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Aula 1 - Surgimento da Sociologia Comte

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‘‘JÚLIO DE MESQUITA FILHO’’
CAMPUS DE GUARATINGUETÁ
COLÉGIO TÉCNICO INDUSTRIAL DE GUARATINGUETÁ
‘‘PROF. CARLOS AUGUSTO PATRÍCIO AMORIM’’ CTIG
Sociologia 3º Ano
Prof. Luciano
1º Bimestre
Aula 1
O Surgimento da Sociologia
A Revolução Francesa (França, 1789) e a Revolução Industrial (Inglaterra, 1780 a 1860) são conhecidas como o
cenário para o surgimento da Sociologia. A Europa estava sofrendo grandes mudanças, transformando a vida social
da população, dando ênfase no processo de industrialização e urbanização da sociedade Capitalista que ali se
implantava. Foram desfeitos alguns costumes e tradições, como a família patriarcal, a servidão e o trabalho
manufatureiro, dando início à indústria capitalista.
A importância da Revolução Industrial no surgimento da Sociologia
Com a Revolução Industrial, as localidades devido a um crescimento demográfico significa vo, acabavam
por não disponibilizar para seus habitantes uma boa infra-estrutura. Ao que tange moradias e serviço de saúde, as
civilizações deixavam a desejar para aqueles que saiam do campo e vinham tentar a vida na cidade. Um importante
crescimento que houve na época, sob um ponto de vista, foi na área de técnicas produ vas e na introdução da
máquina a vapor, que proporcionava mais comodidade para os trabalhadores do ramo. Por outro lado, a
subs tuição da energia humana pela energia motriz, das ferramentas pelas máquinas, bem como a produção
domés ca pelo sistema fabril, trouxe alguns prejuízos para as famílias que começaram a se encontrar
desempregadas. As conseqüências da rápida industrialização não foram as melhores possíveis, já que aumentos na
criminalidade, alcoolismo, violência, pros tuição e surtos de epidemias de fo e cólera foram rapidamente
constatados. Estas interferências terminaram por exterminar uma fa a considerável da população.
Já na Revolução Francesa, o obje vo era fazer triunfar os ideais seculares, como liberdade e igualdade sobre
a ordem social tradicional, fazendo com que essas ideias se espalhassem pelo mundo. A an ga forma de sociedade
foi abolida, promovendo muitas transformações na polí ca, na vida cultural e na economia do país, não havendo
mais as ins tuições aristocrá cas e tradicionais, possibilitando igualdade entre todos os cidadãos perante a lei.
Muitas das explicações baseadas na religião passaram a receber crí cas e serem suplantadas por pensamentos
racionais e lógicos, radicalmente mudando do modelo teocêntrico (Deus) para o antropocêntrico (Homem).
O surgimento dos primeiros sociólogos
Os primeiros sociólogos procuravam entender o estado de organização da sociedade em formação, sendo o
século XVIII muito importante para o surgimento dessa ciência profunda e complexa, a qual é estudada e analisada
até os dias de hoje. Todas as transformações que ocorreram na época trouxeram consigo problemas para a vida em
comunidade, daí surge a Sociologia e seus pesquisadores para esclarecerem e organizarem as mudanças ocorridas
no meio social, juntamente com os processos que interligam os indivíduos em grupos, associações e insituições. O
termo Sociologia foi criado por Auguste Comte, em 1838, que pretendia unificar a Psicologia, a Economia e a
História, levando em consideração que todos esses assuntos giram em torno do homem e seu comportamento. Mas
os fundamentos sociológicos só foram ins tucionalizados com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber,
pensadores renomados que se tornam base para nosso estudo.
Isidore Auguste Marie François Xavier Comte
• Nasceu em Montpellier , França – 19/01/1798
• Morreu em Paris - 05/09/1857
• Estudou na Escola Politécnica em Paris que teve papel marcante em sua concepção
de ciência e de mundo.
• Teve grande influência em sua formação o estudo do “Esboço de um quadro histórico
dos progressos do espírito humano” – escrito por Condorcet.
• Tornou-se secretário de Saint-Simon do qual recebeu profundas influências. (1817).
• Posteriormente iniciou em sua casa um Curso de Filosofia Posi va.
Principais Obras:
1. “Polí ca posi va ou tratado de sociologia ins tuindo a religião da humanidade”
2. “O catecismo posi vista’’
3. ‘‘Curso de filosofia posi va’’
Auguste Comte
2
POSITIVISMO
A autoria do termo posi vismo é atribuída ao filósofo Auguste Comte e é comumente entendida como a
linha de pensamento que entende que o conhecimento cien fico sistemá co é baseado em observações
empíricas, na observação de fenômenos concretos, passíveis de serem apreendidos pelos sen dos do
homem. Não apenas isso, o posi vismo é a ideia da construção do conhecimento pela apreensão empírica
do mundo, buscando descobrir as leis gerais que regem os fenômenos observáveis. Dessa forma trabalham
as ciências naturais, como a biologia ou a química, que se debruçam sobre seus objetos de estudo em
busca de estruturação das “regras” que cons tuem as formas de interação entre organismos e seus
compostos no mundo biológico observável ou das interações entre diferentes reagentes químicos.
Para Comte, a busca pelo conhecimento posi vo (cien fico) cons tuiria a principal forma de construção de
conhecimento do homem. Diante disso, os estudos das áreas das ciências humanas deveriam tomar esse
mesmo rumo, de forma a produzir um real conhecimento com o obje vo úl mo de compreender as leis
que cons tuem e regem as interações entre indivíduos e fenômenos no mundo social, independente do
tempo ou do espaço no qual se encontram.
O pensamento de Comte se construía em paralelo aos acontecimentos históricos de sua época. A
revolução francesa e a crescente industrialização da sociedade trouxe à tona novos problemas e novas
formas observáveis de processos de mudanças profundas na vida da sociedade tradicional da época.
Comte buscava a criação de uma ciência da sociedade capaz de explicar e compreender todos esses
fenômenos da mesma forma que as ciências naturais buscavam interpelar seus objetos de estudo. Ele
acreditava ser possível entender as leis que regem nosso mundo social, ajudando-nos a compreender os
processos sociais e dando-nos controle direto sobre os rumos que nossas sociedades tomariam,
acreditando ser possível dessa forma prever e tratar os males sociais que nos afligiriam tal como
trataríamos um corpo enfermo.
A construção do conhecimento posi vo só seria possível, então, por meio da observação dos fenômenos
em seu contexto sico, palpável, ao alcance dos nossos sen dos e subme dos à experiência. Este seria o
papel da ciência, a compreensão dos fenômenos passíveis de observação sensorial direta, com o intuito de
entender, por meio da experiência, as relações entre esses fenômenos, de forma a abstrair as leis que
regem as interações para que, assim, seja possível predizer como os acontecimentos envolvidos em
determinado fenômeno se darão. A ciência e o método cien fico são a síntese das ideias posi vistas.
Sistematizando:
- A ideia chave do Posi vismo é o Progresso.
- Comte defende que a ciência é a salvação da humanidade.
- O pensamento de Comte é Teleológico, ou seja, estuda os fins úl mos da sociedade. Para este pensamento a
História tem um sen ndo e caminha para um lugar perfeito.
A M O R fundamenta a
Lei dos três estados: 1. teológico, 2. Meta sico, 3. Posi vo.
ORDEM que nos levará ao
Comte imaginou esses estados como uma escada, no qual se
caminha do degrau (estado), menos elevado (teológico), para o
mais elevado (Positivo).
Meta sico
Teológico
Explica o mundo pela religião
Explica o mundo por
pensamentos filosóficos.
PROGRESSO.
Posi vo
Explica o mundo de forma técnica, prá ca.
Única e exclusivamente pela ciência.
Comte não via com bons olhos o estado teólogico nem o meta sico. Para ele, quando a humanidade chegar no úl mo estágio
de evolução das sociedades humanas explicaremos o mundo de forma técnica, prá ca, pela ciência. A úl ma etapa da
história humana para Comte, é a Posi va - quando o ser humano explica tudo, toda a realidade ao seu redor, pela ciência.
Comte pensou em criar uma ciência que estude os problemas das sociedades e solucionar estes problemas. Via a sociedade
como um corpo que possui doenças e essas devem ser sanadas, curadas para garan r a ordem, fundamentada pelo amor,
pois só a ordem garante o progresso.
3
Estudando o texto original
Curso de Filosofia Positiva - Auguste Comte, Os pensadores, SP, Nova Cultural, 1991.
Para explicar convenientemente a verdadeira natureza e o caráter próprio da filosofia posi va, é
indispensável ter, de início, uma visão geral sobre a marcha progressiva do espírito humano, considerado em seu
conjunto, pois uma concepção qualquer só pode ser bem conhecida por sua história.
Estudando, assim, o desenvolvimento total da inteligência humana em suas diversas esferas de a vidade,
desde seu primeiro vôo mais simples até nossos dias, creio ter descoberto uma grande lei fundamental, a que se
sujeita por uma necessidade invariável, e que me parece poder ser solidamente estabelecida, quer na base de
provas racionais fornecidas pelo conhecimento de nossa organização, quer na base de verificações históricas
resultantes dum exame atento do passado. Essa lei consiste em que cada uma de nossas concepções principais,
cada ramo de nossos conhecimentos, passa sucessivamente por três estados históricos diferentes: ESTADO
TEOLÓGICO OU FICTÍCIO, ESTADO METAFÍSICO OU ABSTRATO, ESTADO CIENTÍFICO OU POSITIVO. Em
outros termos, o espírito humano, por sua natureza, emprega sucessivamente, em cada uma de suas inves gações,
três métodos de filosofar, cujo caráter é essencialmente diferente e mesmo radicalmente oposto: primeiro, o
método teológico, em seguida, o método meta sico, finalmente, o método posi vo. Daí três sortes de filosofia, ou
de sistemas gerais de concepções sobre o conjunto de fenômenos, que se excluem mutuamente: a primeira é o
ponto de par da necessário da inteligência humana; a terceira, seu estado fixo e defini vo; a segunda, unicamente
des nada a servir de transição.
No estado teológico, o espírito humano, dirigindo essencialmente suas inves gações para a natureza ín ma
dos seres, as causas primeiras e finais de todos os efeitos que o tocam, numa palavra, para os conhecimentos
absolutos, apresenta os fenômenos como produzidos pela ação direta e con nua de agentes sobrenaturais mais ou
menos numerosos, cuja intervenção arbitrária explica todas as anomalias aparentes do universo.
No estado meta sico, que no fundo nada mais é do que simples modificação geral do primeiro, os agentes
sobrenaturais são subs tuídos por forças abstratas, verdadeiras en dades (abstrações personificadas) inerentes
aos diversos seres do mundo, e concebidas como capazes de engendrar por elas próprias todos os fenômenos
observados, cuja explicação consiste, então, em determinar para cada um uma en dade correspondente.
Enfim, no estado posi vo, o espírito humano, reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas,
renuncia a procurar a origem e o des no do universo, a conhecer as causas ín mas dos fenômenos, para
preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação, suas leis
efe vas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e de similitude. A explicação dos fatos, reduzida então a seus
termos reais, se resume de agora em diante na ligação estabelecida entre os diversos fenômenos par culares e
alguns fatos gerais, cujo número o progresso da ciência tende cada vez mais a diminuir.
O sistema teológico chegou à mais alta perfeição de que é
susce vel quando subs tuiu, pela ação providencial de um ser único, o
jogo variado de numerosas divindades independentes, que
primi vamente nham sido imaginadas. Do mesmo modo, o úl mo
termo do sistema meta sico consiste em conceber, em lugar de
diferentes en dades par culares, uma única grande en dade geral, a
natureza, considerada como fonte exclusiva de todos os fenômenos.
Paralelamente, a perfeição do sistema posi vo à qual este tende sem
cessar, apesar de ser muito provável que nunca deva a ngi-la, seria poder
representar todos os diversos fenômenos observáveis como casos
par culares dum único fato geral, como a gravitação o exemplifica.
O Curso de Filosoa Positiva, uma das principais obras de
Comte, compreende seis volumes, que foram publicados a
partir de 1830. (Frontispício do primeiro volume.)
O positivismo no Brasil - Auguste Comte, Os pensadores, SP, Nova Cultural, 1991.
As primeiras manifestações do posi vismo no Brasil datam de 1850, quando Manuel Joaquim Pereira de Sá
apresentou tese de doutoramento em ciências sicas e naturais, na Escola Militar do Rio de Janeiro. A esse trabalho
viriam juntar-se a tese de Joaquim Pedro Manso Sayão sobre corpos Flutuantes e a de Manuel Pinto Peixoto sobre
os princípios do cálculo diferencial.
Em todos encontram-se inspirações da filosofia comteana. Passo mais importante, contudo, foi dado por
Luís PereiraBarreto (1840-1923), com a obra As Três Filosofias, na qual a filosofia posi vista era apontada como
capaz de subs tuir vantajosamente a tutela intelectual exercida no país pela Igreja Católica. Pereira Barreto não foi
um posi vista ortodoxo, como Miguel Lemos (1854-1917) e Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), que se
iniciaram no posi vismo através da matemá ca e das ciências exatas, quando estudantes na Escola Politécnica. Os
dois entreviram na ciência fundada por Auguste Comte as bases de uma polí ca racional e pressen ram, na sua
coordenação filosófica, o congraçamento defini vo da ordem e do progresso, como dirá mais tarde o próprio
Miguel Lemos.
Em 1876, fundou-se a primeira sociedade posi vista do Brasil, tendo à frente Teixeira Mendes, Miguel
Lemos e Benjamin Constant (1836-1891). No ano seguinte, os dois primeiros viajaram para Paris, onde conheceram
Émile Li ré e Pierre Laffite. Miguel Lemos decepcionou-se com “o vazio do li reísmo” e tornouse adepto fervoroso
da religião da humanidade, dirigida por Laffite.
De volta ao Brasil, fundou a Sociedade Posi vista do Rio de Janeiro, que cons tui a origem do Apostolado
Posi vista do Brasil e da Igreja Posi vista do Brasil, cuja finalidade era “formar crentes e modificar a opinião por
meio de intervenções oportunas nos negócios públicos”.
Entre essas intervenções, sem dúvida, foi
importante a par cipação dos posi vistas no
movimento republicano, embora seja um exagero
dizer-se que foram eles que proclamaram a República,
em 1889. Influíram, é verdade, na Cons tuição de 1891
e a bandeira brasileira passou a ostentar o lema
comteano “ordem e progresso”. No século XX, o
entusiasmo pelo posi vismo religioso decresceu
consideravelmente, mas con nuou a exis r a Igreja
Posi vista do Brasil, no Rio de Janeiro, que permanece
atuante até os dias de hoje.
‘Veja’ a Canção - Sociologia e Cultura Popular
Posi vismo - 1933
(Noel Rosa/Orestes Barbosa)
A verdade, meu amor, mora num poço
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
E também faleceu por ter pescoço
O (infeliz) autor da guilho na de Paris
A intriga nasce num café pequeno
Que se toma para ver quem vai pagar.
Para não sen r mais o teu veneno
Foi que eu já resolvi me envenenar!
Vai, orgulhosa, querida
Mas aceita esta lição:
No câmbio incerto da vida
A libra sempre é o coração
O amor vem por princípio, a ordem por base,
O progresso é que deve vir por fim.
Desprezaste esta lei de Augusto Comte
E foste ser feliz longe de mim
Vai, coração que não vibra
Com teu juro exorbitante
Transformar mais outra libra
Em dívida flutuante
Noel Rosa
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