MENINGITE

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MENINGITE
COMO EU TRATO???
O que é Meningite?
 A meningite é uma doença infecciosa que pode ser muito grave e que
é caracterizada por uma inflamação das meninges e do líquido
cefalorraquidiano.
 Meninges:
Pia-Máter: Mais interna
Dura Máter: Mais
externa
A infecção pode atingir por
contigüidade, estruturas do
SNC, constituindo
meningomielite,
meningoencefalite(infecção das
meniniges e do parênquima
cerebral) ou meningomieloencefalitena
terminologia médica tais
situações são referidas como
MENINGITE.
 Empiema:
É quando há um comprometimento inflamatório da duramáter e os espaços virtuais subdurais e epidurais que se
interpõem entre a dura máter e, respectivamente, a piaaracnóide e a estrutura óssea coletam secreção purulenta.
 O líquido cefalorraquidiano, circulando no espaço
subaracnóide, é o melhor elemento para a pesquisa
diagnóstica de meningite.
 O comprometimento infeccioso do SNC e suas membranas
envoltórias pode ser agudo-particularmente por vírus e
bactérias- ou crônico, quando produzidos por protozoários,
espiroquetas, helmintos, fungos ou micobactérias, mas
também por bactérias e vírus.
Principais agentes etiológicos
 Bactérias:
Gram Negativas: meningococo, hemófilo, E.coli, Salmonella, Pseudomonas
Gram Positivas: Pneumococo, Streptococo, Estafilococo, Listeria
Micobactérias, Espiroquetas(Leptospira, Treponema).
 Vírus:
Enterovírus (echo, coxsackie e poliovírus), arbovírus, vírus da caxumba,
herpes (simplex, tipo 6, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, variscelazoster), sarampo, rubéola, parvovírus, rotavírus, varíola, VIH-1 (vírus da
imunodeficiência-1) e alguns vírus que acometem o trato respiratório.
 Fungos:
Criptococo, Candida, Histoplasma
 Outros parasitas:
Cisticerco, ameba, toxoplasma, tripanossoma...
Sinais e Sintomas
 Dor de cabeça é o principal sintoma de
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meningite(geralmente não cede com analgésico comum),
associada com rigidez do pescoço.
Febre/Vômitos
Fotofobia.
Phonophobia - irritabilidade de tolerar ruídos altos.
Irritabilidade, convulsões, delírio
Abaulamento dos fontanelas é visto em lactentes.
A síndrome de Waterhouse-Friederichsen, uma infecção de
evolução rápida e avassaladora causada pela Neisseria
meningitidis, produz diarréia grave, vômito, convulsões,
hemorragias internas, hipotensão arterial, choque e,
freqüentemente, a morte.
Síndrome do comprometimento
meníngeo
 Os chamados sinais meníngeos decorrem da compressão do
exsudato purulento sobre a emergência dos nervos
raquidianos.
 Resultam em sinais clássicos, incluindo rigidez nucal; sinal
de Brudzinski-limitação, pela dor, da flexão do pescoço ,
acompanhada secundariamente de flexão dos joelhos;Sinal
de Kernig; Sinal do Tripé; Sinal de Lasegue.
 Esses sinais podem estar ausentes ou apenas esboçados.
Meningite Bacteriana
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1.
2.
3.
Bactérias mais freqüentes(90%dos casos):
Streptococcus pneumoniae, Neisseria
meningitidis e Haemophilus influenzae.
A prevalência de cada bactéria está
correlacionada com:idade do paciente,
foco séptico inicial,estado imunitário
prévio, situação epidemiológica local.
As vias de penetração dos agentes que
potencialmente causam as meningites
ocorrem:
por disseminação hematogênica
por implantação direta (traumas abertos,
neurocirurgias, e punções liquóricas)
por extensão local (por contigüidade dos
seios da face – mastoidites e otites média)
e por via retrógrada do sistema nervoso
periférico (raiva e herpes).
Meningite Bacteriana
 A habilidade dessas bactérias em atingir o espaço

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

subaracnóideo e as meninges decorre de muitos fatores de
virulência que as permite burlar o sistema de defesa
Exemplos: Meningococos, possuem pili(adesinas) que
permitem aderir a mucosa. Pneumococos secretam
proteases que fazem a clivagem das IgAs secretórias na
superfície da mucosa .
Após ultrapassar a barreira hematolíquorica ,as bactérias
podem colonizar com maior facilidade porque no SNC, o
sistema humoral de defesa é deficiente.
Componentes da estrutura bacteriana induzem a produção e
secreção local de citocinas(IL-1, TNF e IL-6) que medeiam o
processo inflamatório.
O processo inflamatório das meninges facilita a produção de
edema cerebral.
Diagnóstico
 Exame do líquido cefalorraquidiano
 A punção lombar está contra-indicada em alguns casos
devido a chance de herniação cerebral.
 O médico examina o líquido ao microscópio, em busca de
bactérias, e envia uma amostra ao laboratório para a
realização de cultura e a identificação de microrganismos.
Pode ser realizado um antibiograma (teste de sensibilidade
das bactérias a diferentes antibióticos).
 A concentração de glicose, o aumento da concentração de
proteínas e o número e os tipos de leucócitos presentes no
líquido cefalorraquidiano também ajudam na determinação
do tipo de infecção. Além de realizar uma punção lombar, o
médico pode solicitar cultura de amostras do sangue, urina,
muco nasal e da garganta e pus de infecções cutâneas para
ajudá-lo no diagnóstico.
TRATAMENTO
 A meningite bacteriana é tratada imediatamente
com antibióticos intravenosos e com
corticosteróides também administrados por via
intravenosa a fim de suprimir a inflamação.
 O médico pode utilizar um ou mais antibióticos
para atingir as bactérias que provavelmente são as
responsáveis pela infecção.
 Após a identificação da bactéria específica (um ou
dois dias depois), os antibióticos podem ser
substituídos por outros mais adequados para
combater a infecção. O tratamento também inclui a
reposição de líquido que o indivíduo perdeu devido
à febre, ao suor, ao vômito e à falta de apetite

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1)
2)
3)
4)
É importante considerar a presença de barreiras
anatômicas e fisiológicas, sangue/líquor e
sangue/cérebro.
A penetrabilidade dos agentes antimicrobianos do
sangue ao líquor pode ser resumida nos 4 seguintes
grupos:
Drogas que passam facilmente com ou sem
inflamação meníngea(Cloranfenicol, Cotrimexazol e
Rifampicina)
Drogas que penetram bem quando há
inflamação(Penicilina Cristalina, Ampicina, Vancomicina)
Drogas que penetram com dificuldade, mesmo
quando há inflamação(cefalotina, lincomicina,
etambutol, aminoglicosídeios)
Drogas que praticamente não ultrapassam a
barreira(colistina, polimixina B)
 A depuração liquórica das drogas se dá rapidamente, este
fato impõe a necessidade de administração de
antibióticos intervalados por curtos intervalos de tempo.
 Princípios Básicos da antibioticoterapia:
1)Administração precoce de antibióticos , quando a
meningite for diagnósticada mesmo que o agente
etiológico ainda não seja conhecido.
2)Necessidade de altos níveis de concentração plasmática,
para alcançar as concentrações adequadas no tecido
cerebral.
3)O esquema antibiótico deve ter amplo aspectro de ação
até que se identifique o agente etiológico.
4)Utilização preferencial de antibióticos bactericidas, porque
a fagocitose no espaço subaracnóideo não é
suficientemente adequada.
5)Manutenção de altas dosagens até a cura da meningite
Outros aspectos do tratamento
 Redução da Hipertensão Endocraniana:
 A hipertensão endocraniana, quando muito
severa(pressão liquórica maior que 350mm de H20
ou sinais clínicos que indicam risco de vida)devem
ser reduzidos com diuréticos osmóticos—Manitol.
• Uso de Corticosteróides como adjuvante:
 Redução da inflamação, porém afetam a resposta
do hospedeiro à infecção, pois interferem na
digestão fagocítica da bactéria.
• Medicações sintomáticas(dor, hiperemia,
vômito..)
• Tratamento e prevenção de crises convulsivas
Terapia Empírica das meningites Bacterianas
Idade
Agente
Antibiótico
Recém-Nascido
S. agalactiae, E. coli, K.
pneumoniae, Lysteria
Ampicilina + Cefotaxima
1-2meses
S. agalactiae, E. coli, K.
pneumoniae,
Lysteria+S.pneumoniae,
N. meningitidis, H.
Ampicilina+Cefotaxima
ou Ceftriaxona
influenzae B
5-50anos
S. pneumoniae, N.
meningitidis, H.
influenzae B
S. pneunomiae, N.
>50anos
S. pneumoniae, Gram-
3meses-5anos
meningitidis
negativos, Lysteria
Ampicilina +
Cloranfenicou ou
Ceftriaxona
Penicilina G cristalina ou
Ampicilina
Ampicilina +
Cefalosporina de 3ª
TERAPIA ESPECÍFICA DE ACORDO COM O AGENTE
ISOLADO E SEU PERFIL DE SENSIBILIDADE
AGENTE
1a ESCOLHA
2aESCOLHA
Neisseria meningitidis
Penicilina G cristalina
Ampicilina,
Cefriaxona,Cloranfenicol
Streptococcus
pneumoniae
Ceftriaxona
Penicilina G Cristalina,
Vancomicina
Haemophilus influenzae
Ceftriaxona
Meropenem
Streptococcus do grupo
B, Escherichia coli e
Listeria monocytogenes
Ampicilina +
Gentamicina
Ampicilina+Cefriaxona
Staphylococcus aureus
Oxacilina
Vancomicina
 As meningites por Meningococos e
Hemófilo são passíveis de
isolamento até 48h após o início da
antibioticoterapia.
Meningite Viral
 Os vírus que com maior freqüência causam meningite são os
vírus do gênero Enteroviridae incluindo os vírus Echo,
Coxsackie, poliovírus e enterovírus de 68 ao 71 que
respondem por mais de três quartos dos casos; outros vírus
podem causar meningite como os arbovírus, HSV 1 e 2, HIV
(em fase aguda), caxumba e vírus da coriomeningite
linfocitária.
 Quando uma pessoa se contamina com um enterovírus, em
geral por alimentos contaminados, o vírus se multiplica e
atinge o SNC vai corrente sanguínea.
 A meningite viral é uma doença que cursa com
febre, mal estar, dores pelo corpo, cansaço e
fraqueza. São muito freqüentes náuseas e vômitos.
A maior parte das pessoas com meningite
desenvolve os sinais meníngeos.
 Sinais Meníngeos: são manobras do exame médico
que mostram a presença de meningite. Um dos
sinais é conhecido como rigidez de nuca que é o
endurecimento ou rigidez da musculatura do
pescoço quando o médico tenta fletir o pescoço do
paciente. Ainda há outro sinal que é a dor quando o
médico levanta a perna do paciente deitado. O
movimento de levantar as pernas estira as
meninges inflamadas causando dor.
TRATAMENTO
 Na meningite viral o tratamento deve ser de
suporte, ou seja, deve-se dar medicamentos para
a dor, para melhora dos vômitos e hidratação,
mas não existe um tratamento específico. Nas
meningites por HSV-2 ou Herpes Zoster vírus
pode-se usar o aciclovir, um medicamento
antiviral. O paciente com meningite viral deve
ser isolado por sete dias a partir do início dos
sintomas.
Meningites Crônicas
 Meningite crônica é uma síndrome que se caracteriza por
febre, cefaléia, letargia, confusão mental, náuseas, vômitos,
rigidez nucal, com alterações liquóricas, com duração de 4
semanas ou mais.
 Geralmente, a meningite crônica atinge indivíduos cujo
sistema imune está comprometido devido à AIDS, à um
câncer, à outras doenças graves, a medicamentos anticâncer
ou ao uso prolongado de prednisona.
 Alguns organismos infecciosos podem invadir o cérebro e
desenvolver-se muito lentamente, causando sintomas e
lesões de uma forma gradual. Os mais comuns são o fungo
Cryptococcus; o citomegalovírus; o vírus da AIDS; e as
bactérias que causam a tuberculose, a sífilis e a doença de
Lyme.
Meningite em crianças
 A escolha do antibiótico para o tratamento da meningite
aguda da criança sempre foi, na maior parte dos casos,
empírica; levando-se em consideração as bactérias incidentes
na faixa etária do paciente.
 Classicamente, os estudos epidemiológicos determinavam que
o tratamento antibiótico deveria focalizar nos recém-nascidos
os bacilos entéricos gram-negativos, o estreptococo do grupo
B e, eventualmente,a listeria; em crianças de 3 meses a 5 anos o pneumococo, o hemófilo e o meningococo; nos maiores - o
pneumococo e o meningococo.
 Para estas bactérias a escolha terapêutica preferencial seria
uma cefalosporina de terceira geração
(enterobactéria/hemófilo), penicilina
(meningococo/pneumococo), ampicilina (listeria), ou penicilina
e aminoglicosídeo (estreptococo).
 Nas UTIs neonatais, onde prematuros são submetidos a
procedimentos invasivos, germes pouco conhecidos como o
Chryseobacterium (Flavobacterium) meningosepticum,
Stenotrophomonas maltophilia e fungos são hoje encontrados
como causadores de meningite. Portanto, nos hospitais de
cuidados terciários e nos berçários, onde estão estes casos, a
dificuldade na escolha da antibioticoterapia inicial para o
tratamento da meningite ampliou-se.
 O pneumococo está se tornando cada vez mais resistente à
penicilina. No Brasil, cerca de 10 a 20% das cepas são, ao menos
parcialmente, resistentes, e a resistência plena à
penicilina/ampicilina alcança 4%. Para estas bactérias, mesmo a
cefotriaxona,droga de escolha, pode falhar.
 Num futuro que pode não estar distante, o tratamento empírico
inicial de uma criança de 5 anos de idade com meningite
comunitária, poderá ser a associação de cefotriaxona e
vancomicina, eventualmente acompanhadas de rifampicina. O
impacto sobre a ecologia bacteriana e o custo do tratamento
seriam muito significativos.
 Uma outra dificuldade na terapêutica das
meningites adveio com o reconhecimento de
possíveis efeitos deletérios decorrentes da lise
bacteriana. Afinal, a liberação local de produtos
biologicamente ativos como endotoxinas e
polissacarídeos pode provocar um processo
inflamatório, com aumento da pressão
intracraniana e dano cerebral. No sentido de
impedir estes efeitos, o corticosteróide foi
introduzido como adjuvante no tratamento das
meningites.
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