Índice Agradecimentos .............................................................................. 9 Guia de Abreviaturas e Medidas .................................................... 10 Prefácio ........................................................................................... 11 Introdução ..................................................................................... 15 PARTE I • O Porquê de o Alzheimer e o Declínio da Memória Poderem Ser Prevenidos ................................................ 19 1. Como Está o Seu Cérebro?.......................................................... 21 2. Como Funciona o Seu Cérebro ................................................... 33 3. A Origem da Doença de Alzheimer ............................................ 41 4. Como Avaliar e Inverter o Seu Risco .......................................... 51 5. Neuro-análise – Como Tornar o Seu Cérebro Mais Ágil ............ 63 6. Os Alimentos Essenciais para o Cérebro – Faça a Sua Avaliação .. 85 PARTE 2 • Dez Formas de Melhorar a Sua Memória ..................... 105 7. A Conexão da Homocisteína....................................................... 107 8. Proteção contra Antioxidantes .................................................... 131 9. Outras Vitaminas, Minerais e Aminoácidos Estimuladores da Memória ........................................................ 145 10. Gorduras Que o Fazem Pensar Mais Depressa ......................... 153 11. Fosfolípidos – Os Apoios Vitais do Cérebro ............................. 163 12. Álcool – O Porquê de a Moderação Ter Melhores Resultados .... 177 13. Como o Açúcar Envelhece o Seu Cérebro ................................. 187 14. A Conexão do Cortisol – O Porquê de o Stresse o Tornar Estúpido .................................................................... 195 15. Dê ao Seu Cérebro Uma Desintoxicação de Metais Pesados .... 203 16. Plantas Que Ajudam a Estimular a Memória ........................... 217 PARTE 3 • Diga Não ao Declínio da Memória .............................. 229 17. A Dieta de Prevenção do Alzheimer .......................................... 231 18. Suplementos Que Estimulam o Seu Cérebro ............................. 237 19. Exercícios para Manter a Sua Mente Ágil ................................ 247 Apêndice 1 • Inspeção ao Seu Cérebro ........................................... 257 Apêndice 2 • Teste a Sua Memória ................................................. 259 Apêndice 3 • Histórias de Sucesso .................................................. 263 Apêndice 4 • Substâncias Químicas e Substâncias Orgânicas – As Melhores e as Piores .......................................... 271 Referências ..................................................................................... 283 PARTE I O Porquê de o Alzheimer e o Declínio da Memória Poderem Ser Prevenidos Se a sua memória não é tão boa como costumava ser, se a sua concentração está a decair e a sua mente perdeu agilidade, você pode ser mais outra vítima de uma epidemia geral – o desgaste cerebral. Oficialmente designado por declínio da memória relacionado com o envelhecimento, demasiadas pessoas estão a apresentar um declínio da função cognitiva demasiado cedo. No entanto, tanto a perda de memória como a doença de Alzheimer podem ser prevenidas e, nesta secção do livro, mostrar-lhe-ei porquê e como. 1 Como Está o Seu Cérebro? O SEU CÉREBRO PODE SER o seu maior amigo ou o seu pior inimigo. Se estiver a funcionar, é capaz de pensar claramente, imaginar, pressentir, sonhar e sentir. É o seu cérebro que o faz ser quem é. Se não estiver a funcionar, pode sentir-se sem energia, triste, confuso, esquecido – a vida perde clareza e transforma-se numa luta confusa. Assim sendo, como está o seu cérebro e o que está a fazer para o manter saudável? Pode pensar que esta pergunta é um pouco estranha, mas manter o seu cérebro em forma não é mais estranho do que fazer a manutenção do seu carro, manter os seus músculos firmes ou o seu corpo em forma. Então, porque será que tantos de nós fazemos tão pouco para manter a saúde dos nossos cérebros? Mais do que qualquer outro órgão do corpo, o seu cérebro é a chave para viver uma vida feliz, realizada e livre de mágoas. Esta massa de cerca de 1,350 kg, composta principalmente por gordura e água, aninhada nos nossos crânios, não é apenas a parte mais misteriosa e complexa de nós mesmos, é também a que mais se regenera, construindo uma nova conexão neuronal a cada minuto; e, por essa razão, a que mais energia consome. Num dia sedentário, o seu cérebro consome praticamente 40% de todas as calorias que ingere 21 e pensa cerca de 60 mil pensamentos! Mais do que qualquer outro órgão do corpo, depende, a cada segundo, do fornecimento dos nutrientes certos. Então, como está o seu cérebro? A disparar em todas as direções ou está a sua mente menos ágil e a sua memória menos fiável do que costumavam ser? Se quiser saber, com relativa precisão, qual o seu estado cognitivo, existem três formas de fazer uma inspeção ao seu cérebro: testes psicológicos, testes físicos e testes químicos. Vamos começar com os testes psicológicos. Testes psicológicos ao cérebro Muitas pessoas, jovens e idosas, apresentam problemas de memória e de concentração. No maior inquérito de sempre da Grã-Bretanha sobre saúde e dieta, o Inquérito Britânico sobre Nutrição Ótima (Optimum Nutrition UK Survey – ONUK), publicado em 2004 pelo Institute for Optimum Nutrition, colocámos a mais de 37 mil pessoas perguntas tais como as apresentadas a seguir na lista de verificação sobre a mente e a memória3. Isto foi o que descobrimos. Cerca de 52% das que responderam sofriam de ansiedade e 46% relataram sentirem-se deprimidas. Dificuldades de concentração e um sentimento de confusão eram sentidos por 43%, 38% sentiam-se nervosas ou hiperativas e 32% relataram falta de memória ou dificuldade em aprender coisas novas. Agora, teste-se você mesmo, usando o questionário na página seguinte. 22 Teste para a Mente e a Memória FA sua memória está a deteriorar-se? F Sente dificuldade em concentrar-se e sente-se frequentemente confuso? F Acontece-lhe às vezes encontrar alguém, que conhece bas- tante bem, mas de quem não recorda o nome? F Acontece-lhe com frequência lembrar-se de coisas do pas- sado, mas esquecer o que fez ontem? F Costuma esquecer-se de que dia da semana é? F Costuma ir à procura de alguma coisa e esquecer-se do que está a procurar? F Os seus amigos e família acham que está a ficar mais esquecido agora do que o que costumava ser? F Acha difícil somar números sem os escrever? F Sente com frequência cansaço mental? F Acha difícil concentrar-se durante mais do que uma hora? F Esquece-se frequentemente de onde deixou as chaves? F Acontece-lhe F Costuma repetir-se com frequência? esquecer-se, às vezes, da conclusão a que quer chegar? F Demora mais tempo a aprender coisas do que antes? 23 Registe 1 por cada resposta «sim». Se a sua pontuação for: Inferior a 5: não têm nenhum problema importante com a sua memória – mas vai descobrir que a utilização de suplementos naturais, para melhorar a mente e a memória, o vai fazer sentir-se ainda mais alerta. Entre 5 e 10: a sua memória precisa, de facto, de um empurrão – está a começar a sofrer de desgaste cerebral. Siga todas as recomendações de dieta e de suplementos que encontrar aqui. Superior a 10: está a sentir um declínio de memória significativo e precisa de fazer alguma coisa contra isso. Para além de seguir todas as recomendações de dieta e de suplementos deste capítulo, consulte um nutricionista. Agora, preencha os seus resultados na tabela de Inspeção ao Seu Cérebro, no Apêndice 1, página 257. Envelhecimento e declínio de memória Se comparou as suas respostas ao questionário com as percentagens do inquérito do Institute Optimum Nutrition (ION), mencionado na página 23, e ficou na média, talvez se sinta aliviado. Mas está mesmo satisfeito com o facto de ter uma memória média? O meu objetivo para si é ficar melhor do que a média e manter a sua mente, humor e memória tão ágeis como um macaco, durante toda a vida. Por outro lado, e se colecionou um número preocupante de «sins»? Se isso lhe aconteceu, não está só. De acordo com as empresas farmacêuticas, existe uma epidemia de declínio da memória relacionado com o envelhecimento. «A perturbação de 24 memória relacionada com o envelhecimento afeta bastantes mais pessoas do que a doença de Alzheimer, embora seja de facto verdade que se trata de uma perturbação muito menos grave», diz o Dr. Paul Williams, do gigante farmacêutico Glaxo, o qual tem estado a investigar medicamentos para melhorar a memória e o desempenho mental. «Acreditamos que, pelo menos, 4 milhões de pessoas no Reino Unido sofram deste problema.» O declínio de memória relacionado com o envelhecimento ou «deterioração cognitiva leve», como é frequentemente designado, está muito distante da demência ou do Alzheimer e não há nenhuma garantia de que um leve ao outro. No entanto, como irá ver, estes sintomas ligeiros são o primeiro sinal de problemas potenciais, mais tarde na vida, e a chave para a prevenção é começar cedo. Está preocupado? Se está preocupado com a sua memória, ou com a de um amigo ou familiar, existem outros testes psicológicos exaustivos que pode fazer. Vai encontrar um destes, o teste ETEC, no Apêndice 2, na página 259. Sem olhar para este teste, peça a alguém que lhe leia as perguntas e registe o resultado das respostas. Se a sua pontuação for inferior a 26, apresenta um certo nível de deterioração cognitiva e vale a pena procurar o seu médico, bem como seguir à letra a Dieta de Prevenção do Alzheimer e as minhas recomendações sobre suplementos e exercício, todas elas explicadas, em pormenor, na Parte 3. 25 Exames clínicos ao cérebro O cérebro não é apenas uma maravilha cognitiva, um mundo dentro de um mundo; é também um órgão e, tal como o coração ou os pulmões, o seu médico pode examiná-lo à procura de danos. Infelizmente, este processo não é tão fácil nem tão barato como medir a pulsação ou a tensão arterial e, por essa razão, o seu médico não irá pedir um exame clínico ao cérebro, a não ser que você apresente sinais significativos de declínio de memória. Existem três tipos de exames disponíveis, todos desenvolvidos para ver se existem áreas danificadas, anormalidades ou «encolhimentos». Isto pode parecer assustador, mas o cérebro tende a encolher com a idade. De facto, é normal que cerca de 20% das células cerebrais morram durante uma vida inteira, por isso, aos 70 anos, os cérebros da maioria das pessoas encolheram cerca de 10%. Este encolhimento é frequentemente acompanhado por uma perda gradual do controlo da complexa orquestra de hormonas e neurotransmissores, levando a uma diminuição da potência cerebral, a uma mais lenta recuperação da memória, à diminuição do desejo sexual, a menos energia, menor motivação e a menores picos emocionais. No entanto, o declínio da função mental não é inevitável. Tão surpreendente quanto possa parecer, você pode construir novas células cerebrais em qualquer idade, embora o processo seja lento. A investigação mostra claramente que pessoas idosas, saudáveis e instruídas não apresentam, frequentemente, nenhum declínio da função mental até à altura da morte nem nenhum aumento na taxa de encolhimento do cérebro, mesmo após os 65 anos4. Existem três tipos de exames clínicos para o cérebro. Vamos falar agora sobre eles. 26 Exame TC O exame TC é o tipo mais comum de exame ao cérebro. Trata-se de raios-X computorizados em 3D (TC significa tomografia computorizada), que podem descobrir uma área danificada causada por, por exemplo, um pequeno acidente vascular cerebral (AVC) ou um tumor cerebral. Ressonância magnética (RM) A imagem por ressonância magnética ou, simplesmente, ressonância magnética (RM) é um exame mais avançado. Quando faz um destes exames, passa a sua cabeça, ou o seu corpo, por dentro de um tubo, contendo um forte campo magnético. Isto faz com que a água nas suas células vibre e emita um sinal elétrico, o qual é depois interpretado por um computador e transformado num mapa de «fatias» do seu cérebro. Um outro tipo de exame, a ressonância magnética funcional, pode captar as áreas do seu cérebro que usam mais oxigénio. Quanto mais danificada uma área, menos oxigénio está presente nela. Exames TEP e SPECT A tomografia por emissão de positrões (TEP) e a tomografia computorizada por emissão de fotão único (SPECT – single photon emission computed tomography) são, hoje em dia, raramente utilizadas, sendo mais caras do que os outros tipos. São reservadas principalmente para investigação, mas podem mostrar informação semelhante sobre o cérebro. 27 Estes exames envolvem a injeção de um químico, que age como um marcador no cérebro, e que pode indicar o nível de fluxo sanguíneo cerebral e a atividade metabólica em diferentes regiões do cérebro. * * Lobo temporal médio Lobo temporal médio * Hipocampo Figura 1. Ressonância magnética de um cérebro saudável (à esquerda) e de um paciente com Alzheimer (à direita). Basicamente, quanto mais saudável o seu cérebro, melhor o seu fluxo sanguíneo. À medida que uma célula cerebral fabrica energia, ela precisa de um fornecimento de glicose – o combustível principal do corpo – e de oxigénio, juntamente com um rol completo de outros nutrientes amigos do cérebro. Quando um conjunto de células cerebrais morre, o seu fornecimento sanguíneo desaparece também. Por isso, a medição tanto da concentração de oxigénio (ressonância magnética funcional) como do fluxo sanguíneo do cérebro (TEP e SPECT) são os testes mais precisos, utilizados atualmente, para descobrir se existem partes do cérebro em degeneração. 28 O que também é interessante, e que está apenas a começar a ser investigado, são os efeitos da nutrição, da meditação, do exercício ou do ioga, no fluxo sanguíneo do cérebro. O fluxo sanguíneo do cérebro pode vir a provar ser o parâmetro de medida física do fator que mantém o seu cérebro a disparar em todas as direções. Nem é preciso dizer que se as artérias que vão para o cérebro, tal como a artéria carótida no pescoço, estiverem bloqueadas, seja de que forma for (por exemplo, pelo «acumular» que acontece na aterosclerose), isto vai também diminuir o fluxo sanguíneo para o cérebro e aumentar o risco de problemas de memória e de demência, mais tarde na vida. Testes químicos para o cérebro «Faça Você Mesmo» Embora seja pouco provável que alguma vez faça um exame cerebral, sabia que pode testar um dos mais importante indicadores de saúde cerebral em casa? Trata-se do equilíbrio químico do seu cérebro. As células cerebrais morrem apenas se algo estiver errado com o fornecimento dos químicos vitais, tais como a glicose, o oxigénio, as vitaminas, os minerais e as gorduras essenciais. Assegurar-se de que tem um fornecimento ótimo, através da dieta e dos suplementos, é um fator-base essencial para manter a sua mente sempre jovem. Então, como é que testa para ver se o seu cérebro tem o suficiente destas coisas? Irá saber como no Capítulo 6, onde explico quais os alimentos para o cérebro que são essenciais e que precisam de fazer parte da sua dieta. Mas este é apenas um dos aspetos de como nutrir o seu cérebro. O outro lado da moeda é evitar as substâncias, às quais eu chamo 29 «antinutrientes», que podem danificar o seu cérebro. Estas incluem demasiado cobre, mercúrio, chumbo e cádmio, mas também outros antinutrientes, tais como o álcool e o monóxido de carbono da poluição. Nos Capítulos 12 a 15 explico como evitá-los e indico-lhe também testes simples, tais como a análise aos minerais do cabelo, o qual pode identificar se tem o suficiente das coisas boas ou demasiado das más. Existe outro teste-chave para verificar se os químicos do seu cérebro estão num nível equilibrado e que encaixa num processo físico crucial chamado metilação. A capacidade do cérebro para criar novas células cerebrais e construir neurotransmissores – os químicos mensageiros que controlam o seu humor e memória – depende da metilação. Pense nisto como a caixa de ferramentas incorporada do seu cérebro. Existem mil milhões de acontecimentos de metilação a cada segundo, executando centenas de atos de equilíbrio químico no cérebro: corrigindo danos, criando mais adrenalina, desintoxicando um «antinutriente». Um dos químicos do sangue, um aminoácido – ou agente construtor de proteínas – conhecido como homocisteína, determina qual a sua situação relativamente ao processo de metilação, mas, por implicação, faz também muito mais. A homocisteína é para o seu cérebro o que o colesterol é para as suas artérias. O nível deste aminoácido no seu sangue prevê, com maior exatidão do que qualquer outro indicador químico, o seu risco de problemas de memória, humor e concentração. Se o seu nível for elevado, aumenta substancialmente o seu risco de demência ou de Alzheimer, mais tarde na vida5. Estas são as más notícias. As boas notícias são o facto de ser relativamente simples reduzir rapidamente o seu nível de homocisteína e o seu risco e que testar qual o seu nível é fácil, envolvendo a utilização de um simples kit 30 de testes caseiro. Dir-lhe-ei como lidar com a homocisteína no Capítulo 7. Existe, assim, muito que pode fazer relativamente ao equilíbrio químico. Mas para compreender a metilação e a química do cérebro em si mesmos, precisa de perceber como o seu cérebro funciona, de facto. 31