Brasil e Argentina: duas economias paradas no ar Copyright Crítica

Propaganda
Brasil e Argentina: duas economias paradas no ar
A matéria desta sexta-feira (2) do jornal Pagina 12, de Buenos Aires, resume com leve ironia
a real situação da economia nacional e do governo Macri: Ahora admiten que la economia
no arranca, pero “va a arrancar”. Quer dizer, o governo finalmente admite que a economia
não arranca, mas “vai arrancar”. Uma semelhança tão forte com a situação da economia (e
do governo) no Brasil não pode ser uma mera coincidência.
Nos dois países que concentram mais de 75% da produção na America Latina os capitalistas
mostram sinais de crescente nervosismo: a prometida recuperação da economia prometida
por Macri e temer não virá ou foi apenas adiada? Essa é a pergunta que os homens do
mercado fazem aos seus já claudicantes governos. Nada dá certo. A produção afunda e o
desemprego sobe. A capacidade dos governos de inverter a situação já começa a ser
questionada pelos seus próprios patrocinadores. Querem resultados rápidos da política
econômica na economia real. Os ministros da Economia dos dois países já começam a se
fritados. Meirelles, em particular, já berra como cabrito em véspera de Natal.
Afinal, por que ocorre essa coincidência de fracasso dos governos das duas grandes
economias sul-americanas? Por que o fracasso de Temer é o mesmo de Macri? Exatamente
porque os dois fazem a mesma política pró-cíclica. Fazem um diagnóstico político totalmente
equivocado dos problemas econômicos externos e internos. E aplicam o remédio totalmente
errado (o famoso “remédio amargo”, como eles dizem) de uma política suicida tipo antigo:
monetarista, fiscalista e de austeridade – insistência burra de cortes de gastos do governo e
do consumo individual. Cronicamente inviável.
Não se faz mais essa besteira de “política de austeridade” em lugar nenhum do mundo.
Frente à deflação global e à queda fulminante do comércio internacional, o que se faz em
todo o mundo são políticas econômicas anticíclicas. Redução drástica da taxa básica de
juros e forte expansão dos gastos do governo – obras de infraestrutura, etc. Reforço do
mercado interno face às incertezas do mercado mundial. Em todo o mundo se procura
amortecer o peso do próximo choque depressivo global. A palavra de ordem é garantir a
produção, o consumo e o emprego das massas. Seja nas principais economias dominantes –
EUA, Alemanha, Japão – seja nas maiores economias dominadas da periferia – China, Índia…
Neste quadro global, Brasil e Argentina são economias estranhamente colocadas em coma
induzido pelas respectivas burguesias. O desemprego aumenta, a fome se aprofunda e os
conflitos sociais invadem as ruas. No início dos anos 2000, a Argentina afundou
Copyright Crítica da Economia © 2016. | 1
Brasil e Argentina: duas economias paradas no ar
catastroficamente e o Brasil escapou por um triz. Desta vez, com a chegada do próximo
choque global, as duas economias devem afundar juntas e mais catastroficamente ainda que
entre 2000 e 2002. As duas burguesias não terão mais nenhuma carta econômica para ser
jogada. Nem política. Abandonas à própria sorte pelo imperialismo norte-americano da era
Trump, a revolução voltará com força à ordem do dia na América do Sul.
Copyright Crítica da Economia © 2016. | 2
Download