1 Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Saúde do Estado do Rio de Janeiro Ministério da Saúde – Governo Federal Ver-SUS – Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde Relatório Final Tema: Cidadão participativo: Orgulho de ser SUS Vivência de Inverno Rio de Janeiro 2015/2 2 Ana Carolina Fratane Siqueira – Enfermagem (UFF) Ana Clara Felix Xavier – Fisioterapia (UCB) Ana Cristina de Souza Luiz – Serviço Social (Flama) Daniel Souza da Silva – Psicologia (Universidade Estácio de Sá) Geisa da Silva Santana Camara – Nutrição (UNIGRANRIO) Larissa Cardoso de Souza Aquino – Terapia Ocupacional (UFRJ) Maria Clara Delmonte – Gestão Pública (UFRJ) Rodolfo Oliveira da Silva – Fonoaudiologia (UVA) Rodrigo Ayres de Souza – Enfermagem (UCB) Thaísa Valéria de Araújo – Medicina Veterinária (UNIGRANRIO) Ver-SUS – Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde Relatório Final Tema: Cidadão participativo: Orgulho de ser SUS Vivência de Inverno Rio de Janeiro 2015/2 3 Sumário 1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 5 2. ÁREAS PROGRAMÁTICAS E BAIRROS DE ABRANGÊNCIA .......................................... 6 2.1 AP 2.2............................................................................................................................................ 7 3. COMO FUNCIONA A GESTÃO DO SUS. ........................................................................... 10 3.1 Conselho Municipal de Saúde ..................................................................................................... 11 3.2 Secretaria Municipal de Saúde .................................................................................................... 12 3.3 SISREG (Sistema de Regulação) ................................................................................................ 13 4. ATENÇÃO PRIMÁRIA ........................................................................................................ 14 4.1 CMS Casa Branca ....................................................................................................................... 15 4.2 Academia Carioca ....................................................................................................................... 15 4.3 Casa de Parto David Capistrano Filho ........................................................................................ 16 5. ATENÇÃO SECUNDÁRIA ................................................................................................... 19 5.1 Urgência e Emergência ............................................................................................................... 19 5.1.1 Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Manguinhos.......................................................... 19 5.1.2 CER Centro (Souza Aguiar) ................................................................................................. 21 5.2 O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ................................................................................. 23 5.2.1 Especificidade Álcool e Outras Drogas................................................................................ 24 5.2.2 CAPS AD Mané Garrincha .................................................................................................. 24 5.3 Policlínica Hélio Pellegrino ........................................................................................................ 26 5.4 Instituto Municipal de Assistência a Saúde (IMAS) Nise da Silveira......................................... 27 6. ATENÇÃO TERCIÁRIA ...................................................................................................... 29 6.1 Hospital Municipal Jesus ............................................................................................................ 29 6.2 Centro de Diagnóstico por Imagem – Rio Imagem ..................................................................... 31 7. PARTICIPAÇÃO SOCIAL E ATIVIDADES INTERLIGADAS .......................................... 33 7.1 Abrigo Ayrton Senna .................................................................................................................. 33 7.2 Doutores da Alegria .................................................................................................................... 33 7.3 Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses – SubVISA .......... 35 8. CULTURA E LAZER ........................................................................................................... 38 8.1 FIOCRUZ .................................................................................................................................... 38 8.1.1 Museu da vida ...................................................................................................................... 40 8.2 Forte do Leme ............................................................................................................................. 41 8.3 Memorial Getúlio Vargas ............................................................................................................ 42 8.3.1 Corredor Histórico da Saúde Pública Brasileira................................................................... 42 4 8.3.2 Era Vargas: O Início das Organizações e Políticas Públicas de Saúde ................................ 43 8.3.3 Vivência: Memorial Getúlio Vargas .................................................................................... 44 8.4 Museu de Arte do Rio (MAR)..................................................................................................... 44 9. Conclusão: Cidadão participativo: Orgulho de ser SUS .............................................................. 47 Referências Bibliográficas: .......................................................................................................... 51 5 1. INTRODUÇÃO O trabalho em equipe é hoje uma prática crescente no atendimento à saúde. As equipes se caracterizam pelo modo de interação presente na relação entre profissionais que pode ser interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar. (Bucher, 2003; Maclean, Plotnikoff & Moyer, 2000; Moré et al, 2004; Remor, 1999; Seidl & Costa, 1999; Wild, Bowden & Bell, 2003; Chiattone, 2000; Apud Tonetto A.M, Gomes, W.B., 2007). O interesse pelo trabalho em equipe multidisciplinar vem-se fortalecendo, tendo como base a crescente aceitação do modelo biopsicosocial de saúde definindo saúde como o bem estar físico, mental e social, em contraste com o modelo biomédico tradicional no qual saúde é a ausência de doença (Organização Panamericana da Saúde, 1996). Os estágios e vivências constituem importantes dispositivos que permitem aos participantes experimentarem um novo espaço de aprendizagem que é o cotidiano de trabalho das organizações e serviços de saúde, entendido enquanto princípio, possibilitando a formação de profissionais comprometidos ético e politicamente com as necessidades de saúde da população (OTICS, 2015). O “Vivências e Estágios na Realidade do Sistema único de Saúde” (VER SUS) se trata de um projeto do Ministério da Saúde, retomado em 2011, para estimular a formação de trabalhadores do SUS eticamente comprometidos com os princípios e diretrizes do sistema e que se entendam como atores sociais, agentes políticos, capazes de promover transformações (OTICS, 2012). O VER SUS é realizado numa metodologia de imersão com duração de 7 a 15 dias, de forma transdisciplinar, com a participação de estudantes de graduação, residentes, técnicos e movimentos sociais. Nesse período, os participantes ficam hospedados juntos para que ocorram momentos de diálogo e troca de experiências relacionadas às vivências de cada dia. A vivência é um processo de imersão teórica, prática e vivencial dentro do sistema de saúde dos territórios de abrangência. A imersão é uma metodologia onde o participante fica 24h por dia, durante todo o período da vivência, disponível para atividades do projeto (OTICS, 2015). Esse relatório final foi elaborado pelos viventes do Grupo 2, da turma do Município do Rio de Janeiro, participantes do Ver-SUS 2015 edição de inverno, com o intuito de demonstrar o entendimento teórico da vivência bem como expressar de forma sucinta o que foi percebido e sentido em cada um dos locais visitados. 6 2. ÁREAS PROGRAMÁTICAS E BAIRROS DE ABRANGÊNCIA A cidade do Rio de Janeiro é dividida em 10 Áreas Programáticas (AP). São elas: AP 1.0 - Benfica, Caju, Catumbi, Centro, Cidade Nova, Estácio, Gamboa, Mangueira, Paquetá, Rio Comprido, Santa Teresa, Santo Cristo, São Cristóvão, Saúde e Vasco da Gama. AP 2.1 - Botafogo, Catete, Copacabana, Cosme Velho, Flamengo, Gávea, Glória, Humaitá, Ipanema, Jardim Botânico, Lagoa, Laranjeiras, Leblon, Leme, Rocinha, São Conrado, Urca e Vidigal. AP 2.2 - Alto da Boa Vista, Andaraí, Grajaú, Maracanã, Praça da Bandeira, Tijuca e Vila Isabel. AP 3.1 - Bonsucesso, Brás de Pina, Complexo do Alemão, Cordovil, Ilha do Governador, Jardim América, Manguinhos, Maré, Olaria, Parada de Lucas, Penha Circular, Penha, Ramos e Vigário Geral. AP 3.2 - Abolição, Água Santa, Cachambi, Del Castilho, Encantado, Engenho da Rainha, Engenho de Dentro, Engenho Novo, Higienópolis, Inhaúma, Jacaré, Jacarezinho, Lins de Vasconcelos, Maria da Graça, Méier, Piedade, Pilares, Riachuelo, Rocha, Sampaio, São Francisco Xavier, Todos os Santos e Tomás Coelho. AP 3.3 - Acari, Anchieta, Barros Filho, Bento Ribeiro, Campinho, Cascadura, Cavalcanti, Coelho Neto, Colégio, Costa Barros, Engenheiro Leal, Guadalupe, Honório Gurgel, Irajá, Madureira, Marechal Hermes, Oswaldo Cruz, Parque Anchieta, Parque Columbia, Pavuna, Quintino Bocaiuva, Ricardo de Albuquerque, Rocha Miranda, Turiaçu, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vila Kosmos e Vista Alegre. AP 4.0 - Barra da Tijuca, Camorim, Cidade de Deus, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena. AP 5.1 - Bangu, Campo dos Afonsos, Deodoro, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Padre Miguel, Realengo, Senador Camará e Vila Militar. AP 5.2 - Barra de Guaratiba, Campo Grande, Cosmos, Guaratiba, Inhoaíba, Santíssimo, Senador Vasconcelos e Pedra de Guaratiba. AP 5.3 - Paciência, Santa Cruz e Sepetiba. 7 Fonte: cvasrio Figura 1: Mapa do Município do Rio de Janeiro e sua divisão em APs. 2.1 AP 2.2 O Grupo 2 Realizou a vivência Área Programática (AP) 2.2 que abrange os bairros: Alto da Boa Vista, Andaraí, Grajaú, Maracanã, Praça da Bandeira, Tijuca e Vila Isabel. Alguns serviços de saúde visitados localizavam-se em outras APs, por serem serviços únicos no município ou muito específicos e/ou especializados. As unidades públicas de saúde na AP 2.2 estão assim divididas: Unidades Tipo A CMS Casa Branca CMS Júlio Barbosa CMS Carlos Figueiredo Filho CMS Hélio Pellegrino CMS Nicola Albano CF Recanto do Trovador 8 Unidades Tipo B CMS Maria Augusta Estrella CMS Heitor Beltrão Atendimentos Especializados Policlínica Hélio Pellegrino CMR Oscar Clark CAPS AD Mané Garrincha Hospitais Municipais HMGG Miguel Pedro Hospital Municipal Jesus UNIDADES FEDERAIS Hospital geral com emergência – H. Geral do Andaraí Hospital especializado – INCA III e INCA IV Hospital universitário – H.U. Gaffree e Guinle UNIDADES ESTADUAIS Hospital universitário – H.U. Pedro Ernesto Policlínica – Pol. Piquet Carneiro Unidade pré-hospitalar fixa – UPA da Tijuca 9 Figura 2: Mapa com subdivisão dos bairros na A.P 2.2 10 3. COMO FUNCIONA A GESTÃO DO SUS. Ao abordar as imensas diferenças entre os milhares de municípios brasileiros, Souza (2002) adverte para o fato de que, em contexto de grande heterogeneidade econômica e social, a descentralização de políticas públicas, incluindo as de saúde, pode levar a consequências adversas, como até mesmo ao aprofundamento das desigualdades. Para evitar isso, é necessário assegurar condições adequadas para o fortalecimento da gestão pública, dos mecanismos de coordenação da rede e de promoção do acesso de todos os cidadãos às ações e serviços de saúde necessários, independente de seu local de residência. “Atenção à saúde designa a organização estratégica do sistema e das práticas de saúde em resposta às necessidades da população. É expressa em políticas, programas e serviços de saúde consoante os princípios e as diretrizes que estruturam o Sistema Único de Saúde (SUS).” Para ofertar uma atenção em saúde mais específica e adequada, a saúde foi descentralizada para melhor triar os casos e desafogar centros especializados de alta complexidade de casos de menor urgência ou de fácil resolução. A compreensão do termo ‘atenção à saúde’ remete-se tanto a processos históricos, políticos e culturais que expressam disputas por projetos no campo da saúde quanto à própria concepção de saúde sobre o objeto e os objetivos de suas ações e serviços, isto é, o que e como devem ser as ações e os serviços de saúde, assim como a quem se dirigem, sobre o que incidem e como se organizam para atingir seus objetivos. Numa perspectiva histórica, a noção de atenção pretende superar a clássica oposição entre assistência e prevenção, entre indivíduo e coletividade. Essas duas formas de conceber e de organizar as ações e os serviços de saúde configuraram dois modelos distintos – o modelo biomédico e o modelo campanhista/preventivista – que marcaram, respectivamente, a assistência médica e a saúde pública. “Saúde é a resultante das condições de habitação, alimentação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde”. 11 No âmbito do SUS, há três princípios fundamentais a serem considerados em relação à organização da ‘atenção à saúde’. São eles: o princípio da universalidade, pelo qual o SUS deve garantir o atendimento de toda a população brasileira; o princípio da integralidade, pelo qual a assistência é “entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos (...)” (Brasil, 1990); e o princípio da eqüidade, pelo qual esse atendimento deve ser garantido de forma igualitária, porém, contemplando a multiplicidade e a desigualdade das condições sócio-sanitárias da população. “A complexidade dos problemas de saúde requer para o seu enfrentamento a utilização de múltiplos saberes e práticas. O sentido da mudança do foco dos serviços e ações de saúde para as necessidades individuais e coletivas, portanto para o cuidado, implica a produção de relações de acolhimento, de vínculo e de responsabilização entre os trabalhadores e a população, reforçando a centralidade do trabalho da equipe multiprofissional.” (EPSJV, 2005, p.75) Numa dimensão ético-política, isto significa afirmar que a ‘atenção à saúde’ se constrói a partir de uma perspectiva múltipla,interdisciplinar e, também, participativa, na qual a intervenção sobre o processo saúde-doença é resultado da interação e do protagonismo dos sujeitos envolvidos: trabalhadores e usuários que produzem e conduzem as ações de saúde. Ao final da década de 1970, diversos segmentos da sociedade civil – entre eles, usuários e profissionais de saúde pública – insatisfeitos com o sistema de saúde brasileiro iniciaram um movimento que lutou pela ‘atenção à saúde’ como um direito de todos e um dever do Estado. Este movimento ficou conhecido como Reforma Sanitária Brasileira e culminou na instituição do SUS por meio da Constituição de 1988 e posteriormente regulamentado pelas Leis 8.080/90 e 8.142/90, chamadas Leis Orgânicas da Saúde. A oferta de saúde passou a ser a nível Primário, Secundário e Terciário, com alguns hospitais já se enquadrando como de nível Quaternário. 3.1 Conselho Municipal de Saúde A participação social possui papel fundamental para o funcionamento do Sistema Único de Saúde. O Conselho de Saúde funciona como mecanismo para essa participação e tem como competência deliberar, fiscalizar e construir. 12 O CMS é constituído por usuários, representantes do governo e profissionais da saúde, com 50%, 25% e 25% respectivamente, discutindo uma forma de gerenciamento em conjunto e garantindo a manifestação dos interesses de diferentes seguimentos sociais. Durante o nosso breve encontro com o Conselho Municipal do Rio de Janeiro, pudemos imergir na visão política do funcionamento do SUS. Observamos a colocação das diferentes necessidades de cada região, o que traz, em algumas questões, divergências entre os representantes. Além disso, grande parte dos estudantes ali presentes não possuía conhecimento da existência do Conselho, mostrando uma fragilidade nesse sistema em que é tão necessária a participação social. A partir disso, foi levantada a necessidade de maior divulgação e informação ao cidadão do Município em conjunto a políticas de educação para estimular a participação e o engajamento popular visando a construção do sistema. 3.2 Secretaria Municipal de Saúde A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro é um órgão da prefeitura responsável por pensar e gerir políticas para a saúde do município. Possui as subsecretarias Geral (SUBGERAL); de Gestão (SUBG); Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência (SUBHUE); Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde (SUBPAV); Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses (SUBVISA). Têm como atribuições planejar, desenvolver, orientar, coordenar e executar a política de saúde do município, compreendendo tanto o cuidado ambulatorial quanto o hospitalar. Também é de sua responsabilidade dentro de sua competência, planejar, desenvolver e executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica afetas à sua competência. Norteados pelos princípios do Sistema Único de Saúde, os projetos da SMS objetivam, principalmente, a prevenção e promoção da saúde da população e ocorrem através de campanhas promovidas por alguns dos setores que nos foram apresentados durante a visita à SMS. Durante a nossa roda de conversa com o Superintendente da Atenção Primária Dr. Guilherme Vagner e a Subsecretária de Saúde Betina Durovni, muito foi falado sobre o investimento da secretaria em projetos para a atenção básica de saúde. A estratégia da saúde da família, por exemplo, é a estratégia prioritária para a reorganização da saúde no Brasil e vem sendo implantada nas unidades básicas de saúde do Município. A estimativa é de que até o final de 2016 cerca de 70% da população do município esteja coberta pela Estratégia Saúde 13 da Família (ESF). Busca-se também a integralização dos serviços e, por isso, o planejamento transcorre aos atendimentos de media e alta complexidade. Foi ressaltado e obteve concordância dos presentes o fator limitante da ampliação da ESF visto que a implantação é importante, contudo, faz-se necessária a manutenção e pleno funcionamento das unidades e este tem sido o foco de observância da equipe atuante. 3.3 SISREG (Sistema de Regulação) O SISREG é um sistema online criado para gerenciar todo o complexo de atendimento, da rede básica à internação hospitalar. O aplicativo do DATASUS visa o maior controle do fluxo de pacientes e a otimização da utilização dos recursos. Todo funcionário do município subordinado ao Departamento de Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria pode ser o operador solicitante no sistema, porém, toda unidade hospitalar possui um Núcleo Interno de Regulação (NIR) com um responsável técnico para solicitar as vagas de exames, consultas ou internação. A responsável pelo SISREG na CAP 2.2 Drª Eliana Bittencourt, mostrou-nos a interface do sistema e explicou sobre o funcionamento e a gestão do mesmo. Durante a roda de conversa, foram pontuados os entraves ainda encontrados na utilização do SISREG, como por exemplo, o desconhecimento dos protocolos por alguns médicos que acaba dificultando a organização da rede por esses responsáveis reguladores. 14 4. ATENÇÃO PRIMÁRIA Os anos 70 foram marcados por debate sobre a atenção primária à saúde, havendo questionamentos a respeito da organização da atenção à saúde, baseada em um modelo médico hegemônico especializado e intervencionista, com fragmentação da assistência e pouco impacto na melhoria da situação de saúde da população (CASTRO; MACHADO, 2010). As discussões sobre o assunto levaram, em 1978, a realização da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, que gerou a Declaração de Alma-Ata, que enfatiza a Atenção primária à saúde como fator de viabilidade para universalização dos cuidados (MENDES, 2004). A atenção básica é desenvolvida nos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. Tem como característica marcante ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e gerir a comunicação com toda a Rede de Atenção à Saúde (BRASIL, 2012). O Brasil adotou a Estratégia Saúde da Família (ESF) como forma de reorganizar, expandir, qualificar e consolidar a atenção básica no país. É desenvolvida por uma equipe multiprofissional, que tem responsabilidade por uma área específica da região, centrado na família, na promoção da saúde, prevenção de agravos e reabilitação (BESEN et al., 2007). Em 2009, o município do Rio de Janeiro sofreu uma reforma dos cuidados de atenção primária, tendo a ampliação do acesso e o aumento da resolutividade fatores estratégicos. Desde a implantação do modelo, a cobertura de Saúde da Família na cidade passou de 3,5%, em janeiro de 2009, para 47,9% até março de 2015. A atenção é estabelecida pelos Centros Municipais de Saúde e pelas Clínicas da Família (PCRJ, 2015). Classificam-se como Atenção Primária ou de Nível Primário, as Unidades Básicas de Saúde, ou Postos de Saúde, onde se configura a porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Nesse nível de atenção são marcados exames e consultas além da realização de procedimentos básicos como troca de curativos. 15 4.1 CMS Casa Branca A unidade funciona há mais de 15 anos e em 2009 passou a ser Clínica de Atendimento a família. As Clínicas da Família são um marco e representam a reforma da atenção primária no município do Rio de Janeiro. Tem como objetivo focar nas ações de prevenção, promoção da saúde diagnóstico precoce de doenças. A unidade possui um Médico, um Enfermeiro, um Técnico de Enfermagem, um Farmacêutico, um Administrador e sete Agentes Comunitários de Saúde. Atende aproximadamente 3.400 usuários cadastrados, portanto cada Agente Comunitário de Saúde atende a aproximadamente 600 usuários, com a meta de doze visitas diárias. A Unidade possui apoio do NASF, com Psiquiatra, Psicólogo, Fisioterapeuta, Médico da dor, Pediatra e Educador Físico. Vi a necessidade de ter também um Assistente Social, pois a mesma está inserida em uma comunidade com uma grande demanda de vulnerabilidade social. 4.2 Academia Carioca O Programa Academia Carioca, desde 2009, é um espaço mobilizador de Promoção da Saúde por meio de ação comunitária e multissetorial, centrada na inserção da prática de atividade física regular nas Unidades Básicas de Saúde. Por garantir o acesso da população a práticas que visem promover o bem estar físico, mental e social, a Academia Carioca tem se constituído como um significativo dispositivo de construção de uma sociedade mais ativa e com estilo de vida mais saudável. Hoje o Programa Academia Carioca está presente nas 10 Áreas Programáticas, vinculadas às suas Unidades Básicas de Saúde, por meio de sua equipe de profissionais de educação física. O êxito do programa se deve à compreensão de que a atividade física é uma importante ação na Saúde Pública, capaz de contribuir para a redução de doenças crônicas não transmissíveis e de agravos à saúde. A Academia Carioca da Saúde promove: alongamento e ginástica com uso de recursos auxiliares; atividades em grupo, caminhadas na comunidade e atividade física para grupos com necessidades específicas (saúde mental, por exemplo); prática de atividade física 16 regular nos grupos de acolhimento (ação interdisciplinar/ porta de entrada) e nos espaços comunitários; ginástica laboral e dicas ergonômicas para o ambiente de trabalho. Ao palestrar sobre o programa, o educador físico Marcos, pediu a participação de todos numa breve sessão de alongamento para demonstrar como podemos, de uma forma bem simples, abandonar o sedentarismo. O programa também realiza trabalho de inclusão e conta com aparelhos adaptadas para portadores de necessidades especiais, o que garante maior adesão ao programa e melhores resultados alcançados. Vale ressaltar que as atividades podem ocorrer com e sem o auxilio de aparelhos de academia. Além das atividades físicas o programa realiza ações de promoção à saúde e estimula à adesão de hábitos alimentares saudáveis. Importante pontuar sobre a necessidade da presença de mais profissionais nutricionistas dando um apoio mais próximo ao programa, visto que atividades privativas do nutricionista vêm sendo desempenhadas por outros profissionais. Este profissional possui grande valor compondo a equipe NASF, dado aumento exponencial de indivíduos portadores de doenças crônicas não transmissíveis tais como: diabetes mellitus, hipertensão arterial, sobrepeso e obesidade. 4.3 Casa de Parto David Capistrano Filho Localizada em realengo, a Casa de Parto foi inaugurada no dia 08 de março de 2004 pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. É a única casa de parto do Estado do Rio de Janeiro estando localizada na AP 5.2. Atende, prioritariamente, a população dessa região, porém em algumas épocas estende seu atendimento às demais regiões. Na nossa vivência, fomos recebidas por duas enfermeiras que nos mostrou o espaço, explicou sobre o funcionamento, fluxo e a demanda da unidade. O espaço físico é pequeno, porém muito aconchegante e agradável. A unidade possui uma equipe capacitada e especializada para o atendimento de gestante de baixo risco. Para ser atendida nessa unidade a gestante precisa atender alguns critérios como: Idade gestacional inferior a 32 semanas de gestação, tendo o resultado dos exames específicos do pré-natal; Não tenha filhos que nasceram por cesárea; Não tenha sido submetida a nenhuma cirurgia uterina; 17 Não apresente qualquer problema de saúde (hipertensão, diabetes, bronquite, asma, uso de medicação controlada e outros a serem avaliados). Se a gestante possui o perfil e o desejo de ter seu parto de forma natural ela inicia o pré-natal podendo ser iniciado com no máximo 28 semanas se a gestante não tiver realizado nenhum exame. A equipe é composta majoritariamente pela enfermagem, 18 enfermeiros obstétricos, 8 técnicos e auxiliares. Conta com a presença de uma nutricionista e uma assistente social, além de profissionais que orientam sobre saúde bucal. Não existem médicos na Casa de Parto. A unidade se encontra aberta para receber residentes de enfermagem. A unidade também conta com uma ambulância que fica 24h à sua disposição. Em caso de emergência, quando uma gestante precisa, sendo assim encaminhada para o Hospital da Mulher Marisca Ribeiro. A política da casa de parto é criar um vínculo com a gestante através do atendimento humanizado colocando a mulher como protagonista desse momento, aonde suas necessidades, vontades e desejos são atendidos e respeitados. É importante salientar, que a gestante participa inicialmente do grupo de Acolhimento, onde recebe as informações sobre: a proposta da Casa de Parto; os profissionais que trabalham na unidade; os exames a serem realizados; a participação nas oficinas; a presença do acompanhante em todo processo, o Plano de Parto (que é a idealização de como será o seu parto), as consultas individuais e o seguimento após o parto. As mulheres que possuem o desejo de realizar o parto nessa unidade, mas não se encontram no perfil são encaminhadas para o Hospital da Mulher Marisca Ribeiro. O pré-natal tem suas consultas realizadas na parte da manhã. Na primeira consulta é colhido todo histórico, marcado uma consulta com a nutricionista e com a assistente social. Na parte da tarde ocorrem as oficinas em grupo onde a presença do acompanhante é sempre bem-vinda. As oficinas são divididas de acordo com a idade gestacional, até a 32ª semana são realizadas as oficinas de Amamentação, Vínculo, Modificações, Direitos, Gênero e Sexualidade. A partir da 34ª semana as oficinas se diferenciam, são elas: Trabalho de parto e tecnologias, Parto, Cuidado com o bebê e Chá do parto (despedida da barriga). A gestante e o acompanhante recebem toda documentação necessária para ser apresentado no trabalho e garantir dispensa para a participação integral do acompanhamento pré-natal. 18 Não é realizada analgesia medicamentosa no parto, somente uso de tecnologias não invasivas como: penumbra, massagem com óleo de canela na barriga, massagem na coluna, uso do “cavalinho”, aromaterapia, musicoterapia, uso da banheira e do chuveiro. Na política do parto humanizado a mulher tem direito a um acompanhante, na casa de parto ela tem direito a dois acompanhantes. Após o parto a mãe volta para revisão no terceiro e no sexto dia pós-parto. Após um mês do parto é realizada uma roda de conversa e é iniciado o planejamento familiar. A unidade atualmente tem uma demanda de 100 gestantes sendo a maioria adolescente. Ter a oportunidade de conhecer esse local foi muito gratificante para todo o grupo, pois muitas dúvidas foram esclarecidas, alguns mitos e paradigmas quebrados. Ver a autonomia da enfermagem e como a humanização faz a diferença, ficando explicito pela aceitação da casa pela população. A casa de parto não faz nenhum tipo de divulgação do serviço, a visibilidade que a casa de parto possui está diretamente ligada à satisfação das suas usuárias que passam a recomendar a unidade para outras gestantes. 19 5. ATENÇÃO SECUNDÁRIA Dentro da concepção de rede de saúde, a atenção secundária é constituída pelos serviços especializados em nível ambulatorial e hospitalar, com densidade tecnológica intermediária entre a atenção primária e a terciária, conhecida também procedimentos de média complexidade. Esse nível compreende serviços médicos especializados, de apoio diagnóstico e terapêutico e atendimento de urgência e emergência (LORENZI et al., 2013). Está estruturada na organização do Sistema Microrregional dos Serviços de Saúde, com o objetivo de definir as diretrizes para organização da regionalização da Atenção Secundária (PCRJ, 2015). Dentro do município do Rio de Janeiro, a atenção secundária é dividida em: ● Policlínica; ● CAPS (Centro de Atenção Psicossocial); ● Urgência e Emergência; ● Centro de Reabilitação. Atualmente existem no município do Rio de Janeiro 9 policlínicas, 25 CAPS (distribuídos em CAPsi, CAPS AD, CAPS III), 14 Unidades de pronto-atendimento, 5 coordenação de emergência regional, e diversos serviços que oferecem serviço de reabilitação (PCRJ, 2015). 5.1 Urgência e Emergência Composta pelas Unidades de Pronto Atendimento e a Coordenação de Emergência Regional faz parte do segundo setor, de complexidade intermediária. Situada entre a Atenção Básica e a Rede Hospitalar, objetiva desafogar as emergências dos hospitais. Ambos ficam abertos de forma integral, funcionando 24h por dia de forma plena. 5.1.1 Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Manguinhos. As UPAs são serviços de saúde que compõe a rede de Atenção às Urgências e emergências. Realiza atendimentos nas especialidades de clínica médica, pediatria e odontologia. 20 A UPA de Manguinhos fica em uma área de grande vulnerabilidade social, que abrange cerca de 150.000.000 habitantes, dentro da AP 3.1. É gerida pela Organização Social Fiotec, parceira da Fiocruz, por conta disso é a única unidade desse porte que possui um especialista infectologista. Realiza em média 11.000 atendimentos mensais. Por estar ao lado da Clínica da Família Victor Vallas, o atendimento odontológico, mesmo que emergencial, é realizado pela Clínica da Família. A administração é tríade tendo coordenação médica, de enfermagem e administrativa. A equipe é composta por médicos generalistas (clínico geral) e o infectologista, pediatras, farmacêutico, enfermeiros, técnicos e assistente social. Existe um fluxo de atendimento em que o paciente pega uma senha, é acolhido por um profissional de saúde, é preenchido um boletim de atendimento que o direciona para especialidade na qual será atendido. Após esse primeiro contato, parte para a classificação de risco, que consiste numa avaliação do enfermeiro, seguindo o protocolo de Manchester, define uma cor que varia de acordo com o grau de prioridade para o atendimento sendo azul, para aqueles sem prioridade; verde, quando há prioridade mínima; amarela, que significa que é um caso de urgência e por fim, a vermelha, que significa emergência. A estrutura física é composta por 7 consultórios médicos, sala de medicação, sutura, 2 salas para classificação de risco, sala de raio-X, sala para análise dos exames laboratoriais, dispensação de medicamentos, sala do serviço social, e em caso de necessidade do paciente ser mantido em observação, tem duas pequenas enfermarias: a amarela, com 8 leitos, sendo 1 pediátrico e a vermelha com 2 leitos adultos e um pediátrico. Como o perfil da unidade não comporta pacientes de internação, enquanto aguardam transferência para outras unidades, as salas de observação acabam sendo utilizados por esses pacientes. Por estar localizada numa área com alto índice de violência, a Polícia Militar solicitou que dentro da unidade tivesse um posto policial, portanto, dentro desta UPA há um PM que acaba ficando impossibilitado de cumprir plenamente suas funções ali dentro ficando encarregado apenas de fazer “rondas”. Com o intuito de evitar o acúmulo desnecessário de pessoas na porta da unidade, é permitida a presença de acompanhantes independentemente do paciente ser menor de idade ou maior de 60 anos. A unidade realiza teste rápido de HIV e tem alta incidência nos registros de pacientes com resultado positivo para tuberculose. 21 Na vivência na UPA de Manguinhos, fomos recebidos pelo coordenador de enfermagem Leonardo Fonseca Teixeira, que conversou com o grupo sobre a unidade e apresentou a unidade, desde seu funcionamento administrativo básico, até a equipe e a forma de atendimento, foi bastante atencioso e receptivo e tirou as dúvidas dos viventes que nunca tiveram contato com este tipo de serviço. Falou sobre a importância da humanização em um ambiente mais rígido como o da unidade, em que há situações graves e em que é preciso agir rapidamente. O enfermeiro Leonardo gerou disparadores para o debate sobre o dia, em que a pauta principal foi sobre a necessidade do acompanhante, sobre os prós e contras, em relação ao acúmulo de pessoas dentro na unidade sem necessidade, causando obstrução da passagem versus o fato de o paciente se sentir mais confortável com um acompanhante próximo. A conclusão do grupo foi de que seria necessária uma observação caso a caso para evitar problemas. 5.1.2 CER Centro (Souza Aguiar) A Coordenação de Emergência Regional (CER) compõe, em conjunto com a UPA, a Clínica de Urgência e Emergência no Município do Rio de Janeiro. São unidades instaladas no mesmo espaço em que hospitais de emergência, funcionando de forma independente e em horário integral, ficando responsáveis por casos de baixa e média complexidade, deixando a cargo do hospital casos cirúrgicos e de trauma. Inaugurado em março de 2012, o CER Centro possui uma estrutura próxima à das unidades de pronto atendimento, este tem como hospital de referência o Hospital Municipal Souza Aguiar, ambos localizados no Centro da Cidade na AP 1.0. Esta unidade foi a primeira a ser inaugurada com essa proposta no município e tem capacidade para atender 350 pessoas por dia. É porta de entrada para casos de urgência e emergência (ambulâncias, SAMU e bombeiros) ou para casos agudos, de demanda espontânea. Não oferece atendimento em odontologia e todo procedimento de atendimento é muito similar ao da UPA, desde a estrutura física, passando pelo acolhimento e outros mais, excetuando a classificação de risco, pois o CER não realiza atendimento de pacientes classificados como azul. atendimento, além da estrutura física também ser semelhante. A equipe é composta por técnicos de enfermagem, recepcionistas, enfermeiros, médicos, pediatras, controlador de fluxo, maqueiro, auxiliares de serviços gerais, técnico em 22 radiologia, assistente social, psicólogo, farmacêutico, técnico de farmácia e profissionais do setor administrativo. Diferente da UPA que visitamos, o CER centro tem 2 andares. No 1º andar funciona todo atendimento médico, além dos atendimentos da UPA eles realizam exame de eletrocardiograma. No 2º andar tem um refeitório, salas para descanso dos profissionais, banheiros, o laboratório e as salas dos setores administrativos. A estrutura física é composta por 5 consultórios, sendo 2 de pediatria, duas salas de isolamento, sala de sutura, de medicação, sala de eletrocardiograma, de raio-X e salas de observação, separadas, para adultos e crianças, para os pacientes que estão aguardando transferência. Ao chegarmos no CER-Centro, fomos recepcionados pela supervisora administrativa da unidade, Lilian. Esta apresentou oralmente a unidade explicando sobre seu funcionamento e depois guiou o grupo para conhecer a estrutura física da unidade, explicando sobre outras particularidades do local. Lilian explicou que como o serviço está localizado em uma área da cidade em que há muitas pessoas em situação de rua, por vezes chegam ao serviço com a documentação irregular. O procedimento de atendimento é feito de acordo com o estado em que o paciente chega na unidade. Existe a tentativa de regularizar a documentação pelo DETRAN, em caso de óbito, é encaminhado a Delegacia Legal (IFP – Instituto Félix Pacheco) para que seja providenciada a documentação necessária. Nesses casos mais delicados, a administração do serviço e a assistência social trabalham em conjunto e o tratamento é 100% humanizado. Existem tentativas para convencer o paciente a voltar para a família ou articulações em busca de um abrigo para este indivíduo, nestes casos a psicologia também auxilia. Em caso de pacientes estarem nesse estado por transtornos psiquiátricos, são encaminhados ao Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ). Lilian ressaltou também sobre a importância do assistente social na unidade, ele trabalha no acolhimento de casos delicados, contactando familiar, verificando a necessidade e a autorização de visitas a pacientes em observação. A vivência produziu um debate sobre a importância da humanização, não só nesse serviço que atende essa demanda especifica, inclusive na delicadeza em relação aos cuidados às pessoas em situação de rua, menores de idade em situação de rua e abandono, indigentes e às diversidades sexuais. 23 5.2 O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Os CAPS são instituições vinculadas às prefeituras que, após a Reforma Psiquiátrica, visam a substituição dos hospitais psiquiátricos, hospícios, manicômios e de seus métodos para cuidar de portadores de comorbidades da psique. Os CAPS prestam serviços públicos de saúde mental destinados a atender indivíduos com transtornos psiquiátricos relativamente graves. Esses diversos serviços tem como objetivo maior tratar a saúde mental de forma adequada, oferecendo atendimento à população, realizando o acompanhamento clínico, e promovendo a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho e ao lazer, a fim de fortalecer os laços familiares e comunitários. Esses serviços oferecem três modalidades de tratamento (intensivo, semi-intensivo, e não intensivo), que variam de acordo com a necessidade do indivíduo. O atendimento intensivo trata-se de atendimento diário oferecido quando o usuário se encontra com grave sofrimento psíquico, em situação de crise ou dificuldades intensas no convívio social e familiar, precisando de atenção contínua. No semi-intensivo, o usuário pode ser atendido até doze dias no mês, modalidade oferecida quando o sofrimento e a desestruturação psíquica da pessoa diminuíram, melhorando as possibilidades de relacionamento. Já o atendimento não intensivo é oferecido quando a pessoa não precisa de suporte da equipe para conviver na sociedade e realizar suas atividades na família e/ou no trabalho, podendo ser atendido até três dias no mês. Vale ressaltar aqui as diferenças de funcionamentos desses tais Centros: CAPS I: destinado a um território com população entre 20.000 e 70.000 habitantes (critério para implantação) e é referência para um território com população de até 50.000 habitantes. Não há limite de idade para a utilização. O atendimento ao usuário inclui, além de medicamentoso e de psicoterapia, visita domiciliar e atendimento à família. CAPS II: destinado a um território com população entre 70.000 e 200.000 habitantes (critério para implantação) e é referência para um território com população de até 100.000 habitantes. Não há limite de idade para a utilização. O atendimento ao usuário inclui, além de medicamentoso e de psicoterapia, visita domiciliar e atendimento à família. CAPS III: destinado a um território com população acima de 200.000 habitantes (critério para implantação) e é referência para um território com população de até 150.000 habitantes; não há limite de idade para a utilização; o atendimento ao usuário 24 inclui, além de medicamentoso e de psicoterapia, visita/atendimento domiciliar e atendimento à família; constitui-se principal dispositivo CAPS por prestar um serviço de atenção contínua, durante 24 horas, diariamente, incluindo feriados e finais de semana, com capacidade de acolhimento, observação e repouso noturno (pernoite) e, no caso da necessidade do usuário utilizar o leito noturno, o usufruto não pode exceder sete dias consecutivos ou dez dias não consecutivos; desempenha o papel de principal regulador da porta de entrada da rede assistencial em saúde no âmbito do seu território e/ou do módulo assistencial e é também o principal dispositivo substitutivo da internação em hospital psiquiátrico; geralmente vinculada a uma Unidade de Acolhimento Adulto (UAA), que tem caráter residencial, assistido e transitório onde usuários de ambos os sexos, maiores de 18 anos e em tratamento nos CAPS AD do território são cuidados de maneira continuada e protetiva e convivem de forma coletiva, familiar e social, além do oferecimento de tempo e possibilidade de construir novos projetos de vida, como busca de emprego, estudo e outras alternativas de moradia. 5.2.1 Especificidade Álcool e Outras Drogas O Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) é a única unidade de saúde pública especializada em atender os dependentes de álcool e drogas, dentro das diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde, que tem por base o tratamento do usuário através da clínica da Redução de Danos, buscando sua reinserção social. Desta forma, o CAPS AD oferece atendimento diário a pacientes que fazem uso abusivo e prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua. O apoio da família é fundamental neste processo e, então semanalmente, são realizadas pelos psicólogos, um grupo para atendimento aos familiares de pacientes, onde são esclarecidas dúvidas, anseios e dado o suporte técnico que a família necessita. 5.2.2 CAPS AD Mané Garrincha Localizado no Maracanã, Grande Tijuca, território da AP 2.2. O nome do CAPS AD, é uma homenagem ao jogador de futebol Garrincha, o ‘anjo de pernas tortas’, que defendeu a 25 Seleção Brasileira durante as copas de 1957 e 1966. Garrincha era alcoolista e morreu aos 49 anos, vítima de cirrose hepática. Os pacientes podem vir encaminhamentos das unidades básicas de saúde ou podem chegar ao CAPS AD através de demanda espontânea. A unidade possui uma equipe multiprofissional formada por dois psiquiatras, dois psicólogos, um médico clínico geral, um assistente social, um terapeuta ocupacional, um farmacêutico, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem, um professor de educação física, um arte-terapeuta/musico-terapeuta, um oficineiro, além da equipe administrativa e os auxiliares de serviços gerais. Na unidade são oferecidas atividades recreativas, educativas, profissionalizantes e comunitárias, como aulas de artesanato, mosaico, pintura em tela e tecido e oficinas de produção de bijuterias, por exemplo. Existem atividades direcionadas para proporcionar mudança de comportamento e, consequente, melhora na qualidade de vida dos pacientes. Ainda, são realizadas palestras educativas pela equipe de enfermagem, psicoterapias de grupo e quando necessário, sessões de psicoterapia individual. Vivência: Logo que chegamos ao CAPS AD fomos recepcionados pela coordenadora administrativa e pela arte-terapeuta da unidade. Numa roda de conversa respondemos sobre a nossa visão do serviço, em seguida as profissionais falaram sobre toda rotina da unidade, os tipos de demandas, as articulações de rede, os perfis de usuários do serviço, os serviços oferecidos, a multidisciplinaridade profissional e quadro de funcionários, a clínica do sujeito, a reinserção social, a Bolsa-usuário e a Redução de Danos; essas duas últimas são deliberadas havendo desejo, possibilidade e perfil. O programa Bolsa-usuário, onde o usuário do serviço, maior de 18 anos, matriculado e com tratamento em andamento num CAPS AD de seu território, que portar este perfil, ao sofrer análise clínica da equipe técnica e, se preencher os devidos critérios de elegibilidade para ser beneficiado pelo programa, recebe mensalmente a quantia de R$450,00 de maneira trimestral ou semestral. A ciência do programa impressionou o grupo no que diz respeito ao nível da aposta da equipe técnica da unidade no sujeito e no Projeto Terapêutico Singular (PTS) criado para o mesmo. No que se refere à Redução de Danos (RD) vem se consolidando como um importante movimento clínico, impulsionando a construção de uma política de drogas democrática. O modo como a RD se constituiu frente aos embates com as forças totalitárias da política global de guerra às drogas. De como aspectos internacionais quanto aspectos nacionais confluíram para a construção de uma política antidrogas. De como a inclusão dos 26 usuários de drogas em arranjos coletivos de gestão é uma importante direção clínica e política do movimento da RD, definindo uma nova proposta de atenção em saúde. De que a partir desses espaços coletivos de cuidado, os usuários de drogas possam tecer uma rede própria de cooperação e de produção de uma luta comum, apostando na própria vida novamente. De tudo o que foi falado, o mais importante que o encontro resultou foi a réplica do grupo expondo seus pré-conceitos, dúvidas, curiosidades, mitos, o debate gerado, a troca de experiências e toda aprendizagem adquirida. 5.3 Policlínica Hélio Pellegrino As policlínicas fazem parte do programa Saúde Presente e são unidades de referência de Atenção Secundária para atendimentos ambulatoriais especializados. Nessas unidades, equipes multiprofissionais realizam consultas especializadas, procedimentos e exames. Para conseguir atendimento nas policlínicas, o paciente deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima da sua residência e, caso seja necessário, o clínico encaminhará para a consulta com o especialista. O acesso às policlínicas é feito a partir do Sistema de Regulação (Sisreg). Inaugurada em 1931, pelo então Presidente da República Getúlio Vargas, em 2011 a Policlínica Hélio Pellegrino completou 80 anos de atividade! Hoje com 84 anos a Policlínica está se readequando, devido a mudanças passando a atenção primária para o CMS Hélio Pellegrino. Desde o dia 28 de abril de 2014, as equipes de estratégia de saúde da família do CMS iniciaram o atendimento à população. A Policlínica funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h no bairro Praça da Bandeira, no território da AP 2.2. A unidade oferece consultas médicas especializadas em ginecologia, cardiologia, dermatologia, endocrinologia, ortopedia, pneumologia e otorrinolaringologia; consultas realizadas por outros profissionais de nível superior tais como nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. Também realiza pequenas cirurgias, suporte diagnóstico e terapêutico, práticas integrativas e complementares e atendimento odontológico especializado. A policlínica tem especialidades diferenciadas como Geriatria idosa frágil, Ginecologia infanto puberal, Ginecologia pacientes soro positivas, Asma Infantil, Homeopatia Infantil, Gastroenterologia Infantil. Parte das vagas dos atendimentos da unidade é reservada para pacientes oriundos de outros municípios do Estado do Rio de Janeiro. 27 A CMS atua de forma integrada com a policlínica além da tentativa de um atendimento integralizado ser prática comum nesta unidade devido ao fato da CMS estar ao lado da policlínica dividindo o mesmo espaço físico e setores como: farmácia, sala de vacinas, raio x e laboratórios. Apesar do espaço físico ter sido melhorado, e estar passando por frequentes reformas e readaptações ainda precisa ser melhor utilizado. O espaço físico é muito grande, pois antes o prédio funcionava como sede do INAMS. Um andar do prédio foi cedido para ser utilizado pela medicina do trabalhador, um outro espaço para atividades terapêuticas com grupos de crianças do CMS Heitor Beltrão. Pudemos constatar que essa unidade é uma das poucas policlínicas com variedades de especialidades e com um trabalho interdisciplinar tão presente. A unidade possui ótima localização e acessibilidade, podendo receber muitos profissionais, crescer os atendimentos e aproveitar as diversas salas e até andares que estão em desuso. 5.4 Instituto Municipal de Assistência a Saúde (IMAS) Nise da Silveira Inicialmente o Instituto Municipal Nise da Silveira, recebeu o nome de Hospital do Engenho de Dentro, depois passou a se chamar Hospital Pedro II e novamente rebatizado como Centro Psiquiátrico Pedro II. Seu atual nome foi dado em homenagem à renomada psiquiatra alagoana Nise da Silveira. Nise da Silveira foi aluna de Carl Jung, dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia. Atualmente acontecem trabalhos vanguardistas no Instituto. O Hotel da Loucura é um exemplo desde tipo de trabalho. O principal objetivo dos programas que constituem os trabalhos artísticos que compõem o Hotel é a integração de hóspedes artistas (acadêmicos ou graduados), de todo o mundo, com os usuários do local. Outro lugar importante do IMAS, é o Museu de Imagens do Inconsciente, que foi criado em 20 de maio de 1952, este surgiu através da vontade da própria Nise da Silveira, que apostava em terapias alternativas como forma de tratamento para pacientes psiquiátricos. A arte era o disparador para maior compreensão dos pacientes e seu estado psíquico. Com o intuito de preservar os trabalhos produzidos nos ateliês, foi criado o Museu, com a proposta de ser um “Museu Vivo”, uma vez que abrigava também os criadores das obras. 28 Ao conhecermos algumas unidades de tratamento e integração do Instituto, entendemos a importância do mesmo para a Saúde Pública e pra Saúde Mental por ter sido uma das instituições pioneiras na aposta clínica da subjetividade dos usuários do serviço. Ao chegarmos ao IMAS, descobrimos que o Museu estava em reforma para troca de exposição e melhorias locais, portanto, não poderíamos visitá-lo. Partimos para a vivência no Hotel da Loucura. Lá pudemos interagir com os pacientes internados no local, conhecer seu espaço e suas ações, como o atelier de fantasias do bloco do Instituto Municipal, o Loucura Suburbana. Foi uma experiência revigorante para todo o grupo. Saindo do Hotel, a psicóloga Vilma, nos fez uma visita guiada pelo lugar, onde pudemos aprender sobre a história do Nise, assim como conhecer um pouco mais da história da Saúde Mental, incluindo o processo de desinstitucionalização dos pacientes, que se perpetua até hoje. Foi um dia dedicado à Saúde Mental e aos debates sobre um tema que ainda é polêmico e cristalizado na atual sociedade. Apesar de todas as conquistas, ainda é necessário melhoras no sistema. Pudemos perceber nas visitas resquícios do modelo manicomial, como as enfermarias com grades, além da falta de recursos humanos. A unidade está aberta a receber projetos e algo que inclusive foi ressaltado diz respeito à inserção da zooterapia com gatos, visto que era um animal muito apreciado pela Nise e devido à grande presença desses felinos, não só na unidade, mas no Município como um todo. Muitas conquistas, mas é um espaço que ainda tem de se reinventar. 29 6. ATENÇÃO TERCIÁRIA É a atenção desenvolvida pelos hospitais, maternidades e institutos, organizados em pólos macrorregionais, através do sistema de referência (SMSDC, 2011) O nível terciário tem por característica sua alta densidade tecnológica, a atuação de profissionais em diversas especialidades, tendendo ser mais concentrado espacialmente (MENDES, 2010). O município do Rio de Janeiro dispõe de 10 maternidades, 1 casa de parto, 6 hospitais especializados, 2 hospitais pediátricos, 6 hospitais de emergência, 1 hospital geriátrico e 4 unidades psiquiátricas (PCRJ, 2015). 6.1 Hospital Municipal Jesus O Hospital Municipal Jesus possui a sua fundação datada de 30 de julho de 1935, mas somente foi aberto ao público dia 12 de agosto daquele ano. Plano de criação de uma rede hospitalar, pelo então prefeito do Distrito Federal, Dr. Pedro Ernesto, a Unidade foi idealizada para o atendimento exclusivo de crianças, em uma época que ainda não existia a especialidade Pediatria. Com o surgimento do Hospital Jesus, o Prefeito Municipal preenchia uma grande lacuna em matéria de assistência hospitalar infantil. Com efeito, a não ser pelo Hospital Arthur Bernardes em Botafogo (depois denominado Instituto Fernandes Figueira), não existia no Estado, qualquer outra Unidade com o perfil exclusivo voltado a Pediatria. Localizado em Vila Isabel, AP 2.2, o hospital atende diversas especialidades e subespecialidades em pediatria. Atende a população de zero a 18 anos incompletos. O Hospital possui um prédio anexo que realiza atendimentos ambulatoriais tendo especialistas em quase todas as áreas da pediatria. O hospital é referência de pediatria para o Estado do Rio de Janeiro, atendendo a sua demanda (do município) e muitos pacientes referenciados pelo (SisReg). A porta de entrada da demanda espontânea é o ambulatório de pediatria. A criança passa pela classificação de risco, é encaminhado ao pediatra e, dependendo do quadro clínico da criança ela poderá ser internada, encaminhada para um especialista ou retorna para casa. 30 O hospital trabalha com total multidisciplinaridade para proporcionar a melhor assistência à saúde da criança. É um hospital de grande porte, tendo como áreas de internação: CTI, UI, CCI, Hospital dia e 4 enfermarias, cada uma possui 12 leitos, as enfermarias são divididas em: Pacientes com doenças crônicas; Pacientes com distúrbios neurológicos; Pacientes com patologias pneumológicas; Pacientes com Doenças Infecto Parasitaria (DIP). Essa enfermaria conta com mais dois leitos de isolamento. Alem das especialidades, a unidade realiza diversos exames de imagem no espaço do “aquário carioca”, exames laboratoriais, vacinas e farmácia que além dos medicamentos mais prescritos, também dispensa medicamentos para tratamentos mais complexos e específicos e fórmulas alimentares para lactentes e tem um serviço social muito atuante visto as especificidades do serviço e por ser localizado numa extensa área de vulnerabilidade social. A unidade conta com apoio de ONGs, grupos e associações que possuem projeto no hospital objetivando atenuar as dificuldades emocionais da criança internada. A associação REPARTIR é uma das que mantém projeto fixo no hospital. Essa associação construiu uma área de lazer para as crianças e também conta com uma sala onde as crianças podem praticar desenho, pinturas e música. O tomógrafo em forma de submarino foi doação de uma ONG que é apoiadora do hospital. Esse tomógrafo tem como objetivo a humanização, todo o ambiente é decorado como se fosse o fundo do mar, criando um ambiente bem lúdico para as crianças. “A instalação do aparelho foi realizada pela SMSDC, com custo total de 390 mil. O objetivo é gerar curiosidade e expectativa por parte das crianças a respeito do submarino amarelo no interior da sala de tomografia, que reproduz o oceano, com sons e luzes teatralizadas e suaves que ajudam a criar a ambientação. O espaço, que recebe o nome de Aquário Carioca, propiciará à criança um espaço lúdico e acolhedor que contribuirá para a redução do uso de sedativos” (MAGALHÃES, CLAUDIO, 2012). Visando a humanização o hospital dispõe de uma equipe de educadores que realizam atividades escolares com as crianças. Elas ganham um envelope com as atividades e quando o tempo da aula acaba elas realizam essas atividades em seus leitos. As crianças que vão à aula não podem estar em precaução de contato, devido ao risco de infecção cruzada. 31 É um hospital escola, reconhecido pelo MEC. Recebe acadêmicos bolsistas do programa da prefeitura municipal do Rio de Janeiro, de diferentes cursos de graduação, acadêmicos de enfermagem da UNIRIO como campo obrigatório de pediatria e acadêmicos de medicina da faculdade Estácio de Sá, além de residência de medicina. Na nossa vivência nessa unidade fomos muito bem recebidos pelo diretor geral da unidade, Dr. Paulo Peres. Ele nos mostrou todo o espaço físico do local e explicou o funcionamento de cada setor. Nas enfermarias de internação não há espaço separado para crianças e adolescentes. O diretor falou que já existe o projeto para divisão dessa faixa etária. A unidade ainda não contempla residência em enfermagem, mas existe o interesse de implantar essa residência no ano de 2016. No momento em que estávamos numa das enfermarias pudemos presenciar a apresentação que estava sendo realizada por um projeto parceiro do hospital. A vivência nesse hospital foi muito interessante, pois foi possível aprender sobre o nível terciário de atenção do SUS, como a participação de ONGs e demais projetos lúdicos ajudam na qualidade da internação da criança, resposta ao tratamento, redução do tempo de internação (a média é de 7,8 dias) e a importância de ter uma equipe multidisciplinar alinhada e atuante. 6.2 Centro de Diagnóstico por Imagem – Rio Imagem O Estado do Rio de Janeiro ganhou em dezembro de 2011 o primeiro Centro de Diagnóstico por Imagem, mais conhecido como Rio Imagem, que reúne em um só lugar equipamentos de última geração para atender aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os exames são gratuitos. Esta instituição reúne em suas dependências toda a infraestrutura para atendimento especializado em diagnóstico por imagem. Os pacientes atendidos tem seus exames agendados pelo SisReg, tanto os pacientes que residem no município do Rio de Janeiro quanto os que residem em outros municípios e vem referenciados. Para ter seu exame realizado o paciente deve comparecer com o pedido médico em mãos e ter realizado, conforme orientações, todo o pré-preparo de acordo com cada exame. Dentre os exames oferecidos estão: Ressonância magnética (com e sem sedação), Mamografia, Tomografia Ecocardiografia, Radiografia. computadorizada, Doppler Vascular, Ultrassonografia, 32 A instituição funciona de segunda a sexta de 7h às 21h, sábados, das 8h às 17h e domingo, das 8h às 13h. Resultado do exame poderá ser retirado na própria unidade em cinco dias úteis. Durante a vivência tivemos a oportunidade de conhecer todo o espaço e ficamos bem impressionados com a eficiência, tecnologia e a quantidade de recursos que o Rio Imagem dispõe. O espaço é dividido para homens e mulheres, porém em alguns casos os espaços podem ser compartilhados entre homens, mulheres e crianças. Além das salas de exames a unidade tem uma sala de ouvidoria, copa, sala de tecnologia (T. I) e montagem de exames, sala vermelha para pacientes em observação pós-sedação, sala da criança e sala de entrega de laudos. Os exames são confirmados próximo da data agendada. Os pacientes que precisam ser sedados para a realização do exame devem vir acompanhados. A necessidade da sedação deve ser informada no momento do agendamento do exame. Ter esse tipo de serviço disponibilizado na proporção que vimos, pelo SUS, é um grande avanço. 33 7. PARTICIPAÇÃO SOCIAL E ATIVIDADES INTERLIGADAS 7.1 Abrigo Ayrton Senna O Centro de Acolhimento Ayrton Senna tem capacidade para acolher a 140 crianças e adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade social (situação de rua, negligência, violência doméstica, orfandade, risco social, maus tratos, abuso sexual, etc), divididos nos quatro projetos: Projeto Casa Lar, Projeto Mães Adolescentes, Projeto das Acolhidas e Casa Viva. A unidade atualmente integra a rede de proteção social da Prefeitura e acolhe 54 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos e 11 meses. É um local de passagem, não só para buscar a autonomia, mas também a família e a origem. A estrutura física necessita de obras, principalmente onde as crianças estão acomodadas, pois ainda há detalhes da antiga casa de detenção, inclusive as cela que separam as crianças. 7.2 Doutores da Alegria Doutores da Alegria é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que há 23 anos promove as relações humanas e qualifica a experiência de internação em hospitais por meio da visita contínua de palhaços profissionais treinados em alguns estados do Brasil. Fundada por Wellington Nogueira em 1991, a ONG foi inspirada no trabalho do Clown Care Unit, criada por Michael Christensen, diretor do Big Apple Circus de Nova York. Wellington integrou a trupe de palhaços em 1988, satirizando as rotinas médicas e hospitalares mais conhecidas. Ao retornar ao Brasil, decidiu implantar um programa semelhante. O fundador da ONG, tinha certeza de que o trabalho traria resultados se o artista fosse inserido no ambiente hospitalar como integrante do quadro profissional – e não como um visitante, com um trabalho pontual em uma data comemorativa. Desta forma, apresentou o “besteirologista” e convenceu as diretorias hospitalares de que era uma tarefa permanente. O Programa de Palhaços Besteirologistas é o trabalho-mãe da ONG Doutores da Alegria. A organização desenvolve ainda programas que ampliam o acesso à cultura, como o Plateias Hospitalares, com a curadoria de uma ampla e permanente programação artística gratuita em hospitais públicos do Estado do Rio de Janeiro. E todo o conteúdo artístico 34 produzido pelos palhaços a partir do encontro com pacientes é apresentado em teatros e em intervenções em empresas. O trabalho da ONG, gratuito para os hospitais, é mantido por recursos financeiros obtidos através de patrocínio, doações de empresas e pessoas e por meio de atividades que geram recursos, como palestras e parcerias com empresas. Em janeiro de 2009, as atividades na capital carioca foram interrompidas para uma revisão estratégica que propusesse um novo modelo de atuação, mais abrangente e sustentável para a cidade maravilhosa. No mesmo ano deu-se início, em caráter piloto, ao programa Plateias Hospitalares em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES). Hoje possui uma coordenadora e um assistente de produção na unidade Pão de Açúcar. O Plateias encara o hospital como um espaço de vida e, portanto, de arte. Doutores da Alegria trabalha na elaboração de uma programação cultural especial, com atividades voltadas a pacientes adultos e idosos, crianças e comunidades do entorno de oito hospitais públicos do Rio de Janeiro. O projeto nasceu com o objetivo de ampliar o acesso à cultura e criar novos espaços de interação entre a arte e a saúde. Entre as linguagens artísticas oferecidas estão o teatro, a música, o circo, a dança, a poesia, entre outras. O objetivo é trabalhar para que, cada vez mais, o hospital seja um espaço não somente de cuidado, mas de promoção da saúde, em que a arte é coadjuvante. Ao realizar apresentações mensais de variadas linguagens artísticas em hospitais públicos, Doutores da Alegria convida a sociedade a refletir quanto ao papel da arte em ambientes caracterizados pela fragilidade das relações, quebrando modelos cristalizados tanto na área de cultura como na área da saúde. Implantado em 2009, o projeto está presente em sete hospitais públicos e tem parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro. Até o momento, já foram mais de 400 apresentações, envolvendo 300 artistas, para 40 mil pessoas. Vivência: Plateias Hospitalares no Hospital Municipal da Piedade Localizado no território da área programática 2.2, o Hospital da Piedade foi construído pela Universidade Gama Filho (UGF) em 1977 para atender a demanda de formação de seus universitários em diversos cursos da área de saúde e humanas. Em 1999 passou então a administração do Município, sendo denominado a partir daí como Hospital Municipal da Piedade. 35 Fomos privilegiados com a apresentação do grupo Plateias Hospitalares, assim que chegamos à unidade. Um momento de descontração tanto para os alunos viventes quanto para alguns adultos e crianças que estavam no auditório. Logo depois das atuações dos palhaços que compõem o grupo de artistas, tivemos uma roda de conversa com a diretoria do hospital e uma das representantes do projeto, cujo objetivo era esclarecer a missão dos Doutores da Alegria. Assim como, a visão da diretoria a favor do projeto, suas articulações e objetivos já alcançados. A principal missão do corpo de artistas é promover a experiência da alegria como fator potencializador de relações saudáveis por meio da atuação profissional de palhaços junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. Compartilhar a qualidade desse encontro com a sociedade com produção de conhecimento, formação e criações artísticas. Além disso, a visão dos Doutores da Alegria é tornar-se um centro cultural referência na arte do palhaço e nas artes cômicas em geral oferecendo acervo, publicações, cursos e produções artísticas que estimulem a reflexão e o diálogo crítico com diversos setores da sociedade. O total apoio por parte da direção do Hospital Municipal Piedade ao programa é fundamental para a organização e sucesso dos objetivos já traçados pelos artistas. Quebra-se o paradigma de que nos hospitais “nada pode” e rompe a construção frígida e muitas vezes triste do ambiente hospitalar A recepção calorosa e a alegria da plateia emocionou o grupo. Principalmente no que diz respeito à integração dos pacientes, funcionários e familiares com as intervenções artísticas. Trazendo, portanto, a alegria e o sorriso como dispositivos para um tratamento humanizado. 7.3 Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses – SubVISA Esta Subsecretaria responsável pela proteção e defesa da saúde da população, por meio da prevenção de riscos provocados por problemas higiênico-sanitários nas mais variadas instancias de serviço à população da cidade do Rio de Janeiro. 36 O que é inspecionado pela vigilância sanitária? Estabelecimentos que produzem e oferecem alimentos para a população, tais como: bares, restaurantes, lanchonetes, supermercados, indústria de (incluindo a fabricação, a embalagem e a distribuição), entre outros; Corpos hídricos e serviços e setores de distribuição e acesso a água, ar em ambientes climatizados; Atendimento em saúde, atendimento geral da população; Salão de beleza e serviços de embelezamento e esteticismo; Óticas; Estúdio de tatuagem e piercing; Instituições de longa permanência para idosos; moradias coletivas (abrigos); Unidade móveis de saúde; instalações temporárias de ambulatórios médicos para eventos e para atividades de construção ou transformação arquitetônica; Unidades prisionais e abrigos para menores em conflito com a Lei; Escolas e creches; Clínicas veterinárias e pet shops; Projetos estruturais de estabelecimentos comerciais de alimentação, bem como clínicas médicas e salões de beleza com estruturas físicas complexas; Locais de uso público restrito (piscinas públicas, cemitério, necrotério, crematório, funerárias, motéis, hotéis, estações de transporte público, teatros, cinemas, clubes sociais, dentre outros). Caso encontre alguma irregularidade, você pode ligar para o telefone 1746, sendo no município do Rio ou ir até a subsecretaria de seu município e fazer a sua denúncia. A demanda será avaliada e, se necessário, os técnicos irão ao estabelecimento. A denúncia pode ser feita de forma anônima. Vivência na SubVISA: Visitamos o prédio sede da Subvisa onde nos foi apresentado a estrutura, suas subdivisões e áreas de atuação. Depois seguimos para uma ação educacional e de promoção no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, chegamos ao local cantando uma paródia criada pela presidente do Centro de Estudos da SubVISA, srª Albertina. Panfletamos, trocamos experiências e informações com a população e com a equipe técnica da SubVISA que estava presente na ação de conscientização à população. No local foram abordados problemas de saúde pública cotidiana e que passam despercebidos diante da sociedade. Doenças epidêmicas, zoonoses, cuidados com a 37 alimentação e água, vacinas, medicamentos e muitos outros. Jovens, no centro da cidade, fazendo barulho, chamando a atenção da população que muitas vezes reclama e não sabe bem do que reclamar. Não sabem de seus direitos e muitas vezes nem sabem dos seus deveres. Fizemos muito barulho porem o objeto era invadir a mente da população com informações que não é só para o outro, é para todos. PORQUE SAÚDE É PARA TODOS! Pudemos vivenciar a realidade de um multiplicador. Voltamos ao prédio sede onde tivemos uma palestra detalhada sobre as ações da VISA seguida por uma dinâmica que possibilitou aos viventes perceberem na realidade a importância e as ações da VISA para saúde pública. 38 8. CULTURA E LAZER 8.1 FIOCRUZ A fundação Promove a saúde e o desenvolvimento social, gerando e difundindo conhecimento científico e tecnológico, sendo um agente da cidadania. Estes são os conceitos que pautam a atuação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde, a mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina. Que completou 115 anos. Tem a missão de produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e que contribuam para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira, para a redução das desigualdades sociais e para a dinâmica nacional de inovação, tendo a defesa do direito à saúde e da cidadania ampla como valores centrais. Sua visão é ser instituição pública e estratégica de saúde, reconhecida pela sociedade brasileira e de outros países por sua capacidade de colocar a ciência, a tecnologia, a inovação, a educação e a produção tecnológica de serviços e insumos estratégicos para a promoção da saúde da população, a redução das desigualdades e iniquidades sociais, a consolidação e o fortalecimento do SUS, a elaboração e o aperfeiçoamento de políticas públicas de saúde. A história da Fundação Oswaldo Cruz começou em 25 de maio de 1900, com a criação do Instituto Soroterápico Federal, na bucólica Fazenda de Manguinhos, Zona Norte do Rio de Janeiro. Inaugurada originalmente para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica, a instituição experimentou, desde então, uma intensa trajetória, que se confunde com o próprio desenvolvimento da saúde pública no país. Pelas mãos do jovem bacteriologista Oswaldo Cruz, o Instituto foi responsável pela reforma sanitária que erradicou a epidemia de peste bubônica e a febre amarela da cidade. E logo ultrapassou os limites do Rio de Janeiro, com expedições científicas que desbravaram as lonjuras do país. O Instituto também foi peça chave para a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, em 1920. Durante todo o século 20, a instituição vivenciou as muitas transformações políticas do Brasil. Perdeu autonomia com a Revolução de 1930 e foi foco de muitos debates nas décadas de 1950 e 1960. Com o golpe de 1964, foi atingida pelo chamado Massacre de Manguinhos: a cassação dos direitos políticos de alguns de seus cientistas. Mas, em 1980, 39 conheceu de novo a democracia, e de forma ampliada. Na gestão do sanitarista Sergio Arouca, teve programas e estruturas recriados, e realizou seu 1º Congresso Interno, marco da moderna Fiocruz. Nos anos seguintes, foi palco de grandes avanços, como o isolamento do vírus HIV pela primeira vez na América Latina. Já centenária, a Fiocruz desenha uma história robusta nos primeiros anos do século 21. Ampliou suas instalações e, em 2003, teve seu estatuto enfim publicado. Foi uma década também de grandes avanços científicos, com feitos como o deciframento do genoma do BCG, bactéria usada na vacina contra a tuberculose. Uma trajetória de expansão, que ganhou novos passos nesta segunda década, com a criação de escritórios como o de Mato Grosso do Sul e o de Moçambique, na África. Um caminho que se alimenta de conquistas e de desafios sempre renovados. Conhecemos dois acervos, uma biblioteca de Obras raras que fica no Casteloe a outra a Biblioteca de Ciências biomédicas. Consciente do papel do livro na formação e desenvolvimento do espírito científico, Oswaldo Cruz, no final de 1909, contratou Assuerus H. Overmeer, livreiro holandês, conhecedor de diversos idiomas, a quem foi entregue a organização da Biblioteca Manguinhos, atualmente Biblioteca de Ciências Biomédicas, transformando-a numa das maiores bibliotecas especializadas da América Latina, e aqui permanecendo até sua morte, em 1944. Overmeer foi auxiliado pelos técnicos do Instituto, entre os quais estava Arthur Neiva, uma das maiores autoridades em Entomologia, que selecionou títulos em História Natural, adquiriu obras consideradas raras ou valiosas, não só por seu conteúdo e valor intrínseco, como por sua antigüidade. Entre as obras mais antigas do acervo, encontra-se o primeiro tratado sobre História Natural do Brasil, de autoria de Willem Piso e Georg Marggraf, denominado Historia Naturalis Brasiliae (1648). Outra obra, um manuscrito jesuíta do ano de 1703, contém a descrição de várias ervas e receitas utilizadas na terapêutica das doenças que acometiam os habitantes do Brasil Colônia. Um conjunto documental do século XIX é atribuído aos viajantes que percorreram as terras brasileiras e americanas, deixando inúmeras anotações e iconografias sobre as paisagens e os costumes dos povos. O setor de Obras Raras A. Overmeer possui cerca de 600 títulos de revistas científicas internacionais e nacionais de reconhecido valor histórico. Estão guardados nesse conjunto importantes periódicos brasileiros dos séculos XVIII, XIX e XX. O setor de Obras 40 Raras, situado no Pavilhão Mourisco, possui um diversificado acervo bibliográfico (livros, periódicos, teses, folhetos etc.) que remonta ao século XVII. A consulta, permitida à comunidade técnico-científica e acadêmicos de graduação e pós-graduação, é realizada no Salão de Leitura a partir do catálogo eletrônico disponível nos terminais de computadores locais e através da Internet. A consulta será feita mediante preenchimento de formulário específico, com supervisão dos funcionários da Seção. Poderão ser consultadas até três publicações por vez. O acervo de obras raras não é objeto de empréstimo. Todo cuidado é tomado para manter a organização e estado de conservação dos livros, o usuário deverá utilizar apenas lápis para suas anotações e sempre que um livro for retirado do lugar o usuário não poderá recoloca-lo, ficando à cargo do bibliotecário. 8.1.1 Museu da vida O Museu da Vida foi inaugurado em 25 de maio de 1999. O espaço de integração entre ciência, cultura e sociedade tem o objetivo de educar e informar de forma lúdica e criativa, por meio de exposições, atividades interativas, multimídias, peças teatrais e laboratórios. Localizado em uma ampla área verde, o espaço cultural também funciona como um polo de lazer e educação para as comunidades vizinhas, com o objetivo de proporcionar a compreensão dos processos e progressos científicos e de seus impactos no cotidiano. A iniciativa da Casa de Oswaldo Cruz busca ampliar a participação da população em questões ligadas à saúde, ciência e tecnologia. Participamos de uma exposição nomeada “Caminhos do SUS”. Uma critica porém um despertamento a todos que trabalham na área da saúde. Onde debatemos e constatamos que existe uma falta de investimento, a falta de informação do próprio usuário não sabendo usar o seu beneficio e responsabilizando os órgãos públicos. No inicio da exposição foi nos dado um tempo para percorrer todo o salão e depois assistimos um vídeo mostrando de forma bem criativa e simples como funciona o SUS. Podemos ver vários fatores que corroboram para a melhoria da saúde e o que está acontecendo atualmente para impedir que a saúde verdadeiramente seja priorizada. A exposição serviu para que abríssemos nossa mente e ver que nem tudo é só culpa do governo e da falta de investimento, entretanto ficar de braços cruzados não nos fará galgar nada para geração futura. Que como profissionais sejamos mais 41 éticos e responsáveis para mudar o quadro dessa geração e gerar essa qualidade de vida, a integralidade, a equidade e universalidade tão pregada pelo SUS. 8.2 Forte do Leme O Forte Duque de Caxias ou Forte do Leme fica no topo do Morro do Leme, sendo uma das antigas fortalezas do Rio de Janeiro. Hoje em dia este sítio histórico está aberto à visitação de terça à domingo. Como se localiza em uma área de grande beleza natural, cercada por densa mata e vegetação, a subida ao forte é também uma caminhada e passeio ecológico. O Leme é o nome dado à parte da Praia de Copacabana e também do bairro, que se localiza na parte leste da praia, ou seja, em uma de suas extremidades. Se você olhar para o mar, o Leme estará à sua esquerda, no final da praia. O passeio ao Forte Duque de Caxias inicia-se pela caminhada ecológica. É uma subida de 800 metros numa estrada de paralelipípedo arborizada pela Mata Atlântica, em meio a Área de Proteção Ambiental do Leme. No topo do Morro do Leme, está localizado o Forte Duque de Caxias. Em 2010, o sítio histórico do Forte Duque de Caxias sofreu importante processo de revitalização, tanto no que se refere ao acervo histórico quanto à parte estrutural. O sítio histórico possui 4 obuseiros, e após a revitalização dispõe também de um memorial a Caxias, galerias com exposições fixas sobre a história do Forte e da área de Proteção Ambiental, sala de vídeo com exibição de filmetes sobre o Forte e espaço para exposições temporárias sobre o meio ambiente. No alto do Forte contempla-se umas das mais belas vistas da cidade do Rio de Janeiro. O Forte possui uma vista panorâmica de toda orla de Copacabana, morro do Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Niterói e de outras fortificações. O Forte Duque de Caxias recebeu mais de 70 mil visitantes desde a revitalização. O local dispõe de guias preparados para prestar esclarecimentos aos visitantes do local. As visitações para grupos podem ser agendadas por telefone ou por e-mail. 42 8.3 Memorial Getúlio Vargas 8.3.1 Corredor Histórico da Saúde Pública Brasileira A História da Saúde Pública no Brasil tem sido marcada por sucessivas reorganizações administrativas e edições de muitas normas. Da instalação da colônia até a década de 1930, as ações eram desenvolvidas sem significativa organização institucional. A partir daí iniciou-se uma série de transformações, ou melhor, foram criados e extintos diversos órgãos de prevenção e controle de doenças, culminando, em 1991, com a criação da Fundação Nacional de Saúde. No que concerne à saúde preventiva, ao longo de toda a existência, o Brasil enfrentou diversas dificuldades institucionais e administrativas decorrentes do limitado desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, bem como pela expansão da assistência médica, atrelada à lógica do mercado. Mas, também, principalmente, pelo lento processo de formação de uma consciência dos direitos de cidadania. Desde a década de 1960, ocorreu intensa publicação de normas para acompanhar o aumento da produção e consumo de bens e serviços, surgindo conceitos e concepções de controle. Regulamentou-se a iodação do sal, águas de consumo humano e serviços. Reformou-se o laboratório de análises, surgindo o Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde (INCQS), que recebeu um grande estímulo pela implantação do Programa Nacional de Imunização, cuja execução requeria o controle sanitário de vacinas. No movimento pela redemocratização do país, cresceram os ideais pela reforma da sociedade brasileira, com o envolvimento de diversos atores sociais, sujeitos coletivos e pessoas de destaque. Sanitaristas ocuparam postos importantes no aparelho de estado. A democratização na saúde fortaleceu-se no movimento pela Reforma Sanitária, avançando e organizando suas propostas na VIII Conferência Nacional de Saúde, de 1986, que conferiu as bases para a criação do Sistema Único de Saúde. Naquele evento, os participantes denunciavam os desmandos na saúde e clamavam por ações de garantia dos direitos da população. O movimento social reorganizou-se na última Constituinte, com intensa luta travada pela afirmação dos direitos sociais. Em 1988, nova ordem jurídica, assentada na Constituição, define o Brasil um Estado Democrático de Direito, proclama a saúde direito de todos e dever 43 do estado, estabelecendo canais e mecanismos de controle e participação social para efetivar os princípios constitucionais que garantem o direito individual e social. Além do Sistema Único de Saúde (SUS), outros sujeitos de direito que requerem proteção específica também foram reconhecidos, assim como os povos indígenas, crianças e adolescentes, deficientes físicos, etc. Inegavelmente, a sociedade brasileira deu um passo significativo em direção à cidadania. É preciso, porém, reconhecer que a proteção e a promoção à saúde são de responsabilidade pública, ou seja, de competência de todos os cidadãos do país, o que implica participação e controle social permanente. 8.3.2 Era Vargas: O Início das Organizações e Políticas Públicas de Saúde Após o período da República Velha, dá-se início à Era Vargas com a inauguração de outra visão de Estado, assim como com outra configuração social que se iniciava nos centros urbanos do país. A partir da década de 1930, o Brasil começou um processo de industrialização e modernização do Estado, tentando se reposicionar na economia mundial após a crise de 1929. Considerando-se que até então a economia brasileira estava assentada na produção e exportação cafeeira, entendia-se ser necessária a criação de condições para a montagem de um parque industrial que alavancaria o país. Iniciava-se um processo mais tarde chamado por alguns intelectuais de capitalismo tardio. Assim, surgiam novos atores sociais, como o trabalhador urbano, o operário, e, dessa forma, novas demandas sociais se colocavam como desafio ao Estado. Dentre elas a questão da seguridade social, por exemplo. O fato é que, como se pode observar, os modelos assistenciais se tornaram cada vez mais complexos, concomitantemente à modernização do Estado do ponto de vista da natureza administrativa e burocrática. Com mão-de-ferro e de forma populista, Getúlio Vargas inaugurou uma nova era de modernização da produção nacional e da racionalização do funcionamento do Estado, aproximando-se cada vez mais das classes trabalhadoras urbanas com seus discursos (que se iniciavam com o bordão “Trabalhadores do Brasil”) a favor dos direitos desta categoria. Em seu governo, muitos dos direitos ligados à seguridade social foram instituídos, ao passo que também se aprimoraram as ações de Estado acerca da saúde pública. Assim, ocorreram os seguintes fatos: a Saúde pública foi institucionalizada pelo Ministério da Educação e Saúde Pública; a Previdência Social e Saúde Ocupacional institucionalizada pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio; criou-se os Institutos de 44 Aposentadoria e Pensão (IAP) que estendem a Previdência Social à maior parte dos trabalhadores urbanos. No entanto, embora esses avanços tenham sido importantíssimos do ponto de vista da proteção social e da saúde pública, foi apenas em 1953 que ocorreu a criação do Ministério da Saúde. Daí até a criação do SUS (Sistema Único de Saúde), a população brasileira esperou mais 35 anos. 8.3.3 Vivência: Memorial Getúlio Vargas A Prefeitura do Rio inaugurou no dia 24 de Agosto de 2004, na Praça Luís de Camões, no bairro da Glória, o Memorial Getúlio Vargas, projetado pelo arquiteto Henock de Almeida em grande homenagem ao Estadista. Getúlio Vargas viveu cerca de três décadas em nossa cidade, então Capital Federal. A partir da Revolução de 1930, da qual foi o líder máximo, passou os momentos mais marcantes de sua carreira: chefe do Governo Provisório, Presidente da República eleito pela Assembleia Nacional Constituinte, ditador e Presidente da República eleito pelo povo. Em sua carta-testamento, Getúlio Vargas afirmou que saía da vida para entrar para a história. Com a inauguração deste Memorial, a cidade do Rio de Janeiro torna eterna a presença daquele que deu o pontapé inicial no Brasil moderno. Após a palestra com o historiador da própria instituição, Rafael Haddad, tivemos nossa visita a galeria expositiva mediada por um arte-educador do Memorial que nos elucidou curiosidades e detalhes da vida de Getúlio Vargas. Durante a exposição permanente, surgiram diversas pautas e delibero algumas abaixo. Por parte da instituição há o desejo de que o Memorial sirva de instrumento motivacional de educação museal para os estudantes em geral e, particularmente, os da Rede Pública de Ensino e, também de igualmente estabelecer uma parceria com as instituições acadêmicas e, assim, difundir informações e conhecimento. 8.4 Museu de Arte do Rio (MAR) O Museu de Arte do Rio promove uma leitura transversal da história da cidade, seu tecido social, sua vida simbólica, conflitos, contradições, desafios e expectativas sociais. Suas exposições unem dimensões históricas e contemporâneas da arte por meio de mostras de 45 longa e curta duração, de âmbito nacional e internacional. O museu surge também com a missão de inscrever a arte no ensino público, por meio da Escola do Olhar. O MAR está instalado na Praça Mauá, em dois prédios de perfis heterogêneos e interligados: o Palacete Dom João VI, tombado e eclético, e o edifício vizinho, de estilo modernista – originalmente um terminal rodoviário. O antigo palacete abriga as salas de exposição do museu. O prédio vizinho é o espaço da Escola do Olhar, que é um ambiente para produção e provocação de experiências, coletivas e pessoais, com foco principal na formação de educadores da rede pública de ensino. O museu, que faz parte do projeto de revitalização da Zona Portuária da cidade, foi premiado com o título de melhor construção de 2013, ano da sua inauguração, na categoria museu, pelo voto popular do maior prêmio internacional de arquitetura do mundo, o Architizer A+ Awards. O MAR concorreu com os museus Heydar Aliyev Center, do Azerbaijão, New Rijksmuseum, da Holanda, Zhujiajiao Museum of Humanities & Arts, da China e com o Danish Maritime Museum, da Dinamarca. O MAR, inaugurado em março de 2013, funciona como um espaço proativo de apoio à educação e trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e outras secretarias de Educação. A Escola do Olhar desenvolve um programa acadêmico, construído em colaboração com universidades, para discutir arte, cultura da imagem, educação e práticas curatoriais. Como recomenda a UNESCO, o MAR tem atividades que envolvem coleta, registro, pesquisa, preservação e devolução à comunidade de bens culturais – sob a forma de exposições, catálogos, programas em multimeios e educacionais. Com sua própria coleção – já em processo de formação por meio de aquisições e doações correspondentes à sua agenda – o MAR conta também com empréstimos de obras de algumas das melhores coleções públicas e privadas do Brasil para a execução de seu programa. Os pavilhões de exposições estavam com as seguintes exposições: Rio uma paixão Francesa, Rio Setecentista: Quando o Rio virou capital, Kurt Klagsbrunn: Um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960), Rossini Perez: Entre o Morro da Saúde e a África. Queremos ressaltar a exposição Tarsila e Mulheres Modernas no Rio. O nome da exposição coletiva entrega uma carta de intenções: em foco está a construção da ideia de modernidade no Brasil por meio do olhar de mulheres artistas, notadamente Tarsila do Amaral, ou de obras que abordam o universo feminino. No entanto, o que de fato torna a mostra desejável é não ficar apenas no campo da arte, abordando vários aspectos da cultura, seja a dança moderna, seja o teatro revisto. 46 Especialmente na série "A Desconstrução do Mundo Puritano", que tem na performática capixaba Luz del Fuego uma personagem central. A quantidade de detalhes na mostra é impressionante, das artistas em seus ateliês e documentos de época. A mostra segue, aliás, até a produção contemporânea de artistas como Lygia Clarck, por exemplo. Nesta exposição, que ocupa todo o piso do edifício de exposições, o MAR se consolida como o museu mais arrojado do país, que busca refletir sobre a cultura local, além de construir um acervo único, que não vê apenas na arte o foco central de sua atenção. 47 9. Conclusão: Cidadão participativo: Orgulho de ser SUS Grupo 2 – AP 2.2: começando pela esquerda: Geisa, Marinês (de blusa rosa), Ana Cristina, Daniel, Ana Clara, Larissa, Ana Carolina, Rodolfo, Thaisa, Rodrigo e Maria Clara. “O VERSUS conseguiu abrir minha mente e ampliar minha visão, mostrando que nem tudo que a mídia mostra é na verdade o que está acontecendo. Tivemos oportunidade de visitar policlínica, CAPS AD, até mesmo a casa de parto nos mostrando a eficácia e a efetividade do SUS. Em contra partida mesmo com todo esse novo conceito posso afirmar que na baixada fluminense, (onde eu resido), o SUS ainda não funciona da maneira que deveria nem como pudemos vivenciar no município do Rio. Mas acredito que nós como profissionais conseguiremos aos poucos mudar o quadro do BRasil de uma maneira geral mas no âmbito 48 saúde. E uma das nossas necessidades é informar a população sobre o SUS e como usufruir dele!” (Rodolfo) “Cheguei ao Ver-SUS com uma grande expectativa não apenas de conhecer o nosso sistema único de saúde, mas também conseguir me enquadrar nele como profissional. Tinha acabado de concluir a disciplina de epidemiologia aplicada na qual o professor por muitas vezes tentou nos conscientizar do importante papel da veterinária para saúde pública. Muitas vezes me perguntei se isso não seria apenas ilusão. Pois entre os 46 viventes eu era a única de veterinária e todos achavam que veterinário era só clinica de cão e gato ou fiscalização de alimentos. Muitas das vezes entrei em debates informais sobre as áreas de atuação da veterinária. Como cidadã nunca acreditei muito no SUS, ia ao medico apenas quando era estritamente necessário e muitas vezes não consegui o atendimento desejado. Como profissional queria passar muito longe do SUS, cheguei realmente a planejar mudar de estado. Porem o Ver-SUS mudou minha visão em muitos aspectos. O que mais me satisfez durante a vivencia foi ver na pratica outros viventes se tornarem multiplicadores com informações trocadas durante debates informais, onde conhecimentos de áreas distintas que foram disseminadas entre os demais e ate mesmo a desconhecidos durante uma ação social. Essa vivencia foi uma prova de que educação faz a diferença e principalmente conscientização, porque de nada adianta um conhecimento valioso quando o mesmo é restrito a poucos. Consegui criar vínculos com instituições ampliando meu horizonte profissional e passei à alguns novas possibilidades de integração multiprofissional, onde a zooterapia é inclusa como tratamento em diversas frentes.” (Thaisa) “A minha participação no VER-SUS serviu como divisor de águas na minha formação profissional e pessoal. A ideia de um programa de saúde nas dimensões do SUS sempre será um desafio a ser implementado. Como usuário do sistema e com pensamento crítico, sempre tive a impressão de um programa complexo e com diversas fragilidades, mas com diretrizes e propostas e principalmente ações concretas que buscam sua implementação. Ao imergir dentro da realidade do SUS, pude perceber o quanto o sistema avançou e vem avançando, não tinha noção do que município do Rio de Janeiro oferta a saúde da população. Hoje entendo que muito ainda precisa ser feito, consolidar a atenção básica de qualidade, ofertar educação em saúde nas escolas, valorizar os profissionais da saúde, ampliar o acesso 49 para população. O VER-SUS possibilita ao vivente ver e refletir as diversas facetas do SUS, e principalmente fomentar a vontade de mudanças na busca de uma saúde digna para todos.” (Rodrigo) “Sempre entendi o significado da sigla SUS, sistema único de saúde, porém antes do VerSUS só via esse sistema como uma rede hospitalar e achava que era necessário ser composto somente por pessoas da área da saúde. Após o VerSUS, percebi o quanto o meu entendimento do SUS era pequeno. Ter a oportunidade de visitar áreas que eu não sabia e também não considerava SUS, como a secretaria municipal de saúde e a Visa e Subvisa me elucidaram que o SUS não se resume aos hospitais, clínicas da família, UPAs e CMS. Ver o quanto a rede é maior do que eu imaginava, o contingente necessário de profissionais de diferentes formações para que cada um colabore com a sua visão do que se faz necessário para o sistema, formando uma equipe multidisciplinar que leva em consideração todos os aspectos para elaborar um SUS melhor para a toda a população.” (Ana Carolina) “Ver SUS é amor, Ver SUS é aprendizado, Ver SUS é alegria, Ver SUS é companheirismo, Ver SUS é superação, Ver SUS é interação, Ver SUS é desafio, Ver SUS é entendimento, Ver SUS é amizade, Ver SUS é parceria, Ver SUS é tolerância, Ver SUS é multipluriinterunidisciplinaridade... Eu amo o SUS, Eu sou o SUS” (Geisa) “ Versus é amor! Logo na recepção do dia 26 de julho, com a presença de alguns representantes da secretaria municipal de saúde do rio de janeiro, foi feita a pergunta para reflexão: "o que eu espero do versus?" Quando me lançaram esse desafio de dizer a todos os viventes quais eram as minhas expectativas, resumi minha descrição em aprender o máximo pudesse. não somente como futura profissional da área da saúde, mas como cidadã. meu objetivo era obter todas as informações que tinha a capacidade de digerir. Fui muito bem recebida por alguns e respeitada por outros. com certeza me impressionei com a pluralidade da turma do rio de janeiro. Precisei me adaptar a essa nova família. aprendi a conviver e, até mesmo, a amar pessoas que nunca tinha visto antes na vida. Além disso, pude perceber o valor do trabalho em equipe e de esperar o outro terminar a fala para eu poder expor a minha opinião. Foram longos e cansativos onze dias. enquanto estava na vivência, tive a impressão de que lá já era o meu lar. do nada dizia: “vamos logo pra casa, gente!”. e 50 realmente... foi a minha casa mesmo. Conheci pessoas maravilhosas e outras nem tanto. sai conflitada e com o meu psicológico extremamente cansado. o coração apertava quando lembrava da família e amigos que já não via mais e dos eventos que não pude participar por estar longe. Apesar de todos os entraves, a minha expectativa foi alcançada, ou melhor, foi ultrapassada. não só aprendi, mas também ensinei. não apenas descobri os meus direitos como cidadã, tomei consciência dos meus deveres. vi que não sabia nada ou quase nada sobre o sistema que ouso defender. Agora não só me sinto apta a defendê-lo, como sou mais apaixonada por ele. o sus é lindo na teoria e é uma realidade na prática também. sei, agora com mais propriedade, que ainda existe os percalços no caminhar e as falhas na gestão do sistema. porém, deve ser encarado como a solução para o problema e não como um problema sem solução”. (Ana Clara) 51 Referências Bibliográficas: BESEN, Candice Boppré, NETTO, Mônica de Souza, DA ROS, Marco Aurélio, SILVA, Fernanda Werner da, SILVA, Cleci Grandi da, PIRES, Moacir Francisco. A estratégia saúde da família como objeto de educação em saúde. Saude soc., São Paulo, v. 16, n. 1, p. 5768, Abr. 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Série E. Legislação em Saúde). BRITTO, Nara. Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1995. 144 p. CASTRO, Ana Luisa Barros de; MACHADO, Cristiani Vieira. A política de atenção primária à saúde no Brasil: notas sobre a regulação e o financiamento federal. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 4, p. 693-705, Abr. 2010 . GUERRA, Egídio Sales: Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi, Ltda., 1940. LORENZINI, Erdmann Alacoque; ANDRADE, Selma Regina de; MELLO, Ana Lúcia Schaefer Ferreira de; DRAGO, Livia Crespo. 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