Pasteurelose: a pneumonia dos confinamentos.

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Thales dos Anjos de Faria Vechiato
Pós-graduando do Departamento de Clínica Médica da Fac. Med. Vet. Zoot. da USP- Campus
de São Paulo
Email: [email protected]
Pasteurelose: a pneumonia dos confinamentos.
Na última década, o número de confinamento vem crescendo significativamente
no território brasileiro. Em 2007, cerca de aproximadamente 3 milhões de cabeças
bovinas foram confinadas, esperando um aumento aproximado de 4 milhões de cabeças
em 2008. Isto vem ocorrendo na tentativa de aumentar o capital de giro e diminuir o
custo operacional da arroba produzida, encurtando o ciclo de abate, conseqüentemente,
um retorno financeiro do capital investido.
Frente à grande escala de produção, muitas vezes, o manejo e as instalações
ficam sensíveis a erros, acarretando em um comprometimento no desempenho
produtivo dos animais, aumento no número de dias para abate.
Muitos confinamentos no Brasil estão localizados nas regiões de centro-oeste
(MS, MT e GO) do país e oeste Paulistano, onde na sua maioria das vezes, são
realizados durante a época seca do ano devido à escassez de forragens, na qual
pecuaristas são forçados a mudar o manejo alimentar de seus animais. Nisso, os animais
sofrem com as adversidades climáticas, além da adaptação ao novo sistema de manejo
(confinamento) e do stress de transporte, ocasionando uma queda de imunidade,
expondo suas defesas corporais a inúmeros agentes infecciosos. O sistema respiratório é
o mais acometido, com grande destaque entre as doenças de bovinos confinados como
mostra o gráfico abaixo.
Gráfico 1: Porcentagem de afecções em confinamento.
Fonte: Adaptado de Smith, 1994.
Das enfermidades respiratórias que freqüentemente acometem os animais, as de
origem bacteriana e as alérgicas são as de maior importância. Dentre as de origem
bacteriana, destacam-se as ocasionadas pela bactéria do gênero Mannheima haemolytica
(antiga Pasteurella haemolytica), também conhecida popularmente como pneumonia
enzoótica, febre dos embarques, pasteurelose ou septicemia hemorrágica (Radostits et
al, 2002).
Esta bactéria faz parte da microflora da cavidade oronasal e em condições de
imunossupressão ou pela entrada de outros agentes (vírus ou Mycoplasmas sp.),
rompem assim as barreiras do trato respiratório colonizando a porção crânio-ventral dos
pulmões causando uma pneumonia fribrinótica nos animais acometidos.
Os bovinos sadios também podem adquirir a pasteurelose através do contato
direto ou por inalação ou ingestão de secreções oro nasais provenientes de animais
doentes.
A pasteurelose acomete bovinos de qualquer raça, sexo ou faixa etária, predispondo
principalmente em animais jovens quando expostos a fatores estressantes. Os bovinos
apresentam uma maior incidência de problemas respiratórios durante as três semanas iniciais no
confinamento.
Esta enfermidade acarreta sérios transtornos financeiros aos confinadores, pois
os animais infectados apresentam queda na conversão alimentar, redução no ganho de
peso (GDP) diário e final, conseqüentemente um menor desenvolvimento corporal
aumentando o período de dias da engorda ao abate.
Os animais acometidos se isolam dos demais, ficam deprimidos e com apetite
reduzido associado a um aumento acentuado da freqüência respiratória caso sejam
movimentados nos currais; febre em torno de 40 a 41ºC; crostas ao redor do muflo e
secreção muco purulenta nasal e ocular são bastante comuns neste quadro. Podem serem
encontrados mortos nos currais, de maneira súbita, indicando surtos de pneumonia no
confinamento.
Vale ressaltar que além da sintomatologia anteriormente descrita, é de extrema
importância o exame clínico do animal feito por profissional competente e capacitado
para um diagnóstico fidedigno, afim de indicar o tratamento correto e eficaz.
Para fins terapêuticos, a antibioticoterapia é, na maioria dos casos válida e
indicada, uma vez que quando administrada diminui a incidência do rebanho. O
antibiótico de eleição é da família das tetraciclinas, devido a sua distribuição no sistema
respiratório ser bem alta, administrada em intervalos maiores conseqüentemente, menor
número de aplicações por tratamento. Conduto, outros antimicrobianos são também
utilizados, como as penicilinas e sulfas apresentando respostas significativas. Porém o
custo destes medicamentos (aproximadamente R$3,00 por frasco) e o número de
aplicações as tornam desfavoráveis frente às tetraciclinas.
Existem algumas vacinas contra pasteurelose, porém a discordância entre
pesquisadores. O que vale ressaltar é o diagnóstico precoce da doença, seja este feito
por peões ou técnicos para que o veterinário seja rapidamente contactado, examinando o
animal por completo descartando outras possíveis doenças, indicando o isolamento do
animal doente e tratamento adequado para controle e resolução do quadro o quanto
antes, a fim de minimizar perdas econômicas no confinamento.
Porém associado a isto é indicado um manejo calmo e tranqüilo nos animais que
irão entrar em confinamento, ou mesmo que sejam manejados de rotina, já que as
bactérias e vírus estão à espera de um momento de um simples stress, sejam estes
ocasionados por gritos ou correrias durante a condução dos bovinos. Vale mais um
minuto de atraso que 1 real de despesa...
Bibliografia consultada
RADOSTITS, O. M. et al. Clínica veterinária: Um tratado de doenças dos bovinos, ovino,
suínos, caprinos e eqüinos. Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, 2002. p. 764-767.
SMITH, B. Medicina Interna de grandes animais. 2006.
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