cristiano teixeira de carvalho neto estudo sobre o impacto e o

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Centro Universitário de Brasília
Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento - ICPD
CRISTIANO TEIXEIRA DE CARVALHO NETO
ESTUDO SOBRE O IMPACTO E O DESENVOLVIMENTO DA ARENA
ESTÁDIO MANÉ GARRINCHA PARA A SOCIEDADE E O
DESPORTISMO NO DISTRITO FEDERAL
Brasília
2014
CRISTIANO TEIXEIRA DE CARVALHO NETO
ESTUDO SOBRE O IMPACTO E O DESENVOLVIMENTO DA ARENA
ESTÁDIO MANÉ GARRINCHA PARA A SOCIEDADE E O
DESPORTISMO NO DISTRITO FEDERAL
Dissertação acadêmica apresentada ao
Centro
Universitário
de
Brasília
(UniCEUB/ICPD) como uma das atividades
programadas para o curso de pós-graduação,
Marketing: Cadeia de Valor
Orientador: Prof. Bruno Nalon
Brasília
2014
Aos meus familiares, amigos e a todas as
pessoas que crêem que o esporte é um
instrumento de inclusão social para a
sociedade.
Agradeço as pessoas que me ajudaram e
incentivaram-me a desenvolver este trabalho.
Agradeço aos meus pais, o meu irmão, a minha
amada, aos amigos, ao meu orientador e a
todas as pessoas que contribuíram para a
elaboração desta monografia.
RESUMO
Esta monografia estuda o modelo administrativo e o planejamento existente
para o Estádio Nacional Mané Garrincha. Por meio deste trabalho, procura-se avaliar
o legado e a viabilidade da arena perante a sociedade. Na busca de dados para
desenvolver uma base para este trabalho foi necessário buscar informações sobre o
marketing esportivo, a infra-estrutura esportiva da cidade e da arena em discussão.
Este trabalho busca também fundamentar comparações com cases de arenas
modernas existentes em outras localidades. O estudo revelou que existem fatores
que impedem uma analise totalmente conclusiva sobre o trabalho, tais como o
desenvolvimento do mercado esportivo no DF e o cumprimento de eventuais
objetivos traçados para o estádio, isso porque haverá uma mudança na
administração do governo, atual governo Agnelo Queiroz, fato que interfere
diretamente no planejamento definido na atual gestão. Todavia, as informações e
dados coletados neste trabalho mostram que o desenvolvimento do estádio pode
afetar positivamente não só no mercado esportivo, mas potencializar o DF como um
futuro pólo de eventos, possibilitando o crescimento do turismo e da economia em
Brasília.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
06
1. REVISÃO BIBLIOGRAFICA
11
1.1 Marketing
11
1.1.1 Macrossistema de Marketing
12
1.1.2 Mix de Marketing
12
1.1.3 Funções do marketing
14
1.2. Marketing esportivo
15
1.2.1 Mix de Marketing no marketing esportivo
16
2. ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS E EVENTOS ESPORTIVOS
18
3. AS ARENAS CONTEMPORÂNEAS
23
3.1. Estádio Mané Garrincha e o Estádio Nacional de Brasília
27
4. METODOLOGIA
31
5. ANALISE DE RESULTADOS
33
5.1 Resultados da pesquisa qualitativa
34
5.1.1 Questionário aplicado ao especialista de comunicação da área esportiva
35
5.1.2 Questionário aplicado ao produtor de eventos
37
5.1.3 Questionário aplicado ao administrador da arena Mané Garrincha
39
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
44
6.1 Avaliações das entrevistas realizadas
44
6.2 Conclusões elaboradas com relação aos objetivos propostos no trabalho
45
6.3 Conclusão
48
REFERÊNCIAS
50
APENDICÊ A – Roteiro de entrevista para especialista na área esportiva
52
APENDICÊ B – Roteiro de entrevista produtor de eventos
53
APENDICÊ C – Roteiro de entrevista para representante da administração da
Arena Mané Garrincha
54
APENDICÊ D – Roteiro de entrevista para representante da Federação
Brasiliense de Futebol
55
6
INTRODUÇÃO
O Brasil se prepara para realizar grandes eventos, como a Copa do Mundo de
2014 e os Jogos Olímpicos de verão, em 2016, competições que proporcionarão não
apenas um aumento de visitantes ao país e da atividade econômica, como tornará o
país numa importante vitrine para que possamos apresentar ao mundo o que o
Brasil pode proporcionar entretenimento aos fãs do esporte, diversão aos visitantes
e confiabilidade as pessoas que desejam investir no país.
Porém, para a realização desses grandes eventos é necessário construir uma
estrutura para atender estas demandas, que possuem um grau de exigência
superior ao que estamos acostumados a oferecer, conforme os requisitos
necessários pedidos pelas entidades organizadoras, no caso, a FIFA e o COI.
Durante o período de preparação, foram, e continuam sendo, erguidas e
reformadas novas arenas esportivas, imponentes e modernas, com o intuito de
garantir o conforto ao público e apresentar a melhor experiência do espetáculo para
os torcedores, presentes no local, e aos espectadores que acompanham pelos
meios de comunicação de massa.
O legado destas arenas deverá influenciar as entidades esportivas, o publico
e para a população, pois se espera além do sucesso destes eventos, uma melhoria
na
qualidade
de
vida
das
pessoas.
O
investimento
aplicado
nestes
empreendimentos deve justificar estes anseios, afinal essas estruturas vieram para
ficar e precisam ser utilizadas com eficiência e sustentabilidade gerando um retorno
esperado as cidades sedes.
A questão é, serão estas instalações esportivas, construídas para os grandes
eventos, economicamente sustentáveis após a realização da Copa do Mundo e das
7
Olimpíadas? Para respondermos esta indagação, devemos compreender o contexto
em que ela esta inserida.
Brasília, a capital do país, é uma grande cidade, com uma economia
desenvolvida focada principalmente em funções administrativas e atividades no setor
terciário, possui a oitava maior renda per capita do país (Portal TERRA), resultado
de uma predominância do setor público. Neste contexto, a cidade demonstra ser
economicamente ativa, mesmo assim, no segmento esportivo a Brasília não é um
pólo de referencia. Há demanda para este tipo de mercado e há quem se interesse
não só pela prática, mas por consumir eventos esportivos na capital; no entanto, há
poucos incentivos ao desenvolvimento do esporte no DF.
O que fazer com esta infra-estrutura construída na cidade, se o mercado que
usufrui desta estrutura é incipiente na região? O que os administradores dessas
estruturas planejam para manter essas instalações funcionando e de que forma
poderá a sociedade pode se beneficiar dela? Essas são as perguntas que movem
esta dissertação e serão analisadas no decorrer do estudo.
Nestas arenas, podem ser realizados os mais diversos tipos de eventos com
a possibilidade de oferecer espetáculos de qualidade ao publico, porém há de se
ressaltar o que se pretende fazer com essas arenas, logo após a realização destes
mega eventos.
A realização dessa pesquisa tem como intuito, apontar a direção do que pode
ser feito nesses locais, quais estratégias podem ser implementadas para alavancar o
desenvolvimento do mercado esportivo e principalmente, o que pode ser feito para
tornar estas arenas, espaços lucrativos e acessíveis aos fãs do esporte.
A intenção é saber o que é feito hoje, o que pode ser ou não aprimorado e o
que é ou não viável. Vários pontos devem ser expostos para o desenvolvimento da
8
pesquisa, como: o preparo dos organizadores esportivos para esta nova realidade, a
resistência do mercado a estas mudanças, a escolha do método ideal de
administração, a agregação de valor aos eventos, as empresas participantes e aos
parceiros.
A pesquisa será empreendida em Brasília, uma das cidades sede da Copado
Mundo de Futebol. Dessa forma, os dados coletados nesta praça serão coletados
para o desenvolvimento deste estudo, adicionado estas informações a outras
ferramentas de analise deste trabalho, como estudo de cases e auxilio bibliográfico.
Como objetivo geral deste trabalho trata-se de:

Discutir a sustentabilidade das arenas esportivas, construídas para a
realização da Copa do Mundo de Futebol, após o término dos mega eventos.
Foram identificados os seguintes objetivos específicos:

Analisar o contexto atual da Arena Mané Garrincha no DF;

Verificar de que forma esta arena é administrada e avaliar a perspectiva do
administrador perante o mercado esportivo na região;

Avaliar o legado dessas arenas, quais são as expectativas das partes
diretamente
interessadas:
sua
administradora,
a
população
e
aos
desportistas;

Comparar cases de outras praças esportivas com a Arena Mané Garrinchas e
analisar o legado dessas para a sociedade;

Analisar o impacto financeiro da construção e reforma desta arena e verificar
o retorno investido a sociedade do DF.
O trabalho foi desenvolvido através de uma pesquisa exploratória. Segundo
Mattar (1999), a pesquisa exploratória tem como base, um estudo pouco ou nada
estruturado em procedimentos e são limitados. A pesquisa exploratória tem como
9
propósito, buscar mais conhecimento e informação sobre um determinado tema,
desenvolver uma hipótese para ser testada e analisada, oferecendo os resultados
necessários para utilizar esses dados como base de estudo.
Tratando-se de uma pesquisa exploratória, o trabalho se desenvolveu por
meio de três tipos diferentes de pesquisa e coleta de dados para a realização do
estudo: a pesquisa bibliográfica, para o desenvolvimento da fundamentação teórica
e busca de informações sobre os questionamentos que envolvem, desde a
construção/reforma das arenas até a realização dos eventos; a pesquisa
documental, para analisar e comparar cases e dados de situações reais; e a
pesquisa de campo por meio de questionários e entrevistas com indivíduos que
possuem interesses direta ou indiretamente ligadas ao projeto e desenvolvimento do
estádio.
A intenção deste estudo é esclarecer a que nível as expectativas em torno
da arena serão correspondidas. Por meio do estudo de caso poder-se-á desenvolver
processos de comparação com cases reais e verificar se o legado a ser deixado é
positivo ou negativo.
Do ponto de vista estrutural, este trabalho está organizado da seguinte
maneira:
- apresentação: introdução da pesquisa por onde é apresentado o
tema, as justificativas, os objetivos para realização do trabalho e os procedimentos
metodológicos empregados;
- Revisão da literatura e fundamentação teórica: seção onde são
apresentados os modelos teóricos empregados para discussão do objeto, para
10
embasar a coleta de dados e a contextualização das considerações finais do
trabalho;
Aprofundamento do tema, nesta parte serão verificados os dados e
informações através de cases e releases da imprensa sobre o objeto estudado, o
objetivo e compara e analisar tais bases verificando a nível de planejamento
existente para o estádio.
- metodologia: descrição dos procedimentos empregados na coleta de
dados e definição dos critérios usados para discussão dos dados obtidos nas
entrevistas;
Resultados das pesquisas, as opiniões, dados e comentários dos
entrevistados são analisados e comparados com os objetivos traçados no trabalho.
- considerações finais: análise do autor sobre o objeto do estudo,
avaliação sobre o atingimento dos objetivos propostos e sugestões para ampliação
deste estudo.
11
1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
1.1 Marketing
O marketing tem um papel importante na sociedade. Ele agrega valor a
produtos, serviços e pessoas procurando estabelecer uma posição de aproximação
com a sociedade, ao mesmo tempo se fortalecendo no mercado.
As instituições utilizam o Marketing como uma ferramenta essencial para a
sua sobrevivência no mercado. As empresas utilizam o marketing almejando o
sucesso de seu produto ou serviço, traçado através de estratégias determinadas
pela instituição.
Criar valor para o cliente é uma das principais funções do marketing. As
instituições transformam idéias em produtos ou serviços oferecidas ao consumidor, o
marketing se encarrega de atender essas necessidades. Segundo Berkowitz (2003,
p.11), “a organização não pode saciar todas as necessidades dos consumidores, ela
precisa concentrar seus esforços em certas necessidades de um grupo específico de
potenciais consumidores”.
Isto equivale a afirmar que, dependendo do produto oferecido ao consumidor,
a instituição pode estar entrando em um mercado heterogêneo. Nesse caso, a
solução é a segmentação do mercado, buscando o público-alvo do produto a ser
vendido.
Logo após o processo de constituição do público-alvo do produto estar
definida, o próximo passo é fazer com que o produto chegue às mãos do
consumidor, atendendo a sua expectativa.
12
1.1.1 Macrossistema de Marketing
O macrossistema de marketing está associado a dois tipos diferentes de
processos que buscam oferecer um produto ou serviço de qualidade ao consumidor,
ao mesmo tempo em que a empresa vai alcançando os seus objetivos traçados. São
eles o macroambiente e o microambiente:
Macroambiente para Cobra (1992) é:
é o desempenho de atividades que seguem os objetivos das organizações
pela antecipação das necessidades do consumidor ou cliente e dirigem o
fluxo de mercadorias e serviços para satisfazer às necessidades tanto do
produtor, quanto do consumidor ou cliente. (COBRA,1992, p.39)
O macroambiente funciona de uma forma mais ampla do que o
microambiente. Isto porque, abrange o todo o sistema desenvolvido, que começa no
desenvolvimento do produto e vai até o alcance das metas traçadas.
No microambiente o foco é voltado para o resultado do produto ou serviço
para os clientes. Cobra (1992), define microambiente da seguinte forma:
é o desempenho de atividades que seguem os objetivos das organizações
pela antecipação das necessidades do consumidor ou cliente e dirigem o
fluxo de mercadorias e serviços para satisfazer às necessidades tanto do
produtor, quanto do consumidor ou cliente. (COBRA,1992, p.39)
A preocupação em relação ao desempenho do produto ou serviço oferecido
ao cliente é visto no microambiente como primordial. Por isso, as decisões são
tomadas de forma mais personalizada.
1.1.2 Mix de Marketing
O mix de Marketing ou composto de Marketing é definido pelos 4 P’s: produto,
preço, promoção e praça. A articulação dessas variáveis consiste nas estratégias de
13
marketing, que têm como principal objetivo, satisfazer as necessidades do cliente.
Como afirma Cobra (1992).
toda a abordagem do Marketing passou a ser centrada na configuração do
produto, na determinação do preço capaz de gerar vendas, apoiada numa
promoção de vendas, propaganda e merchandising atraente e sedutora,
por meio ainda de uma distribuição ampla e/ou estratégica. (COBRA,1992,
p.16)
Essa interação busca atender às necessidades do público-alvo, oferecendo
um produto que tenha qualidade, características que agradem o consumidor.
O produto é refere-se ao bem ou serviço que o cliente estaria disposto a
adquirir. Neste ponto do mix, o produto deve oferecer atributos satisfatórios para o
cliente, com uma diversidade de opções na linha de produção, envolvendo tamanho,
embalagem, cor, estilo etc. A marca do produto tem uma importância vital para o seu
sucesso.
O preço é um fator de suma importância no composto de Marketing. Sua
avaliação para um determinado produto deve ser feita com cautela, isto porque, caso
o cliente não aceite o preço do produto, o planejamento traçado pode ser
prejudicado. O custo - benefício do produto deve atender as expectativas do cliente.
A promoção utiliza a informação para seduzir o consumidor. Existem diversas
ferramentas em prol do marketing para divulgar os benefícios do produto para os
seus consumidores. A função da promoção é estabelecer uma relação de
aproximação do produto com os seus consumidores.
A função da praça é levar o produto até o consumidor. Fazer chegar até ele
por meio dos canais de distribuição. Esses canais são divididos em quatro níveis
diferentes. Cada nível demonstra o processo de distribuição do produto até o
consumidor final.
14
1.1.3 Funções do marketing
A função do marketing é saciar os desejos e necessidades das pessoas
através do desenvolvimento de produtos e serviços voltado para um público
especifico. Por meio de um denso processo de análise e planejamento, são criados
objetivos e metas que envolvem todos os níveis hierárquicos de uma instituição.
De acordo com a America Marketing Association (apud BERKOWITZ, 2003)
marketing é:
o processo de planejamento e implementação do desenvolvimento, do
apreçamento, da promoção e da distribuição de idéias, mercadorias e
serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos individuais e
organizacionais.
Para desenvolver o processo é necessário ter noção dos fatores que
envolvem a organização e o mercado que a instituição atua. Na definição da
America Marketing Association, os fatores demonstrados são os chamados fatores
controláveis. Esses fatores são focados no composto de marketing: produto, preço,
praça e promoção.
O próprio criador do sistema dos quatro P’s aborda as funções de marketing
de uma forma mais ampla. McCarthy divide o marketing em duas definições
distintas.
A primeira é chamada de micromarketing visando criar necessidades e
atender as expectativas de seus clientes. A segunda definição é o macromarketing,
voltada a uma perspectiva mais ampla do processo, tratando do sistema em um
todo, especificamente na produção e distribuição do produto ou serviço
(MCCARTHY, 1982).
Além de se envolver no processo e no planejamento de um produto ou
serviço para o cliente. O marketing tem a função de criar um relacionamento estável
15
e duradouro, entre empresa e cliente. Por meio desse relacionamento, ambas as
partes podem estabelecer uma relação de troca de valores. Esses valores são
demonstrados através da satisfação do cliente e da conclusão dos objetivos
traçados pela organização. (BERKOWITZ, 2003).
1.2. Marketing esportivo
A definição de marketing esportivo é um desdobramento da definição de
marketing, a única diferença é que o marketing esportivo trata de um público mais
especifico, ou seja, empresas e consumidores que estejam envolvidos de alguma
forma com o meio esportivo.
Para expor de forma mais clara o que representa o marketing esportivo, Pitts
(2002), o define desta forma:
o processo de elaborar é implementar atividades de produção, formação de
preço, promoção e distribuição de um produto esportivo para satisfazer as
necessidades ou desejos de consumidores e realizar os objetivos da
empresa. (PITTS, 2002, p.90)
Mesmo organizações que não participam de forma direta no esporte, o
reconhecem como um tipo de veiculo promocional eficiente, pois o esporte de forma
geral abrange um público heterogêneo, disposto a adquirir produtos e serviços que
estejam envolvidas com sua prática.
Para diferenciar as formas em que são trabalhadas o marketing esportivo,
pode-se dividi-lo em duas atividades.
A primeira é o marketing do esporte voltado a vendas de produtos e serviços
esportivos. No marketing do esporte são envolvidas instituições que se integram
diretamente no meio esportivo, como academias e clubes de futebol. Essas
16
instituições se envolvem com consumidores que tem como objetivo buscar algum
atributo oferecido por um esporte específico (CONTURSI, 1996).
O segundo é o marketing através do esporte, neste caso o marketing é
utilizado pelas empresas como veículo promocional. O único intuito das empresas
nesse tipo de marketing é expor as suas marcas para um público que se identifica
com o produto por meio do esporte (CONTURSI, 1996).
O marketing esportivo engloba tanto o marketing do esporte quanto o
marketing através do esporte, ambas as formas buscam promover as suas marcas
com o esporte, através de ferramentas do marketing como promoção, merchandising
e patrocínios.
1.2.1 Mix de Marketing no marketing esportivo
Para que uma ação de marketing esportivo seja implementada, todas os
padrões do marketing tradicional devem ser empregados de forma integral. Isto inclui
suas variáveis tanto controláveis, quanto incontroláveis.
É importante o acompanhamento dessas variáveis, pois mesmo no meio
esportivo, os fatores podem ter uma influência determinante no resultado voltado
para o maior bem das instituições no esporte, ou seja, a marca.
A marca se torna um bem valioso tanto para as empresas, quanto para os
clubes esportivos. Uma marca bem trabalhada no mercado conquista o
reconhecimento no mercado e gera renda para a empresa.
Quando a marca é trabalhada para gerar capital para a empresa em forma de
licenciamento, por exemplo, a empresa deve se certificar que está passando a
17
marca para terceiros que possam valorizar e comercializar a marca com
responsabilidade.
O consumidor esportivo é um consumidor diferenciado, porque ele possui um
comportamento diferente de qualquer outro tipo de consumidor. O consumidor
esportivo é mais passional e mais apegado à marca que está envolvida no esporte,
seja de forma direta, seja indireta.
Um torcedor de um determinado clube de futebol pode manter uma relação
muito forte com o seu clube de coração. Ele assiste aos jogos, compra camisas e
acessórios. Mesmo que o seu time não corresponda às expectativas, ele não deixará
de torcer pelo seu time.
Isto não pode ser aplicado do mesmo modo a outras intuições que não
estejam envolvidas de forma tão próxima com ele. Se uma empresa falha em
oferecer um produto ou serviço de qualidade, o consumidor pode rejeitar a empresa
e mudar para a concorrente.
Essa situação acontece com um grande número de pessoas. O esporte, mais
que um negócio, consegue mexer com o sentimento das pessoas.
Por este motivo, no marketing esportivo é trabalhado um quinto “p” que não é
reconhecido pelo marketing convencional. Este é o “p” de “paixão”, que tem a
capacidade de levar os consumidores a consumir um produto só pelo fato dele estar
relacionado com o esporte (CARDIA, 2004).
18
2. ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS E EVENTOS ESPORTIVOS
Segundo Giacaglia (2003), evento é um acontecimento com definição de
tempo e espaço, capaz de despertar especial interesse, seja um espetáculo, uma
exposição e até mesmo uma competição, atraindo assim o público e mobilizando os
meios de comunicação. Uma arena esportiva tem como sua principal função
oferecer espetáculos de competições esportivas, no caso do Estádio Nacional de
Brasília, o futebol, mas isso não significa que o local deva ser utilizado apenas para
esta prática de eventos. Tratando-se de palcos com capacidades multifuncionais, as
arenas modernas como essa, possuem espaço e estrutura pra realização de outros
tipos de eventos, como shows, atividades religiosas e apresentações culturais.
Apesar de ser uma das maiores e mais importantes cidades do país, devido a
sua forma de planejamento e relevância política, Brasília não é uma referência
quando tratamos de realização de eventos diversos. Assim como no mundo dos
esportes, a cidade parece não atrair a atenção de empresários, mesmo com a
estrutura e a demanda em potencial existente na cidade.
É notória a tendência de que cada vez mais empresas utilizem ações como
eventos para divulgar seus produtos, prospectar clientes e expandir os negócios. Em
2012, uma pesquisa encomendada pela Alatur (ALATUR) revelou que as empresas
investem cada vez mais em eventos, como consequência eles são mais planejados,
controlados e normatizados.
A mesma pesquisa revela que os eventos consomem 38% do orçamento
destinado a realizações de promoção de vendas, este incremento demonstra uma
tendência que Kotler e Armstrong (1991, P.P 463), já estavam presenciando nos
19
Estados Unidos: Os profissionais de Marketing chegam a investir 35% de seu
orçamento anual de comunicação em feiras.
Atualmente, os eventos mostram-se ferramentas de marketing mais eficientes
que a publicidade. A lógica baseia-se no fato que um evento pode alcançar o seu
publico alvo de uma forma mais efetiva. Além disso, a média do custo investido em
cada cliente exposto ao produto é menor nos eventos, quando comparados à
publicidade convencional. Se por um lado o evento expõe o produto/serviços dos
participantes a um publico limitado, comparado à exposição nos meios de
comunicação de massa, por outro, esse modelo apresenta um potencial de gerar
negócios, superior à alternativa mais comum.
Num estudo citado por Haas (1976, p.217), através de 7.000 consultas de
vendas, ele constatou que a publicidade e a propaganda obtiveram uma audiência
maior em relação ao evento, todavia 80% dos interessados pelo produto presente no
evento fecharam negócio, contra 50% da publicidade e 10% da propaganda
obtiveram o mesmo resultado. Esses dados deixam claro a capacidade negocial e a
possibilidade prospectar novos clientes nos eventos.
Os eventos mostram-se uma ferramenta moderna, que se adapta as
mudanças do mercado, a saturação existente pelo uso excessivo da publicidade
contribui a favor dos eventos. As pessoas estão se expondo a um numero excessivo
de publicidades em diversos meios de comunicação, esse volume de informação
promocional dificulta a assimilação do produto, sendo assim, podemos através da
pesquisa de Haas, concluir que a publicidade atinge o consumidor com quantidade e
os eventos com qualidade.
Para Kotler e Armstrong (1991, p.458) a propaganda aos poucos, no decorrer
das décadas, perdia espaço para as promoções de venda:
20
Algumas décadas atrás a relação propaganda/promoção de vendas era de
aproximadamente 60/40. Hoje (...) a situação está revertida, com as
promoções de vendas contabilizando de 60% a 70% de todos os gastos
com Marketing. Os gastos com promoções de vendas têm crescido 12% ao
ano comparado com um crescimento de 7,6% em propaganda. (KOTLER;
ARMSTRONG, 1991, p.458)
O ponto é: as ferramentas de comunicação precisam ser notadas e a
mensagem do anunciante precisa ser assimilada pelo seu consumidor. Palestras,
estandes e congressos conseguem alcançar esse objetivo com mais eficiência,
porque podem ser trabalhados de uma forma mais flexível e direta com o
consumidor, além do fato de ser mais tangível que a publicidade e aberta a
discussões entre as partes envolvidas acerca do produto.
Porém, mesmo com todas essas características positivas que os eventos
podem trazer ao patrocinador, ainda existe resistência por parte da organização
quanto ao uso desta ferramenta. Os eventos são mais complexos de se organizar,
mobilizam uma quantidade maior de pessoas e precisam de um planejamento
conciso e claro para a sua realização, caso contrário, o impacto financeiro e
administrativo pode ser desastroso.
Giacaglia (2003) esclarece que os administradores e profissionais parecem
não estar preparados para organizar e preparar um evento. O Marketing de eventos
ainda carece de maior relevância, tendo em vista a pouca bibliografia existente e o
aparente despreparo dos novos profissionais no ramo.
A princípio, os eventos podem englobar outras ferramentas de comunicação,
como a propaganda, relações humanas, relações públicas e promoções de vendas
também podem estar presentes em feiras, convenções, simpósios. E mostram-se
ainda mais eficientes quando atuam junto ao seu publico alvo num único ambiente.
21
Na visão de Kotler e Armstrong (2003) os eventos são ferramentas de
comunicação impessoal, representada por shows, exibições, feiras, salões, dentre
outros, e são expostas com uma mensagem clara e direcionada ao publico alvo.
O que se torna relevante para o produtor do evento é a experiência vivida
pelo usuário, o êxito desta é o sucesso com que a mensagem é transmitida e
recepcionada positivamente pelo destinatário.
Eventos, como o caso do objeto a ser estudado, desta magnitude podem
causar impactos sociais, políticos e principalmente financeiros, isto porque foge de
uma esfera restrita relacionada ao patrocinador e ao usuário para um campo que
envolve algo maior, como a mobilização de um país para um megaevento como, por
exemplo, a Copa do Mundo de Futebol ou uma feira mundial. A realização de
eventos deste porte exige uma mobilização de setores como de segurança, meios
de transporte e instalações provisórias para atendimento emergências para o publico
visitante. A preparação do próprio local, suas construções e/ou reformas dessas
instalações, adequação das imediações e um planejamento conciso respeitando o
cronograma desenvolvido são algumas das ações necessárias para garantir a
realização da programação dos eventos realizados, como os que virão nos próximos
2 anos.
O Brasil foi escolhido como pais sede em 2008 e firmou um compromisso de
organizar a Copa do Mundo respeitando um rigoroso cronograma imposto pela
entidade máxima do futebol.
Durante esses seis anos percebeu-se que apesar do sucesso do torneio, a
preparação foi bastante conturbada, com manifestações contra a realização da
Copa, atrasos nas obras, os custos elevados das arenas e a experiência do pobre
legado deixado para a população em outros grandes eventos, como o
22
Panamericano. Se por um lado o patrocinador e os turistas saíram com uma boa
impressão do país, o mesmo não se pode dizer da população que se questiona o
que fazer com essas milionárias arenas.
Poit (2006) relata que a organização de eventos não é uma ciência exata,
mas deve seguir uma seqüência lógica para que a sua execução traga os resultados
esperados. Esta seqüência é constituída por uma idéia, ou seja, a vontade de
organizar o evento pelas partes; um projeto, um planejamento a ser feito para
realizar o evento: O pré-evento se trata de um preparativo teste com o intuito de
verificar se as expectativas estão sendo correspondidas; o transevento é a visão
obtida durante a realização e por fim o pós-evento, este último aspecto é o que gera
mais preocupações durante a sua fase de transição, pois será é neste momento que
obteremos respostas claras sobre o legado da Copa, já ocorrida, e das Olimpíadas
que ainda virão.
23
3. AS ARENAS CONTEMPORÂNEAS
Atualmente, construir ou reformar arenas esportivas vão além da sua
atividade fim, a atração de espetáculos esportivos, existe todo um contexto que
envolve o custo benefício, a sustentabilidade da construção, o legado para a região
e principalmente, o impacto socioeconômico que afetará a localidade, seja apenas
para um bairro ou mesmo uma cidade. Uma arena contemporânea, não se restringe
apenas ao próprio local, mas também ao entorno dela.
Para a construção da arena Wembley, simbólico estádio inglês, houve
primeiramente uma grande mudança na região de Brent, bairro londrino onde se
situa a arena. O planejamento pretendia reformular não só a estrutura do estádio,
mas envolver toda a localidade. Foram gastos mais de setenta milhões de libras no
desenvolvimento e manutenção dos meios de transportes da região, o objetivo era
melhorar o fluxo do tráfego de pessoas e de carros, bem como os acessos aos
meios de transportes da região. Foi criado um conselho de moradores do entorno do
estádio para discutir junto à empresa administradora do Wembley o impacto dessas
novas ações no bairro. (Wembley National Stadium Ltd).
Na Europa e nos Estados Unidos é muito comum que arenas particulares se
responsabilizem pelo entorno do estádio. A organização que administra o estádio
fica responsável pelo desenvolvimento do entorno, a comunidade recebe também
ingressos
com
preços
reduzidos,
como
retribuição
esses
moradores
se
responsabilizam pela guarda e zelo dos arredores. A arena acaba se tornando um
pólo de lazer e turismo, movimentando a economia local, valorizando o local ao criar
laços com residentes que ali se situam.
24
O case do Wembley é interessante de ser analisado, pois se comparado aos
dos estádios brasileiros construídos e reformados para a Copa do Mundo,
verificaremos diversas semelhanças. Trata-se de um estádio construído com
investimentos público e privado, uma construção cara, foram desembolsados 798
milhões de libras esterlinas ou 2,1 bilhões de reais, ou seja, com um custo elevado e
sem times de futebol para jogar com freqüência no estádio, isto porque todos os
times da cidade possuem estádios próprios.
Para tornar a arena lucrativa, o Wembley foi adaptado para se tornar além de
um grande e confortável estádio de futebol, mas também uma arena multiuso
extremamente eficiente. Uma série de eventos estão programados para o estádio:
Amistosos entre clubes ingleses, além de ser o principal estádio para receber os
amistosos da seleção inglesa, eventos de esportes variados como Cricket e Rúgbi
também são disputados na arena e uma novidade, os jogos de futebol americano,
esporte incomum e desconhecido para os inglês, todavia, uma novidade bem vista
pelo ingleses e pela liga de futebol americano, a NHL, proporcionado um evento
único, com shows e diversões para o publico durante o intervalo do jogo.
Os eventos musicais também têm presença garantida no Wembley. No
passado, o estádio apresentou diversos shows de bandas famosas, como Queen e
Beatles, porém hoje a arena pode proporcionar não apenas um show memorável,
mas apresentar, mas adaptar o evento com o que há de mais moderno em
tecnologia e conforto para o seu publico. Apesar do estádio não possuir um contrato
de naming right, muitas empresas fecharam acordos de exclusividade de bebidas e
comidas distribuídas nos bares e restaurantes do estádio; serviços de apostas, que
geram uma receita importante para a administradora.
25
O Wembley possui cerca de 5.000 pessoas envolvidas com o estádio,
incluindo voluntários e moradores e trabalhadores, eles contribuem para o
desenvolvimento da arena e auxiliam na execução dos diversos eventos
programados, o estádio possui também uma equipe de consultores e uma ouvidoria
com a função de ampliar e melhorar os serviços que são oferecidos.
Assim como nas arenas brasileiras, houve grandes investimentos públicos e
atrasos demasiados, o estádio deveria ficar pronto em 2005, mas sua conclusão
ocorreu dois anos depois, a um custo de construção superior ao estimado de
inicialmente 240 milhões de libras esterlinas. Mesmo assim, o Wembley consegue
uma boa receita, emprega diretamente centenas de pessoas e está disponível para
o lazer da população.
A lição que fica desse estádio é que apesar das culturas diferenciadas entre
Inglaterra e Brasil, o case do Wembley expõe muitos aspectos que podem ser
assimilados às arenas brasileiras. Todas as 12 arenas são novas, modernas e
possuem estrutura para utilizações multiuso, mas nem todas são praças esportivas
relevantes no cenário nacional.
Estas arenas cumpriram bem a sua finalidade durante os jogos da Copa do
Mundo, outros eventos que ocorrerão nos próximos dois anos, como Olimpíadas e
os jogos Militares, movimentarão estas arenas, mas esta programação não garante
que estas localidades sejam assiduamente utilizadas, fato que torna questionável as
suas auto-sustentabilidades.
Hoje, talvez, o maior exemplo de arena multifuncional que possui um alto
índice de rotatividade de eventos seja o Madison Square Garden, o famoso ginásio
americano tem a capacidade abrigar diversos tipos de esportes e eventos, como
circo, feiras, shows de musica, convenções, ou qualquer outro tipo de exposição que
26
necessite de um amplo e flexível espaço num local acessível e bem localizado na
cidade de Nova Iorque.
O ginásio recebeu uma reforma recentemente que durou cerca de três anos,
com o custo de um bilhão de dólares. O motivo desta reforma se deve as melhorias
na infra-estrutura para comodidade do usuário. A arena tem compromissos fechados
durante 250 dias ao ano, seus eventos são divulgados com ampla cobertura e as
entradas podem ser adquiridas com antecipação até mesmo no Brasil pela internet.
(ARAÚJO, 2008)
As arenas modernas precisam oferecer novas experiências aos seus
usuários, para isso são desenvolvidos novos serviços e conveniências para que
estes freqüentadores sintam-se confortáveis nas instalações. Os romanos
desenvolveram um tipo de palco adequado para que coubesse cinqüenta mil
pessoas num espaço restrito, acessível e com inclinação nas arquibancadas,
arquitetura que se torna visível toda arena aos espectadores, haviam camarote e
espaço necessário para realização dos eventos no centro da arena, porém não
havia conforto e segurança para os espectadores. A idéia do conceito de arena
romana continua a mesma, porém com a evolução da sociedade e das tecnologias,
a experiência precisou evoluir.
Para Araújo (2008) explica o porquê o conceito do multifuncional dentro das
arenas é extremamente relevante nos dias de hoje:
“A arena dentro deste conceito multifuncional passa a ser a ancora de um
grande complexo centrado no entretenimento; forja-se então o conceito
arquitetônico de “estado da arte” no setor esportivo. Assim em 1997, é
inaugurada a primeira arena européia com teto retrátil, em Amsterdam. No
ano seguinte, mesma Holanda, entra em operação a primeira arena
conjugando teto retrátil e o inovador conceito de campo deslizante,
habilitando arena para receber atividades não esportivas sem prejuízo para
o campo de grama natural. Ressalta-se que existem hoje mais de 70
arenas espalhadas pelo mundo com o recurso do teto retrátil, mas apenas
5 com o recurso de campo removível. (ARAÚJO, 2008, p.)
27
Logicamente o Brasil não precisa experimentar todo e qualquer tipo de
inovação multifuncional, por exemplo, os campos deslizantes não têm uma função
muito pratica num país tropical como o Brasil, pois a tecnologia tem como função
proteger o campo de condições extremas, como neves e geadas. Todavia, o país
deve aprimorar a infra-estrutura das arenas aqui existentes, afinal, estamos hoje no
circuito de grandes eventos esportivos e este é um dos requisitos dos patrocinadores
e também do publico.
3.1. Estádio Mané Garrincha e o Estádio Nacional de Brasília
O futebol do Distrito Federal nasceu com surgimento da capital, mesmo a
nova capital nos seus primórdios, a grande paixão nacional não poderia deixar de
estar presente e com o surgimento do campeonato metropolitano, o campeonato
brasiliense, estádios precisavam surgir para entreter os moradores da cidade e
abrigar os times que aqui surgiam.
Dentre estes novos estádios, surgiu o Mané Garrincha, o mais imponente
estádio da capital federal. A construção estaria inserida dentro do antigo Complexo
Poliesportivo Presidente Médici, atualmente denominado Complexo Poliesportivo
Ayrton Senna, que possui também dois ginásios, um autódromo, um centro aquático
e um centro de atletismo, este demolido para ampliar do espaço da nova arena.
O estádio foi inaugurado, com obras ainda incompletas, no dia 10 de março
de 1974, numa partida entre Corinthians e o CEUB, inicialmente com o nome de
Estádio Governador Hélio Prates da Silveira, então governador do Distrito Federal.
(MARQUES, 2013)
28
O antigo Mané Garrincha passou a ser utilizado de forma mais constante
durante o final dos anos 90, obtendo os seus melhores públicos e rendas, graças a
ascensão do Gama para a primeira divisão do futebol brasileiro. (MARQUES, 2013)
Durante esses 30 anos de atividade, o estádio recebeu um público total
próximo a 340 mil pessoas tratando-se de públicos para eventos esportivos. Houve
também
diversos
shows
realizados
tanto
dentro
do
estádio
quanto
no
estacionamento, algumas das bandas apresentadas foram dentre elas, Iron Maiden,
Legião Urbana, Mamonas Assasinas e Lenny Kravitz. (Wikipédia)
O estádio era administrado pela secretária de esportes do Distrito Federal,
responsável também pelo complexo esportivo que o estádio se situava, o terreno
pertencia a Terracap. A federação brasiliense de futebol era responsável pela
administração dos ingressos e lançamentos dos borderôs dos jogos de futebol
ocorridos no estádio. Esses dados também valem para a nova arena construída em
cima do antigo Mané Garrincha.
Após Brasília ser escolhida como uma das sedes a realizar jogos da Copa do
Mundo, o estádio teve que passar por uma grande reforma. A transformação numa
arena multiuso moderna foi uma das exigências da FIFA para que fossem realizadas
partidas do torneio no estádio. Além disso, devido às alterações projetadas para a
nova arena, o entorno deveria ser ampliado e modernizado para acomodar melhor a
entrada de torcedores nos arredores do estádio, o resultado acabou por destruir boa
parte do centro esportivo.
Inicialmente foi estimado um custo de R$ 697 milhões para construção de um
estádio parta 40 mil lugares. O projeto ficaria a cargo do arquiteto Castro Mello,
iniciando as obras em maio de 2011. Começava-se assim, a demolição do antigo
29
Mané Garrincha para que em seu lugar fosse construída uma nova e moderna arena
esportiva. (TAVARES, 2013)
Após 1027 dias de obras, no dia 18 de maio de 2013, o estádio é inaugurado
numa partida da final do campeonato brasiliense de futebol entre Brasília e
Brasiliense. A partida foi tratada como um teste para a nova estrutura recém
inalgurada, foram distribuídos apenas vinte mil ingressos para torcedores e
convidados conhecerem o novo Mané Garrincha.
A obra teve um custo total de R$ 1.284 bilhões, um aumento de 84% do
orçamento estipulado pelo TCDF, este valor foi assumido pelo governo do Distrito
Federal com aval da Terracap. Apesar de parte estrutural do estádio estar pronta
para o evento teste, o entorno ainda carecia de um tratamento adequado e
apresentava trechos inacabados dentro e fora da arena. (TAVARES, 2013)
O complexo em torno do estádio foi modificado, o centro de atletismo e as
quadras de tênis foram desativados para dar lugar à ampliação do estacionamento,
uma das exigências da FIFA. O estádio teve a sua capacidade ampliada para 71.788
pessoas, tornando-se o segundo maior do país em capacidade. A arena possui um
design moderno com painéis solares e pontos de captação de água ao redor do teto,
tornando-a numa das arenas mais sustentáveis do país. Para o conforto dos
usuários, o estádio possui 74 camarotes com visão privilegiada ao campo; 54 bares
e lanchonetes, amplo espaço para lojas, banheiros amplos com entrada facilitada
aos portadores de necessidades especiais. Há ainda um posto de atendimento do
Juizado do Torcedor e câmeras de segurança instaladas em volta do estádio
(Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha).
Durante o ano de 2014 até 2016 o estádio terá uma agenda cheia de eventos
como, partida de Futebol de Salão entre a Argentina e o Brasil, jogos diversos pelo
30
campeonato brasileiro, shows como Gigantes do Samba e o Happy Holi e jogos de
partidas preliminares dos Jogos Olímpicos de 2016. Estes eventos deverão
demonstrar a capacidade e eficiência do estádio como arena multiuso.
Todavia, questiona-se que está agenda possa comprometer os outros locais
pertencentes ao complexo da qual a própria Arena Mané Garrincha está inserida. O
plano dos organizadores é utilizá-lo de forma prioritária, mantendo o foco na arena
principal do complexo. Por exemplo, no calendário de eventos do estádio, constam
jogos de futebol de salão, shows de pouca a média expectativa de publico que
provavelmente seriam mais apropriados em arenas mais adequadas para tal
modalidade, como é o caso do Nilson Nelson. Estas ações dão um grande destaque
para o Estádio Nacional, mas acaba também por canibalizar os outros locais do
próprio complexo.
A necessidade de utilizar o estádio como prioridade deve-se pela capacidade
de ampliar negócios e eventos para o local e para a cidade, devido ao destaque que
a nova arena recebeu por ser sede de partidas do Mundial de Futebol.
O publico recebido pelo estádio durante o período da reinauguração até a
atualidade correspondem ao triplo de espectadores na antiga arena, graças aos
eventos da Copa do Mundo, da Copa das Confederações e aos jogos do
campeonato brasileiro realizados no estádio, tais fatos demonstram que a finalidade
inicial do estádio foi cumprida, mas o seu legado para o futuro ainda precisa ser
questionado. (CAMPOS, 2014)
31
4. METODOLOGIA
Por se tratar de um trabalho acadêmico, pautado por um viés científico, é
fundamental que a pesquisa seja empreendida a partir critérios objetivos que
confiram credibilidade aos dados coletados e às análises produzidas; bem como,
permitam a futuros pesquisadores a repetição do experimento e a obtenção de
resultados compatíveis com os aqui apresentados.
Gil (1999, p.26) define método como um caminho para se chegar a
determinado fim e “método científico como o conjunto de procedimentos intelectuais
e técnicos adotados para se atingir o conhecimento”.
Ainda de acordo com o mesmo autor (2002) a pesquisa exploratória tem
como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com o intuito de
torná-lo mais explícito, permitindo assim a considerações de hipóteses a respeito do
objeto. Seu objetivo principal é a articulação das ideias e a definição das estratégias
para abordagem do objeto. No caso deste estudo, a pesquisa exploratória será de
caráter documental, ou seja, com base em material já elaborado, constituído
principalmente de livros, artigos científicos, sites e periódicos.
Segundo Ramos (2009, p. 183) “a pesquisa exploratória constitui o primeiro
estágio de uma pesquisa científica. Tem como objetivo proporcionar maior
familiaridade com o problema com vistas a torná-lo mais explícito”. Duarte (2005,
p.64) complementa este entendimento quando diz que esses estudos “[...] tratam de
conceitos, percepções ou visões para ampliar conceitos sobre a situação analisada”.
Ramos (2009, p. 183) diz que as pesquisas exploratórias, normalmente,
assumem a forma de pesquisa bibliográfica. Tomando como base esse modelo, este
trabalho assume a forma de pesquisa bibliográfica introduzindo o tema tratado a
32
partir de referências bibliográficas. A construção deste aporte teórico pretende
apresentar o objeto de estudo historicamente e apontar os aspectos teóricos que
serão considerados na elaboração da análise a respeito do objeto.
Num sentido restrito, é um conjunto de procedimentos que visa identificar
informações bibliográficas, selecionar os documentos pertinentes ao tema
estudado e proceder à respectiva anotação ou fichamento das referências e
dos dados para que sejam posteriormente utilizados na redação do trabalho
acadêmico. [...] pode também ser a etapa fundamental e primeira de uma
pesquisa que utiliza dados empíricos, quando seu produto recebe a
denominação de Referencial Teórico, Revisão da Literatura ou similar.
(STUMPF, 2005, p.51)
Em seguida será empreendida uma coleta de dados que consiste numa
entrevista em profundidade, a partir de um roteiro semiestruturado, com 04 (quatro)
indivíduos, com o objetivo de construir uma visão plural e complementar a respeito
do objeto do estudo e do problema de pesquisa proposto. De acordo com Duarte
(2005, p.64), “a entrevista em profundidade é um recurso metodológico que busca,
com base em teorias e pressupostos definidos pelo investigador, recolher respostas
a partir da experiência subjetiva de uma fonte”. No caso deste estudo, as entrevistas
foram realizadas pelo próprio pesquisador. As respostas irão subsidiar a reflexão a
respeito das hipóteses delineadas na introdução do estudo.
Os critérios para definição da amostra de indivíduos, foi a relação de cada um
deles com o objeto do trabalho: o Estádio Nacional de Brasília. Sendo assim, a
coleta de dados ocorrerá com um jornalista que cobre a pauta esportiva; um gestor
de eventos culturais; um representante da Federação de Futebol do DF e um
representante da Secretaria de Esporte e Lazer do GDF.
33
5. ANALISE DE RESULTADOS
Através das pesquisas realizadas para este estudo foi possível colher
informações suficientes para que obtivéssemos uma conclusão, ainda que não
definitiva, sobre o que podemos esperar para o futuro da Arena Mané Garrincha.
O jornalista e o produtor de eventos, profissionais que contribuíram com a
pesquisa e expuseram cada um, como profissionais e formadores de opinião os seus
respectivos ponto de vista sobre o que o estádio representa para o presente e o
futuro da cidade.
A Federação de Futebol de Brasília não se propôs a contribuir com o trabalho,
por receio dos funcionários e pela burocracia criada para pudéssemos falar com
representantes da instituição, sendo assim, dentre as entrevistas pretendidas, a
entrevista com a Federação foi à única que não foi possível colher dados para este
trabalho. A opinião da FBF seria vital para que pudéssemos colher informações dos
representantes do futebol e dos clubes locais, fato que frustra uma analise
necessária sobre a realidade do futebol de Brasília integrada ao estádio que tem
como principal finalidade de realizar eventos esportivos, principalmente o futebol.
A administração deixa claro na entrevista a viabilidade e os benefícios que
estádio traz a sociedade. De acordo com a entrevistada a arena consegue
movimentar a economia local gerando empregos e receitas que cobrem os custos de
manutenção e retornam para a sociedade como recursos para educação e saúde.
Existe uma agenda completa para ocupação da arena até 2019, diversos
eventos devem ser realizados durante este período, mesmo assim, ainda não foi
definido a quem ficara incumbida à administração definitiva do estádio. Esta questão
afeta diretamente o futuro e as realizações que serão feitas no estádio.
34
Apesar da necessidade de seguir o planejamento estratégico, há de se
ressaltar que este, pode ser completamente alterado no ano de 2015, pois o atual
governador não foi reeleito e não se sabe o que exatamente o novo governador fará
com a arena.
5.1 Resultados da pesquisa qualitativa
A idéia do estudo era elaborar uma pesquisa com formadores de opinião,
como o jornalista e o organizador de eventos, por serem dois representantes de
organizações diretamente interessadas na utilização e desenvolvimento da arena;
uma pessoa ligada a Federação Brasiliense de Futebol; e por fim, um representante
da administração da arena Mané Garrincha.
Propuseram a participar da entrevista, o radialista Marcio Barbosa Moi, da
Radio Redentora; O produtor de eventos Eduardo Smith, da Field Event Specialist
Red Bull Brasil e Cecília Brandim, representante da Coordenadoria de Comunicação
para Grandes Eventos. O representante da Federação Brasiliense de Futebol não
respondeu o questionário.
Cada um dos entrevistados expuseram as suas idéias e opiniões baseadas
no que vivenciaram antes e depois das obras e da Copa do Mundo, eles
esclarecerem as suas expectativas referentes à arena e o que esperam do estádio
para o futuro pós mega-eventos.
35
5.1.1 Questionário aplicado ao especialista de comunicação da área esportiva

Qual é sua opinião sobre o legado deixado após a realização da copa do
mundo para o esporte do DF?
Temos um elefante branco, que é um dos estádios mais bonitos do Brasil e
um futebol de quarta divisão.

Você acredita que o estádio nacional apresenta potencial para ser uma
instalação sustentável, no âmbito esportivo? E ainda, fora do âmbito
esportivo?
Entendo que a capital do país não necessita de uma arena desta magnitude
que, além disso, não é sustentável. As obras do estádio são inacabáveis, do seu
plano original faltam muitas coisas, principalmente do lado externo, como drenagem
da água das chuvas (uma das promessas feitas para tornar o estádio sustentável).
Porém, acredito, numa visão otimista, que a arena esteja completa, pelo menos
quando tratamos do básico a ser oferecido. É sem sombra de dúvidas um belo
estádio
que
precisa ser administrado com
competência
por profissionais
qualificados, existe um projeto de um shopping com cinema, praça de alimentação
dentro do estádio, mas precisa de mais do que isso para que decole, precisa de
vontade política e muito investimento para tornar a obra rentável.

Você participou da cobertura de algum evento esportivo realizado no estádio
antes e depois da reforma?
Sim, vários. Antes e depois da realização da Copa. Cobri como comentarista
de rádio, principalmente jogos do campeonato brasiliense de futebol.

Se sim quais são as principais observações sobre a infra-estrutura
disponível?
36
Infra-estrutura de primeiro mundo. Banheiros de granito, escadas rolantes e
elevadores disponíveis para o publico e para a imprensa, tudo muito bem acabado.
As partes internas do estádio são sensacionais, uma estrutura que não fica devendo
para nenhum estádio de primeiro mundo.

Você acha que a construção do estádio pode provocar algum efeito positivo
para o esporte na capital?
Assim como na inauguração da Capital Federal, as coisas foram
aprimorando-se pouco a pouco, fomos nos desenvolvendo aos poucos. A minha
esperança é que o mesmo aconteça com o estádio, o problema é que o futebol local
está entregue em mãos erradas, que só querem tirar proveito do futebol para
beneficio próprio, deste modo é difícil imaginarmos no desenvolvimento do estádio,
se a finalidade pelo qual foi construído tem uma estrutura deteriorada em Brasília.

Você acredita que o estádio possa atrair grandes eventos/megaeventos para
a cidade?
Sim, mas inicialmente o Governo deve atrair a atenção do empresariado e
mostrar que o estádio é rentável.

Você acredita que o estádio, administrado de forma competente, possa gerar
receita para a administração? Como você imagina que isto possa acontecer?
Falando francamente, eu não acredito. Acredito que os custos de manutenção
superarão as receitas, serão feitas reformas e revitalizações e jamais recuperaremos
o valor investido na arena. O GDF ira arcar com os custos da arena e provavelmente
os empresários da cidade não se interessarão no estádio.

Você crê que a disponibilização da Arena possa trazer evoluções para o
esporte, mais especificamente, o futebol, para Brasília?
37
O objetivo é esse, mas volto a dizer que o futebol local não crescera enquanto
uma gestão profissional não for implantada na federação e nos clubes do DF.

Quais são as suas expectativa com relação ao legado do estádio Nacional?
Que tenhamos jogos de alto nível e espetáculos tão grandiosos quanto a
estrutura do estádio. Shows, jogos e eventos que proporcionem mais lazer a
população, mas é necessário que haja um plano bem definido pelo governo para
justificar o investimento feito na arena.
5.1.2 Questionário aplicado ao produtor de eventos

Numa situação de organização de eventos no estádio nacional, qual seria a
quantidade de pessoas que torna este evento viável financeiramente?
Tudo depende da sua criatividade. Realizei eventos reduzidos e exclusivos
nos camarotes para 300 e 600 pessoas, como também participei de produções de
shows para 10 mil pessoas no anel interno do estádio. Tudo isso depende muito da
“boa vontade” e exigências que os responsáveis pelo estádio nos impõem, que, em
geral, não tem uma regra clara. Estamos falando desde uma simples documentação
até a sua verba de locação.
Quando falamos de eventos, as pessoas já pensam em super estruturas e
grandes divulgações. Em minha opinião, nosso estádio pode ser utilizado para
eventos mais segmentados como rappel, skate, corporativos, dentre outros. Em
resumo, se falarmos de uma grande área padrão de eventos no estádio, precisamos
de um evento de massa entre 3 a 6 mil pessoas no mínimo para a realização.

Vocês já realizaram algum evento no estádio nacional antes ou depois da
reforma?
38
Sim.

Se sim quais são as principais observações sobre a infra-estrutura
disponível?
Um espaço lindo, super seguro e perfeito para usar a imaginação. Tanto em
estrutura e novos equipamentos, como em ornamentações e tipos de eventos. No
DF somos carentes em espaços para eventos e o estádio depois da copa se tornou
uma locação conhecida internacionalmente, com uma estrutura super nova e
estratégica devida as exigências da Copa do Mundo. Foi um legado de estrutura
deixado que deva ser usado com responsabilidade.

Em sua opinião, ocorrerão eventos de grande porte abrigados no estádio
nacional?
Se o governo não dificultar o processo com grandes burocracias e altas taxas,
sim. Se a dificuldade for grande, não. Os eventos voltam para os espaços
convencionais do DF.

Você acredita que Brasília é uma praça que tenha potencial para sediar
grandes eventos esportivos e culturais? A construção do estádio modifica esta
vocação?
Depende do fator analisado. Potencial nos quesitos de infra estrutura e
fornecedores competentes, sim, temos aqui tanto no ramo esportivo e cultural
pessoas que viajam pelo Brasil produzindo e prestando consultoria em esportes e
cultura, assim como atletas e músicos competentes.
Se falarmos de praça estratégica para passagens de tours musicais e eventos
mundiais, não. Apesar da carência de grandes eventos na cidade, se você decide
realizar um grande show internacional no DF, tem que deixar claro que boa
porcentagem do seu público serão de moradores da cidade. Diferentemente do que
39
acontece em SP e RJ, por exemplo, onde muitos saem de suas cidades para
assistirem esses tours. Isso agrega ao show, juntando um público de outros estados
e fechando a bilheteria no positivo. Acho que isso ocorre por vários motivos, um
deles e bem forte, a falta de incentivo ao turismo na cidade. Em SP e RJ você vai
para o show, depois para a praia, para o teatro, para os monumentos, para outras
festas de renome que acontecem antes e depois e etc etc.
Mas nem tudo são noticias ruins, falando de esporte, nossa cidade é
referência em corridas de rua pelo seu terreno plano. As marcas estão de olho.

Você considera que os custos relacionados à locação do estádio são
compatíveis com a estrutura disponível?
A estrutura sim, a realidade do mercado não. Do que adianta der um espaço
para 72 mil pessoas se o mercado não consegue colocar 30 mil pagantes? Acho que
esses custos deveriam ser cobrados de acordo com cada tipo de eventos e o que os
envolve de estrutura, RH e principalmente relevância para a cidade. Às vezes um
evento que tenha um potencial de turismo para a cidade ou grande apelo cultural,
pode ser incentivado com bons descontos. Importante, não por ‘peixada
de indicação’ mas sim pela importância a cidade e sua população.
5.1.3 Questionário aplicado ao administrador da arena Mané Garrincha

Há uma agenda de eventos confirmada para o estádio?
Sim, até 2019. Está confirmado o espetáculo do ex-beatle Paul McCartney
para o dia 23 de novembro. Em dezembro, mais uma vez, o Mané sediará o Torneio
Internacional de Futebol Feminino, que trará a Brasília as seleções de Brasil,
40
Argentina, China e Estados Unidos. Outros eventos estão em agendamento e só
poderão ser divulgados após a confirmação dos organizadores.
O Estádio Mané Garrincha inseriu Brasília na rota dos grandes eventos
nacionais e internacionais e tem agenda confirmada até 2019. Brasília já foi
confirmada como sede das Olimpíadas de 2016 no futebol. Em 2018, a cidade
receberá o Fórum Mundial das Águas. E, em 2019, receberá a Universíade, segundo
maior evento esportivo universitário do planeta, que reúne mais de 12 mil atletas de
todo o mundo.
A nova arena já recebeu, desde a sua inauguração, em 18 de maio de 2013,
ao todo, 65 eventos: 44 partidas de futebol, oito shows e 13 eventos institucionais. O
novo Mané Garrincha já atraiu mais de 1,6 milhão de pessoas. O número é quase
cinco vezes a quantidade de público que recebeu o antigo Mané Garrincha em 36
anos de funcionamento.

Os eventos que estão previstos para o estádio poderiam ser realizados nas
outras instalações do complexo esportivo, como o Nilson Nelson? Caso sim,
este fato não poderia canibalizar, ou tornar as outras instalações ociosas?
Não. Os espaços possuem perfis distintos. Prova disso é que desde a
inauguração do Mané Garrincha, em maio de 2013, tanto a nova arena quanto o
Ginásio Nilson Nelson tem mantido agenda cheia de eventos, sempre com grandes
públicos.

Qual é o custo aproximado para locação do estádio para realização de
eventos esportivos e para eventos culturais?
As regras e os valores para aluguel do Estádio Mané Garrincha estão fixadas
pela legislação local, nos Decretos 34.561/2013 e 34.798/2013, que foram criados a
41
partir da ampliação do Decreto Nº 34.491. As duas normas tratam da utilização dos
espaços públicos esportivos do DF.
No caso específico das partidas de futebol no Estádio, a taxa de ocupação foi
fixada em 15% da renda bruta arrecadada, percentual esse reduzido para 13% no
caso de locação por quatro jogos. O percentual é cobrado independentemente da
área ocupada e já inclui despesas com água, esgoto e energia.
A norma estabelece também que o Governo do Distrito Federal pode autorizar
isenção total ou parcial do pagamento do aluguel do espaço, caso considere a
relevância do evento a ser realizado ou tenha participação das seleções brasileiras
de quaisquer modalidades.
No caso de outros eventos, como shows, a taxa varia de acordo com a área
ocupada, com valores de R$ 150 mil a R$ 500 mil.

As dependências do estádio, não específicas para eventos e jogos, serão
exploradas de que forma? Se sim, a partir de quando? (como comércio,
museu, etc)
Não respondido.

Há algum estudo em andamento sobre a participação da iniciativa privada na
gestão das instalações?
O Estádio Mané Garrincha é administrado pelo Governo do Distrito Federal,
por meio da Secretaria de Turismo e Projetos Especiais, da Novacap e da Terracap,
proprietária da área.
O futuro modelo de gestão do estádio está em fase de estudos técnicos pela
Terracap. Uma das possibilidades é profissionalizar a gestão do espaço por meio de
parceria entre o governo e o setor privado. A parceria público-privada seria
42
responsável, por exemplo, entre outras coisas, pela captação de eventos e venda de
ingressos.
Ainda não há uma definição sobre a utilização definitiva dos demais espaços
para comércio ou museus, conforme mencionado, em função da escolha, em
andamento, do futuro modelo de gestão da arena.
Além da ampla área destinada aos eventos culturais e esportivos, o projeto do
Mané Garrincha prevê espaços para uso comercial, com restaurantes, bares e
lanchonetes, por exemplo, além de lojas, que poderão ser explorados. A arena foi
projetada para ser multiuso, com capacidade para abrigar um complexo de
entretenimento permanente. Entre outras vantagens, possui localização privilegiada,
no centro da cidade, e amplo estacionamento.

Qual o custo mensal estimado para manutenção do estádio?
As rotinas de limpeza e segurança do Estádio Mané Garrincha são realizadas
por contrato celebrado pela Secretaria de Planejamento do DF para atender a
diversos órgãos do GDF. Ou seja, não há contrato exclusivo para a arena
brasiliense.
Vale ressaltar que a grande demanda por serviços de limpeza e segurança no
estádio ocorre durante os eventos e estas despesas são de responsabilidade dos
organizadores.
De junho de 2013 a outubro de 2014, as despesas com energia e água do
Mané Garrincha somaram cerca de R$ 1,2 milhão. As despesas de água e energia
do Mané Garrincha passaram a ser pagas pela Terracap, proprietária do estádio, em
junho de 2013. Antes eram custeadas pelo consórcio responsável pela obra.

Quais são os planos futuros referentes à administração do estádio?
Respondido acima.
43

Como funciona a divisão de receita que a administração ganha pelas vendas
de ingressos?
A receita com aluguel do Mané Garrincha vai para o Tesouro do DF e é
aplicada nas ações prioritárias de governo, em áreas como educação, saúde e
segurança, entre outros investimentos. O Governo do Distrito Federal arrecadou,
desde a inauguração do estádio, em maio de 2013, até o momento, cerca de R$
4,22 milhões em taxas de ocupação pelos eventos realizados no Mané Garrincha.
Mas o retorno vai além.
O estádio é um empreendimento consolidado, que oferece retorno e cumpre
seu papel de instrumento de desenvolvimento econômico e social para a cidade. A
arena não gera receitas apenas com o que arrecada diretamente, mas também com
os eventos que atrai, aquecendo a economia local, especialmente o setor de
serviços (hotelaria e gastronomia), e atraindo novos investimentos para o DF.
Cada evento realizado no Mané Garrincha projeta a cidade e ainda gera, em
média, cerca de dois mil empregos direitos e indiretos. Um grande evento já chegou
a movimentar cerca de R$ 12 milhões na economia local em uma semana.
Portanto, todos os eventos geram benefícios econômicos diretos e indiretos
para o Distrito Federal. É o caso da Copa do Mundo. O megaevento atraiu cerca de
630 mil turistas para a capital federal, com um impacto de R$ 1,3 bilhão na
economia, considerando o que cada visitante gastou durante a permanência em
Brasília.

Além das receitas diretas como vendas de ingressos, de que forma a
administração pode obter receitas com o estádio?
Respondido acima.
44
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta monografia avaliou o legado que a arena estádio Mané Garrincha deixa
para a população e de que forma ele influencia empresas e clubes esportivos que
são os principais interessados em seu desenvolvimento.
Através dessas informações e da avaliação da pesquisa realizada, pode-se
analisar os seguintes pontos dados no decorrer do trabalho:
6.1 Avaliações das entrevistas realizadas
Com base nas entrevistas realizadas, chegamos a um resultado inconclusivo,
pois apesar dos dados coletados, que são vitais para o estudo e refletem de certo
modo a opinião publica sobre a arena em Brasília, eles não foram suficientes para
elaborar um diagnostico final sobre o legado. O Estádio contém uma agenda
completa nos próximos cinco anos e a administração do estádio demonstra através
de números que a arena trouxe progresso e desenvolvimento ao DF, todavia há de
se resultar que qualquer planejamento feito até hoje dificilmente terá reflexos a
médio e longo prazo, pois não se sabe ao certo o que a próxima administração fará
com o estádio. As perspectivas do jornalista e do produtor de eventos não são
positivas, mesmo ambos elogiando a estrutura da arena, eles ressaltam a
necessidade de uma administração profissional e um planejamento concreto para
que a arena traga o retorno esperado pela sociedade.
45
6.2 Conclusões elaboradas com relação aos objetivos propostos no trabalho
Com relação ao objetivo geral, fica claro que como demonstrado pela analise
das entrevistas que o aspecto sustentável do estádio ainda é discutível, pois apesar
dos números apresentados pela administração e necessário ressaltar que a
conclusão do estudo é prematura, porém, pelos dados levantados fica claro que
existe sim um caminho para tornar o estádio rentável e acessível à população em
longo prazo, desde que haja compromisso por parte dos responsáveis pela arena.
As informações levantadas mostram o potencial que a arena possui, esses
números superam quaisquer estatísticas e recordes do antigo estádio. Em apenas
um ano colocou-se um total de publico cinco vezes superior ao antigo Mané
Garrincha, a arena recebeu o maior público de uma partida de Futebol de Salão,
além de alcançar o melhor índice de transparência entre as cidades sede da Copa
do Mundo.
Os dados mostram o sucesso obtido durante o período de realizações de
mega-eventos como a Copa do Mundo e Copa das Confederações, o desafio agora
e manter bons os números e a avaliação positiva para manter o sucesso da arena e
refletir este quadro de aprovação para a população do DF.
Outro fator que atrapalha o desenvolvimento da arena é o conflito entre a
função primária da arena, ou seja, sediar eventos esportivos, e a inócua força que o
futebol local possui. Ambos são conflitantes, já que apesar da cidade possuir
potencial e publico para acompanhar os eventos, o futebol no DF é pouco atrativo e
dificilmente se desenvolverá com arena, pois a situação dos clubes na cidade é
precária e tem pouco interesse do público brasiliense.
Com relação aos objetivos específicos:
46

O estádio acaba se tornando um monumento importante para a capital, sua
imponente estrutural, torna a arena num ponto importante para o turismo e
para a realização de diversos tipos de eventos para a cidade. Antes da
demolição e reconstrução da arena, o estádio foi ponto de diversos eventos
realizados em Brasília, como shows, congressos, eventos esportivos. Com a
reinauguração a proposta é fazer com que esta arena multiuso seja ainda
mais utilizada, até o momento, esta proposta está se cumprindo.

Hoje o Estádio Mané Garrincha é administrado pelo Governo do Distrito
Federal, por meio da Secretaria de Turismo e Projetos Especiais, da Novacap
e da Terracap, proprietária da área. A Terracap está estudando a
possibilidade de profissionalizar a gestão do estádio através de uma parceria
público-privada, que se responsabilizaria pela gestão do estádio. Quanto à
perspectiva do mercado esportivo, esta análise ficou prejudicada por conta da
ausência de informações por parte da Federação Brasiliense de Futebol, a
entidades responsáveis pela gestão do futebol do DF, diretamente
interessada na valorização da arena.

Apesar do notório sucesso do estádio, há um conflito de idéias e expectativas
das pessoas diretamente, e indiretamente, ligadas aos estádios. O estádio foi
elogiado tanto pelo público, pela sua arquitetura e conforto aos usuários,
quanto pela imprensa nacional e internacional. Apesar dos valores cobrados
pelos ingressos e do custoso aluguel da arena, ela tem atraído um bom
número de espectadores e chamado a atenção de grandes clubes de outros
estados que tem uma grande e miscigenada quantidade de torcedores no DF.
O poder aquisitivo elevado da população atrai os clubes mais tradicionais do
país, pois cobra-se mais caro pelo ingresso e conquista um bom retorno pela
47
quantidade de presentes na arena. Mesmo assim, falta transformar o estádio
Mané Garrincha, numa arena mais acessível, abrangendo uma gama maior
de pessoas de outras camadas sociais, com ações e eventos para toda a
população, assim como acontece com o Wembley.

Neste trabalho foram comparadas arenas como, por exemplos, o Madison
Square Garden, uma arena multiuso em Nova York fundada no século XIX,
que se reinventa de acordo com as exigências dos usuários e da prefeitura da
cidade, porém nada disso impediu que fossem feitos grandes, e caras
reformas para tornar a arena mais moderna e sustentável, sem deixar de ser
viável. O caso do Wembley, famoso estádio inglês é muito parecido com
algumas arenas brasileiras, inclusive com o Mané Garrincha, pois apesar de
trazer
desenvolvimento
para
a
região,
o
estádio
é
questionado
constantemente pela imprensa local, já que todos os times da capital inglesa
têm as suas próprias arenas e a arena fica ociosa boa parte do ano. Este fato
desvirtua a finalidade principal do Wembley que deveria ser realizadas
partidas de futebol, mas e utilizado para outros eventos sócio-culturais que
apesar de serem importantes para a população do bairro local, não recupera
totalmente todo o investimento e a manutenção necessária para a arena.

Pelo fato de Brasília ser uma cidade que carece de investimentos em eventos
de grande e médio porte e pela pobre estrutura do futebol local, fica claro que
o investimento feito na arena não foi o adequado, inicialmente o estádio foi
projetado
para
40.000
lugares,
caso
tivesse
seguido
este
projeto,
provavelmente os custo da obra e de manutenção fossem menores, mais
adequados as pretensões dos proprietários, assim o custo do aluguel para
eventos e o retorno para ações para a população poderiam ser pensadas de
48
uma forma mais econômica e dinâmica para a administração e interessados
no estádio. A escolha de uma arena mais moderna custou caro para o
contribuinte e é questionado freqüentemente pela sociedade, apesar do
discurso contrário dos idealizadores da nova arena.
6.3 Conclusão
A principal limitação deste estudo foi a não realização das entrevistas com o
representante da Federação Metropolitana de Futebol e com o representante de
algum clube no DF, que durante o período de realização deste estudo não foram
encontrados. As ausências destes dois pontos de vistas comprometeram a avaliação
do atual estado do futebol da cidade e como ele poderia se fortalecer com o estádio.
Ainda assim, a opinião dos dois especialistas, o jornalista e o organizador de
eventos, e da própria administração, oferece um diagnóstico qualificado e isento
sobre o potencial da arena para se tornar sustentável e economicamente viável
oferecendo uma contrapartida social, cultural, esportiva e econômica para a
sociedade do Distrito Federal. A principal recomendação para ampliação e
complementação deste estudo fica por conta de um estudo mais profundo sobre o
potencial mercadológico que Brasília pode desenvolver, tanto no meio econômico,
como no meio esportivo. E avaliar de que modo a Arena Mané Garrincha pode
contribuir para este desenvolvimento.
Este trabalho pode ser aprimorado caso seja elaborado num momento no
qual o estádio esteja em fase de maturação mais avançado do que atualmente se
encontra. Há uma necessidade de encontrar mais cases e estudos similares a
situação que se encontrado o estádio Mané Garrincha, sendo eles de sucesso ou
49
não
para
que
possamos
utilizá-los
como
parâmetro
de
aprimorarão
e
desenvolvimento de um possível planejamento estratégico para a arena.
Devido à atual conjuntura política que administra o estádio, o resultado deste
estudo não alcançou o objetivo esperado, mas a expectativa é que este material
possa contribuir positivamente para um trabalho mais complexo sobre as arenas
multiuso, um estudo ainda recente em nosso país que ainda não recebeu a devida
atenção e importância merecida.
50
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PITTS, Brenda G. Fundamentos de Marketing esportivo. São Paulo: Phorte 2002.
52
APENDICÊ A – Roteiro de entrevista para especialista na área esportiva
Questionário 1 – Especialista na área esportiva
Nome do Entrevistado:
Cargo/Função:
1. Qual é sua opinião sobre o legado deixado após a realização da copa do mundo
para o esporte do DF?
2. Você acredita que o estádio nacional apresenta potencial para ser uma instalação
sustentável, no âmbito esportivo? E ainda, fora do âmbito esportivo?
3. Você participou da cobertura de algum evento esportivo realizado no estádio
antes e depois da reforma?
4. Se sim quais são as principais observações sobre a infra-estrutura disponível?
5. Você acha que a construção do estádio pode provocar algum efeito positivo para
o esporte na capital?
6. Você acredita que o estádio possa atrair grandes eventos/megaeventos para a
cidade?
7. Você acredita que o estádio, administrado de forma competente, possa gerar
receita para a administração? Como você imagina que isto possa acontecer?
8. Você crê que disponibilização da Arena possa trazer evoluções para o esporte,
mais especificamente, o futebol, para Brasília?
9. Quais são as suas expectativa com relação ao legado do estádio Nacional?
53
APENDICÊ B – Roteiro de entrevista produtor de eventos
Questionário 2 – Produtor de Eventos
Nome do Entrevistado
Cargo/Função
1. Numa situação de organização de eventos no estádio nacional, qual seria a
quantidade de pessoas que torna este evento viável financeiramente?
2. Vocês já realizaram algum evento no estádio nacional antes ou depois da
reforma?
3. Se sim quais são as principais observações sobre a infra-estrutura disponível?
4. Em sua opinião, ocorrerão eventos de grande porte abrigados no estádio
nacional?
5. Você acredita que Brasília é uma praça que tenha potencial para sediar grandes
eventos esportivos e culturais? A construção do estádio modifica esta vocação?
6. Você considera que os custos relacionados à locação do estádio são compatíveis
com a estrutura disponível?
54
APENDICÊ C – Roteiro de entrevista para representante da administração da
Arena Mané Garrincha
Questionário 3 – Representante da Administração da Arena Mané Garrincha
Nome do Entrevistado:
Cargo/Função:
1. Se há uma agenda de eventos confirmada para o estádio?
2. Os eventos que estão previstos para o estádio poderiam ser realizados nas outras
instalações do complexo esportivo?
3. Qual é o custo aproximado para locação do estádio para realização de eventos
esportivos e para eventos culturais?
4. As dependências do estádio, não específicas para eventos e jogos, serão
exploradas de que forma? A partir de quando? (comércio, museu)
5. Há algum estudo em andamento sobre a participação da iniciativa privada na
gestão das instalações?
6. Qual o custo mensal estimado para manutenção do estádio?
7. Quais são os planos futuros referentes à administração do estádio?
8. Como funciona a divisão de receita que a administração ganha pelas vendas de
ingressos?
9. Além das receitas diretas como vendas de ingressos, de que forma a
administração pode obter lucro com o estádio?
55
APENDICÊ D – Roteiro de entrevista para representante da Federação
Brasiliense de Futebol
Questionário 4 – Representante da Federação Brasiliense de Futebol
Nome do Entrevistado:
Cargo/Função:
1. É viável para os campeonatos da FBF a realização de partidas no estádio
nacional?
2. A FBF considera positiva a realização de partidas de clubes de outros estados no
estádio?
3. A FBF acredita que partidas envolvendo os grandes clubes do futebol brasileiro
continuarão a ser realizadas em Brasília nos próximos anos.
4. A FBF considera que a existência de uma arena com tal nível de modernidade e
infra-estrutura poderá provocar algum impacto no futebol profissional do DF?
5. Como funciona a divisão de receita que a federação ganha pelas vendas de
ingressos?
6. Existem outras fontes de renda para a federação envolvendo o estádio Mané
Garrincha?
7. Existe algum tipo de parceria da FBF com a administração do estádio? Se sim,
que tipo de parceria a federação é esta?
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