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Realidade social
Historicamente, cada indivíduo relaciona-se com as pessoas
dentro de uma realidade que envolve as dimensões da convivência,
seja no aspecto étnico, cultural, político, econômico, religioso e
social. É nesse ambiente que ele cria a extensão de sua influência
social, podendo ter como parâmetro de vida as suas condições
econômicas, confirmando a autenticidade de seus negócios.
Ao medir a vida social das pessoas, a partir de suas
condições econômicas, os resultados podem revelar a identidade
social de cada uma delas. Podemos saber se estão agindo com
honestidade, ou com justiça, ou simplesmente se apoiam em práticas
gananciosas e exploradoras. Essa medida serve tanto para os atos
praticados pelos ricos como também pelos pobres.
Torna-se lamentável ver práticas de “aproveitar a vida” sem
preocupação nenhuma com a ruína do povo. Em vez de dar o pão ao
necessitado, essa possibilidade lhe é tirada. Sinal evidente de que a
justiça e o direito não são levados em conta. Diante de atitudes como
essa, o profeta Amós faz corajosa denúncia à classe exploradora, que
vive no luxo e na luxúria, explorando a classe dos pobres.
Não é ilegítimo ser rico economicamente, mas existe aí um
perigo: a insensibilidade para com a realidade social. Isso está
patente na parábola do “rico e o pobre Lázaro” do Evangelho (Lc
16,19-31). O rico não tem nome, ele é sem identidade e totalmente
egoísta, não permitindo que o pobre Lázaro se beneficie das sobras
de sua farta mesa para matar a fome, e as dá aos cachorros.
A riqueza pode tornar a pessoa incomunicável, porque ela
foge da relação social provocada pelo medo. Assim acontece nos
condomínios fechados, no isolamento, onde as pessoas procuram se
defender e defender suas riquezas do ataque dos salteadores. É
diferente do pobre, porque ele não tem nada a perder e tem as mãos
mais abertas para dar o pouco que tem.
Dentro da estrutura da realidade social, do desperdício
provocado pela classe mais privilegiada, vivemos um problema social
e um ecológico, porque a cada dia é produzido mais lixo e mais
mendigos. Não há uma verdadeira opção pelo bem comum e as
riquezas passam a ser expressão de status sociais. A sociedade
depende de uma mudança estrutural na política e na economia.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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