GT-33: PRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO DO CONHECIMENTO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Organizadora: Profª. Dr ª. Liomar Costa de Queiroz (Departamento de Letras) Email: [email protected] Local/horário: Setor de aula II, Bloco A, sala 1, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h. PRIMEIRO DIA 1. Elaboração conceptual: uma corrida de obstáculos Maria Salonilde Ferreira (Professora Dra. do PPGEd/UFRN) A formação de conceitos é um dos fatores mais importantes para o domínio do conhecimento científico. Sem eles não se pode internalizar leis, princípios e teorias. Esse domínio se constitui um processo complexo e de longa duração exigindo um ativo trabalho intelectual, implicando na utilização de inúmeras operações mentais. No entanto, a elaboração conceptual no contexto da escolaridade formal tropeça numa série de obstáculos. Neste estudo, a análise se volta para algumas das dificuldades que os alunos encontram na elaboração de seus conceitos durante a escolarização. Essas dificuldades foram constatadas no contexto de uma investigação que se efetivou nos primeiros ciclos do ensino fundamental de uma escola da rede pública da cidade de Natal. Elas são de natureza diversa. Uma das maiores dificuldades constatadas na elaboração, pelos alunos, de conceitos científicos é a superação do estágio sensório-perceptivo. Essa superação requer um grau de generalidade em que se efetiva a redução de todos os atributos de uma classe dada ao seu gênero e afixação de tais atributos no fenômeno os quais permitem que este seja universal. Portanto, no processo de elaboração conceptual em situação escolar alguns fatores precisam ser considerados.É preciso planejar cuidadosamente o caminho a seguir durante o processo: os conhecimentos em que os alunos deverão se apoiar, as idéias a serem utilizadas como base intuitiva, as explicações a serem acrescentadas, as situações de aprendizagem para precisar o conceito e operar com ele. A combinação adequada dos componentes visualfigurativo, verbal-teórico e prático-efetivo do pensamento é que garantirá a qualidade da elaboração conceptual do aluno. 2. A mediação do professor na internalização de conceitos matemáticos Marlúcia Oliveira de Santana Varela (Profa. Dra. do Departamento de Matemática/UFRN) As investigações atuais sobre a profissionalização docente põem em evidencia as práticas pedagógicas, mais particularmente o papel do professor de matemática. Estudos realizados por (VARELA, 2000), atestam que o fracasso das crianças na Escola, na maioria do casos está associado ao processo de ensino - aprendizagem que nela é vivido e que, a mediação do professor suas possibilidades seus limites interferem significativamente na totalidade do processo. A forma e o momento de sua intervenção podem ser favoráveis ou não(p.221). A operacionalização do trabalho a ser apresentado, caracteriza-se como uma investigação ligada a Base de Pesquisa - Formação de Conceitos na Escola Elementar - UFRN, numa Escola da Rede pública da cidade de Natal, junto a um grupo 08 (oito) professoras em do 1º e 2º ciclos do ensino fundamental. Nesse contexto, pretendemos investigar a mediação do professor no processo de ensino e aprendizagem de significados dos conceitos matemáticos. A referência para essa investigação tem base em conceitos mais gerais - espaço/tempo, movimento, matéria, entre outros, realçando-se uma diversidade de significados com diferentes graus de generalidade. As concepção de ensino aprendizagem tomam como base pressupostos referenciados por Vygotsky (1993) e colaboradores. As técnicas e os métodos usados tomarão como base a matriz conceptual VARELA (2000 p. 81) e o acompanhamento das formulações dos professores em seu exercício docente. Delimitamos para esta investigação o conceitos de: dimensão (formas espacias e planas), posição e mensurabilidade. 3. O conhecimento na escola e a prática docente: significados e dimensões Márcia Maria Gurgel Ribeiro (Profª. Dra. do Departamento de Educação/PPGED – UFRN) [email protected] A organização do conhecimento na escola representa uma preocupação atual no campo dos debates sobre o currículo e o ensino. Envolve aspectos referentes não só às finalidades políticas e pedagógicas dessa instituição, mas, à dinamização de estratégias de produção e apropriação desse conhecimento na sala de aula, em especial, para as crianças das camadas populares. A Base de Pesquisa Formação de Conceitos na Escola Elementar, que reúne pesquisadores dos Departamentos de Educação, Letras e Matemática da UFRN, em uma escola pública estadual de Natal/RN, adota pressupostos da pesquisa colaborativa e de intervenção para refletir, com 08 (oito) professoras e 02 (duas) coordenadoras pedagógicas sobre o currículo escolar e a prática pedagógica. O recorte que elaboramos nessa comunicação privilegia elementos do processo de produção e aquisição do conhecimento na escola e a organização da prática docente que assegure a realização desse processo. Reflete sobre o significado do conceito de conhecimento para as professoras e as formas privilegiadas por elas para que ocorra a sua apropriação pelos alunos. As análises realizadas até o momento apontam para a necessidade de ampliar a compreensão sobre o que seja conhecimento, rompendo em uma visão centrada nas disciplinas escolares, incluindo múltiplos significados culturais sobre diferentes conhecimentos, linguagens e suas formas de expressão, valores, atitudes, habilidades. Torna-se fundamental, enfim, repensar o papel social da escola e do currículo como campo cultural de produção de significados abordando as diferentes dimensões constitutivas do conhecimento escolar para compreende-lo de forma complexa e inter-relacionada. 4. A imagem fotográfica na construção da identidade da criança Patrícia de Souza Azevedo (Graduanda em Pedagogia/UFRN – bolsista PPPg) Analisa-se o processo de significação que ocorre na escola, mediado pela imagem fotográfica em situações formais de ensino/aprendizagem. Parte-se do pressuposto de que a mediação da fotografia contribui para a construção do saber e da constituição das identidades dos indivíduos, no sentido em que as experiências sensório-motoras atuam como organizadoras da percepção do aluno sobre sua participação no processo de ensino-aprendizagem e dos significados culturais que envolvem esse processo. Essas experiências permitem que o mesmo desenvolva formas autônomas de atuação no contexto escolar, construindo o conhecimento sobre o mundo, os indivíduos e sobre si mesmo nas interações com o contexto concreto de produção das interações sociais. A participação dos alunos nas atividades escolares ocorre de forma diferenciada, incluindo elementos das experiências sociais e culturais vivenciadas no seu cotidiano. Norteia, também, as investigações, preocupações que envolvem a aprendizagem, o desenvolvimento infantil, o processo de desenvolvimento de conceitos científicos e a constituição das identidades dos alunos. É possível concluir que as questões envoltas no processo de constituição da identidade, através da imagem fotográfica, vão se ampliando, desde a história de vida do próprio sujeito, passando pela expansão de suas relações com seus familiares, até a sua chegada na escola. Logo, a escola, assumindo seu papel que vai além da produção e sistematização do conhecimento científico, abre espaço para a construção dessas subjetividades que perpassam todas as situações de aprendizagem e mediações nela ocorridas. 5. O que pensam as professoras sobre a docência? Reflexões sobre singularidades da atuação do professor no ensino fundamental Patrícia Carla de Macedo Chagas (Mestranda em Educação/UFRN) A profissão docente é constituída por múltiplas dimensões que implicam em sua organização e complexidade. Estudos sobre a docência ampliam os conhecimentos sobre as particularidades que revestem suas relações históricas, teórico-metodológicas, sócio-culturais, políticas e subjetivas e sobre as formas de escolha e organização das estratégias de ensino. O presente trabalho contextualiza elementos que envolvem esta profissão, destacam aspectos cada vez mais recorrentes e polêmicos nos debates educacionais contemporâneos e convoca o fazer e o ser docente para a arena dos conflitos pertinentes a espaços de atuação, envolvendo aspectos que assegurem ao aluno a apropriação do conhecimento. O estudo é realizado com 08 Professoras e 01 Coordenadora de uma escola pública estadual de Natal/RN, através de entrevistas e observações nos momentos de planejamento do trabalho docente. As sínteses elaboradas até o presente momento apontam a diversidade e complexidade do ser docente, exigindo do professor o domínio de diferentes conhecimentos e campos de produção desses conhecimentos. Mostram, ainda, que a sala de aula constitui-se em um espaço de múltiplas relações e interações que envolvem os processos de produção e apropriação de conhecimentos e implicam na compreensão dessa multiplicidade e na clareza das escolhas relativas às estratégias de ensino utilizadas. 6. Para Além dos Conteúdos Disciplinares...: um estudo sobre as relações interpessoais na sala de aula do Ensino Fundamental Kize Arachelli de Lira Silva (Graduanda em Pedagogia/UFRN – Bolsista PIBIC/CNPq) O universo da sala de aula, por sua complexidade, tem sido considerado um cenário não só de aquisição de conhecimentos, mas de constituição de identidades, de trocas e construção de significados compartilhados entre professores e alunos envolvendo afetividades, emoções, relações intersubjetivas que entretecem a intervenção pedagógica (o aprender e o ensinar). Sendo assim, o estudo ora apresentado toma a comunicação de aula como fenômeno de análise privilegiado. Essas discussões e análises integram a participação da autora como bolsista de Iniciação Científica, vinculada ao CNPq/PIBIC, na Base de Pesquisa Formação de Conceitos na Escola Elementar do Departamento de Educação e programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. As pesquisas desenvolvidas nessa Base possibilitam inter-relações importantes para compreendermos a prática pedagógica e os conhecimentos necessários ao professor para o seu desenvolvimento. A metodologia se caracteriza por seu caráter colaborativo e interativo com observações diretas numa turma do 2º ciclo de sistematização, composta por 31 alunos e uma professora polivalente numa escola estadual de Natal/RN. As primeiras análises apontam para a necessidade de uma discussão que envolve aspectos relativos à formação docente, à concepção de identidade, currículo e diversidade cultural. Evidenciam, ainda, que as relações pedagógicas na sala de aula estão estruturadas de forma a privilegiar os conteúdos disciplinares, muitas vezes, desconsiderando a importância da integração dos aspectos afetivos, emotivos, relacionais, culturais, entre outros, na organização do currículo escolar. 7. Exposição sobre os métodos de separação de misturas realizada numa feira de ciências numa escola municipal de natal – RN Gleba Coelli Luna da Silveira (Aluna Ms. especial da Pós-Graduação do Departamento de Educação/UFRN) [email protected] O trabalho, cujo tema trata de “Métodos de Separação de Misturas”, foi desenvolvido por 06 alunos do projeto acreditar IV (7a e 8a séries do ensino fundamental sob orientação da professora de ciências) e apresentado durante uma feira de ciências realizada na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo no bairro de Nova Natal (Natal RN). Durante os dois dias de feira, os alunos explicaram os processos de separação de misturas, onde eles utilizaram algumas vidrarias de laboratório, como também materiais alternativos que foram por eles mesmos obtidos como, por exemplo: beckers feitos a partir de frascos de café solúvel e de maionese; funis feitos a partir de garrafas de vinho, peneiras e pires de louças usadas nas casas dos alunos. Foram demonstrados 10 métodos de separação de misturas, porém, aqui, exemplificaremos apenas 07 métodos: Os processos de separação por evaporação, sifonação, catação, flotação, tamisação, imantação e dissolução fracionada. O resultado final do trabalho foi satisfatório para a escola, para o professor e, principalmente, para os alunos, que foram extremamente participativos, desde a obtenção do material, até a apresentação do assunto estudado. 8. No princípio... A água...: O conceito de origem e as estratégias para ensiná-lo no ensino fundamental Denise Cortez Fernandes de Araújo (Mestranda – Departamento de Educação/UFRN) [email protected] [email protected] O presente trabalho é o resultado das análises sobre a proposta pedagógica destinada ao ensino das Ciências Físicas e Biológicas no ciclo de sistematização do Ensino Fundamental, cujo eixo centra-se no processo de elaboração conceptual. Fundamentado na abordagem sócio-histórica que apresenta elementos teóricos essenciais para entendermos a passagem dos conceitos espontâneos à formação de conceitos científicos, objetiva compreender o processo de internalização dos significados pelo aluno em níveis de generalização mais abrangentes. Destacamos, nessa análise, o conceito de origem que, entre outros, pertence à rede conceptual do sistema de referência considerada como nucleadora do processo desencadeado no citado ciclo de ensino. Os elementos empíricos foram analisados, considerando-se as interações que se estabeleceram na ação educativa, abrangendo desde o planejamento até o cotidiano da sala de aula. Para isso, a observação participativa foi a técnica de coleta de dados usada preponderantemente. Outros aspectos, importantes para esses estudos, são sistematizados a partir das situações de aprendizagem vivenciadas pelos alunos e da sistemática de assessoramento às professoras. As sínteses realizadas até o presente nos revelam que grande parte dos alunos conseguiu avançar no processo de elaboração conceptual, proporcionando rupturas com o significado do senso comum, para internalização de significados mais generalizantes, favorecendo sua aprendizagem e o seu desenvolvimento psicosocial. 9. Mediação, motivação e conhecimento prévio: numa relação no processo ensino-aprendizagem Maria de Lourdes Gabriel Ferreira Soares (Mestranda do PPGEd/UFRN) A formação de conceitos no processo ensino-aprendizagem é uma atividade produtiva que surge e se configura no curso de operações complexas voltadas para a solução de algum problema. Esse, para ser resolvido, requer mediação, motivação e conhecimento prévio, numa rede intrincada e plural de linguagem (inter-relações/conexões) para a sua resolução. A aprendizagem ocorre nos níveis de generalização diferenciada, de acordo com o estágio de desenvolvimento do sujeito e do processo de ensino utilizado pelo professor. A mediação se inicia na relação contínua com a natureza ligada à divisão técnica e social, na construção da prática, no tempo histórico e no espaço social, construindo ferramentas e descobrindo técnicas para a produção de sua cultura, iniciado pelos rituais, nos lugares, codificando gestos e palavras. A mediação tornou-se a chave para entender a ação humana envolvendo os motivos que fizeram fluir a motivação para o desenvolvimento do potencial dos instrumentos culturais. A mediação do professor, no ensino fundamental, ocorre quando há uma transformação do conhecimento prévio para o conhecimento escolar, enquanto isso a transmissão do saber pelo professor dá ao aluno a emancipação. A emancipação parte dos conhecimentos prévios relacionados com as situações concretas e vivenciais do aluno para chegar às generalizações pela sistematização do conhecimento escolar. O processo ensino-aprendizagem depende, portanto, desses elementos essenciais na elaboração conceitual e no salto qualitativo das funções mentais superiores. SEGUNDO DIA 10. A formação do professor alfabetizador e o ensino da língua materna: uma perspectiva sócio-interacionista Marlúcia Barros Lopes Cabral (Mestranda do PPgEL/UFRN) O alfabetizador é um profissional do ensino de línguas e a formação dele configura-se hoje como sendo um referencial significativo à práxis educativa, visto que, a alfabetização é uma atividade pedagógica que está diretamente inserida no processo ensino-aprendizagem de língua e pressupõe o conhecimento da estrutura e do funcionamento da língua, das técnicas pedagógicas, dos mecanismos que permitem a aquisição da linguagem, bem como a adequação do seu uso às diversas situações sócio-comunicativas. Assim sendo, estudar a formação do alfabetizador, enquanto professor de línguas, numa perspectiva Sócio-interacionista, adquire relevância porque aborda aspectos essenciais a uma prática pedagógica mais consciente e reflexiva, amparada em bases teóricas coerentes. Nesta perspectiva, almejamos que esta pesquisa possa contribuir para que o professor, enquanto parceiro mais competente, medie conhecimentos que possam proporcionar a competência lingüística. Desta forma, o estudo a que nos propomos realizar possibilitará alcançar outros objetivos, dentre eles: Proporcionar a compreensão de que a linguagem, enquanto interação verbal, deve ser estudada e ensinada em situações concretas de interação e numa perspectiva sócio-interacionista e alertar para o fato de que não existe neutralidade no ensino da língua e, conseqüentemente, que na prática do professor alfabetizador está imbuída, concepções de linguagem, de aprendizagem e desenvolvimento, entre outros, que caracterizam a sua tomada de posição pelo controle ou mudança, pela opressão ou libertação. Para tanto, além de pesquisas bibliográficas, faremos pesquisas de campo utilizando como recursos metodológicos entrevistas, observações com insights e gravação em vídeo de aulas. 11. Formação lingüística das professoras do ensino fundamental Liomar Costa de Queiroz (Profa. Dra. do Departamento de Letras/UFRN) O projeto Formação lingüística das professoras do 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental, Natal/RN, está inserido na pesquisa “A formação de conceitos como elemento constitutivo dos saberes docentes no Ensino Fundamental”, da Base de Pesquisa – Formação de conceitos na escola elementar, do Dptº. de Educação da UFRN. Tem como objetivo observar a produção de seqüências textuais narração e descrição. A partir dos resultados da minha tese de doutorado, surgiu a necessidade em elaborar este projeto por já termos constatado a falta de formação lingüística sistemática tanto para ministrar os conteúdos no dia-a-dia em sala de aula, como para desenvolver as situações de aprendizagem que envolveram a produção, compreensão e revisão de texto escrito, que foi o que nos propusemos e estamos nos propondo, novamente, a observar, discutir e intervir com propostas teórico-práticas que contribuam para uma formação continuada. Ampliaremos as observações em sala de aula com e sem gravação em fita cassete e incluiremos filmagens com análises do registro das imagens, entre outros procedimento anteriormente utilizados. Essas análises darão oportunidade às professoras de se auto-analisarem, o que facilitará para se efetivarem como pesquisadoras e críticas do seu próprio trabalho. Estamos decidindo apenas pelo 4º nível por já incluir duas classes. Essas professoras possuem um diferencial em relação as demais da rede Pública, devido o nosso processo de intervenção e assessoramento. A abordagem utilizada será a qualitativa, através da Pesquisaação e, como abordagem teórica, teremos a Lingüística de texto subsidiando a produção e revisão de texto. 12. Reescrita e compreensão textual no ensino fundamental: a mediação do professor Mariliane Delmiro Filgueira da Silva (Graduanda em Pedagogia/UFRN – bolsista PIBIC/CNPq) O trabalho aborda questões relativas ao Ensino da Língua Portuguesa, no contexto da produção e compreensão textual escrita. Insere-se num trabalho mais amplo da Base de Pesquisa: Formação de Conceitos na Escola Elementar, mais especificamente a Pesquisa: Formação de Conceitos como Elemento Constitutivo dos Saberes Docentes no Ensino Fundamental. Tem como referencial empírico uma escola pública de Natal-RN. O mesmo ocorreu numa turma do Ciclo de Sistematização da referida escola, com aproximadamente 30 alunos. Na coleta de dados predominaram as observações sistemáticas, privilegiando a atuação do professor em sala de aula. Através dessas observações, constatamos que, no campo específico da linguagem verbal, a preocupação maior foi trabalhar a leitura, produção, compreensão e reescrita de texto. Constatamos que em relação à reescrita a professora está em processo de elaboração e desenvolvimento do conhecimento, pois propôs situações de aprendizagem que despertaram interesse nos alunos na produção textual mas, ao utilizá-las na reescrita, ainda assumiu a postura de privilegiar mais aspectos ortográficos, apesar de estar sendo orientada no sentido de privilegiar a coerência textual. Em relação à compreensão textual, a professora mostrou-se segura, trabalhando o significado das palavras desconhecidas, propondo situações de aprendizagem que possibilitam aos alunos refletirem sobre qual o significado daria mais sentido à frase no contexto do texto. Nessa situação, podemos perceber que a professora realizou a tarefa de mediação, adequadamente, solicitando a participação dos alunos em todos os momentos do processo, à medida que solicitava deles as respostas, em vez de apresentá-las prontas. 13. A fotografia transcodificando conceitos na escola Jefferson Fernandes Alves (Professor Ms. do Departamento de Educação - Doutorando DEPED/PPGEd/UFRN) [email protected] Esta comunicação pretende expor nossa primeira tentativa de abordar a fotografia como meio e objeto da formação conceitual em um contexto de ensino-aprendizagem, como parte integrante da pesquisa longitudinal Escola e Currículo: a formação de conceitos como componente básico organização curricular, efetivada na E.E. Berilo Wanderley e acompanhando, diretamente, duas turmas do ciclo de alfabetização. A fotografia, como as demais imagens técnicas, constitui-se em conceitos transcodificados que, por um lado, condensa saberes físico-químicos e tecnológicos que geram o fenômeno da foto-sensibilidade, por outro, expressa a conceituação daqueles que a produziram a respeito do mundo, do outro e de si mesmo, através do acionamento do próprio código fotográfico, o qual, por sua vez, se estrutura em torno de conceitos articulados que formam sua sintaxe. Dessa forma, toda vez que o botão é apertado, os significados produzidos por intermédio da figuratividade imagética estão impregnados pelo significado dos elementos sintáticos que compõem esse código. Compreender as imagens é, também, explorar os conceitos de sua sintaxe. Por fim, a análise desses significados tem nos revelado que o ensino precisa ser repensado para incluir elementos sobre a linguagem imagética oportunizando, ao aluno, ampliar suas visões de mundo, de sociedade e de si mesmo de forma articulada com outras linguagens presentes na escola. 14. O pensamento teórico como estratégia de aprendizagem dos conhecimentos na área da história Francisca Lacerda de Góis (Profa. Dra. do Departamento de Educação/UFRN) O trabalho se refere a um processo ensino-aprendizagem da disciplina História no ensino Fundamental que apresenta, como eixo central, a elaboração conceptual na perspectiva sócio-histórica. Nesse contexto, priorizamos como elemento norteador o desenvolvimento de elementos do pensamento teórico por considerar que a investigação, a pesquisa, a volta ao tempo em busca de níveis da essência, essência essa, construída historicamente, possibilita transcender o aparente, o observável, o palpável, o fenomenológico, elementos próprios do pensamento empírico. Nos dias atuais, a diversidade de fenômenos exige que se busque um nível de seguridade, de permanência, de duração e isto é passível de ser efetivado na instituição escolar. Neste sentido, se fez necessária a elaboração de situações de aprendizagem consonantes com os objetivos de trabalho, quais sejam: através da aparência encontrar níveis de construção da essência. A análise dos resultados sugere que a maioria das crianças conseguiu desenvolver elementos do pensamento teórico ao extrapolar o vivencial concreto através do processo de significação/resignificação dos acontecimentos históricos numa relação antes/depois. 15. Para além dos limites de sala de aula: um estudo sobre O CONCEITO DE TERRITÓRIO no ensino fundamental Karina de Oliveira (Graduanda em Pedagogia/UFRN - bolsista PIBIC/CNPq) [email protected] Analisa-se situações de ensino/aprendizagem que contemplem os atributos essenciais do conceito de território, enfatizando a participação ativa dos alunos nesse processo. Parte-se da compreensão de que a instituição escolar constitui o locus, por excelência, de produção/apropriação do saber historicamente elaborado e que os sujeitos se apropriam desse saber em situações formais de interação. Assim, a escola tem como uma das funções assegurar e garantir o acesso ao conhecimento sistematizado. Para tanto, em suas práticas, deve primar por situações que promovam experiências e ações educativas, no sentido de possibilitar o desenvolvimento das funções mentais, atitudes, habilidade social e de estudo de crianças em idade escolar.A investigação baseia-se nas contribuições da abordagem sócio-histórica acerca do processo de elaboração conceptual, e da Geografia Crítica para elucidar a compreensão dos atributos do conceito de Território, ao longo da evolução do pensamento geográfico e na atualidade. Realiza-se observações sistemáticas em uma turma composta por 30 alunos, sob a regência de uma professora polivalente do Ciclo de Sistematização, de uma escola da rede publica da Cidade do Natal/RN.Evidencia-se que a mediação da professora, no que se refere às idéias pertinentes aos atributos essenciais e do conceito de território, ainda não se apresenta de forma satisfatória em virtude da falta de um discurso pedagógico que possibilite a troca de idéias favoráveis a conexão entre os conceitos cotidianos e científicos, como também o discernimento das especificidades do conceito de território. 16. Freinet e freire: uma escola para o povo Deyse Karla de Oliveira Martins (Mestranda em Educação – PPGEd/UFRN) [email protected] O presente trabalho objetiva analisar alternativas pedagógicas para EJA que vem sendo desenvolvida no Programa Geração Cidadã – Reduzindo o Analfabetismo (parceria da UFRN /PROEx SME e PMN) que vem atuando em espaços escolares e não escolares junto às populações ditas “analfabetas”, na faixa etária acima de 15 anos de idade. Fundamenta-se nos princípios da Pedagogia Freinet em os pressupostos teóricos de Paulo Freire, compreendendo que os dois educadores deram uma grande contribuição no campo educacional especialmente no que se refere à preocupação com a conscientização política do educando. Princípios como livre expressão, Educação do trabalho, tateamento experimental e cooperação foram vivenciados em algumas salas. Destacamos em nossa experiência a realização de reuniões pedagógicas com os alfabetizadores do projeto visando uma orientação teórica metodológica contrapondo-se à artificialidade do trabalho escolar, compreendendo-o como sendo um fenômeno social dinâmico e Reflexivo. Buscamos articular nessa análise as conexões necessárias à construção do conhecimento no tocante à aquisição e desenvolvimento da leitura e escrita por esses alunos. Os resultados são preliminares, e apontam mudanças significativas na prática pedagógica dos alfabetizadores. Percebemos que a utilização dos princípios e práticas freinetianas auxiliam a integração do grupo na sala de aula facilitando a aprendizagem da linguagem escrita, bem como, a sua aplicação no cotidiano. 17. Inclusão: um desafio para a escola Roxana Silva Alenuska Karine Araújo Marluce Alves dos Santos (Campus de Caicó/RN – UFRN) A Educação Especial ultimamente tem sido alvo de profundas revisões na forma como esta tem sido concebida ao longo de várias décadas, como responsável pelo atendimento das pessoas que não se enquadravam no padrão social estabelecido de normalidade, principalmente a partir da implantação do modelo de inclusão. O escopo deste trabalho é relatar o processo de inclusão de uma criança com Necessidades Educativas Especiais, mais especificamente, que apresenta Déficit de Atenção/Hiperatividade. A investigação ora proposta foi realizada na escola Municipal Mateus Viana, em Caicó/RN. Utilizou-se como suporte metodológico à entrevista, onde foram interrogados 2 professores; 1 coordenador pedagógico e 1 diretor. Através de averiguações e da analise dos discursos dos sujeitos, foi possível perceber que a situação da escola diagnosticada é de total resignificação perante a perspectiva de moldar a instituição escolar dentro do modelo inclusivo, haja vista que a criança portadora de NEE’s, foi acolhida, sendo evidenciada somente sua presença em sala de aula, pelo cumprimento legal da LDB. Pode-se perceber, também, uma certa fragilidade no desenvolvimento do trabalho acadêmico direcionado para a criança em questão. Conclui-se que a inclusão dos Portadores de Necessidades Educativas Especiais ainda está longe de ser concretizada como postula o modelo inclusivo, pois, apesar da boa vontade dos professores em acolher essa criança, observa-se visivelmente a acomodação e resistência destes, em desenvolver um trabalho de interação entre esta e os demais colegas.