Clique aqui para iniciar o

Propaganda
Neste número:
REPORTAGEM
- Conselho Nacional do Café - CNC, em apoio ao produtor
COMO VAI VOCÊ
03
05
PESQUISANDO
Capa: “Meu cafezal em flor. Tanta flor
meu cafezal.”
NOTA DO EDITOR
O 3º número da Revista Coffea é
especial, pois será distribuído no
30º Congresso Brasileiro de
Pesquisas Cafeeiras, em São
Lourenço-MG, atendendo a um
publico maior e mais diversificado.
As matérias continuam a enfocar
os avanços na tecnologia cafeeira,
na forma de trabalhos de pesquisa e
revisões de literatura, de
recomendação técnica e de análises
conjunturais.
Reportagens e entrevistas também
levantam opiniões e sugestões em
benefício da cafeicultura.
Queremos manter o conteúdo
técnico, para suporte à equipe de
AT e produtores lideres, visando o
manejo racional da produção
cafeeira.
Pedimos desculpas pela falta de
ilustrações a cores. Elas podem ser
visualizadas no site da Fundação
Procafé.
- Proteção do café em côco, armazenado em tulhas, pela palha do café
- Uso de flutriafol (impact 125 SC) no controle da ferrugem
- Maturação e produtividade de cultivares de café
- Influência do ciclo bienal no custo de produção de café
- Escória siderúrgica (cálcio/silício) para reduzir o custo
- Avaliação de prejuízos com a presença de grãos moka em cafeeiros
- Uso de micronutrientes via água de irrigação
- Competição de cafeeiros híbridos com resistência à ferrugem
- Produtividade do cafeeiro irrigado sob diferentes critérios
RESPONDE
06
06
09
11
13
14
15
16
18
22
RECOMENDANDO
- Podo ou não meu cafezal
- Replantio e repovoamento em cafezais
- Controle biológico das principais pragas do cafeeiro
23
26
30
RESUMINDO
- Seis trabalhos de pesquisa cafeeira em diversos países
34
PANORAMA
- Notícias da produção cafeeira
36
ANÁLISE
- Existe resistência da ferrugem do cafeeiro aos fungicidas
- Como é feita a estimativa da safra brasileira de café
38
39
ENTREVISTA
- José Edgard: Motivador do cooperativismo
42
PRODUTOS E EQUIPAMENTOS
- Novas formulações de fungicidas cúpricos
- Sistemas mecanizados para aplicação de formulações/fungicidas
44
44
CARTA AO CAFEICULTOR
INVESTIR SÓ NO ESSENCIAL
Persistem as dificuldades para o setor da lavoura cafeeira. Uma pequena melhoria nos preços
nominais do café vem sendo anulada pelo avanço nos custos de produção. Além disso, essa
evolução nos preços tem sido muito volátil, sobe e desce rapidamente.
As lavouras sentiram o maltrato e as condições climáticas adversas no período de inverno. Foi
um tempo úmido e frio, que facilitou o ataque de doenças. As plantas de café vinham
estressadas pela baixa nutrição e, quando atacadas por pragas e doenças, ficaram muito
desfolhadas. Agora, em setembro/outubro, um período seco ocasionou mais desgaste aos
cafeeiros.
As chuvas já começaram. É hora de retomada dos tratos, devendo o produtor avaliar onde e
como investir os recursos obtidos com a safra atual. Deve-se dar prioridade aos talhões com
maior potencial. A análise de solo é importante para avaliar onde se pode economizar nos
adubos, racionalizando o seu uso. A safra de 2005 vai ser pequena e, provavelmente, os preços
vão melhorar. Parece estar chegando ao fim aquele ciclo de safras altas, que aumentaram os
estoques e causaram retração nos preços.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO
Secretário de Produção e Comercialização: Lineu Carlos da Costa Lima.
Chefe do Departamento de Café: Vilmondes Olegário da Silva
Secretário da SARC: Manoel V. F. da Rocha
Delegado da DFA/MG: João Vicente Diniz
FUNDAÇÃO PROCAFÉ / CONVÊNIO MAPA/FUNPROCAFÉ/UFLA
Presidente da Fundação Procafé: José Edgard Pinto Paiva
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
Reitor da UFLA: Antônio Nazareno Guimarães Mendes
REVISTA DE TECNOLOGIA CAFEEIRA
Ano 1: nº 3 setembro-outubro/2004.
Conselho Editorial: José Braz Matiello (Editor Executivo); Rubens José Guimarães (Coordenador UFLA); Saulo Roque de
Almeida, Leonardo Bíscaro Japiassú, Guilherme Borges Frota e Antônio Wander Rafael Garcia - MAPA/FUNPROCAFÉ e Carlos
Henrique Siqueira de Carvalho - EMBRAPA CAFÉ.
Programação Visual e Impressão: Gráfica Editora Bom Pastor.
Composição: Rosiana de Oliveira Pederiva.
Tiragem: 2000 exemplares.
Endereços: Alameda do Café, 1000 - Bairro Jardim Andere
37026-400 - Varginha/MG
35. 3214-1411
[email protected]
e
Av. Rodrigues Alves, 129 - 6º andar - Centro
20081-250 - Rio de Janeiro/RJ
21. 2233-8593
[email protected]
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte e autores.
www.fundacaoprocafe.com.br
REPORTAGEM
03
CONSELHO NACIONAL DO CAFÉCNC, EM APOIO AO PRODUTOR.
O Conselho Nacional do Café é o órgão
representativo e responsável pela defesa dos
interesses da produção cafeeira no Brasil.
Fundado em 1981, o CNC vem fazendo
um bom trabalho ao longo dos 23 anos de sua
existência, atuando junto às autoridades
governamentais, ao sistema financeiro e junto à
área política do governo, buscando melhores
condições para os cafeicultores .
Nos últimos anos a ação do CNC vem se
modernizando, para aumentar sua eficiência,
com a criação de 3 diretorias excutivas e
suporte político e técnico para acompanhar os
problemas e as medidas necessárias no dia a
dia.
Participando do CDPC
Conselho de
Desenvolvimento da Política Cafeeira, órgão
máximo de orientação sobre a ação
governamental para o café, o CNC, juntamente
com representantes de outros setores da cadeia
do café, luta para manter a cafeicultura
competitiva no país.
04
Um pouco de história
Já são quase 23 anos desde a criação do
CNC em 1981, através de um movimento
liderado pelo seu idealizador e 1º presidente, o
ex. governador, ex. ministro Roberto Costa
Abreu Sodré. Hoje falecido, Abreu Sodré
conduziu o CNC até 1985. No ano de 1986 foi
presidente o Dr. José Carlos Jordão. No periodo
de 1986 a 1991 o CNC foi dirigido pelo Dr.
Jaime Nogueira Miranda. De 1991 a 1993 foi
dirigido por Dr. Nely Amarante; de 1993 a 1995
por Dr. Manoel V. Bertone; de 1995 até 2001 por
Dr. Gilson Ximenes. Atualmente, desde 2001, o
Conselho vem sendo presidido pelo Dr.
Oswaldo Henrique Paiva Ribeiro, Engº Agrº,
também presidente da Cooperativa de
Cafeicultores de Varginha.
O secretário geral do CNC, desde o seu
inicio até hoje, é o Dr. Ercílio Amaral Neto, com a
sua
conhecida eficiência e bom
relacionamento com todos do setor.
Composição e objetivos
O Conselho Nacional do Café é composto
por representantes de Cooperativas e
Associações de produtores, sendo que,
atualmente, 62 desses organismos contribuem
para a composição do CNC. Ele é uma entidade
civil, de direto privado, composto por uma
Diretoria Executiva, com 3 Diretores, um
Conselho Diretor de 17 membros, e uma vicepresidência de coordenação política, com 6
personalidades. A sede do CNC fica em São
Paulo, tendo, também, um escritório de suporte
em Brasília.
Os objetivos do CNC são a representação
e defesa dos interesses do setor da produção
cafeeira, os cafeicultores, suas associações e
cooperativas, atuando em conjunto com outras
entidades representativas dos produtores, os
sindicatos, federações e confederações de
agricultura.
O CNC tem outros objetivos como:
desenvolver estudos e analises sobre a
REPORTAGEM
cafeicultura, visando dar suporte a ações
governamentais; manter banco de dados e
estatísticas para fornecer aos interessados;
manter intercâmbio e troca de informações com
outros organismos no país e no exterior;
participar em fóruns internacionais em defesa
da cafeicultura; apoiar ações de marketing e de
pesquisa cafeeira etc.
Problemas atuais e medidas em curso
Os problemas atuais da lavoura cafeeira
dizem respeito à sua falta de rentabilidade, num
período que vem de excesso de oferta mundial
de café.
As ações do CNC apontam para os bons
resultados obtidos nos últimos anos,
conseguindo minimizar problemas dos
produtores e indicam novos caminhos a serem
percorridos.
Foram liberados, junto ao Governo
Federal (MAPA e MF), vultosos recursos para
várias linhas de financiamento, atendendo ao
custeio e à pré-comercialização do café. Ainda
nesse setor de apoio financeiro foram obtidas a
recomposição e prorrogação de dívidas de
financiamentos realizados no passado.
No campo tecnológico, o CNC sempre
defendeu a alocação de recursos para a
pesquisa e para a melhoria nos processos de
previsão de safra.
Para o futuro é preciso haver maior
autonomia para o CDPC, onde o CNC toma
parte, com a possibilidade, ainda, de criar uma
agência reguladora ou organismo semelhante,
capaz de gerar um núcleo de inteligência, para
planejar e cuidar do setor cafeeiro, para
executar uma política de marketing, de
assessoramento e de estabelecimento de
mecanismos de defesa dos preços de café, em
colaboração com os demais países produtores.
Como cultura perene, o café precisa de
medidas de maior estabilidade na oferta e
preços menos voláteis.
COMO VAI VOCÊ
05
ALDIR: PROFESSOR DE QUALIDADE DO PERES ROMERO: UM IDEALISTA DA
CAFÉ
LAVOURA CAFEEIRA
Aldir Alves Teixeira tem muita sorte pois fica
bebendo café e ainda ganha para isso.
Aldir, Eng.º agrº formado pela ESALQ em 1959,
com mestrado, trabalhou por longos anos na
Secretaria de Agricultura de São Paulo, (19601991) que o colocou em convênio com o ex. IBC,
atuando como responsável por pesquisas e ensaios
no setor de qualidade do café. Ali coordenava, a
partir de 1966, os cursos de classificadoresprovadores de café do IBC. Participou da equipe
de pesquisas do IB-SP e do IBC-GERCA, tendo
mais de 60 trabalhos de pesquisa publicados. Fez
parte, por vários anos, da comissão organizadora
dos congressos de pesquisas cafeeiras e participa,
também da Asic - Associação Científica
Internacional do Café.
Destacam-se no colega Aldir a sua seriedade no
trabalho e a sua ótima didática ao proferir palestras
e aulas, prendendo a atenção dos participantes com
a sua clareza de expressão.
Aldir se aposentou no serviço publico estadual de
São Paulo, como pesquisador, em 1991, mas não
parou. Montou a empresa Assicafé, responsável
por analises e assessoria em qualidade do café.
Coordena, também, o concurso de cafés para
expresso da Yllicafé. Recentemente Aldir recebeu
uma homenagem da Câmara Setorial do Café de
São Paulo, que colocou seu nome no concurso de
cafés especiais naquele estado.
José Peres Romero é Engº Agrº, formado pela
ESALQ, em 1952 e, também, grande cafeicultor
nas montanhas de Ouro-Fino-MG, onde é
entusiasta dos cafés de qualidade, despolpados, e
das lavouras adensadas e defensor das podas em
cafézais.
A bela trajetória de Peres Romero, em sua careira
agronômica, combina idealismo, muito trabalho e
uma paixão especial pelos livros e pelo café. Edita
livros e publicações pela renomada Editora Ceres,
de sua propriedade, que já foi responsável pela
edição de centenas de títulos de livros sobre
agricultura e pecuária.
No café Peres Romero orienta todos que o
procuram, sempre com novas idéias, junto com o
seu parceiro predileto, o professor Malavolta. Ele
lançou as idéias da secagem em estufa, do caféduto
e adotou, antes que todos, os processos do cerejadescasdo, a poda por planta e o manejo do mato
como aliado na lavoura. Participou de viagens a
vários países cafeeiros no exterior e simpatiza
muito com a cafeicultura de Costa Rica. Sempre
está presente, também, em congressos, seminários
e encontros. É gregário por natureza e todos gostam
dele pela sua capacidade de falar de forma
motivada, usando muito o coração.
Agora Peres Romero está transmitindo toda a sua
grande experiência e conhecimentos a seus filhos,
também Engºs Agrônomos. Continua, sem parar,
em Ouro-Fino e em todos lugares onde é
convidado.
Nosso agradecimento pelo seu grande empenho
com o café. Você merece a nossa homenagem.
PESQUISANDO
06
PROTEÇÃO DO CAFÉ EM CÔCO, ARMAZENADO EM TULHAS, PELA
PALHA DO CAFÉ.
J.B.Matiello - Eng. Agr. MAPA/PROCAFÉ; A.T.Lamis e U.V.Barros Eng. Agr. Consultores.
Foi demostrada como de grande utilidade a proteção do piso, em tulhas rústicas, através
de lona plástica com isolamento de palha de café, para armazenar o café em côco em
pequenas propriedades. Objetivou-se evitar a umidade junto ao fundo da tulha.
Na pequena propriedade cafeeira na Zona da
Mata de Minas é comum o uso de tulhas de alvenaria
para armazenagem do café em côco. Nestas
condições, sem a devida impermeabilização de piso
ou sem um assoalhado de madeira isolado do piso, é
freqüente a ocorrência de umidade e mofo na camada
de café que fica junto ao piso.
Na presente nota técnica relata-se a experiência
conduzida em uma propriedade cafeeira para
solucionar esse problema de umidade e prejuízo no
café em côco armazenado.
O trabalho teve início pela colocação de um
lençol plástico sobre o piso que, nas condições
testadas, mais rústicas, era do próprio solo batido. No
ano seguinte, retirando o café, apareceu uma camada
de 10-15cm de café mofado no fundo. Em seguida, a
evolução foi para encontrar um isolante da umidade
do solo que auxiliasse a ação da lona. Procedeu-se,
então, à colocação de uma camada de palha de café
sob a lona, o que melhorou, mas não deu certo
completamente, o que aconteceu quando a camada de
palha (de cerca de 15cm) foi colocada sobre a lona.
Aí, então, despejado o café em côco, por cima, não
mais se verificou café mofado.
Por ocasião do beneficiamento do café, a palha
vai junto com o café em côco, sendo separada na bica
de jogo. Para o ano seguinte, deixa-se uma sobra de
palha nova para refazer a camada isolante sobre a
lona plástica preta.
Com essa adaptação de tecnologia a baixo
custo o pequeno produtor pode economizar e, ao
mesmo tempo, manter seu café sem fermentação,
umidade ou mofo.
USO DE FLUTRIAFOL (IMPACT 125 SC)
FERRUGEM DO CAFEEIRO.
NO
CONTROLE
J.B.Matiello e S.R.Almeida - Eng. Agr. MAPA/PROCAFE;
R.A.Ferreira - Tec. Agrícola MAPA/PROCAFÉ.
Foram testados vários sistemas de aplicação do fungicida Impact125SC (flutriafol) no
controle da ferrugem do cafeeiro, em 2 ensaios na Fazenda Experimental em Varginha.
No 1º ensaio foram avaliados 8 tratamentos compreendendo 2 épocas de aplicação do
Impact via solo e outros modos de uso do Impact, via tronco, via saia e via pulverização
foliar. No 2º foram testados 5 tratamentos, com aplicações em 3 partes localizadas na
copa do cafeeiro em relação à aplicação na planta toda. Foram avaliadas a infeção em 2
ciclos e a 1ª produção útil no ensaio 1 e a infeção e a desfolha no ensaio 2. Verificou-se
que o Impact apresentou boa eficiência no controle da ferrugem, com ganhos de
produtividade, sendo possível seu uso em vários sistemas de aplicação, devido à
facilidade de absorção e à boa translocação do produto nos cafeeiros.
DA
PESQUISANDO
A ação de fungicidas sistêmicos Triazóis, no
controle da ferrugem do cafeeiro é bastante
conhecida, estando 6 ativos em uso extensivo na
lavoura cafeeira. A partir de 1985, vem sendo
pesquisado o uso de um novo ativo do grupo dos
Triazóis, o Flutriafol, cujos resultados levaram,
recentemente, à sua indicação e uso no controle da
doença.
Nos anos agrícolas 2001/02 2002/03, novos
ensaios foram conduzidos, com o objetivo de
acompanhar a eficiência do Impact líquido, na
formulação 125 SC, ampliando os conhecimentos
sobre aspectos técnico-econômicos do controle,
como a época, dose e modos de uso.
No presente trabalho foram reunidos os
resultados obtidos em 2 ensaios realizados na
Fazenda Experimental de Varginha, a 950 m. de
altitude, no Sul de Minas. No 1º ensaio, 2 ciclos de
controle foram avaliados, em lavoura de Mundo
Novo, 10 anos, espaçamento 4x1m, testando-se 8
tratamentos, em blocos ao acaso com 4 repetições. Os
tratamentos ensaiados estão detalhados no Quadro 1.
O 2º ensaio, também instalado na Fazenda
Experimental do MAPA/FUNPROCAFÉ, em
Varginha-MG, foi conduzido em cafezal Mundo
Novo, no espaçamento 4x2m ( 2 pl./cv ) com 5
tratamentos e 5 repetições, parcelas de 6 plantas, no
07
delineamento de blocos ao acaso. Foram testados 4
modos de aplicação do Impact 125 SC, conforme
discriminado no Quadro 2. As aplicações foram
feitas com pulverizador costal motorizado, usando o
equivalente a 400 l de calda por ha, no tratamento em
que toda a planta foi pulverizada, e reduziu-se o uso
de calda para 30%, e para 50%, nas modalidades “na
saia”, “no topo” e de um lado das plantas, mantendo,
em todos os casos, a dose de 1,5 l/ha, modificando a
concentração da calda.
Foram feitas 2 aplicações, em 21/01/03 e
24/03/03.
A amostragem de folhas foi feita no pico da
doença em ago/03, coletando-se, ao acaso, 10 fls/pl.
A desfolha foi avaliada em set/03 em 4 ramos, ao
acaso, por planta.
Foram coletados frutos da safra de 2003, no
ensaio 1, para análise de resíduos no tratamento via
solo, com 4 l/ha, na testemunha e em parcela
adicional que recebem 7 l/ha. A análise foi realizada
no laboratório da ESALQ.
Quadro 1 - Infeção pela ferrugem e produção em
ensaio de época e modo de aplicação do Impact
em cafeeiros, Fazenda Experimental do
MAPA/FUNPROCAFÉ. Varginha-MG, 2003.
TRATAMENTOS
1. Impact 125 SC - 4,5l/ha, solo, dezembro
2. Impact 125 SC - 4,5l/ha, solo, janeiro
3. Baysiston - 50kg/ha, solo, dezembro
4. Baysiston - 50kg/ha,solo,janeiro
5. Impact 125 SC - 1,5 l/ha, pulverizado 2 vezes
6. Impact 125 SC - 4,5l/ha, pulverizado na saia, dezembro
7. Impact 125 SC - 4,5 l/ha, pulverizado no tronco, dezembro
8. Testemunha
Infeção % de
fls. infectada
Junho / 02
Agosto / 03
20,5 a
11,0 a
37,0 ab
12,0 a
37,0 ab
22,0 ab
42,5 ab
21,0 ab
20,5 a
15,0 a
29,0 a
21,5 ab
24,0 a
25,0 ab
84,0 c
48,5 c
Prod. 2003
scs / ha
16,0 a
11,6 ab
16,9 a
10,1 ab
14,5 a
11,0 ab
9,8 ab
4,4 c
Quadro 2 - Infecção e desfolha em cafeeiros sob 4 sistemas de pulverização com Impact. Varginha-MG, 2003.
TRATAMENTOS
1. Impact 125 SC - 1,5 l/ha, saia, 2 apl.
2. Impact 125 SC - 1,5 l/ha, topo, 2 apl.
3. Impact 125 SC - 1,5 l/ha, lateral, 2 apl.
4. Impact 125 SC - 1,5 l/ha, planta toda, 2 apl.
5. Testemunha
% de fls. afetadas Ago/03
26,0 c
18,0 ab
30,0 c
6,0 a
81,0
d
% de desfolha Set/03
47,6 ab
42,2 a
54,4 ab
34,7 a
82,5 c
08
Resultado e Conclusões:
Nos Quadros 1 e 2 estão colocados os dados da
infeção e produção (ensaio 1) dos tratamentos com
Impact líquido no controle da ferrugem.
No ensaio 1 (Quadro 1): Houve superioridade,
tanto na infeção como na produção, para os
tratamentos com Impact via solo ou pulverizado (trat.
1 e 5 ), ficando, ligeiramente inferiores, os
tratamentos via solo mais tarde, na saia e no tronco
(trat. 2, 4, 6 e 7), todos superiores à testemunha que
apresentaram infeção alta no 1º ciclo (84% de plantas
infectadas) e média no 2ºciclo (48,5 %) devido à sua
baixa carga, que foi somente de 4,4 scs/ha, contra 1016 sacas nos tratamentos com Impact. Com relação à
época, na aplicação via solo, o efeito sobre o controle
da ferrugem, tanto no Impact, quanto no padrão
Baysiston, foi semelhante no 2º ciclo, pelo controle
residual e pela baixa produção.
Os resultados da análise de resíduo, tanto nos
frutos da testemunha como nos 2 tratamentos com
Flutriafol (4 e 7 l/ha) deram níveis menores que 0,05
ppm.
No ensaio 2 (Quadro 2): A ferrugem evoluiu até
81% de folhas infectadas e a desfolha foi elevada a
82,5% nas plantas da testemunha e nos 4 tratados
com diferentes modos de aplicação foliar do Impact a
infeção e a desfolha foram significativamente
inferiores (6 a 3 % de folhas infectadas e 34-54 % de
PESQUISANDO
desfolha).
A pulverização da planta toda foi o modo mais
eficiente, seguido da aplicação no topo. Nesse ensaio
o comportamento da aplicação na saia foi inferior
àquela do ensaio 1 devido à menor dose aplicada e o
início da aplicação mais tarde, já com maior infeção
da doença, visto que tanto as aplicações via solo, ou
localizadas via foliar precisam ser mais preventivas.
Da análise conjunta dos dois ensaios pode-se
concluir que:
a) O Impact líquido foi eficiente em variadas
formas de aplicação, devido à sua capacidade de
translocação nos cafeeiros.
b) Os sistemas via solo, com uma aplicação até
dezembro, e 2 foliares, em toda a planta apresentaram
o melhor comportamento, tanto sobre a ferrugem
como sobre a desfolha e a produção.
c) O efeito de época de aplicação via solo foi
significativo apenas no 1º ciclo de controle.
d) A aplicação localizada mostra eficiência
regular, com resultados ligeiramente inferiores aos
demais sistemas ( solo e foliar total) parecendo que
sua ação está bastante relacionada à época e dose,
exigindo mais pesquisas. Pode-se verificar, no
entanto, que a facilidade de absorção e translocação
do ativo, nos vários sentidos da planta, poderão
facilitar bastante no que se refere à tecnologia de
aplicação.
PESQUISANDO
09
MATURAÇÃO E PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE CAFÉ EM
REGIÃO DE ALTITUDE ELEVADA, DO SUL DE MINAS.
J.B.Matiello, S. R.Almeida e A.W.R.Garcia - Eng. Agr. MAPA/PROCAFE; R.A.Ferreira - Téc.
Agr. MAPA/PROCAFE e C.H.S.Carvalho - Eng. Agr. EMBRAPA Café.
Foram avaliadas as caracteristicas produtivas e da maturação em cultivares de café na
região de Carmo de Minas, em condição de altitude elevada. 13 materiais genéticos
foram colocados em ensaio tendo como padrões o catuai vermelho IAC 144 e amarelo
IAC 74. Foram avaliados, até o momento, 2 produções, em 2002 e 2003, verificando-se
que sobressairam, nas produções iniciais, o Sabiá 398 seguido do Canário, do Icatu 3282
e dos Catucaís. Quanto à maturação, se mostraram mais precoces o Bourbon, o Acaiá, o
Canário, o Híbrido Bomjardim e o Icatu3282.
O comportamento dos
cultivares de café depende da
condição
ambiente, onde a
temperatura, a luminosidade e as
chuvas, influem
tanto no
desenvolvimento e produtividade das
plantas, quanto na maturação dos
frutos, esta uma condição essencial
para a obtenção de boa qualidade nos
cafés colhidos.
Na região do Sul de Minas
Gerais, existem regiões montanhosas,
de altitude bastante elevada (1200 m),
exigindo o estudo de cultivares de
café que apresentem em
características mais adequadas a esse
ambiente.
Com o propósito de comparar
materiais genéticos de maturação
mais precoce, já conhecidos com
outros em desenvolvimento no
MAPA/PROCAFÉ, estão sendo
conduzidos dois ensaios em Carmo de
Minas, em área com altitude elevada e
com baixa insolação. Estão sendo
estudados 13 materiais, em blocos ao
acaso, 3 repetições e parcelas de 10
plantas.
PESQUISANDO
10
Quadro 1 - Produtividade média das 2 primeiras safras, em sacas beneficiadas/ha, de cultivares e
seleções de café em região de altitude elevada. Carmo de Minas - MG, 2003
VARIEDADES / CULTIVAR
1. Bourbom Vermelho
2. Bourbom Amarelo
3. Canário
4. MN x Catuaí (Bom Jardim)
5. Icatu Amarelo 3282
6. Acaiá 474/19
7. Sabiá 708
8. Sabiá 398
9. Catucaí Amarelo Multilinea
10. Catucaí Vermelho Multilinea
11. Catuaí Vermelho 144
12. Catuaí Amarelo 74
13. Catucai Amarelo 20/15 – 479
Produção média
2 primeiras safras - Scs/ha.
Média dos 2 ensaios
20,5
27,4
37,3
32,0
37,2
31,0
32,6
40,0
35,0
37,2
28,0
30,3
35,3
% de frutos verdes na colheita
12,0
6,5
11,0
13,5
19,0
8,0
30,0
45,0
39,0
31,0
28,5
26,5
25,0
O plantio foi efetuado em Mar/2000, e a condução das plantas, com adubação e tratos, foram os normais.
Resultados e Conclusões Preliminares:
Até o momento foram colhidas as 2 primeiras
safras, cujos dados de produtividade e percentual de
frutos verdes na colheita estão colocados no
Quadro 1.
Verifica-se que em termos das safras iniciais,
mostrando a precocidade produtiva, sobressaíram o
Sabiá 398, seguido do Canário, Icatu 3282 e Catucaís
(2 amarelos e 1 vermelho), todos com produtividade
superior a 35 scs/ha. Em segundo plano situaram-se o
Sabiá 708, o híbrido Bom Jardim, o Acaiá e os
Catuaís, com média de cerca de 30 scs/ha. As piores
produtividades estiveram relacionadas com os
Bourbons, sendo o amarelo mais produtivo que o
PESQUISANDO
vermelho, variando de 20-27 scs/ha.
Na maturação foram mais precoces o Bourbom
amarelo, o Acaiá, o Canário, o Bombom vermelho, o
híbrido de Acaiá x Catuaí e o Icatu 3282. Com
maturação média se comportaram os Catuaís, os
Catucaís 20/15 479 e vermelho e o Sabiá 708 e
tardios o Sabiá 398 e o Catucai Amarelo Multilinea.
As conclusões preliminares, já possíveis,
foram as seguintes:
Existem novas seleções de cafeeiros com
maior precocidade produtiva que os padrões Catuaí,
11
para as condições de regiões frias, podendo
apresentar diferentes níveis de maturação,
destacando-se o Canário (porte alto e frutos grandes)
e o Icatu 3282 (alto e frutos pequenos). De maturação
média destacaram-se os Catucaís (porte baixo) e de
maturação tardia o Sabiá 398. Apresentando
produção mediana e boa maturação ficaram o Acaiá
e o híbrido de Acaiá com Catuaí (porte baixo). A
opção pelos Bourbons representa menor
produtividade.
INFLUÊNCIA DO CICLO BIENAL NO CUSTO DE PRODUÇÃO DE CAFÉ:
COMPARATIVO EM LAVOURAS DE ARÁBICA E ROBUSTA.
J.B.Matiello - Eng. Agr. MAPA/PROCAFÉ, G.Ribeiro - Eng. Agr. Residente MAPA/DFA/RJ,
J.H.Siqueira - Econ. e P.M.O.Sobrinho - Cont. F.R.J.P. e E.E. Miranda - Cont. Fazendas Heringer.
Foram analisados os custos de produção de café, em 4 safras, em 2 fazendas no Leste de
Minas, em Mutum e Manhuaçú, a 1ª de café conillon e a 2ª de café arabica-catuaí.
Avaliou-se os custos por saca com efeito do ciclo bienal das produções obtidas. Os
custos obtidos para os cafezais arabica variaram de R$ 80,00 a R$ 175,00 por saca, com
média de R$ 135, 00, para 46 sacas/ha. Para os cafezais conillon a variação foi de R$
57,00 a R$ 102,00, com média de R$ 83,20 para produtividade de 34 sacas/ha. O ciclo
bienal influiu no custo, com o maior efeito sobre as lavouras arábica. O custo de
produção do conillon eqüivaleu a 63% do custo da saca do café arabica.
O custo de produção de café depende de
diversos fatores, destacando-se o sistema de plantio e
de manejo, a região produtora e o nível de
racionalização nos tratos e na administração do
empreendimento. Um fator muito importante é a
produtividade da lavoura, que influi atenuando os
custos fixos, já que são distribuídos por maior
número de sacas produzidas na mesma área.
No sistema de plantio a pleno sol, como
praticado na cafeicultura brasileira, a produção e a
produtividade variam ano a ano, em ciclos bienais,
afetando o custo anual e a sua média.
O objetivo do presente trabalho foi avaliar a
variação de custo do café conforme o ciclo bienal de
produção, na situação de lavouras de café arábica e,
ao mesmo tempo, analisar a mesma condição em
cafezal robusta-conillon.
Foram tomadas para as quatro últimas safras,
os custos contabilizados em 2 Fazendas no Leste de
Minas, uma na Zona da Mata, de café arábica, a cerca
de 700m de altitude e outra no Vale do Rio Doce, a
cerca de 200m de altitude com café conillon. Ambas
possuem áreas de café com cerca de 130ha, com bom
nível tecnológico, sendo na de conillon adotada a
irrigação de salvação. Também foram registrados os
níveis de produção e produtividade em cada ano.
A Fazenda de conillon possui cerca de 100ha de
lavouras abertas 4x1m. e 30ha 2,0x1,0m. Na de
arábica a distribuição é de cerca de 1/3 aberta
(3,5x1,5m), 1/3 com 3,0x1,0m e 1/3 com 1,75 a
2,0x0,5 a 1,0m.
Os dados de custos foram adotados conforme
as despesas efetivas contabilizadas, para todos os
i t e n s , c o m o p e s s o a l , i n s u m o s , e n e rg i a ,
administração, manutenção e outras. Em ambas
fazendas além do custeio, houve também pequeno
investimento anual, seja em equipamentos ou
renovação de lavouras, sendo esses gastos
PESQUISANDO
12
considerados no custo de produção, já que
representam uma reposição (depreciação) tanto da
lavoura como do maquinário.
No Quadro 1 fez-se um resumo das safras, da
produtividade e do custo de produção por saca
registrado em cada ano e na média, nas 2
propriedades em análise.
Verifica-se que os custos de produção variam
muito de ano para ano, conforme o ciclo produtivo
(alto ou baixo) nas lavouras de café arábica. Já nas
lavouras de conillon, a variação dos custos é menor
em função, também, do ciclo da produção variar
menos a cada ano.
Entre anos de alta e baixa produção em
lavouras arábica o custo cresceu em média (2 ciclos)
82%. No conillon a variação foi de 54%.
Em níveis absolutos, considerando fazendas
com nível tecnológico semelhante, pode-se observar
que o custo médio para o café conillon ficou em R$
83,00 por saca, contra R$ 135,70 no arábica com um
diferencial de 63%.
Abstraindo outras razões de ordem técnica no
manejo das lavouras, pode-se concluir que parte
dessa diferença entre as “variedades” pode ser
atribuída à menor variação no ciclo produtivo no
conillon, cuja produção média entre as 2 safras altas e
as 2 baixas variou somente 16%, enquanto na área de
café arábica variou 52%.
Os dados da planilha de custo mostraram,
ainda, a participação dos vários itens no total do custo
por saca. Para a lavoura arábica verificou-se que a
mão-de-obra contribuiu com 54-60%, os insumos
(adubos + defensivos) de 15-18%, e a manutenção de
tratores e veículos 5-7%, e outras despesas incluindo
comercialização com o restante. Para a lavoura
Locais e anos
Manhuaçu (arábica)
1999
2000
2001
2002
Média
Mutum (Conillon)
2000
2001
2002
2003
Média
conillon a mão de obra nos tratos representou 1719%, a da colheita 22-30% e da administração 4,56,5%, no total significou 43,5-55,5%; os insumos
representaram 24-34 % e a energia elétrica em torno
de 7%, ficando o restante para despesas de veículos ,
comunicação, transporte e materiais diversos.
Os resultados de custo analisados permitiram
concluir que:
a) O ciclo produtivo (alta ou baixa safra) influi
no custo de produção de café, com maior efeito no
café arábica, onde este diferencial é mais acentuado.
b) O custo de produção no café conillon para
semelhante manejo tecnológico, representa 63% a
menos que aquele no café arábica.
c) Os ítens com maior participação no custo de
produção: são a mão de obra e os insumos, sendo que
no conillon a mão-de-obra, especialmente da
colheita, teve custo menor.
Quadro 1 - Produção, produtividade e custo
unitário de produção de café, em lavouras arábica
e Conillon, no Leste de Minas.
Produção
(scs/benef)
Produtividade (scs/ha)
Custo/saca
(R$)
4800
8100
3200
8500
-
37,0
62,0
25,0
61,0
46,0
175,00
113,00
175,00
80,00
135,70
3300
2800
5350
4500
-
33,0
28,0
41,0
35,0
34,0
74,00
102,00
57,00
100,00
83,20
PESQUISANDO
13
ESCÓRIA SIDERÚRGICA (CÁLCIO/SILÍCIO) PARA REDUZIR O CUSTO
DA PAVIMENTAÇÃO DE TERREIRO PARA SECAGEM DE CAFÉ.
F.N.Ribeiro - Eng. Civil; J.B.Matiello - Eng. Agr. MAPA/PROCAFÉ e
E.C.Aguiar Filho Agrop. São Tomé.
Foi testada uma escória siderúrgica (cálcio-silicio) em 2 fazendas, em Pirapora e Serra
do Salitre MG, na construção de piso de terreiro para secagem de café. Foi utilizada uma
mistura de 25% da escória, 35% de brita zero, 35% de areia grossa e 5 % de cimento. O
material foi distribuído em fôrmas, sobre o solo compactado, em camada de 2 cm de
espessura. O custo obtido, em maio de 2003, foi de R$ 3,50/m2 de piso, contra R$ 15,00
do piso concretado normal.
Os terreiros para secagem de café ao sol devem
ter seu piso pavimentado, para evitar o contato do
café com a terra. Vários tipos de piso podem ser
usados, sendo mais comuns, atualmente, os
revestimentos com tijolos, concreto e asfalto.
Dentre as características do piso do terreiro,
são mais importantes, sob o ponto de vista
econômico, sua resistência, durabilidade e custo.
Com o objetivo de reduzir o custo da
pavimentação do terreiro foi utilizada escória de
siderurgia, do tipo cálcio/silício, (de alto forno),
visando reduzir o uso de outros materiais,
principalmente do cimento. Duas áreas de terreiro
foram pavimentadas com esse material, usando
tecnologia própria, conforme descrito no presente
trabalho. Os terreiros foram construídos nas
Fazendas São Tomé, em Pirapora-MG (área de
5.000m²) e na Fazenda Itapuã, em Serra do SalitreMG, (área de 10.000m²).
O material usado (escória bruta) foi obtido
junto à RIMA (Várzea da Palma-MG), sendo
constituído de: 30% CaO, 2% MgO e 60% Si 02.
Após a adequada terraplanagem e compactação do
terreno, foi usada a seguinte composição do material
de cobertura: 25% de escória, 35% de brita zero, 35%
de areia grossa e 5% de cimento. A mistura foi
preparada em betoneira e distribuída, com pouca
umidade, em camada de 2 cm, com auxílio de formas
metálicas desmontáveis, sendo preenchidos
retângulos, no chão, de 1m. de largura, compactando,
em seguida, com soquete.
Com o sistema e o material utilizado no terreiro
foi obtido um custo médio de R$ 3,50 o metro² (junjul/2003), incluindo a terraplanagem prévia, sendo
que nessa época um terreiro normal, concretado, saía
por R$ 15,00 o metro².
Esse piso suporta os tratores e carretas normais
e a mecanização no terreiro. Pode-se observar,
portanto, que é possível construir um piso de terreiro
bastante econômico, com o uso de material
disponível (escória) em vários locais, relativamente
próximos às diversas regiões cafeeiras em Minas
Gerais.
PESQUISANDO
14
AVALIAÇÃO DE PREJUÍZOS COM A PRESENÇA DE GRÃOS MOKA EM
CAFEEIROS.
J.B. Matiello - Eng. Agr. MAPA/PROCAFÉ; C.H.S. Carvalho - Eng. Agr. EMBRAPA Café;
G.B. Frota - Eng. Agr. Bolsista PNP&D Café; R.N. Paiva e L. B. Japiassú - Eng. Agr.
FUNPROCAFÉ.
Foram estudadas a presença e a perda de peso nos grãos devidas à falta de fecundação de
uma das lojas de frutos de café, dando origem aos grãos moka. Duas lavouras foram
avaliadas, coletando-se frutos em 3 posições do cafeeiro e em 2 situações nos ramos, nas
variedades catuaí e M. novo, em Varginha - MG, na safra 2003.
Verificou-se maior presença de grãos moka na parte alta do cafeeiro e na parte externa
dos ramos produtivos. A perda de peso em cada grão moka foi de 9% em relação aos
grãos chatos.
A presença de frutos com uma só semente em
cafeeiros e dos grãos moka no café beneficiado,
afetando a qualidade dos cafés (peneiras), está ligado
a fatores genéticos e do ambiente.
A quantidade de grãos moka, na prática, em
variedades comerciais, varia de ano para ano,
conforme a condição climática, principalmente pela
chuva e temperatura, afetando a fecundação dos
frutos.
No presente trabalho procurou-se estudar a
presença de grãos moka, em diferentes posições dos
cafeeiros e determinar a perda de peso em função
dessa presença.
Na safra de 2003, foram avaliadas 2 lavouras
na Fazenda Experimental de Varginha, sendo 1
e o peso de 100 grãos moka, nas 2 variedades.
cafezal Catuaí/ 144, com 12 anos de idade,
espaçamento 3,8 x 1m e outra de Mundo NovoQuadro 1 - Percentagem de grãos Moka em 3
Acaiá, com 10 anos, espaçamento 4 x 1m. Foram
posições do cafeeiro e em 2 regiões dos ramos. colhidas 30 plantas de cada variedade, separando a
Varginha - MG, 2003.
planta em 3 posições, terço baixo (saia), médio e alto,
Parte das
Região dos
% de grãos
e em 2 regiões dos ramos, na parte externa e interna.
Plantas
ramos
moka
Os frutos colhidos, em cada condição, foram
Dentro
10,2
secos separadamentes, até umidade uniforme
Topo
Fora
13,5
(11,5%), beneficiados e os grãos foram avaliados,
Média
11,85
determinando-se a percentagem de grãos moka de
Dentro
8,4
grãos chatos (normais). Em jogos de peneiras, foram
Médio
Fora
11,4
separadas as categorias moka grande (peneira 11
acima) e moka miúdo (9 acima) e chato grande (17
Média
9,9
acima) e chato miúdo (13 a 16).
Dentro
7,9
Saia
Resultados e Conclusões:
Nos quadros 1 e 2 estão colocados os dados de
percentagem de grãos moka nas posições, nas plantas
Fora
Média
Média Dentro
Média Fora
8,4
8,15
8,83
11,11
PESQUISANDO
15
Quadro 2 - Peso de 100 grãos de formato moka e chato em dois tipos de peneiras, 2 variedades.
- Varginha - MG, 2003.
Variedades
Mundo Novo
Catuaí
Média
Moka miúdo
10,2
8,6
9,9
Peso de 100 grãos (g)
Moka graúdo
Chato miúdo
13,5
11,3
11,5
10,9
12,5
11,1
Verificou-se que a presença de grãos moka foi
maior nas partes alta e média do cafeeiro, e na
posição externa do ramo, sendo menor na saia e na
parte interna dos ramos laterais. A percentagem
média de mokas ficou em torno de 10%, na média das
2 variedades, número um pouco acima do normal,
afetado pelo período mais seco no último ano.
Com relação ao peso dos grãos, a diferença
entre mokas e chatos, nas duas categorias de
peneiras,ficou em torno de 9%, com maior peso dos
grãos chatos.
Os prejuízos com presença de grãos mokas,
nesse caso resultariam em 0,9%. A essa quantia deve
Chato graúdo
14,0
13,3
13,6
ser adicionado 10% de grãos faltantes, isto na
situação ideal, onde ocorressem teoricamente 100%
dos grãos chatos.
Conclui-se que:
a) A presença de grãos mokas é maior nas partes
mais externas dos ramos e nas partes mais altas
das plantas, onde a condição de temperatura e
suprimento de água é mais desfavorável.
b) A perda de peso em cada grão moka é de cerca de
9% em relação a cada grão chato.
c) O prejuízo deve considerar, ainda, os grãos
inexistentes, por ter sido preenchida uma só loja.
USO
DE
MICRONUTRIENTES VIA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO EM
CAFEEIRO IRRIGADO POR GOTEJO CULTIVADO EM CONDIÇÕES
DE CERRADO.
André Luís T. Fernandes - Eng. Agrônomo, Prof. Universidade de Uberaba;
Roberto Santinato - Eng. Agrônomo MAPA/Procafé; Luís César Dias Drumond,
Prof. Universidade de Uberaba, Clênio Batista de Oliveira - Técnico Agrícola
Universidade de Uberaba.
Foi conduzido um experimento, em Uberaba-MG, objetivando suprir os 5
micronutrientes importantes para o cafeeiro através da água de irrigação por gotejo,
sendo utilizadas 2 doses para cada fonte de nutriente, zinco, boro, cobre, ferro e
manganês. Como padrão foi usada a aplicação foliar com sais, mais a testemunha. Foram
obtidos dados de 3 safras, cuja média mostrou ganhos de produtividade de 7 a 73 % pelo
uso de micronutrientes, todos com resposta positiva sobre a testemunha, à exceção do
boro, reduziu ligeiramente a produção. Foi viável o uso dos micronutrientes via gotejo.
A literatura é abundante em trabalhos
relacionados a doses de micronutrientes na condução
da lavoura cafeeira, porém são escassos os trabalhos
que tratam da aplicação de micronutrientes através da
água de irrigação, em diferentes sistemas. No
presente trabalho, objetivou-se estudar doses de
diferentes micronutrientes aplicados via água de
irrigação, em comparação com a pulverização
convencional em cafeeiros irrigados por gotejamento
autocompensante na região do Triângulo Mineiro.
O experimento foi instalado na Fazenda Escola
da Universidade de Uberaba (Uberaba MG), em
Latossolo Vermelho amarelo textura arenosa, a 850
metros de altitude, em lavoura de café Catuaí 144,
plantado em dezembro de 1998 no espaçamento de
4,0 x 0,5 m. O sistema de irrigação utilizado no
experimento é o de gotejamento marca Netafim, com
emissores RAM, vazão de 2,3 litros/hora, espaçados
PESQUISANDO
16
de 4,0 m entre linhas e 0,75m entre plantas.
Na Tabela 1 estão dispostos os diferentes
tratamentos, bem como as produtividades obtidas
após as duas primeiras safras. Convém salientar que
na pulverização com micros (tratamento 5), foi
utilizado o padrão de sais para a região do Triângulo
Mineiro, e nos demais tratamentos, exceto na
testemunha, foram aplicados exclusivamente os
micronutrientes especificados no Quadro 1.
Comparando-se com a testemunha, onde não
foram aplicados micronutrientes, a maioria dos
tratamentos promoveu aumentos significativos de
produtividade, de 7 a 73%. Apenas as doses de 1,25 e
2,5 kg/ha de Boro promoveram reduções na
produtividade, em relação à testemunha.
Comparando-se com a pulverização com sais, que
promoveu aumentos de 37% na produtividade média
(3 safras) em relação à testemunha, os tratamentos
referentes à aplicação de 10 kg/ha de manganês, 5
kg/ha de zinco, 3,25 e 7,5 kg/ha de cobre e 10 kg/ha
de ferro também foram responsáveis por aumentos
significativos de produção (42 a 73%).
Após três safras, pode-se concluir que:
É viável a aplicação de micronutrientes via
água de irrigação por gotejamento;
As doses mais recomendadas de Zn, Cu, Mn,
Fe e B são respectivamente, 10,0; 7,5; 10,0; 10,0;
1,25 kg/ha.
Tabela 1 - Doses micronutrientes aplicados via água de irrigação (gotejamento), em comparação com
a pulverização com sais e testemunha - safras 2001, 2002 e 2003.
Tratamentos
Dose(kg/ha)
1 - Zinco
10,0
2 - Cobre
7,5
3 - Manganês
10,0
4 - Testemunha (sem micronutrientes)
0,0
5 - Micro em pulverização
Sais
6 - Ferro
20,0
2,5
7 - Boro
5,0
8 - Zinco
3,25
9 - Cobre
5,0
10 - Manganês
10,0
11 - Ferro
12 - Boro
12,5
2001
31,4
37,0
33,8
24,9
31,9
24,1
14,7
33,1
38,9
35,0
39,5
19,1
2002
26,0
38,8
28,4
18,9
28,3
22,8
23,6
25,4
27,2
24,7
26,5
20,3
2003
45,7
35,6
33,9
26,7
31,5
24,0
28,7
33,0
29,7
28,3
34,1
30,0
Média
34,4
37,1
32,1
23,5
30,6
23,6
22,3
30,5
31,9
29,3
33,4
23,1
R%
146
158
136
100
130
101
95
130
136
125
142
98
COMPETIÇÃO DE CAFEEIROS HÍBRIDOS COM RESISTÊNCIA À
FERRUGEM E NEMATÓIDE M. exigua, NA ZONA DA MATA DE MINAS
GERAIS.
J. B. Matiello, A. R. Queiroz e S.R.Almeida - Engos Agros MAPA/PROCAFÉ,
A.S.Amaral e S. M. Mendonça Engºs Agrºs e S.L.Filho e A. Louback Tecs. Agrs. CEPEC-Heringer.
Foi conduzido um ensaio de competição de híbridos com resistência à ferrugem e alguns
também com tolerância ao nematóide M-exigra , no CEPEC, em Martins Soares, zona da
mata de Minas. Foram avaliados 13 materiais genéticos, usando-se como padrão o catuai
amarelo IAC 86. O ensaio foi conduzido no período de 1995 a 2003, sendo obtidos dados
de 7 safras. Verificou-se ligeira superioridade para o material de Acauã, seguido do
catuaí/86, do catucaí amarelo 2SL e do catucaí 785. Esses híbridos apresentaram bom
potencial produtivo e características desejáveis como resistências à ferrugem e ao
nematóide prevalecente na região.
PESQUISANDO
A evolução na seleção de linhagens e híbridos
de cafeeiros, para plantio na Zona da Mata de Minas
Gerais, deve ser dirigida para materiais com porte
baixo, resistentes à ferrugem e, para renovação ou
dobra de lavouras, seleções que tenham, também,
tolerância ao M. exigua.
Com o objetivo de verificar o comportamento
de novos híbridos, com resistência à ferrugem e
nematóide, na região de cafeicultura de montanha em
Minas Gerais, foi conduzido um ensaio no Centro
Experimental de Café Eloy Carlos Heringer (Conv.
MAPA/PROCAFÉ Grupo Heringer), em Martins
Soares, a 740 m de altitude, em solo LVAh.
O ensaio é composto de 13 itens, com
delineamento em blocos ao acaso, com 4 repetições e
10 plantas por parcela. O plantio foi efetuado em
Fev/95, no espaçamento 2,5 x 1,0 m, seguindo-se os
tratos culturais usuais, sendo feita uma adubação
17
anual de produção na base de 2000 Kg de 20-0520/ha (em 3 parcelas) e 3 pulverizações, cada com 2,4
Kg/ha de sulfato de zinco, mais 1,5 kg/há de ácido
bórico, mais 2,0 Kg/ha de hidróxido de cobre por ano
agrícola ( em out, dez e fev).
A relação dos materiais em estudo encontra-se
no quadro 1. A avaliação constou das produções,
obtidas nas 7 primeiras safras.
Resultados e conclusões:
O quadro 1 apresenta os dados médios de
produtividade, em sacas/ha, das 7 safras já colhidas
nas parcelas dos vários itens em estudo.
Quadro 1 - Produção em sacas beneficiadas/ha
(média de 7 safras) nos cafeeiros do ensaio de
híbridos. Martins Soares - MG - 2003.
Tratamentos
Produção média - 7 safras
(scs/ha) *
Acauã
Catuaí 86
Catucaí Amarelo 2 SL
CTA 86 x EP 24 cv 701
Catucaí 785
CTA 86 x EP 90
EP 24 x EP 90
FEX 607 CAT x ICATU
EP 24/365 x EP 24/170
CTA 86 cv 320 x EP 24 cv 337
Catucaí Vermelho F2
Catindú
CTA 86 x Piatã cv 368
* Tukey a 5%
56,2 a
51,6 ab
49,8 abc
49,1 abc
48,5 abc
46,2 abc
46,0 abc
45,6 abcd
40,6 bcde
40,3 bcde
37,9 cde
33,6 de
31,6 e
A análise estatística mostra ligeira
superioridade para o Acauã, um material oriundo do
cruzamento entre o Sarchimor (1668) e o Mundo
Novo (379/19), realizado pelos Técnicos do IBC no
Paraná e selecionado na FEX - Caratinga, seguido do
Catuaí 86 (padrão do ensaio), do Catucaí Amarelo
seleção 2 SL, dos híbridos de CTA 86 com materiais
tolerantes a bicho mineiro, e do Catucaí 785,
resistente a M. exigua. Os demais itens, com
comportamento intermediário, ainda em processo de
seleção das melhores plantas e com desempenho
inferior, ficaram o Catucai Vermelho F2, o híbrido de
Catuaí com Piatã e o Catindu.
Conclui-se que os novos híbridos em seleção
apresentam bom potencial produtivo e características
desejáveis, como a resistência à ferrugem e ao M.
exigua (Catucaí 785 e Acauã). O ensaio foi
encerrrado e o processo de melhoramento está
continuando com a seleção das melhores plantas
individuais.
PESQUISANDO
18
PRODUTIVIDADE DO CAFEEIRO IRRIGADO SOB DIFERENTES
CRITÉRIOS COM VÁRIAS DENSIDADES DE PLANTIO, NA REGIÃO DE
LAVRAS/MG.
M. S. Scalco - Eng. Agr. Dra/DAG/UFLA, A. Colombo - Prof. Adjunto/DEG/UFLA,
R. A. Gomes - Eng. Agr. Bolsista Des. PNP&D/Café, R. J. Guimarães - Prof. Adjunto/
DAG/UFLA, C.H. M. de Carvalho - Eng. Agr. mestrando em Agronomia/Fitotecnia,
L. C. Paiva doutorando em Agronomia/Fitotecnia, M.A. de Faria Prof. Titular/DEG/UFLA.
Especialmente, em lavouras cafeeiras em formação a “molhação” tem sido praticada com
sucesso, mesmo em regiões consideradas aptas quanto ao déficit hídrico. Entretanto, é
necessário rever os critérios utilizados para caracterizar as condições de umidade no solo
que levam ao desenvolvimento de déficits hídricos e conseqüentemente a quedas na
produtividade do cafeeiro.
Considerando-se que a densidade de plantio utilizada em uma lavoura cafeeira pode
modificar completamente a resposta da cultura à irrigação, é necessário também avaliar os
diferentes limites de armazenamento em relação aos diferentes arranjos de plantas.
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de diferentes critérios para determinação do
momento de início das irrigações sobre características de produção do cafeeiro plantado em
diferentes densidades de plantio.
O experimento foi instalado em área de
pesquisa da Universidade Federal de Lavras/MG. O
plantio foi realizado em 03/01/01, variedade “Rubi” MG-1192. O solo foi analisado quanto as suas
características físico-hídricas e químicas para
instalação da cultura no campo.Os tratamentos
constam de cinco densidades de plantio, 2.500pls/ha
(4,0x1, 0m), 3.333pls/ha (3,0x1, 0m), 5.000pls/ha
(2,0x1, 0m), 10.000pls/ha (2,0x0, 5m) e 20.000pls/ha
(1,0x0, 5m) e cinco critérios de irrigação, tensões de
20, 60, 100, 140kPa e manejo baseado no software
SISDA 3.5 (irrigando-se três vezes na semana), e
testemunha sem irrigação. O delineamento
experimental utilizado foi o de blocos casualizados
em esquema de parcelas subdivididas, com quatro
repetições. As cinco densidades de plantio estão
localizadas nas parcelas e os cinco critérios de
irrigação e a testemunha sem irrigação nas
subparcelas, perfazendo um total de 30 tratamentos.
O número de plantas na subparcela é de 10,
considerando-se 8 plantas úteis para avaliação da
produtividade de café da roça e estimativa do
beneficiado (sc/ha). Para irrigação das parcelas, junto
a cada linha de plantas, existe uma linha lateral de
gotejamento com emissores de vazão de 3,8l/h
espaçados de 0,4m. A umidade do solo foi
indiretamente monitorada através do uso de
tensiometros (com tensímetro digital) e blocos
porosos de gesso resinado.(Water Mark-Irrometer).
Os tensiômetros e os blocos foram instalados nas
profundidades de 10, 25, 40 e 60cm em duas das
quatro repetições. A irrigação de cada subparcela
ocorre quando a leitura média de tensão de água na
profundidade de 25cm indica a tensão de irrigação
relativa àquele tratamento. A correspondência entre
tensão de água no solo e umidade é obtida através das
curvas características de umidade do solo,
determinadas em laboratório para as diferentes
profundidades consideradas. Os tensiômetros e os
blocos porosos para avaliação dos diferentes valores
de tensão foram instalados na fileira de plantas
afastados cerca de 10cm da base do caule. As lâminas
de irrigação são calculadas considerando-se as
leituras obtidas nos tensiômetros e blocos porosos
nas profundidades de 10, 25 e 40cm. Em relação ao
manejo SISDA 3.5, os dados climáticos necessários
são monitorados diariamente utilizando-se uma
estação meteorológica automática Metos instalada
na área do experimento. Os tratos culturais são os
recomendados para a cultura irrigada e a adubação é
feita seguindo as recomendações para uso de
corretivos e fertilizantes em Minas Gerais 5a
PESQUISANDO
19
aproximação, Comissão de Fertilidade do Solo
do Estado de Minas Gerais (1999) para o cafeeiro, e
as recomendações de Malavolta e Moreira (1997) e
Santinato e Fernandes (2002) para a cultura irrigada.
A adequação da adubação é avaliada periodicamente
através de diagnose foliar e do solo.
nesse caso o microclima é alterado em função do
sombreamento, da temperatura e de outros fatores
envolvidos na demanda evapotranspirativa do
cafeeiro.
Irrigações mais freqüentes (Figura 1) através
do manejo SISDA 3.5 e tensão de 20kPa,
proporcionaram produtividades de café da roça mais
altas em praticamente todas a densidades de plantio.
Nas densidades de 2.500 e 3.333 plantas/ha as
produtividades nos diferentes critérios de irrigação
tendem a se igualar, diferenciando
significativamente apenas da testemunha, sem
irrigação.
Resultados e Conclusões
A produtividade de café beneficiado foi
estimada considerando-se um rendimento médio de
450l/saca de sessenta quilos, relação comumente
usada pelo produtor. Porém, em função dos
tratamentos essa relação pode ser alterada para mais
ou menos.
A resposta da produtividade variou em função
das diferentes densidades de plantio e dos critérios de
irrigação, demonstrando que o consumo de água do
cafeeiro varia em função do espaçamento, porque
Figura 1 - Produtividade de café da roça e
estimativa de beneficiado (sacas/ha) em
diferentes critérios de irrigação e densidades de
plantio. UFLA, Lavras/MG, 2003.
2.500 plantas/hectare (4,0 x 1,0m)
Café da roça
280
260
240
220
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
a
a
3.333 plantas/hectare (3,0 x 1,0m)
Café da roça
beneficiado
320
300
280
260
240
220
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
a
a
a
a
a
a
a
a
b
b
SISDA3.5
20kPa
60kPa
100kPa
Momentos de irrigação
140kPa
S/irrigação
a
a
420
390
360
330
300
270
240
210
180
150
120
90
60
30
0
a
a
a
a
a
b
b
SISDA3.5
20kPa
60kPa
100kPa
Momentos de irrigação
140kPa
S/irrigação
10.000 plantas/hectare (2,0 x 0,5m)
beneficiado
Café da roça
600
a
a
a
a
a
5.000 plantas/hectare (2,0 x 1,0m)
Café da roça
beneficiado
a
a
550
a
beneficiado
a
500
b
b
450
400
b
b
350
300
c
a
b
250
200
a
b
b
a
150
100
c
a
a
b
b
c
c
50
0
SISDA3.5
20kPa
60kPa
100kPa
Momentos de irrigação
140kPa
S/irrgação
SISDA3.5
20kPa
60kPa
100kPa
Momentos de irrigação
20.000 plantas/hectare (1,0 x 0,5m)
Café da roça
800
750
700
650
600
550
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
a
beneficiado
a
b
b
b
a
a
b
b
c
c
d
SISDA3.5
20kPa
60kPa
100kPa
Momentos de irrigação
140kPa
S/irrigação
140kPa
S/irrigação
PESQUISANDO
20
Aliás, especialmente em sistemas de plantio
mais adensados a falta da irrigação provocou fortes
quedas de produtividade. Essas perdas, nas
densidades de 2.500, 3.333, 5000, 10.000 e
20.000plantas/ha, são da ordem de, respectivamente,
74%, 68%, 57%, 78% e 84% da produção máxima.
As produtividades máximas estimadas de café
beneficiado de 163 e 155 sacas/ha foram verificadas
na densidade de 20.000 plantas com o manejo SISDA
e na tensão de 20kPa, provavelmente pelo maior
número de plantas por área e pela manutenção da
umidade do solo sempre próxima a capacidade de
campo.
Apesar destes bons resultados, na densidade de
20.000 plantas ocorreu uma queda significativa de
grãos na colheita aumentando a proporção de café de
varrição nestas condições, tanto nas plantas irrigadas
quanto nas não irrigadas (Figura 2). Sem o uso da
120
Café colhido (%)
Pano
irrigação, ocorreu uma maior proporção de café de
varrição do que de café no pano (34,2 % de café de
varrição para 65,8 % de café do pano).
Isso pode ter ocorrido porque houve maior
desuniformidade e maior atraso na colheita nesta
densidade, além da operação ter sido dificultada pelo
fechamento da cultura. Nas demais densidades essa
proporção situou-se acima de 90% para café de pano
e 10% de varrição. A colheita foi feita respeitando-se
um limite de 15% de verde, exceção para 20.000
plantas colhido com aproximadamente 20% de frutos
verdes, pois, já computava mais de 30 dias de atraso.
Figura 2 - Porcentagem da produção total de café
colhido no pano e varrição sob diferentes critérios
de irrigação e diferetnes densidades de plantio.
UFLA, Lavras/MG, 2003.
Café colhido (%)
Varrição
100
80
60
40
20
0
SIS 20k 60k 100 140 S/ SIS 20k 60k 100 140 S/ SIS 20k 60k 100 140 S/ SIS 20k 60k 100 140 S/ SIS 20k 60k 100 140 S/
DA Pa Pa kP kP irri DA Pa Pa kP kP irri DA Pa Pa kP kP irri DA Pa Pa kP kP irri DA Pa Pa kP kP irri
3.5
a
a ga 3.5
a
a ga 3.5
a
a ga 3.5
a
a ga 3.5
a
a ga
ção
ção
ção
ção
ção
2.500
3.333
Independente do critério, o uso da irrigação por
gotejamento aumentou substancialmente a produção
do cafeeiro. Mesmo irrigações em tensões mais altas,
(tensões de 100 e 140kPa) que resultaram em maiores
aplicações de água com turnos de irrigação mais
espaçados, mas que se concentraram no período de
seca (maio a setembro) aumentaram a produtividade
do cafeeiro. Pode ocorrer que nestas condições, o
maior turno de irrigação tenha sido benéfico.
Segundo vários autores o cafeeiro necessita de um
período de dormência, que proporciona maior
intensidade e uniformidade na floração, resultando,
na época da colheita, em frutos com maturação mais
5.000
10.000
20.000
homogênea. Tanto as plantas não irrigadas quanto às
irrigadas em tensões mais altas apresentaram uma
maturação mais rápida e uniforme em relação
àquelas irrigadas de forma mais freqüente. De acordo
com o critério de colheita adotado (porcentagem de
verde de 10 a 20%), a colheita iniciou-se pelas
parcelas menos adensadas (2.500 e 3.333 plantas/ha)
e pelos tratamentos não irrigados e os irrigados em
tensões mais altas.
Sendo esta a primeira produção significativa
em uma lavoura de dois anos e meio, necessita-se
resultados das próximas safras para confirmação do
melhor critério e do melhor sistema de plantio.
PESQUISANDO
21
As médias gerais do experimento sugerem
aumentos de produtividade significativos à medida
que se disponibiliza maior umidade no solo, com
menores quantidades de água por aplicação e
menores turnos de irrigação durante todo o ano, e
com a utilização de um maior adensamento de
plantas tanto na linha quanto entre linhas (Figuras 3 e
4).
Na região de Lavras/MG, o controle adequado
no uso da irrigação por gotejamento aumentou o
potencial produtivo do cafeeiro, resultando em
produtividades de café beneficiado acima de 100
sacas/ha quando a média da região sem o uso da
irrigação situa-se em torno de 20sacas/ha. No
entanto, esse aumento da produtividade de plantas
irrigadas é diferenciado em função da densidade de
plantio, fato que deve ser verificado com critério pelo
cafeicultor irrigante.
Figura 3 - Produtividade de café da roça e
estimativa do beneficiado (sacas de 60kg/ha) sob
diferentes critérios de irrigação. UFLA,
Lavras/MG, 2003.
Café da roça
450
400
350
300
250
200
c
c
Figura 4: Produtividade de café da roça e estimativa do beneficiado (sacas/ha) sob diferentes densidades
de plantio. UFLA, Lavras/MG, 2003.
Café da roça
550
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
Beneficiado
a
b
c
d
e
d
e
250
0
333
3
500
0
Literatura Citada
COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS
GERAIS. Recomendações para uso de corretivos e fertilizantes em Minas
Gerais, 5a aproximação. Viçosa, 1999. 359p.
a
b
c
1000
0
2000
0
MALAVOLTA, E. ; MOREIRA, A. Nutrição e adubação do cafeeiro
adensado. Informações agronômicas, Piracicaba: POTAFOS, n. 80, p. 1-8,
1997 ( Encarte técnico ).
SANTINATO, R. FERNANDES, A. L. T Cultivo do cafeeiro irrigado em
plantio circular sob pivô central, 2002.
22
Consulte pelo E-mail:
[email protected]
Tenho uma lavoura de café, ainda nova, na 1ª
e 2ª safras. São 26 ha, plantados a 2 x 0,7m, em área
bem amorrada, entre 500 e 600 m de altitude, na
zona da mata de Minas. Venho colhendo pouco,
apesar de não economizar nos adubos (mando a
análise de solo). A lavoura, em sua maioria,
desfolha bastante no pós - colheita. Gastei bem
mais do que rendeu a venda do café. Quero saber o
que devo fazer. Largo a lavoura ou continuo?
Milton Assis, S.F. do Gloria - MG.
COFFEA: Senhor Milton: vamos, primeiro, analisar
a sua região. Ela apresenta aptidão para o café
arabica, mas com pequena restrição.
A sua área se encontra em altitude mais baixa
que o ideal (600-900 m), sendo mais quente, por isso
a necessidade de água pelas plantas é maior e, no
sentido contrário, as chuvas são ali menos freqüentes,
o que pode exigir complementação por irrigação de
socorro, visando suprir o solo em períodos críticos,
na pré-florada e na formação dos frutos.
Vamos, agora, à parte agronômica, ou seja,
como vem sendo conduzida sua lavoura. Pelos
resultados da analise de solo
vemos que ocorre falta de cálcio
e magnésio nas áreas, sendo
necessário uma calagem.
Verifica-se, ainda, que o potássio
está bastante alto (140-200 ppm)
o que pode dispensar seu uso no
próximo ano agrícola, pois ele ,
em excesso, pode agravar sua
relação com o cálcio e magnésio
e pode causar a seca de ponteiros
e desfolha que a lavoura vem
apresentando. É necessário,
portanto, maior equilíbrio na
adubação.
Outra coisa importante é o
RESPONDE
controle fitossanitario na lavoura. A ferrugem e o
bicho-mineiro são problemáticos nessas áreas mais
quentes. É preciso executar um programa de controle
preventivo desses problemas, pois quando se vê o
prejuízo, pela desfolha, já é tarde.
Finalmente, vamos à parte econômica da
questão. Dois fatores são muito importantes na
economia da lavoura cafeeira. O primeiro é a
produtividade, que para o seu caso deve ser alcançada
a meta de 40-50 sacas/ha. O segundo
é a
racionalização dos gastos e administração das
operações na lavoura, eliminando os pontos críticos.
Por fim, a rentabilidade depende dos preços no
mercado, os quais, atualmente, estão muito baixos.
Em conclusão pode-se aconselhar o senhor a
continuar na atividade, efetuando os ajustes no
manejo das lavouras, especialmente:
adubação/calagem racional; controle de pragas e
doenças e irrigação de salvação. Procure um técnico
para lhe dar uma orientação permanente. Assim, com
a melhoria prevista em sua produtividade e com a
expectativa de preços melhores, a curto e médio
prazo, seu investimento, em grande parte já
realizado, poderá dar-lhe retorno adequado.
RECOMENDANDO
23
PODO OU NÃO MEU CAFEZAL?
J.B. Matiello - Engº Agrº - MAPA / PROCAFÉ
A poda de cafeeiro é uma prática que deve ser usada com muito critério. É preciso avaliar e analisar
bem, antes, para cada situação de lavoura, a oportunidade e o modo de fazer a poda, a qual, feita na hora e de
modo inadequados, pode causar prejuízos graves na produtividade do cafezal.
Até pouco tempo atras o uso das podas era pequeno na cafeicultura brasileira, cujos cafeeiros, em
espaçamentos normalmente largos, eram conduzidos a livre crescimento. Atualmente as podas tem se
tornado mais freqüentes, sendo executadas para atender a fins variados, quando, inicialmente, a preocupação
era restrita à questão de produtividade, visando manter ou restabelecer a condição produtiva das plantas de
café afetadas por fechamento.
Hoje os técnicos recomendantes e o produtor devem ter uma visão menos conservadora sobre poda em
cafezais. Devem, sim, manter o exame de caso a caso, analisando as características do talhão, mas, por outro
lado, devem examinar a poda como um componente do manejo da lavoura, sua interação com as demais
práticas no cafezal.
Por isso, a resposta à pergunta do titulo, se um produtor deve ou não podar sua lavoura vai ser
respondida em seguida.
FINALIDADES DAS PODAS
Como já foi dito anteriormente, hoje em dia
pode-se obter várias finalidades na aplicação das
podas em cafezais, sendo as principais: a) eliminar o
problema de fechamento dos cafeeiros; b) aumentar
a área de ramos produtivos em plantas debilitadas,
cinturadas, deformadas, compactadas etc; c)
acelerar e adequar a recuperação de cafeeiros
atingidos por geadas, granizo, raio, secas etc; d)
renovar a estrutura primária, as hastes e a copa de
cafeeiros, também promovendo seu reequilíbrio
com o sistema radicular; e) eliminar excesso de
hastes ou de plantas; f) reduzir a alturas das plantas,
para facilitar o trato e a colheita (principalmente a
mecanizada); g) melhorar o ambiente(arejamento,
insolação) dentro do cafezal , para reduzir a
incidência e facilitar o controle de certas pragas e
doenças (broca, ferrugem, phoma); h) melhorar ou
programar a produção das plantas (caso de safra
zero); i) equilibrar a parte aérea com o sistema CONDIÇÃO DE USO
Uma análise da situação das lavouras deve ser
radicular, em áreas com problema de suprimento de
efetuada examinando, a princípio, os fatores que
água.
RECOMENDANDO
24
estejam influindo negativamente na
produtividade e na operacionalidade das práticas de
manejo da lavoura, como o fechamento, o
depauramento, o acinturamento, a altura das plantas
e outros aspectos, incluindo análise de custo, que
levam à indicação de podas.
Em seguida é preciso observar se a lavoura
apresenta condições de recuperação após as podas.
Plantas muito velhas, de variedades pouco vigorosas
(caturra e bourbon), com sistema radicular pouco
desenvolvido, contaminadas por nematóides,
fusariose ou outras pragas ou doenças de raízes,
normalmente não respondem bem às podas. Muitas
vezes é necessário adotar práticas complementares
de tratamento para recuperação do solo, controle
fitossanitário etc. Do mesmo modo, se as lavouras
estiverem muito falhadas, ou com espaçamento
inadequado (baixo número de plantas por área),
pode-se optar por sua substituição ou efetuar
replantio ou repovoamento concomitante à poda.
Podar na época ou de modo errado pode
significar alem de perdas de produção desperdícios
de material vegetal, acumulado à custa de
investimentos feitos na nutrição e outros tratos
dispensados à lavoura e cuja reposição necessitará
tempo e novos investimentos.
Como se observa do quadro 1 as podas
promovem a remoção de partes da planta - folhas,
ramos e troncos
que representam enorme
quantidade de nutrientes acumulados, quantidade
essa crescente à medida em que o tipo de poda
empregado é mais drástico.
Quadro 1 - Quantidade de macro e
micronutrientes nas partes podadas de cafeeiros
(folhas + ramos +troncos), em cafezal Mundo
Novo, 12 anos, 4 x 1,2m. Varginha-MG-1984
Tipo e altura de poda
Nutrientes
Recepa Decote Decote Decote
0,4m
1m
1,5m
2m
N (g/planta)
169
154
85
42
P (g/planta)
10
8
5
2
K (g/planta)
150
139
88
41
Ca (g/planta)
78
72
33
17
Mg (g/planta)
16
17
8
4
S (g/planta)
5
4
3
2
B (mg/planta)
189
197
86
93
Cu (mg/planta) 120
115
64
26
Zn (mg/planta)
91
79
39
14
Fonte: Garcia et alli – Anais do 13º CBPC, p. 158-64.
RECOMENDANDO
25
As podas promovem, também, morte no
sistema radicular, conforme dados do quadro 2, em
conseqüência da redução da parte aérea da planta,
sendo as perdas proporcionais à intensidade da
poda. Essa morte é gradual e persiste até aos 4 meses
na recepa e esqueletamento (podas drásticas) e já
ocorre recuperação a partir dos 2 meses para o
decote.
Isso significa que, atendidas as necessidades,
quanto menos se cortar a planta melhor. Nos quadros
3 e 4 pode-se observar os resultados na aplicação de
podas drásticas ou leves, mostrando menores perdas
nas podas onde a estrutura das plantas foi melhor
aproveitada.
Quadro 2 Mortalidade de raízes de cafeeiro em
vários tipos de podas. Cafezal Mundo Novo, 7
anos, 3,5 x 1,5m(3-4 hastes/cova) - Alfenas - MG
- 1986.
Quadro 3 - Produção de café após sistemas de poda na recuperação de cafeeiros atingidos por geada
superficial (''Capote'') em cafezal MN, 5 anos, 4 x 5m - Elói Mendes - MG - 1979.
Produção média 2
Safras pós-poda
Tratamento
Recepa a 40 cm
Esqueletamento
Decote a 1,8 m
Sem poda, com limpeza
Testemunha
3,2 b
16,4 a
15,8 a
15,6 a
14,5 a
Quadro 4 - Produção inicial de cafeeiros após 2 tipos de recepa (baixa e alta), cafezal Mundo Novo,
15 anos, 4 x 0,8m - Elói Mendes - MG - 1994.
Tratamento
Recepa a 0,4 m
Recepa a 0,8 m (com
pulmão), 4-5 ramos
laterais despontados
1ª
10,2
21,0
CONCLUINDO
Como conclusão pode-se verificar que a poda
deve ser precedida de uma análise da situação da
lavoura e, consequentemente, da necessidade da
poda, diante das finalidades que se pretende dessa
prática. A capacidade de resposta à poda também
Safra pós-poda (scs/ha)
2ª
87,0
98,0
Média
48,6
59,5
deve fazer parte dessa análise. Esse exame, se
possível assessorado por um técnico experiente,
pode levar a 3 opções: não podar, podar ou substituir
a lavoura. Indica, ainda, o tipo de poda mais
adequado, visando o melhor retorno produtivo e a
custo mais baixo.
RECOMENDANDO
26
REPLANTIO E REPOVOAMENTO
EM CAFEZAIS.
J. B. Matiello - Engº. Agrº. MAPA/PROCAFÉ
Uma das principais condições para se obter boa
produtividade na lavoura cafeeira é o “stand” de
plantas, ou seja, o n.º de plantas de café por área.
As pesquisas mostram que o aumento do stand
eleva a produção por área, ao mesmo tempo em que
reduz o “ stress” ou desgaste dessas plantas no póscolheita, o que possibilita, também, melhor
produtividade na safra seguinte.
Deste modo, lavouras falhadas, com
espaçamento muito largo, com n.º pequeno de
plantas/ ha devem ser transformadas ou substituídas
por outras.
Para o pequeno e médio produtor,
especialmente nas regiões montanhosas,
normalmente é mais econômico o replantio ou
repovoamento dos cafezais, em relação à opção de
substituição por outra lavoura, esta condição é mais
viável para o grande produtor, principalmente em
áreas mecanizáveis, que facilitam tanto a eliminação
da lavoura velha como sua renovação.
O replantio é a prática utilizada para repor
falhas da lavoura, por morte ou fraqueza das plantas.
O repovoamento consiste na colocação de novas
plantas de café na lavoura, para aumentar o seu n.º
por hectare. Vamos ver como eles devem ser feitos.
As causas de falha
São muitas as causas que podem levar os
cafeeiros, jovens ou adultos, à morte ou ao seu severo
enfraquecimento, gerando a necessidade de
replantio. As causas principais são:
Em cafeeiros jovens: período muito seco no
pós-plantio; sistema radicular deficiente (origem da
muda ou plantio mal feito); rizoctoniose tardia;
queima da planta ou tronco (canela) por geada;
roletamento do tronco por vento; afogamento do
caule; encharcamento excessivo do solo; dano
mecânico por implementos; dose excessiva de
adubos (concentração de sais); danos por herbicidas;
roletamento do caule ou ataque de raízes por insetos e
faíscas elétricas.
Em cafeeiros adultos: Roseliniose (= mal de 4
anos), ataque severo de nematóide (M. incognita);
problema de impedimento de solo (pedra,
cascalho etc); excesso de água no solo
(encharcamento); sistema radicular deficiente
(associado a solo de má física); dano mecânico
por implementos; ataque severo de fusariose;
idem de mosca das raízes e cigarras; poda
drástica associada a sistema radicular
deficiente; mancha manteigosa (em cafeeiros
canillon e híbridos com robusta); e faísca
elétrica.
Como replantar
O replantio de falhas, em lavouras jovens
ou adultas, deve ser feito o quanto antes
RECOMENDANDO
27
possível, logo que essas falhas sejam
detectadas, observando, lógicamente, a
ocorrência do período chuvoso, para que as
novas plantas possam ter um bom pegamento.
Esse procedimento é necessário, pois evita-se
gastos com capinas e outros tratos numa área
sem plantas.
Cuidados especiais precisam ser
adotados no replantio, pois mudas
acostumadas em ambiente adequado serão
colocadas em condição menos favorável, com
a presença de pragas, doenças, ervas daninhas,
clima incerto etc. As principais recomendações
para o sucesso do replantio são as seguintes:
a) Não replantar lavouras muito velhas, de
variedades superadas, e com alta percentagem de
falhas. O melhor nesses casos é a substituição por
outra.
b) Usar mudas boas, de variedade igual ou de porte e
maturação semelhantes à da lavoura replantada.
Usar, de preferência, mudas maiores.
c) Preparar bem a cova, de preferência com adubo
orgânico e usando inseticida/fungicida de solo,
para que haja um bom arranque inicial da planta
nova e para proteção contra eventuais pragas,
oriundas da lavoura replantada.
d) Manter um controle diferenciado do mato,
inclusive com herbicidas de pré-emergência, para
proteger a muda nova, mais sensível ao mato.
e) Usar mudas de variedades resistentes/tolerantes a
nematóides (pé-franco ou enxertada) sempre que
a lavoura apresente problemas com essa praga.
f) Onde a morte for por roseliniose replantar após
aplicação de cal ou calcário na cova, e espera de
pelo menos 3 meses.
g) Não replantar quando o espaço da falha for
pequeno (menos de 1 m) porque a planta maior
pode encobrir, ocupar o espaço e não deixar
desenvolver a muda nova. Nesse caso, replantar
quando houver duas falhas seguidas, deslocando
um pouco a planta nova das laterais.
h) Usar, no replantio, distâncias mais adequadas
entre plantas na linha. Por exemplo, se houver 2
falhas, na distância de 1,5m entre elas, replantar
com 3 mudas (a 80 cm) mantendo, ainda, 70 cm
distante nas 2 laterais.
i) Aproveitar, sempre que possível, para replantar
após uma poda drástica (recepa) na lavoura, para
abrir mais espaço e dar mais igualdade ao
crescimento, alem do que, nessa condição, a
necessidade de replantio aumenta com a morte ou
a má brotação de algumas plantas podadas, que
apresentavam problemas de raízes.
j) Não replantar nas áreas que apresentam morte
devida a problemas de física do solo
(encharcamento, pedras etc).
k) Cuidado no uso de adubos/corretivos na cova,
pois o solo já pode estar corrigido e o excesso, por
exemplo de calcário, pode levar a problemas com
micronutrientes.
Como repovoar
Os modos de repovoar são 3: na rua, na linha e
em ambos.
O repovoamento na rua também é chamado de
“dobra” pois, como o nome indica, vão ser dobradas
as linhas da lavoura, com o plantio de uma nova linha
no meio da rua da lavoura antiga.
O repovoamento, no caso, com a “dobra” na
rua, era uma prática tradicional em lavouras antigas
no Estado do Paraná, sendo usado, principalmente,
para permitir a substituição da lavoura antiga, sem
perda de produção. Esta é uma das finalidades da
dobra e, nesse caso, 2 anos após a dobra, faz-se a
erradicação da lavoura antiga. Também fica a opção
de recepar a lavoura antiga e aproveitar sua brotação
por mais algumas safras.
A segunda finalidade, a maior, do erando-as
RECOMENDANDO
28
repovoamento é a de colocar mais
plantas por área, mantendo aquelas já
existentes, se for o caso, recuperando-as (com
ou sem podas).
Com os cuidados é perfeitamente
possível repovoar a rua de um cafezal adulto,
no espaçamento largo (3,5 a 4,5m de rua) sem
interferir, com poda drástica, nos cafeeiros
existentes, desde que eles não estejam
fechados, quando, aí, torna-se necessário abrir
espaço para as novas plantas.
Já, o repovoamento na linha é mais
problemático e, normalmente, requer a
associação com uma poda por recepa.
Quando a lavoura tiver um certo
fechamento, uma alternativa é a recepa de
linhas alternadas, que permite boa abertura sem
perda total da produção. De acordo com a
necessidade, 2-3 anos após, seria recepada a linha
que ficou.
Para o repovoamento valem as mesmas
recomendações e cuidados citados para o replantio.
Destaca-se, dentre eles, dois bem importantes: a)O
bom tratamento da cova, com adubação adequada e
com o uso de inseticida/fungicida/nematicida, sendo
indicados: 2 g de Temik/cv ou 3 g de Baysiston/cv ou
ainda 1 g de Bayfidan 60 GR + 2 g de Temik/cv,
aplicado logo após o pegamento das mudas; b) O uso
de espaçamento na linha e de variedades mais
adequados.
Os problemas fitossanitários observados, com
maior gravidade sobre as plantas novas, tem sido o
ataque de Phoma/Ascochyta (pela umidade e
inóculo), os nematóides, a infestação rápida de
mosca e de cochonilhas de raízes.
Alerta-se, ainda, para adotar o cuidado de
analisar o terreno antes, para dar base ao uso ou não
de calcário e outros nutrientes na cova. Como a
lavoura adulta, por anos sucessivos, deve ter recebido
calagens, o uso de calcário nas covas, uma prática
normal, pode causar graves deficiências de
micronutrientes, já nas mudas. Tem sido constatados
em áreas repovoadas problemas com manganês,
cobre, zinco, boro, ferro, todos com sua
disponbilidade reduzida em função da elevação do
pH do solo (acima de pH 6,0). Tem sido observadas
tambem toxidez por micronutrientes.
Quadro 1 - Porcentagem de folhas atingidas por
geadas em cafeeiros jovens e adultos sob
diferentes combinações de podas, dobras e
substituição de cafezal. Varginha - MG - 2000.
Tratamento
a) Substituição (plantio novo)
b) Dobra em área com cafeeiros recepados
c) Dobra em área com cafeeiros esqueletados
d) Dobra em área com cafeeiros decotados
e) Dobra em área com cafeeiros sem poda
Fonte: Matiello et alli - Anais 26º CBPC, p. 61-2
% de folhas afetadas pela geada
Plantas novas
Plantas velhas
55,7
50,4
9,2
4,8
2,9
79,6
65,3
64,6
0
RECOMENDANDO
Pesquisa mostra viabilidade
Na fazenda Experimental de Varginha vem
sendo conduzido um ensaio de dobras ou substituição
de cafezal adulto.
O ensaio foi instalado em 1999 sobre cafezal
catuai com 15 anos, espaçamento 3,5 x 1,5m..
Foram estudados 18 tratamentos,
compreendendo repovoamento na rua e/ou na linha,
combinado com recepa, esqueletamento e sem poda.
Foram testados tratamentos com adubo orgânico e/ou
inseticida/fungicida na cova. Um tratamento
constou, ainda, na eliminação da lavoura e sua
substituição, em sistema adensado e aberto.
Os primeiros dados desse experimento foram
obtidos já no 1º ano de campo, evidenciado, após uma
geada fraca ocorrida em 2000, que as plantas jovens,
plantadas no meio da lavoura adulta, ficaram
protegidas, sofrendo pouco o efeito da geada e de
ventos frios, como se pode observar no quadro 1,
onde se verifica que a % de folhas afetadas nas
plantas novas decresceu na medida em que a poda das
plantas adultas foi menos drástica. Assim, as plantas
adultas funcionaram como guarda-chuva para as
jovens, como ocorre com a arborização na lavoura de
café, que mantem o ambiente da área mais quente à
noite.
O ensaio vem sendo conduzido por 4 anos, com
resultados preliminares, em 4 safras, conforme os
dados acumulados, médios, agrupados no quadro 2,
que mostram o efeito da recuperação das plantas
velhas e podadas e a entrada em produção (inicial)
das novas plantas.
Verificou-se que:
Em relação ao tipo de poda, a curto prazo, nas 4
safras pós-poda, houve maior produção acumulada
no tratamento testemunha (sem poda), seguindo-se,
de forma semelhante, o esqueletamento e o decote, e
por último, a recepa.
Com relação ao tipo de dobra na linha, o maior
ganho ocorreu para a área com recepa, que permitiu
maior abertura inicial na linha para as plantas novas,
do que o esqueletamento, onde as novas plantas
ficaram esguias e fracas, já que cresceram entre
aquelas velhas, que voltaram a fechar mais
rapidamente, após o esqueletamento.
29
Quadro 2 - Agrupamento das produções médias
de café do ensaio, conforme o tipo de poda e de
dobra. Varginha,2003.
Tipos de Podas
Prod. Acum.
00/03 (scs./ha)
Recepa (sem dobra)
Decote (sem dobra)
Esqueletamento (só plantas velhas)
Sem poda (testemunha)
89,2
126,7
135,6
148,8
Tipos de Dobras
Prod. Acum.
00/03 (scs./ha)
38,8
2,3
35,1
24,3
13,8
7,8
43,2
a) Na linha
Com recepa
Com esqueletamento
b) Na rua
Com recepa
Com esqueletamento
Com decote
Sem poda
Subst. com arranquio (sem
adensamento)
Subst. com arranquio (adensado)
Com inseticida
Com adubo orgânico
Sem adubo orgânico
56,9
46,8
52,6
35,1
Quanto à dobra na rua também a recepa
ofereceu vantagens para as plantas jovens, seguindose o esqueletamento, o decote e a área sem poda
(testemunha). A substituição após o arranquio
representou um acréscimo de 8 sacas/ha em relação à
dobra na área com recepa, porém nesse caso não se
pode contar com a produção nas plantas velhas, que
se recuperaram e acumularam produções de 91,8
scs/ha.
Quanto ao uso de adubos/defensivos houve
resposta de 17 sacas/ha pelo uso de adubo orgânico
na cova e 11 sacas para o inseticida usado (Temik). O
uso de adubo orgânico promove uma ligeira melhora,
também, nas plantas da lavoura velha da área
dobrada.
O efeito das plantas novas, dobradas, sobre as
plantas velhas, foi observado de forma diferenciada,
de acordo com o tipo de poda. Para a recepa, as
plantas velhas perderam, nas 2 últimas safras, 4,8
scs/ha, enquanto no decote elas ganharam 12,5 sacas,
o que é explicado pela melhoria do solo, mais
próxima das plantas.
RECOMENDANDO
30
CONTROLE BIOLÓGICO DAS
PRINCIPAIS PRAGAS DO CAFEEIRO
ALGUMAS MEDIDAS PARA PRESERVAR E AUMENTAR SUA AÇÃO
José Marcos Angélico de Mendonça; Geraldo Andrade Carvalho
O cafeeiro hospeda espécies de insetos e
ácaros, algumas de maior importância econômica,
causando prejuízos freqüentes, como o bichomineiro-do-cafeeiro Leucoptera coffeella (GuérinMenèville & Perrottet, 1842) (Lepidoptera:
Lyonetiidae), a broca-do-café Hypothenemus hampei
(Ferrari, 1867 (Coleoptera: Scolytiidae) e as
cigarras-do-cafeeiro, especialmente a espécie
Quesada gigas (Olivier, 1790) (Homoptera:
Cicadidae). Existem, ainda, outras pragas
consideradas secundárias, como ácaros, cochonilhas,
formigas, lagartas, besouros desfolhadores e as
moscas (Moraes, 1998; Reis et al., 2002).
Para o controle efetivo das pragas do cafeeiro,
como de qualquer outra cultura, deve-se implementar
um conjunto de técnicas para o manejo do
agroecossistema, baseando-se em características
sociais, econômicas e ecológicas, que adota como
princípio, a otimização dos fatores naturais que
limitam as populações de pragas e respeita os
limiares de tolerância das plantas ao ataque dos
artrópodes-praga (Gravena, 1992). Esse é o conceito
do Manejo Integrado de Pragas (MIP), também
chamado de Manejo Ecológico (ME), que preconiza
a aplicação de produtos fitossanitários somente em
caráter emergencial e de forma menos prejudicial aos
inimigos naturais das pragas e ao ambiente (Gravena,
1990).
Os principais métodos de controle que podem
ser utilizados no MIP do cafeeiro são o cultural, o
biológico e o químico (Moraes, 1998; Reis & Souza,
1998, Reis et al., 2002). Por definição, o controle
cultural consiste no emprego de práticas agrícolas
normalmente utilizadas no cultivo das plantas,
visando ao controle das pragas, como por exemplo:
destruição de cafezais velhos e improdutivos,
alterações no espaçamento de plantio, realização de
adubação orgânica, colheita bem feita e repasse, no
caso da broca-do-café, etc. O controle biológico
baseia-se na ação de inimigos naturais (predadores,
parasitóides e entomopatógenos) sobre populações
de pragas, contribuindo para a sua manutenção
abaixo do nível de dano econômico. O controle
químico é realizado por meio da utilização de
substâncias químicas capazes de repelir e/ou
intoxicar e/ou matar as pragas nos agroecossistemas.
Neste trabalho serão apresentadas algumas
medidas para preservar e até mesmo, incrementar a
ação de inimigos naturais das pragas do cafeeiro.
Segundo Reis et al. (2000), todos os esforços devem
ser concentrados para o estabelecimento e
manutenção do controle biológico no
agroecossistema cafeeiro, o que contribui de forma
sobremaneira para a prática do ME.
IMPORTÂNCIA DE INIMIGOS NATURAIS
NO CONTROLE DE PRAGAS DE CAFEEIRO
Controle biológico do BMC
Em estudos a respeito da ação de agentes de
controle biológico sobre o bicho-mineiro-docafeeiro (BMC), observou-se eficiência no controle
da praga da ordem de 69% por vespas predadoras
(Tabela 1), 18% pelos parasitóides (Tabela 1) e, em
proporção menor, pelos entomopatógenos, causando
doenças nas lagartas (Souza, 1979; Reis et al., 2002).
Tabela 1. Relação de espécies de vespas predadoras e
de parasitóides do bicho-mineiro-do-cafeeiro.
Vespas Predadoras
(Hymenoptera: Vespidae)
Brachygastra lecheguana (Latreille, 1824)
Polistes versicolor (Olivier, 1791)
Polybia scutellaris (White, 1841)
Polybia paulista Ihering
Protonectarina sylveirae Saussure, 1854
Protopolybia exigua Saussure
Apoica pallens Fabricius
Eumenes sp.
Synoeca surinama cyanea (Fabricius, 1775)
Brachygastra augusti St. Hil.
Fonte: Adaptado de Reis et al. (2002).
Parasitóides
(Hymenoptera)
Centidea striata (Rohwer, 1914)
Cirropilus sp.
Colastes letifer (Mann, 1872)
Horismenus sp.
Mirax sp.
Orgillus niger (Haliday, 1833)
Proacrias coffeae Ihering, 1913
Stiropius sp.
Tetrastichus sp.
Eulophus sp.
RECOMENDANDO
31
As vespas predadoras de lagartas, também
chamadas de marimbondos, perfuram as minas do
BMC com suas mandíbulas, preferencialmente na
face inferior das folhas. Ao localizarem a lagarta no
interior da mina, puxam-na para fora, causando
rasgaduras na epiderme da folha, que apresenta sinais
típicos do ataque do predador (Figura 1) (Reis &
Souza, 1983).
Figura 1. Mina com
sinais de ataque de
vespa predadora na
face inferior da
folha.
O predador Chrysoperla externa (Hagen,
1861) (Neuroptera: Chrysopidae) (Figuras 2 e 3), em
sua fase larval, também tem ação predatória sobre
pré-pupas e pupas do BMC, sendo mais um agente de
controle biológico a ser preservado em
agroecossistema cafeeiro (Silva et al., 2001; Ecole,
2003).
Figura 2. Adulto
de Chrysoperla
externa.
Figura 3. C. externa
em fase jovem.
Os parasitóides do BMC ovipositam em
lagartas dentro das minas, onde suas larvas se
desenvolvem, causando a morte da praga. Colaboram
para a regulação populacional do BMC, entretanto, a
sua verdadeira participação no controle é de difícil
mensuração, visto que as vespas predadoras se
alimentam também de lagartas do BMC parasitadas.
Ainda, são listados na literatura, alguns
microrganismos capazes de causar doenças em
lagartas do BMC, como por exemplo, as bactérias
Erwinia herbicola e Pseudomonas aeruginosa
(Schroeter). Contudo, nota-se que esses agentes de
controle biológico são menos conhecidos, passando,
muitas vezes, despercebidos na cultura cafeeira (Reis
et al., 2002).
Controle biológico da broca-do-café
Foram testados alguns agentes que apresentam
características interessantes para o manejo desta
praga. Dentre eles, cita-se a vespa-de-uganda
Prorops nasuta Waterston, 1923 (Hymenoptera:
Bethylidae). Esse inseto parasita larvas e preda
adultos da broca-do-café. Entretanto, não houve
sucesso no estabelecimento como agente eficiente de
controle, devido à ausência de “sincronismo” entre a
praga e o inimigo natural, já que, depois da colheita, a
vespa se limita ao parasitismo/predação da broca
alojada nos frutos pendentes, não atuando sobre os
insetos de frutos sob a saia do cafeeiro. Este
comportamento da vespa-de-uganda promove
acentuada redução de sua população na lavoura
cafeeira, sendo necessárias liberações periódicas
para que o controle biológico seja eficiente (Moraes,
1998).
Ainda existem outros microrganismos que
podem ser utilizados no controle biológico dessa
praga, como o fungo Beauveria bassiana (Bals.)
(Figura 4) que necessita de condições de umidade
relativa em torno de 90% (nem sempre encontrada
em nossas condições) e Metarhizium anisopliae
(Metsch.), promissor no controle da broca-do-café,
desde que seja aplicado de forma correta e que as
condições climáticas sejam favoráveis ao seu
crescimento (Moraes, 1998; Reis & Souza, 1998).
Referente às cigarras, Souza et al. (1983)
constataram pela primeira vez, o fungo M. anisopliae
infectando a espécie Q. gigas, em cafeeiros no Estado
de Minas Gerais.
Figura 4. Colonização
da galeria da broca-docafé pelo fungo Beauveria
bassiana. À direita, no
canto superior, observa-se
um adulto colonizado
pelo entomopatógeno.
32
PRINCIPAIS MEDIDAS PARA PRESERVAÇÃO E INCREMENTO DA AÇÃO DE
INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS DE
CAFEEIRO
RECOMENDANDO
citam-se maior retenção de água, melhor aeração,
melhoria da fertilidade e aumento do número de
microrganismos benéficos ao cafeeiro, presentes no
solo. Tudo isto favorece o desenvolvimento de
plantas vigorosas capazes de tolerar ao ataque de
Dentre as medidas apresentadas por Gravena pragas.
(1992) e Moraes (1998), citam-se algumas que são
mais fáceis de serem implantadas na lavoura Utilização de produtos fitossanitários seletivos aos
cafeeira:
inimigos naturais
Dentro da filosofia do MIP preconiza-se o uso
Manutenção de matas próximas à lavoura
de pesticidas somente quando todos os outros
A presença de áreas de matas próximas às métodos (variedade resistente, cultural, físico,
lavouras cafeeiras possibilita o estabelecimento de legislativo, biológico, comportamental etc.), não
inimigos naturais, pois são usadas como fontes de apresentarem respostas satisfatórias na manutenção
alimento e abrigo. O aumento da diversidade de do nível populacional da praga abaixo do nível de
espécies vegetais próximas à lavoura cafeeira dano econômico.
colabora para a manutenção do equilíbrio biológico.
Como características do método químico
Por exemplo, a conservação de vespas predadoras do citam-se: emergencial, temporário, oneroso e, acima
BMC pode ser realizada com sucesso em áreas de de tudo, capaz de causar prejuízos ambientais
matas nativas adjacentes ao cafezal, ao passo que, em irreversíveis, quando usado de forma incorreta. Mas,
lavouras muito extensas e sem a presença de matas, se utilizado de forma correta, ou seja, o produto
todos os ninhos presentes nas plantas de café sendo aplicado na dosagem recomendada pelo
certamente serão destruídos, pois prejudicam a fabricante, com a tecnologia de aplicação requerida,
execução de atividades na lavoura.
observando-se condições de clima e baseando-se em
amostragens nos talhões, o controle químico pode
Manejo do mato na entrelinha
contribuir para o sucesso do MIP, resultando no
Essa tática baseia-se no manejo de plantas controle efetivo da praga em questão.
presentes nas entrelinhas das plantas de café para
Assim, deve-se realizar o monitoramento dos
serem fornecedoras de pólen, néctar, presas talhões da propriedade, no sentido de se obter a
alternativas para os predadores e parasitóides de dinâmica populacional da praga, e decidir o
pragas, além, de promoverem áreas de refúgio e momento mais adequado para intervenção química.
reprodução desses inimigos naturais. Recomenda-se Amostrando-se periodicamente as lavouras, pode-se
que seja feita a roçagem do mato na entrelinha do calcular os índices populacionais das pragas e de seus
café, evitando-se manter “totalmente no limpo”, inimigos naturais.
contudo, sem que essa medida apresente riscos ao
O uso de produtos seletivos é uma ferramenta
cafeeiro.
de grande valia no MIP, pois causa a morte das pragas
e são inócuos ou pouco tóxicos aos seus inimigos
Manejo do solo e adubação orgânica
naturais, contribuindo para a manutenção de
O manejo adequado das propriedades física e predadores, parasitóides e patógenos presentes no
química do solo, o preparo bem feito, entre outros agroecossistema cafeeiro (Rigitano & Carvalho,
cuidados, promove melhor estabelecimento das 2001).
plantas, capazes de explorar melhor o solo, água e
A seletividade pode ser fisiológica (inerente ao
nutrientes disponíveis na solução do solo, refletindo produto) ou ecológica (quando o produto é aplicado
em lavouras mais equilibradas e com maior de uma maneira que a praga fica mais exposta aos
capacidade de tolerar ao ataque de pragas. Em plantas seus resíduos do que os inimigos naturais (Moraes,
com desequilíbrios nutricionais ocorre acúmulo de 1998; Rigitano & Carvalho, 2001). Atualmente,
radicais livres (açúcares e aminoácidos), que em existem produtos registrados para o controle do BMC
muitos casos, servem de atrativos para as pragas, que são seletivos às vespas predadoras, como
podendo ocorrer maior infestação da lavoura (Gallo exemplo, teflubenzuron e lufenuron (reguladores de
et al., 2002).
crescimento de insetos) (Moraes, 1998; Vallone et al,
Ressalta-se que a adubação orgânica promove 2002).
vários benefícios ao solo e às plantas. Dentre eles,
A tecnologia de aplicação de alguns inseticidas
RECOMENDANDO
também pode ser fator de seletividade
ecológica, como por exemplo, a utilização de
defensivos agrícolas granulados de solo ou via
líquida no colo da planta, de forma que não
contamine diretamente a parte aérea evitando a morte
de inimigos naturais. Contudo, deve-se salientar que
os produtos nestas formas de aplicação são usados de
forma preventiva, não levando em consideração
valores de amostragens populacionais das pragas e,
portanto, discordando dos princípios do MIP
(Moraes, 1998).
Utilização de substân ias atrativas aos inimigos
naturais
Gravena (1992) relatou que pulverização de
substâncias atrativas e alimentares de inimigos
naturais pode ser uma boa estratégia para o
incremento do controle biológico na lavoura.
Entretanto, num trabalho conduzido por Moraes et al.
(2001), foi observado efeito tóxico às vespas
predadoras e parasitóides quando se utilizou proteína
hidrolisada (atraente para inimigos naturais) mais o
inseticida cartap (visando ao controle do BMC). De
acordo com estes autores, mais pesquisas nessa linha
de trabalho devem ser realizadas e que o uso de iscas
tóxicas requer cuidados.
Avaliando o efeito de suplementos alimentares
no aumento populacional de inimigos naturais do
BMC, Ecole (2003) aplicou lêvedo de cerveja + mel
(1:1) a 20%, melaço a 10% e proteína hidrolisada a
2% em plantas de café, e concluiu que esses
suplementos alimentares apresentam potencial como
tática de manejo para os inimigos naturais do BMC.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a importância econômica da
cafeicultura para o país, é importante que mais
pesquisas visando obter informações a respeito do
manejo de pragas-chave desta cultura sejam
incentivadas. Salienta-se que o uso contínuo de
produtos fitossanitários de largo espectro de ação e
longo poder residual, pode causar seleção de
populações resistentes de pragas, comprometendo o
MIP do cafeeiro. Desta forma, o incremento do
controle biológico natural e outros métodos
alternativos para o manejo das principais pragas da
cultura cafeeira que causem menos desequilíbrios
biológicos e menor impacto ambiental, devem
merecer mais atenção por parte dos pesquisadores.
Sugere-se, portanto, a realização de trabalhos
envolvendo aplicação de suplementos alimentares
33
como atrativos aos inimigos naturais das pragas, o
uso de feromônios sexuais sintéticos para
monitoramento e controle de pragas, o uso de
entomopatógenos tolerantes às condições climáticas
normalmente encontradas nas regiões cafeeiras, a
utilização de produtos sintéticos e naturais, seletivos
aos inimigos naturais dos insetos-praga, dentre
outros.
LITERATURA RECOMENDADA
CARVALHO, G.A. et al. Impacto de produtos fitossanitários sobre vespas
predadoras e parasitóides e sua performance no controle do bicho-mineiro-docafeeiro Leucoptera coffeella (Guérin-Menèville & Perrottet, 1842)
(Lepidoptera: Lyonetiidae). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
PESQUISAS CAFEEIRAS, 28., 2002, Caxambu, MG. Anais... Rio de Janeiro:
MAPA-SARC / PROCAFÉ, 2002. p.226-227.
ECOLE. C.C. Dinâmica populacional de Leucoptera coffeella e seus inimigos
naturais em lavouras adensadas de cafeeiro orgânico e convencional. 2003.
101 p. Tese (Doutorado em Entomologia) Universidade Federal de Lavras,
Lavras.
GALLO, D. et al. Entomologia Agrícola. Piracicaba: Agronômica Ceres,
2002. 648p.
GRAVENA, S. Manejo ecológico de pragas no pomar cítrico. Laranja,
Cordeirópolis, v.11, n.1, p.205-225, 1990.
GRAVENA, S. Controle biológico no manejo integrado de pragas. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 27, p.281-299, 1992.
MENDONÇA, J.M.A. de. Produtos naturais e sintéticos no controle de
Leucoptera coffeella (Guérin-Menèville & Perrottet, 1842) (Lepidoptera:
Lyonetiidae) e o impacto sobre vespa predadora. 2004. 81p. Dissertação
(Mestrado em Fitotecnia) Universidade Federal de Lavras, Lavras.
MORAES, J.C. et al. Efeito de atraentes alimentares no manejo do bichomineiro-do-cafeeiro Leucoptera coffeella (Guérin-Menèville & Perrottet,
1842) (Lepidoptera: Lyonetiidae) e de seus inimigos naturais. In: SIMPÓSIO
DE CONTROLE BIOLÓGICO, 7., 2001, Poços de Caldas. Resumos... Poços
de Caldas. 2001. p.258, 1CD.
MORAES, J.C. Pragas do cafeeiro: importância e métodos alternativos de
controle.cLavras: UFLA/FAEPE, 1998. 45p.
REIS, P.R.; SOUZA, J.C. de. Controle biológico do bicho mineiro das folhas
do cafeeiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.9, n.109, p.16-20, 1983.
REIS, P.R.; SOUZA, J.C. de. Manejo integrado das pragas do cafeeiro em
Minas Gerais. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.19, n.193, p.17-25.
1998.
REIS, P.R.; SOUZA, J.C. de.; MELLES, C.C.A. Pragas do cafeeiro. Informe
Agropecuário. Belo Horizonte, v.10, n.109, p.63-72, 1984.
REIS, P.R.; SOUZA, J.C. de.; VENZON, M. Manejo das principais pragas do
cafeeiro. Informe Agropecuário. Belo Horizonte, v.23, n.214/215, p.83-99,
2002.
RIGITANO, R.L.O.; CARVALHO, G.A. Toxicologia e seletividade de
inseticidas. Lavras: UFLA/FAEPE, 2001. 72p.
SILVA, R.A. et al. Predação de ovos, larvas e pupas de bicho-mineiro,
Leucoptera coffeella (Guérin-Menèville & Perrottet, 1842) (Lepidoptera:
Lyonetiidae) por Chrysoperla externa (Hagen, 1841) (Neuroptera:
Chrysopidae). In: SIMPÓSIO DE CONTROLE BIOLÓGICO, 7., 2001,
Poços de Caldas. Resumos... Poços de Caldas, 2001. p.259, 1 CD.
SOUZA, J.C. de. Levantamento, identificação e eficiência dos parasitos e
predadores do “bicho-mineiro” das folhas do cafeeiro, Perileucoptera
coffeella (Guérin-Menèville) no estado de Minas Gerais. 1979. 91p.
Dissertação (Mestrado em Entomologia) Escola Superior de Agricultura Luiz
de Queiroz, Piracicaba.
SOUZA, J.C.de; REIS, P.R.; MELLES. C. do C.A. Cigarras-do-cafeeiro:
histórico, reconhecimento, biologia, prejuízos e controle. Belo Horizonte,
EPAMIG, 1983. 27p. (Boletim Técnico: 5).
SOUZA, J.C. de.; REIS, P.R. Bicho mineiro: biologia, danos e manejo
integrado. Belo Horizonte: EPAMIG, 1992. 28p. (Boletim Técnico, 37).
SOUZA, J.C. de.; REIS, P.R.; RIGITANO, R.L.O. Bicho mineiro do cafeeiro:
biologia, danos e manejo integrado. Belo Horizonte: EPAMIG, 1998. 48p.
(Boletim Técnico, 54).
VALLONE, H.D. et al. Efeitos do inseticida fisiológico lufenuron no controle
do bicho-mineiro Leucoptera coffeella (Guérin-Menèville & Perrottet, 1842)
e no desenvolvimento inicial do cafeeiro. In: Congresso Brasileiro de
RESUMINDO
34
Extratos de Revistas Científicas nacionais e estrangeiras.
CONSIDERAÇÕES ECOLÓGICAS NA PRODUÇÃO DE CAFÉ COM E SEM SOMBRA:
UMA REVISÃO.
O trabalho apresenta uma revisão sobre os fatores
ecofisiológicos limitantes para a produção de café
arábica e robusta cultivados à sombra e a pleno sol.
Salienta que embora estas duas espécies, as quais
contribuem com quase a totalidade da produção
mundial de café, foram originalmente consideradas
plantas de sombra, embora lavouras a pleno sol possam
produzir mais que lavouras sombreadas. Salienta, que,
como regra geral, os benefícios do sombreamento
aumentam quando o café é cultivado em ambientes
menos favoráveis. A revisão enfatiza a bienalidade de
produção e a seca de ramos, os quais são bastante
reduzidos em condições de sombreamento, e as
relações entre as trocas gasosas e fatores ambientais,
bem como os aspectos fisiológicos de plantios
adensados.
(Da Matta, FM. Field Crops Research, 86:99-114.
2004).uez Moreno. In: Boletim Promecafé, nº 97,
mar-jun/2003).
PRODUTOS NATURAIS E SINTÉTICOS NO CONTROLE DE Leucoptera coffeella
(Guérin-Menèville & Perrotett, 1842) (Lepidoptera: Lyonetiidae) E O IMPACTO SOBRE
VESPA PREDADORA.
Objetivou-se neste trabalho, avaliar o desempenho de
produtos naturais e sintéticos no controle de BMC e o
impacto sobre a vespa predadora Polybia scutellaris
(White, 1841) (Hymenoptera: Vespidae). Foram
instalados bioensaios em laboratório visando avaliar a
toxicidade dos produtos naturais extrato pirolenhoso
(2%, 4%, 8% e 16%) e azadiractina (0,25%, 0,5%,
0,75% e 1%) e dos inseticidas lambdacyhalothrin (0,01
mg i.a./mL) e ethion (1,5 mg i.a./mL) sobre lagartas do
BMC e adultos de vespa. Em lavoura da cultivar Catuaí
Vermelho, simultaneamente, foi instalado experimento
em aproximadamente 1,2 ha, onde foram aplicados os
mesmos produtos e doses utilizados em laboratório,
com o objetivo de se avaliar a influência dos compostos
sobre a dinâmico populacional da praga e de seus
inimigos naturais. Tanto em condições laboratoriais
quanto em campo, os produtos naturais não interferiram
sobre a praga e seu inimigo natural. Ethion foi altamente
tóxico em condições laboratoriais, tanto à praga quanto
á vespa predadora. Em condições de campo, ethion
apresentou baixo efeito residual, possibilitando o
restabelecimento da praga, enquanto o inseticida
lambdacyhalothrin foi efeiciente no controle do BMC,
não demonstrando qualquer efeito inibitório sobre a
atuação das vespas predadoras.
(Mendonça, J.M.A. Dissertação (Mestrado em
Fitotecnia)
Universidade Federal de Lavras,
Lavras, MG. 81p., 2004).
NUTRIÇÃO DO CAFEEIRO ARÁBICA EM FUNÇÃO DA DENSIDADE DE PLANTAS E
DA FERTILIZAÇÃO COM NPK.
O objetivo deste trabalho foi avaliar a resposta do
cafeeiro arábica à aplicação de N (100, 300, 500 e 700
kg/ha de N), P (0, 60, 120 e 180 kg/ha de P2O5) e K
(100, 300, 500 e 700 kg/ha de K2O), cultivados em
diferentes densidades de plantio (3.333, 5.000, 10.000 e
20.000 plantas por hectare). Com base em informações
obtidas em cinco produções, não foram observadas
diferenças significativas de produtividade em função da
densidade de plantas. A resposta em produtividade do
café arábica às doses de N, P e K foi variável nos
diversos espaçamentos, com maior freqüência de
resultados positivos para N e P e menos expressivos para
K. Os teores foliares de N e P foram pouco influenciados
pelas doses de N e P2O5. Os teores foliares de K foram
fortemente influenciados pelas doses de K2O. Cafeeiros
submetidos ao sistema de cultivo adensado
apresentaram maiores teores foliares de P e K, quando
comparados àqueles cultivados em espaçamento largo.
Os solos sob cultivo adensado, quando comparados a
solos sob cultivos mais largos, apresentaram variações
em suas características químicas, sendo mais evidente a
redução do teor de H + Al.
(L.C. Prezotti, A.C.Rocha, Bragantia, 63(2):239251. 2004).
RESUMINDO
35
CARACTERIZAÇÃO DE CULTIVARES DE
UTILIZAÇÃO DE DESCRITORES MÍNIMOS.
A espécie Coffea arabica apresenta base genética
estreita sendo as cultivares bastante aparentadas e
originárias, em sua maioria, das tradicionais cultivares
Típica e Bourbon. Este trabalho foi desenvolvido com o
objetivo de identificar a eficiência de descritores
mínimos na caracterização de cultivares de cafeeiros e
como diferenciadores entre cultivares a serem
submetidas ao processo de proteção de cultivares no
Brasil. Foram avaliadas trinta e oito características
botânicas ou tecnológicas das plantas, folhas, flores,
frutos, sementes, assim como três características
agronômicas. Os resultados evidenciaram que apenas
COFFEA
ARABICA
MEDIANTE
com a utilização das características porte, cor do fruto,
resistência ao agente da ferrugem e ciclo de maturação é
possível obter uma discriminação eficiente dos
diferentes grupos de cultivares avaliados. A cor da
folhas jovens e o diâmetro da copa revelaram-se
importantes descritores na discriminação de cultivares
do grupo Mundo Novo. Não foi possível, porém,
identificar descritores eficientes na discriminação das
cultivares Catuaí Vermelho, Catuaí amarelo e Icatu
Vermelho.
(A.T.E. Agruiar, O. Guerreiro-Filho, M.P. Maluf, et.
al. Bragantia, 63(2):179-182. 2004.
EFEITOS DE RESTOS CULTURAIS DE MILHO SOBRE O CRESCIMENTO DE PLANTAS
DE CAFEEIRO (Coffea arabica L.).
Com esta pesquisa, visou-se testar o efeito de restos
culturais da parte aérea de três cultivares de milho sobre
o crescimento de cafeeiro cv. Rubi, em condições de
casa-de-vegetação, na Universidade Federal de Lavras,
Lavras
Minas Gerais. Os tratamentos foram
constituídos de 0, 2, 4 e 8 t/ha de palhada de milho (cv.
AG1051, C333 e C435), incorporada ou em cobertura,
em vasos de 8 L de capacidade preenchidos com solo.
Avaliaram-se a área foliar, altura e diâmetro de caule das
plantas de café aos 60, 120 e 180 dias após o plantio
(DAP), o teor de clorofila aos 170 DAP e a biomassa
seca de raízes aos 180 DAP. A palhada de milho
incorporada ao solo causou redução de área foliar, na
altura e no diâmetro de caule até os 60 DAP. A palhada
da cultivar AG1051 ocasionou maiores efeitos
negativos sobre o crescimento das plantas de cafeeiro,
quando incorporada. O uso de palhada de milho em
cobertura promoveu aumento de todas as características
avaliadas, como exceção do teor de clorofila. A palhada
da cultivar C435 em cobertura do solo foi a que mais
estimulou o crescimento das plantas.
(C.C. Santos, I.F. Souza, L.W.R. Alves, Ciência e
Agrotecnologia. 27(5)991-1001. 2003).
CONTROLE DE Brevipalpus phoensis (Geijskes, 1939) E Oligonychus ilicis (McGregor, 1917)
(Acari: Tenuipalpidae, Tetranychidae) EM CAFEEIRO E IMPACTO SOBRE ÁCAROS
BENÉFICOS. I - ABAMECTIN E EMAMECTIN.
O ácaro B. phoensis é importante em cafeeiro (Coffea
spp.), por ser o vetor do vírus da mancha-anular,
responsável por queda de folhas e má qualidade da
bebida de café, e o ácaro-vermelho, O. ilicis, por reduzir
a área foliar de fotossíntese. Alguns ácaros da família
Phytoseiidae são eficientes predadores associados aos
ácaros-praga. Este trabalho teve como objetivo estudar
o controle dos ácaros-praga e o impacto do abamectin e
emamectin sobre os fitoseídeos. Em laboratório, foram
estudados os efeitos ovicida, tópico, residual, tópico
mais residual sobre ácaros-praga e a seletividade
fisiológica aos fitoseídeos. Em semicampo, foi estudada
a persistência dos produtos no controle dos ácarospraga. Verificou-se que abamectin e emamectin não
possuem ação ovicida, para ambas as espécies de
ácaros-praga estudadas. Considerando o efeito tópico
mais residual, o abamectin e emamectin foram
altamente efeicientes no controle de larvas, ninfas e
adultos de B. phoensis; apenas abamectin foi eficiente
no controle de O. ilicis. Abamectin foi levemente a
moderadamente nocivo e emamectin mostrou-se inócuo
a levemente nocivo aos fitoseídeos. Devido à eficiência
de controle e seletividade a fitoseídeos, conclui-se que
abamectin e emamectin podem ser utilizados em
programas de manejo integrado do ácaro B. phoensis, e
abamectin para o manejo de B. phoensis e O. Ilicis.
(P.R. Reis, M. Pedro Neto, R.A. Franco, A.V.
Teodoro. Ciência e Agrotecnologia. .28(2):271-283.
2004).
PANORAMA
36
INTENSA DESFOLHA NOS CAFEEIROS
As lavouras de café vem apresentando, neste
ano, no período de pré e pós-colheita, uma desfolha
severa das plantas, deixando produtores e técnicos
abismados diante do mau aspecto dos cafezais.
Como se diz, vulgarmente, as lavouras estão
ficando “no pau”, ou seja, só se vê, ao longe, a
galharia, depois das plantas perderem, quase que
completamente, as folhas.
Quais são as causas dessa desfolha anormal? É
a pergunta freqüente. A resposta é baseada no que se
conhece, analisando o que vem acontecendo,
relativamente ao clima e ao trato dos cafezais.
O clima se apresentou mais úmido no inverno,
facilitando a ocorrência de doenças secundárias,
como a phoma/ascochyta e a ferrugem tardia, que
causam desfolha.
Os tratos tem sido menores, devido à crise de
preços do café. O nível de adubação nas lavouras foi
reduzido. O excesso de chuvas, principalmente no
inicio do ano, agravou essa situação de baixa
nutrição, pois provocou a lavagem (lixiviação) dos
adubos do solo. Com isso as plantas ficaram mais
fracas e sujeitas à cercosporiose, outra causa da
desfolha.
O abaixamento da temperatura à noite,
alternado com tempo quente durante o dia, na forma
de um choque térmico, pode, também, ser uma causa
paralela de desfolha.
Em resumo,
pode-se dizer que
plantas fracas, clima
frio e úmido,
favorecendo o ataque
de doenças tem sido
os responsáveis pelo
mau aspecto dos
cafezais, situação
que ocorre mesmo
em talhões que
produziram menos
nesta safra.
NOVA PUBLICAÇÃO FACILITA
A IRRIGAÇÃO NA
CAFEICULTURA FAMILIAR.
CONVÊNIO MAPA/FUNDAÇÃO
PROCAFÉ APÓIA A
TECNOLOGIA CAFEEIRA.
O livro “utilização da aspersão em malha na
cafeicultura familiar”, dos professores André
Fernandes e L. C. Dias Drumond, da UNIUBE,
recentemente lançado, traz informações completas
sobre as condições técnicas e econômicas para facilitar
a irrigação em pequenos projetos.
Trata-se de uma tecnologia simples, que pode
ser montada e operada pelo cafeicultor familiar, muito
adequada a sistemas de plantio de café adensados, ou,
então, em cultivos combinados no cafezal, com bom
aproveitamento das áreas e da água.
Sua apresentação, clara no texto e bem ilustrada,
vai tornar o uso do sistema bastante acessível aos
técnicos da AT, de modo a permitir sua introdução em
novas áreas de cafeicultura
Para obter a publicação, na UNIUBE, pelo tel.:
(34) 33198964 ou e-mail: [email protected]
Foi aprovado um novo convênio entre o
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a
Fundação PROCAFÉ, para o programa de
desenvolvimento de tecnologia cafeeira na
região de abrangência da Fundação, o Sul de
Minas e regiões vizinhas.
Com isso os trabalhos de pesquisa e de
difusão de tecnologia poderão ser ampliados, na
Fazenda Experimental de Varginha e nos campos
em colaboração.
Os recursos destinados ao programa são de
R$ 280 mil, para a manutenção de atividades por
um ano. Eles representam a primeira injeção de
verba pública, vinda do MAPA, para a ativação
dos projetos da Fundação PROCAFÉ, em apoio à
cafeicultura regional.
PANORAMA
37
TIRO NO PÉ DOS COLHEDORES.
A colheita de café é, tradicionalmente, uma
atividade altamente empregadora de mão-de-obra,
aproveitando todo tipo de trabalhador, das fazendas
ou das cidades, homens e mulheres.
Diante de uma estimativa de gasto de cerca de
50 homens/dia por ha de lavoura, para sua colheita, e
de um período médio de trabalho de 60 dias nessa
operação, a cada ano, pode-se calcular que, para a
área cafeeira no Brasil, de 2,4 milhões de hectares,
seriam empregado cerca de 2 milhões de
trabalhadores.
A colheita de café é um serviço braçal leve,
que exige menor esforço, por isso podendo ser feita
por mulheres e por trabalhadores com pouca força,
dando oportunidade a pessoas que não trabalham
regularmente.
Ocorre que a mão-de-obra vem se tornando
onerosa, pelo seu elevado custo social e exigências
paralelas da legislação trabalhista, muitas delas
difíceis de serem atendidas, especialmente diante da
crise atual de preços baixos do café.
Em boa parte por isso, visando reduzir custos,
tem-se observado um rápido crescimento no uso de
maquinário na colheita de café, onde é viável a
mecanização, seja com colheitadeiras automotrizes,
com derriçadeiras (tratorizadas ou costais),
recolhedores de café do chão etc.
Com varias passadas de colheitadeiras e com
as recolhedoras de café do chão tem sido possível a
eliminação do repasse manual. Com isso, uma
equipe de cerca de 20 trabalhadores equipados pode
dar conta da colheita em cerca de 200 hectares de
café em uma fazenda, quando ali seriam necessários
de 200 a 300 colhedores.
É preciso adequar a legislação para favorecer a
ambas as partes envolvidas no emprego. Do jeito que
está pode acontecer, em escala crescente, a
substituição dos trabalhadores que, assim, receberão
o efeito contrário pretendido pela lei, como se diz
vulgarmente “um verdadeiro tiro no pé” do
trabalhador.
MAIS UM DIA-DE-CAMPO EM VARGINHA.
No dia 08 de junho/04 foi realizado, neste ano
agrícola, um segundo dia-de-campo na Faz. Exp. da
Fundação Procafé, em Varginha. O evento contou
com a presença de 350 participantes, técnicos e
cafeicultores, dos vários municípios da região Sul e
Oeste de Minas, que vieram conhecer novas técnicas
de manejo da lavoura cafeeira.
As estações de campo enfocaram: poda,
sistema radicular do cafeeiro, controle da ferrugem e
outras doenças e pragas, e levantamento e discussão
dos problemas atuais da lavoura (desfolhas).
O dia-de-campo foi, novamente, um sucesso
de participação, pelo grande número de interessados
e pela sua qualidade, como técnicos recomendantes e
cafeicultores líderes.
O evento teve a importante colaboração da
Bayer Crop Science, através da regional de Belo
Horizonte, que apoiou nas facilidades de locomoção
do pessoal e ofereceu um almoço a todos no final da
programação.
38
ANÁLISE
EXISTE RESISTÊNCIA DA FERRUGEM DO
CAFEEIRO AOS FUNGICIDAS.
Responder, com certeza, à questão se já existe
resistência do fungo causador da ferrugem do
cafeeiro aos fungicidas que vem sendo utilizados é
impossível, pois não se dispõe de trabalhos
específicos de pesquisa visando essa determinação.
O que se pode ver na prática, entretanto, são
alguns produtos fungicidas que não vem
apresentando a mesma eficiência de anos passados,
levando à hipótese da ocorrência de resistência.
É preciso efetuar pesquisas para avaliar o nível
de resistência existente, e, ao mesmo tempo, usar
combinações de ativos no controle da ferrugem,
como já vem sendo feito em certos casos, devendo
essa recomendação ser ampliada, até por precaução.
Fungicidas e seus mecanismos
Os fungicidas usados no controle da ferrugem
do cafeeiro foram inicialmente (a partir de 1970)
produtos a base de cobre, até hoje utilizados,
seguindo-se a introdução e uso extensivo dos
fungicidas sistêmicos Triazois (a partir de 1985),
com produtos a base de
Triadimefon, Triadimenol,
Tebuconazole, Cyproconazole,
Propiconazole, Hexaconazole,
Tetraconazole e Flutriafol. Mais
recentemente foram lançados
produtos do grupo das
estrubirulinas.
Os fungicidas cúpricos
agem na ligação das proteínas
do fungo, impedindo o
crescimento do tubo
germinativo dos esporos e,
assim, protegendo as folhas da
entrada do patógeno.
Os fungicidas Triazois
atuam na síntese do ergosterol
do fungo e funcionam como
protetivos e curativos, devido à sua ação sistêmica.
Os fungicidas à base de estrubirulinas atuam
na respiração mitocondrial, possuindo efeito
protetivo/curativo, com ação mesostemica.
Para os fungicidas cúpricos não se conhece
história de resistência dos fungos. Para os Triazois já
ocorre resistência para fungos de ferrugens de
alguns cereais. Para estrubirulinas, igualmente, já
existe citação de resistência em outras doenças.
Raças de ferrugem
Os fungos causadores das ferrugens
apresentam, normalmente, muitas raças fisiológicas.
Para o caso de H. vastatrix, causador da ferrugem do
cafeeiro, são conhecidas mais de 50 raças, que são
importantes para a seleção de variedades de café com
resistência.
No Brasil, apesar de não existir um trabalho
sistemático de pesquisa de novas raças, já foi
constatada a ocorrência de 13 - 15 diferentes raças de
H. vastatrix. Na India tem-se notícia da ocorrência de
ANÁLISE
39
novas raças, que vem superando a resistência
apresentada pelo Híbrido de Timor, um material
genético de café até então imune a todas as raças.
Muitas variedades de cafeeiros no Brasil,
desenvolvidas ultimamente, que apresentavam bom
nível de resistência, estão, atualmente, com maior
nível de ataque de ferrugem.
Embora não exista uma relação direta entre o
aparecimento de uma nova raça de ferrugem, que
quebre a resistência de determinado material
genético, e o seu comportamento em relação à
resistência a fungicidas, já que se tratam de
mecanismos diferentes, deve-se prestar atenção a
esse fato, pois aparecem indícios de que está havendo
uma certa pressão de seleção, seja pelo uso de
material genético resistente, seja pelo uso continuado
de um grupo de fungicidas.
ferrugem do cafeeiro, em ensaios e em aplicações
comerciais, mostram que a eficiência de alguns
produtos triazóis via solo ocorria inicialmente com
doses em torno de 30kg/ha, que, em seguida, foram
sendo elevadas, até atingir 60-80 kg/ha atualmente.
O controle obtido com esses produtos ocorria
com uma eficiência de praticamente 100%, hoje em
dia esse nível de eficiência diminuiu bastante.
Bons resultados de controle são obtidos nos
últimos anos com formulações de triazois com
estrubirulina ou com associações do controle via solo
com a via foliar, com ativos diferenciados.
Tudo leva a crer, portanto, que no controle
praticado com triazóis vem ocorrendo uma seleção
de fungos tolerantes, cuja infecção aumenta na
medida em que aqueles susceptíveis são controlados.
É preciso, com toda prioridade, efetuar
trabalhos específicos de pesquisa voltados para
Observações práticas
determinação de resistência de H.vastatrix a
As observações da evolução do controle à fungicidas utilizados em seu controle.
COMO É FEITA A ESTIMATIVA DA SAFRA BRASILEIRA
DE CAFÉ: CIÊNCIA OU ADIVINHAÇÃO.
Falar sobre a importância do conhecimento dos
principais indicadores da produção cafeeira, a
dimensão do parque e as safras é chover no molhado.
Todos sabem que o volume da safra de café no Brasil
afeta, diretamente, a oferta mundial do produto, com
reflexos nos preços internacionais e, por conseguinte
influi na rentabilidade para nossos produtores.
Um bom trabalho de estimativa de safra é
desejável pois traria mais clareza ao mercado,
beneficiando, também, o comércio, a indústria, e o
próprio consumidor, enfim toda a cadeia do café.
Mas, como são feitas hoje em dia, nossas estimativas,
apesar das melhorias em curso, deixam muitas
dúvidas, pela falta de uma metodologia adequada,
dando espaço para uma série de estimativas
paralelas, que mais parecem um exercício de
futurologia, quase uma adivinhação do que irá
ocorrer.
TIPOS DE ESTIMATIVA
Diante dos trabalhos técnicos e das
experiências realizadas na previsão de safras de café
no Brasil pode-se agrupar 2 tipos de estimativa: a
objetiva e a subjetiva.
A metodologia objetiva obtém as informações
“ i n l o c o ” , j u n t o a o p r o d u t o r, e m s u a
propriedade,avaliando os dados sobre a área cafeeira
existente, sua produtividade e a safra prevista a
colher, ou já colhida. Em seguida, esses números são
40
expandidos, obedecendo à sua
representatividade na amostragem, para, em
conjunto com os outros produtores pesquisados,
chegar-se à produção regional e daí para a estadual e
do país.
O plano de amostragem nessa metodologia
deve ser elaborado com processos estatísticos, para
uma boa representatividade do universo, para reduzir
o coeficiente de variação e a margem de erros. Para
isso é necessário, previamente, ter em mãos o
universo dos produtores ou das áreas de café a serem
avaliadas pela amostragem.
No passado, na época do IBC, a amostragem
era efetuada sobre as áreas de café já avaliadas com o
uso de fotografias aéreas comuns (escala de 1:
25.000) como base de amostragem. Os pontos
amostrais eram sorteados e, em seguida, um técnico
conhecedor da região e de café, ia às propriedades
para levantar os dados, que depois, de forma
centralizada, eram apurados conforme o plano
estatístico.
A estimativa subjetiva, avalia, como o nome
indica, de forma subjetiva, as opiniões de alguns
componentes da produção cafeeira.
O pesquisador vai à região produtora e
pergunta a produtores, cooperativas, comerciantes e
técnicos, sobre opiniões de como deverá ocorrer a
ANÁLISE
safra, e, depois, calcula uma média de opiniões. Não
tem, portanto, uma metodologia científica.
MÉTODOS EMPREGADOS PELAS VARIAS
PESQUISAS
Pelas informações disponíveis pode-se
catalogar os trabalhos de previsões de safra no Brasil,
assim:
USDA - Pesquisa subjetiva, com pessoas
visitando as regiões e obtendo informações sobre
estado das lavouras e expectativas de produção.
Empresas de comércio - Tristão, Unicafé e
outras - mesmo sistema subjetivo, usando pessoas
experientes, com visita às áreas produtoras.
CONAB - Atualmente responsável pela
pesquisa de safra oficial do MAPA (em convênio).
Usa sistemas diferentes de acordo com cada
área produtora. No Paraná e em São Paulo obtem
dados dos órgãos ligados às Secretarias de
Agricultura (DERAL ,IEA,CATI), os quais se valem
de amostras estatísticas sobre fotos aéreas e sobre
cadastro de produtores. Existem dúvidas quanto ao
plano de amostras, que ao abranger todas as culturas,
ANÁLISE
propriedades amostradas em São Paulo variam
a cada ano, o que é prejudicial à estimativa da safra
cafeeira, onde a variação de produtividade, em anos
seguidos, é muito importante na definição dos
resultados.
No Espírito Santo os dados são obtidos junto à
INCAERP, que usa amostra de propriedades, porem
o universo inicial é desconhecido.
Na Bahia e Rondônia a metodologia é
semelhante, porem é complementada com
informações subjetivas, obtidas junto a Associações
de produtores.
Nos estados pequenos produtores, como Mato
Grosso, Goiás, Pará, Acre, Rio de Janeiro,
Pernambuco e Ceará, lança-se mão de informações
do IBGE e outras subjetivas.
Por ultimo, porem não menos importante, vem
Minas Gerais, responsável por cerca de 50% da
produção cafeeira. Nesse Estado é utilizado um misto
de estatística com subjetividade. Parte-se de uma
informação do IBGE, que dá, saiba Deus com que
precisão, a produção em cada município. Sobre essas
unidades municipais é lançado um plano de
amostragem, sendo sorteados alguns. Esses recebem
visitas que procuram, com informantes, saber qual
será a safra naquele ano, naquele município. Os
dados obtidos são, então, expandidos para chegar ao
total regional e no Estado.
Como se pode ver, existem deficiências nas
metodologias de estimativa, devido à falta de
informações básicas, desconhecendose o universo, ou seja a área cafeeira
efetiva e os produtores, e, ainda,
reluta-se em empregar métodos de
pesquisa objetiva, a mais adequada.
NOVAS METODOLOGIAS
As novas metodologias hoje
disponíveis poderão ser empregadas
futuramente, consistindo em usar foto
de satélite como base de amostragem,
com trabalho complementar de
levantamento em campo, junto aos
pontos nas propriedades.
Esta metodologia levaria a
informações bastante precisas, porém
41
exige tempo e recursos significativos. É preciso
adquirir as fotos e efetuar trabalho de campo para
restituição e interpretação correta de imagens, sendo
que em algumas áreas (montanhosas e pequenas)
existe grande margem de erro de geoprocessamento.
A CONAB está recebendo recursos para
implantar essa nova metodologia. Vamos esperar
que, no mais curto prazo, possamos contar com
informações mais precisas, capazes de orientar tanto
as autoridades responsáveis pelas políticas cafeeiras
como os vários segmentos do setor, em suas tomadas
de decisão.
CAUTELA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM
Enquanto não se tem estimativas melhores
resta prestarmos atenção a uma coisa: divulgar
resultados de pesquisas sem base é contra a lei, pois
uma pesquisa estatística, como o nome indica,
precisa ter a chancela de um profissional habilitado,
no caso um estatístico ou equivalente, conforme
norma do IBGE.
Veja o caso das pesquisas eleitorais, que
envolvem intenções que podem influenciar os
resultados das eleições. Veja, igualmente, uma
previsão de safra de café superestimada, como pode
derrubar o mercado e causar prejuízo a milhares de
pessoas e ao próprio país.
ENTREVISTA
42
JOSÉ EDGARD:
MOTIVADOR DO COOPERATIVISMO
José Edgard Pinto Paiva, Eng. Agrônomo,
Cafeicultor, Cooperativista de primeira hora,
sempre buscou soluções de consenso em seu
trabalho junto à assistência técnica à
cafeicultura no Sul de Minas.
José Edgard Pinto Paiva, Engenheiro
Agrônomo, formado pela UFLA em 1965, tem em seu
“curriculum” uma enorme contribuição prestada à
cafeicultura, nesses últimos 38 anos em que está
ligado, de corpo e alma, ao café.
Entrou para o IBC-GERCA em 1966
trabalhando no Programa de Erradicação. Já a partir
de 1968, começou seu trabalho em prol da cafeicultura
no Sul de Minas. Foi chefe da Divisão Regional de
Assistência à Cafeicultura do IBC por 20 anos. Nesse
período ajudou a criar a Fazenda Experimental de
Varginha (em 1976) e dirigiu uma equipe de 40
Engenheiros Agrônomos e 32 Técnicos Agrícolas
distribuída em 22 Escritórios de Assistência Técnica
na região do Sul de Minas (240 municípios),
responsável por passar uma safra de 1.000.000 de
sacas em 1970 para 7.500.000 em 1990.
Sempre foi um chefe motivador e conciliador,
usando suas palavras, calmas e sensatas, como
instrumento de convencimento, contornando os
problemas e buscando, sempre, progredir com
soluções concordadas. Esse seu jeito de mineiro, com
veia política, o levou, até a se candidatar, no passado,
para a Prefeitura de Varginha, coisa que atualmente
renunciou.
Seu espírito associativista esteve presente em
toda sua carreira e até hoje persiste, mesmo após sua
aposentadoria do Serviço Público, em 2001. Ajudou a
criar em 1985, a COCCAMIG - Cooperativa Central
de Cafeicultores de Minas Gerais, que congrega 25
cooperativas, da qual é seu atual presidente.
Com as mesmas idéias ajudou a criar e preside a
Fundação Procafé, instrumento para execução de
programas de tecnologia cafeeira em benefício dos
cafeicultores.
Vamos ver as opiniões do colega José Edgard.
Revista Coffea: Você, que motiva tanta gente, qual
é sua motivação para isso?
Existem razões que a própria razão desconhece,
mas a motivação fundamental é fazer o que gostamos
desprovidos de outras intenções que não sejam as de
trabalhamos com honestidade e despreendimento,
procurando sempre fazer o melhor.
Revista Coffea: Quais os conceitos e as vantagens
que vê na estruturação das cooperativas de
produtores?
O conceito fundamental do movimento
cooperativista como um todo é o da “UNIÃO”. As
vantagens são inúmeras, mais os fundamentos são:
Igualdade, representatividade; compras em comum;
vendas em comum; etc.
Revista Coffea: Com sua larga vivência no café,
como cafeicultor, técnico e dirigente, o que falta
para um maior apoio à cafeicultura?
Falta à cafeicultura independência e
planejamento. O básico para a cafeicultura de hoje,
que são os recursos oriundos do FUNCAFÉ, deveriam
ser ampliados com outros do próprio setor e, no
conjunto, a administração deveria ser feita também
pelo setor.
Revista Coffea: Como você vê a assistência técnica
atual ao produtor no Sul de Minas?
ENTREVISTA
É preciso um programa de racionalização e
aperfeiçoamento de soluções, especialmente para 3
áreas: Formação de mudas com qualidade; novos
plantios, de lavouras racionais; e para uso correto de
adubos, defensivos, máquinas e equipamentos.
A atuação poderia ser atrelada a um
“Programas de Custeio Agrícola” onde o produtor tem
assistência técnica e financiamentos, com isso haveria
ganhos significativos na introdução de novas
tecnologias bem como na aplicação mais correta dos
insumos com aumento da produtividade.
Numa 3ª fase é importante um Programa de
Fomento Tecnológico, no qual a Assistência Técnica é
levada mediante uma prestação de serviços.
Atualmente a assistência técnica é feita quase
que somente através de diversas entidades
cooperativas, com menor atuação da EMATER,
Empresas, Universidades e consultores. Perde-se,
com isso, uma unidade de planejamento e orientação
uniforme e fica-se distante do objetivo fundamental
da A.T. que é atingir o Homem e à sua família, como
um todo, e no nosso caso específico, o cafeicultor.
Revista Coffea: Em sua opinião como deve ser feito
o desenvolvimento e a difusão de tecnologia
cafeeira?
Existem diversas maneiras de se fazer difusão
ou seja através: de assistência individual; palestras;
encontros; reuniões; dias de campo; vídeos e
televisão.
A melhor forma de difusão é a individual, que
se torna impossível devido ao enorme número de
produtores existentes e o de maior alcance é a
televisão. No entanto, dentro de cada situação. Mais
importante é o conteúdo da difusão, que tem que ser a
mais correta e objetiva possível, de preferência
através de pesquisa já testada na região.
Revista Coffea: Qual o futuro ou as tendências de
mudança na lavoura cafeeira?
Esta assistência atual possui vantagens e
desvantagens, mas perde muito na pulverização de
idéias e interesses o quanto no nosso entender seria
muito importante que a assistência fosse prestada com
uma sintonia total de: Pesquisa, crédito e assistência
técnica.
A cafeicultura vem passado por uma
transformação muito grande desde o plantio até a
comercialização.
As principais transformações no nosso
entender são os seguintes:
1. Produção Econômica Antecipada - com o
43
aumento de alguns produtos que são aplicados no
viveiro e no plantio conseguimos reduzir em 1 ano a
produção no cafeeiro que passou a produzir
economicamente à partir do 2º ano.
2. Adensamento - com o desenvolvimento da
pesquisa ficou claro para todos os produtores que o
stand ideal para se plantar café, dependendo de cada
propriedade, é de 5.000 a 10.000 plantas por hectare.
3. Irrigação - com as mudanças climáticas
ocorridas nos últimos anos a irrigação passou ser um
instrumento fundamental na produção e
produtividade cafeeira.
4. Mecanização - com as exigências cada vez
maiores do governo e dos trabalhadores rurais a
mecanização passou a ser fundamental para
sobrevivência na cafeicultura.
Neste aspecto a mecanização da colheita que
era o grande gargalo da cafeicultura, passa por
grandes transformações tanto nas áreas planas como
nas montanhosas e, em breve, ela será dominante e
terá poucos problemas. Precisamos, como na
indústria, sistematizar as atividades e melhorar e
baratear o custos das máquinas.
Outra idéia que deverá sofrer uma grande
transformação é a do preparo do café, que devido às
exigências cada vez maiores dos consumidores,
deverá se adequar a esta nova realidade.
5.Transporte - os produtores bem como as
cooperativas e empresas de comercialização interna
do produto, também nesta década, deverão passar por
uma intensa transformação.
O café deverá ser comercializado como milho,
soja e etc à granel, em Big Bag, sendo depositados em
silos.
6. Comercialização - cada vez mais no mundo,
tanto na área de comercialização de insumos como na
de grãos, existe uma intensa concentração de
empresas, que deixa cada vez mais vulnerável o setor
produtivo.
A única forma de se contrapor a esta tendência
é a união dos produtores em cooperativas que também
deverão passar por uma intensa transformação de
custos, entendendo-se elas deverão trabalhar quase
como “empresas virtuais” , com uma central que
deveria fazer parte comercial de insumos e grãos
atuando tanto na importação, exportação e
comercialização interna.
7. Conclusão - só permanecerão no mercado os
produtores e empresas que trabalharem no mercado
com qualidade, freqüência e preços competitivos.
44
PRODUTOS E EQUIPAMENTOS
NOVAS FORMULAÇÕES DE FUNGICIDAS CÚPRICOS
Os fungicidas à base de cobre são os fungicidas
mais antigos, os primeiros que foram usados no
controle de doenças na época, com a utilização da
calda bordaleza, em vinhedos na Europa.
Para a cultura do café o uso desses produtos teve
inicio com a constatação da ferrugem, em 1970,
sendo bastante empregados, pois controlam
também outras doenças, como a cercosporiose, e
tem efeito tônico-nutricional anti-etileno,
reduzindo as desfolhas do cafeeiro. Alem disso
são de menor custo e, até o momento, não tem
aparecido resistência dos fungos a eles.
Existem várias formulações de fungicidas à base
de cobre, sempre com a característica de
liberação gradual desse metal, essencial para seu
funcionamento. A calda bordaleza (complexo de
sulfato de cobre e cal), sulfato tribásico de cobre,
oxi-cloreto de cobre, óxido cuproso e hidróxido
de cobre são os mais comuns.
Duas novas marcas ou formulações à base de
hidróxido de cobre entraram no mercado
recentemente, o produto Garra, da Empresa
Oxiquimica, e o Kocide, da Dupont. Ambas tem
conteúdo de 45% de cobre metálico e são
indicadas para controle de ferrugem, em doses
entre 1,7 e 2,3kg/ha.
SISTEMAS MECANIZADOS PARA APLICAÇÃO DE
FORMULAÇÕES / FUNGICIDAS, VIA LÍQUIDA, NO SOLO.
As aplicações de fungicidas (Triazóis),
inseticidas (neonicotinóides) ou formulações
mistas (inseticida/fungicida) vinham sendo
utilizadas nas lavouras cafeeiras sob a forma de
produto granulado, através de granuladeira
tratorizada ou de matraca (manual).
Nos últimos anos foram desenvolvidos
dispositivos para uso desses produtos via líquida,
no solo. Para aplicações manuais foram
disponibilizados a matraca-liquida e lanças
especiais para adaptação no pulverizador costal
manual.
Agora dois sistemas foram adaptados para uso de
via liquida em equipamentos tratorizados.
O 1º sistema usa a própria estrutura da
granuladeira, substituindo o depósito de grânulos
por um tanque (200-300L). Uma pequena bomba
elétrica, ligada à bateria do trator, bombeia esse
liquido, que vai, por uma pequena mangueira, até
o terminal com um bico leque, adaptado
localmente ou a Empresa MECMAQ ,de
Piracicaba-SP (home: www.mecmaq.com.br )
fornece o kit completo.
O 2º sistema está sendo promovido pela Empresa
Syngenta. Ele consta da adaptação de um braço
lateral no aplicador de herbicidas PH400 ou
então fixada na própria estrutura (no meio) do
trator. O liquido sai por um bico com boa
pressão, que distribui em um filete contínuo
próximo ao tronco do cafeeiro, nesse caso com
uma só passada por linha de cafeeiro
O sistema liquido oferece algumas vantagens
como a) aplicação mais precisa; b) com maior
rendimento operacional; c) pode-se aplicar em
dias úmidos ou em solo secos e não depende de
retirada de folhas do chão.
DESENVOLVENDO E DIFUNDINDO
A TECNOLOGIA CAFEEIRA
No princípio foi apenas uma idéia, que aos poucos foi
se fortalecendo e cumprindo seu papel de reunir e
divulgar os resultados das pesquisas em café,
juntando os técnicos de desenvolvimento, aqueles de
difusão e os produtores, visando a melhoria da
cafeicultura.
Valeu a pena chegar aqui. Vale, também, continuar.
Reunindo os 29 congressos anteriores foram
divulgados 4876 trabalhos, versando sobre as
principais áreas de estudo da cultura cafeeira. Esses
trabalhos foram básicos para a renovação de cafezais
e com avanços significativos.
Novos sistemas de plantio, variedades, práticas de
manejo e preparo do café estão disponíveis, com a
necessária segurança. Novas regiões cafeeiras foram
abertas e consolidadas. Outras estão em
desenvolvimento. Tudo isso, em grande parte, é fruto
da massa de conhecimentos e de experiências dos
técnicos ligados à pesquisa e à AT. Também tem sido
muito importante a contribuição dos cafeicultores,
com a sua capacidade de inovar.
O Congresso começou em plena crise, motivada pela
constatação da ferrugem do cafeeiro, no início da
década de 1970. A safra de café no Brasil, naquela
época, era de apenas 22 milhões de sacas.
Enfrentamos esse problema e outros, como a geada
de 1975 e chegamos a uma safra média atual de 35
milhões de sacas, gerando rendas e empregos.
Nos últimos anos os recursos para a pesquisa foram
ampliados, com verbas geradas pelo próprio setor
cafeeiro (FUNCAFÉ). Precisamos continuar a
melhorar o trabalho de apoio tecnológico à
cafeicultura.
MAPA PROCAFÉ, FUNDAÇÃO PROCAFÉ, EMBRAPA
CAFÉ, UFLA, UNIUBE, SECR. AGR. MG e Institutos e
Empresas de Pesquisa e Colaboradoras.
Download