Aula 04 - A mentalidade medieval no quadro do Antigo Regime

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EXTENSIVO 2012
Disciplina: História
Professora: Aline Vital
Estudante:________________________________________________
Aula 04 - A mentalidade medieval no quadro do Antigo Regime
Estudamos na última aula o período da Idade média,
onde vimos um mundo que foi gradativamente se
separando do Romano e adquirindo características
próprias através de novas formas de organização
social, política e econômica: uma sociedade dividida
em três estamentos (Clero, nobreza e servos/camponeses), organizada em torno de feudos
auto-suficientes e com poder exercido pelos senhores feudais. Vimos que ao final desse período, instalou-se uma crise demográfica que resultou em feudos superlotados, piorando em muito as condições
de vida naquele momento. A solução veio com as
Cruzadas, uma “guerra santa”, que permitiu o fim do
controle do mar Mediterrâneo pelos árabes, trazendo como conseqüência o renascimento do comércio.
Através do comércio, muitos camponeses voltam a
habitar as cidades (não podemos nos esquecer também, que com as feiras nascem os burgos). Esse é o
quadro do Renascimento Comercial e Urbano, que
transforma drasticamente o mundo medieval entre
1100 e 1300.
Contudo, o Renascimento comercial e Urbano acaba
trazendo como resultado enormes mudanças na
forma como estava organizado o mundo medieval.
As atividades urbanas requeriam novas habilidades
e conhecimentos dos homens medievais. Ler, escrever e calcular eram indispensáveis à prática do comércio e assim uma série de transformações culturais começam a se processar. Com os burgos prosperando, muitos camponeses largavam a vida de servidão no campo para se tornarem comerciantes burgueses. Através do comércio dos produtos do Oriente (especiarias, sedas, entre outros artigos de luxo)
essa burguesia enriqueceu rapidamente. Contudo,
esta tendência crescente de migrações para as cidades, começou a entrar em choque com o sistema
feudal, já que os senhores precisavam dos camponeses para lavrar suas terras. Para os próprios burgueses, o sistema feudal também trazia seus inconvenientes já que cada feudo possuía suas leis próprias, sua própria moeda, seu próprio sistema de
pesos e medidas, dificultando, consideravelmente,
as trocas comerciais. Para contornar essas dificuldades, durante a Baixa Idade Média, passa a existir
uma cooperação entre os reis e a burguesia: os reis
(figuras bastante enfraquecidas, não podemos nos
esquecer) passaram a tomar enormes quantias em
dinheiro dessa burguesia na forma de empréstimos
ou negociações (dinheiro por títulos de nobreza) e
em troca passaram a regimentar e facilitar o comércio. Com esse dinheiro, o rei poderia pagar exércitos
que fariam valer sua lei, ou seja, pouco a pouco esses reis apagados e fracos vão ganhando nova força
e se inicia um processo de centralização política e
econômica. Tendo em vista todo esse quadro de
mudanças, podemos partir para o estudo de como
todo esse processo se desenvolveu e culminou naquilo que chamamos de Antigo Regime.
A formação das Monarquias Nacionais (França,
Inglaterra, o Sacro Império Romano Germânico,
Portugal e Espanha)
França:
Na aula passada, estudamos a formação do Reino
dos Francos com a dinastia Merovíngia e depois seu
ápice com a dinastia Carolíngia. Contudo, tratava-se
do período da alta Idade Média e, portanto, da formação do feudalismo clássico. Agora, entramos em
outro momento, de mudanças bastante intensas
como vimos anteriormente. Após a desintegração
do Império de Carlos Magno, a região do reino franco ficou completamente absorvida dentro das estruturas feudais, ou seja, reis sem muito poder e representatividade, em detrimento do poder local dos
senhores feudais (poder descentralizado). Em 987,
uma nova dinastia assume o poder no lugar dos Carolíngios: a Dinastia Capetíngia.
Dentro desse processo de centralização, a figura de
maior destaque foi o capetíngio Felipe Augusto
(1180-1223), mais conhecido como Felipe II. Tendo
como objetivo reunir um grande exército para lutar
ao norte com a Inglaterra, inicia uma grande co-
brança de impostos rigorosos por toda a Gália, culminando na centralização do poder (Observe que a
rivalidade com a Inglaterra já existia de longa data,
lembrando que a Guerra dos Cem Anos se inicia
apenas em 1337 e termina por volta de 1453).
Saindo vitoriosos contra a Inglaterra, Felipe instalou
um sistema régio de funcionários cobradores de
impostos e fiscais da lei na região, o que contribuiu
ainda mais para o fortalecimento de sua figura.
Também passou a vender aos burgos “cartas de
franquia”, ou seja, oferecia proteção real aos burgos
cujos senhores feudais não quisessem liberar de seu
controle. Desse modo, estabeleceu alianças com a
burguesia.
Dando continuidade ao trabalho de seus antecessores, Filipe IV, o Belo (1285-1314), procurou acelerar
a centralização política e o controle governamental,
transformando vários dos impostos feudais em impostos nacionais, criando novas taxas, inclusive sobre os bens da Igreja. Por isso, Filipe IV sofreu uma
intensa oposição do clero, e até mesmo ameaça de
excomunhão por parte do papa Bonifácio VIII. Nessa
ocasião, por volta de 1302, convocou, pela primeira
vez, uma assembléia de representantes do clero, da
nobreza e do restante da população (desde camponeses até comerciantes), a Assembléia dos Estados
Gerais. Nessa reunião ficou decidida a cobrança dos
impostos clericais. Desse modo, o conflito com a
Igreja acabou se agravando ao ponto de Bonifácio
VIII excomungar Filipe IV. Com a morte desse papa,
em 1303, Filipe interferiu diretamente na escolha do
sucessor elegendo como papa, o cardeal francês,
Clemente V. Além disso transferiu a sede do papado
para a cidade de Avignon.
Esse episódio iniciou o período que ficou conhecido
como cativeiro de Avignon: durante aproximadamente 70 anos os papas se submeteram à autoridade do rei francês. Completamente descontentes
com a situação, as autoridades religiosas de Roma
não concordaram com a decisão do monarca e elegeram outro papa. Essa divisão da cristandade ficou
conhecida como Cisma do Ocidente (Relembrando:
Cisma do Oriente – Divisão da Igreja em Igreja Católica Romana E Igreja Católica Ortodoxa).
Além de toda essa situação complicada no campo
político, não podemos nos esquecer que estamos
falando do século XIV que, como visto na última aula, foi um período de estagnação para a Europa devido à Guerra dos Cem Anos e à Peste Negra. Essas
dificuldades do século XIV trouxeram ainda mais um
problema para o recém-formado Estado francês: as
jacqueries, rebeliões camponesas.
Inglaterra
A Ilha da Britânia havia sido uma das províncias romanas. Posteriormente foi ocupada por Bárbaros
Germânicos especialmente anglos e saxões. Em
1066, o último rei anglo-saxônico foi destituído por
invasores normandos, chefiados pelo rei Guilherme,
o Conquistador (Guilherme I). Guilherme organiza o
território britânico dentro dos moldes feudais e deu
início à dinastia dos Normandos. Com a morte do
último herdeiro direto de Guilherme I, o trono foi
assumido por Henrique, conde de anjou (Henrique
II), dando início a uma nova dinastia: a dinastia Plantageneta.
Esta dinastia foi a principal responsável pelo fortalecimento do poder real através da Common Law: leis
reais que seriam aplicadas em todo o reino. Seu sucessor foi Ricardo I, ou Ricardo Coração de Leão,
que se envolveu em guerras com a França e participou da terceira cruzada. Acabou por falecer na volta
da terceira cruzada dando o poder ao seu irmão conhecido como João Sem Terra (1199-1216).
Em seu governo, João procurou acelerar o processo
de centralização política. Para tanto, se envolveu em
diversas guerras contra a França, confiscou terras da
Igreja (sendo por isso excomungado) e aumentou os
impostos. Desse modo, João, se tornou um dos reis
mais mal vistos pelo povo da Grã-Bretanha. Em
1215, a nobreza se revoltou e impôs-lhe a Magna
Carta, que determinava que, a partir de então, o
monarca só poderia criar novos impostos ou alterar
leis com a aprovação do Grande Conselho, órgão
formado por membros do clero e nobreza.
De certa maneira, o Grande Conselho é o órgão predecessor do parlamento inglês e, a partir de 1215,
alguns membros da burguesia passaram a ser aceitos. Foram nessas condições que a Inglaterra entrou
na Guerra dos 100 anos, 1347. Em 1453, derrotada,
a Inglaterra entre numa crise profunda de política. O
trono inglês começou a ser disputador por duas im-
portantes famílias inglesas, Lancaster e York, cada
uma delas representada por uma rosa: a rosa branca
representava os York e a vermelha os Lancaster.
Iniciou-se então a Guerra das duas Rosas. Contudo,
nem York, nem Lancaster venceram a guerra: houve
uma união formando única família poderosa através
de um casamento, a família Tudor (da qual falaremos mais adiante), subindo ao poder Henrique VII.
Sacro Império Romano Germânico
A região da Germânia (atual Alemanha) havia conquistado sua autonomia em 843, quando o Tratado
de Verdun dividiu o Império de Carlos Magno em
três partes. O poder da dinastia carolíngia durou até
911. Em 936, o trono germânico foi assumido por
Oto I, de origem saxônica, que anexou o território
italiano, após vencer os invasores lombardos. Em
962, aliado ao Papa, Oto I foi coroado Imperador do
Ocidente, ainda numa lembrança ao destruído Império Romano do Ocidente. No final do século X, o
Império encontrava-se totalmente submetido às
estruturas do feudalismo e às disputas entre os poderes do imperador, dos senhores feudais locais e
do clero.
No século XI as principais forças em oposição no
Império eram o papa Gregório VII, em luta com o
imperador Henrique IV. Henrique IV liderava uma
importante oposição ao Papa, que recebia acusações que simonia (venda de cargos eclesiásticos) e
de corrupção. Henrique IV foi excomungado da Igreja Católica, mas dirigiu-se a Canossa, cidade italiana,
onde implorou o perdão ao Papa. No entanto, mais
tarde Henrique IV retornou para a Itália com numerosos exércitos que obrigaram o papa a fugir. Assinase então a Concordata de Worms, em 1122, que
limitava o poder imperial em questões religiosas. As
agressões físicas e morais entre Papa e Imperador
ficaram conhecidas como Querela ou Questão das
Investiduras. O conflitou que percorreu toda a Baixa
Idade Média enfraqueceu tanto Papa quanto Imperador, dando impulso ao feudalismo na região. Mais
tarde, a questão seria resolvida com o poder temporal (material) ficando com o Imperador e o poder
espiritual com o Papa.
Portugal e Espanha
A formação das monarquias nacionais ibéricas, particularmente a portuguesa, teve grande importância
no processo da passagem da Idade Média para a
Idade Moderna por dois motivos básicos: primeiro,
por seu pioneirismo, pois Portugal foi o primeiro
país europeu a ter uma monarquia nacional centralizada; segundo, porque as monarquias portuguesa e
espanhola, ao promoverem as grandes navegações
dos séculos XV e XVI, deram um ponto decisivo para
a formação do mundo moderno, na medida em que
estimularam a expansão ultramarina européia, o
crescimento do comércio e a prática do Mercantilismo (que estudaremos melhor adiante).
Província romana de origem visigoda, a Espanha
enfrentou uma forte ocupação mulçumana no século VII que perduraria até 1492. Contudo, por muito
tempo a região da Espanha não constituía um único
reino. Nela viviam povos diferentes, de origens diferentes: De origem visigoda haviam os bascos, em
Granada os islâmicos, de origem francesa o Catalões, além dos sevillianos, dos lusitanos e dos castelhanos. Assim, Cada um desses povos dava origem a
um reino diferente: Leão, Castela, Navarra, Granada,
Lusitânia, etc.
No entanto, em 1492, ano da derrocada de Granada,
último território islâmico, a princesa de Leão & Castela, Isabel, se casou com o príncipe de Aragão. O
casamento centralizou os reinos num único Estado
Nacional conhecido como Espanha, que anexou todos os outros exceto a Lusitânia, ou Portugal.
Quanto a Portugal, suas origens remontam à doação
de terras feitas pelo rei Afonso IV de Leão a Henrique de Borgonha, nobre francês participante da
guerra de Reconquista. As terras doadas correspondiam ao condado portucalense. A independência
desse feudo em relação ao reino de Leão seria conseguida, após muitas disputas familiares, em 1139. A
expansão do feudo e a libertação de Leão deram
origem à dinastia de Borgonha, a primeira de Portugal. Em Portugal prevalecia a monarquia centralizada desde o início e uma nobreza muito controlada
pelo rei. A burguesia mercantil portuguesa também
se transformou rapidamente numa das mais fortes
da Europa, uma vez que Portugal se tornou entreposto comercial para a Rota: Mediterrâneo-Norte da
Europa. Após a morte de Fernando I de Borgonha,
sem herdeiros, desencadeia-se uma acirrada disputa
sucessória. Parte da nobreza apoiava a entrega da
coroa portuguesa ao genro de D. Fernando, o rei de
Castela, e parte a uma nova política. Após um confronto, D. João, mestre de Avis, assumiu o comando
dando origem à dinastia de Avis, uma dinastia intimamente ligada à burguesia mercantil.
Bem, essas monarquias formam-se antes e depois
de 1453 (marco do fim da Idade Média), ou seja,
fazem parte tanto da Idade Média quanto da Idade
Moderna.
O Antigo Regime
Estamos agora começando a caminhar rumo a um
novo momento histórico: a Idade Moderna, onde se
inicia uma nova fase para a política e para a economia européia. Essa nova fase é denominada Antigo
Regime e está baseada em três fundamentos: uma
política absolutista, uma economia mercantilista e
numa mentalidade católica (que como vamos ver é
bem diferente da que predominou durante toda a
Idade Média).
O Mercantilismo
Com a decadência do feudalismo, a classe que vigorava na economia se tornou a burguesia. Esta classe
agora dominava não só as feiras, mas também as
rotas marítimas que levavam produtos desde a Itália
até as gélidas terras do norte da Europa. Os produtos mais cobiçados e valiosos em toda a Europa não
eram prata e ouro, mas as especiarias.
As especiarias eram importantes para conservar e
dar sabor aos alimentos. Apenas os mais ricos podiam comer especiarias. Para entender o quão preciosos podiam ser essas especiarias, basta lembrar que
na Idade Média a carne era ingerida quase em putrefação e agora ela poderia ser ingerida quase como comemos hoje em dia. A alimentação é uma
ferramenta muito forte, ela se torna a principal mercadoria a mobilizar um comércio gigantesco, e hoje
em dia se tornou um marco muito forte de dominação cultural.
Em 1488 o navegador português Bartolomeu Dias
chegou ao cabo da boa esperança, região do extremo sul da África e em 1492, o navegador espanhol
Cristovão Colombo chegou, mesmo sem saber, às
Antilhas, ilhas do continente Americano. Em 1498 o
navegador português Vasco da Gama, conseguiu
alcançar o tão desejado sonho português: Achar um
novo caminho até as Índias contornando a África.
Mas, por que um novo caminho para as Índias era
tão importante se já existia um caminho através do
Mar Mediterrâneo?
As especiarias vindas da Índia passavam por um
complexo caminho em caravanas até o litoral da
Ásia com o Mediterrâneo. A partir do Mediterrâneo,
o entreposto mais próximo capaz de receber especiarias eram as Cidades República Italianas, como Gênova e Florença. Estas cidades controlavam o comércio de especiarias para toda a Europa, e aumentavam os preços drasticamente. Se algum país en-
contrasse um caminho alternativo para a Índia, poderia fazer o comércio sem pagar os altos impostos
para as cidades italianas.
Assim, em 1498 Vasco da Gama consegue finalmente achar esta rota alternativa. Em 1500 uma
outra expedição é enviada às Índias pela rota alternativa buscar mais especiarias. Desta vez o reino
Português investiu em 15 embarcações da mais alta
tecnologia, chamadas caravelas, e na impossibilidade de Vasco da Gama viajar novamente, o comandante da frota passou a ser Pedro Álvares Cabral. No
caminho para as Índias, Cabral acaba contornando
os ilhéus africanos de maneira muito acentuada e
acaba encontrando a parte sul do continente americano, as terras do Brasil. Após uma parada de poucos dias, Cabral continua sua expedição, chega às
Índias e volta carregado de especiarias.
As navegações espanholas ocorreram simultaneamente. Mas, por que Portugal e Espanha? Estes
países foram os primeiros a se centralizar em torno
de um Estado. França e Inglaterra ainda estavam
muito enfraquecidos com a guerra dos 100 anos e
não tinham capital para uma empreitada tão gigantesca. Por exemplo, a construção de uma caravela, é
algo tão custoso e grandioso que equivaleria à construção de uma linha inteira de metrô, como todos os
trens, funcionários e custos de manutenção. É raro
que interessasse ou que houvesse uma única pessoa
com tanto dinheiro para investir, exceto é claro um
Estado Nacional forte, com uma burguesia forte.
Além disso, Portugal e Espanha ficavam mais próximos do Atlântico e possuíam uma burguesia consolidada e rica. A Espanha fez a viagem para além das
Índias e chegou à costa do Pacífico da América do
Sul. Lá encontram os Incas, e aproveitando-se dos
conflitos e da exploração que já acontecia entre
eles, entram como líderes no sistema de exploração
das riquezas (chamado de encomiendas ou mitas).
Também chegaram à América Central, onde entraram em conflito com o Império Asteca, muito organizado e forte. Os maias, também conhecidos desta
época já estavam quase desaparecidos, havendo
poucos remanescentes na América Central. A exploração espanhola se baseou no ouro e na prata
abundantes nos Impérios Incaico e Asteca. Exploraram a mina de prata de Potosí, além dos muitos outros objetos que já havia em posse dos incas. Toda
esta nova economia de exploração de colônias, de
exploração de ouro, prata e especiarias tomou o
nome de Mercantilismo. Como já foi exposto o mercantilismo teve duas fases: uma das buscas de especiarias e comércio, seguida por outra de exploração
colonial. Organizemos o mercantilismo em alguns
pilares:
 Metalismo: Busca incessante por acúmulo de
metais preciosos como ouro e prata.
 Balança comercial favorável: Vender mais produtos do que se compra. Ou seja, protecionismo,
colocar altos impostos para comprar produtos e
facilitar a venda.
 Colonialismo: Exploração das colônias, que poderiam oferecer tanto metais preciosos quanto madeiras, gêneros, etc.
Esta é a política econômica que vigorava na Europa,
uma política de exploração das riquezas visando o
lucro, muito diferente da economia de subsistência
da Idade Media. Esta fase da economia histórica é
chamada de pré-capitalismo, ou seja, é a primeira
parte de um novo sistema que começará a se fixar
no mundo.
O Absolutismo
A política do Antigo Regime baseava-se na constante
reafirmação do governo centralizado. Desde o fortalecimento dos Estados nacionais o governo do rei já
vinha sendo bastante autoritário, principalmente
por linhas teóricas que vinham fortalecendo a ideia
de que o Estado tinha que ser forte:
Nicolau Maquiavel (1469-1527): Viveu com a família
Medici em Florença, defendia a restauração da unidade italiana e o uso ilimitado de poderes pelo soberano em pró de uma sociedade pacífica e organizada. Escreveu a obra O Príncipe, e ficou famoso
pela frase “os fins justificam os meios”, ou seja,
uma síntese de sua teoria.
Thomas Hobbes (1588-1679): Escreveu a obra “Leviatã”. Para Hobbes, o Estado absoluto representa a
superação de um “estado de natureza”. Devido ao
egoísmo intrínseco do homem (maldade) a sociedade humana apresentava uma tendência ao caos.
Assim, o soberano seria o responsável por colocar
ordem nestes homens porque, segundo sua mais
célebre frase, “o homem é o lobo do homem”.
Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704): O bispo francês Bossuet defendia que o poder do rei era próximo
do poder de Deus, e se isso acontecia Deus havia
dado direito aos reis para governar. Assim, o rei teria o direito divino de governar, de Deus emanaria a
autoridade do rei.
Grandes personagens do Absolutismo:
França
Luís XIV (1643-1715): foi o ápice do absolutismo
francês, autor da famosa frase “O Estado sou Eu”.
Além disso, associou sua imagem ao sol, tornandose o Rei Sol, o rei com direito divino de governar.
Inglaterra
Henrique VIII (1509-1547): Foi o filho de Henrique
VII. Após ter submetido o Parlamento, decretou o
Ato de Supremacia, que tornava oficial uma nova
corrente religiosa na Inglaterra.
Elizabeth I: Ultima rainha Tudor, filha de Henrique
VIII com Ana Bolena, colocou em prática uma agressiva política mercantilista, com a construção de uma
poderosa frota naval e a exploração de colônias na
América.
Reforma Protestante
A mentalidade dominante durante a Idade Moderna e o Antigo Regime é definitivamente a católica. Sobretudo, por conta de um evento que ocorreu
na Alemanha. As reformas protestantes são as primeiras expressões, desde o Império de Otávio Augusto, de uma nova religião para a Europa, e começam com um eclesiástico chamado Martinho Lutero.
Lutero:
O grande rompimento iniciou-se na Alemanha,
região do Sacro Império Romano Germânico. A Alemanha era ainda basicamente feudal, agrária, com
alguns enclaves mercantis e capitalistas ao norte. A
Igreja era particularmente poderosa no Sacro Império, onde possuía cerca de um terço do total das
terras. A nobreza alemã, por essa razão, encontravase ansiosa por diminuir a influência da instituição,
além de cobiçar suas propriedades, o que estimulou
ainda mais o rompimento.
A reforma teve início com Martinho Lutero (14831546), membro do clero e professor da Universidade
de Wittenberg. Em 1517, o monge insurgiu-se contra a venda de indulgências. Certo, o que são indulgências? Indulgências, Simonia, Nicolaísmo, Mundanismo e outros são termos para condenar as contradições da igreja católica. Indulgência significava
“perdão”, a Igreja Católica costumava vender o perdão, vender uma parte do paraíso, muitas vezes o
paraíso era vendido em lotes de diferentes tamanhos e valores. Simonia era a venda de cargos eclesiásticos, ou seja, os mais ricos poderiam comprar
altos cargos como bispos e cardeais, enquanto os
mais pobres ficavam com os piores cargos. Nicolaísmo era o lucro em torno de verdadeiros ou falsos
objetos sagrados, por toda a Europa as pessoas gas-
tavam muito para ver os diversos crânios de cristo,
costelas de Judas, Santos Graais e mantos de Maria.
E mundanismo eram os pecados cometidos pelos
membros do clero como a Gula, o sexo e as perdições em luxo. Era contra essa realidade que Lutero
estava se impondo em 1517, e para tal, escreveu 95
teses, pregou na porta da Igreja, e mandou enviar ao
clero e ao Papa. O Papa devolveu as críticas de Lutero com uma bula, ou seja, um documento, que
mandava Lutero se reportar a um tribunal em Roma.
Lutero queimou a bula em praça pública. Começou
então um intenso movimento contra o papa onde
Lutero recebeu o apoio da nobreza local, muito insatisfeita com os impostos e terras da Igreja em seu
território. Os nobres acolhem Lutero, e escondido
durante um ano ele traduziu a Bíblia para o Alemão.
A partir de então tem início uma nova doutrina
chamada de “protestantismo” ou luteranismo. Até
então a Bíblia existia apenas em latim, e as pessoas
sempre conheciam a sua fé através das palavras dos
papas. Eis os princípios do Luteranismo:
 Salvação pela fé
 Livre leitura da Bíblia
 Manutenção do batismo e da eucaristia
 Usar o alemão nos cultos religiosos
 Negação da transubstanciação (transformação do
pão e vinho no corpo e sangue de cristo)
 Submissão da Igreja ao Estado
Calvino:
Um seguidor de Lutero, João Calvino (1509-1564)
passou a divulgar na Suíça e depois na França a sua
própria versão das ideias de Lutero. Calvino era tão
protestante quanto Lutero, no entanto, criou uma
crença totalmente diferente baseada na predestinação absoluta, segundo a qual todos os homens estavam sujeitos à vontade de Deus, e apenas alguns
estariam destinados à salvação eterna. O sinal da
graça divina estaria em uma vida plena de virtudes,
dentre as quais o trabalho diligente, a sobriedade, a
ordem e a parcimônia (contenção de gasto). Dessa
forma, a doutrina calvinista exaltava características
individuais necessárias às práticas comerciais. Suas
ideias, portanto, estavam próximas dos valores capitalistas e dos valores da burguesia.
Inspirado em Lutero, Calvino considerava a Bíblia
a base da religião, não sendo necessária sequer a
existência de um clero regular. Criticava o culto às
imagens e admitia apenas os sacramentos da eucaristia e batismo. O calvinismo espalhou-se pela Europa mais do que o luteranismo: na Escócia foram
chamados presbiterianos, na França, huguenotes e
na Inglaterra, puritanos.
Henrique VIII
Não apenas um rei absolutista, Henrique VIII, Henrique Tudor, foi o propagador de uma religião paralela
à católica, mas muito diferente da protestante. Henrique casou-se com a noiva de seu falecido irmão,
que não chegou a ser rei. Esta noiva era Catarina de
Aragão, filha de Isabel de Castela e Fernando de
Aragão. Com Catarina Henrique teve sua primeira
filha, Mary, a futura Mary I. A dificuldade de Catarina de ter filhos homens e a elevada idade da rainha
levou o rei a ter inúmeros casos extraconjugais, mal
vistos pela Igreja, mas comuns no interior da corte.
No entanto, Henrique VIII se encantou pela jovem
cortesã Ana Bolena, que servia na corte do rei da
França. Henrique pediu, então, o divórcio diretamente ao Papa. Naquela época, o Sacro Império
Romano Germânico estava nas mãos de Carlos V,
sobrinho de Catarina, que a pedido da rainha, fez
com que o papa negasse o divórcio. Henrique enfurecido com a recusa do papa rompeu com a Igreja
Católica, nomeou-se senhor supremo da Igreja da
Inglaterra, Igreja anglicana e oficializou o divórcio. A
nova religião foi jurada, então, por todos do reino.
Este juramento passou a ser o ato de supremacia,
que nomeava Henrique o chefe supremo da Igreja
anglicana, como um papa. Surge então a nova religião da Inglaterra, o anglicanismo.
Contra Reforma:
Apavorada com todas estas oposições, a Igreja Católica se reuniu no chamado Concílio de Trento, uma
reunião que durou 20 anos a fim de reafirmar a fé
católica. Ao término dos 20 anos, definiu-se:
 O Index Librorum Prohibitorum: A lista de livros
proibidos pela Igreja Católica. Esta lista incluía as
obras do protestantismo e do anglicanismo. O ultimo Index foi lançado na década de 1960.
 A criação da Companhia de Jesus: Seria uma ordem especial da Igreja chamada de Jesuítas, os
Jesuítas teriam a missão de se espalhar pelo
mundo em busca de novos fieis. Graças a eles o
continente americano se formou extremamente
católico.
 O renascimento do tribunal do Santo Ofício: Era o
tribunal da Inquisição, segmento da igreja criado
para caçar as heresias, investigar, torturar se necessário, e eliminar toda forma de heresia pela
violência (fogueira, óleo fervente, decapitação).
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