Ana Elisa Sena Klein da Rosa - PUC-SP

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM GERONTOLOGIA
Ana Elisa Sena Klein da Rosa
AS EXPRESSÕES VIVAS DE CORPOS IDOSOS FRENTE À
QUEDA
São Paulo
2011
Ana Elisa Sena Klein da Rosa
AS EXPRESSÕES VIVAS DE CORPOS IDOSOS FRENTE À
QUEDA
Dissertação apresentada à Banca Examinadora
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
como exigência parcial para obtenção do título de
MESTRE em Gerontologia.
Área de Concentração: Gerontologia Social
Orientadora: Profa. Dra. Úrsula Margarida Karsch
São Paulo
2011
ROSA, Ana Elisa Sena Klein da
As expressões vivas de corpos idosos frente à queda
Dissertação apresentada à Banca Examinadora
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
como exigência parcial para obtenção do título de
MESTRE em Gerontologia.
Aprovada em:
Banca Examinadora
Prof. Dr._________________________Instituição:_______________________
Julgamento:_____________________Assinatura:_______________________
Prof.Dr._________________________Instituição:_______________________
Julgamento:_____________________Assinatura:_______________________
Prof. Dr._________________________Instituição:_______________________
Julgamento:_____________________Assinatura:_______________________
A Deus e ao grande homem: Rubens Klein da Rosa, que
escolhi e me escolheu para sermos felizes, harmonizados
e amados por toda eternidade.
AGRADECIMENTOS
A Deus, por quem devo a existência e toda a honra. Sem a benção divina, não
conseguiria chegar ao final de mais um degrau da construção do saber.
Ao meu amado marido, Rubens Klein da Rosa, por tudo; pela paciência, amor,
amizade e dedicação. Sem você eu não seria eu.
Aos meus pais, Pedro Alves de Sena e Sonia Maria Oliveira de Sena. À minha irmã
Michele Oliveira de Sena.
À Profa. Dra. Úrsula Margarida Karsch, por fazer florescer em mim a paixão pela
saúde pública. Obrigada por sua orientação coerente, auxílio e dedicação. Agradeço
humildemente pela oportunidade de ser orientada por uma profissional brilhante,
competente e humana.
Ao prof. Dr. Roberto Dantas Queiroz por toda atenção e auxílio para que eu pudesse
conjecturar uma possibilidade de desenvolvimento do trabalho. O apoio no HSPESP
foi fundamental para a realização deste estudo.
À Prof. Dra. Sissy Veloso Fontes, por estar sempre presente em minha vida, desde a
minha graduação. Profissional admirável na qual tenho verdadeira e inoculável
admiração. Agradeço por todas as contribuições acadêmicas de extrema relevância
para o enriquecimento deste trabalho. Agradeço por sua consideração, carinho e
amizade.
À Profa. Dra. Vera Lúcia Valsecchi de Almeida, por fazer parte de minha vida
acadêmica, se mostrar disponível e empenhada para ajudar. Suas aulas são
inesquecíveis. Obrigada pela compreensão oferecida a cada instante e por todas as
contribuições acadêmicas de extrema relevância para o enriquecimento deste
trabalho.
À professora de estatística e de epidemiologia, Dra. Maria do Rosário Dias de Oliveira
Latorre, por toda dedicação com meus números e muita paciência para me ensinar a
decifrá-los. Agradeço imensamente.
À minha amada, dedicada, querida e amiga de todas as horas e situações, Mercedes
Maria dos Santos Botelho. Aprendo cada dia coisas muito importantes com você.
Obrigada por tudo.
À minha cunhada e amiga Ester Paes Klein da Rosa, sem palavras para agradecer a
dedicação, as revisões de texto e as traduções dos artigos e trabalhos em
congressos. Por muitas vezes, parecia que fazia parte do meu grupo de estudos.
Às minhas irmãs quase biológicas, Bianca Isis Segantin e Fabiana Santos Fonseca.
Tenho a certeza de que Deus as colocou em meu caminho para que a busca pelo
saber acadêmico fosse mais descontraída, prática e leve. Senti-me acolhida e
agraciada por nossa eterna amizade. Obrigada por todas as orientações e conselhos.
Só Deus sabe por tudo que passamos até a entrega dessa dissertação. Formamos
um trio muito mais do que acadêmico em todos os congressos nacionais e
internacionais de Geriatria e Gerontologia. Obrigada minhas queridas!
À minha primeira e querida amiga do curso de mestrado, a jornalista Karen Marcelja,
por me ajudar com os textos e com sua amizade sincera.
Aos meus amados e escolhidos sobrinhos do coração e da alma, Felipe Paes Klein da
Rosa e Eduardo Paes Klein da Rosa, pelos carinhos e beijinhos nos momentos
difíceis. Acredito que nosso amor nunca encontrará explicação nem entendimento.
A todos os colegas do curso de Gerontologia, sem vocês as discussões e os
ensinamentos não seriam possíveis. Obrigada por compartilharem suas experiências
comigo.
A todos os professores do curso de Gerontologia, por me proporcionarem momentos
intensos de reflexão, dividirem dúvidas e questionamentos, e por me apresentarem
diferentes possibilidades e “visões” do envelhecer.
Aos amigos que estiveram comigo durante a realização deste trabalho (em ordem
alfabética), Ana Paula Klein; César Lemos; Fábio Ramos; Fabíola Rêgo Kassab;
Hildegard Anna Cortellazi; Juliana Guisardi Pereira; Karina Palla; Laodicéia Mamede
Oliveira; Lucas Arebolla; Marcia Chico de Oliveira; Mariana Yoshida; Monique Rocha
Botelho de Farias; e Nancy Marinho de Lemos, pela inestimável amizade.
A todos os pacientes que carinhosamente aceitaram participar deste estudo.
Ao Ministério do Idoso da Associação Paulistana, da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Silvana Martinez Lopez Cazonatto seu incentivo e interesse me estimularam na
construção de mais um caminho.
À querida Fabiana Andrade Santolin que gentilmente aceitou fazer a revi são de texto,
sem palavras para agradecê-la.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela
concessão da bolsa para que conseguisse viabilizar o desenvolvimento de minha
pesquisa.
Quando a velhice chegar, aceite-a, ame-a. Ela é
abundante em prazeres se souberes amá-la.
Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os
mais doces da vida de um homem.
Mesmo quando tiveres alcançado o limite extremo dos
anos, estes ainda reservam prazeres.
Sêneca
RESUMO
ROSA, A. E. S. K. As expressões vivas de corpos idosos frente à queda. 2011.
126 p. Dissertação (Mestrado em Gerontologia) – Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo, São Paulo, 2011.
A percepção sobre o corpo na velhice é muito particular para cada ser. A esse
respeito, Norbert Elias (2001) discorre sobre a dificuldade sentida pelas pessoas
quando seus corpos, tão cheios de frescor e muitas vezes de sensações agradáveis,
passam a ficar vagarosos, cansados e desajeitados. Não se pode imaginar tal
mudança e, no fundo, não se quer. Nesse sentido, a queda acompanhada de fratura
femoral causa enorme estranheza, pois há uma imagem com a qual o idoso não se
identifica, ocorrendo uma desconexão entre a imagem do inconsciente do corpo e a
imagem que o espelho devolve-lhe. O objetivo deste estudo foi traçar o perfil
sociodemográfico de 40 idosos (31 do sexo feminino e nove do sexo masculino) com
fratura de fêmur, em indicação de tratamento cirúrgico em fase pré-operatória,
atendidos pelo Serviço de Ortopedia do Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo. Trata-se de um estudo observacional de corte transversal, com coleta de dados
através de visita a arquivos de prontuários médicos e entrevistas semiestruturadas, no
período de outubro de 2010 a fevereiro de 2011. Todas as análises estatísticas foram
feitas pelo Software Statistical Package for the Social Sciences para Windows, na
versão 15.0. A idade dos sujeitos estudados variou de 62 a 97 anos, com média de
idade de 78,9 anos, prevalecendo 77,5% do sexo feminino, e 72,5% dos idosos eram
cuidados por um cuidador familiar. Um fator de extrema relevância foi que 97,5% dos
sujeitos faziam uso de mais de três medicamentos concomitantes diariamente. Esses
e muitos outros dados foram levantados com o intuito de cruzar fatores que incidem
no processo de envelhecimento humano, pois, para a Gerontologia, a velhice deve ser
entendida sob diferentes olhares, uma vez que os aspectos sociais, culturais e
subjetivos permeiam e se entrelaçam na velhice. Com este estudo, foi possível notar
que uma política de saúde pública faz-se necessária, com o desenvolvimento de
ações que tenham como finalidade proporcionar ao idoso um melhor
autoconhecimento de seu corpo, assim como identificar situações que possam lhe ser
prejudiciais em relação ao maior risco de quedas, para que o índice de quedas possa
ser reduzido.
Palavras-chave: Envelhecimento. Quedas na velhice. Fraturas femorais.
Gerontologia.
ABSTRACT
ROSA, A. E. S. K. The living expressions of elderly bodies face to fall. 2011. 126
p. Dissertation (Master in Gerontology) – Pontifical Catholic University of São Paulo,
São Paulo, 2011.
The relationship of the body in old age is very particular to each individual. Norbert
Elias (2001) discussed the difficulty that our own body, so full of freshness and often
pleasant sensations, can be slow, tired and clumsy. We cannot imagine it, and
basically we do not want it. The fall followed by femoral fracture causes huge
strangeness, an image in which the elder cannot identify himself, resulting in a
disconnection between the image of the unconscious of the body and the image that
the mirror gives him back. The objective of this study was to delineate the sociodemographic profile of 40 elders (31 females and 9 males) with femur fracture in
surgical indication for pre operative phase, attended by the Service of Orthopedics of
the Hospital of the State Public Servant of São Paulo (HSPESP). It is a cross-sectional
observational study, and the data were collected through visits to files of medical
records and semi-structured interviews, during the period of October 2010 to February
2011. All statistical analyzes were performed by SPSS for Windows, version 15.0. The
age of the subjects studied ranged from 62 to 97 years old, with an average age equal
to 78.9 years old, 77.5% were female, and 72.5% cared by a family caregiver. A factor
of extreme relevance was that 97.5% of the subjects use more than 3 concomitant
medicines daily. These and many others facts were raised with the intention of cross
factors that reflect in the trial of human ageing. For the Gerontology, old age is to be
understood by different looks. The social, cultural and subjective aspects permeate
and intertwine in old age. With this study was possible to notice that a public health
policy is necessary for that the rate of falls can be reduced by taking actions which are
intended to give the elderly a better self-awareness of his body, and identify situations
that can be harmful in relation to increase the risk of falls.
Keywords: Old age. Fall in old age. Femoral fractures. Gerontology.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Os fatores de risco para quedas e lesões relacionadas a quedas........................ 46
Figura 2 – Mostra a relação plurifatorial e fatores que contribuem como causa para quedas
em indivíduos idosos. ............................................................................................ 48
Figura 3 – Fatores associados a quedas em idosos residentes de ILPIs. ............................. 49
Figura 4 – Paciente MLS com dedos em garra (pé esquerdo)............................................... 49
Figura 5 – Paciente MLS com hálux valgo, joanete e onicomicoses em diversas unhas, além
de rushes cutâneos no pé direito, além de edema em tornozelo direito. ............. 51
Figura 6 – Paciente MLS com ferida neuropática (diabética) em pé direito, homolateral à
fratura femural. ...................................................................................................... 51
Figura 7 – Radiografia sugestiva de baixa densidade mineral óssea evidenciando fratura em
região trocantérica. Paciente AMS. ....................................................................... 55
Figura 8 – Conteúdo muscular normal em adulto fisicamente ativo (A) e sarcopenia em idoso
sedentário (B). ....................................................................................................... 57
Figura 9 – Fratura fechada ou simples (Fig. 1). Fratura exposta ou composta (Fig. 2).......... 59
Figura 10 – Mostra padrões comuns de fraturas. 1 – fratura transversal. 2 – fratura oblíqua. 3
– fratura espiral. 4 – fratura cominutiva. 5 - Fratura compressiva. 6 – fraturas de
galho verde. ........................................................................................................... 59
Figura 11 – Referente a características clínicas das fraturas. Uma fratura transversa é estável,
enquanto que a fratura oblíqua ou espiralada está sujeita à ação elástica dos
músculos. .............................................................................................................. 60
Figura 12 – 1. fratura do colo do fêmur; 2. fratura da região trocantérica; 3.fratura de diáfise do
fêmur; 4.fratura supracondileana; 5.fratura condileana. ........................................ 61
Figura 13 – Mostra a extremidade superior do fêmur com demarcações das regiões de
fraturas do colo do fêmur e do trocânter................................................................ 61
Figura 13 – Diagrama dos estágios de consolidação da fratura. 1. estágio do hematoma, com
necrose do osso juntamente à fratura; 2. estágio de proliferação subperiostal e
endostal. 3. estágio de calo. 4. estágio de consolidação. 5. remodelação............ 63
Figura 14 – Descritor de sistematização de entrevista e coleta de dados. .............................. 68
Figura 15 – Esquema da entrevista com o paciente e/ou cuidador. ........................................ 70
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Esperança de vida ao nascer, segundo as grandes regiões brasileiras – 2009. .. 30
Gráfico 2 – Distribuição percentual das pessoas idosas por capacidade de andar 100
metros, segundo características etárias e sexo. ................................................... 33
Gráfico 3 – Proporção de pessoas com 60 anos ou mais de idade que declaram sofrer de
algum tipo de doença crônica, segundo os principais tipos. ................................. 53
Gráfico 4 – Associação quanto à ocupação profissional e sexo. ............................................. 98
Gráfico 5 – Porcentagem de doenças pregressas encontradas nos pacientes com fratura
femoral................................................................................................................. 103
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Referente às causas mais comuns de quedas...................................................... 47
Quadro 2 – Referente aos perigos, considerados como riscos ambientais mais comuns. ...... 48
Quadro 3 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo. ............................................................................ 71
Quadro 4 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo. ............................................................................ 72
Quadro 5 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo. ............................................................................ 73
Quadro 6 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo. ............................................................................ 74
Quadro 7 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo. ............................................................................ 76
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Número e porcentagem de pessoas segundo características sociodemográficas. 83
Tabela 2 – Associação quanto à ocupação profissional e sexo. .............................................. 84
Tabela 3 – Número e porcentagem de pessoas segundo cuidador e família........................... 85
Tabela 4 – Número e porcentagem de acordo com o uso de medicamentos, óculos e
frequência no oftalmologista.................................................................................. 86
Tabela 5 – Número e porcentagem de doenças pregressas encontradas nos pacientes com
fratura femoral. ...................................................................................................... 87
Tabela 6 – Relato de números e porcentagens sobre os problemas encontrados nos pés,
realização e finalidade de fisioterapia pregressa à queda..................................... 88
Tabela 7 – Conforme queda no último ano, demora no atendimento, horário de queda e
frequência antes da fratura estudada.................................................................... 90
Tabela 8 – Número e porcentagem do local de ocorrência da queda. ..................................... 90
Tabela 8 – Referente às atividades de vida diária, e ocorrência de alterações de movimento.
............................................................................................................................... 91
Tabela 9 – Número e porcentagem consoante a utensílio ou aditamento utilizado para
deambulação, tipo de fratura e tipo de deambulante. ........................................... 92
Tabela 10 – Associação estatística quanto ao local, e frequência de queda atual, realização
segundo sexo. ....................................................................................................... 93
LISTA DE SIGLAS
AIT
Ataque Isquêmico Transitório
ASA
Sociedade Americana de Anestesia
AVC
Acidente Vascular Cerebral
AVDs
Atividades de Vida Diária
AVE
Acidente Vascular Encefálico
AVPs
Atividades de Vida Prática
BMC
Conteúdo Mineral Ósseo
Ceamas
Centros de Atendimento Médico Ambulatorial
CEP
Comitê de Ética em Pesquisa
DA
Doença de Alzheimer
DM
Diabetes Mellitus
Decam
Departamento de Convênios e Assistência Médica
Dem
Demência
DMO
Densidade Mineral Óssea
DP
Depressão
dp
Desvio Padrão
DPOC
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
DXA
Dual X-ray absorptiometry
EDG
Escala de Depressão Geriátrica
FC
Fratura do Colo do Fêmur
FCD
Fratura Condiliana
FT
Fratura Transtrocanteriana
Seade
Sistema Educacional de Análise de Dados
HAS
Hipertensão Arterial Sistêmica
HSPESP
Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo
HSPESP – SO
Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo – Serviço de
Ortopedia
Iamspe
Instituto de Assistência ao Servidor Público Estadual
ILPI
Instituição de Longa Permanência para Idosos
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICC
Insuficiência Cardíaca Congestiva
INED
Instituto Nacional de Estudos Demográficos (de origem francesa)
IPEA
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
IRA
Insuficiência Renal Aguda
IRC
Insuficiência Renal Crônica
OA
Osteoartrose
OMS
Organização Mundial de Saúde
ONU
Organização das Nações Unidas
OP
Osteoporose
PK
Doença de Parkinson
PNAD
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PUC
Pontifícia Universidade Católica
SBOT
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
SPSS
Statistical Package for the Social Sciences
SUS
Sistema Único de Saúde
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 18
2 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................... 23
2.1 Envelhecimento e Velhice ............................................................................................... 23
2.2 Dados Epidemiológicos do Envelhecimento Populacional Brasileiro .............................. 28
2.3 Geriatria e Gerontologia .................................................................................................. 33
2.4 Quedas ............................................................................................................................ 36
2.4.1 Etiologia e magnitude da queda ........................................................................... 43
2.4.2 Mecânica da fratura.............................................................................................. 44
2.4.3 Fatores de risco para quedas ............................................................................... 44
2.4.4 Causas de quedas................................................................................................ 46
2.4.5 Doenças nos pés que podem favorecer quedas .................................................. 49
2.4.6 Patologias associadas a maior prevalência de quedas........................................ 52
2.4.6.1 A queda no portador de osteoporose ................................................................ 54
2.4.6.2 Sarcopenia ........................................................................................................ 56
2.4.7 Fratura .................................................................................................................. 58
2.4.8 Fratura no fêmur................................................................................................... 60
2.4.9 Consolidação de fraturas...................................................................................... 62
3 MÉTODO............................................................................................................................. 65
3.1 Abordagem Metodológica................................................................................................ 65
3.2 Local de Realização do Trabalho .................................................................................... 65
3.3 Delineamento do Estudo ................................................................................................. 66
3.4 População de Estudo ...................................................................................................... 67
3.5 Metodologia ..................................................................................................................... 67
3.5.1 Triagem de pacientes ........................................................................................... 68
3.5.2 Avaliação de prontuários e avaliação de exames complementares..................... 69
3.5.3 Entrevista com o paciente e/ou cuidador ............................................................. 70
3.5.3.1 Demografia geral ............................................................................................... 70
3.5.3.2 Grau de instrução e dados profissionais ........................................................... 71
3.5.3.3 Comportamento etílico e comportamento tabágico........................................... 72
3.5.3.4 Histórico pregresso patológico do paciente....................................................... 74
3.5.3.5 Sintomatologia, aparato locomotor, ocorrência de fraturas pregressas e
aditamento de marcha ......................................................................................... 75
3.5.4 Avaliação das funções mentais e depressão geriátrica ....................................... 76
3.5.5 Informações adicionais com o paciente e/ou cuidador......................................... 77
3.5.6 Barthel index e informações sobre as AVDs antes da fratura............................. 78
3.6 Avaliação Individual Inicial ............................................................................................... 79
3.7 Análise Estatística ........................................................................................................... 80
3.8 Pacotes Estatísticos ........................................................................................................ 80
3.9 Aspectos Éticos ............................................................................................................... 80
3.10 Variáveis de Estudo....................................................................................................... 81
4 RESULTADOS ................................................................................................................... 83
4.1 Número e porcentagem de pessoas segundo características sociodemográficas ......... 83
4.2 Associação quanto à Ocupação Profissional e Sexo ...................................................... 84
4.3 Número e Porcentagem de Pessoas Segundo Cuidador e Família................................ 85
4.4 Número e Porcentagem de Pessoas Segundo o Uso de Medicamentos, Óculos e
Frequência no Oftalmologista.......................................................................................... 86
4.5 Número e Porcentagem de Doenças Pregressas Encontradas nos Pacientes com
Fratura Femoral ............................................................................................................... 87
4.6 Número e Porcentagem de Relatos dos Problemas Encontrados nos Pés, e
Realização e Finalidade de Fisioterapia Pregressa à Queda.......................................... 88
4.7 Conforme Queda no Último Ano, Demora no Atendimento, Horário de Queda e
Frequência antes da Fratura Estudada. .......................................................................... 89
4.8 Local de Ocorrência da Queda........................................................................................ 90
4.9 Referente às Atividades de Vida Diária e Ocorrência de Alterações de Movimento....... 91
4.10 Número e Porcentagem referente a Utensílio ou Aditamento Utilizado para
Deambulação, Tipo de Fratura e Tipo de Deambulante.................................................. 92
4.11 Associação Estatística Quanto ao Local e Frequência de Queda Atual, Segundo o
Sexo................................................................................................................................. 92
5 DISCUSSÃO....................................................................................................................... 94
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 106
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 108
ANEXOS............................................................................................................................... 117
18
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento brasileiro e mundial é uma realidade. Segundo a Síntese de
Indicadores Sociais (IBGE, 2010), os maiores de 60 anos representam 10,5% da
população total e 83% deles vivem nas cidades. O destaque fica para a região
metropolitana do Rio de Janeiro, que tem 1,7 milhão de idosos – 14,7% da população.
De acordo com o estudo, nos próximos 20 anos, o número de idosos do Brasil poderá
ultrapassar a faixa de 30 milhões de pessoas ao final deste período, o correspondente
a 13% da população total do país.
A população de pessoas com 60 anos ou mais cresceu 47,8% na última
década, um crescimento bastante superior aos 21,6% da população brasileira total no
mesmo período. De acordo com o IBGE (2000), com base em estudos da
Organização das Nações Unidas (ONU – 1995 a 2000), a população de pessoas com
mais de 60 anos no Brasil aumentou 17,5%, o que significa um aumento de quase
dois milhões, enquanto que a população total cresceu, de 1996 a 2000, apenas 8,1%.
Em 2020, projeções da ONU preveem que teremos um acréscimo de 14,2 milhões de
pessoas com mais de 60 anos em relação a 2000, perfazendo 13,1% da população
total. Em 2050, serão 102 para cada 100 jovens, o que refletirá diretamente em todo
sistema de saúde, público e privado, tanto nos segmentos produtores quanto nos
financiadores.
Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000)
mostraram um crescimento significativo da participação de pessoas com mais de 60
anos na formação da sociedade brasileira. A relação atual, de cerca de 25 idosos para
cada grupo de 100 crianças e adolescentes até 14 anos, deverá mudar para 173
idosos para cada grupo de 100 crianças e adolescentes. De acordo com as pesquisas
recentes do IBGE (2010), o Brasil deve ficar atento às prioridades econômicas e às
instituições de atendimento à população, cujas necessidades devem mudar.
Conforme Ornestein, Prado e Lopes (2010), a transição epidemiológica do
mundo, que o nosso país acompanha, nos mostra uma das maiores conquistas da
humanidade, o incremento de anos vividos. No entanto, esses anos a mais devem ser
de qualidade e com boas condições de adaptações a situações favoráveis às
vulnerabilidades biológicas, psicológicas e sociais. É indiscutível para os idosos a
19
importância de acrescentar anos vividos com qualidade funcional e independência
adaptativa.
Antes das atuais projeções estatísticas, os sinais de envelhecimento
populacional já tinham sido observados e intuídos por profissionais da área de
gerontologia, conforme descreveu o Jornal Folha de São Paulo (2009). Isso porque,
em estudos sobre o cotidiano, entre os anos de 2005 a 2008, o número de
internações hospitalares na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou em 8%
por causa das fraturas de fêmur em idosos. No ano de 2008, foram 32.908
internações por esse motivo.
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), a fratura do fêmur, maior osso
humano, é uma das causas mais relevantes de mortalidade de idosos, quase um
quarto das mortes nessa faixa está re lacionado a quedas. As fraturas expõem um
problema de saúde peculiar em pacientes idosos, a osteoporose. Em 2010, o
Ministério da Saúde gastou cerca de R$ 39 milhões com medicamentos para
tratamento da osteoporose. A ocorrência e a frequência de quedas em pessoas
idosas é muito maior do que imaginamos, porque os idosos aceitam a queda como
um acontecimento inevitável do envelhecer e não as relatam, a menos que
interrogados.
O corpo humano está em constantes mudanças, cada idade apresenta suas
alterações, características, riscos e problemas. Beauvoir (1990) discorre sobre a
velhice que habita nosso corpo, e escreve que, por mais que tenhamos encontrado
uma imagem mais ou menos convincente, mais ou menos satisfatória de nós
mesmos, temos que viver essa velhice que somos incapazes de imaginar. Para tanto,
em primeiro lugar, devemos vivê-la no nosso corpo. Não é nosso corpo que nos vai
revelá-la; mas, uma vez que sabemos que a velhice habita nosso corpo, é ele que nos
inquieta.
Becker et al. (1999 apud RUSSO, 2005) descreveram que a avaliação do
nosso corpo é feita da interação com o meio, assim sua autoimagem é desenvolvida
continuamente. Nesse contexto, percebe-se que o envelhecimento envolve uma série
de mudanças funcionais que leva à diminuição da funcionalidade do organismo; desse
modo, surge um conceito de corpo em diferentes épocas, nas quais o não
reconhecimento do corpo surge a partir do momento em que ele sofre uma diminuição
do funcionamento, a qual não existia em tempos anteriores.
20
Simões (1992) afirmou que o idoso, cujo corpo não se inclui nesses padrões,
tem seus anseios anulados, gerando um sentimento de impotência enquanto indivíduo
ativo na sociedade, o que culmina na aversão ao próprio corpo.
Para Villaça e Góes (1998), o corpo está inserido na sociedade e, dessa forma,
é marcado pelo fator social. Por isso a dificuldade em examinarmos tanto o nosso
corpo quanto o do outro. A consequência mais comum é a tentativa de proteção:
tenta-se preservá-lo, evitar ao máximo sua exposição, resguardá-lo como se essa
fosse a garantia de nos livrarmos do perigo e das ameaças. Nesse sentido, é de se
presumir que quanto mais iguais formos uns aos outros, menos ameaçados nos
sentiremos. Dessa forma, o envelhecimento constitui-se como uma pluralidade de
experiências individuais. É preciso salientar que as alterações que ocorrem no corpo
que envelhece são inevitáveis. Como proteger, preservar e resguardar esse corpo do
perigo e das ameaças para evitar a queda?
No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), entre os
anos de 1979 e 1995, cerca de 54.730 pessoas morreram devido a quedas, sendo
que 52% delas eram idosos, com 39,8% apresentando idade entre 80 e 89 anos.
Ainda segundo dados do Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), a taxa de mortalidade
hospitalar por queda, em fevereiro de 2000, foi de 2,58%. A maior taxa encontrada foi
na região Sudeste, seguida pela região Nordeste, Sul e Centro-Oeste.
De acordo com estudos realizados no Brasil por Zinny e Pussi (2003), a
incidência anual de fraturas no pa ís é de 1 milhão e destas 250 mil são de quadril.
Sendo que, para Alarcon et al. (2001), as fraturas de quadril reduzem o tempo de vida
em 36% para homens e em 21% para as mulheres. As internações hospitalares
oriundas de quedas custam quase o dobro daquelas originadas de outras causas de
internação hospitalar do idoso.
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), o SUS gastou quase R$
81 milhões com fraturas em idosos no ano de 2009. O número alto de internações por
quedas em idosos configura alto número de incapacidade e óbitos nessa faixa etária,
podendo gerar consequências, entre as quais: físicas, psíquicas e sociais. Cair pode
significar que está ocorrendo um declínio das funções fisiológicas ou ainda
representar sintomas de alguma patologia específica.
O pesquisador Fuller (2000) analisou as quedas em idosos e revelou que
aproximadamente 5% de todas as quedas resultam em fraturas. As mulheres fraturam
mais que os homens, e os homens morrem mais de fraturas. Quando não ocorre a
21
fratura, a dor e a redução dos movimentos podem causar isolamento pela diminuição
da autoestima, tanto pela queda quanto pelo aumento da dependência. Tem sido
verificado nos serviços de emergência dos EUA que as quedas são eventos
frequentes causadores de lesões, constituindo a principal etiologia de morte acidental
em pessoas com idade acima de 651 anos.
Para Campbel et al. (1985 apud FREITAS et al., 2006), quase todas as mortes
provenientes de queda são decorrentes de fratura de colo femoral. As quedas podem
representar um marcador para um risco de maior mortalidade na população idosa. Há
evidências de que as quedas produzem sintomas de ansiedade e depressão, e
sintomas depressivos são comuns nesses pacientes. As quedas e suas sequelas
estão associadas a restrições de atividades, por vezes devido a dores persistentes.
Fraturas femorais são causas reconhecidas de declínio de habilidades funcionais em
relação ao estado pré-fratura.
Por tantos motivos, é necessário contextualizar a ocorrência de quedas e o
perfil sociodemográfico de idosos brasileiros.
Dessa forma, a presente investigação buscou traçar o perfil sociodemográfico
da população de idosos com fratura de fêmur em indicação de tratamento cirúrgico em
fase pré-operatória, atendida pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo
– Serviço de Ortopedia (HSPESP – SO).
Além disso, teve como objetivos específicos:

Descrever
a
população
do
estudo
segundo
características
sociodemográficas;

Discorrer sobre o cuidador, moradia de filhos e existência de netos;

Descrever o uso de medicamentos, óculos e frequência ao oftalmologista;

Delinear as doenças pregressas;

Identificar os problemas mais comuns nos pés, realização e finalidade de
fisioterapia pregressa à queda atual;

Identificar e descrever a queda no último ano, tempo de atendimento,
horário de queda e frequência de queda antes da atual fratura;

1
Expor os locais mais frequentes de queda nos idosos pesquisados.
Consideramos e referimos alguns estudos com idade a partir de 65 anos, representando a idade
cronológica do idoso em países desenvolvidos.
22

Desvendar se o nosso paciente realizava Atividades de Vida Diária (AVDs),
e ocorrências de alteração do movimento em pacientes pesquisados;

Apresentar os aditamentos mais comuns para a deambulação, tipo de
fratura e tipo de deambulante;

Analisar a associação entre características de quedas e sexo com local de
quedas.
Detectar os nossos objetivos é fundamental para prevenir as quedas. Após 10
anos de profissão e inúmeros atendimentos fisioterapêuticos de idosos, pudemos
perceber como muitos profissionais envolvidos com o paciente idoso ignoram a queda
e não a repelem com estranheza. Por isso construímos este estudo desafiador.
O homem precisa ter consciência de que seu corpo está entrelaçado ao
movimento. Convidamos, assim, o leitor a refletir sobre a fratura de fêmur na velhice.
Dessa percepção, interessamo-nos por estudar a queda não só no ponto de vista
funcional, mas também do ponto de vista gerontológico.
23
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Envelhecimento e Velhice
Para Guimarães (2007), envelhecemos desde o dia em que fomos concebidos
e o envelhecimento é um processo que percorre por toda nossa vida. Tanto a criança
quanto o jovem crescem, desenvolvem-se e envelhecem.
Morin (1997a) acreditava ser difícil perceber a origem, o motor do processo de
envelhecer, pois, para ele, o caráter patológico da velhice manifestava-se em três
planos: no social; na percepção de que a velhice sadia é patológica enquanto velhice
em si; na própria morte que é patológica e é aproximada pela velhice. Finalizando
suas reflexões, Morin (1997a, p. 230) aceitava que a velhice e a morte estão inscritas
na herança genética humana e que são “coisas normais e naturais, porque uma e
outra são universais e não sofrem qualquer exceção entre os mortais”.
Segundo Freitas et al. (2006), a incapacidade de mensurar o fenômeno do
envelhecimento está intimamente vinculada à dificuldade de definir a idade biológica,
o que justifica a falta de segurança para adotar quaisquer das teorias existentes sobre
o envelhecimento.
Consoante a isso, para a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2004) as
sociedades ocidentais comumente associam o envelhecimento com a saída da vida
produtiva pela idade. É difícil caracterizar uma pessoa como idosa utilizando como
único critério a idade. Além disso, nesse segmento conhecido como terceira idade,
estão incluídos indivíduos diferenciados entre si, tanto do ponto de vista
socioeconômico quanto demográfico e epidemiológico.
Para Spirdurso (2005), o termo „envelhecimento‟ é usado para referir um
processo ou conjunto de processos que ocorre em organismos vivos e que, com o
passar do tempo, leva a uma perda de adaptabilidade, deficiência funcional, e,
finalmente, à morte. Esses processos são diferentes dos ritmos biológicos diários ou
de qualquer outra mudança temporária.
Debert (1999) defende a ideia de que o envelhecimento é hoje um fenômeno
estruturante das sociedades contemporâneas. Está associado a profundas mudanças
sociais, econômicas e culturais indutoras de novas formas de relação de
24
reciprocidade, sociedade e sujeito. Tanto em nível da sociedade quanto de cada um
de nós, esse processo revela-se profundamente interpelante e desafiante: novos
comportamentos, expectativas e valores entrosam-nos a mais anos de vida e
produzem novas formas de sociabilidade e convivência.
Para Fratczak (1993) o envelhecimento também pode ser definido como um
processo, um estágio, que é definido de maneiras diferentes, dependendo do campo
de pesquisa e objeto de interesse.
De acordo com Azevedo (2001) e Leme (1996), a preocupação acerca do
envelhecimento humano apareceu na literatura científica no século XVI com os
primeiros trabalhos científicos sobre o envelhecimento humano, contando com
representantes, como Bacon, Descartes e Benjamim Franklin, que acreditavam ser
apenas o desenvolvimento de métodos científicos eficazes para “vencer” as
transformações da velhice. Francis Bacon (1561-1626) escreveu A história natural da
vida e da morte e a prolongação da vida, defendendo a ideia de que um espírito jovem
inserido em um corpo velho faria regredir a evolução da natureza (AZEVEDO, 2001;
LEME, 1996). Benjamim (1745-1813), por sua vez, foi o primeiro a dizer que são as
doenças responsáveis pela morte e não o envelhecimento, e que a velhice não é
doença (AZEVEDO, 2001; LEME, 1996).
Os escritos de Netto (2007) aludiram que o século XX foi marcado pela
explosão de medidas protetoras que visaram a postergar a morte. Ao longo do século
XX e início do século XXI, o envelhecimento populacional é um fenômeno conhecido e
que vem ocorrendo mundialmente. Segundo a ONU (2002), na Segunda Assembleia
Mundial sobre o Envelhecimento 2, essa transformação demográfica está ocorrendo
sem precedentes e sua projeção para o ano de 2050 é de que o número de idosos irá
duplicar. O seu peso relativo passará de 10 para 20% de pessoas com mais de 60
anos de idade e, ainda, esse número será maior e mais rápido em países em
desenvolvimento.
A OMS (2007) define a população idosa como aquela a partir dos 60 anos de
idade, com uma distinção quanto ao local de residência dos idosos. Esse limite é
válido para os países em desenvolvimento, subindo para 65 anos de idade quando se
trata de países desenvolvidos. No Brasil a Política Nacional do Idoso (BRASIL, 1994)
2
Realizada em abril de 2002 em Madrid, na Espanha.
25
define como idoso a pessoa de 60 anos de idade ou mais, que será utilizada neste
estudo.
No Brasil, onde existem muitas dificuldades socioeconômicas, homens e
mulheres podem tornar-se envelhecidos antes dos 60 anos, devido à rotina pesada
pela qual são obrigados a passar. Barbosa e Nascimento (2001) afirmam que, mesmo
com todas essas dificuldades, a população brasileira tem aumentado, graças à
redução da taxa de fecundidade associada à melhoria nutricional, elevação dos níveis
de higiene pessoal, condições ambientais e residências mais adequadas.
A política nacional de saúde da pessoa idosa (BRASIL, 2006) aborda a velhice
cronológica, e justifica que não se fica velho aos 60 anos de idade. O envelhecimento
é um processo natural que ocorre ao longo de toda experiência da vida do ser
humano, por meio de escolhas e de circunstâncias. O preconceito contra a velhice e a
negação da sociedade quanto a esse fenômeno colaboram para a dificuldade de se
pensar políticas específicas para esse grupo. Ainda há os que pensam que se investe
na infância e se gasta na velhice. Deve ser um compromisso de todo gestor em
saúde, compreender que, ainda que os custos de hospitalizações e cuidados
prolongados sejam elevados na parcela idosa, também se está investindo na velhice.
O IBGE (2010) reconheceu que a idade não é o único parâmetro para definir o
processo sociodemográfico do envelhecimento a fim de facilitar a análise dos dados e
a construção dos indicadores selecionados.
Veras (1994), ao conjecturar sobre o assunto, afirmou que a causa do rápido
aumento da expectativa de vida neste século foi uma substituição das causas de
morte, anteriormente resultantes de doenças infecciosas e parasitárias, pelas doenças
cardíacas e pelo câncer. Esta alteração nos padrões de moléstias foi descrita por
Omran (1986), como transição epidemiológica.
Para o IBGE (2010), o crescimento desse segmento populacional no Brasil e no
mundo é decorrente dos índices de mortalidade, graças aos avanços tecnológicos da
medicina e da qualidade de vida, além das mudanças no coeficiente de fecundidade.
Freitas et al. (2006) fizeram menção quanto à longevidade cada vez maior do
ser humano, que pode acarretar uma situação ambígua, vivenciada por muitas
pessoas, mesmo pelas não idosas: o desejo de viver cada vez mais e, ao mesmo
tempo, o temor de viver em meio a incapacidades e à dependência. A mesma autora
é ainda mais direta quando define que o envelhecimento é um processo inacabado, e
26
a velhice é uma fase da vida, e o velho ou idoso é o resultado final, eles (velho e
velhice) constituem um conjunto cujos componentes estão intimamente relacionados.
Do ponto de vista demográfico, Pereira et al. (2002) apontam que envelhecer
significa aumentar o número de anos vividos. Contudo, paralelamente à evolução
cronológica, coexistem fenômenos de natureza biopsicossocial, importantes para a
percepção da idade e do envelhecimento.
Mas, em que idade a velhice tem início? Essa é uma tarefa dificílima.
Observemos um trecho do poema de Mário Quitana (1906- 1994), “[...] ninguém pode
estar na flor da idade, mas cada um pode estar na flor da sua própria idade [...]”. Para
Beauvoir (1990), a velhice não pode ser compreendida senão em sua totalidade. Ela
não é somente um fato biológico, mas também um fato cultural.
Há vasta nomenclatura no meio social e acadêmico para designar as pessoas
que se encontram na velhice. Para Junqueira (1998), o termo „terceira idade‟ foi mais
aceito do que „velho‟ na nossa atual conjuntura, embora tenha conotação negativa,
pois tudo que é terceiro é inferior ao que é segundo e primeiro. Isso se justifica em
razão de a noção de velho ser fortemente associada à decadência e confundida com
incapacidade para o trabalho, concordando com o estereótipo negativo construído
pela sociedade.
Spirduso (2005) salientou que um dos questionamentos mais importantes a
enfrentar, tanto do ponto de vista pessoal quanto social, é saber se o ciclo de vida
aumentado pode ser vivido com qualidade, ou se se trata de período com aumento de
morbidades biológicas típicas do envelhecer, as quais precedem a morte.
Para Debert (1999), o impacto nas formas de viver e experimentar as diferentes
fases da existência é algo que conhecemos mal: estamos perante fenômenos
recentes, de evolução extremamente rápida e de complexidade crescente. Vivemos
mais anos, com elevado nível de autonomia, de capacidades, potencialidades de
realização pessoal e de intervenção na sociedade, a par de crescente falta de
sincronia entre o percurso das idades inerentes ao processo de desenvolvimento
humano e o trajeto socioprofissional: a idade biológica e a idade social têm tendências
divergentes.
Até o século XIX, a velhice era tratada como uma questão de mendicância,
porque sua fundamental característica era a não possibilidade que uma pessoa
apresentava de se assegurar financeiramente. Assim, a noção de velho remete à
incapacidade de produzir, de trabalhar. Dessa forma, segundo Peixoto (1998), era
27
denominado velho (vieux) ou velhote (veillard) aquele indivíduo que não desfrutava de
status social – muito embora o termo „velhote‟ também fosse utilizado para denominar
o velho que tinha sua imagem definida como “bom cidadão”. Para demonstrar uma
visão menos estereotipada da velhice, Peixoto (1998) definiu o termo „idoso‟ para
caracterizar tanto a população envelhecida em geral quanto aquela mais favorecida. A
partir de então os “problemas dos velhos” passaram a ser vistos como “necessidades
dos idosos”.
Por outro lado, Neri e Freire (2000) colocam que a substituição dos termos
„velho‟ ou „velhice‟ por „melhor idade‟ já indica preconceito, pois, caso contrário, essa
troca de palavras não seria necessária. As mesmas autoras ainda fazem menção ao
termo „terceira idade‟. Esse termo foi cunhado nos anos 60 para designar a idade em
que a pessoa se apresenta, servindo para designar a faixa etária intermediária entre a
vida adulta e a velhice.
Essa distinção também traz uma dose de conotação negativa ao termo
„velhice‟, porque se compreende que quem está na terceira idade ainda não é velho.
Porém, ao mesmo tempo, fornece uma visão mais benéfica daqueles que se
encontram com 60 anos ou mais. Essa é a idade que a ONU (2002) define como o
início da velhice nos países em desenvolvimento, elevada aos 65 anos nos países
desenvolvidos.
Em face desses preconceitos, estabeleceram-se conceitos sobre os termos
„velho‟, „idoso‟ e „terceira idade‟. „Velho‟ ou „idoso‟ refere-se a pessoas idosas, na
média de 60 anos; „velhice‟ seria a última fase da existência humana e
„envelhecimento‟ estaria atrelado às mudanças físicas, psicológicas e sociais (NERI;
FREIRE, 2000). Há ainda outras metáforas acerca do envelhecimento, como, por
exemplo, „amadurecer‟ e „maturidade‟, que significam a sucessão de mudanças
ocorridas no organismo e a obtenção de papéis sociais, respectivamente (NERI;
FREIRE, 2000).
Para Menezes e Bachion (2008), a velhice para muitas pessoas é percebida
como uma fase dolorosa da vida, sem perspectivas e marcada pela presença de
doenças e perdas. Através da observação sistematizada, no trabalho de Fabrício et al.
(2004) é possível verificar a existência de problemas de comunicação entre idosos,
muitos deles viviam juntos e comiam juntos na mesma instituição de longa
permanência para idosos, mas não se comunicavam.
28
Beauvoir (1990), em seus escritos sobre a velhice que habita nosso corpo,
discorreu que, por mais que tenhamos encontrado uma imagem mais ou menos
convincente, mais ou menos satisfatória de nós mesmos, temos que viver essa
velhice que somos incapazes de imaginar. Sendo que, em primeiro lugar, devemos
vivê-la no nosso corpo.
Bosi (1994) denotou que a velhice decorre mais da luta de classes do que de
conflito de gerações; uma vez que, ao velho, não é permitida sua participação nas
relações interpessoais, de modo que esse ator social tem compartilhado seu lugar de
exclusão na sociedade com outros grupos, como: mulheres, negros, índios,
portadores de necessidades especiais.
Para Nascimento (1982) era comum na Idade Média que os escritores fizessem
referência às idades da vida. Falava-se em infância e puerilidade, juventude e
adolescência, velhice e senilidade, para designar as diferentes fases da vida humana.
O envelhecimento do ser humano pode ser diferenciado segundo conceitos
relacionados à idade cronológica, à biológica, à social e à psicológica. Embora o
envelhecimento humano seja marcado com indicadores diferentes, ainda assim o
principal critério para situar as categorias etárias é a data de aniversário das pessoas.
Nas sociedades contemporâneas, o Papa João Paulo II, no ano de 1999 (ano
Internacional do Idoso), escreveu uma carta aos anciãos, afirmando que estes ajudam
a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes
os tornaram mais experientes e amadurecidos. Eles são guardiões da memória
coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores
humanos que mantêm e guiam a convivência social.
2.2 Dados Epidemiológicos do Envelhecimento Populacional Brasileiro
O crescimento da população de idosos é uma realidade confirmada pelo IBGE
(2000) em números absolutos e relativos, é um fenômeno mundial e está ocorrendo a
um nível sem precedentes. Em 1950, eram cerca de 204 milhões de idosos no mundo
e, já em 1998, quase cinco décadas depois, esse contingente alcançava 579 milhões
de pessoas, um crescimento de quase 8 milhões de pessoas idosas por ano. As
projeções indicam que, em 2050, a população idosa será de 1.9 milhões de pessoas,
montante equivalente à população infantil de 0 a 14 anos de idade. Uma das
29
explicações para esse fenômeno é o aumento, verificado desde 1950, de 19 anos na
esperança de vida ao nascer em todo o mundo. Os números mostram que,
atualmente, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050,
estima-se que a relação será de 1 para 5 em todo o mundo, e de 1 para 3 nos países
desenvolvidos.
No Brasil, após a divulgação pelo IBGE da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílio (PNAD), edição de 2007, as projeções foram se confirmando com a
continuidade da baixa taxa de fecundidade e mortalidade3, quando comparadas ao
Censo 2010. Segundo as projeções vislumbradas pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA, 2009), após a divulgação da pesquisa, esse fenômeno
está ocorrendo de forma acelerada, acarretando rápidas mudanças no ritmo de
crescimento da população e a mais importante é o crescimento populacional
brasileiro. No Brasil, a expectativa do IBGE é de que a população com mais de 60
anos de idade seja aproximadamente de 11% da população geral até o ano de 2020.
Dados do IBGE (2010) confirmaram as previsões do instituto divulgadas em
2002. O índice de envelhecimento aponta para mudanças na estrutura etária da
população brasileira. Em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos
existiam 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro mudará, e para cada
100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos. Um exame das estruturas etárias
projetadas mostra, também, a transformação nas relações entre pessoas que
ingressam (e permanecem) nas idades ativas e aquelas que atingem as chamadas
idades potencialmente inativas.
Segundo o IBGE (2000), tínhamos a seguinte realidade: para 1 pessoa com 65
anos ou mais de idade, aproximadamente, 12 estavam na faixa etária chamada de
potencialmente ativa (15 a 64 anos). Já em 2050, para cada pessoa com 65 anos ou
mais de idade, pouco menos de 3 estarão na faixa etária potencialmente ativa. No
tocante às crianças e jovens, existirão cada vez mais pessoas em idade
potencialmente ativa “destinadas” a suprir suas necessidades.
Dados do último Censo descrito pelo IBGE (2010) nos revelaram que
[...] o aumento da esperança de vida ao nascer em combinação com a queda
do nível geral da fecundidade resulta nos aumentos absoluto e relativo da
população idosa. A esperança média de vida no Brasil era, em 2009, de 73,1
3
As taxas de fecundidade e mortalidade, aliado aos movimentos migratórios, fazem parte da dinâmica
demográfica de uma região ou país.
30
anos de idade. A vida média ao nascer, de 1999 para 2009, obteve um
incremento de 3,1 anos, com as mulheres em situação bem mais favorável
que a dos homens (73,9 para 77,0 anos, no caso das mulheres, e 66,3 para
69,4 anos para os homens). Em 2009, a diferença entre a maior esperança de
vida do sexo feminino, 79,6 anos, no Distrito Federal, e a menor do sexo
masculino, 63,7 anos, no Estado de Alagoas, corresponde a uma diferença de
quase 16 anos a favor dessas mulheres. (p. 31).
Para o IBGE (2010), em consonância com a PNAD (2009), a diminuição das
taxas de fecundidade e de natalidade pode ser observada a partir da análise da
composição etária da população brasileira. A redução da população infantil e jovem e
o consequente aumento da população adulta e idosa estão associados à queda
continuada dos níveis de fecundidade e ao aumento da esperança de vida. O que nos
mostra um ritmo de crescimento sistemático e consistente. No período de 1999 a
2009, o peso relativo dos idosos (60 anos ou mais de idade) no conjunto da população
passou de 9,1 para 11,3%, faixa etária considerada para fins de estudos demográficos
e, também, como limite da condição de velhice nos países mais desenvolvidos.
Gráfico 1 – Esperança de vida ao nascer, segundo as grandes regiões brasileiras – 2009.
74,3%
75,2%
72,2%
70,4%
74,6%
NORTE
NORDESTE
SUDESTE
SUL
CENTRO-OESTE
Fonte: IBGE (2010).
Os avanços da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da
população repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro (expectativa
de vida ao nascer) de 45,5 anos de idade, em 1940, para 72,7 anos, em 2008, ou
seja, mais 27,2 anos de vida. Segundo a projeção do IBGE (2010), o país continuará
galgando anos na vida média de sua população, alcançando em 2050 o patamar de
31
81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China
(82,20) e Japão (82,60).
Com os dados da PNAD (2009), as mulheres são a maioria (55,8%), assim
como os brancos (55,4%), e 64,1% dos idosos ocupavam a posição de referência no
domicílio. A escolaridade dos idosos brasileiros ainda é baixa: 30,7% tinham menos
de um ano de instrução. Pouco menos de 12,0% viviam com renda domiciliar per
capta de até ½ salário-mínimo e cerca de 66% já se encontravam aposentados.
O IBGE vem alertando por meio de indicadores sociais e demográficos,
divulgados no Brasil, que a estrutura etária está mudando e que o grupo de
idosos é, hoje, um contingente populacional expressivo em termos absolutos
e de crescente importância relativa no conjunto da sociedade brasileira, daí
recorrendo de uma série de novas exigências e demandas em termos de
políticas públicas de saúde e inserção ativa dos idosos na vida social. (IBGE,
2010, p. 196).
Chaimowicz (1998) mencionou que o Brasil era considerado um país jovem. A
partir de 1980, iniciou a observação do aumento de sua população com mais de 60
anos. A fase de aumento rápido da proporção de idosos, que já se iniciou, deverá se
intensificar dentro de 10 ou 15 anos. No ano de 2020 o país terá a sexta população de
idosos no mundo (33 milhões), correspondendo a quase 14% da população total: um
processo que a sociedade terá que se adaptar.
Para a OMS (2007), o número de quedas aumenta em magnitude, à medida
que o número de adultos mais velhos aumenta em muitas nações do mundo. As
quedas aumentaram exponencialmente com as mudanças biológicas associadas à
idade; portanto, um significativo número de pessoas com mais de 80 anos deverá
desencadear um aumento substancial de quedas e dos ferimentos a elas
relacionados, em níveis alarmantes.
Freitas et al. (2006) demonstraram preocupação com o aumento do número de
idosos no Brasil, pois impacta diretamente a família que nem sempre tem condições
de proporcionar-lhe a ajuda de que necessita, situação que é agravada pela pobreza e
pela escassez de serviços públicos e privados de atendimento médico e social ao
idoso, principalmente quando se encontra fragilizado.
Segundo o estudo do IBGE (2010), a população residente total de pessoas de
60 anos ou mais de idade no Brasil é de 191.796, a distribuição percentual segundo
32
os grupos de idade correspondem a 60 a 64 anos (3,5%), 65 a 69 anos (2,8%), 70 a
74 anos (2,1%), 75 a 79 anos (1,4%) e 80 anos ou mais (1,5%).
De acordo com o Suplemento de Saúde da PNAD (2008), apenas 22,6% dos
idosos declararam não ter doenças crônicas. Entre aqueles com 75 anos ou mais,
este percentual caiu para 19,7%. Quase metade (48,9%) dos idosos sofria de mais de
uma doença crônica, e, no subgrupo a partir de 75 anos, o percentual atingia 54%. A
hipertensão foi a enfermidade que mais se destacou, com proporções em torno de
50%. Dores na coluna e artrite ou reumatismo atingiram, respectivamente, 35,1% e
24,2% das pessoas de 60 anos ou mais. Enquanto 77,4% dos idosos declararam
sofrer de doenças crônicas, 45,5% afirmaram que seu estado de saúde era “muito
bom” ou “bom”. Apenas 12,6% disseram ter a saúde “ruim” ou “muito ruim”, e, entre
estes últimos, destacaram-se aqueles com 75 anos ou mais, os pretos ou pardos e os
que viviam com renda familiar de até ½ salário mínimo per capita.
Para o IBGE (2010), o percentual de idosos que não conseguiam ou tinham
grande dificuldade em caminhar 100 metros passou de 12,2% no ano de 2003 para
13,6% em 2008. Esse aumento pode ser explicado pela elevação da esperança de
vida. Entre aqueles com 75 anos ou mais, o percentual dos que declararam
dificuldade ou incapacidade era de 27,2%. Como as mulheres são maioria nesse
grupo, 15,9% das mulheres declararam ter dificuldade de caminhar 100 metros, contra
10,9% dos homens.
Kalache et al. (2000 apud OMS, 2007) afirmaram que a ausência de medidas
realmente efetivas sobre o aumento da expectativa de vida e do aumento
consequente de quedas
é um reflexo da saúde, na velhice, „ser negligenciada em países em
desenvolvimento‟. A prevenção de quedas é uma das questões que não tem
recebido atenção suficiente. Ao contrário do mundo desenvolvido, que ficou
rico antes de envelhecer, os países em desenvolvimento estão envelhecendo
antes de ficar ricos. (p. 13).
33
Gráfico 2 – Distribuição percentual das pessoas idosas por capacidade de andar 100 metros,
segundo características etárias e sexo.
15,7%
10,9%
13,6%
27,3%
60 anos ou mais
75 anos ou mais
homem
mulher
Fonte: IBGE (2010).
Debert (1999) entendeu o envelhecimento como um processo inevitável,
dinâmico e progressivo, de modificações ao longo do tempo em nível social. Em cada
um de nós esse processo revela-se profundamente interpelante e desafiante: novos
comportamentos, expectativas e valores participam nos anos de vida e produzem
novas formas de sociabilidade e convivência.
a velhice é o que acontece às pessoas que ficam velhas; impossível encerrar
essa pluralidade de experiências num conceito, ou mesmo numa noção. Pelo
menos, podemos confrontá-las umas com as outras, tentar destacar delas as
constantes e dar as razões de suas diferenças. (BEAUVOIR, 1990, p. 345).
2.3 Geriatria e Gerontologia
Para Maddox et al. (2001), geriatria é o estudo dos aspectos médicos de
pessoas mais velhas que o jovem adulto e a aplicação dos conhecimentos
relacionados com os aspectos biológicos, biomédicos, comportamentais e sociais do
envelhecimento para prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados dessas pessoas.
O termo „geriatria‟ foi utilizado pelo médico americano Ignatz Nascher (18631944 apud MADDOX, 2001) em reconhecimento da similaridade com o domínio da
pediatria. Os aspectos médicos do envelhecimento foram estudados desde o início da
civilização e receberam vários nomes, até chegar em Geriatria. O idoso deve ser
integrado dentro de cuidados de saúde primários e ramos da especialidade da
medicina, por exemplo, medicina Geriátrica, Psiquiátrica Geriátrica e Neurológica
34
Geriátrica. Embora 65 anos de idade seja frequentemente usado em países
desenvolvidos para indicar o início da idade avançada, essa idade é claramente
arbitrária por parte das decisões de política social.
Susman (apud MADDOX, 2001) descreveu a Geriatria como uma disciplina
médica em coordenação com os aspectos clínicos, preventivos, corretivos e sociais da
doença no adulto idoso. Geriatria não é uma disciplina separada da prática diária da
maioria dos clínicos, mas uma disciplina que exige que os profissionais de saúde
mantenham bons princípios básicos mentais e de cuidados.
O termo „gerontologia‟ foi usado pela primeira vez por Elie Metchnikoff (1908
apud NERI, 2006), que o compôs a partir da língua grega, na qual geron significa
homem velho e logia estudo.
Metchnikoff, cientista Russo e que trabalhava no Instituto Pasteur em Paris,
afirmava que
[...] a velhice é uma doença infecciosa crônica, caracterizada por
degeneração ou por enfraquecimento de elementos nobres e pela atividade
excessiva dos macrófagos. Tais processos causariam um distúrbio no
equilíbrio das células que compõem o organismo e dariam origem a uma luta
interna que conduziria ao envelhecimento [...]. (NETTO, 2007, p. 38).
Metchnikoff (apud NETTO, 2007) acreditava enganosamente que uma vida
longeva e uma velhice saudável dependeriam de evitar e/ou retardar esse processo.
O mesmo autor profetizou que a Gerontologia teria crescente importância no decorrer
do século XX, em virtude dos ganhos em longevidade para os indivíduos e para as
populações, ganhos esses provocados pelos avanços das ciências naturais e da
medicina.
De acordo com Green (1993) a Gerontologia pertenceu na primeira fase de sua
curta história ao domínio dos médicos e biólogos. Na segunda fase foi criado um
espaço para os psicólogos e sociólogos, ao lado de economistas e demógrafos. Agora
a Gerontologia está no início de seu terceiro estágio, e passa por um período de
renovação, baseado na cooperação de geógrafos, linguistas, hermeneutas e
semiólogos em torno dos problemas do envelhecimento.
Para Neri (2006) a área de maior concentração de grupos na Gerontologia é a
da saúde, compreende: medicina, fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem,
35
fonoaudiologia; das ciências humanas: educação, psicologia e linguística; e das
ciências sociais: antropologia, sociologia e serviço social.
De acordo com Green (1993) é uma ciência “muito jovem”. O autor localiza seu
nascimento no fim da década de 1940, mas observa um atraso no seu
reconhecimento acadêmico até 1970.
Harris (1998) definiu a Gerontologia como um estudo científico dos aspectos
biológicos, psicológicos e sociais do envelhecimento. Para Freitas et al. (2006) a
Gerontologia é um amplo campo disciplinar e profissional, que abriga numerosos
temas, interesses e questões relacionados ao idoso, à velhice e ao envelhecimento.
Não é campo unificado em termos de linguagem, teorias e metodologias, fato que
responde pela pulverização de dados e prática que a caracteriza.
Green (1993) afirmou que a Gerontologia é a disciplina que estuda
sistematicamente o envelhecimento. A partir de dois pontos de vista: como o
envelhecimento afeta o indivíduo e como uma população que envelhece vai mudar a
sociedade.
Os estudos na área da Gerontologia são ricos e se fazem necessários, porém
estão num processo de lenta e gradual construção. Pereira et al. (2002) mencionaram
que os gerontólogos e os geriatras colocam a velhice como uma questão importante a
ser debatida.
Neri (2000) e Pereira et al. (2002) concordaram em definir a Gerontologia como
disciplina multidisciplinar e interdisciplinar, voltada para a descrição e a explicação das
mudanças típicas do envelhecimento e de seus determinantes genético-biológicos,
psicológicos e socioculturais. Também está voltada para o estudo das características
das pessoas maduras e idosas, das várias experiências de velhice e envelhecimento,
ocorrendo em diferentes contextos socioculturais e históricos. Abrange aspectos do
envelhecimento normal e patológico. Compreende a consideração dos níveis atuais
de desenvolvimento e do potencial para o desenvolvimento.
Freitas et al. (2006) alertaram para a Gerontologia, como ciência do
envelhecimento com a responsabilidade de ser o centro do qual emanam suas
ramificações: gerontologia social, gerontologia biomédica e geriatria, que, em
conjunto, atuam sobre os múltiplos aspectos do fenômeno do envelhecimento e suas
consequências.
Consoante Mckee (1982), Borgatta e Mc Cluskey (1980) (apud GREEN, 1993),
não há uma só disciplina que responda ao nome “Gerontologia”. A velhice é estudada
36
a partir de perspectivas de muitas disciplinas independentes, que juntas constroem o
campo da Gerontologia quando aplicadas num mesmo objeto
Cumpre também inquirir, segundo Neri (2006), os campos profissionais
específicos procurando discriminar o que eles têm para oferecer aos idosos. O que
pode render programas educacionais, orientados à realidade e, nesse sentido,
contribuir genuinamente para a geração de novos espaços profissionais.
Nos escritos de Freitas et al. (2006), a Gerontologia é um amplo campo
disciplinar e profissional que abriga numerosos temas, interesses e questões
relacionadas ao idoso, à velhice e ao envelhecimento.
Para Neri (2000), a Gerontologia hoje considera o velho como uma pessoa em
desenvolvimento, dentro de um novo paradigma, que é chamado de life-span, ou
curso de vida, que focaliza o desenvolvimento do ponto de vista das inter-relações do
desenvolvimento individual, familiar e societário ao longo do tempo. A essência do
modelo reside na análise da sincronia ou assincronia entre o tempo indi vidual, o
tempo familiar e o tempo histórico.
Para Freitas et al. (2006) o Brasil, além de enfrentar os desafios decorrentes de
numerosas condições financeiras, intelectuais e políticas, os estudiosos e os
profissionais que atendem às necessidades dos mais velhos têm que se haver com
práticas preconceituosas e discriminativas em relação aos idosos.
2.4 Quedas
Quantos sonhos em sonhos acordo aterrado. A terrores
noturnos minha alma se leva, é um insight soturno, é o
futuro passando, na velocidade terrível da queda. Lobão
É expressamente relevante adotarmos uma definição para a queda. Dessa
forma, evitaremos que seja interpretada pelos pacientes e/ou profissionais de saúde
como perda de equilíbrio. Adotaremos neste estudo a definição baseada na OMS em
encontro global realizado em 2007 no Canadá. Antes dela, não existia uma definição
conscienciosa sobre o fenômeno operacional da queda na velhice. Para a OMS
(2007) as quedas na velhice originaram um relatório, pertinente à população mundial.
Sobre as quedas, relataram:
37
As quedas têm expressiva predominância entre os fatores externos de
ferimentos não intencionais. São codificadas como E880 -E880, na
Classificação Internacional das doenças (CID-9), e como W00-W19, na CID10, que incluiu um amplo leque de quedas, abrangendo inclusive as que
ocorrem no mesmo nível, de nível mais alto e outras quedas não
especificadas. As quedas são definidas, comumente como “vir a
inadvertidamente ficar no solo ou em outro nível inferior, excluindo mudanças
de posição intencionais para se apoiar em móveis, paredes ou outros
4
objetos”. Relatório global da OMS (2007, p.9).
Para Studensk e Wolter (2002), queda era definida como um deslocamento não
intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de
correção em tempo hábil, determinado por circunstâncias multifatoriais que
comprometem a estabilidade.
A queda teve definições semelhantes para diferentes autores, Moura et al.
(1999, p. 15) a definiram como: “Um evento não intencional que tem como resultado a
mudança de posição do indivíduo para um nível mais baixo, em relação à sua posição
inicial.”
Guimarães e Cunha (2004) articularam que cair nos dois extremos da vida nos
remete a distintos significados. Enquanto na infância marca a aquisição de
mecanismos que vão garantir a postura e a locomoção, na velhice indica a
deterioração desses sistemas. Cair constitui a manifestação não específica de
etiologia multifatorial, que resulta da interação de fatores intrínsecos, situacionais e
ambientais.
A OMS (2007) incluiu nos riscos de queda, além dos fatores socioambientais,
biológicos, os riscos comportamentais, que estão relacionados às ações humanas,
emoções ou escolhas diárias. Comportamento de risco: compreende excesso de
medicamentos, uso excessivo de álcool e sedentarismo.
Freitas et al. (2006) aludiram que a habilidade de evitar quedas, em qualquer
situação, depende inteiramente da extensão na qual a perturbação do equilíbrio e a
falência do sistema de controle postural em compensar essa perturbação em
situações desestabilizantes mínimas podem ser facilmente compensadas por adultos
mais jovens.
4
O Relatório do encontro técnico sobre prevenção de quedas na velhice da OMS foi realizado em
Victória, Canadá, em fevereiro de 2007. Nesse encontro profissionais da saúde, representando
governos, instituições acadêmicas e sociedade civil de todos os continentes apresentaram e discutiram
ampla e profundamente as questões relacionadas aos temas contidos neste rel atório.
38
Hargreaves (2006) demonstrou, em seus estudos, a comparação entre idosos
e crianças, as quais também possuem elevada taxa de queda. Os idosos apresentam
dez vezes mais hospitalizações e oito vezes mais mortes consequentes a essas
quedas, taxa que aumenta em proporção direta com os anos de sobrevida.
Netto (2007) contextualizou que a frequência de quedas em pessoas idosas é
muito mais alta do que se imagina, documenta ou se notifica; uma vez que os idosos
as aceitam como um acontecimento inevitável do envelhecer e normalmente não as
relatam, a menos que interrogados.
De acordo com Netto (2007), as quedas nos idosos constituem uma importante
causa de morbidade e mortalidade, pois com frequência, após uma queda, o idoso
pode sofrer desde uma pequena lesão até a perda significativa da independência
funcional e mesmo a morte.
Os pesquisadores Kane et al. (2004, p.201) afirmaram que os acidentes são a
quinta causa principal de morte entre as pessoas de mais de 65 anos5 e as quedas
são responsáveis por 66% dessas mortes acidentais. De todas as quedas registradas
nos EUA, mais de 70% ocorrem entre os 11% da população que tem mais de 65 anos
de idade. O medo de cair pode afetar negativamente o estado funcional dos indivíduos
idosos.
Uma das grandes escritoras sobre o assunto: queda em idosos, Perracini
(2000), descreveu a queda como um evento comum para a maioria dos idosos e que
pode ter consequências desastrosas. A participação das quedas na mortalidade
proporcional por causas externas no Brasil, entre os anos de 1984 a 1994, cresceu de
3 para 4,5%. Para Bodachine (1994), a frequência de quedas tem aumentado em
função do aumento da população idosa.
Para a OMS (2007) as principais causas subjacentes de todas as admissões ao
hospital relacionadas à queda são: fratura de quadril, lesões traumáticas no cérebro e
ferimentos dos membros superiores. Com o aumento do envelhecimento mundial e da
fragilidade, os idosos têm probabilidade de ficar hospitalizados, após uma lesão
causada por uma queda, pelo resto de sua vida. Após as quedas, 20% morrem em
um período de um ano depois da fratura do fêmur e quadril. Adicionalmente, as
quedas podem resultar em síndromes pós-queda que incluem dependência, perda da
5
Dado comparativo com idade do idoso em país desenvolvido de acordo com a OMS (2007).
39
autonomia, confusão, imobilização e depressão, que levarão a restrições ainda
maiores nas atividades de vida diária. Para Kane et al. (2004, p. 202),
[...] os indivíduos que apresentam mais quedas tem níveis altos de utilização
subseqüente dos serviços de saúde e de estado funcional mais precário. A
incapacidade de levantar-se após uma queda pode ser indício de prognóstico
desfavorável. O fato é que a maioria dos indivíduos que cai não procura
atendimento médico. Cerca de metade de todas as quedas podem ser
classificadas como acidental. Tropeço ou escorregão acidental pode ser
provocado por um risco ambiental somado a outros fatores. Alguns idosos
desenvolvem forte apego a objetos desarrumados e podem necessitar de
estímulos ativos para fazer alterações necessárias, mas muitos podem não
perceber os riscos, até que sejam especificamente assinalados.
Para Guimarães e Cunha (2004), a ocorrência de quedas aumenta o risco de
hospitalização e, nos idosos mais frágeis, o risco de morte. Por vezes no caso de
hematoma subdural crônico, a consequência pode demorar meses para se
manifestar, e cerca de ¼ dos idosos com quedas recorrentes diminui a atividade e o
relacionamento social. Segundo Kane et al. (2004, p. 201),
[...] as quedas e suas complicações associáveis deveriam ser evitáveis, é
mais fácil identificar os fatores de risco para quedas do que evitar a
ocorrência de quedas. Estudos cada vez mais numerosos sugerem que pelo
menos alguns tipos de quedas podem ser evitados. Os autores acham
possível evitar as consequências das quedas, ou seja, fraturas.
Embora seja evidente o aumento do evento queda entre a população idosa, a
literatura gerontológica e geriátrica brasileira têm efetuado poucos estudos
epidemiológicos sobre esse assunto. Como mostrado por Becker et al. (1999), a
mesma problemática é encontrada na Alemanha.
Freitas et al. (2006) defenderam que as quedas são hoje consideradas como
um dos “gigantes da Geriatria”, ou seja, uma das formas comuns pelas quais doenças
agudas se manifestam de maneira não específica entre a população mais velha.
Rubenstein (2006) denunciou em seus escritos que a queda responde a 40%
de todas as mortes relacionadas por ferimentos.
É consciencioso a todos que a queda é comum a qualquer fase da vida. E os
relatos de quedas ganham destaque midiático quando penalizam personalidades
idosas de destaque social, visto que o envelhecimento alcançou proporções mundiais,
40
demonstrando a democratização do evento “queda” que pode ocorrer em diferentes
épocas, pessoas, classes sociais e faixas etárias.
Na obra da filósofa Simone de Beauvoir, intitulada Uma morte muito suave,
traduzida para o português no ano de 1984, Beauvoir relatou o sofrimento de sua
mãe, ao sofrer uma queda no banheiro e fraturar o fêmur. Posteriormente, narrou o
choque e a angústia ao descobrir que a mãe padecia de câncer. É uma leitura
emocionante sobre o desenvolvimento da fratura femoral e posteriormente a morte de
sua mãe com câncer, como podemos observar:
[...] A fratura do colo do fêmur em si mesma, não é coisa de muita gravidade;
mas uma imobilidade prolongada provoca escaras que, nas pessoas idosas
são difíceis de cicatrizar. A posição deitada fatiga os pulmões: o paciente
contrai uma pneumonia que o leva [...]. [A mãe de Beauvoir sofreu uma queda
no banheiro de casa, depois de trinta dias, morre, provavelmente de uma
fratura patológica por câncer metastático de origem primária em intestino, o
que provocou a síncope e a queda] [...] [Beauvoir relatou que sua mãe teve
uma morte muito suave, uma morte privilegiada] [...] um câncer, uma embolia,
uma congestão pulmonar, uma queda é tão brutal e imprevista como a
paralisação de um motor em pleno céu. [...] Todos os homens são mortais:
mas para cada homem sua morte é um acidente e, mesmo que ele a conheça
e a consinta, Uma violência indevida. (BEAUVOIR, 1994, p. 98).
A falecida Rainha Mãe da Inglaterra também sofreu quedas, algumas em
público; porém a mais preocupante, segundo BBC Brasil (2000), foi ocorrida em casa
no dia 4 de agosto de 2000 quando estava sozinha, o que resultou em fratura da
clavícula esquerda.
Em matéria do Jornal on-line Estadão (2006) há um relato sobre a queda do
Papa João Paulo II, no banheiro de sua residência, no ano de 1994. Consequente ao
ocorrido fraturou o fêmur com necessidade de cirurgia de protetização. Após a fratura
femoral, o Papa foi impedido de beijar o solo das cidades por onde visitava.
O ex-presidente da República Federativa do Brasil Fernando Henrique
Cardoso, aos 73 anos de idade, sofreu uma queda em seu sítio, no interior de São
Paulo, na cidade de Ibiúna no dia 25 de agosto de 2003, em decorrência da queda
fraturou 3 costelas, necessitando de hospitalização, segundo o Terra (2003).
Outro exemplo de queda que ficou na história política mundial, muito
comentado e destacado em telejornais mundiais e demais recursos informativos, foi a
queda não acidental do líder cubano Fidel Castro, ocorrida em uma cerimônia de
formatura no ano de 2004, na qual o cubano caiu e fraturou o joelho esquerdo e o
41
braço direito (LEPIANI, 2004). Essa queda levantou rumores políticos diversos sobre a
saúde precária de Fidel Castro. Ao tropeçar em público e cair no chão, Fidel Castro
pôs fogo nas especulações sobre sua capacidade de continuar a governar. De acordo
com a Revista Veja (LEPIANI, 2004), Fidel castro falou sobre si mesmo: “[...] A idade é
um inimigo que el comandante en jefe não pode prender, torturar nem fuzilar no
paredón [...]”.
A Veja (LEPIANI, 2004) expôs a fragilidade de Fidel Castro, aos 78 anos de
idade, o qual quis convencer os cubanos de que “eram” falsos os rumores sobre seus
problemas de saúde. A queda ocorreu após um discurso de formatura em Santa
Clara, no interior da ilha. Muitos dos espectadores das primeiras filas no auditório
simplesmente saíram correndo, querendo distância do que estava ocorrendo, seja lá o
que fosse. Socorrido pelos guarda-costas, Fidel pegou o microfone e tentou
tranquilizar o público presente à cerimônia. Com expressão de dor, explicou que havia
caído, machucado o braço e o joelho, e avisou: "Estou inteiro". Apesar da queda ter
sido registrada pelas câmeras de televisão e pelos fotógrafos, a televisão cubana não
exibiu a cena do acidente. Só os cubanos com acesso às transmissões internacionais
souberam o que tinha acontecido.
O Correio Braziliense (AGÊNCIA BRASIL, 2009) informou que Oscar Niemeyer
sofreu uma queda aos 98 anos de idade com fratura em colo femoral e precisou
passar por tratamento cirúrgico. Oscar foi entrevistado pelo Jornal Correio Braziliense,
que relatou sobre sua aparente fragilidade após a cirurgia. O Correio Braziliense
(AGÊNCIA BRASIL, 2009):
[...] No apartamento de paredes brancas, algumas marcadas pelo traço
mágico do arquiteto, ele comparecia diariamente, de domingo a domingo, das
9h às 20h, até o dia do acidente sofrido em casa, em 8 de outubro, quando
tropeçou no tapete da sala, caiu e fraturou o fêmur. Mesmo cedendo à
humanidade de seu corpo, o mítico criador demonstrou mais uma vez sua
incrível resistência e capacidade de superação. Eu sou um sujeito realista,
não penso que tudo é fácil, que tudo está bom, que a vida é boa. É preciso
pesar as palavras para não passar a idéia errada para as pessoas, avisou
Niemeyer logo de saída, recolhido em uma cadeira onde seu corpo parecia
afundar. A fragilidade, porém, era só aparente. Primeiro com o olhar e depois
com as palavras, Niemeyer domina rapidamente o ambiente. E a força que a
partir de então o envolve nos faz acreditar que nada neste mundo é capaz de
lhe dobrar a lucidez, a coerência e a vitalidade. No escritório na Avenida
Atlântica, que das janelas parece um portal na entrada do mar de
Copacabana, Niemeyer recebeu o Correio um dia antes de completar 99
anos. Ele tinha acabado de sair de uma hora da cansativa fisioterapia diária
que enfrenta desde a cirurgia no fêmur. „Você não fica chateado comigo se eu
42
não responder algumas perguntas?‟, perguntou, com uma simplicidade
desconcertante. Parte da conversa foi assim, parte terminou por escrito, como
ele, muito cansado, preferiu [...].
Para o Jornal eletrônico O Globo (2011), a secretária de Estado americana
Hillary Clinton sofreu uma queda ao embarcar no avião que a levou de volta a Omã
após uma visita ao Iêmen, não teve consequências significativas. Porém, Hillary
sofreu outras quedas públicas com gravidade: após cair em Washington sofreu uma
fratura em seu cotovelo direito, necessitando de cuidados médicos.
Conforme o portal G1 (2010), a atriz Cleyde Yáconis aos 86 anos de idade
sofreu uma queda e fraturou o fêmur. A queda foi abordada nacionalmente na mídia
brasileira, explicitada e comentada abundantemente em novela Passione exibida pela
Rede Globo de televisão brasileira.
Rosa e Rosa (2011) mencionaram as quedas de Jean Paul Sartre em artigo
sobre a finitude do filósofo, que sofreu no decorrer de sua vida três ataques
isquêmicos cerebrais (prováveis Acidentes Vasculares Encefálicos – AVEs), dentre as
descrições pertinentes à finitude, o escritor sofreu diversas quedas sóbrio e após
embriaguês. Sartre sofreu diversas lesões pós-quedas.
Para Fontes, Fukukima e Cardeal (2010), o portador de Acidente Vascular
Cerebral (AVC) e da Doença de Parkinson é predisposto por diversos fatores a sofrer
maior risco de quedas.
Rosa e Rosa (2011), sobre a finitude de Sartre, fizeram alusões sobre Simone
de Beauvoir, que, embora fosse a cuidadora principal de Sartre, também sofreu
queda, destacada em um dos passeios vespertinos com Sartre. Simone foi assaltada
e empurrada, não conseguiu se equilibrar, e ao cair luxou o ombro esquerdo. Após o
ocorrido decidiu não sair mais à noite.
Conforme descreveu o jornal O Fluminense (2011), o ator Lima Duarte, com 81
anos de idade, sofreu uma fratura no joelho no início das gravações de Araguaia,
novela brasileira transmitida pela Rede Globo de televisão. Essa fratura o fez realizar
menos cenas em que montava em cavalos. Sem praticar exercícios, o ator demorou
para se recuperar totalmente do incidente. Lima Duarte sofreu anos antes um AVE, o
que pode ter contribuído para instabilidade. “Se me colocarem no cavalo, eu fico, eu
aguento. Não dá para ficar subindo e descendo”, explicou.
43
2.4.1 Etiologia e magnitude da queda
Consideramos uma elucidação pertinente, de Freitas et al. (2006), a
comparação de que o corpo humano ereto é um pêndulo invertido com elos múltiplos.
Essa imagem constitui um modelo biomecânico do corpo, em que a massa do mesmo
se coloca situada no limite superior de uma barra rígida que se equilibra sobre uma
articulação na base (o tornozelo). Em um pêndulo invertido com elos múltiplos, os
segmentos do corpo (pés, coxas, tronco etc.) são representados por elos separados
que são interconectados nas articulações (joelhos, tornozelos). Para se obter o
equilíbrio postural, é necessário que o centro de massa desses elos esteja
posicionado na base de suporte; no entanto, os elos são inerentemente instáveis,
devido à força da gravidade. Outras forças desestabilizadoras se fazem presentes
devido ao movimento do corpo e sua interação com o ambiente. Para Netto (2007, p.
562), “o motivo pelo qual a queda se transforma em um importante risco para a saúde
nos indivíduos idosos é conseqüência da interação complexa e pouco compreendida
de fatores biomédicos, fisiológicos, psicossociais e ambientais.”
Downton (1998) apontou estudos de base populacional bem desenhado e com
grande número de sujeitos indicando uma estimativa de incidência de 28 a 35% de
quedas em idosos com mais de 65 anos de idade, 35% naqueles com mais de 70
anos e 32 a 42% nos indivíduos com mais de 75 anos de vida. Gabell, Simons e
Nayak (1985) mencionaram que os idosos mais saudáveis caem com menos
frequência, cerca de 15% dos idosos saudáveis caem em um ano. Em um estudo
prospectivo Finlandês da população geral, Freitas et al. (2006) descreveram em seus
escritos que a incidência de quedas com lesões levando a hospitalizações ou morte
era maior entre os grupos mais velhos. A incidência por 1.000 pessoas/ano era de 3,7
para a faixa de 60 – 69 anos, 7,0 para 70, 79 anos e 27,0 para os indivíduos com mais
de 80 anos.
Para Netto (2007), a morbidade mais expressiva causada por quedas inclui o
período de imobilização ou hospitalização de tecidos moles. Independentemente da
gravidade da lesão, as sequelas provenientes das quedas podem ser devastadoras.
Freitas et al. (2006) discorreram sobre um grupo estudado de 149.504
pacientes com mais de 65 anos de idade que receberam alta de hospitais no estado
44
de Washington em 1989 (EUA), e identificaram que 7.873, 5,3%, foram hospitalizados
por lesões em decorrência de quedas. De acordo com os autores,
a maior parte dos constituídos eram mulheres, e esses pacientes tendiam a
ser mais velhos que os pacientes admitidos por outras razões. Aqueles que
caíram também tendiam mais a serem encaminhados a casas de repouso. É
mais difícil derivar estimativas de pacientes institucionalizados, mas pelo
menos (50%) das pessoas idosas em instituições correm risco de quedas [...].
(FREITAS et al., 2006, p. 629).
Para a OMS (2007), a incidência de algumas lesões relacionadas às quedas,
tais como fraturas e lesões à medula, aumentaram marcantemente até a ordem de
131% nas últimas três décadas. Caso não sejam tomadas medidas preventivas no
futuro imediato, o problema será muito maior. O número projetado por lesões pósquedas é estimado para 100% a mais para o ano de 2030.
2.4.2 Mecânica da fratura
Calkins et al. (1997) descreveram os estudos de Cummings, o qual formulou a
hipótese de que uma pessoa com o andar ou marcha lenta apresenta pouco
momentum para frente e apresenta uma maior probabilidade de cair de lado caso
perca o equilíbrio. Uma pessoa com uma velocidade de marcha ou andar normal
provavelmente cairá para frente e sofrerá uma fratura de pulso. É provável que uma
combinação da mecânica de queda e a densidade óssea regional específica da face
medial do fêmur determine o tipo específico e o grau da fratura.
2.4.3 Fatores de risco para quedas
Para Calkins et al. (1997) cerca de 80% das fraturas de quadril e colo de fêmur
ocorrem em pessoas idosas capazes de andar sozinhas, vivendo independentemente
na comunidade. Alguns estudos associam que a lentidão no andar ou na marcha e a
densidade mineral óssea reduzida estão associadas ao risco aumentado de fratura.
Freitas et al. (2006) elucidaram sobre o uso de medicamentos, má nutrição,
dieta pobre em cálcio, vitamina D e pouca exposição à luz solar. Perturbações muito
45
intensas resultam em quedas, mesmo em indivíduos adultos jovens. A habilidade de
se evitar quedas, em qualquer situação, depende inteiramente da extensão na qual a
perturbação desafia a capacidade de estabilização do sistema de controle postural.
Existem evidencias crescentes de que um risco aumentado de quedas pode resultar
de uma habilidade reduzida no sistema de controle postural em se recuperar de
perturbações, possivelmente mesmo em situações de desestabilização mínima que
seriam facilmente compensadas por adultos jovens saudáveis.
Fontes, Fukujima e Cardeal (2010) mostraram que pessoas idosas com AVC
têm maior risco de sofrer quedas do que os idosos da população geral:
[...] Aproximadamente 75% dos indivíduos com AVC têm queda durante os 6
meses após a alta hospitalar. Um estudo de Langhorne et al apud Fontes et
al. (2007) ,mostraram uma freqüência de queda no período de hospitalização
de 25%. Esta intercorrência durante ou após o período de internação pode,
em muitos casos, causar fraturas e, consequentemente, piorar o quadro
clínico, e deve-se considerar também os aspectos emocionais (medo ou
insegurança na locomoção. [...] Pacientes com doença de Parkinson têm um
risco de queda muito alto, podendo levar a fraturas graves e aumentando
consequentemente o risco de sua morbidade. (p.131).
A Figura 1, a seguir, é baseada no estudo da OMS (2007), que abrange os
fatores de risco e a interação deles sobre as quedas e as lesões relacionadas. À
medida que aumenta a exposição aos fatores de risco, maior é o risco de cair e se
ferir.
46
Figura 1 – Os fatores de risco para quedas e lesões relacionadas a quedas.
Fatores de risco
comportamentais
Múltiplos Medicamentos
Uso Excessivo de Álcool
Comportamento Sedentário
Fatores de Risco
Ambientais
Degraus
Escadas
Calçadas
Falta de Iluminação
QUEDAS NA
VELHICE
Fatores de Risco
Biológicos
Idade
Gênero
Raça
Sarcopenia
Doenças Crônicas
Fatores Sócio Ambientais
Moradia
Acesso Limitado à Educação
Falta de Recurso à Saúde e
Financeiro
Fonte: OMS (2007).
As quedas incorrem em custos indiretos que são críticos para a família, além
da perda de produtividade dos cuidadores desses pacientes.
2.4.4 Causas de quedas
Kane et al. (2004) previram em seus estudos sobre causas de quedas em
idosos resultantes de fraturas uma em cada três mulheres e um em cada seis homens
sofrerão fraturas de quadril, sendo responsáveis por 15% dos óbitos. As fraturas de
quadril e colo de fêmur, quando associadas à osteoporose, estão entre as maiores
causas de imobilização, incapacidade e gastos de saúde com os idosos.
No entanto, Zinni e Pussi (2003) identificaram que a maior parte das quedas
não resulta em morte, a queda ainda está associada com morbidade significativa. De
47
80 a 90% das fraturas de fêmur ocorrem por consequência de quedas. No idoso, a
massa muscular e dos tecidos moles em torno dos quadris costuma estar diminuída,
de modo que o quadril e fêmur são menos capazes de resistir ao impacto da queda.
Quadro 1 – Referente às causas mais comuns de quedas.
Acidentes
 Acidentes propriamente ditos (escorregão, tropeço etc.);
 Interações entre riscos ambientais e fatores que aumentam a suscetibilidade;
Síncope;
Ataques de queda (fraqueza súbita das pernas com perda de consciência);
Tontura e/ou vertigem
 Doença vestibular;
 Doença do sistema nervoso central;
Hipotensão ortostática
 Hipovolemia ou débito cardíaco reduzido;
 Disfunção autônoma;
 Redução do retorno venoso;
 Repouso prolongado no leito;
 Hipotensão induzida por fármacos
 Hipotensão pós-prandial;
Causa s relacionadas com fármacos e outras substâncias
 Diuréticos;
 Anti-hipertensivos;
 Antidepressivos tricíclicos;
 Sedativos;
 Antipsicóticos;
 Hipoglicemiantes;
 Álcool;
Doenças específicas
Qualquer tipo de doença aguda (“queda premonitória”)
Cardiovasculares
 Arritmias;
 Cardiopatia valvar (estenose aórtica);
 Síncope do seio carotídeo;
Causa s neurológicas
 Ataque Isquêmico Transitório (AIT);
 Acidente Vascular Encefálico (agudo);
 Distúrbio convulsivo;
 Doença de Parkinson;
 Espondilose cervical ou lombar (com compressão da medula espinhal ou das raízes nervosas);
 Doença cerebelar;
 Hidrocefalia com pressão normal (distúrbio da marcha);
 Lesões do sistema nervoso central (p. ex.: tumor, hematoma subdural);
Idiopática, sem qualquer causa específica detectável.
Fonte: Kane et al. (2004).
48
Figura 2 – Mostra a relação plurifatorial e fatores que contribuem como causa para quedas
em indivíduos idosos.
Distúrbios Clínicos e
psiquiátricos
+
Déficits Visuais e
Auditivos
+
Alterações da Função
QUEDA
Prescrição
Incorreta de
Fármacos e ou
Uso Indevido
Fonte: O‟Sullivan e Schmitz (2004), Kane et al. (2004).
Para Kane et al. (2004), os lares de indivíduos idosos frequentemente estão
repletos de riscos ambientais: mobiliário instável, escadas sem solidez e com corrimão
inadequado,
ressaltos
no
piso,
tapetes
desfiados,
iluminação
precária.
O
reconhecimento desses fatores deve ser investigado para evitar morbidade e
mortalidade nesse contexto.
Quadro 2 – Referente aos perigos, considerados como riscos ambientais mais comuns.
Mobiliário antigo, irregular e colocado em posição baixa;
Camas a vasos sanitários de altura inadequada;
Inexistência de barras de segurança;
Degraus irregulares e corrimões inadequados;
Ressaltos no piso, tapetes, fios e cordas no caminho;
Pisos molhados e banheiras escorregadias;
Iluminação inadequada ou ofuscante;
Calçadas quebradas e irregulares.
Fonte: Kane et al. (2004).
Vários e diferentes fatores estão relacionados à queda em instituições de longa
permanência para idosos de acordo com Gill et al. (2000). O reconhecimento desses
fatores torna-se fundamental para evitar a morbidade e mortalidade nesse contexto,
que pode estar associado predominantemente aos riscos ambientais, que podem ser
observados na Figura 3.
49
Figura 3 – Fatores associados a quedas em idosos residentes de ILPIs.
INTERNAÇÃO
RECENTE EM ILPI
RELAÇÃO
INSUFICIENTE ENTRE
RESIDENTES,
CUIDADORES E
EQUIPE DE APOIO
ATIVIDADES SEM
SUPERVISÃO
DEMÊNCIA
USO DE MÚLTIPLOS
FÁRMACOS
MOBILIÁRIO
INSEGURO
FRAQUEZA NO
QUADRIL
ATIVIDADES
ESPECÍFICAS (USAR O
BANHEIRO, LEVANTARSE DA CAMA)
PISOS
ESCORREGADIOS
FÁRMACOS
CARDIOVASCULARES
O USO DE AGENTES
PSICOTRÓPICOS
QUE CAUSAM
SEDAÇÃO DURANTE
O DIA
Fonte: Gill et al. (2000).
2.4.5 Doenças nos pés que podem favorecer quedas
Netto (2006) orientou o profissional de saúde para adotar uma conduta
sistêmica durante as primeiras entrevistas com os pacientes, “é preciso interrogar
sobre as quedas”. Os problemas nos pés que prejudicam o andar do idoso, como
calos, joanetes, doenças nas unhas, deformidades nas articulações, são comuns e
corrigíveis. Os pacientes demenciados podem apresentar uma dificuldade maior em
lidar com essas alterações, desenvolvendo maior tendência para cair.
Figura 4 – Paciente MLS com dedos em garra (pé esquerdo).
Fonte: HSPESP (2010).
50
O‟Sullivan e Schmitz (2004) citam a sinovite crônica, que enfraquece o arco
transverso, os metatarsos se separam, podendo ocorrer um alargamento do antepé
(pé espalmado), dependendo de onde a sinovite se localiza, pode ocorrer
metatarsalgia (dor no metatarso). Pode ocorrer hálux valgo e joanete (uma bursite
dolorosa sobre a face medial da primeira articulação metatarsofalangeana. Quando a
subluxação
plantar
metatarsofalangeana
se
combina
com
a
flexão
das
interfalangeanas proximais e hiperextensão das interfalangeanas distais, faz com que
essa
combinação
seja
conhecida
como
dedos
em
martelo.
Quando
as
metatarsofalangeanas exibem subluxação plantar da cabeça do metatarso com flexão
das articulações interfalangeanasproximais e distais, chamamos de dedos em garra.
Para Thomson, Skinner e Piercy (1994), o hálux valgo é uma condição em que
o hálux consta de uma abdução anormal do 1º metatársico e adução das falanges, em
casos graves o hálux pode ficar sob ou sobre o 2º artelho. Essa condição parece
afetar mais mulheres do que homens, pode aparecer na adolescência ou mais tarde,
dependendo da causa. Que pode ser devida à anomalia do desenvolvimento dos
metatársicos com varismo do 1º metatársico. O hálux, que se desenvolve na idade
adulta e pode prejudicar o idoso, pode ter origem em diversas doenças, como a artrite
reumatoide e gota. O problema pode ser exacerbado pelo uso inadequado de
calçados.
Kaszuba et al. (1998) e Evans (1998) descreveram que a infecção por
dermatófitos afeta aproximadamente 40% da população mundial e representa 30% de
todas as infecções micóticas cutâneas, sendo as mais comuns as que afetam a pele e
as mucosas. Para Gupta et al. (1998), as onicomicoses são as mais frequentes das
doenças das unhas, representando de 18 a 40% de todas as onicopatias. A
onicomicose do hálux frequentemente está associada com tinea interdigitale ou tinea
pedis plantar. Jaffe (1998) pesquisou e observou que em alguns países, como a
Irlanda, 15 a 20% das pessoas, entre 40 e 60 anos de idade, sofrem da doença,
sendo a prevalência maior nos idosos.
A onicomicose pode agravar outras afecções clínicas, especialmente no
indivíduo idoso; tal como as amputações de membros inferiores nos portadores de
diabetes mellitus correlacionadas à onicomicose. Os pacientes diabéticos apresentam
prevalência mais alta de onicomicose do que os não diabéticos. A prevalência de
onicomicose na unha do pé em pessoas diabéticas em Ontário e Massachusetts é
estimada em 32,3 e 34,9%, respectivamente.
51
Figura 5 – Paciente MLS com hálux valgo, joanete e onicomicoses em diversas unhas, além
de rushes cutâneos no pé direito, além de edema em tornozelo direito.
Fonte: HSPESP (2010).
Nos pés neuropáticos, conforme relatou Oda (2004), geralmente as úlceras são
plantares, a temperatura dos pés é mantida, os pulsos são palpáveis, a pele é seca e
com fissuras, e geralmente não há presença de dor pela perda de sensibilidade
protetora plantar. Neles são encontradas deformidades como proeminências de
metatarsos, dedos em garra ou martelo, hipotrofia de interósseos, alterações do arco
plantar e artropatia de Charcot, vaso dilatação no dorso do pé, e o pé é de aspecto
róseo. É a ruptura da integridade de um tecido, que pode apresentar diferentes
profundidades, podendo atingir a epiderme, a derme ou alcançar o tecido celular
subcutâneo, a fáscia e o tecido muscular. Nos pés isquêmicos há comprometimento
arterial sendo que as úlceras são geralmente laterais e/ou dorsais, o pé é frio e
arroxeado, fica pálido com a elevação, há rubor postural, os pulsos pediosos e tibiais
posteriores estão geralmente diminuídos ou ausentes e as lâminas ungueais crescem
pouco.
Figura 6 – Paciente MLS com ferida neuropática (diabética) em pé direito, homolateral à
fratura femural.
Fonte: A autora.
52
A amputação de membros inferiores é uma das principais consequências do
diabetes mellitus e das ulcerações nos pés. Segundo Spicher et al. (2001), Most e
Sinnock (1983) e Van Houtum, Lavery e Harkless (1995), os doentes diabéticos têm
um risco 15 vezes maior de serem submetidos a amputações de membros inferiores
do que os que não têm a doença; 1,7% de todas as internações relacionadas com o
diabetes podem ser atribuídas a esse procedimento, e aproximadamente 10% dos
custos com os cuidados de saúde dos pacientes diabéticos estão associados às
amputações.
2.4.6 Patologias associadas a maior prevalência de quedas
Para Guimarães e Cunha (2004), as doenças agudas ou crônicas constituem
fator de risco, amplificado na presença de comorbidade. A queda deve ser
considerada como um sintoma de doença subjacente. O termo de „queda
premonitória‟ designa aquelas que constituem manifestação de doenças muitas vezes
ainda não identificadas. Pacientes com infecção urinária, pneumonia, entre outras
podem cair antes mesmo que os sintomas peculiares à doença básica sejam
evidentes. Alterações hemodinâmicas por si só já elevam a probabilidade de cair,
ainda mais se estiver associada à hipotensão ortostática e a outros fatores de risco.
Todos os mecanismos relacionados à inibição cardíaca reflexa constituem fator de
risco, entre os quais a hipersensibilidade do seio carotídeo e o desencadeamento do
fenômeno de Valsava, presente nas quedas associadas à micção (geralmente
noturna) ou esforço durante a defecação.
De acordo com Kane et al. (2004) e Guimarães e Cunha (2004), existe um
fenômeno chamado de Dropp attack que é um tipo específico de queda, ainda não
definido, ou esclarecido, o que sabemos é que pode corresponder à compressão de
vasos cervicais.
Para Guimarães e Cunha (2004), das patologias crônicas dos transtornos
cerebrovasculares, a Doença de Parkinson é a mais comum encontrada entre os
idosos que sofrem quedas.
O IBGE (2010) impressionou ao relatar que somente 22,6% das pessoas de 60
anos ou mais de idade declararam não possuir doenças. Para os de 75 anos ou mais
de idade, essa proporção cai para 19,7%. Quase metade dos idosos brasileiros sofre
53
com mais de uma doença crônica, e no subgrupo de 75 ou mais anos de idade, a
proporção atingia mais da metade (54,0%); como descreve o gráfico a seguir com a
proporção de pessoas com 60 anos ou mais de idade que declaram sofrer de algum
tipo de doença crônica, segundo os principais tipos.
Gráfico 3 – Proporção de pessoas com 60 anos ou mais de idade que declaram sofrer de
algum tipo de doença crônica, segundo os principais tipos.
22,2%
17,3%
16,1%
20,9%
35,1%
53,3%
Hipertensão Arterial Sistêmica
Lombalgia ou Doença na Coluna
Artrite ou Reumatismo
Doenças do Coração
Diabetes
Outras Doenças
Fonte: Adaptado de IBGE (2010).
Guimarães e Cunha (2004) atribuem também às doenças do sistema
osteoarticular, lesões do pé, toda doença que provoque restrições de atividades, e
que contribua com a instabilidade postural e quedas. Pacientes com problemas
pulmonares e com redução da capacidade respiratória tendem a cair com mais
frequência. Pacientes com fraqueza muscular, medicação específica para algumas
patologias, fatores ambientais, alterações oriundas de patologias específicas que
alteram a marcha e/ou com, até mesmo, distúrbio do sono têm maior probabilidade de
sofrer queda.
Perracini (2000) escreveram que as mudanças fisiológicas da idade fazem com
que as feridas no idoso curem-se mais lentamente do que nos jovens, favorecendo
que as mesmas se tornem crônicas. A idade tem se revelado como um fator
importante no desenvolvimento de úlceras venosas, arteriais, diabéticas e por
pressão. A diminuição da resposta inflamatória, granulação retardada, redução da
54
interligação e organização das fibras de colágeno, baixa resistência à tensão do tecido
cicatricial, baixa taxa de epitelização e vasos cutâneos mal organizados são algumas
das alterações comuns em pessoas mais velhas.
2.4.6.1 A queda no portador de osteoporose
Para o Consenso Brasileiro de Osteoporose de 2002 (apud MURAYAMA et al.,
2007), a osteoporose (OP) é definida como um distúrbio osteometabólico
caracterizado pela diminuição da densidade mineral óssea (DMO), com deterioração
da microarquitetura óssea, levando a um aumento da fragilidade esquelética e do
risco de fraturas. É muito frequente na população feminina e vai se desenvolvendo de
forma lenta, silenciosa, pois é assintomática, ou seja, a pessoa não apresenta
nenhum sintoma e muitas vezes só é diagnosticada quando já se instalou e as
fraturas ocorrem.
Segundo o artigo de Domiciano e Pinheiro (2011) a osteoporose é uma doença
de etiologia multifatorial, que depende em aproximadamente de 70% de fatores
genéticos e 30% de fatores ambientais. Portanto um único fator de risco não é capaz
de identificar indivíduos com ou sem fratura.
De acordo com Goldenberg (2009), a incidência de osteoporose está
crescendo no mundo inteiro em proporções epidêmicas. No Brasil, já atinge mais de
10 milhões de pessoas, porém apenas um terço dos portadores tem o quadro
diagnosticado. Segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, em 2006 (apud
GOLDENBERG, 2009) o SUS gastou R$ 49.884 milhões com internações de idosos
por fratura de fêmur e R$ 20 milhões com medicamentos para tratamento da
osteoporose. As expectativas são de que esse custo deva subir com o crescimento da
população idosa. Paralelamente, cresce a incidência de fratura em ambos os sexos.
As consequências tendem a ser mais graves para o sexo masculino.
Cembrowicz e Allain (2007) explicaram que as mudanças mais complexas nos
hormônios ocorrem nas pessoas mais idosas. Geralmente não há nenhum sinal
perigoso de que os ossos estão ficando osteoporóticos até que eles se quebrem.
Freitas et al. (2006) descreveram que, embora a perda óssea pareça ser uma
consequência
normal do
desenvolvem
fraturas
envelhecimento,
devido
à
nem todos
osteoporose.
Muitos
os
indivíduos
fatores
idosos
determinam
definitivamente qual indivíduo desenvolverá fraturas, mas o fator determinante das
55
fraturas parece ser o limiar baixo da densidade mineral óssea, no qual resulta uma
maior chance significante no risco de fraturas.
Figura 7 – Radiografia sugestiva de baixa densidade mineral óssea evidenciando fratura em
região trocantérica. Paciente AMS.
Fonte: A autora.
Domiciano e Pinheiro (2011) relataram sobre o método diagnóstico mais
utilizado (além dos fatores clínicos de risco, uma vez que a doença é assintomática
até o evento da fratura), acurado, preciso e validado em grandes estudos
populacionais é a densitometria óssea. É realizada na coluna lombar e fêmur
proximal, permitindo o diagnóstico precoce da enfermidade, avaliação do risco de
fratura e monitorização do tratamento. Utiliza radiação ionizante (dupla fonte de raios
X, uma de alta e outra de baixa energia, que interage com os tecidos moles e o tecido
ósseo) Dual X-ray absorptiometry (DXA), com o propósito de medir o conteúdo
mineral ósseo (BMC) e área projetada pela estrutura óssea (cm²).
Murayama et al. (2007) mencionaram a classificação da osteoporose como
primária ou pós menopausa e secundária ou senil, tipo II. Em ambos os casos, existe
um importante componente hereditário, de modo que a osteoporose seja uma doença
que pode ser considerada como genética, pois cerca de 60 a 80% de massa óssea é
determinada geneticamente.
Domiciano e Pinheiro (2011) descreveram os principais fatores de risco para
osteoporose e fraturas são etnia branca ou oriental, sexo feminino, baixo peso, fratura
prévia, história familiar de fratura em parentes de primeiro grau, sedentarismo,
tabagismo, tabagismo, baixa ingestão de alimentos ricos em cálcio e menopausa
precoce. Com relação especificamente às fraturas vertebrais em indivíduos acima de
65 anos, o estudo desses autores, em São Paulo, evidenciou que o fator de risco mais
56
importante associado foi à baixa densidade mineral óssea no fêmur em ambos os
sexos, sendo a idade também um fator relevante nas mulheres idosas.
Para Goldenberg (2009) cerca de 200 mil brasileiros morrem anualmente em
decorrência de fraturas osteoporóticas. A maioria dessas lesões provoca dor,
limitação funcional, perda de capacidade laborativa, perda de independência ou até
mesmo dependência a longo prazo.
Murayama et al. (2007) em seus escritos destacaram os tipos de osteoporose:
tipo I e a tipo II. Tipo I foi descrito em mulheres especificamente pós-menopausa,
devido à queda de estrógeno, predominantemente atinge o osso trabecular, sendo
comum nesse tipo de osteoporose as fraturas vertebrais e do rádio. Tipo II, afeta a
população idosa de homens e mulheres na proporção de 1 para 3, de modo que
nesse tipo a perda é lenta, atingindo osso cortical e o trabecular, favorecendo a fratura
femural proximal, úmero e vértebras.
O primeiro estudo epidemiológico realizado em amostra representativa da
população brasileira adulta (Brazos The Brasilian Osteoporosis Study), descrito por
Domiciano e Pinheiro (2011), mostrou uma prevalência de fratura por baixo impacto
em 12,8% dos homens e 15,1% das mulheres.
Recentemente, Lopes et al. (apud DOMICIANO; PINHEIRO, 2011), em um
estudo que analisou uma amostra representativa da população brasileira idosa,
encontraram prevalência radiográfica de fraturas vertebrais de 27,5% em mulheres e
31,8% em homens. Por outro lado, não existem estudos epidemiológicos consistentes
sobre a incidência de fratura de quadril em amostragem representativa da população
brasileira.
Goldenberg (2009) relatou que a fratura mais grave de todas é a fratura do
quadril. A incidência dessa fratura ultrapassa o câncer de mama, que aflige uma em
cada nove mulheres. Estima-se que em 2025 serão registradas cerca de 3,94 milhões
fraturas (2,78 milhões em mulheres e 1,16 milhão em homens). Esse número pode
chegar a 6,3 milhões em 2050.
2.4.6.2 Sarcopenia
Sarcopenia é uma palavra de origem grega que literalmente significa “perda de
carne” (sarx = carne e penia = perda). No entanto, esse termo se refere a várias
57
mudanças na composição corporal e funções corporais relacionadas, como descreveu
Rosenberg (1997).
Os autores Forbes e Reina (1970), Tzankoff e Norris (1997), Fleg e Lakatta
(1988) estimaram que, a partir dos 40 anos, ocorreria perda de cerca de 5% de massa
muscular a cada década, com declínio mais rápido após os 65 anos. Janssen et al.
(2000) acreditam particularmente que a perda maior ocorra nos membros inferiores.
Doherty e Brown (1993) estudaram diversos cadáveres com diferentes
métodos
radiológicos, como
ultrassonografia, tomografia
computadorizada
e
ressonância magnética, e demonstraram que ocorre uma redução de 40% da área
seccional transversa de vários grupos musculares (quadríceps, bíceps e tríceps
braquial) com a idade.
Figura 8 – Conteúdo muscular normal em adulto fisicamente ativo (A) e sarcopenia em idoso
sedentário (B).
Fonte: Adaptado de Roubenoff e Hughes (2000).
Para Baumgartner et al. (1998 apud SILVA et al., 2006), o meio mais utilizado
para o diagnóstico de sarcopenia é a densitometria óssea de corpo total para a
avaliação da composição corporal – massa óssea, massa magra e massa adiposa
total. As vantagens dessa técnica são a praticidade, a aquisição de medidas objetivas
em tempo curto de exame (20 a 30 minutos), o custo relativamente baixo quando
comparada a outras metodologias, pouca radiação ionizante (25% da radi ografia
simples de tórax) e boa reprodutibilidade.
Forbes e Reina (1970), Tzankoff e Norris (1997), Fleg e Lakatta (1988)
aludiram sobre a correlação da sarcopenia e o envelhecimento. Para esses autores
58
existe uma aparente perda preferencial pelas fibras tipo II (contração rápida) isso está
relacionado com a redução na força muscular, uma vez que essas fibras são
consideradas grandes responsáveis pelo trabalho de força. A perda das fibras
musculares do tipo II significa para o corpo uma diminuição das proteínas de cadeias
pesadas de miosina, que se transformam para o tipo mais lento, o que poderia afetar
a velocidade do ciclo das pontes transversas de actina e miosina durante as ações
musculares, além de uma concomitante diminuição de atividade da miosina ATPase.
2.4.7 Fratura
Para Thompson, Skinner e Piercy (1994) fratura é uma interrupção na
continuidade do osso, que pode ser um rompimento completo ou incompleto. A
maioria das fraturas é devida a algum tipo de trauma. Pode ser um choque direto com
força considerável, como pode ocorrer em um acidente automobilístico, queda de
certa altura ou um peso que atinge algum local no corpo.
De acordo com Adams e Hamblen (1994) a fratura pode ser considerada como
uma interrupção completa ou uma rachadura parcial. As fraturas são divididas de
acordo com a etiologia em três grupos: fraturas de fadiga ou estresse, fraturas
patológicas e fraturas por traumas. O termo patológico é usado para a fratura que
ocorre num osso já debilitado anteriormente por alguma doença. Em geral, o osso
cede por trauma banal ou até mesmo espontaneamente. As fraturas por trauma
podem ser causadas por choque direto no osso ou por choque indireto no osso (que é
o caso da queda). Uma fratura pode ser fechada ou simples, exposta ou composta.
Fratura fechada ou simples é quando não há comunicação entre o foco da fratura e a
parte externa do corpo. Fratura exposta ou composta é quando há comunicação com
o meio externo, com o meio ambiente.
59
Figura 9 – Fratura fechada ou simples (Fig. 1). Fratura exposta ou composta (Fig. 2).
Fonte: Adams e Hamblen (1994).
Na Figura 9 (Fig. 1), observamos a fratura fechada ou simples. Não há
comunicação entre o osso fraturado e a superfície do corpo. Já na Figura 9 (Fig. 2),
observamos fratura exposta ou composta. Há um ferimento que se comunica com o
foco da fratura. Organismos podem penetrar através da ferida e infectar o osso.
Para Adams e Hamblen (1994) as fraturas em geral são classificadas de
maneira descritiva, com indicações de forma ou tipo de superfícies fraturadas. Os
tipos de fraturas são de interesses que ultrapassam os meios acadêmicos. Podem
indicar a natureza de um trauma-causa e assim oferecer um método de redução mais
fácil.
Figura 10 – Mostra padrões comuns de fraturas. 1 – fratura transversal. 2 – fratura oblíqua. 3
– fratura espiral. 4 – fratura cominutiva. 5 - Fratura compressiva. 6 – fraturas de galho verde.
Fonte: Adams e Hamblen (1994).
60
Figura 11 – Referente a características clínicas das fraturas. Uma fratura transversa é estável,
enquanto que a fratura oblíqua ou espiralada está sujeita à ação elástica dos músculos.
Fonte: Adams e Hamblen (1994).
Nos escritos de Thompson, Skinner e Piercy (1994), o tipo de fratura ainda
pode fornecer se há indicação da estabilidade provável de fragmentos. As
características clínicas imediatamente após as fraturas foram mencionadas em geral,
estão presentes as seguintes características: choque, dor, deformidade, edema,
sensibilidade local acentuada, espasmo muscular, movimento anormal e crepitação,
perda da função.
2.4.8 Fratura no fêmur
De acordo com Adams e Hamblen (1994) as fraturas femorais podem ser
classificadas em 5 grupos (observadas nas Figuras 11 e 12).
61
Figura 12 – 1. fratura do colo do fêmur; 2. fratura da região trocantérica6; 3.fratura de diáfise
do fêmur; 4.fratura supracondileana; 5.fratura condileana.
Fonte: Adams e Hablen (1994).
Figura 13 – Mostra a extremidade superior do fêmur com demarcações das regiões de
fraturas do colo do fêmur e do trocânter.
Fonte: Adams e Hamblen (1994).
Downton (1998) conjecturou sobre as fraturas do colo femoral, com causas
reconhecidas de declínio e habilidades funcionais em relação ao estado pré-fratura,
havendo evidências de que outros tipos de fraturas podem ter influência significativa
sobre a independência.
Para Adams e Hamblen (1994) a fratura do colo do fêmur é comum em
pessoas acima de 60 anos que apresentem tendência à fragilidade óssea como
consequência da osteoporose generalizada. Uma queda ou um tropeção, na maioria
dos casos a fratura no fêmur é causada por uma força rotacional. Nos casos comuns
com desvio, a fratura é obvia e não há engano, porém, em alguns casos de fratura
6
Deve ficar claro que de acordo com Adams e Hamblen, (1994) alguns cirurgiões usam o termo „fratura
do colo do fêmur‟ genericamente para as fraturas trocantéricas e também para as fraturas do colo
femoral propriamente dito. Portanto, reconhecem dois tipos de fratura do colo femoral: 1.fratura
intracapsular ou transcervical (a fratura do colo femoral propriamente dita) e 2. fratura extracapsular ou
trocantérica.
62
impactada em abdução as alterações radiológicas são mínimas e a fratura pode
passar despercebida. Exceto em crianças (nas quais essa fratura é rara), a
imobilização com gesso não é confiável e tampouco confortável; assim, o tratamento
aceito é fixar os fragmentos internamente com um dispositivo metálico adequado.
2.4.9 Consolidação de fraturas
Para Murayama et al. (2007) o osso é um tecido vivo e complexo, com dois
componentes principais: matriz orgânica rígida, que é fortalecida pelo componente
mineral (sais de cálcio) e componente celular (osteoblastos, osteoclastos e
osteócitos). A estrutura dos ossos é composta de duas camadas; a mais externa que
é a camada cortical que é a mais dura, e a mais interna que é a esponjosa e
suscetível à osteoporose, chamada de osso trabecular.
Para Murayama et al. (2007), o osso cortical é responsável por 80% da massa
esquelética e o osso trabecular pelos 20% restantes. A matriz orgânica do osso é
constituída de 90 a 95% de fibras de colágeno, proporcionando ao osso sua poderosa
força elástica. Os principais componentes minerais são o cálcio e o fosfato,
conhecidos como hidroxiapatitas, que possuem propriedades físicas semelhantes ao
mármore e uma grande força de compressão. Esses tecidos de sustentação estão em
constante remodelação, numa espécie de “manutenção preventiva”.
Goldemberg (2009) lembra que o osso não é idêntico em todas as partes do
organismo. O osso das vértebras difere do osso do fêmur. O ritmo de renovação dos
dois tipos de ossos não é o mesmo, cerca de 30% do osso trabecular se renova
anualmente, e apenas 3% do osso cortical é substituído nesse período.
Contudo, Ham e Harris (1956) estudaram e descreveram histologicamente a
consolidação de fraturas de costelas em coelhos, e as evidências sugerem que a
reparação é semelhante em humanos, porém nos alertam para que fiquemos atentos
porque o tipo de consolidação não é constante para todos os tipos de ossos e
circunstâncias. Uma fratura começa a se consolidar assim que o osso quebra, e se as
condições forem favoráveis, o processo de consolidação se dá por uma série de fases
até que o osso esteja totalmente consolidado.
Para explicar esse processo claramente, Thompson, Skinner e Piercy (1994)
exemplificaram em cinco estágios, que podem ser observados ocorrendo ao mesmo
63
tempo em partes diferentes do local da fratura: estágio de hematoma; estágio de
proliferação celular subperiosteal e endosteal; estágio de formação de calo; estágio de
consolidação; e estágio de remodelação.
Para Adams e Hamblen (1994) o tempo de consolidação de uma fratura é tão
variável que não dá para traçar regras rígidas sobre o tempo de consolidação. Porém
em um osso adulto, sob condições favoráveis, sem patologias, esse tempo pode ser
de aproximadamente três meses, para alguns casos pode ser estendido para até
cinco meses, no caso do fêmur. No geral, a consolidação tende a ser mais rápida em
ossos dos membros superiores, por serem mais finos e não sustentarem o peso
corporal.
Figura 13 – Diagrama dos estágios de consolidação da fratura. 1. estágio do hematoma, com
necrose do osso juntamente à fratura; 2. estágio de proliferação subperiostal e endostal. 3.
estágio de calo. 4. estágio de consolidação. 5. remodelação.
Fonte: Adams e Hamblen (1994).
Figura 13, no estágio 2, o tecido celular, que pode conter ilhas de cartilagem,
cresce de cada um dos lados da fratura à custa do coágulo, que é absorvido e tem
64
participação nula ou muito pequena na reparação. No estágio 3, as células
proliferantes dão origem a osteoblastos, formam uma substância intercelular,
calcificando e formando o osso primário ou o calo. No estágio 4, os osteoblastos
continuam o processo de reparação, formam o osso lamelar à custa do osso primário.
E no estágio 5, o osso é fortalecido nas linhas de força e reabsorvido em outros
pontos. O osso é, então, restaurado mais ou menos à sua forma original.
65
3 MÉTODO
3.1 Abordagem Metodológica
A opção metodológica recaiu, aqui, sobre a abordagem quantitativa.
Justificamos essa opção pela afinidade com nossos objetivos.
3.2 Local de Realização do Trabalho
Esta pesquisa foi realizada no Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo, no setor de ortopedia, que está localizado à Rua Pedro de Toledo, nº 1.800,
Vila Clementino, São Paulo, CEP: 04039-004.
Trata-se do principal hospital de assistência especializada dos servidores
públicos do estado de São Paulo, com cerca de 26.500 internações por ano.
Fundado em 1961 para oferecer atendimento médico de qualidade aos
servidores públicos do estado, seus dependentes e agregados, o Hospital do Servidor
Público Estadual Francisco Morato de Oliveira (HSPE) figura hoje entre os maiores do
estado de São Paulo, tanto em estrutura quanto em modernização de equipamentos,
serviços e tratamentos. Contando com mais de 43 diferentes especialidades médicas
e um quadro de profissionais de reconhecida capacidade, o hospital presta
atendimento em todos os níveis de atenção executando procedimentos desde os mais
simples até os de mais alta complexidade. O HSPE dispõe de diversos programas de
saúde, como os de Assistência Domiciliar, Planejamento familiar e Atenção ao Idoso,
além dos Bancos de Sangue, de Olhos e de Leite Humano.
O HSPESP foi inaugurado em 9 de julho de 1961, na capital, completando 47
anos de existência em 2008. Desde que foi criado passou por mudanças estruturais
até chegar ao modelo atual que é o Iamspe. É mantido pelo desconto de 2% em
holerite do funcionalismo público estadual, oferece um sistema de saúde de alta,
média e baixa complexidade e de baixo custo aos seus usuários. O acesso ao
Hospital se faz pelas diversas portarias situadas no número 1.800 da Rua Pedro de
Toledo. Situado na Vila Clementino, próximo ao metrô Santa Cruz, onde a circulação
66
de ônibus é também abundante, os usuários visitantes podem contar com diversas
opções de transporte.
O município tem um território de 1.590 km2. Possui 10.615.844 habitantes.
Destes, aproximadamente, 10.39991 são idosos, o que corresponde a 9,79% da
população do município (FUNDAÇÃO SEADE, 2009).
No interior do estado, o atendimento médico se divide por meio de 18 Centros
de Atendimento Médico Ambulatorial (Ceamas), espalhados pelas principais regiões
do estado. O Instituto de Assistência ao Servidos Público Estadual (Iamspe) realiza
todo ano uma série de atividades com foco na prevenção de quedas em pessoas a
partir de 60 anos. Sendo grande referência nacional a atendimentos ortopédicos
imediatos e preventivos em idosos. Diversas rotinas médicas e administrativas
garantem o bom funcionamento do serviço.
O Iamspe é uma autarquia ligada à Secretaria Estadual de Gestão Pública cujo
principal objetivo é prestar atendimento médico aos funcionários públicos estaduais,
seus dependentes e agregados.
O Instituto possui três departamentos que são o Hospital do Servidor Público
Estadual “Francisco Morato de Oliveira” (HSPE-FMO), o Departamento de
Administração e o Departamento de Convênios e Assistência Médica (Decam), que
coordena 18 Ceamas espalhados pelas principais cidades do interior paulista, além de
centenas de convênios com importantes hospitais, clínicas e laboratórios, que
atendem aos funcionários dentro de suas próprias regiões.
O Instituto oferece todo ano, cursos, congressos e capacitações voltados para
o público idoso, voltados para prevenção e tratamento de quedas.
3.3 Delineamento do Estudo
Este é um estudo observacional de corte transversal.
Pereira (1995 apud BASTOS; DUQUIA, 2007) recomendam a utilização dos
estudos transversais para estimar a frequência com que um determinado evento de
saúde se manifesta em uma população específica. Com relação ao modo como os
dados são coletados, é possível distinguir os estudos observacionais, quando o
pesquisador não intervém, apenas observa e registra as informações que lhe
interessam para posterior análise. Nesse sentido, cabe explicitar que os estudos
67
transversais constituem uma subcategoria dos estudos observacionais, e é importante
lembrar que uma relação de associação não sugere, necessariamente, uma
causalidade, ou efeito.
3.4 População de Estudo
O período de coleta foi de outubro de 2010 até o mês de fevereiro de 2011. A
pesquisa foi desenvolvida no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo no
Setor de Ortopedia, em fase pré-operatória, com pessoas de idade a partir de 60
anos, totalizando 40 pacientes,sendo 31 do sexo feminino e 9 do sexo masculino.
A população de servidores do estado de São Paulo é composta basicamente
de pessoas na faixa etária de mais de 40 anos (57,8%), grupo considerado
tradicionalmente como de risco para as doenças crônicas.
Para a coleta de dados, o instrumento elaborado (questionário) foi composto de
cinco partes, delineadas no decorrer deste estudo.
Os critérios de exclusão foram de não sofrer queda acidental, idade inferior a
60 anos,e possuir o prontuário médico com questões não inquiridas no tema.
3.5 Metodologia
O trabalho foi primeiramente apresentado para entrevista e ingresso no
Programa de Estudos Pós Graduados em gerontologia da PUC/SP. Após aprovação
na universidade e ingresso no curso, o trabalho foi apresentado para o diretor do setor
de
ortopedia do HSPESP, Dr. Roberto
Dantas
Queiróz –
Ortopedista e
Traumatologista; em todas as etapas, foi demonstrado muito interesse, quanto à sua
realização. A pesquisadora foi designada a refazer um novo projeto, com devida
documentação endereçada à PUC e ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do
HSPESP, com o objetivo de ser autorizada para iniciar o trabalho conforme os
parâmetros legais.
Após liberação de ética em pesquisa (aproximadamente 2 meses após o
pedido formal no CEP), foi iniciada a aplicação teste em 10 pacientes. Foi percebida a
inviabilização de sua aplicação, pois o questionário tinha um total de seis páginas, o
que dificultava a entrevista, por estar muito extenso, cansativo para o paciente e
68
incômodo aos funcionários de enfermagem que precisavam realizar procedimentos
com o paciente, o que de forma justificável interrompia o andamento da entrevista. Foi
necessário reduzir o questionário para três páginas e aplicado em 15 pacientes,
probatoriamente.
Utilizou-se as entrevistas aplicadas no período probatório para congressos e
confecção de outras pesquisas, juntamente com alguns profissionais do HSPESP e
trabalhos nacionais e internacionais pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em
Gerontologia da PUC/SP.
Após afinidade e confiança da aplicabilidade das entrevistas, deu-se início
efetivamente às entrevistas nos quarenta pacientes.
Apresentar o planejamento e a organização do estudo e entrevistas em
organograma se torna essencial para a melhor compreensão do delineamento
realizado (Figura 14).
Figura 14 – Descritor de sistematização de entrevista e coleta de dados.
Setor de Ortopedia do
Hospital do Servidor
Público Estadual de
São Paulo
Autorização de Pacientes:
TCLE e Autorização de Uso
Triagem de Pacientes
e Imagem
Avaliação de
Entrevista
Prontuários e
com o
Avaliação de
Paciente e
Exames
Cuidador
Complementares
Avaliação das Informações
Funções
Adcionais com
Mentais e
o Paciente e ou
depressão
Cuidador
Geriátrica
Barthel
Index
Tipo de
Deambulante
Descrição e
antes da Fratura Quantificação
Atual
de Dados
3.5.1 Triagem de pacientes
Pesquisar e averiguar pacientes, a partir de 60 anos de idade que sofreram
fratura de fêmur pós-queda (excluindo a queda patológica) em fase pré-operatória,
hospitalizados no setor de ortopedia no Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo, que respectivamente aceitaram participar do estudo.
69
Alguns dos pacientes estudados foram admitidos na unidade, advindos de
outros hospitais após vislumbramento da gravidade do problema, tempo de internação
e gastos financeiros (o hospital conveniado com o Iamspe recebe pacientes
conveniados).
De acordo com Fontes, Fukujima e Cardeal (2010) a triagem consiste na coleta
de dados referentes ao serviço de procedência do paciente e/ou profissional que o
indicou.
Após a triagem e assinaturas dos termos de consentimentos para o estudo, que
seguem em (Anexo 1 e Anexo 2) foi realizada a avaliação de prontuários e a avaliação
de exames complementares.
3.5.2 Avaliação de prontuários e avaliação de exames complementares
Estudar documentos implica partir do ponto de vista de quem os produziu, o
que requer cuidado e perícia por parte do pesquisador para não comprometer a
validade do seu estudo. Segundo Bravo (1991), entende-se por documentos todas as
realizações produzidas pelo homem que se mostram como indícios de sua ação e que
podem revelar suas ideias, opiniões e formas de atuar e viver.
Com base nesse conceito, buscou-se iniciar as respostas ao questionário a
partir de
uma
pesquisa
documental pregressa
em prontuários
e
exames
complementares dos pacientes do estudo.
Os exames complementares mais prevalentes foram os exames radiológicos
femorais, para confirmar o tipo de fratura femoral. Nos ossos, a radiografia acusa
fraturas, tumores, distúrbios de crescimento e postura. Foram utilizados também
exames laboratoriais sanguíneos do tipo hemograma completo7, que é constituído
pela contagem das células brancas (leucócitos), células vermelhas (hemácias),
hemoglobina (Hb), hematócrito (Ht), índices das células vermelhas e contagem de
plaquetas.
7
Hemograma completo consiste do hemograma mais a contagem diferencial dos leucócitos.
70
3.5.3 Entrevista com o paciente e/ou cuidador
Enelow et al. (1999) descreveram a origem da palavra „anamnese‟ como sendo:
ana + mnesis tem origem grega (do grego ana, trazer de novo, e mnesis, memória). A
anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde com o seu paciente.
Sendo que uma entrevista eficaz é a chave para inspirar o indispensável sentimento
de confiança, tornando provável a adesão, por parte do paciente, ao tratamento
recomendado, e aumentando a probabilidade de um desfecho favorável.
Fontes, Fukujima e Cardeal (2010) descreveram a anamnese como a etapa de
maior relevância da avaliação, conhecida como etapa interrogatória. Por meio de
perguntas, o entrevistador colhe informações quanto às características pessoais e à
história do paciente (Figura 15).
Figura 15 – Esquema da entrevista com o paciente e/ou cuidador.
Entrevista "ANAMNESE"
Demografia
Geral
Instrução +
Dados
Profissionais
Comportamento
Etílico +
Comportamento
Tabágico
Histórico Pregresso
Patológico do
Paciente
Sintomatologia, Aparato
Locomotor, Ocorrência de
Fraturas Pregressas e
Aditamento de Marcha.
3.5.3.1 Demografia geral
Dutton (2008) descreveu a demografia como uma seção que inclui informações
sobre raça, sexo, idade, peso, estado civil e nacionalidade. Essas informações são
preditivas em algumas condições relacionadas à raça, sexo e idade. O autor
exemplifica com a prevalência de câncer de próstata em homens acima de 50 anos de
idade. Da mesma forma que a osteoporose e a osteoartrite estão associadas à
população mais velha. Além disso, a resposta individual à dor e disfunções tende a
71
ser determinada pela formação cultural e pelas condições sociais, educacionais e
econômicas (Quadro 3).
Quadro 3 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo.
Anamnese – Parte I. Demografia Geral.
Dia de Internação Hospitalar:__________________
Data da A valiação____/____/_____Onde o senhor (a) está agora?________________
Nome:________________________________________________________________
Endereço:_____________________________________________________________
Telefone:() - _________________________ Celular:___________________________
Idade:______________________Data de Nascimento:______/______/____________
Local de Nascimento:____________________________________________________
Há quanto tempo reside em São Paulo? _____________________________________
Sexo: ( ) F / ( ) M . Tipo de Moradia: ( ) Casa; ( ) Apartamento; ( ) Instituição de longa permanência Residência Própria? ( ) Sim; ( ) Não ____________________________
Raça: ( ) Negro; ( ) Branco; ( ) Amarelo; ( ) Pardo; ( ) ___________________________
Estado civil: ( ) Casado; ( ) Solteiro; ( ) Viúvo; ( ) Divorciado; ( ) Separado, há quanto
tempo?_______________________________________________________________
É casado mais de uma vez? ( ) N; ( ) S
Existe alguma pessoa constituída para cuidar do (a) Sro (a) no hospital e em casa?
( ) N; ( ) S; Grau de parentesco ___________________________________________
Tem filhos? ( )N; ( ) S; Nº de filhos__________________________________________
Seus filhos moram com o (a) Senhor (a)? ( ) S; ( ) N
Tem netos? ( ) N: ( ) S; Quantos? _Seus netos moram com o (a) Senhor (a)? ( ) S; ( ) N
3.5.3.2 Grau de instrução e dados profissionais
As informações sobre o grau de instrução e ocupação podem determinar as
posturas habituais ocupacionais ou sedentárias. Dutton (2008) aponta a prevalência
de quedas em idosos sedentários, demonstrando que a compreensão da história de
pacientes pode auxiliar a orientar possíveis intervenções (Quadro 4).
72
Quadro 4 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo.
Anamnese – Parte II. Grau de Instrução e Dados Profissionais.
Grau de instrução:
( ) analfabeto; ( ) alfabetizado; ( )ensino fundamental incompleto; ( ) Ensino fundamental completo; ( )
Ensino médio incompleto; ( ) Ensino médio completo; ( )Ensino superior incompleto; ( ) Ensino superior
completo;(
)
pós
graduação
incompleto;
(
)
pós
graduação
completo,
Curso
de:____________________________________________________________
Profissão____________________________________________________________________
Aposentado: ( ) N; ( ) S; Há quanto tempo?__________________________________________
Trabalha em alguma outra função? ( ) N; ( ) S; Qual?__________________________________
3.5.3.3 Comportamento etílico e comportamento tabágico
Para Noto e Moreira (2005), entre 2 e 3% dos alcoólatras têm mais de 65 anos.
Os dados mais atualizados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas
Psicotrópicas (Cebrid), divulgados em 2005, atestaram que a parceria com o álcool,
depois dos 60 anos, amplia em até oito vezes o desenvolvimento de doenças
cognitivas (demência e doença de Alzheimer).
Dutton (2008) e Perracini et al. (2009) concordam que o uso de álcool em
idosos tende a atingir maiores concentrações no sangue mesmo com doses
pequenas. Suas manifestações caracterizam dificuldade no andar, confusão e
negligência consigo mesmo. Acentua a falta de memória. Pode haver mudança de
humor, com excitação seguida de depressão e agressividade, podendo se confundir
com demência. Facilita as quedas e ferimentos, e com frequência há distúrbios como
diarreia e incontinência urinária.
Para Kane et al. (2004), a utilização de medicamentos na velhice é muito alta,
representando cerca de (25%) dos medicamentos vendidos. Há uma tendência nessa
faixa etária para a automedicação, e para o uso continuado e sem critério. A comum
utilização de medicamentos caseiros e não prescritos e sem controle para a venda,
como laxantes, antiácidos, vitaminas, antigripais, pode levar a consequências
indesejáveis quando associada a outros medicamentos, e isso pode ocorrer sem
conhecimento do médico. A utilização rotineira do álcool com frequência leva a
conflitos com os medicamentos prescritos e/ou utilizados.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (apud BRASIL, 2009), o tabaco é a
segunda causa de mortalidade no mundo. É responsável pela morte de um em cada
73
dez adultos, somando cerca de cinco milhões de mortes anualme nte. Se os padrões
atuais de consumo continuar, estima-se que o tabagismo causará cerca de 10 milhões
de mortes por ano em 2020. Metade das pessoas que fumam atualmente, cerca de
650 milhões, eventualmente morrerá por doenças relacionadas ao tabaco.
De acordo com Freitas et al. (2006), existem poucos estudos sobre a
prevalência do tabagismo na terceira idade no Brasil e no mundo; acredita-se que esta
seja em torno de 10 a 11% da população geral de fumantes. O idoso que fuma
apresenta vários problemas de saúde, alguns merecem maior destaque, como a
diminuição do déficit cognitivo; sendo que a única opção para reduzir a piora dos
padrões cognitivos é a cessação do tabagismo. O aparelho respiratório, por receber
toda a carga tabágica, é o local mais frequente de doenças como o câncer e Doença
Obstrutiva Crônica (DPOC), e também se pode afirmar que a deterioração desse
aparelho diminui a qualidade de vida.
Para Perracini et al. (2009) e Freitas et al. (2006), o consumo de cigarros
representa fator de risco para osteoporose. O próprio processo de envelhecimento já
causa dano ósseo, mas é agravado pelo hábito de fumar, porque há a redução da
densidade mineral óssea como resultado da diminuição da absorção do cálcio com
hiperparatireodismo secundário e aumento da reabsorção óssea.
Portanto, Freitas et al. (2006) concluíram que o fumante idoso que já utiliza o
tabaco por várias décadas torna-se vítima preferencial, principalmente devido ao
longo tempo de exposição continuada do seu organismo às mais de quatro mil
substâncias químicas inaladas a cada tragada. Portanto, sabe-se que existe relação
entre o consumo do tabaco, sob qualquer forma, e o aparecimento de vários
problemas de saúde (Quadro 5).
Quadro 5 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo.
Anamnese – Parte III. Comportamento etílico e comportamento tabágico.
É tabagista? ( ) N; ( ) S; Quantos maços/ dia?_______________________________________
Etilista? ( ) N; ( ) S; O que bebe?_________________________________________________
Quantas vezes ao dia faz uso de bebida alcoólica?___________________________________
74
3.5.3.4 Histórico pregresso patológico do paciente
Ganz et al. (2007), Mahant (2001) e Cavanillas et al. (2000), citados por
Buksman et al. (2009), descreveram que doenças como hipertensão arterial sistêmica,
diabetes mellitus e doenças neurológicas ou osteoarticulares, que afetem a força
muscular, o equilíbrio e a marcha, são fatores de risco comuns. A hipotensão
ortostática deve ser pesquisada sistematicamente devido à sua alta prevalência. As
doenças agudas ou condições crônicas descompensadas que afetem a perfusão
cerebral também podem precipitar uma queda. Distúrbios de marcha e equilíbrio
podem ser decorrentes do próprio envelhecimento, predispondo a quedas quando
ocorre declínio da força e da resistência abaixo do limiar mínimo para realização
independente das atividades da vida diária (Quadro 6).
Quadro 6 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo.
Anamnese – Parte IV. Histórico pregresso patológico do paciente.
1.
Já realizou alguma cirurgia no passado? ( ) N ; ( ) S ; Quais?________________
2.
Tem algum problema de saúde abaixo?
( ) Diabetes Mellitus; ( ) AVC; ( ) Osteoporose; ( )Hipertensão arterial sistêmica; ( ) câncer;( ) Doença
Cardiovascular; ( ) DPOC; ( ) Depressão; ( ) Parkinson; ( ) Não sabe;
( )Outras:________________________Faz uso de medicação todos os dias? ( ) N; ( ) S
3.
O (A) senhor (a) lembra dos nomes de seus remédios diários?
Quais?____________________________________________________
4.
Usa óculos? ( )N; ( )S
5.
No momento da queda estava com seu óculos? ( )N; ( )S
6.
Qual foi a última vez que passou no oftalmologista para fazer exame de vista?
( ) Não lembra; _________________________________________________
7.
Já tomou vacina contra gripe comum? ( ) N; ( ) S
8.
Qual foi a última vez que tomou vacina contra influenza ?_____________________
9.
Tem algum problema nos pés que prejudique seu andar? ( ) N; ( ) S
( ) Calosidades; ( ) Joanetes; ( ) Deformidades de unhas; ( ) ulceração; ( ) outras_____
10.
Já fez fisioterapia alguma vez na vida? ( ) N; ( ) S Com que finalidade?___
11.
No último ano o Sr(o) caiu alguma vez?( ) N;( ) S Sofreu alguma fratura ( )N; ( ) S
12.
Qual parte do corpo foi fraturado?_______________________________________
13.
Conseguiu levantar imediatamente? ( )S; ( ) N
14.
Quanto tempo demorou para ser socorrido (a)?_____________________________
15.
Que horário o (a) senhor (a) caiu?_______________________________________
16.
Como foi o socorro? ( ) Não houve ( ) foi imediato ( ) tardio
17.
Com que frequência cai?
18.
( ) raramente; ( ) Sempre; ( ) Dificilmente; ( ) Primeira vez
19.
Em que lugar caiu?_______________________________________________
20.
Quanto tempo ficou caído sem condições de pedir socorro? ______________
21.
Que atividades realizava antes da internação hospitalar no seu dia a dia?
__________________________________________________________________
22.
Relato do cuidador sobre o ocorrido:
___________________________________________________________________
23.
Sabia que iria cair? ( ) S; ( ) N
24.
Após a queda sabia o que tinha ocorrido? ( ) S; ( )N
75
3.5.3.5 Sintomatologia, aparato locomotor, ocorrência de fraturas pregressas e
aditamento de marcha
Cruz et al. (2009) realizaram um estudo transversal com duração de 12 meses
com 213 idosos acima de 60 anos com dor há mais de um ano e que responderam
sobre a ocorrência de quedas no último ano . A sua prevalência foi de (56,29%). Os
resultados apontaram que idosos com dor há mais de um ano, intensa ou moderada,
relataram maior número de quedas do que os idosos com dores leves. Não foram
encontradas associações entre local e frequência dos episódios de dor e relato de
quedas no último ano.
Em um estudo, Komatsu (2000 apud BUKSMAN et al., 2009) verificou que os
idosos que já sofreram uma queda apresentam risco mais elevado para cair, entre 60
e 70% no ano subsequente. Os idosos mais saudáveis caem menos, cerca de 15%,
em um ano, comparativamente aos idosos que residem em instituição de longa
permanência para idosos, cujo percentual sobe até 50%. Entre 20 e 30% dos
caidores8 que sofreram alguma lesão apresentarão redução da mobilidade, da
independência e aumento do risco de morte prematura.
Para Sudarsky e Tideiksa (1997 apud BUKSMAN et al., 2009), o temor de
novas quedas é tão prevalente quanto as mesmas, ocorrendo em 30 a 73% dos
idosos. A perda de confiança na capacidade de deambular com segurança pode
resultar em piora do declínio funcional, depressão, baixa autoestima e isolamento
social.
Perracini et al. (2009) consideraram extremamente oportuna a assistência
externa para deambular com segurança; assim, dispositivos auxiliares podem ser
indicados, entre os quais a bengala, a muleta e o andador. A seleção inadequada do
dispositivo, no entanto, pode prejudicar ainda mais o desempenho. Qualquer que seja
o caso, será sempre necessário que um fisioterapeuta faça a indicação, instrução e o
treinamento para o uso correto e seguro desses dispositivos.
Para Dutton (2008) a seleção do padrão de marcha apropriado, para orientar o
paciente, depende da força de equilíbrio, do estado cardiovascular, da coordenação,
das necessidades funcionais e da condição de apoio de peso. Sendo assim, dois
pontos requer um auxílio de bengala ou muletas. O padrão de três pontos envolve o
8
Idosos caidores: idosos com mais de duas quedas por ano que sofrem mais riscos de sofrer lesões
(Buksman et al., 2009).
76
uso de duas muletas ou de um andador. O padrão de quatro pontos, que requer um
dispositivo auxiliar (muletas ou bengalas) em cada lado do corpo, é mais adequado
quando o paciente necessita de assistência máxima no equilíbrio e na estabilidade
(Quadro 7).
Quadro 7 – Questionário de pacientes que sofreram fraturas no fêmur: Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo.
Anamnese - Parte V. Sintomatologia, aparato locomotor, ocorrência de fraturas pregressas e
aditamento de marcha.
25 Desmaiou? ( ) N; ( ) S
26 Teve algum sintoma antes de cair?
( ) Tontura
( ) Vertigem
( ) Palpitações
( ) Falta de ar
( ) Fraqueza ou dormência no corpo
( ) Fala enrolada
( ) Fraqueza nas pernas
( ) Dificuldade em falar
( ) Flashes de luz
27 Existiam relatos antigos de:
Fraqueza nas pernas?______________________________________
Tremor em repouso?________________________________________
Estado mental anormal?______________________________________
28 Mobilidade antes da internação hospitalar:
( )deambulava independentemente;
( )deambulava com auxílio;
( )Não deambulava
29 Qual auxílio utilizava para marcha?
( )bengala;
( )andador;
( )bengala quadrangular
( ) cadeira de rodas, capaz de transferir-se independentemente;
( ) cadeira de rodas, incapaz de trans ferir -se precisa de ajuda para locomover-se e realizar
transferência.
3.5.4 Avaliação das funções mentais e depressão geriátrica
Para Fontes, Fukujima e Cardeal (2010), Freitas et al. (2006) e Guimarães e
Cunha (2004), o miniexame do estado mental é hoje o instrumento mais utilizado
mundialmente, possuindo versões em diversas línguas e países. Já foi validado para a
população brasileira. Fornece informações sobre diferentes parâmetros cognitivos,
contendo questões agrupadas em sete categorias, cada uma delas planejada com o
objetivo de avaliar "funções" cognitivas específicas, como a orientação temporal (5
pontos), orientação espacial (5 pontos), registro de três palavras (3 pontos), atenção e
77
cálculo (5 pontos), recordação das três palavras (3 pontos), linguagem (8 pontos) e
capacidade construtiva visual (1 ponto).
O escore do MEEM pode variar de um mínimo de 0 pontos, o qual indica o
maior grau de comprometimento cognitivo dos indivíduos, até um total máximo de 30
pontos, o qual, por sua vez, corresponde à melhor capacidade cognitiva. Neste estudo
o MEEM (Anexo 5) e a escala de depressão geriátrica (Anexo 6) foram aplicados em
todos os pacientes, mesmo nos pacientes já diagnosticados. A situação de internação
hospitalar foi pertinente a esses testes, devido à fragilidade instalada no paciente
acamado.
A avaliação indiscriminada do MEEM, para Guimarães e Cunha (2004), é
inapropriada e consumiria muito tempo. Devendo ser rotineira somente em casos de
delirium (pertinente após fraturas de fêmur), depressão, diabetes, doença de
Parkinson, internação hospitalar ou deterioração funcional inexplicada.
Buksman et al. (2009) descreveram que mesmo um déficit discreto de
memória, pode aumentar o risco de quedas.
Guimarães e Cunha (2004) afirmam que a depressão é uma síndrome
psiquiátrica caracterizada por humor deprimido, perda do interesse ou prazer,
alterações do funcionamento biológico, com repercussões importantes na vida do
indivíduo e com uma duração, sem tratamento, de meses a anos. Concernente à
depressão, foi utilizado neste estudo a Escala de Depressão Geriátrica (EDG), muito
conhecida e utilizada como um dos instrumentos mais frequentes para o rastreamento
de depressão em idosos. Ela pode ser utilizada para o rastreamento de sintomas
depressivos na população geriátrica. A escala original tem 30 itens e foi desenvolvida
especialmente para o rastreamento dos transtornos de humor em idosos, com
perguntas que evitam a esfera das queixas somáticas. Entre as suas vantagens,
destacam-se: é composta por perguntas fáceis de serem entendidas; e tem pequena
variação nas possibilidades de respostas (Anexo 3).
3.5.5 Informações adicionais com o paciente e/ou cuidador
Para Dutton (2008) e Fontes, Fukujima e Cardeal (2010), ter conhecimentos
sobre exames subsidiários e/ou complementares a que o paciente foi submetido ou
78
solicitar a execução de algum deles corrobora o raciocínio quanto ao quadro
cinesiológico funcional.
Sobre a coleta de informações adicionais com o cuidador do idoso, Karsch
(2003) mencionou em seus escritos a importância do cuidador, na atualidade, não
apenas no aumento da sobrevida dos pacientes, mas também na possibilidade de
poder colaborar com as questões que surgem; ou seja, a importância do cuidador
reside não somente no sentido de zelar pelo outro, mas também de ser responsável
pela recuperação do paciente. Contudo, essa preocupação deveria ser dos agentes
de saúde pública e não de quem cuida, pois significa que o cuidador toma para si a
responsabilidade do sucesso ou fracasso do paciente.
3.5.6 Barthel index e informações sobre as AVDs antes da fratura
De acordo com Bonardi, Souza e Moraes (2007), a incapacidade funcional
limita a autonomia do idoso na execução das atividades de vida diária, reduz a
qualidade de vida e aumenta o risco de dependência, institucionalização, cuidados e
morte prematura; além de também aumentar o risco de quedas com limitações de
força muscular, equilíbrio, marcha e mobilidade.
O Índice de Barthel foi desenvolvido em 1965, e descrito por Guimarães e
Cunha (2004), para avaliar o potencial funcional e os resultados do tratamento de
reabilitação dos pacientes que sofreram um AVC, pois o índice de Barthel mede o
grau de assistência exigido em dez atividades.
Fontes, Fukujima e Cardeal (2010) descreveram o Índice de Barthel como
pertencente ao campo de avaliação das atividades da vida diária (AVDs) com a
finalidade de mensurar a independência funcional no cuidado pessoal, mobilidade,
locomoção e eliminações. Na versão original, cada item é pontuado de acordo com o
desempenho do paciente em realizar tarefas de forma independente, com alguma
ajuda ou de forma dependente. Uma pontuação geral é formada atribuindo-se pontos
em cada categoria, a depender do tempo e da assistência necessária a cada paciente.
A pontuação varia de 0 a 100, em intervalos de cinco pontos, e as pontuações mais
elevadas indicam maior independência (Anexo 4).
79
3.6 Avaliação Individual Inicial
Trata-se da pesquisa que procura analisar propriedades da teoria em que o
pesquisador está interessado, em vez de empregá-la como sustentáculo do problema
a ser estudado (LUNA, 1996).
Na presente pesquisa, a coleta de dados ocorreu por meio da visita a arquivos
de prontuários médicos e entrevistas semiestruturadas (descritas no texto e no Anexo
3), realizadas todos os dias da semana, de segunda a sexta-feira e finais de semana,
num total aproximado de 16 horas por semana.
Essa avaliação sempre ocorria no leito do paciente pela pesquisadora Ana
Elisa Sena Klein da Rosa, na presença de um cuidador constituído e/ou familiar.
Quando o paciente não possuía acompanhante, a entrevista era realizada na frente de
um profissional da enfermagem ou da fisioterapia. A filmagem e as fotografias foram
realizadas em apenas duas avaliações, os pacientes relataram muito desconforto para
a realização de filmagens e/ou fotografias. Decidiu-se realizar as descrições por
escrito, em extenso. A captação escrita durou aproximadamente 45 minutos e o
questionário utilizado encontra-se em anexo (Anexo 3).
O questionário foi elaborado pela pesquisadora Ana Elisa Sena Klein da Rosa,
com base em questionários da área de saúde, importantes para a clínica e para a
pesquisa nas áreas biológicas e sociais, utilizados para vários propósitos, como:
ferramentas estatísticas, registro e coletas de dados e ferramenta educacional
(conforme descrito e justificado anteriormente).
O questionário contém variáveis sociodemográficas sobre o cuidador, moradia
de filhos, existência de netos, uso de medicamentos, óculos, frequência ao
oftalmologista, comorbidades, problemas nos pés mais comuns, realização e
finalidade de fisioterapia pregressa à queda atual, quedas no último anos, tempo de
atendimento, horário de queda, frequência de queda antes da atual fratura, locais
mais frequentes de queda, atividades de vida diária, ocorrências de alteração do
movimento, utensílios mais utilizados para a deambulação, tipo de fratura, tipo de
deambulante e local de queda, de acordo com os sexos.
Foram selecionadas para a pesquisa somente questões pertinentes à
problemática
estudada.
A
pesquisadora
preencheu
devidamente
todos
os
80
questionários. Todo material utilizado foi devidamente registrado e armazenado para
análise.
3.7 Análise Estatística
A descrição dos pacientes foi feita por média do desvio padrão (dp), da
mediana, com valores mínimos, com valores máximos e porcentagem. A análise da
associação entre características da queda e do sexo foi feita pelo teste de Fisher. Em
todas as análises foi considerado estatisticamente significativo quando p < 0,005.
Inicialmente foi realizado o levantamento de dados, em relação a todos os
parâmetros de interesse dessa pesquisa.
3.8 Pacotes Estatísticos
A base de dados foi digitada em planilha de Excel, em dupla digitação para
fazer a consistência da mesma. Todas as análises estatísticas foram feitas pelo
Software Statistical Package for the Social Sciences para Windows, na versão 15.0.
3.9 Aspectos Éticos
Para Francesconi e Goldim (2005), no Brasil, os aspectos éticos envolvidos em
atividades de pesquisa que envolvam seres humanos estão regulados pelas Diretrizes
e Normas de Pesquisa em Seres Humanos, através da Resolução nº 196 do
Conselho Nacional de Saúde, estabelecida em outubro de 1996. Essas diretrizes
foram detalhadas para pesquisas envolvendo novos fármacos, medicamentos,
vacinas e testes diagnósticos através de uma outra Resolução, a de nº 251, de agosto
de 1997. Novas resoluções estão sendo elaboradas para tratar de outras áreas
temáticas especiais.
A pesquisa foi submetida ao comitê de ética em pesquisa do HSPESP e
aprovado em 27 de abril de 2010, conforme o Anexo 2.
Todos os participantes da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido (Anexo 1). Os pacientes estavam cientes quanto à ausência de riscos
81
durante sua participação. Eram de seu conhecimento os benefícios, tanto individuais
quanto para diversos idosos, que seriam gerados pelos resultados deste trabalho.
Segundo Francesconi e Goldim (2005), o objetivo maior da avaliação ética de
projetos de pesquisa é garantir três princípios básicos:
1. Beneficência;
2. Respeito à pessoa;
3. Justiça.
A garantia deve ser adicionada a todas as pessoas que possam vir a ter
alguma relação com a pesquisa, seja o sujeito da pesquisa, o pesquisador, o
trabalhador das áreas onde a mesma se desenvolve e, em última análise, a sociedade
como um todo.
A pesquisadora manteve sigilo e anonimato das informações e no banco de
dados não consta o nome dos pacientes.
3.10 Variáveis de Estudo
As variáveis de estudo foram as características sociodemográficas, o sexo, a
idade, o estado civil, a escolaridade, a aposentadoria, a raça, o local de
origem/nascimento, possuir residência própria, a existência de cuidador, a moradia de
filhos, ter filhos vivos, o uso de medicamentos, o uso de óculos e a frequência ao
oftalmologista, fazer uso de medicação diária, lembrança do nome da medicação,
estar de óculos no momento da queda, data da última visita ao oftalmologista, as
comorbidades, diagnóstico de câncer, diagnóstico de doença cardíaca, portar DPOC,
diagnóstico de diabetes mellitus, o AVC, o diagnóstico de osteoporose, portar HAS, a
depressão, a existência de relatos de doença de Parkinson, doença de Alzheimer ou
demência, alguma amputação transtibial ou amputação transmetatársica, transtorno
bipolar, neuropatia, doença de Paget, glaucoma, epilepsia, insuficiência renal,
hiperplasia de próstata, gastrite, labirintite, problemas nos pés, realização de
fisioterapia no passado, a finalidade de fisioterapia pregressa à queda atual,
ocorrência de quedas e o número de quedas no último ano, tempo que demorou para
ser atendido, horário que sofreu a queda, os locais mais frequentes de queda, o local
82
de ocorrência, as atividades de vida diária realizadas antes da queda, ocorrências de
alteração do movimento, sensação de fraqueza ou tremor antes da queda, a forma de
deambulação antes da queda (se eram deambulantes sociais ou domiciliares) e as
órteses mais utilizadas para a deambulação. Com isso procurou-se identificar o tipo
de fratura mais encontrado nos 40 pacientes e finalmente correlacionar com os sexos,
para observar se existe uma predominância sexual estatística nas quedas.
83
4 RESULTADOS
A idade dos sujeitos desta pesquisa variou de 62 a 97 anos, com média de
idade igual a 78,9 anos, desvio padrão de 9,5 anos (dp= 9,5 anos) e mediana de 79
anos.
As quedas ocorreram, predominantemente, em mulheres (77,5%). Todas as
quedas foram descritas com ligeira lateralização corporal.
4.1 Número e porcentagem de pessoas segundo características
sociodemográficas
A pesquisa foi realizada com 40 pessoas, sendo 31 (77,5%) mulheres e 9
(22,5%) homens. As mulheres tinham faixa etária predominante entre 62-79 anos
(52,5%). A maioria (55,0%) dos idosos era viúvo, 72,5% aposentado, 20,0% cursaram
ensino médio completo, 82,5% da raça branca, o local de maior prevalência de
origem, com 47,5%, foi o interior de São Paulo. Setenta e cinco por cento dos idosos
residiam em habitações próprias.
Tabela 1 – Número e porcentagem de pessoas segundo características sociodemográficas.
VARIÁVEL
SEXO
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Feminino
Masculino
31
09
77,5
22,5
62 – 79
80 - 97
21
19
52,5
47,5
Casado
Solteiro
Viúvo
Separado
Divorciado
13
02
22
02
01
32,5
5,0
55,0
5,0
2,5
Analfabeto
Alfabetizado
Ens. Fund. Inc.
Ensino Fund. Comp.
Ensino Méd. Inc.
Ensino Méd. Comp.
Ensino Sup. Comp.
06
06
06
07
02
08
05
15,0
15,0
15,0
17,5
5,0
20,0
12,5
Sim
29
72,5
FAIXA ETÁRIA
(ANOS)
ESTADO CIVIL
ESCOLARIDADE
APOSENTADORIA
84
Não
11
27,5
Negro
Branco
Amarelo
Pardo
01
33
02
04
2,5
82,5
5,0
10,0
Estrangeiro / Portugal
São Paulo – Interior
São Paulo – Capital
Ceará
Bahia
Minas Gerais
Paraná
Rio Grande do Norte
Sergipe
01
19
08
01
04
04
01
01
01
2,5
47,5
20,0
2,5
10,0
10,0
2,5
2,5
2,5
Sim
Não
30
10
40
75,0
25,0
100,0%
RAÇA
LOCAL DE ORIGEM
/ NASCIMENTO
RESID. PRÓPRIA
TOTAL
Fonte: HSPESP (2010/2011).
4.2 Associação quanto à Ocupação Profissional e Sexo
Quanto à ocupação, 35,0% dos idosos do sexo feminino eram profissionais do
lar; entre os idosos do sexo masculino, 5,0% trabalhava como pedreiro, 5,0% como
gerente de compras e 5,0%, motorista.
Tabela 2 – Associação quanto à ocupação profissional e sexo.
VARIÁVEL
CATEGORIA
FEMININO
MASCULINO
PROFISSIONAL
Nº
Nº
%
01
2,5
01
2,5
%
OCUP AÇÃO PROFISSIONAL
Administrador Escolar
Auxiliar de Enfermagem
01
2,5
Atendente de Enfermagem
01
2,5
Auxiliar de Terapia Ocupacional
01
2,5
Cabeleireira
01
2,5
Costureira
01
2,5
Dentista
01................2,5
Dona de Casa
14................35,0
Empregada Doméstica
01................2,5
85
Faxineira
01
2,5
Gerente de Compras
02
5,0
Mecânico de Autos
01
2,5
Motorista
02
5,0
Pedreiro
02
5,0
09
100,0
Inspetor de Ensino
02
5,0
Perita Contábil
01
2,5
Professor
04
10,0
Secretária
01
2,5
Tecelã
01
2,5
TOTAL
31
100,0
Fonte: HSPESP (2010/2011).
4.3 Número e Porcentagem de Pessoas Segundo Cuidador e Família
Setenta e dois vírgula cinco por cento tinham como principal cuidador um
familiar, 92,5% tinham filhos vivos, destes, 47,5% não possuíam filhos residindo em
sua moradia e 45,0% tinham os filhos residindo em na casa dos pais.
Tabela 3 – Número e porcentagem de pessoas segundo cuidador e família.
VARIÁVEL
Cuidador
Idoso
vivos
com
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Não tem cuidador
Cuidador profissional
Cuidador familiar
04
07
29
10,0
17,5
72,5
Sim
Não
37
03
92,5
7,5
Não tem
Não moram com os pais
Moram com os pais
03
19
18
40
7,5%
47,5
45,0
100,0%
filhos
Filhos
Total
Fonte: HSPESP (2010/2011).
86
4.4 Número e Porcentagem de Pessoas Segundo o Uso de Medicamentos,
Óculos e Frequência no Oftalmologista
Verificou-se o uso de medicação diária, apenas 1 idoso (2,5%) não utilizava
medicação diária. Noventa e sete vírgula cinco por cento dos idosos usavam
medicação todos os dias, somente 7,5% sabiam os nomes das medicações utilizadas,
principalmente durante a internação hospitalar. Oitenta por cento utilizavam óculos;
destes, 20% utilizavam óculos no momento da queda.
No que diz respeito à frequência a consultas oftálmicas:

6 idosos (15,0%) frequentaram o oftalmologista em até 60 dias;

2 idosos (5,0%) frequentaram o oftalmologista de 61-180 dias;

6 idosos (15,0%) frequentaram o oftalmologista em 181-365 dias;

6 idosos (15,0%) frequentaram o oftalmologista de 1 até 1,9 anos;

8 idosos (20,0%) frequentaram o oftalmologista de 2 até 3,9 anos;

4 idosos (10,0%) frequentaram o oftalmologista em 4 anos ou mais;

8 idosos (20,0%) não souberam responder a essa questão.
Tabela 4 – Número e porcentagem de acordo com o uso de medicamentos, óculos e
frequência no oftalmologista.
VARIÁVEL
Fazem uso de
medicação diária
CATEGORIA
NÚMERO
Sim
Não
39
01
PORCENTAGEM
97,5%
2,5%
Lembram do nome da
medicação diária
Sim
Não
Não fazem uso
contínuo
03
36
01
7,5
90,0
2,5%
Sim
Não
32
08
80,0
20,0
Sim
Não
08
24
20,0
80,0
Não sabem
Até 60 dias
61 a 180 dias
181 a 365 dias
366 a 730 dias
731 a 1460 dias
1461 a 3650 dias
Total
08
06
02
06
06
08
04
40
20,0
15,0
5,0
15,0
15,0
20,0
10,0
100,0%
Usam óculos
Estava de óculos no
momento da queda
Última visita ao
oftalmologista
Fonte: HSPESP (2010/2011).
87
4.5 Número e Porcentagem de Doenças Pregressas Encontradas nos Pacientes
com Fratura Femoral
Como doenças pregressas encontradas nos pacientes com fratura femoral têm-se:

(85%) HAS;

(42,5%) Diabetes mellitus;

(41,0%) Osteoporose;

(17,5%) Doença cardíaca e doença de Alzheimer;

(15,0%) Depressão, labirintite, DPOC e Parkinson;

(10,0%) Demência;

(7,5%) Focos primários de câncer, AVC pregresso, neuropatias, glaucoma e
gastrite;

(5,0%) Amputação transmetatársica, epilepsia e hiperplasia de próstata;

(2,5%) Amputação transtibial, transtorno bipolar, doença de paget e
insuficiência renal.
Tabela 5 – Número e porcentagem de doenças pregressas encontradas nos pacientes com
fratura femoral.
DOENÇA
CÂNCER
DOENÇA CARDÍACA
DPOC
DIABETES MELLITUS
AVC
OSTEOPOROSE
HAS
DEP RESSÃO
PARKINSON
ALZHEIMER
DEMÊNCIA
AMP. TRANSTIBIAL
AMP. TRANSMETATÁRSICA
TRANST. BIPOLAR
NEUROPATIA
DOENÇA DE PAGET
GLAUCOMA
EPILEPSIA
INS. RENAL
HIPERPLASIA DE PRÓSTATA
GASTRITE
LABIRINTITE
NÚMERO
03
07
06
17
03
16
34
06
07
04
03
01
02
01
03
01
03
02
01
02
03
06
PORCENTAGEM
7,5
17,5
15,0
42,5
7,5
41,0
85,0
15,0
17,5
10,0
7,5
2,5
5,0
2,5
7,5
2,5
7,5
5,0
2,5
5,0
7,5
15,0
Obs.: * % Porcentagem calculada em relação às 40 pessoas.
Fonte: HSPESP (2010/2011).
88
4.6 Número e Porcentagem de Relatos dos Problemas Encontrados nos Pés, e
Realização e Finalidade de Fisioterapia Pregressa à Queda
Quanto aos problemas nos pés que prejudiquem o andar, têm-se: úlcera
diabética (2,5%); dedo em garra (7,5%); joanete (5,0%); hálux valgo (15,0%); edema
(2,5%); feridas (2,5%); joanetes + hálux valgo (7,5%); joanetes + edema (2,5%);
edema + feridas (2,5%); amputação + feridas (2,5%); e úlcera diabética + dedo em
garra + joanetes (2,5%).
Do total, 57,5% já realizaram fisioterapia pregressa à queda atual. As
finalidades do tratamento fisioterapêutico pregresso à queda mais encontradas foram:
fraturas antigas (7,5%); algias (7,5%); AVC (2,5%); para melhorar a marcha e quedas
(10,0%); amputação (2,5%); fraturas antigas + algias (12,5%); fratura antiga + melhora
da marcha e quedas (2,5%); algias + melhora de marcha e quedas (5,0%); fraturas
antigas + algias + melhora de marcha e quedas (5,0%); e algias + melhora de marcha
e quedas + amputação (2,5%).
Tabela 6 – Relato de números e porcentagens sobre os problemas encontrados nos pés, e
realização e finalidade de fisioterapia pregressa à queda.
VARIÁVEL
Problema nos pés
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Úlcera diabética
Dedo em garra
Joanete
Hálux valgo
Edema
Feridas
Joanete + hálux valgo
Joanete + edema
Edema + feridas
Amputação + feridas
Amputação + feridas + úlcera diabética
+ dedo em garra + joanetes
01
03
02
06
01
01
03
01
01
01
01
2,5
7,5
5,0
15,0
2,5
2,5
7,5
2,5
2,5
2,5
2,5
Sim
Não
23
17
57,5
42,5
Fratura antiga
Algias
AVC
Melhora de marcha e quedas
Amputação
03
03
01
04
01
7,5
7,5
2,5
10,0
2,5
Realizavam
fisioterapia antes da
queda
Finalidade do
tratamento
fisioterapêutico
antes da queda
89
Fratura antiga + algias
Fratura antiga + melhora de marcha e
quedas
Algias + melhora de marcha e quedas
Fratura antiga + algias + melhora de
marcha e quedas
Algias + melhora da marcha e quedas
+ amputação
Total
05
01
5,0
2,5
02
02
5,0
5,0
01
2,5
40
100,0
Fonte: HSPESP (2010/2011).
4.7 Conforme Queda no Último Ano, Demora no Atendimento, Horário de Queda
e Frequência antes da Fratura Estudada.
A queda foi frequente no último ano, pois 82,5% sempre caíam, 15% raramente
e 2,5% dificilmente.
Os tempos de atendimento foram:

28 até 59 minutos (70,0%);

01 a 4,4 horas (15,0%);

4,5 a 10 horas (7,5%);

10,1 a 12,4 horas (2,5%);

12,5 horas a 24 horas (2,5%);

48 horas ou mais (2,5%).
Horário que sofreu a queda: 17 caíram de manhã (42,5%), 14 caíram à tarde
(35,0%), 07 caíram à noite (17,5%), e 02 idosos caíram de madrugada (5,0%).
Frequência de queda: 32 sempre caem (80,0%), 05 dificilmente caem (12,5%), e 03
raramente caem (7,5%).
90
Tabela 7 – Conforme queda no último ano, demora no atendimento, horário de queda e
frequência antes da fratura estudada.
VARIÁVEL
Caiu no último ano
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Sempre
Raramente
Dificilmente
33
06
01
82,5
15,0
2,5
Até 59 minutos
01 a 4,4 horas
4,5 a 10 horas
10,1 a 12,4 horas
12,5 a 24 horas
48 horas ou mais
28
06
03
01
01
01
70,0
15,0
7,5
2,5
2,5
2,5
Manhã
Tarde
Noite
Madrugada
17
14
07
02
42,5
35,0
17,5
5,0
Sempre
Dificilmente
Raramente
Total
32
05
03
40
80,0
12,5
7,5
100,0
Tempo que demorou
para ser socorrido
Horário que sofreu a
queda
Frequência da queda
4.8 Local de Ocorrência da Queda
Perfil do local de ocorrência da queda: 22,5% no quarto; 22,5% na rua; na
sala/hall de entrada, 12,5%; na cozinha, 10,0%; na escada, 10,0%; na área de
serviço/lavanderia, 7,5%; no corredor, 7,5%; no banheiro, 5,0%; e, no quintal, 2,5%.
Quanto ao local da queda, 09 caíram na rua (22,5%) e 31 caíram em casa (77,5%).
Tabela 8 – Número e porcentagem do local de ocorrência da queda.
VARIÁVEL
Local de ocorrência da
queda
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Quarto
Rua
Sala/hall de entrada
Cozinha
Escada
Área de serviço/lavanderia
Corredor
Banheiro
Quintal
09
09
05
04
04
03
03
02
01
22,5
22,5
12,5
10,0
10,0
7,5
7,5
5,0
2,5
Casa
Rua
31
09
77,5
22,5
Local de queda
Fonte: HSPESP (2010/2011).
91
4.9 Referente às Atividades de Vida Diária e Ocorrência de Alterações de
Movimento
Concernente às atividades de vida diária e ocorrência de alterações de
movimento, têm-se:

42,5% realizavam suas AVDs sem auxílio;

42,5% realizavam suas AVDs com pequeno auxílio;

15,0% realizavam suas AVDs com muita ajuda.
Quarenta por cento imaginavam que um dia poderiam sofrer queda; 97,4%
permaneceram conscientes no pós-queda; 75,0% dos idosos sentiam fraqueza antes
da queda; e 27,5% apresentavam queixas de tremor antes da queda. Antes da queda
a deambulação dos idosos era da seguinte forma:

Andavam independentemente, sem auxílio (27,5%);

Andavam independentemente, com necessidade de aditamentos (72,5%).
Tabela 8 – Referente às atividades de vida diária e ocorrência de alterações de movimento.
VARIÁVEL
AVDs
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Realiza sem auxílio
Realiza com pequeno auxílio
Realiza com muita ajuda
17
17
06
42,5
42,5
15,0
Sim
16
40,0
Sim
39
97,4
Sim
30
75,0
Sim
11
27,5
Independente, sem auxílio
Independente com necessidade
de órtese
TOTAL
11
29
27,5
72,5
40
100,0
Imaginava que poderia
sofrer queda
Após a queda
permaneceu
consciente
Sentiam fraqueza antes
da queda
Apresentavam tremor
antes da queda
Forma de
deambulação antes da
queda
Fonte: HSPESP (2010/2011).
92
4.10 Número e Porcentagem referente a Utensílio ou Aditamento Utilizado para
Deambulação, Tipo de Fratura e Tipo de Deambulante
Quanto ao utensílio ou aditamento utilizado para deambulação, 11 (27,5%) não
utilizavam nenhum utensílio; 24 (60,0%) utilizavam bengala; 04 (10,0%) idosos
utilizavam andador; e 01 (2,5%) idoso utilizava muleta. Quanto ao tipo de fratura, 23
(57,0%) tiveram fraturas transtrocanteriana; 14 (35,0%), fraturas de colo de fêmur; 02
(10,0%), fraturas diafisárias; e 01 (2,5%) teve fratura condiliana. Quanto ao tipo de
deambulante, 23 (57,5%) são deambulantes domiciliares; e 17 (42,5%), deambulantes
sociais.
Tabela 9 – Número e porcentagem referente a utensílio ou aditamento utilizado para
deambulação, tipo de fratura e tipo de deambulante.
VARIÁVEL
Utensílio utilizado para
deambulação
CATEGORIA
NÚMERO
PORCENTAGEM
Nenhum
Bengala
Andador
Muletas
11
24
04
01
27,5
60,0
10,0
2,5
Colo de fêmur
Transtrocanteriana
Diafisária
Condiliana
14
23
02
01
35,0
57,0
10,0
2,5
Domiciliar
Social
Total
23
17
40
57,5
42,5
100,0
Tipo de fratura
Tipo de deambulante
Fonte: HSPESP (2010/2011).
4.11 Associação Estatística Quanto ao Local e Frequência de Queda Atual,
Segundo o Sexo
Existe associação estatisticamente significativa entre o local da queda e o sexo
(p = 0,001), onde a maioria das mulheres cai em casa (90,3%) e a maioria dos
homens cai na rua (66,7%). Existe associação estaticamente significativa entre a
frequência de quedas e os sexos, onde as mulheres sempre caem (96,8%) e a
maioria dos homens cai raramente e/ou dificilmente (66,7%).
93
Tabela 10 – Associação estatística quanto ao local e frequência de queda atual, segundo o
sexo.
VARIÁVEL
CATEGORIA
FEMININO
Nº
%
MASCULINO
Nº
%
Rua
Casa
03
28
9,7
90,3
06
03
66,7
33,3
Raramente/Dificilmente
Sempre
01
30
3,2
96,8
06
03
66,7
33,3
P
Local da queda
0,001
0,001
Frequência de
queda
Realizou
fisioterapia antes
da queda
Fonte: HSPESP (2010/2011).
0,001
0,001
94
5 DISCUSSÃO
Não é fácil imaginar que nosso próprio corpo, tão cheio de frescor e muitas
vezes de sensações agradáveis, pode ficar vagaroso, cansado e desajeitado.
Não podemos imaginá-lo, e, no fundo, não o queremos. Dito de outra
maneira, a identificação com os velhos e com os moribundos
compreensivelmente coloca dificuldades especiais para as pessoas de outras
faixas etárias. Consciente ou inconscientemente, elas resistem à idéia de seu
próprio envelhecimento e morte tanto quanto possível. (ELIAS, 2001, p. 80).
O processo de envelhecimento do corpo é peculiar à individualidade de cada
ser e acontece pela ação do tempo. Nosso corpo tem diferentes formas de se
comunicar com o mundo. Acredita-se que todas as formas de comunicação se
revelam através de nossos movimentos. Portanto, nosso corpo configura-se como um
grande comunicador e condutor de todas as nossas emoções.
Por mais que 40% dos pacientes deste estudo acreditassem que uma queda
grave poderia ocorrer em suas vidas, foi impossível para eles imaginar a situação na
qual se encontravam. A fratura femoral produziu um choque ao observar a decadência
funcional do próprio corpo; de um ponto de vista externo à “sua decadência funcional”,
simbolizava o princípio de seu fim.
É indispensável refletir sobre a complexidade de sentir o corpo e perceber no
corpo
uma
fratura
femoral.
Nessa
perspectiva,
Mucida
(2004)
elucidou
pertinentemente que na velhice o real da castração se impõe de forma irrevogável,
uma vez que as perdas, não somente as relacionadas à imagem corporal, remetem o
sujeito à fase do espelho quebrado, pois, se na infância essa fase remete a uma
imagem totalizante, na velhice, o idoso se depara com um corpo fragmentado,
despedaçado, corpo para a morte.
[essa] vivência de despedaçamento vivida muitas vezes na velhice é, ao
contrário, uma antecipação sem retorno, pois várias mudanças em curso não
oferecem perspectivas de novas aquisições. Ao contrário, tratando-se da
imagem, são perdas que não encontram nenhuma reparação e com as quais
o sujeito deverá se conformar e se adaptar. (MUCIDA, 2004, p. 109).
Como escutar um corpo se por muitas vezes ele é negado? Como reagir e até
mesmo prevenir quedas com um corpo que não lhes parece seu? Seria a queda na
95
velhice uma violação exaustiva de um organismo num corpo sem diálogo,
desconhecido, sem identificação? Como viver num corpo parcialmente ou totalmente
estranho para nós?
Novamente entra em cena o sofrimento subjetivo/social vivenciado de maneira
diferente em cada idoso. A percepção do corpo é diferente da vivencia dele, e tal fato
instaura um mal-estar que deve ser elaborado para que esse idoso não viva em
descompasso. Os resultados encontrados neste estudo possuem significados muito
relevantes, pois a fratura femoral pode levar o idoso à injúria, incapacidade funcional e
à morte.
Acredita-se que o organismo emite evidências sutis ao corpo de que a queda
pode ocorrer. Algumas intervenções para prevenir quedas incluem treinamento de
força, equilíbrio, modificações ambientais, redução de fármacos etc. Dessa forma, a
prevalência de quedas entre os idosos pode ser reduzida drasticamente com
programas antiquedas, que contemplem a educação preventiva por meio de ações na
área da educação, da saúde, da habitação, do planejamento urbano e da previdência
social, respeitando a subjetividade.
Para Goldfarb (2006), a condição de fragilidade será maior se, ante a realidade
de perdas funcionais, afetivas, sociais e existenciais, o sujeito se sentir desamparado
e não encontrar situação de ajuda, amparo ou proteção.
A fratura femoral torna-se um evento que produz no idoso um choque de
realidade, pois o mesmo não se apropria desse corpo envelhecido e “frágil”; o que
pode levá-lo a diferentes perspectivas de sua vida, principalmente quando o que está
em jogo, nas entrelinhas, é a ideia de finitude. Seu “padrão” de corpo é baseado em
valores sociais e culturais vigentes em sua sociedade; a imagem construída a partir da
expectativa do outro que cria normas e regras baseadas na generalização, em
modelos de perfeição a serem seguidos. Porém, a incidência da fratura femoral
evidencia que tal modelo não pode ser seguido, e, nesse contexto, o idoso sofre por
não conseguir ser aquilo estipulado pelo outro, não reconhece os limites de seu corpo
e o próprio processo de envelhecimento.
De acordo com Motta (2002), o sentimento que temos do corpo nos produz
uma inquietante estranheza, algo familiar, longe do imaginário idealizado. Como
descreveu, pensar a si próprio é na velhice um duplo exercício, pois, à medida que o
sujeito se define, o faz por contraste com o outro. Inclusive com aquele outro que é o
seu eu jovem.
96
Quando se avalia os dados da literatura, não se encontra estudo cruzando sexo
e causa, o que seria muito conveniente para direcionar os principais objetivos de uma
campanha de prevenção.
Na avaliação do tipo de fratura mais comum, tivemos como resultado, neste
estudo, que 57,0% dos idosos sofreram fratura transtrocanteriana (Tabela 9). O que
vai ao encontro do apresentado na literatura, que aponta que essas fraturas
representam as maiores incidências de fraturas do fêmur proximal.
Assunção et al. (2009) selecionaram 31 pacientes (18 mulheres e 11 homens)
com
o
diagnóstico
atropelamentos). Os
de
fratura
pacientes
transtrocanteriana
foram submetidos
(que
a
sofreram
tratamento
queda
e
cirúrgico
e
acompanhados por um período de seis meses após a data do trauma. No período de
setembro de 2005 a agosto de 2006, 11 pacientes não possuíam história de quedas
prévias, 11 tiveram antecedentes de quedas sem fraturas e 9 tinham história de
quedas com fraturas (anteriores). No acompanhamento ambulatorial, foram avaliados:
início da marcha com ou sem apoio, qualidade da marcha, grau de mobilidade e
complicações ortopédicas e clínicas. O estudo identificou quatro novas informações: o
número de doenças pregressas deve ser menor que quatro; não ter sofrido fraturas
concomitantes à fratura transtrocanteriana; início da marcha anterior a 30 dias; e
ausência de complicações ortopédicas no pós-operatório.
Para Sakaki et al. (2004), existe uma influência importante da fratura do fêmur
proximal na sobrevida desses pacientes, principalmente se forem comparados os
índices encontrados na população sem fraturas. A taxa de mortalidade em quatro
meses salta de zero para aqueles sem nenhuma doença associada para 4% quando
há uma, 15% quando há duas, 26% quando há três e 47% quando há quatro ou mais
doenças concomitantes à fratura femoral. A escala de risco anestésico da Sociedade
Americana de Anestesia (American Society of Anestesiology) relaciona-se diretamente
à presença de um número maior de doenças crônicas. Dessa forma, Dzupa et al.
(2002 apud SASAKI et al., 2004) encontraram uma incidência maior de mortes após a
fratura de fêmur nos idosos com ASA maior. Aqueles com ASA 1 têm 0%, ASA 2 têm
4,3%, ASA 3 têm 21,3%, ASA 4 têm 42,1% e ASA 5 têm 68,9% de mortalidade em um
ano.
A falta de recursos financeiros dos idosos se traduz em precariedade de
adequação ambiental frente às atuais necessidades e/ou limitações funcionais. Em
alguns casos faltam recursos financeiros para adaptações ambientais, que são
97
observadas “tardiamente” após o episódio da queda com a fratura femoral e/ou a
limitação funcional já instalada.
Ornstein, Prado e Lopes (2010) aludem sobre a dificuldade de mudança
ambiental dos idosos, pois o sentimento de apego ao lugar em que vivem mostrou-se
muito dependente da qualidade da experiência dos idosos com os ambientes e com
as lembranças associadas a tais locais, independentemente do tempo de moradia na
área.
Para Doll (2002), a viuvez sempre teve uma conotação feminina, sendo
principalmente
relacionada
às
mulheres, pois
as
viúvas
sofrem
mais
as
consequências, como perda do papel social, diminuição ou perda total da renda e
isolamento social. Este último é mais evidente quando a identidade da mulher é
fortemente ligada ao marido. Entre os homens idosos, a perda da companheira pode
ser agravada por eventos que geralmente ocorrem nessa fase da vida, como
aposentadoria e outras perdas de papéis sociais, o que, de acordo com Doll (2002),
aumenta os riscos de problemas psicológicos, como a depressão. A maioria (55%) de
nossos idosos pesquisados vive civilmente em viuvez.
Neste estudo as fraturas ocorreram mais entre as mulheres 77,5% (conforme
observado na Tabela 1). A diferença por sexo e a incidência de quedas encontrada no
estudo está em consonância com a prevalência de sexo na literatura já descrita, uma
vez que aproximadamente 40% das quedas ocorrem em mulheres com mais de 75
anos de idade resultam em fraturas, comparados com 27% em homens.
Brito e Costa (2001) descreveram em estudo epidemiológico que as mulheres
apresentam taxas mais elevadas de quedas do que os homens, e que esta aumenta
conforme a idade, subindo de 30 a 50 quedas por 100 pessoas/ano na idade de 65
anos, para 60 a 90 quedas por 100 pessoas/ano naqueles idosos com mais de 75
anos.
Em virtude das alterações hormonais da menopausa, a taxa de perda óssea da
mulher acentua-se após esse evento, fazendo com que esta venha a apresentar um
risco de fratura três vezes maior do que o homem. Também se acredita que o
fenômeno da feminilização da velhice pode estar relacionado, visto que as quedas são
frequentes em determinados idosos. De acordo com o IBGE (2010), as mulheres
idosas são maioria, com 55,8%, assim como os brancos, com 55,4%.
Quanto aos aspectos ocupacionais (conforme observado na Tabela 2), a
prevalência de quedas nesse estudo foi de 35,0% para as donas de casa, mulheres
98
que cuidam do lar, e com baixa escolaridade. A dor crônica pode ser um dos fatores
para a ocorrência de quedas. Segundo alguns estudos sobre a dor crônica, ela é
prevalente e pouco combatida em donas de casa (Gráfico 4).
Gráfico 4 – Associação quanto à ocupação profissional e sexo.
5,0%
2,5%
2,5%
2,5%
2,5%
5,0%
2,5%
2,5%
2,5%
2,5%
2,5%
5,0%
10,0%
35,0%
2,5%
5,0%
5,0%
2,5%
2,5%
Administrador Escolar (M)
Auxiliar de Enfermagem (F)
Atendente de Enfermagem (F)
Auxiliar de Terapia Ocupacional (F)
Cabeleireira (F)
Costureira (F)
Dentista (F/M)
Do Lar (F)
Empregada Doméstica (F)
Faxineira (F)
Gerente de Compras (M)
Inspetor de Ensino (F)
Mecânico de Autos (M)
Motorista (M)
Pedreiro (M)
Perita Contábil (F)
Professor (F)
Secretária (F)
Tecelã (F)
Fonte: HSPESP (2010/2011).
De acordo com os estudos de Latorre et al. (2010) sobre prevalência de dor e
escolaridade, entre as pessoas com 15 anos ou mais de estudo, a prevalência de dor
foi de 23,5%, chegando a 33,7% entre os analfabetos. A dor está mais presente em
aposentados (36,0%), autônomos (35,7%) e donas de casa (33,3%).
Quanto à moradia, 75% dos idosos pesquisados (conforme observado na
Tabela 1) possuíam casa própria; e 45% tinham filhos morando com eles (Tabela 3), o
que significa que esse idoso é fundamental para economia familiar.
Pelas projeções do IPEA (2009), a participação dos idosos na renda familiar
cresceu não só pelos ganhos de aposentadorias e pensões, mas também pelos
rendimentos vindos do trabalho. Essa situação esboça uma população menos
99
dependente de filhos e netos. O número de idosos chefes de família aumentou,
passando a ser a condição predominante inclusive para as mulheres. Em 2009,
aproximadamente 13,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos eram chefes de
família; destes, 42,7% eram mulheres. Em cerca de 6 milhões de famílias em que o
idoso era chefe ou cônjuge, havia filhos adultos, e, em 2,3 milhões de famílias, havia
netos. Nessas famílias, os idosos contribuíam com mais da metade da renda familiar,
invertendo uma tradicional relação de dependência.
Dos idosos pesquisados, 72,5% tinham cuidador familiar (Tabela 3). De acordo
com o Ministério da Saúde (2008), nem sempre se pode escolher ser cuidador,
principalmente quando a pessoa cuidada é um familiar ou amigo. É fundamental ter a
compreensão de se tratar de uma tarefa nobre, porém complexa, permeada por
sentimentos diversos e contraditórios.
Para Karsch (1998), as ações de cuidar de um idoso dependente são
entendidas como algo inerente e natural às pessoas, sem uma contextualização
sócio-histórica e mesmo cultural. Sem o conhecimento técnico dos cuidados, a pessoa
que assume essa tarefa se vê sem saber como começá-las e terminá-las.
Cuidar de um idoso pós-fratura femoral é uma atividade nova e inesperada.
Então, estaria o cuidador familiar preparado para tal atividade, ou o ato de cuidar
configuraria uma necessidade?
Um dado alarmante encontrado neste estudo foi que 97,5% dos idosos faziam
uso de mais de três medicações diárias. Nesse sentido, Hamra, Ribeiro e Miguel
(2007) desenvolveram um estudo sobre a correlação entre fratura por queda em
idosos e uso prévio de medicamentos. É impressionante como o uso de
medicamentos por idosos é frequente e tem crescido a cada dia em virtude do
aumento da expectativa de vida no Brasil. Algumas dessas drogas, quando
administradas, podem provocar efeitos colaterais, como tontura e diminuição dos
reflexos, podendo ocasionar quedas e consequentes fraturas.
Drogas psicotrópicas, cardiovasculares, corticosteroides e anti-inflamatórios
não hormonais são as mais frequentes. As drogas psicotrópicas, particularmente os
benzodiazepínicos (meia-vida curta ou longa) e neurolépticos (típicos e atípicos) têm
sido mais constantemente relacionadas ao risco de quedas. Wang et al. (2001) e
Landi et al. (2005) ampliaram seus estudos para residentes de casas de repouso que
faziam uso de mais de quatro medicações prescritas e concluíram que estes
apresentaram risco até três vezes maior de quedas.
100
Hamra, Ribeiro e Miguel (2007) realizaram um estudo no ano de 2004 com 205
pacientes a partir de 60 anos de idade internados com fratura por queda e
compararam estatisticamente com um grupo-controle de 205 pacientes do mesmo
grupo etário sem fratura. Nesse trabalho ficou evidente que o uso de medicamentos
pode ser considerado como fator de risco para fratura por queda.
No presente estudo, constatou-se que dos 97,5% dos idosos que faziam uso de
medicação somente 7,5% sabiam o nome das medicações diárias (Tabela 4). Sem
saber o nome do medicamento, poderia esse sujeito esquecer ou trocar alguma
embalagem, ou até mesmo reproduzir a ingesta, sofrer um mal-estar e cair? Os idosos
recebiam as medicações de seus cuidadores, ou ingeriam seus medicamentos, pelo
rotineiro e pouco confiável hábito de reconhecimento da embalagem, um dado
“alarmante” no que tange a medicalização do idoso.
O uso de óculos foi frequente em 80% dos pacientes e no momento da queda
somente 20% estavam de óculos (conforme a Tabela 4). Desses idosos, 20% não
lembravam ou não sabiam quando tinham passado em consulta com um
oftalmologista nos últimos 11 anos.
Para Ramrattan et al. (2001), Romani (2005) e Jessa et al. (2007), o declínio na
função visual dos idosos é fonte de preocupação no âmbito da saúde pública. Mesmo
com alta prevalência de debilidade visual, a maioria dos idosos não refere queixa da
visão por considerar esse déficit típico da idade avançada.
Sakaki et al. (2004) estudaram a mortalidade na fratura proximal de fêmur em
idosos e identificaram quatro fatores intimamente relacionados a uma maior
mortalidade nesses pacientes: idade avançada, grande número de doenças
associadas, sexo masculino e presença de deficiências cognitivas. Outros fatores
mostraram uma fraca correlação com a mortalidade, como capacidade deambulatória
prévia, índice de risco anestésico da Sociedade Americana de Anestesia (ASA),
anemia, hipoalbuminemia, linfopenia e existência de AVC prévio.
Fabrício et al. (2004) realizaram um estudo sobre causas e consequências de
quedas em idosos atendidos em hospital público de Ribeirão Preto, com amostra de
50 idosos de ambos sexos que haviam sido atendidos em duas unidades de um
hospital público. Os dados obtidos mostraram uma realidade que não difere muito da
encontrada neste estudo, a maioria das quedas ocorreu em idosos do sexo feminino
(66%), com idade média de 76 anos, e as quedas ocorreram no próprio lar do idoso
(66%).
101
Barbosa e Nascimento (2001) realizaram um estudo retrospectivo com o
objetivo de levantar o número de idosos que foram internados num hospital geral em
Taubaté devido a quedas no período de janeiro de 1993 a dezembro de 1997. Foram
estudados 481 pacientes: 66,5% eram mulheres e 25,1% destas estavam na faixa
etária acima de 81 anos de idade; 74,8% dos pacientes estudados tiveram trauma em
membros inferiores com predomínio de fraturas femorais; 64,0% tinham alguma
doença associada, antes da queda; e 7,9% dos pacientes morreram durante o período
de internação.
Tida (2005 apud ORNSTEIN; PRADO; LOPES, 2010) adverte que pessoas
com 60 anos precisam do triplo da intensidade de luz em relação ao jovem de 20
anos. A idade afeta a fadiga visual de diversas maneiras. Se torna difícil focalizar
objetos próximos por endurecimento das lentes.
É salutar mencionar que a audição é o principal canal sensorial para obtenção
de informações sensoriais e espaciais distantes do indivíduo. É a partir da percepção
que desenvolvemos a orientação espacial.
Berger e Porell (2008), Bicas (2002) e WHO (2004), citados por Luiz et al.
(2009) afirmam que o
comprometimento visual é usualmente definido pelo valor da acuidade visual,
que é parte da visão funcional de um indivíduo. A acuidade visual é o
parâmetro que expressa de forma mais genérica a capacidade de
discriminação de formas e contrastes, além de ser um método para se medir
o reconhecimento da distância entre dois pontos no espaço e da resolução de
suas respectivas imagens sobre a retina. É o melhor valor que, sozinho,
caracteriza a perda visual, sendo utilizado como critério para definir o
comprometimento visual pela Organização Mundial da Saúde. (p. 445).
Assim, de acordo com o estudo de Luiz et al. (2009), a dificuldade de
permanecer estável frente a ambientes e tarefas complexas pode predispor o idoso às
quedas. É importante que os idosos tenham conhecimento sobre como a deficiência
visual afeta a execução das tarefas do cotidiano e o equilíbrio na interação com o
ambiente, predispondo à queda. Para a WHO (2004 apud LUIZ et al., 2009), as
projeções baseadas na população mundial preveem 75 milhões de cegos em 2020,
sendo que as estimativas em relação à baixa visão afetam aproximadamente três
vezes mais pessoas. Nesse estudo, Luiz et al. (2009) não mencionaram a associação
102
de problemas visuais em pacientes dementes, o que aumentaria relativamente a
probabilidade de quedas.
A doença crônica mais comum encontrada (conforme Tabela 5 e Gráfico 5) foi
a HAS, com 85% de prevalência, sendo o fator de risco principal para o AVC. O que
demonstra que as doenças crônicas aumentam a incidência de quedas. A segunda
incidência de doença crônica foi o diabetes, com 42,5%. A diabetes, para os
pesquisadores Alvarenga, Pereira e Anjos (2010), proporciona o declínio da
funcionalidade motora e o surgimento de déficits cognitivos relacionados a processos
mais complexos, como a função executiva, o que pode levar a um maior risco de
quedas. A terceira prevalência de doenças pregressas à fratura femoral foi a
osteoporose, com a prevalência de 41% nos idosos estudados. Na União Europeia, a
cada 30 segundos uma pessoa sofre de fratura em virtude da osteoporose. Estima-se
que em 2050, na América Latina e na Ásia, a frequência de fraturas no fêmur e quadril
decorrente da osteoporose deverá ser para um em cada dois casos. Outras pesquisas
mostram que no Oriente Médio vai triplicar o número de fraturas no quadril causadas
pela doença, nos próximos 20 anos. O Gráfico 5, a seguir, apresenta as principais
doenças pregressas encontradas na população desta pesquisa.
103
Gráfico 5 – Porcentagem de doenças pregressas encontradas nos pacientes com fratura
femoral.
17,5%
15,0%
15,0%
17,5%
10,0%
15,0%
7,5%
7,5%
41,0%
7,5%
7,5%
7,5%
7,5%
42,5%
5,0%
5,0%
85,0%
2,5%
2,5%
HAS
DOENÇA CARDÍACA
DEPRESSÃO
CANCER
NEUROPATIA
AMP. TRANSMETATÁRSICA
AMP. TRANSTIBIAL
INSUF. RENAL
DIABETES MELLITUS
PARKINSON
LABIRINTITE
AVC
GLAUCOMA
EPILEPSIA
TRANSTORNO BIPOLAR
2,5%
5,0%
2,5%
OSTEOPOROSE
DPOC
ALZHEIMER
DEMÊNCIA
GASTRITE
HIPERPLASIA DE PRÓSTATA
DOENÇA DE PAGET
Fonte: HSPESP (2010/2011).
Problemas nos pés (conforme Tabela 6) somaram 60%, que em uma somatória
fatorial podem estar relacionados a maiores chances do idoso cair.
De todos os idosos que realizam sessões de fisioterapia pregressas a fraturas
consequentes de quedas, segundo identificaram Álvares, Lima e Silva (2010), a
ocorrência de reumatismo e doenças da coluna apresentou maior prevalência nas
quedas seguidas de fraturas. Estudos têm verificado que o processo degenerativo
causado pela osteoartrose influencia na redução da capacidade física, desencadeia
processo álgico e interfere no equilíbrio ou controle da postura, o que por sua vez
favorece os episódios de quedas.
Neste estudo, 57,5% dos idosos estudados que realizavam fisioterapia
pregressa à queda identificaram a diminuição da marcha e prevenção de quedas
como objetivo da fisioterapia (conforme Tabela 6).
104
É expressivo que 82,5% dos idosos estudados sempre sofriam quedas durante
os últimos 365 dias (Tabela 7). Sua recorrência pode ser evitada com medidas
preventivas adequadas, identificando causas e desenvolvendo métodos para reduzir
sua ocorrência. É necessário que o idoso entenda por que ele caiu, somente assim
ele poderá evitar. Para prevenir quedas, é necessária uma criteriosa avaliação que
predispõe avaliação multiprofissional com levantamento multifatorial de riscos
eminentes. A educação pode compulsar soluções específicas com particularidades
subjetivas, visto que o envelhecimento, a velhice, a funcionalidade, as doenças e a
queda são particulares a cada sujeito. Detectar e controlar os fatores de risco
ambientais, fisiológicos e patológicos devem ser obrigatórios aos profissionais da
saúde.
No que se refere ao socorro imediato (conforme Tabela 7), 70% foram
socorridos em até 59 minutos. A frequência do horário da queda dos idosos estudados
(Tabela 8) prevaleceu no período da manhã, com 42,5%. É salutar observar que em
pacientes com déficits de memória (quando a queda ocorria sem que o familiar e/ou
cuidador estivesse presente) o socorro demorou devido à pouca colaboração do
paciente e credibilidade da família e/ou cuidador, mesmo quando o idoso apresentava
queixas persistentes de dor.
O local mais comum de ocorrência de quedas foi a casa (Tabela 11), com
77,5%; a rua obteve 22,5%. O idoso que cai em casa geralmente é considerado mais
dependente, mesmo que tenha a marcha preservada; é provável que ele seja um
deambulante predominantemente domiciliar. Com raras exceções, o idoso que cai na
rua sai sozinho, e, eventualmente, cai por causa de buracos, má-iluminação, ou pela
junção de fatores já descritos neste trabalho. Seriam esses pacientes obrigados a
privatizarem suas vidas, sendo excluídos socialmente porque a nossa cidade não está
devidamente adaptada para elencar o idoso no dia a dia?
Ornstein, Prado e Lopes (2010) descreveram a difícil tarefa de envelhecer em
uma cidade sem conforto:
As calçadas representam, em sua maioria, um risco de queda para a
população que envelhece e que apresenta uma diminuição da densidade
óssea e do equilíbrio. Estas calçadas em geral apresentam-se com
pavimentação inadequada, pisos irregulares e escorregadios, com desníveis
vencidos por degraus ou rampas muito íngremes. São ocupadas por lixeiras e
telefones nas áreas de circulação. (p. 62).
105
Persistindo no assunto, os autores descreveram o amedrontamento do idoso
aos transportes coletivos, começando pelos altos degraus, o vão entre as plataformas
e os veículos, além de todo o sistema, que compreende os acessos e circulação nos
pontos de parada, terminais ou estações nada adequados à fragilidade dessas
pessoas. O que se torna ainda pior, se forem consideradas as barreiras psicológicas e
a percepção de estarem inseridos em um local que não os acolha.
Quando a queda ocorria no lar, o local de prevalência (Tabela 8) foi o quarto,
com 22,5%. Os pacientes deste estudo passavam grande parte do tempo em casa,
visto que a queda na sala teve um percentual de 12,5%. Esses idosos descreveram
uma
vida com poucos passeios sociais, isto é, eram predominantemente
deambulantes domiciliares. As mulheres (90%) caíram mais em casa (Tabela 11),
enquanto os homens (66,7%) caíram mais na rua. Quanto à frequência de quedas, as
mulheres (96,8%) sempre caíam, os homens (66,7%) “relataram” que raramente
sofriam quedas. Essa pergunta (sobre a frequência de quedas) foi repetida por duas
vezes, com contradição de respostas, no entanto foram consideradas as duas
respostas e decidiu-se descrevê-las em diferentes momentos.
Proteções que se encaixam sobre a cabeça do fêmur podem reduzir em até
84% o risco de fraturas no quadril ou cabeça do fêmur. Segundo a OMS (2007), o
novo produto já está em uso nos Estados Unidos e promete eliminar entre 252 mil a
300 mil casos de fraturas entre os idosos. Naquele país, cerca de um em cada quatro
idosos hospitalizados por fraturas desse tipo morre no período de um ano. Cada
protetor, no formato de uma mão e posicionado no local por uma roupa íntima
elástica, é desenhado para proteger a cabeça do fêmur próxima ao ponto de encontro
com o quadril. Quando ocorrer a queda, o dispositivo deslocará a força do impacto
para longe, protegendo o quadril e a cabeça do fêmur. Espera-se que em breve esse
mecanismo esteja em teste no Brasil e disponível gratuitamente nos serviços de
saúde pública brasileiros.
A adaptação ambiental é fundamental e a urbanização dos espaços públicos é
um passo importante para reduzir riscos de quedas, além de incentivar e criar
condições para o idoso frequentar novos ambientes sociais, desenvolver atividades
fora de casa, melhorar a autoestima e elevar a qualidade de vida.
106
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo descreveu o perfil da população estudada: a idade variou de
62 a 97 anos, com média de idade igual a 78,9 anos, desvio padrão de 9,5 anos (dp =
9,5 anos) e mediana de 79 anos.
A partir do levantamento multifatorial de um idoso com alto risco de quedas,
tem-se a prevalência dos seguintes perfis: 77,5% são do sexo feminino; 55% viúvos;
20% com ensino médio completo; 72,5% aposentados; 82,5% brancos; 47,5%
nascidos no interior do estado de São Paulo; 75% possuíam residência própria; 72,5%
recebiam cuidados, quando necessário, de um cuidador familiar; e 45% tinham filhos
que moravam em sua residência.
Concernente ao uso de medicação, 97,5% faziam uso de medicação diária e
90% não sabiam ou não lembravam o nome da medicação. Oitenta por cento dos
idosos tinham alterações visuais, com necessidade de usar óculos; no momento da
fratura, 20% faziam uso de seus óculos. Vinte por cento foram ao oftalmologista num
intervalo de 2 anos e 1 dia a 4 anos; concomitantemente, 20% não lembravam se
tinham passado no oftalmologista para consulta e/ou exames periódicos.
A doença crônica prevalente, com 85%, foi a HAS, seguida por 42,5% de
diabetes mellitus e 41% com Osteoporose. Setenta e nove por cento não
apresentaram problemas nos pés. Cinquenta e sete vírgula cinco por cento já
realizaram fisioterapia alguma vez, sendo 10% objetivavam a melhora da marcha e
quedas.
Preponderaram na ocorrência de queda anual, 82,5% do total; 70% dos idosos
receberam socorro em até 70 minutos; 42,5% sofreram a fratura pela manhã; 80% dos
idosos sofriam quedas frequentes antes da fratura atual; e 77,5% sofreram queda em
casa.
A prevalência do local de quedas em casa foi 22,5% no quarto, 42,5%
realizavam AVDs sem auxílio e a mesma proporção realizava AVDs com pequenos
auxílios; 40% dos idosos imaginavam que poderiam um dia sofrer uma queda com
complicações ósseas; 97,4% permaneceram conscientes após a fratura; e 75%
apresentavam tremor antes da fratura.
107
Teve-se a predominância (72,5%) da marcha independente com pequeno
auxílio de aditamento para marcha; 60% dos idosos que utilizavam aditamento
usavam a bengala. A fratura predominante, com 57%, foi a transtrocanteriana; e
57,5% eram deambulantes domiciliares.
O local da queda segundo sexo revelou que 90,3% das mulheres caíram em
casa e 66,7% dos homens sofreram queda na rua.
Após descrever o perfil sociodemográfico dos idosos deste estudo, conclui-se
que não existe um fator isolado de risco para quedas em idosos. Portanto, os achados
deste estudo constituem fontes importantíssimas acerca de quedas em idosos,
principalmente quando vistas em conjunto, podendo fornecer um cenário para a
implantação de ações preventivas pertinentes ao tema.
As expressões vivas do corpo frente à queda na velhice são multifatoriais. Por
isso, sugere-se que investigações posteriores contemplem o perfil sociodemográfico
de idosos com fratura de fêmur pós-queda, com uma população mais abrangente, em
outras regiões do país e em outros níveis de atenção à saúde, tendo em vista a
relevância da temática.
Por fim, ressalta-se a importância de uma reflexão crítica das expressões
multifatoriais vivas do corpo frente à queda na velhice, as quais são impostas pelo
corpo idoso.
108
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2010.
117
ANEXOS
Anexo 1 – TCLE: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido9
Você é convidado a participar, como voluntário, em uma pesquisa sobre: O perfil das quedas em idosos
com fratura de fêmur EM NECESSIDADE DE INTERVENÇÃO CIRÚRGICA atendidos pela equipe de
ortopedia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Que visa descrever o perfil dos idosos
com história de queda, identificando fatores e o local de ocorrência. Após ser esclarecido (a) sobre as
informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assinale ao final deste documento, que está em
duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado
de forma alguma e poderá deixar de participar do estudo. Em qualquer eta pa do estudo, você terá acesso aos
profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimento de eventuais dúvidas. As informações obtidas serão
analisadas em conjunto com outros pacientes, não sendo divulgada a identificação de nenhum paciente, não há
despesas pessoais para o paciente em qualquer fase do estudo, também não há compensação financeira
relacionada a sua participação.
A pesquisadora se compromete em utilizar os dados somente para esta pesquisa ou eventuais que
decorrer do trabalho mencionado. A principal investigadora é a Senhora: ANA ELISA SENA KLEIN DA ROSA , que
pode ser encontrada no endereço:1.800 da Pedro de Toledo, no Hospital do Servidor Público Estadual de São
Paulo, no setor de ortopedia de Segunda a Sexta feira no período da 08:0 0 às 12:00 horas, telefone: 6218 – 2635,
se você tiver alguma dúvida sobre a ética da pesquisa, entre em contato com o comitê de ética em pesquisa: CEP
– Rua Pedro de Toledo, 1.800, sala 348, 3º andar, ala central, fone/fax: 5088 -8175.
Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou que foram lidas para mim,
descrevendo o estudo sobre: O perfil das quedas em idosos com fratura de fêmur EM NECESSIDADE DE
INTERVENÇÃO CIRÚRGICA atendidos em fase pré-operatória pela equipe de ortopedia no Hospital do
Servidor Público Estadual de São Paulo.
Discuti com o Srº (a)_________________________________________________
Sobre minha decisão em participar deste estudo. Ficaram claros os propósitos, procedimentos, seus desconfortos,
garantias de confidencialidades e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro que minha participação é isenta de
despesas, deste estudo. Concordo voluntariamente em participar deste estudo e poderei retirar meu consentimento
a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidades em meu atendimento neste serviço. EU,
___________________________RG: _______________, abaixo assinado, concordo em participar do estudo
sobre: O perfil dos usuários idosos com fratura de quadril atendidos pela equipe de ortopedia n o Hospital do
Servidor Público Estadual de São Paulo, como sujeito. Fui devidamente informado (a) e esclarecido pela
pesquisadora ANA ELISA SENA KLEIN DA ROSA - sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim
como os benefícios de minha participação. Foi garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento,
sem que isso interrompa meu tratamento nessa instituição.
LOCAL:HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL DE SÃO PAULO.
________________________________________________Data: ___/___/______
Assinatura do paciente ou responsável legal
________________________________________________Data: ___/___/______
Assinatura da Testemunha
9
De acordo com a resolução 196/96 do conselho nacional de saúde.
118
*Para pacientes analfabetos ou com alteração auditiva ou visual, ou demências.
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o consentimento livre e esclarecido deste paciente
ou representante legal para a participação deste estudo.
__________________________________________Data: ___/___/______
Assinatura do Responsável Pelo Estudo
119
Anexo 2 – Autorização de Uso e Imagem
EU, ______________________________________________________________,
RG:_________________________________
CPF:_______________________
Residente:___________________________________________________________________________________
________CEP:_____________________________,
Estado___________________, BRASIL. Autorizo o uso de minha imagem, fotografada por Ana Elisa Sena Klein da
Rosa RG:________________CPF:___________________SÃO PAULO, BRASIL.
Para a pesquisa realizada no Servidor Público Estadual de São Paulo, que poderá ser utilizada em
trabalhos veiculados em território nacional e internacional em peças de PDV (display e banner), por tempo
indeterminado e sem fins lucrativos. Esta utilização não implicará em ônus financeiro para a pesquisadora.
Sua participação é absolutamente voluntária, asseguro sua identidade e sigilo, caso não queira participar do estudo
nada influenciará seu tratamento e cuidado hospitalar.
SÃO PAULO, _____/_____/__________.
Assinatura do fotografado:______________________________________________
Assinatura do pesquisador:_____________________________________________
Digital do fotografado (caso paciente seja analfabeto)
120
Anexo 3 – Questionário de Pacientes que Sofreram Fraturas no Fêmur: Hospital
do Servidor Público Estadual de São Paulo
Dia de Internação Hospitalar:__________________
Data da Avaliação____/____/_____Onde o senhor (a) está agora?________________
Nome:_____________________________________________________________
Endereço:__________________________________________________________
Telefone:() - _______________________ Celular:___________________________
Idade:____________________Data de Nascimento:______/______/____________
Local de Nascimento:________________________________________________
Há quanto tempo reside em São Paulo? __________________________________
Sexo: ( ) F / ( ) M . Tipo de Moradia: ( ) Casa; ( ) Apartamento; ( ) Instituição de longa permanência - Residência
Própria? ( ) Sim; ( ) Não ____________________
Raça: ( ) Negro; ( ) Branco; ( ) Amarelo; ( ) Pardo; ( ) _____________________
Estado civil: ( ) Casado; ( ) Solteiro; ( ) Viúvo; ( ) Divorciado; ( ) Separado, há quanto
tempo?_____________________________________________________________
É casado mais de uma vez? ( ) N; ( ) S
Existe alguma pessoa constituída para cuidar do (a) Sro (a) no hospital e em casa?
( ) N; ( ) S; Grau de parentesco ________________________________
Tem filhos? ( )N; ( ) S; Nº de filhos___________________________
Seus filhos moram com o (a) Senhor (a)? ( ) S; ( ) N Tem netos? ( ) N: ( ) S; Quantos? ______________________
Seus netos moram com o (a) Senhor (a)? ( ) S; ( ) N
Grau de instrução:
( ) analfabeto; ( ) alfabetizado; ( )ensino fundamental incompleto; ( ) Ensino fundamental completo; ( ) Ensino médio
incompleto; ( ) Ensino médio completo; ( )Ensino superior incompleto; ( ) Ensino superior completo;( ) pós
graduação incompleto; ( ) pós graduação completo, Curso de:_____________________
Profissão______________________________________________________
Aposentado: ( ) N; ( ) S; Há quanto tempo?____________________________
Trabalha em alguma outra função? ( ) N; ( ) S; Qual?_____________________
É tabagista? ( ) N; ( ) S; Quantos maços/ dia?____________________________
Etilista? ( ) N; ( ) S; O que bebe?_______________________________________
Quantas vezes ao dia faz uso de bebida alcoólica?_________________________
Já realizou alguma cirurgia no passado? ( ) N ; ( ) S ; Quais?________________
1.
Tem algum problema de saúde abaixo?
( ) Diabetes Mellitos; ( ) AVC; ( ) Osteoporose; ( )Hipertensão arterial sistêmica; ( ) câncer;( ) Doença
Cardiovascular; ( ) DPOC; ( ) Depressão; ( ) Parkinson; ( ) Não sabe; ( )Outras:________________________Faz
uso de medicação todos os dias? ( ) N; ( ) S,
2.
O
(A)
senhor
(a)
lembra
dos
nomes
de
seus
remédios
diários?
Quais?____________________________________________________
3.
Usa óculos? ( )N; ( )S
4.
No momento da queda estava com seu óculos? ( )N; ( )S
5.
Qual foi a última vez que passou no oftalmologista para fazer exame de vista?
( ) Não lembra; _________________________________________________
6.
Tem algum problema nos pés que prejudique seu andar? ( ) N; ( ) S;
(
)
Calosidades; (
)
Joanetes; (
) Deformidades
de unhas;
( )
ulceração; (
)
outras_________________________________________________________
7.
Já fez fisioterapia alguma vez na vida? ( ) N; ( ) S Com que finalidade?___
8.
No último ano o Sr(o) caiu alguma vez? ( ) N; ( ) S;
9.
sofreu alguma fratura ( )N; ( ) S;
10.
Qual parte do corpo foi fraturado?________________________________
11.
Conseguiu levantar imediatamente? ( )S; ( ) N;
12.
Quanto tempo demorou para ser socorrido (a)?____________________
13.
Que horário o (a) senhor (a) caiu?________________________________
14.
Como foi o socorro?
( ) Não houve ( ) foi imediato ( ) tardio
15.
Com que freqüência cai?
( ) raramente; ( ) Sempre; ( ) dificilmente; ( ) Primeira vez
16.
Em que lugar caiu?___________________________________________
17.
Quanto tempo ficou caído sem condições de pedir socorro?
______________________________________________________________
18.
Que atividades realizava antes da internação hospitalar no seu dia- a dia?
______________________________________________________________
19.
Relato do cuidador sobre o ocorrido:
______________________________________________________________
20.
Sabia que iria cair? ( ) S; ( ) N
121
21.
Após a queda sabia o que tinha ocorrido? ( ) S; ( )N;
22.
Desmaiou? ( ) N; ( ) S;
23.
Teve algum sintoma antes de cair?
( ) Tontura
( ) Vertigem
( ) Palpitações
( ) Falta de ar
( ) Fraqueza ou dormência no corpo
( ) Fala enrolada
( ) Fraqueza nas pernas
( ) Dificuldade em falar
( ) Flashes de luz
24.
Existiam relatos antigos de:
Fraqueza nas pernas?______________________________________
Tremor em repouso?________________________________________
Estado mental anormal?______________________________________
25.
Mobilidade antes da internação hospitalar:
( )deambulava independentemente;
( )deambulava com auxílio;
( )Não deambulava;
26.
Qual auxílio utilizava para marcha?
( )bengala;
( )andador;
( )bengala quadrangular
( ) cadeira de rodas, capaz de transferir-se independentemente;
( ) cadeira de rodas, incapaz de transferir-se precisa de ajuda para locomover-se e
Data : ___/___/______
____________________________
Assinatura do Pesquisador
Entrada: ______/______/__________.
Saída: ______/______/____________.
transferência.
122
Anexo 4 – Índice de Barthel
Activity Score
FEEDING
0 = unable
5 = needs help cutting, spreading butter, etc., or requires modif ied diet
10 = independent ______
BATHING
0 = dependent
5 = independent (or in shower) ______
GROOMING
0 = needs to help w ith personal care
5 = independent face/hair /teeth/shaving (implements provided) ______
DRESSING
0 = dependent
5 = needs help but can do about half unaided
10 = independent (including buttons, zips, laces, etc.) ______
BOWELS
0 = incontinent (or needs to be giv en enemas)
5 = occasional accident
10 = continent ______
BLADDER
0 = incontinent, or catheteriz ed and unable to manage alone
5 = occasional accident
10 = continent ______
TOILET USE
0 = dependent
5 = needs some help, but can do something alone
10 = independent (on and off, dressing, wiping) ______
TRANSFERS (BED TO CHAIR AND BACK)
0 = unable, no sitting balance
5 = major help (one or two people, physic al) , can sit
10 = minor help (verbal or physical)
15 = independent ______
MOBILITY (ON LEVEL SURFACES)
0 = immobile or < 50 yards
5 = wheelc hair independent, including corners, > 50 yards
10 = walks with help of one person (verbal or physic al) > 50 yards
15 = independent (but may use any aid; for example, stic k) > 50 yards ______
STAIRS
0 = unable
5 = needs help (verbal, physic al, carrying aid)
10 = independent ______
TOTAL (0–100): ______
123
Anexo 5 – Teste Minimental
Observar orientação, memória e fala. Realizar a Adaptação do Folstein Mini Mental Status Examination, em
pacientes diagnosticados com demência
Adaptação do Folstein MINI MENTAL Status Examination
Orientação Data (que dia é hoje ? registre os itens omitidos)
_________________________________________________
TOTAL
dia ( ), mês ( ), ano ( ), dia da semana ( ), manhã / tarde ( )
Orientação Local (onde você está ? pergunte os itens om itidos)
país ( ), estado ( ), cidade ( ), local ( ), andar ( )
Registro de objetos (nomeie clara e lentamente 3 objetos e peça ao paciente para repetir)
janela ( ), casaco ( ), relógio ( )
Sete Seriado (diminuir 7 de 100 sucessivamente ou soletrar MUNDO ao contrário)
93 ( ), 86 ( ), 79 ( ), 72 ( ), 65 ( ) ou O ( ), D ( ), N ( ), U ( ), M ( )
Recordar Objetos (relembrar os 3 objetos citados anteriormente)
janela ( ), casaco ( ), relógio ( )
Denominação (aponte para o relógio e pergunte “O que é isto ?”. Repita com um lápis)
relógio ( ), lápis ( )
Repetição (repetir a frase “casa de Ferreiro, espeto de pau” ou “nem aqui, nem ali, nem lá”)
repetição correta na 1ª tentativa ( )
Comando Verbal (pegue o pedaço de papel, dobre-o ao meio e coloque-o sobre a mesa)
pegar o papel ( ), dobrar ao meio ( ), colocar sobre a mesa ( )
Comando Escrito (mostrar um pedaço de papel com a frase “Feche os olhos”)
fechou os olhos ( )
Escrita (escrever uma frase)
________________________________________________
Sentença com sujeito + verbo e que faça sentido ( )
Desenho (copiar o desenho da interseção de 2 pentágonos)
figura com 10 cantos e 2 linhas de interseção ( )
TOTAL (máximo = 30)
Interpretação:
Somar um 1 ponto para cada um dos itens ( ) respondidos corretamente e registrar o total na coluna da direita. O
escore final é a soma dos pontos, sendo considerado normal quando superior a 24.
Bertolucci e col., 1994
aplicaram o FMMS em 530 brasileiros com vários graus de escolaridade e obtiveram os seguintes pontos de corte
para normalidade: analfabetos = 13; 1 a 8 anos escolaridade = 18 e > 8 anos escolaridade = 26
_____________________________________________
Assinatura do Paciente ou Responsável
______________________________
Assinatura do Pesquisador
Data:____/____/________.
124
Anexo 6 – Escala de Depressão Geriátrica
ESCALA GERIÁTRICA DE DEPRESSÃO
10
(Ye savage, 1983)
PACIENTE: ____________________________________________________
DATA DA AVALIAÇÃO: __________ AVALIADOR: _________________
1. Você está satisfeito com sua vida?
(
) Sim
(
) Não
2. Abandonou muitos de seus interesses e atividades?
(
) Sim
(
) Não
3. Sente que sua vida está vazia?
(
) Sim
(
) Não
) Sim
(
) Não
5. Você tem muita fé no futuro?
(
) Sim
(
) Não
6. Tem pensamentos negativos?
(
) Sim
(
) Não
7. Na maioria do tempo está de bom humor?
(
) Sim
(
) Não
) Sim
(
) Não
(
) Sim (
) Não
) Sim
(
) Não
11. Sente-se freqüentemente intranqüilo?
(
) Sim
(
) Não
12. Prefere ficar em casa em vez de sair?
(
) Sim
(
) Não
13. Preocupa-se muito com o futuro?
(
) Sim
(
) Não
) Sim
(
) Não
15. Acha bom estar vivo?
(
) Sim
(
) Não
16. Fica freqüentemente triste?
(
) Sim
(
) Não
17. Sente-se inútil?
(
) Sim
(
) Não
18. Preocupa-se muito com o passado?
(
) Sim
(
) Não
19. Acha a vida muito interessante?
(
) Sim
(
) Não
20. Para você é difícil começar novos projetos?
(
) Sim
(
) Não
21. Sente-se cheio de energia?
(
) Sim
(
) Não
22. Sente-se sem esperança?
(
) Sim
(
) Não
23. Acha que os outros têm mais sorte que você?
(
) Sim
(
) Não
24. Preocupa-se com coisas sem importância?
(
) Sim
(
) Não
25. Sente freqüentemente vontade de chorar?
(
) Sim
(
) Não
26. É difícil para você concentrar-se?
(
) Sim
(
) Não
4. Sente-se freqüentemente aborrecido?
(
8. Tem medo de que algo de mal vá lhe acontecer?
9. Sente-se feliz na maioria do tempo?
10. Sente-se freqüentemente desamparado, adoentado? (
14. Acha que tem mais probl de memória que os outros? (
10
Pontuação: 0 quando for diferente da resposta em negrito
1 quando for igual à resposta em negrito
Total > 10 = suspeita de depressão
(
125
27. Sente-se bem ao despertar?
(
) Sim
(
) Não
28. Prefere evitar as reuniões sociais?
(
) Sim
(
) Não
29. É fácil para você tomar decisões?
(
) Sim
(
) Não
) Sim
(
) Não
30. O seu raciocínio está tão claro quanto antigamente? (
126
Anexo 7 – Comprovante de Autorização do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)
do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo
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