Desidério Lázaro

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Desidério Lázaro
Subtractive Colors
Desidério Lázaro
Subtractive Colors
Desidério Lázaro saxofone tenor e soprano
João Capinha saxofone tenor e alto, flauta
Paulo Gaspar clarinete soprano e baixo
Mário Franco contrabaixo
João Hasselberg contrabaixo e baixo elétrico
Luís Candeias bateria
Convidados
Carolina Varela voz
João Neves voz
Rita Maria voz
Tatanka voz
29 outubro 2016
Pequeno Auditório / 21h / M/6
Produção: CCB
CULTUR G EST 2 0 1 6
© R O SA REIS
Desidério Lázaro apresenta o seu mais
recente projeto - Subtractive Colors (2015
Sintoma Records), celebrando o lugar de
intersecção entre a maturidade do seu
trabalho de composição e a riqueza de
interpretação de um excelente conjunto de
músicos nacionais.
CCB CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO ELÍSIO SUMMAVIELLE PRESIDENTE / ISABEL CORDEIRO VOGAL / MIGUEL LEAL COELHO VOGAL / JOÃO CARÉ . LUÍSA INÊS FERNANDES . RICARDO
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PARCEIRO INSTIT UCIONAL
PAR CEIR O MEDIA
TEMPOR ADA 2 0 1 6
O foco composicional centra-se na interação
e na improvisação entre os diversos timbres
em palco. Os estilos, presentes ao longo
das várias composições inéditas, variam
entre o jazz, a música clássica e o universo
do rock. A linguagem e a energia da banda
sonora de filmes e mesmo de videojogos
serviram como base inspiradora para o
processo de escrita. The end
As cores foram-se subtraindo ao longo,
sensivelmente, de dois anos, contados
a partir da edição do disco que nos veio
alertar que Desidério Lázaro não era
apenas um excelente saxofonista, mas
também um compositor com ideias tão
sólidas quanto intrigantes. Agora, o
projecto, este projecto de uma vida musical
de vários que muitos mais se espera que
venha a produzir no futuro, vê o seu fim.
Lázaro dá por terminada com este concerto
a digressão de Subtractive Colors pelos
caminhos de Portugal. Por ironia, tudo se
soma neste ajuste de contas com o mais
ambicioso empreendimento do jovem
tavirense que se afirmou como uma das
fascinantes personalidades do jazz que por
cá se pratica: o espectáculo do CCB é o
mais completo de todos os que estiveram
na estrada, em termos de conteúdos e
de pessoas envolvidas, para além de que
traz consigo a marca da maturação que
a música e a relação dos músicos com ela
foram ganhando.
Há que seguir em frente, e o interessante
desta derradeira apresentação é o facto
de se fazer isso mesmo dentro das
coordenadas do próprio Subtractive Colors,
sendo de esperar que o que venha depois
surja como os naturais desdobramentos
desta experiência, seja dando-lhe
continuidade de algum modo (Lázaro
admite que este The end pode ser apenas
temporário) ou procurando um contraste.
Novos temas foram acrescentados ao
repertório do álbum, uns instrumentais
e outros com o protagonismo da voz –
serão estes a grande novidade da noite,
associando quatro cantores a uma fórmula
muito particularmente este músico é ter
uma visão de conjunto até enquanto
improvisador, visão essa que atinge um
nível conceptual de que só encontramos
equivalência no chamado rock progressivo
da década de 1970. Só resta saber se se
manterá a sua perspectiva composicional,
aquela que em Subtractive Colors toma
as características de uma banda sonora
audiovisual, e tanto reunindo elementos
cinematográficos como os particularismos
das “trilhas” para videojogos. Isso estará
particularmente evidente quando no
alinhamento surgir a peça Link’s Last
Adventure, inspirada num jogo da
Nintendo, A Lenda de Zelda.
A mais-valia de Subtractive Colors está
no facto de este soundtracking não
funcionar como um complemento a
quaisquer imagens em movimento. Estas
estão já na música, agindo a dita como
“cinema para os ouvidos”, expressão
nascida nos lados da acusmática que tem
toda a pertinência quando aplicada ao
caso de Desidério Lázaro. Quanto muito,
as imagens que serve são as da nossa
imaginação, despertada por temas como
Absence of White, Little Bugs’ Riot ou
The Moment Just Before. Na estreia desta
obra no início de 2015 viram-se alguns
vídeos de animação realizados por Camila
Reis enquanto o grupo actuava, mas estes
é que complementavam a música, não
o contrário. Na despedida de hoje, será
ainda maior o número de animações a
projectar, e decerto que com igual inversão
dos termos habituais. A música criada
para o grande ecrã e o televisor tem como
propósito encenar as narrativas, ou reforçar
o efeito dramático destas, sendo decisiva a
sua influência na escrita de Lázaro, mas há
algo que o saxofonista preza especialmente
nesta tipologia da composição: as
melodias. «Fascinam-me», confessa. Assim
que combina a matriz hard bop com uma
abordagem de câmara e com desenlaces
que podem ir até ao funk, à pop e ao hiphop.
Curiosamente, uma destas novas peças é
instrumental mas inclui a voz de Rita Maria,
utilizada como mais um instrumento, uma
cor extra acrescentada às dos saxofones
do líder e de João Capinha (este dobrando
também em flauta), dos clarinetes de
Paulo Gaspar, dos contrabaixos de Mário
Franco e João Hasselberg (que também
tocará baixo eléctrico) e da bateria de Luís
Candeias. As outras são canções como tal
assumidas, com Pedro Tatanka, do grupo
de soul The Black Mamba, e com a dupla
constituída por Carolina Varela e João
Neves, que já tínhamos ouvido na faixatítulo do CD e no primeiro palco desta
criação, o da Festa do Jazz.
Para Desidério Lázaro, Subtractive Colors
foi / é, mesmo em altura de conclusão,
«um ponto de partida». Entende-o como
o arranque de todo um percurso que
visa «buscar mais ferramentas dentro do
campo da composição». Depois de uma
formação em jazz há muito terminada
e estando ele próprio a ensinar jazz a
músicos mais jovens, determinou-lhe esse
esforço que voltasse para a escola, a fim
de estudar composição erudita. «É neste
campo que quero progredir», declara
muito objectivamente. Esta dedicação
tem acompanhado o circuito do projecto
e natural será que esteja já reflectida na
escrita que lhe adicionou.
Ainda assim, dificilmente tal circunstância
o afastará das suas coordenadas criativas
de sempre, ditando-lhe estas que os
temas nasçam de improvisações e que
não só deixem espaço como incitem
outras intervenções espontâneas, suas
e dos instrumentistas que com ele
tocam. Mas não só: algo que caracteriza
© HER VÉ HETTE
como o groove da sustentação rítmica,
as sugestivas melodias de Subtractive
Colors proporcionam um eficaz equilíbrio
à complexidade harmónica e estrutural
desenvolvida.
Este procedimento é com certeza
estratégico, mas não corresponde a
exigências formais ou estéticas que
Desidério Lázaro se lance a si próprio, e
dizendo ele que «tanto para o bem como
para o mal». Se há soul e rap no bop
camerístico de Lázaro, tal não acontece
por algum gosto especial pelos princípios
musicais da fusão ou da colagem, mas para
estabelecer uma «viagem» (uma narrativa,
portanto) em que várias cores se sucedam.
«Procuro afastar-me do preconceito, esse
grande inimigo da criatividade, e não
me agradam as categorizações, apesar
de entender qual é a sua utilidade. Acho
mesmo que o futuro do jazz está na
diluição dos jazzes que por aí existem»,
refere.
As cores de Lázaro não respeitam apenas
aos timbres, que neste ensemble são
muitos, mas também a estados de espírito.
Neste aspecto, a mimese audiovisual
expande-se para abarcar o teatro: «Conto
que os elementos do grupo representem
por inteiro o papel de cada identidade
musical que interpretam. Não se trata
apenas de uma conjugação de notas ou
acordes com ritmo, mas de uma entrega
ao significado, e isso é essencial. Estes
músicos têm a flexibilidade indispensável
para poderem criar momentos diferentes.»
Este tipo de foco sobreviverá, certamente,
a Subtractive Colors e levá-lo-á para outros
sítios. Aliás, já antes deste salto Desidério
Lázaro tinha a lucidez necessária para
perceber que não se pode fazer tudo
de uma vez. Afirmou ele aquando da
publicação de Cérebro: Estado Zero, o disco
anterior, em 2013: «Há tempo para tudo.
Devemos ser honestos e aceitar que não
vamos conseguir fazer tudo já. Portanto,
que venha uma coisa de cada vez. Há
alturas para se estar focado e há outras
para romper com a procura em curso. É
assim, de resto, que nascem a poesia e o
amor.» Para já, o que importa reter é que
a banda que vamos ouvir «está na sua
melhor fase de forma». Uma razão mais
para considerar este como um concerto
imperdível. Talvez, inclusive, um concerto
histórico…
BIOGRAFIA
D E S I D É R I O L Á Z A R O Desidério Lázaro é um dos nomes emergentes mais
sólidos da nova geração de jazz português.
Dotado de um som possante e de uma técnica
consistente, o saxofonista é um dos nomes mais
requisitados na cena jazzística nacional, apresentandose em variadíssimas formações que vão desde o jazz
mais tradicional a vertentes mais contemporâneas (pop,
funk, fusão), tendo já tocado com nomes como Mário
Laginha, Maria João, Carlos Barreto, André Fernandes,
Alexandre Frazão, assim como Luís Represas, The Black
Mamba e Carlos do Carmo, entre outros.
Como autor, tem apresentado os seus projetos nos
principais festivais de jazz e salas de espetáculo do
RUI EDUARDO PAES
(ensaísta, crítico de música)
FESTA DO J AZZ 2 0 1 5
© SARA PAIV A CARV AL HO
país. Iniciou-se nas edições discográficas em 2006
com “Rotina Impermanente” (JACC), seguindo-se
“Samsara” (2012, Sintoma Records), “Cérebro: Estado
Zero” (2013, Sintoma Records) e “Subtractive Colors”
(2015, Sintoma Records), tendo sempre recebido
críticas entusiastas e diversas nomeações para “disco
jazz do ano”.
Desidério formou-se nas escolas clássicas de Faro e
Setúbal, voltando-se mais tarde para o jazz no Hot
Clube de Portugal e no Conservatório de Amesterdão.
Pelo caminho fez centenas de concertos por todo o país
e no estrangeiro (Espanha, Alemanha, Holanda, Bélgica,
Áustria, Itália, Macau) e, a par da sua atividade como
músico, leciona na Escola Superior de Música de Lisboa
e Universidade Lusíada de Lisboa.
18 e 19
novembro 2016
Pequeno Auditório / 21h / M/12
Coprodução: CCB
Duração: 1h35
A SEGUIR
Artista na Cidade
Faustin Linyekula
Triptyque Sans Titre
Statue of Loss
Depois de Anne Teresa de Keersmaeker (2012) e Tim Etchells (2014),
Lisboa acolhe, durante o ano de 2016, o artista congolês Faustin
Linyekula para a bienal Artista na Cidade. O bailarino, coreógrafo e
encenador apresentará espetáculos em várias salas e espaços da cidade
e criará novos projetos com artistas, estudantes e habitantes de Lisboa.
Faustin Linyekula coloca várias formas de arte – dança, teatro, música,
vídeo, literatura – ao serviço de uma obra assumidamente política.
Filho de um país de contrastes e contradições, nunca se cansa de falar
sobre a República Democrática do Congo. Nas suas obras, mostra uma
história de colonialismo e escravatura, chora a devastação provocada
por guerras intermináveis, desmascara a cleptocracia reinante, denuncia
a miséria e a fome... Mas Faustin não seria Faustin se também não
cantasse a beleza do país onde nasceu, a generosidade e a alegria dos
seus habitantes, o espírito de resiliência e a esperança que parece nunca
morrer.
INDIVIDUAL
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#amigoccb
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