UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES AVM – FACULDADE INTEGRADA LE ID E D IR EI TO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AU TO R AL 1 Patricia Vasconcellos da Silva ORIENTADOR: Prof. Marta Pires Relvas D O C U M EN TO PR O TE G ID O PE LA A contribuição da Neurociência no processo de ensinoaprendizagem e a influência da emoção na prática pedagógica. Rio de Janeiro 2016 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES AVM – FACULDADE INTEGRADA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU A contribuição da Neurociência no processo de ensinoaprendizagem e a influência da emoção na prática pedagógica. Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Neurociência Pedagógica. Rio de Janeiro 2016 3 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus que me deu a vida, aos meus pais João e Eliana e ao meu namorado Fábio, que estiveram sempre presentes me apoiando e me dando força para que eu continuasse na luta durante essa etapa da minha vida. Um agradecimento em especial ao meu namorado Fábio, que me auxiliou com seus conhecimentos farmacológicos cautelosamente e e carinhosamente que o leu meu trabalho, sendo crítico e fazendo tudo isso com muita dedicação. Agradeço também aos profissionais de educação do Colégio Excelência e a professora Sônia Reis que me apresentaram esta especialização. E a minha orientadora Marta Relvas que me ajudou no decorrer deste trabalho, me dando todo o suporte necessário. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus alunos e amigos do meio acadêmico, pois foi por eles que iniciei esta especialização. Dedico também aos meus pais e namorado, que me estimularam e ajudaram cotidianamente. 5 RESUMO O presente trabalho versa sobre a contribuição das Neurociências no processo de ensino-aprendizagem, com a finalidade de auxiliar e informar os professores na prática pedagógica diária. O capítulo I destaca a importância de conhecer como funciona o cérebro. Esse órgão de 1,5 kg que possui 86 bilhões de neurônios comanda nosso desenvolvimento físico, social, emocional, linguístico e cognitivo. As experiências literalmente moldam o cérebro. Experiências e estímulos contínuos aumentam as chamadas sinapses, isto é, a conexão entre diferentes neurônios para a propagação dos impulsos nervosos. Quando uma criança ouve uma canção diferente, brinca de algo novo ou desenha, por exemplo, o cérebro está se exercitando, criando redes de neurônios capazes de fazer ligações cada vez mais rapidamente. Desvendar os mistérios dos mecanismos da aprendizagem tornouse fundamental para educação, pois é preciso compreender cada criança na sua singularidade. A aprendizagem é a aquisição de informação e a memória é a retenção desse conhecimento. O cérebro é o responsável pelo raciocínio lógico do ser humano e, diante da sua atuação, pode-se assimilar, processar, acomodar novas informações, lembrar-se daquelas já existentes na memória e também associá-las para, por exemplo, formular uma resposta mais apropriada para um determinado problema. Sendo assim, quanto mais estímulos o cérebro receber, de diferentes fontes, maior será a capacidade de estabelecer ligações com as informações que já estão arquivadas e, maior será a capacidade de novas conexões sinápticas e, consequentemente, maior será a capacidade de aprendizagem. O capítulo II ressalta como a emoção interfere no processo de retenção de informação e aprendizagem. No capítulo III serão abordadas dificuldades de aprendizagem, teorias de educação e estratégias de ensinos. Palavras-chave: prática-pedagógica. cérebro, aprendizagem, memória, emoção e 6 METODOLOGIA O presente estudo apresenta uma pesquisa de cunho qualitativo. É constituído de analise bibliográfica direcionada por artigos científicos, tese, revistas e leitura de autores como: Marta Relvas, Ramon M. Cosenza e Leonor B. Guerra, Eloísa Quadros e Zélia Del Rio, Gazzaniga e Heatherton, Vygotsky, Piaget, Wallon e Ausubel. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I Sistema nervoso e as sinapses 10 1.1 - A neurobiologia da aprendizagem 16 1.2- A plasticidade cerebral 23 1.3- Memória 26 CAPÍTULO II A emoção exerce influência nos processos de raciocínio 36 2.1- Razão e emoção no processo de ensino e aprendizagem 40 2.2- Relações entre o cérebro masculino e feminino na aprendizagem 44 CAPÍTULO III As dificuldades de aprendizagem 49 3.1- Aprendizagem segundo alguns teóricos da educação 57 3.2- Como estimular os alunos em sala de aula? 64 CONCLUSÃO 72 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 74 WEBSITES 76 ÍNDICE 77 8 INTRODUÇÃO O professor cotidianamente na sala de aula se depara com situações de falta de atenção, pouca assimilação, ausência de compreensão, dificuldades de aprendizagem e se angustia, porque não sabe como encontrar alternativas para tais problemas. Acabam por dividir esta angústia no diálogo com colegas de profissão ou lamentando e responsabilizando a criança e o adolescente por ter pouca vontade, não esforçar-se o suficiente, ser desinteressado. São desconhecedores de qual solução apontar, pois, o processo de formação não contemplou saberes maiores a este respeito. Estudos na área neurocientífica, têm ajudado ao professor a estimular seus alunos. Professores que não compreendiam as divergências de aprendizagem encontradas em sala de aula. A Neurociência vem nos esclarecer que a aprendizagem ocorre quando o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais intensas. Assim, podemos entender, por exemplo, como é valioso aliar a música e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade de se trabalhar simultaneamente mais de um sentido: o auditivo, o visual e até mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações). Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o disparo entre as células neurais acontece mais facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais facilidade. Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, poder entender os mecanismos e comportamentais de nossas crianças com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação. 9 O sistema límbico é um conjunto de estruturas do cérebro que são responsáveis primordialmente por controlar as emoções e participa das funções de aprendizado e memória. Os professores precisam entender que os sentimentos impulsionam a aprendizagem positiva ou negativamente de seus alunos. Sob este aspecto considera-se como importante em primeiro lugar criar um ambiente seguro e convidativo para a aprendizagem, livre de desrespeito, ofensas e humilhações. Mediante aos estímulos externos as partes das células estelares crescem, são os dendritos. É através dos dendritos que um neurônio recebe os impulsos nervosos de outras células, que são transmitidos através do corpo celular e a partir daí para o axônio. Consequentemente, o crescimento das ramificações dos dendritos só pode significar que os processos de intercomunicação nas células do córtex aumentaram e que mais dendritos torna-os mais efetivos em termos de regulação da atividade dos circuitos neuronais, dessa forma neurônios que se ligam e fazem novas sinapses. A educação de crianças em um ambiente sensorialmente enriquecedor pode ter um impacto sobre suas capacidades cognitivas e de memórias futuras. A presença de cor, música, sensações, variedade de interação com colegas e parentes das mais variadas idades, exercícios corporais e mentais podem ser benéficos. Podemos compreender, desta forma que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará consequentemente, alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o funcionamento cerebral, de forma positiva e permanente, com resultados extremamente satisfatórios. 10 CAPÍTULO I Sistema nervoso e as sinapses “Os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais em seus fins e mentais em seus meios”. (Piaget) Segundo Relvas, 2009, o sistema nervoso compreende o sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. O sistema nervoso central é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. Todas as partes do encéfalo e da medula estão envolvidas por três membranas de tecido conjuntivo, as meninges. O sistema nervoso periférico constitui-se principalmente de nervos, que são feixes de axônios que ligam o sistema nervoso central a todas as outras partes do corpo. O sistema nervoso periférico inclui: sistema nervoso somático, neurônios motores, mediando o movimento voluntário; o sistema nervoso autônomo, compreendendo o sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático, que regulam as funções involuntárias; e o sistema nervoso entérico, que controla o aparelho digestivo, de acordo com (Mark F Bear,Barry W. Connors e Michacl A., 2002, P.230). Em relação à parte funcional, existem dois tipos de vias neurais para receber e enviar informações. São as chamadas vias aferentes e eferentes. Os nervos aferentes são aqueles afetados por seus arredores, e conhecidos como neurônios sensoriais. Eles sentem o ambiente (tal como dor, calor, pressão) e quaisquer alterações no ambiente, e informam ao Sistema Nervoso Central. Os nervos eferentes produzem efeitos em seus arredores e são constituídos pelos neurônios motores. Depois que o Sistema Nervoso Central recebe as informações dos neurônios sensoriais, o cérebro decide o que fazer a seguir. Ele transmite esta decisão para o restante do corpo via nervos eferentes; estes, por sua vez, entre outras ações, são responsáveis pelos movimentos de contração e relaxamento muscular. Em relação a sensações na pele, músculo quem comanda é sistema nervoso somático (soma = corpo), entretanto, a parte interna denominada visceral em suas vias eferentes quem comanda é o sistema nervoso autônomo, conforme, (Mark F Bear,Barry W. Connors e Michacl A., 2002, P.231e 232). 11 O sistema nervoso é responsável pela maioria das funções de controle em um organismo, coordenando e regulando as atividades corporais. O neurônio é a unidade funcional deste sistema e as células glias compreendem as células que ocupam espaço entre os neurônios e tem como função sustentação, revestimento, isolamento ou modulação da atividade neural. Conforme Marina F. de Oliveira, 2011, p.22, os neurônios são formados por três partes: o corpo celular, os axônios e os dendritos. A parte central, o corpo celular contém o núcleo celular (onde está o DNA). É por intermédio dos dendritos que cada neurônio recebe as informações provenientes dos demais neurônios a que se associa. Cada neurônio tem um único axônio, e é por ele que saem as informações dirigidas às outras células. As fibras nervosas são constituídas por um axônio e suas bainhas envoltórias. Todos os axônios são envolvidos por dobras únicas ou múltiplas, formadas por uma célula envoltória. Nas fibras nervosas do sistema nervoso periférico, são as células de schwann que produzem a bainha de mielina. Já no sistema nervoso central, as células que formam a bainha são os oligodendrócitos. As fibras nervosas se dividem em dois tipos: Amielínicas: são axônios de pequeno diâmetro que são envolvidos somente por uma única dobra de mielina. Mielínicas: são axônios em grande calibre, indicando que há um grande número de voltas de bainha de mielina, (Portal educação, 2013). Nas fibras nervosas há uma região em que não se encontra mielina. Esta região é chamada de nódulo de Ranvier, e é por este local que o impulso nervoso se propaga, pois a bainha de mielina é isolante elétrica. A bainha de mielina são células que se enrolam dezenas de vezes em torno do axônio e formam uma capa membranosa. A bainha de mielina atua como um isolamento elétrico e aumenta a velocidade de propagação do impulso nervoso ao longo do axônio, (Portal educação, 2013). A substância branca é formada pela mielina. A substância cinzenta é a área onde se encontra o predomínio do corpo do neurônio, segundo (COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B., 2011) 12 No sentido caudal cranial o encéfalo se inicia por um conjunto de estruturas antigas que já existiam nos vertebrados mais primitivos, o chamado tronco cerebral (composto de bulbo, ponte e mesencéfalo). Existe no cérebro um sistema funcional para regulação dos níveis de vigilância. O principal circuito desse sistema estrutura-se a partir de um grupo de neurônios que possuem um pigmento que dá a essa região uma coloração azulada. Esse grupamento, denominado Locus ceruleus (local azul), fica localizado no mesencéfalo, uma porção do encéfalo abaixo do cérebro, no início do tronco encefálico. O cerebelo que se aloja “a cavaleiro” sobre o tronco cerebral. O tronco cerebral se liga diretamente à medula espinhal e, por meio dessa, exerce efeitos fundamentais no controle de muitas de nossas funções internas básicas como a regulação da respiração, da pressão arterial, do funcionamento cardíaco e da digestão. O cerebelo, por outro lado, é fundamental na regulação de nossos movimentos externos, garantindo a sua coordenação e o nosso equilíbrio postural, conforme explica, (Werner Robert Schmidek e Geny Aparecida Cantos, 2009, p.185). Seguindo ao tronco cerebral em direção ascendente, encontra-se o chamado diencéfalo, uma estrutura também ainda bastante antiga e fundamental na regulação de funções internas básicas. Ele se compõe partes importantes: o tálamo, o hipotálamo, a hipófise, amigdala entre outras. As funções principais do tálamo são: funções sensoriais (portal de entrada para o córtex, modulação das aferências sensitivas), motoras (somáticas, estação entre núcleos da base, cerebelo e córtex), comportamento emocional (conexões entre o sistema límbico e o córtex) e ativação cortical (juntamente com formação reticular). Hipotálamo e amígdala, além da atuação neural regulando funções internas tais como, por exemplo, a temperatura corpórea ou a concentração dos líquidos internos, são também fundamental na gênese de motivações básicas instintivas, tais como fome, sede, impulso sexual, medo, raiva. É ainda o hipotálamo que regula todo o nosso sistema endócrino, seja diretamente, produzindo hormônios (como o hormônio de crescimento ou a ocitocina, fundamental no mecanismo de parto e na ejeção do leite materno durante a amamentação), seja mais ainda, regulando o funcionamento da 13 hipófise que secreta a ocitocina, e, por meio dos seus hormônios reguladores, controla o funcionamento de todas as glândulas endócrinas do organismo (como, por exemplo, a tireoide, as suprarrenais, as gônadas). Finalmente, cabe também ao hipotálamo um importantíssimo papel modulador do funcionamento dos nossos processos imunes, regulando assim toda a nossa defesa imunológica, segundo, (Werner Robert Schmidek e Geny Aparecida Cantos, 2009, p. 186). De acordo com Relvas, 2009, a transmissão sináptica pode ser química ou elétrica. Sinapses são junções formadas com outras células nervosas onde o terminal pré-sináptico de uma célula faz contato com a membrana pós- sináptica de outra. São nessas junções que os neurônios são excitados, inibidos ou modulados. Na sinapse elétrica, as correntes iônicas passam diretamente pelas junções comunicantes para outras células. A transmissão é muito rápida, já que o sinal passa praticamente inalterado de uma célula para outra. Na sinapse química, o processo químico de interação entre os neurônios e as células efetoras acontece na terminação do axônio em uma estrutura chamada terminal sináptico. Aproximando-se do dendrito de outra célula, o axônio libera substâncias químicas chamadas neurotransmissores nas fendas sinápticas que se ligam aos receptores químicos do neurônio pós-sináptico promovendo mudanças excitatórias ou inibitórias. Sinapses excitatórias causam uma mudança elétrica excitatória no potencial pós-sináptico. Isso acontece quando o efeito líquido da liberação do transmissor é para despolarizar a membrana, levando-o a um valor mais próximo do limiar elétrico para disparar um potencial de ação. Esse efeito é tipicamente mediado pela abertura dos canais da membrana tipos de poros que atravessam as membranas celulares para os íons cálcio e potássio, de acordo com (Silvia Helena Cardoso, PhD, 2000). As sinapses inibitórias causam um potencial pós-sináptico inibitório, porque o efeito líquido da liberação do transmissor é para polarizar a membrana, tornando mais difícil alcançar o potencial de limiar elétrico. Esse tipo de sinapse inibitória funciona graças à abertura de diferentes canais de 14 íons nas membranas: tipicamente os canais cloreto (Cl-) ou potássio (K+), conforme (Silvia Helena Cardoso, PhD, 2000). Os principais neurotransmissores: a acetilcolina estimula o impulso a ser transmitido. Está envolvida na transmissão de impulsos de células nervosas, de músculos cardíacos a algumas glândulas, e de células motoras para os músculos do esqueleto. É o neurotransmissor encontrado em maior quantidade no corpo: estômago, baço, bexiga, fígado, glândulas sudoríparas, vasos sanguíneos e coração são apenas alguns órgãos que este neurotransmissor controla. A acetilcolina ajuda no controle do tônus muscular, no aprendizado, e nas emoções. Também controla a liberação do hormônio da pituitária, a qual está envolvida no aprendizado e na regulação da produção de urina. A síntese de acetilcolina pelo organismo é vital, pelo seu papel relativo aos movimentos e à memória, baixos níveis de acetilcolina contribuem para falta de concentração e esquecimento. O corpo sintetiza acetilcolina a partir dos nutrientes colina, lecitina, e DMAE, e vitamina C, B1, B5, e B6, e minerais zinco e cálcio. Também é relacionada a desempenho sexual, controlando a pressão sanguínea e batimento cardíaco durante a relação sexual.(RV de Andrade, AF da Silva, FN Moreira, 2003). Endorfina atua como calmante natural: alivia a sensação de dor. Em um machucado, receptores na pele produzem sinais elétricos que vão da coluna espinhal ao cérebro. O cérebro então avalia a dor, que será negociada pelas endorfinas enviadas para ligação com receptores dos neurônios. A quantidade de endorfina liberada é relacionada à quantidade de dopamina. Em alguns casos, dependendo das concentrações de cada uma, a dor pode ser substituída pela sensação de prazer. A endorfina é responsável pelo sentimento de euforia, êxtase. A feniletalimina substância química, ingrediente natural do chocolate atua no sistema límbico assim como a endorfina. Daí a explicação para o fato do chocolate deixar as pessoas felizes. (RV de Andrade, AF da Silva, FN Moreira, 2003) Dopamina é um tipo de neurotransmissor inibitório derivado da tirosina e classificado no grupo das aminas. Produz sensações de satisfação e prazer. Os neurônios dopaminérgicos podem ser divididos em três subgrupos com diferentes funções. O primeiro grupo regula os movimentos: uma 15 deficiência de dopamina neste sistema provoca a doença de Parkinson, caracterizada por tremuras, inflexibilidade, e outras desordens motoras, e em fases avançadas pode verificar-se demência. O segundo grupo, o mesolímbico, funciona na regulação do comportamento emocional. O terceiro grupo, o mesocortical, projeta-se apenas para o córtex pré-frontal. Esta área do córtex está envolvida em várias funções cognitivas, memória, planejamento de comportamento e pensamento abstrato, assim como em aspectos emocionais, especialmente relacionados com o stress (ebah, 2009). A dopamina se move até o lóbulo frontal regulando o grande número de informações que vem de outras partes do cérebro. Portanto, comprometer as quantias do neurotransmissor pode resultar em pensamentos incoerentes, como na esquizofrenia. Também é responsável pelo sentimento de euforia, assim como a endorfina. É capaz de acalmar a dor e aumentar o prazer se estiver em grande quantidade no lóbulo frontal. (RV de Andrade, AF da Silva, FN Moreira, 2003). Noradrenalina é encontrada no SNC, no tronco cerebral e no hipotálamo, e possui ação depressora sobre a atividade neuronal do córtex cerebral. A noradrenalina do SNC provém da metabolização da dopamina pela ação da enzima dopamina beta-hidroxilase que metaboliza, também, o 5hidroxipto fano em 5-hidroxitriptamina ou, então, origina-se da recaptura do neurotransmissor da fenda sináptica. Principalmente uma substância química que induz a excitação física e mental e bom humor. A produção é centrada na área do cérebro chamada de locus coreuleus, que é um dos muitos candidatos ao chamado centro de "prazer" do cérebro. A medicina comprovou que a norepinefrina é uma mediadora dos batimentos cardíacos, pressão sanguínea, a taxa de conversão de glicogênio (glucose) para energia, assim como outros benefícios físicos. Noradrenalina conhecida também como norepinefrina, é definida por algumas bibliografias como o hormônio precursor da adrenalina com efeito estimulante na lipolase, o faz com que aumente o nível de algumas gorduras no sangue e por outras como o neurotransmissor que eleva a pressão sanguínea através da vaso constrição periférica generalizada. A noradrenalina também é usada no sistema que nos faz ficar alertas, e ter uma boa memória. 16 O desequilíbrio entre ela e outras substâncias pode causar diversas doenças. (Ebah, 2009). A serotonina, também conhecida como 5-hydroxytryptamine (5HT), é o hormônio e o neurotransmissor envolvido principalmente na excitação de órgãos e constrição de vasos sanguíneos. Nos mamíferos, a serotonina é produzida em células especializadas as enterochromafinas. Esta substância também é encontrada nas paredes sanguíneas, e localizada no hipotálamo e parte central do cérebro. Algumas funções da serotonina incluem o estímulo dos batimentos cardíacos, o início do sono e a luta contra a depressão (as drogas que tratam de depressão preocupam-se em elevar os níveis de serotonina no cérebro). A serotonina também regula a luz durante o nosso sono, visto que é a precursora do hormônio melatonina, produzido na glândula pineal, (regulador do nosso relógio natural). Os neurônios especializados na recepção da serotonina estão localizados na maioria dos órgãos; esses órgãos são estimulados a realizarem suas funções quando moléculas de serotonina ocupam os receptores. O excesso na produção de serotonina, que ocorre durante a síndrome carcinóide (tumor nas células de chromafina), resulta no enrubescimento da pele, variações na pressão sanguínea, cólica e diarreia. (RV de Andrade, AF da Silva, FN Moreira, 2003). Hipócrates, considerado o pai da medicina, já afirmava , há cerca de 2.300 anos, que é através do cérebro que se sente tristeza ou alegria, e é também por meio de seu funcionamento que o ser humano se torna capaz de aprender ou de modificar o comportamento à medida que se vive. 1.1. Neurobiologia da aprendizagem Segundo Relvas, (2009), o cérebro é composto por dois hemisférios, o direito e o esquerdo, unidos por vários feixes de fibras de comunicação. O hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, e o hemisfério o direito controla o lado esquerdo. Cada hemisfério divide-se em lobo frontal, lobo parietal, lobo occipital e lobo temporal. O hemisfério esquerdo é verbal e analítico. O direito é rápido, complexo, espacial perceptivo e configuracional. 17 O hemisfério esquerdo tem a função verbal, em sua estrutura encontra-se a área de Wernicke (nome em homenagem a Karl Wernicke, um neurologista e psiquiatra alemão) que organiza a semântica, a compreensão da linguagem, associa-se através do giro do cíngulo. Giro cingulado: se localiza na porção mediana do cérebro e faz parte do tálamo. A área de broca (nome em homenagem ao cientista francês Paul Broca) que é responsável pela nossa expressão verbal e escrita. (Relvas 2010). Segundo Relvas, 2010, o cérebro trabalha em conjunto, porém uma área completa a outra. O Lobo frontal está relacionado às funções superiores e representam vários aspectos comportamentais humanos, recebem estímulos nervosos dos lobos parietal e temporal por meio de feixes de longas fibras de associações situados no giro cingulado. Está ligada a concentração, intelecto, atenção, julgamento, classificação e identificação. Existem três tipos de giros frontais: o giro frontal orbital, o giro frontal medial e o giro frontal cingulado. A segunda estrutura anatômica importante é o lobo temporal está relacionado com a recepção e decodificação dos estímulos auditivos que se coordenam com impulsos visuais. O lobo parietal está relacionado a interpretações das informações visuais provenientes do córtex occipital, orientação espacial. O lobo occipital realiza a integração visual a partir da recepção dos estímulos para serem apreciados e decodificados em áreas da associação visual, sendo conectados por fibras inter-hemisféricas ao córtex do parietal do mesmo lado, bem como a área temporal, cortical e assim realizando uma atividade integradora. O cerebelo é responsável por automatizar nossas aprendizagens, nosso equilíbrio, postura e também faz todo o processo de coordenação motora grossa, já a coordenação motora fina é um processo que ocorre no lobo frontal e parietal. O tronco encefálico é responsável pela atenção automática, mantém nosso cérebro aceso e acordado. (Daniel Traina Gama, 2014, p.19). Neurobiologicamente pode-se dizer que aprendizagem ocorre quando a uma ativação de uma área cortical determinada por um estímulo, provoca alterações em outras áreas, pois o cérebro não funciona com regiões 18 isoladas. Isto ocorre em virtude da existência de um grande número de vias de associações, precisamente organizadas, atuando nas duas direções. Estas vias podem ser muito curtas, ligado áreas vizinhas que trafegam de um lado para outro sem sair da substância cinzenta. Outras podem constituir feixes longos e trafegam pela substância branca para conectar a um giro a outro de um lobo a outro, dentro do mesmo hemisfério cerebral. São as conexões interhemisféricas. Existem feixes comissurais que conduzem atividade de um hemisfério para outro, sendo o corpo caloso o mais importante deles. (Relvas 2010) A aprendizagem e a memória são mediadas pelo fortalecimento ou enfraquecimento das sinapses, onde os sinais elétricos que duram menos de um centésimo de segundo lançam neurotransmissores que alteram os impulsos elétricos dos neurônios conectados. (Relvas 2009). A acetilcolina (ACh) é uma molécula simples sintetizada a partir de colina e acetil-CoA através da ação da colina acetiltransferase. Os neurônios que sintetizam e liberam ACh são chamados neurônios colinérgicos. Quando um potencial de ação alcança o botão terminal de um neurônio pré-sináptico, um canal de cálcio controlado pela voltagem é aberto. A entrada de íons cálcio, Ca2+, estimula a exocitose de vesículas pré-sinápticas que contém ACh, a qual é consequentemente liberada na fenda sináptica. Uma vez liberada, a ACh deve ser removida rapidamente para permitir que ocorra a repolarização; essa etapa, a hidrólise, é realizada pela enzima acetilcolinesterase. A acetilcolinesterase encontrada nas terminações nervosas está ancorada à membrana plasmática através de um glicolipídeo. A acetilcolina é um neurotransmissor que organiza o pensamento é excitatória e importantíssima para a aprendizagem. (Michael W. King, Ph.D, 2000). O glutamato é um tipo de neurotransmissor. Um aminoácido simples, e age como principal neurotransmissor excitatório no SNC. Ele desempenha um papel importante na transmissão rápida (isto é, resposta rápida ao estímulo), cognição, memória, movimento e sensação. (SANOFI, 2007). 19 Os neurotransmissores clássicos são: acetilcolina, as catecolaminas (dopamina, adrenalina e noradrenalina) e, a artista principal, a serotonina. Os aminoácidos podem ser excitatórios, que aceleram determinadas funções do cérebro (o maior exemplo é o glutamato), ou os que fazem o contrário, os inibitórios, como o GABA (ácido gama amino butírico), que diminuem a atividade de alguns sistemas. É ideal que ocorra um equilíbrio entre os aminoácidos, principalmente entre o GABA e o glutamato, para que haja um correto grau de excitabilidade, de disparo dos neurônios, para não disparar demais nem de menos. (DR. MARIO PERES, 2009). Tudo isso é feito por meio de circuitos nervosos, constituídos por dezenas de bilhões de células, que chamamos neurônios. Esses neurônios vão realizar sinapse devido ao estímulo, que por sua vez é sensorial, explica Relvas, 2009. É por meio dos sentidos que as informações serão conduzidas para vias específicas e processadas pelo cérebro. Segundo Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011: Os nossos sentidos se desenvolveram para que pudéssemos captar a energia presente no ambiente, embora saibamos que, das muitas formas de energia que nos rodeiam, somos sensíveis a apenas algumas, para quais possuímos os receptores específicos. Tomemos como exemplo a visão, que, dentre os nossos sentidos costuma ser o mais importante. A luz é uma forma de energia eletromagnética, encontrada em uma ampla faixa de frequências. Contudo, somos capazes de ver apenas uma pequena fração dessa frequência. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, p17). Para cada sentido existe um receptor distinto que transmite a informação por meio de mensageiros químicos para outra célula até consolidar a informação no órgão alvo, geralmente é o córtex o responsável pelo seu processamento da informação. Dessa forma a conexão entre o meio ambiente 20 e o ser humano é realizada através do sistema sensorial. De acordo com Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011. Porém o cérebro recebe informações viscerais (dentro do corpo) geradas pelo sistema periférico autônomo, como exemplo a alteração nos batimentos cardíacos. Grande parte dos processos que ocorrem no cérebro é inconsciente, mesmo quando dependem da atuação do córtex cerebral, até mesmo a aprendizagem pode ocorre de forma inconsciente. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). O sistema endócrino é fundamental na aprendizagem. O sistema endócrino é o conjunto de glândulas responsáveis pela produção dos hormônios que são lançados no sangue e percorrem o corpo até chegar aos órgãos-alvo sobre os quais atuam. Junto com o sistema nervoso, o sistema endócrino coordena todas as funções do nosso corpo. O hipotálamo faz a integração entre esses dois sistemas. (Apostila de Anatomia e Fisiologia Humana, Raphael Garcia p. 1). O hipotálamo produz o hormônio e a hipófise que secreta, pode ser considerada a “glândula-mestre” do nosso corpo. Ela secreta e produz vários hormônios e muitos deles estimulam o funcionamento de outras glândulas, com a tireoide, as suprarrenais e as glândulas-sexuais (ovários e testículos). O hormônio do crescimento é um dos hormônios produzidos pela hipófise. O funcionamento do corpo depende do equilíbrio hormonal. O excesso, por exemplo, de produção do hormônio de crescimento causa uma doença chamada gigantismo (crescimento exagerado) e a falta dele provoca o nanismo, ou seja, a falta de crescimento do corpo. (Apostila de Anatomia e Fisiologia Humana, Raphael Garcia p. 3). Segundo a revista Vila Mulher escrito por Kelly Jamal, estudos recentes mostraram que crianças sob o efeito do cortisol, hormônio do estresse, ficam com a memória e o aprendizado prejudicados. Já com a dopamina (neurotransmissor) deixa a criança com a atenção ativada. Logo, sua capacidade de aprender é muito maior, já que a satisfação de ganhar e vivenciar algo novo libera o hormônio de felicidade no organismo. 21 O que isso significa? Pois bem, isso impacta em como as crianças encaram suas vidas escolares. Muitas veem as matérias e a forma de ensino como uma grande máquina complexa, em que o único meio de se livrar dela é decorando e não aprendendo. Por isso, a maioria quando acaba o ano escolar, mal se lembra do que aprendeu durante o ano letivo. Conforme Relvas, Marta Pires, 2009, diz que: Quando assiste à aula, o educando recebe informações de todo o tipo, tanto visuais como auditivas. Elas se transformam em estímulos para o cérebro e circulam no córtex cerebral antes de serem arquivadas ou descartadas. Sempre que encontram um arquivo já formado (conhecimento prévio), arrumam um “gancho” para o seu armazenamento, fazendo com que no futuro, elas sejam resgatadas facilmente. Se o educando não aprende um conteúdo é porque não encontrou nenhuma referência nos arquivos já formados para abrigar a nova informação e, com isso, a aprendizagem não ocorreu. (Relvas, Marta Pires, 2009, p.66) A aprendizagem é um fenômeno complexo, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicológicos, sociais e culturais. O ser humano aprende à medida que interage com o meio ou com o outro. Estímulos são necessários para que o ocorra o “gatilho” a motivação a aprender. Esse processo de motivação se dá no interior do sujeito. Quando o indivíduo aprende o seu comportamento é modificado. (Relvas 2009). Estudos na área neurocientífica, centrados no manejo do aluno em sala de aula, vem nos esclarecer que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de forma inter-relacionada. Assim, podemos entender, por exemplo, como é valioso aliar a música e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade de se trabalhar simultaneamente mais de um sistema: o auditivo, o visual e até mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações. Os games (adorados pelas crianças e adolescentes), ainda em discussão no âmbito acadêmico, são fantásticos na sua forma de manter nossos alunos plugados e podem ser mais uma 22 ferramenta facilitadora, pois possibilita estimular o raciocínio lógico, a atenção, a concentração, os conceitos matemáticos e através de cruzadinhas e caçapalavras interativos, desenvolver a ortografia de forma desafiadora e prazerosa para os alunos. (Vera Lucia Mietto, 2009). Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que 'facilite' esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Quando ciente da modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador no processo de aprendizagem). Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontecem mais facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais facilidade. (Vera Lucia Mietto, 2009). O aprendizado e a memória são propriedades básicas do sistema nervoso; não existe atividade nervosa que não inclua ou não seja afetada de alguma forma pelo aprendizado e pela memória. Aprendemos a caminhar, pensar, amar, imaginar, criar, fazer atos-motores ou ideativos simples e complexos, etc.; e nossa vida depende de que nos lembremos de tudo isso. PAVLOV (1960) citado por Ivan Izquierdo (1985) e seus seguidores denominaram ao aprendizado e à memória "atividade nervosa superior". Desde um ponto de vista prático, a memória dos homens e dos animais é o armazenamento e evocação de informação adquirida através de experiências; a aquisição de memórias denomina-se aprendizado. As experiências são aqueles pontos intangíveis que chamamos presente. Não há memória sem aprendizado, nem há aprendizado sem experiências. Aristóteles já disse, 2.000 anos atrás: "Nada há no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos". (MARSHALL, 1988, p. 378, citado por Ivan Izquierdo, 1985). 23 O que torna o cérebro humano diferente é a história que cada um constrói, pois a partir da interação com o outro e com o meio ocorrem conexões sinápticas e este cérebro pode sempre aprender, reorganizar, desfazer, reaprender, dependerá dos estímulos trazidos ao seu convívio e a estratégia abordada para seduzir o educando. Portanto a forma como se transmite uma informação é a chave do cérebro. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Atualmente, a escola requer uma pedagogia que não vise essencialmente transmitir conteúdos intelectuais, mas, sim, descobrir processos capazes de suprir as dificuldades existentes às áreas ligadas à aprendizagem. Diante de tal realidade, buscou-se no desenvolvimento da neurociência o intuito de incluir estes saberes com um aprender mais abrangente, contínuo e dinâmico, compreensivo e instigante para quem ensina e para quem aprende, de acordo com a Revista FGR, Leonor Bezerra Guerra, p. 6 e 7, 2010. 1.2 A Plasticidade Cerebral Conforme Relvas, 2009, quantidade de neurônios e as conexões entre eles (sinapses) mudam dependendo das experiências pelas quais se passa. O cérebro é adaptável e moldável a novas situações, a cada experiência existe uma nova conexão, então surgem novas sinapses neurais. A Plasticidade cerebral é a denominação das capacidades adaptativas do SNC. Sua habilidade para modificar sua organização estrutural própria e funcionamento. É a propriedade do sistema nervoso que permite o desenvolvimento de alterações estruturais em resposta à experiência, e como adaptação a condições mutantes e a estímulos repetidos. Segundo Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011: No processo de construção do cérebro, na verdade são formados neurônios em um número muito maior do que o necessário para o seu funcionamento. Muitas células são descartadas ao final, ou porque não se localizaram no lugar 24 certo, ou porque não conseguiram formar as ligações necessárias, ou ainda porque as ligações formadas não eram corretas ou não se tornaram funcionais... Pelas mesmas razões que acabamos de mencionar, muitas sinapses formadas inicialmente irão desaparecer, por um processo de retração axonal, ou de “desbastamento” sináptico. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, p.31). As primeiras fases do desenvolvimento do sistema nervoso são fundamentais, depois de estabelecida, cada parte desempenhará a sua função. Caso ocorra alguma disfunção nesta divisão do sistema nervoso, a criança poderá ter distúrbios ou incapacidade por toda a vida. Demasiadamente o processo de embriogênese é importantíssimo para o bom funcionamento do sistema nervoso. O sistema nervoso é extremamente plástico nos primeiros anos de vida e esse período se estende até a adolescência. O cérebro adulto não tem a mesma facilidade de promover grandes modificações. Porém o cérebro se modifica durante toda a vida. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Os ambientes escolares devem ser desafiadores e relevar a importância do cérebro como uma reconfiguração de estímulos. Os neurônios desenvolvem brotamentos axonais, promovendo um aumento na habilidade funcional e um aumento aparente na força por intermédio do aprendizado. A prática de jogos desafiadores em sala de aula como: xadrez, dama, conta, leitura, caça palavras, jogo da memória, exercícios físicos fazem com que o sangue circule e leve mais oxigênio para as áreas menos irrigadas do cérebro aumentando a quantidade de conexões neurais, assim levando a melhora nas habilidades e no desenvolvimento cognitivo. (Relvas 2009). Neuroplasticidade após lesão cerebral. Dá-se a partir da autocorreção nos tecidos que permanecem intactos após uma lesão no cérebro. A reabilitação do cérebro lesado pode promover reconexão de circuitos neuronais lesados. (Relvas 2010). 25 As pesquisas em plasticidade neural, segundo os critérios propostos por Kolb & Whishaw (1989), enquadram-se em três categorias gerais: (a) metabólicas: que analisam alterações da atividade metabólica em áreas corticais e subcorticais, tanto no mesmo hemisfério em que se localizam as lesões (ipsilaterais) quanto no hemisfério oposto (contralaterais); (b) neuroquímicas: que focalizam as alterações funcionais nas sinapses, investigando processos/mecanismos que aumentam a síntese de neurotransmissores, a liberação de neurotransmissores ou a potencialização das respostas pós-sinápticas, em decorrência de situações estimuladoras, de aprendizagem ou de lesões e (c) morfológicas: que caracterizam e enfatizam as modificações na estrutura das sinapses e neurônios, tais como a regeneração e ramificação de axônios, aumento do tamanho de corpos celulares, do número de dendritos, do número de neurônios e de sinapses. Essas categorias não são exclusivas e podem ser combinadas em um mesmo estudo. (E. A. M. Ferrari & cols, 2001, p. 189). Nesse sentido, há cinco tipos de neuroplasticidade: a plasticidade axônica, dendrítica, somática, sináptica e a regeneração. Entre 0 aos 2 aos ocorre a plasticidade axônica, período de maior neuroplasticidade, ideal para os pais oferecem os mais variados estímulos as crianças. Outro bom exemplo desta plasticidade é a Síndrome do Membro Fantasma, condição nas quais pacientes com membros amputados ainda experimentam sensações provenientes das partes amputadas. Na plasticidade dendrítica pode-se ter alterações no número, no comprimento, na disposição espacial e na densidade das espinhas dendríticas; ocorre principalmente nas fases iniciais do desenvolvimento. Em relação a plasticidade somática, pode-se entender como a possibilidade de alteração da capacidade proliferativa ou da morte, em uma "população" de neurônios, em resposta a inferências exteriores. (Francisco Teles de Macedo Filho, 2012). Hoje sabe-se que há regiões no sistema nervoso central do adulto (áreas em torno dos ventrículos laterais, áreas subventriculares) que mantém a capacidade de proliferar e substituir neurônios que morrem. São as chamadas "células-tronco", capazes de se diferenciar em diferentes tipos celulares, tanto 26 em células da glia como neurônios. A plasticidade sináptica está relacionada com a diminuição ou aumento a eficácia das conexões. Pode explicar certos tipos de aprendizagem e memória através dos processos de habituação, sensibilização e condicionamento clássico. A plasticidade sináptica consiste na capacidade de rearranjo por parte das redes neuronais. Ou seja, perante cada experiência nova do indivíduo, as sinapses são reforçadas, permitindo a aquisição de novas respostas ao meio ambiente. Esta plasticidade dispara um mecanismo pelo qual o cérebro se remodela para aprender a sentir-se melhor, ou pode ser induzido a se autorreparação quando estimulado. (Francisco Teles de Macedo Filho, 2012) Por isso, a plasticidade sináptica constitui um dos mecanismos mais importantes da plasticidade cerebral, permitindo igualmente que uma lesão ao nível da transmissão de informação neuronal seja recuperada através da criação de outras redes neuronais que possam substituir os danos causados pela lesão. (Relvas, 2010). Neurogênese: dá-se a partir do nascimento de novos neurônios no cérebro, explica Relvas, 2010. Segundo Gazzaniga e Heatherton, 2005, a plasticidade é a base da aprendizagem, ela se estenderá por toda a vida de acordo com os estímulos que serão recebidos ocorrerá uma resposta, uma conexão sináptica estabelecendo um circuito bioquímico que acarretará no aprendizado e com isso na mudança de comportamento. 1.3 Memória A aprendizagem é a modificação do comportamento, como resultado da experiência ou aquisição de novos conhecimentos acerca dos meios, e a memória é a retenção deste conhecimento por um tempo determinado. Segundo Gazzaniga e Heatherton (2005, p. 217), memória é: “A capacidade do sistema nervoso de adquirir e reter habilidades e conhecimentos utilizáveis, o que permite 27 aos organismos vivos beneficiar-se da experiência”. Os autores sugerem um modelo modal de memória, que é definido como o “sistema de memória de três estágios, que envolve a memória sensorial, memória de curto prazo e memória de longo prazo” (Gazzaniga; Heatherton, 2005, p. 217). A memória é um fenômeno biológico e psicológico envolvendo uma aliança de sistemas cerebrais que funcionam juntos. Ela não está localizada em uma estrutura isolada, conforme Relvas, 2009. O que é armazenado no cérebro são os traços das informações, a memória é uma reconstrução a partir dos traços que foram armazenados. O ser humano reconstrói da melhor forma possível que dificilmente refere-se ao que de fato aconteceu. “Formamos novas memórias sobre outras mais antigas, eventualmente modificando-as e inventando mentiras verídicas”, explica Izquierdo. Pode-se dizer que as memórias não são amostras fiéis de fatos reais, mas construções que são modificadas conforme o contexto em que são recuperadas e em meio a um intendo trânsito de sinapses. (Relvas, 2009). O processo de memorização é complexo, envolvendo sofisticadas reações químicas e circuitos interligados de neurônios. (Renata Milazzotti, 2011). A formação da memória possui três processos: aquisição, que se trata do momento em que se está aprendendo algo, consolidação que é quando as novas informações estão sendo armazenadas na memória e evocação ou lembrança que é o momento em que essas lembranças são trazidas à tona. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Todo processo da formação da memória não está localizado em uma estrutura isolada do cérebro, ele se dá a partir de ligações de sistemas cerebrais que funcionam juntos. (Relvas 2009). A começar pelo processo de transmissão de informações entre os neurotransmissores ou hormônios que agem nas sinapses. Eles aumentam a comunicação entre as células que depois de estimuladas provocam o 28 desencadeamento de uma cascata de reações químicas. (Renata Milazzotti, 2011). Os neurotransmissores ativam enzimas, que são proteínas que aceleram as reações químicas. Essas enzimas entram no núcleo da célula, ativam os genes e sintetizam as proteínas. As proteínas estão envolvidas no processo de formação da memória e também na hora em que elas as capturam como lembranças para serem armazenadas. (Scientific American Brasil - por Ivan Izquierdo), A complexina é uma das proteínas produzidas pelo cérebro que tendo bloqueada a sua função pode ajudar no surgimento de diversas doenças neuropsiquiátricas. esquizofrênicos apresentam Estudos quantidade comprovam que excepcionalmente pacientes pequena de complexina no cérebro. Para ser construir uma memória passamos por um processo de assimilação. E é por meio desse processo que enviamos as informações para a memória de curta ou longa duração. Existem duas áreas do cérebro que são fundamentais para a memória. São elas o hipocampo, e o córtex cerebral. O hipocampo é uma das áreas mais curiosas da neurologia, por estar envolvida nas respostas comportamentais baseadas na emoção e no instinto, para além de ser uma das mais antigas em termos evolutivos O hipocampo ajuda a selecionar onde os aspectos importantes para fatos, eventos serão armazenados e está envolvido também com o reconhecimento de uma organização funcional. È ele que filtra os dados, usa e joga fora informações de curto prazo e se encarrega de enviar outras para diferentes partes do córtex cerebral. Essas informações se envolvem em uma verdadeira “sopa química” que passa a provocar conexões entre neurônios. Nesta fase, o hipocampo, descansa e quem a trabalhar é o lobo frontal, nesta área as diferentes memória se completam dando origem ao raciocínio. Quando queremos uma informação guardada no córtex é o lobo frontal que acessamos. O córtex cerebral, uma camada com cerca de três milímetros de espessura que envolve o cérebro, é responsável por funções próprias da espécie humana, como a aprendizagem e raciocínio. O nosso córtex envia ao hipocampo as informações ou experiências vividas, para depois o hipocampo as devolver ao córtex já processadas, (Relvas, 2010). Sabe-se também que as memórias de curto prazo, as que 29 armazenamos por menos tempo, ficam retidas no hipocampo. Os cientistas da área da neurociência já sabiam que existiam duas vias de comunicação entre o hipocampo e o córtex, a chamada via trissináptica e a via temporoamónica. (Armando Miguel Caseiro Pires, 2004). O hipocampo e estruturas circundantes no córtex temporal medial são necessários para a formação, consolidação e evocação de memórias episódicas (Eichenbaum 2000; Morris et al. 1982; Zola-Morgan and Squire 1986; Zola-Morgan et al. 1986). A informação penetra no hipocampo através de duas vias principais, vindas do córtex entorrinal. O influxo cortical mais bem caracterizado no hipocampo tem por base a via trissináptica: axónios da camada II do córtex entorrinal entram nesta formação como parte da via perfurante e a informação por eles transmitida é processada sequencialmente nas áreas "CA" do hipocampo (CA3-CA1), para retornar ao córtex sob a forma de trens de potenciais de ação das células piramidais da área CA1 (Amaral and Witter 1989; Witter et al. 1989). Menos conhecida, a via temporoamónica (TA) compreende os axónios provenientes da camada III do córtex entorrinal, que estabelecem diretamente sinapses nas dendrites apicais da área CA1 - stratum lacunosum moleculare (Cajal 1968; Steward and Scoville 1976; Witter et al. 1989). O modelo celular geralmente aceito para a formação de memórias é a plasticidade de longo termo – potenciação (LTP) e depressão (LTD). Estes fenómenos caracterizam-se por uma alteração persistente da transmissão sináptica, em resposta a variados protocolos de estimulação. De acordo com Armando Miguel Caseiro Pires, 2004. Quando os neurônios são ativados, liberam neutransmissores que atingem outras células nervosas por meio de sinapses, essa substâncias são responsáveis por ampliar a comunicação entre as células, uma vez que permitem a ligação de receptores na membrana da célula, que é assim estimulada provocando o desencadeamento de uma cascata de reações químicas. Entre muitas reações, os neurotransmissores costumam ativas as enzimas( proteínas que aceleram reações químicas), que entram no núcleo da célula, ativando genes que , então, sintetizam proteínas. Essas proteínas estão envolvidas não apenas na formação inicial de memória, mas também no 30 momento de recrutá-las como lembranças para então serem armazenadas. (Scientific American Brasil - por Ivan Izquierdo) Quanto mais conexões, mais sinapses e mais memória. E quanto mais memória mais aprendizado, segundo Relvas, 2009. Os fatos antigos naturalmente têm mais tempo de se fixar em nosso lobo frontal e é daí sua melhor fixação, o que não ocorre com fatos recentes, que tem pouco tempo para se fixarem e ainda podem ter sua capacidade de fixação alterada por razões relacionadas a variações de estado emocional ou problemas de ordem física. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). . Existem alguns fatores que podem causar a perda da memória. Segundo Relvas ,2009: "A perda da memória pode estar associada a determinadas doenças neurológicas, a distúrbios psicológicos, a problemas metabólicos e também, a certas intoxicações."( Relvas, 2009 p. 63) Estados psicológicos alterados como estresse, ansiedade e depressão, a falta da vitamina B1, o alcoolismo, doenças da tireoide, o uso de calmantes e tranquilizantes por tempo prolongado, a vida sedentária com excesso de preocupações e insatisfações, uma dieta desequilibrada são alguns desses fatores que podem afetar total ou parcial perda da memória, O esquecimento comum ocorrido no dia a dia acontece para podermos ativar a memória, pois nosso cérebro tem certa capacidade, para guardar informações. (Renata Milazzotti, 2011). Apoptose é um tipo de morte celular programada, processo necessário para a manutenção do desenvolvimento dos seres vivos, pois está relacionada com a manutenção da homeostase e com a regulação fisiológica do tamanho dos tecidos e também, quando há estímulos patológicos. Neste sentido, esquecer é primordial, é parte do processo de aprender, (Relvas, 2010). Não existe nenhuma área cerebral individual dedicada a armazenar toda a informação que aprendemos. A memória de trabalho (presente na memória de curta duração) armazena no cérebro informação consciente por 31 um curto período de tempo. O armazenamento passivo de maior quantidade de informação é designado memória de longa duração. Há dois grandes grupos de memória que se podem subdividir. Um é o da memória de procedimentos, de atos motores o de concatenações de atos motores, como por exemplo, saber escrever à máquina, saber nadar, esse tipo de coisas. Essa memória tem uma localização cortical em parte, pelo menos inicialmente, mas depois envolve os gânglios basais e o cerebelo. É a chamada memória procedural. A outra é a memória declarativa, que é o que todos chamam comumente de memória. É a memória de fatos, de eventos, de sequências de fatos e eventos, de pessoas, de faces, de conceitos, de ideias, etc. (Entrevista de Ivan Izquierdo por Ignacio Brusco, Diego Golombek, Sergio Strejilevich). A memória declarativa (também chamada explícita) armazena e evoca informação de fatos e de dados levados ao nosso conhecimento através dos sentidos e de processos internos do cérebro, como associação de dados, dedução e criação de ideias. Esse tipo de memória é levado ao nível consciente através de proposições verbais, imagens, sons etc. Episódica: a memória declarativa inclui a memória de fatos vivenciados pela pessoa (memória episódica).Semântica: de informações adquiridas pela transmissão do saber de forma escrita, visual e sonora (memória semântica). As memórias declarativas se formam em primeiro lugar em uma região do lobo temporal, o hipocampo, que tem muitas fibras de conexão com o córtex entorrinal, que está localizada logo abaixo dele (Terezinha augusta pereira de carvalho,damaris flor, 2012) Conhecemos até certo ponto a natureza dessa conexão, ou seja, a informação que irá converter-se eventualmente em memórias no hipocampo entra pelo córtex entorrinal, que recebe fibras de todas as vias sensoriais, de praticamente todo o córtex. (Entrevista de Ivan Izquierdo por Ignacio Brusco, Diego Golombek, Sergio Strejilevich). Quando a memória é de tipo aversivo, ou envolve emoções, um grau de alerta muito grande, ou algum grau de estresse, entram em jogo duas estruturas cerebrais adicionais: a amígdala, que está no próprio lobo temporal, perto do hipocampo, e que tem conexões bidirecionais com o mesmo; e talvez, no homem pelo menos, a região corticomedial do córtex pré-frontal, que 32 possivelmente supre ou complementa as funções da amígdala. O hipocampo efetua uma série de processos bioquímicos que eventualmente servem para fortalecer suas conexões com outras estruturas. Isto é feito através do subiculum-córtex entorrinal. Dependendo do tipo de memória, a via envolverá, mais tarde, o córtex parietal associativo. Isso está bem demostrado e há boa evidência para estabelecer que noutros tipos de memória possa chegar a intervir os córtices associativos frontal, occipital e temporal. (Entrevista de Ivan Izquierdo por Ignacio Brusco, Diego Golombek, Sergio Strejilevich). Memória Não declarativa (implícita) é procedural ou de procedimentos. A memória de procedimento armazena dados relacionados à aquisição de habilidades mediante a repetição de uma atividade que segue sempre o mesmo padrão. Nela se incluem todas as habilidades motoras, sensitivas e intelectuais, bem como toda forma de condicionamento. A capacidade assim adquirida não depende da consciência. Somos capazes de executar tarefas, por vezes complexas, com nosso pensamento voltado para algo completamente diferente. Por exemplo, aprender a andar de bicicleta ou tocar um instrumento musical é um conhecimento de procedimento que depende do aprendizado de habilidades motoras especificas e normalmente requerem múltiplas repetições. (Sheilla Carvalho e Ana Lúcia Hennemann, 2014). A memória Priming - Considera-se que a memória pode ser evocada por meio de "dicas" (fragmentos de uma imagem, a primeira palavra de uma poesia, certos gestos, odores ou sons). (Sheilla Carvalho e Ana Lúcia Hennemann, 2014). A memória Associativa. Emprega-se a memória associativa, por exemplo, quando começa a salivar pelo simples fato de olhar para um alimento apetitoso, por ter, em algum momento da vida associado seu aspecto ou cheiro à alimentação. (Sheilla Carvalho e Ana Lúcia Hennemann, 2014) . Memória não associativa, por outro lado, usa-se a memória não associativa quando, sem se dar conta, aprende-se que um estímulo repetitivo, por exemplo, o latido de um cãozinho, não traz riscos, o que faz relaxar e ignorá-lo. (Sheilla Carvalho e Ana Lúcia Hennemann, 2014). 33 Para uma informação se fixar de forma definitiva é importante alguns processos como: repetição, elaboração e consolidação. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Como exemplo: Imagina-se que alguém conheça apenas um cachorro de cor é preta, ao se deparar com um cachorro de cor branca, essa informação vai ser associada a um registro já existente, acrescentando algo novo. Podem ser acrescentadas outras informações provenientes ao cachorro, como: o cachorro é um animal vertebrado, o cachorro é um mamífero, possui pelos, é quadrúpede, emite um som chamado latido. Todas essas informações estarão ligadas agora em uma rede de informações no cérebro, relacionada ao conceito “cachorro”. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Quanto mais ligações forem estabelecidas para se lembrar de algo, mais facilmente este será memorizado, pois mais vias neurais estarão envolvidas neste processo. O armazenamento será determinado pelos processos de repetição e elaboração realizados no cérebro. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011).. Na consolidação correm alterações biológica, provocadas pelas proteínas e outras substâncias que são utilizadas para o fortalecimento ou a construção de sinapses. Esta consolidação demora algum tempo, mas depois serão menos vulneráveis ao desparecimento, diferentemente das lembranças recentes. (Ivan Izquerdo Memória, 1985) O sono é fundamental para a consolidação da memória é durante ele que os mecanismos eletrofisiológicos e moleculares envolvidos na formação das sinapses mais estáveis estão em funcionamento. É preciso estar acordado e atento para registrar uma informação nova. Mas as mudanças nos circuitos cerebrais que vão fixá-la e permitir que sejam recordados tempos depois só ocorrem mais tarde, enquanto se dorme mais especificamente no sono REM ou Rapid Eye Movement ("movimento rápido dos olhos"). (Felipe Maeda Camargo, 2010). Em relação à memória declarativa e não declarativa é que a segunda não é consolidada no hipocampo e no lobo temporal medial, pois os pacientes com lesões nessas áreas são capazes de aprender novos procedimentos procedural. Pesquisas revelam que este tipo de memória é 34 coordenado no cérebro pelo corpo estriado, núcleos basais, uma parte dos agrupamentos de neurônios situados profundamente nos hemisférios cerebrais e que estão envolvidos também na regulação da motricidade. ( VIII Curso de Inverno, IIton santos da silva,2011, p.43. O estudo de caso do paciente H.M (Henri Molaison), muito contribuiu para o desenvolvimento dessa área, relacionada a memória. Esse paciente sofria de epilepsia intratável (na ocasião); o foco epiléptico situava-se no lobo temporal medial, bilateralmente. Então, na tentativa de ajudar o paciente, removeu-se essa estrutura cirurgicamente; isso resultou na remoção dos 2/3 anteriores do hipocampo e da amígdala, além de outras porções corticais (Scoville e Milner, 1957) H.M. foi curado da epilepsia; porém, exibiu uma perda de memória. A amnésia de H.M. era anterógrada (o paciente era incapaz de formar novas memórias), porém eventos passados a muito tempo, o paciente conseguia ser lembrar, de acordo com Pavão Rodrigo, 2008. Explica Revisa Piauí, 2009, graças ao estudo do caso H.M. Foi descoberto que o hipocampo região envolvida na formação e armazenamento da memória, localizado no interior do cérebro é responsável por codificar conscientemente lembranças relacionadas a pessoas, objetos e espaço. Como associar o nome de uma pessoa a um rosto, por exemplo, ou lembrar-se de uma rua frequentada dias antes. As lembranças mais duradouras, por sua vez, são transferidas e armazenadas na camada mais exterior do cérebro, o córtex cerebral, densamente empacotado por um corpo celular de neurônios. Isso explica como H.M. conseguia recordar seu passado antigo, apesar de ter tido os hipocampos retirados cirurgicamente. Ele também conseguia memorizar uma sequência de múltiplos números por curtíssimo tempo, o que requer a atividade de outra região do cérebro, o córtex pré-frontal. Ao realizar tarefas motoras aprendidas que se tornaram “automáticas”, e não exigia atenção consciente, como andar de bicicleta, H.M. revelava que seu cerebelo também não tinha sido afetado. No caso do paciente, sua memória inconsciente foi preservada. (Revisa Piauí, 2009). A evolução de sua coordenação motora nos testes revelou-se crucial para demonstrar que áreas distintas do cérebro correspondem ao comando de 35 atividades diferentes. Em um dos exercícios, a Dra. Milner aplicou-lhe a tarefa de copiar, durante vários dias, a imagem reflexa de uma estrela. A cada vez, H.M. jurava que jamais havia visto aquela estrela antes. No entanto, seus desenhos provavam o contrário, progredindo dia após dia, no mesmo ritmo de uma pessoa normal. Segundo Gazzaniga e Heatherton, 2005. “Aprendizagem é a mudança relativamente duradoura de comportamento resultante de experiência. Ela ocorre quando os organismos se beneficiam da experiência para que seus futuros comportamentos sejam mais adaptados ao ambiente” (Gazzaniga e Heatherton, 2005, pg185). A memória é filha da prática, como provavelmente todas as funções que envolvem sinapses, (entrevista de Ivan Izquierdo por Ignacio Brusco, Diego Golombek, Sergio Strejilevich). Albert Einstein diz que: “A mente que se abre para uma nova ideia, jamais voltará a seu tamanho original”. 36 CAPÍTULO II A emoção exerce influência nos processos de raciocínio “A emoção sempre considerada irracional, na verdade, é o produto da lógica do mesmo cérebro que pensa racionalmente.” (Marta Relvas). As relações do homem com o ambiente dependem de uma interligação entre o cérebro e corpo. Segundo, Relvas, 2009. Assim, quando se ouve uma música, assiste-se a um filme, saboreia-se uma sobremesa, o corpo e o cérebro se interagem com o ambiente (...). Em conclusão, as representações que o nosso cérebro cria para descrever uma situação e os movimentos formulados como resposta a essa depende de interações mútuas entre o cérebro e o corpo. (Relvas, 2009, p. 111). Segundo Relva, 2009, o aprendizado está associado à emoção. Sua ligação é extrema e ambas tem sua estrutura fisiológica no sistema nervoso. As relações entre emoção e fatores cognitivos mostram o quanto são complexos os sistemas neurobiológicos responsáveis pelas diferentes dimensões da memória. Toda emoção exerce influência na forma de raciocínio implicando assim no aprendizado, ou seja, na área educacional. Em 1937, o neuroanatomista James Papez demonstraria que a emoção não é função de centros cerebrais específicos e sim de um circuito, envolvendo quatro estruturas básicas, interconectadas por feixes nervosos: o hipotálamo com seus corpos mamilares, o núcleo anterior do tálamo, o giro cingulado e o hipocampo. Este circuito, o circuito de Papez, atuando harmonicamente, é responsável pelo mecanismo de elaboração das funções centrais das emoções (afetos), bem como de suas expressões periféricas (sintomas). Mais recentemente, Paul MacLean, aceitando, em sua essência, a proposta de Papez, criou a denominação sistema límbico e acrescentou novas 37 estruturas ao sistema: as córtices órbito-frontal e médio frontal (área préfrontal), o giro para-hipocampal, e importantes grupamentos subcorticais: amigdala, núcleo mediano do tálamo, área septal, núcleos basais do prosencéfalo (região mais anterior do cérebro), e formações do tronco cerebral. Conforme Relvas, 2009, as estruturas responsáveis pela emoção se inter-relacionam, nenhumas delas agem independentemente. Entretanto existe mais contribuição de uma estrutura em determinada emoção. Amigdala pequena estrutura em forma de amêndoa, situada dentro da região do lobo temporal, se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorso-medial do tálamo. Essas conexões garantem seu importante desempenho na mediação e controle das atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade. A amigdala é fundamental para a autopreservação, por ser o centro identificador do perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, aprontando-se para se evadir ou lutar. A destruição experimental das amigdalas (são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil, sexualmente indiscriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco. O estímulo elétrico dessas estruturas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos, a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como à visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo, mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão. (Júlio Rocha do Amaral, MD & Jorge Martins de Oliveira, MD, PhD, 1998). As emoções intervêm diretamente nos mecanismos da memória, agindo na bioquímica cerebral, quanto indiretamente, as vias aferentes enviam informações para o cérebro. O hipocampo é um órgão pequeno situado dentro do lóbulo temporal central do cérebro e está particularmente envolvido com os fenômenos de memória, faz uma parte importante do sistema límbico, a região que regula 38 emoções. (Júlio Rocha do Amaral, MD & Jorge Martins de Oliveira, MD, PhD, 1998). O tálamo é uma das regiões do diencéfalo, um centro de organização cerebral, como uma encruzilhada de diversas vias neuronais em que podem influenciar-se mutuamente antes de serem redistribuídas. Suas principais funções são transmissão de impulsos sensitivos originários da medula espinhal, do cerebelo, do tronco encefálico e de outras regiões do cérebro até o córtex cerebral, desempenha um papel importante na cognição (obtenção de conhecimentos) e na consciência, ajuda na regulação das atividades autônomas. Lesões ou estimulações do núcleo dorsomedial e dos núcleos anteriores do tálamo já foram correlacionadas com alterações da reatividade emocional no homem e em animais. Ao que parece, entretanto, a importância destes núcleos na regulação do comportamento emocional decorre de suas conexões. O núcleo dorsomedial liga-se ao córtex da área pré-frontal ao hipotálamo e ao sistema límbico. Os núcleos anteriores ligam-se ao corpo mamilar e ao córtex do giro do cíngulo, fazendo parte de circuitos do sistema límbico. (Júlio Rocha do Amaral, MD & Jorge Martins de Oliveira, MD, PhD, 1998). A importância do Hipotálamo pode-se dizer, é inversamente proporcional ao seu tamanho. Ocupando menos de 1% do volume total do cérebro humano, o Hipotálamo contém muitos circuitos neuronais que regulam aquelas funções vitais que variam com os estados emocionais, como por exemplo, a temperatura, os batimentos cardíacos, a pressão sanguínea, a sensação de sede e de fome, etc. O Hipotálamo controla também todo sistema endócrino através de uma glândula localizada em seu assoalho, a Hipófise. Desse modo, o Hipotálamo é um dos grandes responsáveis pelo equilíbrio orgânico interno (a homeostasia). Segundo Professor Ângelo Machado, Neuroanatomia Funcional, no tronco encefálico estão localizados vários núcleos de nervos cranianos, viscerais ou somáticos, além de centros viscerais como o centro respiratório e o vasomotor. A ativação destas estruturas por impulsos nervosos de origem telencefálica ou diencefálica ocorre nos estados emocionais, resultando nas 39 diversas manifestações que acompanham a emoção, tais como o choro, as alterações fisionômicas, a sudorese, a salivação, o aumento do ritmo cardíaco, etc. Além disto, as diversas vias descendentes que atravessam ou se originam no tronco encefálico vão ativar os neurônios medulares, permitindo aquelas manifestações periféricas dos fenômenos emocionais que se fazem por nervos espinhais ou pelos sistemas simpático e parassimpático sacral. Deste modo, o papel do tronco encefálico é principalmente efetuador, agindo basicamente na expressão das emoções. Contudo, existem dados que sugerem que a substância cinzenta central do mesencéfalo e a formação reticular podem ter, também, um papel regulador de certas formas de comportamento agressivo. Nesta parte mesencefálica (superior) do tronco cerebral existe um grupo compacto de neurônios secretores de dopamina, área tegmental ventral, cujos axônios vão terminar no núcleo accumbens, (via dopaminérgica mesolímbica). A descarga espontânea ou a estimulação elétrica dos neurônios desta última região produzem sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo. Indivíduos que apresentam, por defeito genético, redução no número de receptores das células neurais dessa área, tornam-se incapazes de se sentirem recompensados pelas satisfações comuns da vida e buscam alternativas "prazeirosas" atípicas e nocivas como, por exemplo, alcoolismo, cocainomania, compulsividade por alimentos doces e pelo jogo desenfreado. A área pré-frontal se desenvolveu muito, durante a evolução dos mamíferos, sendo particularmente extensa no homem, ocupa cerca de 1/4 da superfície do córtex cerebral. Suas conexões são muito complexas. Não faz parte do circuito límbico tradicional. Através dos fascículos de associação do córtex ela recebe fibras de todas as demais áreas de associação do córtex, ligando-se ainda ao sistema límbico. Explicando assim o importante papel que desempenha na gênese e, especialmente, na expressão dos estados afetivos. Quando o cortex pré-frontal é lesado, o indivíduo perde o senso de suas responsabilidades sociais, bem como a capacidade de concentração e de abstração. Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue 40 resolver problemas, mesmo os mais elementares. Quando se praticava a lobotomia pré-frontal, para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em estado de "tamponamento afetivo", não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afetividade. (Professor Ângelo Machado, Neuroanatomia Funcional). 2.1. Razão e emoção no processo de ensino e aprendizagem Conforme Relvas 2009, o ser humano possui duas memórias, uma que se emociona, sente, comove... , outra que compreende, analisa, pondera, reflete...Trata-se de emoção e razão. As duas se articulam por meio de um mecanismo dinâmico, uma impulsionando a outra com rapidez nas tomadas de decisões. De acordo com Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011. Acredita-se que os seres humanos deveriam controlar suas emoções para que a razão prevaleça. Mas, as neurociências, têm mostrado que os processos cognitivos e emocionais estão profundamente entrelaçados no funcionamento do cérebro e têm tornado evidente que as emoções são importantes para que o comportamento mais adequado à sobrevivência seja selecionado em momentos importantes da vida dos indivíduos. A ausência das emoções nos tornaria como inexpressivos robôs androides, como se vê em muitas obras de ficção científica. E a vida perderia muito em colorido e sabor. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, p. 76). Afetividade, segundo Henri Wallon, é o termo utilizado para identificar um domínio funcional abrangente e se manifesta de diferentes formas: desde as primeiras, basicamente orgânicas, como as manifestações iniciais de tonalidades afetivas, até as mais elaboradas como as emoções, os sentimentos e as paixões. As emoções são as manifestações da afetividade e a expressão dos sentimentos. Têm caráter de visibilidade e é por meio delas que os educadores podem conseguir pistas do que está acontecendo com seus 41 alunos: respiração, agitação, expressões faciais, olhares etc. Sua grande função é mobilizar o outro e garantir atenção e cuidados. Para Wallon, a afetividade tem papel imprescindível no processo de desenvolvimento da personalidade e se constitui sob a alternância dos domínios funcionais: orgânico e social, que por sua vez é dependente da ação dentre eles. Estabelece uma relação recíproca que impede qualquer tipo de determinismo no desenvolvimento humano. À medida que a criança vai crescendo é transformada pelas circunstâncias sociais, causando uma evolução progressiva da afetividade. Segundo a teoria de Maslow, deve-se ficar atento aos sinais que são mostrados nas mudanças de comportamentos de interesse, de motivação e outros, pois certamente serão indicadores da existência de dificuldades ou problemas externos ao processo de aprendizagem, que estão determinando essa mudança comportamental. (Relvas,2010). “ A tarefa do professor é mostrar a frutinha. Comê-las diante dos olhos dos alunos. Provocar a fome, erotizar os olhos, fazêlos babar de desejo. Acordar a inteligência adormecida. Aí a cabeça fica grávida, engorda de ideias. E quando a cabeça engravida não há nada que segue o corpo”.(Rubem Alves). Se um estímulo importante com valor emocional positivo ou negativo é captado pelos canais sensoriais em suas vias aferentes, ele pode mobilizar a atenção e atingir as regiões corticais específicas, como a amígdala que interage também com córtex cerebral, permitindo que a emoção seja identificada, provocando alteração no estado de humor e consequentemente no comportamento. Segundo Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, um fato importante, revelado pelas pesquisas de um determinado estímulo que tenha valor emocional, pode afetar o cérebro de duas maneiras distintas. A primeira que é mais lenta segue vias sensórias até o cortéx cerebral, sendo a informação depois enviada amígdala. Nesse caso, pode ser dizer que o 42 cérebro primitivo identificar o estímulo e avalia o que é, e sua importância. Ao mesmo tempo, porém existe uma segunda via nervosa que, após seguir inicialmente as mesmas vias sensórias, segue direto à amígdala antes de chegar ao córtex cerebral. Nesse caso, as repostas emocionais periféricas são desencadeadas antes que o córtex cerebral tome conhecimento do estímulo. A origem das emoções pode ser confundia pelo córtex ao receber as repostas desencadeadas por determinado estímulo. Já que as emoções distintas podem ter as mesmas repostas periféricas. O coração acelera quando o ser humano está com raiva, mas também quando está alegre. Pode-se chorar por alegria ou por tristeza. É bom prestar atenção nas emoções, pois o autoconhecimento emocional é uma habilidade que pode ser aperfeiçoada. Wallon desenvolveu o estudo da criança contextualizada, ou seja, observou que os aspectos físicos do ambiente em que a criança foi criada, as pessoas mais próximas com suas peculiaridades, à linguagem estabelecida entre eles e mais os conhecimentos que circulam em meio a essa rede, formam o cenário de desenvolvimento. Afirma que o ser humano é uma síntese entre o ser orgânico e o ser social, todavia, o ser biológico vai aos poucos dando espaço ao ser social. A inserção cultural, portanto, é determinante para o pleno desenvolvimento da criança. O autor entende que os conflitos, que podem ser resultantes da relação da criança com seu ambiente ou da criança com seus centros nervosos, ainda não ajustados às relações com seu meio ambiente, são propulsores do desenvolvimento. O entendimento de que a pessoa se constrói progressivamente e em estados de alternância, ora mais emocionais e ora mais cognitivos, auxiliam-nos a avaliar de forma mais concreta o que está direcionamento, o acontecendo desenvolvimento com é determinada entendido criança. como Nesse descontínuo assistemático e como uma construção progressiva. ( Wallon). Dentro desse contexto, teórico de Wallon, a neurociência explica, que além da amígdala e do córtex, outras estruturas cerebrais têm participação mais importante. Dentre elas se destacam as que participam de um circuito dopaminérgico (que utiliza dopamina como neurotransmissor) que se origina em neurônios do mesencéfalo, uma região situada um pouco abaixo do cérebro. Esses 43 neurônios se comunicam com muitas outras estrutura, mas têm como um dos seus alvos principais uma região da base do cérebro que temo nome de núcleo acumbente, cujos neurônios, por sua vez, se conectam ao córtex pré –frontal. Esse circuito é importante na regulação dos processos motivacionais. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Ao decorrer do processo educacional aprende–se a controlar a emoção de forma aceitável socialmente. Entra em cena a área orbital frontal que é responsável pela interação entre os processos cognitivos e emocionais no cérebro. Ela atua analisando e integrando os avisos emocionais proenientes da amígdala ou outras informações vindas, por exemplo, das viceras, assim como os dados enviados por outras regiões corticais relacionados com experiências anteriores registradas na memória. Tudo isso gera um contexto que vai determinar que comportamentos podem ser desencadeados ou devem ser inibidos. A emoção, sem dúvida, é um fenômeno central da nossa existência e ela influência o aprendizado e a memória. Pois, sabe-se que a amígdala interage com o hipocampo e pode mesmo influenciar o processo de consolidação de memória. Portanto, uma pequena excitação pode ajudar no estabelecimento e conservação de uma lembrança. Contudo, é preciso lembrar que, as emoções podem ser prejudiciais, pois a ansiedade e o estresse prolongados têm efeito contrário na aprendizagem. A própria atenção pode ser prejudicada por eles, sendo que, em situações estressantes, os hormônios glicocorticoides secretados pela suprarrenal atuam no neurônio do hipocampo, chagando a destruí-los.(Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). Segundo Relvas, 2010, o hormônio do prazer, da felicidade e das emoções é a serotonina. Utilizando a razão e a emoção não há formulas mágicas para se obter um aprendizado eficiente. O importante é o educador conhecer a realidade dos estudantes, estar presente naquilo que os interessam, estimular os sonhos, fazer oque seus sonhos sejam metas, pois assim estará fazendo o principal papel de educador e não apenas o de transferir conteúdo. Mas educando emoções. 44 Por tudo isso, as emoções precisam ser consideradas nos processos educacionais. 2.2. Relação entre o cérebro masculino e feminino na aprendizagem. “Amor é capacidade de reconhecer como semelhante aquele em quem as diferenças nos incomodam e também encantam” Teodor W. Adorno (1903-1969). A ciência explica essas diferenças de forma muito interessante. Além da influência ambiental e cultural (em que meninos são estimulados a determinados comportamentos e meninas a outros), existe a herança biológica que acompanha a evolução da nossa espécie. Esse fator explica muitas das diferenças no funcionamento cerebral de homens e mulheres, constatadas através de equipamentos de mapeamento computadorizado. “Em épocas muito antigas, cada sexo tinha um papel muito definido que ajudava a assegurar a sobrevivência da espécie. Os homens da caverna caçavam. As mulheres da caverna recolhiam comida perto de casa e cuidavam das crianças. As áreas do cérebro podem ter sido desenvolvidas para permitir que cada sexo realizasse suas tarefas”. (Relvas). As relações sociais e culturas dos primatas podem ter influenciado no desenvolvimento de áreas cerebrais assim como a alimentação. Os aspectos alimentares influenciaram fortemente nossos ancestrais hominídeos tanto no aspecto físico, como no social. A expansão do nosso cérebro (três vezes maior que o esperado para outros primatas), por exemplo, quase que certamente não teria ocorrido se os hominídeos não tivessem adotado uma dieta suficientemente rica em calorias e nutrientes. Através de uma escala evolutiva do homem chega-se ao homo sapiens moderno com suas habilidades e competências. 45 Meninos e meninas são diferentes neurobiologicamente. Os hemisférios direito e esquerdo dos cérebros masculinos e femininos não são configurados exatamente da mesma maneira. Por exemplo, as mulheres tendem a ter centros verbais em ambos os lados do cérebro, enquanto os homens tendem a ter centros verbais apenas no hemisfério esquerdo. Esta é uma diferença significativa. As meninas tendem a usar mais palavras quando discutem ou descrevem a incidência, a história, a pessoa, o objeto, o sentimento ou o lugar. Os homens não apenas têm menos centros verbais em geral, mas também, muitas vezes, têm menos conectividade entre os seus centros de palavras e suas memórias ou sentimentos. Quando se trata de discutir sentimentos, emoções e sentidos juntos, as meninas tendem a ter uma vantagem, e elas tendem a ter mais interesse em falar sobre estas coisas. (Gregory Jantz, Psychology Today, 2014). Segundo a revista científica, especializada, “Cerebral Cortex”, revela a descoberta de que existe uma região no córtex chamada de lóbulo inferiorparietal (LIP) que é significamente maior nos homens do que nas mulheres. Essa área é bilateral e está localizada logo acima do nível das orelhas (córtex parietal). Nos homens, o lado esquerdo do lóbulo inferior-parietal (LIP) é maior do que no lado direito. Nas mulheres, a assimetria é exatamente o contrário, embora as diferenças entre o lado esquerdo e direito não são tão importantes quanto nos homens. Está é a mesma área que foi demonstrada ser maior no cérebro de Albert Einstein, assim como de outros físicos e matemáticos. Portanto parece que o LIP está correlacionado com as habilidades mentais matemáticas. (Relvas, 2009). Conforme Relvas, 2009, além das diferenças anatômicas externas e dos caracteres sexuais primários e secundários, os cientistas sabem também que existem várias outras diferenças sutis na maneira pela qual os cérebros dos homens e das mulheres processam a linguagem, as informações, as emoções, o conhecimento, etc. 46 Uma das diferenças mais interessantes refere-se à maneira segundo a qual os homens e as mulheres calculam o tempo, estimam a velocidade de objetos, realizam cálculos matemáticos mentais, orientam-se no espaço e visualizam os objetos tridimensionais, e assim por diante. Ao realizar todas essas tarefas, os homens e as mulheres são extremamente diferentes, assim como o são quando seus cérebros processam a linguagem. Isso poderia explicar, afirmam os cientistas, o fato de que existem mais homens matemáticos, pilotos de avião, guia de safari, engenheiros mecânicos, arquitetos e pilotos de Fórmula 1 do que mulheres. Por outro lado, as mulheres são melhores que os homens em relações humanas, em reconhecer aspectos emocionais nas outras pessoas e na linguagem, na expressão emocional e artística, na apreciação estética, na linguagem verbal e na execução de tarefas detalhadas e planejadas. Segundo Relvas, 2009, duas áreas do hemisfério esquerdo nos lobos frontais e temporais relacionadas à linguagem (área de Broca e de Wernicke) são maiores nas mulheres fornecendo, assim, um motivo biológico para a notória superioridade mental das mulheres relacionada à linguagem. Devido ao tamanho corporal dos homens. Eles possuem um número maior de células musculares implica um maior número de neurônios. Com isso o volume cerebral dos homens é, em média, aproximadamente 10% maior do que as mulheres. Explica Gregory Jantz, os cérebros masculinos utilizam quase sete vezes mais massa cinzenta para a atividade enquanto o cérebro feminino utiliza cerca de dez vezes mais massa branca. O que isto significa? As áreas de massa cinzenta do cérebro são localizáveis. Elas são centros de processamento de informação e ação em manchas precisas em uma área específica do cérebro. Isto pode se traduzir em um tipo de visão de túnel quando alguém está fazendo algo. Uma vez que elas estão profundamente envolvidas em uma tarefa ou jogo, elas podem não demonstrar muita sensibilidade para outras pessoas ou em seus arredores. 47 A substância branca é a grade de rede que conecta a massa cinzenta do cérebro e outros centros de processamento. Esta diferença de processamento cerebral profunda é provavelmente uma das razões pela qual você deve ter notado que as meninas tendem a realizar uma transição mais rápida entre as tarefas do que os meninos. A diferença de massa cinzenta e branca pode explicar por que, na idade adulta, as mulheres são capazes de realizar multitarefas, enquanto que os homens se destacam mais em projetos que exigem alta concentração na realização de uma tarefa. (Gregory Jantz, Psychology Today, 2014). Existem diferenças de gênero em partes mais primitivas do cérebro, como, exemplo o hipotálamo. Um certo número de elementos estruturais no cérebro humano difere entre homens e mulheres. “Estrutural” refere-se a partes reais do cérebro e a forma como são construídas, incluindo o seu tamanho e/ou massa. As mulheres geralmente têm um hipocampo maior, o nosso centro de memória humana. As mulheres também frequentemente têm uma densidade mais elevada de conexões neurais no hipocampo. Como resultado, as meninas e as mulheres tendem a absorver mais informações sensoriais e a serem mais emotivas do que os homens. Por ‘sensorial’ queremos dizer informação de e para todos os cinco sentidos. Se você observar ao longo dos próximos meses meninos e meninas, homens e mulheres, você perceberá que as mulheres tendem a sentir muito mais o que está acontecendo ao seu redor durante todo o dia, e elas mantêm esta informação sensorial mais do que os homens. Além disso, antes de meninos ou meninas nascerem, seus cérebros desenvolvem-se com diferentes divisões hemisféricas de trabalho. (Gregory Jantz, Psychology Today, 2014). As diferenças dos sexos sempre estiveram presentes, pois pesquisas demostram o efeito dos hormônios no comportamento de meninos e meninas. Segundo Relvas, 2009, estudos realizados com meninas expostas a um excesso de androgênios na fase pré-natal ou neonatal fornecem algumas das principais evidências em favor de diferenças sexuais influenciadas por 48 hormônios. A produção anormal de grandes quantidades de androgênio nas suprarrenais pode ocorrer por um defeito genético, em uma doença chamada hiperplasia congênita das adrenais (HCA). Meninas com HCA mostram maior interesse em atividades e carreiras tipicamente masculinas. Em meninos com HCA observou-se o inverso. Embora a consequente masculinização dos genitais possa ser corrigida cirurgicamente e a produção excessiva de androgênios tratada com medicamentos, os efeitos da exposição pré-natal sobre o cérebro não podem ser revertidos. Conforme, Gregory Jantz, Psychology Today, 2014, os cérebros masculinos e femininos processam as mesmas substâncias neuroquímicas, mas em graus diferentes e através de conexões corpo cerebrais do gênero específico. Algumas substâncias neuroquímicas dominantes são a serotonina, que, entre outras coisas, ajuda-nos a permanecermos sentados; a testosterona, no sexo e na agressão química; estrogênio, no crescimento feminino e na química reprodutiva; e a oxitocina, uma ligação-relação química. Em parte, por causa das diferenças nos processamentos destas substâncias químicas, os homens, em média, tendem a se sentar parados por menos tempo que as mulheres e tendem a ser fisicamente mais impulsivos e agressivos. Além disso, os homens processam menos a ligação química de oxitocina do que as mulheres. No geral, a grande viagem de saber estas diferenças químicas é perceber que os nossos meninos, às vezes, precisam de estratégias diferentes para liberar o estresse do que as nossas meninas. (Gregory Jantz, Psychology Today, 2014). Neste processo é preciso que o educador esteja atento ao comportamento dos seus alunos e crie práticas pedagógicas inovadoras que atendam as necessidades de seus alunados. “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe”. (Jean Piaget). 49 CAPÍTULO III As dificuldades na aprendizagem “Crianças e adolescentes saudáveis, com funções cognitivas preservadas, podem apresentar baixo desempenho escolar devido a estratégias pedagógicas inadequadas, como aulas muito extensas, conteúdos não contextualizados e pouco significativos para o aluno para o aluno, professores pouco qualificados ou desmotivados ou ainda pela falta de incentivo ou estimulação dos pais.” (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, p.131). A dificuldade de aprendizagem é um assunto vivenciado diariamente por educadores em sala de aula. Segundo a autora Juliane Fischer, as crianças com problemas de aprendizagem constituem um desafio em matéria de diagnóstico e educação. Não é raro encontrar professores que rotulam alguns alunos como preguiçosos e desinteressados, e atribui a esses alunos certos adjetivos por falta de conhecimento sobre o assunto em questão. Segundo Fischer, muitos desses professores desconhecem que essas crianças podem estar apresentando algum problema de aprendizagem de ordem orgânica, psicológica, social ou outra. (ufrgs/ alunos com dificuldade de aprendizagem). O professor enfatiza muito a importância do conhecimento do conteúdo da disciplina a ser lecionada por ele, esquecendo de que é professor. Os alunos estão em sala de aula para aprender, mas a forma como a matéria é ensinada deve ser tão importante quanto à própria matéria. Talvez a maior dificuldade no relacionamento entre educadores e crianças com problemas de aprendizagem, seja por falta de uma visão global do ser humano, pois a tendência atual é analisar a criança parte por parte. Segundo Davis, se o professor e seus alunos conseguirem estabelecer em sala de aula, uma atmosfera de respeito mutuo, bases de desacordos compreendidos, onde “errar” não significa falta de conhecimento, 50 mas sim sinal que uma estrutura está em construção, pode se dizer que a interação social do grupo é constitutiva de um novo saber. Também salienta que problemas de aprendizagem sempre existirão, e que isso é maravilhoso, porque por trás do erro de um aluno, está à oportunidade de descobrimos como ele organiza seu pensamento. Aquele aluno que decora não aprende com real significado, mas aquele que erra nos mostra que esta pensando, elaborando seu conhecimento, construindo seu saber. O professor ao defrontar com os erros de seus alunos precisa questionar o porquê daquela resposta e então começar entender como eles pensam. (ufrgs/ alunos com dificuldade de aprendizagem). “Não se está pretendendo tecer elogios à pobreza, ao contrário. O que se está colocando é que esse máximo de inteligência possível é construído histórica e socialmente. Isto é totalmente diferente de se afirmar que haveria uma determinação genética, linear, exclusiva, desse máximo ou, como se costuma falar, do potencial intelectual. Assim como o desenvolvimento das possibilidades de pensamento é histórico, o olhar dirigido às possibilidades de pensamento de uma criança necessita ser historicamente focalizado. A barreira imposta, cultural e politicamente, às possibilidades de desenvolvimento de crianças normais é que deve ser objeto de análise, na busca de modos de enfrentamento e superação, e não o seu produto - a diferença construída entre crianças - transformado em mais uma justificativa para a desigualdade social.” (Moysés; Collares, 1997). A saúde geral do aprendiz é imprescindível para uma boa aprendizagem. O bom funcionamento do cérebro depende do bom funcionamento dos demais sistemas orgânicos. Segundo Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, as dificuldades de aprendizagem resultam de muitos aspectos que interferem na aquisição de novos esquemas, ou seja, na reorganização do cérebro para 51 produção de novos comportamentos. Esses problemas podem estar relacionados a anomalias do funcionamento do sistema nervoso. O ambiente ao qual as crianças estão expostas influenciam no processo de aprendizagem interferindo nos fatores psicológicos e emocionais e induzindo comportamentos que podem ser mais ou menos favoráveis ao aprendizado. O início da vida escolar ou a mudança da escola podem gerar timidez, insegurança ou ansiedade. Um ambiente familiar agressivo, inseguro, com história de alcooloismo, uso de drogas, pais separados ou em constantes litígios, pais desempregados ou com comportamento antissocial, podem fazer com seja muito difícil para a criança se dedicar ao processo de aprender. O cérebro da criança estará processando os estímulos gerados por essas mudanças de forma a produzir um comportamento que permita a melhor adaptação às situações vividas. Assim os circuitos neuronais que deveriam estar envolvidos com as tarefas escolares estarão ocupados com comportamentos que, naquele momento, são mais relevantes para a sobrevivência e o bem-estar (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, p.130). No período de embriogenese quando a mãe ingere substâncias tóxicas com álcool e cocaína, exposições à nicotina, a radiações e deficiências nutricionais influenciam a formação do cérebro. Transtornos da aprendizagem são exemplos de alterações geneticamente determinadas em circuitos específicos, prejudicando a aquisição d habilidades cognitivas como a escrita, a leitura ou o raciocínio lógico matemático. De acordo o DSM-5, 2014, a deficiência intelectual é uma condição heterogênea com múltiplas causas. O TDAH(transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) é um transtorno do neurodesenvolvimento definido por níveis prejudiciais de desatenção, desorganização e hiperatividade ou impulsividade. Desatenção e desorganização envolvem incapacidade de permanecer em uma 52 tarefa, aparência de não ouvir e perda de materiais em níveis inconstantes com a idade ou com o nível de desenvolvimento. A hiperatividade ou impulsividade implicam atividade excessiva, inquietação, incapacidade de permanecer sentado, intromissão em atividades de outros e incapacidade de aguardar. Segundo Barlavento, 2012, a dislexia é uma dificuldade específica na aquisição da leitura, mas não é sinónimo de baixa inteligência. No momento do diagnóstico, há pais que revelam um primeiro medo: será que o meu filho não é inteligente? Mas essa é uma noção desajustada do problema, pois a criança pode ser disléxica e ter um défice na consciência fonológica, e a inteligência ser independente disso. Profala, Dany Kappes, Gelson Franzen e cols, Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene de uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante, torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias. Os disléxicos demoram mais tempo a discriminar os sons da linguagem oral, em comparação com os não disléxicos. Assim, os sons parecidos podem soar-lhes como iguais e as pausas podem não ser percebidas, o que faz com que as crianças tenham dificuldades em associar o som à letra e terem dificuldades no início da aprendizagem da leitura. O insucesso e o absentismo escolares são uma das consequências da dislexia quando não diagnosticada e reeducada. (Barlavento, 2012). A criança disléxica, é geralmente triste e deprimida, pelo repetido fracasso em seus esforços, para superar suas dificuldades, outras vezes, mostra-se agressiva e angustiada. Estes intensos sentimentos de inferioridade, provocam frustrações, como a reprovação e a evasão, que são ocorrências comuns na vida escolar do disléxico. Existem, também, consequências mais profundas, no nível emocional, como diminuição do autoconceito, reações rebeldes e delinquências. (Barlavento, 2012). 53 Em geral, a criança é considerada relapsa, desatenta, preguiçosa e sem vontade de aprender, o que cria uma situação emocional que tende a se agravar, especialmente em função da injustiça que possa vir a sofrer. Seu esforço de lutar contra as dificuldades, a censura e a decepção, às vezes, leva a criança disléxica a manifestar sintomas como dores abdominais, de cabeça ou transtornos do comportamento. (Barlavento, 2012). Conforme Divina Lucia Sousa Gonçalves e Elaine Cristina Navarro, 2012, em geral, os problemas emocionais surgem como uma reação secundária aos problemas de rendimento escolar. As crianças disléxicas tendem a exibir um quadro mais ou menos típico, com variações de criança para criança, cujas características são a reduzida motivação e empenho pelas atividades, recusa de situações e atividades que exigem leitura e escrita, sintomatologia ansiosa, perante avaliações ou atividades de leitura e escrita, sentimentos de tristeza e de culpabilização, reduzida autoestima, insegurança, vergonha, incapacidade, inferioridade e frustração, comportamento de oposição e desobediência perante pais, professores, enurese noturna e perturbação do sono. O disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em três dimensões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas. (Divina Lucia Sousa Gonçalves e Elaine Cristina Navarro,2012). Entender como se aprende e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em 130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia. 54 A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de quem somos; do que é Memória e Pensamento e Linguagem; de como aprendemos e o porquê podemos encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz. Por isso, os professores e educadores devem estar atentos aos sinais de risco e saber comunicá-los aos pais, de modo a que estes possam procurar ajuda de profissionais que diagnostiquem e intervenham corretamente. Conforme Profala, Dany Kappes, Gelson Franzen e cols, os pais conhecem seus filhos melhor do que ninguém por este motivo precisa ficar atentos a frustrações, tensões, ansiedades, baixo desempenho e desenvolvimento. É deles a responsabilidade de ajudar a criança a ter resultados melhores, e deve partir deles, a procura de profissionais para realizar um diagnóstico multidisciplinar a cerca das dificuldades da criança, porque quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e intervenção melhor, maiores são as oportunidades de sucesso. O encorajamento, a ajuda, a compreensão e a paciência (pois o disléxico leva mais tempo para realizar algumas tarefas, e poderá ter de repetilas várias vezes para retê-las), faz parte do papel dos pais, assim como ir em busca de uma instituição educacional que atenda da melhor maneira às necessidades da criança (por exemplo, estudar o currículo da escola e seu método de ensino).E ter uma relação de troca, fazendo um intercâmbio entre os acontecimentos em casa, na escola e com os profissionais envolvidos. (Profala, Dany Kappes, Gelson Franzen e cols) Apesar de suas dificuldades o disléxico apresenta muitas habilidades e talentos, como a facilidade para construir, ou consertar as coisas quebradas, ser um ótimo amigo, ter idéias criativas, achar soluções originais 55 para os problemas, desenhar e/ou pintar muito bem, ter ótimo desempenho nos esportes e na música, demonstrar grande afinidade com a matemática, revelarse bom contador de histórias, sobressair-se como ator ou dançarino e lembrarse de detalhes. (Profala, Dany Kappes, Gelson Franzen e cols). Portanto, é importante que os pais focalizem sempre o que ele faz melhor, encorajando-o a fazê-lo. Faça elogios, por ele tentar fazer algo que considera difícil e não o deixando desistir. Ressalte sempre as respostas corretas e não as erradas, valorizando seus acertos. Tranquilize a criança, pois apesar das dificuldades de aprendizagem, ela é inteligente e esperta. E não deixe a criança sentir que o seu valor como pessoa está relacionado ao seu desempenho escolar. (Profala, Dany Kappes, Gelson Franzen e cols). Segundo o DSM-5, 2014, os transtorno do neurodesenvolvimento incluem o transtorno do desenvolvimento da coordenação, o transtorno do movimento estereotipado e os transtornos de tique. O transtorno do desenvolvimento da coordenação caracteriza-se por déficits na aquisição e na execução de habilidades motoras coordenadas, manifestando-se por falta de jeito e lentidão ou imprecisão no desempenho de habilidades motoras, causando interferência nas atividades da vida diária. O transtorno do movimento estereotipado é diagnosticado quando um indivíduo apresenta comportamentos motores repetitivos, aparentemente direcionados e sem propósito, como agitar as mãos, balançar o corpo, bater cabeça, morder-se ou machucar-se. Os movimentos interferem em atividades sociais, acadêmicas ou outras. Os transtornos de tique caracterizam-se pela presença de tiques motores ou vocais, que são movimentos ou vocalizações repentinos, rápidos, recorrentes, não ritmados e estereotipados. Esse diagnóstico presume o transtorno de Tourette. Conforme o DSM- 5, 2014, transtorno do sono vigília geralmente os indivíduos com esse tipo de transtorno apresentam-se com queixas de insatisfação envolvendo a qualidade, o tempo e a quantidade do sono. Com frequência, os transtornos do sono são acompanhados de depressão, ansiedade alterações cognitivas, que deverão ser incluídos no planejamento e 56 no gerenciamento do tratamento. A dificuldade de aprendizagem pode ocorrer devido a transtornos do sono. A aprendizagem é uma atividade cognitiva que ocorre a partir da consolidação da memória e o sono tem importância fundamental nesse processo. O sono interfere no humor, na memória, na atenção, nos registros sensoriais, no raciocínio, enfim, nos aspectos cognitivos que relacionam uma pessoa ao seu ambiente. Uma noite de sono mal dormida pode levar a diminuição na atenção/concentração. (DSM- 5, 2014). O sono não é um estado que ocorre passivamente, mas sim, um estado que é ativamente gerado por regiões específicas do cérebro. Todas as funções do cérebro e do organismo em geral estão influenciadas pela alternância da vigília com o sono, sendo que este restaura as condições que existiam no princípio da vigília precedente. O objetivo final do sono não é prover um período de repouso; ao contrário do que acontece durante a anestesia geral, no sono, aumenta-se de forma notável a frequência de descargas dos neurônios, maiores do que os observados em vigília tranquila. É durante o sono que ocorre a consolidação da memória. Segundo DSM-5 Os transtornos disruptivos, do controle de impulso e da conduta incluem condições que envolvem problemas de autocontrole de emoções e de comportamentos. Enquanto outros também podem envolver problemas na regulação emocional e comportamental. Muitos dos sintomas comportamentais, podem ser resultado de emoções mal controladas, como a raiva. Todos os transtornos disruptivos, do controle de impulsos e de conduta tendem a ser mais comuns no sexo masculino do que no feminino. Crianças com transtorno de oposição desafiante podem ter vivenciado uma história de cuidados parentais hostis, e , com frequência, é impossível determinar se seu comportamento fez os pais agirem de uma maneira mais hostil em relação a elas, se a hostilidade dos pais levou o comportamento problemático da criança ou se houve uma combinação de ambas situações. 57 Quando o indivíduo se estressa as glândulas da suprarrenal liberam cortisol, hormônio do estresse, que por sua vez provoca a morte de alguns neurônios, dificultando assim o processo de aprendizagem. É importante, a criança notar que as pessoas a sua volta estão auxiliando-a, isso deixa-a mais segura. O acompanhamento e/ou programas especializados na alfabetização também auxiliam. Os pais precisam mostrar para a criança que estão interessados na sua dificuldade, pois quanto mais ajuda, zelo, carinho, afeto e compreensão mais ela se sentirá capaz para evoluir. (Profala, Dany Kappes, Gelson Franzen e cols). 3.2. A aprendizagem segundo teóricos da educação Segundo Piaget, 1975, Jean Piaget (1896-1980) ao observar seus filhos e outras crianças, concluiu que a criança possui um modo de pensar qualitativamente diferente do adulto. Com isso passou a observar como as crianças desenvolviam seus pensamentos desde a infância até a adolescência e criou sequências para esse desenvolvimento cognitivo. Piaget diz em sua teoria que para a criança adquirir conhecimentos, passa pelo processo de adaptação, onde ela precisa adquirir conhecimento para interagir com o ambiente para que o organismo se sinta mais apto para lidar com situações novas. Esse processo de adaptação é constituído por vários subprocessos, sendo eles: esquemas que são ações básicas de conhecimento que se modificam e adaptam com o passar do tempo; assimilação que é a tentativa do sujeito para solucionar uma determinada situação, utilizando uma estrutura mental já formada; acomodação que é o processo de modificação de um esquema em resultado de novas informações absorvidas pela assimilação e equilibração que é a reestruturação dos esquemas. É uma forma de manter o equilíbrio. "Na assimilação e acomodação se pode sem mais reconhecer a correspondência prática daquilo que serão mais tarde a dedução e a experiência: a atividade da mente e a pressão da realidade". (Piaget, 1975). 58 Segundo Diane E. Papalia, S. W. 2006, para entender melhor como ocorrem esses processos, a teoria Piagetiana divide o desenvolvimento cognitivo em quatro estágios: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. Nesse primeiro estágio ocorre o que chamamos de nascimento da inteligência. Para Piaget, as crianças já começavam a se desenvolver cognitivamente desde a primeira infância, nos primeiros meses de vida. Esse primeiro estágio de desenvolvimento, o sensório-motor, vai do nascimento até os dois anos de idade. No período sensório-motor, a inteligência, surge bem antes da linguagem e do pensamento, mas se trata de uma inteligência prática, sustentada pela manipulação de objetos concretos e pela percepção destes objetos enquanto estão presentes a mente. Piaget (2011), explica que quando uma criança pega uma vareta para puxar um objeto que está distante, considera-se isto um ato de inteligência. Mas uma inteligência que só é possível com a presença de objetos, não se pode dizer ainda de que isso é inteligência propriamente dita. Conclui-se que o desenvolvimento cognitivo na primeira infância, segundo Piaget, ocorre de maneira gradual porém não são todas as crianças que possuem o mesmo ritmo de desenvolvimento. Conforme Diane E. Papalia, S. W. 2006, O estágio pré-operacional é o segundo grande estágio do desenvolvimento cognitivo, que dura aproximadamente dos 2 aos 7 anos. Nesse estágio a criança se torna mais sofisticada em seu uso do pensamento simbólico, que teve início ao final do estágio sensório-motor. Contudo, segundo Jean Piaget, elas não são capazes de pensar logicamente antes do estágio de operações concretas na terceira infância. A função simbólica e a capacidade de usar símbolos ou representações mentais estão mais desenvolvidas nessa fase. As palavras, números, imagens são atribuídas a um significado. A criança demostra a função simbólica através da imitação diferida, nas brincadeiras de faz de conta e na linguagem. A imitação diferida baseia-se 59 na manutenção de uma representação de uma ação observada. Na função simbólica as crianças fazem também com que um objeto represente outra coisa, por exemplo: uma boneca pode virar uma criança. Nesse estágio também se desenvolve a compreensão da identidade que está diretamente ligada ao autoconceito das coisas. As crianças sabem que as alterações superficiais não mudam a natureza das coisas. Mesmo vendo alguém próximo fantasiado, a criança sabe que a pessoa não é aquilo. Aproximadamente aos 7 anos, segundo Piaget, as crianças entram no estágio de operações concretas, quando podem utilizar operações mentais para resolver problemas concretos. As crianças são capazes de pensar com lógica múltiplos aspectos de uma situação em consideração. Entretanto, as crianças ainda são limitadas a pensar em situações reais no aqui e agora. (Diane E. Papalia, S. W., 2006) Segundo Baldwin, A. L., 1914, no estágio de operações concretas, as crianças podem realizar muitas tarefas em um nível muito mais elevado do que podiam no estagio pré-operacional. Elas possuem uma melhor compreensão dos conceitos espaciais, de causalidade, de categorização, de conservação e de número, esses são os avanços cognitivos. Nas influências de desenvolvimento neurológico e da cultura, Piaget dizia que essa mudança depende da maturação neurológica e da adaptação ao ambiente e que não está atrelada a experiência cultural. Segundo Piaget, quanto ao desenvolvimento moral, ele está ligado ao desenvolvimento cognitivo. Piaget dizia que as crianças fazem julgamentos morais mais consistentes quando podem considerar as coisas de mais um ponto de vista. Ele sugeriu que o julgamento moral desenvolve-se em dois estágios. As crianças podem passar por esses estágios morais em idades variáveis, mas a sequência é a mesma: no primeiro, moralidade de restrição e o segundo estágio, moralidade cooperação. O aperfeiçoamento no processo de informações, segundo Piaget pode ajudar a explicar alguns avanços como por exemplo, crianças de 9 anos podem ser mais capazes do que crianças de 5 anos de encontrar o caminho para ida escola porque sabem sondar um ambiente, assimilar suas 60 características importantes e recordar os objetivos em contexto. É neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. A representação agora permite à criança uma abstração total, não se limitando mais à representação imediata e nem às relações previamente existentes. Agora a criança é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só da observação da realidade. Em outras palavras, as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão, a galinha enche o papo", a criança trabalha com a lógica da ideia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. ( Baldwin, A. L., 1914). A criança aprende todos os diferentes agrupamentos e é capaz de aplica-los a objetos, que encontra no mundo concreto. No entanto, entre os agrupamentos existem relações necessárias para o pensamento hipotético, e que a criança não compreende, antes de chegar o estádio de operações formais. Este estádio começa aproximadamente aos 11 anos de idade, e representa o estádio adulto do desenvolvimento cognitivo. Muitas características do pensamento operacional não são facilmente ligadas entre si de maneira conceitual clara, mas são importantes no desenvolvimento da capacidade para resolver problemas.( Baldwin, A. L., 1914). Segundo Zoia Ribeiro Prestes, 2010, Lev Vigotski (1896-1934) enfatizava o processo histórico-social e o papel da linguagem no desenvolvimento do indivíduo. Sua questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio. Para o teórico, o sujeito é interativo, pois adquire conhecimentos a partir de relações intrapessoais e interpessoais e de troca com o meio, a partir de um processo denominado mediação. Uma das principais ideias da teoria de Vigotski é o que Zoia Ribeiro Prestes (2010) classificará como Zona de Desenvolvimento Iminente. Tal termo, no Brasil e no mundo, traduzido de diversos modos tende a ser ainda muito mal interpretado e mal compreendido. Zoia (2010) nos aproxima do enfoque de Vigotski e apresenta não só a ZDI, mas também o Nível de 61 Desenvolvimento Atual ou Zona de Desenvolvimento Atual da criança como parte final do desenvolvimento da ZDI. Para Vigotski a zona de desenvolvimento iminente não se desenvolve apenas no âmbito escolar, mas se desenvolve também quando a criança está brincando, quando ela está manuseando um objeto, quando ela imita um som, gesto ou fala, ou seja, a criança está em constante processo de ampliação de conhecimento, assim como o desenvolvimento mental desta criança e o andamento de seu ensino está intimamente ligado um ao outro. É importante salientar também que para o teórico existe a idade propícia para o ensino de determinados conteúdos. Não se pode ensinar a criança cedo demais ou tarde demais, pois esses extremos podem fazer da instrução um processo difícil. Para definir a Zona ou Nível de Desenvolvimento Atual, (Zoia, 2010 p. 170) diz que: “Aquilo que a criança faz sozinha”. Para Vigotski, o nível de desenvolvimento atual passa por aquilo que a criança desenvolve sem precisar da mediação ou colaboração de um adulto, é o estágio final da Zona de Desenvolvimento Iminente, além disso, nesta fase é possível que o mediador ou colaborador do desenvolvimento da criança infira quais são as funções que estão em estágios avançados de amadurecimento. A ZDI é então a zona dos processos e funções que as crianças não podem resolver sozinhas, pois ainda não estão amadurecidas, mas com os quais o desenvolvimento dessas funções passou de desenvolvimento iminente a desenvolvimento atual. Sendo assim, a criança se tornará capaz de realizar de forma independente amanhã, aquilo que hoje ela sabe fazer com colaboração e orientação. Quando um professor, com um trabalho de colaboração, observa as possibilidades de desenvolvimento de uma criança, ele também determina as funções intelectuais em amadurecimento. Logo, essas funções intelectuais passarão da zona de desenvolvimento iminente e mudarão para o nível de desenvolvimento mental real da criança. ( Zoia Ribeiro Preste, 2010). 62 De acordo com a Revista Nova escola, abril, a concepção de ensino e aprendizagem de David Ausubel (1918-2008) segue na linha oposta à dos behavioristas. Para ele, aprender significativamente é ampliar e reconfigurar ideias já existentes na estrutura mental e com isso ser capaz de relacionar e acessar novos conteúdos. "Quanto maior o número de links feitos, mais consolidado estará o conhecimento", diz Evelyse dos Santos Lemos, pesquisadora do ensino de Ciências e Biologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Ensinar sem levar em conta o que a criança já sabe, segundo Ausubel, é um esforço vão, pois o novo conhecimento não tem onde se ancorar", afirma Rosália Maria Ribeiro de Aragão, professora aposentada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mas há outro requisito, que se refere ao desafio diário de tornar a escola um ambiente motivador. Pode-se preparar a melhor atividade, mas é o aluno que determina se houve ou não a compreensão do tema. "De nada adianta desenvolver uma aula divertida se ela for encaminhada de forma automática, sem possibilitar a reflexão e a negociação de significados", comenta a pesquisadora Evelyse. Conforme Revista Nova escola, abril, Wallon explica que o pensamento infantil tem características particulares, diferentes das do adulto. A principal delas é o pensamento por meio de pares complementares. A criança não consegue explicar um objeto sem relacioná-lo a outro. Quando questionada, combina diferentes referências e apresenta uma resposta. "Ela tenta conciliar tudo aquilo que recebe das fontes de conhecimento usando para isso uma lógica própria", diz Laurinda Ramalho de Almeida, vice-coordenadora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Nada impede, no entanto, que os mesmos elementos sejam recombinados em outro momento e adquiram outro sentido. Os pequenos podem, por exemplo, dizer que a chuva é o vento e depois, ao ser questionados se ambos são iguais, afirmar que não e que só é chuva quando tem trovão. Essa aparente confusão ocorre porque a criança ainda não é capaz de colocar os objetos em um sistema de categorias preestabelecido, no qual cada coisa tem um único significado. Quando tenta explicar o mundo à sua 63 volta ou responder a algum questionamento, ela enfrenta obstáculos e procura diversos mecanismos para fugir deles. "Esse processo envolve um ajuste entre o que já é conhecido e as respostas que precisa dar. Para isso, todos usam os artifícios que possuem naquele estágio de desenvolvimento", explica Lilian Pessôa, coordenadora auxiliar e professora no curso de Pedagogia da Universidade Paulista (Unip) e doutoranda em Educação pela PUC-SP. Cheio de significados e sentidos, e repleto de conexões subjetivas, o jeito como os pequenos explicam o mundo à sua volta não deve ser tomado como verdade, mas tampouco pode ser reprimido. "Disciplinar inteiramente o pensamento, sejam quais forem os termos como isso se exprima, pode corresponder a fechar os caminhos que permitem recombinações suscetíveis de conduzir o pensamento por caminhos inéditos. É aqui que o sincretismo, que guarda a possibilidade de tudo ligar a tudo, de forma anárquica, pode levar ao novo", diz a pesquisadora Heloysa Dantas no livro A Infância da Razão. É preciso, portanto, oferecer condições para que a criança exerça seu pensamento e sua expressão e possa evoluir. "Quanto mais repertório ela adquirir e quanto mais puder experimentar situações diversas e confrontar o que pensa com pessoas que têm bagagens culturais diferentes (sejam elas crianças, professores, pais ou outras fontes com as quais tenha contato), mais chances há de caminhar para a diferenciação", diz Laurinda. Henri Wallon (1879-1962), responsável por investigar a emoção geneticamente, diz que ela é a primeira manifestação de necessidade afetiva do bebê e o elo dele com o meio, tanto biológico como social. Isto é, quando a pessoa nasce, ela é só emoção. "Essa descoberta é muito importante, senão vital, para os que trabalham com os pequenos, pois saber que eles não vão reagir de forma racional às coisas interfere na forma de lidar com as circunstâncias que os envolvem", diz Silvia Rodrigues, docente da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Quando uma criança faz birra, por exemplo, e o adulto não entende que essa é uma reação normal, ele pode perder o controle da situação. Mas 64 não adianta tentar argumentar racionalmente com a criança num momento de crise como esse, pois ela tende a não escutá-lo, visto que encontra-se em uma turbulência emocional. "Muitos pais e educadores atribuem uma intencionalidade às ações dos pequenos, como se eles quisessem chamar a atenção propositalmente. Mas não é isso o que ocorre. Essas manifestações emocionais fazem parte da construção do 'eu' da criança, que vai se delineando pouco a pouco", diz Leny Magalhães Mrech, livre-docente pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Porém essa expressão afetiva não aparece somente na fase impulsivo-emocional dos pequenos (até mais ou menos 1 ano de idade). Continua durante todo o processo de desenvolvimento. No ambiente escolar, dependendo de como o professor, o meio e os colegas afetam a criança, seu aprendizado pode ser desenvolvido ou inibido, e a emoção transparecida por ela evidencia isso. Um lugar repressor ou em que a violência aparece de forma corriqueira gera manifestações mais agressivas. "Uma criança que age de maneira hostil não está plenamente consciente dessa emoção. Ela reage ao meio", diz Leny. O medo, por exemplo, pode inibir a aprendizagem, pois a emoção impossibilita que o racional atue de forma efetiva. (Revista Nova escola, abril). 3.2- Como estimular os alunos em sala de aula? “Todas as gaivotas aprendizes que buscaram algo além do pão e do peixe, além da informação, e descobriram que todas as gaivotas podem, têm a liberdade e o direito de voar e criar pelo mundo do conhecimento.” Fernão Capelo, (Eloisa Quadro e Zélia Del, p.12, 2011). Segundo Eloisa Quadro e Zélia Del, 2011, o professor deve ver o aluno como uma gaivota aprendiz e se ver com a humildade de Fernão Capelo para mostrar a cada aluno que ele pode participar e construir o conhecimento. 65 Deve mostrar que não há limites para aprendizagem e o que vale é o prazer de “voar”. O educador precisa crer no valor de sua profissão, saber que esse ofício vai muito além da missão de passar conteúdos didáticos. E este pode ser um pensamento promissor para o professor se sentir mais motivado e conseguir transmitir mais paixão aos alunos, estimulando-os também. A motivação no contexto escolar tem sido avaliada como um determinante crítico do nível e da qualidade da aprendizagem e do desempenho. Um estudante motivado mostra-se ativamente envolvido no processo de desafiadoras, aprendizagem, despendendo engajando-se esforços, e persistindo usando estratégias em tarefas adequadas, buscando desenvolver novas habilidades de compreensão e de domínio. Apresenta entusiasmo na execução das tarefas e orgulho acerca dos resultados de seus desempenhos, podendo superar previsões baseadas em suas habilidades ou conhecimentos prévios. Conforme Bzuneck. “a motivação, ou o motivo, é aquilo que move uma pessoa ou que a põe em ação ou a faz mudar de curso”. (Bzuneck ,2000, p. 9). Hoje já se sabe que a motivação é algo visceral, um sentimento, ou se tem ou não se tem. Isso não quer dizer que não se possa fazer nada para que as pessoas consigam vivenciá-la. Conforme Bzuneck (2000, p. 10) “toda pessoa dispõe de certos recursos pessoais, que são tempo, energia, talentos, conhecimentos e habilidades, que poderão ser investidos numa certa atividade”. Os mesmos autores afirmam ainda que “na vida humana existe uma infinidade de áreas diferentes e o assunto da motivação deve contemplar suas especificidades” (Bzuneck, 2000, p. 10). Cabe, aqui, fazer uma diferenciação entre interesse e motivação. As coisas que interessam, e por isso prendem a atenção, podem ser várias, mas talvez nenhuma possua a força suficiente para conduzir à ação, a qual exige esforço de um motivo determinante da nossa vontade. O interesse mantém a atenção, no sentido de um valor que deseja. O motivo, porém, se tem energia suficiente, vence as resistências que dificultam a execução do ato. 66 Quando se considera o contexto específico de sala de aula, as atividades do aluno, para cuja execução e persistência deve estar motivado, diferenciam de têm outras características atividades peculiares humanas que as igualmente dependentes de motivação, como esporte, lazer, brinquedo, ou trabalho profissional (Bzuneck, 2000, p. 10). Quantas vezes o professor prepara uma atividade que ele achou que prenderia a atenção de seus alunos, que os levaria adiante, que os faria buscar as informações que eram necessárias, porém, ao executá-la, não conseguiu o envolvimento que esperava deles. A motivação do aluno, portanto, está relacionada com trabalho mental situado no contexto específico das salas de aula. Surge daí a conclusão de que seu estudo não pode restringir-se à aplicação direta dos princípios gerais da motivação humana, mas deve contemplar e integrar os componentes próprios de seu contexto (Brophy, 1983 apud Bzuneck, 2000, p. 11). Nem sempre os alunos percebem o valor dos trabalhos escolares, pois, muitas vezes, não conseguem compreender a relação existente entre a aprendizagem e uma aspiração de valor para a sua vida. O que faz com que eles não se envolvam no trabalho. Segundo Bzuneck, 2000, o significado do conteúdo e da disciplina varia de acordo com as metas e os objetivos de vida de cada um. Caso não se perceba a utilidade, o interesse e o esforço tendem a diminuir à medida que o aluno se pergunta que serventia tem aquilo que o professor lhe ensina. Colocar problemas ou interrogações, despertar a curiosidade dos alunos, mostrando a relevância que pode ter para os mesmos a realização da tarefa, é essencial. É imperativo que o professor conheça o aluno e sua história de vida. Assim, o educador poderá ficar próximo dele, saber seus interesses e sonhos para, a partir daí, preparar aulas atrativas e significativas que atenderão às necessidades e aos interesses da turma. As implicações da autoestima para a motivação A elevada autoestima estimula o aprendizado. O estudante que goza de elevada autoestima aprende com mais alegria e facilidade. Quem se julga incompetente e incapaz de aprender, aproxima-se de toda nova tarefa de aprendizagem com uma sensação de desesperança e medo. ( Bzuneck, 2000) 67 Do ponto de vista humanístico, motivar os alunos significa encorajar seus recursos interiores, seu senso de competência, de auto-estima, de autonomia e de auto-realização. Na motivação aqui vista, competência não é atributo de quem faz bem feito, mas sim de quem consegue despertar nos outros a vontade de fazer bem feito. Competência relaciona a habilidade técnica (melhor maneira de fazer o seu trabalho) e a habilidade comportamental. Conforme Eloisa Quadro e Zélia Del, 2011, o professor na sala de aula é um líder, pois procura influenciar os seus alunos para que estes se interessem pelas aulas, estejam atentos, participem, apresentem comportamentos adequados e obtenham bons resultados escolares. Neste contexto, importa analisar que fatores podem permitir aos professores influenciar os seus alunos ou, no mesmo sentido, o que é que leva os alunos a deixarem-se influenciar pelo professor. Para que o professor se torne um elemento facilitador que leve o educando ao desenvolvimento da autopercepção, percepção do mundo e do outro integrando as três dimensões, deve estar aberto e atento para lidar com questões referentes ao respeito mútuo, ralações de poder, limites e autoridade. A articulação dos aspectos afetivos e intelectuais internos e externos, individuais e coletivos no processo de aprendizagem carece de novas matrizes, novas formas de dinâmicas que permitam esta integração. (Eloisa Quadro e Zélia Del, 2011). Segundo Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011, a linguagem escrita, exatamente por ser uma aquisição recente na história da nossa espécie, não dispõe de um aparato neurobiológico preestabelecido. Ela precisa ser ensinada, ou seja, é necessário o estabelecimento de circuitos cerebrais que a sustentam, o que se faz por meio de dedicação e exercício. A aprendizagem da leitura modica permanentemente o cérebro, fazendo com que ele reaja diferente a novos estímulos linguísticos visuais, mas também na forma como processa a própria linguagem falada. Os três centros corticais importantes para a leitura de palavra são: lobo frontal, em região que coincide, em parte com a área de broca; outro se localiza na junção parietotemporal, também coincidindo parcialmente com área de Wernick, e o terceiro está 68 situado na junção occipito-temporal. Dessa forma, é importante o professor estimular o aluno através de imagens (figuras, grafia...), sons, sensações, pois assim estará fazendo com que a informação percorra diferentes circuitos neuronais até que sejam decodificada e consolidada. Na matemática não existe no cérebro um centro, pois muitas regiões e sistemas cerebrais contribuem para o seu processamento. As atividades matemáticas utilizadas culturalmente exigem o recrutamento e a adaptações de vários circuitos nervosos que, embora não sejam programados geneticamente para os processos matemáticos, passam a executar suas funções de forma integrada com circuitos que se originalmente lidam com a noção de quantidade. Conforme Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011. O primeiro desses circuitos, relacionando com a percepção das quantidades localiza-se no lobo parietal dos dois hemisférios cerebrais, ao redor de um sulco horizontal denominado sulco intraparietal. O segundo, que se ocupa da decodificação dos algarismos arábicos, está localizado em uma porção do córtex na junção occipito-temporal, também em ambos os hemisférios cerebrais. O terceiro circuito, que nos possibilita perceber a representação verbal dos algarismos, se localiza em uma região cortical do hemisfério esquerdo e parece envolver regiões temporo-parietais, que são ligadas ao processamento da linguagem. Portanto o lobo parietal é fundamental para o processamento matemático. (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, p.112, 2011). O hemisfério esquerdo calcula, o direito faz estimativas que se aproximam do resultado correto. As operações matemáticas precisas dependem da maturação das áreas corticais da linguagem. Ambos os hemisférios são capazes de fazer comparações d quantidade e de avaliar números. O psicólogo e pesquisador da Universidade de Havard, Howard Gardner, propôs, em 1983, a teoria das inteligências múltiplas, segundo a qual 69 existiriam oito inteligências: verbal, lógico-matemática, visoespacial, corporalcinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal e naturalística. Segundo a teoria, a Inteligência linguística ou verbal envolve a leitura, a escrita e a capacidade de se expressar na língua materna ou em línguas estrangeiras. Componentes centrais da inteligência linguística são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir ideias. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas. Inteligência lógico-matemática, os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner com uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas Gardner, porém, explica que, embora o talento cientifico e o talento matemático possam estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio. Inteligência visioespacial, Gardner descreve a inteligência visioespacial como a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais. Inteligência corporal-cinestésica se refere à habilidade para 70 resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada. Inteligência musical se manifesta através de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e, frequentemente, canta para si mesma. Inteligência interpessoal pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, e na sua forma mais avançada, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros. Inteligência intrapessoal é o correlativo interno da inteligência interpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprios, a capacidade para formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas, ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através de manifestações linguísticas, musicais ou cinestésicas. Naturalista voltada para a análise e compreensão dos fenômenos da natureza (físicos, climáticos, astronômicos, químicos). (Cosenza M. Ramom e Guerra B. Leonor, 2011). 71 “O professor é o marinheiro dos novos tempos. No momento em que se descobrem as verdades das inteligências múltiplas e se configura o novo papel da educação, centrada em um aluno a ser descoberto em sua extrema singularidade, emerge, como um dos mais importantes profissionais do século, aquele que tem oprivilégio de colaborar diretamente na formaçãp integral do indivíduo para nosvos tempos” Celso Antunes. (Relva, p.115, 2009). 72 CONCLUSÃO O cérebro aprende a todo o momento através dos estímulos. A grande diferença se dá na quantidade de conexões entre os neurônios. Ou seja, o cérebro é modelado, isso mesmo, como uma grande “massa de modelar”, ele vai ganhando forma de acordo com as informações e exercícios mentais que executa. E, as conexões entre os neurônios acontecem através das sinapses, ou seja, espaços responsáveis pelo envio de mensageiros químicos para que os neurônios se comuniquem uns com os outros. Todo esse processo produz então nossas memórias. Cada vez que uma memória dessas é acessada, nosso cérebro pode produzir novas conexões que fazem com que ele não volte ao seu estado anterior. Conclui-se que o conjunto de memórias formam tudo aquilo que o ser humano é. A motivação para a aprendizagem passa pelas emoções e o resultado delas colore as avaliações e os rótulos aos educandos, desde as séries iniciais, traçando a trajetória escolar dos mesmos ao longo do processo de aprender. Desta forma, é de suma importância reconhecer os espaços geográficos, torná-los agradáveis, equilibrar emoções para atender a demanda existente em nossos espaços educativos, estabelecer vínculos sólidos, promovendo segurança, confiança e afeto, pois só desta forma as deficiências de alguma forma, serão dirimidas nos ambientes educacionais. Para atrair a atenção do aluno para o assunto estudado, convém estimular todos os sentidos, lembrar filmes sobre o assunto, aguçar a curiosidade das crianças, pois quanto mais jovem o aluno, maior a necessidade de se utilizar recursos variados. O conhecimento do progresso é um outro fator importante para a eficiência da aprendizagem, pois sem conhecer o resultado de seu esforço o aluno se desinteressará do processo de aprendizagem em que está submetido e seu rendimento será muito menor. 73 Não há receitas universais e cada professor deve procurar aprender a partir da própria experiência, sendo coerente consigo próprio. Fundamentalmente, se o professor quer ser respeitado pelos seus alunos, tem que ele próprio respeitar-se e apreciar as suas qualidades pessoais e profissionais. Assim, uma das regras que o professor deve ter em conta é tentar analisar o seu próprio comportamento face às situações de indisciplina dos alunos e procurar aprender com essas experiências, no sentido de um maior autoconhecimento e aperfeiçoamento progressivo. 74 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BALDWIN, A. L. Teorias de Desenvolvimento da Criança. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 2ª ed. 1914. BZUNECK, J. A. As crenças de auto-eficácia dos professores. In: F.F. Sisto, G. de Oliveira, & L. D. T. Fini (Orgs.). Leituras de psicologia para formação de professores. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2000. COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B.; Neurociência e Educação: Como o Cérebro Aprende 1ª edição, Porto Alegre, Artmed, 2011. DAMARIS Flor Teresinha Augusta Pereira de Carvalho: Neurociência para educador. São Paulo. ed. Baraúna, 2011. DIANE E. Papalia, S. W. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artmed. 8ªed, 2006. E. A. M. Ferrari & cols, artigo acadêmico: Scielo. 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Neurobiologia da aprendizagem 1.2. Plasticidade Neural 1.3. Memória 10 16 23 26 CAPÍTULO II A emoção exerce influência no processo de raciocínio 2.1. Razão e emoção no processo de ensino- aprendizagem 2.2. Relações entre o cérebro feminino e masculino na aprendizagem 36 40 44 CAPÍTULO III As dificuldades de aprendizagem 3.1. Aprendizagem segundo alguns teóricos da educação 3.2. Como estimular os alunos em sala de aula? 49 57 64 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS WEBSITES ÍNDICE 72 74 76 77