1 O objetivo deste curso é discutir o segredo como uma

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USP – UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FFLCH – FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Programa preliminar para a disciplina: FLA0371-Tópicos de Antropologia da Política e do Direito
(Antropologia do Segredo)
Professoras responsáveis: Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer e Maria José Campos
Período: 2º semestre de 2015
Horário: Vespertino (sextas-feiras, das 14:00 às 17:45h)
O objetivo deste curso é discutir o segredo como uma representação que perpassa as
relações sociais nos mais diversos contextos, a partir de uma bibliografia que trata do assunto e
privilegia a sua discussão no campo antropológico com o intuito de projetar e potencializar a
constituição de uma antropologia do segredo.
Ao se destacar a relevância do tema como um tópico que permeia uma série de etnografias
desde a constituição da Antropologia como disciplina no século XIX, busca-se abordar também o
segredo na fronteira com outras áreas de conhecimento, a saber, o segredo na sociologia, na história
e na política, alcançando assim dimensões éticas e literárias. Isso evidencia a necessidade de uma
maior sistematização do conhecimento acumulado na antropologia e de afinação dos seus
instrumentais teóricos e metodológicos para estendê-los e aplicá-los às investigações mais recentes
que recolocam uma problemática cada vez mais premente nas sociedades e nos estados
contemporâneos, focalizando-se as facetas “ocultas” das diferentes formações socioculturais.
Seja pela via da pesquisa sobre as sociedades secretas, pelo estudo da magia e do
xamanismo, passando pelos segredos rituais e de gênero, segredos institucionais e de família, até
chegar à abordagem dos segredos de estado e do sigilo dos dados protegidos por lei, o estudo do
segredo e de seus contrapontos – os incontornáveis processos de revelações e de violações –
permite vislumbrar um amplo campo de investigação nas Ciências Sociais.
1ª aula (7 de agosto): Apresentação dos alunos e professoras e discussão da proposta do curso,
seguida da distribuição dos seminários do semestre.
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I – O segredo como aspecto das relações sociais
2ª aula (14 de agosto): SIMMEL, Georg. “El secreto y la sociedad secreta”. In: Sociologia 1
Estudios sobre las formas de socialización. Madrid: Alianza Editorial, 1986. Leitura de apoio:
CONRAD, Joseph. O Cúmplice Secreto. São Paulo: Max Limonad Ltda, 1985; e CANDIDO,
Antonio. “Catástrofe e sobrevivência”. In: Tese e Antítese. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1978.
3ª aula (21 de agosto): GOFFMAN, Erving. “Controle da informação e identidade pessoal”, “O eu e
seu Outro” e “Desvios e comportamento desviante”. In: Estigma: notas sobre a manipulação da
identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988. Seminário: BECKER, Howard.
“Outsiders” e “Uso da maconha e controle social”. In: Outsiders. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
De 25 a 28 de agosto: IV ENADIR (Encontro Nacional de Antropologia do Direito).
II – A magia como conhecimento secreto
4ª aula (4 de setembro): MAUSS, Marcel. “Esboço de uma teoria geral da magia” I. Histórico e
fontes II. Definição da magia III. Os elementos da magia. Seminário: IV. Análise e explicação da
magia e V. Conclusão. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
11 de setembro: Semana da Pátria – Não haverá aula.
5ª aula (18 de setembro): KUPER, Adam. “As décadas de 1930 e 1940: Da função à estrutura”. In:
Antropólogos e Antropologia. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978. Seminário: EVANSPRITCHARD, E.E. “A noção de bruxaria como explicação de infortúnios”, “Os adivinhos”, “Magia
e drogas” e “Uma associação para a prática da magia”. In: Bruxaria, oráculos e magia entre os
Azande. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
6ª aula (25 de setembro): LÉVI-STRAUSS, Claude. “Introdução à obra de Marcel Mauss”. In:
Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003. Seminário: LÉVI-STRAUSS, Claude.
“O Feiticeiro e sua Magia” e “A eficácia simbólica”. In: Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro:
Tempo Brasileiro, 1985.
7ª aula (2 de outubro): FAVRET-SAADA, Jeanne “Ser afetado” e GOLDMAN, Marcio “Jeanne
Favret-Saada, os afetos, a etnografia”. In: Cadernos de Campo, n. 13, PPGAS-USP, São Paulo,
2005. Seminário: FAVRET-SAADA, Jeanne. “Qu’il faut, au moins, un crédule” e “La tentation de
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l’impossible”. In: Les mots, la mort, les sorts. Paris: Gallimard, 1977.
8ª aula (9 de outubro): TAUSSIG, Michael. Xamanismo, Colonialismo e o Homem Selvagem. Um
estudo sobre o terror e a cura. São Paulo: Paz e Terra, 1993. Seminário: TAUSSIG, Michael.
“Viscerality, Faith, and Skepticism: Another Theory of Magic”. In: MEYER, Brigit; PELS, Peter
(Eds.). Magic and Modernity: Interfaces of Revelation and Concealment. Stanford: Stanford
University Press, 2003 (texto a ser traduzido).
III – O segredo na antropologia
9ª aula (16 de outubro): CLIFFORD, James. “Sobre a automodelagem etnográfica: Conrad e
Malinowski”. In: A experiência etnográfica. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1998; e PEIXOTO,
Fernanda. “O nativo e o narrativo – os trópicos de Lévi-Strauss e a África de Michel Leiris”. In:
GROSSI, Miriam, MOTTA, Antonio, CAVIGNAC, Julie (orgs). Antropologia Francesa no Século
XX. Recife: Editora Massangana, 2006. Seminário: LÉVI-STRAUSS, Claude. “Nambikwara”. In:
Tristes Trópicos. Lisboa: Edições 70, 1986; ou LEIRIS, Michel. A África Fantasma. São Paulo:
Cosac Naify, 2007 (Trechos).
10ª aula (23 de outubro): CLIFFORD, James. “Poder e diálogo na etnografia: a iniciação de Marcel
Griaule”. In: A experiência etnográfica. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1998. Seminário:
BRUMANA, Fernando G. “Griaule, a etnografia do segredo”. In: O Sonho Dogon. São Paulo:
Edusp, 2005.
IV – O segredo na história
11ª aula (30 de outubro): GINSBURG, Carlo. “Raízes de um paradigma indiciário”. In: Mitos
Emblemas Sinais Morfologia e História. São Paulo: Cia das Letras, 1990 e “Os europeus descobrem
(ou redescobrem) os xamãs”; “O inquisidor como antropólogo”; e “Feiticeiras e xamãs”. In: O fio e
os rastros. São Paulo: Cia das Letras, 2006. Seminário: ACCETTO, Torquato. Da Dissimulação
Honesta (com introdução de Alcir Pécora). São Paulo: Martins Fontes, 2001.
12ª aula (6 de novembro): ELIAS, Norbert. “Introdução” e “A etiqueta e a lógica do prestígio”. In:
A Sociedade de Corte. Lisboa: Editorial Estampa, 1995. Seminário: CASTIGLIONE, Baldassare.
O Cortesão. São Paulo: Martins Fontes, 1997; e HANSEN, João Adolfo. “O Discreto”. In:
NOVAES, Adauto. Libertinos e Libertários. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
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13ª aula (13 de novembro): VINCENT, Gerard. “Segredos da história e história do segredo”. In:
PROST, Antoine e VINCENT, Gerard. História da Vida Privada 5 Da Primeira Guerra aos nossos
dias. São Paulo: Cia das Letras, 1992. Seminário: DEWERPE, Alain. Espion Une anthropologie
historique du secret d’Etat contemporain. Paris: Éditions Gallimard, 1994 (Capítulo a ser
traduzido).
20 de novembro: Dia da Consciência Negra – Não haverá aula.
IV – O segredo e as questões éticas
14ª aula (27 de novembro): BOAS, Franz. “Os cientistas como espiões”. In: STOCKING JR.,
George W.(org.). A formação da antropologia americana 1883-191-Antologia. Rio de Janeiro:
Contraponto - Editora UFRJ, 2004; e PRICE, David. “L’anthropologue comme espion”. In:
FASSIN, Didier et LÉZÉ, Samuel. La question morale. Une anthologie critique. Paris: Presses
Universitaires de France, 2013 (publicado em inglês in The Nation, 20 de novembro de 2000).
Seminário: CARVALHO, José Jorge. “A racionalidade antropológica em face do segredo”. In:
Anuário Antropológico/84. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1985; e GEERTZ, Clifford. “O
pensamento como ato moral: Dimensões éticas do trabalho de campo em países novos”. In: Nova
Luz sobre a Antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
15ª aula (4 de dezembro): Entrega de resenhas e exibição de um filme a ser definido, seguido de
debate e avaliação do curso. O trabalhos finais poderão ser entregues até 8 de dezembro, data de
encerramento das aulas.
Avaliação: A nota final será composta pela média das três notas obtidas com:
- Seminário – peso 3
- Resenha de um dos livros indicados na bibliografia – peso 2
- Trabalho final – peso 5
Uma bibliografia complementar será sugerida no decorrer do curso de acordo com os problemas de
pesquisa e com os interesses dos(as) alunos(as) e, se necessário, haverá adequação de alguns tópicos
para o aprofundamento de certos temas.
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