A IMPORTÂNCIA DO CAPITAL DE GIRO COMO FERRAMENTA DE

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A IMPORTÂNCIA DO CAPITAL DE GIRO COMO
FERRAMENTA DE GESTÃO
CATEGORIA: ( X ) Graduação
(
) Pós-Graduação
RESUMO
O artigo evidencia a importância da gestão do capital de giro nas organizações, bem como a
abordagem conceitual e apresentação dos elementos relacionados à temática de maneira a
facilitar o entendimento do conteúdo proposto. A metodologia utilizada na pesquisa foi por
meio de um estudo exploratório, através de pesquisas bibliográficas. O objetivo da pesquisa é
demonstrar aos gestores, acadêmicos e pesquisadores a importância e a eficiência de uma boa
gestão do capital de giro nas empresas. Por ser uma ferramenta complexa e dinâmica,
influenciada por fatores internos e externos, muitos administradores possuem certa
dificuldade no controle e utilização desse instrumento. Fundamentado nisso o artigo
demonstra alguns pontos positivos e negativos que as empresas podem ter relacionados ao
gerenciamento do capital de giro, pois como foi retratada na pesquisa uma boa administração
do capital giro produz uma base de crescimento sólida para as organizações, visto que
qualquer que seja a operação realizada na empresa de alguma maneira estará associada a essa
ferramenta.
Palavras-chave: Capital de Giro. Ciclo Operacional. Fluxo de Caixa.
2
1 INTRODUÇÃO
Em um mercado altamente competitivo no qual as organizações estão inseridas, desde
a concorrência de um mercado sem fronteiras, até a qualidade e gestão de seus produtos para
satisfação de seus clientes, é necessário dentre outros fatores, uma excelente gestão do capital
de giro das empresas. Cabe ressaltar que há diversos elementos envolvidos no contexto de
capital de giro, o tornando um tanto complexo, no entanto extraordinariamente eficiente.
Fatores vivenciados pela empresa como alta carga tributária, instabilidade econômica,
e principalmente o custo exorbitante para financiamento do capital de giro, motivam a
preocupação dos gestores e o sofrimento das empresas. Contudo uma boa gestão do capital de
giro, podem não evitar a preocupação dos gestores no sentido de aprimorar o gerenciamento
dessa ferramenta, entretanto pode conter o sofrimento da empresa frente suas obrigações
cotidianas.
Segundo pesquisas do SEBRAE (2014) realizadas com o propósito de desvendar a
causa da mortalidade das empresas, contatou-se que 39% dos empreendedores não sabiam
qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio, ainda 55% dos pesquisados não
elaboraram um plano de negócios. Nesse sentido Biagio (2005, p. 9) comenta que:
Não existe um tamanho ou uma composição ideal de um plano de negócios.
Cada empresa deve procurar o que melhor lhe convém, de acordo com seus
objetivos e a utilização do plano de negócios. É importante manter uma
seqüencia lógica que permita a qualquer leitor entender a organização da
empresa, seus objetivos, seus produtos e serviços, seu mercado, sua
estratégia de marketing e sua situação financeira. (BIAGIO, 2005, P. 9).
É importante ressaltar que esses fatores evidenciados por Biajo, são fundamentais para
uma boa gestão das empresas, e principalmente do seu capital de giro, pois nesse contexto de
competitividade, todo conhecimento sobre os elementos envolvidos na rotina da empresa
podem ser considerado como diferencial nas tomadas de decisões. Fundamentado nisso temse a dimensão da ferramenta capital de giro e sua importância nas organizações.
Justifica o presente artigo a necessidade dos gestores compreenderem melhor as
variáveis envolvidas na administração do capital de giro das empresas, como também os
indicadores disponíveis para obterem informações na tomada de decisão. Além disso,
evidenciar os elementos importantes e necessários na utilização dessa ferramenta para
obtenção de melhores resultados.
Aos acadêmicos a pesquisa servirá como base para futuras pesquisas relacionadas ao
tema, bem como orientar e aprimorar o conhecimento na temática e nas ferramentas
apresentadas. Dispõe, além disso, aos acadêmicos o estimulo a pesquisa e o interesse no
relacionamento junto ao conteúdo proposto.
Para o pesquisador, o estudo proporcionará a oportunidade de aprofundamento na
temática proposta, tendo em visa a possibilidade da analise e exploração sistemática dos
elementos envolvidos ao tema. Ainda, destaca-se a chance de aprimoramento nas ferramentas
de gestão das empresas.
O objetivo da pesquisa é demonstrar aos gestores, acadêmicos e pesquisadores a
importância e a eficiência de uma boa gestão do capital de giro nas empresas, de maneira a
facilitar o entendimento dos elementos envolvidos no gerenciamento dessa ferramenta de
gestão. São também objetivos da pesquisa, abordar o conceito de capital de giro; apresentar os
elementos compreendidos na gestão do capital de giro; e evidenciar as decisões financeiras
associadas ao capital de giro.
3
2 METODOLOGIA
Sobre a metodologia da pesquisa, Gil (2002, p. 162) comenta que “nesta parte,
descrevem-se os procedimentos a serem seguidos na realização da pesquisa.” Neste sentido
afirma ainda que “Sua organização varia de acordo com as peculiaridades de cada pesquisa”.
Partindo desse pressuposto Marconi e Lakatos (2003, p. 83) evidenciam sobre a dimensão e a
importância da utilização dos métodos científicos em uma pesquisa:
O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com
maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos
válidos e verdadeiros -, traçando o caminho a ser seguido detectando erros e
auxiliando as decisões do cientista. (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 83).
Diante dessas atividades sistemáticas e racionais proposta por Marconi e Lakatos, bem
como o resultado desses métodos, Gil (2002) sugere informações sobre os aspectos, do tipo da
pesquisa, da população e amostra, da coleta de dados e da análise dos dados.
Quanto à tipologia da pesquisa, consiste em um estudo exploratório, que é exemplificado pela
perspectiva de Cervo, Bervian, Silva (2007, p. 62) com a seguinte característica:
A pesquisa exploratória realiza as descrições precisas da situação e quer
descobrir as relações existentes entre seus elementos componentes. Esse tipo
de pesquisa requer um planejamento bastante flexível para possibilitar a
consideração dos mais diversos aspectos de um problema ou de uma
situação. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007, p. 62).
Em se tratando do ambiente da pesquisa, onde estabelece o local de desenvolvimento
do estudo, considera-se uma pesquisa bibliográfica, que na interpretação de Severino (2000,
p. 39) essa natureza de pesquisa:
Constitui um acervo de informações sobre livros, artigos e demais trabalhos
que existem sobre determinados assuntos, dentro de uma área do saber.
Sistematicamente feito, proporciona ao estudante rica informação para seus
estudos. (SEVERINO, 2000, p. 39).
Em relação à abordagem, a pesquisa é considerada qualitativa, pois segundo Raupp e
Beuren (2008, p. 92) “na pesquisa qualitativa concebem-se análises mais profundas em
relação ao fenômeno que está sendo estudado”. Ainda, os autores consideram que a
abordagem quantitativa “torna-se relevante à medida que etiliza de instrumentos estatísticos
desde a coleta, até a análise e o tratamento dos dados”.
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.1 CAPITAL DE GIRO
O Capital de Giro Líquido (CGL) ou Capital Circulante Líquido (CCL) segundo Neto
e Martins (2010, p. 10) “se refere aos recursos de uma empresa necessários para financiar suas
necessidades operacionais, fechando o seu ciclo de produção (compra de matéria-prima –
vendas)”. Nesse sentido Assaf Neto e Lima (2014, p. 646) colaboram que:
4
O capital de giro corresponde aos ativos circulantes mantidos por uma
empresa. Em sentido amplo, o capital de giro representa o valor total dos
recursos demandados pela empresa para financiar seu ciclo operacional, o
qual engloba necessidades circulantes identificadas desde a aquisição de
matérias-primas até a venda e o recebimento dos produtos elaborados.
(ASSAF NETO; LIMA, 2014, p. 646).
Para facilitar o entendimento da colocação dos autores, segue o quadro abaixo
demonstrado o fluxo do capital de giro nas organizações.
Quadro 1: Fluxo do Capital de Giro
Recursos
aplicados
no ativo
circulante
Estoque de
Materiais
Disponível
Realizável
Venda a vista
Venda a
prazo
Estoque de
produtos
acabados
Produção
Fonte: Adaptado de Assaf Neto e Lima (2014, p. 647).
Fundamentado no quadro acima, é possível verificar que os recursos contidos no
disponível da empresa são aplicados na produção da empresa, divididos em compra de
materiais e demais custos da produção. Na produção inicia-se um ciclo de retorno desses
investimentos, onde os recursos seguem para o estoque de produtos acabados.
No momento em que são vendidos esses produtos, uma parte desses recursos volta
imediatamente ao caixa da empresa, através das vendas a vista, a outra parte desses recursos,
as vendas a prazo ficam aguardando sua realização. Dessa maneira, o ciclo do fluxo de caixa
se inicia novamente, em um processo contínuo. Nesse sentido Ching, Marques, Prado (2007,
p. 165) colocam que o:
Capital de Giro são os recursos para operacionalizar a empresa. Para realizar
seus negócios, a empresa necessita comprar mercadorias e materiais, estocar
e vender (à vista e a prazo) e receber o dinheiro das vendas. Nesse meiotempo, ela terá que pagar fornecedores, funcionários, aluguel, contas de luz e
telefone do estabelecimento etc. Seus elementos incluem disponível, contas a
receber, estoques, fornecedores e contas a pagar em geral. (CHING;
MARQUES; PRADO; 2007, p. 165).
5
Em se tratando desses custos de produção e despesas, fatores que demandam os
recursos disponíveis da empresa, segue o quadro abaixo evidenciando alguns dentre vários
custos e as despesas gerais que ocorrem em uma empresa.
Quadro 2: Custos de Produção e Despesas Gerais
CUSTOS DE PRODUÇÃO
Variáveis
Pessoal e Encargos
Matérias-primas e insumos
Subcontratações
Transportes de insumos
Consumo de energia elétrica
Combustíveis
Peças de reposição
Fixos por turno
Pessoal e encargos
Serviços terceirizados
Fixos
Pessoal e encargos
Seguros
Serviços terceirizados
Demanda de energia elétrica
Reinvestimento em tecnologia
DESPESAS GERAIS
Variáveis
Comissões de vendas
Impostos variáveis
Transportes de entrega
Fixas
Pessoal e encargos
Custos administrativos
Impostos Fixos
Serviços terceirizados
Fonte: Adaptado de Filho e Kopittke (2010, p. 191).
Diante dos custos e despesas demonstrados no quadro acima, tem-se a necessidade de
uma boa gestão do capital de giro, pois as organizações dependem destes elementos para
geração de receitas. Cabe ressaltar que quando a empresa não consegue liquidar esses
compromissos, como por exemplo, o pagamento de um fornecedor de matéria-prima, começa
a prejudicar o ciclo operacional da empresa.
Groppelli e Nikbakh (2006) evidenciam três diferentes políticas de financiamento na
administração do capital de giro, sendo a política muito conservadora, a política muito
conservadora e a política agressiva.
6
Quadro 3: Abordagens de Financiamento
Ativos Circulantes
Política muito conservadora
$
C
B
Ativos circulantes flutuantes
Nível mínimo dos ativos circulantes
Ativos fixos
O
Prazo
OB = Exigível a longo prazo + Patrimônio Líquido
BC = Passivo Circulante
Ativos Circulantes
Política conservadora
$
C
B
Nível mínimo dos ativos circulantes
Ativos fixos
O
Prazo
OB = Exigível a longo prazo + Patrimônio Líquido
BC = Passivo Circulante
Ativos Circulantes
Política agressiva
$
C
B
Nível mínimo dos ativos circulantes
Ativos fixos
O
Prazo
OB = Exigível a longo prazo + Patrimônio Líquido
BC = Passivo Circulante
Fonte: Adaptado de Groppelli e Nikbakht (2006, p. 336).
O quadro acima demonstra as características de cada uma das abordagens sugeridas
por Groppelli e Nikbakh (2006), onde é possível verificar que na política muito conservadora
a maior parte do capital de giro é financiado por meio dos empréstimos a longo prazo e
patrimônio líquido. Na visão dos autores “o custo desse tipo de financiamento pode ser alto,
porem o risco de ficar sem caixa é mínimo”.
Na abordagem conservadora o financiamento do capital de giro ocorre também em sua
maioria por empréstimos a longo prazo e patrimônio líquido, porem as necessidades sazonais
são financiadas por meio de empréstimos a curto prazo. Na abordagem agressiva a maior
parte do financiamento do capital de giro ocorre por meio de dívidas de curto prazo.
As necessidades do financiamento de capital de giro de uma empresa na perspectiva
Souza Neto e Martins (2010, p.14) se dividem em permanentes e sazonais. As “necessidades
permanentes são aquelas que se constituem de ativos circulantes mantidos pelas organizações
7
em níveis mais baixos dos ciclos”, e as “necessidades sazonais ou temporárias são os ativos
circulantes que variam sazonalmente em uma empresa”.
Hoji (2009) separa as fontes de financiamentos do capital de giro por onerosas e não
onerosas. Na visão do autor, as fontes onerosas são aquelas que possuem encargos financeiros
nas suas operações ou contratações, e as fontes não onerosas são aquelas decorrentes das
operações normais da empresa.
Segue abaixo o quadro demonstrando algumas das fontes de financiamento existentes
para uma empresa.
Quadro 4: Fontes de Financiamento
Lucros
Retidos
Empréstimo
Bancário
Outras
Emissão de
Títulos
Recursos de
Terceiros
Outras
Internas
Fontes
Externas
Recursos
Próprios
Capital
Acionário
Fonte: Adaptado de Neves Filho e Lucena (2009, p. 3).
Embasado no quadro acima é possível verificar detalhadamente que as fontes de
financiamentos do capital de giro de uma organização dividem-se em duas partes, as fontes
internas e as fontes externas. No sentido de resumir as etapas das fontes de financiamento de
uma empresa, Silva (2012) salienta que esses recursos provêm de três situações: Venda de
participações; Lucros gerados pela empresa; e Dívidas com terceiros.
3.2 CICLO OPERACIONAL
O Ciclo Operacional de uma organização é considerado na visão de Assaf Neto e Lima
(2014, p. 646) como “o período identificado desde a compra de matéria-prima (ou
mercadoria) até a venda de e o recebimento do produto vendido”. No intuito de facilitar o
entendimento segue o quadro abaixo.
8
Quadro 5: Ciclo Operacional
Compra
Vende
Paga
Recebe
Prazo médio de rotação dos estoques
Prazo médio de recebimento das vendas
Prazo médio de pagamento das compras
Ciclo financeiro
CICLO OPERACIONAL
T1
T2
T3
T4
Fonte: Adaptado de Silva (2012, p. 255).
É possível verificar no quadro acima que o ciclo operacional compreende quatro
etapas, sendo a compra, a venda, o pagamento e o recebimento. Dentro dessas etapas contem
o prazo médio de rotação dos estoques, o prazo médio de pagamento das compras, o prazo
médio de recebimento das vendas e o ciclo financeiro, formando assim o ciclo operacional de
uma organização.
O Ciclo Operacional de uma empresa na visão de Gitman (2010, p. 549) “abrange
duas principais categorias de ativo de curto prazo: estoques e contas a receber”. Certifica
ainda que “é medido em tempo corrido por meio da soma da idade média do estoque (IME) e
do prazo médio de recebimento (PMR)”.
Santos (2009, p. 16) pontua que a “duração de cada fase integrante do ciclo
operacional tem influência sobre o volume de recursos financeiros consumidos ou
imobilizados na operação da empresa”. Partindo desse pressuposto é possível verificar que na
visão do autor “uma empresa com ciclo operacional longo tem maior necessidade de capital
de giro”.
Segue o quadro abaixo demonstrando o modelo para cálculo do ciclo operacional de
uma empresa.
Quadro 6: Modelo de Cálculo do Ciclo Operacional
Rotação (ou giro) dos estoques =
Custo da mercadoria vendida
Estoque médio
Prazo médio de rotação do estoque =
Período em análise
Rotação dos estoques
Prazo médio do recebimento das vendas =
Período (dias) X
Duplicatas a receber
Vendas
Prazo médio de pagamento das compras =
Período (dias) X
Fornecedores
Compras
Fonte: Adaptado de Rasoto, et al (2012, p.22).
9
Através dos cálculos apresentados no quadro acima é possível obter as informações
necessárias para identificar o ciclo operacional de uma organização. O resultado é possível,
pois Silva (2012) comenta que o ciclo operacional é o resultado da soma do período T1 ao
período T4, ou seja, a soma da data da compra da mercadoria até o recebimento da venda
dessa mercadoria conforme demonstrado no quadro n. 5.
3.3 FLUXO DE CAIXA
O Fluxo de Caixa é uma ferramenta extraordinariamente importante nas organizações
ao ponto que Gitman (2004, p. 84) estabelece que esse fluxo é como “o sangue da empresa, é
o tema da preocupação básica do administrador financeiro, tanto na gestão das finanças no
dia-a-dia quanto no planejamento e nas tomadas de decisões estratégicas voltadas para a
criação de valor para o acionista”.
Além de causar preocupações nos administradores financeiros, comentado por
Gitman, o fluxo de caixa é um tema que segundo Figueiredo e Caggiano (2008) também
interessam muito aos investidores, pois é uma ferramenta fundamental para mensuração do
caixa gerado pelos ativos. Neste ponto é importante ressaltar que o autor aponta que o
“objetivo de um negócio é também a maximização da riqueza dos acionistas”.
Brasil e Brasil (2002, p. 21) resume que o fluxo de caixa é “a diferença entre as
entradas e as saídas de dinheiro provenientes das vendas e consumidas nas operações,
respectivamente”. Diante disso é importante considerar a orientação de Santos e et al. (2008)
de que não é suficiente a empresa obter lucro líquido, se não obtiver um fluxo de caixa
adequado para atingir seus objetivos.
Cabe ressaltar que o lucro ou prejuízo do exercício de uma organização são
apresentados através da demonstração de resultado do exercício, relatório financeiro que
segundo Blatt (2001) é elaborado por regime de competência e demonstra o resultado
econômico da empresa. Desse modo o resultado produzido pela demonstração de resultado do
exercício será diferente do resultado produzido pelo fluxo de caixa da empresa.
Padoveze e Taranto (2009) separa o fluxo de caixa em três grandes eixos: o fluxo
operacional; o fluxo de investimento; e o fluxo de financiamento. Neste sentido Jiambalvo
(2009, p. 415) colabora que as atividades operacionais “se referem aos fluxos de caixa
relacionados com a produção e a entrega de produtos e de serviços”, ou seja, as operações
relacionadas à atividade da empresa.
Em relação às atividades de investimentos Marion (2012) comenta que são operações
de aquisições ou vendas de ativos permanentes, de participações societárias em outras
organizações, e de ativos imobilizados empregados pela empresa em sua atividade produtiva,
na prestação de serviços ou para manutenção do próprio negócio.
Padoveze (2010) aponta que as atividades de financiamento estão relacionadas às
fontes de recursos da organização, bem como empréstimos e financiamentos. Diante disso
quando há entrada de recursos considera-se a captação de empréstimos, financiamentos ou a
integralizações de capitais e na saída de recursos considera-se a amortização dos empréstimos,
financiamentos ou a remuneração dos sócios e acionistas da empresa.
Fundamentado no entendimento dos autores, segue abaixo o quadro n. 7 demonstrando
o modelo das operações que podem ocorrem em um Fluxo de Caixa.
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Quadro 7: Fluxo de Caixa
(1) Fluxos Operacionais
Mão-de-obra
Matériasprimas
Salários
Contas
a pagar
(2) Fluxos de Investimento
Pagamento
provisionado
Pagamento
de compras
a crédito
Compras
Ativo fixo
Vendas
Depreciação
Produto em processo
Despesas
gerais
Participação
Produto acabado
Compras
Vendas
Despesas operacionais
(incluindo depreciação
e juros)
Caixa e
títulos
negociáveis
(3) Fluxos de Financiamento
Empréstimo
Imposto de renda
Pagamento
Restituição
Restituição
Vendas
Vendas à vista
Exigível
(curto e longos
prazo)
Venda de ações
Recompra de ações
Patrimônio
Pagamento de dividendos em dinheiro
Contas a receber
Cobrança de vendas a crédito
Fonte: Adaptado de Gitman e Madura (2003, p. 251).
É possível verificar no quadro acima as três atividades comentada pelos autores bem
como as operações que podem ocorrer em cada uma delas. Diante disso pode ser observado
que, de certa forma seja qual for à operação realizada pelos gestores da empresa provocará um
impacto no caixa.
Para elaboração de uma Demonstração dos Fluxos de Caixa Ribeiro (2012) argumenta
que há dois métodos que podem ser adotados: O método direto e o método indireto. Neste
sentido Reis (2006) comenta que o método direto é fundamentado no regime de caixa, ou seja,
evidencia todas as operações relacionadas aos pagamentos e recebimentos do período.
Segue abaixo o quadro n. 8 evidenciando o modelo de fluxo de caixa pelo método
direto.
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Quadro 8: DFC Método Direto
FLUXOS OPERACIONAIS
Recebimento de Vendas
(-) Pagamento das Compras
(-) Pagamento de Despesas
Caixa Líquido das Atividades Operacionais
FLUXOS DE INVESTIMENTOS
Compra de Terrenos
Caixa Líquido das Atividades de Investimentos
FLUXOS DE FINANCIAMENTO
Pagamento de Dividendos
Pagamento de Empréstimos a LP
Caixa Líquido das Atividades de Financiamentos
AUMENTO/REDUÇÃO DE CAIXA
SALDO INICIAL DE CAIXA
SALDO FINAL DE CAIXA
Fonte: Adaptado de Iudícibus e Marion (2010, p. 269).
R$
X
X
X
XX
X
XX
X
X
XX
XX
XX
XX
O método direto demonstra como pode ser visto no quadro n. 8, o fluxo do dinheiro no
período, pois apresenta todo recurso obtido pela empresa no recebimento dos clientes. A partir
desses recebimentos são apresentadas as deduções das despesas nas atividades operacionais,
dos investimentos nas atividades de investimentos e da amortização dos empréstimos e
financiamentos nas atividades de financiamentos.
Iudícibus e Marion (2010) comentam que o método indireto o lucro líquido ou
prejuízo da empresa é ajustado pelas operações que não envolvem caixa, e as receitas ou
despesas relacionadas às atividades de investimento ou atividades de financiamento. Segue
abaixo o quadro n. 9 demonstrando o modelo de fluxo de caixa elaborado pelo método
indireto.
Quadro 9: DFC Método Indireto
FLUXOS OPERACIONAIS
Resultado Líquido
(+) Depreciação
Aumento/Redução de Duplicatas a Receber
Aumento em Duplicatas Descontadas
Aumento em Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa
Aumento/Redução em Estoques
Aumento/Redução com Fornecedores
Redução de Salários a Pagar
Outros
Caixa Líquido das Atividades
FLUXOS DE INVESTIMENTOS
Pagamento na Compra de Imobilizado
Recebimento pela Venda de Imobilizado
Outros
Caixa Líquido de Investimentos
FLUXOS DE FINANCIAMENTO
Integralização de Aumento de Capital
Amortização de Empréstimos e Financiamentos
Recebimento/Pagamento de Dividendos
Novas Captações de Empréstimos e Financiamentos
Outros
Caixa Líquido de Financiamentos
AUMENTO/REDUÇÃO DE CAIXA
SALDO INICIAL DE CAIXA
SALDO FINAL DE CAIXA
Fonte: Adaptado de ASSAF NETO (2012, p. 98).
R$
X
X
X
X
X
X
X
X
X
XX
X
X
X
XX
X
X
X
X
X
XX
XX
XX
XX
12
No método indireto como é possível verificar no quadro n. 9, leva ao resultado líquido
do período, porem segundo Silva (2012, p. 478) “com menos riqueza de informação”. Essa
afirmação se deve ao fato de que não há informações sobre as receitas obtidas e as despesas
pagas no período.
Com base nos métodos apresentados para elaboração do fluxo de caixa, é possível
verificar o potencial dessa ferramenta no controle dos recursos de uma empresa. Diante disso
é importante que os gestores tenham domínio dessa ferramenta para uma boa gestão do capital
de giro.
Desse modo a gestão do capital de giro é extremamente importante, uma vez que
trabalha com os recursos financeiros das empresas, recursos imprescindíveis na sustentação
dessas organizações, e que são limitados. Sendo assim compreender essa ferramenta de gestão
é fundamental, portanto deve ser considerada pelos gestores.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista a importância do capital de giro nas organizações, bem como sua
complexidade, pois como colabora Assaf Neto (2012) o comportamento do capital de giro é
extremamente dinâmico, fator que exige das organizações modelos ágeis e eficientes de
controle, para evitar recursos mal direcionados podendo comprometer a rentabilidade ou até
mesmo a solvência da empresa.
Fundamento nesse pensamento, os gestores além de ter a necessidade de uma
excelente gestão do capital de giro, devem estar atentos às mudanças que ocorram no
mercado, no sentido de aprimorar essa ferramenta de gestão. Cabe ressaltar que como foi
apresentado, há diversos fatores envolvidos no gerenciamento do capital de giro, estimulando
os gestores a entenderem cada um deles para melhor aproveitamento desse instrumento.
As organizações sofrem muito quando se trata dessa ferramenta, pois como afirma
Matarazzo (2003, p. 363) “muitas empresas vão à falência por não saberem administrar seu
fluxo de caixa”. A partir disso o fluxo de caixa da empresa pode ser considerado uma
ferramenta de controle extremamente importante.
Conclui-se, diante disso, que a empresa que consegue compreender o gerenciamento
do capital de giro consegue manter suas atividades de uma forma saudável, pois com certeza
terá o cumprimento de suas obrigações com fornecedores, funcionários, tributos e outras
obrigações em dia. É importante que com essa ferramenta também seja possível identificar
situações de necessidade de tomada de empréstimo, apontando as melhores formas de
contratá-los.
13
REFERÊNCIAS
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