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CENAS DO TRABALHO NA ECONOMIA GOMÍFERA
A economia da borracha, cujo auge se deu entre 1870 e 1910, possibilitou a
transformação da estrutura urbana de Manaus, além de gerar novas realidades.
Expansão do traçado urbano, alterações do espaço físico (aterramento de igarapés,
aplainamento de ruas, desmatamentos, arborização das avenidas principais, etc),
aumento do conjunto arquitetônico e prédios públicos além de um intenso processo
migratório marcaram as novas feições de Manaus. Todo esse processo veio
acompanhado de doenças e problemas de moradia e ocupação, comuns em aglomerados
urbanos amalgamados em tão pouco tempo.
Para movimentar a auspiciosa economia gomífera eram necessários muitos braços,
trabalhadores que se ocupariam nas diversas atividades de coleta, transporte e
exportação do ouro negro, bem como nas atividades indiretas geradas pelo capital da
borracha. O braço desejado nesse momento de ocupação era o branco, de preferência o
europeu, caracterizado pelos discursos como mão-de-obra mais qualificada que a nativa.
Para atraí-los, era necessário construir uma imagem positiva para o Amazonas. Assim,
promoveram-se propagandas da potencialidade econômica da região, desmentindo as
notícias sobre sua insalubridade, ressaltando a amenidade climática e a facilidade de
enriquecimento em médio prazo. Além de obras como a de Arturo Luciani e Bertino de
Miranda, “O Estado do Amazonas (1899)”, feita em co-edição com o governo italiano
para incentivar a vinda de imigrantes daquele país, investia-se no envio de figuras
financiadas pela Província (depois Estado do Amazonas) para divulgar a região nos
países europeus, como o Barão de Sant’Ana Nery — que fez propaganda na França . O
Japão foi outro pólo de investimento. Desta vez, pensava-se o migrante japonês não
para a economia gomífera, mas como agenciador ideal do projeto agrícola, sempre
almejado e não viabilizado desde a Província.
As imagens da Exposição CENAS DO TRABALHO NA ECONOMIA GOMÍFERA são
do “Anuário de Manaus (1913-1914)”, um indicador financeiro que, apesar de não se
pautar exclusivamente no objetivo de atrair imigrantes servia também ao mesmo.
Entretanto, as exposições internacionais das quais o Estado do Amazonas participou e
as obras que as embasavam, constituíram-se por excelência no melhor veículo de
propagação do Amazonas no circuito internacional. Obras como “A Cidade de Manaus
e o País da Seringueira”; “O Amazonas: esboço histórico, corográfico e estatístico até
o ano de 1903”, e “Brasil, a Terra da Borracha” exibem a Amazônia e a cidade de
Manaus como espetáculo de modernização.
Os trabalhadores – tanto os urbanos quanto os dos seringais – não usufruíram dessa
cidade faustosa, anunciada ao mundo como a “Paris dos Trópicos”. Na cidade, eles
habitavam cortiços e porões, o assalariamento não era ainda uma condição assegurada e
as condições de trabalho estavam longe de ser dignas. Nos seringais, o aviamento
garantia o endividamento permanente dos seringueiros que se alimentavam de conservas
e produtos importados porque não tinham tempo de plantar. Acordavam-se às 4h e se
recolhiam com a noite.
Dependendo da categoria, a carga horária variava entre10 a15 horas de trabalho por dia,
no tempo útil marcado pelo Observatório Meteorológico da Praça da Matriz, e pelos
foguetes disparados às 12 horas em ponto no terreno do edifício do Congresso para
anunciar o meio-dia à cidade e marcar o início das sessões diárias.
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