O anti-semitismo na história Após os dois levantes judeus de

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O anti-semitismo na história
Após os dois levantes judeus de 70 e 135 d.C., sufocados pelos romanos da
maneira mais brutal, tentou-se eliminar o nome da pátria judaica, mudando o de
Jerusalém para "Aélia Capitolina" e transformando a Judéia em "Palestina Síria",
para que não houvesse mais lembrança dos judeus. Por volta de 160 d.C.,
Justino, o Mártir, condenou os judeus como "filhos de meretrizes". Em 200 d.C.,
Tertuliano escreveu o primeiro manifesto cristão sistemático contra os judeus.
Ele também já tinha passado a considerar a Igreja como sendo o verdadeiro e
eterno Israel. Depois disso foram publicados muitos outros panfletos anti-judeus
por Pais da Igreja. Em 250, Cipriano, um dos Pais da Igreja, escreveu: "O diabo
é o pai dos judeus". Mais tarde, essa acusação passou a ser encontrada
constantemente no anti-judaísmo cristão. Em 325, no Concílio de Nicéia – pela
primeira vez em um concílio –, não foram convidados bispos judeus-cristãos. A
festa da Páscoa foi transferida para o domingo após pessach (a páscoa judaica)
com a justificativa: "Seria o cúmulo da falta de reverência seguirmos as tradições
dos judeus nesta maior de todas as festas. Não devemos ter nada em comum
com esse povo abominável". Em 387 d.C. teve início a maior campanha de
instigação cristã contra os judeus de que se tem notícia na Antiguidade – e ela
foi patrocinada pelo Pai da Igreja João Crisóstomo, a partir de Antioquia (Síria).
Ele disse, por exemplo, que a sinagoga era "lugar de blasfêmia, asilo do diabo e
castelo de Satanás". Em 415, o bispo Agostinho de Hipona escreveu que os
judeus carregam eternamente a culpa pela morte de Jesus. Em decorrência, o
monge Barzauma instigou uma perseguição aos judeus em Israel, quando
inúmeras sinagogas foram destruídas. Em 538 foi vetada a entrada de judeus
nas guildas (associações de mutualidade formadas na Idade Média entre as
corporações de operários, negociantes ou artistas), restando à maioria deles
apenas a opção do comércio. Em 613 foi dado um ultimato a todos os judeus da
Espanha: batismo ou desterro. Posteriormente, o Sínodo de Toledo ordenou que
todos os judeus "renegados" fossem executados nas fogueiras da Inquisição.
Em 1021 Roma foi sacudida por um terremoto na Sexta-Feira da Paixão. Em
conseqüência, judeus foram presos e acusados de terem furado uma hóstia com
um prego. Eles foram torturados e queimados na fogueira. Em Paris, no ano de
1240, foram queimados publicamente por monges dominicanos todos os
exemplares disponíveis do Talmude. Essa foi a primeira queima oficial de
escritos judaicos pela igreja católica. Em 1348 a "peste negra" (peste bubônica)
se alastrava pela Europa, dizimando um terço da população. Os judeus foram
acusados de envenenar as fontes de água, causando a epidemia. O papa
Clemente VI expediu uma bula em que declarava todos os judeus inocentes
dessa acusação, mas não foi possível impedir que, em quase todas as
localidades nas quais havia uma comunidade judaica, irrompessem "pogroms"
matando inúmeros judeus. Em 1401 foram queimados vivos 48 judeus em
Schaffhausen (Suíça). Em 1431 o Concílio de Basiléia determinou que os judeus
tinham de viver separados dos cristãos. Desse modo surgiram em muitas
cidades os bairros judeus, mais tarde chamados de "guetos". Em 1523 Lutero
escreveu que Jesus era "judeu de nascimento". Ele empenhou-se para que os
judeus fossem tratados de maneira amistosa, para levá-los à conversão. Vinte
anos depois, em 1543, decepcionado porque os judeus não se convertiam à fé
evangélica, Lutero lançou seu manifesto anti-judaico "Sobre os Judeus e Suas
Mentiras". Nesse livro ele propunha que as sinagogas deveriam ser queimadas.
Pouco tempo mais tarde, o príncipe da Saxônia expediu um rigoroso mandato
anti-judaico, tendo por base os escritos de Lutero. Em 1756 o filósofo francês
Voltaire lançou suas "Obras Completas", contendo uma série de violentas
passagens anti-semitas. Em 1879 o alemão Wilhelm Marr fundou a Liga AntiSemita; ele é considerado o criador da expressão "anti-semitismo". Em 1880 o
"filósofo do anti-semitismo" Eugen Dühring publicou sua obra "A questão judaica
como questão de raça, nociva à cultura e à existência dos povos". Ele escreveu:
A origem do desprezo generalizado pelos judeus reside em sua absoluta
inferioridade em todas as áreas intelectuais... Trata-se de uma raça inferior e
degenerada. É tarefa dos povos nórdicos "arianos" exterminar raças parasitárias
desse tipo, assim como costumamos exterminar cobras e outros predadores.
Em 1881 Richard Wagner publicou um ensaio onde recomendava o antisemitismo político e classificava os judeus de "demônio causador da decadência
da humanidade". Em 1903 eram publicados pela primeira vez, em São
Petersburgo, os "Protocolos dos Sábios de Sião", profundamente anti-semitas.
Os "Protocolos", escritos por anti-semitas cristãos, falam de uma conspiração
mundial judaica para o domínio do mundo. Infelizmente, desde então houve e há
muitos que sucumbiram às mentiras dos "Protocolos dos Sábios de Sião",
dando-lhes mais crédito que às verdades bíblicas. Certa vez até recebi uma
pregação gravada em fita atacando o judaísmo, na qual o pregador se baseava
nos "Protocolos", vangloriando-se de tê-los em seu poder. Em 1905 foi fundada
a "União do Povo Russo", de cunho anti-semita. Em 1918 foram afogados no
mar em Ialta 900 judeus pelas mãos de anti-semitas e em Sebastopol (Criméia)
todos os líderes judeus foram assassinados. Em 1922 o ministro do Exterior da
Alemanha, Walther Rathenau (o primeiro judeu a ocupar esse cargo), foi
assassinado por anti-semitas. Mais tarde Hitler anunciava: "o extermínio dos
judeus será minha prioridade ao assumir o poder. Eles não sabem proteger-se a
si mesmos e ninguém vai apresentar-se como seu protetor". Em 1938 aconteceu
a chamada "Noite dos Cristais" na Alemanha, quando 191 sinagogas e inúmeras
instalações judaicas foram destruídas, 91 judeus foram assassinados e 30.000
arrastados para campos de concentração. Durante a Segunda Guerra Mundial
foram mortos seis milhões de judeus. (Israel Heute)
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