1 SELEÇÃO NATURAL Jheniffer Abeldt Christ

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SELEÇÃO NATURAL
Jheniffer Abeldt Christ1, Naiara Machado Neves1, Aurélia Millene Sales de Brito1,
Érika Aparecida Silva de Freitas2, Carolina Demetrio Ferreira3.
1
Graduando em Ciências Biológicas Licenciatura, Universidade Federal do Espírito Santo, Alto Universitário
S/N – Caixa Postal 16, CEP: 29.500.000 – Alegre - ES, Brasil, [email protected]
2
Secretaria do estado da Educação, EEEFM Aristeu Aguiar, Rua Dr. Wanderley S/N,
[email protected]
3
Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Biologia, Alto Universitário S/N – Caixa Postal
16, CEP: 29.500.000 – Alegre - ES, Brasil, [email protected]
Resumo- A evolução das espécies pode ser definida através de vários parâmetros. Um deles é a evolução
a partir da seleção natural. Este processo ocorre a partir do sucesso de uma espécie em detrimento de
outra. Nesta atividade, propôs-se demonstrar a seleção natural comparando diferentes espécies de aves,
com tamanhos de bicos diferentes através de uma abordagem não formal e dinâmica, de forma lúdica.
Durante a atividade, foram simulados bicos das aves com pegadores de alimento, pinças e pregadores de
roupa. Essas “aves” tiveram acesso a recursos alimentares como grãos e sementes, onde foi analisada a
capacidade de capturar alimento em determinado tempo em segundos. As aves com menores bicos foram
eliminadas devido à diminuta capacidade de capturar seu alimento. Sendo assim, os alunos tiveram a
possibilidade de estudar um dos processos de evolução participando da aula, resultando em alta
produtividade no que se refere à assimilação do conteúdo.
Palavras-chave: Teoria evolutiva, seleção natural, recursos, PIBID/CAPES.
Área do Conhecimento: Biologia
seleção natural é definida então como um
Introdução
mecanismo onde os seres que possuem maiores
vantagens na obtenção de alimento, por exemplo,
sobreviveriam e se reproduziriam mais. Segundo
A evolução pode ser definida como um
processo natural de modificação dos seres vivos
Darwin e Wallace, o ambiente e os diversos
podendo dar origem a outras espécies. Muitos
fatores que nele consistem, determinam a seleção
estudiosos desenvolveram várias teorias que
natural. A variabilidade de fatores hereditários que
explicavam as mudanças ocorridas no ambiente,
fazem alguns seres terem vantagens sobre outros
na obtenção de alimento, faz com que haja
como a de uso e desuso, que explicava o
desaparecimento de estruturas nos seres vivos a
competição entre estes seres sob a obtenção de
partir do uso frequente destas, ou a ideia de
recursos limitados. Sendo assim, a adaptação se
Evolução Ascendente, onde os organismos
torna uma consequência da seleção natural, onde
os indivíduos com mais vantagens sobrevivem e
caminhavam rumo a uma designada perfeição,
se adaptam. Para Darwin, a seleção natural
como dizia Lamarck (1809). No entanto, foi a ideia
de evolução por meio de um ancestral comum que
ocorria apenas para o bem do individuo. Embora
teve maior aceitação por volta do século XIX,
haja sempre uma dificuldade em testemunhar um
episódio de evolução, o casal de biólogos
proposta por Charles Darwin (1809-1882) em sua
obra “A origem das espécies”. Segundo a teoria
Rosemary Grant (1936) e Peter Grant (1936)
darwinista, os seres vivos são descendentes de
estudaram a evolução de aves do gênero
Geospiza, os então chamados Tentilhões de
ancestrais em comum, e evoluem a partir da
Darwin em uma das ilhas Galápagos no Oceano
seleção natural. Apesar de Darwin ter proposto o
Pacífico. Em tais estudos, o casal descobriu que o
termo “seleção natural”, há registros que mostram
que Alfred Russel Wallace (1823-1913) explicava
tamanho do bico das aves é um mecanismo de
este mesmo processo. Esses dois cientistas
seleção hereditário, ou seja, passado de geração
chegaram ao conceito de seleção natural
em geração. Perceberam então que as aves que
paralelamente. Porém, suas teorias são muito
tinham um bico maior tinham mais facilidade na
parecidas. Darwin afirmou sobre tal teoria “A esta
captura de alimento, e as aves com bicos menores
preservação das diferenças e variações individuais
tinham mais dificuldades neste processo.
favoráveis, e a destruição das prejudiciais eu
Verificou-se também que as sementes maiores e
mais duras eram mais abundantes em períodos de
chamei de Seleção Natural ou Sobrevivência do
mais apto” (Darwin, [1875], p. 40). A partir disso a
secas, e as menores, por sua vez, eram mais
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fáceis de comer, por isso acabavam primeiro. Os
pássaros maiores foram mais eficientes na
alimentação com sementes grandes e duras, por
isso muitas aves com bicos menores morreram por
inanição. Sendo assim, as aves com bico maiores
puderam sobreviver e reproduzir-se com sucesso.
Isso mostra que as aves com bicos maiores foram
selecionadas naturalmente. (STRATHERN, 1998).
Tendo em vista que a grande parte das aulas
de Biologia são ministradas formalmente em sala
de aula, a atividade em questão foi realizada em
ambiente não formal, se tornando um espaço para
intensificação do aprendizado e discussões. De
acordo com as considerações dos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), é necessário que a
proposta educacional tenha em vista a qualidade
de ensino repassada para todos os estudantes.
Para tanto, é necessário que sejam exploradas
estratégias e metodologias que despertem
interesse, argumentação e desenvolvimento da
criticidade do aluno, possibilitando melhor
construção do conhecimento. As aulas práticas
vêm se tornando um forte aliado para tais
considerações. Elas permitem que o aluno
observe, participe e torne palpável o que aprendeu
na aula teórica.
Partindo desse pressuposto, o experimento
aqui demonstrado simula a presença de aves com
diversos tamanhos e formas de bicos, tendo
disponíveis sementes de vários tamanhos e
texturas em ambiente lúdico. Dessa forma,
objetiva-se simular o processo de seleção natural
através das gerações em relação aos aspectos
morfológicos,
ambientais
e
de
recursos
alimentares objetivando melhor assimilação do
conteudo, bem como o contato fisico com o
experimento sobre o conteudo abordado na sala
de aula.
girassol, 45 sementes de alpiste, 45 sementes de
painço, 15 grãos de feijão e 3 sementes de
abacate, totalizando 213 grãos. As sementes
foram então divididas em três partes homogêneas,
representando três gerações simuladas na
seleção natural.
Um aluno esteve de posse do relógio. A
primeira parte das sementes foi colocada sobre a
bandeja. A partir disso, cada aluno apossou-se se
uma
espátula
ou
pregador
ou
pinça,
representando uma ave, da seguinte forma:
Espátula grande=Ave 1, Espátula menor=Ave 2,
Pregador grande= Ave 3, Pregador menor=Ave 4,
Pinça grande=Ave 5 e Pinça menor=Ave 6 . O
aluno que ficou com o relógio cronometrou um
tempo de 30 segundos. Nesse tempo os alunos
com os pegadores tentaram capturar o maior
numero possível de sementes. Essas foram
separadas em um recipiente menor. Com o
término do tempo pré-definido, as sementes foram
contadas e o número destas foi anotado. O aluno
que não conseguiu pegar sementes foi eliminado
da simulação.
A segunda parte das sementes foi adicionada a
bandeja e o processo se repetiu, contando o
tempo, capturando as sementes, contando e
reservando.
Por fim, foi adicionando a última parte das
sementes na bandeja e repetiu-se o procedimento.
Ao término da atividade, todas as sementes foram
contadas e anotou-se o resultado.
Metodologia
A atividade foi realizada com turmas de 3° ano
da escola EEEFM “Aristeu Aguiar”, em Alegre –
ES.
Para a realização do experimento simulando
seleção natural em aves, utilizaram-se espátulas
de dois tamanhos (pegadores de alimento);
pregadores de roupa de dois tipos; uma pinça
(usada para retirar pelos); uma pinça grande; uma
bandeja
de
aproximadamente
35cm
de
comprimento e 20cm de largura; relógio ou
cronômetro; seis recipientes para reservar as
sementes do tamanho de copos e sementes de
vários tamanhos (Figura 1).
As sementes disponibilizadas foram variadas,
procurando simular os tamanhos de possíveis
alimentos das aves. Cada grupo de alunos
recebeu 75 grãos de milho, 30 sementes de
Figura 1. Materias utilizados (A), realização da
atividade (B, C) "Seleção Natural" pelos alunos do
3° ano da escola EEEFM “Aristeu Aguiar”, em
Alegre – ES.
Resultados
Ao fim dos procedimentos, contaram-se as
sementes de cada apanhador que representou
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uma ave em cada uma das gerações. Os dados
foram anotados e analisados pelos grupos de
alunos (Tabela1)
Tabela 1. Resultados obtidos durante a contagem
de sementes de cada apanhador representando
uma ave em cada uma das gerações.
AVE
1
2
3
4
5
6
1
22
22
7
4
2
1
GERAÇÃO
2
23
17
7
5
5
0
3
22
20
7
5
5
-
TOTAL
67
59
21
14
12
1
Com a observação dos dados apresentados, os
alunos verificaram a relação entre o tamanho do
bico e a quantidade de alimento que este foi capaz
de capturar. As aves com bicos menores
apanharam menos alimento do que as que
possuíam bicos maiores, sendo este o fato que
explicaria o desaparecimento dessas aves pela
competição
com
as
outras
aves
e,
consequentemente, pela falta de alimento, como
ocorreu com a Ave 6 na segunda geração, onde
não conseguiu alimento sendo extinta na terceira
geração, caracterizando assim o processo de
Seleção Natural já descrito. A Ave 1 no entanto,
possuía um bico maior, capaz de capturar mais
alimento, 67 no total, adquirindo sucesso
evolutivo. A Ave 2, assim como a Ave 1, obteve tal
sucesso, capturando 59 itens para alimentação.
Essa abordagem prática se mostrou eficiente
no processo de ensino aprendizagem, uma vez
que os alunos puderam participar ativamente da
aula, interagindo com o professor e tirando todas
as suas dúvidas. Os resultados obtidos na
atividade
prática
foram
discutidos
espontaneamente pelos alunos, o que demonstrou
uma melhor assimilação do conteúdo quando este
foi abordado de uma forma mais clara e objetiva.
Discussão
Garcia (2005) defende que existe alguma
relação entre o conceito de educação formal e o
de educação não formal, uma relação indireta,
onde ambos são independentes. Um exemplo
dessas atividades e o ensino de biologia através
de aulas práticas.
Tais atividades práticas realizadas na escola
vêm mostrando alta produtividade no que se refere
à assimilação do conteúdo de evolução, uma vez
que permite que os alunos tenham acesso prático
e palpável ao conteúdo ministrado nas aulas
teóricas, em sala de aula de maneira formal,
desenvolvendo criticidade e concretização do
pensamento, alcançando o máximo de eficácia
possível. Para Dewey (1995), em lugar de
começar com definições ou conceitos já
elaborados, deve-se usar procedimentos que
façam o aluno raciocinar e elaborar suas próprias
ideias para depois confrontar com o conhecimento
teórico.
Conclusão
Com o fim dos procedimentos práticos, notouse de forma clara o processo de seleção natural.
Os alunos puderam entender de forma prática um
dos processos de evolução descritos por Darwin e
Wallace, uma vez que analisaram e estudaram o
conteúdo, o qual normalmente é ministrado de
forma teórica, sendo aqui apresentado de uma
maneira não formal.
Agradecimentos
A realização deste trabalho só foi possível pelo
apoio de muitas pessoas e instituições. Desse
modo, agradeço em particular a CAPES
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior), que desempenha um importante
papel no financiamento do projeto.
Referências
CHEDIAK, Karla. O problema da individuação
na biologia à luz da determinação da unidade
de seleção natural. São Paulo: scientiae zudia,
São Paulo, v. 3, n. 1, p. 65-78, 2005.
Darwin e a evolução em 90 minutos / Paul
Strathern; tradução, Maria Helena Geordane;
revisão técnica, Geraldo Renato de Paula. — Rio
de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
DARWIN, Charles. A Origem das Espécies, no
meio da seleção natural ou a luta pela existência
na natureza, 1 vol. Porto, 2003.
FERNANDES, R. S. Educação Não-Formal –
Contextos, percursos e sujeitos. Campinas:
Unicamp/CMU, Editora Setembro. 2005
FERREIRA ,Marcelo Alves. Transformismo e
extinção: de Lamarck á Darwin. 2007.
Dissertação (programa de pós graduação em
filosofia letras e ciências humanas) Universidade
de São Paulo, São Paulo.
XVI Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e
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3
JOHN DEWEY, Conhecimento, Valor e
Educação, 176 pág. Ed. Pioneira 1995
GARCIA, V. A. Um sobrevôo: o conceito de
educação não-formal. In: PARK, M. B &
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