XXVII CONGRESSO BRASILEIRO DE NEFROLOGIA

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XXVII CONGRESSO BRASILEIRO
DE NEFROLOGIA
Temas Livres Pôsters - Diálise
TLP: 001
Concentração de bicarbonato venoso em pacientes em
Diálise Peritoneal Automatizada (DPA)
Autor(es): Eduardo Corrêa, Felipe Nonato, Rodolfo Lira, Kelly
Leal
Hospital Universitário de Brasília
OBJETIVOS: Quantificar a prevalência de nefropatia hipertensiva
nos pacientes em terapia dialítica na Macrorregião de Sobral –
Ceará, Brasil.
METODOLOGIA: O presente estudo se constituiu de uma
abordagem analítica, quantitativa, transversal e descritiva,
realizado no Centro de Hemodiálise da Santa Casa de
Misericórdia de Sobral, no período de novembro de 2013 a
fevereiro de 2014. Foram entrevistados 203 pacientes,
obedecendo o critério de inclusão: idade maior ou igual a 18 anos,
de ambos os sexos, com diagnóstico médico de IRC.
RESULTADOS: Da amostra de 203 entrevistados, os principais
resultados em relação ao perfil populacional analisado: 78
pacientes (38,42%) hipertensos, destes 55 (70,6%) do sexo
masculino e 23 (29,4%) do sexo feminino, com a faixa etária
variando entre 26 e 81 anos.
CONCLUSÃO: A prevalência de nefropatia hipertensiva entre os
pacientes renais crônicos em idade adulta submetidos a terapia
dialítica na Macrorregião de Sobral aproxima-se de 39%. Tal
prevalência é superior àquela que tem sido relacionada como
causa da IRC entre os pacientes em hemodiálise no país pelos
Censos Brasileiros de Diálise realizado pelo JBN. Fato que sugere
possivelmente a subestimação dessa etiologia de insuficiência
renal crônica, o que é muito preocupante dada a alta morbidade e
mortalidade associada a esses pacientes. Evidenciando a
necessidade
FUNDAMENTOS: Estudo prospectivo publicado em dezembro de
2013 mostra concentração venosa de bicarbonato (HCO3V)
inferior a 24 mEq/L como sendo associada a maior mortalidade em
relação a HCO3V maior do que 24 mEq/L em pacientes em diálise
peritoneal. O presente trabalho tem o objetivo de avaliar HCO3V
em todos os nossos 20 pacientes em DPA.
MÉTODOS: Mensuramos HCO3V por gasometria venosa em
nossos 20 pacientes em DPA no período matutino. O tempo entre a
coleta do material e a mensuração foi inferior a 30 minutos.
RESULTADOS: Média e desvio-padrão de HCO3V no conjunto de
pacientes foi 22,565 mEq/L +/- 3,82805. Dezesseis pacientes
tiveram HCO3V inferior a 24 mEq/L: 21,06875 mEq/L +/- 1,45864.
Quatro pacientes tiveram HCO3V igual ou superior a 24 mEq/L:
28,5 mEq/L +/- 4,74025.
CONCLUSÕES: Oitenta por cento de nossos pacientes em DPA
tiveram HCO3V inferior a 24 mEq/L. Isto demonstra a
conveniência de suplementação com bicarbonato de sódio via oral
na maioria de nossos pacientes em DPA.
TLP: 003
TLP: 002
PREVALÊNCIA DE DIABETES MELLITUS EM PACIENTES
SUBMETIDOS A TERAPIA DIALÍTICA NA MACRORREGIÃO
DE SOBRAL – CEARÁ, BRASIL.
NEFROPATIA HIPERTENSIVA: A PRINCIPAL ETIOLOGIA DE
INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA EM PACIENTES
SUBMETIDOS A TERAPIA DIALÍTICA NA MACRORREGIÃO
DE SOBRAL – CEARÁ, BRASIL.
Autor(es): JOSÉ RENAN MIRANDA CAVALCANTE FILHO,
PAULO ROBERTO SANTOS, STÊNIO DA SILVA OLIVEIRA
Autor(es): JOSÉ RENAN MIRANDA CAVALCANTE FILHO,
PAULO ROBERTO SANTOS, STÊNIO DA SILVA OLIVEIRA
INTRODUÇÃO: É de conhecimento da comunidade científica que
o diabetes mellitus (DM) é a etiologia em maior ascensão entre os
novos doentes que iniciam terapia dialítica nos Estados Unidos.
De modo que tal doença é responsável por aproximadamente
45% dos novos casos que evoluem para hemodiálise (HD) nesse
país. No Brasil, segundo as publicações anuais do Censo
Brasileiro de Diálise realizado pelo Jornal Brasileiro de Nefrologia
(JBN) a nefropatia diabética é a segunda etiologia mais prevalente
e a de maior incidência entre os pacientes em diálise, sendo a
nefropatia hipertensiva a primeira. Acredita- se que essa
progressão é devido ao aumento da prevalência de DM na
população mundial, evidenciando a necessidade de uma atenção
especial dos profissionais atuantes na área e dos gestores em
saúde pública nesse grupo de pacientes.
OBJETIVOS: Quantificar a prevalência de DM nos pacientes em
terapia dialítica na Macrorregião de Sobral – Ceará, Brasil.
METODOLOGIA: O presente estudo se constituiu de uma
abordagem analítica, quantitativa, transversal e descritiva,
realizado no Centro de Hemodiálise da Santa Casa de
Misericórdia de Sobral, no período de novembro de 2013 a
fevereiro de 2014. Foram entrevistados 203 pacientes,
obedecendo o critério de inclusão: idade maior ou igual a 18 anos,
de ambos os sexos, com diagnóstico médico de IRC.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - CAMPUS SOBRAL
INTRODUÇÃO: As doenças cardiovasculares são as principais
causas de morbidade e mortalidade em pacientes com
insuficiência renal crônica (IRC). Segundo as publicações anuais
do Censo Brasileiro de Diálise realizado pelo Jornal Brasileiro de
Nefrologia (JBN) dos anos de 2009 até 2013, por volta de 32% dos
pacientes dialíticos apresentam hipertensão arterial sistêmica
(HAS). Além da alta prevalência já conhecida, observou-se na
última década uma tendência de elevação significativa também da
incidência de IRC estágio 5 (terminal) secundária à HAS quando
comparada a outras etiologias. Análises pormenorizadas dessa
ascendente prevalência de nefropatia hipertensiva nos indivíduos
em hemodiálise são de extrema importância para o planejamento
e organização de medidas preventivas em saúde pública e
comunitária, pois tal grupo de pacientes carece de um aparato
mais complexo, que envolve um maior custo, não obstante
apresente índices mais elevados de morbidade e mortalidade do
que o de não portadores de doenças cardiovasculares na mesma
condição.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - CAMPUS SOBRAL
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
11
RESULTADOS: Da amostra de 203 entrevistados, os principais
resultados em relação ao perfil populacional analisado: 42
pacientes (20,69%) com nefropatia diabética, destes 22 (52,2%)
do sexo masculino e 20 (47,8%) do sexo feminino, com a faixa
etária variando entre 31 e 88 anos.
CONCLUSÃO: Dentre os 203 pacientes submetidos a terapia
dialítica na Macrorregião de Sobral analisados no estudo 42
(20,69%) deles apresentam o DM como causa da IRC. Esse
conhecimento é de fundamental importância para direcionar as
ações em saúde pública e melhorar a prevenção e o
acompanhamento desses pacientes que representam a etiologia
mais incidente e a segunda mais prevalente nos centros em
hemodiálise do Brasil.
TLP: 004
AVALIAÇÃO DAS COMPLICAÇÕES NÃO INFECCIOSAS DA
PASSAGEM DE CATETER DE CURTA PERMANÊNCIA PARA
HEMODIÁLISE EM VEIAS JUGULARES INTERNAS COM
ULTRASSOM EM TEMPO REAL ENTRE PACIENTES COM E
SEM CATETER DE CURTA PERMANÊNCIA ANTERIOR.
Autor(es): Thais Marques Sanches Gentil, Fernanda de
Carvalho Lima, Michelle Camelo de Albuquerque, Larissa
Santos de Assis, Adriana Amaral Pereira da Silva, Ana Paula
Alves Paste, Taiana Alves Paste, Marcelo Costa Batista, Sandra
Maria Rodrigues Laranja, Mauro Sergio Martins Marroc
Serviço de Nefrologia - Hospital do Servidor Público Estadual de
São Paulo, Divisão de Nefrologia - Universidade Federal de São
Paulo
INTRODUÇÃO: Ultrassom em tempo real (USGTR) reduz
complicações de cateter venoso central de curta permanência
para hemodiálise (CCVVPHD) em veias jugulares internas (VJI).
OBJETIVO: Avaliar complicações não infecciosas da passagem
de CVCCPHD em VJI com USGTR com e sem CVCCPHD
anterior.
MÉTODO: Coorte prospectiva. Estatística pelo IBM SPSS 20.0.
RESULTADOS: Avaliadas 150 passagens em 92 pacientes: idade
de 65,21 ± 10,88 anos; 73 (48,7%) eram homens. Hipertensão em
121 (80,7%), Diabetes em 107 (71,3%), Doença Cardiovascular
em 25 (16,7%), Dislipemia em 46 (30,7%). Uso anterior de
CVCCPHD em 102 (68,0%) passagens: 1 topografia venosa em
55 (36,7%), 2 topografias em 27 (18%), 3 topografias em 11
(7,3%), 4 topografias em 9 (6%). Em 68 passagens, as medidas
ântero-posterior (MAP) pareadas das VJI foram 1,18 ± 0,32 cm e
1.02 ± 0,33 cm (p = .000, t amostras pareadas); mediana da
diferença entre as MAP da maior e menor veia foi 0,21 cm (CI:
0,115 - 0,455). Em 11 (16,2%) das 68, USGTR determinou escolha
da veia; em 7 (10.3%) pela diferença da MAP e em 4 (5.9%) por
trombose venosa (TV). Complicações em 7 (14,6%) das 48 sem
CVCCPHD anterior e em 40 (39,2%) das 102 com (p= .001, Qui
quadrado). Associação mantida após regressão logística binária
(OR 2.9, CI: 0.11 - 0.73, p =.009). Ocorreram 15 (27,3%)
complicações nas 55 passagens que apresentavam CVCCPHD
anterior em 1 topografia; 14 (51,9%) nas 27 com 2 topografias; 5
(45,5%) nas 11com 3 topografias; 6 (66,7%) nas 9 com 4
topografias (p = .001, Qui quadrado; p < 0,05 entre 2 topografias e
sem CVCCPHD anterior, post hoc de Tamhane). Complicações:
Guia que não progride em 18 (12%); TV em 10 (6,7%); mau
posicionamento em 7 (4,7%); punção arterial em 5 (3,3%);
hematoma em 3 (6,38%); hemiparesia em 1 (2,12%); óbito em 1
(2,12%). Guia que não progride ocorreu em 2 (4,2%) das 48 com
CVCCPHD anterior e em 16 (15,7%) das 102 sem (p = .043, Qui
quadrado). A associação se perdeu após regressão logística
binária (OR 2.3, CI: 0.50 - 1.09, p =.065). Sem significância entre
as MAP de casos com ou sem da progressão do guia. Todas as
TVs ocorreram em CVCCPHD retirados por infecção.
CONCLUSÃO: CVCCPHD anterior aumenta complicações não
infecciosas em 2.9 vezes para novo CVCCPHD com USGTR; a
contar de CVCCPHD em 2 topografias se observa diferença
significativa. Devido à variabilidade das MAP, o USGTR auxilia
escolha da veia. TV é comum e relacionada a infecção. Não há
corre
TLP: 005
12
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
A confecção do acesso vascular (Fístula Artério-Venosa)
pelo nefrologista: Uma realidade positiva.
Autor(es): Flávio Menezes de Paula, Monique Coutinho da Silva
Menezes de Paula, Indalécio Magalhães
Instituto do Rim de Itaberaba
Introdução: A realização da FAV pelo nefrologista é possível e
permitido pela legislação brasileira. A dependência do serviço de
nefrologia por um cirurgião vascular acarreta em muitas vezes um
tempo de permanência do catéter duplo lúmen (CDL) alto, um
custo elevado e inúmeras consequências negativas ao paciente,
principalmente nos serviços no interior do país. Após um período
de treinamento de 240 h, o nefrologista assumiu a
responsabilidade pela realização das FAVs em centros de
hemodiálise no interior da Bahia e Rio de Janeiro. Objetivo:
Análise descritiva das confecções das FAVs realizada por um
nefrologista no período de 10/2009 a 05/2014. Metodologia: Os
procedimentos foram executados pelo mesmo nefrologista
auxiliado por enfermeira graduada ou técnico de enfermagem. As
anestesias locais foram realizadas pelo nefrologista sendo outros
procedimentos pelo anestesista. A presença de frêmito foi
avaliada pelo exame clínico. Resultados: Foram realizados 474
acessos, sendo 42 FAVs nos pacientes em tratamento
conservador, distribuídos da seguinte forma: rádio-cefálica=225
(47,47%), bráquio-cefálica=183 (38,60%), bráquio-basílica com
superficialização da veia=56 (11,81%), implante de prótese de
PTFE=08 (1,69%), alça de safena=02 (0,42%). Tivemos 461
(97,34%) acessos com frêmito presente no pós-operatório
imediato e 13 (2,66%) acessos sem frêmito, considerados como
falha primária. Após 30 dias, 424 (89,35%) apresentavam frêmito e
50 (10,65%) sem frêmito. Um total de 27 pacientes chegou ao
serviço com trombose aguda em seus acessos e foram
submetidos à nova confecção da FAV com aproveitamento da veia
já arterializada sem a necessidade de implante de CDL. O tempo
de espera do paciente para confecção da FAV que antes poderia
chegar a 90 dias foi reduzido para menos de 7 dias. Conclusão: Os
acessos vasculares realizados por nefrologista apresentaram um
índice de sucesso satisfatório, diminuindo o tempo de
permanência do acesso provisório. Além disso, um número maior
de FAVs foram feitas em pacientes em tratamento conservador.
Houve a possibilidade de resgate de FAVs agudamente
trombosadas, sem a necessidade de implante de CDL. A presença
do nefrologista capacitado nestes procedimentos nos centros de
diálise proporciona aos pacientes a possibilidade de um acesso
vascular funcional para realização de uma diálise de qualidade, de
forma rápida e segura.
TLP: 006
Índice de adaptabilidade social entre pacientes com doença
renal crônica em hemodiálise
Autor(es): Ana Cláudia de Oliveira Portela, Ana Mayara Barros
Campos, Carlos Wellington Machado de Melo, Catarine
Cavalcante Ary, Gicelma Braga Ferreira, Halane Maria Rocha
Pinto, Paulo Roberto Santos, Priscila Garcia Câmara Cabral
Tavares, Yandra Maria Gomes Ponte, Yara Maria Vieira dos
Santos
Santa Casa de Misericórdia de Sobral
Introdução: O conhecimento da condição social dos pacientes em
hemodiálise é necessário para a implementação do cuidado à
saúde. O estudo teve por objetivo caracterizar o grau de
adaptação social de pacientes com doença renal crônica em
hemodiálise.
Métodos: Foram estudados 161 pacientes com doença renal
crônica mantidos em esquema regular de hemodiálise em duas
unidades de diálise localizadas em cidade do interior da região
nordeste. Foram coletados dados demográficos e aplicado o
instrumento Índice de Adaptabilidade Social, como idealizado por
Goldfarb-Rumyantzev, que avalia o grau de adaptação social
gerando pontuações de 0 (=pior adaptação) a 14 (=melhor
adaptação). O instrumento considera as seguintes variáveis:
empregabilidade, nível educacional, estado marital, abuso de
substâncias e salário mensal.
Resultados: A amostra era formada por 105 (65,3%) homens e 56
(34,7%) mulheres com idade média de 50,3 ± 17,0 anos. A
mediana da pontuação de adaptabilidade social foi 7 (3-11). A
frequência das pontuações de acordo com os cortes do percentil25, mediana e percentil-75 foram: 56 (34,8%) com pontuações
entre 3 e 6; 83 (51,5%) com pontuações entre 6 e 8; e 22 (13,7%)
com pontuações entre 8-11.
Conclusões: Mais de 80% dos pacientes apresentam baixo índice
de adaptabilidade social. A adaptação social dos pacientes deve
ser considerada pelas equipes das unidades de diálise quando da
implantação dos cuidados de saúde.
TLP: 007
Acidose metabólica em hemodialisados: tempo de
reavaliação?
Autor(es): Giselly Rosa Modesto Pereira, Jorge Paulo Strogoff
de Matos, Carlos Perez Gomes, Maurilo Leite Jr., Jocemir
Ronaldo Lugon
Faculdades de Medicina da UFF e UFRJ
Introdução. A mortalidade em hemodiálise (HD) permanece muito
elevada sendo a doença cardiovascular, responsável por cerca de
50% dos óbitos. A acidose metabólica, já implicada na gênese da
aterosclerose, esteve associada a maior mortalidade quando os
valores do HCO3- sérico eram <17mEq/L ao início de uma sessão
de diálise do meio-de-semana. No Brasil, a frequência de acidose
metabólica ao início da sessão de HD não é bem conhecida,
especialmente a partir da decisão que tornou sua avaliação
opcional (a determinação do HCO3-deixou de ser obrigatória
pelas portarias que regulamentam o procedimento). Avaliamos a
frequência de acidose metabólica ao início da sessão de HD em
pacientes tratados com solução de diálise convencional.
Métodos. Pacientes do turno da manhã, em regime de 3 sessões
por semana, com acesso vascular por fístula artério-venosa (FAV),
foram avaliados através de gasometria do sangue da FAV. Apenas
os pacientes em HD há > 3m foram incluídos. Aqueles com idade
<20a, com doença pulmonar crônica ou sorologia positiva para
hepatites B/C ou HIV foram excluídos. Amostras foram obtidas
antes da primeira e segunda sessões da semana. A composição
do banho de diálise, após diluição, era (em mEq/L): Na 138, K 2,
Ca 3, Cl 104,56, acetato 4 e HCO3- 35,44 (Fresenius Medical Care
Ltda, SP, Brasil).
Resultados. Nesse estudo preliminar, 17 pacientes foram
incluídos (57,8±5,7a, 8F:9M). Ao início da primeira sessão da
semana, a média do HCO3- era 18,26±1,98 mEq/L. Os
percentuais de casos com HCO3- <22, <20 e <17 mEq/L eram 94,
71 e 35%, respectivamente. Antes da segunda sessão da semana,
a média do HCO3- era 19,71±1,84 mEq/L. Os percentuais
correspondentes eram: 88, 53 e 12%, respectivamente.
Conclusão. A frequência de hemodialisados com HCO3- abaixo
dos valores recomendados pelas diretrizes atuais é elevada. Uma
fração não desprezível apresenta valores que já foram associados
a maior mortalidade
Palavras-chave. Acidose metabólica, bicarbonato sérico,
hemodiálise
TLP: 008
Prevalência da Doença de Fabry nos pacientess em
hemodiálise crônica no Estado do Rio de Janeiro
Autor(es): Rosa M.M. Picanço, Katia G. Santos, Tania D. Sobral,
Nelson P. Coutinho, Ivan Matiolli Filho, Marcos Sandro F
Vasconcelos, Ana Beatriz L Barra, Eufronio J. D'Almeida Filho,
Inah MD Pecly
Clínica de Doenças Renais
Introdução: A Doença de Fabry (DF) é uma doença rara,
subdiagnosticada, causada pela deficiência da atividade da
enzima _-galactosidase A (_ –Gal A), resultando em acúmulo de
glicolipídios em células de vários tecidos. O quadro clínico é muito
variável e inclui um grupo de pacientes com insuficiência renal
crônica (IRC) que na sua maior parte evolui para IRC terminal, sem
que o diagnóstico etiológico tenha sido corretamente
estabelecido, permanecendo sem tratamento adequado.
Objetivo: Determinar a prevalência da DF em um grupo de
pacientes portadores de IRC em hemodiálise (HD) no Estado do
Rio de Janeiro.
Métodos: Foram avaliados 948 pacientes do sexo masculino,
portadores de IRC em HD. A triagem para atividade da _ –Gal A foi
realizada, inicialmente, através da análise de amostra de sangue
em papel filtro. Resultados sugestivos foram confirmados através
de dosagem enzimática de leucócitos em nova amostra de
sangue.
Resultados: Neste grupo, quatro pacientes foram diagnosticados
para DF (prevalência de 0,42%). Os quadros clínicos eram
distintos. As idades no momento do diagnóstico eram 45, 39, 47 e
58 anos, com diagnóstico presuntivo ao iniciar HD de Hipertensão
arterial, Indeterminado, Doença renal policística e Diabetes
melitus respectivamente. O paciente diabético apresenta a
mutação D313 Y. O mesmo havia iniciado HD há 22 meses, mas
encontrava-se em acompanhamento em serviço especializado de
nefrologia há 7 anos, quando recebeu o diagnóstico de nefropatia
diabética.
Conclusões: Apesar de rara, a DF merece investigação nos
pacientes em IRC em HD, independentemente do diagnóstico
presuntivo ao iniciar o tratamento dialítico. Após o diagnóstico
correto, estes pacientes poderão se beneficiar de tratamento
específico e familiares portadores da DF poderão ser
diagnosticados precocemente, evitando e evolução da doença,
através de tratamento específico.
TLP: 009
Prevalência de afecções bucais nos pacientes em
hemodiálise crônica
Autor(es): Catharine B. Cunha , Christiny A. Guimarães, Rosa
M. M. Picanço, Jorge Strogoff, Inah M. D. Pecly
Clínica de Doenças Renais; Universidade Federal Fluminense;
Unigranrio
Introdução: Pacientes com doença renal crônica em hemodiálise
(HD) são suscetíveis a uma série de patologias bucais e tais
condições podem ter impacto na morbi-mortalidade por suas
consequências sistêmicas, tais como estado de inflamação
crônica com aumento de risco cardiovascular, perda calóricoprotéica, infecções e risco de complicações no pós-transplante
renal.
Objetivo: Avaliar a frequência de afecções bucais em um grupo de
pacientes prevalentes em HD em uma unidade de diálise e
identificar a associação destas complicações com as
características demográficas e clínicas destes pacientes.
Métodos: Estudo transversal no qual todos os pacientes foram
convidados a participar. Os participantes foram avaliados através
de um questionário-entrevista, exame da cavidade bucal por
especialista e análise de exames laboratoriais de rotina.
Resultados: Foram estudados 104 pacientes (53% homens,
58±14 anos, 31% diabéticos, 103 [4 a 267] meses em diálise, 54%
com renda familiar entre 3 e 4 salários mínimos, 37% tabagistas).
Alterações periodontais estavam presentes em 77% dos
pacientes, bruxismo em 31%, gengivite em 82%, candidíase em
19% e cárie em 51%. Bruxismo foi mais frequente entre os homens
(43% vs. 18% nas mulheres; p= 0,011) e candidíase mais
frequente entre os diabéticos (33% vs. 15% entre os não
diabéticos, p= 0,034). No modelo de regressão logística, o
tabagismo associou-se a um importante aumento no risco de
gengivite (odds ratio de 5,3 [1,2 a 23,1]; P= 0,023).
Conclusão: Na população em HD estudada, observamos uma
condição precária da saúde bucal, independentemente da renda
familiar. A gengivite associada ao tabagismo foi um fator de risco
modificável encontrado neste estudo. Ressaltamos a importância
do diagnóstico e tratamento específico das afecções bucais nesta
população, principalmente nos pacientes em fila de espera para
transplante renal.
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
13
TLP: 010
Avaliação do estado de hidratação por bioimpedância
espectroscópica (BIE) nos pacientes em hemodiálise (HD):
um possível viés do índice de massa corporal (IMC)
Autor(es): Amanda Bedran, Jocemir R. Lugon, Jorge Paulo
Strogoff-de-Matos
Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ
Introdução
A análise da composição corporal avaliada por BIE foi previamente
validada por métodos de diluição com deutério e brometo, porém,
um pequeno número de obesos e de pacientes em HD foi incluído
nesses estudos. Nosso objetivo é identificar possíveis vieses na
análise da composição corporal por BIE na população em HD.
Métodos
Pacientes prevalentes em HD de 31 clínicas foram estudados
quando submetidos à BIE (BCM®, Fresenius Medical Care) pela
primeira vez. Variáveis demográficas e antropométricas foram
analisadas em busca de erros sistemáticos na avaliação do estado
de hidratação. O excesso de líquido foi determinado pela
sobrecarga hídrica média (timed-average fluid overload [TAFO])
que se define pela média do peso pré e pós dialise – peso em
normohidratação, sendo este último estimado pelo aparelho de
BIE.
Resultados
Um total de 3358 pacientes foi incluído neste estudo (59,7%
homens; 22,7% diabéticos; 54±15 anos de idade; 45[3-472] meses
em HD; IMC 24,9±5,1 kg/m2). TAFO (mediana, interquartis), em
litros, foi maior nos homens do que nas mulheres (0,7 [-0,5 a 2,2] e
0,0 [-1,1 a 1,1], respectivamente; P<0,001). Não houve correlação
significativa entre TAFO e idade, porém, observou-se uma
correlação inversa com IMC (r= -0,184; p<0,0001). Esta
sobrecarga (ou TAFO) variou significativamente por faixa de IMC:
1,1 [0,1 a 2,4]; 0,6 [-0,4 a 2,0]; 0,1 [-1,0 a 1,5]; -0,3 [-1,6 a 1,0] e -0,9
[-2,0 a 0,4] nos pacientes com IMC <18,5, 18,5-24,9, 25-29,9, 3035 e >35 kg/m2, respectivamente; Fig.1. Apesar das variações nos
valores de TAFO, alterações da pressão arterial no período
intradialítico e número de drogas hipotensoras não tiveram
diferenças entre as faixas de IMC.
Conclusão
A inesperada correlação inversa entre IMC e estado de hidratação
poderia ser atribuída a um viés na estimativa do estado de
normohidratação pelo aparelho de BIE. Estudos adicionais serão
desejáveis a fim de melhorar a utilização da BIE nos pacientes em
HD com valores extremos de IMC.
TLP: 011
Sobrevida de pacientes com mais de 75 anos de idade em
um programa crônico de hemodiálise
Autor(es): Adriano Luiz Ammirati, Maria Claudia Cruz Andeoli,
Nadia Karina Guimaraes, Thais Neamoto, Fabiana Dias
Carneiro, Ana Claudia Mallet, Bruna Gomes Barbeiro, Rosana
Maria Cardoso, Christiane Hegedus Karam6, Bento Fortunato C.
dos Santos
Unidade de dialise Hospital Israelita Albert Einstein
Introdução: A intensidade dos cuidados médicos para pessoas
com mais 75 anos de idade tem aumentado na última década.
Neste contexo é crescente o numero de individuos com este perfil
que tem indicação clinica de iniciar terapia renal substitutiva.
Dados da literatura tem indicado uma sobrevida variada destes
pacientes após o inicio de hemodialise (HD) de acordo com a
presença de comorbidades. O objetivo deste estudo foi avaliar a
sobrevida de pacientes idosos com doença renal crônica em HD
regular. Métodos: A partir de analises de prontuários foi avaliado a
taxa de sobrevida de pacientes incidentes em um programa
crônico de HD no período de 2000 até 2010. Dados demográficos
e clínicos também foram coletados. Foi feito uma comparação,
baseada nestes dados, entre os grupos idosos e não idosos que
faleceram. Resultados: No período 158 pacientes iniciaram
programa de HD, sendo 69% do sexo masculino e 46%
apresentavam idade maior que 75 anos. As taxas mortalidade
14
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
geral em 6 e 12 meses foram respectivamente: 7,5 % e 17%.
Considerando apenas os pacientes idosos as taxas mortalidade
em 6 e 12 meses foram respectivamente: 14 e 27%. A média de
sobrevida destes pacientes foi de 33 meses. Considerando
apenas os pacientes com menos de 75 anos as taxas mortalidade
em 6 e 12 meses foram respectivamente: 2 e 8%. Comparando os
pacientes idosos com os não idosos que faleceram, observamos
que no primeiro grupo havia maior proporção de diabéticos, não
havendo diferenças na proporção de hipertensão, doença
cardiovascular previa e neoplasias. Conclusão: Pacientes com
mais de 75 anos tem uma taxa de mortalidade três vezes maior
que pacientes mais jovens e a presença de diabetes pode ser um
fator adjuvante a idade que explique esta diferença.
TLP: 012
Citocinas inflamatórias e resistência à eritropoetina em
pacientes submetidos à diálise peritoneal
Autor(es): Wander Valadares de Oliveira Júnior, Adriano de
Paula Sabino, Roberta Carvalho Figueiredo, Melina de Barros
Pinheiro, Mariana Souza Silva Velloso, Kariana Braga Gomes
Borges, Sergio Wynton Lima Pinto, Danyelle Romana Alves
Rios
Universidade Federal de São João del Rei - Campus Centro
Oeste Dona Lindu
Introdução: A diálise peritoneal (DP) é uma das alternativas de
terapia renal substitutiva. A deficiência de eritropoetina (EPO) é
uma das principais causas de anemia na doença renal crônica
(DRC). Citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina-6 (IL-6) e
o fator de necrose tumoral-_ (TNF-_), atuam nas células
progenitoras eritropoéticas, de maneira oposta à EPO,
estimulando a apoptose. O estado inflamatório da DRC provoca
uma situação de resistência à ação medular da EPO. Sendo
assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar os níveis
plasmáticos de citocinas inflamatórias em pacientes submetidos à
DP e investigar a associação desses com a resistência à EPO.
Métodos: Foram avaliados 33 pacientes submetidos à DP, dos
quais 10 apresentaram resistência ao uso de eritropoetina
recombinante humana (rHUEPO) (grupo I) e 23 não apresentaram
essa resistência (grupo II). Foram investigados os níveis
plasmáticos das citocinas inflamatórias IL-2, IL-4, IL-6, IL-10, IL17, TNF-_ e IFN-_ por citometria de fluxo (BD LSR Fortessa),
utilizando-se kit Cytometric Bead ArrayTM – CBA (BD).
Resultados: Não houve diferença significativa entre as variáveis
clínicas e laboratoriais quando comparados os dois grupos, com
exceção dos parâmetros número de hemácias, hemoglobina,
hematócrito e número de plaquetas que apresentaram uma
redução significativa no grupo I quando comparado ao grupo II (p <
0,001, p< 0,001, p = 0,002 e p=0,004, respectivamente). Da
mesma forma, não houve diferença entre os grupos no que se
refere aos níveis plasmáticos de IL-2, IL-4, IL-6, IL-10, IL-17A e
TNF-_. No entanto, foi observado que os níveis da citocina IFN-_
foram maiores no grupo I, 4,7 (4,4-5,4) comparado ao grupo II 4,1
(3,6-4,6), com uma significância limítrofe (p=0,052).
Conclusão: O estudo revelou que não houve associação entre os
marcadores inflamatórios e a resistência ao uso de eritropoetina,
com exceção do IFN-_ que foi maior no grupo I quando comparado
ao grupo II. O IFN-_ promove a morte prematura das CFU-E na
medula óssea, antagonizando assim a ação anti-apoptótica da
EPO. O que poderia explicar o motivo pelo qual os integrantes do
grupo I apresentam níveis menores dos parâmetros do
eritrograma e respondem menos ao uso de EPO em relação aos
integrantes do grupo II. Cumpre ressaltar que este constitui o
primeiro estudo conduzido na população brasileira visando
elucidar as causas da ocorrência de resistência à EPO em
pacientes em DP
Apoio financeiro: FAPEMIG; CNPq e UFSJ.
TLP: 013
Avaliação dos polimorfismos nos genes de citocinas
inflamatórias e da enzima conversora de angiotensina na
resistência à eritropoetina em pacientes submetidos à
diálise peritoneal
Autor(es): Wander Valadares de Oliveira Júnior, Sylvia
Aparecida Dias Turani , Adriano de Paula Sabino , Roberta
Carvalho Figueiredo , Sergio Wyton Lima Pinto , Kathryna
Fontana Rodrigues , Karina Braga Gomes , Danyelle Romana
Alves Rios
Universidade Federal de São João del Rei - Campus Centro
Oeste Dona Lindu
Introdução: A diálise peritoneal (DP) é uma forma de terapia renal
substitutiva utilizada em pacientes em fase final da doença renal,
que utiliza o peritônio para a filtração do sangue. A anemia é uma
das complicações da doença renal crônica (DRC) e a deficiência
relativa de eritropoetina é uma de suas principais causas. Os
polimorfismos nos genes de citocinas inflamatórias podem
influenciar na prevalência e na gravidade da anemia na DRC,
causando resistência ao uso de eritropoetina. O polimorfismo
inserção/deleção (I/D) no gene da enzima conversora de
angiotensina (ECA) é responsável por metade da variabilidade
fenotípica e está associado a uma diferença na quantidade de
eritropoetina recombinante humana (rHUEPO) necessária para se
atingir e manter níveis adequados de hemoglobina em pacientes
em DP.
Métodos: Foram avaliados 33 pacientes submetidos à DP, dos
quais 10 apresentaram resistência ao uso de rHUEPO (grupo I) e
23 não apresentaram essa resistência (grupo II). Foram
investigados os polimorfismos -308A/G do TNF-_, 10T/C e 25C/G
do TGF-_1, -1082A/G e -819T/C da IL-10, -174C/G da IL-6 e o
+874T/A do IFN- _, e o polimorfismo I/D no gene da ECA.
Resultados: A análise dos polimorfismos de citocinas foi realizada
de acordo com a frequência avaliando o genótipo e o fenótipo. Não
foi observada associação significativa entre os polimorfismos nos
genes das citocinas e da ECA e a resistência à EPO.
Conclusão: O fato de não ter sido observada associação dos
polimorfismos nos genes das citocinas e da ECA com a resistência
ao uso de EPO no presente estudo, pode ser explicado pelo
número pequeno de participantes no estudo, principalmente no
grupo que apresenta hiporresponsividade ao uso de EPO. Cumpre
ressaltar que este constitui o primeiro estudo conduzido na
população brasileira visando elucidar o papel dos polimorfismos
estudados na ocorrência de resistência à EPO em pacientes em
DP.
Apoio financeiro: FAPEMIG; CNPq e UFSJ.
TLP: 014
Avaliação dos polimorfismos nos genes de citocinas
inflamatórias em pacientes submetidos à diálise peritoneal
Autor(es): Sylvia Aparecida Dias Turani, Wander Valadares de
Oliveira Júnior, Adriano de Paula Sabino, Kathryna Fontana
Rodrigues , Karina Braga Gomes , Sérgio Wyton Lima Pinto ,
Danyelle Romana Alves Rios
Universidade Federal de São João del Rei - Campus Centro
Oeste Dona Lindu
INTRODUÇÃO: A diálise peritoneal (DP) é uma forma de terapia
renal substitutiva utilizada em pacientes em fase final da doença
renal, que utiliza o peritônio para a filtração do sangue. A
inflamação é uma das complicações a longo prazo, a qual torna
essa terapia ineficaz para a remoção adequada de solutos. Sendo
assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar polimorfismos em
genes de citocinas inflamatórias em pacientes sob DP e investigar
a associação desses com a presença de disfunção do peritônio.
METODOLOGIA: Foram selecionados 45 pacientes em programa
de diálise peritoneal do Centro de Nefrologia do Hospital São João
de Deus, dos quais 12 eram baixo, 25 médio-baixo e 8 médio-alto
transportadores, classificados pelo Teste de Equilíbrio Peritoneal
(PET). A extração de DNA das amostras de sangue periférico foi
feita utilizando o kit Biopur Mini Spin® (Biometrix) e a pesquisa dos
polimorfismos -308A/G do TNF-_, 10T/C e 25C/G do TGF-_1, 1082A/G e -819T/C da IL-10, -174C/G da IL-6 e o +874T/A do IFN_ foi realizada por reação em cadeia da polimerase (PCR) seguida
de digestão enzimática com a enzima de restrição (RFLP)
utilizando o kit Cytokine Genotyping Tray. Segundo o genótipo
apresentado, os pacientes foram classificados de acordo com as
instruções do kit nos fenótipos low, intermediate ou high
produtores de citocinas.
RESULTADOS: Observou-se uma frequência maior do genótipo
GG do polimorfismo TNF-_ (-308 A/G) no grupo médio-baixo
transportador comparado aos outros dois grupos (p=0,032). Foi
observada uma frequência significativamente maior do fenótipo
low no grupo baixo transportador (p=0,003). Os outros
polimorfismos investigados não obtiveram resultados
significativos.
CONCLUSÕES: O TNF-_ é uma potente citocina pro-inflamatória
e está associada como um mediador da disfunção endotelial e
promove in vitro a calcificação de células vasculares, o que nos
leva a acreditar que os pacientes do grupo médio-baixo
transportador possam apresentar falhas na ultrafiltração, diálise
inadequada, suscetibilidade aumentada a infecções e tendência a
se tornar alto transportadores levando consequentemente à
falência da membrana peritoneal, podendo desencadear também
doenças cardiovasculares seguido de maiores taxas de
mortalidade.
Apoio financeiro: FAPEMIG; CNPq e UFSJ.
TLP: 015
Frequência e intensidade de isquemia miocárdica
silenciosa durante a sessão de hemodiálise em pacientes
com doença renal crônica terminal: Estudo PROHEMO
Autor(es): Jean Michell C. Monteiro, Marcia Tereza S. Martins,
Lucas Hollanda Oliveira, Luís Cláudio Correia, Antonio Alberto
Lopes
Universidade Federal da Bahia
Fundamentos: Isquemia miocárdica silenciosa (IMS) é frequente
em pacientes com doença cardiovascular, principalmente em
diabéticos e portadores de doença arterial coronariana (DAC).
Sendo a doença cardiovascular a principal causa de morte em
pacientes em hemodiálise de manutenção, essa população deve
ser vista como de alto risco para IMS. O objetivo do trabalho foi
descrever a presença de IMS durante uma sessão de hemodiálise
(HD) e identificar características associadas. Métodos: Corte
transversal do Estudo Prospectivo do Prognóstico de Pacientes
em Hemodiálise de Manutenção (PROHEMO). A avaliação
eletrocardiográfica pelo Holter foi usada para diagnóstico de IMS.
Resultados são descritos usando média±desvio padrão, mediana
[intervalo interquartil] ou proporção. Diferenças entre os grupos
foram avaliadas pelo teste de qui-quadrado para variáveis
qualitativas e Mann Whitney para quantitativas e a força da
associação pelo coeficiente de correlação de Spearman (CCS).
Resultados: Foram avaliados 77 pacientes (idade 50,5±12,1 anos
e 75,3% do sexo masculino), com IMS sendo encontrada em
59,7% (46/77) dos mesmos, tendo mediana do número de
episódios isquêmicos de um [0-2] e carga isquêmica total de 67
[0–713]. Os grupos avaliados quanto a presença ou ausência de
IMS foram similares para idade (50,5±12,9 vs 50,0±10,8 anos,
p=0,578), concentrações de hemoglobina (10,5±2,1 vs 10,8±2,2,
p=0,588), frequência cardíaca média (74,3±13,9 vs 76,9±13,3,
p=0,400), volume de ultrafiltração em litros (3,15; [2,17 – 3,80] vs
2,70; [2,20–3,5], p=0,509), dose hemodialítica (1,57; [1,40–1,77]
vs 1,64; [1,28–1,83] p=0,936) e média aritmética dos valores de
pressão sistólica durante HD (147,5 ± 29,3 vs 137,9 ± 23,5,
p=0,256). Não foi observado diferença quanto aos grupos para a
prevalência de DAC (14,3% vs 14,3%, p= 0,270) ou insuficiência
cardíaca classes I-IV (18,2% vs 15,6%, p= 0,451), mas sim para
diabetes melito (16,9% vs 3,9 %, p=0,049). Não houve correlação
entre a média dos valores da pressão arterial média durante HD e
a carga isquêmica (CCS: -0,052, p=0,683) assim como entre a
variabilidade e a carga isquêmica (CCS: -0,059, p=0,641).
Conclusões: Nos pacientes em hemodiálise de manutenção a
frequência de IMS durante a HD é alta, e seu desenvolvimento não
foi explicado por alterações hemodinâmicas mediadas pela
variação da pressão arterial intradialítica ou pela presença de
DAC. Novos estudos são necessários para investigar os
preditores de IMS nessa população.
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
15
TLP: 016
Qualidade do sono, sonolência diurna e sua relação com o
apetite e parâmetros nutricionais em pacientes em
hemodiálise
Autor(es): Fabiana B. Nerbass, Jyana G. Morais, Dyane Corrêa,
Patricia Osowsky, Rafaela G. dos Santos, Tatiana S. Kruger,
Andrea Sczip, Marcos A. Vieira, Hercilio A. da Luz Filho
Fundação Pró-rim
Introdução : Os distúrbios do sono são comuns em pacientes em
hemodiálise (HD). Embora a relação entre a qualidade do sono e o
estado nutricional esteja bem estabelecida em outras populações,
há poucos dados sobre esta questão em pacientes submetidos à
HD.
Objetivo: Avaliar a qualidade do sono e queixas de sonolência
excessiva diurna, bem como sua relação com parâmetros
antropométricos, apetite e estado nutricional dos pacientes em
HD.
Métodos : Estudo transversal realizado em 6 centros de diálise. A
presença de distúrbios do sono foi avaliada pelo Índice de
Qualidade de Sono de Pittsburgh ( PSQI ) e a sonolência diurna
pela Escala de Sonolência Epworth (ESS ); apetite foi obtido pelo
Appetite e Assessment Tool Diet ( ADAT ); estado nutricional pela
Avaliação Subjetiva Global (ASG) e pelo Índice de Massa Corporal
(IMC - pontos de corte 23 kg/m2 para desnutrição e 30 kg/m2 para
a obesidade). A circunferência da cintura (CC) também foi obtida a
fim de avaliar a obesidade central.
Resultados: Foram avaliados 158 pacientes em HD ( 57% do sexo
masculino ; idade: 50,2±15,7 anos; tempo em HD: 50,7±47,5
meses). A média de pontuação PSQI foi de 6,0±3,9 e 57% dos
pacientes apresentavam algum distúrbio de sono ( PSQI > 5 ). A
pontuação média da ESS foi de 7,61± 5,3, sendo que 33%
apresentavam queixa de sonolência excessiva diurna (ESS _ 10).
PSQI se correlacionou fracamente com a idade (r=0,16; p<0,05),
mas não foram encontradas correlações entre PSQI e ESS com as
variáveis nutricionais. A prevalência de desnutrição, obesidade e
obesidade central foi semelhante entre os pacientes com ou sem
distúrbios do sono. No entanto, a prevalência de pacientes que
relataram apetite regular, ruim ou muito ruim foi significativamente
maior entre os participantes com distúrbios do sono (22 versus 9%;
p=0,02).
Conclusão: A prevalência de distúrbios do sono foi elevada nesta
população HD e não esteve relacionada com parâmetros
antropométricos nem ao estado nutricional. No entanto, os
pacientes que apresentaram distúrbios do sono eram mais
propensos a relatarem apetite prejudicado.
TLP: 017
Benefício da Suplementação de Zinco em Pacientes em
Hemodiálise: Revisão Sistemática
Autor(es): Livia Cilurzo dos Santos Neto, Marcelo Rodrigues
Bacci, Mariana Gaya da Costa, Livia Silva Svrzutt Cabral,
Fernando Luiz Affonso Fonseca
FACULDADE DE MEDICINA DO ABC
Introdução: O manejo da doença renal crônica (DRC) constitui um
grande desafio.Relacionada a doenças de alta prevalência como
hipertensão e diabetes , a deficiência na capacidade de filtração
dos rins leva cerca de 49000 pessoas por ano no Brasil para
hemodiálise (HD).Dada à patogenia da doença e o tratamento
instituído, esses pacientes apresentam perfil inflamatório
acentuado. Ainda, influências na resposta imunológica são
frequentes. O desenvolvimento de comorbidades- como doenças
cardiovasculares – configura um fator complicador, elevando a
morbimortalidade dos pacientes renais crônicos. Entretanto, o
zinco-oligoelemento com funções antioxidante, imunológicas e
anti-inflamatórias- vem ganhando destaque pela possível ação no
manejo da doença.Objetivo:Esclarecer o que se sabe da relação
entre zinco e pacientes em HD.Método:Pesquisa de jan. à mai. de
16
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
2014 através de LILACS e MEDLINE, com descritores: zinco,
doença renal crônica e hemodiálise.Dos 214 artigos, foram
incluídos artigos em inglês/português, baseados em humanos
maiores de 19 anos(117 artigos).Foram critérios de
exclusão:trabalhos publicados há mais de 20 anos (52),aqueles
cujos pacientes não tinham diagnóstico específico de DRC ou não
estavam em tratamento com HD(5), estudos que consideravam a
HD realizada por curto período de tempo(1),sobre indivíduos
transplantados/tratados com diálise peritoneal (5) e aqueles que
não envolviam o zinco nos resultados(9),artigo de comentário
sobre outra publicação e artigo que considerava adolescentes
entre 15-21 anos.Resultados:Chegou-se ao total de 49 artigos
(nenhuma revisão de literatura/ capítulo de livro).A deficiência de
zinco é muito prevalente nos pacientes renais crônicos em HD.O
zinco mostrou influência nos processos inflamatórios,
imunológicos, além de interferir no metabolismo, sistema
hematopoiético e outros.Quanto à suplementação de zinco, não
existe um consenso na literatura para quais pacientes/quais
dosagens utilizar. Averiguou-se necessidade de ensaios
randomizados para avaliar os aspectos onde a suplementação de
zinco interfere na qualidade de vida desses indivíduos.
Discussão:O zinco estabelece uma relação direta com a DRC e
com a HD. Embora a literatura não tenha chegado à conclusão
sobre qual dose de suplementação teria impacto benéfico, essa
intervenção se apresenta promissora.
TLP: 018
Comparação do consumo de sal de pacientes em diferentes
tratamentos dialíticos
Autor(es): Dyane Corrêa, Andrea Sczip, Jyana G Morais,
Tatiana S Kruger, Rafaela G dos Santos, Marcos A Vieira,
Hercilio A da Luz Filho, Fabiana B Nerbass
Fundação Pró Rim
Introdução: Pacientes em hemodiálise (HD) e em diálise
peritoneal (DP) são orientados a restringir o consumo de sal por
este estar relacionado a fatores de risco cardiovasculares como a
hipertensão.
Objetivo: Avaliar e comparar o consumo de sal entre pacientes em
HD e DP, bem como a relação da ingestão com parâmetros
demográficos.
Metodologia: Foram incluídos 92 pacientes em HD (66%
mulheres; idade=52,0_11,0 anos) e 19 pacientes em DP (63%
mulheres; idade=57,2_12,1 anos) de 4 centros de diálise de Santa
Catarina. Para análise do consumo de sal total foi utilizado um
questionário de freqüência alimentar (QFA) validado e a estimativa
do uso do sal de adição.
Resultados: A média do consumo de sal total foi elevada e
semelhante nos dois grupos de pacientes (8,7_3,0 g/dia em HD e
8,7_5,5 g/dia em DP; p=0.99), mas ficou abaixo da estimativa do
consumo médio da população brasileira de 11,7 g/dia. O consumo
do sal de adição (6,3_4,2 g/dia em HD e 6,9_2,8 g/dia em DP;
p=0,53) e do sal dos itens do QFA (2,3_3,8 g/dia em HD e 1,7_2,0
g/dia em DP; p=0,49) também não diferiu entre os grupos.
Ingestão superior à recomendação máxima de 6 g/dia foi
observada 62% dos pacientes em HD e em 79% em DP (p=0,15).
Nos pacientes em HD, foi encontrada relação inversa entre o
consumo de sal total e a idade (r=-0,36; p<0,001) e entre o sal dos
itens do QFA e a escolaridade (r=-0,22; p<0,05). Pacientes com
ingestão acima da recomendação (6 g/dia) tinham menor
escolaridade comparados aos demais (6,4_3,6 versus 8,1_3,4
anos; p<0,05). No grupo em DP, foi encontrada relação direta
entre o o sal dos itens do QFA e o peso (r=0.51; p<0,05).
Conclusão: A média de consumo de sal foi maior que a
recomendação e não diferiu entre pacientes em HD e DP. Porém,
as variáveis relacionadas ao consumo variaram entre os dois
grupos.
TLP: 019
COMPARAÇÃO DA MORTALIDADE DE PACIENTES EM
HEMODIÁLISE DE ACORDO COM A DISTÂNCIA ENTRE
MORADIA E UNIDADE DE DIÁLISE: SEGUIMENTO DE 12
MESES
Autor(es): Matheus Silva de Moraes, Paulo Roberto Santos,
Diego Levi Silveira Monteiro, Ana Cláudia de Oliveira Portela,
Ana Mayara Barros Campos, Halane Maria Rocha Pinto, Yandra
Maria Gomes Ponte, João Laerte Alves de Freitas, Catarine
Cavalcante Ary, Klênio Clécio Lopes Melo
UFC
Introdução: A distância entre a moradia do paciente e a unidade de
diálise pode influenciar desfechos clínicos. O estudo teve por
objetivo comparar a taxa de mortalidade dos pacientes com
doença renal crônica em hemodiálise de acordo com a distância
entre moradia e unidade de diálise durante acompanhamento de
12 meses.
Métodos: Foram estudados 161 pacientes com doença renal
crônica mantidos em esquema regular de hemodiálise em uma
única unidade de diálise. Foram coletados dados
sociodemográficos. O grau de comorbidade foi classificado em
baixo, médio e alto risco pelo índice de Khan. A amostra foi
estratificada em três grupos. Grupo I=pacientes residentes na
cidade onde a unidade de diálise está localizada; Grupo
II=pacientes residentes em cidades distantes até 100 quilômetros
da unidade de diálise; e Grupo III=pacientes residentes em
cidades distantes mais de 100 quilômetros da unidade de diálise.
Foram comparadas as frequências do grau de comorbidade e
óbito entre os três grupos pelo teste do qui-quadrado.
Resultados: A amostra foi composta por 98 (60,9%) homens e 63
(39,1%) mulheres com idade média de 44,5 ± 15,6 anos. Havia 47
(29,2%) pacientes residentes na cidade da unidade de diálise; 46
(28,6%) residentes em cidades até 100 quilômetros e 68 (42,2%)
em cidades distantes mais de 100 quilômetros. A frequência do
grau de comorbidade classificado como de alto risco não diferiu
entre os três grupos: 4,3% no grupo I, 6,5% no grupo II e 2,9% no
grupo III (p=0,549) A frequência de óbitos não diferiu entres o
grupos: 10,6% no grupo I, 15,2% no grupo II e 13,2% no grupo III
(p=0,762).
Conclusões: A frequência de mortalidade não diferiu de acordo
com a distância entre moradia e unidade de diálise.
Provavelmente variáveis locais relacionadas à eficiência de
transporte dos pacientes expliquem o resultado. Resultados
diferentes podem ser esperados em outras localidades que devem
rotineiramente checar a mortalidade de acordo com o local e
distância da moradia de seus pacientes.
TLP: 020
PERFIL DE RISCO CARDIOVASCULAR EM PACIENTES
SUBMETIDOS À HEMODIÁLISE
Autor(es): Carlos Felipe Delmondes Vieira, Karen Maria Alves
Diniz , João Paulo Lemos Guião , Emílio Henrique Barroso
Maciel, Frederico Lopes Alves , Vanessa Gomes Brandão ,
Pedro Henrique Scheidt Figueiredo , Cláudio Heitor Bathazar ,
Márcia Maria Oliveira Lima
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
Introdução: Fatores de risco tradicionais para doenças
cardiovasculares (DCV) são altamente preditivos de eventos
cardiovasculares em pacientes renais crônicos submetidos à
hemodiálise (HD). Adicionalmente, o comprometimento da
capacidade funcional (CF) cardiovascular tem importante valor
prognóstico na evolução das DCV. Considerando que as DCV
representam a principal causa de óbito nessa população, a
identificação desses fatores contribui para um melhor manejo
terapêutico dos pacientes em HD. Entretanto, existe uma carência
de estudos avaliando este perfil em centros de hemodiálise
brasileiros. Objetivo: avaliar os pacientes renais crônicos
submetidos à hemodiálise em relação ao perfil de risco
cardiovascular. Métodos: em um estudo transversal, pacientes de
ambos os gêneros, idade acima de 18 anos, em HD, foram
avaliados para a detecção de possíveis fatores de risco para DCV
e análise do comprometimento da CF. Por meio de exame clinico,
físico e laboratorial foram avaliados quanto à presença de diabete
mellitus (DM) tipo II, obesidade, dislipidemia, tabagismo e
hipertensão arterial (HA). Além disso, a CF cardiovascular foi
analisada pela medida da distância caminhada durante o Shuttle
Walk Teste (DCSWT). Dados foram analisados por testes
estatísticos específicos na caracterização da amostra pelo
programa SPSS (17.0) e são expressos em porcentagem ou
média e desvio padrão, conforme apropriado. Resultados: foram
avaliados 56 pacientes (idade 50,0±16,0 anos, 75% homens),
eutróficos (Indice de massa corporal 24,2±5,4 kg/m2) com tempo
de HD de 5,0±4,1 anos. Observou-se na amostra que 92,9% eram
hipertensos, dislipidemia presente em 85,7%, 21,4% portadores
de DM e 8,9% tabagistas. O comprometimento da CF foi notado
pelo alcance de apenas 63,9±26,1% da DCSWT predita para
estes pacientes. Conclusão: Nesta amostra de pacientes renais
crônicos em hemodiálise observou-se a presença de fatores de
risco para DCV tais como, HA , dislipidemia e DM em elevadas
proporções, além de comprometimento importante da CF. Dessa
forma, intervenções para o controle dos fatores de risco e melhora
da CF devem ser implementadas.
Financiamento: CNPq e FAPEMIG.
TLP: 021
AVALIAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE CONCENTRAÇÃO DO
HORMÔNIO PARATIREOIDEANO E FUNÇÃO AUTONÔMICA
DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Autor(es): Carlos Felipe Delmondes Vieira, Karen Maria Alves
Diniz , João Paulo Lemos Guião , Emílio Henrique Barroso
Maciel, Frederico Lopes Alves , Vanessa Gomes Brandão ,
Cláudio Heitor Balthazar, Márcia Maria Oliveira Lima, Pedro
Henrique Scheidt Figueiredo
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
INTRODUÇÃO: A redução da Variabilidade da Frequência
Cardíaca (VFC) é um fator de risco independente para óbito em
pacientes com doença renal crônica dialítica (DRCD). Nessa
população, a hipersecreção do hormônio paratireoideano (PTH) e
seus efeitos na concentração de cálcio (Ca) e fósforo (P) no
sangue, também têm sido associados à maior risco de eventos
fatais. Entretanto, poucos estudos avaliaram a relação entre PTH
e VFC nesses pacientes. Assim, o objetivo do presente estudo foi
avaliar a associação entre VFC e concentração sanguínea de
PTH, bem como de Ca e P, em indivíduos com DRCD. MÉTODOS:
Em um estudo transversal, pacientes em hemodálise (HD) foram
avaliados quanto à função autonômica cardíaca e concentração
sanguínea de PTH, Ca e P. A função autonômica cardíaca foi
avaliada pela análise da VFC, obtida do registro do holter de 24hs.
Os índices de VFC no domínio da frequência analisados foram:
raiz quadrada da média do quadrado das diferenças entre
intervalos RR normais adjacentes (rMSSD) e porcentagem de
intervalos RR adjacentes com diferença de duração superior a
50ms (pNN50). No domínio da freqüência, foram analisados os
c o m p o n e n t e s d e b a i x a e a l t a f r e q ü ê n c i a ( L F e H F,
respectivamente), assim como a relação entre estes (LF/HF). As
concentrações plasmáticas de PTH, Ca e P foram obtidas por
meio dos exames mensais de rotina da unidade de HD. A análise
de correlação foi realizada pelo coeficiente de correlação de
Pearson ou Spearman, conforme apropriado. RESULTADOS:
Foram avaliados 42 pacientes (13 mulheres) em HD há 56 (6–208)
meses, com média de idade de 52,5±15,3 anos e Índice de Massa
Corporal de 23,1 (17,0-40,5) kg/m2. Na correlação entre índices
de VFC com PTH, Ca e P, observou-se associação significativa e
positiva entre a concentração do PTH e os índices LF e LF/HF
(r=40,4%, p=0,008; r=41,8%, p=0,006, respectivamente), bem
como associação negativa com HF (r=-40,4%, p=0,008); e da
concentração de Ca negativamente com os índices rMSSD e
pNN50 (r=39,4%, p=0,01; r=-36,5%, p=0,018, respectivamente).
Os demais índices não apresentaram correlações significativas.
CONCLUSÃO: A hipersecreção de PTH e o conseqüente aumento
da concentração de Ca sanguíneo são mecanismos relacionados
à disfunção autonômica cardíaca de pacientes com DRC dialítica.
Financiamento: CNPq e FAPEMIG
TLP: 022
AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE
HIPERFOSFATEMIA E QUELANTE DE FÓSFORO EM
NEFROPATAS DIALÍTICOS EM UM HOSPITAL
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
17
UNIVERSITÁRIO
Autor(es): Antonia Caroline Diniz Brito, Ana Karina Teixeira da
Cunha França, Raimunda Sheyla Carneiro Dias, Elane Viana
Hortegal, Jéssica Vasconcelos Oliveira Jorge Pereira, Laís
Ferreira de Sousa, Gilvan Campos Sampaio, Renata Gomes de
Sousa
Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão
INTRODUÇÃO: A orientação dietética e o uso adequado de
quelantes de fósforo são a base do tratamento da hiperfosfatemia.
Assim, seu sucesso depende essencialmente da habilidade do
paciente em entender e aderir ao plano dietético e ao uso dos
quelantes. Essa pesquisa teve como objetivo avaliar o
conhecimento sobre hiperfosfatemia e uso de quelantes de fósforo
em nefropatas em tratamento hemodialítico em um Hospital
Universitário. METODOLOGIA: Estudo de delineamento
transversal, descritivo, incluindo 74 pacientes adultos. Foi
aplicado um questionário de avaliação de conhecimentos que
incluía questões fechadas sobre consequências da
hiperfosfatemia, alimentos ricos em fósforo, uso adequado dos
quelantes e motivos da não adesão ao tratamento.
RESULTADOS: A prevalência foi maior do sexo masculino (50,9%)
com média de idade de 43,9 ± 16,3 anos. Foram medidas as
concentrações séricas de fósforo. 40,0% dos pacientes faziam uso
de quelantes de fósforo. Com relação as consequências da
hiperfosfatemia, foi verificado que 62% dos pacientes as conhecia,
no entanto, 48,0% deles não sabiam que elevadas concentrações
de fósforo poderia causar calcificações vasculares. Dentre as
razões citadas pelos pacientes sobre o insucesso do tratamento
da hiperfosfatemia, 70,9% assinalaram a resposta “porque eu
como mais fósforo do que eu deveria”. A manutenção de níveis
adequados de fósforo é um processo difícil de ser alcançado pelos
pacientes. Neste estudo, foi baixa a prevalência da utilização de
quelante de fósforo apesar de um número considerável (36%) de
pacientes terem apresentado níveis médios acima do
recomendado. CONCLUSÃO: Os resultados demonstraram que
os pacientes estudados apresentaram um bom nível de
conhecimento sobre o uso adequado do quelante de fósforo e as
consequências da hiperfosfatemia, porém a maioria apresentou
uma baixa adesão às recomendações com relação à dieta. Vale
ressaltar que a orientação nutricional é uma ferramenta importante
para a prevenção da hiperfosfatemia.
TLP: 023
A REDUÇÃO DA FORÇA MUSCULAR INSPIRATÓRIA ESTÁ
ASSOCIADA À REDUÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL E
DA QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Autor(es): Pedro Henrique Scheidt Figueiredo, Karen Marina
Alves Diniz , João Paulo Lemos Guião , Carlos Felipe
Delmondes Vieira , Frederico Lopes Alves , Vanessa Gomes
Brandão , Emílio Henrique Barroso Maciel, Márcia Maria Oliveira
Lima, Cláudio Heitor Balthazar
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
INTRODUÇÃO: Pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) em
hemodiálise (HD) apresentam redução da força muscular
respiratória (FMR), o que pode afetar a realização de atividades
laborais, sociais e de lazer, com consequente degradação da
capacidade funcional (CF) e qualidade de vida. Porém, a influência
da redução da FMR em parâmetros da CF e da qualidade de vida
relacionada á saúde (QVRS) desse grupo de pacientes tem sido
pouco estudada. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a
relação entre FMR com QVRS e CF de pacientes em HD.
MÉTODOS: Em um estudo transversal, pacientes em HD há mais
de 6 meses foram avaliados quanto a FMR, QVRS e CF. A FMR foi
avaliada pela manovacuometria, por meio do registro da pressão
inspiratória e expiratória máxima (PImáx e PEmáx,
respectivamente). A QVRS foi avaliada pelo questionário
específico para DRC KDQOL-SF e a CF pelo Shuttle Walk test
(SWT). As variáveis do SWT analisadas foram: distância
caminhada e consumo de O2 (VO2). Todas as avaliações
ocorreram imediatamente antes da sessão de HD. A análise de
correlação foi realizada pelo coeficiente de correlação de Pearson
18
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
ou Spearman, conforme apropriado. RESULTADOS: A amostra foi
composta por 31 pacientes (25 homens) com média de idade de
48,9±15,8 anos e Índice de Massa Corporal de 22,5 (17,8 a 40,5)
kg/m2. Observou-se redução da PImáx (89,8±21,0cmH2O;
equivalente a 78,9 ± 16,7% do previsto), da distância caminhada
{357 (188,5 a 779,3)m; 56,4±19,8% do valor previsto} e do VO2 no
SWT {(15,9 (10,3 a 32,7) mL/kg/min}. Os domínios da QVRS mais
afetados foram: “Função Física” {50,0 (0,0 a 100,0) %}, “Estado
Geral de Saúde” {52,5 (10,0 a 95,0) %}, “Carga da DRC”
(46,9±25,5%) e “Atividade Profissional” {0,0 (0,0 a 100,0) %}. Foi
encontrada correlação significativa entre PImáx com a distância e
VO2 no SWT (r=40,6%; p=0,02 e r=40,6%; p=0,02,
respectivamente), assim como entre PImáx e os domínios da
QVRS “Capacidade Funcional” (r=63,0%; p < 0,001) e “Suporte
Social” (r = 41,7%, p = 0,2). Não foi observada associação entre
PEmáx e as demais variáveis analisadas. CONCLUSÃO: Em
pacientes com DRC dialítica a redução da FMR é decorrente,
principalmente, do comprometimento da musculatura inspiratória.
Este comprometimento está associado à redução da CF e à
degradação de aspectos físicos e sociais relacionados à QVRS.
Financiamento: CNPq e FAPEMIG
TLP: 024
Avaliação da diferença na escolha da modalidade de terapia
renal substitutiva pelos pacientes quando inidicada dialise
pelo ambulatório de saúde renal da Prefeitura de Belo
Horizonte, Unidade de Referencia em Saude Sagrada
Família (URSSF).
Autor(es): Juliana Gazzi Macedo, Ana Luiza de Souza Matos ,
Bruno Duarte Foscarini , Simone Costa Oliveira Nascimento ,
Helen Cristina Pimentel
URSSF Sagrada Família
O objetivo do trabalho é apresentar a estatística de escolha da
modalidade de diálise pelos pacientes indicados para terapia renal
substitutiva (TRS) no ambulatório de saúde renal URSSF durante
primeiro semestre de 2013.
Este é um trabalho retrospectivo, transversal, descritivo, que
usamos como fonte de pesquisa o prontuário eletrônico e nosso
caderno de anotações de fax enviados à comissão de nefrologia
de Belo Horizonte para autorização do início da terapia dialítica
solicitada pelos nefrologistas do nosso ambulatório.
Em 2012 em nosso ambulatório, foi criado um grupo operativo
para pacientes em estagio 4 e 5 de insuficiência renal, no intuito de
apresentar as modalidades de diálise e transplante disponíveis
quando fosse para ele indicada terapia renal substitutiva. Isto
porque assistimos no Brasil uma preferência pelo usuário à
hemodiálise muitas vezes por falta de informação. Além do grupo
operativo, o paciente é encaminhado em momento oportuno para
conhecer as terapias dialíticas existentes facilitando contato com
outros pacientes que utilizam destas terapias, objetivando a
melhora da aceitação e entendimento da doença a longo prazo, ao
invés de no momento do encaminhamento para diálise, ser um
susto ou surpresa para o paciente e familiares.
A nossa estatística mostrou que tivemos no primeiro semestre de
2013: 125 encaminhamentos para confecção de fístula arterio
venosa (FAV), 40 encaminhamentos para hemodiálise (HD), 7
para diálise peritoneal (PD)
O nosso ambulatório teve aumento de oferta de consultas no
segundo semestre de 2012, portanto, no período estudado, fazia 1
ano que a primeira consulta não demorava mais que 3 meses
entre solicitação e atendimento. Acreditamos que o número de
solictações para confecção de FAV mostre a gravidade com que
os pacientes chegam para o acompanhamento especializado.
Apesar dos esforços para ajudar o paciente na escolha da
modalidade de terapia renal substitutiva, vimos ainda uma grande
preferência pela hemodiálise. Talvez até por não terem tempo para
preparo e inicio do PD quando chegam ao ambulatório já em
urgência dialítica..
Esperamos a longo prazo poder entender melhor e até mesmo
estudar o motivo pelo qual a escolha do brasileiro tende para a
hemodiálise.
Como atendemos 70% da demanda da cidade, acreditamos que
possamos mudar a história de como se dá a entrada para TRS dos
pacientes de Belo Horizonte; com pacientes conscientes,
preparados psicologicamente, socialmente e fisicamente.
TLP: 025
Experiência com uso da técnica de buttonhole para punção
de fístula arterio venosa para hemodiálise
Autor(es): Juliana Gazzi Macedo, Wanderson de Souza
Carvalho
Nefron
Este é um estudo retrospectivo longitudinal com intuito de avaliar o
desempenho do acesso vascular com o uso da técnica de
buttonhole em uma Clínica de Hemodiálise de Contagem- MG,
Nefron.
Em 2007 a técnica buttonhole para canulação de fístula
arteriovenosa para hemodiálise foi descrita pela primeira vez pelo
Dr. Twardowski em uma paciente que não tinha área segura para
rotação de punção sendo usado e descrito o buttonhole com
sucesso. Desde então temos alguns artigos em literatura, com no
máximo 25 pacientes, todos descrevendo a técnica ou colocando
benefícios do seu uso. Apenas um estudo retrospectivo com 83
paciente usou grupo controle para comparar dor e infecção
obtendo bons resultados em redução da dor e sem notificação de
infecção com uso da técnica.
Desde 2010 a técnica de buttonhole foi escolhida como
modalidade de punção para alguns pacientes da Nefron que
tinham dificuldade para uso da técnica rotativa como múltiplos
aneurismas, poucas áreas íntegras para uso da rotação de punção
adequada. De 2012 a 2014 esta punção foi utilizada para outros
pacientes, como oferta de punção, principalmente para aqueles
que resistiam em rotação de punção por dor. Sempre contra
indicada para pacientes em uso de próteses vascular como
acesso para hemodiálise.
Foi avaliado para os 19 paciente em uso da técnica de button hole
na clínica Nefron, 4 KtVs: logo antes do inicio da técnica era de
1,45 a média, logo após a formação do túnel era de 1,51, 3 meses
após a formação do túnel de 1,55 e 6 meses após uso deste de
1,57, mostrando ganho de eficiência em diálise nestes pacientes.
Conclusão: A técnica de punção buttonhole, já descrita como
opção à técnica de punção rotativa, em nosso estudo
retrospectivo, mostrou melhora do KtV imediatamente e
progressivamente após uso da técnica.
Projetamos portanto um trabalho prospectivo para avaliar a
eficácia, benefícios e possíveis complicações do uso mais amplo
da técnica de buttonhole para punção de fístula arterio venosa.
TLP: 026
PERFIL DE PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA
QUE INICIAM HEMODIÁLISE: UM ESTUDO PROSPECTIVO
Autor(es): Klênio Clécio Lopes Melo, Paulo Roberto Santos,
Paulo Henrique Alexandre de Paula, Priscila Garcia Câmara
Cabral Tavares, Yandra Maria Gomes Ponte, Carlos Wellington
Machado Melo, Ana Cláudia de Oliveira Portela, Ana Mayara
Barros Campos, Halane Maria Rocha Pinto, Tarcizio Brito
Santos
Santa Casa de Misericórdia de Sobral
Introdução: A qualidade da assistência aos estágios iniciais da
doença renal crônica pode ser estimada pelo perfil dos pacientes
com doença renal crônica avançada que iniciam diálise. O estudo
teve por objetivo descrever o perfil dos pacientes com doença
renal crônica que iniciaram hemodiálise durante um período de 12
meses.
Métodos: Foram incluídos os pacientes com doença renal crônica
que iniciaram hemodiálise entre julho de 2012 e junho de 2013 nas
duas únicas unidades de diálise localizadas em cidade do interior
do nordeste. Foram coletados os seguintes dados: gênero; idade;
classe social de acordo com os critérios da Associação Brasileira
de Institutos de Pesquisa e Mercado; etiologia da doença renal
crônica; tipo de acesso vascular ao iniciar hemodiálise; grau de
comorbidade pelo índice de Khan; e as dosagens laboratoriais de
creatinina, hemoglobina, produto cálcio-fósforo e proteína C
reativa.
Resultados: Havia 19 (54,3%) mulheres e 16 (45,7%) homens com
idade média de 58,8 ± 17,7 anos distribuídos segundo a classe
social da seguinte maneira: nenhum da classe A, 1 (2,9%) da
classe B, 14 (40,0%) da classe C, 16 (45,7%) da classe D e 4
(11,4%) da classe E. A principal etiologia da doença renal crônica
foi hipertensão em 17 (48,5%) dos casos, seguida de diabetes em
8 (22,9%), glomerulonefrite em 3 (8,6%), uropatia obstrutiva em 1
(2,8) e 6 (17,2%) casos de etiologia indeterminada. Trinta e dois
(91,4%) pacientes iniciaram hemodiálise por acesso provisório
(cateter) e 3 (8,6%) por fístula. Segundo o grau de comorbidades,
11 (31,4%) apresentavam baixo risco, 13 (37,2%) médio risco e 11
(31,4%) alto risco. Os valores de creatinina, hemoglobina, produto
cálcio-fósforo e proteína C reativa foram, respectivamente: 7,9 ±
3,7 mg/dl, 6,9 ± 1,2 g/dl, 47,6 ± 14,2 mg2/dl2 e 16,0 ± 18,0 mg/l.
Conclusões: A falta de fístula ao iniciar hemodiálise, o nível
importante de anemia e o alto-risco cardiovascular estimado pela
proteína C reativa indicam que deve haver melhora da assistência
aos estádios iniciais da doença renal crônica nesta região do país.
TLP: 027
Efeitos da suplementação de ácidos graxos ômega-3 sobre
o estresse oxidativo e a inflamação presentes nos
pacientes em hemodiálise.
Autor(es): Larissa Rodrigues Neto Angéloco, Andresa Marques
de Mattos, Alceu Afonso Jordão Júnior, José Abrão C. da Costa,
Paula Garcia Chiarello
Faculdade de Medicina de São Paulo - Universidade de São
Paulo
Introdução. A presença de estresse oxidativo (EO) associada à
inflamação crônica nos pacientes em hemodiálise contribui para
um risco cardiovascular elevado nesse grupo. Por meio da
modulação de função e estrutura das membranas celulares, bem
como a síntese de mediadores lipídicos, os ácidos graxos ômega3 parecem ter função cardioprotetora. Recomenda-se o consumo
diário de 1g de ômega-3 para pacientes com alto risco de doença
coronariana. Métodos. Estudo experimental randomizado duplocego no qual pacientes em HD há pelos menos 6 meses, com
idade _ 18 anos e sem doenças inflamatórias participaram.
Destes, 44 foram suplementados com 1,2g/dia de ômega-3 (42%
EPA e 22% DHA) e 46 receberam cápsulas placebo contendo óleo
de soja, por doze semanas. Foram analisadas as concentrações
séricas de produtos protéicos de oxidação avançada (AOPP),
isoprostanos (Cayman Chemicals, Michigan, USA), proteína C
reativa (PCR) PCR (IMMULITE, DPC, UK), fator de necrose
tumoral (TNF-_) (IMMULITE, DPC, UK) e a capacidade
antioxidante total (CAT) pré e após a suplementação.Resultados.
Não houve diferença entre os grupos para as mudanças nas
concentrações séricas de AOPP (_placebo:-9,2±11,6; _ômega: 9,7±13,2), isoprostanos (_placebo:-3,9±6,5; _ômega: -3,4±4,8),
C AT ( _ p l a c e b o : 0 , 3 ± 0 , 6 ; _ ô m e g a : 0 , 2 ± 0 , 7 ) , P C R
(_placebo:0,1±1,3; _ômega:0,1±1,8) e TNF-_
(_placebo:3,4±23,0; _ômega: -2,2±19,2).Conclusão. A
suplementação de ácidos graxos ômega-3 em doses fisiológicas
nos pacientes em HD parece não ser capaz de melhorar a defesa
antioxidante e/ou reduzir os marcadores de EO e inflamação
sérica. Isso sugere que doses maiores podem ser necessárias
para alcançar um efeito cardioprotetor nesse grupo.
TLP: 028
PREVALÊNCIA DOS AGENTES ETIOLÓGICOS NAS
INFECÇÕES DE ACESSOS PARA TERAPIA RENAL
SUBSTITUTIVA E AVALIAÇÃO DA SENSIBILIDADE AOS
ANTIMICROBIANOS
Autor(es): Santa Catharina W, Moreira Filho CNF, Moussa APC,
Santa Catharina GP, Sckayer RCSS, Almeida SV, Monteiro EBR
Instituto de Doenças Renais - São João da Boa Vista (SP)
INTRODUÇÃO: Complicações de via de acesso para Terapia
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
19
Renal Substitutiva (TRS) são frequentes, sendo as infecções a
segunda causa de óbito em diálise. Com o uso indiscriminado de
antibióticos torna-se necessário conhecermos a flora bacteriana
dos nossos serviços no momento da escolha dos antimicrobianos.
OBJETIVO: Identificar os agentes infecciosos em nosso serviço e
sua sensibilidade para o uso racional de antimicrobianos.
CASUÍSTICA E MÉTODOS: Entre 2012 e 2013 foram colhidas 181
culturas, realizadas por método automatizado de avaliação da
sensibilidade por concentração inibitória mínima, sendo 135
hemoculturas e 46 swabs de secreções de via de acesso. As
hemoculturas foram realizadas em pacientes que apresentaram
febre e/ou tremor durante sessão de TRS. As amostras de
hemocultura foram pareadas, colhidas do cateter e em veia
periférica. Foram considerados resultados positivos nos cateteres,
quando positivos nas amostras pareadas com o mesmo
microrganismo e sem outro sítio de infecção conhecido. Os swabs
foram colhidos em pacientes que apresentaram secreção no local
de acesso.
Resultado: 56 culturas positivas (43 hemoculturas e 13 swabs),
sendo 26 Staphylococcus aureus(46,4%) - 19 sensíveis à
Oxacilina(73%), 25 sensíveis à Sultametoxazol +
Trimetoprim(SMX+TMP)(96,1%), 26 sensíveis à
Vancomicina(100%). 14 Staphylococcus epidermidis(25%) - 2
sensíveis à Oxacilina(14,3%), 2 sensíveis à SMX+TMP(14,3%),
14 sensíveis à Vancomicina(100%). 2 Pseudomonas
aeruginosa(3,6%) - 2 sensíveis à Carbapenêmicos(100%), 1
sensível à Cefotaxima(50%), 1 sensível à SMX+TMP(50%), 1
sensível à Cefepime(50%), 1 sensível à Ceftazidima(50%). Outros
agentes foram encontrados com prevalência inferior à 2%.
CONCLUSÃO: Foi encontrada maior prevalência de infecção da
corrente sanguínea quando comparado a infecções de sítios
específicos, sendo o Staphylococcus aureus o agente mais
prevalente. Staphylococcus epidermidis apresentou elevada
resistência à Oxacilina, porém todos os casos foram sensíveis à
Vancomicina. SMX+TMP se mostrou uma importante alternativa
contra o Staphylococcus aureus. Bactérias Gram Negativas são
responsáveis por menor parcela das infecções e apesar de todas
serem sensíveis aos Carbapenêmicos, houve 1 caso de
Pseudomonas aeruginosa resistente ao antibiótico
antipseudomonas, a Ceftazidima. Assim concluímos que em
nossa unidade de TRS possui flora bacteriana com alta resistência
à antibioticoterapia, reforçando a importância do uso racional de
antimicrobianos.
TLP: 029
HEMODIÁLISE DOMICILIAR NO BRASIL: A EXPERIÊCIA DA
CDR - CLÍNICA DE DOENÇAS RENAIS NO RIO DE JANEIRO
Autor(es): Alan Castro Azevedo e Silva, Bianca Gouvêa Bastos,
Monicar Nardi
CDR Serviços Hospitalares
A hemodiálise (HD) começou a ser aceita como modalidade de
tratamento para a insuficiência renal em 1946, quando o Dr. Willem
Kolff (1911-2009) publicou na Holanda sua tese de doutorado. A
partir daí os equipamentos foram aperfeiçoados e industrializados.
Em 1960, Quinton, Dillard e Scribner desenvolveram o “shunt” de
politetrafluoretileno (teflon), que permitiu a reutilização do acesso
vascular para HD. Essa inovação possibilitou a criação do primeiro
programa de HD ambulatorial do mundo em Seatle. A HD passou a
prolongar a vida dos pacientes renais. Logo a demanda cresceu
muito acima da capacidade instalada. No intuito de oferecer um
tratamento mais barato para os pacientes, programas de
hemodiálise domiciliar (HDD) foram abertos a partir de 1963 em
vários países. Apesar das vantagens e conforto preconizados com
a HDD, essa modalidade de TRS foi reduzida na década de 70 em
todo mundo por diversas razões. Atualmente, o interesse pela
HDD está retornando. Diferente da HDD tradicional, onde o
paciente prepara seu próprio equipamento e punção, a CDR Clínica de Doenças Renais (um prestador de TRS ambulatorial
fundada no Rio de Janeiro em 1977), vem desde 1984, atendendo
pacientes à beira do leito em hospitais e em regime de internação
domiciliar. Essa terapia visa a desospitalização precoce e a
possibilidade de tratar em casa, aqueles pacientes
temporariamente impedidos de se locomoverem até as clínicas de
HD. Desse modo, o objetivo desse trabalho, é demonstrar os
critérios de elegibilidade dos pacientes, das residências e os
20
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
procedimentos operacionais. Também iremos apresentar os
resultados, de um estudo observacional transversal, realizado nos
29 pacientes, que estão, no momento, em HDD. A média de
sessões por semana é de 4,1. A média da idade é 71,8 anos, 25 %
dos acessos vasculares são temporários tunelizados e a média de
internação domiciliar de 18 meses. Os parâmetros laboratoriais
são:
Hematócrito Hemoglobina Creatinina Reserva alcalina Albumina
Fósforo K+ PTH 36±3,9 11±1,6 5,72±1,5 24,7±2,9 3,78±0,4
4 , 9 5 ± 1 , 4 3 5 , 0 9 ± 0 , 7 5 2 5 8 , 3 5 ± 3 1 1
A nosso ver, a manutenção e expansão desse programa se
justificam, apesar dos desafios logísticos e custos; pelos
benefícios apresentados de desospitalização precoce e
satisfação de reabilitar os pacientes renais crônicos no conforto do
lar. Entretanto, melhores estudos devem ser realizados para
avaliar a qualidade de vida e sobrevida desses pacientes.
TLP: 030
Hemodiálise frequente: 4 vezes por semana x 3 vezes por
semana. Melhor adequação dialítica?
Autor(es): Túlio Coelho Carvalho, Alexandra, Cassiano Augusto
Braga Silva, Raphael Pereira Paschoalin, Jose Andrade Moura
Junior, Isabel Cristina de Moraes Santos Sento-Sé, Nathália
Pereira Paschoalin
Clínica Senhor do Bonfim
Introdução: A Doença Renal Crônica (DRC) constitui-se num
problema de saúde pública de grande magnitude por sua elevada
prevalência e por associar-se a alta morbidade e mortalidade. O
tratamento convencional de hemodiálise (HD) realizado três vezes
por semana, pode manter vidas por muitos anos, mas
frequentemente está associado com resultados clínicos abaixo do
ideal e reduzida qualidade de vida. Nos últimos anos o aumento da
frequência das sessões de HD tem demonstrado redução de
hipertrofia do ventrículo esquerdo, da pressão arterial sistêmica ,
melhora do metabolismo mineral ósseo e da qualidade de vida dos
pacientes. Objetivo: Identificar melhor controle de Cálcio (Ca),
Fósforo (PO4) e PTH com menor número de anti hipertensivos em
pacientes realizando HD frequente. Metodologia: Oferecido aos
pacientes em uma clinica de HD no interior do estado da Bahia o
aumento da frequência das sessões dialíticas para 4 sessões
semanais com o tempo prescrito conforme KTV semanal maior
que 3,9. Após um período de 6 meses de acompanhamento foi
comparado o perfil de Ca, PO4, PTH e número de antihipertensivos dos pacientes com 4 sessões de HD com pacientes
com 3 sessões semanais de HD e CAPD. Foi comparado também
o perfil do Ca, PO4 e PTH dos paciente com 4 sessões de HD no
período pré e pós o aumento da frequência dialítica. Resultados:
Observou-se um maior número de pacientes dentro do faixa
terapêutica conforme o KDIGO de PO4 e PTH nos pacientes
realizando 4 sessões de HD por semana (70% x 42%, 83% x 40%)
e com um menor número de anti-hipertensivo (1,7 x 1.9) em
relação a 3 sessões semanais. Foi identificado um melhor controle
de Ca, PO4 e PTH após a introdução da quarta sessão de HD e
acompanhamento por 6 meses. Não houve diferença no perfil de
Ca, PO4 e PTH nos pacientes realizando 4 sessões de HD e
CAPD. Conclusões: O aumento da frequência das sessões
dialíticas, realizando a adequação com KTV semanal vem
apresentando melhores resultados no controle do metabolismo
mineral ósseo com um possível impacto na mortalidade dos
pacientes em terapia renal substitutiva.
TLP: 031
Expressão dos receptores TLR-2 e TLR-4 em leucócitos de
pacientes em tratamento de Hemodialise
Autor(es): Caren Cristina Grabulosa, Jose Tarcisio Giffoni de
Carvalho, Silvia Regina Manfredi, Maria Eugenia Canziani,
Beata Marie Redublo Quinto, Aline Trevisan Peres, Marcelo
Costa Batista, Miguel Cendoroglo, Maria Aparecida Dalboni
Universidade Federal de São Paulo
Introdução: Os Receptores Toll like (TLRs) são receptores
importantes envolvidos nos mecanismos de inicialização da
resposta inflamatória e imunológica frente a insultos infeciosos.
Consequentemente, alterações na expressão e/ou função destes
receptores podem contribuir para aumento da susceptibilidade à
infecções e inflamação. Entretanto, poucos estudos têm sido
conduzidos para avaliação da expressão destes receptores em
pacientes em tratamento de hemodialise. O objetivo do estudo foi
avaliar a expressão do Toll like 2 e 4 em neutrófilo, monócito e
linfócito de pacientes em hemodialise e sua associação com
episódios de infecção.
Métodos: Foram incluídos neste estudo 44 indivíduos saudáveis e
36 pacientes em tratamento de hemodialise. Após a coleta de
sangue, foram analisadas as expressões de TLR 2 e 4 em
neutrófilos, monócitos e linfócitos por citometria de fluxo.
Resultados: Observamos uma expressão significativamente
maior dos TLR2 e 4 em neutrófilos, monocitos e linfocitos de
pacientes em HD comparado ao grupo controle com exceção da
expressão do TLR4 em monócitos, no qual foi menor comparado
ao grupo controle (Neutrofilos - TLR-2: 351±168 vs. 251±79; p <
0.01; TLR-4: 319±266 vs. 202±42; p <0.01); (Monocitos - TLR-2:
430±223 vs. 303±122; p <0.01; TLR-4: 194±153 vs. 296±131;
p=0.03 (Linfocitos - TLR-2: 453±602 vs. 171±52; p <0.01; TLR-4:
398±524 vs. 304±98; p=0.2). Durante 1 (um) ano de seguimento
somente 7 (19.4 %) pacientes em HD apresentaram episodio de
infecção. Embora os pacientes que cursaram com infecção
apresentaram menor expressão de TLR2 e 4 em neutrófilos e
monócitos comparado ao grupo controle,essa diferença não foi
significativa.
Conclusão: Pacientes em HD apresentaram maior expressão de
TLR2 e TLR4 em neutrófilos, maior expressão de TLR2 em
monócitos e linfócitos e menor expressão de TLR4 em monócitos.
É possível que a uremia “per se” tenha efeito modulatório sobre
estes receptores e que a desregulação destes pode ser um dos
mecanismos envolvidos na inflamação e também em pior resposta
a insultos infecciosos comumente observados em pacientes em
HD.
TLP: 032
Análise de uma coorte de idosos incidentes em DP:
características epidemiológicas e influência da modalidade
na sobrevida ao longo do tempo
Autor(es): Marcia Regina Gianotti Franco, Abdula Rashid
Qureshi, Neimar da Silva Fernandes, Jose Carolino Divino-Filho,
Natalia Maria da Silva Fernandes
Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina,
NIEPEN (Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em
Nefrologia) da Universidade Federal de Juiz de Fora e
Fundação IMEPEN; CLINTEC, Karolinska Institutet- Stockholm
– Sweden
INTRODUÇÃO: Com o aumento do número de pacientes idosos
em terapia renal substitutiva é essencial que conheçamos suas
características clínicas assim como a melhor modalidade dialítica
para este grupo. OBJETIVOS: Descrever uma coorte de idosos
incidentes em DP e avaliar a influência da modalidade na
sobrevida ao longo do tempo. MÉTODOS: Coorte prospectiva
multicentrica (Dez/2004-Out/2007) com 2144 pacientes elegíveis;
762 com idade _ 65 anos. Pacientes foram acompanhados até
morte, transferência para hemodiálise, recuperação da função
renal, transplante renal ou perda de seguimento. Os dados
demográficos e clínicos foram avaliados à admissão do paciente
no estudo e descritos como média±desvio padrão, mediana ou
percentagem. Foi realizada uma análise de Cox tempo
dependente, pois o RR não é proporcional ao longo do tempo,
tendo como variável dependente a modalidade dialítica DPA vs
DPAC. RESULTADOS: A média de idade foi 74.6 ±6.7 anos, 52.5%
eram mulheres, 68.9 eram brancos. Considerando
acompanhamento nefrológico pré dialítico, 55.6% o tiveram e
53.7% receberam orientação sobre modalidades dialíticas.
Apenas 23.4% dos pacientes estão em DP por opção.
Considerando-se a renda familiar, 30.9% recebia até 2 salários
mínimos. Em relação à instrução, 58.1% apresentavam ensino
fundamental. A comorbidade mais frequente foi hipertensão
arterial (78%) e diabetes (49.9%) e 47% apresentavam escore de
Davies >=2. Evolução para óbito ocorreu em 31.1% dos pacientes.
Tabela 1- Avaliação do risco de morte de acordo com a modalidade
de diálise, aós ajustes para confundidores (Cox time dependent)
Tempo de seguimento (Referência DPA vs DPAC) HR CI
<
1 8
m e s e s
1 . 1 1
0 . 4 5 - 1 . 4 6
> 1 8
m e s e s
0 . 2 5
0 . 7 3 - 0 . 8 6
CONCLUSÃO:O risco de morte se altera com o tempo em idosos
em DP, de acordo com o tipo de terapia. Até 18 meses não houve
diferença, porém após esse período de tempo, fazer DPA é fator
protetor.
TLP: 033
Impacto do índice de massa corpórea e da variação do peso
na sobrevida de pacientes idosos incidentes em diálise
peritoneal: análise de uma coorte
Autor(es): Marcia Regina Gianotti Franco, Abdul Rashid
Qureshi, Neimar da Silva Fernandes, Jose Carolino Divino-Filho,
Natalia Maria da Silva Fernandes
Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina,
NIEPEN (Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em
Nefrologia) da Universidade Federal de Juiz de Fora e
Fundação IMEPEN; CLINTEC, Karolinska Institutet- Stockholm
– Sweden
INTRODUÇÃO: O impacto do índice de massa corporal (IMC) e da
variação de peso na sobrevida de pacientes idosos em diálise
peritoneal (DP) é controverso. OBJETIVO: Avaliar o impacto do
IMC e variação do peso na sobrevida de pacientes idosos em DP.
MÉTODOS: Coorte multicêntrica prospectiva (dez/2004out/2007), 762 _ 65 anos, 733 com pelo menos duas medidas de
IMC. Pacientes acompanhados até óbito, transferência para
hemodiálise (HD), recuperação da função renal, perda de
acompanhamento ou transplante. Divididos em dois grupos: DP
como primeira terapia (primeiro DP: 333) e aqueles transferidos da
HD (primeiro HD: 400). Realizada comparação entre os dois
grupos (primeiro DP e HD) e, dados sóciodemográficos e clínicos
comparados entre pacientes classificados de acordo com o IMC
pelo ANOVA, Kruskal Wallis ou qui-quadrado. Sobrevida
analisada pela curva de Kaplan Meier e regressão de Cox
ajustada para variáveis confundidoras, além da evolução do peso
corporal durante o acompanhamento. RESULTADOS: Pacientes
com IMC mais elevado eram mais velhos, tinham mais
comorbidades, maiores níveis de pressão arterial e glicemia.
Tabela 1- Análise do impacto do IMC na sobrevida (regressão de
C o x
a j u s t a d a
e
n ã o
a j u s t a d a )
P r i m e i r o
H D
P r i m e i r o
D P
R R
I C
R R
I C
Não Ajustado Desnutrido 1.74 0.99-3.07 1.88 1.00-3.55
Sobrepeso 0.64 0.42-0.98 0.89 0.55-1.43
Obeso 0.67 0.37 -1.19 0.72 0.34-1.53
Ajustado Desnutrido 1.24 0.66-2.33 2.09 1.06-4.1
Sobrepeso 0.70 0.45-1.10 1.02 0.60-1.72
Obeso 0.71 0.33-1 .14 0.76 0.35-1 .68
CONCLUSÕES: Desnutridos apresentaram maior mortalidade no
grupo primeiro DP. Nos dois grupos, aqueles que ganharam peso
no primeiro ano tiveram menor mortalidade.
TLP: 034
Prevalência de uso de medicamentos para DMO-DRC em
pacientes em hemodiálise e diálise peritoneal na
microrregião de Juiz de Fora – MG: um estudo transversal
em 454 pacientes
Autor(es): Rodrigo Reis Abrita, Beatriz dos Santos Pereira,
Natalia Maria da Silva Fernandes
Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina,
NIEPEN (Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em
Nefrologia) da Universidade Federal de Juiz de Fora e
Fundação IMEPEN.
Introdução: O distúrbio mineral ósseo relacionado à doença renal
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
21
crônica (DMO-DRC) apresenta uma alta prevalência e está
associado à morbimortalidade, principalmente cardiovascular
nesta população. Dados sobre abordagem medicamentosa são
escassos em nosso meio. Objetivo: Avaliar a abordagem
medicamentosa em pacientes renais crônicos submetidos à
terapia renal substitutiva (hemodiálise e diálise peritoneal).
Material e métodos: Estudo transversal em 454 pacientes
submetidos a hemodiálise e diálise peritoneal em três centros da
cidade de Juiz de Fora MG, com mais de 3 meses em terapia,
maiores de 18 anos. Foram avaliadas variáveis
sociodemográficas e medicamentos utilizados para DMO-DRC
(através de análise de prontuários com base nos dados de julho de
2013). Realizado análise descritiva dos dados que são
apresentados como média (+desvio padrão), mediana ou
percentagem. Resultados: Foram analisados 454 pacientes,
sendo 55,1% homens, 55% brancos, com média de idade de 58,3
(+14,4) anos. A mediana do tempo em diálise foi de 44 meses (5258). As principais etiologias da DRC foram nefropatia
hipertensiva (31,6%) e doença renal diabética (24,6%). A
comorbidade mais prevalente foi hipertensão arterial (47,6%) e
diabetes mellitus (26,7%). Com relação ao uso de medicamentos
relacionados: carbonato de cálcio (67%), acetato de cálcio (6,6%),
sevelamer (14,5%), alfacalcidol (16,3%), calcitriol oral (5,9%),
calcitriol venoso (28,2%), paricalcitol (0,4%) e cinacalcete (4%).
Conclusão: Há uma baixa utilização de quelante de fósforo não
cálcico, calcimimético e ativador seletivo do receptor de vitamina D
na população estudada, quando comparada aos dados da
literatura internacional.
TLP: 035
Espondilodiscite infecciosa associada a cateter duplo
lúmen em portador de IRC e vasculite: relato de caso
Autor(es): Víctor Mendes Ferreira, Sergio Fabiano Vieira
Ferreira, Giselle Mayara Messias Dias, Alexia Carvalho Freire,
Eduardo Tássio Oliveira Fróes
Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros
Introdução: A espondilodiscite infecciosa (EI) é infecção do disco
intervertebral e das vértebras contíguas, sendo causa rara de
lombalgia no adulto. Afeta mais o sexo masculino (até 5:1) e
predomina entre os 50 e 60 anos (1). É complicação grave e cada
vez mais frequente, embora rara, das infecções do cateter venoso
na hemodiálise (2,3,4). Relato do caso: J. S. A., 63 anos,
masculino, admitido na hemodiálise de Brasília de Minas (MG)
com hipertensão arterial e azotemia, em 03/04/2012. Ao exame:
hipocorado, com edema maleolar bilateral e PA de 130x90mmHg.
Fossa ilíaca direita dolorosa à palpação. Procedeu-se a internação
e hemodiálise (acesso com cateter duplo lúmen Biomedical®).
Exames laboratoriais relevantes: Hb 5,7; Ht 17,9%; VCM 95,7;
HCM 30,5; RDW 14,7%; leucócitos 5.700/mm³; reticulócitos 0,5%;
plaquetas 133.000/mm³; ureia 153mg/dl; creatinina 8,6mg/dl; LDH
244U/L; proteína C reativa 12mg/dl; FAN (nuclear): reagente até
1/80. Urinálise: proteínas (+/4+), Hb (++/4+), hemácias e muco
(+/4+). Ao ultrassom, rins tinham ecogenicidade aumentada.
Evoluiu com piora da função renal, hemoptoicos e fraqueza em
MMII. P-ANCA reagente até 1/320 e biópsia renal firmaram
diagnóstico de poliangeíte microscópica (PM), sendo iniciadas
Metilprednisolona e Ciclofosfamida, com melhora do quadro
pulmonar. Surgiu lombalgia incapacitante irradiada para abdome e
MMII. Ressonância magnética (RM) sugeria EI toracolombar
piogênica. Culturas de cateter e sangue não puderam ser
realizadas. A terapia imunossupressora foi suspensa, sendo
adicionados Vancomicina e Ceftazidima, com perda progressiva
da função renal e mínima resposta clínica. Eletroneuromiografia
revelou polineuropatia sensitivo-motora em MMII, associada a
radiculopatia bilateral em L5. Realizada laminectomia em T11/12 e
L4/5 com drenagem de muita secreção purulenta, em 26/11, com
grande diminuição da dor. Meses depois, retornou lombalgia
intensa e progressiva. Nova RM revelou EI difusa. Reiniciou-se
antibioticoterapia com melhora transitória. Porém, faleceu por
reativação da PM somada a choque séptico associado a
pneumonia. Discussão: O uso de acesso vascular central na
hemodiálise traz risco para infecções como a EI, sendo difícil evitar
a recidiva (1). No caso acima, a imunossupressão causada pela
vasculite e seu tratamento favoreceram a EI, além de terem
contribuído para o desfecho fatal. Atenção deve ser dada, então, à
22
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
confecção precoce de acesso permanente e ao cuidado com o uso
de cateteres duplo lúmen.
TLP: 036
Valor Prognóstico da Presença de Calcificação Vascular
Diagnosticada por Radiografias Convencionais em
Pacientes em Hemodiálise de manutenção: Estudo
PROHEMO
Autor(es): MARIA TEREZA SILVEIRA MARTINS, Cácia Matos
UBIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Introdução: Calcificação vascular (CV) é comum em pacientes no
estágio 5D da doença renal crônica e está associada a alto risco
de morte. Existem evidências que avaliação semi-quantitativa da
CV baseada em radiografia da aorta abdominal se correlaciona
bem com CV avaliada por tomografia computadorizada. Os
objetivos deste estudo foram estimar a prevalência de CV em
pacientes em hemodiálise de manutenção (HDM) em Salvador e
avaliar se CV em radiografias convencionais está associada a
risco de morte. Métodos: Este trabalho integra o Estudo
Prospectivo de Prognóstico de Pacientes em Hemodiálise Crônica
(PROHEMO), iniciado em 2005 em quatro clínicas satélites de
hemodiálise em Salvador, Bahia, Brasil. Todos os pacientes com
idade maior ou igual a 18 anos, em HDM há ao menos 30 dias no
período de janeiro de 2010 a janeiro de 2011, nas clínicas
participantes, foram convidados a participar. O seguimento dos
participantes foi realizado até 31 de dezembro de 2012. CV foi
avaliada em radiografias de mãos, abdômen, quadril e tórax (PA e
perfil). Para avaliar a força da associação entre CV e o risco de
morte, os pacientes foram categorizados em sem CV (escore=0),
um sítio com CV (escore=1), dois sítios com CV (escore=2), e três
ou mais sítios com CV (escore=3), baseado no número de sítios
vasculares calcificados identificados nas radiografias
convencionais. A magnitude da associação entre o escore de CV e
risco de morte foi estimada usando regressão de Cox com três
níveis de ajuste para covariáveis. Para as comparações, P<0,05
foi considerado estatisticamente significante. Resultados: A
prevalência media de CV na população estudada (N=211) foi de
54%. CV em aorta abdominal foi independentemente associada
com risco de morte no modelo extensivamente ajustado [Hazard
ratio (HR), 2,84; 95% Intervalo de Confiança (IC), 1,50-5,39].
Escores 1 e 2 de CV comparados com o grupo de referência
(escore 0) foram associados com risco de morte quase três vezes
superior, e o escore 3, a mais de três vezes e meia de risco de
morte comparado ao escore 0. Conclusão: A prevalência de CV
está de acordo com a literatura. Maiores escores de CV foram
associados com maior risco de morte, embora um só sítio de CV
diagnosticado já esteja associado a elevado risco de morte. Estes
achados sugerem que a identificação de CV em radiografias
convencionais ajuda a predizer risco de morte em pacientes em
H
D
M
.
Palavras chave: calcificação vascular, mortalidade, hemodiálise
TLP: 037
PREVALÊNCIA DE OBSTIPAÇÃO INTESTINAL ENTRE
PACIENTES EM HEMODIÁLISE E DIÁLISE PERITONEAL
CONTÍNUA: ESTUDO COMPARATIVO
Autor(es): GEORGIA ALCANTARA ALENCAR MELO, Joselany
Áfio Caetano, Natasha Marques Frota, Diogo Gomes de Melo,
Wellington Lins de Alencar Filho, Juliana Gomes Ramalho de
Oliveira, Manuela Gomes Melo, Lívia Moreira Barros
CLÍNICA DE NEFROLOGIA DE CAJAZEIRAS
Fundamentos: A obstipação intestinal é queixa comum de
pacientes em diálise e pode estar relacionado a diversos fatores,
como alimentação, estado emocional, patológico, físico ou
medicamentoso. Pacientes renais crônicos, geralmente fazem
uso de carbonato de cálcio para a prevenção e tratamento da
hiperfosfatemia, estando este diretamente relacionado à
obstipação. Assim, objetivamos verificar a prevalência da
obstipação intestinal em pacientes em Hemodiálise (HD) e em
Diálise Peritoneal (DP), fazendo um comparativo entre eles; e
relacioná-la ao sexo, idade, uso de quelante de fósforo, laxantes,
atividade física, presença de diabetes e ingesta de líquidos e
fibras. Métodos: através de prontuário e entrevista com 137
pacientes, sendo coletados dados sobre a obstipação e seus
fatores relacionados. Foram comparados grupos de HD e DP e
grupos com e sem constipação. Foi realizada análise de
prevalência nos grupos como um todo e nos subgrupos. A análise
estatística baseou-se em média, desvio padrão e percentis. As
variáveis foram expressas em frequências e percentuais.
Resultados: Dos 98 pacientes avaliados em HD, 48% apresentam
obstipação crônica. Dos 39 pacientes em DP, 22% apresentaram
obstipação. O grupo obstipado em HD era, na grande maioria do
sexo feminino, sedentário, com dieta pobre em fibras e com maior
prevalência de diabetes. Em DP, não houve diferença entre os
grupos. Em relação ao carbonato de cálcio, não houve diferença
entre os grupos obstipados e não obstipados, tanto na HD quanto
na DP. Conclusões: entre os pacientes renais crônicos dialiticos, a
obstipação é o terceiro sintoma mais frequente, perdendo apenas
para fadiga e prurido. Observamos que a obstipação tem alta
prevalência em pacientes submetidos a HD e pouca nos pacientes
submetidos a DP, sendo em numero mais aumentado em
mulheres, na presença do diabetes, no sedentário e naqueles com
baixa ingestão de fibras.
TLP: 038
Educação nutricional em pacientes renais crônicos em
programa de hemodiálise.
Autor(es): Juliane Casas, Ronaldo D'Avila, Cibele I S Rodrigues,
Vinicius Paulon da Costa, Rafael Yuri Sano
Introdução: A Educação Nutricional é importante para pacientes
em hemodiálise, uma vez que pode provocar mudanças
comportamentais, melhorar o estado nutricional e diminuir os
riscos de dietas inadequadas. Objetivos: Criação de um programa
educacional para pacientes em hemodiálise e avaliação dos seus
efeitos: grau de conhecimento prévio e após o programa,
avaliação do programa pelo paciente e das mudanças induzidas
pelo curso. Metodologia: Os efeitos do curso educacional foram
estudados em 27 pacientes em hemodiálise. Antes e após o curso,
os pacientes foram submetidos a inquéritos alimentares e à
entrevistas de avaliações de conhecimento relacionados à
nutrição, que continham 10 questões abertas, sobre aspectos
rotineiros da dieta de pacientes em hemodiálise. Exames
laboratoriais, ganho de peso interdialitico e índice de massa
corporal também foram comparados antes e após o curso. O
programa educacional foi avaliado de maneira qualitativa através
de questionário sobre as impressões dos pacientes e a
importância que eles atribuíram às aulas. Resultados: Os
pacientes demonstraram baixo nível de conhecimento sobre
aspectos básicos de nutrição antes do programa e significativa
melhora de compreensão após o programa (24% de acerto antes
vs 60% após o programa; p< 0,001). Os aspectos mais conhecidos
previamente eram relativos ao aporte de líquidos e ganho de peso
interdialítico e o pior desempenho avaliativo inicial foi nas
questões nutricionais referentes ao potássio, proteínas, cálcio e
fósforo. Os inquéritos alimentares mostraram-se similares nos
dois momentos assim como os exames laboratoriais e o ganho de
peso interdialitico. A avaliação qualitativa demonstrou satisfação
dos pacientes com o curso. Conclusões: O curso melhorou de
forma significativa o nível de compreensão dos pacientes sobre os
aspectos nutricionais, foi bem avaliado por eles, mas não induziu a
mudanças significativas no comportamento alimentar e nos
exames laboratoriais. É possível que alterações nos hábitos
alimentares e alterações laboratoriais demandem maior tempo de
observação.
TLP: 039
Água corporal pré-hemodiálise e depressão
Autor(es): Graziele Cristina Palancio Morais, Patrícia de Oliveira
Castro, Fernando Basílio Marcelo, Luciana Neiva Miranda,
Renata de Cássia Zen, Luiz Gustavo Coelho Catelani, Maria
Helena Caetano Frano, Luiz Antonio Miorin
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Introdução: O ganho de peso interdialítico tem importante papel na
morbidade e mortalidade cardiovascular dos pacientes em
hemodiálise. É fundamental a adesão à dieta restrita em sal e
líquidos, a fim de controlar o ganho excessivo de peso. A não
adesão pode estar relacionada à depressão, um transtorno
comum nesses pacientes que estão sujeitos a conhecidos fatores
limitantes de uma qualidade de vida normal.
Objetivo: Estudar a água corporal total de pacientes em programa
de hemodiálise antes do tratamento e correlacionar esse
parâmetro com quadro depressivo.
Métodos: Trinta e dois pacientes foram estudados, após
consentimento informado e aprovação do comitê de ética em
pesquisa da Instituição, através da medida da água corporal total
pré-hemodiálise por bioimpedância. Esses valores foram
correlacionados com o resultado de questionário de escore
depressivo, utilizando-se do inventário de Beck como medida.
Resultados: Dezessete (53%) dos pacientes eram do sexo
feminino e 15 (47%) do sexo masculino. A idade foi 48,3 + 15,8
anos, e as etiologias da doença renal crônica estágio dialítico
foram: 46% Glomerulonefrite Crônica, 25% Hipertensão Arterial,
18% Diabetes e 11% outros diagnósticos. O resultado do
Inventário de Beck foi em média 11,87 + 7,9, e a água corporal total
pré-hemodiálise foi de 35,44 + 7,2 litros. Esses parâmetros se
correlacionaram com r = 0,389, p = 0,028.
Figura 1. Inventário de Beck vs. Água corporal pré-HD
Conclusão: O ganho de peso interdialítico tem relação com quadro
depressivo e esse fato deve ser levado em conta na orientação e
abordagem desses pacientes.
TLP: 040
PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM HEMODIÁLISE:
INTERCORRÊNCIAS INTRADIALÍTICAS
Autor(es): KATHIA LILIANE DA CUNHA RIBEIRO ZUNTINI,
RENATA PEREIRA DE MELO ARAÚJO, JULIANY KELLY
MORENO, WEDISLEYK PONTES PEREIRA DA SILVA,
GLENDA MARIA FURTADO UCHOA, OSWALDO AUGUSTO
GUTIERREZ ADRIANZEN, ALINE LOPES DE PONTES,
FRANCY MERCEZ PINTO
INSTITUTO DO RIM
INTRODUÇÃO: A Hemodiálise é uma das Terapias Renais
Rubstitutivas indicada para Insuficiência Renal Crônica ou Aguda.
Segundo Daurgirdas as complicações mais comuns durante a
hemodiálise são, em ordem decrescente de frequência,
hipotensão (20-30% das diálises), cãibras (5-20%), náuseas e
vômitos (5-15%), cefaleia (5%). Tendo em vista as inúmeras
intercorrências que podem vir a acometer o paciente neste tipo de
tratamento torna-se relevante a busca pela identificação das
principais intercorrências que acontecem no período intradialítico,
com objetivo de melhor planejar a assistencia a esses pacientes.
METÓDOS: Estudo do tipo descritivo, prospectivo com
abordagem quantitativa. Realizado em uma clínica de hemodiálise
localizada em Fortaleza-CE no período de Janeiro á Dezembro de
2013. A coleta de dados foi executada através de um instrumento
construído identificando as intercorrências e em seguida anexado
a folha de sala dos pacientes em tratamento de hemodiálise
durante todos os meses de 2013 para preenchimento das
intercorrências por sessão de diálise. A análise dos dados ocorreu
pela contabilização em percentual das principais intercorrências,
verificadas mensalmente e utilizando como critério de exclusão a
falta de identificação. RESULTADOS: A relação percentual da
amostra em todo o ano de 2013, obtida através das intercorrências
registradas em 1.428 instrumentos com o total de 23.202 sessões
de diálise demostrou ausência em todo o ano de ocorrências como
embolia gasosa, e a maior incidência nas seguintes em ordem
decrescente de frequência: cefaleia 4,18%, crise hipertensiva
3,37%, mal estar indefinido 3,26%, cãibras 2,4%, hipotensão
sintomática 1,87%, dor 1,65% e vômito 0,51%.
CONCLUSÕES: Comparando os dados obtidos com os
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
23
evidenciados por Daugirdas que mostra a hipotensão como a
complicação de maior incidência. Concluímos que há diferenças
entre os dados coletados com os citados na literatura. Nosso
estudo mostra que a intercorrência de maior incidência é a cefaleia
em concordância com Moraes (2011), seguida de crise
hipertensiva e mal estar indefinido. Tornando-se necessário
através de estudos detalhados, uma maior atenção á cefaleia e ao
mal estar indefinido buscando diagnosticar as causas, assim como
a necessidade de um trabalho interdisciplinar com o enfoque na
adesão dos pacientes ao tratamento anti-hipertensivo, reduzindo
dessa forma os riscos de comorbidades. Visando uma melhor
assistência multiprofissional, individualizado e humanizado.
TLP: 041
Tratamento Endovascular de Acessos para Hemodiálise
Autor(es): Ana Elisa Souza Jorge, Gerson Marques Pereira
Junior, Antonio Carlos Mansur Bedeti, André de Sousa
Alvarenga, Carlos Rafael de Almeida Felipe, Isabela Medeiros
Heringer Pereira, Rafaelle Cristine Batista de Oliveira, Vinicius
Gonçalves Loureiro, Marcelo Viana dos Santos, Soraia Cristina
Cantini
Santa Casa de Belo Horizonte
Introdução: A disfunção de acessos vasculares é uma das
principais causas de morbimortalidade em pacientes dialíticos. A
abordagem endovascular é o tratamento de escolha em muitos
casos, proporcionando maior longevidade dos acessos
vasculares definitivos, reduzindo a necessidade de cateteres de
hemodiálise e de intervenções cirúrgicas mais complexas.
Métodos: Trata-se de série de casos em que se descrevem os
resultados de 20 pacientes submetidos a procedimento
endovascular diagnóstico e terapêutico, devido à disfunção de
fístula arteriovenosa para hemodiálise, no período de outubro de
2013 a maio de 2014.
Resultados: A média de idade dos pacientes tratados foi de 57,2
anos, com tempo médio de diálise de 8,1 anos, sendo 45% do sexo
feminino, 45% diabéticos e 85% hipertensos. O índice de massa
corpóreo médio foi de 25,9 kg/m². Até a data da realização do
procedimento, cada paciente havia perdido em média 2,4 acessos
vasculares.
Foram realizadas 23 angioplastias: 03 em decorrência de
trombose de corpo da fístula; 12 por estenose (sendo 06
estenoses de anastomose e 06 com estenose de corpo da fístula);
05 pacientes com estenose de veia subclávia com edema do
membro superior ipsilateral. Houve necessidade de reintervenção
em 03 pacientes em decorrência de reestenose.
Sucesso foi obtido em 85% dos casos, com utilização da fistula
para realização de hemodiálise, sem necessidade de implante de
cateter. Sangramento de maior monta ocorreu em apenas um
paciente, submetido à trombólise com alteplase.
Durante o seguimento médio de 100 dias, a patência foi de 80%
(um paciente faleceu de causa não relacionada à intervenção).
Conclusão: Neste estudo, o tratamento endovascular mostrou-se
seguro, eficaz e de grande importância no reestabelecimento da
funcionalidade de fístulas arterio-venosas, apresentado bons
resultados a curto e médio prazo.
TLP: 042
PERITONITE PELO FUSARIUM EM PACIENTES EM DIALISE
PEITONEAL
Autor(es): José Carvalho de Oliveira, Dandara Almeida Reis da
Silva, Oriana Maria Mattos e Silva Brandão, Luiz José Cardoso
Pereira, Reinaldo Martinelli.
Universidade Federal da Bahia
Introdução: A Diálise Peritoneal é uma opção importante no
tratamento da doença renal crônica, estágio 5 d. Entretanto,
peritonite é uma importante causa de hospitalização nos pacientes
em CAPD. A maioria dos episódios de peritonite é de origem
bacteriana. Os fungos são responsáveis por 2 a 10% dos casos de
24
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
peritonite, porém a sua incidência tem aumentado, e está
associada à descontinuação do procedimento e a alta
morbimortalidade. Cândida albicans responsável pela maioria dos
episódios de peritonites fúngicas, porém, nos últimos anos, as
espécies não-albicans têm se tornado frequente.
Peritonite por fungo do gênero Fusarium é incomum e está
associada à elevada mortalidade. Fusarium sp. são encontrados
no solo e na água e, eventualmente, infectam vegetais e o homem.
Em adição a sua patogenicidade, o fungo invade o tecido
circunvizinho e é relativamente resistente aos agentes
antifúngicos.
Objetivo: Relato de caso e Revisão da Literatura.
Relato do Caso: paciente do sexo feminino, 26 anos de idade, com
o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico e nefrite lúpica
classe IV, em atividade, com perda rápida da função renal. Foi
iniciada a pulsoterapia com metilprednisolona e ciclofosfamida,
porém a paciente necessitou de tratamento dialítico (peritoneal),
tendo desenvolvido peritonite pelo Fusarium. A resposta
terapêutica ao voriconazol, seguido por anfotericina B lipossomal,
e a retirada do cateter peritoneal foi muito boa. Durante esse
período foi mantida em hemodiálise. A paciente evoluiu com
melhora da função renal, não mais requerendo tratamento
dialítico. Desde então está em acompanhamento ambulatorial e
em tratamento conservador.
Conclusão: Ainda que incomum e relacionada à alta mortalidade,
a identificação precoce e tratamento antifúngico apropriado
(voriconazol e/ou anfotericina B) se associa a considerável
melhora do prognóstico dos pacientes infectados pelo Funsarium
sp.
TLP: 043
Avaliação da procedência dos pacientes em diálise
peritoneal em uma unidade renal em Joinville-SC.
Autor(es): claudete gasparin, Flora Braga Vaz, Jacemir
Samerdak, Silvane Sebben, Paulo Cicogna, Marcos Alexandre
Vieira, Hercilio luz filho
Fundação Pro Rim
Introdução:
A diálise peritoneal (DP) é uma opção de tratamento para
pacientes diagnosticados no estádio 5 de doença renal crônica
segundo classificação do KDIGO1. Essa alternativa de tratamento
vem tendo aumento crescente nos últimos anos no Brasil, além de
proporcionar vantagens ao paciente como mobilidade, maior
independência e menor restrição dietética quando comparado à
hemodiálise. O objetivo do trabalho foi analisar o número de
pacientes que iniciaram diálise peritoneal entre 2011 e 2013. Além
disso, foi avaliada a indicação de diálise peritoneal como terapia
dialítica primária, ou seja, para paciente sem histórico de
tratamento dialítico prévio ou proveniente de hemodiálise ou
transplante renal.
Métodos:
Foram coletados dados do prontuário eletrônico entre os anos de
2011 e 2013 e analisada procedência do paciente seja por
tratamento prévio como transplante renal (TX RENAL), falta de
acesso vascular para hemodiálise ou escolha como forma inicial
de terapia para o paciente em tratamento conservador.
Resultados: A análise dos dados demonstrou um incremento de
50% de pacientes em 2013 quando comparado ao ano de 2011
quando se tinha 24 pacientes e 2012 com 35 pacientes. Além
disso, foi observado que a principal indicação de DP foi falta de
acesso vascular para hemodiálise com 40% do total de pacientes
indicados nesse período pra esta modalidade de tratamento
quando comparado às demais indicações. Pode- se notar que ao
longo dos anos houve um aumento de pacientes em tratamento
conservador que iniciaram diálise peritoneal como opção primária
onde do total de 116 pacientes, 08 iniciaram tratamento em 2011,
10 iniciaram em 2012 e 11 pacientes iniciaram em 2013.
Avaliamos ainda que o número de pacientes provenientes do
transplante foi o menor no grupo tendo entrada de 08 pacientes
nos últimos 03 anos.
Conclusão:
O ano de 2013 teve um maior número de pacientes em diálise
peritoneal quando comparado a 2011 e 2012, bem como a
procedência de pacientes foi maior por dificuldade de acesso
vascular para hemodiálise ao longo dos anos. Além disso, houve
maior indicação de DP para pacientes em tratamento conservador.
Ao longo dos anos foi reestruturada a unidade de diálise peritoneal
, com equipe multidisciplinar dedicada aos pacientes nesta
modalidade de tratamento e treinamento em educação continuada
e implante de cateter peritoneal. Isto sugere que uma equipe
voltada para diálise peritoneal promove o crescimento do serviço,
além de aumentar a indicaç
TLP: 044
INFLUÊNCIA DA FUNÇÃO RENAL RESIDUAL, PERFIL DE
TRANSPORTE PERITONEAL E MODALIDADE DE INÍCIO DE
TERAPIA NA SOBREVIDA EM DIÁLISE PERITONEAL
Autor(es): Cláudia Ribeiro, Pedro Augusto Macedo de Souza,
Priscilla Rossi de Lima, Mariana Regina Pinto Pereira,
Alessandra Marie Braga
Santa Casa de Belo Horizonte
INTRODUÇÃO
Estudos enfatizam a importância da função renal residual (FRR)
na diálise peritoneal (DP) e na hemodiálise (HD). Frequentemente
os pacientes transitam entre as terapias podendo ter evolução
diferente dos que permanecem na mesma modalidade.
OBJETIVOS
Verificar a associação do perfil de transporte peritoneal (PET) e da
FRR com a mortalidade de pacientes em DP bem como a
sobrevida da técnica, comparando pacientes de acordo com a
modalidade inicial de terapia renal substitutiva (TRS): se iniciou
por DP ou egresso da HD.
MATERIAL E MÉTODOS
Estudo de coorte de pacientes em DP de Maio de 2008 a Janeiro
de 2014. Foram analisados: sexo, idade, tempo em diálise, origem
– DP ou HD – Diabetes Mellitus (DM), óbito e drop out censurado
por óbito, transplante e recuperação da função renal, Teste de
Equilíbrio Peritoneal (PET) e FRR. Usou-se o teste t para variáveis
de distribuição normal, Mann-Whitney para não normal e quiquadrado para categoricas. Técnica de Kaplan-Meier e log-rank
foram utilizados para sobrevida.
RESULTADOS
Foram avaliados 155 pacientes sendo que 95 tiveram como
primeiro tratamento a DP (grupo DP) e 60 vieram da HD (grupo
HD). O tempo médio em TRS foi de 38 meses e em DP foi de 25
meses. A principal causa de DRC foi Nefropatia Diabética (DM)
(61) seguida de doença cardiovascular (24) sem diferença entre os
grupos. No grupo HD o tempo de TRS foi significativamente maior
(p<0,001). Não houve diferença entre entre os grupos quanto ao
sexo, idade, presença de DM, drop out por peritonite ou óbito.
A sobrevida em 1 e 2 anos, do grupo DP foi de 91 % e 81% e no
grupo HD foi de 84% e 69 % . (p=0,028) mas a sobrevida da técnica
não foi diferente. A sobrevida dos pacientes com e sem FRR foi a
mesma e a sobrevida da técnica foi maior nos pacientes com FRR
(88% e 77% versus 73% e 59% com 1 e 2 anos, respectivamente,
p=0,01). Mais pacientes no grupo DP tinham FRR (p < 0,001). A
sobrevida dos pacientes e da técnica de acordo com o PET alto x
baixo foi igual nos dois grupos. O KtV peritoneal foi maior no grupo
HD mas o grupo DP teve maior KtV total (p<0,05).
CONCLUSÃO
Neste estudo a sobrevida da técnica correlacionou diretamente
com a FRR, sem diferença na sobrevida dos pacientes. Iniciar a
TRS em DP teve correlação positiva com a sobrevida dos
pacientes mas não com a sobrevida da técnica. Não houve
correlação do perfil de transporte peritoneal com a sobrevida.
TLP: 045
IMPACTO DE UM PROGRAMA INTENSIVO DE
RETREINAMENTOS NA INCIDÊNCIA DE PERITONITES EM
PACIENTES EM DIÁLISE PERITONEAL
Autor(es): Priscilla Rossi de Lima, Mariana Regina Pinto Pereira,
Alessandra Marie Braga, Pedro Augusto Macedo de Souza,
Cláudia Ribeiro
Santa Casa de Belo Horizonte
INTRODUÇÃO: O número de pacientes que necessitam de
terapia renal substitutiva) tem aumentado. A Diálise Peritoneal
(DP) pode oferecer ao paciente melhor qualidade de vida e
sobrevida. O sucesso da terapia depende da eficácia do
treinamento ministrado pela enfermagem proporcionando
segurança ao paciente e evitando complicações como a
peritonite, principal causa de drop out.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 2008 a 2014, comparando a
incidência de peritonite em um grupo tradicional que realizou
retreinamento da técnica anualmente e outro que realizou um
programa de reciclagem intensivo com 1, 3, 6 meses e 1 ano de
DP. Neste estudo, os dados foram coletados em um período de 6
anos. Os retreinamentos anuais eram realizados até 2012 e a
partir de 2013 foi instituído o programa de intensificação nos novos
admitidos. Para variaveis de distribuição não normal usou-se o
teste Mann-Whitney e o teste de qui-quadrado para categoricas.
RESULTADOS: Comparando-se o grupo submetido ao programa
intensivo com o grupo tradicional não verificamos diferença
quanto ao sexo ou idade dos pacientes. O tempo em TRS e em DP
foi maior no grupo tradicional, o que é de se esperar já que o novo
programa foi adotado recentemente. Quando se avalia a
quantidade de pacientes que têm seu tratamento realizado por
cuidadores, não houve diferença significativa (p=0,89) entre os
grupos. O grupo que participou do programa intensivo teve quatro
óbitos (7,8%) e o grupo tradicional 40 óbitos (34%), sendo esta
diferença estatisticamente significativa (p=0,01). O número de
episódios de peritonite também foi significativamente menor no
grupo do programa intensivo (p=0,005), sendo a média de
episódios por paciente no período de 0,43 e, no grupo tradicional,
1,02. Porém o tempo livre de peritonite foi maior no grupo
tradicional (10,4 meses x 4,9 meses, p=0,02).
CONCLUSÕES: A intensificação dos retreinamentos tem sido
uma estratégia para reduzir o número e aumentar o tempo livre de
peritonite. A equipe da enfermagem é protagonista em
proporcionar a segurança do tratamento e consequentemente
melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Para alcançarmos
uma terapia bem sucedida é necessário manter o paciente livre de
infecção o maior tempo possível. Não foi encontrado na literatura
estudos demonstrando resultados após intensificação de
retreinamentos. Piraino et al (2011) sugeriu a realização de
estudos controlados para retreinamento e reavaliação da técnica
TLP: 046
Impacto da Assistência Nutricional em Hemodiálise
Autor(es): Adriana Bergamini Quieregatto do Espirito Santo,
Nestor Schor, Sandra Maria Rodrigues Laranja
Universidade Federal de São Paulo / Hospital Beneficente de
Senhoras Sírio-Libanês
Introdução: A intervenção nutricional precoce e a adequada
assistência clínica são fundamentais para redução da morbidade
e melhoria da qualidade de vida em hemodiálise. Objetivo: Avaliar
o impacto do acompanhamento nutricional em hemodiálise.
Métodos: Trata-se de uma Coorte Prospectiva aplicada em três
Centros de Diálise: um deles em um Hospital Privado e os outros
representados por duas Clínicas de Nefrologia e Diálise
conveniadas com o Sistema Único de Saúde e com planos
privados de saúde. Um total de 56 pacientes (19 mulheres e 37
homens) foi acompanhado por 12 meses. A amostra dividiu-se em
grupo 01 (31 pacientes em assistência nutricional integral: com
presença do nutricionista durante a sessão de hemodiálise) e
grupo 02 (25 pacientes em assistência nutricional parcial: com
necessidade de agendamento para o atendimento). Os pacientes
foram avaliados no 3° e no 15° mês de hemodiálise. Instrumentos:
exames bioquímicos, SF-36, escore de inflamação e desnutrição,
critério de classificação econômica da Associação Nacional de
Empresas e Pesquisa. Estatística: utilizou-se media ± desvio
padrão, mediana, Qui-quadrado ou teste exato de Fisher, MannWhitney, teste t-Student, correlação de Pearson, ANOVA e
comparações múltiplas de Tukey. Nível de significância: p < 0,05.
Resultados: Concluíram o estudo 41 pacientes devido a: 04
óbitos, 04 transplantes renais, 06 transferências e 01 saída
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
25
voluntária. O grupo 1 apresentou maior idade mediana (p: 0,014).
O grupo 2, embora mais jovem, teve um maior número de
comorbidades associadas (68%). O grupo 2 e os portadores de
cateter permanente tiveram maior mediana de internações anuais
(5 e 6 dias: p: 0,028 e 0,035, respectivamente). No grupo 2
predominaram as classes sociais C, D e E (60%), e no grupo 1 as
classes A e B (58%). O escore de inflamação e desnutrição
correlacionou-se negativamente com a albumina (r= -0,632, p:
0,000) e com os domínios do SF-36: capacidade funcional (r= 0,433, p: 0,001), aspectos físicos (r= -0,393, p: 0,003), estado
geral de saúde (r= -0,412, p: 0,002), vitalidade (r= -0,338, p: 0,011),
aspectos sociais (r= -0,361, p: 0,006), aspectos emocionais (r= 0,278, p: 0,038), saúde mental (r= -0,313, p: 0,019), e
positivamente com a proteína C-reativa (r= 0,479, p: 0,000).
Conclusão: A assistência nutricional integral pode influenciar
positivamente, reduzindo a morbidade, controlando desvios
nutricionais e melhorando a qualidade de vida em hemodiálise.
TLP: 047
Material Lúdico para educação nutricional de pacientes
submetidos à hemodiálise
Autor(es): Marcia Oliva Alves, Natália Lucena dos Santos,
Gladys de Jesus Matta
ART- Assistência Renal Total
INTRODUÇÃO: O controle alimentar é extremamente importante
no tratamento dialítico. O sucesso do tratamento depende da
compreensão, motivação e determinação dos pacientes às
modificações dietéticas e ao tratamento medicamentoso. A
utilização de materiais lúdicos e atividades em grupos é uma
estratégia atraente e descontraída de orientar, reforçar e,
principalmente, motivar os pacientes a compreenderem o
tratamento e melhorarem a adesão ao mesmo. Pensando na
melhoria do tratamento dialítico dos pacientes, a equipe
multiprofissional da Clínica de Hemodiálise ART Renal localizada
no Estado do Rio de Janeiro, elaborou o projeto denominado
“Bingo Saúde”. OBJETIVO: observar o impacto de um programa
de educação nutricional sobre os conhecimentos a respeito da
alimentação de pacientes submetidos à hemodiálise (HD).
MÉTODOS: O estudo incluiu 72 pacientes que estavam em
programa crônico de HD, três vezes na semana e cinco pacientes
que estavam em HD diária, durante o período de fevereiro a março
de 2014 . Para o “Bingo Saúde” foram elaboradas, por uma
nutricionista, cartelas com alimentos ou itens importantes para a
dieta e o auto cuidado, no lugar de números. Para cada item
sorteado foi elaborada uma breve explicação sobre os benefícios
ou limitações, do mesmo, na alimentação e no auto cuidado. Após
7 dias foi realizado um questionário de avaliação de reação, por
uma psicóloga treinada. RESULTADOS: Os resultados do
presente estudo indicam que o programa educacional aplicado
teve um impacto importante no conhecimento dos pacientes a
respeito dos vários aspectos relacionados às informações
nutricionais relevantes ao tratamento e a adesão medicamentosa
e dietoterápica. CONCLUSÃO: Segundo informações colhidas
com os participantes, conclui-se que este trabalho tem ajudado
muito no enfrentamento das dificuldades com a doença renal
crônica e tem proporcionado momentos de alegria e descontração
durante o período do tratamento. Essa experiência demonstra a
importância do desenvolvimento do vínculo com o paciente, da
humanização como articuladora no processo de cuidar.
TLP: 048
EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO COM COLECALCIFEROL
SOBRE A EXPRESSÃO INTRACELULAR DE IL-6, IFN-y ,
TLR-7 E TLR-9 EM LINFÓCITOS B E T EM PACIENTES EM
HEMODIÁLISE (HD)
Autor(es): CARVALHO, JT, MEIRELES, M. S, CUPPARI, L,
GRABULOSA, CC, CANZIANI, ME, QUINTO, BMR, BATISTA,
MC, CENDOROGLO, M, DALBONI, MA.
UNIFERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
26
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
Introdução: Nos últimos anos, estudos epidemiológicos
observaram associação entre hipovitaminose D com maior
prevalência em infecções, inflamação, doenças cardiovasculares
(DCV) e mortalidade em pacientes com doença renal crônica
(DRC). Recentemente descobriu-se que, células do sistema
imune expressam receptores de vitamina D (VDR) e enzimas
envolvidas no seu metabolismo. Há relatos na literatura
demonstrando efeito da vitamina D sobre monócitos, inibindo a
síntese de citocinas pró-inflamatórias estimuladas por Toll-Like
receptors, porém pouco se sabe sobre o papel da vitamina D em
linfócitos B na uremia. O objetivo do presente estudo foi avaliar o
efeito da suplementação com colecalciferol sobre a detecção
intracelular de VDR, CYP27, CYP24, TLR-7, TLR-9, IL-6 e IFN-y
em linfócitos B e T em pacientes em Hemodiálise (HD). Métodos:
Este é um estudo de seguimento (3 meses), randomizado e
controlado por placebo. Foram incluídos 24 pacientes em
Hemodiálise (HD) que apresentaram hipovitaminose D
(_20ng/mL), desses pacientes, 12 receberam a suplementação
com colecalciferol e 12 receberam solução placebo. Pacientes
que apresentaram processos infecciosos ou inflamatórios
crônicos, ou em uso de análogos da vitamina D foram excluídos.
Níveis séricos de 25(OH)D foram determinados por
quimioluminescência. Foi avaliada a detecção intracelular do
receptor de vitamina D, das enzimas 1_-hidroxilase (CYP27) e
CYP 24 hidroxilase, interleucina-6 (IL-6), interferon gamma (IFNy), TLR 7, TLR 9 em linfócitos B e T através de citometria de fluxo.
Resultados: Observamos que a concentração sérica de 25(OH)D
aumentou de 12,62 ± 3,62 para 38,00 ± 7,40 ng/mL no grupo
colecalciferol e não se modificou no grupo placebo (14,43 ± 3,32
para 14,50 ± 5,80 ng/mL). Foi observada redução na expressão de
IFN-y, TLR-9 e TLR-7 no grupo colecalciferol quando comparado
ao grupo placebo, em linfócitos B e linfócitos T. Não observamos
diferenças na expressão de IL-6 e VDR. Conclusões: Nossos
resultados mostraram que o colecalciferol inibiu a expressão de
TLR-7 e TLR-9 em linfócitos B e T e reduziu a síntese de IFN-y em
pacientes com DRC em HD. Entretanto, o desenho e o tamanho
amostral deste estudo não permite concluir
TLP: 049
Implementação do Processo de Acesso Vascular em um
Centro de Hemodiálise
Autor(es): Rodrigo Enokibara Beltrame, Marcos Rodrigues
Alves, Lia Conrado, Leandro Junior Lucca, Cesar Augusto
Favero
IBENE Instituto Bebedouro de Nefrologia
As principais formas de acesso vascular para hemodiálise (HD)
são as Fístulas Arteriovenosas nativas (FAV), as próteses
vasculares e os Cateteres de Duplo Lúmem de curta permanencia
(CCP) e de longa permanencia (CLP). As FAV são preferidas como
acessos permanentes devido maior patência, menor morbidade e
mortalidade. A National Kidney Foundation Kidney Disease
Quality Outcomes (NKF-NDOQI) sugere uma meta de prevalência
de 65% de FAV. Objetivos: Este estudo tem como objetivo
demonstrar a importância da implantação de um processo de
desenvolvimento de acesso vascular definitivo para pacientes
com IRC atendidos no IBENE no período de 2005 a 2013.
Materiais e Métodos: Após definido o protocolo de acesso vascular
para HD abrangendo a participação integrada da equipe de
Enfermagem Especializada em Nefrologia, Médico Nefrologista e
Cirurgião Vascular, iniciou-se um estudo prospectivo
observacional, tipo coorte, cujos critérios de inclusão foram
pacientes atendidos e diagnosticados com IRC estágio 4 e 5 que
necessitavam de implante de acesso vascular para HD. O
procedimento cirúrgico foi realizado com o Nefrologista como
auxiliar. Resultados: Foram avaliados 1204 pacientes, sendo
realizados 323 implantes de CCP (27.64%), 310 implantes de CLP
(26,31%) e confeccionadas 571 FAV (46,05%). Após a
implementação do protocolo de acesso vascular a prevalência de
FAV foi de 92,7% em pacientes com IRC estagio 5D; houve um
aumento significativo no implante de CLP e FAV em relação ao
número de CCP (p<0,01). Conclusão: É primordial a
implementação de um protocolo multidisciplinar integrado e do
nefrologista participativo na confecção do acesso definitivo para
hemodiálise, promovendo assim, consequente diminuição do
número de complicações e melhoria continua do serviço de terapia
renal substitutiva.
TLP: 050
Comparação dos resultados de peritonite com cultura
negativa em liquido peritoneal antes e depois da
implementação da técnica automatizada de hemocultura.
Autor(es): Roberta Monteiro Katzap, Vany Elisa Pagnussatti,
Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo, Adriana Conti, Jaqueline
Antonio Pacheco, Carlos Eduardo Poli de Figueiredo, Bartira
Ercília Pinheiro da Costa
Programa de Pós-Graduação em Medicina e Ciências da Saúde
(Nefrologia), FAMED e Hospital São Lucas. Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS.
Introdução
As peritonites, assim como as infecções relacionadas com o
cateter, ainda mantêm-se como ponto fraco, constituindo a causa
mais frequente de morbidade e de falência do método. Todavia, a
incidência de infecções peritoneais por germes Gram-negativos
permanece estável, enquanto sua proporção tem aumentado em
relação aos Gram-positivos (GP). A característica do agente
causal é importante determinante do tratamento e da evolução
clínica. A diretriz International Society for Peritoneal Dialysis de
2010 preconiza que a cultura de líquido peritoneal seja inoculada
em frasco de hemocultura, com o intuito de diminuir os casos de
negatividade. O objetivo deste estudo é comparar os resultados de
cultura negativa em liquido peritoneal antes e depois da utilização
da metodologia automatizada de hemocultura.
Métodos
Estudo Transversal retrospectivo. Esta pesquisa foi realizada no
Serviço de Hemodiálise, e as culturas foram realizadas ño Setor de
Microbiologia de um Hospital Terciário. De 1984 a 1997, a
metodologia utilizada para análise de líquido peritoneal eram
meios de ágar saboraud, ágar sangue, tioglicolato e Trypticase
Soy Broth. A partir de 1998, o aparelho automatizado de
hemoculturas foi implantado no laboratório, e desde então ambas
metodologias passaram a ser realizadas. Os dados foram obtidos
no banco de dados de diálise peritoneal baseado na folha de
controle de peritonites do serviço, referente ao período 1984-1988
e 1993-2012, foi utilizada estatística descritiva e qui-quadrado
para a comparação entre os períodos.
Resultados
No período 1984 a 1997 ocorreram 154 casos de peritonites,
oriundos de 113 pacientes com uma idade média de 44 anos,
sendo 10,4% (n=16) culturas negativas. Das 89,6% culturas
positivas, 63,8% foram GP, sendo 29,7% Staphylococcus
epidermidis. Dos 383 casos de peritonites no período 1993 a 2012,
19% (n=73) foram culturas negativas (p=0,015), correspondente
de 312 pacientes com idade média de 50 anos. Neste grupo, foram
64,2% GP, sendo 32,9% de Sta. epidermidis.
Conclusão
Com este estudo, nós observamos que não houve diminuição das
culturas negativas após introdução do equipamento automatizado
de hemoculturas para análise de líquido peritoneal. Este dado
necessita ser explorado propectivamente para questionar a
automação nas peritonites relacionadas à diálise peritoneal.
TLP: 051
Tratamento Dialítico: Escala de Coping aplicada aos
acompanhantes e Inventário de Rede de Suporte Social
aplicado a pacientes
Autor(es): Natália Bianchi Vearick, Carlos Eduardo Poli de
Figueiredo, Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo, Bartira Ercília
Pinheiro da Costa
Pontifíci Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Programa
de Pós-Graduação em Medicina e Ciências da Saúde, Área de
Concentração Nefrologia.
INTRODUÇÃO: A doença renal crônica, como uma condição que
impõem tratamento permanente, impacta a vida dos pacientes e
familiares. O papel da família no enfrentamento dessa situação é
fundamental, não só para o tratamento clínico, mas também, para
a promoção do bem-estar e conforto de todos os envolvidos. A
abordagem pela Escala de Coping classifica a estratégia de
enfrentamento do problema, ou seja, a mudança constante do
indivíduo em situações adversas de forma cognitiva e
comportamental. O Inventário de Rede de Suporte Social (IRSS)
identifica quanto apoio o sujeito percebe receber em situações
adversas. Nosso objetivo é estudar o perfil de enfrentamento,
segundo a Escala de Coping-Jalowiec (ECJ), dos
acompanhantes/familiares de pacientes em tratamento dialítico e
associar com o IRSS aplicado aos pacientes. MÉTODOS: Estudo
transversal contemporâneo, que se aplica um questionário sóciodemográfico e a ECJ nos acompanhantes/familiares de pacientes
em tratamento dialítico, bem como, o IRSS nos pacientes. A ECJ é
composta por 60 itens afirmativos, que podem ser assinalados
conforme a opinão do respondente em relação ao problema,
assim como o IRSS, porém aplicado aos pacientes, que é
composto por dez questões objetivas, com respostas em escala
de Likert. RESULTADOS: Até o momento foram incluídos 65
acompanhantes/familiares e 47 pacientes. Como resultados dos
acompanhantes: 64% eram de pacientes em Hemodiálise (HD),
68% mulheres, 77% casados, o parentesco predominante foi de
companheiro(a): 50%, seguido de 25% de filho(a) e idade média
de 51+15 anos. A maioria dos acompanhantes estavam Focado no
Problema (69,8%), distribuídos nas subcategorias: Confrontiva
(63,1%) e a Sustentativa (72,3%). Como resultados dos pacientes:
58% eram homens, 65% realizavam HD, e no IRSS, 83% referem
receber muito apoio de seu acompanhante/familiar.
CONCLUSÃO: Os resultados mostram que os
acompanhantes/familiares de pacientes em tratamento dialítico
utilizam estratégias de Coping Focados no Problema, já os
pacientes referem receber apoio social, sugerindo que os
pacientes sentem-se atendidos nas necessidades que o
tratamento demanda em relação ao que cabe aos acompanhantes
desepenharem, porque os mesmos estão direcionado para os
problemas que o tratamento impõem.
TLP: 052
AVALIAÇÃO DA METODOLOGIA DIAGNÓSTICA E
PREVALÊNCIA DA DOENÇA DE FABRY EM PACIENTES EM
TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA.
Autor(es): Santa Catharina W, Moreira Filho CNF, Moussa APC,
Santa Catharina GP, Sckayer RCSS, Almeida SV, Monteiro EBR
Instituto de Doenças Renais - São João da Boa Vista (SP)
INTRODUÇÃO: A Doença de Fabry (DF) é uma doença genética
ligada ao cromossomo X, causada pela deficiência ou ausência da
enzima lisossomal alfa-galactosidase A (alfa-Gal A), ocasionando
acúmulo progressivo de glicoesfingolipídios, como a
globotriaosilceramida 3 (Gb3), em diversos órgãos e tecidos,
principalmente Renal, Cardíaco e Neurológico. Atualmente é
descrita na literatura uma incidência de 1 caso em 117.000
indivíduos na população, representando a segunda alteração por
acúmulo lisossômico mais comum nos humanos. Devido ao
caráter progressivo da DF, o diagnóstico precoce se torna
fundamental a fim de evitar complicações graves como Doença
Renal Terminal, Isquemia Miocárdica, Acidente Vascular Cerebral
além da redução da Qualidade de Vida.
OBJETIVO: Demonstrar a ocorrência de casos em nossa região e
a eficácia da metodologia empregada para o diagnóstico em
nosso serviço. CASUÍSTICA E MÉTODOS: Foi realizada triagem
clínica e epidemiológica em 225 pacientes adultos (140 homens e
85 mulheres) em Terapia Renal Substitutiva (TRS) através da
aplicação de questionário sobre sinais, sintomas e história familiar
compatíveis com DF. Em conjunto foi realizada mensuração da
atividade enzimática através de papel de filtro. Pacientes com
questionário sugestivo e/ou diminuição da atividade enzimática
foram submetidos ao estudo genético.
RESULTADO: Permaneceram no estudo 23 pacientes renai
crônicos (10,2%), 10 homens e 13 mulheres, sendo que em 2
pacientes (0,89%) foram detectadas mutações no gene GLA
(Xq22): P.P.S, feminino, branca, 19 anos, heterozigota para
m u t a ç ã o n o E x o n 6 ( c . 8 7 0 G > C P. M 2 9 0 I ) c o m
globotriaosilceramida plasmática (lyso-Gb3)=1,0ng/mL
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
27
(referência _ 0,8ng/mL) e L.C.P.U., feminino, branca, 48 anos,
heterozigota para a mutação no Exon 3 (c.376A>G p.S126G) com
lyso-Gb3=1,4ng/mL. Após confirmação dos casos, foi realizado
heredograma nas famílias das pacientes com posterior triagem
genética, resultando em 13 novos casos diagnosticados até o
momento, 9 mulheres e 4 homens.
CONCLUSÃO: A triagem para Doença de Fabry através da
aplicação de questionário direcionado em ambos os sexos
associada a mensuração da atividade enzimática e com posterior
encaminhamento dos casos mais propensos para pesquisa de
mutação no gene GLA se mostrou eficaz no diagnóstico da
doença. Destacamos a maior prevalência de pacientes do sexo
feminino no estudo, mostrando a importância da inclusão de
mulheres na triagem para DF.
TLP: 053
AVALIAÇÃO DA INCIDÊNCIA DE INFECÇÃO DA CORRENTE
SANGUÍNEA E PREVALÊNCIA DOS AGENTES
ETIOLÓGICOS EM FÍSTULA ARTÉRIO-VENOSA, CATETER
DUPLO LÚMEN E CATETER DE LONGA PERMANÊNCIA EM
PACIENTES EM TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA.
Autor(es): Santa Catharina W, Moreira Filho CNF, Moussa APC,
Santa Catharina GP, Sckayer RCSS, Almeida SV, Monteiro EBR
Instituto de Doenças Renais - São João da Boa Vista (SP)
INTRODUÇÃO: A via de acesso para Terapia Renal Substitutiva
(TRS) é um dos principais fatores para um efetivo tratamento
dialítico. Uma das complicações mais comuns é a Infecção da
Corrente Sanguínea (ICS) pela via de acesso com risco de perda
da mesma e ocasionando grandes transtornos.
OBJETIVO: Avaliar a incidência de ICS em Fistula Artério - Venosa
(FAV), Cateter Duplo Lúmen (CDL) e Cateter de Longa
Permanência (CLP) em pacientes em TRS em nosso serviço e
seus respectivos agentes etiológicos.
CASUÍSTICA E MÉTODOS: Foram avaliados 370 pacientes
adultos em TRS, sendo 234 pacientes com FAV, 52 CDL e 84 CLP
em um período de 2 anos (2012-2013). Foram colhidas 135
hemoculturas de todos os pacientes que apresentaram febre e/ou
tremor durante a sessão de TRS. Quando as amostras de
hemocultura foram colhidas do cateter, também foram realizadas
culturas pareadas em veia periférica. Foram considerados
resultados positivos nos cateteres, quando positivos nas amostras
pareadas e com o mesmo microrganismo.
RESULTADO: Foram encontradas 4 hemoculturas positivas em
FAV, 23 em CLP e 16 em CDL, representando uma incidência de
1,71%, 27,38% e 30,77% respectivamente. Os seguintes agentes
etiológicos foram encontrados: 21 Staphylococcus aureus - 1 em
FAV, 9 em CDL e 11 em CLP; 12 Staphylococcus epidermidis - 1
em FAV, 6 em CDL e 5 em CLP; 2 Enterococcus faecalis - 1 em FAV
e 1 em CLP; 1 Burkhoderia cepacia em CDL, 1 Staphylococcus
haemolyticus em CLP; 1 Staphylococcus hominis em FAV; 1
Sphingomonas paucimobilis em CLP; 1 Pseudomonas aeruginosa
em CLP; 1 Enterobacter cloacae em CLP; 1 Citrobacter koseri em
CLP e 1 Klebsiella pneumoniae em CLP.
CONCLUSÃO: Pacientes com Cateter de Longa Permanência
foram os que mais apresentaram Infecção da Corrente Sanguínea
no período, entretanto, a incidência da ICS se mostra superior em
pacientes com Cateter Duplo Lúmen. Dentre os agentes
etiológicos encontrados destacam-se as Bactérias Gram
Positivas, sendo o Staphylococcus aureus e o Staphylococcus
epidermidis como os mais prevalentes, em acordo com a literatura.
TLP: 054
PREVALÊNCIA DE CONFORMIDADES DOS ALVOS
CONSENSUAIS DOS DISTÚRBIOS MINERAIS EM UMA
POPULAÇÃO DIALÍTICA
Autor(es): José Ayrton Macedo Guimarães de Oliveira, Erika
Thaynara Pereira Martins, Nathalie Macedo Cruz de Oliveira,
Thalyta de Souza Rodrigues, Maria Carolina Santos Malafaia
Ferreira, André Falcão Pedrosa Costa
28
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
Introdução. A progressiva deterioração na homeostase dos níveis
séricos de cálcio (Ca), fósforo (P), e dos hormônios paratormônio
(PTH) e vitamina D, que ocorrem nos pacientes com doença renal
crônica (DRC), tem papel fundamental no desenvolvimento do
Distúrbio Mineral e Ósseo (DMO) da DRC. Recentemente,
diversas estratégias foram padronizadas para abordagem de tais
distúrbios, sendo disponibilizados diversos fármacos e medidas
que visam controlar tais distúrbios. O objetivo desse estudo foi
analisar a prevalência dos principais distúrbios minerais em uma
população submetida a terapia renal substitutiva após a
emergência de inúmeros fármacos disponíveis e diversos
consensos internacionais e nacional. Método. Desenhou-se um
estudo transversal que incluiu 300 pacientes em hemodiálise, de
um grande centro de nefrologia. Foram coletados dos prontuários
dos pacientes, dados demográficos; dados bioquímicos como Ca,
P e fosfatase alcalina; e PTH, para analise clínica. Sendo os
parâmetros avaliados segundo os consensos KDOQI, KDIGO e
Diretriz Brasileira DMO. Os dados foram analisados no programa
Bioestat 5.0. Resultados. Dentre os indivíduos estudados, 184
eram do sexo masculino e 116 do sexo feminino. De acordo com a
diretriz brasileira e KDOQI, 28.42% dos pacientes obtiveram
valores de Ca abaixo dos limites da normalidade, 41.13% dentro
da normalidade e 30.43% acima dos valores de referência;
fósforo: 13.71% abaixo da normalidade, 40.80% apresentaram
valores normais e 45.48% acima da normalidade; produto CaxP:
35.45% acima dos valores ideais; PTH: 53% apresentaram o
diagnóstico laboratorial de hiperparatireoidismo secundário, 19%
encontraram-se dentro dos limites da normalidade e 28%
obtiveram o diagnóstico presuntivo de doença óssea adinâmica.
Conforme KDIGO, 51.83% dos pacientes apresentaram valores
de Ca abaixo da normalidade, 31.77% valores normais e 16.38%
acima da normalidade; fósforo: 3.34% abaixo dos valores de
referência, 30.10% no limite da normalidade e 66.55% acima da
normalidade; PTH: 28% tinham padrão de baixo remanejamento
ósseo, 33.33% dentro da normalidade e 38.67% apresentaram
critério de hiperparatireoidismo secundário. Fosfatase alcalina
mostrou-se elevada em 41% da amostra. Não houve diferença
significativa entre os sexos. Conclusão. A hiperfosfatemia é o
parâmetro que percentualmente menos atinge as metas
preconizadas apesar da disponibilização crescente de estratégias
para seu controle.
TLP: 055
Inflamação e Qualidade de Vida em Pacientes em
Hemodiálise: Estudo Transversal
Autor(es): Marcelo Rodrigues Bacci, Fernando Luiz Affonso
Fonseca, Fernando Adami, Renato Bertagna, Andson Jesus dos
Santos, Daniela Gimenes Grilli, Winter Figueiredo, Felipe
Moreira Ferreira, Felipe Ribeiro Bruniera, Livia Yadoya
Vasconcelos
FACULDADE DE MEDICINA DO ABC
INTRODUÇÃO:A doença renal crônica(DRC)é afecção altamente
prevalente em todo o mundo.Pacientes com DRC em terapia de
substituição renal estão mais propensos a apresentarem
alterações comportamentais e de qualidade de vida em
decorrência da rotina inerente ao tratamento e suas
complicações.Apresentam também maiores níveis séricos de
citocinas inflamatórias.OBJETIVO:Avaliar o impacto do perfil
inflamatório em relação à qualidade de vida mensurada pelo
questionário validado para o português KDOQL-SF36 em
pacientes em hemodiálise.MÉTODO:Foram incluídos pacientes
em tratamento por hemodiálise por pelo menos 6 meses,com
idade superior a 21 anos e em tratamento regular com 3 sessões
por semana.Excluiram-se pacientes com diagnóstico de
depressão,portadores de neoplasia,em uso de antibiótico no
momento da inclusão e com internação hospitalar nos 30 dias
anteriores à inclusão.Foram avaliados parâmetros
antropométricos e colhidos marcadores inflamatórios séricos
antes do início da primeira sessão do
mês:interleucina6,proteínaC-reativa ultrassensível,fator de
necrose tumoral alfa e homocisteína.As variáveis foram
apresentadas em suas frequências absolutas quando contínuas e
em proporção quando dicotômicas.A análise de normalidade dos
dados foi feita pelo teste de Shapiro-Wilk.O nível de significância
usado foi de 5% e o teste de correlação de Pearson para analisar a
relação entre os parâmetros inflamatórios e a qualidade de
vida.RESULTADOS:No total 30 pacientes consentiram em
participar do estudo.Houve 46,6% de homens/53,4% de
mulheres.A média de idade foi de 41,03 anos±11,33 e 23,3% eram
diabéticos e o tempo médio em hemodiálise foi de 52,5
meses±43,18.Observou-se correlação positiva dos níveis de
homocisteína com a pior taxa de filtração glomerular representada
pelo MDRD e maior valor de creatinina(p=0,003 e
p=0,002respectivamente).A interleucina6 não apresentou
correlação com pior estado nutricional levando-se em conta o
IMC(p=0,83)em contrapartida o TNF-_ mostrou-se positivamente
correlacionado com o valor sérico da albumina(p=0,008) estado
nutricional pelo IMC(p=0,04) e estado nutricional levando-se em
conta a circunferência do braço(p=0,04).CONCLUSÃO:Maiores
níveis de homocisteína estão relacionados com pior função
renal.TNF apresentou relação com o estado nutricional e a maioria
das seções do KDOQL-SF36 não apresentou relação com o nível
das citocinas.
TLP: 056
ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE
OBTIDO POR UM MÉTODO DE AVALIAÇÃO SUBJETIVA
GLOBAL E SUA ASSOCIAÇÃO COM VARIÁVEIS CLÍNICODEMOGRÁFICAS
Autor(es): Laís Ferreira de Sousa, Jéssica Vasconcelos Oliveira
Jorge Pereira, Elane Viana Hortegal, Raimunda Sheyla Carneiro
Dias, Antonia Caroline Diniz Brito, Gilvan Campos Sampaio,
Aline Oliveira Diniz, Lilian Fernanda Pereira Cavalcante
Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão
INTRODUÇÃO: Complicações nutricionais são frequentes em
pacientes renais crônicos em hemodiálise (HD). A prevalência de
desnutrição energético-protéica nesses pacientes é elevada e
apresenta impacto negativo sobre a morbimortalidade. Fatores
tais como sexo, idade e tempo de diálise podem estar associados
com maior prevalência de desnutrição. A caracterização correta do
estado nutricional desses indivíduos é fundamental no
planejamento de intervenções, de modo a minimizar os distúrbios
nutricionais. A avaliação nutricional subjetiva (ASG) é um método
simples, de baixo custo e que pode ser realizada em poucos
minutos. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar a associação
entre o estado nutricional dos pacientes em HD obtido da ASGSete Escalas com sexo, idade e tempo de diálise. MÉDOTOS:
Tratou-se de um estudo transversal, realizado com 86 pacientes
em HD de um Hospital Universitário. A avaliação do estado
nutricional foi realizada após a sessão de hemodiálise, utilizandose a ASG-Sete Escalas. Os dados foram analisados no Programa
STATA 11.0. Para verificação da associação entre o estado
nutricional obtido da ASG-Sete Escalas com sexo, idade e tempo
de hemodiálise utilizou-se o Teste Qui-quadrado. O nível de
significância adotado foi de 5%. RESULTADOS: O grupo
apresentou-se, em média, com tempo de tratamento hemodialítico
de 44,8±31,2 meses (mediana de 36 meses). A média de idade dos
pacientes foi de 48,9±16,6 anos, variando entre 19 e 94 anos. Mais
da metade era do sexo masculino (52,3%), e possuía escolaridade
de menos de oito anos de estudo (53,5%). Quase dois terços dos
pacientes (72,1%) pertenciam às classes socioeconômicas D e E.
Não foi encontrada diferença estatisticamente significante entre o
estado nutricional de homens e mulheres (p=0,685). Foi
demonstrada menor prevalência de desnutrição tanto para adultos
quanto para idosos (33,9%; 25,9%; p=0,460). Encontrou-se maior
prevalência de eutrofia em pacientes com tempo de HD maior que
36 meses quando comparados com pacientes com tempo de HD
igual ou menor que 36 meses (74,4% vs 63,8%, p=0,295).
CONCLUSÕES: Os resultados encontrados podem subsidiar um
diagnóstico e intervenção nutricional de pacientes em tratamento
hemodialítico. No entanto, mais estudos são necessários para
detalhamento dessa associação.
TLP: 057
Análise da eficácia do uso da alteplase na prevenção da
disfunção dos cateteres de duplo lúmen de longa
permanência para Hemodiálise
Autor(es): Adriana Rodrigues Chaves, Vanuza Maria da Silva
Ferreira, André Sousa Alvarenga, Lucas Lopes Barbosa, Soraia
Cristina Cantini, Raquel Oliveira Rocha de Freitas Hatem,
Gerson Marques Pereira Junior
Centro de Nefrologia da Santa Casa de Belo Horizonte
Introdução:
O aumento da incidência da Doença Renal Crônica tem assumido
números alarmantes nos últimos anos em todo mundo. O
percentual de uso de Cateter duplo lúmen de longa permanência
(CDL-LP) como acesso vascular ainda é muito alto. A prevenção e
o tratamento precoce da disfunção de fluxo são cruciais para
reduzir a morbi-mortalidade desses pacientes. A heparina não
fracionada tem sido utilizada como selo dos CDL-LP por sua
propriedade anticoagulante, entretanto, a experiência com o
preenchimento do lúmen com novos agentes tais como, citrato de
sódio, ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) e o trombolítico
alteplase têm sido satisfatória. O estudo em questão tem como
objetivo analisar a eficiência da alteplase, na prevenção e
tratamento da disfunção de CDL-LP em pacientes em terapia
hemodialítica.
Metodologia:
Durante o período de 12 meses, de maio de 2013 a maio de 2014,
usamos o trombolítico alteplase na dose de 1mg/ml para
preenchimento dos lúmens de CDL-LP como selo no período
interdialítico. A medicação foi utilizada de forma quinzenal em 37
pacientes que apresentaram fluxo sanguíneo menor que
250ml/min nas sessões de hemodiálise e com histórico de
necessidade de trocas de CDL-LP por baixo fluxo sanguíneo.
Resultado:
Após a utilização da alteplase observou-se melhora no
desempenho do CDL-LP, conseguindo manter o fluxo sanguíneo
em 63,6% dos pacientes, aumentando o fluxo sanguíneo em
27,12% e apenas 9,32% dos pacientes não apresentaram
melhora do fluxo. Após início do protocolo observou-se uma
redução importante da necessidade de troca de CDL-LP. Do total
de pacientes que foram submetidos pelo menos uma troca de
cateter antes do uso da alteplase, 89% não necessitou de novas
trocas de CDL-LP.
Conclusão:
Detectamos precocemente uma eficácia na utilização do
medicamento alteplase na prevenção da disfunção dos CDL-LP. A
adoção de medidas profiláticas se mostrou eficiente na
manutenção do fluxo sanguíneo e na redução das trocas dos CDLLP dos pacientes que foram inseridos no protocolo.
TLP: 058
SÍNDROME NEFRÓTICA RELACIONADA A SÍFILIS: RELATO
DE CASO
Autor(es): SAULO JOSÉ DA COSTA FEITOSA, PEDRO
ANDRADE FEITOSA, MÁRIO DE BARROS E SILVA, LETÍCIA
BARROS KOSMINSKY, MARLUCE PINHEIRO CRUZ
PRONTORIM
Introdução:
O acometimento renal na sífilis adquirida
(secundária/latente/terciária), ocorre em 0,3% dos casos. Os
pacientes apresentam, mais comumente, proteinúria
subnefrótica, podendo ocorrer síndrome nefrótica ou mais
raramente, um quadro nefrítico. Histologicamente apresenta-se
mais frequentemente como glomerulopatia membranosa, embora
glomerulonefrite proliferativa difusa (com ou sem crescentes),
glomerulonefrite membranoproliferativa e glomerulonefrite
mesangioproliferativa também possam ser encontrados.
Descrição do Caso:
Paciente feminina, 40 anos, previamente hígida, encaminhada da
emergência para a nefrologia por edema de membros inferiores
(3+/4+), alteração de função renal (Cr: 1,8 mg/dl) e proteinúria no
sumário de urina(2+/4+). Relação proteína/creatinina urinária
(RP/C) 3,82. Havia a presença de rash macular em todo o corpo.
C3, C4 e CH50 normais. Eletroforese de proteínas com
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
29
hipoalbuminemia. Pesquisa de auto anticorpos, sorologias para
hepatities virais e HIV, assim como urocultura foram negativos.
Apresentava dislipidemia mista e alteração de enzimas
canalicurlares (fosfatase alcalina(FA): 2.182U/L; gamaGT(gGT):
856U/L). A pesquisa para sífilis foi positiva, com VDRL 1:32 e o
FTA-ABS positivo. Ultrassonogarfia de rins e vias urinárias
normais. A paciente foi tratada com penicilina G benzatina,
evoluindo com regressão das lesões de pele, melhora da função
renal (Cr: 0,7mg/dl), regressão da proteinúria (16mg/24h) e
normalização das transaminases (FA: 88 U/L; gGT: 60U/L).
Discussão:
Relato de um caso de sífilis secundária manifestando-se com
lesões de pele, síndrome nefrótica com disfunção renal e hepatite
(que comumente apresenta-se com elevação de fosfatase alcalina
com transaminases normais ou discretamente elevadas)
evoluindo com resolução completa do quadro após tratamento
com penicilina benzatina.
TLP: 059
MORTALIDADE DE PACIENTES COM DOENÇA RENAL
CRÔNICA EM HEMODIÁLISE: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE
UM CENTRO DE HEMODIÁLISE EM RECIFE/PE
Autor(es): SAULO JOSÉ DA COSTA FEITOSA, PEDRO
ANDRADE FEITOSA, MÁRIO DE BARROS E SILVA, LETÍCIA
BARROS KOSMINSKY, MARLUCE PINHEIRO CRUZ
PRONTORIM
Introdução:
No Brasil, as causas mais comuns de doença renal crônica (DRC)
terminal são a hipertensão arterial (HAS) e o diabetes (DM). Sabese que a DRC está associada a um elevado risco cardiovascular e
que, uma vez iniciada a terapia renal substitutiva, estes indivíduos
apresentam cerca de 20 vezes mais risco de óbito por doença
cardiovascular. Dados do censo 2012 da Sociedade Brasileira de
Nefrologia (SBN) apontam para uma taxa bruta de mortalidade de
18,8% ao ano. O objetivo deste trabalho foi avaliar o perfil
epidemiológico dos óbitos em uma unidade de diálise, traçando
comparativos com a literatura disponível.
Metodologia:
Foram avaliados 405 pacientes em hemodiálise entre o período de
janeiro de 2013 a dezembro de 2013. As características clínicas e
demográficas foram analisadas e avaliamos os seguintes
parâmetros laboratoriais: hemoglobina, paratormônio (PTH) e
albumina sérica.
Resultados:
A taxa bruta de mortalidade encontrada foi de 12,35%. Homens
eram maioria (55%). A média de idade foi de 64,54 anos,
possuindo os homens, maior média de idade 66,6 anos, contra
62,05 anos nas mulheres. 83% dos óbitos, tinham como causa
base da DRC hipertensão arterial ou diabetes. 40% tinham entre 1
e 5 anos de hemodiálise, enquanto 17% tinham menos de 3
meses. Patologias infecciosas (33%) e cardiovasculares (33%)
foram as principais causas de óbito. 70% dos que foram a óbito
tinham anemia (hemoglobina média 9,6 g/dl). 48% possuíam
albumina abaixo de 3,5g/dl.
Conclusões:
O índice de mortalidade anual encontrado está abaixo do
observado pelo último censo da SBN (12,35% x 18,8%).
Observamos que morrem mais homens e que estes têm maior
média de idade. HAS e DM representam 83% das causas de DRC,
o que está corroborado pela literatura. 69% faleceram após o
primeiro ano de hemodiálise enquanto que 17% faleceram antes
dos primeiros 3 meses. Mortes por causa cardiovascular se
igualaram as ocasionadas por processos infecciosos como as
mais prevalentes. Anemia estava presente em 70% daqueles que
faleceram, bem como hipoalbuminemia ocorreu em 48% dos
casos. PTH não foi um marcador esclarecedor. Concluímos, a
partir do exposto, que o perfil de maior risco de mortalidade são
homens, com mais de 65 anos, hipertensos ou diabéticos, em
hemodiálise há mais de uma ano, com anemia e hipoalbuminemia.
TLP: 060
EVOLUÇÃO DA PERMEABILIDADE DA MEMBRANA
30
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
PERITONEAL DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS
TERMINAIS EM DIÁLISE PERITONEAL
Autor(es): Sérgio Wyton Lima Pinto, Ana Cecília Souza Silva,,
Marciel Carvalho Naves,, Ravena Rieelly Araújo Moura,, Thalles
Trindade de Abreu,, Maria Aparecida Silva Marinho,, Danyelle
Romana Alves Rios,, Alba Otoni
Universidade Federal de São João del-Rey/ Hospital São João
de Deus - Divinópolis MG
INTRODUÇÃO: o uso de diálise peritoneal (DP) como tratamento
para pacientes com Doença Renal Crônica Terminal (DRCT)
estimula alterações não estáticas e gradativas na membrana
peritoneal (MP) com o passar dos anos em DP. Dessa maneira,
torna-se imprescindível reconhecer o comportamento da MP ao
longo dos anos para uma melhor adequação e ajuste da
prescrição de diálise.
OBJETIVO: identificar a funcionalidade da MP por meio dos
resultados dos Testes do Equilíbrio Peritoneal (TEP) dos
pacientes renais crônicos terminais em DP acompanhados
ambulatorialmente no setor de nefrologia de um hospital
filantrópico de Divinópolis
METODOLOGIA: trata-se de estudo retrospectivo e descritivo dos
resultados dos testes de equilibro peritoneal de 34 pacientes em
DP por um período mínimo de seis meses de terapia renal
substitutiva. Os dados foram colhidos dos prontuários e de
impressos próprios anexados ao prontuário desses pacientes no
período de março de 2013 a março de 2014. Todas as informações
foram compiladas em um banco de dados e analisadas pelo
programa software SPSS versão 15. Realizou-se o teste Quiquadrado de Pearson ou teste exato de Fisher apropriados para
comparação de variáveis categórica considerando-se um nível de
5% de significância.
RESULTADOS: nos primeiros seis meses após o início da DP
percebeu-se uma maior prevalência de classificação da
membrana peritoneal de médio alta (72,7%). Entretanto, verificouse uma tendência na direção de um maior número de pacientes
com a capacidade médio baixa transportadora conforme
aumentou o tempo de permanência em DP. Após quatro anos em
DP, apenas três pacientes (8,32%) passaram de médio baixa para
alto e médio alto transportador. Surpreendentemente 10 dos 34
pacientes tiveram suas alterações de médio alto e alto para
médios baixos e baixo transportadores.
CONCLUSÃO: a MP dos pacientes em DP estudados sofreu
alterações ao longo dos anos e a maior prevalência na
classificação de MP foi de baixa e média baixa transportadora.
TLP: 061
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA (ICC)
REFRATÁRIA TRATADA COM DIÁLISE PERITONEAL EM
PACIENTE COM DOENÇA RENAL CRÔNICA NÃO DIALÍTICA
Autor(es): Sérgio Wyton Lima Pinto, Arlindo R. de Oliveira,,
Thalles Trindade de Abreu,, Núbia Chouchounova Silva Neves,,
Isabela Rosiany Lourdes,, Maria Aparecida Silva Marinho,,
Danyelle Romana Alves Rios,, Alba Otoni
Universidade Federal de São João del-Rey/ Hospital São João
de Deus - Divinópolis MG
INTRODUÇÃO: a insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é uma
doença crônica e progressiva de alta morbimortalidade. O
excesso de volume é uma complicação prevalente, presente em
80% dos pacientes atendidos com o diagnóstico de ICC.
Estratégias farmacológicas e não farmacológicas no manejo
terapêutico da ICC visam ao melhor manejo do volume. A
ultrafiltração extracorpórea tem evidenciado melhor controle de
peso, redução nos dias de hospitalização e re-hospitalização dos
pacientes com ICC. A diálise peritoneal (DP) vem sendo utilizada
para tratar a ICC refratária, mesmo sem grave disfunção da função
renal.
DESCRIÇÃO DO CASO: paciente 55 anos, sexo masculino,
portador de ICC refratária e doença renal crônica (DRC) não
dialítica em acompanhamento no ambulatório de nefrologia de um
hospital do interior de Minas Gerais. Em 2010, hospitalizado 114
dias por complicações cardíacas devido à hipervolemia; ECO 50%
Fração de ejeção (FE); dispnéia de repouso, em uso de O2
contínuo, presença de crepitações, ascite volumosa, edema de
MMII 4+/4+; totalmente dependente para desenvolvimento de
atividades de vida diária (AVD). Após um ano em diálise peritoneal
automatizada não houve internações, ECO 55% FE; eupneico,
independente para AVD, ausência de ascite, mantém O2 continuo
por orientação médica, edemas em MMII +/4.
DISCUSSÃO: diante do quadro de hipervolemia não controlada
pelos métodos conservadores, em especial, uso de diuréticos,
optou-se por iniciar a diálise peritoneal automatizada mesmo sem
indicação da terapia renal substitutiva pelo comprometimento da
função renal, mas com o objetivo de reduzir a hipervolemia e
consequentemente seus efeitos deletérios na ICC. Os resultados
encontrados corroboram os achados da literatura de um possível
benefício da diálise peritoneal no manejo dos pacientes com ICC
refratária ao tratamento clínico.
TLP: 062
DEPRESSÃO, ANSIEDADE E MORBIDADE PSIQUIÁTRICA
EM PACIENTES COM DOENÇAS RENAIS
Autor(es): Maria Fernanda Zamarian, Camila Gomes dos Santos
Barros, Simone Godoy, Maíra Eloá Pereira Simonetti, Denise
Helena Madureira Pará Diniz
Unifesp
Introdução: Frequentemente transtornos de humor são
associados às doenças clínicas, levando a pior evolução tanto do
quadro psiquiátrico como da patologia (TENG, et al,
2005).Objetivo geral: Avaliar sintomas de depressão, ansiedade e
morbidade psiquiátrica em pacientes internados nas enfermarias
de Hemodiálise e Nefrologia. Método: Desenho do Estudo:
Prospectivo de corte transversal. Local:Enfermarias de Nefrologia
e Hemodiálise do Hospital São Paulo(HSP/Unifesp).Sujeitos:46
pacientes foram selecionados aleatoriamente.Critérios de
inclusão:pessoas com doenças renais(crônica ou outras doenças
nefrológicas) internados nessas unidades; com mais de 18 anos;
com condições clínicas e cognitivas adequadas para participar do
protocolo.Critérios de Exclusão: Amaurose; deficiência auditiva;
transtornos psiquiátricos; medicações psiquiátricas; gestantes.
Instrumentos: Questionário sociodemográfico e clínico do setor de
Psiconefrologia; Beck Depression Inventory (BDI); Beck Anxiety
Inventory(BAI); Self Report Questionnaire(SRQ-20).Resultados:
Foram avaliados 46 pacientes, 25(54%) sexo masculino;com de
idade 47,5 anos, 23(50%) casados; 22(48%) aposentados;
22(48%) católicos; 21(46%) brancos; 13(28%) hipertensos;
32(70%) diabéticos.Amostra geral: Depressão:13(28%) nível
mínimo; 17(37%) leve; 12(26%) moderado e
4(9%)grave.Ansiedade: 21(46%) nível mínimo; 13(28%) leve;
8(17%) moderado e 4(9%) grave.Morbidade psiquiátrica: 20(43%)
são prováveis casos.Amostra Hemodiálise: 31(67%) pacientes;
16(52%) homens, com de idade 48 anos.- Depressão: 10(32%)
m í n i m a ; 11 ( 3 5 % ) l e v e ; 7 ( 2 3 % ) m o d e r a d a ; 3 ( 1 0 % )
grave.Ansiedade: 14(45%) mínima; 6(19%) leve; 7(23%)
moderada. 4(13%) grave.Morbidade psiquiátrica: 13(42%) são
prováveis casos.Amostra Enfermaria Nefrologia:15(33%)
pacientes; 9(60%) homens; com idade 47 anos.Depressão:
4(27%) mínima;7(47%) leve; 3(20%) moderada;1(7%)
grave.Ansiedade:7(47%) mínima;6(40%)
leve;2(13%)grave.Morbidade psiquiátrica: 7(47%) são prováveis
casos.Conclusões: Os resultados parciais indicam: Amostra geral:
cerca de um terço apresentou sintomas de depressão moderada e
grave. Elevada incidência de prováveis casos com morbidade
psiquiátrica.Hemodiálise: Apresentou maior número de sintomas
de depressão e ansiedade em níveis moderado e grave,
comparado ao outro grupo. Prováveis casos com morbidade
psiquiátrica foram elevados.Enfermaria da Nefrologia: Número
elevado de prováveis casos com morbidade psiquiátrica.
TLP: 063
INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS EM PORTADORES DE
DOENÇA RENAL CRÔNICA EM DIÁLISE: EVENTO
SENTINELA PARA MONITORAMENTO DA QUALIDADE
ASSISTENCIAL PRESTADA PELOS SERVIÇOS DE DIÁLISE
CREDENCIADOS AO SUS-BH
Autor(es): Paula Verçosa Martins Pinto, Fernanda Martins
Ribeiro, Márcia Dayrell, Willians Vinícius Dutra Rodrigues ,
Roberto Sydney de Melo e Domingos Pinto Júnior
Comissão Municipal de Nefrologia da prefeitura de Belo
Horizonte
Introdução: A Comissão Municipal de Nefrologia e Transplantes
(CMNT) tem aprimorado o seu processo de trabalho, até então,
centrado na fiscalização dos serviços de diálise. Em Belo
Horizonte, são os hospitais Risoleta Tolentino Neves (HRTN) e
Municipal Odilon Behrens (HMOB), ambos públicos, importantes
portas de entrada para atendimento de urgência no município,
definidos aqui, enquanto unidades sentinelas. Objetivo: Investigar
quais foram os determinantes para ocorrência do evento e, se
previsível, quais ações foram desencadeadas pelos serviços, no
sentido de evitar a sua ocorrência. Metodologia: Notificação de
casos atendidos a partir de 1º de março de 2014, nos Hospitais
Municipal Odilon Behrens e Risoleta Tolentino Neves. Todos os
casos serão investigados pelas nefrologistas da CMNT, utilizando
formulário padrão. Para obtenção dos dados, será realizada
consulta aos respectivos prontuários das unidades de diálise e
entrevista com os próprios usuários e/ou familiares. Os critérios
para inclusão de notificação serão os portadores de doença renal
crônica em Terapia Renal Substitutiva, nas modalidades de
hemodiálise e diálise peritoneal, atendidos no HMOB e Risoleta
Neves, com as seguintes características: 1-Estar em
acompanhamento ambulatorial em um dos 11 serviços de diálise
credenciados pelo SUS-BH, 2- Apresentar as seguintes
intercorrências clínicas notificadas: Infecção de acesso vascular,
hipervolemia, hiperpotassemia, peritonite, ausência de acesso
vascular definitivo por período _ 90 dias, independentemente do
motivo de admissão hospitalar. Conclusão: As intercorrências
clínicas relacionadas ao tratamento dialítico estão relacionadas à
qualidade da assistência prestada pelos serviços de diálise;
monitorar esse evento possibilita identificar os fatores
determinantes e elaborar formas de intervenção.
TLP: 064
Avaliação da qualidade assistencial na atenção ao acesso
vascular em pacientes acompanhados nos serviços de
hemodiálise em Belo Horizonte (2013)
Autor(es): Paula Verçosa Martins Pinto, Fernanda Martins
Ribeiro, Márcia Dayrell
Comissão Municipal de Nefrologia da Prefeitura de Belo
Horizonte
Introdução: Dentre os acessos disponíveis para a hemodiálise, as
fístulas arteriovenosas (FAV) são as que mais se aproximam do
acesso ideal. Apesar de ser considerada uma pequena cirurgia e
de ser realizada de forma ambulatorial, ela requer maior
habilidade do cirurgião, principalmente se considerada sua
relevância para a sobrevida do paciente. A falta de
acesso/qualidade na confecção de FAV foi um dos problemas
mencionados pelos serviços de diálise credenciados pela SMSABH. Objetivo: Avaliar o desempenho dos serviços de diálise, no
ano de 2013, quanto à qualidade prestada na assistência ao
acesso vascular dos pacientes em acompanhamento.
Metodologia: Foram selecionados todos os pacientes em
hemodiálise, em Belo Horizonte, com mais de uma FAV
confeccionada, tendo sido a última em 2013, conforme registro no
sistema de informação sobre procedimentos ambulatoriais do
Ministério da Saúde. Foram pesquisados nos prontuários destes
pacientes dados sobre tempo de tratamento, número de FAV
confeccionadas, tempo entre o início da diálise e primeira fistula
realizada e realização de duplex scan prévio. Resultado:
Participaram deste estudo 146 pacientes, sendo 50,6% do sexo
feminino, com média de idade de 52 anos. 50% iniciaram
tratamento de hemodiálise recentemente, em 2012 ou 2013. Os
prontuários de 45% dos pacientes não constavam registro de
duplex scan. Em 22% dos pacientes a confecção de FAV foi
anterior ao início da hemodiálise e 50% dos pacientes realizaram o
procedimento em período inferior a 90 dias da data de início do
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
31
tratamento. Conclusão: A maioria dos pacientes deste estudo
ingressou em diálise sem confecção de FAV. Os serviços de diálise
em Belo Horizonte vêm se aprimorando no sentido de fornecer em
tempo hábil a confecção de acesso vascular definitivo. O duplex
scan não tem sido solicitado rotineiramente pelos serviços e a
adoção desta prática poderia reduzir a alta taxa de falência deste
procedimento.
TLP: 065
Peritonite eosinofílica em início de diálise peritoneal: Relato
de caso
Autor(es): Eduardo Jorge Duque de Sá Carneiro Filho, Lilian
Cordeiro, Gilsemar E. C. Boavida, Mariana Pin de Andrade,
Jóice Manes, Rosilene Motta Elias, Benedito Jorge Pereira,
Manuel Carlos Martins de Castro, Hugo Abensur
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo
INTRODUÇÃO: Peritonite eosinofílica (PE) é um dos diagnósticos
diferenciais de líquido turvo em diálise peritoneal (DP). Pode ser
idiopática, associada a hipersensibilidade ao material da DP ou
infecciosa. Apresentamos um caso de PE em paciente com
culturas de líquido ascítico negativas. RELATO: Mulher, 52 anos,
com diagnóstico de glomerulonefrite crônica em tratamento
conservador de doença renal há oito anos, colocação de cateter
Tenckhoff há 21 dias e início de diálise peritoneal ambulatorial
contínua há 6 dias com 3 bolsas a 1,5% e 1 bolsa a 2,5%.
Queixava-se de dor abdominal difusa dificultando drenagem de
cavidade abdominal e líquido turvo desde início da diálise.
Coletados exames e iniciada terapia empírica com antibióticos
(Vancomicina e Amicacina) para tratamento de provável peritonite.
Citologia de líquido ascítico resultou em 1800 células com 270
eosinófilos e culturas do líquido foram negativas para bactérias,
micobactérias e fungos. Uma semana após início de antibióticos,
evoluía com persistência de desconforto, dosagem de IgE 128
UI/mL (normal até 100), nova citologia com 2350 células e 940
eosinófilos (40%), PCR para tuberculose no líquido negativo.
Iniciada terapia com corticóide via oral (prednisona 20 mg ao dia),
e paciente apresentou clareamento de líquido ascítico, melhora da
dor e redução de celularidade do líquido peritoneal após cerca de 1
semana do uso. No momento, tratamento vem sendo mantido
ambulatorialmente com perspectiva de completar 4 semanas.
DISCUSSÃO: A PE é definida pela presença de 10% de eosinófilos
na celularidade do líquido ascítico ou mais que 100
eosinófilos/mm3 na contagem total. Ocorre em média duas a
quatro semanas após a inserção do cateter e não tem etiologia
determinada. Pode ser atribuída a uma reação alérgica aos
componentes do próprio cateter, a rápida alteração osmótica do
fluido intraperitoneal ou alguma peritonite infecciosa subjacente.
Os pacientes classicamente tem dor abdominal e líquido
peritoneal turvo à apresentação. Geralmente há eosinofilia no
hemograma e aumento dos níveis séricos de IgE. O tratamento é
feito com corticóides e anti-histamínicos por via oral nos casos
idiopáticos. CONCLUSÃO: Apesar de sua incidência ter diminuído
com o avanço de técnicas de DP, a PE é uma condição a ser
sempre considerada principalmente naqueles pacientes que
iniciam DP e apresentam peritonites de surgimento precoce.
TLP: 066
PREVALÊNCIA DA DOENÇA DE FABRY EM SERVIÇOS DE
TRS NO BRASIL: REVISÃO DE LITERATURA
Autor(es): CASSIANO AUGUSTO BRAGA SILVA, TULIO
COELHO CARVALHO, NATHALIA PEREIRA PASCHOALIN,
RAPHAEL PEREIRA PASCHOALIN, LIVIA QUEIROZ LEÃO
SOUTO, JOSÉ ANDRADE MOURA JUNIOR, ALEXANDRA
PEREIRA GARRIDO, ANDRÉA CALLOU, FABRÍCIO SANTOS
DA FONSECA
CLINICA SENHOR DO BONFIM
INTRODUÇÃO: A doença de Fabry (DF) é uma doença genética
32
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
caracterizada pela ausência ou diminuição da atividade da enzima
Alfa galactosidase A, que acarreta a deposição lisossomal de
globotriaosilceramida (GL-3). Esse acúmulo progressivo pode
levar a doença renal crônica terminal (DRCt), com necessidade de
terapia renal substitutiva (TRS). Devido à disponibilidade do
tratamento de reposição enzimática que visa impedir a progressão
da DF, e frente ao grande número de pacientes que iniciam TRS
sem etiologia definida da DRCt, o objetivo do estudo foi realizar
uma revisão da literatura em busca de artigos relacionados à
prevalência da DF entre a população em diálise no Brasil.
MÉTODOS: Revisão de literatura nas bases de dados MEDLINE,
EMBASE e LILACS até Maio de 2014, sem data inicial
estabelecida, buscando artigos sobre prevalência da DF entre a
população em diálise no Brasil.
RESULTADOS: Foram encontrados apenas 04 artigos. Nestes
trabalhos, foram avaliados no total 1.111 pacientes, todos homens
e em hemodiálise. Em relação aos métodos de screening inicial,
em três dos estudos utilizou-se a pesquisa através do DBS (dried
blood spot), e no outro a atividade enzimática no plasma. Quanto
aos métodos confirmatórios, em dois estudos foi utilizada a
dosagem da atividade enzimática em leucócitos, em um a
atividade plasmática, e no outro não foi especificado visto que não
foram achados suspeitos da DF no screening inicial. A prevalência
da DF nas populações estudadas variou de 0 a 0,57%. Quando
avaliados em conjunto, foram achados um total de 5 portadores da
DF, com prevalência de 0,45%.
CONCLUSÕES: A presente revisão atesta a necessidade de
novos e frequentes estudos sobre a prevalência da DF entre os
pacientes em TRS no Brasil, visto a escassez de artigos
encontrados em literatura. Difundir o conhecimento da patologia,
propiciar aos portadores a possibilidade de tratamento visando
retardar ou impedir o acometimento de outros órgãos, e realizar o
screening familiar em busca do diagnóstico precoce são alguns
dos benefícios que justificam a realização de estudos de
prevalência da DF nessa população.
TLP: 067
PROGRAMA EDUCACIONAL VOLTADO PARA A PRÁTICA
DE ATIVIDADE FÍSICA EM PACIENTES EM HEMODIÁLISE
CRÔNICA. FUNCIONA?
Autor(es): Raquel de Fátima Cavalheiro Hashimoto, Ronaldo
D'Avila, Carlos Aparecido Zamai, Rafael Sano, Cibele Isaac
Saad Rodrigues, Enio Márcio Maia Guerra
Introdução: Os pacientes renais crônicos em programa dialítico
são em geral sedentários. As causas para isto são várias, mas,
entre elas, devemos destacar a falta de informação e de estímulo
para o aumento da atividade física. Esta inatividade
provavelmente relaciona-se a piora da qualidade de vida.
Objetivo: Verificar o grau de atividade física e analisar a resposta
dos pacientes com insuficiência renal crônica em hemodiálise à
tentativa de educação e orientação voltadas à prática de atividade
física. Metodologia: Foi estudada a influência de programa
educacional teórico-prático de incentivo a prática de atividades
físicas em 14 pacientes em programa crônico de hemodiálise. As
atividades educacionais constituíram-se de curta introdução
teórica e a seguir, realização conjunta de exercícios. O programa
educacional foi realizado durante quatro meses, em 2013. Para
avaliar o programa em si e a participação dos pacientes, utilizouse um questionário de atividades físicas executadas durante o
trabalho profissional e em casa (versão longa do IPAQ, 2012),
Questionário caminhada e ginástica, para analisar a média diária
em minutos de caminhada e ginástica e perguntas específicas
sobre a validade do curso. A qualidade de vida, pré e pós o curso,
foi avaliada através do Questionário KDQOL- SFTM13.
Resultados: os pacientes cumpriram todas as etapas coletivas
preconizadas e aumentaram de maneira significativa a prática de
caminhadas quando fora das sessões de hemodiálise (8,3; 6,0;
23,8 e 24,8 min/dia, respectivamente, do primeiro ao último mês
do programa educacional: p< 0,001, entre os dois últimos meses
versus os dois primeiros meses). Dez pacientes melhoraram o
nível da sua classificação quanto à atividade física, segundo o
questionário IPAC e todos os pacientes avaliaram de maneira
positiva o programa. Houve significativa melhora na qualidade de
vida em vários domínios. O aumento das atividades físicas não foi
associado à nenhuma intercorrência clínica. Conclusões: O
programa mostrou-se seguro e satisfatório para melhora da
atividade física dos pacientes em hemodiálise e foi bem avaliado
pelos pacientes. A melhora da qualidade de vida e da classificação
do status de atividade física devem servir como sugestão para a
implantação de programas como este nas unidades de diálise.
TLP: 068
Avaliação Multidimensional dor em Homens e Mulheres em
hemodiálise de Manutenção
Autor(es): Angiolina Campos Kraychete, Cácia Mendes Matos,
Gildete Barreto Lopes, Antonio Alberto Lopes
UFBA
Introdução: Dor é uma experiência subjetiva muito frequente e
angustiante nos pacientes em hemodiálise de manutenção. No
entanto há uma carência de estudos voltados para avaliar a carga
da dor crônica nesta população. Foi realizada uma avaliação
abrangente e multidimencioanl da dor e investigado se havia
diferenças de gênero na prevalência, na experiencia subjetiva e
emocional e na extensão da interferência da dor crônica na vida
dos pacientes em hemodiálise de manutenção. Métodos: Este
trabalho integra o Estudo Prospectivo de Prognóstico de
Pacientes em Hemodiálise Crônica (PROHEMO), iniciado em
2005 em quatro clínicas satélites de hemodiálise em Salvador,
Bahia, Brasil. É um estudo de corte-transversal envolvendo 740
dos 837 pacientes maiores de 18 anos participantes do
PROHEMO. A Dor foi avaliada a partir do Questionário de Dor de
McGill e Inventário Breve de Dor, em versões brasileiras, e da
Escala Analógica Visual. Dor crônica foi definida como de duração
superior a três meses. A escala do Centro de Estudos
Epidemiológicos de Depressão foi utilizada para avaliar a taxa de
sintomas depressivos. Resultados: A prevalência global da dor
crônica foi 41,5%, as mulheres foram mais afetadas (52% versus
34.7% ; P < 0,001). Diversos aspectos subjetivos da dor crônica
foram diferentes entre gêneros (P < 0,05). Muitos pacientes
referiram moderada a intensa interferência da dor nas atividades
gerais (48,9%), no humor (47,2%), no sono (44,2%) e no prazer de
viver (33,0%). Em um modelo de regressão logistica, com ajustes
para diversas covariáveis (incluindo sintomas depressivos),
quando comparadas aos homens, as mulheres tiveram chances
significantemente maiores de apresentar interferências da dor nas
atividades gerais (razão de chances (OR) = 2,09, 95% intervalo de
confiança (IC) = 1,06-4,15), no humor (OR = 3,38, 95%, IC= 1,656,94), no sono (OR = 2,50, 95% IC = 1,22-5,12) e no prazer de viver
(OR = 3,58, 95% IC= 1,66-7,12). Conclusão: O estudo mostrou a
alta prevalência e o impacto negativo da dor crônica em vários
aspectos do bem –estar dos pacientes em hemodiálise,
principalmente nas mulheres. Os resultados chamam atenção da
equipe de diálise quanto da necessidade de reduzir a carga da dor
dos pacientes em hemodiálise.
Palavras chave: Hemodiálise; dor; gênero; aspectos
multidimensionais
TLP: 069
APRESENTAÇÃO DE PERITONITE FÚNGICA SECUNDÁRIA
À ENDOCARDITE, EM
Autor(es): Magda M Santos, Renata Lima, Flávia Sabóia,
Henrique Moreira Rebello, Ana Claúdia Fontes, Alinie Pichone,
Cláudio Querido, Beatriz P. Leite, Maurilo Leite Jr.
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ
O caso descrito trata de um episódio de peritonite fúngica (PF) que
levou ao diagnóstico de uma endocardite fúngica (EF), em
paciente transferida recentemente para diálise peritoneal (DP).
Paciente de 27 anos, portadora de doença renal crônica terminal
por nefropatia diabética, é internada para tratamento de peritonite.
Na microscopia do liquido peritoneal é identificada etiologia
fúngica, porém durante a internação a paciente evolui com
sintomas sistêmicos e êmbolos micóticos, gerando novos
desdobramentos sobre a gravidade da doença, seu foco primário e
possíveis causas. Em outubro de 2013, poucas semanas após o
início de DP, ainda com acesso venoso profundo (AVP), a paciente
é internada em outro hospital com o quadro súbito de hemiparesia
braquio-crural esquerda, sendo diagnosticado acidente vascular
encefálico isquêmico (AVEi). Passado um mês, é internada por dor
abdominal e febre, levando a tona a suspeita de peritonite,
confirmada pela citometria do líquido peritoneal. Iniciado
antibioticoterapia empírica. Cultura do material evidenciou a
presença de hifas. Suspensos os antibacterianos e iniciado
antifúngico (fluconazol). Após 3 dias, paciente apresenta melhora
dos sintomas abdominais, mas mantinha febre diária.
Hemoculturas eram sequencialmente positivas para Candida
parapsilosis. Investiga-se candidemia, e com ajuda de exames
complementares, chega-se ao diagnóstico de EF subaguda, com
diversos focos embólicos: AVEi por êmbolo fúngico, PF
secundária, infarto esplênico por êmbolo fúngico, e necrose distal
em pododáctilo. Durante a internação foi tratada com anfotericina
B. Submetida a esplenectomia, e cirurgia cardíaca com troca de
valva aótica. Nesses 5 meses, apresentou 2 quadros sépticos
bacterianos, com necessidade de terapia intensiva. Evoluiu com
um desfecho favorável, tendo alta hospitalar após término de 8
semanas de antifúngico sistêmicos, contados a partir da troca
valvar. Segue em programa de hemodiálise.
DISCUSSÃO: A literatura atual não faz referencia a endocardite
como consequência de PF, visto que essa dificilmente evolui com
sistemização, porém comprova que EF têm como fatores de risco
a presença de AVP, e doenças imunossupressoras como o
diabetes méllitus. Portanto, conclui-se que a apresentação de EF
por AVP pode ter um comportamento subagudo, e que a peritonite,
que motivou a internação da paciente, foi secundária a um quadro
de mútiplas embolizações fúngicas.
TLP: 070
ASSOCIAÇÃO DE CIPROFLOXACINO ORAL E CEFAZOLINA
INTRAPERITONEAL COMO TRATAMENTO EMPÍRICO DE
PERITONITES NA DIÁLISE PERITONEAL: 14 ANOS DE
SEGUIMENTO
Autor(es): Renata Lima, Michele Karla Damascena da Silva,
Marcia Nunes Valle, Fernando L. Cardoso, Henrique Moreira
Rebello, Magda M Santos, Beatriz Penedo Leite, Maurilo Leite
Jr.
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ
OBJETIVOS: Avaliar os resultados de 14 anos do tratamento
empírico para peritonites em pacientes em diálise peritoneal, que
consiste em ciprofloxacin oral e cefazolina intraperitoneal, com a
intenção de evitar o uso das cefalosporinas de 3ª geração, como o
ceftazidime, e vancomicina, que tem sido associados ao
aparecimento de Enterobactérias ESBL e Enterococos
vancomicina-resistente, respectivamente.
MÉTODOS: Foram avaliados 223 episódios de peritonites em 162
pacientes, 39 em DPAC e 15 em DPA, no período de março de
2000 até março de 2014. Todas as peritonites foram tratadas com
ciprofloxacin 500 mg via oral 2 vezes ao dia e cefazolina 15 mg/Kg
intraperitoneal 1 vez ao dia com permanência de 6 horas. Os
testes laboratoriais consistiram em cultura, contagem de células e
coloração de Gram do líquido peritoneal.
RESULTADOS: As culturas do líquido peritoneal foram positivas
em 62,4% dos episódios, com a seguinte distribuição: S.
coagulase negativo 37,4%, S. aureus 12,2%, Enterobactérias
19,4%, P. aeruginosa 9,3%, Enterococos 4,4%, Estreptococos
7,9%, Candida 2,8%, Acinetobacter 5,0%, Sphingomonas 0,7% e
Neisseria 0,7%. Os testes de sensibilidade realizados nas culturas
positivas (n=139), mostraram que 52,3% dos agentes eram
sensíveis a combinação ciprofloxacin e cefazolina; 24.4% sensível
somente a ciprofloxacin e 22,3% sensível somente a cefazolina.
Entre os episódios de falência terapêutica, 16 tipos de bactérias
foram resistentes a terapia (11,6% do total), 2,8% (n=4) episódios
de peritonite fúngica, e 9,3% (n=13) evoluíram com colonização do
cateter acarretando na retirada do cateter. De todos os episódios,
20,1% foram relacionados a infecção no orifício de saída.
CONCLUSÕES: O presente estudo mostrou que a associação de
ciprofloxacin oral e cefazolina intraperitoneal no tratamento das
peritonites nos pacientes em DP, mostrou-se segura e eficaz. Nós
sugerimos este regime como uma alternativa ao uso de
ceftazidime e vancomicina, evitando assim a possível indução de
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
33
resistência bacteriana observada com estes antibióticos.
TLP: 071
Seguimento de um paciente com Retocolite Ulcerativa em
diálise peritoneal: Um ano de experiência
Autor(es): Henrique Moreira Rebello, Renata Lima, Magda M
Santos, Barbara L Peralva, Michele Karla Damascena da Silva,
Marcia Nunes Valle, Beatriz Penedo Leite, Egivaldo Fontes
RIbamar, Maurilo Leite Jr.
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/HUCFF
Introdução:
De acordo com a diretriz KDOQI, a presença de qualquer doença
intestinal inflamatória (DII) em atividade torna a dialise peritoneal
(DP) contra indicada, entretanto caso a doença esteja em
remissão, é possível a aplicação do método com contra indicação
relativa. No caso descrito, apesar do paciente possuir DII foi
optado por inicio de DP por conta da coronariopatia do paciente e a
não adequação ao método hemodialítico.
Descrição do caso:
F. J. B., masculino, 76 anos, hipertenso, coronariopata grave, com
necessidade de revascularização miocárdica em 1991 e 2000,
angioplastia em 2003 e portador de Retocolite Ulcerativa (RCU)
desde 1997. Submetido a nefrectomia em 2013 em decorrência a
ITU de repetição e nefrolitíase, evoluiu com progressão da doença
renal iniciando a terapia renal substitutiva através de hemodiálise.
Devido a sua cardiopatia não tolerou o método. Foi transferido
para nossa unidade a fim de iniciar o programa de DP. Fazia uso de
sulfassalazina oral e estava em período de remissão da DII.
Atualmente, encontra-se em APD (NIPD) há 1 ano, bem adaptado
ao método. Não houve mudança no hábito intestinal ou piora da
doença inflamatória intestinal. Alcançou UF média 700 ml e
permanece com diurese residual média em 800 ml, KT/V total
médio 2,42 e nPCR médio 0,91. Não foi observado nenhum
episódio de peritonite durante o seguimento.
Discussão:
É comum que, pacientes coronariopatas graves, como neste caso,
não tolerem a hemodialise como método dialítico. Entretanto,
quando seguem em DP há uma boa tolerância ao método. De
acordo com a diretriz KDOQI, a presença de DII representa contra
indicação relativa à DP, o que depende da fase da doença
(remissão ou agudização). A razão para esta contra indicação
seria a possibilidade de translocação bacteriana devido à
atividade da RCU. Neste caso, como a doença intestinal estava
em remissão e a DP se tornou uma opção viável. Em 1 ano de
a c o m p a n h a m e n to , n ã o h o u v e n e n h u m a c o m p l i c a ç ã o
infecciosa/peritonite. Além disso, obtivemos uma boa adequação
ao método com KT/V e UF médios satisfatórios e não houve
agudização da RCU.
Resultados e conclusões:
Apesar de a RCU representar uma contra indicação relativa à DP,
notamos que, caso a doença intestinal esteja em remissão, a DP
torna-se uma opção segura nos casos em que hemodialise não
seja bem tolerada.
TLP: 072
Estudo do polimorfismo do gene G894T da óxido nítrico
sintase endotelial (eNOS), avaliação eletrocardiográfica e
níveis de óxido nítrico em pacientes dialíticos
Autor(es): ANDRADE, JLF, BELLINI, MH , NASCIMENTO, MA,
NOGUEIRA, GB, MANCUSO, F, KLEINE, JP, SILVA, IDCG,
CAETANO, SH, HIGA, EMS
(Autor) Medicina Translacional -UNIFESP/EPM ; 1,3,8
Nefrologia; 2 Medicina Translacional; 4 Cardiologia; 5,6
Ginecologia- UNIFESP/EPM; 7 Instituto de Nefrologia de Mogi
das Cruzes
A doença renal crônica (DRC) caracteriza-se por apresentar risco
de complicações cardiovasculares, que por muitas vezes
ultrapassam os fatores de risco tradicionais, incluindo o
34
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
prolongamento do intervalo QT e os fatores herdados
geneticamente. A óxido nítrico sintase endotelial (eNOS) é uma
enzima de grande importância para a homeostase do sistema
cardiovascular, sendo uma das responsáveis pela produção do
óxido nítrico (NO), um importante vasodilatador. A eNOS possui
três polimorfismos, dentre eles destaca-se o polimorfismo
(G894T) que resulta da substituição da base nitrogenada guanina
por timina, na posição 894 localizada no éxon 7, que apresenta
correlações com problemas cardiovasculares e morbimortalidade
nessa população. O objetivo deste estudo foi correlacionar a
distribuição alélica do polimorfismo TT, GT e GG para o gene da
eNOS com a duração do intervalo QT e os níveis de NO em
pacientes dialíticos. Estudamos 100 pacientes em hemodiálise do
Instituto de Nefrologia de Mogi das Cruzes/SP (74 homens e 26
mulheres) com idade entre 51,2±14,8 anos e tempo médio de
tratamento dialítico de 3,1±3 anos. No período pré–dialítico, foram
realizadas coletas de sangue para análise genética e mensuração
do NO; foi realizado também ECG de 12 derivações. O perfil do
polimorfismo G894T da eNOS foi analisado por meio da técnica
convencional da reação em cadeia da polimerase (PCR-RFLP),
seguida de digestão pela enzima de restrição Ban II. O NO foi
determinado através do equipamento NO Analyzer, que se baseia
na técnica de quimioluminescência, padrão ouro na detecção
desta molécula. O estudo demonstrou que o genótipo GG foi o
mais presente, ocorrendo em 53% dos pacientes, seguidos por GT
40% e TT 7%. A distribuição genotípica não apresentou
associação com níveis de NO, nem com o prolongamento do
intervalo QT, o qual manteve o padrão de normalidade (434,1 ±
36,7 ms; p> 0,05). Concluímos que os genótipos da eNOS não
apresentaram correlação com a duração do intervalo QT, que se
manteve normal nestes pacientes, nem com os níveis de NO.
TLP: 073
Análise da Função Renal Residual de acordo com o perfil
metabólico de pacientes em Diálise Peritoneal
Autor(es): Gabriel de Almeida Ferreira, Eduardo de Paiva
Luciano, Gilson Fernandes Ruivo
Centro Estadual de Tratamento de Doenças Renais do Vale do
Paraíba. Universidade de Taubaté – São Paulo
Introdução: A Doença Renal Crônica consiste em perda
progressiva e irreversível da função renal. Uma forma de mantê-la
é através da Diálise Peritoneal (DP). A solução com glicose
utilizada na DP pode predispor e descompensar a Diabetes
Mellitus e aumentar o depósito de gordura. É conhecida a elevada
mortalidade nesta população, sendo que a Função Renal
Residual (FFR) é um bom parâmetro para estimar o Risco
Cardiovascular destes pacientes.Objetivo: Avaliar a relação entre
Marcadores de Inflamação, Metabólicos e a Função Renal
Residual em Pacientes em Diálise Peritoneal.
Casuística e Métodos: Estudou-se 100 pacientes em DP, sendo
avaliados marcadores inflamatórios (PCR, Fibrinogênio, Albumina
e Ácido Úrico) e metabólicos (Glicemia, HbA1c, Insulina, HOMAIR, QUICKI e Colesterol Total e Frações), além da Função Renal
Residual e da presença de Síndrome Metabólica (SM) pelo critério
da NCEP-modificado.
Resultados: Analisou-se 100 pacientes em DP com idade média
de 57,3±9,3 anos, 53,0% do gênero masculino e 57,0%
apresentavam SM. A Função Renal Residual foi 2,86±1,92
ml/min/1,73m², sem diferença entre o grupo com e sem SM
(p>0,05).
Sua mediana foi de 2,48 mL/min/1,73m², valor utilizado para
estratificar os pacientes em dois grupos. O grupo com maior FRR
possuíram menores valores de glicemia (p=0,013), HbA1c
(p=0,014), HOMA-IR (p=0,000), PCR (p=0,027), Fibrinogênio
(p=0,004), Ácido Úrico (p=0,005) e maiores índices de Albumina
(p=0,021) e QUICKI (p=0,000), além de um menor Escore de
Framingham (p=0,045).
A FRR também foi correlacionada com as variáveis estudadas,
apresentando uma correlação positiva com o Índice de QUICKI
(r=0,262 p=0,009) e Albumina (r=0,235 p=0,018) e negativa com
Glicemia (r=-0,271 p=0,006), HOMA-IR (r=-0,22 p=0,009), Ácido
Úrico (r=-0,308 p=0,002), Creatinina (r=-0,237 p=0,018) e
“Número de Fatores para SM” (r=-0,200 p=0,046).
Conclusões: Apesar das limitações de um estudo transversal,
verificamos que os pacientes com maior FFR possuíam melhor
perfil metabólico e menores marcadores inflamatórios do que o
grupo com menor FFR.
TLP: 074
Associação entre Síndrome Metabólica e Marcadores
Inflamatórios em Pacientes em Diálise Peritoneal
Autor(es): Gabriel de Almeida Ferreira, Eduardo de Paiva
Luciano, Gilson Fernandes Ruivo
Centro Estadual de Tratamento de Doenças Renais do Vale do
Paraíba. Universidade de Taubaté – São Paulo
Introdução: A Doença Renal Crônica consiste em perda
progressiva e irreversível da função renal. Uma forma de mantê-la
é através da Diálise Peritoneal (DP). A solução com glicose
utilizada na DP pode predispor e descompensar a Diabetes
Mellitus e aumentar o depósito de gordura, resultando em uma
Síndrome Metabólica (SM).
Objetivo: Avaliar a relação entre Marcadores de Inflamação e
Síndrome Metabólica em Pacientes em Diálise Peritoneal.
Casuística e Métodos: Estudou-se 100 pacientes em DP, sendo
avaliados marcadores inflamatórios (PCR, Fibrinogênio, Albumina
e Ácido Úrico) e metabólicos (Glicemia, HbA1c, Insulina, HOMAIR, QUICKI e Colesterol Total e Frações), além da presença de SM
pelos critérios da NCEP-modificado.
Resultados: Analisou-se 100 pacientes em DP com idade média
de 57,3±9,3 anos, 53,0% do gênero masculino e 57,0%
apresentavam SM, sendo esta mais prevalente nas mulheres
(p=0,044).
Quanto aos marcadores metabólicos, foi encontrado um valor de
insulina de 11,2±6,3 mU/L e de HbA1c de 6,2±2,5 %, sendo ambos
maior no grupo com SM (p=0,000 para ambos). Na análise do perfil
lipídico, o Colesterol total foi de 210,5±41,6 mg/dL, o HDL de
43,6±6,7 mg/dL, o LDL de 128,8±35,0 mg/dL e o Triglicérides de
157±74,5 mg/dL, sendo o HDL menor no grupo com SM (p=0,006)
e o Triglicérides maior neste mesmo grupo (p=0,000). Por fim, ao
verificar os marcadores inflamatórios, foi encontrado um PCR de
34,6±30,4 mg/L, um Fibrinogênio de 343,6±115,6 mg/dL e um
Ácido Úrico de 6,7±1,8 mg/dL, sendo todos maiores na população
com SM (p=0,007, p=0,006 e p=0,000, respectivamente).
Posteriormente foi realizada a estratificação da população em
estudo de acordo com o número de critérios preenchidos para
diagnóstico da SM pela NCEP-modificado e comparado com as
diversas variáveis estudadas. Encontrou-se que os marcadores
inflamatórios (PCR, fibrinogênio e ácido úrico) são maiores quanto
maior o número de critérios, assim como a pressão arterial é maior,
há maior glicemia e maior resistência à insulina (HOMA-IR e
QUICKI) e um pior perfil lipídico com o aumento dos critérios
preenchidos, todos com correlação significativamente estatística
(p<0,05).
Conclusões: Verificamos que os pacientes em DP possuem uma
elevada prevalência de SM, além de marcadores inflamatórios e
metabólicos piores neste grupo.
TLP: 075
UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL
MODIFICADO PELA ALBUMINA NA AVALIAÇÃO DO ESTADO
NUTRICIONAL DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Autor(es): Nélia Antunes, Roberta de Lemos Santos, Tatiana
Pereira de Paula, Elizabete Goes da Silva, Maurilo Leite Jr.
Serviços de Nefrologia e Nutrição, Hospital Universitário
Clementino Fraga Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Introdução: O estado nutricional é um importante fator associado
ao prognóstico e evolução clínica de pacientes em hemodiálise
(HD). Atualmente, diferentes métodos objetivos e subjetivos têm
sido empregados na avaliação do estado nutricional, tendo em
vista a limitação do uso de um parâmetro isolado. O índice de
massa corporal convencional (IMCc) pode não ser um bom
parâmetro devido a provável presença de edema nesses
pacientes. O índice de massa corporal modificado (IMCm)
consiste no produto do IMC (kg/m²) pela albumina sérica (g/L) e
pode ser utilizado para compensar o edema em determinados
grupos de pacientes. O objetivo do estudo foi avaliar parâmetros
nutricionais em pacientes em HD e comparar com o IMCm.
Métodos: Foram estudados 26 pacientes em HD, com avaliação
dos níveis séricos de albumina (g/dL), colesterol total (mg/dL),
contagem total de linfócitos (CTL/mm³), equivalente protéico do
aparecimento de nitrogênio (PNA, g ptn/kg/dia), IMCc (kg/m²) e
IMCm (kg/m²*g/L). Os pacientes foram classificados em 3 grupos
de acordo com o IMC modificado (Eutrofia – IMCm>750; Baixo
peso – IMCm<750 e Desnutrição grave – IMCm<600) e de acordo
com PNA (PNA>1,2; PNA 1,0-1,2; PNA<1,0). Valores de IMCc <
23kg/m², albumina < 4,0 g/dL, CTL < 1500/mm³ e colesterol total
<150mg/dL foram considerados pontos de corte para desnutrição,
segundo Fouque et al, 2008. Resultados: Os pacientes
apresentaram os seguintes valores: IMCc = 20,6 ± 4,98 kg/m²,
albumina = 3,4 ±0,41g/dL, CTL = 1386,3 ± 557,77 /mm³, colesterol
total = 147,1 ± 31,89, PNA = 1,02 ± 0,27 g/kg/dia e o IMCm 737,7 ±
184,16 kg/m²*g/L. Dos 26 pacientes estudados, 30,8% (n=8)
apresentaram algum grau de desnutrição quando avaliados pelo
IMCc e 57,7% (n=15) apresentaram déficit nutricional quando
avaliados pelo IMCm. Em pacientes com desnutrição grave, o
IMCm identificou os que apresentavam ingestão protéica <1,2
g/kg/dia (p<0,01). Ao considerar todo o grupo estudado, o IMCm
apresentou correlação fraca com PNA (r=0,29, p<0,001), CTL
(r=0,37, p<0,001) e colesterol total (r=0,19, p<0,005). Conclusão:
O IMCm foi capaz de detectar um maior percentual de pacientes
com desnutrição que o IMCc. O IMCm pode ser mais um
parâmetro para avaliação do estado nutricional de pacientes em
HD. Mais estudos são necessários para confirmar esses achados.
TLP: 076
Prevalência de pacientes em tratamento em Hemodiálise, na
rede SUS-BH
Autor(es): Fernanda Martins Ribeiro, Márcia Dayrell, Lenice
Harumi Ishitani, Fernando Márcio Freire
Comissão Municipal de Nefrologia e Transplantes Secretaria
Municipal de Saúde Belo Horizonte
Introdução: De acordo com o censo de diálise publicado em 2012,
o número de pacientes em Doença Renal Crônica (DRC) estádio V
no Brasil, praticamente duplicou na última década. Até o momento,
não existe estudo nacional sobre prevalência da DRC nos
estágios não dialíticos. Em Belo Horizonte, são 11 serviços
credenciados pelo SUS para atendimento em diálise. São em
média 2200 pacientes/mês, sendo cerca de 60% residentes em
Belo Horizonte. Objetivo: Conhecer a prevalência de pacientes em
Terapia Renal Substitutiva (TRS) na modalidade hemodiálise no
município de Belo Horizonte (BH), tendo como fonte o subsistema
de autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC).
Metodologia: Foi calculada a Taxa de prevalência, considerando
numerador, o número de pacientes residentes em BH submetidos
a tratamento dialítico pelo SUS no mês de julho de 2013 e como
denominador, a estimativa da população residente no município
em 2013 (estimativa IBGE). Residentes em BH, tiveram os
endereços de residência georeferenciados para cálculo das taxas
de prevalência, por distrito sanitário. Optou-se por utilizar uma
base mensal do subsistema APAC, devido à dificuldade de se
obter o número fidedigno de pacientes na consolidação anual.
Resultados: No mês de julho de 2013, 2153 pacientes estavam
registrados no subsistema APAC, sendo 1379 residentes em Belo
Horizonte (64,1%). A taxa de prevalência do município foi de
57,6/100.000 habitantes, maior que o encontrado para a Grande
São Paulo (45,48/100.000 habitantes). As taxas aumentaram com
a faixa etária. As faixas etárias de 60 a 69 e de 70 a 79 anos,
tiveram taxas pelo menos 2,3 vezes maior que o da faixa etária de
40 a 49 anos. Em relação ao Distrito Sanitário de residência,
Centro-Sul mostrou taxa significativamente menor que os demais
distritos sanitários. Conclusão: Essa é uma primeira análise
realizada no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde. Ressaltase que as taxas de prevalência encontradas referem-se aos
registros de pacientes cadastrados no subsistema de Autorização
de Procedimento de Alta Complexidade (APAC), rede-SUS-BH.
Em que pese a limitação de ainda não se obter a taxa de
prevalência do município, essa primeira análise representa um
importante avanço na vigilância de Doenças crônicas não-
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
35
transmissíveis, pois permitirá o monitoramento desse importante
agravo.
TLP: 077
Impacto Positivo da Atenção Farmacêutica na Qualidade de
Vida de Pacientes Tratados por Hemodiálise – Análise
Preliminar de Ensaio Clínico Randomizado
Autor(es): VALERIA PIREZ GORNATTI, NATHALIA DO
NASCIMENTO VONTOBEL, MAURICE NETO DE SOUZA,
KELLEN PEREIRA MACIEL, MIRIAM MOREIRA MUSSI,
MARISTELA BÖHLKE, JOÃO PEDRO MUSSI LAYDNER,
JONAS PETER, CYNARA SILVA SILVEIRA, MARYSABEL
PINTO TELIS SILVEIRA
Universidade Católica de Pelotas
Introdução: A prevalência de doença renal crônica (DRC) tem
aumentado no mundo todo, com incremento na necessidade de
terapia renal substitutiva. A DRC tem impacto negativo na
sobrevida e na qualidade de vida relacionada a saúde (HRQoL),
em função dos sintomas e limitações associados a doença e ao
seu tratamento. O presente estudo tem como objetivo analisar o
impacto da atenção farmacêutica em variáveis clínicas e
laboratoriais e na HRQoL de pacientes portadores de DRC
tratados por hemodiálise (HD). Pacientes e Métodos: Ensaio
clínico randomizado com inclusão de pacientes adultos tratados
por HD há 3 meses ou mais em hospital universitário. Os pacientes
foram alocados para o grupo intervenção (GI), com atenção
farmacêutica uma vez ao mês, e grupo controle (GC), com cuidado
clínico habitual, durante 1 ano. Os desfechos são parâmetros
clínicos, laboratoriais e medida da HRQoL por instrumento
específico (KDQoL-SF), a cada 6 meses. O tamanho de amostra
foi calculado em 70 pacientes. O presente relato preliminar
descreve os resultados em termos de HRQoL para os primeiros 37
pacientes que concluíram a avaliação de 6 meses. Resultados:
Foram avaliados 21 pacientes no GC e 16 no GI. As características
de base dos dois grupos foram similares, com exceção da idade,
que foi maior no grupo controle (59,0 anos, IC 95% 55,0-63,7 vs.
51,0, IC 95% 42,2-60,8, p=0,04) e o domínio Lista de Sintomas e
Problemas (LSP) do KDQoL-SF, que foi melhor no GI (81,86 IC
95% 75,59 vs. 74,20 IC 95% 67,67-80,73, p=0,04). Quando
ajustada para idade, a diferença no LSP deixou de ser significativa.
Na avaliação após 6 meses de estudo, foram detectadas
diferenças estatisticamente significativas nos domínios LSP (GI
89,71 IC 95% 86,14-93,28 vs. GC 79,57 IC 95% 71,47-87,66,
p=0,01), Função Cognitiva (GI 95,00 IC 95% 90,41-99,58 vs. GC
80,95 IC 95% 71,58-90,31, p=0,007) e Componente Sumário
Mental (GI 54,31 IC 95% 49,95-58,68, vs. 45,94 IC 95% 40,0751,81, p=0,01) do KDQoL-SF. As diferenças se mantiveram após o
ajuste para idade. Conclusões: Em análise preliminar, seis meses
de atenção farmacêutica resultaram em melhora significativa da
qualidade de vida relacionada a saúde em pacientes portadores
de DRC tratados por hemodiálise.
TLP: 078
ATENÇÃO FARMACÊUTICA AO PACIENTE EM
HEMODIÁLISE: RESULTADOS PARCIAIS DE ENSAIO
CLÍNICO RANDOMIZADO
Autor(es): VALERIA PIREZ GORNATTI, NATHALIA DO
NASCIMENTO VONTOBEL, MAURICE NETO DE SOUZA,
KELLEN PEREIRA MACIEL, MIRIAM MOREIRA MUSSI,
MARISTELA BÖHLKE, JOÃO PEDRO MUSSI LAYDNER,
JONAS PETER, CYNARA SILVA SILVEIRA, MARYSABEL
PINTO TELIS SILVEIRA
Universidade Católica de Pelotas
Introdução: Devido ao importante papel na morbimortalidade, as
doenças crônicas, entre elas a Doença Renal Crônica (DRC), têm
recebido maior atenção dos profissionais de saúde nas últimas
décadas. O controle rigoroso da pressão arterial, assim como o
ganho de peso interdialítico, são da maior importância para
36
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
diminuir o risco da doença cardiovascular frequentemente
associada. A Atenção Farmacêutica (AF) envolve o
acompanhamento do paciente, com o objetivo, entre outros, de
responsabilizar-se junto a ele para alcançar os objetivos
terapêuticos desejados. Método: Ensaio clínico randomizado, os
pacientes foram divididos em grupo controle (GC) (atendimento
habitual) e grupo intervenção (GI) (foi prestada AF). Foram
medidos parâmetros clínicos e laboratoriais, entre eles, pressão
arterial e ganho de peso interdialítico. A AF foi prestada durante
seis meses por acadêmicos de farmácia, devidamente treinados,
com frequência mínima mensal, sendo que no início as entrevistas
foram mais frequentes. O tempo total do estudo será de um ano.
Resultados: Foram acompanhados 29 pacientes no GC e 21 no
GI, apenas a idade mostrou-se estatisticamente diferente entre os
grupos na linha de base, sendo maior nos pacientes do grupo
controle (GC: Média 59 anos, IC95% 55-63,7; GI: Média 51 anos;
IC95% 42,2-60,8), demais variáveis sóciodemográficas e clínicas
distribuíram-se homogeneamente. Ao final dos seis meses de
acompanhamento não houve diferença estatisticamente
significativa entre os grupos na pressão arterial nem no ganho de
peso interdialítico. Pressão arterial sistólica: GC: Média 138
mmHg, IC95% 133-144; GI: Média 137, IC95% 130-145. Pressão
arterial diastólica: GC: Média 84,7, IC95% 80,7-88,7; GI: Média 84,
IC95% 79,7-88,4). Ganho de peso interdialítico: GC: 2,494g
IC95% 2100-2886); GI: 2387g IC95% 1940-2833). Conclusão: a
intervenção AF não se mostrou efetiva para controle da PA ou
ganho de peso interdialítico nos pacientes em hemodiálise
estudados, porém, estes são dados parciais, o tempo de
acompanhamento total será de um ano, e o número de pacientes
pode também ter contribuído para não termos encontrado
diferenças significativas ente os grupos.
TLP: 079
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E DO ESTRESSE
OXIDATIVO DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Autor(es): Roberta de Lemos Santos, Tatiana Pereira de Paula,
Maurilo Leite Jr.
Serviços de Nefrologia e Nutrição, Hospital Universitário
Clementino Fraga Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Introdução: O estresse oxidativo (EO) tem sido descrito como um
fator de risco não tradicional para doença cardiovascular, principal
causa de morte entre pacientes em hemodiálise (HD). O estado
nutricional (EN) bem como a ingestão de antioxidantes parece ter
relação com o EO. O objetivo do estudo foi avaliar o EN, a ingestão
de micronutrientes antioxidantes e os níveis de marcadores de EO
em pacientes em HD. Métodos: Foram avaliados 25 pacientes em
HD. O EN foi determinado pelo resultado de dois ou mais
parâmetros (índice de massa corporal, dobra cutânea triciptal,
circunferência muscular do braço e % de adequação do peso atual
em relação ao ideal), sendo os pacientes divididos em 3 grupos
(eutróficos, n=13; desnutridos, n=7 e com sobrepeso/obesos,
n=5). Também foram avaliados os níveis séricos de albumina,
triglicerídeos, colesterol total e frações. A ingestão alimentar foi
avaliada por meio de registro alimentar de 3 dias. Níveis
plasmáticos do grupamento tiol, carbonil e da atividade enzimática
da catalase foram quantificados e comparados aos níveis em 9
indivíduos saudáveis. Resultados: A média de idade entre foi de
46,7±14,7 anos, sendo 32% do sexo masculino e 68% do sexo
feminino. A albumina sérica foi maior em pacientes eutróficos
quando comparados aos desnutridos (p=0,03) e os pacientes com
sobrepeso/obesos apresentaram maiores níveis de triglicerídeos
(p=0,01). Um total de 71% dos pacientes apresentaram ingestão
de zinco, vitamina E e vitamina C abaixo da recomendação e 36%
apresentaram baixa ingestão de selênio. A ingestão energética,
proteica e de micronutrientes foi semelhante entre os grupos. Os
marcadores de EO (tiol, carbonil e atividade de catalase) não
apresentaram diferença significativa quando comparados aos
indivíduos saudáveis (2,71±0,21 vs 2,95±0,37 nmol de DTNB
reduzido/mg; 0,19±0,04 vs 0,14±0,03 nmol/mg; 168,4±5,9 vs
171,8±7,1 U), nem entre os pacientes eutróficos, desnutridos e
com sobrepeso/obesos (2,8±0,9 vs 2,9±1,2 vs 2,9±0,9 nmol de
DTNB reduzido/mg; 0,16±0,1 vs 0,15±0,14 vs 0,16±0,09 nmol/mg;
167,0±24,7 vs 170,3±28,8 vs 157,5±44,1 U). Conclusões: Os
pacientes apresentaram baixa ingestão de micronutrientes
antioxidantes, porém não foi encontrado aumento dos
marcadores de EO nos pacientes em HD e o EN não influenciou os
níveis desses marcadores. Sugere-se que outras defesas
antioxidantes, possivelmente enzimáticas, parecem compensar a
baixa ingestão de antioxidantes e manter o equilíbrio oxidativo
nesta população.
TLP: 080
ASSOCIAÇÃO ENTRE ESCORE DE DESNUTRIÇÃOINFLAMAÇÃO E TEMPO DE HEMODIÁLISE EM
NEFROPATAS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Autor(es): Gilvan Campos Sampaio, Laís Ferreira de Sousa,
Jéssica Vasconcelos Oliveira Jorge Pereira, Antonia Caroline
Diniz Brito, Elane Viana Hortegal, Raimunda Sheyla Carneiro
Dias
Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão
INTRODUÇÃO: A desnutrição é um dos principais fatores que
afetam adversamente o prognóstico do paciente renal crônico em
diálise e tem sido associada ao aumento da morbidade e
mortalidade nessa população. Vários métodos de avaliação
nutricional têm sido propostos nos últimos anos. Os métodos de
avaliação nutricional subjetivos tem se mostrado como boa opção
na avaliação nutricional de pacientes renais crônicos submetidos à
hemodiálise, os quais são comumente acometidos por
complicações nutricionais. Este estudo teve como objetivo avaliar
a associação entre o escore de desnutrição-inflamação
(Malnutrition Inflammation Score -MIS) e o tempo de hemodiálise
em nefropatas de um Hospital Universitário. METODOLOGIA:
Estudo de delineamento transversal com 82 pacientes com idade
superior a 18 anos. Como parte da rotina hospitalar, foi realizada
avaliação do estado nutricional baseada em parâmetros
antropométricos (peso, altura, Índice de Massa Corporal-IMC) e
métodos subjetivos (Malnutrition Inflammation Score - MIS).
Utilizou-se o teste Shapiro Wilk para avaliar a normalidade das
variáveis. As variáveis quantitativas foram apresentadas por
média e desvio padrão. Para comparação das variáveis
qualitativas, foi utilizado o teste Qui-quadrado. O nível de
significância adotado foi de 5%. Os dados foram analisados
através do pacote estatístico STATA 10.0. RESULTADOS: Os
pacientes apresentaram média de idade de 48,4 ± 16,4 anos,
tempo médio de hemodiálise de 4,0 ± 2,9 anos, predomínio do
sexo masculino (44,0%), ensino fundamental incompleto (41,0%)
e mais da metade (54,0%) dos pacientes eram naturais do interior
do estado. A avaliação do estado nutricional revelou maior
prevalência de indivíduos normais/eutróficos tanto quando
avaliados pelo IMC (52,4%) quanto segundo a MIS (81,7,0%).
Com relação ao sexo, ambos apresentaram prevalência de estado
nutricional normal segundo a MIS, com maioria do sexo masculino
(86,4%) em relação ao sexo feminino (76,3%). Quanto à
associação entre tempo de hemodiálise e estado nutricional, a
maior parte dos pacientes apresentaram estado nutricional
normal. No entanto, cerca de 22,0% dos pacientes com tempo de
hemodiálise _ 5 anos demonstraram algum grau de desnutrição.
CONCLUSÃO: Apesar da baixa escolaridade, a maioria da
população pesquisada apresentou estado nutricional adequado.
Os pacientes com maior tempo de diálise apresentaram maior
risco de desnutrição.
TLP: 081
Perfil Clínico de Pacientes submetidos à Hemodiálise em
Unidade de Terapia Intensiva de um Hospital Universitário
Autor(es): FRANKLIN PABLO SOUZA VASCONCELOS,
CARLOS EDUARDO CORSI DO AMARAL , SAMUEL PEREIRA
ALVES, IZABELLA MIKAELLA SOUZA CAMPOS
D'ALBUQUERQUE, ISABELA CAVALCANTE SALGADO,
ITHAAN BARBOZA DA SILVA, GISELLE ANDRADE DOS
SANTOS SILVA, MARIA DE FÁTIMA COSTA, DYEGO JOSÉ DE
ARAÚJO BRITO, Natalino Salgado Filho
Introdução: A disfunção renal é umas das complicações
patológicas mais frequentes entre os pacientes internados em
Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As taxas de morbi-mortalidade
desses pacientes são elevadas, mesmo com o avanço nas
técnicas de hemodiálise. Métodos: Com o objetivo de traçar o perfil
clinico dos pacientes que realizaram hemodiálise nas UTI's Geral
e Cardiológica do Hospital Universitário da Universidade Federal
do Maranhão (HU-UFMA), foi realizado um estudo clínico,
observacional, descritivo, com delineamento transversal e coleta
retrospectiva dos dados. Foram revisados os relatórios mensais
de hemodiálise no período de abril a setembro de 2013, incluindo
um total de 47 pacientes em tratamento. As informações coletadas
foram repassadas para um banco de dados no Excel e analisados
pelo Stata 10.0. Resultados: Dentre os pacientes submetidos à
hemodiálise, 42,55% (n=20) eram idosos e 51,06% (n=24) eram
do sexo feminino. Segundo o local de internação, 76,60% (n=36)
estavam na UTI Geral e 23,40% (n=11) na UTI Cardiológica. Em
51,6% (n=24) dos casos, o diagnostico funcional era de IRA e em
42,55% (n=20) de Doença Renal Crônica Terminal (DRCT). A
principal etiologia da disfunção renal entre os pacientes com IRA
foi sepse (54,17%) e dos pacientes com DRCT foi nefropatia
diabética (54,54%). Em 26 (55,32%) casos, foi identificado o uso
de drogas vasoativas. O número de procedimentos hemodialíticos
realizados foi de 229, sendo 65,94% hemodiálise intermitente e
25,76% hemodiálise estendida; a média de sessões por paciente
foi de 4,87. Durante os procedimentos foram registradas 72
intercorrências (31,44%), sendo hipotensão a mais frequente 75%
(n=54). O número de óbitos registrados foi de 23 (48,94%), sendo
15 (65,22%) nos pacientes com IRA e 8 (33,33%) nos pacientes
com DRC. O número de pacientes que deixaram a UTI em dialise
foi 18 (38,30%). Conclusão: Os resultados mostraram que a
disfunção renal teve um elevado impacto no desfecho clínico dos
pacientes internados nas UTI avaliadas. A mortalidade foi mais
elevada entre os pacientes com diagnóstico funcional de IRA.
TLP: 082
Retreinamento do paciente em diálise peritoneal
Autor(es): Vanessa Burgugi Banin, Mayara Queiroz Thomé,
Jacqueline C. Teixeira Caramori, Laudilene Cristina Rebello
Marinho, Estela Regina Pacheco de Campos Pereira, Marcela
Lara Mendes, Rogério Carvalho de Oliveira, Pasqual Barretti
Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
Tendo em vista que a diálise peritoneal (DP) é terapia domiciliar, o
papel educacional e de monitorização de adequação da técnica e
do ambiente é fundamental para corrigir erros e prevenir
infecções.
Com esse objetivo, o presente estudo, através da aplicação de
questionários e da simulação da técnica de diálise peritoneal o
presente estudo realizou um retreinamento (reciclagem) de todos
os pacientes adultos em diálise peritoneal no HC- UNESP, com
mais de 6 meses em terapia. O intuito foi identificar possíveis
falhas de adequação do ambiente e de realização da técnica de
diálise além de correlacionar esses achados com renda,
escolaridade e número de eventos infecciosos (peritonites e
infecções de orifício de saída).
Foram selecionados 22 pacientes, com média de seguimento em
DP de 253 meses. Desses pacientes, 60% apresentaram
simulação de técnica de diálise inadequada (com erros) e 34 %
ambiente inadequado (armazenamento incorreto do material de
diálise), sendo que entre esses últimos houve maior incidência de
infecções de orifício de saída (p=0,04).
Há poucos estudos na literatura sobre retreinamento de técnica
dos pacientes em diálise peritoneal, apesar de ser um assunto de
grande importância visto que a principal causa de perda do
método é decorrente de complicações infecciosas.
Nosso estudo alerta sobre a importância da realização de
reciclagens frequentes da técnica de diálise peritoneal (com todos
os cuidados necessários para prevenir infecções) e orientações
sobre a manutenção da adequação do ambiente em que essa
diálise for realizada.
O prazo de seis meses do início da terapia já identifica erros
corrigíveis e potencialmente graves ao paciente.
Universidade Federal do Maranhão
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
37
TLP: 083
Prevalência, controle e perfil da hipertensão arterial em
hemodiálise no estudo CORDIAL
Autor(es): Jayme Eduardo Burmeister, Camila Borges
Mosmann, Juliano Peixoto Bastos, Bruna Ortega Burmeister,
Gisiane Munaro, Japão Drose Pereira, Deborah Wassaf
Youssef, Guilherme Utz Melere, Guido Aranha Rosito
Curso de Medicina - Universidade Luterana do Brasil, Canoas
Introdução: Hipertensão arterial (HAS) é um fator de risco
cardiovascular importante e com alta prevalência entre pacientes
renais crônicos em hemodiálise (HD). Além disso, a maioria
desses pacientes não apresenta níveis controlados da pressão
arterial (PA). No Brasil, estes dados epidemiológicos são
escassos.
Métodos: Os 1215 pacientes adultos em HD em Porto Alegre em
2010-2011 foram incluídos no estudo CORDIAL. Dados de PA pré
e pós-HD, assim como em dias sem HD, eram disponíveis para
1.200 deles. Definiu-se HAS como PA sistólica e/ou diastólica préHD _140 e _90 mmHg respectivamente, ou o uso de qualquer
medicação anti-hipertensiva. Controle da HAS foi definido como
PA pré-HD <140/90mmHg e pós-HD <130/80mmHg. Foram
utilizadas médias dos 3 últimos registros de PA pré e pós-HD. Para
PA fora da diálise, considerou-se a média de 3 ou mais valores
recentes registrados em dias sem HD nos 2 meses prévios.
Resultados: A média (DP) de idade dos pacientes era 52,7 (11,6)
anos; 60,9% eram homens. A prevalência de HAS foi de 87,4% e
apenas 20,3% destes tinham valores de PA controlados. Naqueles
com não controle da PA pré-HD, 16% tinham PA pós-HD
controlada. Apenas 18% mantinham PA <140/90mmHg fora da
HD.
A prevalência de pressão de pulso _60mmHg foi maior nos nãocontrolados comparados aos controlados ou aos não-hipertensos,
nas 3 situações (pré-, pós-, e fora da HD) – p<0,0001 (Quiquadrado) para todos.
Drogas anti-hipertensivas eram utilizadas por 96,1% dos
hipertensos (95,6% dos não-controlados e 98,5% dos
controlados), sem diferença na prevalência de uso de cada classe
medicamentosa (iECA, BRA, betabloqueadores, antagonistas do
canal do cálcio) entre os dois grupos.
Entre os controlados, a idade foi maior (p<0,0001 – teste-t) e havia
mais idosos (_65 anos) - p<0,0001 – Qui-quadrado. Dentre os
fatores de risco cardiovascular, diabetes e dislipidemia foram mais
prevalentes entre os hipertensos do que entre os não-hipertensos
(p<0,005 e <0,0001, respectivamente – Qui-quadrado) e havia
mais idosos entre os não-hipertensos (p=0,02 – Qui-quadrado);
tabagismo, sedentarismo e obesidade não apresentaram
diferenças.
Conclusões: A prevalência de HAS foi elevada, e a taxa de controle
da PA foi baixa, sendo similares à outros estudos em diversos
países. Em análise univariada, dislipidemia e diabetes foram os
únicos fatores de risco cardiovascular que apresentaram
associação significativa com o não controle da hipertensão.
TLP: 084
Prevalência de tabagismo em hemodialisados de uma
clínica do estado do Rio de Janeiro
Autor(es): Valdebrando Mendonça Lemos, Laís Nani Rodrigues,
Marinna B. Barros, Renata R. Justiniano, Rodrigo P. Azevedo
Faculdade de Medicina de Campos-RJ e Pró-Rim Clínica de
Doenças Renais
Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) constituem
principal causa de óbito em pacientes com doença renal crônica
(DRC) em hemodiálise (HD). Nesses, a mortalidade por DCV é 10
a 20 vezes maior que na população geral, chegando a 44 vezes na
presença de diabetes. A DCV ocorre em até 50% de
assintomáticos em diálise, em razão dos muitos fatores de risco
acumulados, dentre os quais o tabagismo. O objetivo do trabalho
foi avaliar a incidência e características do tabagismo nessa
população. Pacientes e Métodos: Foram incluídos 215 pacientes,
há pelo menos 3 meses em HD, com idade acima de 18 anos, em
38
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
condições de informar quanto ao tabagismo. Os dados foram
coletados mediante entrevista e revisão de prontuários. A análise
estatística foi realizada com o software SPSS, com variáveis
numéricas expressas como média e desvio padrão e mediana e
extremos conforme a distribuição. As variáveis categóricas
expressas em número absoluto e percentual. Significância
estatística foi considerada quando p<0,05. Resultados: A média
de idade foi 55±14 anos, sendo 132(61,4%) do sexo masculino, a
maioria 131(60,9%) não branca. A mediana do tempo em HD foi de
54(3-263) meses. As etiologias de DRC mais frequentes foram
hipertensão 141(65,6%) e diabetes 30(14,0%). Os fumantes
ativos foram 15(7%), com média de 31±16 anos, na quantidade de
0,84±0,34 maços/dia, e carga tabágica de 28(2,8-61,5) maçosano. Os que já haviam fumado foram 84(39,1%), com média de
21±14 anos, na quantidade de 1(0,1-3) maços/dia, e carga
tabágica de 17(0,07-108) maços-ano. Daqueles 84 que pararam
de fumar, 63(75%) pararam antes e 21(25%) após iniciar a HD. Os
fumantes passivos foram 47(21,9%). Comparando o grupo de
fumantes ativos e não fumantes, não houve diferença significativa
quanto à idade, sexo, raça e etiologia. Quando comparado o grupo
dos que já fumaram com os que nunca fumaram, os primeiros
eram mais velhos [ 59±14 vs 53±13 (p=0,002)] e com maior
prevalência do sexo masculino [70,2% vs 53,4% (p=0,017)].
Houve tendência a prevalecer a etiologia hipertensiva entre os que
já fumaram [69% vs 61,2% (p=0,093)]. Conclusões: A prevalência
de tabagismo ativo (7%) foi menor que a relatada na população
não renal, o que possivelmente reflete uma preocupação maior
com o risco cardiovascular ao iniciar o programa dialítico;
enquanto a prevalência de expostos ao tabaco (46,1%) se
aproximou do relatado na população renal.
TLP: 085
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES EM
HEMODIÁLISE ATRAVÉS DO INDICE DE MASSA
CORPORAL MULTIPLICADO PELA ALBUMINA
Autor(es): Nélia Antunes, Adriana Moreira Franco, Angela
Augusta Neri Barros
Clínica de Doenças Renais - CDR Unidade Anil, Rio de Janeiro
Introdução: O estado nutricional é um preditor de mortalidade em
pacientes em hemodiálise (HD). A própria HD é um evento
catabólico que pode levar à desnutrição. Como os pacientes em
HD apresentam edema, o índice de massa corporal padrão (IMCp)
não é um bom índice para avaliar o estado nutricional nestes
pacientes. O índice de massa corporal modificado (IMC m) foi
avaliado pelo IMCp (kg/m²) multiplicado pela albumina sérica (g/L)
para compensar o edema. O objetivo do estudo foi avaliar se o
IMCm pode ser mais um parâmetro para avaliação nutricional de
pacientes em HD. Métodos: 215 pacientes em HD foram avaliados
quanto aos níveis séricos de albumina (g/dL), ureia (mg/dL) pré
HD, equivalente proteico do aparecimento de nitrogênio – PNA (g
de proteína/kg/dia), IMCp (kg/m²) e IMCm (kg/m²xg/L). Os
pacientes foram divididos em 3 grupos de acordo com o IMCm:
Eutrofia – IMCm>750; Desnutrição leve – IMCm<750 e
Desnutrição grave – IMCm<600) e de acordo com PNA (PNA>1,2;
e PNA<1,2).. Os pontos de corte para desnutrição foram: albumina
< 4,0 g/dL,ureia pré HD < 150 mg/dL, IMCp < 23kg/m².. Os dados
foram expressos como média ± desvio padrão. Para análise
estatística foram utilizados os programas Sigma Stat e EpiInfo.
Foram realizados os teste de ANOVA, Kruskal Wallis e Mann
Whitney, qui-quadrado e regressão linear. Resultados: As médias
foram: albumina: 3,9 ± 0,4 g/dL, ureia pré HD: 148,5 ± 40,9 mg/dL
PNA: 1,67 ± 0,4 g/kg/dia, IMCp :23,9 ± 5,3 kg/m², IMCm 928,3 ±
226,36 kg/m²xg/L. De acordo com IMCp, 77,7% dos pacientes
eram eutróficos, 18,1% tinham desnutrição leve e 4,2%
desnutrição grave (p < 0,001) e de acordo com PNA, 84,6% tinham
PNA > 1,2 e 15,4% tinham PNA < 1,2 (p < 0,001). O IMCm
apresentou correlação com PNA e ureia pré HD (r=0,20, p =0,04)
em pacientes eutróficos e naqueles com desnutrição leve e
desnutrição grave. Conclusão: O IMCm pode ser um bom
parâmetro nutricional para avaliação dos pacientes em HD, mas
este é um trabalho inédito e sugere-se a realização de novas
pesquisas a fim de verificar se o IMCm pode ser usado como
método de avaliação nutricional nesses pacientes.
TLP: 086
ACIDOSE METABÓLICA EM HEMODIÁLISE: PREVALÊNCIA
E ASSOCIAÇÃO COM O ESTADO NUTRICIONAL
Autor(es): Claudia Maria Costa de Oliveira, Caroline Lustosa da
Costa Vidal, Eurinice Fontenele Cristino, Francisco Marto Leal
Pinheiro Jr, Maria Helane Costa Gurgel, Marcos Kubrusky
Faculdade de Medicina UniChristus
Introdução: A acidose metabólica é um problema frequente em
pacientes com doença renal crônica (DRC) e tem papel importante
na patogênese da desnutrição energético-proteica na DRC.
Objetivos: Avaliar a prevalência de acidose metabólica em
hemodiálise e pesquisar sua associação com o estado nutricional.
Métodos: Foi realizado um estudo transversal, sendo incluídos
pacientes com idade superior a 18 anos, com tempo de diálise
maior que 3 meses e sem contraindicação à realização de
bioimpedância elétrica (BIE). O estado nutricional foi avaliado
através de indicadores antropométricos (IMC), bioquímicos
(albumina, creatinina, ureia, potássio, fósforo) e da BIE (massa
magra, massa celular corporal e ângulo de fase). A BIE foi
realizada antes do início da sessão de diálise, utilizando-se o BCM
(Body Composition Monitor) da Fresenius Medical Care. A
gasometria venosa foi colhida antes da diálise, sendo acidose
metabólica definida como bicarbonato sérico (BIC) < 22 mEq/L. Os
pacientes foram divididos em 3 grupos segundo BIC (< 15, 15-22 e
> 22). A associação entre o BIC e as variáveis categóricas foi
pesquisada usando o teste do qui-quadrado e para comparação
de variáveis contínuas o teste de Kruskal Wallis. A correlação
linear entre o BIC e as variáveis do estudo também foi testada. Um
valor de p < 0,05 foi considerado estatisticamente significante.
Resultados: Foram avaliados 95 pacientes, sendo 59% do sexo
masculino, com idade média de 52,3 anos. A mediana do tempo
em dialise foi 109,7 meses. A média do BIC foi 17,3 mEq/L (10,623,6) e do pH foi 7,29 (6,9-7,43). A prevalência de acidose
metabólica foi 94%. O IMC, a creatinina e o ganho de peso
interdialítico foram significativamente diferentes entre os 3 grupos
de BIC (p=0,026, 0,05 e 0,016 respectivamente). O BIC
apresentou correlação negativa significativa com ureia (r = -0,344;
p = 0,001), fósforo (r= -0.297; p= 0,003) e ganho de peso
interdialítico (r= -0,319, p = 0,002). Não houve correlação
significativa com albumina, ângulo de fase e índice de massa
magra.
Conclusão: A prevalência de acidose metabólica foi elevada na
população em estudo, e um BIC mais baixo correlacionou-se com
valores maiores de ureia, creatinina, fósforo, ganho de peso
interdialítico e menores de IMC. O estado metabólico não é
avaliado de rotina nas clínicas de diálise, mas esta avaliação
deveria ser implementada, considerando-se os efeitos negativos
da acidose no estado nutricional e inflamatório e na doença óssea.
TLP: 087
PERCEPÇÕES DE SAÚDE E DOENÇA DO PACIENTE EM
TRATAMENTO HEMODIALÍTICO
Autor(es): Jessica Poliana de Souza, Carlos Augusto da Silva,
Dhebora Luiza Zöllner Sary, Dandara Novakowski Spigolon, Ana
Paula Modesto
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Introdução: A hemodiálise é um tratamento renal substitutivo,
indicado quando há deterioração irreversível da função dos rins.
Para o seguimento adequado desta terapia, requer do paciente um
compromisso sujeito a dificuldades e limitações cotidianas. Dentro
deste contexto, saúde é definida como equilíbrio entre o bem estar
biológico, social, mental e espiritual, e doença como sendo a
alteração de um desses fatores ou a manifestação de sinais e
sintomas, que pode refletir no dia a dia do paciente submetido à
hemodiálise. Diante disto, para entender o que é saúde e doença
na opinião desses indivíduos, objetivou-se com este estudo,
avaliar a percepção de saúde e doença do paciente em tratamento
hemodialítico.
Método: É uma pesquisa qualitativa, com entrevistas e uso do
Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Foi realizada numa clínica de
hemodiálise em Curitiba-PR, na qual os pacientes respondiam a
quatro perguntas abertas: O que é saúde?; Quando você se sente
saudável?; O que é doença?; Quando você se sente doente?. As
respostas foram gravadas e posteriormente transcritas e
separadas por ideias centrais, dando origem ao DSC.
Resultados: Foram entrevistados 63 pacientes, e a partir de suas
respostas, obtivemos 9 discursos centrais: “Saúde é ausência de
dor”; “Saúde é o bem estar físico e mental”; “Me sinto saudável
quando posso fazer o que quero, poder realizar normalmente
minhas atividades diárias e comer o que tenho vontade”; “Sempre
estou saudável”; “A doença é algo que te deixa debilitado e lhe
impede de viver normalmente”; “Doença é ter que fazer
hemodiálise”; “Me sinto doente quando eu não posso fazer as
coisas”; “Eu sempre me sinto um doente”; e “Eu nunca me sinto
doente”.
Conclusão: Apesar da semelhança na situação dessas pessoas,
no que diz respeito ao tratamento, a perspectiva de vida, as
limitações e as dependências, ainda assim, a maneira como se
posicionam frente à questão saúde e doença, são diferentes. Os
discursos mostraram razões para mencionar que a suas
percepções refletem na qualidade de vida, que pode ou não estar
presente na vida do portador de DRC em tratamento
hemodialítico, mas isto proverá do modo como este sujeito
pondera os obstáculos determinados pela vida.
TLP: 088
A percepção dos pacientes em hemodiálise sobre adesão
ao tratamento, dieta, exercícios físicos e ingesta hídrica
Autor(es): Ana Paula Modesto, Gabriela Senegaglia Biscaia,
Patricia Netzel
PUCPR
Introdução: Quando os rins deixam de funcionar adequadamente
a hemodiálise é uma opção de tratamento, que permite a remoção
das toxinas e o excesso de água do organismo. Junto a isso o
paciente deve se submeter a alterações no seu cotidiano, como: o
controle de peso, atividades físicas, controle da ingesta hídrica e o
comparecimento na clínica para as sessões de hemodiálise. É
necessário o estudo sobre a adesão ao tratamento hemodialítico
uma vez que observa-se o sofrimento e a resistência de alguns
uma vez que ocorre alteração das funções orgânicas e no novo
modelo de vida que o paciente deve-se adaptar, levado a uma
rotina muitas vezes estressante. Neste contexto o objetivo deste
trabalho é avaliar as percepções do paciente sobre a adesão ao
modo de vida orientado aos pacientes em tratamento
hemodialítico.
Métodos: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com a realização
de entrevistas e uso do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) como
técnica de análise dos discursos. Foi realizada numa clínica de
hemodiálise em Curitiba-PR, na qual os pacientes respondiam a
quatro perguntas abertas: Você considera importante aderir ao
tratamento recomendado na hemodiálise? Como é a sua
alimentação? Você pratica exercícios físicos? O que você faz para
controlar o ganho de peso entre as sessões de hemodiálise? As
respostas foram gravadas e posteriormente transcritas e
separadas por ideias centrais, dando origem ao DSC.
Resultados: Foram construídos 6 Discursos do Sujeito Coletivo
com as seguintes ideias centrais: Em relação a adesão: “Sigo o
tratamento é o único jeito para seguir com uma qualidade de vida
melhor” Em relação a dieta: “Procuro fazer tudo que a nutricionista
manda”, e “Não me importo com dieta!”. Em relação aos exercícios
físicos: “Faço caminhadas diariamente” e “Não tenho condições
de fazer exercícios”. E em relação à ingesta hídrica “Controlo em
casa tomando pouco líquido”
Conclusões: A adesão ao tratamento hemodialítico pode ser
influenciada por vários fatores que determinam a sua
continuidade, no entanto, é realizada pela maioria dos pacientes
do estudo.
TLP: 089
Correlação entre o índice de funcionalidade de Karnofsky
com as variáveis clinicas, demográficas e de qualidade de
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
39
vida do paciente em tratamento hemodialítico
Autor(es): Ana Paula Modesto, Audrey Kittel, Indira Balbino,
Jessica Woehl, Kássia Higaki, Dandara Novakowski Spigolon
PUCPR
Introdução: A hemodiálise é um tratamento crônico que pode
comprometer as funções fisiológicas, psicológicas, funcionais,
sociais e as relações familiares, agravando-se naqueles que
permanecem por longos períodos em tratamento. Dessa forma, os
cuidados do paciente em tratamento hemodialítico envolvem
aspectos além das questões técnicas e sintomáticas da doença
renal, que visam ser avaliadas por uma equipe multidisciplinar. O
índice de Karnofsky é um instrumento usado na avaliação da
funcionalidade do paciente. Inicialmente, criado e utilizado na área
da oncologia e atualmente vem ganhando espaço na avaliação de
pacientes com doenças crônicas. Por não possuir custo, tem
grande utilidade e praticidade na clínica. Nesso contexto, o
objetivo desse trabalho é correlacionar o índice de funcionalidade
de Karnofsky com variáveis clínicas, demográficas e de qualidade
de vida do paciente em tratamento hemodialítico.
Métodos: A amostra consistiu de 64 pacientes em tratamento
hemodialítico em uma instituição especializada na cidade de
Curitiba, PR. Os pacientes foram avaliados através de três
instrumentos: um questionário sobre variáveis sóciodemográficas e clínicas; o índice de Karnofsky em relação o
estado de funcionalidade; e o SF-36 quanto a qualidade de vida.
Resultados: A pesquisa foi realizada com 64 pacientes maiores de
18 anos em tratamento hemodialítico. A média avaliada na
pontuação do índice de Karnofsky foi 80,6, com a mediana de 80,
pontuação máxima 100 e mínima de 40. Em relação ao sexo 39
eram homens e 25 eram mulheres. Não foram encontradas
relações significativas entre os dados sócio-demográficos e
clínicos com o índice de Karnofsky, porém foi visto uma correlação
significativa entre este instrumento e o SF-36 no domínio de
limitações por aspectos emocionais (p= 0,040).
Conclusões: O índice de Karnofsky possui correlação significativa
com o índice de qualidade de vida no domínio de limitações por
aspectos emocionais.
TLP: 090
PREVALÊNCIA DE OBSTIPAÇÃO INTESTINAL EM
NEFROPATAS DIALÍTICOS
Autor(es): Jéssica Vasconcelos Oliveira Jorge Pereira, Elane
Viana Hortegal, Raimunda Sheyla Carneiro Dias, Laís Ferreira
de Sousa, Gilvan Campos Sampaio, Antonia Caroline Diniz
Brito, Aline Oliveira Diniz, Lilian Fernanda Pereira Cavalcante
Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão
INTRODUÇÃO: A obstipação intestinal é comumente observada
em pacientes em hemodiálise. Promove grande desconforto, e
leva à piora na qualidade de vida. Pode ser caracterizada pela
exoneração de pequenas quantidades de fezes duras, de difícil
passagem pelo ânus, sensação de evacuação incompleta ou
necessidade de esforço durante a defecação, em frequência
inferior a três vezes por semana, e ainda, pode estar associada a
uma série de fatores. Este estudo teve como objetivo verificar a
prevalência de obstipação intestinal em pacientes com doença
renal crônica em tratamento de hemodiálise.
MÉTODOS: Estudo transversal, realizado com indivíduos
submetidos à hemodiálise atendidos em um Hospital Universitário.
O diagnóstico de obstipação intestinal foi definido com base no
critério Roma III. As questões acerca dos fatores associados foram
obtidas por meio de uma entrevista estruturada.
RESULTADOS: A amostra foi composta por 74 pacientes, sendo a
maioria do sexo feminino (51,35%). A prevalência de obstipação
intestinal foi de 52,7%. Prevaleceram pacientes com ingestão
hídrica menor ou igual a um litro por dia (70,3%), que não
praticavam atividade física (77%), não faziam uso de
medicamentos laxantes (83,8%), e ainda, que não faziam uso do
medicamento carbonato de cálcio (90,5%). Na análise por sexo,
homens e mulheres apresentaram prevalências semelhantes de
obstipação (52,8% vs 52,6%). Quando avaliados de acordo com a
presença ou ausência de obstipação, foi observado que aqueles
40
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
que eram obstipados tinham ingestão hídrica menor ou igual a 1
litro (71,8% vs 28,3%), não praticavam atividade física (79,5% vs
20,5%), não faziam uso de medicamentos laxantes (76,9% vs
23,1%) e não utilizavam o carbonato de cálcio (89,7% vs 10,3%).
CONCLUSÃO: A obstipação intestinal foi relativamente frequente
na população estudada, com distribuição semelhante entre os
sexos. O grupo obstipado era mais sedentário, com baixa ingestão
hídrica e não fazia uso de medicamento laxante ou carbonato de
cálcio.
TLP: 091
EFEITO COMPARATIVO DAS MODALIDADES DE DIÁLISE
PERITONEAL NOS BIOMARCADORES DO METABOLISMO
MINERAL
Autor(es): R. Weissheimer1, M. Olandoski1, TP. Moraes1 , LA.
Neto1 , NM. Lopes1, P. Barretti2, AE. Figueiredo3, R. PecoitsFilho1, F. Barreto1, DV. Barreto1
1 Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Curitiba,
Brazil 2 Universidade Estadual do Estado de São Paulo UNESP, Botucatu, Brazil 3 Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, Brazil
Objetivo: Avaliar o efeito das modalidades de diálise peritoneal,
automatizada (DPA) vs. ambulatorial contínua (DPAC), nos níveis
séricos de fosfato (P), cálcio (Ca) e fosfatase alcalina (FA) em
pacientes adultos e incidents nessa terapia durante um ano.
Métodos: Esta é uma subanálise de um estudo multicêntrico,
observacional e prospective (BRAZPD). Foram incluídos na
análise pacientes que tiveram, no mínimo, nos três primeiros e três
últimos meses dosagens de Ca, P e FA e tratados exclusivamente
com DPA ou DPAC, durante um ano. Teste T-student, Exato de
Fisher´s ou Qui-quadrado foram usados na comparação. O
modelo ANOVA foi usado para comparar os resultados entre as
modalidades. E o modelo ANCOVA foi usado para comparar o
início e o final do estudo para cada parâmetro. Foram ajustados
para indíce de massa corporal, diabetes, creatinina sérica inicial e
hemodiálise prévia. Resultados: Foram avaliados 237 em DPA vs.
228 em DPAC. Pacientes em DPA tinham idade mais elevada
(61.5±15.6 vs. 57.8±149a, p=0.009), maior creatinina sérica basal
(7.1±3.9 vs. 6.3±3.8mg_dL, p=0.027) e menor número de
pacientes em hemodiálise prévia (38.8% vs. 50.4%, p=0.027). O
fosfato inicial e final do estudo foi significativamente maior nos
pacientes em DPA (5.10±1.28 vs. 4.86±1.20, p=0.04 and
5.10±1.53 vs. 4.62±1.16mg_dL, p<0.001). Entretanto, o P reduziuse significativamente nos pacientes em DPAC mas não nos
pacientes em DPA (-0.238±1.205 vs. 0.004±1.405, p=0.01). O
cálcio inicial e final do estudo foi significativamente maior nos
pacientes em DPA (9.21±0.77 vs. 9.04±0.75 e 9.30±0,71 vs.
9.11±0.79mg_dL, p=0.003), porém não houve mudança ao longo
do tempo (0.08±0.87 vs. 0.07±0.81, p=0.81). A fosfatase alcalina
no início e no final do estudo não foi significativamente diferente
entre as modalidades (140±105 vs. 124±89 e 138±106 vs.
128±103, p=0.123), e não houve mudança ao longo do tempo (2.15±91.3 vs. 4.18±89.5, p=0.83).Conclusões: As modalidades de
diálise peritoneal parecem ter efeito direto nos níveis de fósforo em
paciente incidentes nessa terapia. Sabendo-se que
hiperfosfatemia tem sido associado com maior risco de
mortalidade em pacientes com doença renal crônica, novos
estudos são necessarios para melhor avaliar se o controle
inadequado do fósforo está associado, em DPA, a piores
desfechos.
TLP: 092
IMPACTO DOS CUIDADOS PRÉ-DIALISE NOS DESFECHOS
CLINICOS DE PACIENTES EM DIALISE PERITONEAL:
SOMENTE UMA BOA DP NÃO É O SUFICIENTE
Autor(es): Dandara N. Spigolon, Thyago P. Moraes, Ana Paula
Modesto, Ana E. Figueiredo, Pasqual Barretti, Marcus Gomes
Bastos, Roberto Pecoits-Filho
INTRODUÇÃO: A estruturação e implementação de cuidados prédiálise estão relacionadas a um aumento da utilização da diálise
peritoneal (DP), mas a associação entre os cuidados pré-diálise e
melhores resultados nos desfechos clínicos dos pacientes na DP
ainda estão a ser descritos. Por isso, este estudo teve como
objetivo analisar o impacto do atendimento pré-diálise no paciente
e a sobrevida da técnica em DP.
MÉTODOS: Obteve-se 7.007 pacientes com cuidados pré-diálise,
com 90 dias de acompanhamento pela equipe de nefrologia no
período pré-diálise; e aqueles sem cuidados pré-diálise com
menos de 90 dias de acompanhamento por equipe de nefrologia
ou ausente no período pré-diálise. Foram incluídos na análise
somente aqueles que iniciaram em DP. As características clínicas
foram comparadas entre os dois grupos e os parâmetros
considerados foram mortalidade, falha da técnica e tempo para o
primeiro episódio de peritonite. Foi utilizada análise de Cox
ajustada para diversas variáveis.
RESULTADOS: Houve diferenças de raça (branca) (65,6% e
69,8%, p=0,005); sexo (feminino) (47,0% e 50,4%, p=0,033);
alfabetização <4 anos (61,4% e 70,7%, p<0,001); experiência do
centro (41,3 ± 24,8 e 48,3 ± 26,0 pacientes/ano, p<0,001); IMC
(kg/m2) <18,5 (5,3% e 7,2%, p<0,001); escore de Davies 0 (33,4%
e 39,1%, p<0,001) e escore 1-2 (41,3% e 41,9%, P<0,001),
respectivamente para, >90 dias e <90 dias de atendimento prédiálise. Anemia (hemoglobina <10g/dl) (26,2% e 30,8%, p=0,003);
hipocalemia (<3,5 mEq / l) (7,3% e 9,0%, p<0,001) e hipercalemia
(>5,5 mEq / l) (5,2% e 8,7%, p<0,001) foram mais comuns em
pacientes com <90 dias de atendimento pré-dialítico. A sobrevida
foi menor nos pacientes com <90 dias de atendimento pré-diálise
(1,31, IC95%: 1,13-1,53). Além disso, sobrevivência da técnica era
pior neste grupo de pacientes (1,22, IC95%: 1,01-1,48). Observouse que não há diferença no primeiro episódio de peritonite (0,97,
IC95%: 0,84-1,11).
CONCLUSÕES: Piores condições socioeconômicas, maior
comorbidade e pior controle bioquímico foram observados em
pacientes sem atendimento pré-dialítico, afetando
contundentemente resultados clínicos em DP. Uma assistência
pré-diálise adequada deve ser priorizada, a fim de oferecer aos
pacientes em DP melhores resultados.
TLP: 093
ESTUDO RETROSPECTIVO SOBRE INFECÇÃO DE
CATETERES DUPLO LÚMEN EM UM CENTRO DE
HEMODIÁLISE
Autor(es): Mariana Ribeiro y Ribeiro, Vanessa Ciccilini Guerra,
Miguel Moyses Neto, Osvaldo Merege Vieira Neto, Juliana
Ribeiro Queiroz
Serviço de Nefrologia de Ribeirão Preto
A utilização de cateter temporário duplo-lúmen (CDL), inseridos
em veias de grande calibre, é cada vez mais utilizado em centros
de hemodiálise, alcançando taxas superiores a 25%. A infecção
associada ao CDL é de grande relevância, pois acarreta altas
taxas de morbidade e mortalidade, tornando a hemocultura um
exame de importante valor preditivo nessa infecção.
O objetivo desse estudo foi traçar o perfil epidemiológico das
infecções de CDL em um serviço de hemodiálise, bem como
analisar a sensibilidade dos agentes mais prevalentes aos
antibióticos e verificar complicações relacionadas, bem como a
necessidade de internação hospitalar.
Foi realizado um estudo retrospectivo através dos prontuários em
um período de 6 meses, sendo incluídos os pacientes que
estavam em uso de CDL e apresentaram bacteremia. Seguindo
protocolo do serviço, foram solicitados hemocultura em vigência
desse quadro, retirado o CDL e iniciado antibioticoterapia para
cobertura dos germes mais prevalentes, sendo afastados outros
focos infecciosos.
Foram coletadas 47 amostras de 42 pacientes (5 pacientes
tiveram duas amostras colhidas), devido a suspeita de bacteremia
no período, com 33% das hemoculturas resultando positivas. Os
agentes mais frequentes encontrados foram Staphylococcus
aureus, Pseudomonas sp, Acinetobacter sp, Proteus, Klebsiella e
uma pequena percentagem de leveduras. O tempo máximo de
permanência desses cateteres foi aproximadamente de 30 dias,
sendo todos retirados no episódio de bacteremia. Internação
hospitalar foi necessária em 14% dos casos devido complicações,
como choque séptico. Dentre esses, um paciente evoluiu com
quadro de discite, apresentando lombalgia refratária ao uso de
opióides associada à febre e hemocultura positiva, além de
exames de imagem compatíveis com o quadro, evoluindo à óbito.
A maioria dos agentes apresentava perfil com multisensibilidade,
fazendo com que a resposta a antibioticoterapia fosse satisfatória
na quase totalidade dos casos.
Embora tenha sido um estudo com número pequeno de pacientes
e em um único centro, o grande número de colonização e
bacteremia relatados, e a ocorrência de complicações infecciosas
justificam a proposta de se realizar uma rotina com coleta de
hemoculturas para monitorizar a colonização em pacientes de
hemodiálise em uso de cateter de duplo lúmen.
TLP: 094
MORBI-MORTALIDADE CARDIOVASCULAR EM DIÁLISE
PERITONEAL: UM ESTUDO PROSPECTIVO
Autor(es): Vanessa Ciccilini Guerra, Mariana Ribeiro y Ribeiro,
Susana Zanardo Chiozi, Miguel Moyses Neto, Osvaldo Merege
Vieira Neto, ALINE SANTOS DE SOUSA
Serviço de Nefrologia de Ribeirão Preto
Segundo relatos da literatura, pacientes com IRC em Diálise
Peritoneal têm elevados índices de morbidade e mortalidade
cardiovasculares.
Baseado nisso, buscamos verificar as causas de morbidade e
mortalidade cardiovasculares entre pacientes portadores de
insuficiência renal crônica (IRC) em programa regular de diálise
peritoneal (DP).
Realizamos um estudo prospectivo no qual foram avaliados os
pacientes que iniciaram tratamento em diálise peritoneal
ambulatorial contínua (CAPD) ou diálise peritoneal automatizada
(APD) neste serviço, no período de Julho de 2001 a Dezembro de
2013, totalizando 149 meses de observação. Registradas todas
as internações, suas causas e a evolução dos pacientes.
Nos 149 meses de observação foram admitidos 342 pacientes,
sendo que 112 (32,75%) necessitaram de internação devido a
problemas cardiovasculares. Dentre estes pacientes, a maioria
era submetida a CAPD e a idade média foi de 62 anos, variando de
21-92 anos. Praticamente metade (49%) dos pacientes que
internaram por problemas cardiovasculares eram diabéticos. O
tempo em diálise variou de 1 a 122 meses, com média de 24,6
meses de tratamento. Foram computadas 864 internações no
período, sendo 203 (23,5%) por causas cardiovasculares e dentre
elas, as principais foram: Edema Agudo de Pulmão (28,6%), Crise
Hipertensiva (16,2%), Insuficiência Cardíaca Congestiva (23,1%),
Acidente Vascular Cerebral (9,9%), Infarto Agudo do Miocárdio
(7,4%) e outras causas (14,8%). Dos 304 pacientes avaliados no
período, 156 evoluíram a óbito, sendo 25,6% por eventos
cardiovasculares: 35% por Infarto Agudo do Miocárdio, 32,5% por
Insuficiência Cardíaca Congestiva,20% por Acidente Vascular
Cerebral e 12,5% por outras causas. Vinte e um por cento dos
pacientes foram a óbito por morte súbita no domicílio, o que
também é sugestivo de problemas cardiovasculares. Dos 156
pacientes que foram a óbito no período, 46,2% eram diabéticos.
Nessa casuística, foi evidenciado um alto índice de internação e
mortalidade devido a problemas cardiovasculares entre os
pacientes portadores de IRC em DP, dados estes que estão em
concordância com a literatura. Em torno de 50% dos pacientes
internados e que foram a óbito devido a etiologia cardiovascular
eram portadores de DM.
TLP: 095
MORBIDADE E MORTALIDADE EM PACIENTES COM
INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA (IRC), EM PROGRAMA DE
DIÁLISE PERITONEAL
Autor(es): Mariana Ribeiro y Ribeiro, Vanessa Ciccilini Guerra,
Susana Zanardo Chiozi, Miguel Moyses Neto, Osvaldo Merege
Vieira Neto
Serviço de Nefrologia de Ribeirão Preto
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
41
OBJETIVO: Verificar as causas de morbidade e mortalidade mais
freqüentes em pacientes submetidos a Diálise Peritoneal.
PACIENTES E MÉTODOS: Foram avaliados todos os pacientes
que iniciaram tratamento em CAPD (Diálise Peritoneal
Ambulatorial Contínua) e APD (Diálise Peritoneal Automatizada)
no período de julho de 2001 a junho de 2013, totalizando 12 anos
de observação. Foram registradas todas as internações, suas
causas e a evolução dos pacientes. Pacientes com peritonite são
internados rotineiramente nesse Serviço para tratamento.
RESULTADOS: Nos 12 anos de observação, foram admitidos no
Serviço 339 pacientes. O fator de risco da Insuficiência Renal
Crônica (IRC) mais prevalente foi o diabetes em 41,3% dos
pacientes, seguido por hipertensão em 30,7% dos pacientes,
nefropatia de etiologia desconhecida em 8,8% e outras causas em
19,2% dos pacientes. Desse total, 53,7% foram submetidos a
CAPD e 46,3% a APD; a idade média foi de 63.3 anos, variando de
1-94 anos; 51% dos pacientes eram do sexo masculino e 84,4%
eram brancos. O tempo em diálise variou de 1 a 134 meses, com
média de 22,2 meses de tratamento. Foram computadas 953
internações em 279 pacientes. As principais causas de internação
foram infecciosas (40%) e cardiovasculares (24,2%). Dos
pacientes internados por problemas infecciosos, 61,6% foram
internados por peritonite (incluindo recidivas de peritonites),
18,9% por pneumonia, 5,6% por ITU e 13,9% por outras causas.
Das causas cardiovasculares, 26,1% foram internados por edema
agudo de pulmão, 16,9% por crise hipertensiva, 16,0% por ICC,
10,8% por acidente vascular cerebral, 7,8% por IAM e 22,4% por
outras causas. Do total dos pacientes avaliados no período, 53,1%
foram a óbito, 17,6% mudaram de tratamento, 5,9%
transplantaram, 2,0% foram transferidos de serviço e 1,5%
apresentou recuperação da função renal. Dos 180 pacientes que
foram a óbito, 35,5% foram por sepse, 47,8% por causa
cardiovascular (43% por morte súbita no domicílio) e 16,7% por
outras causas.
CONCLUSÕES: A maior causa de morbidade dos pacientes foi a
de problemas infecciosos, seguida por eventos cardiovasculares.
A maior causa de mortalidade dos pacientes foi a de eventos
cardiovasculares seguidos das causas infecciosas no período
estudado.
TLP: 096
INFECÇÃO COMO PRINCIPAL CAUSA DE MORTALIDADE
EM UMA POPULAÇÃO EM DIÁLISE
Autor(es): Cláudia Ribeiro, Pedro Augusto Macedo de Souza
Santa Casa de Belo Horizonte
Introdução: A mortalidade na população em diálise é maior que na
população geral sem doença renal crônica (DRC) e embora tenha
reduzido neste século apenas 50% deles estarão vivos após o
terceiro ano de diálise. Entre as principais causas de óbito estão as
doenças cardiovasculares e infecção.
Objetivo:
Analisar o perfil de mortalidade dos pacientes em tratamento
dialítico em um Centro de Nefrologia, comparando-os quanto à
modalidade de diálise.
Métodos: Avaliamos o perfil dos pacientes que faleceram em um
Centro de Nefrologia no período de Julho de 2009 a Maio de 2014
nos seguintes aspectos: idade, sexo, tempo em diálise, tipo de
diálise – Hemodiálise (HD) ou diálise peritoneal (DP), etiologia da
DRC, causa mortis. Foram excluídos da análise pacientes que
estavam em diálise por menos de 3 meses.
Resultados: Neste período faleceram 235 pacientes que estavam
em diálise. Destes 41 estavam em DP e 194 em HD. O tempo
médio em diálise foi de 44,5 meses nos pacientes em HD e 25
meses nos pacientes em DP, sem diferença estatística. A mediana
de idade não foi diferente nos dois grupos porém mais pacientes
do sexo feminino estavam em DP (p=0,04). A principal causa da
DRC foi nefropatia diabética seguida de doença vascular renal em
ambos os grupos. Não houve diferença na sobrevida destas duas
populações nem quanto à mediana de internações/ano. A principal
causa de óbito foi infecciosa e mais pacientes em DP tiveram
infecção como causa de óbito quando comparados aos pacientes
em HD, 48,8% versus 27,8%, p=0,009. Choque séptico foi o
principal diagnóstico que estes pacientes em DP receberam (60%)
sendo que 35% destes foram admitidos com quadro de peritonite.
42
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
Não houve diferença quanto as causas cardiovascular,
cerebrovascular, neoplasia e outras entre os grupos. Chama a
atenção nesta análise a grande quantidade de pacientes falecidos
por causa indeterminada sendo 29,4% no grupo em HD e 24.4%
no grupo em DP.
Conclusão:
Embora dados mundiais ressaltem a contribuição da doença
cardiovascular como principal causa de óbito em pacientes em
diálise nosso estudo evidenciou infecção como maior causa de
óbito nesta população, sobretudo em DP, ressaltando-se a
contribuição da peritonite. Em torno de 1/4 dos óbitos a causa não
pode ser determinada, talvez pela ocorrência de óbitos no
domicílio.
TLP: 097
IMPACTO DO TIPO DE ACESSO VASCULAR NO PERFIL DE
MORTALIDADE DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Autor(es): Pedro Augusto Macedo de Souza, Cláudia Ribeiro
Santa Casa de Belo Horizonte
Introdução:
A mortalidade na população em diálise é maior que na população
geral sem doença renal crônica (DRC) e embora tenha reduzido
neste século apenas 50% deles estarão vivos após o terceiro ano
de diálise. O tipo acesso vascular pode estar relacionado
diretamente com a mortalidade.
Objetivo:
Analisar o perfil de mortalidade dos pacientes em tratamento
hemodialítico em um Centro de Nefrologia, comparando-os
quanto ao tipo de acesso vascular.
Métodos:
Avaliamos o perfil dos pacientes que faleceram no Centro de
Nefrologia da Santa Casa de Belo Horizonte no período de Julho
de 2009 a Maio de 2014 nos seguintes aspectos: idade, sexo,
tempo em hemodiálise (HD), etiologia da DRC, causa mortis, tipo
de acesso vascular. Foram excluídos da análise pacientes que
estavam em HD por menos de 3 meses.
Resultados:
Neste período faleceram 194 pacientes que estavam em HD por
mais de 3 meses. Destes, 112 estavam em HD por fístula arteriovenosa (FAV) e 82 por cateter (CDL). O tempo médio em terapia
renal substitutiva foi maior nos pacientes com FAV (p<0,01). A
mediana de idade não foi diferente nos dois grupos porém mais
pacientes do sexo feminino estavam em HD por CDL que por FAV
(59,8% versus 34,8%,p=0,001). A idade não foi diferente entre os
grupos com FAV e CDL. A principal etiologia da DRC foi nefropatia
diabética seguida de doença vascular renal em ambos os grupos.
Pacientes com CDL tiveram significativamente maior número de
internações/ano e uma sobrevida de 25 meses e
significativamente menor quando comparados aos pacientes com
FAV (60 meses, p=0,002). A principal causa de óbito foi infecciosa
em ambos os grupos, porém mais pacientes com CDL tiveram
infecção como causa de óbito quando comparados aos pacientes
com FAV, 37,8% versus 20,5%, p=0,008. Óbito por causa
cardiovascular foi a segunda mais frequente sem diferença entre
os grupos assim como cerebrovascular, neoplasia ou outras.
Conclusão:
Embora dados mundiais ressaltem a contribuição da doença
cardiovascular como principal causa de óbito em pacientes em HD
este estudo evidenciou infecção como maior causa de óbito nesta
população, sobretudo nos pacientes com acesso por CDL. É
conhecida a morbimortalidade associada ao acesso vascular por
CDL e esforços devem ser direcionados para programas de
encaminhamento precoce para a confecção e vigilância de acesso
vascular em diálise.
TLP: 098
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO COMPARTIMENTAL DE
FÓSFORO EM PACIENTES COM DISFUNÇÃO RENAL
CRÔNICA EM HEMODIÁLISE
Autor(es): Marina da Silva Telles Naegeli, Eliza Vardiero Morais,
Mauro Velho de Castro-Faria, Mauricio Younes-Ibrahim
1. INTRODUÇÃO
A redução da excreção renal de fósforo acompanha a progressão
da doença renal crônica terminal (DRCT) e a cinética das
concentrações compartimentais de fósforo intra e extracelular
durante a hemodiálise ainda não é bem caracterizada na literatura.
Apenas o fosfato sérico é rotineiramente dosado clinicamente,
embora o fósforo seja um íon predominantemente intracelular.
Assim sendo, propomos a avaliação da concentração de fósforo
intracelular em eritrócitos, na expectativa de encontrar um
parâmetro mais específico para caracterizar a cinética bicompartimental do íon.
3. MÉTODOS
O estudo prospectivo observacional, com pacientes portadores de
DRC que expressaram consentimento livre e esclarecido, em
projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.
A técnica para dosagem intracelular de fósforo foi desenvolvida
pelo nosso grupo utilizando amostras de sangue de 15 pacientes
portadores de DRCT, avaliados pré e pós procedimento
hemodialítico. O controle foi realizado contra 10 voluntários
saudáveis.
4. RESULTADOS
Valores médios absolutos intraeritrocitários foram naturalmente
superiores aos plasmáticos. Pacientes com DRCT apresentaram
fósforo intraeritrocitário (PiI) pré diálise de 8364 ± 1768 e fósforo
sérico (PiS) de 1505 ± 506 mmol/l, com os valores pós diálise
respectivamente 6473 ± 1295 e 979 ± 423 mmol/l. Os valores do
grupo controle (PiI) 6642 ± 717 e (PiS) 976 ± 214 mmol/l. Após HD
houve redução significante da hiperfosfatemia e os valores séricos
do íon atingiram resultados semelhantes aos encontrados no
grupo controle. Analisando os pacientes no momento pré dialítico
e após término imediato do procedimento, constatamos uma
diferença na mobilização do fósforo entre os dois compartimentos.
Comparativamente, em nosso experimento, a média percentual
de redução do fósforo nos resultados dos exames pós HD em
relação ao pré HD, foi de 33 ± 21 % para os valores plasmáticos e
22 ± 12 % para os intraeritrocitários.
Conclusão: Os resultados preliminares mostram uma técnica
laboratorial útil para a dosagem de fósforo intraeritrocitário, com a
reprodução de valores iônicos previamente determinados na
literatura. O monitoramento do conteúdo de fósforo intracelular
pode ser um novo potencial marcador clínico para ser utilizado no
controle da sobrecarga corporal de fósforo e na adequação das
prescrições de hemodiálise.
TLP: 099
Hemodiálise diária: qualidade de vida para pacientes em
Terapia Renal Substitutiva
Autor(es): Marcia Oliva, Gladys de Jesus Matta, Natália Lucena,
Aline Moraes Teodoro, Cássia Saavedra, Adriana Freire Luis,
Talita Cardoso Proença, Talita Mourão, Leticia dos Santos,
Walter Gomes da Silva
ART- Assistência Renal Total
Pacientes com problemas cardiológicos e com intolerância a
ultrafiltração durante a realização de hemodiálise convencional
apresentavam dificuldades para atingir os indicadores de
efetividade dialítica e do controle da volemia, devido à
intercorrências que apresentavam durante o procedimento. A
hemodiálise diária (Hdd) passou a ser o método dialítico indicado
para melhorar os sintomas, os resultados de exames laboratoriais
e a qualidade de vida.
O estudo foi realizado no período de Janeiro de 2013 a maio de
2014, foram incluídos os pacientes com cardiopatias e com
dificuldades de manter a estabilidade hemodinâmica, que
estavam realizando Hdd por mais de seis meses, por seis vezes na
semana, com o tempo de diálise de 2 horas e 30 minutos. Os
dados foram coletados através de pesquisa nos prontuários. A
idade média foi de 35 a 82 anos, sendo 92 % do sexo masculino e
8% do feminino; 23% tinham nefroesclerose diabética, 85 %
nefroesclerose hipertensiva como doenças de base. Resultados:
77% tinham o fósforo sérico até 5,5 mg/dl; 62% hematócrito maior
ou igual a 35% e Hemoglobina acima de 12 mg/dl; 77%
apresentaram o produto Cálcio X Fósforo abaixo de 55 mg/dl; 84%
tinham o potássio sérico entre 3,5 a 5,5 meq/l; 84% tinham a
pressão arterial controlada sem uso de anti-hipertensivos; 16%
tiveram a fístula artério venosa trombosada, não houve óbito no
período e nenhum paciente apresentou desejo de retornar a
hemodiálise convencional.
Os autores concluíram que a hemodiálise diária foi um
procedimento que mostrou resultados positivos para atingir os
parâmetros de qualidade dialítica, favoreceu o controle da
volemia, da pressão arterial, da anemia, melhorando a qualidade
de vida e a sobrevida dos pacientes do grupo estudado.
TLP: 100
Importância dos fatores sociodemográficos e nutricionais
no desenvolvimento de peritonites em diálise peritoneal
Autor(es): Mariana Silva Camargo de Souza, Maria Cristina da
Silva Brotero de Assis, Kátia de Barros Correia Gonzaga, José
Adilson Camargo de Souza, Monise Nardi Avila, Magdaleni
Xagoraris, Jerônimo Ruiz Centeno, Manuel Carlos Martins
Castro, Aline de Araujo Antunes
Instituto de Nefrologia de Taubaté – Taubaté – São Paulo
Introdução: A peritonite é uma das principais complicações da
diálise peritoneal (DP). Sua prevalência é muito variável entre as
diversas unidades de diálise. No Brasil, poucos estudos têm
avaliado o impacto dos fatores sociodemográficos e do estado
nutricional sobre a ocorrência de peritonites em DP.
Objetivo: Avaliar se as variáveis sociodemográficas: sexo, idade,
escolaridade (analfabeto ou 1º grau vs. 2º ou 3º grau),
classificação econômica (classes A ou B vs. C,D ou E), tempo em
DP, presença de Diabetes Mellitus (S ou N), origem do paciente
(sem tratamento prévio ou transferência da HD), responsável pela
DP (cuidador ou paciente) e o estado nutricional (desnutrido ou
risco nutricional vs. eutrofia, sobrepeso ou obesidade) estão
relacionados com o risco de desenvolver peritonite em DP.
Métodos: As variáveis sociodemográficas de 81 pacientes com
DRC estagio 5D tratados com DP (80 em DPA e 1 em DPAC) no
período de 1º de janeiro de 2013 a 31 de março de 2014 foram
avaliadas. A classificação econômica foi realizada através do
questionário da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa
(ABEP) e a avaliação do estado nutricional foi feita de acordo com
as normas da Sociedade Internacional de Nutrição e Metabolismo
Renal (Kidney Int (2008) 73: 391-8). O diagnóstico de peritonite foi
baseado nos critérios clínicos e laboratoriais usuais.
Resultados: A idade média dos pacientes foi de 57,7±16,9 anos,
57% eram mulheres, 64% iniciaram o tratamento em DP e 36%
foram transferidos da HD. 36% eram diabéticos, em 74% um
cuidador era responsável pela DP e o tempo médio no programa
de DP foi de 24,0±23,6 meses. 56,8% eram analfabetos ou tinham
apenas o 1º grau, 68,7% eram das classes C,D ou E e 47% eram
desnutridos ou em risco nutricional. 75% não apresentaram
peritonite durante o período de seguimento, a taxa foi de 1
peritonite a cada 25,2 meses. Nenhuma das variáveis estudadas
foi estatisticamente diferente entre os pacientes com ou sem
peritonite. O mesmo ocorreu quando se comparou os pacientes
com um vs. dois ou três episódios de peritonite. Apenas o tempo
em DP foi maior nos pacientes com duas ou três peritonites
(32,0±32,3 vs. 15,8±18,9 meses;p<0,05).
Conclusões: Nossos resultados mostram que, em nossa
casuística, os índices sociodemográficos e o estado nutricional
não foram determinantes para a ocorrência de peritonite em DP,
bem como o número de episódios de peritonites por paciente.
TLP: 101
Relação entre a concentração do sódio plasmático medida
por eletrodo iônico seletivo e a concentração estimada pelo
módulo OCM®-Fresenius
Autor(es): Manuel Carlos Martins Castro, Celina de Fátima e
Silva, Juliana Maria Fazenda, Kátia de Barros Correia Gonzaga,
Magdaleni Xagoraris, Jerônimo Ruiz Centeno, José Adilson
Camargo de Souza
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
43
Instituto de Nefrologia de Taubaté –Taubaté – São Paulo
Introdução: A diferença entre a concentração de sódio [Na] no
plasma e no dialisato é fundamental para o balanço de Na na
hemodiálise. Alguns estudos sugerem que a [Na] ideal no dialisato
seja igual à [Na] no plasma. Isto evitaria a hipotensão intradialítica
e a hipertensão interdialítica. Portanto, acesso online à [Na]
plasmático poderia auxiliar na prescrição da [Na] no dialisato.
Objetivo: Avaliar se a estimativa da [Na] plasmático, realizada pelo
módulo OCM®-Fresenius, se correlaciona com a [Na] plasmático
medida por eletrodo iônico seletivo.
Métodos: A [Na] plasmático pré-diálise foi medida em 243
pacientes dialisados com a hemodializadora Fresenius 4008S
V10, equipada com o módulo OCM que estima o Kt/V online
através da dialisância iônica do sódio. Paralelamente, a estimativa
da [Na] plasmático durante a primeira leitura do Kt/V online foi
registrada. Todos os pacientes foram dialisados contra uma [Na]
fixa no dialisato de 137mEq/l.
Resultados: A [Na] plasmático pré-diálise foi de 138,1±2,79 mEq/l
e do NaOCM 135,5±2,13 mEq/l (p<0,0001). Houve uma boa
correlação entre esses valores (r=0,63; p<0,0001). Entretanto, a
diferença entre eles foi de 2,65±2,10 mEq/l, fazendo com que
esses valores não sejam intercambiáveis. A [Na] plasmático pósdiálise foi de 137,0±1,37 mEq/l, significativamente menor que a
[Na] pré-diálise e convergindo para a [Na] no dialisato.
Conclusão: Nossos resultados mostram que a estimativa da [Na]
plasmático através do módulo OCM®-Fresenius subestima,
significativamente, a [Na] plasmático medida através de eletrodo
iônico seletivo, não permitindo que esses valores sejam utilizados
para individualizar a [Na] no dialisato.
TLP: 102
Efeitos da correção da acidose no Distúrbio Mineral e
Ósseo da Doença Renal Crônica em pacientes em
hemodiálise
Autor(es): Alessandra Martins Bales, Rosa M.A. Moyses,
Luciene dos Reis, Fabiana Graciolli, James Hung, Manuel
Carlos Martins Castro, Rosilene Motta Elias
Universidade de São Paulo
Introdução: Acidose metabólica é uma complicação comum entre
os pacientes com doença renal crônica e muitas vezes não é
completamente corrigida pela hemodiálise. Acidose pode causar
prejuízo no estado nutricional e piora da doença óssea. Entretanto,
poucos estudos avaliaram o efeito da correção da acidose nos
parâmetros do Distúrbio Mineral e Ósseo da Doença Renal
Crônica (DMO-DRC). Objetivos: investigar o impacto da correção
da acidose metabólica no DMO-DRC. Métodos: foram estudados
prospectivamente 48 pacientes em hemodiálise com idade media
de 43 ± 19 anos. Ajustes individualizados no bicarbonato do
dialisato (dBic) foram feitos para manter o bicarbonato pré diálise
>22mEq/LFoi realizada análise gasométrica mensalmente por 4
meses (M1 a M4), além de avaliação de variáveis bioquímicas nos
meses M0 e M4. Resultados: Bicarbonato e pH aumentaram e
mantiveram-se no alvo durante o estudo (p<0.05). Apesar de ter
ocorrido aumento do sódio sérico, não se observou aumento do
ganho de peso interdialítico ou da necessidade de ajuste nas
drogas hipotensoras. Comparando M0 com M4, houve aumento
do PTH (paratormônio) [de 191 (85, 459) para 446pg/ml (212,
983), p<0.0001], fósforo sérico (de 5.4±1.4 para 5.8±1.1mg/dl,
p=0.048), e redução do cálcio sérico ionizado (de 5.0±0.5 para
4.7±0.5mg/dl, p=0.002). A albumina sérica aumentou (de 3.5±0.3
para 4.0±0.3g/L, p<0.0001), enquanto a _-2-microglobulina
reduziu (de 27.6±8.3 para 25.8±6.8µg/ml, p=0.025). A leptina
sérica diminuiu em 45pacientes (94%) (p<0.0001). Trinta e um dos
48 pacientes (64.6%) tinham PTH <300pg/ml antes da
intervenção. Apesar da correção da acidose metabólica ter
ocorrido de forma semelhante entre os pacientes (delta de
bicarbonato e pH) e a redução do nível sérico de cálcio também,
estes pacientes (PTH <300pg/ml) tiveram um maior aumento
percentual no nível do PTH, quando comparados ao grupo PTH >
300pg/ml [250 (62, 330) vs. 75 (-2.2, 145), p=0.002]. Se
considerarmos a recomendação do KDIGO (PTH 2 a 9 vezes
maior que o limite do método), a porcentagem de aumento do PTH
também foi maior nos pacientes com PTH mais baixo
(p=0.008).Conclusões: a correção da acidose metabólica pelo
44
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
aumento do dBic foi segura, além de ter sido associada a uma
melhora no estado nutricional e diminuição de parâmetros
inflamatórios. O benefício parece ser ainda maior nos pacientes
com PTH baixo, mostrando um efeito no sentido de se estimular o
turnover ósseo. Recomenda-se cautela nos pacientes com PTH
alto. Premio Vanda Jorge
TLP: 103
RELAÇÃO DO LOCAL DE IMPLANTE E CAUSAS DE
RETIRADA DE 3943 CATETERES DE DUPLO LÚMEM PARA
HEMODIÁLISE.
Autor(es): FLORA BRAGA VAZ, LUCIANE MÔNICA DEBONI,
ANDREAS NOGUEIRA SALLES, BARBARA FERRARI,
SILVANE SEBBEN, CARLOS EDUARDO SAMPAIO DE
CASTRO NOLETO, MARCOS ALEXANDRE VIEIRA, HERCILIO
ALEXANDRE DA LUZ FILHO, CLAUDETE GASPARIN, ASTRID
MARGARETE LEONHARDT
PRÓ RIM
Introdução: O cateter simples (CS) de duplo lúmem é utilizado
como acesso temporário para os pacientes com insuficiência renal
crônica (IRC) sem acesso vascular permanente (fistula arterio
venosa, FAV). Relatamos a experiência dos últimos 05 anos no
nosso serviço com o uso deste tipo de acesso para hemodiálise,
analisando as causas de retirada dos cateteres nos diferentes
locais de implante. Métodos: Foram analisados todos os cateteres
implantados no período de abril de 2008 a abril de 2014. Os dados
foram coletados a partir do prontuário informatizado de cada
paciente, analisados através do software SPSS13.0. O teste de
qui-quadrado foi usado para análise de variáveis dicotômicas e
teste t para variáveis contínuas, sendo valores de p<0,05
considerados estatisticamente significativos. Foram estudadas as
causas de retirada dos cateteres, conforme o local de implante.
Resultados: Neste período, foram implantados 3.943 CS em 2.556
pacientes com média de 1,5 cateter/paciente. Quanto ao local de
implante, 1759 (44,6%) foram implantados em veia jugular (J), 228
(5,7%) em subclávia (SC), 1956 (49,7%) em femural (F). O tempo
médio de permanência foi 31,6 dias (+43,6), variando entre 1 e 278
dias. As causas de retirada foram: óbito 1179(29,6%), eletiva (FAV
funcionante/tx/CAPD) em 777 casos (20,3%), recuperação da FR
em 574 (15,7%) infecção em 499(13,8%), problemas
funcionamento (obstrução, hematoma, sangramento, mal
posicionamento) 639 (16,6%), outros (retirada acidental,
transferência) 159 (4,0%). Os cateteres implantados em SC e JI
foram retirados mais freqüentemente por infecção do que aqueles
em F (p<0,05). Não houve diferença entre os locais de punção em
relação a retirada por obstrução. Conclusão: O grande número de
CS implantados em F, refletem a prevalência de pacientes agudos,
a maioria internados nas UTIs. A infecção foi a principal causa de
retirada, no entanto não houve diferenças entre os locais de
implante.
TLP: 104
DISFUNÇÕES INTESTINAIS E SUA RELAÇÃO COM A
INGESTÃO DE FIBRAS, HIDRATAÇÃO E MEDICAMENTOS
DA ROTINA DE PACIENTES EM DIÁLISE PERITONIAL
Autor(es): Jéssica Zielinski, Mariana Siqueira, Ernesto Josué
Schmitt, Carla Cassi, Roberto Flávio Pecoits-Filho, Cyntia Leinig
Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escola de Saúde e
Biociências. Curso de Nutrição.
Objetivos: Analisar a prevalência de distúrbios intestinais e
correlacionar ao consumo de fibras, água e medicamentos em
pacientes em diálise peritoneal. Métodos: Estudo transversal e
observacional com pacientes com idade superior a 18 anos, há
mais de 30 dias em diálise peritoneal de ambos os sexos. Os
dados foram obtidos através de entrevista e pesquisa
complementar em prontuários do serviço de nefrologia do Instituto
do Rim, localizado em Curitiba, Paraná. A pesquisa faz parte de
uma tese de doutorado que denomina-se “Hipervolemia e sua
Correlação com Inflamação, Endotoxinas e Desnutrição de
Pacientes em Diálise Peritoneal” envolvendo pacientes dos
serviços de Nefrologia do Instituto do Rim de Londrina e de
Curitiba. Este foi um estudo aprovado pelo Comitê de Ética da
Universidade Estadual de Londrina, Paraná, Brasil sob parecer
357/2011. Para análise da prevalência de distúrbios intestinais foi
aplicado o questionário Roma IIl1. A ingestão de fibras e água foi
estimada pelo recordatório 24 horas, bem como uso de laxantes e
os medicamentos foram pesquisados a partir de prontuários. Os
dados foram apresentados em média e desvio padrão ou mediana
e variações, além de distribuição de freqüências. Foi utilizado o
teste qui-quadrado (Q2) para análises entre as variáveis e valores
de p<0,05 foram considerados significativos. Resultados: Foram
analisados 40 pacientes. Observou-se alta prevalência de
hipertensão arterial (79,1%) e diabetes (48,8%) na população
estudada, com 56,4% dos pacientes do sexo feminino e média de
idade de 61,7±12,06 anos. Foi encontrada alta prevalência de
constipação intestinal (63%). Além disso, 92,7% dos pacientes
relataram baixo consumo de fibras, com uma mediana de 6,8 (0,5
– 32,4) gramas por dia. A quantidade de líquido consumido foi de
1,467±0,619 litros por dia. Uma associação entre baixa ingestão
de fibras e prevalência de constipação (p=0,04) foi encontrada. O
diagnóstico de constipação funcional em pacientes com
sobrepeso e obesidade foi maior do que a encontrada em
pacientes com peso normal (p=0,006). Verificou-se que 16,7% dos
pacientes utilizam laxantes indiscriminadamente, sem prescrição
e supervisão médica. Conclusões: A aplicação dos critérios de
Roma III na população em diálise peritoneal mostrou resultados
significativos por meio da análise dos sintomas clínicos destes
pacientes. Definir constipação como um problema deve ter
relevância para o atendimento clínico e multidisciplinar dos
pacientes.
TLP: 105
Fatores preditores de Insuficiência Cardíaca Congestiva
Não Isquêmica em pacientes incidentes em hemodiálise Resultados da Iniciativa Internacional MONDO.
Autor(es): Viviane Calice-Silva1.2, Jochen G. Raimann2,
Stephan Thijssen2, Aileen Grassmann3, Daniele Marcelli3, Len
Usvyat2,3, Bernard Canaud3, Peter Kotanko2, Roberto PecoitsFilho1
1Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, PR, Brasil
2Renal Research Institute, New York, NY, United States
3Fresenius Medical Care
Introdução: Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) tem alta
prevalência em pacientes com doença renal crônica (DRC),
principalmente naqueles em hemodiálise (HD) e possui alta morbimortalidade. Preditores de ICC não isquêmico (ICC-NI) não foram
bem descritos em grandes grupos multicêntricos em HD. O
objetivo deste estudo é explorar os fatores preditores de
hospitalização e mortalidade por ICC-NI na iniciativa MOnitoring
Dialysis Outcomes (MONDO).
Métodos: MONDO consiste em um consórcio de provedores de
diálise de vários países. {Usvyat, Purif Sangue 2013; von
Gersdorff, Purif Sangue 2014}. Neste estudo foram identificados
pacientes incidentes em HD no banco de dados da Fresenius
Medical Care Europa (incluindo 17 países) que iniciaram o
tratamento entre Janeiro/2006 e Dezembro/2012 que
sobreviveram pelo menos um ano em HD. Internações e causa de
morte foram classificadas como ICC-NI de acordo com o CID-10.
As médias dos parâmetros clínicos e laboratoriais foram
computados ao longo dos primeiros 12 meses (baseline), eventos
clínicos relacionados com o ICC (morte e hospitalizações) foram
observados nos 12 meses seguintes (período de seguimento).
Regressões de Poisson foram construídas para explorar
associações entre parâmetros basais e o número de eventos por
ICC-NI durante o acompanhamento.
Resultados: Foram estudados 11.644 pacientes (60% homens,
com média de idade [DP] 64,2 [14,7] anos, 25% diabéticos, índice
de massa corporal (IMC) de 26,4 [5,5] kg/m2). A idade avançada foi
associada a maior risco de apresentar um evento. Por outro lado,
tempo de tratamento prolongado e maiores níveis séricos de
albumina foram associados com menor risco de eventos por ICCNI. Marcadores inflamatórios (proteína C-reativa (PCR),
proporção de linfócitos/neutrófilos), hemoglobina (HB), ganho de
peso interdialítico (GPID) e pressão arterial sistólica (PAS) não
foram associados a estes eventos.
Conclusões: Nesta sub-coorte européia do MONDO, pacientes
mais jovens, com maiores níveis séricos de albumina e tempo de
tratamento HD prolongados foram associados a menor risco de
hospitalização e morte por ICC-NI. Estes resultados podem ajudar
a triar pacientes com alto risco de complicações relacionadas a
ICC-NI e ajudar a definir metas para intervenções para pacientes
em HD, como: níveis de albumina sérica e tempo de tratamento
dialítico. Estes conceitos devem ser melhor abordados em
estudos futuros com o desenho apropriado.
TLP: 106
AVALIAÇÃO DA TAXA DE INFECÇÃO ASSOCIADA AO
CATÉTER VENOSO CENTRAL EM HEMODIALISECOMPARAÇÃO ENTRE HEPARINA E CITRATO TRISSÓDICO
COMO SELO DE CATÉTER
Autor(es): Laudenice Medeiros Vieira-Enfermeira. Especialista
em Enfermagem em nefrologia pela UECE, Viviane Peixoto dos
Santos Pennafort-Enfermeira.Especialista em Enfermagem em
Nefrologia pela Universidade Católica de Goiás. Doutoranda do
programa de Pós-graduaçãoCuidados Clínicos em Saúde e
Enfermagem pela UECE, Janaína Landim de SousaEnfermeira.Especialista em Enfermagem em UTI pela Atualiza
Cursos. Especialista em Saúde da Família pela UFC.
Especializanda em Enfermagem em Nefrologia pela UECE,
Letícia Lima Aguiar-Enfermeira. Mestranda do Programa de
Pós-graduação Cuidados Clínicos em Saúde e Enfermagem
pela UECE. Especializanda em Enfermagem em Nefrologia pela
UECE, Andrezza de Lima Vilote-Enfermeira. Especializanda em
Enfermagem em Nefrologia pela UECE, Nair Teixeira Serpa
Cardoso-Enfermeira. Especialista em Enfermagem em
Nefrologia pela UECE , Ana Kelly de Sousa Ferreira-Enfermeira.
Especialista em Enfermagem em Nefrologia pela UECE, Ana
Paula Donadi-Enfermeira. Especialista em Enfermagem em
Nefrologia pela UECE, Tamyres Soares de Amorim-Enfermeira.
Esprcialista em Enfermagem em Nefrologia pela UECE
CLINICA DE DIÁLISE DO EUSÉBIO-CDE
Introdução: A elevada incidência de pa¬cientes iniciando ou sendo
mantidos em hemodiálise por meio cateter venoso central (CVC)
tem aumentado o número de in-fecções da corrente sanguínea
relaciona¬das aos cateteres, influenciando a busca por
anticoagulantes que também impeçam a contaminação dos
mesmos (BEVILACQUA et al, 2011). Nesta perspectiva, objetivouse avaliar as taxas de infecção e obstrução em CVC de curta e
longa permanência para hemodiálise, em relação ao uso de
heparina e de citrato trissódico. Método: Estudo do tipo
documental retrospectivo, realizado em um serviço de referência
em hemodiálise, localizado na região metropolitana de
Fortaleza/CE. Para a investigação, utilizou-se instrumento
estruturado para os registros das taxas de infecção e obstrução
relacionadas aos CVC de curta e longa permanência, no período
de janeiro de 2013 a março de 2014, conforme os critérios de
inclusão: os seis primeiros meses (janeiro a junho de 2013) com
uso de heparina (grupo 1) e os outros seis meses (outubro de 2013
a março de 2014) com o uso de citrato trissódico a 30% (grupo 2),
como selo do cateter. Foram excluídos os registros relacionados
ao período de julho a setembro de 2013, o qual foi realizado o teste
do citrato trissódico. As informações obtidas foram compiladas e
analisadas através do programa SPSS for Windows (versão 20.0),
considerando o nível de significância estatística p < 0,05.
Ressalta-se que este trabalho é parte integrante do projeto:
“Segurança do paciente renal crônico em hemodiálise: ênfase na
prevenção de infecção em acesso vascular”, o qual recebeu
parecer favorável com protocolo nº 229.772. Resultados: Foram
analisados em média, 45 cateteres/mês no primeiro período
(grupo 1) e 48 no segundo (grupo 2). Destes, a maioria (84,7%) era
cateter de curta permanência e 15,3% de longa permanência.
Observou-se que o local de escolha para o implante do CVC foi a
veia jugular interna (45,6%), seguida da femoral (41,9%) e
subclávia (8,2%). A ocorrência de obstrução do lúmen com o uso
do citrato trissódico foi consideravelmente maior com 27% dos
casos, quando comparado à heparina com 4,4%. Verificou-se
redução da taxa de infecção com uso do citrato trissódico tanto nos
cateteres de curta, quanto de longa permanência. Nos cateteres
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
45
de curta permanência a taxa de infecção com selo de heparina foi
de 18,2% e com selo de citrato trissódico foi de 16,4%. Essa
diferença foi significativa nos cateteres de longa permanência,
com taxa de infecção de 14,1% no grupo 1 e de apenas 2,1% no
grupo 2. Conclusão: A utilização de citrato trissódico aumentou os
casos de obstrução de CVC, no entanto, o uso desse
anticoagulante reduziu as taxas de infecção em CVC, com maior
efetividade nos cateteres de longa permanência.
TLP: 107
AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E DA VOLEMIA
ATRAVÉS DO BODY COMPOSITION MONITOR: O LÍQUIDO
INTRAPERITONEAL FAZ DIFERENÇA?
Autor(es): Caron-Lienert RS, Figueiredo AE, Pinheiro da Costa
BE, Bombardelli CF, Anele C, Pizzato AC, Conti A, Poli-deFigueiredo CE
Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul
Introdução: A sobrecarga de fluidos (SF) é um achado comum em
pacientes em diálise peritoneal (DP), que promove piora na
evolução e aumento da mortalidade. A bioimpedância
espectroscópica (BE) é uma ferramenta precisa, sensível e
confiável para determinação do estado volêmico de pacientes em
PD. O efeito da presença de líquido na cavidade intraperitoneal
ainda é discutido e quanto à composição corporal é desconhecido.
O objetivo deste estudo foi Comparar as variáveis de composição
corporal e volemia através do Body Composition Monitor (BCM)
com o liquido de diálise na cavidade intraperitoneal (CC) e após
este ser drenado, cavidade vazia (CV). Métodos: Em um estudo
transversal, foram incluídos 32 pacientes adultos estáveis
(>18anos) em DP. Para análise da volemia e composição corporal
foi utilizado o BCM, o qual foi realizado com a CC e CV.
Resultados: Dos 32 pacientes em DP, 62,5% eram mulheres,
68,8% caucasianos, 75,0% realizavam métodos de DP
ambulatorial contínua (CAPD), 24,2% diabéticos, 87,9%
hipertensos, com mediana de tempo em DP de 15,6 (8,0 – 35,4),
sendo 40,6% entre 1 e 3 anos de terapia. A exposição média a
glicose de 18,8± 8.9g/kg/sem, média de peso de 72.0 ± 14.4kg,
IMC 27.6 ± 5.4kg/m2, ASG 13.8 ± 4.4 e MIS 6,8 ± 4,8. Na análise
dos parâmetros relacionados à volemia observa-se que apenas há
diferença estatística (P<0,001) na avaliação do peso corporal
entre CC e CV. O indicador de hiperhidratação (HH), assim como a
água corporal total (ACT), água extracelular (AE), água
intracelular (AI) e suas correções para altura e peso, massa magra
(MM), massa gorda (MG), massa de tecido adiposo (MTA), massa
celular corporal (MCC) não apresentaram diferença estatística. O
teste de correlação de Pearson de HH entre CC e CV apresentou
valor de r=0,989 (P<0,001). Conclusões A presença do líquido
intraperitoneal torna-se insignificante na avaliação da volemia pela
bioimpedância de corpo inteiro, assim como na análise da
composição - massa magra, massa gorda, massa de tecido
adiposo e seus índices - não apresentam diferença estatística
entre as duas medidas, sugerindo que metodologia pode ser
aplicada sem a drenagem do líquido de diálise.
TLP: 108
Avaliação da prevalência de anemia em pacientes com
Doença Renal Crônica dialítica no estado da Bahia.
Autor(es): Raphael Pereira Paschoalin, Lianna Gabriella
Gonçalves Dantas, Túlio Coelho Carvalho, Cassiano Augusto
Braga Silva, Silvio Francesco Perrota, Paulo Sérgio Nunes
Abreu, Edvaldo Costa Neto, Cristiano Silva Viana
Clinica Senhor do Bonfim - Feira de Santana e Salvador, Bahia/
Clinefro - Juazeiro e Senhor do Bonfim, Bahia/ Clinica de
Nefrologia de Serrinha - Serrinha, Bahia
Introdução: A anemia secundária à Doença Renal Crônica em
Estágio Terminal (DRCT) é uma das principais alterações
enfrentadas pelos pacientes em Terapia Renal Substitutiva (TRS).
Esse distúrbio leva a comprometimentos cardiovasculares
46
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
importantes, com impacto na qualidade de vida do paciente. O
tratamento com agentes estimuladores da eritropoiese (AEE) é a
principal ferramenta para enfrentar esse problema. A falta de
acesso a estes medicamentos pode prejudicar o controle desses
pacientes.
Objetivo: Avaliar a prevalência de anemia nos pacientes em diálise
em uma população no Estado da Bahia.
Metodologia: Estudo observacional, transversal, multicêntrico (6
unidades de diálise), onde foram avaliados os últimos exames
mensais disponíveis até 31 de maio 2014. Foram coletados dados
clínicos, hemoglobina (Hb) e hematócrito (Ht). A Hb foi avaliada
após categorização em quatro grupos: grupo I (< 9,0g/dL), grupo II
(9 – 11g/dL), grupo III (11 – 13g/dL) e grupo IV (> 13g/dL).
Resultados: Foram avaliados 1568 pacientes (60,5% homens).
Quase a totalidade deles, 98%, encontrava-se em hemodiálise. A
média da Hb foi de 10,65 + 1,96 g/dL e a idade média foi de 53,85 +
15,59 anos [13,7 - 90,4]. Na analise realizada de acordo com cada
grupo, 19,8% (310) dos pacientes encontravam-se no grupo I;
33,9% (531) deles no grupo II; A maioria, 36% (564) deles, no
grupo III enquanto 10% (157) encontravam-se no grupo IV. O valor
médio + SD do Ht foi de 32,27 + 7,44%. Conclusões: O controle da
anemia nos pacientes em diálise se mostrou adequado apenas
em pouco mais de 1/3 dos pacientes, os do grupo II. Níveis
adequados de Hb e Ht em pacientes em TRS tem relação direta
com o prognóstico, uma vez que, diminui a mortalidade e melhora
a qualidade de vida, além de diminuir a necessidade de transfusão
sanguínea. A não disponibilidade frequente da medicação pode
interferir no tratamento correto desses pacientes.
TLP: 109
Prevalência de Distúrbio Mineral Ósseo em paciente em
tratamento dialítico no estado da Bahia
Autor(es): Raphael Pereira Paschoalin, Lianna Gabriella
Gonçalves Dantas, Nathália Pereira Paschoalin, Cassiano
Augusto Braga Silva, Silvio Francesco Perrota, Paulo Sérgio
Nunes Abreu, Edvaldo Costa Neto, Cristiano Silva Viana, José
Andrade Moura Júnior
Clinica Senhor do Bonfim - Feira de Santana e Salvador, Bahia/
Clinefro - Juazeiro e Senhor do Bonfim, Bahia/ Clinica de
Nefrologia de Serrinha - Serrinha, Bahia
Introdução: Alterações do Distúrbio Mineral Ósseo da Doença
Renal Crônica (DMO-DRC) são prevalente em pacientes em
Terapia Renal Substitutiva (TRS) e está diretamente relacionado a
elevada morbi-mortalidade desses pacientes, através dos riscos
de fraturas e calcificações vasculares. A falta de acesso ao
tratamento adequado pode prejudicar o controle desses
pacientes. O controle adequado desse distúrbio promove melhora
na qualidade de vida e sobrevida dos pacientes em diálise. O
objetivo do estudo foi avaliar a prevalência das alterações nos
parâmetros - cálcio e fósforo séricos, paratormônio (PTH) e
fosfatase alcalina (FA) – do DMO-DRC, considerando o proposto
pelas guias de práticas clínicas do K/DOQI (Kidney Disease
Outcomes Quality Initiative) e KDIGO (Kidney Disease Improving
Global Outcomes).
Método: Estudo observacional, transversal, multicêntrico (6
unidades de diálise), onde foram avaliados os últimos exames
disponíveis até 31 Maio 2014 para cada parâmetro avaliado.
Foram coletados dados clínicos e laboratoriais (cálcio, fósforo,
PTH e FA). O banho de diálise padrão é o de cálcio 3,0mEq/L.
Resultado: Foram avaliados 1578 pacientes (60,5% homens). O
método dialítico é hemodiálise em 92% dos pacientes. A idade
média é 53,85 + 15,59 [13,7 - 90,4] anos. A média do cálcio sérico
foi de 9,11 + 0,55mg/dL e 74,7% dos pacientes se encontravam
dentro da faixa de 8,4 – 10,4 mg/dL. A média de fósforo sérico foi
de 4,85 + 1,36 mg/dL e 70,8% dos pacientes se encontravam
dentro da faixa de < 5,5 mg/dL (42% se encontrava com fósforo
sérico < 4,5 mg/dL). A FA média foi 319,2 + 199 e 66,2% dos
pacientes se apresentava na faixa de 65 – 300U/L . O PTH médio
foi de 402,2 + 433,2 pg/mL [2 - 3754]. Se encontrava apenas
25,4% dos pacientes dentro da faixa de 150 – 300 pg/mL; 14,1%
dos pacientes apresentam PTH acima de 800 pg/mL. O produto
cálcio x fósforo estava controlado (< 55) em 82,6% dos pacientes.
Conclusão: As alterações do DMO-DRC são frequentes na
população estudada. A falta de medicação adequada para o
tratamento corrobora com o situação atual apresentada e pode
estar contribuindo com a alta morbimortalidade desses pacientes.
Medidas eficazes devem ser tomadas para melhorar o controle do
distúrbio mineral ósseo e aumentar aa sobrevida dos pacientes em
terapia renal substitutiva.
TLP: 110
Avaliação do nível sérico de 25-hidroxi vitamina D em
pacientes em hemodiálise
Autor(es): Raphael Pereira Paschoalin, Lianna Gabriella
Gonçalves Dantas, Nathália Pereira Paschoalin, Túlio Coelho
Carvalho, Cassiano Augusto Braga Silva, Fabrício Santos da
Fonseca, Andréa Callou de Araújo Pereira Machado, José
Andrade Moura Júnior, Gildásio Carvalho da Conceição
Clinica Senhor do Bonfim - Feira de Santana e Salvador, Bahia/
Laboratório da APAE - Salvador, Bahia
Introdução: A deficiência de vitamina D nos pacientes em Terapia
Renal Substitutiva (TRS) é prevalente e contribui para o
desenvolvimento do hiperparatireoidismo secundário (HPTS), o
que motiva a racional suplementação de vitamina D nesses
pacientes. O risco cardiovascular elevado desses pacientes tem
sido relacionado tanto com o HTPS e consequente calcificação
vascular quanto com a deficiência de vitamina D. Os dados sobre
vitamina D em pacientes em diálise na nossa população são
escassos. O objetivo deste estudo foi descrever os níveis séricos
de 25-hidroxi vitamina D em pacientes portadores de Doença
Renal Crônica em estágio terminal em terapia hemodialítica.
Métodos: Foram avaliados dados clínicos e laboratoriais de 324
(64% masculino) pacientes em hemodiálise em Maio 2014 em dois
centros de diálise na Bahia. Foi realizada dosagem sérica de 25hidroxi vitamina D utilizando método automatizado de
quimioluminescência (imunoensaio) desenvolvido pela Diasorin
(Diasorin Stiliwater, Mn, USA). Baseado nas guias clinicas do
KDOQI - Kidney Disease Outcomes and Quality Initiative
Guidelines (2009) - os pacientes foram classificados em três
grupos: suficientes (> 30 ng/mL), insuficientes (15 a 30 ng/mL) e
deficientes (< 15 ng/mL). O banho de diálise padrão é o de cálcio
3,0mEq/L.
Resultados: A idade média dos pacientes foi de 57,5 + 14,1 anos. A
média ± desvio padrão da dosagem de 25-hidroxi vitamina D foi
32,8 ± 13,8 [6,3 - 75,3] ng/mL. A prevalência de deficiência de
vitamina D foi de 8,6% e de insuficiência foi de 37,3% e suficiência
foi de 54%. Nenhum paciente fazia uso de suplementação oral de
vitamina D durante a realização dos exames. O PTH médio foi
408,4 + 458 pg/mL [8,4 - 3340]. Não houve correlação entre o valor
da Vitamina D (25OH) e o PTH na população estudada.
Conclusão: Os níveis de 25-hidroxi vitamina D foram baixos nesta
população estudada. A suplementação com vitamina D oral e o
controle periódico pode ser necessário para corrigir a deficiência.
Estudos prospectivos para avaliar o impacto desta deficiência se
fazem necessários.
TLP: 111
Análise da ocorrência de peritonites em pacientes em
diálise peritoneal crônica.
Autor(es): Patrícia Barros Aquino Silva, Fernando Antonio Costa
Anunciação, Alexandre Araujo Costa, Ianna Assunção Coelho,
José Tibúrcio do Monte Neto, Rosielly Melo Tavares, Anelis de
Sousa Martins Freitas
Faculdade Integral Diferencial- FACID/Devry
Introdução: A diálise peritoneal é uma alternativa segura e eficaz
no tratamento de pacientes com insuficiência renal crônica. A
peritonite é um grande fator de morbimortalidade de pacientes em
DP, sendo uma complicação dessa técnica. O objetivo desse
estudo foi analisar a incidência de peritonites nos pacientes em
diálise peritoneal crônica. Método: O cenário foi uma unidade de
referência de cuidados nefrológicos em Teresina-PI. Tratou-se de
um estudo descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa,
e envolveu prontuários de pacientes submetidos à diálise
peritoneal crônica, no período de 18 meses. Resultados: Avaliouse 86 prontuários de pacientes submetidos à diálise peritoneal
crônica, sendo que destes, 30 receberam o diagnóstico de
peritonite. Observou-se um episódio de peritonite a cada 27,2
pacientes/mês. A causa provável em 96% dos casos foi
intraluminal. O Staphylococcus aureus foi o agente mais frequente
isolado (17,6%). O tratamento utilizado em 44% dos casos de
peritonites foi ceftazidime, amicacina e vancomicina, com duração
de 14 dias e a seguinte evolução: cura em 82%, retirada do cateter
em 14% e apenas um óbito (2%). A dor abdominal foi relatada em
92% dos casos. Identificou-se maior risco de peritonite nos
pacientes com HAS (36,67%), escolaridade menor que 4 anos
(23,3%) e com renda inferior a 5 salários mínimos (30%). Não
houve diferença significativa entre os grupos gênero, idade e
procedência. Conclusão: Dada a alta incidência e prevalência de
peritonite, é essencial ter medidas preventivas, incentivar a
participação ativa dos pacientes e de seus acompanhantes e
estratégias profiláticas são propostas para impedir a infecção por
Staphylococcus aureus.
Palavras-chave: Insuficiência renal crônica. Diálise peritoneal.
Peritonite.
TLP: 112
SELO DE CATETER TUNELIZADO PARA HEMODIÁLISE:
RESULTADO DE DUAS SOLUÇÕES
Autor(es): Lianna Gabriella Gonçalves Dantas, Raphael Pereira
Paschoalin, Sumaia de Oliveira Cabral, Saionara Chiacchio,
Bethânia Sousa Amorim, Nathália Pereira Paschoalin, Túlio
Coelho Carvalho, Cassiano Augusto Braga Silva, José Andrade
Moura Júnior
Clinica Senhor do Bonfim - Feira de Santana e Salvador, Bahia
Introdução: As complicações relacionadas aos cateteres
utilizados como acesso vascular são importantes causas de
morbimortalidade para pacientes em hemodiálise (HD). Heparina
não fracionada (HNF) é a principal solução aplicada como selo de
cateter. No entanto, seu uso tem sido associado à formação de
biofilme e complicações hemorrágicas. Soluções para selo de
cateter a base de citrato como anticoagulante isoladamente ou
combinado com Ciclo-taurolidina surgiram com a finalidade de
manter a patência além de prevenir a contaminação do lúmen dos
cateteres para HD.
Objetivo: Comparar o efeito do selo de cateter tunelizado para HD
com solução com citrato associada a ciclo-taurolidina (CCT)
versus solução com HNF 2500UI/ml.
Metodologia: Estudo retrospectivo de 60 cateteres tunelizados
utilizados entre fevereiro de 2013 e março de 2014. O selo com
HNF foi aplicado nos primeiros 7 meses e os cateteres tunelizados
novos nos meses seguintes com solução de citrato 4% e ciclotaurolidina. Neste segundo período os cateteres com fluxo
sanguíneo < 250 ml/minuto em 2 sessões consecutivas de
hemodiálise recebiam solução de uroquinase para desobstrução
do acesso. Foram avaliados as seguintes ocorrências: pirogênia e
bacteremia relacionada ao cateter (BRC), causa da remoção do
acesso e tempo de patência, além das hospitalizações no período.
Resultados: Foram estudados 41 pacientes em HD convencional
por 13,5 meses (IIQ 53), 39% portadores de Diabetes Melittus
(DM) e 43,3% dos cateteres em veia femural. 23 cateteres foram
preenchidos exclusivamente com HPN e 37 com CCT, sendo
analisados 1619 e 2650 dias de cateter respectivamente. A
prevalência de DM foi semelhante entre os grupos. Um total de 14
episódios de BRC, com taxa de 8,6 por 1000 dias de cateter
ocorreu no grupo heparina. No grupo CCT não foram relatados
episódios de pirogênia ou bacteremia. O risco relativo (RR) de
retirada do cateter por obstrução foi semelhante entre os grupos
(RR 1,60; IC95%; 0,74-3,45, p=0,25). O RR de hospitalização no
grupo heparina foi 2,5 (IC95%; 1,29-4,82). O tempo de patência do
cateter no grupo heparina foi de 115,5 ± 19,1 e 141 ± 13 dias no
grupo CCT, porém sem diferença estatisticamente significativa
entre os grupos.
Conclusões: 1- A ocorrência de pirogênia e bacteremia
relacionada ao cateter foi maior no grupo heparina. 2- O risco de
hospitalização foi maior no grupo heparina. 3- O tempo de
patência do cateter foi semelhante entre os grupos.
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
47
TLP: 113
Avaliação da qualidade de vida de pacientes renais crônicos
em uma clínica satélite de hemodiálise através do SF-36
Autor(es): Marília Costa Aranha, Ubiracé Fernando Elihimas
Júnior, Victor Lemos, Mariana Leão, Paulo Sérgio de Araújo
Hospital Agamenon Magalhães
Qualidade de vida (QV) refere-se à sensação íntima de conforto,
bem-estar ou felicidade no desempenho de funções físicas,
intelectuais e psíquicas, dentro da realidade da sua família,
trabalho e valores da comunidade à qual pertence. Objetivo:
Avaliar a QV dos pacientes renais crônicos em hemodiálise (HD)
em uma clínica satélite do Recife. Método: Realizou-se um estudo
transversal, unicêntrico, individuado com todos os pacientes em
esquema de HD convencional (n=225). Aplicou-se o questionário
de QV, Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form (SF-36)
juntamente com uma entrevista complementar com dados sóciodemográficos. Critérios de inclusão: pacientes com idade superior
a 18 anos, realizar HD convencional ao menos 12 horas/semana
durante um período mínimo de três meses, utilizar o capilar de alto
fluxo de polissulfona com as seguintes especificações 1,8m2 de
área de superfície, KUF= 60 mL/h/mmHg, KoA=945 e terem
assinado o termo de consentimento livre esclarecido. Critérios de
exclusão: pacientes com evidência ou comprovação de déficit
intelectual, demências, desorientação temporal e/ou espacial;
dificuldades orgânicas que não permitissem a aplicação do
questionário: surdez bilateral completa e pacientes hospitalizados
no período de coleta dos dados. Resultados: Dentre as dimensões
avaliadas pelo SF-36 o grupo em estudo apresentou os menores
escores nos aspectos físicos e dor. Os valores maiores foram
atribuídos à saúde mental, aspectos sociais, estado geral de
saúde e vitalidade. Ocorreu uma associação positiva entre a
escolaridade, aspectos emocionais e a capacidade funcional. O
tempo de HD demonstrou uma associação negativa com estado
geral de saúde quando se comparou os pacientes no primeiro ano
de HD com os pacientes com tempo de HD entre um e cinco anos.
Mostrou-se que estes últimos apresentaram melhor escore de QV.
Conclusões: O tratamento hemodialítico e a doença renal crônica
influenciam negativamente a QV dos pacientes em HD. Entretanto
a escolaridade é uma importante ferramenta que auxilia o paciente
a compreender e aceitar melhor sua nova realidade elevando os
índices de QV como os aspectos emocionais e a capacidade
funcional. Comumente ocorre uma piora da qualidade de vida no
primeiro ano de tratamento hemodialítico, quando o paciente
enfrenta uma diminuição do estado geral de saúde.
Palavras chaves: Qualidade de vida, Doença Renal Crônica,
Hemodiálise
TLP: 114
Peritonite em diálise peritoneal associada a raro agente
etiológico: Relato de caso
Autor(es): Nathalia K.N. Alecrim, Carla T.B.C. Pessoa, Teg M.S.
Veiga, Luis H.B.C. Sette, Gisele V. Fernandes, Maria Alina G.M.
Cavalcante, Lucila Maria Valente
Hospital das Clínicas, Universidade federal de Pernambuco
Introdução: Peritonite é uma das principais complicações da
diálise peritoneal e uma importante causa de abandono de técnica.
Bactérias gram positivas constituem o patógeno mais comum,
seguido de bactérias gram negativas e fungos. Nós descrevemos
um caso de peritonite relacionada à diálise peritoneal causada por
uma bactéria não usual.
Descrição do Caso: Uma mulher de 54 anos com doença renal
crônica terminal há 11 anos secundária a doença de Alport, tratada
com diálise peritoneal há 11 meses, foi admitida no hospital com
dor abdominal, febre e efluente turvo. A análise do líquido
peritoneal revelou celularidade de 72 000 células/mm3, com
predomínio de polimorfonucleares. A paciente foi tratada
empíricamente com cefalotina e gentamicina intraperitoneal, com
48
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
boa resposta clínica e clareamento do líquido drenado. A cultura
do líquido dialítico foi positiva para Leclercia adecarboxylata
sensível a gentamicina, cefepima, imipenem, levofloxacino,
ciprofloxacino e piperaciclina-tazobactam e resistente a ampicilina
e cefazolina.
Discussão: Leclercia adecarboxylata é um bacilo anaeróbico
facultativo classificado na família enerobacteriaceae. Este
organismo é raramente reportado como um patógeno humano, em
geral acometendo pacientes imunocomprometidos e usualmente
associada à infecção polimicrobiana, o que sugere que esta
bactéria é dependende de outros patógenos para que seja capaz
de provocar doença. No caso apresentado, a Leclercia
adecarboxylata cresceu como agente isolado e foi capaz de
induzir doença.
TLP: 115
Assistência farmacêutica para promover o autocuidado e
melhorar a qualidade de vida de pacientes em hemodiálise
Autor(es): Nathalia do Nascimento Vontobel, Marysabel Pinto
Telis Silveira, Miriam Moreira Mussi, Maristela Böhlke, João
Pedro Mussi Laydner, Jonas Peter, Vanessa da Rosa Câmpara,
Michele Tancini Vieira, Cynara Silva Silveira, Camila Corrêa
Colvara
Universidade Católica de Pelotas
INTRODUÇÃO: A doença renal crônica (DRC) em pacientes em
diálise possui um comprometimento da qualidade de vida dos
mesmos, devido ao controle terapêutico estrito, associado aos
sintomas de uma doença irreversível, modificações na dieta e
mudança da vida social. A atenção farmacêutica pode melhorar
esse processo, oferecendo cuidados extensivos, com o objetivo
de identificar corretamente as incompatibilidades com as
medicações e a monitorização da adesão ao tratamento e da
dieta, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos
pacientes em diálise. O objetivo deste estudo foi avaliar a
qualidade de vida dos participantes incluídos em um ensaio clínico
randomizado desenhado para avaliar o efeito da atenção
farmacêutica na qualidade de vida de pacientes com DRC, esses
eram adultos e tratados por hemodiálise. METODOLOGIA: A
qualidade de vida foi medida (N=48) pelo Kidney Disease Quality
of Life Short Form (KDQOL-SF) e os dados laboratoriais e clínicos
foram obtidos por registros médicos. RESULTADOS: A partir do
estudo, a maioria eram homens (73%), com a idade variando entre
19-82 anos, com media de 53,5 anos (DP=15,7). O rendimento
mensal médio foi de 1.290,00 reais. A escolaridade variou de 0-15
anos, com a média de 8 anos. O tempo médio de diálise foi de 32
meses (DP= 22,5), o número de fármacos foi de 5,8 (DP= 3,1),
variando de 1 a 15 fármacos, o número de comprimidos por dia foi
11 (DP= 7), variando de 1-35 comprimidos. As comorbidades
associadas mais frequentes foram diabetes (27%), hipertensão
arterial sistêmica (71%), insuficiência cardíaca (15%) e doença
arterial periférica (13%). Os valores de média mais altos para as
dimensões específicas do KDQOL-SF foram: apoio da equipe ao
paciente (87,23, DP= 20,1); qualidade da interação social (83.12,
DP= 17,79) e função sexual (82,61, DP= 26,04). As genéricas
foram: bem estar social (72,42, DP= 19,85), função social (72,28,
DP= 28) e dor (65,81, DP=2,89). CONCLUSÃO: Concluimos que a
atenção farmacêutica pode ser de grande importância dada a
complexidade do tratamento, a necessidade de bons remédios,
adesão à dieta e ao estilo de vida para melhorar a qualidade de
vida de pacientes com DRC.
TLP: 116
Cuidando da beleza e melhorando a autoestima das
pacientes hemodialisadas
Autor(es): Juliane Casas , Ricardo Augusto Miranda Cadaval,
Thiago dos Reis Hoffmann, Juliana Perroud Seixas Silveira,
Bruno Cesar Bifano Saraiva, Eldina Sacana da Silva, Josiane
Freire de Barros, Cibele I Saad Rodrigues, Ronaldo D'Avila
Centro de Diálise e Transplante Renal PUCSP
As atividades lúdicas são consideradas importantes para os
pacientes em programa crônico de diálise. Neste sentido, o
envolvimento em atividades criadas pelas clínicas de diálise pode
trazer inúmeros benefícios, como melhora de qualidade de vida e
estímulos à reintegração social do paciente. O objetivo do
presente trabalho é o de apresentar uma forma de atividade lúdica
recentemente realizada em nosso centro de diálise e que envolveu
uma considerável parcela de pacientes do sexo feminino: um
curso prático de maquiagem. Metodologia: foi estabelecido
contato com representantes autônomos de uma empresa de
beleza, que responderam de forma positiva à realização do curso e
ofereceram os produtos necessários e a assistência profissional.
O curso foi ministrado durante dois dias inteiros, de forma que os
pacientes de todos os turnos de diálise pudessem participar. A
participação dos pacientes, embora estimulada, foi voluntária.
Foram ensinadas técnicas de maquiagem, cuidados com a pele e
valorização da expressão e os pacientes tiveram a oportunidade
de auto-aplicar os conhecimentos. O curso foi aberto também à
participação de acompanhantes dos pacientes e funcionários da
diálise. As atividades foram fotografadas por funcionários da
diálise e as imagens foram, posteriormente, expostas em um
painel. Resultados: 22 pacientes (de um total de 66 mulheres do
programa de hemodiálise), 8 acompanhantes e 11 funcionárias
participaram do programa. As atividades foram realizadas em
clima de confraternização e a exposição das fotos gerou grande
curiosidade. Embora não tenha havido nenhuma comercialização
dos produtos, os representantes autônomos da empresa de
beleza declararam-se plenamente satisfeitos com a oportunidade
e já solicitam a realização de novos cursos. Conclusão: Um curso
prático de maquiagem destinado às pacientes em hemodiálise
atraiu um representativo numero de pessoas interessadas e pode
ser usado como exemplo de atividade lúdica a ser desenvolvida
com estes pacientes.
TLP: 117
MARCADORES NUTRICIONAIS TRADICIONAIS E SUA
RELAÇÃO COM PROTEIN ENERGY WASTING EM
PACIENTES EM DIÁLISE PERITONEAL
Autor(es): Jéssica Koslowski, Edieiny Maier, Roberto Flávio
Pecoits-Filho, Cyntia Leinig
Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escola de Saúde e
Biociências. Curso de Nutrição.
Objetivos: Avaliar a presença de protein energy wasting (PEW) em
pacientes em diálise peritoneal e relacioná-la com marcadores
tradicionais de nutrição. Métodos: Este foi um estudo transversal e
observacional envolvendo pacientes do Serviço de Nefrologia do
Instituto do Rim de Curitiba. Avaliação Subjetiva Global (ASG),
Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência muscular do braço
(CMB), ingestão calórica e proteica foram analisados. Os
pacientes foram observados também quanto à presença PEW,
segundo os critérios: bioquímico (albumina sérica <3.8 g/dl);
massa corporal (IMC <23 Kg/m2); massa muscular (redução da
CMB >10% em relação ao percentil 50th para a população de
referência) e ingestão dietética (diminuição da ingestão protéica
para <0.8 g/kg/dia e da ingestão calórica <25 Kcals/kg/dia). O
diagnóstico de PEW é observado caso o paciente apresente, no
mínimo, 3 destes critérios. Os resultados foram apresentados
como média e desvio padrão ou mediana e variações, além de
distribuição de freqüência. Para comparação entre os grupos, foi
utilizado o teste t para amostras independentes e foram
considerados significativos quando p< 0,001. Para a análise
estatística, foi utilizado o software SPSS 12.0. Resultados: Foram
coletados dados de 46 pacientes, 60,9% eram idosos e 52,1%. do
sexo feminino. A hipertensão arterial foi a comorbidade mais
freqüente (78,2%). Uma média de IMC de 27,03±5,22 kg/m² foi
encontrada, com maior prevalência de sobrepeso. Além disso, a
CMB inadequada, classificada como desnutrição, foi encontrada
em 58,6% dos pacientes. A classificação da ASG foi a desnutrição
em 97,8% dos pacientes. Para a ingestão proteica, 45,6% dos
pacientes consumiram menos do que 0,8g/kg por dia de proteína e
71,7% consumiram menos de 25 kcal/kg de calorias diárias. Em
23,9% foi observada presença de PEW. Na comparação entre os
grupos com e sem PEW, houve diferença significativa entre IMC e
CMB, sendo estas variáveis menores no grupo com PEW
(p<0,001). Conclusões: O sobrepeso, de acordo com o IMC, foi
prevalente nesta população, mas a desnutrição foi identificada
quando utilizados outros parâmetros. A alta prevalência de PEW
foi observada nesta população, sendo que IMC e CMB foram
significativamente menores neste grupo. Sugerem-se estudos
prospectivos na população em diálise peritoneal, que podem
revelar a presença de PEW como um marcador válido do estado
nutricional.
TLP: 118
HIPERVOLEMIA E SUA RELAÇÃO COM MARCADORES
NUTRICIONAIS EM PACIENTES EM DIÁLISE PERITONEAL
Autor(es): Naiane Rodrigues de Almeida, Luiz Fernando Kunii,
Carla Cassi, Roberto Flávio Pecoits-Filho, Cyntia Leinig
Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Escola de Saúde e
Biociências. Curso de Nutrição.
Introdução: A hipervolemia é um problema frequente em pacientes
em diálise peritoneal e tem sido correlacionada com a presença de
desnutrição e inflamação. Objetivos: Avaliar a correlação entre
hipervolemia e marcadores nutricionais. Materiais e métodos:
Estudo transversal e observacional envolvendo pacientes dos
Serviços de Nefrologia do Instituto do Rim de Londrina e de
Curitiba. Para análise de volemia e composição corporal foi
utilizado o Body Composition Monitor (BCM - Fresenius® Medical
Care). Os dados foram água corporal, volume de água intra e
extracelular, estado volêmico, gordura corporal e massa magra.
Classificou-se a sobrecarga hídrica como euvolemia, quando
sobrecarga _0% e hipervolemia, sobrecarga >0%. Albumina e
índice de massa corporal foram outros marcadores nutricionais
avaliados. Ureia, creatinina, cálcio e fósforo foram coletados em
prontuário para verificação da adequacidade dialítica. Para
comparação entre médias foi utilizado o teste t para amostras
independentes. As variáveis foram avaliadas pela correlação de
Pearson e as não paramétricas pela correlação de Spearman,
sendo significativos quando p<0,05. Para análise estatística,
utilizou-se o programa SPSS 12.0. Resultados: Em um total de 67
pacientes, observou-se média de 54,96±13,89 anos e sexo
masculino em 50,74%. A hipertensão arterial foi encontrada em
82%, contudo, a média da pressão arterial sistólica foi de
131,22±23,5 mmHg. O tempo de diálise observado foi de
28,09±22,19 meses (1 a 98 meses). A hipervolemia esteve
presente em 65,7% dos pacientes. A pressão sistólica e o tempo
de tratamento não apresentaram diferença entre hipervolêmicos e
euvolêmicos. A prevalência de obesidade nos hipervolêmicos foi
maior (81,8%) e estes tiveram menor massa magra e maior massa
gorda, embora não significativo (p=0,142 e p=0,474,
respectivamente). Entre os exames laboratoriais, a albumina foi
menor nesses pacientes (p=0,006), enquanto a ureia foi maior
(p=0,027). Não houve diferença entre os demais exames
analisados. A hipervolemia foi correlacionada com albumina (p=0,004), mas não se observou correlação com índice de massa
corporal e marcadores de composição corporal. Conclusão: Neste
estudo, pacientes em diálise peritoneal apresentaram elevada
prevalência de hipervolemia e observou-se significativa
correlação com albumina. Sugerem-se estudos que melhor
avaliem essa correlação e possam incluir a análise da presença de
inflamação nesses pacientes.
TLP: 119
Peritonite como um fator de risco para mortalidade tardia
em pacientes em diálise peritoneal: friendly fire?
Autor(es): R. Pecoits Filho1, LG. Campos1, FM. Yabumoto1, TP.
Moraes1, AE. Figueiredo2, M. Olandoski1, SE. Shimakura4, P.
Barretti3
1 Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Curitiba,
Brasil 2 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(PUCRS), Porto Alegre, Brasil 3 Universidade Estadual do
Estado de São Paulo - UNESP, Botucatu, Brasil 4 Universidade
Federal
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
49
Introdução: Peritonite em diálise peritoneal está associada
especialmente a morte por sepsis e falha da técnica no longo
prazo. O impacto da peritonite na mortalidade tardia,
particularmente relacionada com causas não infecciosas, não foi
estudada até o presente. Portanto, o objetivo deste estudo é
analizar o impacto da peritonite na mortalidade tardia em uma
grande coorte de DP.
Métodos: As análises foram baseadas no BRAZPDII, um estudo
de coorte nacional prospectivo realizado no Brasil de Dezembro
2004 a Janeiro 2011. Pacientes adultos, incidentes em DP com no
mínimo 90 dias de tratamento, de 122 clínicas no Brasil foram
incluídos nas análises. Morte de origem cardiovascular ocorrida
com um mínimo de 90 dias após um episódio de peritonite foi
considerado um desfecho primário. Regressão de cox com
variáveis tempo-dependentes foram usadas para ajustes. Análise
multivariada incluindo idade, gênero, educação, diabetes,
hipertrofia de ventrículo esquerdo, hipertensão, hemodiálise
prévia, cuidado pré-dialítico, hemoglobina, creatinina e pressão
arterial no início.
Resultados: Ocorreram 2405 episódios de peritonite em 5707
pacientes analisados (48% do sexo masculino, 44% com diabetes,
73% hipertensos). Pacientes com um episódio de peritonite
apresentaram 25% de aumento no hazard ratio da mortalidade
cardiovascular comparado aqueles que não tiveram episódios de
peritonite (HR1.25; CI95%1.04-1.52). Hazard Ratios para
mortalidade cardiovascular mostraram um efeito progressivo para
pacientes com episódios adicionais de infecção: 2 episódios
(HR2.00; CI95%1.47-2.72), 3 episódios (HR3.41; CI95%2.115.24) e 4 episódios (HR4.92; CI95%2.58-9.38).
Conclusão: Peritonite foi um preditor independente de mortalidade
CV e a frequência de peritonite foi fortemente associada com um
aumento linear no risco. Este é o primeiro estudo a demonstrar o
impacto de peritonite na mortalidade cardiovascular tardia de
pacientes em DP, sugerindo uma ligação entre a inflamação aguda
e o desfecho cardiovascular.
TLP: 120
Prevalência De Disfunções Sexuais Em Mulheres Em
Programa De Hemodiálise Crônica No Estado Da Bahia.
Autor(es): Moura, D.Q., Moura Neto, J.A. , Souza, A.F.P., Sa
Moura, S.M. , Paschoalin, S.P., Paschoalin, E.L., Soledade, M.F.,
Neto, E.A.C. , Moura Jr, J.A.
Clínica Senhor do Bonfim
Introdução: A Doença Renal Crônica (DRC) constitui um problema
de saúde pública de grande magnitude por sua elevada
prevalência e por associar-se a alta morbidade e mortalidade. Há
poucas décadas, a DRC associava-se à morte. A história natural
desta enfermidade modificou-se radicalmente com a introdução
dos métodos dialíticos. A Terapia Renal Substitutiva (TRS), que
objetivava, quase que exclusivamente, prolongar a sobrevida dos
pacientes, atualmente tem sido centrada na melhora da qualidade
de vida (QV). Dentro desta ênfase, percebe-se a importância da
sexualidade como fator determinante desta QV, tanto em homens
como em mulheres. São raros os estudos da prevalência de
disfunções sexual em mulheres portadoras de DRC em TRS,
estudos estes que podem ajudar na compreensão das disfunções
diagnosticadas neste grupo específico, contribuindo para
elaboração de estratégias de aconselhamento e tratamento
destas disfunções. Objetivo: Estudar a prevalência das disfunções
sexuais em mulheres em programa regular de TRS,
correlacionando-a com variáveis que possam estar associadas.
Metodologia: Realizado estudo de corte transversal, em quatro
unidades de TRS do estado da Bahia, conveniadas pelo SUS,
entre dezembro de 2012 e outubro de 2013. Foram convidadas a
participar mulheres entre 20 e 40 anos, em programa TRS há mais
de 30 dias, que possuíam vida sexual ativa e que não sido
internadas nos últimos 30 dias. O questionário utilizado foi o
Quociente Sexual – Versão Feminina (QS-F), validado no Brasil e
de fácil aplicabilidade. Idade, etnia, ocupação, renda mensal
familiar, moradia, estado civil, tempo em hemodiálise, Kt/V e o
nível de hemoglobina foram as variáveis estudadas, todas
devidamente categorizadas. Medidas de ocorrência, medida de
associação e as medidas da magnitude destas associações foram
os métodos estatísticos adotados. Resultados: De 1108 pacientes,
50
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
78 mulheres preencheram os critérios de inclusão. Cinquenta e
nove delas (75,64%) apresentaram algum grau de disfunção
sexual. Consideramos aquelas com nível regular e desfavorável
como portadoras de disfunção. Apenas 19 pacientes
apresentaram nível bom. Não houve associação entre as variáveis
estudadas e os níveis de disfunção sexual, assim como não foi
significante a medida desta associação. Conclusões: A
prevalência de disfunções sexuais em mulheres em programa de
hemodiálise crônica no estado da Bahia foi alta e não houve
associação entre as variáveis estudadas e os níveis de
disfunções.
TLP: 121
Ângulo de Fase e Marcadores Tradicionais do Estado
Nutricional em Doentes Renais Crônicos antes e após a
hemodiálise
Autor(es): Lincon Ribeiro Pimentel, Lilian B Ramos, Alessandra
Fortes Almeida, Jairza Maria Barreiros de Mederos
Universidade Federal da Bahia
Objetivo: Na prática clínica são muitos os métodos utilizados na
avaliação de pacientes em hemodiálise (HD), mas a maioria
apresenta limitações. Este estudo objetivou avaliar a existência de
correlação e concordância entre o ângulo de fase padronizado
(AFP) e marcadores tradicionais do estado nutricional (EN) em
indivíduos renais crônicos, antes e após o tratamento dialítico.
Métodos: Estudo transversal, com 57 pacientes em HD, de ambos
os sexos.Os participantes foram avaliados por antropometria
(Índice de Massa Corporal – IMC e Circunferência Muscular do
Braço - CMB),pela bioimpedância (Percentual de Massa Celular
Corporal - %MCC e AF) e pela Força do aperto de mão (FAM),
antes e após a HD.
Resultados: Não houve diferença significante para as variáveis
CMB, FAM e %MCC no período pré e pós-diálise. A correlação
entre o AFP e os marcadores tradicionais do EN (IMC, CMB, FAM
e %MCC) no período pré-diálise foi positiva e fraca. No período
pós-diálise a %MCC foi a única variável que não teve correlação
estatisticamente significante. A análise de concordância entre o
AFP e demais parâmetros, no período pré-diálise, mostrou
concordâncias pobres ou fracas e no pós-diálise discordância com
a %MCC e concordância moderada com a FAM. As perdas
hídricas não influenciaram as relações do AFP.
Conclusão: O AFP teve fracas correlações com os marcadores
tradicionais do EN e moderada concordância com a FAM. O AFP
parece não ser um bom marcador do EN em pacientes em HD.
Palavras-chave: Ângulo de fase, antropometria, bioimpedância,
dinamometria, hemodiálise.
TLP: 122
Reserva muscular e a Força em indivíduos renais crônicos
em hemodiálise
Autor(es): Isadora Soares Paiva, Lincon Ribeiro Pimentel, Jairza
Maria Barreto Medeiros, Lilian Barbosa Ramos, Maria Helena
Lima Gusmão
UFBA
Introdução: Devido a importância da reserva de massa muscular
na qualidade de vida dos pacientes em hemodiálise (HD) e dos
crescentes estudos que estimulam o uso Força de Pressão
Manual (FPM) na identificação da perda de massa muscular e no
auxílio do diagnóstico nutricional, esse estudo tem o objetivo de
avaliar a reserva muscular e a força de indivíduos renais crônicos
em HD, correlacionando a FPM com a reserva de massa magra e
com métodos que avaliam esse compartimento corporal.
Material e Métodos: Foram avaliados 57 pacientes, entre homens
e mulheres, adultos e idosos, com insuficiência renal crônica em
programa de HD. A reserva muscular foi avaliada pela Área
Muscular do Braço Corrigida (AMBc), Circunferência Muscular do
Braço (CMB) e pela porcentagem de Massa Muscular (%MM)
obtida a partir da resistência gerada pela bioimpedância e
aplicação dos cálculos propostos por Janssen11, 12. A FPM foi
mensurada pelo dinamômetro hidráulico para mão - modelo
Jamar® e as medidas eram realizadas na mão oposta ao lado da
fístula arteriovenosa (FAV), com os indivíduos em pé, braço
esticado e feitas três medidas, com intervalo de 01 minuto entre
elas e utilizada a de maior valor. Os valores utilizados para análise
foram da avaliação nutricional realizada após 30 minutos da seção
de HD.
Resultados: Adultos apresentaram maior FPM e homens maior
reserva muscular. Não houve diferença entre a inadequação da
reserva e força muscular entre os grupos com menos e mais de 60
meses em HD. Observou correlação significativa da FPM com os
parâmetros de reserva muscular AMBc e CMB. Há uma pobre
concordância entre a FPM e os parâmetros de reserva muscular
AMBc, CMB e %MM.
Conclusão: A FPM associa-se a reserva muscular, reforçando os
achados da literatura que incentivam o uso deste na avaliação
nutricional de pacientes em HD, mas ainda são necessários
estudos que avaliem a concordância da FPM com métodos já
usualmente utilizados na avaliação da reserva de massa magra.
TLP: 123
IMPACTO DA IMPLEMENTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE
INCENTIVO A DIÁLISE PERITONEAL EM UM SERVIÇO DE
NEFROLOGIA
Autor(es): Jenaine Oliveira Paixão, Tania A. Paulo, Lilian
Guimarães Silva, Lilian Pires de Freitas do Carmo
Hospital Evangélcio de Belo Horizonte
Introdução: A diálise peritoneal (DP) é um método efetivo de diálise
que usa o peritôneo como membrana semipermeável para a
depuração de toxinas urêmicas. Sua popularidade tem aumentado
devido à simplicidade e conveniência do método, porém ainda é
subutilizada no Brasil. Segundo o censo da SBN 2012, apenas
8,4% da população em diálise utiliza esse tipo de tratamento,
tornando importante a criação de programas de incentivo à
modalidade. Objetivo: Avaliar o impacto da implementação de um
programa de incentivo à DP em um Serviço de Nefrologia. Método:
O programa “Bem Viver em Diálise” foi criado em abril de 2013 e
constitui-se de ciclos periódicos de palestras direcionadas aos
pacientes em hemodiálise (HD), em tratamento conservador e
seus acompanhantes. As palestras foram realizadas pela equipe
multiprofissional na própria clínica e contaram com a participação
de pacientes e cuidadores que já realizavam a diálise peritoneal,
quando puderam relatar suas próprias experiências. Realizou-se a
análise do impacto da implementação do programa através do
cálculo do número de pacientes que mudaram de modalidade
dialítica, do número de pacientes que optaram pela DP como
tratamento inicial e do consequente crescimento do serviço de DP.
Os dados analisados são do período de abril de 2013 a abril de
2014. Resultados: Em abril de 2013 o programa teve início com 26
pacientes DP, com uma média anterior de admissões de pacientes
provenientes da HD de 1,58 pacientes/mês e uma taxa de
crescimento anual de 38,4%. Após o início do programa, 48
pacientes migraram da HD para a DP e 11 pacientes iniciaram DP
como tratamento inicial, determinando um crescimento anual de
111,5%, finalizando o mês de abril de 2014 com 55 pacientes em
DP. Conclusão: A implementação de um projeto de fácil execução
determinou um aumento considerável no número de pacientes
que optaram pela DP como método dialítico. A desinformação a
respeito da eficácia e segurança do método constitui empecilho
importante para seu crescimento. O contato dos pacientes em
tratamento conservador e em HD com os pacientes em DP auxilia
no esclarecimento de dúvidas e na credibilidade do método.
TLP: 124
Comparação entre os níveis plasmáticos do peptideo
natriuretico do tipo B e ganho de peso no período
interdialitico de pacientes em programa de hemodiálise.
Autor(es): Maria Isabel Leszczynski, Arlete Marquesone Nunes,
Hugo César de Moraes Canever, Daniel Bolognese, Paulo
Roberto Aranha Torres, Ricardo Oyama, Alexandre Sans Cunha,
Roberta Corrêa Pascotto, Sérgio Seiji Yamada
Santa Casa de MIsericórdia de Maringá
Introdução: A concentração plasmática de biomarcadores
cardíacos como o peptídeo natriurético do tipo-B (BNP) e seu
fragmento terminal (NT-pro-BNP), biologicamente inativo, tem
sido útieis para avaliar pacientes com doença renal crônica em
programa de hemodiálise, sendo que a elevação de seus valores
tem mostrado correlação com o grau de disfunção sistólica do
ventrículo esquerdo e com a sobrecarga de volume.
Objetivo: Dosar o nível plasmático de (BNP) dos pacientes em
programa de hemodiálise e correlacionar com o ganho de peso
interdialítico. Métodos: Realizamos um estudo transversal
retrospectivo, a partir de dados de prontuário de pacientes em
programa de hemodiálise em um hospital geral da região Noroeste
do Paraná.
Parâmetros epidemiológicos como: Idade, raça, gênero foram
analisados. O nível de BNP coletado antes da segunda diálise da
semana e a média de ganho de peso interdialítco (GPID) do mês
foram calculados. Foram considerados ganhadores de peso,
aqueles que apresentaram GPID maior que 5%. Os pacientes
foram divididos em dois grupos: ganhadores de peso (GP) e não
ganhadores (NG). Em cada um dos grupos foi calculado a média
do ganho de peso e dos valores de BNP. Analisamos a
significância estatística das diferenças utilizando o test t de
student (Graphpad Prism 5.01), considerado significante quando
p<0,05. Resultados: Foram avaliados prontuário de 114
pacientes, com média de idade aproximada de 56 anos, 61destes
foram considerados GP. Neste grupo observamos um discreto
predomínio de 32 mulheres(52%), 18 mulheres da raça
branca(56%). 53 pacientes foram considerados NG, destes 36
eram homens (67,9%), sendo 28 da raça branca (77%). A média
dos valores de BNP encontrada no grupo GP foi significativamente
maior que as dos NG (686,3 + 1181,5 vs 351,2+ 465,5 pg/mL, p
0,027). Conclusão: 1) A despeito de outras variáveis envolvidas,
confirmamos que existe uma relação direta entre o aumento de
BNP e ganho o GPID. 2) A média dos valores de BNP encontrada
no grupo de GP, foi o dobro da média dos NG; 3) Nesse estudo
observamos um predomínio de mulheres de raça branca GP.
TLP: 125
Fistula Arteriovenosa: Sobrevida, Causas De Perda E
Variáveis Associadas: Comparação Entre Duas Unidades.
Autor(es): Moura Neto, J.A., Moura, D.Q., Souza, A.F.P., Sa
Moura, S.M. , Cabral, S. , Chiacchio, S., Paschoalin, R.P.,
Dantas, G.G.L., Moura Jr, J.A.
Clínica Senhor do Bonfim
Introdução: A criação das fistulas arteriovenosa (FAV) como
acesso vascular à hemodiálise (HD) tornou possível repetidas
punções, inaugurou a era da HD crônica e modificou a história
natural dos pacientes em HD. Esforços têm sido realizados nos
cuidados para mantê-las pérvias e em adequadas condições de
uso. Maior sobrevida das FAVs diminui a morbimortalidade dos
pacientes e minimizam o uso do cateter venoso como acesso para
HD, enquanto complicações e perdas relacionam-se a um pior
prognóstico. Objetivo: Avaliar a sobrevida e as causas da perda de
FAVs em duas unidades de nefrologia, correlacionando-as com
variáveis que poderiam estar associadas. Metodologia: A curva de
Kaplan-Meier foi aplicada para comparar a sobrevida das FAVs ao
final de 28 meses (jan/2012 a abril/2014) em duas unidades da
Clinica Senhor do Bonfim (CSB), uma em Feira de Santana (FSA)
e outra em Salvador(SSA). As causas das perdas de FAVs foram
analisadas. Gênero, idade, diagnóstico de diabetes, local da FAV e
tempo de confecção foram as variáveis estudadas e comparadas.
Resultados: No total, 650 FAVs foram seguidas neste período; 373
na unidade de FSA e 277 em SSA. Houve 109 perdas de FAVs,
sendo 50 em FSA e 59 em SSA. No período, a sobrevida das FAVs
em FSA foi de 89,70% I.C.95% [87,47-91,57%] enquanto em SSA,
a sobrevida foi de 85,75% I.C.95% [82,9-88,9%], OR=1.64,
I.C.95% [1,12-2,38%]. Trombose ocorreu em 72 casos e foi a
causa mais prevalente, 34(68%) em FSA e 38(64,6%) em SSA,
seguida de 29 perdas, após episódios de hipotensão. Mais da
metade das perdas, 68 delas, ocorreram em homens, sendo 38
em FSA e 30 em SSA, P= 0,004*. A idade média dos pacientes em
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
51
FSA foi de 63±17,3 anos e 59±14,4 em SSA. Das 109 perdas de
FAVs; 29 ocorreram em pacientes diabéticos, sendo 7 em FSA e
22 em SSA, P=0.005*. Quanto ao local das FAVs, 43 eram
proximais, 12 em FSA e 31 em SSA, P=0.000*. O intervalo de
tempo entre a confecção e a perda das fístulas foi de 30,5±14,2
meses em FSA e 31,2±18,9 meses em SSA. Conclusões: 1 - O
risco de perda de FAV foi 64% maior em Salvador, 2 - Trombose foi
a causa mais prevalente nas duas unidades, 3 - Homens perderam
mais FAVs, 4 - Houve maior prevalência de perda em diabéticos e
de FAVs proximais em Salvador.
TLP: 126
Relato de 100 implantes de cateter de tenckhoff por
nefrologista através da técnica de Selding modificada.
TLP: 128
Peritonite por Ochrobactrum anthropi em paciente
submetido a Diálise Peritoneal.
Autor(es): Martins,GKM, Biagini,G, Moraes,TP
Autor(es): Martins, GKM, Radunz, VA, Bernard, LF, Moraes, TP,
Almeida, TVR, Silva, RL
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba
Um acesso adequado e seguro à cavidade peritoneal é
fundamental no desenvolvimento e manutenção de um serviço de
diálise peritoneal de qualidade. Embora diversos artigos tenham
comparado e certificado a segurança do implante do cateter
realizado pelo nefrologista essa ainda não é uma realidade na
maioria dos centro nacionais. Assim , nosso intuito é descrever
nossa experiência com nefrologia em um grande centro do sul do
país. Este estudo realizado e um único centro, onde relatamos os
resultados de todos os cateteres de diálise peritoneal implantados
por nefrologista intervencionista no período de dois anos, de
janeiro de 2011 a fevereiro de 2013. Todos os cateteres foram
implantados em sala própria, por via percutânea, sob anestesia
local pela técnica de Seldinger modificada. Foram implantados
100 cateteres de DP. A média de idade de nossos pacientes era de
51 anos, a principal etiologia da doença renal foi nefropatia
hipertensiva. As taxas de complicações foram semelhantes as
relatadas na literatura e dentro do preconizado pelas diretrizes
mais atuais, que consistiram em migração de cateter em 15%,
obstrução de cateter por coágulo em 1%, peritonite em 2% ( uma
bacteriana e uma fúngica), hematoma de túnel 1% e punção de
artéria epigástrica 1%. Infecção de túnel e óstio e perfuração de
alça intestinal não foram notificados.
Nossos resultados confirmaram a segurança do implante de
cateter de dialise peritoneal por nefrologista intervencionista.
Ochrobactrum anthropi é um cocobacilo gram negativo nao
fermentador de origem nosocomial considerado oportunista, com
grande capacidade de sobreviver em meios aquosos e colonizar
tubos de silicone. Os casos de infecções tradicionalmente se
relacionam a pacientes imunossuprimidos, mas recentemente
emergiram casos de infecção também em imunocompetentes.
Reportamos aqui, de nosso conhecimento, o quarto caso na
literatura de peritonite por O. anthropi em diálise peritoneal. Tratase de um paciente de 67 anos, hipertenso e sem outras
comorbidades, em regime de diálise peritoneal automatizada há 4
anos. Na admissão apresentava dor abdominal de forte
intensidade associada a febre de 38C e turvação do dialisato com
4 dias de evolução. Havia tratado dois meses antes, com sucesso,
uma peritonite com cultura negativa com cefazolina e gentamicina,
posteriormente escalonada para Meropenem + Vancomicina
devido ausência inicial de resposta clínica. No episódio atual, os
exames admissionais eram: Hemograma com 7230 leucocitos
com 3% bastões, PCR 192mg/dl, dialisato com 170
leucocitos/mm3 sendo 75% neutrófilos e 25% monócitos,
bacterioscopia negativa. Iniciado antibioticoterapia empírica com
Ceftazidima e Vancomicina. Após 5 dias de tratamento o paciente
persistia sem melhora clínica e dos parâmetros laboratoriais,
tendo sido submetido a retirada do cateter de Tenckhoff e
transferido para hemodiálise. O resultado de cultura do efluente foi
positiva para O. anthropi > 100.000 UFC cujo antibiograma
mostrou resistência a todas classes de antibióticos testados. A
retirada do cateter foi seguida de rápida convalescença. As
características clínicas, a resposta ao tratamento e evolução do
caso se assemelha a descrições existentes na literatura, com a
particularidade da ocorrência em paciente imunocompetente.
Apesar de perfil de sensibilidade in vitro favorável, o O. anthropi se
relaciona a recidivas de bacteremia por persistência de infecção e
a remoção do cateter é indispensável para eliminação do foco.
TLP: 127
Relato de caso de peritonite causada por Ewingella
americana em paciente em diálise peritoneal
Autor(es): Martins,GKM, Biagini,G
Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Curitiba
Peritonite é uma das principais complicações em pacientes
submetidos a terapia renal substitutiva pelo método de diálise
peritoneal automatizada. Um dos agentes causadores isolados
mais comuns é o Staphylococcus aureus. Assim, direcionando a
escolha empírica de antibióticos. Neste relato apresentamos um
caso de peritonite fúngica causada por Ewingella americana, é
geralmente encontrada em ambientes hospitalares, foi descrita
pela primeira vez a partir de amostras clínicas por Grimont et al. em
1983. Relatos de infecções graves causadas por Ewingella
americana tem sido raros. Este microorganismo é raramente
encontrado em amostras clínicas humanas. O primeiro caso
diagnosticado no sul do Brasil foi de uma mulher de 69 anos, com
doença renal crônica em programa de diálise peritoneal
automatizada noturna desde junho de 2013, tem como etiologia da
doença renal crônica a hipertensão arterial sistêmica. Apresentou
queixa de dor e distenção abdominal generalizada, inapetência e
presença de líquido de drenagem peritoneal turvo. Foi coletado
material para culturas e antibiograma, e iniciado tratamento
empírico com ceftazidime e cefalotina administrado em bolsa de
diálise peritoneal. Em 24 horas após iniciar a terapia empírica, a
paciente referiu flacidez, melhora da dor abdominal e clareamento
do líquido de drenagem. O resultado da cultura do líquido de
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diálise peritoneal foi positivo para Ewingella americana, e o
antibiograma mostrou sensibilidade para ambos os antibióticos
utilizados, optou-se pela continuidade do tratamento por 14 dias. A
fonte mais comum de isolados humanos tem sido o sangue, mas
também foi isolada apartir de saliva, urina, feridas e fezes. E.
americana é um organismo sem necessidades nutricionais que
podem sobreviver em água e soluções de citrato e cresce
preferencialmente 4°C. Para mais informações é necessário para
definir a sua etiologia e possível papel na doença humana.
J Bras Nefrol 2014;36(3 Supl. 1):1-186
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