inseticidas em pré e pós-emergência do milho, associado ao

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1
INSETICIDAS EM PRÉ E PÓS-EMERGÊNCIA DO MILHO, ASSOCIADO AO
2
TRATAMENTO DE SEMENTES, SOBRE BARRIGA VERDE.
3
CARLOS BRUSTOLIN 1, RODOLFO BIANCO2 E PEDRO M. O. J. NEVES 3
4
5
1
6
Londrina/PR, [email protected]
7
2
8
[email protected]
9
3
10
Engenheiro Agrônomo, mestrando do curso de agronomia da Universidade Estadual de
Pesquisador, Dr.,
IAPAR, Rodovia Celso Garcia Cid, Km 375, Londrina/PR,
Prof. Dr. Titular, Departamento de Agronomia, Universidade Estadual de Londrina,
Londrina/PR, [email protected]
11
12
RESUMO - O Dichelops melacanthus é uma importante praga de diversas
13
culturas no sul do Brasil, alimenta-se e causa danos em plantas jovens de milho e trigo. Na
14
região norte e oeste do estado do Paraná a pulverização de inseticida junto com o herbicida,
15
no inicio do plantio, vem se tornando prática comum, objetivando diminuir a população de
16
percevejo. Avaliou-se eficácia de thiametoxam + Lambdacialotrina e metamidofós,
17
pulverizados em pré e pós-emergência do milho, com e sem Tratamento de Sementes (TS).
18
Na faixa sem TS as pulverizações de inseticidas em pré- emergência tiveram pouco ou
19
nenhum efeito sobre D. melacanthus, mesmo com adição de atrativos (leite de soja e sal de
20
cozinha). As pulverizações de inseticida em pós-emergência apresentaram bom controle de D.
21
melacanthus, sendo comparável ao TS, embora não sendo suficiente para diminuição dos
22
danos. Na faixa com TS observa-se que pulverização em pré-emergência, não foi eficiente no
23
controle do inseto. Pulverizações em pós-emergência associado ao TS, alcançou controle de
24
80%. Nas condições desse experimento, a pulverização de inseticida em pós-emergência,
25
como complemento ao TS, teve importância relevante, embora só se justifique se a relação
26
custo/beneficio for satisfatória.
27
28
PALAVRAS CHAVE: Zea mays, Dichelops melacanthus, Controle químico.
29
30
31
32
33
1
34
INSECTICIDES IN PRE AND POST-EMERGENCE OF THE CORN, ASSOCIATED
35
WITH SEEDS TREATMENT, ABOUT BARRIGA VERDE.
36
37
ABSTRACT - The Dichelops melacanthus is an important pest of many
38
crops in southern Brazil, feed and cause damage to young plants of maize and wheat. In the
39
region north and west of Paraná State of insecticide spraying with the herbicide at the
40
beginning of planting, has become common practice, aiming to reduce the bug population.
41
Was evaluated the efficiency of thiametoxam + Lambdacialotrina and methamidophos,
42
sprayed on pre and post-emergence of the corn, with and without Seed Treatment (ST). In the
43
group without TS insecticide spraying pre-emergence had little or no effect on D.
44
melacanthus, even with added attractions (soy milk and salt). Insecticide spraying post-
45
emergence showed a good control of D. melacanthus, comparable to the TS, although not
46
sufficient to reduce damage. In the group with TS observed that pre-emergence spray was not
47
effective in controlling the insect. Post-emergence sprays associated with TS, control reached
48
80%. Under the conditions of this experiment, insecticide spraying post-emergence, in
49
addition to TS, had great importance, although only justified if the cost / benefit ratio is
50
satisfactory.
51
52
Key Words: Zea mays, Dichelops melacanthus, Chemical control.
53
54
55
O percevejo Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) é uma importante praga
56
de diversas culturas no sul do Brasil, sendo observado alimentando-se e causando danos em
57
plantas jovens de milho (Zea mays L.), levando a necessidade de medidas de controle
58
geralmente quimico para evitar perdas (Ávila & Panizzi 1995).
59
A adoção do sistema de plantio direto, entre outros fatores, desencadeou um
60
aumento populacional de algumas espécies de insetos, como é o caso de D. melacanthus, que
61
até então era considerada praga secundária na soja (Chocorosqui & Panizzi, 2004).
62
Segundo Cruz & Bianco (2001), nas regiões norte e oeste do estado do
63
Paraná, maiores populações de D. melacanthus, tem sido encontradas em áreas com
64
infestação da planta daninha trapoeraba (Commelina benghalensis) e também em áreas onde
65
houve perda de grãos na colheita de soja. Essa planta daninha serve como alimento e refúgio
66
para o percevejo.
2
67
Após a colheita da soja, o percevejo D. melacanthus permanece no solo sob
68
detritos, e se alimenta de plantas de milho ou trigo que crescem em áreas de plantio direto.
69
Nessas áreas, os insetos encontram abrigo (palha) e alimento (sementes secas caídas no chão)
70
que possibilita sua manutenção e reprodução. Isso difere do que ocorre em áreas de cultivo
71
convencional, onde os insetos são desalojados de seus abrigos e mortos devido ao cultivo
72
(Panizzi, 2000).
73
Em estudo desenvolvido no Mato Grosso do Sul ficou evidente que maiores
74
populações de D. melacanthus, foram encontradas na pré e pós-colheita da soja,
75
principalmente na palhada. Também, foi perceptivel que à medida que o milho “safrinha” ou
76
as plantas voluntárias de milho cresceram, a população do inseto tendeu a diminuir.
77
Provavelmente, isto se deveu a que plantas de milho já desenvolvidas deixam de ser atrativas
78
para a alimentação do inseto (Carvalho, 2007).
79
Durante a alimentação o inseto posiciona-se em sentido longitudinal da
80
planta de milho, com a cabeça voltada para a região do colo da planta. Durante o processo de
81
alimentação o inseto injeta saliva para facilitar a penetração dos estiletes, que pode atingir o
82
tecido jovem da planta e provocar a deformação das folhas, quando estas emergem do
83
cartucho. Tais deformações apresentam orificios com halo amarelo e dispostos em fileiras.
84
Quando a planta não morre, as primeiras folhas que emergem do cartucho apresentam estrias
85
bancas e transversais. As plantas com ataque severo apresenta nanismo, e algumas
86
desenvolvem perfilhos improdutivos (Cruz & Bianco, 2001).
87
Na região norte e oeste do estado do Paraná, em área com histórico de forte
88
ataque desse percevejo na cultura do milho, vem se tornando prática comum a pulverização de
89
inseticida junto com o herbicida utilizado no manejo das plantas daninhas, objetivando
90
diminuir a população de D. Melacanthus. No entanto, antes de usar controle químico, é
91
necessário fazer o levantamento populacional da praga (R. Bianco, comunicação pessoal).
92
Com relação as perdas observa-se que o peso seco total da parte aérea do
93
milho é influneciado pelo estádio de desenvolvimento da planta em que ocorreu o ataque de
94
D. melacanthus, sendo o rendimento de grãos de milho influenciado pelo ataque do percevejo
95
nos estádios iniciais de desenvolvimento das plantas de milho, ou seja, quando as plantas
96
apresentam de 1 a 5 folhas (Duarte, 2009).
97
Para evitar as perdas provocadas pelo ataque dos percevejos Cruz et al.
98
(1999) destacam como alternativa, para o controle de pragas iniciais da cultura do milho, o
99
uso do controle quimico, seja por meio de pulverizações ou do tratamento de sementes.
3
Com relação ao controle químico os inseticidas monocrotofós (150 g i.a. ha-
100
101
1
), metamidofós (300 g i.a. ha-1) e paration metílico (480 g i.a. ha-1), mostraram-se eficientes
102
no controle de D. Melacanthus via pulveriação foliar (Gomes, 1998).
103
O aumento da eficiência de controle pode ser conseguido pela adição de sal
104
de cozinha (NaCl) à calda do inseticida, torna o controle de percevejos mais satisfatório
105
(Gallo et al. 2002)
106
O presente trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência de thiametoxam
107
+ lambdacialotrina e metamidofós, juntamente com alguns atrativos (leite de soja e sal) no
108
manejo do D. melacanthus, aplicados via foliar em pré e pós-emergência das plantas de
109
milho, bem como combinações destas pulverizações com thiametoxam no tratamento de
110
sementes.
111
112
Materiais e Métodos
113
114
O experimento foi instalado na Fazenda Saltinho, em Ibiporã – PR, em
115
março de 2011 (23º 10’ 57” de latitude Sul e 50º 58’ 44,8” de longitude Oeste). O solo da
116
região é classificado como Latossolo vermelho-escuro e Podzólico vermelho-amarelo e o
117
clima segundo classificação de Köppen é do tipo CFA (Subtropical Úmido Mesotérmico).
118
O experimento foi instalado sobre palhada da cultura de soja, onde se
119
semeou milho “safrinha”. Na área havia alta infestação da planta daninha trapoeraba
120
(Commelina benghalensis L.), infestante preferencial do percevejo barriga verde para abrigo e
121
alimentação. Para o manejo dessa planta daninha foi pulverizado glifosato e 2,4D a 1,5 e 0,5
122
l/ha de produto comercial. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso com
123
parcelas subdivididas em faixa, com nove tratamentos e cinco repetições. O tamanho da
124
parcela foi de 10 metros de comprimento e 10 linhas de milho, com espaçamento de 0,85
125
metros entre linhas.
126
Para as aplicações dos inseticidas foi utilizado pulverizador costal
127
pressurizado (CO2 comprimido) com uma barra de 2,5 metros e 5 bicos tipo leque, modelo
128
XR-11002 e 200 l ha-1 de volume de calda. As variáveis climáticas medidas durante a
129
primeira aplicação em 19/03 (12 dias antes da emergência), foram de 26 ºC de temperatura e
130
72% de umidade relativa, a velocidade do vento no momento da aplicação era de 1,2 metros
131
por segundo. Já na segunda aplicação, realizada no dia 02/04 (2 dias após a emergência), a
132
temperatura do ar foi de 28ºC e 68% de umidade relativa, com velocidade do vento de 0,8
133
metros por segundo.
4
134
Os tratamentos utilizados na aplicação em pré semeadura do milho foram: 1
135
- thiametoxam + Lambdacialotrina (0,2 l de p.c./ha); 2 - thiametoxam + Lambdacialotrina +
136
Leite de soja (0,20 l de p.c./ha + 5% do volume da calda); 3 - thiametoxam +
137
Lambdacialotrina + Sal (NaCl) (0,20 l de p.c/ha + 0,5 kg / 100 litros de calda); 4 -
138
metamidofós (0,5 l de p.c/ha); 5 - metamidofós + Leite de soja (0,5 l de p.c./ha + 5% do
139
volume da calda); 6 - metamidofós + Sal (0,5 l de p.c./ha + 0,5 kg / 100 litros de calda) e 9 -
140
Testemunha sem tratamento. Para o preparo do leite de soja foi utilizado um kg de grãos de
141
soja umedecidos e depois triturado, adicionou-se cinco litros de água e deixou em repouso por
142
24 horas. O leite produzido foi filtrado em pano de malha fina, adicionando-se 100 ml de óleo
143
emulsinável antes de misturar à calda inseticida. A proporção utilizada na calda inseticida fi
144
de 5 litros de leite para cada 100 litros de água (5%).
145
Depois de realizada a pulverização de inseticida em pré semeadura, o milho
146
do cultivar P30B88Hx, com tratamento de sementes (thiametoxam 150 ml de p.c./60.000
147
sementes) foi semeado no dia 26/03/2011, a uma profundidade de cinco cm e com
148
distribuição de cinco sementes por metro linear, em metade da parcela (5 linhas). Na outra
149
metade da parcela foi semeado outras cinco linhas da mesma cultivar, porém sem tratamento
150
de sementes. A adubação de base foi de 400 kg do fertilizante de fórmula 04-18-18 de NPK,
151
por hectare, e 30 dias após a emergência das plantas foi realizada (quando as plantas estavam
152
com cinco folhas), a adubação de cobertura com nitrato de cálcio (33%), distribuindo 60 kg
153
de nitrogênio por hectare. A pulverização após a emergência das plantas de milho, que
154
ocorreu no dia 31/03/2011, foi realizada a 02/04/2011, no tratamento 7, com thiametoxam +
155
Lambdacialotrina (0,2 l de p.c./ha) e no tratamento 8, com metamidofós (0,5 l de p.c./ha),
156
respectivamente.
157
As avaliações de dano de percevejo nas plantas foram realizadas aos 29 dias
158
após a emergência das plantas de milho (29/04/2011), fazendo a contagem do número de
159
plantas atacadas por D. melacanthus em 50 plantas por parcela. Essas plantas foram separadas
160
em três grupos: 1- planta isenta de ataque (nota 0), 2- plantas com danos leves e moderados
161
nas folhas (nota 1 e 2), 3- plantas com danos severos na folhas, cartuchos “encharutados” ou
162
plantas com perfilhos (notas 3 ou 4). Com base nas notas atribuídas foi calculado um Índice
163
de Dano, utilizando a seguinte formula:
164
165
166
167
Indice de Dano = ((1,5 x 2 x número de plantas com notas ≤ 2) + (3,5 x 4 x
número de plantas com nota ≥ 3))/ Total de plantas avaliadas por parcela.
Onde 1,5 é nota média entre 1 e 2 ; 3,5 é a nota média entre 3 e 4 ; 2 é o
peso atribuído para as notas ≤ 2; e 4 é o peso atribuído para as notas ≥ 3.
5
168
169
A partir a somatória do numero de plantas atacadas por parcela, calculou-se
a porcentagem de plantas atacadas por D. melacanthus.
170
A eficiência dos tratamentos foi determinada pela fórmula de Abbott:
171
%Eficiência = (1 - (Tratamento/Testemunha)) X 100; considerando-se Tratamento
172
: % de plantas danificadas no respectivo tratamento e; Testemunha % de plantas danificadas
173
na testemunha sem TS (Testemunha Absoluta).
174
A medição de altura das plantas, em centímetros, foi realizada aos 29 dias
175
após a emergência, tomando como base a superfície do solo até a última folha curvada. Na
176
ocasião foram avaliadas 10 plantas ao acaso por parcela.
177
178
Os resultados das avaliações foram submetidos à análise de variância, e as
médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
179
180
181
Resultado e Discussão
182
183
184
Com base nos resultados obtidos (Tabela 1), a média geral de altura de
185
plantas, índice de dano e % de plantas atacadas, na faixa sem tratamento de sementes, foi
186
estatisticamente diferente da média geral na faixa com tratamento de sementes, ficando clara a
187
importância do tratamento de sementes para o manejo do percevejo barriga verde.
188
O dano do percevejo prejudica o desenvolvimento inicial do milho,
189
reduzindo sua altura. Comparando na faixa sem tratamento de sementes, a maior altura de
190
plantas foi observada nas parcelas com pulverização em pós-emergência de thiametoxam +
191
Lambdacialotrina, com 78,28 cm, sem diferença da pulverização de pós-emergência de
192
metamidofós, com 73,12 cm. Na faixa com tratamento de sementes a altura de plantas de
193
todas as parcelas foram semelhantes estatisticamente, não sendo observado efeito
194
significativo das pulverizações.
195
Quanto ao índice de dano, que reflete o grau de injuria que o percevejo
196
causou, pode-se notar que nas parcelas sem tratamento de sementes os menores índices foram
197
encontrados nas parcelas com pulverização em pós-emergência (thiametoxam +
198
Lambdacialotrina e metamidopós), apresentando valores muito próximos de um (1). Na faixa
199
com tratamento de sementes, todos os tratamentos foram estatisticamente semelhantes, com
200
valores próximos ou inferiores a um (1). Convêm salientar que, valores do índice muito
6
201
próximo ou superiores a dois (2), configuram situação de provável prejuízo à produção e
202
valores próximos ou inferiores a um, indicam pouca chance de haver perdas.
203
Para a porcentagem de plantas atacadas, foram observadas, na faixa sem o
204
tratamento de sementes, as maiores porcentagens de plantas atacadas por D. melacanthus na
205
testemunha absoluta (60,8%), embora estatisticamente semelhante aos tratamentos com
206
pulverização de inseticida em pré-emergência de thiametoxam + Lambda- cialotrina;
207
thiametoxam + Lambdacialotrina + Sal (NaCl); metamidofós; metamidofós + Leite de soja e
208
metamidofós + Sal, com 45,2; 50,8; 55,6; 56,8 e 44,8% de plantas atacadas, respectivamente.
209
Estes tratamentos foram também estatisticamente semelhantes às parcelas com aplicação em
210
pré-emergência de thiametoxam + Lambdacialotrina + Leite de soja, com 43,2% de plantas
211
atacadas, sendo que esta diferiu da testemunha absoluta. As menores porcentagens de plantas
212
atacadas foram aqueles que receberam pulverização de thiametoxam + Lambdacialotrina e
213
metamidofós em pós-emergência na faixa sem tratamento de sementes, apresentando 24,4 e
214
23,2% de plantas atacadas, respectivamente. Estes tratamentos foram significativamente
215
inferiores da testemunha e dos outros tratamentos.
216
Neste trabalho os resultados de eficiência obtidos com os inseticidas
217
aplicados em pré emergência da cultura do milho, apesar de diferentes no que diz respeito a
218
principio ativo, corroboram com os obtidos por Martins et al. (2009), que ao utilizarem
219
monocrotofós (0,3 l ha -1) e cipermetrina (0,1 l ha-1) não observaram diferenças significativas
220
com a testemunha, mostrando que produtos aplicados em pré emergência da cultura,
221
apresentam pouco ou nenhum efeito residual e, conseqüentemente, baixa eficiência.
222
Nas parcelas que receberam pulverização foliar de thiametoxam +
223
Lambdacialotrina e metamidofós em pós-emergência do milho e sem tratamento de sementes
224
(2 DAE), foram alcançados maiores valores de eficiência, com 59,87 e 61,85% de controle
225
respectivamente. Esses dados concordam com as observações de Cruz & Bianco (2001), que
226
citam que a pulverização deve ser iniciada nos primeiros dias após a emergência das plantas,
227
visto que quando mais tardias os insetos já injetaram toxina nas plantas durante o processo de
228
alimentação e certamente surgirão os danos provocados pelo inseto.
229
Nas parcelas com sementes tratadas todos os tratamentos com pulverização
230
em pré e pós emergência do milho foram estatisticamente semelhantes entre si (P>0,05),
231
inclusive a testemunha, mostrando que as pulverizações foliares não influenciaram
232
significativamente nos resultados do tratamento de sementes (Tabela 1).
233
Os resultados apresentados neste trabalho não concordam com os de
234
Martins et al. (2009), que também tratou as sementes de milho com o thiametoxan, não
7
235
obtendo controle da praga satisfatório. Por outro lado, os resultados obtidos no presente
236
trabalho, concordam com os resultados obtidos por Bianco & Nishimura (1998) que,
237
observaram um controle acima de 80% para esse inseto, com doses de 80 e 120 ml de
238
p.c./60.000 sementes de tiametoxam.
239
Albuquerque et al. (2006) observou a eficiência de controle de 64%, de
240
thiametoxan (TS), na dose de 120 ml/60.000 sementes, no controle D. melacanthus, resultado
241
semelhante ao presente trabalho, com eficiência de 60,5%.
242
Quando se utilizou o tratamento de sementes associado à pulverização de
243
thiametoxam + Lambdacialotrina (0,2 l de p.c./ha) e metamidofós (0,5 l de p.c./ha) em pós-
244
emergência a eficiência alcançou 82,2 e 80,3 %, respectivamente. Valores importantes do
245
ponto de vista prático, apesar de não diferirem estatisticamente dos demais tratamentos na
246
faixa com TS.
247
Albuquerque et al. (2006) também observou que a associação do tratamento
248
de sementes (thiametoxam 120 ml/60.000 sementes) com a pulverização de thiametoxam +
249
Lambdacialotrina 0,2 l de p.c./ha, apresentou desempenho satisfatório no controle de D.
250
melacanthus (81%), e evidencia que nas condições de alta população de percevejo é
251
necessária a complementação com inseticida em pulverização foliar, para um bom controle da
252
praga.
253
254
Considerações Finais
255
256
257
Com base nos dados obtidos pode-se inferir que as pulverizações de
258
inseticidas, quando realizadas em pré emergência das plantas de milho tiveram pouco ou
259
nenhum efeito sobre D. melacanthus, mesmo com adição de atrativos alimentares (leite de
260
soja e sal de cozinha). Provavelmente parte do insucesso deveu-se a presença das ervas
261
daninhas que serviram de “abrigo” para os percevejos, impedindo a ação direta dos
262
inseticidas. Já a pulverização de inseticida em pós emergência das plantas de milho
263
apresentou um controle de D. Melacanthus (entre 60 e 62%), sendo comparável ao tratamento
264
exclusivo das sementes (60%), muito embora não sendo suficiente, ou seja, abaixo dos 80%,
265
considerado a ideal. Assim, deve-se dar preferência ao tratamento de sementes por ter um
266
menor impacto sobre a população de inimigos naturais que vivem na parte aérea da planta e
267
também por ser eficiente no controle de outros insetos pragas iniciais da cultura do milho.
8
268
Na faixa onde houve o tratamento de sementes observa-se que os
269
tratamentos com pulverização em pré emergência das plantas de milho, também tiveram
270
pouco efeito no controle de D. melacanthus. Nas aplicações em pós emergência, apesar de
271
não ocorrer diferença estatística significativa entre os tratamentos e a testemunha, a eficiência
272
de controle foi superior aos 80%, pretendidas em trabalhos de eficiência agronômica de
273
produtos químicos.
274
Portanto, nas condições em que foi realizado o experimento, a pulverização
275
de inseticida em pós-emergência do milho, como complemento ao tratamento de sementes,
276
teve importância relevante, embora só se justifique o seu uso se a relação custo/beneficio for
277
satisfatória.
278
279
Agradecimentos
280
281
Os autores agradecem aos proprietários da fazenda Saltinho, o primeiro
282
autor agradece aos funcionários e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e
283
aos funcionários e pesquisadores do Instituto agronômico do Paraná (IAPAR) pela
284
disponibilidade de suas instalações para que este trabalho fosse realizado.
285
286
287
Literatura Citada
288
289
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11
Tabela 1 – Tratamentos, Época de aplicação, Altura de plantas em cm, Índice de Dano, Porcentagem de plantas Atacadas por D. melacanthus, Porcentagem de
Eficiência de controle, em avaliação realizada 29 dias após emergência. Fazenda Saltinho município de Ibiporã, PR. 2011.
Tratamentos
Época
Aplicação.
Altura Planta cm1
Sem TS2
Com TS3
Índice Dano1
Sem TS2
% Planta Atacada1
Com TS3
Sem TS2
% Eficiência de Controle
Com TS3
Sem TS2
Com TS3
1 Thiametoxan + Lambdacialotrina
Pré - Emerg.
69,74
ab
74,24 a
1,884
ab
0,596
a
45,20
bc
14,00 a
25,65
76,97
2 (Thiametoxan + Lambdacialotrina) + Leite Soja*
Pré - Emerg.
68,48
ab
72,68 a
2,044
bc
0,828
a
43,20
b
14,40 a
28,95
76,31
3 (Thiametoxan + Lambdacialotrina) + Sal**
Pré - Emerg.
63,70
A
70,78 a
2,360
bc
1,052
a
50,80
bc
20,40 a
16,45
66,44
4 Metamidopós
Pré - Emerg.
67,50
ab
71,20 a
2,548
bc
0,816
a
55,60
bc
18,40 a
5,56
69,73
5 Metamidopós + Leite Soja*
Pré - Emerg.
65,06
A
70,22 a
2,980
c
1,064
a
56,80
bc
20,80 a
6,58
65,78
6 Metamidopós + Sal**
Pré - Emerg.
72,66
ab
72,78 a
2,228
bc
0,548
a
44,80
bc
12,40 a
26,32
79,60
7 Thiametoxan + Lambdacialotrina
Pós - Emerg.
78,28
B
74,50 a
1,084
a
0,544
a
24,40
a
10,80 a
59,87
82,23
8 Metamidopós
Pós - Emerg.
73,12
ab
76,64 a
1,048
a
0,536
a
23,20
a
12,00 a
61,85
80,26
-
67,52
ab
72,72 a
2,924
c
1,116
a
60,80
c
24,00 a
0,00
60,52
9 Testemunha
12
C.V.
7,85
Média Geral
69,56 A
32,38
72,86 B
2,122 A
27,49
0,788 B
44,97 A
16,35 B
1
Médias seguidas pela mesma letra Minúscula na coluna e Maiúscula na linha, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
2
Sem TS – Sem Tratamento de sementes, 3 Com TS – Com Tratamento de sementes.
* - 5% de volume/volume, **0,5 kg / 100 litros de calda.
13
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