PPO IBES 001 - Práticas Padrão Ouro de Assistência ao Paciente

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PPO IBES 001 - Práticas Padrão Ouro de Assistência ao Paciente Hemofílico no Ambiente
Hospitalar
JUSTIFICATIVA
A hemofilia é uma doença rara, por isso é vital obter um diagnóstico preciso e um tratamento adequado. O paciente hemofílico
pode ser identificado em qualquer serviço de saúde. Os profissionais de saúde atuantes em quaisquer tipos de serviços de saúde
(hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de imagem, entre outros) devem estar cientes das melhores práticas para o cuidado
seguro e o adequado direcionamento do paciente quando da limitação resolutiva do seu próprio serviço no atendimento.
APLICABILIDADE
Profissional da área de saúde que atue no atendimento de pacientes hemofílicos fora dos centros referenciados.
HEMOFILIA – DEFINIÇÃO
As hemofilias A e B são doenças hereditárias decorrentes de deficiência ou anormalidade da atividade coagulante do fator VIII
(hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B), resultando em maior risco de sangramento. São herdadas como condições recessivas
ligadas ao cromossomo X, acometendo quase que exclusivamente indivíduos do sexo masculino. A hemorragia pode ocorrer
após traumas ou mesmo espontaneamente. A apresentação clínica das hemofilias A e B é semelhante, sendo que 80-90% dos
sangramentos são intra-articulares (hemartroses) e musculares. As hemartroses de repetição levam à destruição articular.
PRÁTICAS PARA A ASSISTÊNCIA AO PACIENTE HEMOFÍLICO NO AMBIENTE DE SAÚDE
1. Capacite todos os profissionais de saúde da sua instituição para o reconhecimento de sinais e sintomas (sangramento,
problemas articulares, etc) do paciente hemofílico, bem como estratégias para gerenciá-los.
2. Oriente os profissionais de saúde (sobretudo médicos e equipe de enfermagem) a registrarem o atendimento, no
prontuário, de forma clara e detalhada, garantindo a rastreabilidade. É importante que seja também checado o “diário
do paciente” sempre que disponível.
3. Entre em contato com um serviço especializado no tratamento de hemofilia para dar prosseguimento ao tratamento
(discussão de conduta e envio de concentrado de fator) e acompanhamento posterior.
4.
Eleve o nível circulante do fator antes de encaminhar o paciente para confirmação diagnóstica por exames de imagem,
no atendimento de emergência (as boas práticas de atendimento emergencial com estratificação de risco podem ser
seguidas desde que o paciente tenha seu nível plasmático de fator elevado imediatamente, independente de sua
classificação).
5. Eleve o nível circulante de fator antes da realização de procedimentos invasivos, de acordo com os protocolos vigentes
e
discussão com os centros de referência.
6. Agende procedimentos cirúrgicos eletivos para o início da semana, conforme programado juntamente com o centro de
referência, certificando-se que tenha todo o quantitativo de concentrado de fator disponível até a recuperação
completa do procedimento proposto.
7. Suspeite de sangramento intra-craniano quando o paciente apresentar cefaléia súbita, associada ou não a náuseas,
vômitos, sonolência, irritabilidade e inicie imediatamente a terapia de reposição.
8. Utilize a via subcutânea sempre que possível para a aplicação de vacinas.
9. Evite punção arterial e dissecção venosa em pacientes com difícil acesso venoso. Estimule exercícios com as mãos para
melhoria do acesso.
10. Não utilize medicação intramuscular e medicamentos que aumentem o risco de sangramentos (por exemplo, ácido
acetil salicílico, diclofenaco, heparina em acesso venoso); dê preferência ao paracetamol, dipirona e inibidores de Cox-2
para analgesia e efeito anti-inflamatório.
11. Trate as hemartroses com terapia de reposição, repouso, gelo e medicação analgésica / anti-inflamatória se necessário.
Imobilização e punção articular não estão indicadas, exceto em situações especiais, que devem ser discutidas com o
centro de referência.
12. Disponibilize um exemplar do “Manual de Hemofilia” – MS para fácil acesso no serviço.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SITES DE INTERESSE
1. Srivastava A, Brewer AK, Mauser-Bunschoten EP et al. Treatment guidelines working group on behalf of the World
Federation of Hemophilia. Guidelines for the management of hemophilia. Haemophilia. 2013; 19(1):e1-47.
2. Mannucci PM, Tuddenham EGD. The hemophilias: from royal genes to gene therapy. N Engl J Med. 2001; 344:1773-9.
3. Berntorp E, Shapiro AD. Modern haemophilia care. Lancet. 2012; 379(9824):1447-56.
4. http://www.hemofiliabrasil.org.br/wp-content/uploads/2014/07/Minuta-Portaria-Consulta-P%C3%BAblica-n%C2%BA-11de-2-07-2014-Manual-de-hemofilia.pdf.
5. www.wfh.org
6. www.hemofiliabrasil.org.br
CONTRIBUIÇÕES
 Eliane Partite Nobre Sandoval
Enfermeira coordenadora do Centro de Hemofilia – Serviço de Hematologia do HCFMUSP

Paula Ribeiro Villaça
Médica hematologista responsável pelo Centro de Hemofilia – Serviço de Hematologia do HCFMUSP
http://lattes.cnpq.br/1174479416443267
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