Instruções para elaboração do resumo expandido para o

Propaganda
V Simpósio de Ciências da UNESP – Dracena
VI Encontro de Zootecnia – UNESP Dracena
Dracena, 22 a 24 de setembro de 2009.
Características da interface materno-fetal (barreira-placentária) de Necromys lasiurus – Rodentia,
Cricetidae, Sigmodontinae1
Phelipe Oliveira Favaron2, Carlos Eduardo Ambrósio3, Adriana Caroprezo Morini4, João Carlos Morini Júnior4,
André Luiz Rezende Franciolli4, Moacir Franco de Oliveira5, Maria Angélica Miglino4
1
Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor, financiada pela FAPESP
Doutorando do Programa de Pós-graduação em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres – FMVZ/USP. e-mail:
[email protected]
3
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos – FZEA/USP
4
Departamento de Cirurgia, Setor de Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres – FMVZ/USP
2
5
Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, Rio Grande do Norte
Resumo: Necromys lasiurus (Rodentia, Cricetidae, Sigmodontinae) é uma espécie silvestre de ocorrência no
Brasil. Devido às poucas informações acerca da biologia reprodutiva das espécies de roedores deste grupo,
estudamos as características da placenta, com ênfase na região de labirinto placentário, através da microscopia
de luz e transmissão. O labirinto é a principal região de troca materno-fetal na placenta do tipo hemocorial,
sendo constituído por lacunas de sangue materno e capilares fetais. Em N. lasiurus existem três camadas de
células trofoblásticas separando os dois sistemas sanguíneos: materno e fetal, mais o endotélio do capilar fetal,
que juntos formam a barreira-placentária, sendo esta classificada como tipo hemotricorial.
Palavras–chave: barreira-placentária, Cricetidae, hemotricorial, placenta, Sigmodontinae
Abstract: Necromys lasiurus (Rodentia, Cricetidae, Sigmodontinae) is a wild rodent specie of occurrence in
Brazil. Due the little data about the reproductive biology of the rodents from this group, we studied the
characteristics of the placenta with emphasis in the labyrinth region, using light microscopy and transmission
electron microscopy. The labyrinth is the major important region to materno-fetal exchange in the hemochorial
placenta, it was constituted by maternal blood channels and fetal capillaries. In N. lasiurus we observed three
trophoblastic layers separating the two blood systems: materno and fetal, and the fetal capillary endothelium,
which together form the placental-barrier, being classified as hemotrichorial type.
Keywords: placental-barrier, Cricetidae, hemotrichorial, placenta, Sigmodontinae
Introdução
Necromys lasiurus é um pequeno roedor da Família Cricetidae, Sigmodontinae que habita formações
abertas e florestais do Cerrado e ao longo do ecótono Mata Atlântica-Cerrado. Esta espécie desempenha um
importante papel no ciclo epidemiológico da peste bubônica, destacando-se na epizootização da peste no
nordeste do Brasil. Contudo, ainda hoje, pouco se sabe sobre a biologia reprodutiva deste grupo. E para que haja
sucesso na reprodução de um vivíparo, é necessário que ocorra e que se estabeleça uma relação muito íntima
entre os tecidos maternos e embrionários. A placenta é o órgão que se forma em função do sucesso da
implantação do blastocisto no útero, representando o órgão funcional da unidade biológica materno-fetal
(Mossman, 1987), sendo nos roedores o labirinto placentário, a principal região de troca entre mãe e feto. Nos
roedores a placenta é classificada como hemocorial e o número de camadas de tecido trofoblástico que separam
os dois sistemas sanguíneos variam de 1 a 3. Para tanto, desenvolvemos o presente trabalho, como forma de
caracterizar morfologicamente a região de labirinto nesta espécie.
V Simpósio de Ciências da UNESP – Dracena
VI Encontro de Zootecnia – UNESP Dracena
Dracena, 22 a 24 de setembro de 2009.
Material e Métodos
Foram utilizadas 4 placentas de Necromys lasiurus em diferentes estágios gestacionais. O material foi
obtido no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. O mesmo já se encontrava
fixado em formaldeído 10% e foi processado para microscopia de luz seguindo-se técnicas rotineiras de
processamento de tecido. Em seguida, os blocos foram embebidos em similar de parafina e posteriormente foram
obtidos cortes de 5µm, os quais foram corados por hematoxina-eosina. Para a microscopia eletrônica de
transmissão, fragmentos da região de labirinto com cerca de 0,5 cm2 foram imersos em solução de glutaraldeído
a 2,5%, tamponado com fosfato de sódio a 0,1 M e pH 7,4, lavados em tampão fosfato e pós-fixado em tetróxido
de ósmio. Após serem desidratados em uma serie crescente de etanóis, procedeu-se a infiltração em araldite. Por
fim, foram obtidos cortes com 0,07 m em ultramicrótomo.
Resultados e Discussão
O labirinto placentário constitui a maior porção da placenta em uma visão panorâmica. É formado por
lacunas tubulares (preenchidas de sangue materno extravasado) não revestidas de endotélio, delimitadas através
de colunas de células trofoblásticas percorridas por típicos capilares fetais, revestidos por endotélio. Na região de
labirinto placentário, foram observados os capilares fetais dispostos radialmente entre as lacunas de sangue
materno, que assim permanecem devido a inexistência de uma parede endotelial. Através da microscopia
eletrônica de transmissão, notamos que a barreira-placentária apresentou-se constituída por três camadas
trofoblásticas, denominadas de TI, TII e TIII, e pelo endotélio do capilar fetal, que se separa das camadas
trofoblásticas através da membrana basal, semelhante a outras espécies de cricetídeos já descritos (King e
Hastings 1977 e Limongi e Ferro, 2003). Com isso, a placenta de Necromys lasiurus foi classificada quanto à
barreira-placentária como do subtipo hemotricorial (Leiser e Kaufmann, 1994). A camada trofoblástica I é a mais
próxima as lacunas de sangue materno, esta mostrou-se constituída por uma delgada membrana de parede muitas
vezes descontínua e de pouca relação com a camada trofoblástica II. Esta segunda camada, intermediária,
apresentou-se com aspecto viloso, de projeções digitiformes que devido à estrutura descontínua da TI, podiam
ser observados em alguns locais um contato mais íntimo dessa camada trofoblástica com o sangue materno,
assim como menciona o trabalho de Takata et al. (1997). A camada trofoblástica mais interna (TIII) apresentouse fortemente relacionada com o capilar fetal, de modo que a lâmina basal da TIII adere-se intimamente com a
lâmina basal do endotélio do capilar fetal. Enquanto que a mesma adere-se a camada trofoblástica intermediária
(TII) ora através de junções muito próximas entre as duas membranas, denominadas de junções fechadas, ora
através de junções mais distantes entre as duas membranas, denominadas de junções abertas.
V Simpósio de Ciências da UNESP – Dracena
VI Encontro de Zootecnia – UNESP Dracena
Dracena, 22 a 24 de setembro de 2009.
LM
CF
LM
Figura 1: Características da barreira-placentária de Necromys lasiurus (Cricetidae, Sigmodontinae). Em A: Visão
panorâmica do disco placentário, evidenciando a região de labirinto. Coloração: H&E. Barra = 500μm. B: Lacunas maternas
e capilares fetais, com destaque para o endotélio do capilar fetal (setas). Coloração: H&E. Barra = 20μm. C, D e E:
Microscopia eletrônica de transmissão da barreira-placentária. Notar em C: Lacuna materna (LM), endotélio do capilar fetal
(EC) e células sanguíneas fetais (CSF). Em D: Camadas trofoblásticas (TI, TII e TIII) interpostas entre as lacunas maternas
(LM) e o capilar fetal (CSF). Em E: Diferentes tipos de ligações promovem o contato entre as camadas trofoblásticas, como
desmosomos (circulo), junções fechadas (CJ) e junções intermediárias (IJ). Aumentos: 8900x, 36000x e 11000x,
respectivamente.
Conclusões
Podemos concluir que o labirinto placentário é constituído pelos capilares fetais e pelas lacunas maternas
de sangue extravasado, sendo esta, a principal região de trocas materno-fetal. Na espécie Necromys lasiurus a
placenta é do tipo hemocorial e subtipo hemotricorial, existindo três camadas trofoblásticas interpostas entre as
lacunas maternas e os capilares fetais, constituindo a barreira-placentária.
Referências
LEISER, R.; KAUFMANN, P. Placental structure: in a comparative aspect. Experimental Clinical
Endocrinology, v.102, n.3, p.122-134, 1994.
KING, B. F.; HASTINGS, R. A. The comparative fine structure of the interhemal membrane of chorioallantoic
placentas from six genera of myomorph rodents. American Journal Anatomy, n.149, p.165-180, 1977.
LIMONGI, J. E.; FERRO, E. A. V. Barreira Placentária de Calomys callosus (Rodentia, Cricetidae). Bioscience
Journal, v.19, n.3, p.89-94, 2003.
MOSSMAN, H. W. Vertebrate fetal membranes. London: The Macmillan Press, 1987. 383p.
TAKATA, K.; FUJIKURA, K.; SHIN, B. C. Ultrastructure of the rodent placental labyrinth: a site of barrier and
transport. Journal of Reproduction and Development, v.43, n.1, p.13-24, 1997.
Download