HISTÓRIA DA FILOSOFIA MODERNA II - Artigos

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O QUE É CIÊNCIA E QUAL O SEU PAPEL NA
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA?
O QUE É CIÊNCIA E QUAL O SEU PAPEL NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA?
Nossa primeira abordagem para falar do que é ciência, inicia-se com a definição desta.
Segundo Japiassú-Marcondes (2006, p.44):
"(...) é a forma de
conhecimento que não somente pretende
apropriar-se do real para explicá-lo de modo racional e objetivo,
mas procura estabelecer entre os fenômenos observados relações
universais e necessárias, o que autoriza a previsão de resultados (
efeitos)
cujas
causas
podem
ser
detectadas
mediante
procedimentos de controle experimental". 1
Portanto, obtemos um conjunto de conhecimentos, de informações, que nos leva a
compreender e explicar de forma objetiva, racional, ou seja, usando-se da razão, de experiências
ou experimentos, os acontecimentos do passado, do presente e prevendo com mais precisão o
futuro.
Quando falamos que "está cientificamente comprovado", ou que "a ciência comprovou",
estamos afirmando que baseados nas leis universais, ou seja, nas leis que regem a natureza e o
universo, através das experiências realizadas, e pautados no conhecimento, na razão, na lógica,
comprova-se um determinado fenômeno. E assim, compreendemos a realidade, os fatos que
sucedem-se com clareza e objetividade.
Ciência, portanto, defini-se de maneira geral, como um saber que se adquire e leva à
habilidades para desempenhar determinadas atividades.
A questão que se levanta aqui é: - Isto significa dizer que uma pessoa precisa da ciência
para confeccionar um bolo, ou limpar, administrar uma casa?
Conclui-se que sim, talvez não de uma ciência acadêmica, isto é, de uma forma de
conhecimento metódico, rigoroso, organizado e sistemátizado, na busca da verdade, de solução
para um determinado problema, e podendo este, ser objetivamente comprovado.
1
JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 4º ed. Rio de Janeiro. Jorge Zahar.
2006. 289 p. ISBN 8571100950.
É através da ciência, ou melhor, do conhecimento metódico, rigoroso, de pesquisas e
experimentos que consegue-se, na medicina, por exemplo, obter resultados positivos com
descobertas de formulas para eliminar doenças, e em alguns casos, como o HIV, amenizar a dor e
prolongar a vida por um certo período.
Essa busca de soluções para determinados problemas, nada mais é do que o espírito de
curiosidade, inato no homem, que a partir do Movimento Renascentista, por volta do século XIV
e XV, emerge conjuntamente com as mudanças da época. O pouco empreendimento científico,
que até então vigorava (Idade Medieval), expande-se.
Conforme Russell (1969, p.45): "Quase tudo que distingue o mundo moderno dos
séculos anteriores é atribuível à ciência, que obteve os seus triunfos mais espetaculares no
século XVII (...)".
E mais adiante: "(...) Os novos conceitos introduzidos pela ciência influenciaram
profundamente a filosofia moderna. Descartes, que foi, em certo sentido, o fundador da filosofia
moderna, foi, ele próprio, um dos criadores da ciência do século XVII (...)".
Finalizando, (p.58) " Outro coisa decorrente da ciência foi uma profunda mudança na
concepção do lugar do homem no universo(...)".
Portanto, a ciência começa a desbravar o universo através de Descartes, que procura
mostrar a validade do conhecimento com fundamento metafísico.
Em Japiassú-Marcondes (2006, p.44) encontramos:
" Com Descartes (...) o saber científico se desenvolve de modo
autônomo, e não mais como um momento do caminho da sabedoria: é
ele que torna o homem mestre e dominador da natureza. O papel da
filosofia é o de procurar as raízes e o fundamento do conhecimento
realizado pela ciência. Sem a legitimação metafísica, a ciência
permanece um saber sem garantia".
2
Passou-se para a busca de superar as limitações, entendendo, o funcionamento do
universo físico com mais objetividade, e menores possibilidades de erros. Provou-se que
2
JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 4º ed. Rio de Janeiro. Jorge Zahar.
2006. 289 p. ISBN 8571100950.
conhecíamos nosso pensamento, entretanto, a validade de seus objetos, ainda era uma questão
duvidosa.
É Kant quem procura eliminar as dúvidas, revolucionando a história da filosofia,
valorizando o sujeito e suas relações com o objeto.
Conforme Japiassú-Marcondes (2006, p.158) nos relata:
" (...) Kant investiga os limites do emprego da razão no conhecimento,
procurando estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento e
assim, distinguir os usos legítimos da razão na produção de
conhecimento, dos usos especulativos da razão que, embora inevitáveis,
não produzem conhecimento e devem ser distinguidos da ciência".
Kant faz uma síntese entre os empirístas e os racionalistas, e formula o método
transcendental, ou seja, análise das condições de possibilidades do conhecimento. A contribuição
de Kant para a ciência foi a reflexão dos fundamentos da ciência e da experiência no geral e no
particular.
Portanto, conforme já citamos, no início, sendo a ciência um conjunto de conhecimentos
que nos leva a explicar com objetividade e racionalidade os acontecimentos, esta tem um papel
"sine qua non" na sociedade contemporânea, pois, evoluir faz parte do processo da vida humana.
Segundo Plastino-Mariconda (1992, p.69) apresentam um texto de Popper, que relata:
"(...) o que caracteriza a ciência é sua capacidade de autocrítica e renovação das teorias".
E ainda: "(...) a ciência tem mais que um simples valor de sobrevivência biológica (...) o
esforço pelo conhecimento e a procura da verdade ainda são os motivos mais fortes da
descoberta científica".
Isto significa: renovar as teorias, ou seja, as descobertas já existentes e ampliar o
conhecimento, buscar a origem das coisas, distinguir entre o real e a superstição, saber o por que,
saber a causa, o motivo de uma determinada situação.
Russell (1969. p 7.) nos corrobora ao citar:
"(...) a vitória da ciência foi devida principalmente, à sua utilidade prática, tendo havido
uma tentativa no sentido de se divorciar este aspecto do da teoria, fazendo-se desse modo, da
ciência, cada vez mais técnica, e cada vez menos uma doutrina sobre a natureza do mundo(...)".
A utilidade prática da ciência, encontra-se na melhoria das condições de vida dos
indivíduos na sociedade.
Embora, a ciência não seja um conhecimento neutro, nem imparcial, e muitas vezes
tenha um caráter ideológico, ela é necessária à nossa sobrevivência. É através da ciência
(pesquisa científica) que descobre-se a cura de doenças, mais recursos tecnológicos, transformase a natureza, muitas vezes, de forma negativa, entretanto, como dependemos da natureza para
sobreviver, logo, temos a resposta desta, frente ao nosso erro, e nos transformamos, evoluímos,
enquanto seres humanos, melhorando nosso comportamento, nossas ações, etc.
Concluímos, concordando com as palavras de Popper, que Plastino-Mariconda (1992, p
69) nos relata: " (...) o que faz o homem de ciência não é sua posse do conhecimento, da verdade
irrefutável, mas sua persistente e destemida indagação crítica da verdade".
BIBLIOGRAFIA.
JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 4º ed. Rio de
Janeiro. Jorge Zahar. 2006. 289 p. ISBN 8571100950.
RUSSEL, Bertrand. História da Filosofia Ocidental. 3º ed. São Paulo, Nacional, 1969, 216p.
OLIVEIRA, Armando Mora de , PLASTINO, Caetano Ernesto, SILVA, Franklin Leopoldo E,
ASSIS, Jesus Eugênio de Paula, NASCIMENTO, Milton Meira do, MATOS, Olgária Chaim
Féres, MARICONDA, Pablo Ruben. Primeira Filosofia- Tópicos de Filosofia Geral. 9º ed. São
Paulo. Brasiliense. 1992. P. 48 ISBN 8511120602
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