T061 - LABOGEF

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VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão
Goiânia (GO), 03 a 06 de maio de 2001
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ANÁLISE DAS PARTÍCULAS DO TOPO DO SOLO DAS SUB-BACIAS
DO RIO TINDIBA E CÓRREGO DO CATONHO, CIDADE DO RIO DE
JANEIRO, COM FINS DE IDENTIFICAR SUA IMPORTÂNCIA NO
PROCESSO EROSIVO.*
OLIVEIRA, F.L.(1), JESUS, B.M.M.(2), SILVA, J.E.B.(3), GUERRA, A.J.T.(4), SILVA, S.C.P.(5),
(1)
Graduanda Depto Geografia, bolsista do LAGESOLOS, UFRJ; - (2)Graduanda Depto
Geografia, bolsista do LAGESOLOS, UFRJ; (3)Mestrando Depto Geografia, UFRJ; (4)Depto
Geografia, Coordenador do LAGESOLOS, UFRJ; (5)Mestranda Depto Geografia, UFRJ; Email: [email protected]
RESUMO
O presente trabalho refere-se a análise granulométrica dos solos de pontos selecionados das
sub-bacias do rio Tindiba e córrego do Catonho em Jacarepaguá no Rio de Janeiro, para
analisar sua relevância ao processo erosivo. A área em questão tem sido foco de grande
crescimento urbano em locais impróprios, que aceleram a erosão do solo provocando assim a
ocorrência de deslizamentos em encostas, entre outros problemas verificados.
Palavras-Chave: propriedades do solo, granulometria e erosão.
ABSTRACT
This paper concerns the soil texture of selected sites of the drainage basins of rivers Tindiba
and Catonho in Jacarepaguá, Rio de Janeiro City, in order to analyse its significance related to
the erosion process. The study area has undergone a disorganized urban growth, which
enhance soil erosion, provoking therefore the occurrence of landslides and other related
environmental impacts.
Key words : soil properties, textural analysis, erosion
1. INTRODUÇÃO
As sub-bacias do rio Tindiba e córrego do Catonho, em Jacarepaguá, na cidade do Rio
de Janeiro, correspondem à áreas de grande expansão urbana desde a década de 1970
aproximadamente, com ocorrência de favelização e loteamentos irregulares em encostas. Este
__________________________________
*Os autores agradecem o apoio financeiro da FAPERJ e do CNPq.
fato tem acelerado a erosão do solo, já que ajuda a reduzir o potencial de alguns fatores
controladores do solo à erosão, no meio ambiente.
Os fatores controladores são aqueles que determinam as variações nas taxas de erosão
(erosividade da chuva, propriedades do solo, cobertura vegetal e características das encostas).
É por causa da interação desses fatores que certas áreas erodem mais do que outras. A
intervenção do homem pode alterar esses fatores e, conseqüentemente apressar ou retardar os
processos erosivos, (Guerra, 1998). Como afirma Morgan (1986), é necessário estudar esses
fatores detalhadamente para se compreender como, onde e por que a erosão ocorre.
Guerra (1998) ressalta que o solo tem uma grade importância para a sobrevivência
humana, dos vegetais e dos animais, porém o homem tem dado pouca atenção a esse recurso
natural, pelo menos no que diz respeito à sua utilização e conservação.
A área de estudo, representada pelas sub-bacias do rio Tindinba e córrego do Catonho
(figura.1), localiza-se entre as coordenadas geográficas 220 53’ 30’’ e 220 56’ 30’’ de latitude
sul e 430 23’ 30’’ e 430 18’ 30’’ de longitude oeste, possuindo uma área de 16,93 km2. É
limitada a oeste, pela Serra do Engenho Velho, a noroeste pela Serra do Valqueire, a norte
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pelo vale do rio Tindiba; a nordeste pela Serra do Inácio Dias; a leste pela Serra dos Pretos
Forros; os limites ao sul correspondem a área urbanizada, com cotas em torno de 20m.
2. OBJETIVO
O objetivo deste trabalho é identificar a importância das partículas granulométricas do
topo dos solos em relação aos processos erosivos, para que, a partir dessa análise, seja
possível fazer um cruzamento com as demais características físicas e químicas. Uma vez
realizado este cruzamento, deve-se também avaliar as características do clima, da vegetação,
da geologia e da geomorfologia da área em questão, identificando assim áreas com risco
potencial à erosão.
3. METODOLOGIA
A metodologia da pesquisa fundamentou-se em trabalhos de campo, com a coleta de
amostras volumétricas, utilizando-se do anel de kopecky, e deformadas do solo em 31 pontos
previamente selecionados (figura 2), para análise das propriedades físicas e químicas dos
solos, de acordo com a metodologia da EMBRAPA (1997).
Foram feitos, também, o cálculo das taxas de infiltração com a utilização do
infiltrômetro de Hills (1970, In Guerra, 1998), e elaboração de mapas temáticos
(hipsométrico, comprimento das encostas e declividade), através da utilização de folhas
topográficas Vila Militar-SO e Vila Militar-SE do DSG de escala 1:25.000 (1979).
Dentre as análises feitas, serão detalhados neste trabalho os resultados de granulometria
visto a sua importante influência nos processos erosivos que ocorrem no horizonte superficial
do solo, sendo obtidos os dados através do Método da Pipeta.
O método da Pipeta baseia-se na velocidade de queda das partículas que compõem o
solo. Fixa-se o tempo para o deslocamento vertical na superfície do solo com água, após a
adição de um dispersante químico (soda ou calbom). Pipeta-se um volume da suspensão, para
determinação da argila que seca em estufa é pesada. As frações grosseiras (areia fina e grossa)
são separadas por tamisação, secas em estufa e pesadas para obtenção dos respectivos
percentuais. O silte corresponde ao comprimento dos percentuais para 100%. É obtido por
diferença das outras frações em relação à amostra original, (EMBRAPA, 1997).
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
As partículas granulométricas que compõe solo (areia, silte e argila) são de extrema
importância para identificar áreas com risco potencial à erosão, pois de acordo com Guerra
(1998), algumas frações granulométricas são removidas mais facilmente do que outras.
Observando-se os dados obtidos (tabela 1), pode-se notar pontos que são extremamente
ricos em determinada fração granulométrica, como é o caso dos pontos, 12, 24 e 31, com
70,21%, 75,53% e 71,01% de areia, respectivamente.
De acordo com Brady (1974), pode-se dizer que um solo rico em areia é bastante
propenso a erosão, pois ele tem pouca ou quase nenhuma coesão não possuindo assim
plasticidade, podendo ser facilmente transportado. Sua capacidade de retenção de água é
reduzida e por causa do grande espaçamento entre as partículas granulométricas, é rápida a
passagem de ar e água, por conseguinte facilitadas a drenagem e movimentação do ar.
O teor de silte também afeta a erodibilidade dos solos, onde quanto maior o teor de silte
maior a suscetibilidade dos solos serem erodidos, (Guerra 1998).
Nos pontos selecionados não houve altos valores de silte, sendo que a maior taxa dessa
fração granulométrica foi observada no ponto 21, com 31,59%. Porém houve pontos em que
tiveram consideráveis percentuais de fração areia como também silte, que é o caso do ponto
27 com 48,52% e 33,19%, respectivamente.
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Segundo Resende et al. (1995), solos ricos em silte e desprovidos de cobertura vegetal
têm maiores tendências ao encrostamento do topo do solo, com a atuação do impacto da gota
da chuva (splash) que quebram os agregados do solo formando assim uma crosta impedindo a
infiltração da água da chuva e, consequentemente, aumenta o escoamento superficial (runoff).
As argilas, se por um lado podem, por vezes, dificultar a infiltração das águas, por outro
lado são mais difíceis de serem removidas, especialmente quando se apresentam em
agregados, (Guerra, 1999).
De acordo com Brady (1974). as partículas de argila em geral apresentam grande
plasticidade quando expostas à umidade, tornando-se viscoso um solo com grande percentuais
de argila quando molhado em demasia, assim como duro e entorroado quando seco.
Desta forma podemos consideras que os solos das amostras dos pontos 2 (57,02% de
argila), 4 (49,87 % de argila) e 14 (52,79% de argila), são menos propensos à erosão devido
ao alto teor de argila.
Através dos resultados pode-se dizer que existe uma predisposição de uma considerável
parte da área em questão à erosão visto uma predominância dos solos ricos em areia.
Porém, apesar da importância do conhecimento granulométrico dos solos, deve ser
levado em consideração outros fatores, onde a agregação das frações granulométricas é
afetada por outros elementos, como o teor de matéria orgânica.
Amostras
Areia Grossa
(%)
Areia Fina
(%)
Silte
(%)
Argila
(%)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
46,6
21,02
47,91
30,73
47,10
50,17
52,01
24,92
41,58
51,79
41,28
59,56
38,06
25,88
43,75
30,27
51,01
49,36
49,46
32,08
30,81
48,68
40,13
66,43
44,84
31,99
36,53
37,89
33,99
50,15
54,07
5,97
6,43
10,08
6,15
7,15
9,38
12,29
5,24
13,08
15,96
10,29
10,65
16,74
8,83
7,66
7,69
5,21
12,77
15,5
6,59
8,21
10,21
5,23
9,10
6,63
10,41
11,99
9,71
9,88
4,90
16,94
9,95
15,53
17,62
13,25
14,28
22,19
13,53
27,03
19,07
14,06
15,82
11,53
15,96
12,50
11,03
16,17
14,43
17,60
17,81
12,60
31,59
14,83
22,09
12,40
21,27
9,87
33,19
16,80
13,12
16,35
16,94
37,48
57,02
24,39
49,87
31,47
18,26
22,17
42,81
26,27
18,19
32,61
18,26
29,51
52,79
37,56
45,87
29,35
20,27
17,23
48,73
29,39
26,28
32,55
12,07
27,26
47,73
18,29
35,60
43,01
28,60
15,17
Tabela 1 – Dados granulométricos.
5. CONCLUSÃO
Conforme foi demonstrado, a análise granulométrica do solo é extremamente
importante para apontar áreas mais suscetíveis à erosão, porém, para definir quais são as áreas
realmente predispostas à processos erosivos, deve-se fazer uma análise mais completa da área
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através de outros parâmetros físicos e químicos do solo, como o teor de matéria orgânica, teor
e estabilidade dos agregados, o pH, a densidade aparente, a densidade real e a porosidade.
Deve-se também estudar as características geológicas e geomorfológicas da área, entre outros
parâmetros importantes.
Assim, através de um bom diagnóstico da área, ter condição de sugerir técnicas eficazes
de conservação dos solos, para que as perdas por erosão não cheguem a valores irrecuperáveis
sem, contudo, danificar o meio ambiente.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRADY, N. C. (1974). The Nature and Properties of Soils. 8a ed. Macmillan Publishing CO.,
Inc., New York.
CUNHA, S. B. & GUERRA, A. (1998). Degradação Ambiental. In: Geomorfologia e Meio
Ambiente. Orgs.: A. J. T. GUERRA & S. B CUNHA. 2a ed. Bertrand Brasil, Rio de
janeiro, 337 - 379pp.
EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. (1997). Análises Físicas. In:
Manual de Métodos de Análise de Solo. Embrapa Produção e Informação, Rio de janeiro,
parte: I, 27-34pp.
GUERRA, A. J. T. (1999). Processos Erosivos Nas Encostas. In: Geomorfologia: uma
atualização de bases e conceitos. Orgs.: A. J. T. GUERRA & S. B CUNHA. 3a ed.
Bertrand Brasil, Rio de janeiro, 149-199pp.
LEMOS, R. C. & SANTOS, R. D. (1996). Manual de Descrição e Coleta no Campo.
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Campinas.
MORGAN, R. P. C. (1986). Soil erosion and conservation. Longman Group, Inglaterra, 298p.
RESENDE, M., CURI, N., REZENDE, S. B. & CORRÊA, G. F. (1995). Pedologia: base para
distinção de ambientes. Neput, Viçosa.
SUGUIO, K. (1937). Trabalhos Preliminares de Campo, Inclusive Amostragem. In:
Introdução a Sedimentologia. Edgard Blucher, São Paulo, cap.: 2, 6-25pp.
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