A CULTURA DA FIGUEIRA 1. HISTÓRICO A figueira (Ficus carica L

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A CULTURA DA FIGUEIRA
1. HISTÓRICO
A figueira (Ficus carica L.) é uma planta nativa da Ásia Menor. As antigas
civilizações do Mediterrâneo oriental consideravam a figueira uma árvore
sagrada e relataram seu uso muito antes de sua chegada à Europa, sendo que
os próprios árabes levaram-na para a Península Ibérica, onde foi difundida para
a África, América e Europa, junto com seus primeiros colonizadores.
O figo era conhecido no Egito com o nome de ‘teb’, e já se encontraram
referências a este fruto nas pirâmides de Giza. Também foram encontrados
relatos nas escrituras bíblicas e figos fossilizados em depósitos terciários e
quaternários nas regiões da França e Itália.
Os primeiros relatos da presença da figueira no Brasil foram feitos pelo
padre jesuíta Fernão Cardim e datam de 1.585. Muito provavelmente estas
plantas foram introduzidas pelos participantes da primeira expedição de Martin
Afonso de Souza, em 1532, à Capitania de São Vicente. Somente no início do
século XX, por volta de 1910, é que a cultura da figueira passou a despertar
interesse comercial no Estado de São Paulo. A figueira, que antes era típica
planta de quintais urbanos, ou cultivada junto às sedes dos sítios e fazendas,
iniciou sua produção comercial em Valinhos, na época ainda pertencente à
Campinas ,e que hoje é conhecida como a “Capital Nacional do Figo Roxo”.
O cultivar “Roxo de Valinhos”, o mais cultivado no Brasil, foi introduzido
pelo imigrante italiano Lino Busatto que chegara a Valinhos por volta de 1898 e
teve a iniciativa de mandar buscar mudas de figueira na Itália, em uma região
próxima ao Mar Adriático. Algumas destas plantas produziram figos roxos
escuros e se adaptaram muito bem às novas terras. Hoje, são nacionalmente
conhecidos como “Figo Roxo de Valinhos”.
2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
A figueira é uma das espécies frutíferas de grande expressão econômica e
com grande expansão mundial, pois apesar de ser considerada uma espécie
de clima temperado, apresenta boa adaptação a diferentes tipos de clima e
solo.
Atualmente, ocupa o terceiro lugar na exportação brasileira de frutas
temperadas, após a maçã e a uva. O figo é cultivado em mais de 20 países e o
Brasil é o 10º produtor mundial com aproximadamente 25.727 toneladas, uma
produção inferior aos países árabes, como o Egito com 304.000 toneladas, a
Turquia com 205.000 toneladas e a Argélia com 79.000 toneladas (FAO, 2012)
(Figura 1).
Figura 1. Produção mundial de figos (FAO, 2012).
No Brasil, são destinados 2.934 ha à ficicultura, sendo que as principais
regiões produtoras são: Rio Grande do Sul, com aproximadamente 40% da
produção, São Paulo com aproximadamente 21% e Minas Gerais com 19%. A
quase totalidade dos frutos colhidos no Rio Grande do Sul é destinada ao
processamento industrial. A maior parte do figo de mesa, destinado ao
mercado nacional e internacional, é cultivado no Estado de São Paulo,
principalmente nas cidades de Valinhos (3,9 mil toneladas) e Campinas (4,3 mil
toneladas) (Figura 2).
Figura 2. Distribuição geográfica de área cultivada de figo no Estado de
São Paulo e número de produtores - safra 2007/2008 (CATI, 2012).
Porém, mesmo com toda essa produção, a ficicultura no Estado de São
Paulo sofreu drástica redução na década de 1980. Essas reduções de área e
do número de pés de figo nas regiões produtoras paulistas foram devidas não
só à escassez de mão-de-obra especializada, exigida principalmente pela
colheita da fruta, mas também pela valorização do preço da terra provocada
por loteamentos imobiliários e pela urbanização. Embora venha sofrendo esta
transformação, o município de Valinhos continua sendo o principal produtor
paulista. Contudo, a concorrência do setor primário com a urbanização, neste
município, tem provocado o deslocamento da atividade para cidades vizinhas,
como o município de Louveira que, atualmente, está entre os principais
municípios produtores (Figura 3).
Figura 3. Participação (%) da área plantada com figo, por município, no
Estado de São Paulo (IEA, 2012).
3. ASPECTOS BOTÂNICOS
A figueira pertence à família Moraceae. O gênero Ficus abrange
aproximadamente 2000 espécies, entre árvores, arbustos, plantas sarmentosas
nativas de regiões tropicais e sub-tropicais. Porém, as únicas espécies de valor
econômico são as espécies carica, sendo que as demais são utilizadas como
plantas ornamentais.
Apresenta células lactíferas, que causam exsudação de látex a partir da
casca, principalmente após períodos secos ou de geada ou, então, causada
por danos mecânicos. Esse látex contém uma enzima proteolítica, conhecida
como ficina, quase semelhante à do mamoeiro e amoreira.
O sistema radicular da figueira é superficial e fibroso. Há registros de que,
em condições adequadas para o seu desenvolvimento, o sistema radicular da
figueira pode aprofundar-se até 6m e, lateralmente, pode se expandir por até
12 metros.
A figueira é uma das poucas espécies do gênero que apresenta
caducidade foliar. É uma árvore bastante ramificada, alcançando até 10 metros
de altura se não for podada. Em geral, devido aos sistemas de poda, a figueira
raramente ultrapassa os 3 metros. A vida útil produtiva está em torno de 30
anos variando conforme o manejo dado à planta.
Em relação à parte aérea, o caule apresenta ramos robustos e lisos,
bastante frágeis e quebradiços. A casca, quando jovem, apresenta coloração
esverdeada, sendo que com o envelhecimento, torna-se acinzentada. A figueira
produz gemas laterais situadas nas axilas, sendo que a gema pseudo-terminal
é maior que as demais e é normalmente vegetativa, e as outras são floríferas.
As folhas são verde-escuras na região adaxial, as quais apresentam alguns
pelos duros e dispersos, e possuem coloração mais clara na região abaxial.
As flores são pequenas, pediceladas e hipóginas. Existem 3 tipos de flores:
as pistiladas com estíolo curto (femininas e adaptadas à vespa polinizadora),
pistiladas com estíolo longo (femininas e não adaptadas à vespa polinizadora)
e as estaminadas (masculinas).
A polinização das flores da figueira, chamada também de caprificação,
ocorre graças à ação de uma vespa específica (Blastophaga psenes), que
penetra pelo ostíolo e carrega o pólen para as flores femininas. No entanto, as
condições climáticas do Brasil são inadequadas ao desenvolvimento da vespa
e, por isso, ela não é encontrada em nosso país. Os figos que ocorrem no
Brasil não formam sementes, mas produzem frutos por partenocarpia e não por
fecundação, já que não há a vespa para polinizar.
Embora comercialmente os figos sejam conhecidos como frutos, na
realidade,
são
considerados
infrutescências
constituídas
de
tecido
parenquimático. O fruto verdadeiro é o aquênio, resultante que se forma no
interior do receptáculo floral, com embrião envolto pelo endosperma e
tegumento. Nas condições do Brasil, como não há fecundação, os aquênios
são ocos (ovário esclerificado).
Os figos são de formato piriforme, com 5 a 8 cm de comprimento,
esverdeados ou violáceo-amarronzado. A parte suculenta do figo é o chamado
sicônio. Algumas cultivares desenvolvem somente um figo por nó, enquanto
que outras desenvolvem frutas de ambas as gemas. O crescimento do figo, em
termos de peso ou diâmetro, segue uma curva sigmoidal dupla.
Conforme as características florais e os hábitos de frutificação, a figueira é
classificada em 4 tipos pomológicos:
a) caprifigo (Ficus carica silvestris) Constitui a única classe de figueiras
que apresenta, quando maduros, estames fornecedores de pólen às demais
variedades. Apresentam flores com ostíolo curto e flores estaminadas;
b) smyrna (Ficus carica smyrniaca) As espécies pertencentes a esta
classe de figueiras, possuem apenas flores femininas de ostíolo longo e, por
isso, precisam do estímulo da polinização e necessitam sem cultivadas
juntamente com caprifigos. Sem este estímulo e sem a formação de sementes,
as frutas da produção principal enrugam e caem ao atingirem cerca de 2 cm de
diâmetro;
c) comum (Ficus carica violaceae ou Ficus carica hortensis) No Brasil,
somente são cultivadas variedades do tipo comum, cujas flores são
exclusivamente femininas. As figueiras do tipo comum desenvolvem-se
partenocarpicamente, ou seja, não necessitam dos caprifigos;
d) São Pedro (Ficus carica intermedia) As figueiras do tipo São Pedro
têm apenas flores femininas, com ostíolo longo, não necessitando de
polinização. Porém, enquanto as flores dos figos da primeira safra são
partenocárpicas, as da segunda safra não se desenvolvem até a maturidade
sem o estímulo da fecundação.
4. VARIEDADES CULTIVADAS
No Estado de São Paulo existem cerca de 25 variedades de figueira, das
quais a única cultivada comercialmente é a ‘Roxo de Valinhos’.
É uma cultivar rústica, vigorosa e bastante produtiva, com boa adaptação a
diversos climas que ocorrem no Brasil, além de ser adaptada ao sistema de
poda drástica. O fruto é alongado, grande e periforme, com pedúnculo curto,
coloração externa roxo-escura e na região interna da polpa, rosa-violácea. Os
figos podem ser destinados tanto para o consumo "in natura" quanto para a
industrialização, na forma de doces em calda e cristalizados. A frutificação
ocorre em ramos do ano. Apesar de suas diversas vantagens, apresenta a
limitação de possuir um ostíolo muito aberto, com tendência e rachaduras,
favorecendo a ocorrência de doenças e pragas.
Além desta cultivar, a ‘Pingo-de-Mel’, também conhecida como 'Kadota',
‘Dottado’ e ‘White Pacific’, embora tenha sido cultivada no Brasil no início do
século, e hoje é pouco cultivada, não apresentando importância comercial. É
uma variedade que adapta-se bem ao sistema de poda drástica produzindo
figos doces, de tamanho médio, periformes e com polpa de cor âmbar. É
utilizada para indústria na Califórnia (EUA) e na Itália é a principal matériaprima para a produção de figo-passa.
5. ASPECTOS EDAFOCLIMÁTICOS
A figueira é uma espécie caducifólia e adapta-se melhor ao clima
temperado, com invernos suaves e úmidos e verões quentes e secos. Contudo,
a figueira é uma frutífera que possui grande capacidade de adaptação a
diferentes condições climáticas, principalmente, devido ao fato de ser uma
espécie com pouca exigência em frio. Nas regiões de clima seco, a estação
seca ajuda induzir o repouso vegetativo, complementando o efeito do frio.
Temperatura: A figueira é pouco exigente em frio e tolera temperaturas de
até 35 a 42ºC. No entanto, temperaturas em torno de 40ºC, durante o período
de amadurecimento dos figos, provocam maturação antecipada, com alteração
na consistência da casca do fruto, que se torna coriácea e dura. Em regiões de
clima mais frio, há risco de danos por geadas tardias, pois temperaturas no
final do inverno entre –3 a –6ºC podem matar os figos em formação e os ramos
mais herbáceos. Como alternativas para contornar os efeitos da ocorrência de
geadas tardias recomenda-se que a poda seja feita mais tardiamente. Já nos
trópicos, as plantas produzem bem nas regiões de altas altitudes (900 a
1500m).
Chuvas: A figueira é bastante sensível a falta de umidade no solo,
principalmente no período de frutificação, o que está relacionado ao seu
sistema radicular superficial. A cultura exige, no período vegetativo, chuvas
freqüentes e bem distribuídas, sendo adequadas precipitações em torno de
1200 mm anuais. Porém, em situações de excesso de umidade, a qualidade do
frutos pode ser prejudicada com o aumento da incidência de doenças.
Ventos: Geralmente, o vento não chega a causar prejuízos. Porém, ventos
fortes podem provocar danos mecânicos aos frutos causados pelas batidas das
folhas. Dessa forma, nos locais de ventos fortes, recomenda-se o uso de
quebra-ventos.
Luz: A figueira em ambiente altamente iluminado adquire um crescimento
vigoroso e produz frutas de excelente qualidade.
Solos: A figueira adapta-se bem a diversos tipos de solos, porém de
maneira geral, os solos mais apropriados são os solos areno-argilosos,
profundos, bem drenados, com bom teor de matéria orgânica e com pH entre
6,0 e 7,0. Solos ácidos, deficientes em umidade e pobres em fertilidade
dificultam o desenvolvimento da planta e afetam a qualidade dos frutos.
6. PROPAGAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DO POMAR
A propagação da figueira pode ser realizada por via sexuada e assexuada.
Entretanto, a propagação através de sementes exige a presença da vespa
polinizadora. Dessa forma, esse processo de propagação não é realizado em
nosso meio devido à ausência desse inseto.
A propagação assexuada é feita principalmente através de estaquia,
embora também possam ser utilizadas a mergulhia (mergulhia de cepa e
alporquia), a enxertia e a propagação através de rebentões. Embora os usos
da mergulhia e dos rebentões sejam bons materiais propagativos, seus usos
são bastante restritos, principalmente se as mudas forem provenientes de solos
infestados de nematóides.
A produção de mudas de figueira por estaquia é bastante utilizado. As
estacas podem ser enraizadas em viveiros, diretamente no pomar ou em
recipientes. Neste caso, o terreno para viveiro deverá ser bem drenado, com
boa disponibilidade de água para irrigação, livre de plantas invasoras
(especialmente tiririca e grama-seda) e, principalmente, isento de nematóides.
Em geral, o método mais utilizado é a propagação através de estacas
lenhosas, pois permite o uso do material descartado pela poda e enraizamento
sem estruturas especiais de nebulização. O preparo das estacas consiste em
cortá-las em comprimento adequado, submetendo-as, quando necessário, ao
tratamento com fungicidas e com fitorreguladores.
Estando preparadas as condições do viveiro para o plantio das estacas,
fazem-se os orifícios para a introdução das mesmas. Essas devem ser
plantadas em leito de enraizamento, espaçadas entre si de 10 a 20 cm,
deixando duas gemas para fora. Quando iniciar a brotação, deve-se selecionar
o melhor broto, através da desbrota, a qual deverá ser feita quando as
brotações atingirem de 5 a 10 cm de comprimento. A muda será então,
conduzida em haste única até atingir 40 a 60 cm de comprimento, sendo
despontada no inverno seguinte nesse comprimento, estando apta para ser
comercializada e transplantada ao local definitivo.
As mudas provenientes do viveiro com idade de 12 meses podem ser
plantadas no pomar em covas de 0,6x0,6x0,6m. As covas devem receber
matéria orgânica bem descomposta, calcário, farinha de osso e cloreto de
potássio. Sendo que após o pegamento da muda indica-se aplicação de 150g
de adubo nitrogenado. Os espaçamentos mais utilizados têm sido de 2,5x2,5m;
2,0x3,0m; 3,0x3,0m; indicando-se também, espaçamento duplo 2,0X2,0X4,0m.
A época de plantio depende do tipo de muda a ser utilizado. Com o uso de
estacas, a época ideal é entre maio e setembro. Porém, quando se utilizam
mudas enraizadas em sacos plásticos, o plantio pode ser realizado em
qualquer época do ano, de preferência em época chuvosa.
7. SISTEMAS DE CONDUÇÃO E PODAS
A figueira recebe podas de inverno e de verão (verde), sendo que a poda
de inverno se divide em poda de formação e de frutificação (produção).
Poda de formação: A muda plantada no campo, de haste única é podada
a altura de 0,5m aproximadamente. Durante o período de vegetação das
gemas terminais surgem 3 a 4 pernadas, que constituirão a base da copa. No
período de inverno do 2º ano (julho a agosto), essas pernadas oriundas da 1ª
poda serão podadas a um comprimento de 15 a 20 cm. Em cada pernada
deixam-se desenvolver 2 ramos. Já no inverno do 3º ano (julho a agosto), as
operações se repetem. Cada ramo será podado deixando-se com o
comprimento de 15 a 20 cm. Sobre cada um deles, deixam-se desenvolver 2
ramos inseridos lateralmente e opostos. Esses ramos são portadores de gemas
floríferas dando origem, durante a estação de desenvolvimento, a uma
produção inicial, que se intensa, deve ser retirada. Ao término dessas
operações, a figueira se apresenta com 12 ramos, estando, assim, constituída
a copa.
Poda
de
frutificação
(produção):
Ao
adentrar
o
3º
ano
de
estabelecimento das figueiras, realiza-se a poda de frutificação na época da
dormência (julho a agosto), a qual tem por finalidade orientar a planta para a
produção. A poda de frutificação resume-se em se fazer sobre os ramos uma
poda drástica ou curta, reduzindo-os para 5 ou 10 cm, de modo que cada um
deles dê origem a um único ramo em que ocorrerá a produção. Essa poda será
repetida a cada inverno, seguindo-se o mesmo esquema.
Poda verde: Realizada tão logo surgem as primeiras brotações, fazendose a desbrota para eliminar todas essas brotações laterais indesejadas, de
modo que a haste mantenha-se sem bifurcações.
8. TRATOS CULTURAIS
Adubação e calagem: A figueira requer solos de boa fertilidade e muito
pouco ácidos, razão pela qual a calagem e a adubação devem ser bem feitas,
de acordo com a análise química do solo. A quantidade de calcário irá variar
em função do critério usado para determinar a necessidade de calagem. De
maneira geral, recomenda-se aplicar calcário para elevar a saturação de bases
a 70%. Logo após a colheita, realiza-se adubação anual aplicando esterco
curtido, farinha de osso, sulfato de amônio e cloreto de potássio. O uso de 600
a 800g por planta e por ano da fórmula 10-10-10, divididos em 3 aplicações,
pode ser aplicado também. O excesso de nitrogênio provoca desenvolvimento
vigoroso da planta e frutos maiores, porém retarda a maturação dos mesmos.
Cobertura morta: O emprego da cobertura morta do solo do pomar
permite
preservar
a
umidade
do
solo,
fundamental
para
o
bom
desenvolvimento da figueira. Em locais com precipitações irregulares,
pequenas estiagens são sentidas pelas plantas, causando a queda das folhas,
com prejuízos à produção. Neste caso a cultura deve ser irrigada. Por outro
lado, a alta umidade pode predispor as frutas ao ataque de doenças bem como
causar fendilhamento das frutas quando elas se encontram no estágio de
maturação. Essa cobertura é feita com palha seca ou capim gordura (2 a 4ha
para cobrir 1ha de figueira).
Controle de plantas daninhas: O uso de cobertura morta tem sido o
melhor meio de controle das plantas daninhas. Entretanto, as que aparecerem
devem ser eliminadas através de capinas manuais ou pela aplicação de
herbicidas.
Irrigação: A figueira é uma planta que necessita de 1.200 mm de água
bem distribuídos ao longo do ano. É indispensável nas estiagens (por sulcos,
gotejamento, em bacias ou aspersão) ou quando se deseja implantar a cultura
em áreas onde não se dispõe desta condição climática, podendo ser utilizada a
irrigação, sendo que os métodos recomendados são o gotejamento e a
microaspersão. Sob condições de irrigação é possível a produção de figos
nessas regiões mais secas em épocas distintas da principal região produtora
(Valinhos,SP), ou seja, é possível oferecer o produto na entressafra.
Aplicação de
reguladores de
crescimento:
Os
reguladores
de
crescimento são utilizados nas figueiras para se obter colheitas mais precoces.
Esses reguladores atuam antecipando a brotação dos ramos, iniciando mais
cedo, entre os meses de novembro e dezembro. Utiliza-se calcionamida na
dose de 20kg/100 litros de água. Além disso, os reguladores agem também
antecipando a maturação dos frutos. Realiza-se a aplicação de etileno ou óleos
vegetal no ostíolo do figo acelerando o processo de maturação.
9. PRAGAS, DOENÇAS E NEMATÓIDES
Pragas
Broca-dos-ramos (Azochis gripusalis): Causada pelas larvas de uma
mariposa que põe os ovos sobre os ramos ou na base do pecíolo das folhas.
Inicialmente, as larvas se alimentam da casca tenra dos ramos onde se deu a
eclosão. À medida que se desenvolvem, atinge a parte lenhosa dos ramos,
restringindo-se seu ataque à medula. No local de penetração da broca, notamse excrementos ligados por uma teia de natureza sedosa, que vai obstruir a
entrada da galeria, protegendo a broca. A maior infestação da praga verifica-se
depois de novembro, podendo chegar até abril. O controle deve ser feito
integrando-se métodos culturais (podas rigorosas dos ramos e limpeza da
área), físicos (uso de armadilhas luminosas) e químicos (Dipterex-50 - 300
ml/100 litros de água ou calda bordalesa, Folidol-600 - 100 ml/100 litros de
água ou calda bordalesa, Deltametrina-2,5CE- 50 ml/100 litros de água ou
calda bordalesa).
Broca do Tronco (Colobogaster cyanitaris): Estas brocas são larvas de
coleópteros que abrem galerias nos ramos e troncos da figueira. Causam a
murcha e a seca dos ramos, folhas e frutos localizados acima da região do
ataque. Os troncos atacados podem apresentar feridas e galerias, mas em
todos os casos acabam secando e levando a planta ao definhamento e morte.
Para
o
controle,
recomenda-se
mistura
de
um
inseticida
fosforado,
pulverizando o tronco da figueira ou pode ser feito, ainda, o pincelamento do
tronco após a poda com uma das misturas: 10kg de cal, 2kg de enxofre, 1kg de
Diazinom M40 e 1kg de sal em 100 litros de água.
Cochonilhas (Asterolecanium pustulans): As cochonilhas são bastante
prejudiciais às plantas, pois vivem na superfície de diversos órgãos vegetais
aéreos, onde se fixam e sugam a seiva dos tecidos, enfraquecendo a planta. O
controle das cochonilhas deve ser feito no período de entressafra, após a poda
dos ramos, dada a dificuldade de se fazer o controle durante a brotação e a
frutificação. Deve-se efetuar a aplicação durante o repouso vegetativo com
óleos emulsionáveis.
Doenças
Ferrugem (Cerotelium fici): É uma doença difundida por todas as áreas
em que se cultiva a figueira e é considerada a doença de maior importância da
cultura. A doença caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas manchas
verde-amareladas nas folhas, sendo que na página inferior delas, corresponde
à área das lesões, formam-se pústulas recobertas por uma massa pulverulenta
ferruginosa constituída de esporos do fungo. Em conseqüência do ataque,
causa a queda prematura de folhas, fazendo com que os figos cresçam
minguados, com péssima qualidade e caiam prematuramente. O controle da
ferrugem deve começar com os tratamentos de inverno, poda, eliminação de
todos os órgãos passíveis de se constituírem em fonte de inóculo primário para
a estação seguinte, inclusive as folhas caídas no chão, as quais devem ser
queimadas.
Pulverizações
com
calda
bordalesa
a
1%,
fazendo-se
pulverizações quinzenais das plantas durante primavera e verão. No outono o
tratamento pode ser mais espaçado.
Antracnose (Colletotrichum gloesporioides): Também é conhecida
como podridão do fruto, pois pode causar a formação de manchas necróticas e
o apodrecimento dos frutos em estágio adiantado de maturação, inutilizando-os
ou reduzindo seu valor comercial. Nas culturas onde é feito um bom controle da
ferrugem, esta doença não constitui problema. Após a colheita, deve-se fazer a
imediata destruição, pelo fogo, de todas as partes vegetativas atacadas pelo
fungo.
Nematóides
Atualmente, o nematóides Meloidogyne incognita, denominado nematóide
das galhas, é considerado o maior problema fitossanitário da ficicultura,
especialmente nas regiões tradicionais produtoras de figos. Os nematóides
causam a formação de galhas que obstruem o fluxo normal da seiva dos
assimilados, fazendo com que diminua a taxa fotossintética e criando uma
porta de entrada para outros microorganismos como fungos, vírus e bactérias.
As raízes atacadas apodrecem e morrem, ao passo que a planta tenta reagir
emitindo novas raízes para substituir as destruídas. Quando o ataque é
intenso, a figueira é enfraquecida visivelmente e pode chegar a morrer,
dependendo da intensidade do ataque. Inúmeras medidas de controle são
preconizadas, dentre as quais:
a) usar mudas sadias oriundas de estacas e nunca de rebentos ou filhotes
enraizados;
b) usar terrenos livres de nematóides, evitando-se os arenosos, pois, nesta
condição, o nematóide se difunde mais rapidamente;
c) fazer arações pesadas para expor os nematóides à superfície, deixar o
terreno sempre limpo e fazer rotações de cultura com Crotalaria spectabilis ou
cravo de defunto (Tagetes sp.);
d) como o principal disseminador é o próprio agricultor, deve-se evitar ao
máximo a entrada de solo de área contaminada. Deve-se, também, observar a
procedência da água que será utilizada para a irrigação;
e) cultivar em solos argilosos e evitar solos arenosos por favorecerem a
propagação do nematóide;
f) fazer uso de cobertura morta para favorecer o desenvolvimento de
parasitas e nematófagos;
g)
usar
nematicidas,
embora
dispendioso,
controla
nematóides,
possibilitando maior vigor às plantas.
10. COLHEITA E PÓS-COLHEITA
A época de colheita na região de Valinhos (SP) se estende desde
novembro até maio. O período de colheita pode ser estendido de outubro a
agosto, dependendo da época da poda. Na maior parte das regiões produtoras,
o período da safra está ao redor de novembro a abril. A colheita deve ser feita
diariamente, procedendo-se manualmente, e sendo realizada logo pela manhã,
nas horas mais frescas do dia para evitar o seu rápido dessecamento.
Dependendo do sistema de podas, pode-se ter duas produções distintas
durante o ano. A primeira menor, chamada de brebas, cujos frutos são
provenientes de gemas dos ramos do ano anterior. E a segunda são os frutos
provenientes dos ramos do ano. No Estado de São Paulo faz-se apenas a
colheita nos ramos do ano.
Por serem muito sensíveis, os figos devem ser arrancados com cuidado da
planta, com todo o pedúnculo, e depositados com delicadeza nos cestos de
coleta. Estes cestos de madeira, geralmente, são forrados com palha, algodão
ou espuma fina. No entanto, a EMBRAPA, visando a redução dos impactos
negativos causados no transporte, desenvolveu uma cesta para a acomodação
dos figos, onde cada fruto é colocado em células individuais e anatômicas.
Com isso, evita-se a cesta de madeira, na qual os frutos ficam uns sobre os
outros e manchados pelo látex que escorre do pedúnculo recém-destacado,
formando um depósito propício à contaminação. Na cesta, o pedúnculo fica
para baixo, evitando danos mecânicos e manchas. A cesta de plástico é mais
higiênica e ergonômica, e foi construída com material totalmente lavável,
evitando a contaminação por microrganismos indesejáveis.
Os figos destinados para a mesa devem ser colhidos "de vez", para
poderem chegar ao mercado sem deteriorarem. Já o figo, quando utilizado pela
indústria para a produção de figo em calda, é colhido 20 a 30 dias antes do figo
para a mesa e deve ser colhido quando a cavidade central estiver
completamente cheia.
A qualidade inicial dos figos é fundamental para a sua vida em póscolheita, razão pela qual é recomendado o pré-resfriamento. A deterioração
dos figos será mais ou menos rápida, dependendo da temperatura à qual as
frutas foram expostas. Através da refrigeração, é possível controlar o
crescimento de microrganismos, reduzir a atividade respiratória e retardar a
atividade metabólica. A conservação do figo de mesa (maduro) em câmaras
frias, à temperatura de 0 a 4ºC e com 85% de umidade relativa do ar permite
sua conservação por até 10 dias, mas apresenta o inconveniente de uma vez
retirados, terem de ser consumidos no máximo em 2 dias. Técnicas como o
uso de atmosfera modificada também tem sido muito utilizada na conservação
do figo de mesa.
Para a comercialização, as vendas são realizadas diretamente com as
indústrias ou via CEASA e CEAGESP, o qual desenvolveu uma cartilha de
Normas de Classificação, visando a padronização e organização do comércio
do figo de mesa. Essa cartilha está de acordo com o programa de Produção
Integrada de Figo (PIF Figo), desenvolvido pelo Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria da Agricultura e Abastecimento
do Estado de São Paulo (SAA) através da Coordenadoria de Assistência
Técnica e Integral (CATI). O PIF Figo tem o objetivo de obter frutos de alta
qualidade, priorizando os princípios da sustentabilidade, da preservação dos
recursos naturais e de uso racional dos insumos modernos, tendo como
resultado
um
figo
produzido
de
maneira
ambientalmente correto e socialmente justo.
economicamente
viável,
Bibliografia Consultada
I Simpósio Brasileiro sobre a Cultura da Figueira. Anais, Ilha Solteira, 18 a 29
de novembro, 1999.
II Simpósio Brasileiro sobre a Cultura da Figueira, Campinas, 12 a 14 de maio,
2010.
AGRIANUAL- Anuário da Agricultura Brasileira. São Paulo: Instituto FNP,
2010. 310p.
CATI. Distribuição geográfica da área cultivada e número de produtores
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