Melhoramento do Algodoeiro

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VI CBA
MINI -CURSO
MELHORAMENTO GENÉTICO DO
ALGODOEIRO
Prof. Dr. Julio C. Viglioni Penna
Instituto de Ciências Agrárias
Universidade Federal de Uberlândia
Pesquisador Dr. Francisco Farias
EMBRAPA – Algodão – Primavera do Leste, MT
Dr. Paulo Canci – DeltaPine - Uberlândia
Planejamento do Mini Curso – Temas e Palestrantes
„
1. Classificação botânica; origem, domesticação e dispersão dos algodoeiros; a diversidade
interespecífica no Gênero Gossypium; Prof. Julio Penna
„
2. Recursos genéticos e utilização de germoplasmas no melhoramento do algodoeiro. (Idem)
„
3. Herança de caracteres de interesse para o melhoramento e correlações genotípicas. (Idem)
„
4. Principais objetivos no melhoramento do algodão; Procedimentos, estratégias e variações
metodológicas utilizadas no melhoramento da cultura. (Pesq. Francisco Farias)
„
5. Análise de Grupos de Experimentos; (Idem)
„
6. Interação Genótipo vs. Ambiente, Adaptabilidade e Estabilidade. (Idem)
„
7. O melhoramento genético do algodoeiro no Brasil (pequeno histórico e a atualidade). (Idem)
„
8. Manutenção de Pureza Genética e Produção de Sementes no Brasil. (Prof. Julio Penna)
„
9. Novas tendências – algodoeiros genéticamente modificados: BT, RR, VIP, BXN, RR Flex, etc.
(Dr. Paulo Canci)
„
10. Sessão de discussão de cunho prático com os instrutores. (Todos)
Classificação Botânica dos
Algodoeiros Cultivados
Família: Malvaceae
„ Tribo: Gossypieae (Hibisceae)
„ Espécies Cultivadas:
„ Gossypium hirsutum L. (Alotetraplóide 52 cr.)
„
Gossypium barbadense L. (Idem)
„ Gossypium arboreum L. (Diplóide 26 cr.)
„ Gossypium herbaceum L. (Idem)
„
„
95 % da produção mundial é composta pelos
alotetraplóides :
- Gossypium hirsutum L. (90%)
- Gossypium barbadense L. (5%)
A segregação após hibridações intra ou
intersepecíficas ocorre seguindo proporções
mendelianas previsíveis para os caracteres de
herança simples
Gossypium hirsutum L.
Raças botânicas (geográficas)
„
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„
latifolium
punctatum
palmeri
richmondi
morrili
yucatanense
marie-galante
(Mocó)
Centro de
Origem/Diversidade:
México-América Central
Gossypium barbadense L
Centro de
Origem/Diversidade:
Peru / Bolívia
9
9
9
9
9
A espécie G. barbadense L. é importante na produção de
fibras especiais de alta qualidade
Destacam-se as variedades conhecidas como “Pimas” no
hemisfério norte
No Brasil ocorre a variedade botânica brasiliense, conhecida
como rim-de-boi por apresentar suas sementes nuas e
unidas em forma de um rim
Encontrada em aldeias indígenas e fundos de quintais
Outras variedades: Pimas, Sea Island e Gizas
„ Espécies
Diplóides Cultivadas:
9 G.
arboreum L. – espécie cultivada no
9 G.
herbaceum L. – espécie cultivada na
Paquistão e na Índia (Genoma A2)
África. (Genoma A1)
9
Exploradas em pequena escala – alta qualidade de fibra
Outras espécies de Gossypium ocorrem em regiões amplamente separadas
do mundo, principalmente em regiões áridas dos trópicos e subtrópicos
Espécies - Grupos genômicos
9
Estudos citogenéticos do gênero demonstram que existem grupos
genômicos
9
Esse grupos foram definidos por letras maiúsculas de A a G por
Beasley (1942), com números subscritos para genomas
proximamente relacionados
As espécies diplóides (2n=2x=26) foram classificadas em três
grupos geográficos por Fryxell (1979)
9
9 Genoma C: com 11 espécies, australianas
9 Genoma D: com 12 espécies, americanas
¾ 10 no México e duas no Peru e Ilhas Galápagos
9 Genomas A, B, E e F: com 8 espécies, afro-arábicas
¾ Neste grupo encontram-se
as espécies cultivadas G.
arboreum e G. herbaceum
9
As espécies alotetraplóides (2n=4x=52) ficaram em
um só grupo genômico
9 Genoma AD: com 6 espécies
¾ As
espécies cultivadas G. hirsutum e G.
barbadense
¾
As demais encontradas no Havaí, no Brasil, nas
Ilhas Galápagos e no México
9
Recentemente Fryxell (1992) revisou o gênero e
descreveu o total de 50 espécies
9
Cinco tetraplóides, pela proposta de incorporação
de G. lanceolatum a espécie G. hirsutum
Os Tetraplóides
G. hirsutum Linnaeus (AD)1 Espécie cultivada
G. barbadense Linnaeus (AD)2 América Central / Sul
G. tomentosum Nuttall ex Seemann (AD)3 – Havaí
G. mustelinum Miers ex Watt (AD)4 - NE do Brasil
G. darwinii Watt (AD)5 - Ilhas Galápagos
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G. anomalum
G. anomalum sub Sen.
Sen.
G. triphyllum
G. capitiscapitis-viridis
G. sturtianum
G. nandewarense
G. robinsonii
G. cunninghamii
G. costulatum
G. nobile Fryxell,
Fryxell,
G. pulchellum
G. enthyle
G. marchantii
G. populifolium
G. londonderriense
G. rotundifolium
G. exiguum
G. pilosum
G. australe
G. nelsonii
G. thurberi
G. armourianum
G. harknessii
G. davidsonii
G. klotzschianum
G. aridum
G. raimondii
G. gossypioides
G. lobatum
G. laxum
G. trilobum
G. schwendimanii
G. turneri Fryxell
G. stocksii
G. somalense
G. areysianum s
G. incanum
G. bricchettii
G. benadirense
G. trifurcatum Vollesen
G. vollesenii
G. longycalyx
G. bickii Prokhanov
B1
B1
B2
B3
C1
C1C1-n
C2
D1
D2D2-1
D2D2-2
D3D3-d
D3D3-k
D4
D5
D6
D7
D9
E1
E2
E3
E4
F1
G1
Angola e Namíbia
Níger,
Níger, Chade,
Chade, Sudão E Etiópia
Angola, Botsuana e Namíbia
Ilhas Cabo Verde
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
Austrália
México e EUA
México
México
México
Ilhas Galápagos
México
Peru
México
México
D8
México
México
México
México
Somália, Omã e Paquistão
África Oriental
Iêmen
Iêmen
Somália
Etiópia, Somália e Kênia
Somália Oriental
Somália
Sudão, Uganda e Tanzânia
Austrália
Número de espécies do Gênero Gossypium: 50
(5 alotetraplóides e 45 diplóides)
Provável origem do Gossypium hirsutum L.
( genoma AADD):
Gossypium raimondii (D) x G. herbaceum (A)
Quando? 1,1 a 1,9; ~2,5; 65 a 136 milhões de anos ...
DOMESTICAÇÃO
„
„
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„
Velho Mundo: Arábia Saudita -G. herbaceum, raça
africanum.
“Mohenjo-Daro”, no Paquistão - vestígios de tecidos
de algodão de cerca de 2700 a.C. - G. arboreum
Índia - no oitavo século antecedente à Era Cristã,
cultivado em escala e utilizada em manufatura
Novo Mundo: tipo primitivo de G. barbadense - sítio
arqueológico de “Anchon-Chillon”, na costa central
do Peru, 2500 a 1750 a.C.
Dispersão Arcaica
9Os gêneros e as espécies estão presentes nas regiões
tropicais e subtropicais.
9Padrão de distribuição relacionado à dispersão marítima
9Espécies diplóides distribuem-se em ambientes
interioranos dos continentes, geralmente áridos,
mesmo quando ocorrem em ilhas.
9Espécies tetraplóides G. hirsutum, G. barbadense, G.
darwinii e G. tomentosum, são tipicamente de praias
9G. mustelinum, entretanto, distribui-se nas regiões
montanhosas do Nordeste do Brasil, especialmente na
Bahia
Dispersão Moderna
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„
„
„
Alexandre da Macedônia quem introduziu a planta e seus
manufaturados no Ocidente
Mouros introduziram a cultura na Espanha em 712 da Era Cristã
Renascença - cidade estado de Veneza representou importante
ponto de dispersão dos manufaturados vindos da Índia para a
Europa
Incas - artesanato têxtil atingiu culminância - amostras de
tecidos de algodão, por eles deixados, maravilham pela beleza,
perfeição e combinação de cores
No Brasil, pouco se sabe sobre a pré-história dessa malvácea.
Brasil
9 À época do descobrimento, os indígenas já cultivavam o
algodão e convertiam-no em fios e tecidos.
9 No inicio do século XVI, Jean de Lery descreveu o processo
que os índios utilizavam para fiar e tecer o algodão
9 Em 1576, Gandavo informava que as camas dos índios eram
redes de fios de algodão
9 Soares de Souza, mais tarde, revelou que o algodoeiro tinha
para os indígenas também outras utilidades: com o caroço
esmagado e cozido faziam mingau e com o sumo das folhas
curavam feridas
Variabilidade no Gênero
„
„
„
„
„
Hábito de crescimento - espécies subarbustivas (G.
tryphillum, G. bickii), perenes (G. populifolium, G. stocksii),
arbustivas eretas (a maioria das espécies), trepadoras (G.
longicalyx) e arbóreas (G. aridum, G. lobatum).
Pilosidade das plantas – de tipos glabros até os densamente
pilosos ou aveludados
Presença ou ausência de nectários foliares (G. gossypioides,
G. tomentosum)
Formato de folhas -arredondada e levemente lobada em
várias espécies, profundamente lobadas - G. thurberi e G.
lanceolatum e até trifoliadas - G. triphyllum
Presença ou ausência de glândulas e variações - grandes e
proeminentes nos cálices florais (G. australe), ausente nas
pétalas (G. areysianum, G. populifolium), poucas glândulas
(G. incanum),ausentes nos embriões (G. bickii, G. sturtianum)
Cor das pétalas - várias intensidades de amarelo (pálido:
G. thurberi; brilhante: G. tomentosum); outras cores como
rosa (G. gossypioides, G. aridum), malva (G. sturtianum) e
branca (G. pulchellum).
„ Mancha vermelha nas pétalas - ausente (G. hirsutum,
G. longicalyx, G. tomentosum, G. klotzchianum), vestigial
(G. thurberi), presente (G. barbadense) e cobrindo mais da
metade da pétala (G. laxum, G. lobatum)
„ Tamanho do estilo - pequeno e enterrado nas anteras
(G. herbaceum) e de diversos tamanhos até longo e mais
distante do androceu (G. tomentosum, G. armourianum)
„ Cor das fibras - branca nas espécies cultivadas a vários
tons de marrom (G. tomentosum, G. barbadense etc.),
cinzento (G. lobatum, G. harknessii e outras) , verdes (G.
hirsutum)
„
„
A maioria das espécies apresenta fibras, com exceção de
G. thurberi, G. davidsonii e G. populifolium
Particularidades do Algodoeiro
Estrutura floral „ Regime de floração
„ Taxas de alogamia
„ Execução de hibridações
„ Autopolinização forçada
„ Estrutura genética das cultivares
„
Embora haja diferenças devidas a variedades e condições
ambientes, o algodoeiro anual inicia o florescimento com cerca
de 50 dias de idade, mantendo-o até 120 dias ou mais . O pico
da curva de florescimento ocorre ao redor de 70-80 dias. O
pegamento das flores é maior até 30-40 dias de florescimento,
época ideal para os trabalho de autofecundação e cruzamento
A flor do algodoeiro
Hibridação artificial
Hibridação artificial
Hibridação artificial
Hibridação artificial
Hibridação artificial
Hibridação artificial
Herança dos Caracteres de Interesse
„ CARACTERES
QUALITATIVOS E
QUANTITATIVOS
QUALITATIVOS: HERANÇA MONO OU
OLIGOGÊNICA - (DESCONTÍNUA)
„ QUANTITATIVOS: HERANÇA MULTIGÊNICA (CONTÍNUA) - EFEITO DO MEIO.
„
Herança de Caracteres de
Interesse do Melhoramento
„ Qualitativos
„
„
„
„
„
„
Indentação das folhas: “okra” - L20 ; “super-okra” - L2S
Brácteas “frego”: fg
Plantas vermelhas: R
Mutantes de clorofila (“virescentes”): várias séries
alélicas de genes recessivos (chl, v, yg)
Cor das pétalas: mutante amarelo - Y1
Cor do pólen: mutante amarelo - P1
„
„
„
„
„
„
„
Cor da pluma: marrom - Lc1; verde - Lg
Pilosidade: H1 e H2.
Plantas glabras: Sm1 e Sm2.
Presença de Nectários: Ne1 e Ne2
Ausência de gossipol: gl2 e gl3
Resistência à mancha angular: série alélica B
Macho-esterilidade: série alélica ms ou Ms
Herança de Caracteres Quantitativos
„
ALGUMAS HERDABILIDADES RELATADAS NA LITERATURA:
„
Produtividade de pluma: 29 a 66%
Porcentagem de pluma: 90%
Resistência de fibra: 52 a 90%
Comprimento de fibra: 46 a 90%
„
TIPOS DE AÇÃO GÊNICA RELATADOS:
„
„
„
„
„
„
Produtividade, Precoc. e Unif. Compr: Aditiva,
Sobredominância
Comprimento e Finura: Dom. parcial e Sobredom.
Resistência de Fibra: Dom. parcial e completa.
Herança de Caracteres Quantitativos
„
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„
„
„
ALGUMAS CORRELAÇÕES GENOTÍPICAS RELATADAS NA
LITERATURA:
Produtividade x Porc. de pluma: 0,70 a 0,90
Produtividade x Comprimento de Fibra: - 0,18 a - 0,47
Produtividade x Resistência de Fibra: - 0,36 a - 0,69
Produtividade x Índice “micronaire”: 0,42 a 0,62
Produtividade x Peso de capulho: 0,14 a - 0,43
Produtividade x Peso de 100 sem.: - 0,28 a - 0,62
Comprimento x Índice “micronaire”: - 0,42 a - 0,52
CGC E CEC
Fonte: Thomson N. J. 1971.
QUADRADOS MÉDIOS DAS CAPACIDADES COMBINATÓRIAS DE 14 CARACTERES AVALIADOS EM HÍBRIDOS DE ALGODÃO
FV
RAC
PF
RA P
PS
FIN
RES
COM
UNI
IFC
ELO
FIA
REF
AMA
I PP
Trat.
1082422,39** 10,84** 199845,89** 1,61** 0,14** 1,89** 0,45ns 0,86* 0,65ns 0,79** 5141,83* 2,60ns 0,29**0,14**
CGC
2493994,87** 38,29** 436420,11** 4,59** 0,47** 4,64** 0,68ns 2,46** 1,42ns 2,50** 12654,57** 3,32ns 0,92**0,29**
CEC
588372,02** 1,24ns
17044,91*
0,57* 0,02ns 0,92ns 0,36ns 0,30ns 0,38ns 0,18ns 2512,36 ns 2,35ns 0,07ns 0,09**
RAA= rendimento algodão em caroço (Kg/ha ); PF= porcentagem de fibras (%); RP= rendimento de pluma
(Kg/ha ); PS= peso de 100 sementes ( g ); FIN = finura de fibras; RES = resistência de fibras (gf/tex); COM
= comprimento de fibras (SL 2,5 % mm); UNI = uniformidade de fibras ( % ); IFC = índice de fibras curtas
( % ); ELO = elongação de fibras ( % ); FIA = fiabilidade; REF = grau de reflectância; AMA = grau de
amarelecimento; IPP = índice de produção e precocidade.
FONTE: Aguiar, P.A. 2003
Principais Coleções de
Germoplasma
„
„
„
„
„
„
EUA (Dep. Agric.): Fênix, Stoneville e College
Station
Argentina: Roque S. Peña
Índia: Surat
Rep. Checa: Praga
França: Montpellier
Brasil: EMBRAPA (CENARGEN-base e CNPA - bag);
EPAMIG (Uberaba/Janaúba); IAC; IAPAR;
COODETEC/CIRAD.
Recursos genéticos na cultura do algodoeiro
Variabilidade Intra e inter-específica:
– Fonte de variação:
– cruzamentos interespecíficos nos tetraplóides (hirsutum x barbadense,
hirsutum x mustelinum, etc.)
„
„
- cruzamentos intra-específicos em G. hirsutum, as seguintes raças
geográficas: punctatum, marie-galante, palmeri, richmondi, morrili,
yucatanense;
(PENNA, 2005)
Bancos de germoplasma
Conservação do tipo ex situ - Brasil:
– Embrapa:
– Coleção base: Gossypium no Cenargem (Brasília-DF), com 1600
acessos de G. hirsutum e G. barbadense.
– Banco ativo: CNPA (Campina Grande-PB), com cerca de 600
acessos.
– Coletas de materiais in situ: CNPA e Cenargem:
– Ex: Algodoeiro Mocó – G. barbadense e G. mustelinum.
(PENNA e FALLIERI, 1990; PENNA, 2005)
Bancos de germoplasma
Conservação do tipo ex situ - Brasil:
– Epamig: 600 acessos (Uberaba-MG);
„
Cultivares obsoletos, introduzidos, raças geográficas, de G. hirsutum
e espécies silvestres diplóides e tetraplóides.
– Coodetec/Cirad: 500 acessos;
– IAC: 400 acessos;
– IAPAR: 350 acessos.
(PENNA e FALLIERI, 1990; PENNA, 2005)
Uso do Germoplasma
Alta
Alta variabilidade
variabilidade
Gossypium
Alta variabilidade intra-específica
x
G. hirsutum
e/X
G. barbadense
Amplo potencial de utilização do germoplasma no melhoramento do algodoeiro
(PENNA, 2005; modificado)
Uso do Germoplasma
„
USDA: G. hirsutum retrocruzado com espécies silvestres: controle
da sensibilidade ao fotoperíodo;
(PRESERVATION, 1981, citado por PENNA, 2005)
„
Resistência à pragas e doenças:
– Incorporação de citoplasmas de outras espécies em G. hirsutum;
– Genes de resistência à mancha angular (Xanthomonas campestris pv.
malvacearum): G. herbaceum, G. arboreum, G. barbadense, G. anomalum e
G. hirsutum var. punctatum e transferidos para G. hirsutum.
– Raças de G. hirsutum (Texas), têm sido utilizadas no Brasil como fonte de
resistência à ramulose e ao curuquerê;
(MEYER, 1973; FRYXELL, 1976; VIEIRA, et al., 1984 citados por PENNA, 2005)
Uso do Germoplasma
Melhoramento Genético do Algodoeiro
„
Transferência de genes de macho-esterilidade de citoplasma: de
Gossypium harknessii;
„
A ausência de nectários: transferência da espécie tetraplóide
silvestre G. tomentosum para o algodoeiro anual;
„
Ausência de glândulas de gossipol: encontrada em plantas híbridas
de algodoeiros Hopi com algodoeiros Acala;
„
D2: um dos genes determinantes de plantas glabras, foi transferido
„
O célebre Triplo Híbrido de Beasley – G. hirsutum x G. thurberi x G.
G. armourianum
arboreum...
(MEYER, 1957, 1961, 1973 e 1975; citado por PENNA, 2005)
Patamares de produtividade???
„
Dilemas: Não desequilibrar o sofisticado
arranjo de genes presente nas plantas
cultivadas...
„
O Melhoramento na Iniciativa privada e na
instituição pública.
PÓS – MELHORAMENTO
MANUTENÇÃO E MULTIPLICAÇÃO DE
SEMENTES
Os principais eventos que promovem a perda da pureza genética
de um cultivar são os cruzamentos naturais, as misturas varietais e as
mutações.
O algodoeiro é uma planta de sistema reprodutivo considerado
intermediário entre as alógamas e autógamas (Allard, 1960). As taxas de
polinização cruzada encontradas em vários estudos variam muito e são
dependentes de atividade de insetos.
É comum encontrar-se de 10 a 35% de polinização cruzada entre fileiras
de algodão e valores ainda mais altos entre plantas.
Nestes estudos utiliza-se como marcador genético a característica
Esta é a principal causa da “degenerescência” varietal que pode
atingir as cultivares de algodão. Tratam-se pois de mudanças na
estrutura genética das populações causadas pelas recombinações
sucessivas ciclo após ciclo de multiplicação, podendo causar
mudanças nas características inicialmente selecionadas.
Misturas de sementes em usinas descaroçadoras podem também
contribuir para esta perda do valor varietal.
A multiplicação de sementes, desde os campos de sementes
genéticas e básicas, até a última multiplicação, deve ser levada a
efeito com o isolamento dos campos, seja físico, pela distância, ou
através de barreiras vegetais.
Estoques de sementes genéticas precisam ser mantidos por
vários anos, enquanto houver demanda pela cultivar.
A multiplicação não deve ocorrer ano a ano sem alguns
cuidados. Vários métodos podem ser usados e alguns deles são
descritos adiante.
O método mais simples seria a simples seleção “truncada”, ou
seja a eliminação de plantas fora do padrão, do campo de semente.
Tal seleção deverá ser feita antes do início da polinização. Plantas
retiradas após esta data poderiam ceder pólen para plantas vizinhas,
perpetuando alelos indesejáveis.
Contaminantes devem ser cuidadosamente eliminados dos
campos de pequeno aumento e dos campos de semente genética
antes do início da floração, e atenção especial deve ser dada à
presença de heterozigotos que devem ser igualmente erradicados
precocemente
A seleção massal de plantas típicas, com ou sem
autofecundação formaria o núcleo de sementes do próximo ano.
Em outro método, recomenda-se efetuar
determinado número de seleção individuais no campo de
semente genética (“breeder´s seed”), preferencialmente com
autofecundação, tendo-se em mente as características típicas
do cultivar em questão. No ano seguinte, instala-se um teste
de progênies das seleções, em que são avaliadas todas as
características agronômicas e de fibra. Com base nos
resultados, são misturadas as sementes daquelas progênies
que se enquadram na descrição do cultivar, formando-se
assim o núcleo de sementes para a próxima multiplicação.
Esta metodologia permite a manutenção e a melhoria
concomitante do cultivar, caso o melhorista também exerça
pressão seletiva para alguma característica.
PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO DE
CULTIVARES EXERCIDAS NAS
INSTITUIÇÕES NO BRASIL
COODETEC – Cooperativa Central
Desenvolvimento Tecnológico e Econômico
Agropecuária
de
Cada 2 ou 3 anos, é realizado um ciclo de seleção “conservacionista” dentro do núcleo NOO, seleciona-se 200 a 250 plantas no padrão da
variedade, as quais são autofecundadas. Estas plantas são
descaroçadas para cálculo do rendimento de pluma e a fibra é
analisada planta por planta.
COODETEC
As plantas com valores muito diferentes da média geral de
RF (abaixo ou acima) ou das demais características de fibra são
descartadas.
As plantas remanescentes são plantadas em linhas no ano
seguinte.
As linhas com heterogeneidade intra ou com morfologia
diferente das demais, são eliminadas.
As remanescentes são colhidas separadamente, analisadas
novamente pelo RF e para qualidade de fibra, quando são
eliminadas as extremas.
As semente das linhas “eleitas” constituem-se no novo
núcleo NOO..
EMBRAPA - Algodão
O esquema de manutenção utilizado no início da distribuição
de uma cultivar é a seleção massal dentro dos campos de sementes
pré-básicas ainda sob supervisão dos melhoristas, gerando uma
quantidade média de 30kg de algodão em caroço. Caso a cultivar
mantenha-se no mercado por muitos anos, passa-se, a partir do
terceiro ano, a fazer seleção individual de plantas com análise de
fibras e teste de progênie com mistura das 10 a 20 progênies mais
uniformes e dentro do padrão original desejado.
EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de
Minas Gerais
São efetuadas seleções de plantas representativas da variedade.
Em seguida é feita avaliação dos caracteres agronômicos e tecnológicos de
fibra (peso de capulho, peso de sementes, porcentagem e índice de fibras,
resistência, finura, uniformidade e comprimento).
As plantas selecionadas cujas características estiveram dentro dos
parâmetros da cultivar terão sua descendência estudada através do teste de
progênies. Neste, as plantas eleitas são testadas em linhas de progênies, a
fim de verificar suas características.
Os ensaios de progênies da mesma variedade são plantados isoladamente a
fim de evitar a fecundação cruzada. As linhas de progênie que não
apresentaram variabilidade dentro de linha serão mantidas a agrupadas,
representando a cultivar e multiplicadas em campo de pequeno aumento
para aumentar o volume de sementes. Parte das sementes obtidas são
mantidas
em câmaras
frias
tid no estoque
t
â
fi
IAC – Instituto Agronômico de Campinas
Os “Campos de Pequeno Aumento Genético”, são
multiplicados mediante autofecundação. Neste ponto, plantas que se
mostram fora do padrão são erradicadas (se más) ou selecionadas (se
boas). Em qualquer caso, portanto, são eliminadas da população. A
propagação, mediante autofecundação, prossegue em seqüência.
Parte das sementes são utilizadas para fazer “Campos de Pequeno
Aumento”, (não auto-fecundados), cujas sementes são utilizadas em
experimentos.
É verificada possível degeneração da cultivar, nos Campos de
Produção de Sementes Básicas, feitos anualmente, em quatro das
Estações Experimentais, onde são realizada anualmente resseleções
de plantas, em busca de novas linhagens.
IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná
Seleciona-se 300 a 400 plantas representativas da
população, em campo de semente genética; elimina-se, com base em
porcentagem e qualidade de fibra as discrepantes inferiores, e abre-se
progênies das demais.
Em campo, durante o ciclo, procede-se a uma seleção massal
negativa. As demais são amostradas (colhidas) e submetidas a
análise de peso de capulho, percentagem de fibra e análise
tecnológica de fibra, prevendo-se nesta etapa descarte menor.
As progênies aprovadas são misturadas e sua população testada
frente à original, em ensaios de competição, com avaliação completa
(incluindo todas as doenças).
antidas as características originais
será essa a semente do
MDM – Deltapine & Land -
Monsanto
Normalmente a semente é multiplicada em maior escala e as
sementes colhidas são armazenadas à frio. Anualmente receorre-se
ao estoque armazenado oara se retirar a semente genética para se
iniciar um novo ciclo de multiplicação de semente. Como o
armazenamento é por longo tempo, são realizados testes de
viabilidade da semente.
Referências
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