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capitulo 02 dermatologia-1

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2
Capítulo
 Silmara da Costa Pereira Cestari
noções de anatomia e histologia da pele
A pele é um órgão de composição complexa e estrutura própria, que se caracteriza por diversos
tecidos, tipos celulares e estruturas especializadas, distribuídos em camadas interdependentes.
É o maior órgão do corpo humano, com área variando de 1,5 a 2 m2 no indivíduo adulto e
peso de aproximadamente 15% do peso corporal. Tem aspecto, estrutura e funções variáveis, de
acordo com a região do corpo.
A pele é um órgão de defesa e de revestimento externo, com capacidade de se adaptar às
variações do meio ambiente e às necessidades do organismo que protege, cobrindo-o em sua
totalidade. É multifuncional, desempenhando funções essenciais para a vida, como termorregulação, vigilância imunológica, sensibilidade e proteção contra agressões exógenas (químicas, físicas ou biológicas) e contra a perda de água e de proteínas para o meio externo. Recebe
também estímulos do ambiente e colabora com mecanismos para regular sua temperatura.
Anatomicamente, a pele está estratificada em três camadas distintas, mas que, no funcionamento, estão intimamente relacionadas: epiderme, derme e hipoderme (Figura 2.1).
Poro sudoríparo
Corpúsculo
de Meissner
Glândula
sebácea
Epiderme
Camada córnea (queratinizada)
Terminação nervosa livre
Glândula sudorípara
Derme
Músculo eretor do pêlo
Hipoderme
Tecido subcutâneo (adiposo)
Artéria
Veia
Folículo piloso
Figura 2.1 Esquema da pele.
9
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
DERMATOLOGIA PEDIÁTRICA
EPIDERME
A epiderme (do grego epi = acima; derma = pele) é a
camada mais superficial e também a mais importante
da pele. É constituída por um epitélio pavimentoso estratificado e queratinizado (várias camadas de células
achatadas justapostas). Tem espessura irregular, variando conforme a região do corpo, sendo mais fina nas pálpebras e mais espessa nas palmas e plantas.
Apresenta cinco camadas distintas: a camada basal (estrato germinativo), a camada espinhosa, a camada granulosa, o estrato lúcido e a camada córnea. As células dessas
camadas, os queratinócitos, derivam da camada basal.
As células da camada basal multiplicam-se de maneira continua e, à medida que se aproximam da superfície, se diferenciam, se tornam achatadas e passam a
fabricar e a acumular dentro de si quantidades crescentes de queratina, uma proteína resistente e impermeável, integrante da pele, dos cabelos e das unhas.
As células mais superficiais, ao se tornarem repletas de
queratina, perdem o núcleo e passam a constituir um
revestimento resistente ao atrito e altamente impermeável à água, denominado camada queratinizada ou
camada córnea. O tempo de maturação de uma célula
basal até atingir a camada córnea é de, aproximadamente, 26 a 28 dias.
A superfície da epiderme é relativamente plana,
com exceção das áreas de dobras cutâneas, submetidas
a extensões e contrações. É marcada por uma rede de
sulcos que a dividem em pequenos polígonos, correspondentes às áreas de elevação da epiderme pelas papilas dérmicas. A base da epiderme é sinuosa, formada
por cones epidérmicos que se projetam na derme e se
encontram intercalados com projeções digitiformes da
derme denominadas papilas. Essa disposição confere
grande adesão da epiderme à derme e maior superfície de contato entre elas, permitindo uma área eficaz de
troca entre esses dois componentes. À epiderme, chegam terminações nervosas minúsculas da dor, porém,
não existem nervos nem vasos sanguíneos. Os nutrientes e o oxigênio alcançam a epiderme por difusão, a partir dos vasos sanguíneos da derme.
ƒƒ Camada basal (estrato germinativo): é a camada de
células mais interna, em contato com a derme, sendo
constituída por células de forma cúbica que se multiplicam continuamente, dando origem a todas as
outras camadas. As células da camada basal (queratinócitos) são cilíndricas, com citoplasma basófilo e núcleos grandes, alongados, ovais e hipercromáticos, em
contínua divisão mitótica. Estão dispostas lado a lado
em paliçada, e são ligadas à derme por finos prolongamentos radiculares, originando a membrana basal.
ƒƒ Camada espinhosa (estrato de Malpighi): está acima da camada basal, sendo formada por 5 a 10 camadas de células poliédricas que vão se tornando
achatadas à medida que se aproximam da superfície.
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As células espinhosas estão justapostas e unidas por
junções intercelulares, os desmossomas e as tight
junctions (daí o aspecto de espinhos). Os desmossomos são estruturas complexas que conferem à pele
resistência a traumas mecânicos. Na camada basal,
há apenas uma placa de aderência ligando a membrana plasmática das células basais à membrana basal denominada hemidesmossomos (Figura 2.2).
ƒƒ Camada granulosa: é constituída de 1 a 3 camadas
de células losangulares, de coloração mais escura
e estrutura granulosa, devido aos grânulos de queratohialina (precursora da eleidina e da filagrina, é
um importante componente do envelope das células corneificadas). Esta camada é rica em lipídios e
proteínas, além de outros componentes necessários
para a morte programada das células e a formação
da barreira superficial impermeável à água, como
involucrina, queratolinina, pancornulinas e loricrina.
ƒƒ Estrato lúcido: zona de células achatadas, sem núcleo, com aspecto homogêneo e translúcido, eosinofílico. Apresenta na sua constituição a eleidina,
substância gelatinosa que impede a entrada e saída
de água e que, posteriormente, vai originar a queratina. Esse estrato é muito fino, podendo mesmo não
existir em algumas áreas. Normalmente, está presente na pele com folículos pilosos ausentes, como
as palmas e plantas.
ƒƒ Estrato córneo: é a camada mais superficial da pele.
Sua espessura é variável de acordo com a topografia anatômica, sendo maior nas palmas e plantas.
As células dessa camada correspondem ao estágio
final de diferenciação celular. São células eosinofíliCamada córnea
Camada lúdica
Camada granulosa
Camada espinhosa
Camada germinativa
ou Basal
Figura 2.2 Camadas da epiderme.
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CAPÍTULO 2
noções de anatomia e histologia da pele
cas, anucleadas, e possuem um sistema de filamentos de queratina imerso em uma matriz contínua,
circundada por uma membrana celular espessada.
Encontram-se achatadas e empilhadas umas sobre
as outras, descamando continuamente. A queratina
é a proteína de suporte desta camada, conferindo-lhe elasticidade, resistência e impermeabilidade.
Resulta da transformação dos elementos constitutivos da célula basal ao longo da sua migração em
direção à superfície. No decorrer da sua migração,
as células sintetizam elementos estruturais específicos, de natureza proteica (tonofilamentos, querato-hialina) ou lipídicas (corpos lamelares de Odland).
No final da diferenciação, estas células sofrem uma
fase de transição que as leva à morte e as transforma nos constituintes da camada córnea em esfoliação superficial.
Os corpos de Odland libertam seus lipídios no espaço intercelular, constituindo uma barreira contra a
perda de água. Cada célula ainda possui substâncias
higroscópicas e hidrossolúveis, resíduos da lise celular
(NMF – Natural Moisturizing Factors), que também
são importantes na hidratação cutânea. A elasticidade, a flexibilidade e a resistência desta camada podem
ser modificadas segundo o seu teor de água.
Intercalados entre os queratinócitos, há outros
tipos celulares, como os melanócitos, as células de
Langerhans e as células de Merkel.
ƒƒ Melanócitos: são células dendríticas de origem neuroectodérmica (crista neural) que, por meio de estruturas intracitoplasmáticas específicas denominadas
melanossomas, sintetizam e armazenam a melanina,
um pigmento que determina a cor da pele e absorve
a radiação ultravioleta. Ela é sintetizada a partir da
tirosina, cuja enzima responsável é a tirosinase, que
catalisa a reação da melanogênese (Figura 2.3)
Os melanócitos distribuem-se em diversos locais
do corpo humano: pele, mucosas, matriz dos pelos,
Tirosinase
Tirosina
O2
Tirosinamelanina
11
olhos (epitélio pigmentar retiniano, íris e coroide),
ouvidos (estrias vasculares), sistema nervoso central
(leptomeninges). Na pele, localizam-se na camada
basal da epiderme e, por vezes, na derme. Seus dendritos estendem-se por longas distâncias na camada
malpighiana da epiderme, estando em contato com
muitos queratinócitos, para os quais transfere seus
melanossomas. O melanócito e os queratinócitos
com os quais se relaciona constituem as unidades
epidermomelânicas da pele, numa proporção de 1
para 36, respectivamente (Figura 2.4).
ƒƒ Células de Merkel: são receptores sensoriais que se
dispõem entre os queratinócitos, encontradas nas
extremidades distais dos dedos, lábios, gengivas e
bainha externa dos folículos pilosos. São células de
origem controversa. Alguns acreditam na sua origem
Camada
granulosa
Lamina densa
Ceratinócitos
Células de
Langerhans
Célula de
Merkel
Melanócitos
Figura 2.4 Disposição dos melanócitos na epiderme e sua interação com os ceratinócitos.
Tirosinase
DOPA
Indol 5,6
quinona
Dopaquinona
5,6-diidroxindrol
Leucodopacromo
Zn
Dopacromo
+
Proteína
Melanoproteína
Melanina
Figura 2.3 Melanogênese.
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DERMATOLOGIA PEDIÁTRICA
neuroendócrina, pois apresentam grânulos intracitoplasmáticos com substâncias neurotransmissoras
e estão em contato íntimo com fibras nervosas da
derme, constituindo os discos de Merkel, que provavelmente são mecanorreceptores.
ƒƒ Células de Langerhans: são células dendríticas originadas na medula óssea a partir de células-tronco
hematopoiéticas que migram e se tornam residentes
na epiderme. Constituem de 2% a 8% das células da
epiderme e localizam-se na camada espinhosa. Têm
função imunológica, como células apresentadoras
de antígenos aos linfócitos T.
A morfologia das células de Langerhans depende
do seu estágio de maturação. A forma madura caracteriza-se pelo aspecto irregular, estrelado e com
prolongamentos citoplasmáticos longos e delgados,
enquanto a forma imatura ou alterada apresenta-se
mais regular, com aspecto arredondado com prolongamentos ausentes ou em pequena quantidade. Na
microscopia eletrônica, são caracterizadas por estruturas citoplasmáticas, denominadas grânulos de
Birbeck, que se assemelham a uma raquete de tênis.
A epiderme penetra na derme e origina os folículos pilosos, as glândulas sebáceas e sudoríparas.
Junção dermo-epidérmica
É uma zona de junção entre a epiderme e a derme, a
qual permite que essas duas camadas estejam corretamente ancoradas. As células da camada basal da epiderme repousam sobre uma estrutura chamada membrana
basal e estão fixas por intermédio de hemidesmossomas e de fibras de fixação. A zona da membrana basal
é constituída por quatro áreas distintas: a membrana
celular da célula basal; a lâmina lúcida, sob a membrana
plasmática dos queratinócitos basais, com seus hemidesmossomos; a lâmina densa, formada por colágeno
tipo IV; e a lâmina fibrorreticular, que tem continuidade
com a derme subjacente.
A função da zona da membrana basal é fornecer a
ancoragem e a adesão da epiderme com a derme, mantendo a permeabilidade nas trocas entre estes dois componentes e atuando como filtro para a transferência de
materiais e células inflamatórias ou neoplásicas. Tem dupla função, desempenhando papel de barreira e filtro. É
uma barreira seletiva que permite a passagem de nutrientes da derme para as células da epiderme, mas, no sentido inverso (da epiderme para a derme), tudo o que entra
em contato com a epiderme e que poderia atravessá-la,
encontra nela uma barreira dificilmente transponível.

DERME
A derme está localizada sob a epiderme e apresenta espessura variável de 0,3 a 3 milímetros, de acordo com
a região do corpo. É um tecido de sustentação da epiderme, formado por um denso estroma fibroelástico de
tecido conectivo, em meio à substância fundamental,
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que serve de suporte para extensas redes vasculares e
nervosas e anexos cutâneos que derivam da epiderme.
Os principais componentes da derme incluem o colágeno (70% a 80%), que confere a resistência; a elastina
(1% a 3%), que dá a elasticidade; e os proteoglicanos,
que constituem a substância amorfa em torno das fibras
colágenas e elásticas; além de fibras proteicas, fibras de
reticulina, vasos sanguíneos e linfáticos, terminações
nervosas, órgãos sensoriais, folículos pilosos e glândulas
sudoríparas e sebáceas.
Todo esse conjunto está envolvido pela substância
fundamental, que contém, ainda, vários tipos celulares
como fibroblastos, macrófagos, melanófagos, mastócitos, leucócitos (como neutrófilos, eosinófilos, linfócitos,
monócitos e plasmócitos), linfócitos T e células dendríticas, envolvidas com a defesa imunológica da pele. As
fibras e a substância fundamental são produzidas pelos
fibroblastos, as principais células da derme.
A derme é dividida estruturalmente em camadas: a
derme papilar (superficial), a derme reticular (profunda)
e a derme perianexial.
A derme papilar acompanha a camada basal, é mais
delgada, altamente vascularizada e preenche as concavidades entre as cristas epidérmicas, dando origem às
papilas dérmicas. É formada por feixes delicados de fibras colágenas (principalmente do tipo III) e elásticas,
dispostas em uma rede frouxa, circundada por abundante gel de mucopolissacarídeos. Na derme papilar,
as fibras colágenas e elásticas estão orientadas verticalmente e a substância fundamental é mais abundante do
que na derme reticular, porém, menos espessa, rica em
tecido conjuntivo frouxo e fibroblastos, além de vasos
sanguíneos de menor espessura e calibre.
A derme reticular representa 4/5 da espessura da
derme, estando localizada abaixo do nível das cristas
epidérmicas. É constituída de fibras colágenas espessas
(principalmente do tipo I) entrelaçadas, com direção paralela à epiderme, misturadas com fibras elásticas, dispostas paralelamente à superfície da pele, reunidas com
a substância fundamental.
A derme perianexial tem a mesma estrutura da derme
papilar, mas localiza-se em torno dos anexos cutâneos.
ƒƒ Vascularização: na derme, se localizam os vasos sanguíneos e linfáticos que vascularizam a epiderme. O
suprimento vascular da pele é limitado à derme e
constitui-se de um plexo profundo, em conexão com
um plexo superficial. Estes plexos correm paralelos à
superfície cutânea e estão ligados por vasos comunicantes dispostos perpendicularmente.
O plexo superficial situa-se na porção superficial
da derme reticular, com arteríolas pequenas das
quais partem alças capilares que ascendem até o
topo de cada papila dérmica e retornam como capilares venosos.
O plexo profundo localiza-se na base da derme
reticular e é composto por arteríolas e vênulas de
paredes mais espessas. Há uma ligação íntima en-
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CAPÍTULO 2
noções de anatomia e histologia da pele
com células acessórias. Localizam-se nas polpas
dos dedos, mais especificamente nas saliências
das impressões digitais.
ŒŒ corpúsculos de Krause: específicos para o frio. São
formados por uma fibra nervosa com terminação em
forma de clava. Estão localizados nas áreas de transição entre a pele e as mucosas (lábios e genitais).
ŒŒ corpúsculos de Ruffini: são sensíveis ao calor. Têm
forma ramificada.
ŒŒ discos de Merkel: promovem a sensibilidade tátil e
de pressão. Uma fibra aferente está ramificada com
vários discos terminais, englobados em uma célula especializada (célula de Merkel), cuja superfície
distal se fixa às células epidérmicas (queratinócitos)
por um prolongamento de seu protoplasma. Assim,
os movimentos de pressão e tração sobre a epiderme desencadeiam o estímulo.
ŒŒ terminações nervosas livres: receptores desprovidos de características estruturais específicas.
São sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos
e especialmente aos dolorosos, sendo responsáveis pela sensibilidade à dor, ao prurido e à temperatura. São formadas por um axônio ramificado
envolto por células de Schwann, e ambos são envolvidos por uma membrana basal (Figura 2.5).
tre os plexos por meio dos vasos comunicantes, e o
controle do fluxo sanguíneo dérmico por esses vasos
contribui para o controle da temperatura corpórea.
ƒƒ Inervação: a inervação da pele é abundante e constituída por nervos motores autonômicos e por nervos
sensoriais somáticos.
O sistema autonômico é composto por fibras simpáticas, sendo responsável pela piloereção, constrição da vasculatura cutânea e secreção de suor. As
fibras que inervam as glândulas écrinas são simpáticas, mas têm como neurotransmissor a acetilcolina.
O sistema somático é responsável pelas sensações de dor, prurido, tato suave, tato discriminativo, pressão, vibração, propriocepção e térmica. Os
nervos sensitivos têm receptores especializados divididos funcionalmente em mecanorreceptores, termorreceptores e nociceptores.
Morfologicamente, estes receptores podem constituir estruturas especializadas, como:
ŒŒ corpúsculos de Vater-Pacini: específicos para
pressão e vibração. São formados por fibra nervosa cuja porção terminal, amielínica, é envolta
por várias camadas que correspondem a diversas
células de sustentação. A camada terminal é capaz
de captar a aplicação de pressão, que é transmitida para as outras camadas e enviada aos centros
nervosos correspondentes. Localizam-se, principalmente, nas regiões palmoplantares.
ŒŒ corpúsculos de Meissner: específicos para o tato,
com função de detecção de pressões de frequência diferente. São formados por um axônio mielínico, cujas ramificações terminais se entrelaçam
Pele glabra
13

HIPODERME
A hipoderme (do grego hipo = abaixo; derma = pele), também denominada de tecido celular subcutâneo ou panículo adiposo, é a camada mais profunda da pele, localizada
abaixo da derme e unindo-a à fáscia muscular subjacente.
Pele com pêlo
Epiderme
Terminação nervosa livre
Limite epiderme-derme
Derme
Disco de Merkel
Corpúsculo de Meissner
Receptor do folículo piloso
Corpúsculo de Pacini
Corpúsculo de Ruffini
Figura 2.5 Receptores sensitivos especializados.
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DERMATOLOGIA PEDIÁTRICA
É um tecido complexo constituído por adipócitos, as
células especializadas no armazenamento de gordura.
A hipoderme atua como reserva energética, proteção
contra choques mecânicos e isolante térmico. Está organizada em lóbulos de gordura divididos por septos fibrosos compostos de colágeno, por onde correm vasos
sanguíneos, linfáticos e nervos.
Duas camadas podem ser detectadas:
ƒƒ Camada areolar: é a mais superficial, caracterizada
por adipócitos globulares e volumosos e numerosos
e delicados vasos.
ƒƒ Camada lamelar: mais profunda, apresentando aumento da espessura com ganho de peso (hiperplasia).
Essas duas camadas são separadas pela lâmina fibrosa.
Os vasos sanguíneos e linfáticos, os feixes nervosos e os
folículos pilosos também atravessam a hipoderme. Abaixo do tecido subcutâneo encontra-se a fáscia muscular.
As principais funções da hipoderme são: reservatório energético, isolante térmico, protetora contra choque mecânicos, modeladora da superfície corporal e
fixadora dos órgãos.
A espessura e a consistência da hipoderme variam
individualmente e conforme as diferentes regiões do
corpo. Nos mamilos, nádegas e abdome, a hipoderme é
mais espessa e mole. Nos calcanhares, palmas e fronte,
é menos espessa, menos fibrosa e menos elástica.

ANEXOS CUTÂNEOS
Unidade pilossebácea
As unidades pilossebáceas são encontradas em toda a
superfície da pele, exceto nas palmas, plantas, nos lábios e na glande.
São compostas por uma haste pilosa circundada por
uma bainha epitelial contínua com a epiderme, uma glândula sebácea responsável pela lubrificação do pelo, músculo eretor que permite a movimentação do pelo e, em
certas regiões, ducto excretor de uma glândula apócrina
que desemboca acima da glândula sebácea.
O pelo é constituído por células epidérmicas queratinizadas mortas e compactadas. Sua haste é composta por
cutícula externa, córtex intermediário e medula. A bainha
epitelial da raiz divide-se em bainhas radiculares externas
e internas. A externa dá continuidade às células da camada
espinhosa da epiderme superficial e a interna é formada
por três camadas celulares distintas: camada de Henle, camada de Huxley e cutícula, formada por escamas que se
entrelaçam com as escamas da cutícula do pelo.
Na porção mais inferior do folículo piloso, há uma expansão denominada bulbo piloso, que contém a matriz
do pelo. É na matriz que ocorre a atividade mitótica e
encontram-se os melanócitos, sendo, portanto, responsável pelo crescimento e pela pigmentação do pelo.
Há dois tipos de pelo: o lanugo ou pelo fetal, curto,
delicado e claro, idêntico aos pelos velus do adulto; e o
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terminal, mais grosso, escuro e longo, encontrado nas
axilas, nos cabelos, na barba e na região púbica.
Os pelos não crescem continuamente, mas de maneira cíclica, podendo-se identificar três fases distintas:
ƒƒ anágena: fase de crescimento ativo, com duração de
2 a 3 anos e corresponde a 85% dos cabelos;
ƒƒ catágena: fase de involução, com duração de 3 semanas e corresponde a 1% dos cabelos;
ƒƒ telógena: fase de queda, com duração de 3 a 4 meses
e corresponde a 14% dos cabelos (Figuras 2.6 A e B).
Glândulas sebáceas
São glândulas holócrinas, cuja função é produzir o sebo.
Ocorrem por toda a pele, exceto palmas e plantas, e seu
controle é hormonal, especialmente andrógeno.
O sebo é uma combinação de ésteres de cera, esqualeno, ésteres de colesterol e triglicérides, secretados por
meio do ducto sebáceo na luz do folículo piloso. Recobre
a superfície cutânea, atuando como lubrificante natural
do pelo, além de evitar a perda de água pela camada
córnea, proteger contra o excesso de água na superfície
e ter ação bactericida e antifúngica.
Glândulas sudoríparas écrinas
Derivam da epiderme e não pertencem à unidade pilossebácea. Cada glândula é um túbulo simples com um
segmento secretor enovelado, situado na derme, e um
ducto reto que se estende até a superfície da pele. São
inervadas por fibras simpáticas, mas têm a acetilcolina
como mediador.
Localizam-se em toda a superfície cutânea, exceto
lábios, leitos ungueais e glande. Participam da termorregulação, produzindo suor hipotônico que evapora durante o calor ou estresse emocional.
Glândulas sudoríparas apócrinas
Derivam da epiderme e fazem parte da unidade pilossebácea, desembocando, em geral, nos folículos pilosos. Localizam-se nas axilas, no escroto, no prepúcio,
nos pequenos lábios, nos mamilos e na região perineal,
além de, modificadamente, nas pálpebras (glândulas de
Moll), nas mamas (glândulas mamárias) e no conduto
auditivo externo (glândulas ceruminosas). Produzem secreção viscosa e leitosa, constituída de proteínas, açúcares, amônio e ácidos graxos. O suor apócrino é inodoro
quando atinge a superfície, mas as bactérias o decompõem, causando odor desagradável. São inervadas por
fibras nervosas simpáticas e estão sob o controle dos
hormônios sexuais. Sua função provavelmente representa vestígios de espécies inferiores, cuja comunicação
sexual se dá por meio de substâncias químicas.
Unhas
São placas córneas, constituídas por células epidérmicas
queratinizadas, mortas e compactadas, localizadas no dorso das falanges distais dos quirodáctilos e pododáctilos (Figura 2.7). São compostas por quatro partes:
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CAPÍTULO 2
noções de anatomia e histologia da pele
Matriz: parte proximal recoberta por prega de pele
(prega ungueal proximal);
2. Lâmina ungueal: aderida sobre o leito ungueal;
3. Dobras laterais: cobrem as bordas laterais da lâmina
ungueal;
15
4. Borda livre.
1.
No leito ungueal, a epiderme apresenta somente a
camada basal, que se torna opaca na sua parte proximal,
formando a lúnula. A matriz apresenta intensa atividade
proliferativa e é responsável pelo crescimento da unha.
B
A
Medula
Córtex
Cutícula
Glândula
sebácea
Músculo
eretor do
pêlo
Haste do pêlo
Epiderme
Músculo
eretor
do pêlo
Derme
Glândulas
cebáceas
Bulbo
Bulbo
Camada subcutãnea
Papila
Células adiposas
Figura 2.6 (A) Unidade pilossebácea; (B) Haste do pelo.
Borda livre
Corpo da unha
Lúmula
Prega ungueal proximal
Campoungueal
ungueal
Campo
Eponíquio
Campo ungueal
Placa ungueal
A
B
Prega ungueal lateral
C
Leito ungueal
Placa ungueal
Figura 2.7 Estrutura anatômica da unha.
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DERMATOLOGIA PEDIÁTRICA
Bibliografia
1. Ham AW, Cormack DH. Histologia. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1983. p. 577.
2. Junqueira LC, Carneiro J. Histologia básica: texto e atlas. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2013. p. 354.
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Koogan; 2012. p. 498.
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