o uso de células-tronco do sangue de cordão umbilical e

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Curso de Enfermagem
Artigo de Revisão
O USO DE CÉLULAS-TRONCO DO SANGUE DE CORDÃO UMBILICAL E
PLACENTÁRIO NO TRATAMENTO DE LEUCEMIA EM CRIANÇAS
THE USE OF UMBILICAL CORD BLOOD OF STEM CELLS AND PLACENTAL TO TREAT CHILDREN
WITH LEUKEMIA
Launicesar Ramos Boaventura1, Judith Aparecida Trevisan²
1 Aluno do Curso de Enfermagem
2 Professor Especialista
Resumo
O que usualmente é jogado no lixo torna-se rica fonte de vida e de esperança para aqueles que fragilizados aguardam por cura. O
uso de Células-Tronco do Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (SCUP) ganha notoriedade no tratamento da Leucemia em
crianças. O estudo em questão busca compreender a importância da utilização das Células-Tronco do SCUP no tratamento da
Leucemia Infantil, identificando sua cura. Também procura demonstrar a importância dos profissionais de Enfermagem no contexto de
responsabilidade para com o processo. Bem como evidenciar formas de adicionar o conhecimento à Sociedade, tornando-a
participativa do sistema. Trata-se de um estudo de Revisão de literatura, com abordagem descritiva qualitativa. Abrange de forma
objetiva a aplicação prática de conceitos baseados em evidências científicas e propõe algumas tomadas de decisões, contribuindo de
forma significativa. A Leucemia é uma doença hematológica grave, sendo o tumor de maior incidência na infância a Leucemia
Linfocítica Aguda. A hostilidade da doença levou a diversos estudos sobre a melhor forma terapêutica capaz de erradicá-la do
organismo, alcançando gigantescos avanços, destacando as Células-Tronco do SCUP, que desde a sua descoberta vem provendo
cura, apontando uma taxa de 80%. A utilização do SCUP envolve processos complexos, necessitando uma equipe altamente
especializada. A Enfermagem torna-se um elo no processo saúde-doença dessas crianças, influenciando na qualidade de vida das
mesmas. A necessidade de difundir o conhecimento à Sociedade se dá pelo fato de que a discussão sobre a temática é pouco usual.
Conclui-se que é essencial maior incentivo na disseminação de informações principalmente ao público leigo sobre os benefícios do
SCUP, e que, os profissionais da área de saúde devem capacitar-se para possibilitar o tratamento de um maior número de crianças
com Leucemia.
Palavras-chave: Células-Tronco; Leucemia; SCUP; Criança.
Abstract
What is usually thrown in the garbage becomes rich source of life and hope for those who eagerly await fragile healing. Use of Stem
Cells Blood and Umbilical Cord Placenta (SCUP) became well known in the treatment of leukemia in children. The present study seeks
to understand the importance of using the SCUP Stem Cells in the Treatment of Child Leukemia, identifying the cure of it. It also seeks
to demonstrate the importance of nursing professionals in the context of accountability to the process. And highlight ways to add
knowledge to the Company on the subject, making it participatory system. This is a literature review study with qualitative descriptive
approach. The literature search was performed in databases recognized as Lilacs, Bireme and Medline. Were selected for preliminary
analysis 62 literatures, with the inclusion criteria were those related to the theme, making up a cut on the year, from 2000 to 2014. The
study addresses objectively the practical application of concepts based on scientific evidence and proposes some decision making,
contributing significantly to the theme. Leukemia is a serious blood disease. It is considered as the most frequent tumor in childhood
with an Acute Lymphocytic Leukemia, the most frequent. The hostility of the disease led to many studies on the best form of therapy can
eradicate it from the body, reaching gigantic advances. Among these advances, we highlight the use of Stem Cells from SCUP, which
since its discovery has been providing healing and consequently a better quality of life for children with leukemia, which now shows a
cure rate of 80%. The use of UCB involves complex processes, thus requiring a highly specialized team. Nursing becomes an important
link in the health-disease of these children, providing care that influence the quality of life for them. The need to disseminate knowledge
to society in general is identified as a factor of paramount importance, since the discussion on the subject is unusual. It follows that it is
essential to greater incentive in the dissemination of information mainly to the lay public about the benefits of SCUP, and that health
professionals should enable to enable aid to the treatment of a larger number of children with leukemia.
Keywords: Stem Cells; leukemia; SCUP; Child.
Contato: [email protected]
Introdução
É notável que só apenas recentemente a
ciência tenha conscientizado e passado a ver
com olhar mais especulativo à tamanha
importância das células-tronco. De acordo com
SOUZA; DÉCIO, 2005, apenas na transição deste
terceiro milênio é que se veio despertar sobre os
benefícios das mesmas aos seres humanos.
A utilização dessas células é a principal
fonte de esperança, em determinadas situações a
um paciente que aguarda por cura. Debates
sobre a temática vêm sendo discutido na
comunidade acadêmica de saúde nacional e
internacional, também sendo conhecido e mais
aceito pela sociedade em geral, conforme
OLIVEIRA, 2007.
As células-tronco são células que possuem
o poder ilimitado de diferenciação e auto
renovação encontradas em tecidos embrionários
e extraembrionários. (SOUZA, et al. 2003)
Para melhor compreensão do conceito de
células-tronco é necessário considerarmos como
uma das fases de nossa vida. O organismo
humano é formado por uma legião de células. A
partir da fecundação é que se dá o início do
desenvolvimento dessa legião celular que formará
o ser humano. (MOORE; PERSAUD, 2008)
Após a junção dos gametas masculino e
feminino, forma-se uma única célula denominada
ovozigoto, essa sofrerá diversas divisões
mitóticas até formar um pequeno embrião que
com mais ou menos cinco dias é chamado de
blastócito, são células-tronco embrionárias, ou
seja, células pluripotentes, que vão se diferenciar
em
quase
todos
os
tecidos
humano.
(SCHOENWOLF, 2009)
Por outro lado, no organismo adulto
também se encontra células-tronco que são
responsáveis pela homeostase tecidual, gerando
a renovação fisiológica de novas células, sendo
as mesmas multipotentes capazes de se
diferenciar em tecidos determinados (SOUZA, et
al. 2003). Conforme citam pesquisadores do
INCA, essas células-tronco são encontradas em
diversos tecidos do corpo humano, como fígado,
tecido adiposo, sistema nervoso central, cordão
umbilical, placenta e sangue, chamando a
atenção nesta abordagem para o Sangue de
Cordão Umbilical e Placentário (SCUP).
Para SOUZA; DÉCIO, 2005 uma célulatronco, portanto, é um tipo especial de célula que
tem a capacidade singular de gerar outra célulatronco ou gerar um tipo de célula especializada.
Pesquisadores conseguiram comprovar a
existência de grande quantidade de Células
Progenitoras Hematopoiéticas (CPH) no sangue
de Cordão Umbilical e Placentário (SCUP),
podendo as mesmas serem criopreservadas e
descongeladas
posteriormente.
(MENDESTAKAO, et al, 2010)
As vantagens do uso de células-tronco do
Sangue de Cordão Umbilical e Placentário são
inúmeras, dentre elas, não envolver risco para o
doador, não ser um procedimento invasivo e
maior número no quantitativo de células-tronco
por volume coletado, possuindo uma alta
capacidade de proliferação. (SENEGAGLIA, et.
al, 2009).
SEBER, 2000, afirma ainda que existe
outra vantagem quando se comparada ao TMO
(Transplante de Medula Óssea), visto que ao se
optar por esse, recorre-se a um banco de dados
onde o potencial doador encontra-se registrado, o
mesmo é convidado a se apresentar no centro de
coleta mais próximo para a realização de exames
médicos e doação. As células coletadas são
enviadas ao receptor de avião onde ele estiver,
tornando-se
um
processo
demorado
e
dispendioso. O SCUP, ao contrário já se encontra
coletado e congelado, pronto para a utilização.
O SCUP é utilizado em mais de 70 tipos de
tratamento, dentre eles a Leucemia, um subtipo
de câncer. Conforme pesquisadores do INCA,
câncer são células de crescimento rápido e
desordenado que podem espalhar-se para outras
regiões do corpo, que tendem a ser agressivas e
incontroláveis determinando a formação de
neoplasias malignas.
Fonte: INCA 2014
O câncer em crianças compreende cerca
de 0,5% a 3% no âmbito mundial de todas as
neoplasias malignas comparadas à população em
geral, estimando-se uma incidência anual mundial
de duzentos mil casos. No Brasil observou-se que
o mesmo varia de 1% a 4,6% conforme cita
MUTTI, et al. 2010.
Entre os cânceres mais agressivos e
comuns na infância, destacam-se as Leucemias,
conforme RODRIGUES; CAMARGO, 2003,
correspondendo cerca de 25% a 30% dos casos.
No Brasil, utilizam o limite de 18 anos de idade
para a definição de câncer pediátrico, conforme
recomendação do INCA (REIS, et al. 2007).
Pesquisadores do INCA descrevem a
Leucemia como uma neoplasia hematológica dos
glóbulos bancos (leucócitos). ZANICHELLI, et al,
2010 afirma que a mesma é determinada pela
proliferação, acúmulo e infiltração de células
jovens ou imaturas anormais na medula óssea,
que passa a substituir as células sanguíneas
normais.
Existem vários subtipos, sendo a de maior
incidência em crianças a Leucemia Linfocítica
Aguda (LLA), numa porcentagem de 80%
(SANTANA, et. al, 2007), sendo a quimioterapia,
radioterapia e o transplante de células-tronco uma
eficaz fonte de cura. Cerca de 80% das crianças
diagnosticadas possuem perspectiva de cura. É
uma doença que possui um grau de dificuldade
em ser diagnosticada, pois os primeiros sintomas
são inespecíficos, vagos ou silenciosos podendo
ser confundida com outras patologias. Porém
possui uma rápida progressão e alguns casos
podem ser diagnosticado precocemente como
afirma ZANICHELLI, et al, 2010.
Os
Transplantes
de
Células-Tronco
Hematopoiéticas (TCTH) são utilizados na
intenção de restaurar a função da medula por
meio de infusão de células progenitoras ou
células tronco (“stem cells”), que têm a
capacidade de multiplicar-se e de diferenciar-se
em eritrócitos, plaquetas e leucócitos, ou seja,
todas
as
células
sanguíneas
maduras.
(GARÓFOLO, et al. 2006).
Esses transplantes exigem uma equipe
multidisciplinar especializada, por ser um
processo complexo as mesmas necessitam ser
capacitadas para estarem aptas a acolher esses
pacientes e suas respectivas famílias. (MERCÊS;
ERDMANN, 2010)
A assistência aos pacientes pediátricos
oncológicos, refere-se ao conforto, bem-estar da
criança, em que suas necessidades básicas
(sono, alimentação, eliminações, recreação)
sejam atendidas conforme as limitações
causadas pelo avanço da doença. O profissional
Enfermeiro tem importância no contexto de
equipe multidisciplinar na busca por possíveis
doadores e também como afirma BOCHI, et al.
2007, no suporte ao paciente, sendo capaz de
torná-lo valorizado e independente dentro das
limitações existentes no transplante.
Dentro
desse
contexto,
buscou-se
compreender por meio de revisão bibliográfica,
sustentação da grandeza e significância da
utilização de células-tronco do Sangue de Cordão
Umbilical e Placentário em Crianças com
Leucemia, uma vez que pouco conhecido pela
sociedade e a valorização e capacitação das
equipes multidisciplinares, pois as mesmas são
portas de acesso da sociedade ao conhecimento
e ao alcance dos serviços de saúde, tanto
públicos como privados tornando-se coprodutores
de resultados positivos.
MUTTI, et al. 2010, destaca a importância
de uma equipe de saúde multiprofissional bem
preparada na oncologia pediátrica para que sejam
traçados planos de cuidados individualizados e
com abordagem humanizada sendo indispensável
a inclusão da família no cuidado, tornando mais
produtivo o tratamento.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo de Revisão de
literatura, com abordagem descritiva qualitativa. A
busca bibliográfica foi efetuada em base de dados
reconhecida como Lilacs, Bireme e Medline,
dissertações, teses, periódicos e livros.
Foram selecionadas para análise prévia
102 literaturas, utilizando-se 55, tendo como
critérios de inclusão as que estiveram
relacionadas ao tema, fazendo-se um recorte
quanto ao ano, entre 2000 a 2014, e o uso das
palavras-chave: Células-tronco, Leucemia, SCUP,
Criança. A pesquisa ocorreu de Fevereiro a
Outubro de 2014.
O estudo aborda de forma objetiva a
aplicação prática de conceitos baseados em
evidências científicas e propõe algumas tomadas
de decisões, contribuindo significativamente com
a temática.
A análise e resultados da pesquisa serão
apresentados conforme as normas do NIP
(Núcleo
Interdisciplinar
de
Pesquisa),
ICESP/PROMOVE, 2014, e ABNT.
Resultados e Discussão
O uso das Células-Tronco do SCUP (Sangue
do cordão Umbilical e Placentário) no
tratamento de crianças com Leucemia
Nas últimas décadas estudos evidenciam a
satisfação na utilização de células-tronco no
mundo todo, muitas vezes, assunto um tanto
polemizado por entrar em contraste com certos
limites jurídicos, éticos e morais escolhidos por
cada cultura e sociedade. Mas os paradigmas
vêm sendo mudados no decorrer dos anos, ao se
verificar falhas na “concepção prévia” então
vigente.
As células-tronco se dividem em dois tipos:
As células-tronco embrionárias, que são
derivadas do estágio do blastócito de embrião, e
as células-tronco adultas, presente em diversos
órgãos, em especial as hematopoiéticas
encontradas principalmente na medula óssea e
no Sangue do Cordão Umbilical e Placentário. A
primeira, ainda bastante polemizada sobre o seu
uso. Já a segunda, mais aceita dentro dos novos
paradigmas formados. (PRANKE, 2014)
O Sangue do Cordão Umbilical e
Placentário possui uma rica fonte de CélulasTronco Hematopoiéticas (CTH), as quais desde a
sua descoberta passaram a serem enaltecidas
pelo campo das pesquisas e nos dias de hoje,
são reconhecidas como elementos de tamanha
importância no tratamento de diversas patologias,
direcionadas especialmente para acometimentos
hematológicos e oncogênicos, principalmente à
pacientes que não apresentam doadores
compatíveis (OLIVEIRA; SILVA, 2005).
O cordão umbilical nada mais é que a
ligação entre a mãe e o feto (FAN et al., 2011).
Ele é composto por duas artérias que serão
responsáveis por levar produtos de excreção e
dióxido de carbono para a placenta pra serem
retirados do organismo e por uma veia
responsável pelo transporte de nutrientes e
oxigenação fetal. Protegendo todo o conteúdo
umbilical envolvendo os vasos e o restante do
cordão, encontra-se a geleia de Wharton
(DESTRO 2012).
Ainda conforme DESTRO, 2012, o cordão
se desenvolve junto com o feto medindo cerca de
55 cm (podendo variar de 30 a 100 cm) sendo o
mesmo úmido, de um branco leitoso e
normalmente contorcido, estendendo-se da área
umbilical do feto para o centro da superfície fetal
placentária.
Todo componente sanguíneo que fica retido
nos vasos do cordão umbilical e placenta durante
o nascimento da criança é considerado como
SCUP (SILVA; LEOI, 2010). De acordo com a
RDC n. 56 de 16 de dezembro de 2010, essa
porção de sangue é rica em células progenitoras
hematopoiética (BRASIL, 2010).
Foi na Segunda Guerra Mundial que
surgiram os primeiros relatos do uso de célulastronco
hematopoiéticas,
cuja
fonte
era
especificamente sangue provindo do tecido
placentário (DESTRO, 2012). O sangue do
cordão umbilical é usado pela primeira vez em
1972 nos Estados Unidos da América, na
tentativa de tratar uma Leucemia Linfoblástica
(SEQUEIROS; NEVES, 2012).
Edward A. Boyse, Hal E. Broxmeyer e
Judith Bard sugerem em 1982 que o sangue de
cordão umbilical seja uma grande fonte de células
progenitoras
hematopoiética
(PEDRASSA;
HAMERSCHLAK, 2008). Em 1988 no hospital de
Saint-Louis na França, a doutora Eliane
Gluckman juntamente com sua equipe realizam o
primeiro transplante regular utilizando células de
cordão umbilical como alternativa às células da
medula óssea, em um paciente portador de
Anemia de Falconi, consagrando-se como a
pioneira na utilização das mesmas e o
procedimento foi considerado sucesso total
(SILVA JÚNIOR et al., 2009).
Na Leucemia Linfocítica Aguda Infantil,
registra-se na Duke University em 1993 o primeiro
transplante alogênico de sangue do cordão
umbilical e placentário (SEQUEIROS; NEVES,
2012). No Brasil em 2004 foi realizado pela
equipe do Centro de Transplante de Medula
Óssea do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o
primeiro
transplante
de
célula-tronco
hematopoiética entre doador e receptor não
aparentado (SILVA JÚNIOR et al., 2009).
GLUCKMAN 2009, afirma que desde o
sucesso obtido no primeiro transplante, vários
aspectos se tornaram alvo de maiores
questionamentos e investigação: Será que uma
única unidade de sangue de cordão pode conter
células-tronco
suficientes
para
enxertar
permanentemente crianças e adultos? São as
propriedades das células hematopoiéticas do
sangue do cordão diferente de células adultas? É
possível estabelecer bancos de sangue do cordão
umbilical para transplantes independentes e
coligados? Quais seriam os critérios para a
coleta, controle de qualidade e criopreservação?
Seria possível a coleta de sangue do cordão
umbilical não só para transplante familiar, mas
também para os transplantes não relacionados?
Todas estas questões foram respondidas
durante os últimos 20 anos, graças ao
desenvolvimento em todo o mundo e de uma
intensa cooperação internacional influenciando na
criação de bancos para o armazenamento das
unidades de SCUP coletadas. Motivado pela
temática o Dr. Pablo Rubinstein cria o primeiro
banco público no New York Blood Center o
Placental Blood Program em 1992, desde então
vários outros centros passaram a estocar SCUP
para a realização de transplantes, mantendo-as
disponíveis a qualquer pessoa que necessite do
transplante das mesmas no mundo, sendo
enviadas com relativa rapidez (CASTRO Jr. et al,
2001).
No Brasil, em 2001 foi inaugurado o
primeiro banco público de SCUP pelo INCA, no
Rio de Janeiro, desde então, contribuiu-se para o
desenvolvimento dessa área, em especial na
regulamentação específica e no projeto-piloto
para o estabelecimento de bancos públicos. Em
2004 o Ministério da Saúde concretizava o
estabelecimento da rede nacional pública de
Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e
Placentário (BSCUP) a BrasilCord (INCA, 2012).
A rede previa o estabelecimento de um
total de 13 Bancos em diferentes capitais do país
a fim de atender a diversidade étnica,
responsáveis pelos serviços de coleta, testes,
processamento, armazenamento e liberação de
células progenitoras hematopoéticas obtidas de
sangue de cordão umbilical e placentário para
uso alogênico não aparentado, sendo implantado
até o momento 12 bancos de sangue de cordão
umbilical e placentário nas cidades do Rio de
Janeiro, São Paulo (4 centros), Brasília, Porto
Alegre, Florianópolis, Fortaleza, Belém, Recife e
Curitiba. (INCA, 2014).
Após o nascimento o cordão umbilical deve
ser clampeado e puncionado com uma agulha
que estará conectada a bolsa de coleta. A
placenta deve permanecer em local estéril e mais
elevado quando comparado à bolsa, para que o
sangue flua por gravidade (SILVA; LEOI, 2010).
Conforme a RDC153/2004 a coleta deve
ser feita, em sistema fechado, por médico ou
enfermeiro treinado e capacitado. Os reagentes e
materiais devem ser estéreis, apirogênicos e
descartáveis. Somente deverá ser aceita se o
volume do coletado for igual ou superior a 70 ml
ou se o número total de células nucleadas for
superior 5x108. Após a coleta o sangue deverá
ser rotulado e armazenado a temperatura de 4 ±
2ºC até ser processado e criopreservado. O
tempo entre a coleta, o início de processamento e
criopreservação não deverá exceder 48 horas
(BRASIL, 2004).
A cada nova coleta, uma esperança a
acompanha, visto que o sangue de cordão
umbilical e placentário hoje é uma importante
fonte de cura a várias patologias, dentre elas, a
Leucemia Linfocítica Aguda (LLA), mais
conhecida como Leucemia Infantil. Para uma
melhor compreensão da mesma é importante
entender a composição do sangue e da medula
óssea normal.
A medula óssea é um tecido esponjoso que
está presente na cavidade dos ossos,
principalmente os ossos chatos, é lá que
acontece a hematopoese, processo esse
denominado como a formação das células
sanguíneas. Essas células se diferem em três
tipos: glóbulos vermelhos mais conhecidos como
hemácias ou eritrócitos, glóbulos brancos também
conhecidos como leucócitos e as plaquetas,
conhecidas como trombóticos (LEMOS, et al,
2007).
Ainda conforme LEMOS, et al, 2007 a
função dos eritrócitos é a oxigenação do
organismo. As plaquetas responsáveis pela
manutenção da hemostasia. Os leucócitos por
sua vez, dividem si em neutrófilos, monócitos,
eosinófilos, basófilos e linfócitos, cuja função é a
defesa do organismo. É exatamente na produção
do sangue que pode surgir a Leucemia, palavra
essa derivada do grego Leukós (branco) e haêma
(sangue), significando sangue branco.
A LLA é uma neoplasia hematológica dos
glóbulos bancos (leucócitos). Por alguma razão,
de especificidade desconhecida pela medicina, há
uma substituição dos elementos medulares e
sanguíneos normais por células linfoides imaturas
ou diferenciadas denominadas blastos, levando a
falência medular em prover a hematopoese,
resultando
em
anemia,
neutropenia
e
plaquetopenia (VERAS, et al. 2012).
Quanto ao diagnóstico, muitas vezes há
uma demora, pois os primeiros sintomas são
geralmente vagos, inespecíficos ou silenciosos
podendo ser até mesmo confundido com demais
patologias, no entanto, possui uma progressão
rápida,
podendo-se
diagnosticar
também
precocemente. Os sintomas são: anemia, palidez,
sangramentos excessivos na pele e nariz,
infeções, dor óssea, aumento dos gânglios e
febre persistente. O diagnóstico laboratorial pode
ser feito através de dois exames principais
denominados
Hemograma
e
Mielograma
(FARIAS; CASTRO, 2004).
O tratamento de LLA é prolongado e
variando de dois a três anos. O esquema
terapêutico pode mudar dependendo do centro de
tratamento ou do tipo de classificação da
Leucemia, mas geralmente todos os pacientes
pediátricos de LLA são tratados de maneira
semelhante. O tratamento visa destruir as células
leucêmicas para que a medula óssea volte a
produzir células normais e são divididos em cinco
fases: indução de remissão, intensificaçãoconsolidação, reindução, prevenção da leucemia
no sistema nervoso central e manutenção de
remissão. (ELMAN; SILVA, 2007)
Usualmente este tratamento envolve a
quimioterapia, radioterapia e transplante de
células-tronco da medula óssea ou do cordão
umbilical e placentário, podendo esses dois
últimos ser a cura para a doença, geralmente
utilizados em pacientes de alto risco. (LEMOS, et
al, 2007)
O transplante de células-tronco do sangue
de cordão umbilical e placentário é constituído por
etapas, onde o paciente depois de uma prévia
avaliação é encaminhado para realizar o
procedimento. É um tratamento no qual a medula
do paciente é destruída com altas doses de
quimioterapia
e/ou
radioterapia
e
imunossupressão, com o objetivo de reduzir
totalmente ou em grande parte da carga tumoral
respectivamente, permitindo a pega completa das
células do doador (BRASIL, 2012).
Essa medula doente será destruída e
substituída por células sadias de um doador
compatível por meio de uma transfusão, ou seja,
as células mãe ou progenitoras estão
acondicionadas em uma bolsa de "sangue" e são
transfundidas para o paciente. As células
transfundidas circulam pelo sangue, se instalam
no interior dos ossos, dentro da medula óssea do
paciente e depois de um período variável de
tempo ocorre a "pega" da medula, quando as
mesmas começam a se multiplicar, produzindo
células sãs do sangue (glóbulos brancos,
glóbulos vermelhos e plaquetas) normalmente.
(INCA, 2012)
Para MERCÊS; ERDMANN, 2010, o
processo de transplante de células-tronco
hematopoéticas do SCUP, envolve ações
complexas, exigindo uma equipe multidisciplinar
altamente especializada e capacitada, sendo apta
a assistir o paciente e sua respectiva família nas
etapas do processo.
Não há como pensar em TCTH sem antes
buscar
recursos
humanos
especializados
capazes de prestar assistência individualizada ao
paciente. Cabe ao Enfermeiro não permitir
práticas baseadas em tradições e sim na
fundamentação do cuidado, pois o mesmo é
responsável por um abrangente campo de
atuação em uma unidade de TCTH sendo de sua
competência o planejamento, a execução, a
coordenação, a supervisão e avaliação da
assistência de Enfermagem em todas as fases do
tratamento (BOCHI, et al. 2007).
Dados epidemiológicos que demonstram a
cura e/ou a melhora do quadro de crianças
com Leucemia
Para descrever a Epidemiologia do câncer
em uma população é necessário conhecer sua
incidência, mortalidade e sobrevida. No Brasil, os
Registros de Câncer de Base Populacional
(RCBP) são responsáveis pela manutenção dos
dados sobre casos novos de câncer em uma
população, mantendo acompanhamento contínuo
sobre o mesmo no país (INCA, 2008).
O câncer infanto-juvenil (abaixo dos 19
anos) quando se comparado om tumores adultos
é considerado raro, correspondendo entre 2% e
3% de todos os tumores malignos. Os RCBP’s
brasileiros observaram o predomínio das
Leucemias como tumor mais frequente nas
crianças, com percentual mediano de 29%, sendo
a LLA a de maior incidência, ocorrendo na faixa
etária de 1 a 4 anos (INCA, 2014). Em 2005 de
acordo com CAZÉ, et al, 2010, a segunda causa
de morte por câncer nessa faixa etária
corresponde a 8% de todos os óbitos.
SOUZA, et al. 2012 complementa que a
mesma é observada com maior incidência em
crianças brancas, do sexo masculino, sendo
responsável por 80% dos casos de Leucemia
Aguda nesse grupo etário.
Nos últimos 50 anos a sobrevida global de
crianças com câncer vem crescendo cada dia
mais, diminuindo assim o índice de mortalidade.
Essas taxas de sobrevida são importantes para o
conhecimento, se tornando índices avaliadores e
norteadores da qualidade dos cuidados e
terapêutica oferecidos à criança (Rangel, et al.
2014).
Atualmente a taxa de cura da LLA está por
volta de 80% (SOUZA, et al. 2012). O tratamento
deve ser selecionado de acordo com uma
classificação de riscos padronizados, tais como
índice do ácido desoxirribonucléico (DNA),
citogenética, resposta precoce à terapia,
imunofenotipagem e presença de doença no
sistema nervoso central (INCA, 2014). Para
LAMEGO, et al. 2010, esse sucesso na cura da
Leucemia se dá pelo diagnóstico precoce e pelos
constantes aperfeiçoamentos nos protocolos
terapêuticos, dentre eles a utilização de Sangue
de Cordão Umbilical e Placentário, representando
um dos grandes marcos na oncologia pediatria
moderna.
Todavia, dos 75.000 novos casos de LLA
diagnosticados anualmente no mundo, estima-se
que 80% não terão acesso a essas modernas
formas de tratamento sendo excluídos portanto do
processo de cura, tornando-se um desafio secular
em que a acessibilidade a esse progresso seja à
todas
as
crianças
portadoras
de
LLA
independentemente do local onde vivem
(PEDROSA; LINS, 2002).
Atuação do enfermeiro no processo
Captação,
Coleta,
armazenamento
transplante das Células-Tronco do SCUP
de
e
A intervenção no processo saúde-doença
no seu âmbito social requer atividades de
grandes complexidades (SHERER, et al. 2009).
Essa realidade demonstra que os saberes de
uma única profissão, não é o suficiente para
atender as necessidades de saúde de uma
sociedade. Por isso a complexidade dos agravos
à saúde na atualidade vem gerando a
necessidade de práticas multidisciplinares e
interdisciplinares no contexto de atenção à saúde
através da evolução do conhecimento (MATOS;
PIRES; CAMPOS, 2009).
PEDUZZI, 2001, afirma que o processo de
trabalho em saúde é caraterizado pela
interdisciplinaridade, onde vários profissionais
atuam de forma coletiva em torno de um projeto
assistencial comum, a fim de prestar um serviço
eficaz e resoluto, atendendo todas as
necessidades de um sujeito.
A hemoterapia é uma especialidade da
saúde que trabalha com o tratamento terapêutico
por meio do sangue e seus derivados. Com
significante crescimento nas últimas décadas, sua
evolução tem beneficiado pacientes adultos e
pediátricos (VERAN, 2012).
No passado, o papel da Enfermagem era
irrelevante na hemoterapia, os serviços eram
prestados apenas por técnicos em laboratório.
Mas houve significantes mudanças em todos os
sistemas e principalmente na prática de
assistência hemoterápica. A partir dos anos 90
tornou-se fundamental a presença de profissional
com conhecimento específico na área de atuação
(FLORIZANO; FRAGA, 2007).
A Enfermagem não ficou alheia a essa
mudança e passou a desenvolver várias funções
dentro dessa área. De acordo com VERAN, 2012,
função é definida como aquilo que a pessoa deve
realizar para desenvolver seu papel na sociedade.
Assim, as funções da Enfermagem referem-se ao
conjunto de ações que esses profissionais devem
realizar como prática social, associado a outras
práticas e efetivado na sociedade por meio do
trabalho, a fim de desenvolver seu papel no
sistema de saúde (FELLI; PEDUZZI, 2005).
Para alcançar esse objetivo, a Enfermagem
trabalha reunindo conhecimentos técnicos e
científicos com as demais profissões a fim de
beneficiar os pacientes e seus respectivos
familiares, desenvolvendo um cuidado integral e
centrado, atendendo suas necessidades e
subjetividades de uma forma competente e
individualizada (LACERDA, et al. 2007).
O papel assistencial do Enfermeiro inicia-se
quando o mesmo assume a responsabilidade de
suprir as necessidades de cuidados nos níveis
preventivos, curativos e de manutenção da
saúde, tornando este papel um processo de
Enfermagem, que é a base para toda prática da
categoria (AQUINO; SANNA, 2001). Esse
processo de Enfermagem dentro do sistema de
saúde se divide em cinco grandes funções:
Cuidar, Educar, Colaborar, Coordenar e
Supervisionar (DALLAIRE, 2008).
Um
dos
principais
objetivos
da
Enfermagem dentro do contexto hemoterápico é
prestar assistência em todas as etapas do ciclo,
desde a captação de doadores ao processo de
transplante (FLORIZANO; FRAGA, 2007). Para
que houvesse excelência nos procedimentos,
foram elaboradas legislações específicas em que
elenca os regulamentos para o desenvolvimento
das atividades, dentre elas cita-se a Resolução
304/2005 do Conselho Federal de Enfermagem
(COFEN) que normatiza a atuação do Enfermeiro
na coleta de sangue do cordão umbilical e
placentário e a Resolução 306/2006 – COFEN,
que fixa as competências e atribuições dos
Enfermeiros em
Hemoterapia (CURCIOLI;
CARVALHO, 2010).
A atuação da enfermagem em todas as
fases da utilização de SCUP, desde a captação
de doadores até a alta hospitalar, promove ao
pequeno paciente maior sucesso na terapêutica
em qualquer relação de cuidados básicos. Assim,
a inserção do enfermeiro no TCTH contribui para
o direcionamento e comprometimento em prestar
assistência qualificada e especializada, tanto para
doador quanto para o receptor (CRUZ; SANTOS,
2013).
BOCHI, et al. 2007 afirma ainda que o
suporte oferecido pela Enfermagem enriquece e
valoriza o paciente pediátrico, tornando-o capaz
de seguir sua vida de forma independente, dentro
de cada limitações, dentre elas as limitações que
o próprio transplante impõe por um determinado
período.
A Enfermagem é a ponte de ligação e
comunicação
entre
doadores,
médicos,
cuidadores e pacientes, sendo de extrema
importância a sua presença no processo de
tratamento através do SCUP transpondo as
barreiras inevitáveis da doença de forma
consciente e humanizada (MALTA, et al. 2009).
Adicionar à sociedade o conhecimento
referente ao uso das Células-Tronco e sua
utilização na cura da Leucemia
Muito se houve falar em Células-Tronco
Progenitoras Hematopoéticas e em Transplante
de Medula Óssea, mas há pouca ou quase
nenhuma discussão sobre as células-tronco
provindas do Sangue de Cordão Umbilical e
Placentário, de sua suma importância na vida de
diversas pessoas e na facilidade em obtê-las,
gerando assim um desconhecimento da
Sociedade em geral dentro desse contexto
(DESTRO, 2012).
A difusão do conhecimento à sociedade
está amparada pela Lei 8.080 de 19 de Setembro
de 1990 no seu Artigo 7º, onde diz que deve
haver divulgação de informações quanto ao
potencial dos serviços de Saúde e sua utilização
pelo usuário (CF, 1988). Esse artigo garante o
direito ao cidadão em obter conhecimento dos
serviços a ele disponibilizado dentro do Sistema
de Saúde, assim, para que haja excelência no
trabalho em saúde necessita-se da evolução e
divulgação do conhecimento para que haja uma
ampla percepção da população (LIMA, 2011).
Para SIQUEIRA 2013, percepção é o
processo psicofisiológico onde o ser humano
organiza e interpreta os estímulos capturados
pelos órgãos dos sentidos, a fim de identificar os
acontecimentos em sua volta atribuindo
significado aos mesmos, possibilitando gerar
resultados como experiência, respostas e
julgamentos a cerca de algo. PIAGET, 2011
afirma que é impossível se obter uma reação sem
que o organismo já tenha um conhecimento
anterior. Por isso se vê necessidade na partilha
da temática através da comunicação com a
sociedade, pois a mesma é parte fundamental,
sendo capaz de propiciar agilidade no tratamento
da criança portadora de LLA.
A palavra comunicação vem do latim
(communicatio) e significa tornar comum, ou seja,
fazer participar através da troca de informações,
trazer para a comunidade o que dela estava
apartado. Os meios de comunicação possuem
crucial importância na disseminação de
informações sendo responsáveis pelo maior
número de considerações possíveis, exercendo
sua função social, possibilitando o esclarecimento
de diversas vertentes que envolvem o tema,
gerando clareza e levando a consensos sociais e
políticos capazes de gerar comportamentos
necessários a salvar vidas (SANTIAGO, 2007).
Ainda de acordo com SANTIAGO 2007, a
maior parte do conhecimento é obtida através da
imprensa pelos mais diversos meios de
comunicação (jornais, rádios, revistas, mais
recentemente pela Internet e principalmente pela
televisão), sendo os mesmos fundamentais na
formação de opinião da sociedade. Diante do
disposto, se vê então a necessidade de
investimentos por parte dos governos na
utilização
desses
importantes
meios
de
comunicação para abordagem da temática
proposta, disseminando assim o conhecimento a
toda a população, tornando-a conhecedora do
processo, podendo então salvar milhares de vidas
em todo o mundo.
Para SEQUEIROS; NEVES, 2012, outra
forma de divulgação que merece um forte
investimento, são os prospectos de divulgação de
informações direcionados à públicos-alvo, como
mulheres grávidas, sendo os mesmos distribuídos
em espaços de frequência regular destas (salas
de espera de consultas de obstetrícia ou saúde
materno-infantil),
favorecendo
assim
a
disseminação do conhecimento.
A Enfermagem por sua vez é o elo entre a
sociedade e os serviços de saúde, por isso possui
importante papel na divulgação, na disseminação
do conhecimento, exercendo assim a sua função
de Educador sendo responsável pela mudança de
comportamento de um público através de sua
orientação (VERAN, 2012).
Conclusão
Fênix possuía uma parte da plumagem
feita de ouro e a outra colorida de um
vermelho incomparável. A isso ainda aliava
uma longevidade jamais observada em
nenhum outro animal. Quando Fênix percebia
que sua vida secular estava chegando ao fim,
fazia um ninho com ervas aromáticas, que
entrava em combustão ao ser exposto aos
raios do Sol. Em seguida, atirava-se em meio
às chamas para ser consumida até quase não
deixar vestígios. Do pouco que sobrava de
seus
restos
mortais,
se
arrastava
milagrosamente uma espécie de verme que se
desenvolvia de maneira rápida para se
transformar numa nova ave, idêntica à que
havia morrido.
(Mito da Fênix)
O
presente
estudo
proporcionou
compreensão da notória importância na utilização
das células-tronco de SCUP em crianças com
leucemia, contribuindo com a comunidade
científica, visto que a temática possui números
reduzidos de publicações.
Acredita-se que o conjunto de ações como
o investimento na disseminação de informações a
sociedade e a qualificação das equipes
multidisciplinares da saúde, poderão aumentar a
sobrevida de crianças leucêmicas elevando assim
a taxa de cura dos 80% para quem sabe 99%.
Durante este estudo, me recordei do conto
mitológico grego da Fênix, pássaro que renasce
das cinzas. Utilizo-o como metáfora para
relacionar ao TCTH de SCUP, pois enquanto o
tirano câncer persegue e digladia o corpo frágil e
indefeso levando-o a beira da finitude, fazendo-o
ficar face a face com a morte, o SCUP surge
como o sol que produz uma eficaz chama que
queima o pássaro antigo, que destrói o câncer
para um novo renascer, tornando-se alicerce para
a esperança de uma nova e espetacular vida
renascida das cinzas. Vida essa produzida de
algo que seria descartado no lixo.
Agradecimentos:
Primeiramente a Deus, que é o maior
mestre que posso conhecer. Agradeço por ter me
dado o dom da vida. Inúmeras foram às vezes em
que pensei em desistir da minha jornada, porque
os fardos eram pesados demais, mas Ele (Deus)
me tomou pela minha mão direita e me disse:
Não temas que Eu te ajudo. E sou muito grato a
Ele por me permitir que esse momento tão
importante aconteça. Agradeço a minha Mãe Júlia
por me amar e me ensinar a lutar pelos meus
objetivos, e se hoje concluo este curso é por
intermédio de suas preces. A agradeço ainda
pelas mãos calejadas que me deram o sustento,
pelas lágrimas derramadas e pelas preocupações
comigo, ainda que algumas descabidas, mas
valeu muito a pena, pois sempre foi resultado de
um amor incondicional. Aos meus irmãos
Marleide, Nal e Daniel pelo apoio incondicional
aos meus sonhos. Aos meus amigos, Eliane
Freitas, Marlice Rodrigues, Michelle de Souza e
em seus nomes eu agradeço tantos outros
amigos que sempre acreditaram em meu
potencial. Aos meus Padrinhos João e Beatriz
Gondim pelo carinho prestado.
Agradeço
imensamente
à
minha
Orientadora Judith Trevisan, que também sempre
acreditou no meu potencial; pela sua simplicidade
em me dar a oportunidade de realizar esse
estudo e por me ajudar com seus ensinamentos,
paciência e por sempre me mostrar que eu
conseguiria vencer mais esta etapa de minha vida
e não me permitiu desistir nos momento de
dificuldades, estando junto e lutando sempre. Sua
voz mansa e equilibrada ecoará sempre em meu
coração.
Suas
mãos
sempre
estiveram
estendidas nos momentos em que mais precisei
de um porto seguro; sua alegria contagiante me
conquistou e seus esforços estão me
proporcionando agora esse momento especial.
Você será lembrada sempre!
A todos os meus professores que
contribuíram e enriqueceram meu conhecimento
em toda vida acadêmica.
Minha vida universitária me proporcionou
momentos inesquecíveis, dos quais levarei em
meu coração por toda eternidade; amizades se
solidificaram, conhecimentos foram adquiridos e
transmitidos.
Já dizia Vinicius de Moraes: “Mesmo que
as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem,
os amigos devem ser amigos para sempre,
mesmo que não tenham nada em comum,
somente compartilhar as mesmas recordações”.
Pois boas lembranças são marcantes, e o que é
marcante nunca se esquece!
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