este fato pode acarretar maior número de aplicações de inseticidas e acaricidas, que em condições de campo. As
razões de tal acontecimento é o fato de que
determinadas espécies-pragas encontram
nestes ambientes condições ótimas de desenvolvimento e reprodução, como ocorre
com alguns ácaros, insetos minadores-defolhas e broqueadores-de-frutos. Além dis-
1
Engo Agro, D.Sc., Prof. Adj. UFV - Depto Biologia Animal, CEP 36571-000 Viçosa-MG. E-mail: [email protected]
Engo Agro, M.Sc., Doutorando Entomologia, UFV - Depto Biologia Animal, CEP 36571-000 Viçosa-MG.
2
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 1 2 6 - 1 3 3 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
so, ocorre maior dificuldade de estabelecimento de populações de inimigos naturais nestes ambientes (Papadopoulos et al.,
1997 e Fernandes, 1999).
COMPONENTES DO MANEJO
INTEGRADO DE PRAGAS (MIP)
DE HORTALIÇAS EM AMBIENTE
PROTEGIDO
Devido ao ataque de pragas, os olericultores lançam mão de medidas de controle. Entretanto, muitas vezes, essas medidas
têm sido tomadas de forma não-planejada,
através de sistema convencional de controle. Neste sistema, geralmente utiliza-se
o método químico, quando constata-se a
presença de ácaros ou insetos fitófagos
na cultura, com base no “bom senso” do
olericultor. A utilização deste sistema devese, principalmente, à falta de informações
disponíveis, à simplicidade de sua adoção
por técnicos e olericultores, à falta de processo educativo destes olericultores sobre
as técnicas de manejo integrado de pragas
e os altos riscos e investimentos na atividade. Apesar de este sistema ser predominante no Brasil, seu uso acarreta problemas de ordem econômica, uma vez que as
pragas podem estar ocasionando prejuízos,
que muitas vezes não são percebidos pelo
olericultor, ou mesmo pelo fato de ele estar
controlando-as, quando elas já estão causando pequenos prejuízos, inferiores aos
benefícios advindos do seu controle. Além
disso, o uso inadequado dos métodos de
controle poluem o ambiente e causam intoxicações ao homem (Dent, 1993 e Picanço
& Guedes, 1999).
Outra opção para os produtores, é a
adoção do MIP, no qual um ácaro ou um
inseto fitófago só é considerado praga,
quando causa danos econômicos. Este
sistema objetiva a preservação ou o incremento dos fatores de mortalidade natural,
através do uso integrado dos métodos de
controle selecionados com base em parâmetros econômicos, ecológicos e sociológicos. Um sistema de manejo integrado de
pragas é composto de quatro componentes
básicos, ou seja, a avaliação do agroecossistema, a tomada de decisão de controle e
as estratégias e táticas de manejo (Pedigo,
1989 e Picanço & Guedes, 1999).
Na avaliação do agroecossistema são
monitoradas as populações de pragas,
seus inimigos naturais, estádio fenológico
das plantas e fatores que influenciam o ataque de pragas e suscetibilidade das plantas
a elas. Na avaliação das pragas é necessário
que se conheçam quais os organismos são
pragas e quais não são. Dentro deste contexto, verifica-se que a grande maioria das
espécies de ácaros e insetos fitófagos
presentes nas lavouras não causa qualquer
prejuízo, não sendo considerada, portanto,
como pragas. Algumas, raramente causam
prejuízos e são consideradas pragas secundárias ou ocasionais. Já outras são
consideradas como pragas-chave por freqüentemente estarem presentes com intensidade de ataque e causarem prejuízos
econômicos às culturas. Estas constituemse pontos-chave no estabelecimento de sistema de manejo integrado de pragas (Pedigo, 1989, Dent, 1993 e Picanço & Guedes,
1999).
A tomada de decisão de controle baseia-se no monitoramento das densidades
populacionais das pragas e de seus inimigos naturais. Essa decisão de controle,
com base nas populações das pragas, deve
ser tomada, conforme o nível de dano econômico ou de controle, sendo que a praga
só deve ser controlada, quando sua intensidade de ataque for igual ou maior que
estes índices. O nível de dano econômico
corresponde à intensidade de ataque da
praga que causa prejuízos de igual valor
ao custo de seu controle. O nível de controle ou de ação corresponde à intensidade
de ataque da praga, para a qual se devem
adotar medidas de controle a fim de que
esta praga não cause danos econômicos.
A decisão de controle, além da população
das pragas, pode-se basear também na
densidade dos inimigos naturais. Neste caso, além dos níveis de dano econômico ou
de controle é também considerado o nível
de não-ação, que corresponde à densidade
populacional do inimigo natural capaz de
controlar a população da praga. Portanto,
as pragas só devem ser controladas, quando a sua intensidade de ataque for igual ou
maior que o nível de dano econômico ou
que o nível de controle e a população dos
inimigos naturais for inferior ao nível de
não-ação (Pedigo, 1989, Dent, 1993 e Picanço & Guedes, 1999).
A amostragem das populações de
pragas e de inimigos naturais é realizada
para avaliação da intensidade de ataque
de pragas às culturas e da densidade populacional de inimigos naturais. As estraté-
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200/201, p.126-133, set./dez. 1999
127
gias correspondem aos objetivos e metas
que visam minimizar os danos causados
por ácaros e insetos-praga. Já as táticas
constituem os métodos empregados para
a implementação das estratégias dos programas de manejo integrado de pragas
(Pedigo, 1989, Dent, 1993 e Picanço &
Guedes, 1999).
PRINCIPAIS PRAGAS DE
HORTALIÇAS EM AMBIENTE
PROTEGIDO
A seguir são listadas as pragas-chave
e secundárias das principais hortaliças cultivadas em ambiente protegido no Brasil
(Gallo et al., 1988 e Picanço et al., 1999).
Cucurbitáceas (abobrinhade-moita, melão e pepino)
Pragas-chave
a) mosca-branca: Bemisia tabaci
(Genn.) (Homoptera: Aleyrodidae),
principalmente a raça B, também
denominada Bemisia argentifolii
(Bellws & Perring);
b) brocas-das-cucurbitáceas: Diaphania
nitidalis (Cr.) e Diaphania hyalinata
(L.) (Lepidoptera: Pyralidae).
Pragas secundárias
a) mosca-minadora: Liriomyza spp.
(Diptera: Agromyzidae);
b) pulgão: Aphis gossypii Glover (Homoptera: Aphididae);
c) vaquinhas (Coleoptera): Cerotoma
arcuata (Oliveira), Cerotoma
unicornis (Germ.), Acalyma bivitulla,
Diabrotica speciosa (Germ.)
(Chrysomelidae) e Epilachna cacica
(Guérin) (Coccinelidae);
d) mosca-das-frutas: Anastrepha grandis
(Macquart) (Diptera: Tephritidae);
e) percevejo: Leptoglossus gonagra
(Fabr.) (Heteroptera: Coreidae).
Brássicas (brócolos, couvechinesa, couve-comum,
couve-flor, repolho e rúcula)
Pragas-chave
a) pulgões: Brevicoryne brassicae
(L.) e Myzus persicae (Sulz.)
128
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
(Homoptera: Aphididae);
b) lagartas-desfolhadoras (Lepidoptera): traça-das-brássicas
Plutella xylostella L. (Yponomeutidae), mede-palmo Trichoplusia ni
(Hueb.) (Noctuidae) e curuquerê
Ascia monuste orseis (Latr.)
(Pieridae).
Pragas secundárias
a) mosca-branca: B. tabaci (Homoptera: Aleyrodidae), principalmente a
raça B, também denominada B.
argentifolii;
b) mosca-minadora: Liriomyza trifolii
(Burgess) (Diptera: Agromyzidae);
c) tripes: Thrips tabaci Lind. e
Caliothrips brasiliensis (Morgan)
(Thysanoptera: Thripidae);
d) lagartas-roscas: Spodoptera eridania
(Cr.) e Spodoptera frugiperda (Smith)
(Lepidoptera: Noctuidae);
e) v a q u i n h a - d a - c o u v e - c h i n e s a :
Microtheca sp. (Coleoptera: Chrysomelidae).
Tomateiro
Pragas-chave
a) broqueadores-de-frutos (Lepidoptera): traças-do-tomateiro Tuta
absoluta (Meyrick) e da batatinha
Phthorimaea operculella (Zeller)
(Gelechiidae); broca-pequena
Neoleucinodes elegantalis
(Guenée) (Crambidae) e broca-gigante Helicoverpa zea (Bod. ) (Noctuidae).
Pragas secundárias
a) vetores de viroses: a mosca-branca
B. tabaci (Homoptera: Aleyrodidae),
principalmente a raça B também
denominada B. argentifolii; os
pulgões M. persicae e Macrosiphum
euphorbiae (Thomas) (Homoptera:
Aphididae) e o tripes Frankliniella
schultzei Trybom (Thysanoptera:
Thripidae);
b) minadores de folhas: a mosca-minadora Liriomyza spp. (Diptera:
Agromyzidae) e as traças-do-tomateiro e da batatinha;
c) ácaros (Acari): o microácaro Aculops
lycopersici (Massee) (Eriophyidae) e
os ácaros rajado Tetranychus urticae
(Koch) e vermelho Tetranychus
ludeni (Koch) (Tetranychidae).
Thripidae).
Feijão-vagem
Pragas-chave:
Pimentão
Pragas-chave
a) á c a r o s ( A c a r i ) : b r a n c o
Polyphagotarsonemus latus (Banks)
(Tarsonemidae), vermelho Tetranychus
marianae (McG.) e rajado T. urticae
(Tetranychidae);
b) tripes: Thrips palmi (Karny) e F.
shultzei (Thysanoptera: Thripidae).
Pragas secundárias
a) broca-do-caule: Agathomerus
flavomaculatus (Klug) (Coleoptera:
Chrysomelidae);
b) mosca-do-pimentão: Dasineura sp.
(Diptera: Cecidomyiidae);
c) p u l g õ e s : M . p e r s i c a e e M .
euphorbiae (Homoptera: Aphididae);
d) mosca-branca: B. tabaci (Homoptera: Aleyrodidae), principalmente a
raça B, também denominada B.
argentifolii;
e) vaquinhas (Coleoptera): Epicauta
spp. (Meloidae) e D. speciosa (Chrysomelidae).
a) mosca-branca: B. tabaci (Homoptera: Aleyrodidae), principalmente a
raça B também denominada B.
argentifolii;
b) mosca-minadora: Liriomyza spp.
(Diptera: Agromyzidae);
c) cigarrinha-verde: Empoasca kraemeri
(Ross & Moore) (Homoptera: Cicadellidae).
Pragas secundárias
a) tripes: Thrips spp., Frankiliniella
sp. e C. brasiliensis (Thysanoptera:
Thripidae);
b) ácaros (Acari): rajado T. urticae (Tetranychidae) e branco P. latus (Tarsonemidae);
c) vaquinhas: C. arcuata, C. unicornis
e D. speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae);
d) pulgão: Aphis cracivora (Koch)
(Homoptera: Aphididae).
Família Compositae (alface
e almeirão)
Praga-chave
Berinjela
Pragas-chave
a) mosca-branca: B. tabaci (Homoptera: Aleyrodidae), principalmente a
raça B, também denominada B.
argentifolii.
Pragas secundárias
a) pulgões: M. persicae e M. euphorbiae
(Homoptera: Aphididae);
b) tripes: T. palmi e F. shultzei (Thysanoptera: Thripidae);
c) v a q u i n h a s ( C o l e o p t e r a ) :
Maecolaspis assimilis (Klug), Epitrix
fasciata Blatchley, D. speciosa
(Chrysomelidae) e Epicauta spp.
(Meloidae).
Cebolinha
a) tripes: T. tabaci (Thysanoptera:
a) mosca-branca: B. tabaci (Homoptera: Aleyrodidae), principalmente a
raça B, também denominada B.
argentifolii.
Pragas secundárias
a) pulgão: Dactynotus sonchi (L.)
(Homoptera: Aphididae);
b) cigarrinha-verde: Empoasca sp.
(Homoptera: Cicadellidae).
Moranguinho
Praga-chave
a) ácaro-rajado: T. urticae (Acari: Tetranychidae).
Pragas secundárias
a) ácaros (Acari) branco: P. latus (Acari: Tarsonemidae);
b) ácaros-vermelhos: Tetranychus spp.
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 1 2 6 - 1 3 3 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
(Acari: Tetranychidae);
c) á c a r o - d o - e n f e z a m e n t o :
Steneotarsonemus pallidus (Banks)
(Acari: Tarsonemidae);
d) pulgões: Capitophorus fragaefolii
(Cockrell) e Cerosipha forbesi
(Weed) (Homoptera: Aphididae).
Salsinha e salsão
a) pulgão: Cavariella aegopodii
(Scopolli) (Homoptera: Aphididae);
b) cigarrinha-verde: Empoasca sp.
(Homoptera: Cicadellidae).
TOMADA DE DECISÃO DE
CONTROLE NO MIP DAS
PRINCIPAIS HORTALIÇAS
CULTIVADAS EM AMBIENTE
PROTEGIDO NO BRASIL
Não existem resultados de pesquisa
que definam sistemas de amostragem e
índices de tomada de decisão, para o controle das pragas de hortaliças em ambiente
protegido no Brasil. Assim, com o objetivo
de preencher parte desta lacuna é proposto,
a seguir, sistema de tomada de decisão para
o controle das pragas das principais hortaliças cultivadas em ambiente protegido no
Brasil.
Amostragem das pragas
Para realização de amostragem, devese dividir o plantio em blocos. Cada bloco
deve ser constituído de uma única cultura,
genótipo, idade e sistema de cultivo, sendo
que cada estufa deve fazer parte de blocos
diferentes. Deverá ser amostrado 1% das
plantas de cada bloco (Higley & Pedigo,
1996, Andrade, 1997, Papadopoulos et al.,
1997 e Picanço et al., 1999).
Época e freqüência de
amostragem
As amostragens deverão ser realizadas
semanalmente. Entretanto, se os níveis populacionais forem próximos aos de controle,
estas amostragens deverão ser realizadas
duas vezes por semana (Andrade, 1997,
Miranda, 1997 e Paula et al., 1997).
Técnicas e tamanho de
amostragem
Nas plantas avaliadas, só deverão ser
129
amostrados os órgãos (folhas, caule, flores
ou frutos), que são atacados por pragaschave ou secundárias. Na folhagem, devem
ser amostradas duas folhas da porção mediana do dossel para culturas de maior
porte como berinjela, brássicas, cucurbitáceas, pimentão e tomateiro. Já para plantas
com poucas folhas como cebolinha e salsa,
devem-se amostrar todas as folhas. Estas,
inicialmente, deverão ser batidas em bandejas plásticas brancas de 34 x 28 x 4,5 cm.
Os insetos presentes na bandeja deverão
ser contados. Se a cultura possuir como
pragas-chave ou secundárias minadoresde-folhas, moscas-brancas ou ácaros, deve-se também realizar contagem direta
destas pragas. Para tanto, deve-se anotar
a presença de minas e o número de ninfas
de mosca-branca nas folhas. Já na amostragem de ácaros deve-se usar lupa de mão
com aumento de dez vezes, avaliando-se
1cm2 de área de limbo foliar na porção mediana da face inferior de cada folha (Andrade, 1997, Miranda, 1997, Paula, 1997 e
Picanço et al., 1999).
Para amostragem das pragas broqueadoras-do-caule, deverá ser anotado, se este
está ou não atacado por elas. Na amostragem de pragas de flores e de frutos (exceto
para mosca-das-frutas no melão), deverão
ser amostrados cinco destes órgãos por
planta, observando se estão ou não atacados por pragas. Os frutos amostrados
deverão estar em fase inicial de desenvolvimento. Para a amostragem de moscasdas-frutas em cultura de melão, devem ser
utilizadas armadilhas tipo McPhail ou
adaptações como recipientes de vinagre,
detergente, soro, refrigerante, que devem
possuir três depressões laterais. Cada depressão terá um orifício de 1/8” de diâmetro,
para permitir a entrada das moscas. Devese utilizar uma armadilha para cada estufa
de até 0,1 ha. Os números provenientes das
avaliações deverão ser anotados em planilha (Miranda, 1997, Paula, 1997 e Picanço
et al., 1999).
Níveis de controle para as
pragas de hortaliças em
ambiente protegido
De forma geral, podem-se adotar como
níveis de controle para pragas de hortaliças
em ambiente protegido, os valores apresentados no Quadro 1.
TÁTICAS DO MIP DE
HORTALIÇAS EM AMBIENTE
PROTEGIDO
No MIP várias são as táticas que podem
ser implementadas para reduzir os danos
causados em hortaliças em ambiente protegido.
Manipulação do ambiente
de cultivo
A adoção de medidas com efeito sobre
o ambiente de cultivo pode evitar ou restringir os insetos-praga nas culturas.
Seleção de locais para
instalação de estufas
Na seleção destes locais, é importante
observar as plantas existentes em sua circunvizinhança, já que as espécies a serem
QUADRO 1 - Níveis propostos para o controle das pragas de hortaliças em ambiente protegido
Pragas
Nível de controle proposto
Desfolhadores
20% de desfolha
Insetos sugadores
1 (um) inseto/amostra
Ácaros
10% das folhas atacadas
Pragas das flores
5% das flores atacadas
Pragas do frutos (exceto mosca-das-frutas)
3% dos frutos atacados
Mosca-das-frutas em melão
1 (um) adulto/armadilha
FONTE: Andrade (1997), Miranda (1997), Paula (1997) e Picanço et al. (1999).
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200/201, p.126-133, set./dez. 1999
130
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
plantadas no interior das estufas apresentam pragas que também atacam outras
culturas ou mesmo plantas daninhas. Devese evitar que as instalações estejam próximas a cultivos destas espécies ou de culturas, que sejam hospedeiras das mesmas
pragas. Outro fato importante na seleção
de local para instalação das estufas é a
existência de matas próximas, as quais
geralmente possuem em suas árvores
ninhos de Hymenoptera, ou seja, Vespidae
e de abelhas que constituem importantes
predadores (sobretudo de insetos minadores e lagartas) e polinizadores de cucurbitáceas, respectivamente (Pedigo, 1989, Dent,
1993 e Picanço et al., 1999).
Deve-se também evitar que as instalações estejam próximas a estradas, que em
períodos de seca constituem fonte de poeira, que se acumulará sobre as folhas,
fornecendo, assim, abrigo para oviposição
de ácaros fitófagos (Guedes, 1999 e Picanço & Guedes, 1999).
Destruição de restos culturais e
de cultivos abandonados
Após o término do cultivo, deve-se realizar incorporação dos restos culturais a
pelo menos 20cm de profundidade. Se o
cultivo for realizado em hidroponia ou em
canteiros suspensos, os restos culturais
devem ser transportados para outra área e
incorporados ao solo, ou enleirados e queimados. Existindo nas circunvizinhanças
plantios abandonados de hortaliças ou de
plantas, que sejam hospedeiras de pragas
da espécie cultivada, estes devem ser destruídos. Esse procedimento deve ser realizado de forma semelhante à incorporação dos
restos culturais. Essas práticas visam à
eliminação de focos de multiplicação de
pragas, para os cultivos realizados no
interior das instalações (Dent, 1993 e Guedes, 1999).
Aumento da diversidade
hospedeira do agroecossistema
Em estufas que possuam laterais abertas, devem-se plantar, ao seu redor, faixas
de cultivo com plantas de intensa floração,
como crotalária, sorgo ou milho. Estas
faixas farão com que haja aumento do controle biológico natural e também redução
da incidência de viroses transmitidas por
insetos de forma não persistente. Tal fato
ocorre, devido à ação amenizadora da
capacidade infectiva destes insetos pelas
picadas de prova realizadas nas plantas da
faixa de cultivo (Picanço et al., 1996 e Paula
et al., 1997). A manutenção com cobertura
vegetal do solo no interior e ao redor das
instalações, também possibilitará menor
formação de poeira e seu acúmulo sobre as
folhas das plantas, impedindo o abrigo para
oviposição de ácaros fitófagos (Picanço &
Guedes, 1999).
Época de cultivo
Em cultivos de baixo retorno econômico
é recomendado que o plantio seja executado em períodos de menor ocorrência de
pragas. Entretanto, em cultivos de alto
retorno econômico, como os de hortaliças
em ambiente protegido, tal procedimento
não é usual. Geralmente os produtores
procuram realizar seus cultivos quando os
preços dos produtos estão no máximo. Na
maioria das vezes, estas épocas também
são as de máxima ocorrência de pragas, o
que constitui uma das razões para que o
preço do produto se torne elevado. Assim,
se em determinada época de cultivo o produtor tiver a expectativa de ocorrência de
elevado ataque de pragas, ele deve ser extremamente cuidadoso e executar práticas
adequadas de manejo. Nestes cultivos, as
amostragens devem ser realizadas de forma
mais acurada, no sentido de detectar a ocorrência de populações de pragas em níveis
que demandem a adoção de medidas de
controle, sobretudo o químico (Picanço et
al., 1999).
Densidade de plantio
A variação da densidade de plantio geralmente afeta o microclima da cultura. Em
maiores densidades, geralmente ocorre elevação da umidade do ar, o que provoca o
aumento da mortalidade das pragas pela
ação de fungos entomopatogênicos. Entretanto, o cultivo em densidades muito altas,
dificulta a aplicação de inseticidas e acaricidas e não atinge órgãos como os frutos,
que ficam recobertos pela folhagem (Guedes et al., 1994 e Picanço et al., 1996).
Redução do período de cultivo
A redução do período de cultivo diminui o tempo de exposição das plantas às
pragas, o que acarretará num menor número
de ciclos da praga por cultivo e, conseqüentemente, em menor população da praga nas
instalações. Em menores períodos de culti-
vo, geralmente há um menor desenvolvimento vegetativo das plantas. Este fato
propicia melhores condições para realização das pulverizações que atingem partes
internas do dossel da planta, através da
calda inseticida, já que estas partes ficam
menos recobertas pela folhagem. Entre as
práticas que podem possibilitar menor tempo de cultivo, estão o plantio de variedades
mais precoces e o uso da poda apical do
tomateiro (Guedes et al., 1994, Picanço et
al., 1996 e Guedes, 1999).
Manejo da nutrição da cultura
Deve-se fazer uso de adubação adequada, já que plantas nutricionalmente equilibradas apresentam menor suscetibilidade
a pragas. A adubação desequilibrada,
sobretudo com excesso de nitrogênio, pode acarretar em aumento das populações
de pragas, principalmente de ácaros e
insetos minadores, como mosca-minadora
e traças, e fitosuccívoros, como tripes, pulgões, moscas-brancas e cigarrinhas. Tal
fato ocorre, devido ao aumento da concentração de nutrientes na seiva, principalmente de aminoácidos livres. O uso de
adubação excessiva também pode aumentar
o tamanho das plantas, tornando difícil a
aplicação de inseticidas e acaricidas. Esta
adubação excessiva pode também prolongar a duração do período vegetativo e
reduzir as defesas morfológicas das plantas,
como espessura da epiderme e cutícula, o
que aumenta o ataque de pragas, principalmente de desfolhadores como vaquinhas,
lagartas, lesmas e caracóis (Bastos, 1999 e
Guedes, 1999).
Manejo do fornecimento de
água às plantas
Deve-se manejar o fornecimento de
água às plantas de tal forma que seja adequada sua disponibilidade. Quando há
deficiência hídrica, ocorre aumento da
suscetibilidade da planta a pragas, sobretudo a ácaros, insetos minadores-de-folhas
e fitosuccívoros. Tal fato ocorre devido à
redução das defesas químicas e morfológicas da planta e ao aumento da concentração de nutrientes na seiva, principalmente
de aminoácidos livres (Bastos, 1999 e Picanço et al., 1999).
O fornecimento adequado de água pode elevar o teor de umidade do ar no microclima da cultura, o que geralmente provoca
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
aumento da mortalidade das pragas pela
ação de fungos entomopatogênicos. Entretanto, o fornecimento excessivo dela pode
prolongar o crescimento vegetativo e reduzir as defesas morfológicas das plantas,
como espessura da epiderme e cutícula,
aumentando, assim, o ataque de pragas,
principalmente de desfolhadores como vaquinhas, lagartas, lesmas e caracóis (Dent,
1993 e Guedes, 1999).
Erradicação de plantas doentes
Essa prática evita que haja aumento da
quantidade de inóculo no ambiente, sobretudo de doenças viróticas transmitidas por
insetos e ácaros (Pedigo, 1989 e Guedes,
1999).
Catação de flores e frutos
caídos
Esta prática tem a finalidade de eliminar
larvas e pupas que se encontram no interior
destas estruturas. O seu uso diminui futuras infestações de pragas que vivem dentro
de flores e frutos, como mosca-das-frutas
e brocas em cucurbitáceas e traças e brocas
em tomateiro (Guedes, 1999 e Picanço et
al., 1999).
Rotação de culturas
Consiste no plantio alternado em cada
estufa de culturas que não sejam hospedeiras das mesmas pragas, reduzindo dessa
forma as suas populações (Pedigo, 1989,
Papadopoulos et al., 1997 e Picanço et al.,
1999).
Rotação e desinfecção das
instalações
Ao término dos cultivos, as estufas (paredes, piso, teto, portas e estrados) devem
ser tratadas com inseticida e/ou acaricida,
para controle das pragas existentes. Após,
as instalações devem permanecer sem
cultivo pelo menos por duas semanas, para
que as pupas, principalmente as que se encontram no interior do solo, que não tenham sido atingidas pelo controle químico,
transformem-se em adultos. Após este período deve ser realizada nova pulverização
das instalações e após esta, as instalações
devem ficar em repouso durante o período
de carência do produto (Dent, 1993, Papadopoulos et al., 1997 e Guedes, 1999).
Controle mecânico
Consiste no emprego de meios mecâ-
nicos para o controle das pragas.
Catação e esmagamento de
insetos
Refere-se à coleta manual e esmagamento de ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos adultos facilmente visíveis como
pulgões, ovos de curuquerê em brássicas
e lagartas (Picanço et al., 1999).
Uso de barreiras
Esta prática visa impedir ou dificultar o
acesso do inseto ao interior das instalações. Como exemplos de seu emprego em
estufas estão a colocação de tela de pequeno diâmetro nas áreas de ventilação, vedação de orifícios na sua estrutura, construção de compartimento de isolamento
antes dos locais de entrada nas instalações
e manutenção das portas fechadas (Papadopoulos et al., 1997 e Guedes, 1999).
Controle por comportamento
Os insetos geralmente utilizam substâncias odoríferas na mediação de comportamentos, como localização de hospedeiros,
defesa, escolha de locais de oviposição,
acasalamento e organização de atividades
sociais. Estas substâncias são usadas tanto
na comunicação entre indivíduos da mesma
espécie (feromônios), como de espécies
diferentes (aleloquímicos). O tipo de feromônio mais utilizado no manejo de pragas
é o sexual (liberado para atração do parceiro
sexual). Os feromônios podem ser usados
de diversas maneiras, as mais comuns são
no monitoramento e no controle de pragas.
No monitoramento, eles são utilizados para
verificar se a densidade da praga atingiu
ou não o nível de controle. No controle, as
formas mais empregadas são o uso em misturas com inseticidas ou através da técnica
de confundimento, que visa a saturação
do ambiente com o feromônio sexual, dificultando assim o acasalamento (Vilela &
Della Lucia, 1987 e Michereff Filho, 1997).
No Brasil, os feromônios ainda não são
utilizados em escala comercial no manejo
de pragas de hortaliças. Entretanto, alguns
deles já foram identificados como os sexuais da traça-do-tomateiro, broca-pequena-do-tomate, broca-gigante-do-tomate e
traça-das-brássicas. Existem pesquisas que
têm como objetivo empregar estes feromônios no manejo de pragas (Vilela & Della
Lucia, 1987, Ferrara, 1995, Michereff Filho, 1997 e Badji, 1998).
Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200/201, p.126-133, set./dez. 1999
131
Controle biológico
Nos cultivos agrícolas em regiões tropicais, é riquíssima a fauna de inimigos
naturais (predadores, parasitóides, entomopatógenos, parasitas e competidores).
Entretanto, ações inadequadas na condução dos cultivos, sobretudo no controle
de pragas e doenças, trazem grandes prejuízos a ação benéfica desses inimigos
naturais. Assim, nos cultivos de hortaliças
em ambientes protegidos devem ser adotadas práticas que contribuam para a preservação e incremento do controle biológico
natural. Entre tais práticas estão o uso de
seletividade de inseticidas e acaricidas e o
aumento da diversidade dos agroecossistemas. A seletividade pode ser obtida de
forma fisiológica e ecológica. A seletividade
fisiológica deve-se ao uso de inseticidas
mais tóxicos à praga, que a seus inimigos
naturais (O’Brien, 1960). Já a seletividade
ecológica relaciona-se a formas de utilização
de inseticidas e acaricidas de modo que venham a reduzir exposição do inimigo natural
ao produto (Ripper et al., 1951).
São poucos os estudos sobre seletividade de inseticidas e acaricidas em favor
dos inimigos naturais das pragas de hortaliças no Brasil. Entretanto, existem trabalhos
que indicam produtos compatíveis com a
preservação do controle biológico natural
(Faleiro et al., 1995 e Picanço et al., 1997b,
1998b). Como exemplos de uso da seletividade ecológica, tem-se a aplicação de
inseticidas ou acaricidas em horários de menor temperatura do ar, quando geralmente
é menor a presença de inimigos naturais, e
somente quando as intensidades de ataque
de pragas forem iguais ou superiores aos
níveis de controle. Também deve-se evitar
o uso indiscriminado de fungicidas, já que
muitos destes apresentam efeito deletério
sobre fungos entomopatogênicos (Picanço
et al., 1999).
Nos Estados Unidos, Canadá, Europa
e Japão é grande a produção e liberação de
inimigos naturais (controle biológico aplicado), em programas de manejo de pragas
de hortaliças em ambientes protegidos.
Entretanto, nestes países existe toda uma
estrutura de pesquisa e de produção desses inimigos naturais, além de exigências
mercadológicas no sentido de incentivar o
uso de controle biológico aplicado. Já no
Brasil, apesar do grande esforço de alguns
poucos pesquisadores e de resultados promissores de pesquisas a este respeito, ainda
132
não existe, à disposição dos olericultores,
tecnologia para uso intensivo do controle
biológico aplicado no manejo de pragas de
hortaliças em ambiente protegido. No
Brasil, o olericultor não possui a sua
disposição oferta ampla de agentes de
controle biológico, para uso intensivo em
programas de manejo integrado de pragas
de hortaliças. O único agente de controle
biológico, com ampla oferta de uso pelos
olericultores, no manejo de pragas de
hortaliças, é a bactéria Bacillus thringiensis
var. kurstaki, cujos produtos comerciais,
Agree, Dipel e Ecotech Pro, são registrados
para o controle de lagartas nas culturas de
abobrinha, couve, melão, pepino, repolho
e tomate. O uso desta bactéria apresenta
uma série de vantagens como preservação
do controle biológico natural e baixíssima
toxidade ao homem. Entretanto, sua ação é
lenta, dificultando, assim, o controle da
praga, quando o ataque é alto. Também é
baixa sua eficiência no controle de lagartas
em ínstares finais ou quando estas se encontram alojadas no interior de órgãos das
plantas como folhas, caule e frutos (Papadopoulos et al., 1997 e Picanço et al., 1999).
Resistência de plantas
Existem boas fontes de resistência de
genótipos de hortaliças a pragas. Entretanto, no Brasil, os fatores de resistência
conferidos por estas fontes não têm sido
incorporados às variedades comerciais
através dos programas de melhoramento
de hortaliças (Paula et al., 1995, Leite et al.,
1996, Leite, 1997 e Ecole, 1999).
Controle químico
Não existe no Brasil o registro específico de inseticidas e acaricidas para uso
exclusivo no controle de pragas em cultivos
protegidos. Assim, a seleção de produtos
para o controle destas pragas deve ser
realizada de forma cuidadosa. O produto
selecionado deve possuir registro no
Ministério da Agricultura e Abastecimento
(MA) e liberação pelo órgão estadual pertinente, no caso de Minas Gerais o Instituto
Mineiro de Agropecuária (IMA), para
controle da praga nesta cultura. O número
de produtos com registro, para controle de
pragas das principais hortaliças cultivadas
em ambiente protegido no Brasil, é muito
variável. Existem culturas como o tomateiro,
que possuem muitos produtos registrados
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
para o controle de pragas. Entretanto, existem outras como a cebolinha, salsinha,
salsão e rúcula que não possuem nenhum
produto registrado para o controle de pragas. Deve-se também observar se o produto
não é fitotóxico à planta. Para minimizar
esse problema, recomenda-se que as aplicações sejam realizadas em períodos do dia
de temperatura mais amena. Devem-se
preferir produtos de menor toxicidade ao
homem, uma vez que em ambientes fechados são maiores os riscos de intoxicação
de aplicadores. Deve ser respeitado o período de carência do produto e tomado todo
o cuidado, para que não ocorra contaminação da água e soluções nutritivas (Papadopoulos et al., 1997, Picanço & Guedes,
1999 e Picanço et al., 1999).
Devem ser realizadas amostragens da
intensidade de ataque das pragas à cultura,
para emprego desse método de controle, utilizando-o só quando a densidade das
pragas for igual ou superior aos níveis de
controle. No emprego de controle químico
de pragas alguns aspectos são importantes como seletividade de inseticidas,
rotação de produtos, uso de espalhante
adesivo na calda, emprego de equipamento
de proteção individual pelos aplicadores,
descarte correto de embalagens, armazenamento adequado dos produtos, prevenção
e cuidados para evitar intoxicações e treinamento dos aplicadores (Picanço & Guedes,
1999 e Picanço et al., 1999).
O uso de espalhante adesivo deve ser
recomendado nas aplicações por possibilitar maior adesão da calda inseticida ou
acaricida a órgãos, cuja superfície é mais
cerosa como os frutos. Este uso é mais importante, ainda, em culturas cujas folhas
possuem grande cerosidade como brássicas e cebolinha. Também a adição de óleo
mineral à calda inseticida pode aumentar a
adesividade do inseticida, além de possibilitar bom controle de insetos minadores,
devido à maior translocação do produto
para o interior das minas. A rotação de produtos de mecanismos de ação diferentes
deve ser realizada, sempre que possível,
para que se reduza a pressão de seleção de
populações de pragas resistentes a inseticidas e acaricidas (Guedes et al., 1995 e
Picanço et al., 1999).
Nos cultivos de cucurbitáceas em fase
de floração, as pulverizações devem ser feitas
no período da tarde, devido à maior atividade
dos insetos polinizadores na parte da manhã.
Também deve-se atentar para o perigo da
fitoxicidade dos produtos aplicados, uma vez
que as cucurbitáceas são muito sensíveis a
vários deles (Picanço et al., 1999).
Outra possibilidade de uso do controle
químico em programas de manejo de pragas
de hortaliças em cultivos protegidos é a
utilização de inseticidas botânicos provenientes de extratos de plantas que possuam
substâncias com ação inseticida e/ou acaricida. Embora existam relatos, principalmente através do conhecimento popular,
que diversas plantas da flora brasileira possuem tais efeitos, é necessária a realização
de intensos estudos para viabilização do
emprego delas em programas de manejo
integrado de pragas (Picanço et al., 1999).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As pragas constituem importante fator
de perda no cultivo de hortaliças, sobretudo quando este é realizado em ambiente
protegido. Apesar do grande aumento da
oferta de hortaliças produzidas em ambiente protegido e do avanço da tecnologia
empregada, são escassos os estudos no
Brasil sobre sistemas de manejo integrado
de pragas nestes cultivos. Para otimização
destes sistemas, é de fundamental importância a realização de estudos que:
a) caracterizem e mensurem as perdas
ocasionadas pelas pragas;
b) identifiquem as pragas-chaves e secundárias das diversas culturas;
c) identifiquem e mensurem os fatores
que afetam as intensidades de ataque de pragas nestes sistemas;
d) gerem sistemas de tomada de decisão
de controle de pragas;
e) possibilitem o planejamento de estratégias e táticas de manejo integrado de pragas.
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134
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Pós-colheita, qualidade, embalagem
e comercialização de hortaliças
Sylvio Luís Honório 1
Roberto Funes Abrahão 2
Resumo - O comércio de hortícolas tem exigido, cada vez mais, produtos de qualidade. A obtenção e a preservação dessa qualidade dependem da adoção de
tecnologias de pré e pós-colheita, respectivamente. Após a colheita é que se verifica
a perda mais acelerada da qualidade, quando não se aplica a tecnologia adequada
ao produto. A utilização de técnicas de conservação e de embalagem prolonga a
vida útil de produtos hortícolas. No Brasil, a falta de padronização que dificulta o
uso de embalagens e a não-adoção de tecnologias de conservação têm sido os
maiores entraves para o desenvolvimento do mercado de hortícolas. O mercado
varejista, principalmente o supermercado, tornou-se mais organizado, aproveitando-se da oportunidade de espelhar-se nos modelos de mercado do Hemisfério
Norte e começa a exigir produtos hortícolas com qualidade. O agricultor brasileiro
já assimilou várias técnicas de produção, porém, parece estar longe de entender a
necessidade do uso de tecnologias pós-colheitas. Esse descompasso tecnológico
tem atrasado a evolução do mercado, prejudicando o consumidor.
Palavras-chave: Pós-colheita; Conservação; Mercado.
INTRODUÇÃO
A qualidade de produtos hortícolas
passa a ser uma exigência do mercado, pelas
tendências da internacionalização dos
padrões de consumo. Embora alguns
analistas desse assunto apontem essa
internacionalização como restrita a cerca
de um terço da população brasileira que
tem poder aquisitivo, a sua existência
demonstra que esses padrões já estão às
nossas portas. Cada vez mais, os supermercados estão exigindo produtos de qualidade muito similares aos que são encontrados
nos supermercados da União Européia (EU)
e América do Norte. Levando-se em conta
que o dinheiro já foi globalizado, era de se
esperar que redes de supermercados internacionais buscassem repetir, no Brasil, os
princípios de qualidade exigidos em suas
matrizes. Entretanto, ainda existe um grande
descompasso entre a qualidade produzida
no campo e a qualidade exigida na gôndola
1
2
do varejo. O varejo está mais organizado
do que a produção. A maioria dos produtores de hortaliças não está preparada para
atender ao mercado, porque ainda está
acostumada a vender os seus produtos no
atacado. A palavra qualidade é muito menos conhecida no atacado, dado ser este
um local de agrupamento de mercadorias e
não um mercado com padrões definidos.
Esse amontoado de mercadorias é colocado
em embalagens, na sua grande maioria em
caixas de madeira, totalmente inadequadas,
que além de não protegerem, não ajudam a
vender o produto e dificultam a sua movimentação. Assim configurado, é possível
entender porque a comercialização é tão
complicada e porque as perdas são elevadas. Diante dessa situação, é necessário
tornar o conceito de qualidade amplamente
conhecido em toda a cadeia de produção
até o consumidor final; é necessário transferir as tecnologias pós-colheita para utili-
zação plena e, ainda, é necessário organizar
o seguimento de produção, para que exista
padrão de produto e constância de oferta,
que são os suportes da comercialização.
PÓS-COLHEITA
A qualidade dos produtos hortícolas
se faz no campo, porém, a preservação dessa qualidade só se consegue com o emprego de tecnologias pós-colheita. Diante do
entendimento da fisiologia do comportamento vegetal após a colheita, foi possível
estabelecer as melhores tecnologias para
os diversos produtos. Por serem estruturas
vivas, os produtos tendem a envelhecer
(senescência) naturalmente, e nenhuma
tecnologia disponível e economicamente
viável é capaz de frear esse processo. Isto
significa dizer que a deterioração dos produtos é uma questão de tempo e, portanto,
existe perda contínua de qualidade. De
modo geral, as causas mais comuns de
Engo Agro, Ph.D., Prof. Assist. UNICAMP-FEAGRI, Caixa Postal 6011, CEP 13083-970 Campinas-SP. honó[email protected]
Engo Agro, D.Sc., Prof. Assist. UNICAMP-FEAGRI, Caixa Postal 6011, CEP 13083-970 Campinas-SP. [email protected]br
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
deterioração são: mudanças metabólicas,
desenvolvimento e crescimento de tecidos,
injúrias mecânicas, perda de água (transpiração), estresses fisiológicos e ataque
microbiológico. Todas as tecnologias levam em consideração o metabolismo da
espécie, porque interferir na velocidade dos
acontecimentos metabólicos pode implicar
em preservação ou ganho de qualidade ou
deterioração. Seguramente, a temperatura,
a atmosfera gasosa, a umidade relativa do
ambiente e o ataque microbiológico são as
variáveis de ambiente que mais interferem
na preservação da qualidade.
O ganho ou perda de calor pelo produto
modifica a sua atividade fisiológica, aumentando ou reduzindo a atividade metabólica
primária e/ou secundária, além da interferência no desenvolvimento microbiológico.
Das atividades metabólicas, a respiração
(processo catabólico e anabólico) é a mais
importante, porque é determinante na formação e destruição de substâncias necessárias para a manutenção da vida do tecido
vegetal após a colheita. A respiração do
produto varia em função da temperatura
do ambiente onde se encontra e da concentração do oxigênio local. Respiração
intensa é característica de produtos de vida
útil mais curta. Os diversos produtos hortícolas têm diferentes sensibilidades à temperatura, que pode lhes causar diferentes
estresses fisiológicos (injúrias por congelamento, chilling e aquecimento). Algumas
hortaliças são pouco sensíveis ao frio
(chilling), como alcachofra, aspargo, alho,
brócolos, cenoura, couve-flor, ervilha, repolho, enquanto outras são sensíveis,
como berinjela, batata, pepino, quiabo, tomate etc. A refrigeração é a tecnologia que
mais se utiliza para a conservação de produtos hortícolas. Baseia-se na retirada de calor
do produto, de modo que sejam reduzidas
suas atividades metabólicas e, conseqüentemente, a taxa de seu envelhecimento.
Além disso, a redução da temperatura inibe
ou elimina a atividade microbiológica. Por
outro lado, pode-se utilizar o aquecimento
do produto, desde que não lhe provoque
estresse fisiológico, para controle fitopatológico ou mesmo para aumentar a sua tolerância a temperaturas abaixo das quais
sofreria injúrias, devido ao frio, e, às vezes,
auxiliar no amadurecimento qualitativo de
algumas espécies.
Também são causas de deterioração: o
brotamento em cebola e batata, o enraizamento em cebola, o alongamento e a curvatura em aspargo e, a germinação de sementes em tomate e pimentão.
As injúrias mecânicas como cortes,
abrasões, impactos, vibrações e compressões provocam deterioração no produto,
muitas vezes imperceptível logo após a
colheita. As injúrias mecânicas, em geral,
podem ser consideradas como de efeito
acumulativo, que, além de estimular atividades metabólicas, facilitam a instalação
de microrganismos nos tecidos vegetais e
a perda de água destes.
Outra causa de perda de água ocorre
devido à transpiração do produto, que
provoca a perda de aparência, textura e peso. Essas deteriorações serão mais ou
menos intensas de acordo com as condições de umidade absoluta do ambiente. Em
geral, o produto hortícola tem muita água
em seus tecidos e, se armazenado em
ambiente cuja pressão de vapor de água é
inferior àquela exercida pela pressão de
vapor de água do produto, este perderá
água para o ambiente.
A concentração gasosa de oxigênio,
dióxido de carbono, etileno e outros gases
(responsáveis por aromas) também pode
causar estresses fisiológicos no produto.
A concentração baixa de oxigênio pode
interferir na vida útil do produto. Quando
em concentrações baixas, mas que permitam a respiração aeróbia do tecido vegetal,
a vida útil deles pode ser prolongada. Em
contraste, quando em concentração abaixo
da qual a respiração anaeróbia do produto
é estimulada, pode provocar a formação de
sabores e aromas indesejáveis. O dióxido
de carbono, quando em concentração alta,
pode prejudicar o produto, pois, como
componente do ambiente de armazenamento, pode ser o gás de diluição do oxigênio.
Pode também contribuir para a redução da
biossíntese de etileno e para a inibição do
desenvolvimento microbiológico, em produtos que toleram concentrações altas
desse gás. Por sua vez, o etileno provoca o
envelhecimento dos tecidos vegetais.
Baixas concentrações de etileno são suficientes para provocar respostas que
estimulem processos degradativos nos
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135
tecidos. Portanto, quando se tem a necessidade de armazenar diversos produtos num
mesmo ambiente, devem-se levar em consideração as suas taxas de produção de
etileno. Em contrapartida, o etileno tem
efeito benéfico, quando utilizado em
condições controladas, no amadurecimento e desverdecimento de produtos hortícolas. Outros gases responsáveis por
aromas são produzidos e absorvidos de
acordo com o tipo de tecido vegetal. O aroma de gengibre pode ser absorvido pela
berinjela, o de cenoura pelo aipo, o de pêra
pelo repolho, cenoura, aipo, cebola e batata.
Desse modo, deve-se levar em consideração a compatibilidade entre os diversos
produtos armazenados num mesmo ambiente.
O estresse fisiológico também pode
começar no campo em razão dos desequilíbrios nutricionais, que só se manifestam
na fase pós-colheita. Às vezes, estão associados a fatores climáticos ou mesmo à
aplicação de agroquímicos.
Outra grande causa de deterioração é a
provocada pelo ataque microbiológico.
Diversos fatores influenciam a suscetibilidade do produto aos patógenos, como as
barreiras morfológicas à sua disseminação,
resistência do tecido hospedeiro às suas
enzimas, estimuladores de infecção e do
crescimento do patógeno, e inibidores de
crescimento ou da ação enzimática deste.
Além disso, o conteúdo de água, composição e pH do tecido hospedeiro também
influenciam a suscetibilidade do produto.
Os benefícios do uso de tecnologias
pós-colheita só darão retorno econômico
se aplicados com conhecimento técnico e
compatível com a realidade de mercado do
produto a que se destina.
QUALIDADE
A palavra qualidade tem sido utilizada
para definir aspectos bastante distintos. Por
isso é muito difícil defini-la. Apesar dessa
dificuldade, encontra-se no dicionário a
definição genérica para qualidade, como
sendo “a propriedade, atributo ou condição
natural das coisas pela qual algo ou alguém
é capaz de distingui-las das outras e de
lhes determinar a natureza” (Ferreira, 1986).
Partindo-se dessa definição e dado o
136
seu subjetivismo, pode-se dizer que a qualidade de produtos hortícolas é analisada
em termos de valores relativos de diversas
características, as quais, consideradas conjuntamente, determinarão a aceitabilidade
do produto pelo comprador. Portanto, a
qualidade não é algo observável ou identificável diretamente, mas sim as características dos produtos (Toledo, 1997).
Toledo (1997) define duas dimensões
para a qualidade: a dimensão objetiva ou
qualidade primária, que se refere aos aspectos relativos às propriedades físico-químicas - é a qualidade intrínseca do produto
e que independe do juízo humano; a dimensão subjetiva ou qualidade secundária,
que está associada à capacidade humana
de diferenciar as características do produto.
As características diferem-se dentre os diversos tipos de produtos e com a finalidade
de uso dentro da cadeia, desde a produção
até a comercialização e, também, entre os
indivíduos que estão analisando a qualidade.
De fato, o consumidor assume as duas
dimensões da qualidade, pois, embora
compre com base na aparência e no seu
critério de juízo pessoal, a sua satisfação e
o ato de repetir a compra de um determinado produto são dependentes da boa qualidade comestível deste produto (Kader,
1992). Somando-se a isto, deve ser lembrado
que cada vez mais existe a preocupação
com o valor nutritivo e a segurança do produto, no que se refere aos resíduos de substâncias nocivas ao ser humano. Por ser um
juízo muito pessoal, o que é aceito por um
consumidor pode não ser aceito por outro.
A qualidade aceita pelo atacadista pode
ser diferente daquela aceita pelo varejista.
Os parâmetros de avaliação da qualidade
podem variar, dependendo da oferta e demanda do produto. Portanto, a qualidade
de um produto é avaliada por várias características, cujos valores nem sempre contribuem igualmente para a sua qualidade
(Kays, 1991). Assim, pode-se entender que
na cenoura, o aroma e sabor são importantes componentes da qualidade, mas
estes só contribuem para a qualidade do
produto, se a textura da cenoura for boa.
A vantagem em se ter padrões para
caracterizar a qualidade é dupla, pois além
de proteger o comprador garantindo-lhe um
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
produto de qualidade uniforme, geralmente
provoca a elevação continuada dos padrões
de qualidade dos produtos (Kays, 1991).
Isso já acontece na UE e Estados Unidos. No Brasil a garantia da qualidade para
produtos hortícolas dependerá da qualidade sistêmica, na qual é fundamental a
cooperação de todos os envolvidos na cadeia de produção. A qualidade sistêmica
implica nas relações entre os agentes dos
sistemas agroindustriais com o objetivo de
garantir a qualidade dos produtos ou
insumos, que estão sendo comprados ou
vendidos. Portanto, para melhorar a qualidade é necessário que haja aumento da
coordenação vertical do sistema agroali-
mentar (Spers & Chaddad, 1996).
Ao que tudo indica, parece estar cada
vez mais evidente a necessidade de estabelecer padrões de qualidade, no âmbito
municipal, estadual, federal ou internacional. Os requisitos importantes para
os padrões de qualidade exigem que estes
sejam claros, concisos e com descrição precisa de cada critério utilizado na sua avaliação. Entretanto, a harmonização de padrões
pode ser bastante complexa, em virtude das
diferenças nos hábitos de consumo e de
preparo de alimentos.
De modo geral, os componentes da qualidade podem ser discriminados como no
Quadro 1. É provável que o componente
QUADRO 1 - Componentes da qualidade de frutas e hortaliças
Principais fatores
Aparência Visual
Componentes
Tamanho: dimensões, peso, volume
Forma: razão diâmetro/extensão, superfície lisa,
densidade do material, uniformidade
Cor: uniformidade, intensidade
Brilho: natureza da cera da superfície
Defeitos (externos e internos): morfológicos, físicos e
mecânicos, fisiológicos, patológicos, entomológicos
Textura (sensação)
Firmeza, dureza, maciez
Característica crocante
Suculência
Granulosidade
Rigidez, fibrosidade
Sabor e aroma
Doçura
Acidez
Adstringência
Amargor
Aroma (compostos voláteis)
Sem sabor e aroma
Valor nutritivo
Carboidratos (incluindo fibras)
Proteínas
Lipídios
Vitaminas
Minerais
Segurança
Substâncias tóxicas naturais
Contaminantes (resíduos químicos, metais pesados)
Micotoxina e contaminação microbiana
FONTE: Dados básicos: Kader (1992).
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
de qualidade aparência ainda tenha grande
influência na determinação do valor comercial de um produto. A experiência ensinou
o consumidor a associar a qualidade com
determinada aparência. Porém, nem sempre
a boa aparência significa boa qualidade nutricional, sabor e aroma. A deterioração da
qualidade nutricional pode ser mais rápida
do que a de sabor e aroma, e estas se deterioram mais rapidamente do que a qualidade
de textura do alimento. A forma, o tamanho,
a cor, a condição e a presença de defeitos
podem ser definidos através da avaliação
visual. A forma é um critério de qualidade
que permite distinguir as diversas cultivares de uma mesma espécie. Mesmo que de
uma nova cultivar se obtenha um produto
com boa capacidade de armazenamento e
qualidade comestível mais elevada, se a forma do produto é anômala, a sua aceitação
comercial será difícil e exigirá a reeducação
do consumidor. O tamanho é um atributo
de qualidade que se pode avaliar objetivamente através da medição do diâmetro, do
comprimento, da largura, do peso ou do
volume. A classificação por tamanho permite agrupar produtos de tamanho similar,
o que facilita o uso de embalagens, o manuseio, a movimentação e a venda do produto
(Arthey, 1975, Kays, 1991 e Kader, 1992).
A cor é um componente da qualidade
que tem grande influência no comprador,
pois correlaciona o estádio adequado para
o consumo. O grau de frescor do produto
ou amadurecimento também é atributo de
qualidade. Os defeitos na casca, como cortes, perfurações, abrasões etc prejudicam
o aspecto visual do produto e o seu valor
comercial, embora muitas vezes ele ainda
não tenha perdido a sua capacidade de armazenagem, nem o seu valor comestível e
nutricional (Arthey, 1975 e Kader, 1992).
A textura refere-se à sensação global
que o produto provoca na boca do consumidor. Trata-se de um conjunto de sensações percebidas pelos lábios, língua, paredes da boca, dentes e ouvidos. O efeito
acumulativo dessas sensações cria uma
impressão global sobre a textura do produto.
O sabor é percebido na língua e definido através de quatro sensações: doce,
salgado, ácido e amargo. O aroma ou odor
é percebido pelo estímulo de compostos
voláteis no sistema olfativo. Todas as frutas e hortaliças sintetizam diversos e variados compostos de baixo peso molecular
voláteis à temperatura ambiente. Esses
compostos são em geral ésteres, álcoois,
ácidos e diversas substâncias providas de
grupos carboxílicos (aldeídos e cetonas)
(Eskin, 1979 e Kader, 1992).
O valor nutritivo, apesar da sua importância, é um atributo que a maioria dos
consumidores menos considera na sua decisão de compra, porque a maior parte dos
nutrientes não se vê e nem se sente.
A segurança dos produtos passou a
ser um atributo de qualidade, na medida
em que procura resguardar a saúde do ser
humano. Evitar o consumo de produtos
que possuem substâncias tóxicas naturais,
tais como os glicosídeos cianogênicos, nitratos e nitritos, oxalatos, tioglicosídeos e
glicoalkalóides, ou contaminantes como resíduos químicos e metais pesados, passa a
ser uma grande preocupação e, por isso, é
necessário que se estabeleçam tolerâncias
máximas.
Também os cuidados sanitários nas
diversas etapas, desde o campo até que o
produto chegue às mãos do consumidor,
de modo que minimize a contaminação microbiana, ganham a cada dia maior relevância no contexto da qualidade do produto.
A qualidade das hortaliças no Brasil,
de modo geral, pode ser considerada como
baixa. Além da questão de adequação de
melhores cultivares, a falta de padronização
dificulta até a avaliação para saber se está
havendo melhoria de qualidade. Hortaliças
sem padronização, em embalagens inadequadas, em sua grande maioria em caixas
de madeira, muitas vezes vêm diretamente
do campo para o mercado. É bastante tímida
a comercialização de hortaliças em embalagens de papelão e plásticos diversos.
Com freqüência, encontram-se embalagens
sujas de terra e outros resíduos da lavoura,
contaminadas microbiologicamente e transportadas inadequadamente. Esta situação
é bastante comum nas Centrais de Abastecimento (Ceasas).
Entretanto, a partir do momento que os
grandes supermercados resolveram investir na qualidade das hortaliças, exigindo
dos seus fornecedores produtos padro-
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nizados, houve um salto de qualidade. Até
o consumidor está mudando o seu perfil,
passando a acreditar mais na qualidade do
produto. As hortaliças que se apresentam
em embalagens fechadas, que não permitem mais o tradicional apertão com os
dedos para a avaliação da qualidade do produto, já fazem parte da rotina de compra de
muitos consumidores. A qualidade carrega
consigo a confiabilidade. A confiabilidade
do produto (qualidade) carrega consigo a
fidelidade do consumidor.
EMBALAGEM
A finalidade de uma embalagem é associar proteção, facilidade de manuseio e
de comercialização do produto, pois este
tenderá a manter a sua qualidade, se bem
protegido, e o cliente será mais facilmente
atraído, se a embalagem tiver boa aparência
e informações que o ajudem na decisão de
compra. Além disso, dispõe o produto para
inspeção e facilita o emprego de tecnologias que ampliem sua vida útil. Portanto,
a embalagem tem grande importância na
movimentação, armazenamento, transporte
e comercialização de produtos hortícolas.
Ela não melhora o produto, não substitui
as tecnologias de conservação, mas ajuda
a prolongar a sua vida útil.
A especificação de uma embalagem
depende das características físicas, fisiológicas e mecânicas do produto. Desse modo,
a embalagem deve-se adequar ao produto
e não o produto a ela. Nos grandes mercados atacadistas do Brasil, o que se observa,
na sua maioria, é a existência de embalagens
que não foram especificadas para o produto, como é o caso típico da caixa K. Embalagens que respeitam as características do
produto permitem, quando necessário, os
controles da temperatura e da perda de
água; facilitam o emprego de tratamentos
especiais como a aplicação e remoção de
etileno, dióxido de carbono etc.; têm boa
resistência mecânica, que lhes permitem
manuseio fácil (respeitando a qualidade
ergonômica - limitação de carga transportada, apoios adequados para as mãos, arestas não cortantes ou perfurantes etc.) e têm
ainda a configuração da estrutura interna
que não agride o produto, como frestas
bem-dimensionadas, ângulos internos
138
adequados e não-retos, sem rugosidade
agressiva etc.
As injúrias físicas são apontadas como
as que causam os maiores prejuízos aos
produtos. Os impactos provocam danos
físicos, devido à aceleração e desaceleração
súbita do produto, provocadas por queda
sobre a superfície dura, gerando amassamento. O dano estende-se para o interior
do produto e pode não ser visível na sua
superfície. A proteção contra impactos
pode ser conseguida com enchimentos,
suportes individuais e fitas desaceleradoras, colocadas na embalagem. Outra injúria
física bastante comum é a provocada por
compressão, em que esforços normais excessivos causam o amassamento do produto. A compressão pode ser produzida por
colocação inadequada do produto ou mau
desempenho da embalagem quando empilhada. O dano ocorre na superfície do
produto e estende-se para o seu interior. A
vibração e a abrasão provocam danos físicos, devido à movimentação do produto
na embalagem, durante o seu transporte.
Os danos são mais comuns na superfície
do produto.
O mercado de produtos hortícolas conhece pouco a respeito das vantagens do
uso de embalagens adequadas e justifica a
falta de conhecimento a razões econômicas.
Em outras palavras, a embalagem é um componente que agrega custo aos produtos
que nem sempre podem ser repassados ao
consumidor. O custo da própria embalagem
e os custos associados podem ser bastante
significativos. Porém, as vantagens do uso
de embalagens bem-especificadas são
evidentes, quando se analisam o custo de
perdas e danos, devido a falhas e inadequações da embalagem (mau dimensionamento),
o custo de ineficiência no aproveitamento
de espaço em transporte, armazenamento,
operações de manuseio e movimentação
mecânica e o custo ligado à economia de
escala.
Apesar da necessidade de adequação
das embalagens no mercado brasileiro, cabe
uma rápida observação do comportamento
e tendências do mercado norte-americano,
para que se possa ter uma idéia do futuro.
Nos Estados Unidos, existe grande variedade de material, tamanho e formato de
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
embalagem (mais de 500 tipos em uso). As
propostas de padronização tiveram sucesso limitado e as maiores mudanças foram
motivadas pelo fator econômico (uso de
material mais barato, adaptação de procedimentos de embalamento e manuseio mais
baratos e, capacidade de aumentar a densidade de carga transportada) e garantia de
qualidade do produto. Verificam-se decréscimo no uso da madeira, aumentos no
uso do papelão ondulado e, em menor escala, do plástico. As embalagens recicláveis
e as bioembalagens (biopolímeros como
poliosídeos - celulose e derivados, amidos,
gomas etc.; proteínas - gelatina, zeína, gluten etc.; compostos lipídicos - ceras e
derivados e poliésteres originários de biossínteses bacterianas ou vegetais dirigidas)
já começam a aparecer no mercado em pequena escala, devido ao seus custos (Krochta & De Mulder-Johnston, 1997, Baldwin
et al., 1997 e Guilbert, 1998). Na UE a tendência é bastante semelhante. No processo
de embalamento, intensifica-se a operação
mecanizada e reduz-se a operação manual.
No que se refere à movimentação do produto, a unitização de carga em paletes está
estabelecida.
Pelo que se constata nos mercados dos
países do Hemisfério Norte, o uso de embalagem adequada evoluiu, principalmente
devido a critérios econômicos, porém sempre voltados para a garantia da qualidade
do produto. No Brasil, o caminho deverá
ser o mesmo e verifica-se que a internacionalização dos mercados tem reflexos
diretos no mercado brasileiro, tanto do
ponto de vista econômico quanto tecnológico. Os produtos importados mostram
as tecnologias agregadas à embalagem e
convencem mais rapidamente os seus
usuários. Portanto, para se especificar uma
embalagem, há de se considerar vários
parâmetros do produto e do material. É um
trabalho, às vezes, complexo e para melhor
entendimento do processo de decisão
sobre a finalidade de uma embalagem, apresenta-se na Figura 1, a sequência de desenvolvimento de um projeto de embalagem.
COMERCIALIZAÇÃO
A diversidade cultural, social, econômica e geográfica interfere na forma de comer-
cialização dos produtos agrícolas. Entretanto, os sistemas de comercialização sempre
tiveram dois pontos comuns: o produto tem
uma origem (local de produção - oferta) e
um destino definido (local de consumo demanda). As diferenças verific``am-se
no percurso do produto até o consumidor.
Quanto mais longo e segmentado o percurso, maior é o reflexo no custo do produto.
O que se tem no mercado brasileiro atualmente, são categorias distintas de produtos
hortícolas que podem ser classificadas
como de produtos de alto, médio, ou baixo
valor agregado. Essa segmentação do mercado dá-se pela renda dos consumidores.
Isto já aconteceu na Europa na década de
70 (Machado Filho & Neves, 1996).
As mudanças no sistema de comercialização, que já ocorrem no Brasil, são
reflexos da necessidade de sobrevivência
dos mercados. O conceito de sistema ou
de cadeias produtivas, ou agribusiness
(Davis & Goldberg, 1957), mostrou mais
claramente as relações de poder no sistema
agroindustrial. O que se percebe hoje, é
que o produtor evoluiu nas técnicas de produção, mas ainda precisa aprender a valorizar e melhorar a venda do seu produto.
O sistema tradicional de comercialização de produtos hortícolas, até recentemente era quase na sua totalidade realizado nas Ceasas. Essas centrais atendiam
às demandas de feiras até supermercados.
Na década de 80, viu-se o desaparecimento
das quitandas e o aparecimento dos sacolões. Na década de 90 surgiram os varejões
e as lojas de conveniência. Ao que tudo
indica, na virada do sécu, as feiras livres já
terão desaparecido das grandes áreas
urbanas e teremos a consolidação da comercialização de produtos hortícolas em
redes de supermercados. As grandes redes
de supermercados, por causa do grande
volume de vendas realizado semanalmente,
tendem a optar pelo estabelecimento de
centrais de compras. Essas centrais, que já
operam em São Paulo, compram diretamente do produtor e distribuem para toda
a rede, com maior eficiência (redução de
custos e agilidade). Estas novas relações
de mercado encurtam os caminhos entre o
campo e o consumidor. Provocam necessidades, como rapidez, agilidade, padronização, embalagem, garantia de qualidade
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
Figura 1 - Esquema da seqüência de desenvolvimento de um projeto de embalagem
constância de oferta e identidade para o
produto e produtor. Como se encontram
atualmente, as grandes centrais de abastecimento não sobreviverão às novas exigências do comércio. O conceito moderno de comercialização visa o cliente, alterando dessa forma as relações de poder
entre produtor e comércio, pois quem manda agora mais do que nunca é o cliente.
É notório nos supermercados o aumento de área destinada aos produtos
hortícolas quer sejam in natura, os prontos
para consumo, quer sejam congelados. Some-se a isto o fato de os supermercados
estarem mais receptivos às novidades,
como aconteceu com o aparecimento dos
produtos orgânicos e hidropônicos. Esses
produtos entraram na comercialização de
forma diferenciada, apresentando embalagens com a identificação do produtor e
recomendações para a conservação.
É interessante observar que o mercado
de hortaliças no Brasil é quase que exclusivamente realizado com os produtos produzidos no país. Raramente encontram-se
no mercado hortaliças importadas e que
venham competir com o produto nacional.
As hortaliças importadas que chegam às
gôndolas dos supermercados são aquelas
com valor agregado, tal como as mini-
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139
mamente processadas ou as congeladas.
Nesse segmento, os similares brasileiros
começam a aparecer no comércio, porém
com produtos distintos dos importados. O
preço da exclusividade de mercado parece
que deixou por muito tempo, tanto o produtor quanto o sistema de comercialização no
topo da relação de poder (as feiras tinham
grande importância e não faziam qualquer
exigência, pois o vendedor estava no local
para a venda assistida), ou seja, o que se
produzia tinha de alguma forma comercialização garantida. Não havia concorrência
externa e nem exigências, quanto a procedimentos pós-colheitas (seleção, classificação, embalagem, tecnologia de conservação etc.), portanto, não havia padronização
e a qualidade era um quesito pouco exigido
e facilmente contornável. A partir do momento que se iniciou o processo de autoserviço ou venda não assistida e maior
participação das mulheres no mercado de
trabalho, as decisões do consumidor passaram a ser mais rápidas e, por isso, melhor
consideradas na comercialização. O consumidor passou a exigir mais e o comerciante
percebeu que tanto as perdas quanto as
sobras dos produtos não vendidos reduziam e até inviabilizavam o seu negócio.
O contexto da comercialização atual
ainda é de disputas dentro do sistema produtivo, onde o elo mais vulnerável, o produtor (menos organizado), sofre com as
regras impostas pelo comércio (mais
organizado). O sistema de comercialização
evoluiu mais rapidamente que o produtor,
por ter encontrado, em outros países, modelos de mercados que lhes permitiram
adaptações à realidade brasileira, alertandoos sobre a evolução do sistema. O setor
varejista ganhou muito espaço na comercialização, adequando a sua logística, e está
buscando formas cada vez mais eletrônicas
de compra, já com vistas para o mercado
futuro. O sistema de compra direto da área
de produção já é realidade consagrada nos
Estados Unidos. Do lado do produtor brasileiro, não houve tanta facilidade para se
espelhar no exterior, onde os sistemas de
produção muito subsidiados não permitiram adequações com vantagens econômicas.
140
Como “a força de uma corrente se mede
pelo seu elo mais fraco”, o momento de
fortalecer o elo fragilizado parece estar bem
mais próximo do que imagina o produtor
brasileiro. Além da evolução do mercado
interno, bate às portas do produtor o mercado internacional. O Acordo Geral sobre
Tarifas e Comércio (GATT), em 1993, tratou
da elevação dos fluxos de comércio e da
eliminação gradativa de subsídios e/ou, da
proteção à agricultura doméstica dos países signatários, elevando assim o preço
internacional (Chaddad et al., 1996). Esse
acordo deverá favorecer o comércio de
produtos agrícolas brasileiros, principalmente na UE, cujo valor da moeda comum
tenderá a se igualar ao dólar americano,
dando maior poder de compra para aquele
bloco econômico. O espaço comercial amplia-se ainda mais com o aumento das relações econômicas do Cone Sul e North
America Free Trade Agreement (NAFTA),
através da quase inevitável Área de Livre
Comércio das Américas (ALCA).
Conclui-se que com a capacitação
técnica que o Brasil detém, as novas relações
do comércio mundial poderão ser bem absorvidas, se adotarmos tecnologias adequadas
para os nossos produtos. A modernização
do sistema agroindustrial beneficiará a economia do país.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Somente a análise integrada de todos
os setores envolvidos na produção de alimentos permite entender os mecanismos
de comercialização de produtos agrícolas.
Há necessidade de conhecer o produto e a
sua finalidade de mercado, para poder definir a melhor tecnologia para a sua conservação. É necessário investir no marketing
do produto, mas, para isso, é preciso garantir a qualidade do produto através da sua
padronização. Nesse aspecto, a embalagem
merece consideração especial, pois deverá
proteger e ao mesmo tempo fazer a propaganda do produto. As tecnologias de
conservação pós-colheita de produtos
hortícolas disponíveis no mundo, podem
ser buscadas a qualquer momento, podendo haver apenas empecilho burocrático,
mas não tecnológico. O empecilho burocrá-
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
tico se resolve com a força da organização
do setor interessado, e a questão tecnológica requererá adequações. O agricultor
precisa mudar o seu conceito de mercado
para se tornar um empresário rural, e assim
poder atender bem as exigências dos seus
clientes. O mercado atacadista precisa
deixar de ser um acumulador de mercadorias, para exercer efetivamente o seu
papel no abastecimento. Na atualidade o
varejo tem mais força na cadeia, mas deverá
perder essa posição na medida que o consumidor entender que é ele quem paga a
conta e faça valer os seus direitos que já
estão até garantidos por lei.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
141
Aspectos administrativos, econômicos
e mercadológicos da produção de hortaliças
em ambientes protegidos
Magno de Sousa 1
Francisval de Melo Carvalho 1
Luciano Oliveira Geisenhoff 2
Resumo - O negócio agrícola possui características peculiares que dificultam a produção e aumentam os riscos, necessitando de uma postura profissional por parte
do empresário. A produção hortifrutícola em ambientes controlados apresenta-se
como alternativa para o produtor numa economia competitiva e globalizada, uma
vez que permite a redução de perdas e o aumento da produ-tividade de diversas
culturas. São apresentados aspectos importantes do ge-renciamento da produção
de hortaliças em ambientes protegidos. Informações administrativas, econômicas
e mercadológicas são disponibilizadas aos produtores interessados na implantação
e/ou desenvolvimento da plasticultura. A adoção de técnicas de produção, assim
como o gerenciamento de pessoas, a administração das finanças e a comercialização
adequada dos produtos são ações que podem determinar o sucesso de qualquer
atividade.
Palavras-chave: Gestão do agronegócio; Plasticultura; Custo de produção; Marketing.
INTRODUÇÃO
O setor rural, assim como outros setores
da economia, está cada vez mais competitivo,
tornando-se indispensável que o empresário rural seja profissional e tenha uma
visão ampliada de seu negócio. As novas
tendências de mercado apontam para uma
redução do número de empresas que trabalha no setor produtivo, exigindo das que
permanecerem maior habilidade e competência na gestão de seus negócios. Permanecerão aquelas que conseguirem produzir
em quantidade, com qualidade e a custos
mais baixos. Portanto, vive-se numa época
em que o amadorismo tem cada vez menos
espaço, uma vez que os produtores conviverão com concorrentes mais fortes, clientes
mais informados, menos fiéis e mais exigentes em qualidade, preço e atendimento.
A estacionalidade da produção, a dependência do clima, a terra como fator de
produção, entre outras, são características
peculiares da agricultura que dificultam a
produção agrícola e aumentam os riscos
das atividades rurais. Estas características
evidenciam a importância de técnicas de produção em ambientes controlados, que vêmse destacando no Brasil e no mundo como
uma alternativa para a redução de perdas e
aumento da produtividade de diversas culturas. Como principais vantagens do sistema controlado, podem-se destacar: maior
segurança da produção, colheitas programadas, maiores produtividades, menor uso
de agrotóxicos e, principalmente, a qualidade
superior dos produtos.
A plasticultura tem sido responsável
por boa parte do aumento da produção de
hortaliças e frutos no Brasil e no mundo. O
Brasil vem-se destacando como um dos
maiores produtores de hortaliças, ocupando o 11o lugar entre os maiores exportadores. Calcula-se que a atual produção hortifrutícola do país seja de 44 milhões de
toneladas anuais. Este fato coloca o cultivo
de hortifrutigrangeiros como uma importante atividade econômica e que merece
atenção especial dos órgãos governamentais de ensino, de pesquisa e de extensão
(Hortifruticultura..., 1997).
É importante salientar que a ativida-
1
Engo Agro, M.Sc., Prof. Assist. II UFLA-Depto Administração e Economia, Caixa Postal 37, CEP 37200-000 Lavras-MG. E-mail: [email protected],
[email protected]
2
Engo Agro, Pós-graduando UFLA-Depto Biologia, Caixa Postal 37, CEP 37200-000 Lavras-MG.
I n f o r m e A g r o p e c u á r i o , B e l o H o r i z o n t e , v. 2 0 , n . 2 0 0 / 2 0 1 , p . 1 4 1 - 1 4 6 , s e t . / d e z . 1 9 9 9
142
de hortifrutícola rende de R$ 2.000,00 a
R$ 25.000,00 por hectare, muito mais do que
as culturas de grãos que rendem, em média,
R$ 500,00 por hectare. Com relação à geração de empregos, a horticultura pode gerar
até cinco empregos diretos por alqueire (um
alqueire = 2,42ha), já a produção de grãos
apenas um. Uma tonelada de grãos representa, em média, um faturamento de R$ 155,00,
enquanto que no ano de 1996, a mesma
quantidade de hortaliças e frutos ultrapassou
R$ 265,00. Portanto, uma maior conscientização da importância deste setor é fundamental para o país e para os produtores que
trabalham com hortifrutícolas.
O objetivo deste artigo é apresentar
aspectos importantes do gerenciamento da
produção de hortaliças em ambiente protegido. Informações administrativas, econômicas e mercadológicas serão disponibilizadas aos produtores interessados
na implantação e/ou desenvolvimento da
plasticultura.
A EMPRESA AGRÍCOLA
A produção em ambientes controlados
deve ser vista como uma atividade empresarial, ou seja, tem que ser administrada e
gerenciada profissionalmente e com utilização de técnicas modernas de gestão de negócios.
Empresa é um conjunto de recursos
físicos (terra, benfeitorias, máquinas, animais, insumos, etc.), financeiros, humanos
e mercadológicos, que por meio de uma boa
gerência procura satisfazer as necessidades dos clientes para obter lucro. No
Quadro 1, apresenta-se uma relação de recursos que constituem a empresa do ponto
de vista administrativo.
A adoção de técnicas de produção,
assim como o gerenciamento de pessoas,
a administração das finanças e a comercialização adequada dos produtos são
ações administrativas que quase sempre
determinam o sucesso de qualquer atividade.
O ambiente em que uma empresa está
inserida deve ser conhecido pelo administrador e funcionários. Este ambiente
pode ser dividido em interno e externo. O
ambiente interno, diz respeito aos recursos
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 1 - Recursos e áreas da administração
da empresa
Recursos
Áreas da administração
Físicos
Administração da produção
Financeiros
Administração financeira
Humanos
Administração de pessoal
Mercadológicos
Administração mercadológica
que compõem a empresa e que o empresário pode exercer alguma influência. O
ambiente externo compreende aqueles
fatores nos quais o empresário exerce pouca
ou nenhuma influência e pode ser dividido
em geral (tecnológicos, econômicos e políticos, sociais e ecológicos, demográficos,
entre outros) e operacional (fornecedores, concorrentes, clientes, grupos regulamentadores). O ambiente geral influencia
as empresas de todos os setores ao mesmo
tempo. Já o ambiente operacional é formado
por organizações ou atividades que influenciam um único setor. Como exemplo,
pode-se observar que os empresários que
trabalham com cultivo protegido convivem
com os mesmos clientes, concorrentes e
fornecedores. No entanto, estão sujeitos
aos fatores do ambiente geral (planos
econômicos, políticas, fatores sociais, entre
outros), que influenciam todos os setores
da economia.
NÍVEIS DE AÇÃO DO
EMPRESÁRIO RURAL
Podemos classificar a ação administrativa (jeito de fazer as coisas) em três
níveis: estratégico, gerencial e operacional.
Ações no nível estratégico ocorrem antes
da implantação da atividade hortifrutícola,
e para isso o empresário deve agir analisando as condições internas e externas à
empresa. Perguntas como “o que fazer?”,
“quando fazer ?” e “o quanto fazer?”,
devem ser respondidas. Posteriormente, o
empresário deve trabalhar no nível gerencial, preocupando-se com o “como
fazer?” que está relacionado com as técnicas de produção. Finalmente, deve-se trabalhar no nível operacional, preocupandose com o “onde” e “quem faz ou fará as
ações de rotina realizadas porteira-a-dentro”, constituindo-se no dia-a-dia da pro-
priedade.
Para conduzir bem os negócios, o empresário rural precisa ter habilidades para transformar conhecimentos em ações.
Estas, são classificadas em três tipos:
a) habilidade técnica: está relacionada
com a capacidade de utilizar adequadamente a tecnologia de produção,
gerenciamento e vendas;
b) habilidade humana: é a capacidade
de relacionar-se adequadamente
com pessoas - funcionários, clientes,
fornecedores, entre outros;
c) habilidade conceitual: consiste na
capacidade de o empresário perceber
a atividade, no contexto geral da empresa, fazendo a interligação de todas
as suas explorações com o am-biente.
O produtor que tem esta habilidade
interage com outros segmentos e
possui uma visão da agricultura como
negócio.
ETAPAS IMPORTANTES PARA A
IMPLANTAÇÃO DE UMA
ATIVIDADE AGRÍCOLA EM
AMBIENTE CONTROLADO
Assim como em qualquer outra atividade, a definição de missão é a primeira
etapa a ser observada. Missão é conhecer
a razão do negócio; é aquilo que justifica a
sua existência. Ela facilita a busca do consenso e potencializa os esforços das partes
em benefício do todo. A missão faz com
que uma empresa seja eficaz, na medida em
que as pessoas fazem as coisas certas, ao
invés de somente fazerem certo as coisas.
Como segunda etapa devem-se estabelecer os objetivos, que é definir “onde”,
“quando” e “como” se quer chegar. Os
objetivos são os resultados previamente
estabelecidos e esperados pelo empresário
e podem ser de dois tipos: gerais, que
referem-se à empresa como um todo (lucro,
sobrevivência, crescimento, prestígio etc.)
e específicos, relacionados com as áreas
funcionais específicas da empresa (produção, finanças, pessoal e mercado).
Definido onde se quer chegar, buscase o melhor caminho para se chegar lá, que
consiste na definição de estratégias. Esta
é a terceira etapa que o empresário deve
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
cumprir na implantação de um negócio. A
definição de estratégias adequadas envolve: análise interna da empresa (pontos
fortes e fracos) e análise do ambiente (ameaças e oportunidades às empresas). O plano
de ações estratégicas é definido em função
destas análises.
Para cada cultura, com o apoio da melhor
estratégia de ação, faz-se o planejamento.
Com o plano em mão, organiza-se e executase o processo produtivo, conferindo a todo
momento o executado com o que foi planejado. A esta etapa denomina-se de controle.
O controle de todo processo constitui-se
num importante instrumento para o gerenciamento da atividade. Esta seqüência
lógica, dinâmica e interativa de ações deve
fazer parte do dia-a-dia de todo empresário
rural, favorecendo os resultados econômicos da empresa.
INSTRUMENTOS PARA
AVALIAÇÃO ECONÔMICA
A avaliação econômica da atividade está relacionada com a área de finanças da
empresa. Possibilita verificar se o negócio
é viável ou não, auxiliando o empresário na
tomada de decisão.
Para fazer a avaliação econômico-financeira da atividade, necessita-se de alguns
instrumentos como o balanço patrimonial,
que mostra o patrimônio (bens + direitos obrigações) da empresa em um dado momento e o demonstrativo de resultados do
exercício (Quadro 2), que constitui-se no
relatório sucinto das operações (receitas e
despesas) realizadas pela empresa durante
determinado tempo, sobressaindo o resultado líquido do período, lucro ou prejuízo.
O balanço patrimonial e o demonstrativo
de resultados devem ser elaborados por
profissionais especializados (contadores)
e disponibilizados aos gerentes e/ou
administradores para análise e utilização na
tomada de decisão. No caso de pequenas
empresas, em que a estrutura administrativa é menor e quase sempre não possui
um contador, pode-se optar pela contabilidade simplificada, fazendo apenas anotações de receitas e despesas. Neste caso,
a conferência, assim como a análise dos
dados, deve ser mais cuidadosa, uma vez
143
que são mais suscetíveis a erros. Além do
balanço patrimonial e o demonstrativo de
resultados, existem outros instrumentos
que são usados na tomada de decisão. Dentre eles destacam-se o custo de produção
e o ponto de equilíbrio.
Custo de produção
Custo de produção é a soma dos valores
de todos os recursos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo da atividade.
Quando bem analisado, é um importante
instrumento para a tomada de decisão, para
a avaliação de estoques e para o controle
da produção. A forma de calcular o custo
de produção pode variar de uma empresa
para outra, de acordo com os objetivos
estabelecidos. Um exemplo de cálculo de
custo de produção de alface hidropônica é
apresentado no Quadro 3.
Considerando o preço médio de venda de R$ 0,40 por pé de alface, o resultado
desta empresa no mês analisado foi de
R$ 14,00, pois:
Receitas = 3200 x 0,40 = 1280,00
Custo Total = 1266,00
Lucro = 14,00
Vale salientar que o volume de produção influencia no resultado da atividade.
Neste exemplo, a produção de 3.200 pés
de alface/mês em 350m2 de estrutura, está
abaixo do ideal. A utilização de técnicas
modernas de cultivo aumenta a lucratividade em virtude da melhor utilização
dos recursos fixos, ou seja, com a mesma
estrutura pode-se aumentar significativamente a produção.
Ponto de equilíbrio
É a quantidade de produção necessária
para igualar as receitas totais aos custos
totais da atividade. O ponto de equilíbrio
pode ser calculado pela equação Q = CF +
CA / MC, em que: Q = quantidade no ponto
de equilíbrio; CF = custo fixo; CA = custo
alternativo; MC = margem de contribuição
unitária (= preço - custo variável).
Exemplo: tomando-se os dados do Quadro 3, tem-se:
Q = (555,00 + 135,00) / (0,40 - 0,18)
Q = 690,00 / 0,22 = 3.136,36 ≅ 3.137 pés
de alface/mês.
Neste exemplo, a partir da produção de
3.137 pés de alface/mês, o empresário passará a ter lucro. Quanto maior a produção
com esta mesma estrutura, maior será o
lucro.
ADMINISTRAÇÃO
MERCADOLÓGICA
Quando se trata de administração mercadológica (marketing), nas suas diferentes formas, o empresário deve-se preocupar
com ações que atraiam os clientes, impulsionando-os a comprar e deixando-os tão
satisfeitos que voltarão sempre para comprar mais. Já o mercado refere-se ao conjunto de todos os possíveis compradores e
vendedores de um produto.
A mudança de hábitos alimentares
aliado ao crescimento da população tem
aumentado a demanda por hortaliças e frutas tornando este mercado bastante promissor. Qualquer negócio vai bem se estiver cumprindo o propósito de satisfazer as
necessidades dos clientes. O empresário
precisa estar atento para conhecer e satisfazer tais necessidades. A oferta de produtos com qualidade, a preços baixos, no local
adequado, no tempo certo, com segurança
QUADRO 2 - Demonstrativo de resultados hipotético de uma empresa com três atividades em R$
Especificação
Alface
Tomate
Morango
Total
Receitas totais
600,00
500,00
1.000,00
2.100,00
Custos + despesas variáveis
111,00
150,00
400,00
661,00
Margem de contribuição
489,00
350,00
600,00
1.439,00
Despesas gerais
_
_
_
596,00
Resultado(1)
_
_
_
843,00
(1) resultado = receitas totais - (custo + despesas variáveis totais) - despesas gerais.
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144
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
QUADRO 3 - Custo de produção de alface hidropônica da empresa Nutriverde Produtos
Hidropônicos situada em Lavras-MG, com produção média de 3.200pés/mês
Especificação
Custo/mês
Fertilizantes
60,00
Sementes
12,50
Substrato (espuma fenólica)
20,00
Embalagens
100,00
Mão-de-obra (salário + encargos)(1)
173,50
Transportes (900km)
180,00
Aluguel
50,00
Depreciações
105,00
Custo alternativo do capital (12% a/a)
135,00
Outros
30,00
Remuneração do administrador
400,00
Custo Total
1.266,00
(1) um homem cultiva + 7.200 pés de alface por mês.
e bom atendimento, são as bases para se
conseguir a máxima satisfação dos clientes
e, conseqüentemente, a sobrevivência ou
crescimento da empresa.
A comercialização de produtos hortifrutícolas possui características próprias, que
certamente os colocam como um dos mercados mais complexos do setor agrícola. Esta
complexidade exige uma constante modernização do sistema de comercialização e
produção.
Percebe-se que nos últimos anos, o setor atacadista hortifrutícola vem perdendo
mercado para os supermercados e varejões,
que na maioria das vezes compram diretamente dos produtores. As grandes redes
de supermercados e varejões, por meio de
contratos de fornecimento, têm-se transformado em clientes potenciais do setor
hortifrutícola. Essas ações vêm simplificando as transações e exigindo qualidade
e atendimento.
Produto é tudo aquilo que satisfaz uma
necessidade. Seus atributos comerciais
devem ser levados em consideração na
hora de decidir a produção, pois eles podem
definir a demanda e os preços. Como exemplos de atributos comerciais de produtos
hortifrutícolas podem-se citar: tamanho,
maturidade, consistência, idade, odor,
proteína, forma, cor, pureza, sabor, entre
outros.
Para agregar valor aos produtos, o
empresário pode implementar algumas
ações que são: beneficiamento, embalagem,
classificação, transporte e armazenamento.
O diretor da plataforma de compras do
grupo Carrefour em São Paulo, Odair Silvério da Silva, comenta que é uma tendência
mundial a exigência dos consumidores em
relação à ampliação das áreas destinadas a
frutas, legumes e verduras nos supermercados. Estes produtos vêm exigindo
uma atenção especial dos empresários em
relação ao mercado de alimentos semiprontos. Ele orienta os horticultores que
pretendem colocar seus produtos neste
segmento, a estarem atentos em relação ao
planejamento da safra, ao cultivo, à colheita
e pós-colheita e principalmente ao sabor.
Durante o planejamento da safra, devemse conciliar a área de produção e a demanda
pelos produtos. No cultivo é importante
salientar que a água utilizada para irrigação
deve ser de boa qualidade e que o uso de
agrotóxicos deve ser feito com critério e
moderação. Na colheita e pós-colheita,
deve-se manter o máximo de uniformidade
quanto à coloração, tamanho e peso dos
produtos. O sabor exerce grande influência no mercado, pois os consumidores de
hortaliças e frutos estão cada vez mais exigentes. Eles cansaram de produtos de ótima
aparência mas sem gosto. O sabor voltou a
ser o atributo de maior valor para as hortaliças frescas (Modernizar..., 1998).
Merece destaque o cuidado especial
com os produtos por meio do sistema de
paletização, com embalagens próprias, padronizadas, descartáveis e de preferência
recicláveis, que identifiquem o produto e
sua origem. Os produtos que já saem embalados da propriedade são melhor aceitos,
pois eliminam o manuseio do intermediário,
chegando nas gôndolas dos supermercados com mais higiene e qualidade, poupando tempo e diminuindo perdas.
A necessidade de incorporar o conceito de qualidade total e a aplicação de normas ISO-14000 e ISO-9000 é uma realidade
para o setor hortifrutícola. Os consumidores
que até bem pouco tempo queriam apenas
menores preços, hoje exigem também qualidade. É preciso conhecer o consumidor e
direcionar ações para criar métodos próprios de produção e comercialização, que
garantam a sua plena satisfação. Somente
depois de dominar estas etapas é que o
produtor deve pensar em padronizar embalagens e criar uma marca própria para seus
produtos.
Além dos cuidados em relação às características dos produtos, o preço destaca-se como um importante instrumento
de venda e divulgação. Em países onde a
maioria da população é de baixa renda,
como no Brasil, o preço é o principal fator
de decisão de compra. Portanto, é fundamental dedicar especial atenção às políticas
de definição de preços.
A promoção dos produtos não pode
ser esquecida. Os produtos agrícolas, de
modo geral são difíceis de ser diferenciados.
É importante salientar que para fazer a promoção de um produto é essencial que este
tenha alguma característica que o diferencie
dos demais. Esta característica de diferenciação é o que se denomina de “posicionamento do produto”, ou seja, ele precisa ser
identificado pelos consumidores e estar em
sua mente no momento em que é desejado.
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Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
145
quadamente para gerar receitas capazes de
Propagandas, promoção de vendas, CONSIDERAÇÕES FINAIS
pagar os investimentos e garantir ganhos
relações públicas e venda pessoal são insNovos
tempos
estão
presentes.
Crises
satisfatórios.
trumentos promocionais que podem ser
Verifica-se que é uma atividade que não
usados pelos empresários para, além de e oportunidades ocorrem a todo momento.
conscientizar os consumidores, levá-los a Aproveite as oportunidades, procure mini- se encontra isolada e para administrá-la
comprar, criar hábito de consumo e conse- mizar as crises, faça de seu negócio uma com eficiência, deve-se considerá-la, não
qüentemente aumentar o volume dos ne- verdadeira empresa rural. Aprendemos que apenas nos seus aspectos internos, mas
gócios. Visita a propriedades, concursos, o cultivo em ambiente controlado, visto também em seus relacionamentos com o
dia de campo; patrocínio de eventos; pro- como negócio, deve ser gerenciado ade- ambiente.
paganda em revistas,
rádio e TV, folhetos inA - Inventário
formativos, dentre ouEspecificação
Unidade
Quantidade
Valor unitário
Valor residual
Vida útil
tros, são instrumentos
que podem e devem ser
B - Fluxo de caixa
usados para a promoEntrada
Saída
Saldo
Data
Especificação
ção dos produtos. É imEstimada
Real
Estimada
Real
Estimado
Real
portante salientar que
todas estas ações devem
C - Fluxo diário
(A) Saldo anterior
ser planejadas, execu(B) Receitas do dia
tadas e controladas adeAlface
quadamente, visando
Tomate
Morango
obter resultados satisOutros
Valor
fatórios.
Total B (das receitas)
(C) Pagamentos do dia
MODELOS DE
FICHAS DE
CONTROLES
PARA
ATIVIDADES
HORTIFRUTÍCOLAS
Na Figura 1 são apresentados modelos de
fichas de controle para
avaliação econômicofinanceira de atividades
hortifrutícolas. Estes
controles poderão ser
feitos em um caderno
capa dura de 50 folhas,
separando algumas folhas para cada atividade
físico-operacional.
Para o controle da
mão-de-obra, pode ser
usado o cartão de ponto, no qual o empregado preenche diariamente sua presença e, em local próprio, anota-se o
código das atividades
em que trabalhou.
Valor
Total C (dos pagamentos)
(D) Saldo Total (A + B - C)
D - Controle de estufas
Data
E - Controle de colheita
Dia
F - Controle de estoques
Data
0
N ____
Cultura
Cultura:____
Quantidade
Especificação
G - Controle de trator (caderno ou agenda)
Horômetro
Data
Inicial
Final
H - Controle de veículos (caderno ou agenda)
Quilometragem
Data
Inicial
Final
I - Controles operacionais
Atividades/dia
Solução nutritiva
Pulverizações
Plantio
(Outros)
Cultura:____
1
2
x
x
J - Observações do Agrônomo (assistência técnica)
Data
Atividade
Destino
Preço de venda unitário
Entradas
Saídas
Saldo
Total de horas
Especificação da atividade
Total de horas
Especificação da Atividade
3
x
4
5
x
6
x
x
Recomendações
Figura 1 - Modelos de fichas de controle para atividades hortifrutícolas
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Observação
...
...
...
...
...
30
x
x
146
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Circuito Agrícola, São Paulo, v.5, n.46,
p.4-6, maio 1997.
MODERNIZAR ou morrer. Circuito Agrícola, São Paulo, v.6, n.53, p.10-12, maio
1998.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
A HORTIFRUTICULTURA no terceiro
milênio. Circuito Agrícola, São Paulo, v.6,
n.54, p.12-13, jun. 1998.
ALBERONI, R.B. Hidroponia: como instalar
e manejar plantio de hortaliças dispensando o uso do solo. São Paulo: Nobel, 1998.
102p.
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CHIAVENATO, I. Teoria geral da admiistração: abordagens prescritivas e normativas da administração. 4.ed. São Paulo:
McGraw-Hill, 1993. v.1, 653p.
CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração: abordagens descritivas e explicativas. 4.ed. São Paulo: McGraw-Hill,
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Administração da empresa agrícola. 6.ed.
São Paulo: Pioneira, 1988. 385p.
MAXIMIANO, A.C.A. Teoria geral da
administração. São Paulo: Atlas, 1997.
371p.
PORTER, M.E. Vantagem competitiva:
criando e sustentando um desempenho
superior. 5.ed. Rio de Janeiro: Campus,
1989. 512p.
SOUSA, M. de; CARVALHO, F.M. Princípios
de administração rural. Lavras: UFLA/
São Paulo: SEBRAE-SP, 1996. 29p.
Apostila.
SOUSA, M. de; CARVALHO, F.M.;
ALBERONI, R.B. Princípios de administração rural para sistema hidropônico. Lavras: UFLA, 1996. 30p. (UFLA.
Boletim Técnico. Série Extensão, 24).
SOUZA, R.; GUIMARÃES, J.M.P.;
MORAES, V.A.; VIEIRA, G.; ANDRADE
J.G. Administração da fazenda. Rio de
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Foto: JAlexandre S. Soares
SISTEMA AGROPECUÁRIO EM FOCO
Aelton José de Freitas
Presidente da Emater-MG
INTEGRAÇÃO PARA REALIZAR O POTENCIAL
DA AGROPECUÁRIA
As exigências de um Estado
resultados desejados
Além dessas demandas de
mínimo e eficiente em suas
com menores custos para a
ordem social, a integração entre
ações são um imperativo do
sociedade, os diversos
seus agentes é condição básica
mundo atual. A sociedade não
organismos e empresas públicas
para que o Estado alcance a
mais possui excedentes, inclusive
precisam atuar de forma
qualidade máxima em seus
de paciência, para suportar que
integrada e cooperativa, para
serviços e chegue aos resultados
os recursos que repassa ao
maximizar suas ações e atender
requeridos pela sociedade.
Estado não se revertam em
as demandas democráticas da
É a maneira de legitimar
resultados claros e benéficos
população. E gerar esses
democraticamente sua existência
para toda a população.
resultados é, afinal de contas, a
e os recursos que arrecadam
razão de ser dos órgãos
junto à população. E não só a
públicos.
integração dos órgãos de um
Para construir um Estado
competente e assim chegar aos
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148
Cultivo Protegido de Hortaliças em Solo e Hidroponia
determinado sistema, mas
resultados também é importante
também destes com os órgãos
para os municípios mineiros a
de outros sistemas e com outras
forma integrada com que o
organizações de fora da esfera
Sistema Operacional
estatal.
da Agricultura se apresenta
A Emater-MG pela própria
forma sistêmica de sua atuação -
Para eles, os municípios,
esta atuação integrada abre
tanto na produção quanto nos
perspectivas de maior qualidade
processos de elevação da
nos serviços prestados, reduz os
qualidade de vida familiar no
custos operacionais, potencializa
campo -, sabe da necessidade
o atendimento aos produtores e
de se integrar permanentemente
outros clientes, e cria alternativas
para alcançar cada vez
para o desenvolvimento
melhores resultados.
econômico e social.
Hoje, sob a liderança do
A agropecuária tem uma
secretário de Agricultura, Raul
generosa potencialidade para
Belém, e com a determinação
contribuir com o
do governador, Itamar Franco,
desenvolvimento econômico e
em tornar o Estado
para promoção da justiça social
comprometido com o
entre os brasileiros.
Se esta contribuição não se
sua população, os avanços e o
dá na intensidade necessária,
fortalecimento dessa integração
certamente é também devido à
se fazem de maneira
forma com que o Estado
determinada e constante.
gerencia e realiza suas ações de
Com os demais órgãos do
Sistema Operacional da
apoio ao setor.
Em Minas Gerais, integrar
Agricultura, EPAMIG, IMA,
em ação e filosofia os órgãos da
Ruralminas, Ceasa e Casemg, as
Secretaria de Estado de
ações integradas e cooperativas
Agricultura entre si e com outros
têm uma nova dimensão.
setores do Estado, com as
Alguns exemplos são a
SECRETARIA DE ESTADO DE
AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO
Secretário: Raul Décio de Belém Miguel
hoje.
assistindo os produtores rurais
atendimento às demandas de
GOVERNO DO ESTADO DE
MINAS GERAIS
Governador: Itamar Franco
empresas privadas e
Empresa de Pesquisa Agropecuária de
Minas Gerais - EPAMIG
Presidência
Márcio Amaral
Diretoria de Operações Técnicas
Marcos Reis Araújo
Diretoria de Administração e Finanças
Marcelo Franco
Gabinete da Presidência
Eustáquio Amaral
Assessoria de Marketing
Luthero Rios Alvarenga
Assessoria de Planejamento e
Coordenação
Sebastião Gonçalves de Oliveira
Assessoria Jurídica
Maria Auxiliadora Duque Portugal
Assessoria de Informática
Mauro Lima Baino
Auditoria Interna
Ronald Botelho de Oliveira
Departamento de Pesquisa
Antônio Monteiro de Salles Andrade
Departamento de Produção
José Braz Façanha
Departamento de Recursos Humanos
Dalci de Castro
Departamento de Patrimônio e Administração Geral
Argemiro Pantuso
Departamento de Contabilidade e Finanças
Geraldo Dirceu de Resende
Centro Tecnológico-Instituto de Laticínios
Cândido Tostes
Geraldo Alvim Dusi
Centro Tecnológico-Instituto Técnico de
Agropecuária e Cooperativismo
Marco Antonio Lima Saldanha
Centro Tecnológico do Sul de Minas
Geraldo Antônio Resende Macêdo
Centro Tecnológico do Norte de Minas
Rogério Antônio da Silva
condução do Agridata - sistema
outros agentes e, finalmente,
informatizado de informações
com as próprias comunidades
Centro Tecnológico da Zona da Mata
José Luis dos Santos Rufino
aos produtores e demais
rurais, é o primeiro e decisivo
Centro Tecnológico do Centro-oeste
Miguel Celestino Paredes Zúñiga
públicos - e os trabalhos para
passo para uma mudança
tornar Minas Gerais uma área
de paradígma na forma de
livre de febre aftosa. Embora
gerenciar e apoiar a
ainda não seja possível pontuar
agropecuária.
Centro Tecnológico do Triângulo e
Alto Paranaíba
João Osvaldo Veiga Rafael
A EPAMIG integra o Sistema Nacional
de Pesquisa Agropecuária, coordenado
pela EMBRAPA
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