Saúde: Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global

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Saúde: Conexões e
Sustentabilidade para
o Entendimento
Global
Coordenadores
Cristina Moura
Catarina Sequeira
Mª João Monteiro
Vítor Rodrigues
hhhh
ISBN: 978-989-97708-7-4
Saúde: Conexões e
Sustentabilidade para o
Entendimento Global
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor
© 2016, Escola Superior de Enfermagem Drº José Timóteo Montalvão Machado
Revisão Técnica e Gráfica
Teresa Carvalho
1.ª Edição: novembro 2016
ISBN: 978-989-97708-7-4
Conselho Editorial
Alice Mártires
Amâncio Carvalho
Conceição Rainho
Cristina Moura
Filomena Raimundo
Firmino Reis
Helena Penaforte
Zita Castelo Branco
ÍNDICE
Saúde: Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
PREFÁCIO
4
REPRESENTAÇÃO DA INTERVENÇÃO DO ENFERMEIRO DO TRABALHO NUMA EMPRESA DE
SAÚDE OCUPACIONAL
João Rocha; Celina Santos & Helena Penaforte
5
LA COMUNICACIÓN ACTIVA Y EL ESTADO ANÍMICO DE LOS PACIENTES CON NEOPLASIA DEL
SISTEMA DIGESTIVO
Andrea Ferreiro; Francisco Atanes; Juan Alves; Martin Fernández; Catarina Sequeira &
Cristina Moura
17
NECESSIDADES DE INFORMAÇÃO DA MULHER SUBMETIDA A MASTECTOMIA: DA
INFORMAÇÃO À AÇÃO NO AUTOCUIDADO
Cristina Moura; Catarina Sequeira; Lorena Vidal; Uxía Fernández; Yurema Núñez;
29
VIVÊNCIA DOS ENFERMEIROS EM ESTRUTURAS RESIDENCIAIS PARA IDOSOS NA EUROCIDADE
CHAVES-VERIN
Vítor Machado; Anxela Fernandez; Cristina Guede; Matilde Salgado; Olívia Seixas & Sílvia
Rodrigues
41
PERCEPCIÓN DE LA MUJER EMBARAZADA MARROQUÍ EN EL ENCUENTRO CULTURAL CON EL
ENFERMERO
José Luis Rodríguez; Helena Penaforte & Catarina Sequeira
55
ADESÃO AOS TRATAMENTOS MEDICAMENTOSOS EM IDOSOS DO CONCELHO DE MACEDO
DE CAVALEIROS
Alípio Marcos; Carlos Pires Magalhães & Adília Fernandes
69
INFLUÊNCIA DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA SATISFAÇÃO
PROFISSIONAL DOS ENFERMEIROS
Catarina Sequeira; Gil Reis & Helena Penaforte
80
AUTO EXAME DA MAMA: CONHECIMENTO DAS ESTUDANTES DA ESCOLA SUPERIOR DE
ENFERMAGEM DE CHAVES
Delfina Teixeira; Rita Gonçalves; Anaísa Soares; Cátia Dias; Catarina Fernandes & Cristina
Moura
90
PROCESSO DE ENSINO À PESSOA COM OSTEOPOROSE: ÁREAS DE INTERVENÇÃO E
ESTRATÉGIAS PRIVILEGIADAS PELO ENFERMEIRO
Helena Penaforte; Cristina Nogueiras & Esmeralda Guedella
99
BIOFILME BACTERIANO E INFEÇÃO HOSPITALAR
Maria José Alves; Mara Rebelo; Vânia Gonçalves; Jussara Piedade; Rosiane Rocha; João
Barreira & Isabel Ferreira
110
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Prefácio
A realização deste e-book é o culminar do V Congresso Internacional Saúde:
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global que aposta na consolidação
de uma relação de parceria entre a Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo
Montalvão Machado e a Escola Superior de Enfermagem de Vila Real da Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Sob o lema do Ano Internacional do Entendimento Global, refletir a partir de uma
perspetiva mundial e intervir no plano local, é proposto alcançar a sustentabilidade e
estimular políticas inovadoras que respondam aos desafios globais do planeta. É num
espaço colaborativo de aprendizagem e de uma verdadeira cultura interdisciplinar que
serão abordadas diferentes temáticas: a qualidade de vida e a sustentabilidade de
recursos; a promoção de estilos de vida saudáveis como garantia da sustentabilidade
global; a segurança dos recursos alimentares; a saúde e o fenómeno migratório; os
compromissos para a proteção ambiental e as políticas inovadoras em saúde.
Queremos expressar a todos os autores o nosso agradecimento por se terem
comprometido com a disseminação da investigação e de práticas bem sucedidas
reconhecendo que a participação neste Congresso constitui uma oportunidade para o
fortalecimento de sociedades do conhecimento mais inclusivas e integradoras.
O nosso reconhecido apreço aos revisores do Conselho Editorial pelo empenho e
dedicação que colocaram em todo o processo.
Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo
Montalvão Machado
Cristina Maria Guedes Moura
Escola Superior de Enfermagem de Vila Real da
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Maria João Pinto Monteiro
4
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Representação da intervenção do enfermeiro do trabalho
numa empresa de saúde ocupacional
Rocha, J.1 P; Santos, C. A.2; Penaforte, M. H3
Resumo - Dado o lugar do enfermeiro do trabalho, no apelo atual da enfermagem do trabalho e interesse
da promoção da saúde nos locais de trabalho, questionou-se a representação da intervenção do enfermeiro
do trabalho numa empresa de prestação de serviços de saúde ocupacional. Foi objetivo conhecer a
representação da intervenção do enfermeiro do trabalho para os enfermeiros que operam numa empresa
prestadora de serviços em saúde ocupacional.
Enveredou-se por um estudo qualitativo, exploratório e descritivo, tendo participado 10 enfermeiros a
quem foi aplicado uma entrevista semiestruturada. No tratamento de dados utilizou-se a análise de
conteúdo. Os resultados revelam que a intervenção do enfermeiro do trabalho representa: melhorar as
condições de trabalho e promover a vigilância da saúde do trabalhador; atuar aos três níveis de prevenção
nas doenças profissionais e acidentes de trabalho; recorrer ao diagnóstico da situação e intervir com
sessões de educação para a saúde; e intervir numa prática que impõe limitações.
Dos domínios inferidos, a representação da intervenção do enfermeiro do trabalho está associada à
intervenção ativa com o trabalhador, numa prática que ostenta constrangimentos, vertidos na débil
formação do enfermeiro e condição oferecida pela empresa. Ela representa um cenário cultural e o
caminho a investir na enfermagem do trabalho.
Palavras-chave: Saúde ocupacional; enfermeiro do trabalho; promoção da saúde; educação para a saúde.
Abstract - According to the role of nurses in the current appeal of labor nursing and interest of health
promotion in the workplace, the intervention of the labor nurse has been questioned in a company that
provides occupational health services. The aim was to know the intervention of the labor nurse for nurses
operating in a company providing services in occupational health.
It was decided for qualitative, exploratory and descriptive study. Ten nurses who were applied a semistructured interview. To the data treatment a content analysis was used. The results show that the
intervention of the work of nurses is: to improve working conditions and to promote the monitoring of
workers' health; to act at three levels of prevention in occupational diseases and industrial accidents; to
use the diagnosis of the situation and act with education sessions for health; and to impose limitations.
From the domains that were inferred the representation of the work of nurse intervention is associated
with active intervention with the employee, a practice that boasts constraints, due to feeble training of
nurses and condition offered by the company. It represents a cultural landscape and the way to invest in
nursing work.
Keywords: Occupational health; work nurse; health promotion; health education
___________________________
1
João Rocha - Empresa Prestadora de Serviços de Saúde Ocupacional, Precur, Lda - [email protected]
Celina Santos - Desempregada - [email protected]
3
Helena Penaforte - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado - Chaves,
[email protected]
2
5
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
Os últimos anos têm demonstrado uma importância crescente na promoção da saúde nos
locais de trabalho, devido à perceção e reconhecimento dos trabalhadores face aos
benefícios alcançados (Ordem dos Enfermeiros [OE], 2014). Para esta realidade, muito
tem contribuído a enfermagem do trabalho, visto que foca a sua intervenção na
prevenção e promoção da saúde, assumindo grande importância na saúde ocupacional
(Oliveira & André, 2010).
Para a Direção-Geral da Saúde (DGS, 2013), a saúde ocupacional tem como desígnio a
prevenção de riscos, a proteção e promoção da saúde no local de trabalho, garantindo
ambientes de trabalho saudáveis. A saúde ocupacional é fundamental nas empresas,
nomeadamente ao nível da prevenção das doenças e na promoção da saúde dos
trabalhadores (Oliveira & André, 2010).
Os serviços de saúde ocupacional devem dar resposta às necessidades em saúde dos
trabalhadores, assumindo-se como parte importante da saúde pública (OE, 2014). Cada
vez mais a enfermagem do trabalho se assume como uma área importante na saúde
ocupacional, este protagonismo surge pela forma como esta ciência se direcciona para a
promoção da saúde (Oliveira & André, 2010).
O enfermeiro do trabalho para a Ordem dos Enfermeiros, é um profissional com
formação de base em enfermagem e que teve uma formação específica em saúde no
trabalho, concedendo-lhe formação especializada (OE, 2014). Para a DGS (2010), o
enfermeiro do trabalho deve atuar segundo as competências específicas e como
elemento da equipa de saúde ocupacional, no planeamento e avaliação dos programas
de saúde.
O desenvolvimento de competências permite ao enfermeiro do trabalho participar na
definição, implementação, monitorização e avaliação de estratégias com o propósito de
melhorar a saúde dos trabalhadores (Antunes, 2009).
O enfermeiro do trabalho deve dar especial atenção à formação e informação em saúde
dos trabalhadores e é seu dever criar e avaliar programas de promoção de saúde em
relação ao trabalho (DGS, 2010). Os programas de promoção da saúde e prevenção de
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
acidentes e doenças profissionais são fundamentais para uma melhor qualidade de vida
dos trabalhadores (Lino, Nora, Lino & Furtado, 2012).
A promoção da saúde surge como um objetivo do Plano Nacional de Saúde
Ocupacional, procurando estimular a promoção da saúde nas empresas e incentivar
dinâmicas de trabalho e estilos de vida saudáveis, visando garantir a proteção e
promoção da saúde a todos os trabalhadores (DGS, 2013).
O enfermeiro do trabalho tem um papel importante na prevenção e promoção de saúde,
nomeadamente na identificação de necessidades, no planeamento de intervenções,
contribuir para a elaboração de programas de prevenção, atuando junto dos
trabalhadores para uma boa saúde e bem-estar (Antunes, 2009).
As necessidades de cada grupo influenciam as atividades de promoção da saúde. Assim,
a educação para a saúde é a base da promoção da saúde no local de trabalho, assumindo
grande relevo na intervenção do enfermeiro do trabalho (OE, 2014).
O facto do enfermeiro estar mais perto dos trabalhadores permite-lhe conhecer melhor
as suas necessidades e atuar como educador para a saúde (Oliveira & André, 2010).
Esta proximidade permite que o enfermeiro do trabalho possa identificar as
necessidades dos trabalhadores precocemente, propor medidas que promovam
melhorias significativas no local de trabalho, levando à prevenção primária (OE, 2014).
A vigilância da saúde surge como um dos objetivos do Programa Nacional de Saúde
Ocupacional, que pretende promover uma vigilância contínua e ativa da saúde do
trabalhador (DGS, 2013). As funções do enfermeiro do trabalho envolvem a vigilância
da saúde, a avaliação periódica de saúde e a consequente avaliação destes rastreios (OE,
2014).
O enfermeiro do trabalho, presta cuidados de enfermagem nas empresas, ao nível dos
primeiros socorros, na administração de medicamentos prescritos e em casos urgentes,
encaminha para unidades de saúde (DGS, 2010).
Em caso de emergência, o enfermeiro do trabalho deve prestar os cuidados iniciais e
providenciar a transferência do trabalhador para serviços especializados. Nos casos de
ausência prolongada, o enfermeiro do trabalho por vezes desempenha um papel
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
fundamental no estabelecimento do programa de reabilitação, readaptação do
trabalhador e identificação de eventuais complicações precocemente que evitem uma
recaída (OE, 2014).
Segundo Marziale, Hong, Morris e Rocha (2009), o enfermeiro do trabalho intervém na
prevenção de doenças e acidentes de trabalho e na promoção da saúde do trabalhador.
O enfermeiro do trabalho deve intervir no comportamento e nos hábitos humanos, mas
também pode participar na identificação, conceção e correção de fatores de trabalho,
seleção de equipamento de proteção individual, prevenção de doenças profissionais e
acidentes de trabalho e ser conselheiro nos assuntos relacionados com a proteção do
ambiente (OE, 2014).
Grande parte dos acidentes de trabalho e doenças profissionais poderia ser evitada se
fossem tomadas medidas preventivas no local de trabalho (OE, 2014).
O enfermeiro do trabalho tem desenvolvido competências que lhe permitem atuar ao
nível da promoção da saúde e na prevenção de acidentes de trabalho e de doenças
profissionais, diminuindo o absentismo laboral (Oliveira & André, 2010).
A atuação do enfermeiro do trabalho em empresa é balizada pela legislação,
expectativas
dos
trabalhadores,
pelo
próprio
compromisso
e
entrega,
mas
principalmente pela importância que as empresas atribuem à enfermagem do trabalho
(Oliveira & André, 2010).
A pesquisa realizada deu ênfase à importância do enfermeiro do trabalho enquanto
promotor e educador para a saúde dos trabalhadores no seu local de trabalho. Esta
procura destaca a importância da enfermagem do trabalho nas empresas e por isso
despertou interesse em saber: Qual é a representação da intervenção da enfermagem do
trabalho, para os enfermeiros que trabalham em empresa prestadora de serviços em
saúde ocupacional? Como objetivo preconizou-se conhecer a representação da
intervenção do enfermeiro do trabalho para os enfermeiros que operam numa empresa
prestadora de serviços em saúde ocupacional.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2 - MÉTODO
Tendo em conta o objetivo do estudo e as questões de investigação, enveredou-se por
um paradigma de investigação qualitativo, dado que se considera pertinente conhecer as
representações associadas à intervenção do enfermeiro do trabalho na saúde dos
trabalhadores, a qual se constitui numa problemática que carece de estudo (Streubert &
Carpenter, 2013). Desenvolveu-se um estudo de caráter não experimental, descritivoexploratório (Fortin, Côté & Filion, 2009).
2.1 - Participantes
A investigação decorreu numa empresa prestadora de serviços de saúde ocupacional.
Participaram no estudo 10 enfermeiros que exerciam funções na empresa. Na seleção
dos participantes, utilizou-se um método de amostragem não probabilístico, mas
intencional. Optou-se por este método, dado que se pretendia selecionar os participantes
em função de traços próprios, de forma a enriquecer os dados do estudo (Streubert &
Carpenter, 2013).
Dos participantes no estudo 4 eram do sexo masculino e 6 do oposto, a idade mínima foi
24 anos e a máxima 34 anos, o tempo de experiência profissional médio foi de 4 anos.
2.2 - Material
Partindo do objetivo delineado e face à natureza da questão de investigação, optou-se
por um instrumento de recolha de dados a entrevista semiestruturada, por se adequar ao
paradigma de investigação qualitativo. Este método permite obter particularidades mais
significativas da experiência dos participantes e da representação sobre o fenómeno de
interesse para o estudo (Streubert & Carpenter, 2013). Foi desenvolvido um guião de
entrevista com questões orientadoras para o assunto de interesse, dispostas de forma
progressiva para abordagem do tema, para permitirem controlar a informação a obter
(Fortin et al., 2009). As questões colocadas foram: Como enfermeiro do trabalho, quais
as intervenções que realiza na sua prática, atendendo à promoção da saúde do
trabalhador? Quais as estratégias que utiliza na sua prática, em termos de educação para
a saúde dos trabalhadores? Quais os fatores que interferem com a intervenção do
enfermeiro na sua prática?
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2.3 - Procedimentos
Depois de concedida a autorização para a recolha de dados pela entidade patronal da
empresa prestadora de serviços de saúde ocupacional, que aconteceu no dia 7 de março
de 2015 e de se reunir com o representante hierárquico da mesma empresa, informandoo sobre o estudo, nomeadamente, objetivos, finalidade, método de recolha de dados e
formas de abordagem da informação, procedeu-se à recolha de informação, que
decorreu durante o mês de março de 2015. Para assegurar os princípios éticos, garantiuse a confidencialidade da informação e o anonimato junto da entidade patronal e dos
participantes, mostrando disponibilidade para facultar os resultados finais, como seria
do seu interesse. A recolha de dados iniciou-se com um momento de sensibilização
junto dos participantes, mostrando a finalidade do estudo, os objetivos e os
procedimentos a realizar. O momento da entrevista foi gerido de acordo com a
disponibilidade das partes envolvidas, sendo disponibilizado o termo de consentimento
informado e assegurando-se uma participação livre a cada participante. Foram
realizadas 10 entrevistas que se desenrolaram durante o período laboral da clínica, no
espaço das consultas de saúde ocupacional e com consentimento da entidade patronal. A
entrevista teve a duração média de 20 minutos, tendo oscilado entre os 18 e os 25
minutos. A informação foi registada em suporte de papel, documento próprio, a fim de
facilitar a análise posterior. Os registos foram analisados seguindo a proposta de análise
de Spradley (1980), por permitir o exame sistemático dos dados, das partes e da sua
relação, com objetivo de descortinar o sistema de significados culturais utilizados na
representação da intervenção da enfermagem do trabalho para os enfermeiros do
trabalho, na sua prática. Primeiramente foram identificados categorias de termos
incluídos, seguindo-se a identificação dos domínios termos cobertos, e por fim,
identificou-se a relação semântica. Foram encontrados apenas domínios mistos e
analíticos.
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
Da análise dos dados, através do modelo de Spradley (1980) emergiram os domínios,
apresentados no diagrama seguinte, 4 domínios culturais, os termos incluídos e
inerentes relações semânticas em torno da representação da intervenção do enfermeiro
do trabalho.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Diagrama 1 - Domínios culturais representação da intervenção do enfermeiro do trabalho
1 – Tipo de intervenções
do enfermeiro do
trabalho na promoção
da saúde dos
trabalhadores
- Melhoria das condições
de trabalho
- Vigilância da saúde
- Diagnóstico da situação
2 - Estratégias utilizadas
pelo enfermeiro do
trabalho na educação
para a saúde dos
trabalhadores
- Sessões de educação
para a saúde
- Prevenção primária
3 - Atuação do enfermeiro
do trabalho em
relação às doenças
profissionais e aos
acidentes de trabalho
- Prevenção secundária
- Prevenção terciária
- Ausência de formação
especializada
4 - Limitações do
enfermeiro do
trabalho na sua
prática.
- Tempo insuficiente
- Condições inadequadas
- Promover um ambiente de trabalho seguro
- Avaliar as condições de trabalho
- Identificar riscos
- Incentivar a criação de melhores condições de trabalho
- Prevenir doenças profissionais e acidentes de trabalho
- Evitar o absentismo
- Realizar rastreios de saúde
- Administrar vacinação
- Encorajar a vigilância de saúde periódica
- Detetar as necessidades do trabalhador
- Avaliar os problemas de saúde do trabalhador
- Transmitir conhecimentos
- Esclarecimento de dúvidas
- Capacitar os trabalhadores para a tomada de decisão
- Responsabilizar os trabalhadores pela sua saúde
- Demonstrar a importância do uso de EPI`s
- Encoraja a adoção de estilos de vida saudáveis
- Avaliar os riscos
- Definir estratégias preventivas
- Transmitir informação
- Incentivar o uso de EPI`s
- Aconselhar posturas corporais corretas
- Diagnóstico precoce
- Pronto atendimento
- Limitação do dano
- Providenciar o regresso ao trabalho
- Analisar a existência de incapacidade
- Verificar a adaptação ao trabalho
- Avaliar a necessidade de mudança de posto de trabalho
- Falta de autonomia e competência
- Desvalorização e descredibilização
- Pressão das entidades patronais
- Desvalorização da saúde ocupacional pelos trabalhadores e
entidade patronal
- Negligência dos trabalhadores em relação à sua saúde
- Rentabilidade e sustentabilidade das empresas prestadoras
- Espaço físico das consultas
- Falta de acompanhamento do trabalhador
Na esquematização foram integrados quatro domínios culturais onde ocorreu o domínio
da relação semântica “X é um tipo de Y” (Spradley 1980), que seguidamente se
discutem.
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Dos resultados, discutem-se agora os domínios: i) intervenções do enfermeiro do
trabalho na promoção da saúde dos trabalhadores; ii) estratégias utilizadas pelo
enfermeiro do trabalho na educação para a saúde dos trabalhadores; iii) atuação do
enfermeiro do trabalho em relação às doenças profissionais e aos acidentes de trabalho;
iv) limitações do enfermeiro do trabalho na sua prática (Spradley, 1980).
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Do domínio - intervenções do enfermeiro do trabalho na promoção da saúde dos
trabalhadores, para os participantes, o enfermeiro do trabalho na procura pela melhoria
das condições de trabalho, surge a intervir na promoção de um ambiente de trabalho
seguro, o que vai ao encontro de Lino et al. (2012). Além disso, avalia as condições de
trabalho, identifica riscos e incentiva a criação de melhores condições de trabalho, “(…)
para criarem melhores condições de trabalho (…)” E8. Sendo as condições de trabalho
responsáveis pela causa ou agravamento dos problemas de saúde dos trabalhadores (OE,
2014).
Ao nível da vigilância da saúde na promoção da saúde dos trabalhadores, estes
enfermeiros aludem que previnem doenças profissionais e acidentes de trabalho, evitam
as faltas ao trabalho, tal como referem Oliveira e André (2010). O enfermeiro do
trabalho tem desenvolvido competências que lhe permite atuar ao nível da promoção da
saúde e na prevenção de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, diminuindo o
absentismo laboral. Todavia efetua rastreios em saúde, procede à administração de
vacinação e encoraja à vigilância de saúde periódica, tal como é preconizado pela OE
(2014).
As intervenções do enfermeiro do trabalho assumem, assim, grande importância na
promoção da saúde dos trabalhadores.
No segundo Domínio – estratégias utilizadas pelo enfermeiro do trabalho na
educação para a saúde dos trabalhadores, o enfermeiro do trabalho numa fase inicial
utiliza como estratégia o diagnóstico da situação, “(…) vamos ao encontro dos
trabalhadores, avaliamos as suas necessidades (…)” E3. Isto significa que o enfermeiro
do trabalho, propõem-se a identificar as necessidades do trabalhador (OE, 2014).
Após a identificação das necessidades e dos problemas em saúde, o enfermeiro do
trabalho desenvolve um plano de intervenção que se baseia em sessões de educação
para a saúde, tal como refere Antunes (2009), “(…) desenvolve ações de educação para
a saúde” (…) E4.
Uma das estratégias utilizadas é a transmissão conhecimentos e o esclarecimento de
dúvidas, através de pedidos informais (OE, 2014).
A capacitação dos trabalhadores e a responsabilização pela sua saúde são outras
estratégias utilizadas pelos enfermeiros do trabalho, “(…) incentivando-o a ser ele a
12
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
tomar a decisão (…)” E4. A importância da utilização dos equipamentos de proteção
individual, “(…) demonstrando a importância do uso de equipamentos de proteção
individual” E8, resultado que corrobora o preconizado pela OE (2014). O enfermeiro do
trabalho deve encorajar a adoção de estilos de vida saudáveis (OE, 2014).
As estratégias desenvolvidas pelo enfermeiro do trabalho na educação para a saúde dos
trabalhadores, revelam-se pertinentes, na medida em que reforçam o referido pela
Ordem OE (2014).
No terceiro domínio - atuação do enfermeiro do trabalho em relação às doenças
profissionais e aos acidentes de trabalho, estes participantes referem que o enfermeiro
do trabalho atua nos três níveis de prevenção, o que de certo modo corrobora Marziale
et al. (2010).
Ao nível da prevenção primária, o enfermeiro do trabalho atua na avaliação de riscos e
na definição de estratégias preventivas, “(…) fazendo uma avaliação das práticas que se
realizam na (…)” E1. Todavia vai de encontro ao plano nacional de saúde ocupacional
onde consta que o enfermeiro do trabalho deve dar o seu contributo, na identificação de
riscos profissionais e na elaboração de planos de intervenção (DGS, 2010). Outras
estratégias são a transmissão de informação, o incentivo ao uso de equipamentos de
proteção individual, “(…) incentiva-lo a usar precauções (…)” E2, e o aconselhamento
de posturas corporais corretas, “(…) incentivar posturas corretas” E5. Neste sentido,
também Antunes (2009) regista que o enfermeiro do trabalho pode aconselhar posturas
corretas.
Na prevenção secundária, o enfermeiro do trabalho atua no diagnóstico precoce, no
atendimento imediato e na limitação do dano, “(…) o enfermeiro é responsável pelo
pronto atendimento(...).” E4. A propósito a Ordem dos Enfermeiros alude que, em caso
de emergência, o enfermeiro do trabalho deve prestar os cuidados iniciais e providenciar
a transferência do trabalhador para serviços especializados (OE, 2014).
Os participantes no estudo entendem que na prevenção terciária o enfermeiro do
trabalho deve providenciar o regresso ao trabalho “(…) criar condições para o regresso
do trabalhador (…)” E7, analisar a existência de incapacidade, “(…) que lesões existem
(…)” E10, verificar a adaptação ao trabalho e avaliar a necessidade de mudança de
posto de trabalho “(…) avaliar a adaptação do trabalhador ao posto de trabalho (…)”
13
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
E8. Devido à proximidade do enfermeiro do trabalho com o meio laboral este, assume
grande importância no regresso ao trabalho do trabalhador, após ausência prolongada
(OE, 2014).
A atuação do enfermeiro do trabalho nas doenças profissionais e nos acidentes de
trabalho surge a enfatizar os três níveis de prevenção.
No domínio - limitações do enfermeiro do trabalho na sua prática, assume
relevância a ausência de formação especializada, que se manifesta em falta de
autonomia e competência e a desvalorização e descredibilização, “(…) falta de
informação especializada em enfermagem do trabalho (…)” E1. Resultado que
corrobora a visão de Marziale et al. (2010), ao referirem que a formação dos
enfermeiros na área da enfermagem do trabalho, seria benéfica para a melhoria da
prática profissional. Porém, a OE informa que o enfermeiro do trabalho é um
profissional que teve uma formação específica em saúde no trabalho, concedendo-lhe
formação especializada (OE, 2014).
O tempo insuficiente é referido como fator que limita o enfermeiro do trabalho e isso
verifica-se através da: influência das entidades patronais, “(…) as entidades patronais
que encaram a saúde no trabalho como um entrave à produção (…)” E6, a
desvalorização da saúde ocupacional pelos trabalhadores e entidade patronal, “(…)
desvalorização e descredibilização dos responsáveis das empresas (…)” E6, “(…) e de
alguns trabalhadores (…)” E1; negligência dos trabalhadores em relação à sua saúde,
“(…) os trabalhadores são por vezes negligentes quanto à sua saúde (…)” E9;
rentabilidade e sustentabilidade das empresas prestadoras, “(…) nas empresas
prestadoras, por vezes também não disponibilizam o tempo suficiente por uma questão
de rentabilidade e contenção de custos (…)” E3.
As condições de trabalho disponibilizadas para a prática do enfermeiro do trabalho nas
empresas são consideradas como limitativas, nomeadamente o espaço físico, “(…) as
condições de trabalho nas empresas por vezes não são os melhores o que limita o
enfermeiro na sua prática (…)” E5. E a falta de acompanhamento do trabalhador, “(…)
nem sempre há um acompanhamento do trabalhador (…)” E3.
O domínio traduz algumas limitações no desenvolvimento da enfermagem do trabalho,
as quais representam constrangimentos a carecer de intervenção, nomeadamente no
14
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
investimento de formação especializada, na melhoria das condições de trabalho e na
promoção da importância da saúde ocupacional para maior abertura de todos os
intervenientes o que levaria à atribuição de mais tempo para a intervenção do
enfermeiro do trabalho.
5 - CONCLUSÕES
Os domínios inferidos neste estudo traduzem a representação da intervenção do
enfermeiro do trabalho em empresa de saúde ocupacional, no que respeita à promoção
da saúde dos trabalhadores. A intervenção do enfermeiro do trabalho adquire
significado ao focar-se na melhoria das condições de trabalho e ao promover a
vigilância da saúde dos trabalhadores. Porém, a representação da relevância da
intervenção do enfermeiro do trabalho é traduzida também, através da sua atuação ao
nível das doenças profissionais e dos acidentes de trabalho, na prevenção, no tratamento
e na reabilitação.
Conquanto assume relevância para estes participantes, privilegiar o uso de algumas
estratégias como fazer o diagnóstico da situação e incrementar sessões de educação para
a saúde, na construção da resposta às necessidades em saúde dos trabalhadores.
Estratégias que fundamentam a intervenção de enfermagem na situação de saúde do
trabalhador e ainda informação, capacitação e responsabilização deste pela sua saúde.
Associada à intervenção do enfermeiro do trabalho surge o cenário cultural, onde e
como ocorre a intervenção de enfermagem. Ou seja, as limitações que apontam carecer
de investimento e se patenteiam na débil formação especializada, no tempo
disponibilizado para atuar e na inadequação das condições de trabalho oferecidas.
Constrangimentos, que representam o cenário em que irmana e acontece a intervenção
destes enfermeiros do trabalho e o caminho a investir e a questionar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Dissertação de mestrado não publicada, Universidade de Coimbra.
Direção-Geral da Saúde. (2010). Programa nacional de saúde ocupacional. Em que situação é que é
exigida a contratação do enfermeiro do trabalho e que atividade irá desenvolver? Lisboa:
Ministério da Saúde.
Direção-Geral da Saúde. (2013). Programa nacional de saúde ocupacional: 2º ciclo: 2013/2017. Lisboa:
Ministério da Saúde.
Fortin, M.-F. (2009). Fundamentos e etapas do processo de investigação. Loures: Lusociência.
15
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Lino, M. M., Nora, P. T., Lino, M. M., & Furtado, M. (2012). Enfermagem do trabalho à luz da visão
interdisciplinar. Saúde e Transformação Social, 3 (1), 85-91.
Marziale, M. H. P., Hong, O. S., Morris, J. A., & Rocha, F. L. R. (2010). The role and functions of
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Oliveira, A., & André S. (2010). Enfermagem em saúde ocupacional. Millenium, 41, 115-122.
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Spradley, J. (1980). Participant observation. New York: Holt, Rinehart & Winston.
Streubert, H. J., & Carpenter, D. R. (2013). Investigação qualitativa em enfermagem: Avançando o
imperativo humanista. Loures: Lusodidacta.
João Pedro Queirós da Rocha
Licenciatura em enfermagem. Enfermeiro em Empresa Prestadora de Serviços de Saúde Ocupacional.
Precur, Lda. Penafiel.
Celina Adriana Mendes da Rocha Santos
Licenciatura em enfermagem. Pós-Graduada em Economia e Gestão em Serviços de Saúde.
Maria Helena Penaforte
Professora na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves. Mestre
em Promoção e Educação para a Saúde. Doutora em Enfermagem
16
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
La Comunicación activa y el estado anímico de los
pacientes con Neoplasia del Sistema Digestivo
Ferreiro, A 1; Atanes, F 2; Alves, J 3; Fernández, M4; Sequeira, C 5; Moura, M. C 6
Resumen - Dado el incremento de casos de neoplasias del aparato digestivo, a través de esta
investigación, pretendemos cuestionar la intervención del enfermero, desenvolviendo un estudio, que
tiene como objetivo general comprender la importancia de la comunicación activa y cómo influye en el
estado anímico en pacientes con neoplasia. De esta forma, optamos por un estudio cualitativo,
descriptivo, transversal y crítico-reflexivo, recurriendo a la entrevista para la recogida de información.
Para ello se ha tomado una muestra constituida por 7 personas, voluntarias, con neoplasia del aparato
digestivo. Posteriormente en el tratamiento de la información se ha optado por una evaluación objetiva de
los contenidos recogidos mediante las entrevistas. A partir de los resultados obtenidos, se puede afirmar
que el papel del enfermero adquiere una importancia relevante en el transcurso de la enfermedad de los
pacientes de este foro, dado que toda la información y/o apoyo prestado a los pacientes tiene que ser
transmitida por el personal sanitario más próximo, los enfermeros. Concluyendo, para poder prestar unos
cuidados de calidad, se debe contar con enfermeros que muestren conocimientos comunicativos tanto
técnicos como humanos.
Palabras clave: Comunicación; estado anímico; enfermería; neoplasia del sistema digestivo.
Abstract - Due to the increase of gastrointestinal cancer, we intend to question the nurse intervention,
with a study, which has the overall objective of understanding the importance of active communication
and how it affects the mood in patients with cancer. Thus, we opted for a critical-reflective, descriptive,
transversal and qualitative study using the interview for the collection of information. For this we have
taken a sample consisting of 10 people, volunteers with gastrointestinal cancer. Later in information
processing it has been chosen by an objective assessment of the contents collected through interviews.
From the results, we can say that the role of the nurse acquires a relevant importance in the course of
illness of patients in this forum, since all the information and / or support to patients has to be borne the
nearest health workers, nurses. We conclude that, in order to provide quality care, nurses should have to
show technical and human knowledge.
Keywords: Communication; mood; nursing; digestive system cancer.
___________________________
1
Andrea Ferreiro - Estudiante de Enfermería en Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado, Chaves - [email protected]
2
Francisco Atanes - Estudiante de Enfermería en Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado, Chaves - [email protected]
3
Juan Alves - Estudiante de Enfermería en Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado,
Chaves [email protected]
4
Martin Fernández - Estudiante de Enfermería en Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado, Chaves - [email protected]
5
Catarina.Sequeira - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves [email protected]
6
Cristina Moura -– Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves [email protected]
17
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUCCIÓN
A lo largo del siglo XXI, e incluso en siglos anteriores, ha existido una alteración en el
patrón de las enfermedades, los principales problemas de salud dejaron de ser patologías
agudas e infecciosas, para pasar a ser enfermedades crónicas, que persisten, reinciden y
requieren tratamientos prolongados. Las enfermedades oncológicas encajan en esta
alteración teniendo un aumento de su prevalencia en las sociedades más desarrolladas,
por ello son consideradas como uno de los mayores problemas de la salud pública
(Santos, 2006).
La Asociación Española Contra el Cáncer (2013) define cáncer como “Conjunto de
enfermedades, que se caracterizan por un crecimiento celular incontrolado y
desimanación anormal de células. El cáncer es la segunda causa de muerte en los países
industrializados”. De los rastreos oncológicos más frecuentes en Europa, cabe destacar
las neoplasias del tracto digestivo, con más de 400.000 ciudadanos diagnosticados cada
año, de los cuales más de la mitad fallecerán por esta causa. El de colon es la segunda
neoplasia de mayor incidencia y mortalidad independientemente del sexo.
A lo largo de todo el tracto gastrointestinal, desde el esófago hasta el recto, puede
desenvolverse una variedad tumoral. Alguno de estos tumores son cancerosos
(malignos) y otros no llegan a convertirse en malignos (benignos).
De acuerdo con la “American Cancer Society (ACS)” y la “Asociación Española
Contra el Cáncer (AECC)” una comunicación activa, positiva y cordial con pacientes
oncológicos favorece a su estado anímico, y por tanto, su estado psicológico.
La comunicación, es la capacidad del ser humano de comunicarse e interactuar con el
medio que le rodea y transformar la realidad. Esta comunicación puede ser posible
gracias al lenguaje, que según Silva, Alés e Luna (2006) es el mecanismo mediante el
cual el ser humano se puede comunicar no solo en el presente, si no también, en el
pasado y en el futuro; por lo que la comunicación no se limita exclusivamente al
presente. Uno de los aspectos más importantes para la comunicación efectiva es el
proveedor tiene en cuenta que la comunicación terapéutica implica, entre otras técnicas
de escucha activa. La escucha activa se orienta como la preocupación de entender lo que
se dice, es necesario crear las condiciones para que haya ninguna interferencia en la
transmisión del mensaje. De este modo, la escucha activa requiere que los profesionales
18
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
de la salud están disponibles para cualquier tipo de comunicación con el fin de ser capaz
de interpretar todas las señales emitidas por el usuario (Teixeira, 2001).
Cuando se habla con alguien que tiene cáncer, es importante escuchar a la persona y
comprender cómo se siente, evitando subestimarlo, juzgarlo o tratar de cambiar su
forma de sentir o actuar, haciéndoles saber que estamos a su disposición para que
hablen en cualquier momento, cuando estén preparados para hacerlo (Fundácion Contra
el Câncer, 2010). La forma de abordar la comunicación, debe ser dada por el paciente;
siendo que si él lo hace con humor, nosotros debemos responder de la misma forma,
pero siempre siendo él quién tome la iniciativa (Leo & Gloria, 2013).
De esta manera, el desenvolvimiento del cáncer no solo afecta a la persona, sino
también a su entorno, produciendo cambios internos y alteraciones que no permite
continuar con la vida que, hasta entonces, había experimentado; por este hecho debemos
considerar su entorno (familia, amigos y compañeros) como un participante activo en el
apoyo durante esta fase, ya que la falta de comunicación puede causar angustia en
pacientes con cáncer (Stedeford, 2000). Así mismo, para poder analizar el estado
anímico de un paciente, primero debemos conocer las fases que atraviesa un paciente
oncológico ayudándonos del modelo de Kübler-Ross (1969). Éste define 5 fases:
negación, ira, negociación/pacto, tristeza y aceptación/fase final.
Se puede considerar la investigación en enfermería como un proceso sistemático,
científico y riguroso que busca incrementar el conocimiento en una disciplina,
respondiendo a cuestiones o resolviendo problemas para el beneficio de los pacientes,
familias y comunidades. Engloba todos los aspectos de salud que son de interés para la
enfermería, incluyendo, la promoción de la salud, prevención de enfermedad, cuidados
a la persona a lo largo de su ciclo vital, asistiendo a esa persona durante el problema y
procesos de vida o asegurando una muerte digna y serena (Ordem dos Enfermeiros,
2006). Teniendo en cuenta estas afirmaciones se parte hacia la siguiente cuestión de
investigación, basándose en los datos recogidos y en nuestra propia motivación: “La
comunicación activa influye en el estado anímico de los pacientes con neoplasia?”.
Los objetivos de un estudio indican el porqué de la investigación (Fortin, Côté & Filion,
2009), por ello para conducir el estudio se partirá de los siguientes propósitos: i)
Conocer la interacción del personal sanitario con los pacientes; ii) Observar si los
cuidados influyen en el estado de ánimo de los pacientes.
19
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2 -MÉTODO
Teniendo en cuenta el objetivo del estudio y la cuestión que nos lleva a realizar esta
investigación, consideramos llevar a cabo una investigación de tipo cualitativo, ya que,
pretendemos comprender la interacción entre los pacientes oncológicos y lo personal
sanitario del área (Streubert & Carpenter, 2011). En relación al tipo de estudio que se va
a realizar, nos decantamos por una metodología analítica, descriptiva, transversal y
crítico-reflexiva (Fortin et al., 2009), auxiliada por una búsqueda bibliográfica, y en la
evidencia publicada sobre la temática a estudiar en las bases de datos: EBSCO Host, Bon, ELSEVIER e ScienceDirect.
2.1 - Participantes
La muestra está constituida por 7 personas del foro oncológico del tracto digestivo,
pertenecientes a las Asociaciones Españolas Oncológicas, de los cuales son: 1 neoplasia
de esófago, 1 neoplasia estómago, 2 neoplasia recto, 3 neoplasia colon. De estos 7
participantes cabe destacar que, 4 son de sexo femenino y 3 masculinos, con edades
comprendidas entre 30-70 años.
2.2 - Material
A partir del objetivo establecido y de la cuestión que nos motivó a llevar a cabo esta
investigación, se optó por la entrevista como método de recogida de datos, ya que según
Streubert e Carpenter (2011) el método cualitativo, es la mejor manera en la que
podemos conocer y recoger las vivencias experimentadas por la muestra. De este modo
elaboramos un cuestionario compuesto por 7 ítems: ¿Cómo fue el momento de recibir la
noticia de su enfermedad?; ¿Con qué personal sanitario tubo más contacto?; ¿Los
profesionales de salud demostraron disponibilidad y atención durante el proceso de su
enfermedad?; ¿Cómo le afectó el proceso de comunicación activa con los profesionales
de salud?; ¿Tuvo personal sanitario a quién exponer sus dudas durante el proceso de su
patología ?; ¿Le ha servido esa información para entender dicho proceso?; ¿Ha influido
el trato recibido por el personal de salud en su estado anímico?
20
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2.3 - Procedimientos
Para poder llevar a cabo la realización de esta investigación, se estableció contacto con
la Asociación Española Contra el Cáncer, en Septiembre de 2015, obteniendo su
colaboración, ayuda y acceso a una muestra necesaria para llevar a cabo el presente
estudio, los objetivos, finalidad, método de recogida de datos y formas de abordaje de la
información, comenzamos con la recogida de información, que tuvo lugar en
Noviembre de 2015. En el acceso a la muestra, se ha establecido una confidencialidad
así como un anonimato, asegurando de que se comprendiera que la participación sería
voluntaria en todo momento, pudiendo tener acceso a los resultados una vez finalizado
este estudio.
En primer lugar, para llevar a cabo la toma de contacto con los participantes de esta
investigación, se realizó una reunión en la que se aclararon los objetivos y la finalidad
por la cual nos decantamos a realizar esta investigación, así como la explicación del
procedimiento para la recogida de datos.
A continuación, se llevó a cabo la entrevista, para la que se tuvo en cuenta la
disponibilidad de las partes involucradas, teniendo lugar el 25 de Noviembre de 2015.
Una vez realizado el consentimiento informado a cada uno de los participantes, se
realizaron 7 entrevistas, las cuales tuvieron lugar en el aula cedida por la Casa de la
Juventud del Ayuntamiento de Ourense. El proceso de recogida de datos se estableció
individualmente, teniendo una duración media de 35-40 minutos. Para dicha
recopilación ha sido utilizado un soporte de papel, mediante documentos creados para
este estudio, pudiendo facilitar el análisis posterior. Para la posterior realización del
análisis de los resultados, nos decantamos por el modelo Bardin (2015).
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
Del análisis de los datos sobre “La Comunicación Activa y el Estado Anímico de los
Pacientes con Neoplasia del Sistema Digestivo” y, teniendo en cuenta los
procedimientos emanados por Bardin (2015), el paso siguiente constituye en efectuar la
descomposición de los discursos, agrupando la información con significado común o
semejante, surgiendo un conjunto de categorías y subcategorías que se describen en las
siguientes tablas.
21
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
La Tabla 1 muestra en detalle el nivel de conocimiento de los pacientes del estudio con
respecto a la enfermedad oncológica, identificados a través de las categorías y
subcategorías. Hemos encontrado que tienen conocimiento de la enfermedad por la
sospecha anterior de la misma, apareciendo como un momento difícil e impactante.
TABLA 1.
CATEGORIAS Y UNIDADES DE ANALISIS RELATIVAS AL NIVEL DE CONOCIMIENTOS SOBRE LA
ENFERMEDAD ONCOLOGICA
Área Temática: Nível de conocimentos sobre la enfermedad oncológica.
Categoría
Subcategoría
Unidades de análise
E1:”… yo casi me lo esperaba porque me encontraba mal,
tenía síntomas y es duro, pero ya me temía lo que pudiera
pasar…”
Sospecha previa de
enfermedad oncológica
E2: “…ya sospechaba que había algo y lo fui digiriendo poco
a poco. Fue una idea de luchar de nuevo…”
E3: “…ya lo sabía porque mi madre falleció de lo mismo,
tenía los mismos síntomas y entonces ya lo sabía y como ya
contaba con ello no me esperaba nada diferente…”
Conocimiento
enfermedad
oncológica
E4: “…yo ya sospechaba que tenía algo…”
E6: “…Malo, porque hacía poco que se había operado mi
mujer de cáncer de pecho entonces fue un momento muy
malo…”
Momento difícil por
situación personal/familiar
Momento impactante
E7: “…Casi no me acuerdo, busqué información y la verdad
que no fue buena idea, fue peor que cuando me dijeron que
tenía el de mama…”
E5: “…Fue impactante lógicamente, anímicamente cuando te
dan la noticia impacta…”
Se identificó que los profesionales de la salud establecen una estrecha interacción con
los pacientes, siendo claro que no se nota que hay una diferenciación de los varios
grupos profesionales (Tabla 2).
22
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Saúde
TABLA 2.
CATEGORIAS Y UNIDADES DE ANÁLISIS RELATIVAS A LA IDENTIFICACIÓN DE LOS
PROFESIONALES DE SALUD CON CONTACTO MAS PRÓXIMO AL PACIENTE
Área Temática: Contacto próximo con los profesionales de salud.
Categoría
Subcategoría
Unidades de análise
E2: “…Con el personal de enfermería fue con el que más trato
tuve…”
Más próximo con personal
enfermería
E3: “…Tuve más contacto con los enfermeros en el momento
de ingresar…”
E5: “…Con los enfermeros máximo, ya que al estar ingresada
o en tratamiento son los que están ahí día a día…”
E6: “…Más contacto lo tienes con enfermería, porque el
médico solo viene dos o tres veces al día y los enfermeros
están ahí las 24 horas…”
Contacto más
próximo con
personal
sanitario
Más contacto con personal
médico
Más contacto con cirujano
y oncólogo
E4: “…El médico que me operó venía a visitarme todos los
días…”
E7: “…Yo creo que los médicos y enfermeros…”
E1: “…Con la cirujana y con la oncóloga. La cirujana me hizo
un seguimiento muy bueno, y por su puesto la oncóloga que
sigo en tratamiento con ella. El servicio de cirugía y
oncología es espectacular…”
Las conclusiones destacan que a eficacia de la comunicación e relación de ayuda con los
profesionales de salud influencia positivamente el estado anímico de lo paciente (Tabla
3).
23
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Saúde
TABLA 3.
CATEGORIAS Y UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS A LA INFLUENCIA DA
COMUNICACIÓN/RELACIÓN DE AYUDA DE LOS PROFESIONALES DE SALUD
Área Temática: Influencia de la comunicación/relación de ayuda de los profesionales de salud.
Categoría
Subcategoría
Unidades de análise
E1: “…Total, incluso les pedía que me dejaran tranquilo un
poco. Durante el proceso el trato con los enfermeros fue una
pasada, sobre todo en el tema de oncología siempre lo primero
era aclarar las dudas, un 10 a todos.”
E2 “…Total y absoluta. El personal de enfermería estaba ahí
siempre presente…”
E4: “…Sí, yo le preguntaba cuando me iban a hacer una prueba
y preguntaba qué era, y en todo momento me explicaban y
agradecí mucho el trato con los enfermeros ya que estaban
disponibles para todo…””
Comunicación/
Relación de
Comunicación/Relación
de ayuda con los
profesionales de salud
eficaz
E5: “…Total y absoluta. Siempre, el médico se pasaba por mi
habitación y me explicaba como estaba, y los enfermeros
siempre que tenía alguna pregunta estaban ahí para
solucionármela…”
E6: “…Total disponibilidad. Lo mejor que hay en el hospital es
el personal sanitario que intentan hacer su trabajo lo mejor
posible, cualquiera que viniera a la habitación le podía
preguntar sin encontrar ninguna barrera. Venían
amablemente a la habitación, me explicaban las cosas; el trato
con los pacientes era bueno, sin encontrar ninguna barrera…”
ayuda con los
profesionales
de salud
E7: “…Sí, siempre estaban disponibles para cualquier cosa,
siempre había algún enfermero para resolver las dudas.
Depende de las personas. El trato siempre es correcto pero la
empatía y la cercanía depende de la persona como en todos los
sectores…”
Comunicación/Relación
de ayuda con los
profesionales de salud
ineficaz
E2: “…Sí, pude encontrar algún médico que se mostraba reacio
a contestar alguna pregunta…”
E3: “…Habrá gente que trabaje solo por el dinero y otra gente
que trabaja por vocación, de ahí que hubo enfermeras con las
que tuve algún malentendido…”
Observamos en la Tabla 4, la influencia de la atención al paciente oncológico traducido
por la mejora de su estado de salud.
24
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Saúde
TABLA 4.
CATEGORIAS Y UNIDADES DE
PROPORCIONADOS AL PACIENTE
ANALISIS
SOBRE
LA
CONDICIÓN
DE
CUIDADOS
Área Temática: Tipo de cuidados proporcionados al paciente
Categoría
Unidades de Registro
Influencia positiva
tras los cuidados
recibidos por
parte del personal
de salud.
E1: “…Si claro, sobre todo en una enfermedad de estas, es diferente, esta enfermedad es
muy fastidiada y te afecta mucho sicológicamente y si hay alguien que se equivoque en las
formas puede molestarte bastante. Y la cara con la que vienen a habrá también puede
afectarte, porque te pillan en un bajón y pueden hundirte aún más…”
E2: “…Yo soy una persona muy fuerte de cabeza, y a lo mejor me da igual como me puedan
tratar, pero si es verdad que me han tratado bien, y eso me ha ayudado…”
E3: “…Sí influyó favorablemente…”
E4: “…Sí, al principio pues me hundí al saberlo, pero poco a poco fui asimilándolo con la
ayuda de mi médico y con los enfermeros…”
E5: “…Si influye mucho, porque aunque venga la familia a verte, con quien estás más
tiempo es con el personal sanitario. Creó que la humanidad en los cuidados son muy
importantes, y una sonrisa es muy importante para el enfermo…”
E6: “…Hombre claro, sí que ha influido. Según tus necesidades es muy importante la forma
en la que te tratan. . Y no es solo importante el trato que me daban a mí, sino que también
daba importancia al trato que daban a mi compañero de habitación…”
E7: “…Sí, sufrí una crisis ansiosa, que el personal me ayudó a pasar…”
4 - DISCUSIÓN DE LOS RESULTADOS
De los resultados obtenidos sobre la comunicación activa con pacientes oncológicos,
se proponen cuatro categorías con sus respectivas subcategorías para conferir mayor
significado: i) Nível de conocimentos sobre la enfermedad oncológica, donde
colocamos subcategorías referentes al momento de conocer la noticia de la enfermedad
oncológica; ii) Contacto más próximo con personal sanitario, encontrando subcategorías
dónde
se
muestra
el
personal
sanitario
más
próximo
al
paciente;
iii)
Comunicación/Relación de ayuda con los profesionales de salud, aumentado el
significado con subcategorías relacionadas con la comunicación eficaz o ineficaz; iv)
Influencia de los cuidados recibidos por el personal sanitario, dónde se refleja si influye
positivamente.
Durante la realización del estudio, verificamos que cada persona afronta la enfermedad
oncológica de diferente forma, atravesando cinco etapas reflejadas en los estudios de
Kübler-Ross (1969). Resaltamos y, de acuerdo con Stedeford (2000), cada persona
25
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Saúde
puede afrontar la enfermedad de una manera propia y personal, y de esta afirmación
puede nacer la pregunta de si la comunicación y relación de cuidados es correcta o no.
De este estudio, a través de las entrevistas, existe una gran mayoría que afirma que el
trato y comunicación por parte del personal sanitario es adecuado y favorable para su
situación, no obstante, una minoría (dos de cada siete personas) afirma que, aunque la
comunicación sea eficaz, las formas o el tacto no son los adecuados. Según Lizarraga,
Ayarra e Cabodevilla (2006), la comunicación con el paciente sirve, además, para
ayudarle en la adaptación a su realidad: la progresión de la enfermedad y la proximidad
de la muerte. Con nuestras conversaciones y nuestros silencios podemos ayudarle a ir
evolucionando por las distintas fases adaptativas descritas por Kübler-Ross.
Al estar en contacto con pacientes oncológicos, es normal que se establezcan ciertas
relaciones entre personal sanitario-paciente, de esta forma nunca se sentirán solos, lo
que les ayudara a avanzar en su patología en el ámbito psíquico y emocional. De esta
forma, los sujetos afirman que con quienes enfatizan y crean más lazos son con el
personal sanitario, recayendo sobre ellos una gran responsabilidad en el trato correcto y
humano. Teniendo en cuenta el tipo de paciente al que nos enfrentamos, se debe llevar
el tema de una forma u otra, fijándose y respetando las necesidades de cada uno, siendo
que en este estudio, la totalidad de sujetos, reafirman que, la buena praxis por parte del
personal sanitario ayuda favorablemente al buen desarrollo emocional y psicológico,
proporcionando al paciente una visión más positiva de la situación corroborando el
estudio de Simões e Rodrigues (2010).
5 - CONCLUSIÓN
Del concepto de comunicación activa en pacientes oncológicos, asociado a la práctica
clínica, brota la responsabilidad y optimización de los cuidados de salud.
De los datos recogidos, podemos concluir que los pacientes del estudio tienen
conocimiento de la enfermedad oncológica, expresando sentimientos y emociones desde
la sospecha al impacto que la misma provoca en la persona. Se identificó que existen
óptimos cuidados de salud, siendo que la gran mayoría de los participantes están
satisfechos con el trato recibido por el personal sanitario, siendo que una minoría,
presenta alguna disconformidad, relacionada con los cuidados. Los profesionales de la
26
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Saúde
salud establecen una estrecha interacción con los pacientes, siendo claro que no se nota
que hay una diferenciación de los varios grupos profesionales. Las conclusiones
destacan todavía que a eficacia de la comunicación e relación de ayuda con los
profesionales de salud influencia positivamente el estado anímico de lo paciente.
Lo que se puede extraer tras el análisis del estudio, a través de la práctica diaria,
adecuando estrategias y realizando planeamientos personalizados, es que se debe formar
personal sanitario con conocimientos técnicos y teóricos, pero fundamentalmente, con
capacidades de cuidados humanos, ya que el trabajo de enfermería no se reduce
solamente a la realización de técnicas, cobrando importancia la comunicación y trato
personal para cada caso.
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Stedeford, A. (2000). A comunicação em caso de doença terminal e de morte. In R. Corney (Ed.),
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Streubert, H., & Carpenter, D. (2011). Investigação qualitativa em enfermagem: Avançando o imperativo
humanista (2a ed.). Loures: Lusociência.
Teixeira, M. B. (Org.). (2001). Manual de enfermagem psiquiátrica. São Paulo: Atheneu.
Andrea Afonso Ferreiro
Técnico Superior Especialista de Laboratorio de Diagnóstico Clínico. Estudiante de Enfermería en Escola
Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
Francisco González Atanes
Técnico Superior Especialista de Laboratorio de Diagnóstico Clínico. Estudiante de Enfermería en Escola
Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
27
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Juan Prieto Alves
Técnico Superior Especialista de Laboratorio de Diagnóstico Clínico. Estudiante de Enfermería en Escola
Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
Martin Atanes Fernández
Estudiante de Enfermería en “Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado,
Chaves.
Catarina Sequeira
Profesora en Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
Licenciatura em Enfermagem. Licenciatura em Neurofisiología.
Maria Cristina Moura
Directora de Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves. Mestre em
Ciências de Enfermagem. Doutoranda em Ciencias de Enfermagem.
28
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Necessidades de informação da mulher submetida a
mastectomia: da informação à ação no autocuidado
Moura, C1; Sequeira C2; Carreira, L3; Domínguez, U4; Seara, Y5
Resumo: Na procura de aumentar a qualidade na informação da mulher submetida a mastectomia,
desenvolvemos o presente estudo, questionando as necessidades de informação decorrentes da
mastectomia. Definimos como objetivo perceber junto das mulheres mastectomizadas a relevância da
informação transmitida para a aprendizagem de capacidades e adaptação à sua nova condição de saúde.
Metodologicamente optamos, por realizar um estudo do tipo qualitativo, exploratório e descritivo, sendo a
amostra constituída por oito mulheres mastectomizadas pertencentes à Associação Espanhola contra o
Cancro, através de uma entrevista semiestruturada. Dos resultados salientamos sete áreas temáticas,
categorias e subcategorias: i) momento de receber a notícia da doença oncológica; ii) informação
transmitida sobre a doença; iii) sentimento desde o internamento até à alta hospitalar; iv) necessidade de
informação da mulher submetida a mastectomia; v) significado atribuído à categoria profissional na
informação transmitida sobre a doença; vi) disponibilidade dos profissionais de saúde; vii) representação
dos profissionais de saúde na exposição de dúvidas durante a doença. Verificamos que informação
disponibilizada pelos profissionais de saúde foi provedora de significância, apresentando sentimentos de
satisfação, no atendimento do seu problema de saúde. Concluiu-se que a necessidade de informação da
mulher submetida a mastectomia é um dos aspetos que precisa de ser considerados no planeamento dos
cuidados de saúde, para que as mulheres possam ter um maior nível de conhecimento e mais capacidade
para gerir seu processo de doença.
Palavras-chave: Mastectomia; informação; necessidade.
Abstract - Seeking to increase the quality of information given to women submitted to mastectomy, we
developed this study, questioning the information needs arising from the mastectomy. We defined the
objective: realizing with the mastectomies women the relevance of the information transmitted to the
learning of capabilities and adaptation to their new health condition. Methodologically we opted for
conducting a qualitative, exploratory and descriptive study, the sample was composed of eight women
submitted to mastectomies belonging to the Spanish Association against Cancer, through a semistructured interview. The results highlight seven thematic areas, categories and subcategories: i) Time of
reception of the oncological disease news; ii) transmitted information about the disease; iii) sentiment
from admission to hospital discharge; iv) the need for information in women submitted to mastectomy; v)
meaning attributed to the professional category in the person who transmitted information about the
disease; vi) availability of health professionals; vii) health professionals in doubt exposure during illness.
We found that information provided by health professionals, was of great significance, with sentiments of
satisfaction in the care of his health problem. It was concluded that the need for information in women
submitted to mastectomy is an aspect, that needs to be considered in the planning of the health care, so
that women may have a higher level of knowledge and better able to manage their disease process.
Keywords: Mastectomy; information; need.
___________________________
1
Cristina Moura - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, [email protected].
2
Catarina Sequeira - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, [email protected].
3
Lorena Carreira - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chave [email protected]
4
Uxía Domínguez - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves [email protected]
5
Yurema Seara - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves- [email protected]
29
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
A nível mundial, no ano de 2008, diagnosticaram-se aproximadamente 1.380.000 novos
casos de cancro de mama, que representam 23% de todos os cancros, sendo o tumor
mais frequente no sexo feminino, tanto nos países desenvolvidos como naqueles em
vias de desenvolvimento (Organização Mundial de Saúde [OMS], 2008). Em Portugal,
os valores apontam para 60 novos casos por 100.000 mulheres, ou seja, cerca de 27.7%
do total de cancros no sexo feminino (Registo Oncológico Regional do Norte
[RORENO], 2013).
Em Espanha diagnosticam-se 26.000 casos por ano, o que representa cerca de 30% de
todos os tumores do sexo feminino do país (Asociación Española Contra el Cáncer,
2014).
Na Europa, o risco individual de uma mulher desenvolver cancro da mama ao longo da
sua vida é estimado em 12% (aproximadamente 1 em cada 8 mulheres) e o risco de
morte pode ser de até 5% (aproximadamente 1 em cada 20 mulheres) (Soerjomataram,
Louwman, Ribot, Roukema & Coebergh, 2008). A maior incidência, mortalidade e
prevalência na mulher a 5 anos é para o cancro da mama (Sociedade Espanhola de
Oncologia Medica, 2014) e nos últimos anos, esta doença tem sido diagnosticado em
mulheres cada vez mais jovens, com idades inferiores a 40 anos (Portal de Oncologia
Português, 2011).
Face a estes dados, importa realçar a introdução de programas de atividades preventivas
com recurso exames complementares, como a mamografia, sendo recomendada a sua
realização de acordo com a idade cada dois anos nesta faixa etária e, em grupos de risco,
a partir dos 40 anos com uma periodicidade anual. No caso de risco genético
documentado, recomenda-se realização anual de mamografia a partir dos 25 anos
(Direção-Geral da Saúde, 2011).
O principal alvo do rastreio por mamografia é a deteção do carcinoma invasivo precoce,
bem como, detetar carcinomas in situ (Hakama, Coleman, Alexe & Auvinen, 2008). O
rastreio procura reduzir a mortalidade, através de tratamentos numa fase precoce e com
maior probabilidade de sucesso (NHS Breast Screening Programme, 2010).
No entanto, é de realçar que 10% a15 % dos cancros de mama não são detetáveis apenas
com a realização da mamografia, pelo que se deve complementar com o estudo
30
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
ecográfico. Também o autoexame da mama, regular e cuidadoso, deve ser integrado na
rotina da mulher, permitindo-lhe conhecer melhor a sua glândula mamária, para que seja
a primeira a detetar qualquer alteração. Cerca do 90% das massas tumorais são
detetadas pelas próprias (Silva & Riul, 2011).
No tratamento do cancro da mama, podem ser utilizados a cirurgia, a quimioterapia, a
radioterapia e hormonoterapia, tanto no contexto neoadjuvante, como no adjuvante ou
paliativo (Ribeiro, 2014). A cirurgia é uma das formas de tratamento mais comum,
tendo várias abordagens de acordo com a classificação e o tipo de tumor. Os
procedimentos cirúrgicos mais comuns incidem na mastectomia total e na cirurgia
conservadora da mama. A cirurgia conservadora considerada a técnica cirúrgica
alternativa à mastectomia, surge na maioria das doentes, portadoras de carcinomas
ductais in situ e carcinomas invasores em estados iniciais. A mastectomia radical
consiste na remoção total da mama, bem como dos músculos peitorais, pele e os
gânglios axilares, no entanto, apesar do sucesso terapêutico, está associado a um
elevado risco de linfedema e deformação do peito e ombros (Ribeiro, 2014).
A quimioterapia, estratégia terapêutica sistémica, incide na diminuição da probabilidade
de metastização, bem como de desenvolvimento da doença a nível locoregional
ajudando na cura e no controlo da doença. A quimioterapia adjuvante é normalmente
administrada a seguir a um tratamento local como a cirurgia e/ou radioterapia e tem
como objetivo reduzir o risco de doença metastática. Pode também administrar-se
quimioterapia em neoadjuvância de forma pré-operatória com o objetivo de reduzir o
tamanho do tumor, permitindo desta forma uma abordagem cirúrgica ou obter respostas
patológicas completas. Utiliza-se em tumores localmente avançados ou inflamatórios
que não são suscetíveis de cirurgia de início (Coelho, 2008).
Outro dos tratamentos realizado para o cancro da mama, é a radioterapia indicada para
tratamento pós-cirúrgico com objetivo de minimizar recorrências, apresentando um
papel fundamental na terapêutica loco-regional, principalmente após cirurgia
conservadora. É também utilizada após mastectomia radical, em tumores maiores de 5
cm que afetam o gânglio axilar e como tratamento para a prevenção de metastização
óssea e cerebral (Oliveira, Cardoso & Orvalho, 2009).
31
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
O desconhecimento da doença, o medo de morrer e a ansiedade relacionada com o
diagnóstico, pode dificultar a assimilação da informação transmitida pelos profissionais
de saúde, pelo que, se torna pertinente uma intervenção de saúde eficaz e eficiente na
informação a ser transmitida à pessoa com este problema (Fernandes et al., 2012).
Face ao exposto, surge como questão norteadora da nossa investigação: Quais as
necessidades de informação, decorrentes da mastectomia, verbalizadas pelas mulheres
participantes no nosso estudo? Neste sentido definiu-se como objetivo do estudo
perceber junto das mulheres mastectomizadas a relevância da informação transmitida
para a aprendizagem de capacidades e adaptação à sua nova condição de saúde.
2 - MÉTODO
Face ao objetivo do estudo e questão de investigação, consideramos que este se insere
num paradigma de investigação qualitativo, uma vez que se pretende aprofundar
conhecimentos sobre o fenómeno (Streubert & Carpenter, 2013). Quanto ao tipo de
estudo centramo-nos num estudo de carácter não experimental, descritivo-exploratório,
transversal (Fortin, Côté & Filion, 2009).
2.1 - Participantes
Para a seleção dos participantes, optou-se por um método de amostragem não
probabilístico, mas intencional. Considerou-se pertinente recorrer a este método, por se
pretender escolher os participantes em função de traços próprios, por forma a enriquecer
os dados do estudo (Ribeiro, 2010; Streubert, & Carpenter, 2013).
Constituíram critérios de inclusão previamente estabelecidos: mulheres com idade
superior a 18 anos e com capacidade de decisão autónoma; mulheres que foram
operadas há mais de três meses e há menos de um ano; mulheres submetidas aos três
tipos de tratamento: cirurgia, quimioterapia e radioterapia, tendo a amostra ficado
constituída por 8 mulheres (E1 a E8).
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2.2 - Material
Selecionamos a entrevista semiestruturada como técnica de recolha de dados, tendo em
conta a questão de investigação, natureza, finalidade e objetivos do estudo, a qual nos
permitiu elaborar um contíguo de questões orientadoras, permitindo expressarem-se
livremente e um controlo sobre as mesma. Foi elaborado um guião da entrevista
organizado em duas partes: características sociodemográficas (idade, estado civil,
escolaridade e freguesia de residência); necessidade de informação (acesso à
informação, desde a consulta/ internamento/ preparação para a alta e regresso ao
domicílio).
2.3 - Procedimentos
Para o processo de colheita de dados, foi solicitada autorização, tendo por base o
respeito de todos os pressupostos deontológicos, inerentes à ética da investigação, e o
assinalado na Declaração de Helsink, bem como a colaboração das participantes,
garantindo anonimato e proporcionado o termo de consentimento informado.
Tendo como pressuposto que, a análise de dados qualitativos pressupõe e tem como
meta a organização, a sistematização e a estruturação dos dados da pesquisa, que
consiste num sistema de codificação e descoberta de categorias e subcategorias, com as
quais se constrói uma área temática, que constitui a representação do fenómeno em
estudo, segundo a perspetiva dos participantes (Bardin, 2015), foram realizadas 8
entrevistas de acordo com a disponibilidade dos participantes, com um tempo médio de
30 minutos. Do registo efetuado e após leitura repetida das entrevistas, prosseguimos
para a análise de conteúdo, segundo Bardin (2015).
3 - ANÁLISE DOS RESULTADOS
Da caracterização sociodemográfica da amostra, a idade das mulheres participantes no
estudo, situou-se entre os 40 e 70 anos, sendo a média de idades de 55,35 anos. São na
sua totalidade casadas e com um nível de estudo médio (3º ciclo do ensino secundário),
tendo com freguesia de residência Ourense, Allariz e Amoeiro.
33
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Da análise da informação sobre a necessidade de informação da mulher submetida a
mastectomia, emergiram sete áreas temáticas, categorias e subcategoria, inerentes a
cada uma delas (Tabelaa 1 a 7).
TABELA 1.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS AO MOMENTO DE RECEBER A
NOTÍCIA DA DOENÇA ONCOLÓGICA
Área Temática
Categoria
Momento de
receber a
notícia da
doença
oncológica
Momento duro e
difícil
Unidades de análise
E1:“…Fue duro conocer la noticia pero siempre fui muy optimista
aunque tuve mis momentos de bajon.…”
E2:“…Fue duro no me lo esperaba en absoluto pero siempre fui muy
optimista y confie mucho en el persona…”
E3: “…Duro, pero esperado por las pruebas realizadas…”
E4:“…Un golpe, y estaba en una etapa de mi vida muy dura y esto no
ayudó en absoluto, mi marido falleció de cáncer…”
E5:“…Pues fue duro, tu no esperas que sea eso, sabes que puede pasar
pero lo que menos imaginas es que te pase a ti …”
TABELA 2.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS À INFORMAÇÃO
TRANSMITIDA SOBRE A DOENÇA
Área Temática
Categoria
Informação
transmitida
sobre a doença
Informação
abundante
Unidades de análise
E1:“…Me dijeron todos los pasos que íbamos a seguir y los tratamientos
a los que iba a ser sometida paso por paso.…”
E2:“…Me explicaron todo lo que me iban hacer, las pruebas,
intervenciones, reconstrucción…me explicaron todo paso por paso…”
E3:“…Muy directa, muy clara y al tiempo muy esperanzadora en el
sentido de que las
posibilidades de curación, en mi caso, eran muy elevadas.…”
E4:“…Que tenía cáncer de mama, y los tratamientos que tenía que
superar (cirugías, reconstrucciones, ou seja todo o processo que se iria
fazer”
TABELA 3.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS AO SENTIMENTO DURANTE O
INTERNAMENTO
Área Temática
Sentimento
desde o
internamento
até a alta
hospitalar
Categoria
Dor e medo
durante o
internamento
Unidades de análise
E1:“… Antes de ser intervenida tenía mucho miedo y tanto el personal
como mi familia me intentaron calmar y decirme que todo iba a salir
bien y así fue. Después de la operación estaba bastante dolorida y el
brazo me costaba mucho moverlo y cuando me venían hacer las curas
recuerdo que no quería ni mirar, senti medo…”
E2:“… Fue bastante duro porque estuve dos días con un pequeño
drenaje que recuerdo bastante molesto. La planta era muy triste…”
E3:“…Duró una semana, no tuve dolor o no lo recuerdo. Pero si mucho
miedo, y muchas dudas no quería por nada del mundo ver la herida.…”.
34
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
TABELA 4.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA, SUBCATEGORIAS E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS A
NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO APÓS A ALTA HOSPITALAR
Área
Temática
Categoria
Subcategoria
Necessidade do nº
de consultas após alta
hospitalar
Necessidade
de
informação
da mulher
submetida a
mastectomia
Tipologia
de informação
Características
da informação
Pouca informação
durante o
internamento
Unidades de análise
E1:“…Después del alta hospitalar tuve entre
20/30 consultas de revisiones.…”
E2:“…Dos o tres con el cirujano, sobre diez con
el oncólogo y sobre ocho con la
radioterapeuta…”
E3:“…Sobre 30 consultas…”
E4:“… A las dos semanas tuve unas sesiones de
rehabilitación del brazo. Después del
tratamiento de Radio, controles semestrales
durante 5 años y anuales durante 8 años.
Alta oncológica a los 13 años…”.
E1:“… No coger pesos, no tomar nada que
tuviera soja, hacer ejercicio con los brazos sin
mucho peso y hacer deporte en general…”
E2:“… Hacer ejercicio, sobre todo con el brazo,
no coger pesos y tener una buena
alimentación.…”
E1:“… Toda la información que nos den es poca.
A mí me dieron bastante información y la que yo
sentía que me faltaba por saber les
preguntaba.…”
E2:“… La información es fundamental así como
confiar plenamente en el equipo médico.
Supongo que cada persona necesita un tipo muy
concreto de información. Lo importante es que
no se quede con dudas sobre la evolución de la
enfermedad,…”
E3:“…Toda información es poca realmente,
porque en eso momento necesitas saber que va a
pasar constantemente y realmente nadie puede
asegurarte al 100 % una cosa u otra…”.
E4:“…La información es muy útil, pero toda
información es poca…”.
TABELA 5.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS À PERCEÇÃO SOBRE DO
SIGNIFICADO ATRIBUÍDO À EQUIPA DE SAÚDE NA INFORMAÇÃO TRANSMITIDA
Área Temática
Categoria
Significado
atribuído à
categoria
profissional na
informação
transmitida
sobre a doença
Médicos e
enfermeiros
Unidades de análise
E1:“…Con médicos, el cirujano y sobre todo con las enfermeras que eran
las que siempre estaban allí y a las que si tenías alguna duda sabias que
podías preguntarle que te las iban a resolver enseguida, te animaban
mucho y eran un gran apoyo.…”
E2:“… Médicos y enfermeras. Con el cirujano que me operó aun hoy
guardo una amistad al igual que la enfermera. Es gente con mucha
empatía, se preocupan por ti más allá de una enfermedad …”
E3:“… Oncólogos y con la enfermera de ginecología. Fueron todos muy
amables, mucho más allá de los personal, tratan como personas no como
enfermos…”.
35
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
TABELA 6.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS À DISPONIBILIDADE DOS
PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Área Temática
Disponibilidade
dos
profissionais de
saúde
Categoria
Profissionais
sempre atentos
Unidades de análise
E1:“…Si siempre, se comportaron como si fueran uno más de tu familia
y te animaban.…”
E2:“…Si, siempre muy atentos, Es un servicio excepcional oncología,
tanto en Orense como en Vigo…”
E3:“…Si, eran muy atentos todos y para mi fueron un gran apoyo en
esta enfermedad…”.
E4:“…Siempre. Tanto la sanidad privada como la pública, pues he
tenido que combinar ambas, fue de un trato excelente…”.
TABELA 7.
ÁREA TEMÁTICA, CATEGORIA E UNIDADES DE ANÁLISE RELATIVAS AO APOIO
PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA EXPOSIÇÃO DE DÚVIDAS DURANTE O PROCESSO DE DOENÇA
Área Temática
Categoria
Representação
dos
profissionais
de saúde na
exposição de
dúvidas
durante a
doença
Humanização na
informação
DOS
Unidades de análise
E1:“…Si, como ya dije ellos me dieron toda la información que ellos
creían que debería de saber y si tenia dudas ellos me la resolvían en el
momento. Fueron todos muy amables…”; “…Ellos han sido como mi
segunda familia en esta enfermedad que para mi ha sido muy dura
saberla llevar por el miedo que tenia y aun sigo teniendo, ellos me han
sabido calmar y ayudare apoyaron en esta dura etapa…”
E2:“… Si. Todos los profesionales con los que he tenido y sigo teniendo
contacto, han dado las recomendaciones perfectas para llevar a cabo la
recuperación,…”; “…Si , siempre han sido un gran apoyo para mi, era
como si fueran mi segunda familia. Gracias a ellos lleve la enfermedad
sin menos miedos…”
E3:“…A todos los profesionales con los que he tenido contacto han
estado ahí y siguen estando para todo lo que necesite. Son como una
segunda familia…”.
E4:“…Si, en todo momento, no solo en consultas si no en la vida real
durante ese tiempo…”.
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Dos achados, constatamos que cada pessoa afronta a doença oncológica com medo e
receio, como o mencionado no discurso “…fue duro conocer la noticia pero siempre fui
muy optimista aunque tuve mis momentos de bajon.…”(E1),
concordamos com
Salimena, Campos, Melo e Magacho (2012) em que o autoexame da mama, regular e
cuidadoso, deve ser integrado na rotina da mulher, permitindo-lhe conhecer melhor a
sua glândula mamária, para que seja a primeira a detetar qualquer alteração, pelo que a
informação prestada pelos profissionais de saúde é crucial na sua promoção/prevenção
da doença.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
A maioria das participantes, relata que a informação transmitida pelos profissionais de
saúde é abundante permitindo compreender melhor a sua situação “…la información es
fundamental...”(E3); Supongo que cada persona necesita un tipo muy concreto de
información. Lo importante es que no se quede con dudas sobre la evolución de la
enfermedad…”(E5), o que vai ao encontro de De la Cuesta Benjumea (2006), quando
refere que é por meio da comunicação/informação que podemos ajudar os indivíduos a
afrontar a experiencia da doença e do sofrimento, ajudando a dar sentido a estas
situações.
A necessidade de informação durante o internamento e alta hospitalar tem um papel
fundamental, já que existe uma certa discrepância entre esta fase da doença e o
momento inicial, transmitida pelas participantes e presentes nos seus discursos de E1“…
toda la información que nos den es poca. A mí me dieron bastante información y la que
yo sentía que me faltaba por saber les preguntaba.…”, E4:“…la información es muy
útil, pero toda información es poca…”. No entanto, a representação dos profissionais de
saúde é relatada de uma forma consistente ao nível da humanização da informação,
corroborando Salimena et al. (2012) ao mencionar a necessidade de um cuidar integral
pelos profissionais de saúde, como elementos importantes na transmissão de
informações sobre a doença.
Ainda, aquando do internamento, sentimentos tais como a dor e medo estiveram
presentes, E3:“…Duró una semana, no tuve dolor o no lo recuerdo. Pero si mucho
miedo, y muchas dudas no quería por nada del mundo ver la herida.…” colmatados
pelo tipo de informação e humanização dos cuidados, disponibilizada pelos
profissionais de saúde. No momento da alta é de realçar a importância transmitida pelo
número de consultas efetuadas, a informação através de ensinos personalizados de
acordo com a tipologia de informação exigida manifestada pelo discurso de (E1) ao
relatar da importância “… No coger pesos, no tomar nada que tuviera soja, hacer
ejercicio con los brazos sin mucho peso y hacer deporte en general…” e o significado
dessa informação, corroborando com Kluser, Terra, Noal, Lacchini e Padoin (2011), ao
referirem que o cuidado em oncologia, estabelece-se na relação entre profissional e sercuidado de forma individualizada, objetivando a humanização.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Efetivamente, são os médicos e enfermeiros, os profissionais que detêm a competência
da transmissão da informação, como agentes atentos,“… siempre, se comportaron como
si fueran uno más de tu familia y te animaban, muito atentos…” E1,“…siempre muy
atentos, es un servicio excepcional oncología, tanto en Orense como en Vigo…” E2.
A representação dos profissionais de saúde é relatada de uma forma consistente e uma
vez mais, ao nível da humanização da informação. No entanto, deste estudo sobressaem
alertas, génese para investigações futuras, de forma a contribuir para aumentar a
qualificação da informação fornecida pelos profissionais de saúde.
5 - CONCLUSÕES
Do estudo, emergiram sete áreas temáticas em torno da necessidade de informação das
mulheres mastectomizadas, para a aprendizagem de capacidades e adaptação à sua nova
condição de saúde.
Salientamos que, o momento efetivo de transmissão do diagnóstico foi duro e difícil, no
entanto, a relevância da informação disponibilizada pelos profissionais de saúde nas
diversas fases do processo de doença foi interpretada pelas mulheres mastectomizadas,
como abundante.
A necessidade de informação na fase de internamento e alta hospitalar, constituiu-se
como fundamental, face à discrepância entre a informação recebida no momento inicial
da doença e aquando do internamento e alta hospitalar, revelando estes dois últimos
momentos, carência de informação.
É ainda de realçar, a competência da transmissão da informação, representada pelos
profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, como agentes atentos e promotores de
ensinos personalizados.
Sublinhamos que o informar e o instruir, são aspetos que precisam ser considerados no
planeamento dos cuidados de saúde, para que as mulheres possam ter um maior nível de
conhecimento e mais capacidade para gerir seu processo de doença.
38
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
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Lorena Carreira Vidal
Higienista Bucodental. Estudante do 4º Ano, da Licenciatura em enfermagem na Escola Superior de
Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
Uxía Domínguez Fernández
Estudante do 4º Ano, da Licenciatura em enfermagem na Escola Superior de Enfermagem Dr. José
Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
39
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Yurema Seara Núñez
Estudante do 4º Ano, da Licenciatura em enfermagem na Escola Superior de Enfermagem Dr. José
Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
Cristina Moura
Professora na Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves. Mestre em
Ciências de Enfermagem. Doutora em Ciências de Enfermagem.
Catarina Sequeira
Professora Assistente na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em
Chaves. Licenciatura em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Licenciatura em
Neurofisiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. Pós-Graduação de Gestão em
Saúde pela Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em Chaves.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Vivência dos enfermeiros em estruturas residenciais para
idosos na Eurocidade Chaves-Verin
Machado, V 1.; Fernandez, A 2.; Freire,C3.; Salgado, M4 .; Moura, O 5.; Rodrigues, S 6.
Resumo - Portugal e Espanha são dos países mais envelhecidos do mundo, onde se estima que a Galiza
seja a área geográfica mais envelhecida, precisamente a que integra a região da Eurocidade Chaves-Verin.
Face à crescente institucionalização dos idosos em residências, pretende-se com a investigação,
caracterizar a vivência dos enfermeiros que trabalham em residências para idosos na área da Eurocidade
Chaves-Verin. Para tal, investimos num estudo qualitativo, de natureza exploratório-descritivo e cariz
transversal. Os participantes foram 10 enfermeiros que trabalham em residências para idosos, naquela
região, a quem foi aplicada a entrevista semiestruturada. A análise da informação foi baseada na análise
de conteúdo. Dos resultados, inferimos três áreas temáticas: “valorização dos cuidados de enfermagem
pelo enfermeiro ao idoso residente”; “relação do enfermeiro com os familiares/pessoa significativa do
idoso” e a “satisfação do enfermeiro com o cuidar do idoso”. O estudo permitiu concluir a relevância
atribuída pelos enfermeiros aos cuidados prestados ao idoso, mormente pela valorização das atividades
técnicas e valorização da relação, a importância atribuída à relação com os familiares/pessoa significativa
do idoso e à relação estabelecida entre o idoso e a sua família/pessoa significativa, e finalmente, a
importância atribuída pelos enfermeiros ao reconhecimento do seu trabalho pelo idoso e família.
Palavras-chave: Vivência dos enfermeiros; pessoa idosa; cuidados de enfermagem; prática clínica.
Abstract - Portugal and Spain are two of the most aged countries in the World; it is also estimated that
Galicia is the most aged geographical area, being precisely the region where Eurocity Chaves-Verin is
integrated. In face of the increasing institutionalisation of the elderly in nursing homes, this study aims at
characterising the experience of nurses working in nursing homes in the area of Eurocity Chaves-Verin.
To this end, we have undertaken a qualitative study, of exploratory-descriptive nature and with a
crosscutting approach. The participants in the study were 10 nurses working in nursing homes in that
region, who were subjected to semi-structured interviews. The information analysis was based on a
content analysis. From the results obtained we infer three thematic areas: “valorisation of the nursing care
delivered by nurses to elderly residents”, “relationship of the nurse with the family/significant person of
the elderly”; and “satisfaction of the nurse with the care provided to the elderly” The study allows to
conclude on the relevance attributed by nurses to the nursing care delivered to the elderly, particularly the
valorisation of the technical activities and the of the relationship; on the importance attached to the
relationship with the elderly’s family/significant person, and the relationship established between the
elderly and his family/significant person; and finally, on the importance attributed by the nurses to the
recognition of the nurse’s work by the elderly and his family.
Keywords: Nurses experience; elderly people; nursing care; clinical practice.
___________________________
1
Vítor Machado - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado [email protected]
2
Anxela Fernandez - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado –
[email protected]
3
Cristina Guede - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado –
[email protected]
4
Matilde Blanco - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado –
[email protected]
5
Olívia Seixas - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado –
[email protected]
6
Sílvia Rodrigues, - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado – Chaves [email protected]
Chaves Chaves Chaves Chaves Chaves -
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
O Instituto Nacional de Estatística (2014) prevê que a estrutura etária da população
portuguesa vai sofrer grandes alterações devido ao envelhecimento, dos baixos índices
de natalidade, que se vão manter, e ainda dos saldos migratórios negativos.
Cerca de 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos. Desta forma, Portugal é
um dos países mais envelhecidos da União Europeia, precisamente, o sexto país mais
envelhecido do mundo, e o quarto país da União Europeia com maior percentagem de
idosos. Em quarenta anos, passou de país com a maior taxa de natalidade da Europa
para o detentor da taxa de natalidade mais baixa. A expressão da esperança de vida
aumentou para 80 anos, sendo de 76,91 anos para os homens e de 82,79 anos para as
mulheres (Cipriano & Capelletti, 2014).
A Espanha, à semelhança de Portugal, também é um dos países mais envelhecidos do
mundo, sendo a Galiza a área geográfica mais envelhecida, um caso extremo de
longevidade, onde a expetativa de vida é superior à média de Espanha, 78,2 anos para os
homens e 85,2 para as mulheres (Mapfre, 2014).
A propósito, Almeida (2011) revela que, à medida que a pessoa vai envelhecendo,
aumentam os riscos de fragilidade de saúde física e mental. Prevalecem e agravam-se as
doenças crónicas, aumentam os níveis de dependência, sobrecarregando desta forma os
sistemas de saúde e de segurança social, pois 25% das pessoas com 65 anos possui
algum tipo de dependência e 50% das pessoas com 80 anos requerem apoio face à sua
dependência.
Envelhecer é parte da vida humana, embora a aceitação do processo não seja natural.
Numa sociedade em que existem certos preconceitos e estereótipos negativos acerca da
pessoa idosa, contributos para a exclusão social e para a discriminação dos idosos, cabe
também aos profissionais de saúde o papel preponderante de desfazer mitos e atitudes
(Galvão, Rodrigues & Novo, 2014).
Neste âmbito, a enfermagem exerce um papel essencial, oferecendo uma prática voltada
para o envelhecimento saudável, compreendendo os fenómenos como eles se
apresentam e assegurando os cuidados de enfermagem que o idoso precisa, a fim de
favorecer a sua saúde física e mental e o aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual,
em condições de autonomia e dignidade (Silva, Sousa, Ferreira & Peixoto, 2012).
42
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Segundo Tavares (2012), a tendência atual do envelhecimento demográfico, associado a
vários problemas que existem na sociedade, conduz as famílias à necessidade de
procurarem alternativas para o acompanhamento dos seus idosos, nomeadamente a
institucionalização destes em residências para idosos. Estas instituições acolhem
pessoas, em idades cada vez mais avançadas, e em condições naturalmente mais
degradadas, o que faz destas instituições verdadeiras unidades de saúde, com problemas
de complexidade acrescida para dar resposta.
À enfermagem cabe manter o idoso integrado no ambiente atual, com uma vida ativa e
gratificante, incentivando a sua participação no autocuidado, de forma a maximizar a
autonomia e a independência.
O bem-estar e a qualidade de vida dos idosos em residências, passa por uma assistência
interdisciplinar adequada, e o profissional de enfermagem tem um papel basilar no seio
da equipa multiprofissional (Tavares, 2012), sendo relevante proceder-se ao
levantamento de necessidades e formular o diagnóstico de situação, essencial para
organizar respostas ajustadas aos idosos (Santos, Gomes & Lobo, 2013).
A visão do pessoal de enfermagem que trabalha em residências para idosos, sobre o seu
papel, é pouco estudado. Porém, é interessante descobrir o que é que o pessoal de
enfermagem entende pelos cuidados que presta, de igual forma, é importante conhecer
quais as dimensões dos mesmos e quais as mais importantes para estes profissionais.
Efetuar o reconhecimento do trabalho do enfermeiro em residências para idosos, hoje
em dia é de grande importância e interesse, assim como é interessante descobrir qual é a
própria visão que a enfermagem tem do seu trabalho diário (Gil, 2012).
É assim, relevante, que o enfermeiro tome consciência do seu papel, podendo fazer
diferenciação na atuação, sendo que o seu conhecimento e a sua prática assistencial
fazem dele um ator diferenciado (Caetano, 2009; Ferreira, 2014).
Aleixo (2010), refere que pouco se sabe sobre os requisitos específicos que definem os
profissionais de enfermagem no ambiente da equipa assistencial em residências para
idosos. O mesmo autor constata a necessidade de mais investigação, e de se recolher um
maior volume de dados sobre os benefícios da presença de enfermeiros nessas
instituições. Neste sentido, é importante promover a investigação acerca da vivência dos
enfermeiros sobre os cuidados que prestam em residências para idosos.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Neste encalço, face à preocupação sobre o modo como os enfermeiros vivenciam os
cuidados de enfermagem ao idoso em residências, a partir das suas experiências,
entendeu-se pertinente definir como objetivos: conhecer a perspetiva dos enfermeiros
que trabalham em residências para idosos da área transfronteiriça da Eurocidade
Chaves-Verin, acerca dos cuidados prestados ao idoso; e caraterizar os cuidados de
enfermagem mais valorizados por estes profissionais neste contexto. Esta delimitação
conduziu ao estudo, na direção adiante descrita.
2 - MÉTODO
Investimos num método qualitativo dado permitir a descrição de significados nas
vivências dos enfermeiros (Streubert & Carpenter, 2013), pois a abordagem qualitativa
permite qualificar o conteúdo manifesto, com o objetivo final de uma melhor
interpretação. Neste estudo, de abordagem qualitativa sobre os diversos fatores que
integram esta problemática do cuidado de enfermagem ao idoso, ou seja, na perspetiva
dos enfermeiros que exercem em residências para idosos na região transfronteiriça da
Eurocidade de Chaves-Verin e com ênfase na sua experiência, pretende-se conhecer a
sua visão nessa realidade e caracterizar os cuidados de enfermagem realizados por estes
profissionais.
Quanto ao tipo de estudo, atendendo à problemática, aos objetivos e às suas
características, a opção recai num estudo de natureza exploratório-descritivo e de cariz
transversal, conforme o preconizado por Fortin, Côté e Filion (2009).
2.1 - Participantes
A escolha da amostra foi racional ou intencional e não probabilística. Os participantes
no estudo foram os enfermeiros que trabalham em residências para idosos do lado
português e do lado espanhol da região transfronteiriça da Eurocidade Chaves-Verin e
que acederam participar voluntariamente neste estudo. Definimos como critérios de
exclusão: i) Não participação voluntária; ii) Enfermeiros a exercer nos dois países
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
simultaneamente; iii) Enfermeiros com menos de um ano de exercício profissional na
residência onde trabalha.
Quanto à amostra, foram considerados 10 enfermeiros no estudo, sendo 5 do lado
português e 5 do lado espanhol, da região da Eurocidade Chaves-Verin, pelo nosso
interesse particular e pela acessibilidade da amostra.
2.2 - Material
De acordo com os objetivos delineados, optou-se pela entrevista semiestruturada como
instrumento de recolha de informação. A opção deve-se ao facto da entrevista permitir
ao investigador formular um conjunto de questões através das quais se controla a
mesma, face às informações que se visa perceber (Fortin et al., 2009). Neste
seguimento, elaborou-se um guião de entrevista com base na informação que se
pretendia recolher dos participantes, face aos objetivos e questão de investigação
formulados. Das questões colocadas, numa primeira parte constituída por questões no
sentido da caracterização da amostra e, na segunda parte, destacamos: i) No seu dia a
dia como enfermeiro, quais são as atividades que realiza?; ii) Quais são as que levam
mais tempo?; iii) Quais são as que considera mais relevantes?; iv) Que tipo de relação
estabelece com a pessoa idosa?; v) Que tipo de relação estabelece com os
familiares/pessoa significativa da pessoa idosa?; vi) De que forma os familiares
influenciam o seu trabalho como enfermeiro/a?; vii) Com relação à sua satisfação, o que
pensa?
2.3 - Procedimentos
Para conduzir uma qualquer pesquisa, há procedimentos essenciais a considerar,
nomeadamente em termos éticos. Realçamos que todas as questões éticas foram
previamente determinadas e asseguradas durante o decurso da recolha de dados e da
investigação, em conformidade com a Declaração de Helsínquia (World Medical
Association, 2013).
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Desta forma, foi solicitada autorização formal às hierarquias das residências,
posteriormente aos participantes (enfermeiros portugueses e espanhóis) obteve-se o
consentimento informado e assegurada a sua participação voluntária, após explicitação
dos objetivos e finalidade do estudo.
As 10 entrevistas foram realizadas em data e local da preferência dos sujeitos do estudo,
salvaguardando sempre a preservação da privacidade e o sigilo. Apoiado pelo guião de
entrevista, o investigador, efetuou registo manual da informação em impresso próprio
para o efeito, de forma a possibilitar uma análise detalhada dos conteúdos abordados,
permitindo-nos validar e entender a saturação da informação (Vilelas, 2009).
O tempo médio de cada entrevista foi de 30 minutos, tendo oscilado entre os 15 e os 30
minutos.
O período da colheita de dados decorreu no mês de março e mês de abril de 2016.
A análise da informação teve por base a técnica de análise de conteúdo de Bardin
(2011).
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
A amostra foi constituída por 10 enfermeiros, sendo 8 do sexo feminino e 2 do sexo
masculino, cujas idades variam entre os 23 e os 45 anos; 5 exercem do lado português e
5 do lado espanhol, apenas dois não residem na área da região transfronteiriça da
Eurocidade Chaves-Verin. Relativamente ao tempo que trabalham com pessoas idosas,
varia entre 2 e os 16 anos.
De acordo com os procedimentos preconizados por Bardin (2011), fomos decompondo
os discursos, alinhando grupos de informação, conforme a semelhança das suas
características, formando, então, categorias e subcategorias.
Dos resultados destacamos três áreas temáticas, cujo significado resulta de um conjunto
de categorias diferentes e respetivas subcategorias, também distintas, que apresentamos
em síntese, da análise dos dados sobre o cuidar do idoso segundo a vivência dos
46
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
enfermeiros que exercem em residências para idosos na Eurocidade Chaves-Verin,
através das tabelas 1, 2 e 3.
Tabela 1.
Área temática: Valorização dos cuidados de enfermagem pelo enfermeiro ao idoso residente
Categoria
Valorização das
atividades técnicas
Subcategoria
Valorização da preparação
da terapêutica
Unidade de Registo
“…preparação da medicação…” E1, E2, E4, E5, E10
Valorização da
administração de
terapêutica
“…administração e preparação de medicação…” E8
“… preparação da medicação e administração…” E4, E5
Valorização da execução de
pensos
“…execução de pensos…” E3, E4, E6, E7
Valorização do tratamento
de úlceras de pressão
“…tratamentos a úlceras de pressão…” E4, E5, E10
Valorização da colheita de
espécimens para análise
laboratorial
“…colheita de sangue e urina para análises…” E4
“…colheita de sangue para análises…” E1, E2, E3, E8
Valorização da avaliação de
sinais vitais
“…avaliar tensão arterial…” E1, E2, E9, E10
Valorização da avaliação de
glicémia capilar
“…avaliação de glicémia.…” E2, E3, E6, E9
Valorização da vigilância
das algaliações
Atividades de suporte
emocional ao idoso
“…execução de algaliações…” E1,, E4, E5, E10,
“…apoio psicológico…” E4
“… apoio emocional…“ E3, E7
“… relação de proximidade…“ E3, E5, E9, E10
Valorização das
atividades relacionais
com o idoso
“…relação de empatia… “ E1, E2, E3, E5, E7, E8, E9, E10
“…relação de afetividade…“ E7
Valorização da relação
profissional
“…relação profissional…“ E6
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Tabela 2.
Área temática: Relação do enfermeiro com os familiares /pessoa significativa do idoso
Categoria
Subcategoria
Unidade de Registo
Relação proximidade
“…relação de proximidade e colaborativa…” E3, E5
“…relação de proximidade baseada na confiança…” E1
“…relação de empatia…” E3,
Relação empática
Valorização da relação
estabelecida
Relação de confiança
“…depositam em mim confiança…” E3
“…baseada na confiança…” E1
Relação de colaboração
Relação personalizada
“…relação colaborativa…” E3
“…estabeleço uma relação personalizada…” E4
Relação profissional
“…estabeleço relação profissional…” E7, E6, E8, E9, E10
“… estabeleço relação formal…” E2
Preocupação com o
acompanhamento do idoso
pelos familiares/pessoa
significativa
“…demonstram interesse pelos cuidados… interessam-se por
saber o decorrer diário…” E5
”…despreocupam-se um pouco com o idoso…” E7
“…a família pensa que eu deveria fazer mais do que faço,
porque paga…” E4
“…outros simplesmente demonstram desinteresse face às
situações, o que nos leva a um trabalho maior junto das
famílias para os informar e incentivar a participar nas
decisões dos cuidados ao idoso…” E1
“…a única preocupação dos familiares é que o idoso fique
aqui…” E6
“…pouco ou nada falam comigo sobre o idoso em si…” E8
“…confiam no meu trabalho, embora eu tente persuadi-los a
terem mais interesse pelos cuidados…” E9
“…não estou muito em contato com eles…” E10
Valorização do
interesse dos
familiares /pessoa
significativa com o
idoso
Tabela 3
Área temática: Satisfação do enfermeiro com o cuidar do idoso
Categoria
Subcategoria
Unidade de Registo
Pelo idoso
“… gosto muito do meu trabalho, pois os idosos têm-me afeto e eu a
eles...” E10
“… sinto-me realizada e satisfeita com o trabalho que exerço e do
carinho que ele me demonstra...” E8
“… sinto-me satisfeita por prestar estes cuidados e serem valorizados
pelo idoso...” E2
“… sinto uma satisfação interior por serem valorizados pelo idoso,
apesar de ser muito pesado a nível psicológico...” E4
“…ser valorizada pelo idoso, pois tratam-me com muito carinho e
afeto...” E7
“… sinto-me satisfeita por prestar estes cuidados e serem valorizados
tanto pelo idoso como pelos familiares...” E2
Satisfação pelo
reconhecimento do
seu trabalho
Pelos familiares
Satisfação
profissional
Com o trabalho
“… sinto-me muito satisfeita e realizada a nível profissional e
emocional...” E9
“… sinto-me realizada e satisfeita com o trabalho...” E8
“… sinto-me satisfeita porque faço o que gosto...” E6
“… motivado e satisfeito...” E1
“…sinto-me satisfeita por prestar estes cuidados e serem valorizados
pelo idoso...” E2
“… é com grande satisfação que exerço a profissão, apesar das
dificuldades com que me deparo diariamente...” E3
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Da informação organizada, passamos à discussão de resultados.
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Dos resultados, as áreas temáticas, categorias e subcategorias que surgiram, percebe-se
a relevância atribuída por parte destes profissionais aos cuidados prestados ao idoso, à
atenção que estes utentes requerem, bem como o que valorizam e privilegiam neste
contexto. Relativamente aos resultados acerca da “vivência dos enfermeiros que
exercem em residências para idosos na Eurocidade Chaves-Verin”, a partir das suas
experiências, inferimos três áreas temáticas: i) a “valorização dos cuidados de
enfermagem pelo enfermeiro ao idoso residente”; ii) a “relação do enfermeiro com os
familiares/pessoa significativa do idoso”; iii) a “satisfação do enfermeiro com o cuidar
do idoso”, cujos significados resultam de um conjunto de categorias diferentes e
respetivas subcategorias, também distintas. Para a área temática, “valorização dos
cuidados de enfermagem pelo enfermeiro ao idoso residente”, resultam precisamente
duas categorias: a “valorização das atividades técnicas” e a “valorização das atividades
relacionais com o idoso”, cada uma delas, possui subcategorias que nos dão uma visão
mais precisa do seu significado. Relativamente à categoria “valorização das atividades
técnicas”, com as subcategorias a conferir-lhe significado, precisamente: “a valorização
da preparação da terapêutica”; “a valorização da administração de terapêutica”; “a
valorização da execução de pensos”; “a valorização do tratamento de úlceras de
pressão”; “a valorização da colheita de espécimes para análise laboratorial”; “a
valorização da avaliação de sinais vitais”; “a valorização da avaliação de glicémia
capilar”; “a valorização da vigilância das algaliações”, inferimos a importância atribuída
pelos enfermeiros à realização destas técnicas e procedimentos. Também Nogueira
(2010), no seu estudo, considera que a execução de técnicas e procedimentos,
nomeadamente a monitorização dos parâmetros vitais, administração de medicamentos
e execução de tratamentos, se relacionam com as competências técnicas dos
enfermeiros, sendo estas as funções que melhor caracterizam os cuidados de
enfermagem.
Na categoria “valorização das atividades relacionais com o idoso”, as subcategorias:
“atividades de suporte emocional ao idoso” e a “valorização da relação profissional”
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
inferem-lhe significado, precisamente pela preocupação manifestada com as
necessidades relacionais com o idoso. Neste contexto, Tavares (2012) relativamente aos
enfermeiros, refere que se preocupam em conhecer as experiências de vida dos idosos,
em identificar as suas necessidades básicas afetadas, substituindo ou potencializando a
satisfação dessas mesmas necessidades, no sentido de alcançar o máximo possível de
bem-estar. O mesmo autor refere ainda que “…estes profissionais confortam, escutam,
ensinam, cuidam…” (p.109). A este propósito, Sousa (2013) refere que o enfermeiro
tem que compartilhar com o idoso que cuida, as alegrias, as tristezas, a dor, o medo e a
angústia. Este poderá ser um trabalho “árduo” mas gratificante sendo que, o contato
entre o profissional e o idoso deve revestir-se duma grande empatia e compaixão. A
mesma autora acrescenta que cuidar um ser humano é dignificá-lo, ajudá-lo a ser pessoa
e a desenvolver as suas capacidades ou possibilidades existenciais, para tal implica
reconhecê-lo como um sujeito de plenos deveres e direitos, com a finalidade de
proporcionar cuidados de enfermagem de qualidade (Sousa, 2013).
Para a área temática “a relação do enfermeiro com os familiares/pessoa significativa do
idoso” resultam as categorias: “valorização da relação estabelecida” e a “valorização do
interesse dos familiares /pessoa significativa com o idoso”, cada uma delas possui
também subcategorias que lhe dão significado. A categoria “valorização da relação
estabelecida” engloba as subcategorias: “relação proximidade”; “relação empática”;
“relação de confiança”; “relação de colaboração”; “relação personalizada”; e “relação
profissional” que lhe inferem significado, em particular pela importância atribuída à
relação com os familiares/pessoa significativa do idoso. Neste contexto, também
Tavares (2012) salienta a importância da eficaz ligação da tríade idoso, equipa e
família/pessoa significativa do idoso. A categoria “valorização do interesse dos
familiares /pessoa significativa com o idoso”, inclui a subcategoria “preocupação com o
acompanhamento do idoso pelos familiares/pessoa significativa” a conferir-lhe
significado, onde fica patente a preocupação dos enfermeiros para com a relação
estabelecida entre o idoso e a sua família/pessoa significativa. Segundo Perei
etividade ocupa um
lugar especial nas nossas vidas.
50
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Quanto à área temática “satisfação do enfermeiro com o cuidar do idoso” resultam duas
categorias ”satisfação pelo reconhecimento do seu trabalho” e “satisfação profissional”
cada uma delas possui também subcategorias que lhe conferem significado. A categoria
”satisfação pelo reconhecimento do seu trabalho” é composta pelas subcategorias “pelo
idoso”, que se refere ao idoso, e outra subcategoria “pelos familiares”, que se refere à
família, a conferir-lhe significado, ficando explícita a importância atribuída pelos
enfermeiros ao reconhecimento do seu trabalho tanto pelo idoso como pela família.
Segundo Raposo (2012), o reconhecimento é talvez o único dos fundamentos da
valorização profissional que depende muito menos de nós e muito mais dos outros. Ele
não é mais do que uma manifestação de que o trabalho é diferenciado e valioso e, como
tal, assume-se como um dos fatores motivadores. Quanto à categoria “satisfação
profissional”, que inclui a subcategoria “com o trabalho” a conferir-lhe significado, fica
visível a satisfação destes enfermeiros com o seu trabalho. É de realçar que, segundo
Moura (2012), os enfermeiros, no geral, referem sentir-se satisfeitos, realizados, por
exercerem por gosto e por se sentirem valorizados na sua profissão. Assim, um
enfermeiro satisfeito com o seu trabalho é um indivíduo mais calmo, emocionalmente
mais estável, estabelece relações interpessoais mais positivas, mais saudáveis e
fisicamente sente-se mais equilibrado, podendo resultar em ganhos, tanto ao nível da
sua qualidade de vida como ao nível da qualidade dos cuidados prestados aos idosos.
5 - CONCLUSÕES
Este estudo, com ênfase na vivência dos enfermeiros que exercem em residências para
idosos na região transfronteiriça da Eurocidade Chaves-Verin, sobressaiu a relevância
atribuída pelos enfermeiros aos cuidados prestados, à atenção que os idosos requerem,
bem como o que valorizam e privilegiam neste contexto. Dos resultados, inferimos três
áreas temáticas: i) a “valorização dos cuidados de enfermagem pelo enfermeiro ao idoso
residente”; ii) a “relação do enfermeiro com os familiares/pessoa significativa do idoso”
e iii) a “satisfação do enfermeiro com o cuidar do idoso”. Na área temática, “valorização
dos cuidados de enfermagem pelo enfermeiro ao idoso residente”, sobressaem as
categorias, “valorização das atividades técnicas” e a “valorização das atividades
relacionais com o idoso” onde se verifica a importância atribuída pelos enfermeiros,
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
tanto à realização de técnicas e procedimentos como às atividades de relação com o
idoso. Na área temática, “relação do enfermeiro com os familiares/pessoa significativa
do idoso”, destacam-se as categorias, “valorização da relação estabelecida” e a
“valorização do interesse dos familiares /pessoa significativa com o idoso”, onde releva
a importância atribuída pelos enfermeiros à relação com os familiares/pessoa
significativa do idoso e à relação estabelecida entre o idoso e a sua família/pessoa
significativa.
Quanto à área temática “satisfação do enfermeiro com o cuidar do idoso”, das
categorias, ”satisfação pelo reconhecimento do seu trabalho” e “satisfação profissional”
fica explícita a importância atribuída pelos enfermeiros ao reconhecimento do seu
trabalho, tanto pelo idoso como pela família. Conclui-se que estes profissionais se
sentem satisfeitos, valorizados e reconhecidos profissionalmente. Como limitações do
estudo, consideramos a falta de experiência dos investigadores na elaboração deste tipo
de estudos de investigação de método qualitativo.
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Vítor Manuel Teixeira Machado
Assistente na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em Chaves; Pósgraduado em Enfermagem do Trabalho/Saúde Ocupacional; Especialista em Enfermagem Comunitária;
Mestre em Gestão de Serviços de Saúde; Especialista do Ensino Superior na Área Científica de
Enfermagem; Doutorando em Ciências da Educação.
AnxelaVazquez Fernandez
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves.
Cristina Freire Guede
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves.
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Saúde
Matilde Maria Blanco Salgado
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves.
Olívia de Moura Seixas
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves.
Sílvia Alves Rodrigues
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves.
54
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Percepción de la mujer embarazada marroquí en el
encuentro cultural con el enfermero
Rodríguez, J1.; Penaforte, H2.; Sequeira, C3.
Resumen - Motivados por el incremento de población extranjera y la orientación de los cuidados de
enfermería proporcionados, concretamente a las mujeres marroquíes cara a las diferencias culturales, se
construye un desafío que envuelve tanto al personal de enfermería como al paciente en los cuidados.
Preocupación que condujo al estudio, cuyo objetivo fue comprender la percepcion de la mujer
embarazada marroquí sobre el encuentro cultural con el enfermero durante la consulta de obstetricia en
las consultas externas. Realizamos un estudio cualitativo, exploratorio y descriptivo. El instrumento para
la recogida de datos fue la entrevista semi-estructurada, siendo aplicada a seis mujeres embarazadas
marroquíes. De los resultados, podemos afirmar que estas mujeres estaban satisfechas con el sistema
sanitario español, eran informadas sobre el tipo de ayudas que podrían solicitar, sin embargo, señalan la
presencia de importantes problemas de comunicación. De las conclusiones, salientamos que un gran tema
que emergió fue, las incomodidades sentidas por las mujeres embarazadas marroquies hacia la atención
de la enfermería en la consulta externa de un complexo hospitalario, donde surge la necesidad de
implantación de estrategias de comunicación, en el encuentro cultural: enfermero - mujer embarazada
marroquí durante la consulta.
Palabras-clave: Encuentro cultural; cuidados de enfermería; mujer embarazada marroquí.
Abstract - By reference to the foreigner population increase and the direction care training of infirmary
given particularly to the moroccan women, we have a challenge because of the cultural differences. The
challenge goes to a study, to understand the pregnant moroccan woman perception about the cultural
meeting with the male-nurse in the obstetrics consulting room at the out-patients department. We do a
qualitative, exploratory and descriptive research. The way was a data collection, a semi-organiced
interview to six pregnant moroccan women. As a result of this we can assert that those women were
satisfied with the spanish sanitary sistem, they were informed about the kind of assistances that they could
ask for, however, they mark the presence of important communication problems. Outcome an important
problem was: the moroccan women had an annoyance feel with the out- patients departament at a hospital
where the need of strategy of comunication between a male-nurse and pregnant moroccan woman in a
maternal salud consulting is very necessary.
Keywords: Cultural meeting; nursing care; moroccan pregnant woman.
___________________________
1
José Rodríguez - Licenciado en enfermeria - Complexo Hospitalario de Ourense - [email protected]
Helena Penaforte - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado – Chaves [email protected]
3
Catarina.Sequeira - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado - Chaves [email protected]
2
55
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUCCIÓN
En los últimos años se han dado grandes transformaciones, debido a la inmigración, la
cual modifica el tamaño y la estructura de las poblaciones de origen y destino.
Los inmigrantes se enfrentan al desconocimiento que supone vivir en una sociedad a la
que en principio no pertenecen, donde su lengua, sus hábitos, sus costumbres, sus
normas morales, sus condiciones de trabajo, son distintas. Ellos y la población receptora
deben aprender a convivir y a compartir los espacios públicos respetando las diferencias
culturales.
Según el Instituto Nacional de Estadística (INE, 2014) en España, hay empadronados
41.724.906 personas con nacionalidad española y 5.000.258 extranjeros, lo que
representa el 10,7% del total de inscritos. Entre los extranjeros no pertenecientes a la
Comunidad Económica Europea, destacan los ciudadanos marroquíes (771.427), los
ecuatorianos (218.189) y los chinos (185.250).
Los profesionales de la salud afrontan el desafío cotidiano de atender una población
diversa, con saberes y prácticas diferenciadas en cuanto a la salud y con procesos de
búsqueda de ayuda, que incluyen dispositivos y sistemas médicos diversos (Estébanez,
2002).
El sistema de salud español ha tenido y tiene que adaptarse a todos los condicionantes
sociodemográficos y epidemiológicos derivados de los movimientos transnacionales de
población. Ahora bien, este ajuste debe responder, previamente, a un ejercicio de
pensamiento crítico sobre las instituciones sanitarias y la atención dispensada a la
población inmigrante ya decia Rodríguez y De Miguel (1990).
A nivel de enfermería, Leininger (1994), también afirma que existe todavía un conjunto
de elementos como la ceguera cultural, los choques entre culturas e imposiciones, que
influyen de forma negativa en la calidad que presta los profesionales de enfermería.
Desde el punto de vista de enfermería y en una realidad multicultural necesitamos
descubrir dimensiones relevantes, que nos hagan reflexionar sobre el cuidado de
enfermería en diversas culturas, y su relación con la salud, el cuidado humano y la
56
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
enfermedad. En este sentido y siguiendo a Leininger (1994), los conocimientos
transculturales relacionados con el cuidado de personas que valoran su herencia cultural
y estilos de vida, serán ejes para las decisiones y acciones de enfermería.
Los problemas de comunicación intercultural cobran especial importancia en el campo
de la salud reproductiva por dos motivos. Primero, porque con toda seguridad se trata
del ámbito sanitario más determinado culturalmente, y segundo, porque como señalan
los datos recogidos en Fabre (2010), obstetricia y ginecología es la especialidad más
visitada por la población extranjera en España, y los problemas relacionados con este
ámbito son la principal causa de hospitalización de este colectivo.
Según Ortí (2009) se atribuye la baja asistencia a los controles al hecho de que en sus
países de origen no son tan habituales, y a una concepción tradicional no medicalizada
del embarazo, que tiende a considerarlo como un estado de salud antes que como una
enfermedad que debe ser controlada.
Las diferencias culturales inciden en el desarrollo de los controles del embarazo. Por un
lado, como señala Ortí (2009), las mujeres de origen magrebí, especialmente
procedentes de zonas rurales, tienen dificultades para tratar abiertamente
temas
sexuales, que pueden considerarse como tabúes, incluso en las consultas médicas.
La Ley Orgánica 4/2000, sobre derechos y libertades de los extranjeros en España y su
integración social regula en su artículo 12, el derecho a la asistencia sanitaria de los
extranjeros, desde que se encuentren y residan en España tienen derecho a la asistencia
sanitaria en las mismas condiciones que los españoles, también, las extranjeras
embarazadas que se encuentren en España tendrán derecho a la asistencia sanitaria
durante el embarazo, parto y postparto” (Ley Orgánica 4/2000).
Tomando lo descrito, nuestras preocupaciones nos llevan a cuestionar, ¿cuál es la
percepción de la mujer marroquí embarazada sobre su vivencia en el encuentro cultural
con el enfermero
en consulta de obstetricia? Como objetivo, puntualizamos: i)
Comprender la percepción de la mujer embarazada marroquí sobre el encuentro cultural
con el enfermero durante las consultas externas en obstetricia.
57
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2 -MÉTODO
Para conocer y explorar la percepción de la mujer inmigrante embarazada en la consulta
externa del servicio de obstetricia, en el encuentro de cuidados vivido, de un complejo
hospitalario del norte de España, se optó por el paradigma cualitativo. Pues, la
investigación cualitativa nos permite una descripción detallada de situaciones, eventos,
personas, interacciones y comportamientos que son observables, incorporando la voz de
los participantes, sus experiencias, sus actitudes, creencias, pensamientos y reflexiones,
tal como son expresadas por ellos mismos (Streubert & Carpenter, 2013). Relativamente
el tipo de estudio es, exploratorio, descriptivo y transversal (Fortin, Côté & Filion,
2009).
2.1 - Participantes
El estudio fue realizado en un centro hospitalario del sur de Galicia, en el servicio de
consultas externas de obstetricia. Las participantes fueron mujeres que acuden a las
consultas, siendo la muestra constituida por seis participantes. Los criterios de inclusión
fueron: i) ser mujer embarazada de nacionalidad marroquí; ii) mujer embarazada de
nacionalidad marroquí que acude a las consultas externas de obstetricia en este
Complejo Hospitalario; iii) ser participante voluntaria.
2.2 - Material
Para la recogida de datos, fue utilizada la entrevista semi-estruturada (Fortin et al.,
2009), dirigida a la mujer embarazada que recurrió a la consulta externa de obstetricia.
La entrevista integró las siguientes cuestiones orientadoras: i) ¿Cómo fue el encuentro
con el enfermero durante las consultas de salud materna?; ii) ¿ la atención recibida
estaba influenciada por el hecho de ser extranjera?; iii) ¿Cuáles son sus mayores
preocupaciones actuales, hacia su estado de embarazo?; iv) ¿Cuáles fueron sus mayores
preocupaciones en el encuentro con el enfermero durante la consulta de salud materna?;
v) ¿Dónde tiene mayores dificultades?; vi) ¿Qué sugerencias apuntaría para mejorar el
encuentro con estas mujeres embarazadas extranjeras?
58
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2.3 - Procedimentos
Previamente a la realizacion de la entrevista, a cada participante se le explicó los
objetivos del estudio, su naturaleza y la importancia de su participación en el estudio,
ofreciéndole el consentimento informado, y garantizando el anonimato, seriedad y
confidencialidad de la información, pudiendo desistir en cualquier momento (Fortin et
al., 2009).
Despues de haber solicitado la respectiva autorización a la dirección del Centro
Hospitalario y recibida en 8 de enero de 2016, se inició en el servicio de consultas
externas de salud materna, la realización las seis entrevistas. Cada entrevista duró 30
minutos aproximadamente.
Los registros fueron efectuados por el autor, en documento propio, cuya información
posteriormente se analizó, aplicando la técnica del análisis de contenido de Bardin,
(2008), que después de una lectura general, seguida de otra lectura linea a linea y la
respectiva codificación, fueron extraidas categorias de significado (Bardin, 2008).
3 - ANÁLISIS DE RESULTADOS
Analizada la información, fueron identificadas categorias (Bardin, 2008), de las cuales
se presentan seis.
De salientar que de estes resultados, surge un gran tema “incomodidades sentidas por
las mujeres embarazadas marroquíes hacia la atención de la enfermería en España”
(Bardin, 2008; Streubert & Carpenter, 2013).
En este sentido, presentamos en el Tabla 1, el conjunto de categorías y subcategorías
que surgiran.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Tabla 1.
Categorias y subcategorias en la percepción de la mujer embarazada marroqui durante la consulta de
obstetricia
Categoria
La forma del trato
en el encuentro
Subcategoria
Adecuado
Deficiente
Respetuoso
Sentimientos
percibidos en el
encuentro
Malestar por la falta en la
comunicación
Respeto
Evolución del embarazo sin
complicaciones.
Preocupaciones
actuales de la
mujer embarazada
marroquí
Apoyo en el embarazo
Parto y niño sin
complicaciones
Control de la tensión
arterial
Intervención quirúrgica
Percepción de las
principales
barreras
Dificultades
sentidas
Sugerencias para
mejorar el
encuentro
Incomprensión de la
terminología clínica
Discriminación por el uso
de sus hábitos culturales
Dificultad en el idioma
escrito
Saber expresarse y
conseguir hacer entenderse
Exponer la intimidad en la
consulta
Presencia de un familiar en
el apoyo del idioma
Información disponible en
otros idiomas
Atención de enfermería solo
por profesionales de sexo
femenino
Privacidad en las consultas
Unidade de Registo
“(…) por la enfermera, si no entendía algo me lo volvían
explicar.(...)” E1
“(…) con el idioma no tuve problema pero si note un poco de
diferencia con una enfermera mayor.” E2
“ (....) si, fueron muy correctos”. E4
“si, me respectaron y me ayudaron en todo momento (…)” E6
” No me trataron de la mejor manera”E1
“Algunos me gritaban cuando no entendia,.” E5
“Geralmente me trataron muy bien, me acompañaron a hacer
los análisis.” E3
“(…) ninguna diferencia con respecto a las otras mujeres que
había en la consulta (...) ”.E4
“(…) que el embarazo progrese sin complicaciones.” E5
“Si me van a seguir controlando el embarazo a pesar de no
tener tarjeta sanitaria”. E1
“Que el niño nazca bien y que a mi me salga todo bien. (...)” E2
“Dijeron que el niño era pequeño (...)” E6
“(…) tengo la tensión arterial alta.” E3
“(...) a la cesárea que me tienen que hacer, porque el niño está
mal colocado”. E4
“(...) entender palabras clinicas” E5
“(...) aunque llevo 10 años en España y entiendo bien el idioma,
a algunos enfermeros y médicos me cuesta entenderlos a
veces”. E4
“Discriminación por ser distinta y llevar el pañuelo (hiyab). “
E2
“No entiendo a la hora de leer español (….)” E3
“Saber explicarme bien (...) ”. E1
“(…) que si es hablar lo entiendo mejor.” E3
“Verguenza cuando es un ginecólogo o un enfermero, que ya
me ocurrió varias veces“E2.
“Al quitarme la ropa delante de tanta gente. (...) “.E3
“(…)mis costumbres son bastante distintas a las de aquí, sobre
todo cuando me tengo que quitar la ropa”. E4
“Permitiría la presencia siempre de un familiar que me pueda
ayudar con el idioma. (...)”. E1
“Los informes se podrían hacer en otros idiomas (...)”. E1
“Que a las mujeres nos atiendan mujeres cuando vamos a las
revisiones, y en el parto también.“ E6
“(…) estoy contenta con el trato recibido, pero me gustaría que
me tratasen solo mujeres”. E4
“Que no haya tanta gente en las consultas (…) que dejen pasar
a mis hermanas (…) que solo me dejan pasar (…) “ E3
De los resultados sobresalen las categoría: la forma del trato en el encuentro donde
asume significado a traves de las sucategorias adecuado, deficiente y respetuoso;
Sentimientos percibidos en el encuentro, con las subcategorías de malestar por la
falta en la comunicación y el
respeto;
Preocupaciones actuales de la mujer
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
embarazada marroquí, centradas en la evolución del embarazo sin complicaciones,
apoyo en el embarazo, parto y niño sin complicaciones, control de la tensión arterial, y
la intervención quirúrgica; la Percepción de las principales barreras, a traves de
subcategorías como la incomprensión de la terminología clínica, Discriminación por el
uso de sus hábitos culturales y la dificultad en el idioma escrito; Dificultades sentidas,
con las subcategorias de saber expresarse y conseguir hacer entenderse y exponer la
intimidad en la consulta; y aun la categoría de Sugerencias para mejorar el
encuentro, donde emergen la presencia de un familiar en el apoyo del idioma,
información disponible en otros idiomas, la atención de enfermería solo por
profesionales de sexo femenino y privacidad en las consultas.
4 - DISCUSIÓN DE LOS RESULTADOS
De los resultados, descutiremos las seis categorías, y en cada una de ellas las
subcategorias de significado.
-La forma del trato en el encuentro, a la cual están asociadas las subcategorías y sus
unidades de significado: adecuado, “(…) por la enfermera, si no entendía algo me lo
volvían explicar. (...)” E1; deficiente, “(...) con el idioma no tuve problema pero si note
un poco de diferencia con una enfermera mayor.” E2; y respetuoso “(...) Si, fueron
muy correctos”. E4; “Si, me respectaron y me ayudaron en todo momento (...)” E6.
Las subcategorias apuntan para situaciones opuestas y preocupantes, en el trato ofrecido
por el enfermero en la consulta de salud materna. Según Leininger (1994) el objetivo de
los cuidados consiste en proporcionar una asistencia coherente en el entorno cultural. El
enfermero debe esforzarse para explicar el uso y el sentido de la asistencia, de forma
que los cuidados, valores, creencias y modos de vida culturales ofrezcan una base sólida
y fiable para la planificación y una asistencia específica. La autora, apunta también que
existe la ceguera cultural en los choques entre culturas, las imposiciones y
etnocentrismo, que influyen de forma considerablemente negativa en la calidad.
Aunque el Sistema Nacional de Salud, en España, sobre la asistencia básica a
extranjeros que se encuentren en situación ilegal, garantiza la respuesta a
consideraciones éticas, deontológicas y humanitarias, por el Real Decreto 16/2012, de
61
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
20 de abril se garantiza también la atención de situaciones de urgencia, embarazo y
parto. Por otro lado, según la Ley Orgánica 4/2000, de 11 de enero, sobre derechos y
libertades de los extranjeros en España y su integración social, los poderes públicos
promoverán la plena integración de los extranjeros en la sociedad española, en un marco
de convivencia de identidades y culturas diversas sin más límite que el respeto a la
constitución y la ley.
- Sentimientos percibidos en el encuentro, a la cual están asociadas las subcategorías y
las unidades de significado: malestar por la falta de comunicación, “No me trataron de
la mejor manera.” E1; “Algunos me gritaban cuando no entendía.” E5; respeto
“Generalmente me trataron muy bien, me acompañaron a hacer los análisis.” E3;
“(…) ninguna diferencia con respecto a las otras mujeres que había en la consulta
(…)”. E4.
En la comunicación en el encuentro cultural con el enfermero se revela malestar,
resultado que contradice lo descrito por Sá (2014), cuando dice que la comunicación es
fundamental en la relación terapéutica entre el enfermero, el paciente y su familia. El
proceso de cuidar según Vilá (2007), puede fracasar en una sociedad, donde conviven
varias culturas, porque falla la comunicación, unas veces por ignorancia, otras por
actitudes negativas, o incluso por el rechazo hacia una cultura diferente. Cuando el
profesional de enfermería no es capaz de comunicarse con el paciente diferente, resulta
en fracaso el acto de comunicación realizada durante el cuidado, como sobresale en
nuestros resultados.
Por otro lado, el encuentro está marcado por el respeto en el cuidado, siguiendo los
contenidos tanto de la Ley Orgánica 4/2000, de 11 de enero, sobre derechos y libertades
de los extranjeros en España y su integración social (2002), como por el Real Decreto
16/2012, de 20 de abril. Tal como señala De Lucas Martin (2002), es fundamental tener
en cuenta a todo el mundo con la misma consideración y respeto, y a no discriminar a
nadie por cualquier razón, o sea, salvaguardar el principio ético.
El malestar por la falta de comunicación y el respeto en el cuidado surgen en la
asistencia prestada, pudiendo ser por estar envueltos en alguna ceguera o incoherencia
en el entorno cultural, separándose de lo indicado por Leininger (1994). Cuando los
62
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
elementos en los cuidados fallan, aparecen consecuencias en el bienestar del paciente,
contradiciendo lo definido por la OMS (2016).
- Preocupaciones actuales de la mujer embarazada marroquí, categoria, asociada a las
siguientes subcategorías y unidades de significado: evolución del embarazo sin
complicaciones, “(…) que el embarazo progrese sin complicaciones.” E5; apoyo en el
embarazo, “Si me van a seguir controlando el embarazo a pesar de no tener tarjeta
sanitaria”. E1; parto y niño sin complicaciones, “Que el niño nazca bien y que a mi me
salga todo bien. (...)” E2, “Dijeron que el niño era pequeño (...)” E6; control de la
tensión arterial, “(...) tengo la tensión arterial alta.” E3; intervención quirúrgica, “(...)
a la cesárea que me tienen que hacer, porque el niño está mal colocado”. E4
La categoría refleja un aspecto central, el modo de percibir la salud reproductiva de las
mujeres inmigrantes en la atención al embarazo. Los estudios epidemiológicos destacan
que los programas de atención prenatal, consiguen una reducción de la mortalidad
materna y perinatal, así como mejores resultados en el parto. La OMS (2016) indica que
la mortalidad neonatal se reduce en proporción directa a la precocidad de la primera
visita de control de embarazo, que debe realizarse antes de la semana doce, a un número
suficiente de controles, y al hecho de recibir una atención adecuada en el parto. La
media de peso de los recién nacidos de origen magrebí se ha descrito mayor que la de
los hijos de madres nacionales (3.503,51 g frente a 3.318,58 g), mientras las
prevalencias de nacidos con bajo peso y muy bajo peso, han sido parecidas entre
inmigrantes y no inmigrantes.
Según Ortí (2009) se atribuye el bajo seguimiento de los controles prenatales en las
consultas de obstetricia al hecho de que en su país de origen no son tan frecuentes estas
revisiones médicas, y a una concepción tradicional del embarazo, que tiende a ser
considerado como un estado de salud y no como una enfermedad la cual tiene que ser
controlada en un medio hospitalario.
Entre las prácticas culturales que pueden tener una mayor repercusión en el desarrollo
del embarazo se encuentra el seguimiento del ayuno del ramadán. Aunque en principio
las mujeres embarazadas no están obligadas a dicho ayuno, la mayoría de las gestantes
lo cumplen, tanto en el embarazo como en el puerperio. Dieste (2010) señala que en
principio las mujeres embarazadas deben ayunar también durante el ramadán, y solo
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
están exentas de cumplirlo cuando su cumplimiento implique algún inconveniente
específico para su salud o la de sus hijos, y si no hacen ramadán durante el embarazo,
deben hacerlo más adelante. Además, hay que tener en cuenta que seguir el ramadán
cuando no se está estrictamente obligado otorga mucho prestigio social.
Además las mujeres magrebíes suelen mostrar rechazo a la práctica de cesáreas pues
según nos indica Dieste (2010), estas consideran que dicha técnica puede causar
esterilidad, y puede tener como consecuencia el rechazo por parte del marido. En
nuestros resultados este significado no es tan explicito.
- Percepcion de las principales barreras, a la cual están asociadas las subcategorías y las
unidades de significado: incomprensión de la terminologia clínica, “(...) entender
algunas palabras médicas” E5; “(...) aunque llevo 10 años en España y entiendo bien
el idioma, a algunos enfermeros y médicos me cuesta entenderlos a veces”. E4;
discriminación por el uso de sus hábitos culturales “Discriminación por ser distinta y
llevar el pañuelo (hiyab). “ E2; dificultad en el idioma escrito, “No entiendo a la hora
de leer español (...)” E3.
La población inmigrante se encuentra con múltiples barreras a la hora de acceder a los
servicios sanitarios, pudiendo señalar: los requisitos legales, la burocracia, y las
dificultades con el idioma. Vázquez, Vargas y Aller (2014) indican que estas barreras
influyen en el decremento de su bienestar, y son una fuente de desigualdad porque crean
situaciones que podrían ser evitadas.
Según Macipe y Feliu (2011) los factores que reconocen los imigrantes como
principales inconvenientes son la falta de información sobre el sistema y/o su
funcionamiento y la dificultad a la hora de comunicarse con el personal sanitario. Esta
dificultad con el idioma abarca desde el idioma hasta la terminología médica usada,
como muestran nuestros resultados.
Según Preciado (2005), los inmigrantes señalan que la principal barrera a la hora de ser
aceptados en la nueva comunidad, es la dificultad en la comunicación. La barrera
lingüística también es reconocida por los profesionales sanitarios como un problema
añadido a la hora de atender a pacientes inmigrantes. A este desconocimiento de la
lengua española de muchos de los inmigrantes se suma la poca tradición española de
dominio de lenguas extranjeras y del esfuerzo en este sentido
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
- Dificultades sentidas, a la cual están asociadas las subcategorías y las unidades de
significado: saber expresarse y conseguir hacer entenderse, “Saber explicarme bien
(...) ” E1 ; “(...) que si es hablar lo entiendo mejor” E3; exponer la intimidad en la
consulta, “Verguenza cuando es un ginecólogo o enfermero, que ya me ocurrió varias
veces.“ E2.; “Al quitarme la ropa delante de tanta gente.(...) “E3; “ (...) mis
costumbres son bastante distintas a las de aquí, sobre todo cuando me tengo que quitar
la ropa”. E4
Según Morera (2007) las mujeres magrebíes muestran mucho pudor ante los hombres,
puediendo causar problemas desde la primera visita, siendo conveniente el
consentimiento del marido y realizar la exploración siempre que se pueda en presencia
de otra mujer.
Como señala Ortí (2009), las mujeres magrebís tienen dificultades para tratar
abiertamente temas sexuales, mostrando mucho pudor en las consultas de ginecología.
Sin duda que los problemas más graves que el profesional puede encontrar, están
relacionados con las cuestiones de género, especialmente agravados por la presencia del
marido. Este, puede mostrar rechazo a que su mujer sea explorada por un profesional de
sexo masculino.
La falta de intimidad en nuestros resultados corrobora lo registado por Ortí (2009),
cuando señala que una de las principales quejas de las mujeres magrebí, es la falta de
intimidad, el tener que compartir el espacio con personas extrañas en hospital.
- Sugerencias para mejorar el encuentro, a la cual están asociadas las subcategorías y las
unidades de significado: presencia de un familiar en el apoyo del idioma, “Permitiría la
presencia siempre de un familiar que me pueda ayudar con el idioma.(...) ” E1;
información disponible en otros idiomas, “Los informes se podrían hacer en otros
idiomas (...)”E1; atención de enfermería solo por profesionales de sexo femenino, “Que
a las mujeres nos atiendan mujeres cuando vamos a las revisiones, y en el parto
también.“ E6, “(...) estoy contenta con el trato recibido, pero me gustaría que me
tratasen solo mujeres” E4; privacidad en las consultas, “Que no haya tanta gente en
las consultas (…) que dejen pasar a mis hermanas (…) que solo me dejan pasar (…) “
E3
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Resultados que van al encuentro de Ortí (2009), cuando aborda las cuestiones de pudor.
Fabre (2010) hace referencia a que la vida familiar está condicionada por la tradición, la
religión, su cultura, la educación de los hijos, su alimentación, los hábitos higiénicos y
la forma de vestir. Se integran y les cuesta adaptarse a la sociedad de acogida, ya que
existe una aceptación y una interiorización muy fuerte de las normas socio-tradicionales
y religiosas de su país de origen. Las mujeres magrebíes muestran mucho pudor ante los
hombres, lo que puede causar problemas desde la primera consulta. Por esto es
conveniente tener el consentimiento del marido y realizar los cuidados, siempre que se
pueda, en presencia de otra mujer, como es explicito en nuestros resultados.
Para que el personal de enfermería, pueda proporcionar unos cuidados a un paciente de
una raza y cultura diferente a la suya, es imprescindible que se produzca una
comunicación intercultural eficaz. Cuando esto no sucede, aparece la necesidad de la
presencia del mediador intercultural (González, 2006). La figura del intérprete en los
Servicios Públicos de Salud es poco común en España, pero se está tratando de resaltar
su importancia para facilitar la integración de los pacientes en los hospitales, y eliminar
las barreras comunicativas creando puentes de entendimiento entre las diferentes
concepciones que pudieran existir entre personal de enfermería y paciente.
5 - CONCLUSIONES
La percepción de las mujeres embarazadas marroquíes sobre el encuentro cultural en el
momento de la consulta de salud materna, surge asociada a la forma del trato,
sentimientos y preocupaciones percibidas, pero también, a la percepción de algunas
barreras y dificultades, siendo capazes de hacer sugerencias para mejorar el encuentro
con mujeres embarazadas extranjeras. Las categorias orientan para el significado del
gran tema “incomodidades sentidas por las mujeres embarazadas marroquies hacia la
atención de la enfermería en la consulta externa de un complexo hospitalario”.
Del modo como la mujer embarazada marroquí percibe el encuentro cultural en la
consulta de salud materna, sobresale genericamente el respeto por la cultura de la mujer
marroquí, y tambien del mantenimiento de la cultura de la organización.
Los sentimientos percibidos en el encuentro estan asociados al malestar sentido por la
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
falta de comunicación. Siendo que la forma de trato en la consulta, acontece de forma
adecuada, respetuosa, pero también surgen deficiencias a nível del idioma. Con todo, la
principal barrera que encuentran estas mujeres es, el idioma, sobre todo el escrito y la
jerga clinica. Las dificultades sentidas están relacionadas con el saber expresarse y
conseguir hacer entenderse, así como exponer su intimidad en la consulta. Pero, dentro
de las sugerencias, para mejorar el encuentro con mujeres extranjeras embarazas en la
consulta, gana significado la presencia de un familiar en el apoyo del idioma,
proporcionar información en otros idiomas, promover en la atención de enfermería solo
profesionales de sexo femenino, y dotar de conducta de privacidad en las consultas,
conforme sus habitos marroquis. El idioma toma expresión y significado en diferentes
categorias. O sea, surge como dificuldad, barrera e influencia en el trato de la mujer
embarazada, despertando el sentimiento de malestar en el encuentro. Respecto a los
objetivos planteados en este estudio, señalamos que se consiguió comprender la
percepción de la mujer marroquí sobre el encuentro en la consulta de obstetricia. Pero,
entendemos que el estudio, podría tener otros enfoques en términos metodológicos,
como el recurso a la etnografía, para profundizar en el significado y representación del
encuentro y el cuidado. Entre las limitaciones, se destacan las relacionadas con la
inexperiencia del investigador, la necesidad de realizar otros estudios con otros grupos
culturales diferentes, y poder integrar la técnica de la observación durante el encuentro
en la consulta, para completar la informacion de la entrevista. Finalizando, es necesario
potenciar el modelo de cuidados dentro de la consulta, y mirar hacia la
multiculturalidad, disminuyendo las barreras que hacen dificil el conocimiento mutuo, y
poder prestar unos cuidados integrales mirando la cultura, evitando caer en el
etnocentrismo.
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José Luis Bernárdez Rodríguez
Alumno de 4º año en la Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timoteo Montalvão Machado en
Chaves. Técnico Superior en Diagnóstico Clínico de Laboratorio en Complejo Universitario de Orense
(España).
Maria Helena de Olveira Penaforte
Profesora cordinadora en la Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timoteo Montalvão Machado en
Chaves. Licenciatura en Enfermería por la Escola Superior de Enfermagem Vila Real, con la
Especialización en Enfermería Médico–quirúrgica por la Universidad Católica – Braga. Graduada en
Promoción y Educación para la Salud por la Universidad de Trás os Montes e Alto Douro.
Doctorada en Enfermería por la Universidad de Lisboa.
Catarina Sequeira
Profesora en Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves.
Licenciatura em Enfermagem. Licenciatura em Neurofisiología
68
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Adesão aos Tratamentos Medicamentosos em Idosos do
Concelho de Macedo de Cavaleiros
Marcos, A 1.; Magalhães, C 2.; Fernandes, A 3.
Resumo - O aumento da esperança média de vida e o elevado número de doenças crónicas pressupõe um
maior consumo de fármacos. A avaliação da adesão aos tratamentos medicamentosos nos idosos é um
elemento indispensável para uma gestão adequada de recursos. Trata-se de um estudo descritivo,
correlacional e transversal, de abordagem quantitativa. A população alvo incluiu idosos do concelho de
Macedo de Cavaleiros. Foi aplicado um formulário composto pela caraterização sociodemográfica e
clínica, e a escala Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT). Participaram no estudo 376 indivíduos,
sendo a maioria do sexo feminino (56,6%). A idade média situava-se nos 78,8 anos com desvio padrão de
8,11. Como resultado do MAT, verificamos que 80,9% dos inquiridos, foram classificados como não
aderentes ao regime terapêutico medicamentoso. Das variáveis estudadas constatou-se que a adesão ao
regime terapêutico medicamentoso estava significativamente associada à idade (p=0,000), habilitações
literárias (p=0,000), pessoa com quem vivia (p=0,000), número de doenças (p=0,000), número de
medicamentos ingeridos (p=0,000), e necessidade de ajuda na preparação da medicação (p=0,004).
Palavras-chave: Idoso; envelhecimento; adesão terapêutica medicamentosa.
Abstract - The increase of life expectancy and the high number of chronic diseases requires a higher
consumption of drugs. The evaluation of medication treatments in the elderly is an indispensable element
for proper management of resources. This is a descriptive, correlational and cross-sectional study, of a
quantitative approach. The target population consisted of the elderly in the municipality of Macedo de
Cavaleiros, to whom was applied a questionnaire by interview composed by sociodemographic and
clinical characterization and Treatments Adhesion Measurement scale (MAT). A sample of 376
individuals participated in the study, most female (56.6%). The average of ages was 78.8 years with a
standard deviation of 8.11. As a result of the MAT, we found that 80.9% of the respondents were
classified as non-adherent to the medication adherence. We also found that adherence to the medication
adherence is significantly associated with age (p=0,000), educational qualifications (p=0,000), person
with whom the person lives (p=0,000), number of diseases (p=0,000), number of medications intake
(p=0,000), and need for help to prepare medication (p=0,004).
Keywords: Elderly; aging; medication adherence.
___________________________
1
Alípio Marcos - Unidade Local de Saúde do Nordeste - [email protected]
Carlos Magalhães - Instituto Politécnico de Bragança, IPB, Escola Superior de Saúde de Bragança [email protected]
3
Adília Fernandes - Instituto Politécnico de Bragança, IPB, Escola Superior de Saúde de Bragança - [email protected]
2
69
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
Em Portugal, o marcante envelhecimento demográfico tem sido revelado pelos censos
realizados nas últimas décadas. Portugal apresentava em 2001 um índice de
envelhecimento de 102,23 pessoas idosas por cada 100 jovens, sendo que a região norte
apresentava um índice de 79,81. Em 2011, o índice de envelhecimento em Portugal foi
de 127,84 pessoas idosas por cada 100 jovens, enquanto na região norte foi de 113,32
(INE, 2012). Tendo por base o censos 2011, para o concelho de Macedo de Cavaleiros
registou-se um índice de envelhecimento de 240, revelando-se um concelho deveras
envelhecido.
As modificações da estrutura etária e as mudanças na organização da sociedade são
apenas algumas das importantes transformações a que se tem vindo a assistir,
provocando alterações com consequências sobre os indivíduos, famílias, comunidades e
nações de todo o mundo. Esta transformação demográfica que se tem vindo a observar
com maior relevância nas sociedades ocidentais, com o aumento da esperança média de
vida, leva-nos para uma nova realidade onde está subjacente o aumento da proporção de
idosos com múltiplas condições crónicas (Sousa et al., 2011). Para Gordon, Smith e
Dhillon (2007), o aumento da idade está associado ao aumento de doenças crónicas e
degenerativas. É comum os idosos apresentarem vários problemas de saúde referentes a
vários órgãos ou sistemas em simultâneo, o que obriga à toma de múltiplos
medicamentos. Existem estudos que comprovam a associação positiva entre a idade e o
uso de medicamentos como consequência dos problemas crónicos de saúde dos idosos
que fazem deles grandes consumidores de medicação. Já em 1997, Miller et al., cit. por
Gusmão e Décio, (2006), referiam a adesão à terapêutica como uma abordagem para
melhorar ou manter a saúde, considerando-a como um meio para atingir esse fim. A
OMS (2003) considera como fatores determinantes na adesão à terapêutica: os fatores
económicos e sociais; o sistema de saúde; as características da doença; a terapêutica e o
utente. Para os utentes, as prescrições e recomendações dos profissionais são múltiplas e
complexas, porque, para além da interferência destes, existem muitos outros fatores
condicionantes desta complexidade, como o custo da medicação, o tempo do
tratamento, os efeitos adversos e as alterações de hábitos e costumes, pelo que a adesão
ao tratamento apresenta níveis baixos quando o tratamento implica alterações no estilo
de vida dos utentes. A probabilidade de adesão será maior quanto menor for o número
70
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
de medicamentos e mais simples for o regime de tratamentos (Serafino, 1990, cit. por
Pedro, 2003). Tendo por base Horne (2006), cit. por Batista (2012), a não adesão
terapêutica pode ser classificada em intencional e não intencional. A não intencional
reporta-se às situações que o utente não controla como o esquecimento, fraca
compreensão, barreira linguística e incapacidade física para administrar a medicação. A
intencional ocorre quando o doente decide conscientemente não tomar a medicação ou
seguir os tratamentos não tendo em consideração as recomendações efetuadas.
Atendendo, quer ao acentuado envelhecimento demográfico, particularmente na
população do concelho de Macedo de Cavaleiros, quer aos riscos associados ao
processo de envelhecimento (polipatologia/polimedicação), pareceu-nos relevante a
realização deste estudo, definindo-se como objetivos: i) conhecer a realidade sobre a
adesão à terapêutica medicamentosa dos idosos do concelho de Macedo de Cavaleiros;
ii) identificar a relação das variáveis sociodemográficas e clínicas com a adesão à
terapêutica medicamentosa.
2 -MÉTODO
Para Fortin, Côté e Filion (2009), o processo racional que está inerente à investigação
científica, constitui o método de aquisição de conhecimentos mais rigoroso e aceitável.
A natureza do problema da investigação determina a escolha do desenho de
investigação. O presente estudo enquadra-se no tipo descritivo, correlacional e
transversal, de cariz quantitativo.
2.1 - Participantes
A população alvo considerada neste estudo foi os idosos do concelho de Macedo de
Cavaleiros, correspondendo a 4455 indivíduos, considerando a pessoa idosa como
aquela com idade igual ou superior a 65 anos. Recorrendo-se a uma amostragem
acidental, obteve-se uma amostra de 376 indivíduos, definindo-se como critérios de
inclusão: i) utentes com idade igual ou superior a 65 anos; ii) utentes em tratamento
farmacológico. Paralelamente definiram-se como critérios de exclusão: i) utentes não
orientados no espaço e no tempo; ii) utentes com dificuldades de comunicação (ex:
impossibilidade de falar).
71
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2.2- Material
Para Fortin et al. (2009), o objetivo do estudo, deverá estar na base da seleção do tipo de
instrumento de medida mais adequado. Recorremos ao formulário como instrumento de
colheita de dados, constituído por questões sociodemográficas e clínicas, e pela escala
“medida de adesão aos tratamentos”, designada por MAT. Esta escala foi adaptada para
Portugal, por Delgado e Lima (2001), sendo constituída por sete itens, com seis
possibilidades de resposta, que variam entre o sempre (1) e o nunca (6). A soma dos
valores de cada item e a sua divisão pelo número de itens permite obter um nível de
adesão aos tratamentos, o que significa que valores mais elevados indicam maior nível
de adesão.
2.3 - Procedimentos
A recolha de dados foi efetuada em idosos não institucionalizados, na comunidade
(envolvendo quer o meio rural, quer o meio urbano). No primeiro contacto pessoal,
foram explicados os objetivos do estudo, solicitando-se a sua colaboração. Forneceu-se
o consentimento informado, elaborado de acordo com os princípios da declaração de
Helsínquia e a Convenção de Oviedo, que regulamenta a investigação com seres
humanos. Informaram-se os idosos que tinham total liberdade em recusar ou
interromper a sua participação em qualquer momento, bem como acerca do livre acesso
aos resultados do mesmo. O período de recolha de dados decorreu entre janeiro e
fevereiro de 2013. Para a análise estatística dos dados recorreu-se ao SPSS for
Windows, versão 20.0. Na primeira fase, foi realizada uma análise descritiva dos dados
em função da natureza das variáveis em estudo, avaliando-se as frequências absolutas e
relativas, média, desvio padrão e mediana, de forma a descrever as características
sociodemográficas, clínicas, assim como a adesão à terapêutica medicamentosa. A
classificação de adesão ao regime terapêutico medicamentoso foi realizada a partir da
mediana do nível de adesão, isto é, valores de mediana abaixo de 5 consideram-se não
aderentes e valores iguais ou superiores a 5 são considerados aderentes, tal como o
efetuaram Monterroso, Pierdevara e Joaquim (2012). Para o estudo da adesão à
terapêutica medicamentosa, em função das variáveis sociodemográficas e clínicas, com
base nos valores médios obtidos, aplicaram-se testes paramétricos e não paramétricos,
após verificação prévia dos respetivos pressupostos. Para o estudo da caraterização da
72
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
adesão à terapêutica medicamentosa através do valor médio obtido recorreu-se ao teste t
Student para comparação de duas amostras provenientes de populações independentes e
aos testes ANOVA e não paramétrico Kruskal-Wallis como alternativa ao teste ANOVA
para comparação de três ou mais amostras independentes. A utilização do teste ANOVA
pressupõe que as variáveis tenham uma distribuição normal e homogeneidade de
variâncias. Quando não foi possível a aplicação da Anova recorreu-se ao teste não
paramétrico Kruskal-Wallis.
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
Segue-se a caracterização sociodemográfica da amostra. Como podemos constatar na
tabela 1, a maioria dos respondentes é do sexo feminino (56,6%; n=213). A idade média
situa-se nos 78,8±8,11 anos. Tendo por base a idade por classes, 41,5% (n=156) tem
idade compreendida entre 76 a 85 anos. Relativamente ao estado civil, 48,4% (n=182)
está casada ou em união de facto. No que confere às habilitações literárias, 44,6%
(n=168) não sabe ler nem escrever. Relativamente à coabitação, 44,1% (n= 166) vive
com o cônjuge.
Tabela 1.
Caracterização sociodemográfica
Variáveis sociodemográficas
Feminino
Sexo
Idade
Estado civil
Habilitações literárias
Com quem vive
Masculino
65 – 75 anos
76 – 85 anos
Mais de 85 anos
Solteiro
Casado/União de facto
Divorciado/Separado
Viúvo
Não sabe ler/escrever
Sabe ler e escrever
1º ciclo
2º ciclo
3º ciclo
Secundário
Curso técnico
Curso superior
Cônjuge
Familiar
Sozinho
Nº
213
%
56,6
163
43,4
132
156
88
Média
78,80±8,11 anos
22
182
1
171
168
153
38
9
3
3
1
1
166
69
141
35,1
41,5
23,4
5,9
48,4
0,3
45,4
44,6
40,7
10,1
2,4
0,8
0,8
0,3
0,3
44,1
18,4
37,5
73
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Verifica-se através da tabela 2, quanto ao número de doenças, a amostra apresenta uma
média de 3,34±1,45 doenças. Constata-se que 46,5% (n=175) da amostra padece de três
a quatro doenças. Quanto ao número de medicamentos, em média cada inquirido toma
6,38±3,29 medicamentos por dia. Esta variável foi operacionalizada em três categorias,
verificando-se que a maioria 51,3% (n=193) refere tomar de cinco a nove
medicamentos. A maioria dos inquiridos (87,2%; n=328) refere que às vezes necessita
de orientação na preparação da medicação.
Tabela 2.
Caracterização da amostra em função das variáveis clínicas
Variáveis clínicas
Nº de doenças
Nº de medicamentos
Necessita de orientação na
preparação da medicação
Nº
120
175
81
Média
3,34±1,45 doenças
Até quatro
128
De cinco a nove
193
Dez ou mais medicamentos
55
Média
6,38±3,29 medicamentos
Nunca
17
Às vezes
328
Sempre
31
Uma a duas
Três a quatro
Mais de quatro
%
31,9
46,5
21,5
34,0
51,3
14,6
4,5
87,2
8,2
Analisando a tabela 3, verifica-se que 39,6% (n=149) da amostra esquece-se com
frequência de tomar os medicamentos. Relativamente ao descuido nas horas da toma da
medicação, as respostas dos inquiridos estão mais concentradas nas opções “por vezes”
e “raramente”. Quando questionados sobre o facto de deixarem a medicação por se
sentirem melhor, 39,6% (n=149) afirma que por vezes o faz. Relativamente ao facto de
deixarem de tomar a medicação por se sentirem pior, verifica-se que 33,5% (n=126) o
faz com frequência. O valor médio das respostas é de 3,25±1,17 e a mediana é de 3,00.
Quando questionados sobre se alguma vez tomou mais de um medicamento, por se
terem sentido pior, 42,8% refere que nunca o fez. Relativamente à interrupção do
tratamento por ter deixado terminar os medicamentos, 42% (n=158) refere que o fez por
vezes. Quando questionados se já deixaram de tomar a medicação por motivos alheios à
indicação médica, 50% da amostra (n=188) refere que raramente o fez. Nesta questão o
valor médio é de 4,91±0,81 e a mediana é de 5. Quanto à adesão ao regime terapêutico
medicamentoso, foram considerados aderentes ao regime terapêutico medicamentoso os
que apresentaram mediana, na globalidade da escala, igual ou superior a 5, tendo sido
74
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
considerados como não aderentes 80,9% (n=304) dos idosos de acordo com este
critério.
Tabela 3.
Distribuição da amostra em função da avaliação de adesão aos tratamentos (MAT)
Frequência absoluta e relativa
Sempre
Quase
sempre
Com
frequência
* Alguma vez se esqueceu
de
tomar
os
medicamentos?
*
Alguma
vez
foi
descuidado com as
horas da toma?
1
(0,3)
17
(4,5)
149
(39,6)
2
(0,5)
42
(11,2)
* Alguma vez deixou de
tomar os medicamentos,
por se sentir melhor?
1
(0,3)
* Alguma vez deixou de
tomar os medicamentos,
por se sentir pior?
* Alguma vez tomou mais
do que um medicamento
por se ter sentido pior?
Questão
Por
vezes
Medidas de
tendência central
Desvio
Média
Mediana
padrão
Raramente
Nunca
144
(38,3)
65
(17,3)
0
(0,0)
3,68
0,82
4,00
73
(19,4)
99
(26,3)
128
(34,0)
32
(8,5)
4,08
1,17
4,00
25
(6,6)
68
(18,1)
149
(39,6)
90
(23,9)
43
(11,4)
4,15
1,07
4,00
34
(9,0)
57
(15,2)
126
(33,5)
103
(27,4)
53
(14,1)
3
(0,8)
3,25
1,17
3,00
0
(0,0)
3
(0,8)
9
(2,4)
43
(11,4)
160
(42,6)
161
(42,8)
5,24
0,81
5,00
* Alguma vez interrompeu
a terapêutica por ter
deixado terminar os
medicamentos?
0
(0,0)
10
(2,7)
111
(29,5)
158
(42,0)
92
(24,5)
5
(1,3)
3,92
0,83
4,00
* Alguma vez deixou de
tomar os medicamentos
por outra qualquer razão
que não tenha sido a
indicação
do
seu
médico?
0
(0,0)
0
(0,0)
21
(5,6)
79
(21,0)
188
(50,0)
88
(23,4)
4,91
0,81
5,00
Tendo por base a tabela 4, verifica-se que o valor médio da adesão ao regime
terapêutico medicamentoso é mais elevado para o sexo feminino, contudo as diferenças
observadas para ambos os sexos não são estatisticamente significativas. Relativamente à
idade, verifica-se que são os indivíduos com idade compreendida entre 65 a 75 anos que
apresentam maior valor médio de adesão e os indivíduos com mais de 85 anos os que
apresentam o valor mais baixo. As diferenças observadas são estatisticamente
significativas (p=0,000). Quanto às habilitações literárias, verifica-se que são os
indivíduos com mais estudos os que apresentam maior valor médio de adesão e os
indivíduos que não sabem ler nem escrever o valor médio mais baixo. As diferenças
observadas entre os grupos são estatisticamente significativas (p=0,000). Relativamente
à situação de com quem vive o indivíduo, observa-se que aqueles que vivem com o
cônjuge são os que apresentam maior valor médio de adesão ao regime terapêutico
medicamentoso. As diferenças observadas entre os grupos são estatisticamente
significativas (p=0,000). Com base no teste de Scheffé verifica-se que são os resultados
75
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
dos que vivem com o cônjuge significativamente diferentes dos demais. No que refere
ao número de doenças e ao número de medicamentos ingeridos diariamente, verifica-se
que são os indivíduos com uma a duas doenças e os que tomam no máximo até quatro
medicamentos, os que apresentam melhores resultados de adesão ao regime terapêutico
medicamentoso. No lado oposto, ou seja, com valores de adesão mais baixos, estão os
indivíduos com mais de quatro doenças e os que tomam pelo menos dez medicamentos
por dia. Em ambos os casos, constata-se que as diferenças observadas são
estatisticamente significativas. Pela aplicação do teste post-hoc de Scheffé, verifica-se
que, quanto ao número doenças, todos os grupos envolvidos apresentam resultados
estatisticamente diferentes. Quanto ao número de medicamentos ingeridos, o grupo de
indivíduos que toma até quatro medicamentos é significativamente diferente dos
demais. Relativamente à ajuda na preparação de medicação, verifica-se que são os
indivíduos que nunca precisam de ajuda os que apresentam o maior valor médio de
adesão ao regime terapêutico medicamentoso e os que precisam sempre de ajuda
apresentam o valor mais baixo. As diferenças observadas entre os grupos são
estatisticamente significativas (p=0,004).
Tabela 4.
Relação entre as variáveis sociodemográficas e clínicas com os valores médios obtidos no MAT
n
Média
Desvio
Teste
Valor de
prova
Feminino
213
4,22
padrão
0,751
163
4,11
0,670
t de
Student
0,127
Masculino
De 65 a 75 anos
132
4,65
0,642
De 76 a 85 anos
156
3,99
0,655
KruskalWallis
0,000
Mais de 85 anos
88
3,78
0,533
Não sabe ler nem escrever
Sabe ler e escrever
1° Ciclo ou mais
168
153
55
3,78
4,33
4,96
0,567
0,633
0,526
Cônjuge
166
4,51
0,681
Familiar
69
3,91
0,563
Sozinho
141
3,91
0,665
Uma a duas doenças
120
4,78
0,588
Três a quatro doenças
175
3,96
0,594
Mais de quatro doenças
81
3,75
0,550
N° medicamentos
Até quatro
De cinco a nove
128
193
4,76
3,91
Ajuda na preparação
Pelo menos dez
Nunca
As vezes
55
17
328
Sempre
31
Variável
Sexo
Idade em classes
Habilitações
literárias
Com quem vive
N° doenças
da medicação
KruskalWallis
0,000
ANOVA
0,000
ANOVA
0,000
0,582
0,597
ANOVA
0,000
3,75
5,24
4,18
0,537
0,449
0,670
Kruskal-
3,56
0,650
Wallis
0,004
76
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A maioria da amostra estudada, enquadra-se na categoria de polimedicada, entendendo
esta como o consumo de cinco ou mais fármacos por dia, critério este comumente
considerado, como refere Abrantes (2013). Com base nos objetivos inicialmente
propostos para este estudo, verificamos que no contexto em que o mesmo se realizou, a
percentagem de idosos que adere aos tratamentos é de 19,1% (n=72), sendo preocupante
o valor dos idosos considerados não aderentes (80,9%; n=304). Estes resultados não vão
de encontro aos resultados encontrados por Sousa et al. (2011), sendo de referir que esse
estudo envolveu uma amostra de 51 idosos de um centro de dia. Um estudo efetuado
por Monterroso, Joaquim e Sá (2015), onde procuraram avaliar a adesão do regime
terapêutico medicamentoso dos idosos integrados nas equipas domiciliárias de cuidados
continuados, verificaram que 72,7% dos idosos enquadravam-se na categoria não
aderente
, estando estes resultados em consonância com os
nossos. Verificou-se nesta investigação, que uma elevada percentagem da nossa amostra
não sabe ler, nem escrever (n=168), e que os indivíduos com mais idade e menor
escolaridade foram os que registaram valores médios de adesão mais baixos. Num
estudo efetuado por Monterroso et al. (2012), verificaram que o índice de MAT está
associado à idade, bem como ao nível de escolaridade, pois os níveis mais baixos de
adesão eram apresentados pelos indivíduos mais velhos e pelos que possuíam um nível
de escolaridade mais baixo. Constatou-se ainda neste estudo, que os idosos que viviam
com o cônjuge eram os que apresentavam um valor médio de adesão mais elevado,
sendo as diferenças observadas entre os grupos estatisticamente significativas. No
estudo elaborado efetuado por Monterroso et al. (2015), em que teve por base o grupo
dos idosos que viviam sozinhos e o grupo de idosos que coabitavam com o
cônjuge/familiares, constataram que os idosos que se encontravam a residir sozinhos
possuíam pior adesão, contudo tais diferenças não foram estatisticamente significativas.
Quer os indivíduos com maior número de patologias, quer os que se integram no grupo
dos que consomem mais fármacos, são os que apresentam o valor médio de adesão mais
baixo, contrariamente aos indivíduos portadores de um menor número de patologias e
consumidores até quatro fármacos. Para Fischer (2002), cit. por Bastos (2004),
aproximadamente 80% dos utentes com várias patologias não demonstram uma adesão
eficaz ao regime terapêutico. Segundo Dias et al. (2011), os utentes com múltiplas
77
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
patologias apresentam níveis baixos de adesão terapêutica. No nosso estudo, os idosos
que manifestam precisar sempre de ajuda, são os que apresentam o valor médio mais
baixo de adesão ao regime terapêutico medicamentoso. Não foram encontrados estudos
que pudessem corroborar estes resultados.
5 - CONCLUSÕES
No presente estudo, constatamos que uma elevada percentagem de idosos é considerada
não aderente ao regime terapêutico medicamentoso. Constatou-se ainda que a adesão ao
regime terapêutico medicamentoso estava significativamente associada a idade,
habilitações literárias, pessoa com quem vivia, número de doenças, número de
medicamentos ingeridos, e necessidade de ajuda na preparação da medicação. Dada a
responsabilidade que os profissionais e as instituições de saúde têm em relação ao
processo de adesão terapêutica, emerge a necessidade de definir e implementar
intervenções para melhorar o aumento da adesão ao regime terapêutico medicamentoso.
Seria desejável que os centros de saúde desenvolvessem programas específicos para os
idosos, de forma a referenciar e sinalizar as dificuldades dos mesmos, sendo este
trabalho uma mais-valia como uma resposta de proximidade e em tempo útil aos
problemas referidos pelos idosos, tornando-se assim uma estratégia de prevenção
alargada e eficaz, nomeadamente, nos níveis de adesão à terapêutica medicamentosa.
Para além das intervenções a nível dos cuidados de saúde primários, sugeríamos
intervenções de proximidade, promovendo políticas sociais destinadas a fomentar a
manutenção da solidariedade familiar e o incentivo ao voluntariado para apoio aos
idosos mais isolados.
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Alípio Marcos
Enfermeiro com funções de chefia no Serviço de Urgência Básica, na Unidade Local do Nordeste,
Licenciatura em Enfermagem, Mestrado em Enfermagem de Saúde Pública.
Carlos Pires Magalhães
Professor Adjunto na Escola Superior de Saúde de Bragança – Instituto Politécnico de Bragança.
Departamento de Enfermagem. Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, com a componente
dominante em Enfermagem Gerontológica e Geriátrica. Mestre em psicologia e doutor em Gerontologia
Social. Investigador do Núcleo de Investigação e Intervenção do Idoso (NIII).
Adília Fernandes
Professora Adjunta na Escola Superior de Saúde de Bragança – Instituto Politécnico de Bragança.
Departamento de Enfermagem. Especialista em Enfermagem na Comunidade. Mestre em psicologia e
doutora em Desenvolvimento e Intervenção Psicológica.
Investigadora do Núcleo de Investigação e Intervenção do Idoso (NIII).
79
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Influência das tecnologias de informação e comunicação na
satisfação profissional dos enfermeiros
Sequeira, C1.; Reis, G2.; Penaforte, H. 3
Resumo - A satisfação dos utilizadores das tecnologias de informação e comunicação é um tema cada vez
mais premente tendo em conta o enorme crescimento do número de profissionais de saúde e em
particular, enfermeiros, que dentro dos serviços as utilizam no seu trabalho diário. Neste sentido, esta
investigação teve como objetivo, identificar a satisfação profissional dos enfermeiros com o uso das
tecnologias de informação e comunicação na prática clínica. Enveredamos por um estudo descritivo e
transversal de carácter quantitativo, tendo sido aplicada a escala de Satisfação com a Utilização de
Sistemas de Informação de Rodrigues, Marques, Nogueira, Frederico, Castilho e Granjo (2006), a uma
amostra de 62 enfermeiros. Os resultados revelam que 42% dos enfermeiros referem um nível elevado de
satisfação, relativamente à forma como os sistemas de informação influenciaram o processo de mudança
organizacional da instituição e 44% referem que os sistemas de informação em uso na sua instituição
facilitaram a comunicação com outras instituições, promovendo assim a continuidade de cuidados, como
indicam 35% dos enfermeiros participantes. No entanto, apenas 26% dos inquiridos referem que a sua
utilização implicou ganhos em saúde para o doente. O estudo evidenciou que, de uma forma geral, os
enfermeiros encontram-se satisfeitos com as tecnologias de informação e comunicação que utilizam na
sua prática clínica.
Palavras-chave: Tecnologias de informação e comunicação; satisfação; enfermeiros.
Abstract - The satisfaction of the users of the TIC is a subject each more pressing time having in account
the enormous growth of the number of health professionals and in particular, nurses, who inside of the
services use them in its daily work. In this direction, this inquiry had as objective, to identify the
professional satisfaction of the nurses with the use of the TIC in the practical clinic. We set out a crosssectional descriptive study of quantitative character and has been applied the Satisfaction Scale with the
use of Information Systems (SUSI) (Rodrigues, Marques, Nogueira, Frederico, Castilho & Granjo, 2006)
to a sample of 62 nurses. The results reveal that 42% of nurses reported a high level of satisfaction with
regard to how the SI influenced the organizational change process of the institution and 44% state that the
SI in use in their institution facilitated communication with other institutions, promoting continuity of
care, as indicated by 35% of participating nurses. However, only 26% of the respondents reported that
their use resulted in health gains for the patient. The study showed that, in general, nurses are satisfied
with the ICT use in their clinical practice.
Key words: Information and communication technologies; satisfaction; nurses.
___________________________
1
Catarina Sequeira - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado - Chaves [email protected]
2
Gil Reis - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado - Chaves - [email protected]
3
Helena Penaforte - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado – Chave [email protected]
80
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
As tecnologias de informação e comunicação (TIC) ocupam atualmente um lugar de
destaque nas organizações, quer pelo desenvolvimento tecnológico a nível de
equipamentos e suportes lógicos, quer pela reconhecida capacidade das suas
potencialidades. Neste sentido, as TIC funcionam como mecanismos de suporte para a
implementação de novos modelos e abordagens de gestão. A necessidade da prática da
gestão do conhecimento aliada à utilização de tecnologias de informação, torna a
organização mais flexível, ágil e adaptável num ambiente cada vez mais competitivo e
mutável. Deste modo, as organizações de saúde tiveram que acompanhar os padrões de
exigência atuais, respondendo aos desafios de uma nova sociedade, desenvolvendo uma
nova cultura organizacional recorrendo às TIC (Pinto, 2009).
De um modo geral, os recursos oriundos desta tecnologia são de grande valia quando
aplicados quer na gestão dos serviços de atendimento aos utentes, quer no apoio ao
profissional nas mais diversas atividades de prestação de cuidados, até porque e,
segundo Marin (1995), “ a informação na área da saúde é um dos principais, se não o
principal recurso que o profissional precisa ter às mãos para exercer a sua profissão com
eficiência e qualidade” (p.2).
Houve nos últimos anos, uma preocupação crescente com o desenvolvimento de
sistemas de informação (SI) eficientes que permitam a maximização da gestão dos
serviços e promovam a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde. É consensual a
necessidade básica de aceder à informação gerada pelos profissionais de saúde,
garantindo que esse acesso se torne extensivo a todos de forma rápida e eficaz (Pinto,
2009).
No setor da saúde, as TIC vieram modificar os processos ao disponibilizar informação
íntegra e fidedigna aos profissionais de saúde e suportar as decisões dos gestores e das
entidades reguladoras. Assim, e de acordo com as orientações do Ministério da Saúde
(2007), os sistemas de informação e, consequentemente a eficácia da informação são
aspetos fundamentais da estratégia de saúde. Também, os profissionais de enfermagem
como parte integrante das organizações de saúde estiveram sujeitos a todas estas
mudanças. A implementação dos SI no âmbito de enfermagem determinou a profunda
redefinição das atividades desenvolvidas durante a prestação de cuidados de
enfermagem ao cliente.
81
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
O sucesso da gestão hospitalar, ao nível dos seus profissionais, passa entre outros
aspetos, pela correta utilização dos SI, que relacionam a informação e o conhecimento
que possuem, de forma a contribuir para uma gestão hospitalar mais eficiente e eficaz,
produzindo sensação de satisfação, ou não, com a sua utilização. Será, assim, de esperar
que os diferentes utilizadores do SI sejam elementos facilitadores da eficácia da gestão,
percebendo o seu real papel na utilização desta ferramenta de trabalho.
Atualmente, é objeto de vários estudos, pelo seu grande impacto no sucesso das
estruturas organizacionais, a satisfação profissional, em Portugal encontra o seu
enquadramento legal na Lei de Bases da Saúde (Lei nº 48/90, de 24 de agosto), que
prevê a avaliação do nível de satisfação dos profissionais, enquanto indicador da
avaliação permanente do Sistema Nacional de Saúde, ao mesmo tempo que a política de
recursos humanos deve garantir o estímulo dos profissionais. Também a Ordem dos
Enfermeiros preconiza que as organizações de saúde tenham em mente a avaliação da
satisfação dos seus profissionais uma vez que uma pessoa satisfeita é mais produtiva, e
neste sentido a prestação de cuidados de qualidade pressupõe profissionais satisfeitos.
O tema tem despertado, ao longo dos tempos, o interesse de diversos autores, sendo que
a satisfação no trabalho tem sido conceptualizada como uma emoção (Locke, 1976) ou
como uma atitude (Schneider, 1975). Em qualquer dos casos, trata-se de um conceito
complexo resultante de ideias simples, que visa dar conta de um estado emocional
positivo ou uma atitude positiva face ao trabalho e às experiências no seu contexto
(Lima, Vala & Monteiro, 1994).
A investigação desenvolvida sobre o tema da satisfação profissional conduziu à
determinação de um conjunto de variáveis que se enquadra no âmbito das determinantes
da satisfação. Uma das categorizações possíveis apresenta dois tipos de variáveis: as
variáveis situacionais, qu se relacionam com o trabalho, e as variáveis individuais, que
dizem respeito às características da pessoa (J. Ferreira, Neves & Caetano, 2009).
Quando se fala de determinantes relacionadas com o trabalho, está a referir-se, por
exemplo, as políticas organizacionais, que emanam dos estilos de supervisão ou das
próprias características do trabalho. Quanto às determinantes relacionadas com variáveis
individuais e que podem explicar diferenças individuais da satisfação profissional em
contextos laborais semelhantes, enquadram-se, por exemplo, as características
sociodemográficas ou fatores disposicionais (Peiro & Prieto, 2001).
82
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Ou seja, para definir o conceito de satisfação profissional, tendo em atenção os diversos
autores estudados, é preciso considerar pelo menos dois aspetos. Por um lado, deve-se
especificar os processos psicológicos que constituem a experiência subjetiva da
satisfação estando neste caso no domínio das atitudes, podendo considerar-se as suas
componentes cognitivas, afetivas e comportamental. O segundo aspeto refere-se à
identificação das características associadas ao trabalho que produzem essas experiências
subjetivas de satisfação.
Em particular no exercício da profissão de enfermagem em ambiente hospitalar, a
satisfação profissional assume primordial importância, uma vez que que o profissional
de enfermagem cuida de pessoas doentes, com maior ou menor grau de dependência nas
suas atividades de vida diária. As constantes transformações ocorridas nos diferentes
domínios das intervenções do enfermeiro, operadas por forças da exigência de elevados
padrões de qualidade, aliadas a políticas economicistas, bem como a sua irrefutável
relação com os diversos fatores envolvidos no processo, provocaram a reflexão sobre o
tema da satisfação e motivação dos enfermeiros (Soares, 2007).
A globalização económica, o rápido progresso do conhecimento e das tecnologias da
informação e da comunicação, obrigam a uma nova relação laboral, na qual a
flexibilidade, o conhecimento e a inovação são componentes essenciais exigidas.
No mesmo sentido, M. Ferreira e Sousa (2006), salientam que a satisfação profissional
dos enfermeiros é condicionada por diversos fatores nomeadamente: escassa autonomia
dos profissionais; indefinição das tarefas; elevada pressão a que estão submetidos;
sobrecarga de trabalho; falta de apoio do supervisor; poucas expectativas de carreira e
desenvolvimento profissional; deficiente reconhecimento pessoal e profissional e a
ausência da melhoria dos cuidados de saúde prestados.
Em síntese, apesar de as vantagens das TIC na saúde serem já conhecidas, pela
complexidade inerente à sua implementação, assim como pelas implicações a nível
estrutural e humano, não são ainda totalmente conhecidas as implicações da utilização
destas ferramentas na satisfação profissional das diferentes classes profissionais de
saúde, mais especificamente no âmbito de enfermagem.
Norteados pelo despontado da pesquisa realizada, e apesar de a satisfação ser um tema
complexo e de difícil avaliação, no entanto, inequivocamente incontornável quando o
objetivo é o sucesso de uma empresa ou, neste caso, o desenvolvimento sustentado dos
83
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
cuidados de saúde, pareceu-nos importante aprofundar este tema e identificar a
satisfação profissional dos enfermeiros com o uso das TIC na prática clínica.
Para o estudo, partimos com o propósito de: i) descrever as ferramentas de registo
utilizadas, pelos enfermeiros no âmbito das TIC, na sua prática clínica; ii) caracterizar a
satisfação dos enfermeiros com as TIC.
2 -MÉTODO
Face ao objetivo do estudo, consideramos que este se insere num paradigma de
investigação quantitativo, com a finalidade de obter dados duma determinada realidade
que depois de devidamente analisados sirvam de indicadores para definição de
estratégias de intervenção. Quanto ao tipo de estudo, centramo-nos num estudo de
carácter exploratório, descritivo e transversal (Fortin, Côté & Filion, 2009).
2.1 - Participantes
A população alvo deste estudo é constituída pelos profissionais de enfermagem, que
exercem funções em meio hospitalar a nível nacional. Para a seleção dos participantes,
optou-se por um método de amostragem não probabilístico, em amostragem por redes,
ou “bola de neve” (Fortin et al., 2009).
2.2 - Material
Atendendo aos objetivos traçados, selecionou-se o questionário para a colheita de
informação, uma ferramenta pouco dispendiosa, impessoal e anónima, que abrange um
grande número de sujeitos, com uma ordem de questões e diretrizes idêntica para
constituindo um método eficaz na colheita de dados, uma vez que permite organizar,
normalizar e controlar os dados, de tal forma que as informações procuradas possam ser
colhidas de uma maneira rigorosa (Fortin et al., 2009).
O questionário foi adaptado, com a finalidade de poder medir as variáveis pertinentes do
nosso estudo, sendo composto por duas partes:
Caracterização da amostra;
84
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Escala de Satisfação com a Utilização de Sistemas de Informação (SUSI) de
Rodrigues, Marques, Nogueira, Frederico, Castilho e Granjo (2006), depois de
solicitada e obtida autorização aos autores. Esta escala é composta por 9 itens.
Trata-se de uma escala tipo Likert de 5 pontos, em que 1 significa nulo e 5
significa muito elevado. Assim, o score máximo é de 45 pontos, sendo que
quanto maior for o score obtido, maior é a satisfação com a utilização de SI.
2.3 - Procedimento
Os questionários foram enviados via correio eletrónico para uma rede de contactos, aos
quais foi solicitado a inerente divulgação e colaboração para o preenchimento. Este
processo decorreu entre fevereiro e junho de 2015. Foi salientado a participação
voluntária, a confidencialidade e o anonimato dos inquiridos. A existência de uma nota
introdutória no questionário permitiu explicar o tipo de estudo e os objetivos da
investigação. Os questionários foram adicionados diretamente a uma base de dados
eletrónica.
A informação recolhida foi tratada e analisada estatisticamente utilizando uma aplicação
informática, o Microsoft Excel®, versão 2013.
A investigação foi desenvolvida em conformidade com a declaração de Helsínquia de
1975 da Associação Médica Mundial, revista em 2004.
3 - ANÁLISE DOS RESULTADOS
Relativamente à caracterização sócio demográfica - identificou-se que dos 62
participantes no estudo, 39 (63%) são do sexo feminino e 23 (37%) do sexo masculino,
com idades entre 30 e 65 anos, sendo que 42% situam-se entre os 30 e os 40 anos. O
estado civil predominante é o casado/união de facto representando cerca de 70% da
amostra. No que se refere às habilitações académicas, 23% são detentores do grau de
mestre.
A nível da experiência profissional, 57% dos inquiridos tem mais de 15 anos de serviço,
85
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
posicionando-se na categoria de enfermeiro 63% dos respondentes. De notar que 84%
tem um vínculo definitivo à instituição onde exerce funções.
Relativamente às ferramentas informáticas - os enfermeiros inquiridos referiram
como as mais utilizadas o Alert, SAPE, S Clínico, Gestafarma Glintt, Nefro, SAM, SIP,
Soarian, SISQUIAL, GHAF, Sonho, GHAF, EPIC, CPCHC, AIDA, DcM e HCIS.
Sendo que, cerca de 44% da amostra usa apenas 1 sistema, no entanto, 40% usa 3 ou
mais sistemas.
Relativamente a satisfação dos enfermeiros com o uso das TIC - da análise dos
resultados da Escala de Satisfação Utilização de Sistemas de Informação (SUSI)
(tabelas 1 e 2) verificamos que, de uma forma geral, os enfermeiros estão satisfeitos
com o uso das TIC, uma vez que a maior percentagem de respostas se encontra no nível
elevado de satisfação, assim como a média dos scores das respostas é sempre positivo.
Constatamos que 44% dos inquiridos referem que os SI em uso na sua instituição
facilitaram a comunicação com outras instituições e 42% dos enfermeiros referem um
nível elevado de satisfação, relativamente à forma como os SI influenciaram o processo
de mudança organizacional da instituição.
Tabela 1.
Escala de Satisfação com a Utilização de Sistemas de Informação (SUSI)
Nível da satisfação
Escala de Satisfação Utilização de Sistemas de
Informação (SUSI)
A adequação (localização e número de computadores)
dos postos de trabalho está adaptada à sua atividade
profissional:
As informações existentes nas bases de dados dos SI
(sistemas de informação) facilitam o registo da sua
atividade profissional:
Os SI evitaram a perda de informação:
Os SI existentes na sua Instituição, vieram reduzir os
suportes em papel:
A informação produzida pelos SI veio valorizar a sua
atividade profissional:
Os SI influenciaram o processo
organizacional da Instituição:
de
mudança
Os SI em uso na sua Instituição, implicaram ganhos em
saúde para o utente:
Os SI em uso na sua Instituição facilitaram a
comunicação com outras Instituições:
Os SI em uso na sua Instituição possibilitaram a
continuidade dos cuidados ao utente.
Nulo
Baixo
Nem baixo
nem elevado
Elevado
Muito
elevado
2%
23%
29%
34%
13%
3%
23%
34%
32%
8%
2%
11%
31%
35%
21%
11%
16%
19%
37%
16%
13%
27%
21%
31%
8%
5%
6%
31%
44%
15%
10%
29%
32%
26%
3%
3%
16%
24%
42%
15%
3%
11%
37%
35%
13%
86
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Fazendo uma análise global da satisfação dos enfermeiros com as TIC em uso, numa
escala de 1 a 5, tendo em conta que o score 1 corresponde “a nulo” e o score 5 a “muito
elevado”, temos uma média do nível de satisfação de 3,3, conforme tabela 2.
Tabela 2.
Média dos scores da Escala de Satisfação Utilização de Sistemas de Informação (SUSI)
Escala de Satisfação Utilização de Sistemas de Informação (SUSI)
Média
A adequação (localização e número de computadores) dos postos de trabalho está
adaptada à sua atividade profissional:
3,339
As informações existentes nas bases de dados dos SI (sistemas de informação) facilitam o
registo da sua atividade profissional:
3,194
Os SI evitaram a perda de informação:
3,629
Os SI existentes na sua Instituição, vieram reduzir os suportes em papel:
3,306
A informação produzida pelos SI veio valorizar a sua atividade profissional:
2,935
Os SI influenciaram o processo de mudança organizacional da Instituição:
3,565
Os SI em uso na sua Instituição, implicaram ganhos em saúde para o utente:
2,839
Os SI em uso na sua Instituição facilitaram a comunicação com outras Instituições:
3,484
Os SI em uso na sua Instituição possibilitaram a continuidade dos cuidados ao utente.
3,435
Média total
3,303
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Pela análise dos dados obtidos, verificamos que os resultados encontrados, no que
concerne à caracterização sociodemográfica, foram congruentes com os dados
estatísticos da Ordem dos Enfermeiros (2014), nomeadamente no que se refere à idade,
onde se pode verificar que 46,8% dos enfermeiros que exerciam em Portugal tinham
idade ≤ 35 anos, sendo que existe uma maior prevalência do sexo feminino (63%) em
relação ao sexo masculino (37%), bem como, a maioria dos estudos realizados nesta
área, os quais identificam a feminização na qualificação profissional de enfermagem
(Lopes & Leal, 2005; Pereira, 2008; Simões, 2008). Os resultados do nosso estudo
apontam que 42% dos enfermeiros referem um nível elevado de satisfação,
relativamente à forma como os SI influenciaram o processo de mudança organizacional
da instituição e 44% referem que os SI em uso na sua instituição facilitaram a
comunicação com outras instituições, promovendo, assim, a continuidade de cuidados,
como indicam 35% dos enfermeiros participantes, corroborando Sousa (2006) ao
87
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
identificar os SI como proveitosos, úteis e ricos em informação de que necessitam para
a satisfação das necessidades a este nível de atuação. Apenas 26% dos profissionais
indicam que os SI em uso na sua instituição implicaram ganhos em saúde para o utente,
o que, de acordo com Sousa (2006), pode estar relacionado com a pouca familiaridade
dos enfermeiros com a tecnologia, o seu pouco envolvimento no processo de decisão na
aquisição de tecnologia e a não participação no desenvolvimento dos sistemas. Fazendo
ainda a análise da satisfação dos enfermeiros com o SIE em uso, numa escala de 1 a 5,
tendo em conta que o score 1 corresponde “pouco satisfeito” e o score 5 a “muito
satisfeito”, esta é, em média, de 3,3. Estudos efetuados em Portugal demonstraram que
de uma forma geral, os enfermeiros apresentam níveis médios de satisfação global
enquanto utilizadores dos já referidos SI e mais de 85% dos enfermeiros continuariam a
utilizá-los para documentar os cuidados prestados aos seus doentes (Campos, 2012).
Desta forma, a introdução dos SIE, constituiu uma mais-valia, no aspeto de servir de
suporte legal nos cuidados de enfermagem prestados (documentação legal); dar
visibilidade aos contributos dos cuidados de enfermagem no contexto dos cuidados de
saúde, nomeadamente para os ganhos em saúde das populações; facilitar a gestão e
formação; promover a investigação e promover a continuidade nos cuidados (Sousa,
2006).
5 - CONCLUSÕES
Estudar a satisfação dos utilizadores dos SI em enfermagem, pode fornecer dados
valiosos para a definição do rumo e das estratégias de governo dos serviços e
instituições, naquilo que se reporta à sua política de sistemas de informação.
Concluímos verificando que os enfermeiros do nosso estudo referiram utilizar na sua
prática clínica várias ferramentas informáticas, sendo as mais comuns o Alert, SAPE, S
Clínico e SAM. Salientamos, ainda, a satisfação no uso das TIC, nomeadamente no
processo de mudança organizacional da instituição e na comunicação com outras
instituições. Sublinhamos que, no atual contexto socioeconómico em que as
organizações se diferenciam pela qualidade de serviço, a capacidade organizativa e de
gestão na rentabilização dos recursos humanos e tecnológicos, a satisfação dos
enfermeiros é um aspeto que deve ser incluído nas estratégias de gestão de SI, à escala
88
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
dos serviços de saúde. Reitera-se a importância de prosseguir no estudo e análise de
outras variáveis como as intrínsecas à conceção e envolvimento do enfermeiro.
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saúde: Um modelo explicativo. Coimbra: Formasau.
Catarina Raquel Nunes Sequeira
Professora Assistente na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em
Chaves. Licenciatura em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Licenciatura em
Neurofisiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. Pós-Graduação de Gestão em
Saúde pela Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em Chaves.
Gil António Pires dos Reis
Técnico de Informática na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em
Chaves. Licenciatura em Informática de Gestão pela Escola Superior de Tecnologia e de Gestão de
Bragança do Instituto Politécnico de Bragança. Pós-Graduação de Gestão em Saúde pela Escola Superior
de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em Chaves.
Maria Helena Penaforte
Professora na Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves. Mestre em
promoção e educação para a saúde. Doutora em Enfermagem.
89
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Auto Exame da Mama: Conhecimento das Estudantes da
Escola Superior de Enfermagem de Chaves
Teixeira, D. 1; Gonçalves, R2 Soares, A.3 Dias, C.4; Fernandes, C.5; Moura, , C.6
Resumo - O cancro da mama é um grave problema de saúde a nível mundial, pela sua taxa de incidência
e gravidade social. O autoexame da mama é uma técnica de fácil execução, sem custos e indolor que
permite uma deteção precoce eficaz dos nódulos mamários. Como objetivo do estudo definimos:
identificar se as estudantes do Curso de Licenciatura da Escola Superior de Enfermagem de Chaves têm
conhecimento sobre o autoexame da mama. Metodologicamente optamos por um estudo quantitativo,
descritiva e transversal, aplicamos um questionário para a colheita de dados. Este, aplicado a 71
estudantes do curso de licenciatura em enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Chaves. Dos
resultados salientamos que praticamente 100% das estudantes referem que tem conhecimentos sobre o
autoexame da mama, contudo ainda existe uma percentagem muito elevada que recorre a um profissional
de saúde para realizar o autoexame da mama. Observou-se que a maioria das mulheres ainda apresenta
dúvidas em relação ao período de realização do autoexame da mama, daí a importância que os
profissionais de saúde desempenham com a educação para a saúde das utentes. Assim achamos de suma
importância a consciencialização dos profissionais de saúde na transmissão do conhecimento sobre o
autoexame da mama incentiva à sua prática correta.
Palavras-chave: Conhecimento; autoexame da mama; cancro da mama; estudantes de enfermagem.
Abstract - Breast cancer is a serious health problem worldwide, by its rate of incidence and social
gravity. The breast self-examination (BSE) is a technique of easy implementation, with no costs and
painless, allowing early detection of breast lumps. The objective of this study we define: identify whether
the students of Nursing Degree at the Nursing University in Chaves have knowledge about the SBE.
Methodologically, we chose a quantitative study, descriptive and transversal and applied a questionnaire
to harvest data. This applied to 71 nursing course students of the 2nd, 3rd and 4th year at the Nursing
University in Chaves. After analyzing the results, almost 100% of students report that they have
knowledge about the BSE, however there is still a very high percentage using a health professional to
perform the BSE. It was observed that most women still has doubts about the period of realization of the
SBE, and that’s why the importance of the health education by the health professionals with women’s
health. It is extremely important to raise awareness among health professionals that the knowledge
transmission about the BSE encourages the correct practice.
Key words: Knowledge; breast self-examination; breast cancer; nursing students.
___________________________
1
Delfina Teixeira - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado
[email protected];
2
Rita Gonçalves - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado
[email protected];
3
Anaísa Soares - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado
[email protected];
4
Cátia Dias - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado
[email protected];
5
Catarina Fernandes - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado
[email protected];
6
Cristina Moura - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado
[email protected]
- Chaves,
- Chaves,
- Chaves,
- Chaves,
- Chaves,
- Chaves,
90
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
O cancro da mama (CM) é um problema de saúde pública muito importante em todo o
mundo, mais frequente na mulher, tanto em países desenvolvidos como em países em
vias de desenvolvimento. Em cada dez novos casos diagnosticados anualmente em todo
o mundo, um corresponde a CM feminino, sendo o CM a principal causa de morte por
cancro na mulher (Rodrigues, 2010).
A distribuição geográfica por cancro da mama em Portugal evidencia um gradiente
geográfico marcado no nordeste-sudoeste, com duas zonas de maior mortalidade nas
regiões metropolitanas do Porto e de Lisboa (Rodrigues, 2010). Acresce o facto e, de
acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC, 2011), numa população
feminina de 5 milhões surgem 4500 novos casos de CM por ano, ou seja, 11 novos
casos por dia, morrendo por dia 4 mulheres com esta doença.
Considera-se um diagnóstico de cancro, quando existe a presença de um sintoma
específico ou o resultado de algum exame de rastreio que sugere a existência de um
tumor, exigindo no entanto, sempre uma logística clínica para a sua comprovação
(LPCC, 2011).
Neste sentido e de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2015), a
deteção precoce continua a ser a pedra angular do controle do CM, de forma a melhorar
os indicadores de resultados pela proporção de cancros da mama detetados em fase
inicial e, consequente aumento da sobrevivência da mulher.
Pelo alto índice de mortalidade entre as mulheres e não existindo outra forma de evitar o
seu aparecimento, a forma mais eficazes de deteção do CM são o autoexame da mama
(AEM), exame clínico e a mamografia, não descurando também o seu controlo pela
prática sistemática do AEM associado aos fatores de risco (Soares, 2011).
O AEM tem sido promovido universalmente como método de rastreio para a deteção
precoce de nódulos mamários que podem levar ao aparecimento do CM, sendo definido
como uma avaliação mamária mensal, com o objetivo de identificação de nódulos
palpáveis (Santos, 2013). Ao longo dos anos tem-se discutido a sua necessidade, como
método de identificação precoce de algumas alterações realizado pela própria mulher,
de modo sistemático e metódico, possibilitando ainda o conhecimento da sua própria
mama, sendo que, a frequência da realização do mesmo influencia diretamente a técnica
91
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
e estimula o autocuidado, devendo ser realizado mensalmente no quinto ou sétimo dia
após a menstruação por todas as mulheres a partir da adolescência (Gomes, Alves,
Santos, Andrade-Barbosa & Leite, 2012).
No entanto, o AEM não substitui o exame físico realizado por profissionais de saúde
(médico ou enfermeiro) qualificado para essa atividade (Gomes et al., 2012).
A pertinência da temática prende-se com o facto de que na atualidade, em Portugal a
incidência do CM estar a aumentar e a ser detetada em pessoas cada vez mais jovens
(DGS, 2013).
De acordo com Laville e Diome (1996), cit. por Fortin, Côté e Filion (2009), o
conhecimento é uma noção que implica diversidade e multiplicidade e dá lugar a
diferenças e a semelhanças nos diversos tipos de saberes. Partimos, assim, para a nossa
questão de investigação “Será que as estudantes do Curso de Licenciatura em
Enfermagem têm conhecimentos sobre AEM?”.
Como objetivo geral delimitamos identificar se as estudantes do Curso de Licenciatura
de Enfermagem (CLE) da Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado (ESEDJTMM) têm conhecimento sobre o AEM.
E, em concordância com Gomes et al. (2012), investigar o conhecimento das estudantes
de enfermagem sobre AEM é de suma importância, pois como futuras profissionais de
saúde nesta área de atuação, em que a realização correta do AEM, além das orientações
quanto ao mesmo nas consultas na área de saúde da mulher, bem como em ações de
educação em saúde individual e em grupo, revelam-se competências cruciais e de
extrema relevância a desenvolver e interiorizar, para si e para os outros.
E, ainda, os profissionais de enfermagem que trabalham em serviços do nível primário
de atenção à saúde têm a responsabilidade de passar informação e orientações quanto ao
AEM para as mulheres e as ações educativas devem ser desenvolvidas através do ensino
da palpação das mamas pela própria mulher como estratégia de cuidado com seu corpo
(R. Silva, Sanches, Ribeiro, Cunha & Rodrigues, 2009).
Para dar resposta as nossas dúvidas/motivações traçamos os seguintes objetivos
específicos: i) saber se as estudantes do 2º, 3º e 4º ano do CLE da ESEDJTMM têm
conhecimento sobre o AEM; ii) perceber com que frequência as alunas fazem o AEM;
92
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
iii) saber se realizam o AEM sozinhas ou recorrem a um profissional; iv) identificar
qual o profissional de saúde que as alunas reconhecem como sendo responsável pela
orientação para a realização do AEM.
2 - MÉTODO
Neste estudo e, face aos objetivos, optamos por um estudo de natureza descritiva e
transversal no âmbito quantitativo. Este método é um processo formal, objetivo e
sistemático, que consiste na explicação e predição de fenómenos, pela medida das
variáveis e pela análise dos resultados numéricos (Fortin, 2009). Para a sua realização
recorremos a uma amostra de 71 estudantes a frequentar o CLE do 2º, 3º e 4º ano do
CLE da ESEDJTMM, cujo pedido de autorização foi submetido ao conselho de direção
da escola, seguindo todas as recomendações éticas.
A investigação descritiva visa definir as características de uma população ou de um
fenómeno. A colheita de dados numa dada população é feita através de observação,
realização de entrevista ou aplicação de questionário (Fortin et al., 2009).
Este estudo foi realizado através da colheita de dados, mediante entrega a todas as
participantes um questionário, agendado previamente, foi concedido pelos participantes
mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.
Tendo em conta a bibliografia consultada, este tipo de estudo será o mais adequado à
aquisição das respostas que procuramos obter.
2.1 - Participantes
O processo de amostragem foi constituído pelas estudantes a frequentar o 2º, 3º e 4º ano
do CLE de uma escola superior de enfermagem da região norte de Portugal, sendo que a
amostra é de natureza intencional correspondendo a 71 estudantes, que nos dias das
reuniões finais do ensino clínico estavam presentes.
Como critérios de inclusão definiu-se: i) ter idade igual ou superior a 18; ii)
concordarem em participar no estudo, assinando o termo de consentimento livre e
esclarecido; iii) serem do sexo feminino. Como critérios de exclusão: i) não
concordarem em participar na pesquisa; ii) estudantes do sexo masculino; iii) serem
estudantes a frequentar o 1º ano.
93
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2.2 - Material
Neste estudo, o método de recolha de dados utilizado foi um questionário, uma vez que
é um instrumento de medida que traduz os objetivos de um estudo de variáveis
mensuráveis e ainda ajuda a organizar, a normalizar e a controlar os dados, de tal forma
que as informações procuradas possam ser colhidas com rigor (Fortin et al., 2009).
O instrumento de recolha de dados foi validado por A. A. Silva (2010). Contém
informação sobre perfil, frequência do AEM e a sua prática, sendo dividido em duas
partes:uma primeira parte que nos oferece a caraterização sociodemografica e uma
segunda parte relaciona-se com o conhecimento sobre o CM e AEM. É composto por 10
questões, dicotómicas do tipo “sim e não de fácil compreensão, que foram respondidas
pelas estudantes que preenchiam os critérios de inclusão.
2.3 - Procedimentos
Segundo Fortin et al. (2009), a ética é a ciência da moral e a arte de conduzir a conduta,
é o conjunto de permissões e de interdições que têm um enorme valor na vida dos
indivíduos e em que estes se inspiram para guiar a sua conduta.
Para este estudo foi solicitada a autorização ao Conselho de Direção da escola. Após a
sua autorização e a obtenção do consentimento informado pelas estudantes para a
realização do estudo, foram entregues questionários às estudantes na reunião final dos
ensinos clínicos, do 2º, 3º e 4º ano no ano letivo de 2014/2015 do CLE, permitindo
aceder mais fácilmente à informação sobre o conhecimento sobre AEM.
Para a análise dos dados recorreu-se ao programa informático Statistical Package for
Social Sciences (SPSS) versão 19 para Windows SPSS, utilizando estatística descritiva.
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
Da análise da nossa amostra pudemos observar que 87,3% das inquiridas são solteiras,
8,5% são casadas e 4,2% estão divorciadas. A média de idades das estudantes que
realizaram este inquérito é de aproximadamente 25 anos, e apenas 7 (9,9%) delas têm
filhos. Das 71 estudantes que representam a nossa amostra, 36,6% (n=26) já tem
94
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
experiencia laboral na área da saúde, as restantes não apresentam qualquer experiência
profissional nessa área.
Tabela 1.
Conhecimento/informação/realização sobre o autoexame da mama
Variáveis
Conhecimento sobre o autoexame da mama
Sim
Não
Omisso
Como realizam o autoexame da mama
Sozinhas
Profissional de saúde
Omisso
Quem orienta para o autoexame da mama
Enfermeiro
Médico
Omisso
N
(N=71)
%
69
1
1
97,2
1,4
1,4
34
35
2
47,9
49,3
2,8
14
22
35
19,7
31,0
49,3
Legenda: N – Frequência absoluta; % - Percentagem
Na tabela 1 observamos que 97,2% das estudantes responderam afirmativamente
quando questionadas se tinham conhecimento sobre AEM. Verifica-se que 47,9%
recorre a um profissional de saúde para a realização do exame da mama como se pode
observar na referida tabela. No entanto, a maioria das estudantes (49,3%) realiza o AEM
a si própria.
Verificamos, ainda, que 31% teve orientação para a realização do AEM do médico,
enquanto 19,7% das participantes foram orientadas pelo enfermeiro, de salientar que a
maioria (49,3%) não respondeu a esta questão.
Tabela 2.
A frequência com que as estudantes realizam o AEM
Variáveis
Frequeência com que as estudantes fazem o
autoexame da mama
Uma vez/mês
6 Meses
Ano
Outros
Total
Omisso
N
36
15
7
10
68
3
(N=71)
%
50,7
21,1
9,9
14,1
95,8
4,2
Legenda: N – Frequência absoluta; % - Percentagem
Na tabela 2 podemos constatar que apenas aproximadamente metade das nossas
inquiridas (50,7%) é que realizam o AEM uma vez por mês.
95
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Dos dados analisados, podemos referir que a maioria da nossa amostra apresenta uma
média de idades de 25 anos, sublinhando que a nível nacional a média de idades dos
estudantes que frequentam o ensino superior é de aproximadamente 20 anos, o que se
aproxima da média de idades da amostra deste estudo (Direção-Geral do Ensino
Superior, 2016). A maioria das estudantes, quando questionada sobre o conhecimento
que possuía sobre o AEM, respondeu que sim (97,2%), o que corresponde praticamente
à totalidade da amostra. Verificando-se esse conhecimento face à realização do AEM, ou
seja, reconheceram a importância do mesmo como fator de diagnóstico precoce do CM.
Este resultado não vai ao encontro do evidenciado por Neto e Paz (2011), em que a
população inquirida do seu estudo se caracterizou com média de idades de
aproximadamente 20 anos, formação universitária na área da saúde, com conhecimento
sobre a realização do AEM mas efetivamente não é realizado de acordo com o
preconizado. Acresce, ainda, num outro estudo de Valente e Carvalho (2011), onde
verificaram que mulheres mais jovens (20 a 29 anos) não realizam o AEM, devido ao
pensamento que pela pouca idade, não há necessidade de prevenção nem risco de
apresentar CM. Quanto à prática adequada do AEM, a maioria das inquiridas no
presente estudo (50,7%) respondeu realizar o AEM uma vez por mês com conhecimento
e preocupação sobre CM. No estudo de Neto e Paz (2011) constatou-se que um terço
não o realizava periodicamente, por considerarem que não apresentavam idade de risco
para CM, seguindo a mesma linha anteriormente evidenciada. Não é suficiente ter o
conhecimento do que é AEM e como realizá-lo. Ele tem que ser feito periódica e
sistematicamente para que possa ser aperfeiçoado, permitindo à mulher além de
conhecer as suas mamas, detetar alguma alteração e diagnosticar precocemente. É
importante o incentivo e o ensino da prática do AEM a fim de que seja incutida na
rotina mensal da mulher (Gomes et al., 2012). Da amostra do presente estudo, a maioria
(49,3%) das estudantes questionada realiza o autoexame da mama a si própria. Em
contrapartida, 47,9% recorre a um profissional de saúde para o realizar. Em comparação
ao estudo realizado por Valente e Carvalho (2011), 47,7% dessa amostra tem as mamas
examinadas pelo profissional de saúde. Ainda, no presente estudo 31% das inquiridas
foram orientadas para a prevenção do CM pelo médico, 19,7% das estudantes foram
orientadas por enfermeiros, sendo fulcral alertar para esta situação perante os dados
96
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
apresentados orientados par um questionamento para a disciplina de enfermagem na
educação preventiva do CM (Gomes et al., 2012). Salientamos, ainda, o estudo de A. C.
Silva, Fonseca e Barbosa (2015), cujo objetivo tem enfoque na análise da eficiência da
educação para a saúde sobre o diagnóstico precoce do CM. Foi realizado em dois
momentos distintos com aplicação de um questionário para comparar a eficiência da
sessão de educação para a saúde. No primeiro momento, na maioria das questões notouse a falta de conhecimento das mulheres sobre a patologia, os métodos de prevenção e
deteção precoce, enquanto no segundo momento após a sessão de educação para a saúde
as mulheres tiveram resultados satisfatórios. Após a análise dos dados conseguiu-se
comprovar a eficácia da educação para a saúde ressaltando a importância da atuação do
enfermeiro na educação para a saúde e a responsabilidade de educar uma mudança
significativa nas práticas de prevenção e deteção precoce da doença.
5 - CONCLUSÕES
Concluímos que os dados obtidos neste estudo demonstram que a maioria das
estudantes do CLE refere que tem conhecimento sobre a realização do AEM e o
reconhecem como forma de prevenção. No entanto, nem todas as participantes o
realizam, recorrendo a um profissional de saúde para a sua efetivação. Podemos ainda
salientar que existe um número considerável de estudantes em que, a periodicidade do
exame não é a recomendada, ou seja, mensalmente. Apercebemo-nos que reconhecem
um papel mais educativo ao médico como profissional, na educação para a realização do
AEM, ainda existe muito a fazer por parte dos outros profissionais para conseguirmos
efetivamente uma melhor divulgação e consequentemente uma melhor prática do
método do AEM para que se consiga alcançar o objetivo principal que é a deteção
precoce do CM e consequente diminuição da taxa de mortalidade.
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
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câncer da mama. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI TERESINA, 4 (2), 27-34.
Delfina Ana Pereira Ramos Teixeira
Professora Assistente na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em
Chaves. Licenciatura em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado. Pós licenciatura em Enfermagem Médico-cirúrgica. Doutoranda em Administração da Saúde
no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
Rita Gonçalves
Estudante do Curso de Licenciatura na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado em Chaves.
Anaísa Soares
Estudante do Curso de Licenciatura na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado em Chaves.
Cátia Dias
Estudante do Curso de Licenciatura na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado em Chaves.
Catarina Fernandes
Estudante do Curso de Licenciatura na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado em Chaves.
Cristina Maria Medeiros Guedes Ferreira de Moura
Professora adjunta na Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado em Chaves.
Licenciatura em Enfermagem pela Escola Superior Calouste Gulbenkian de Lisboa, com especialização
em Enfermagem Comunitária pela Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão
Machado. Mestrada em Ciências de Enfermagem pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar –
Porto. Doutora em Ciências de Enfermagem pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Porto.
98
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Processo de ensino à pessoa com osteoporose: áreas de
intervenção e estratégias privilegiadas pelo enfermeiro
Penaforte, H. 1; Nogueiras, G. 2; Guedella, G. E.3
Resumo - A osteoporose afeta cerca de 22 milhões de mulheres e 5,5 milhões de homens em todo o
mundo. Doença crónica e degenerativa que compromete o autocuidado é consumidora de cuidados de
saúde. Preocupação que levou ao estudo, que objetivou, identificar as áreas de intervenção e as estratégias
privilegiadas pelos enfermeiros no processo de ensino à pessoa com osteoporose. Optamos, por uma
abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, sendo participantes os enfermeiros de uma consulta
externa de reumatologia. Recorreu-se à entrevista semi-estruturada, submetendo-se a informação à técnica
de analise de conteúdo. Dos resultados salientamos como: áreas de intervenção privilegiadas, a
alimentação, sua confeção, uso do exercício, do sol, medicação, e recomendações sobre segurança; das
estratégias, a avaliação da condição física, informação individualizada, folhetos informativos e construção
de diário. Concluímos que as áreas de intervenção privilegiadas no processo de ensino, surgem
direcionadas para uma visão de orientação patogénica e, que o conjunto das estratégias, convergem para a
sustentação da informação individualizada e o seguimento centrado na pessoa. A construção de um diário
da prática adotada, revela-se como estratégia imprescindível no seguimento da pessoa, enquanto
compromisso e implicação da própria, no processo de mudança e adaptação à nova condição de saúde.
Palavras-Chave: Cuidados de enfermagem; educação para a saúde; promoção da saúde; osteoporose.
Abstract - Osteoporosis affects 22 million women and 5,5 million men over the world. Chronic and
degenerative illness that engages the self-care is consumer of health cares. Worry that carried to the study,
that objective, identify the areas of intervention and privileged strategies by the nurses in the process of
education the person with osteoporosis. We opt, by a qualitative boarding, exploratory and descriptive,
being participants the nurses of an external query of rheumatology. It resorted the interview semistructured, subjecting the information to the technician of analysis of content. The results stand out: areas
of privileged intervention, the feeding, his making, doing exercise, of the sun, medication, and
recommendations on security; of the strategies, the evaluation of the physical condition, information
individualized, brochures and construction of newspaper. We conclude that the area of privileged
intervention in the process of education, arise oriented for a vision of pathogenic orientation and, that the
group of the strategies, converge for the sustenance of the information individualized and the monitoring
focused on the person. The newspaper of the practice adopted, reveals like indispensable strategy in the
tracing of the person, while implication of the own, in the process of adaptation to the new condition of
health.
Keywords: Nursing care; education for health; promotion of the health; osteoporosis.
___________________________
1
Helena Penaforte - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves [email protected]
2
Cristina. Nogueiras - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves [email protected]
3
Esmeralda Guedella - Escola Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves [email protected]
99
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
A osteoporose enquanto doença metabólica do tecido ósseo, leva à perda e deterioração
progressiva do tecido ósseo. Os ossos ficam mais frágeis e suscetíveis a fraturas com
consequente dependência funcional. Isto porque o osso torna-se poroso e por vezes com
diminuição da massa óssea e os níveis de cálcio abaixo dos necessários (Palacios &
Hernández, 2009).
Efetivamente a osteoporose assume elevada prevalência nos países ocidentais, entre os
quais Portugal, estimando-se que mais de meio milhão de pessoas, nomeadamente as
mulheres, sofrem da doença, pois, o sistema ósseo padece fortemente das alterações
hormonais, impostas pela menopausa (Oria, 2003). Um em cada oito homens e uma em
cada três mulheres com idade superior a 50 anos são afetados pela doença (DGS, 2008).
A presença da osteoporose é considerada um problema de saúde pública de grande
magnitude, dada a sua prevalência, morbilidade, mortalidade e ao grande consumo de
cuidados de saúde. Doheny, Sedlak, Estok e Zeller (2011) acrescentam que conduz a um
importante número de internamentos hospitalares, inclusivamente à utilização de blocos
cirúrgicos, ocupação de camas de cirurgia ortopédica e traumatologia, e ainda, ao
recurso de cuidados de reabilitação.
Segundo Zanchetta e Talbot (2001), a massa óssea depende de causas genéticas,
endócrinas, mecânicas e nutricionais, pelo que a presença de um deficit de estímulos
mecânicos ou nutricionais, constituem as principais causas de osteoporose, um deficit
no pico de massa óssea. Uma das possíveis causas da não aquisição do designado pico
de massa óssea é não o terem conseguido na adolescência. Aproximadamente 25% dos
casos de osteoporose, são devidos ao não atingimento do pico de massa óssea adequado
e, 75% a uma perda excessiva de massa óssea. O pico de massa óssea na mulher
adquire-se nos primeiros quinze anos de vida, daí, a importância de que antes e durante
a puberdade seja estimulado o desenvolvimento da massa óssea na mulher.
A massa óssea em idade fértil para Zanchetta e Talbot (2001) não varia podendo aqui ter
influência os denominados fatores de risco na diminuição da massa óssea adquirida, de
onde se destacam os hábitos sociais de fumar, sedentarismo, consumo elevado de café,
proteínas e um aporte baixo em cálcio. Inicialmente os portadores de osteoporose, não
100
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
costumam apresentar sintomas como perda da estatura, chegando-se ao diagnóstico, por
vezes, com o aparecimento de uma fratura, ou seja, a doença já instalada (Graña et al.,
2008). Para a prevenção da doença, o exercício físico com carga graduada, de
intensidades moderada a elevada, converte-se numa das efetivas formas de prevenir e
tratar a osteoporose (Simão & Balsamo, 2005). Para a manutenção de um osso saudável,
tornam-se nutrientes essenciais as proteínas e os minerais (o cálcio e o fósforo), pelo
que se devem ingerir em quantidades adequadas. A sua inclusão na dieta é um fator
importantíssimo na manutenção da densidade mineral óssea juntamente com a vitamina
D, para a sua metabolização (Valero & Hawkins, 2006).
A longo prazo e de forma continuada, uma dieta pobre em cálcio, pode alterar o
metabolismo ósseo. Por outro lado, uma diminuição à exposição solar e o
envelhecimento da pele, podem retardar a conversão da vitamina D para uma forma
ativa, o colecalciferol, produzido pela luz ultravioleta. Esta deficiência conduz à
diminuição no comportamento da fixação de cálcio, resultando numa diminuição das
concentrações plasmáticas deste mineral (Yazbek & Marques, 2008). A modificação das
condutas de risco e fomento de hábitos saudáveis, constitui o objetivo fundamental das
práticas de educação e promoção para a saúde (EpS). Pelo que capacitar a pessoa para
modificar os seus comportamentos, tomar as suas próprias decisões e fixar metas
realistas, é um compromisso a desafiar aos profissionais de saúde, a fim de facilitar as
mudanças positivas nos estilos de vida e promoção do autocuidado face à pessoa com
osteoporose (OMS, 2008). Desafio complexo e, a implicar diferentes etapas de
envolvimento (López Castañón, 2011). O enfermeiro integrado na equipa de saúde, é o
profissional melhor posicionado para integrar o desafio (Hawkins & Díaz, 2007).
Considerando o exposto sobre a temática em torno da osteoporose e comprometimento
no autocuidado do portador da doença, e ainda o papel central do enfermeiro na equipa
de saúde, questionamos: quais as caraterísticas do processo de ensino realizado pelo
enfermeiro à pessoa com comprometimento no autocuidado por osteoporose? Para
responder a esta questão determinamos os seguintes objetivos: i) identificar as áreas de
intervenção privilegiadas pelos enfermeiros nos ensinos realizados à pessoa com
osteoporose que se encontram a frequentar a consulta de reumatologia; ii) descrever as
estratégias privilegiadas pelos enfermeiros na realização de ensinos aos doentes
portadores de osteoporose.
101
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
2 -MÉTODO
Para descrever os ensinos realizados pelos enfermeiros face ao utente com osteoporose,
recorremos ao método qualitativo porque se pretende descrever o fenómeno do ensino
realizado pelos enfermeiros, enquanto experiência humana (Fortin, Côté & Filion,
2009). Quanto ao tipo de estudo, optou-se pelo descritivo e exploratório. No processo
predomina a análise indutiva, precisamente na compreensão a partir das perspetivas dos
sujeitos, predominando o seu carácter exploratório, na medida em que se baseia nas
realidades percecionadas sobre o fenómeno do ensino realizado às pessoas com
osteoporose.
2.1 - Participantes
Os participantes no estudo foram os enfermeiros que compõem a equipa de enfermagem
que trabalha no serviço de consulta externa de reumatologia de um centro hospitalar da
Galiza, dado ser nesse serviço que são atendidas as pessoas portadoras de osteoporose.
Desta forma participaram no estudo três enfermeiros, tendo os mesmos colaborado de
forma voluntária.
2.2 - Material
A colheita de dados é uma parte importante e indispensável nos procedimentos do
processo de investigação (Fortin et al., 2009). Quanto aos instrumentos possíveis, como
refere Fortin (2009) e dado o nosso estudo ser qualitativo, recorremos à entrevista semiestruturada, integrando questões orientadoras sobres as áreas de intervenção e as
estratégias privilegiadas pelo enfermeiro no ensino realizado.
2.3 - Procedimentos
Relativamente ao processo de investigação, foram tidos em conta os procedimentos
éticos e deontológicos, inerentes ao desenvolvimento da investigação. O procedimento
da colheita de informação só teve início depois de obtida autorização formal dos
102
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
participantes. A todos foi fornecido o termo de consentimento informado e explicados
os objetivos e finalidade do estudo, garantindo a confidencialidade da informação.
A entrevista foi realizada por um único elemento do grupo, e aplicada a cada um dos
participantes, enfermeiros voluntários que trabalham no referido serviço de
reumatologia. A entrevista decorreu depois da jornada de trabalho dos participantes, em
espaço exterior ao meio hospitalar e selecionado pelos mesmos. Cada entrevista
demorou entre 20 e 30 minutos, tendo esta começado pelo reforço da informação sob o
objeto de estudo desta investigação, e subsequente consentimento informado, para no
final se centrar nas questões relativas ao ensino ao utente com osteoporose.
Para o tratamento da informação foi feita a análise de conteúdo segundo Bardin (2006).
As entrevistas foram escritas em documento próprio, que posteriormente foram lidas e
extraídas categorias e subcategorias de informação.
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
Da análise de conteúdo (Bardin, 2006) efetuada, foram identificadas categorias das
quais destacamos duas:
i) áreas de intervenção privilegiadas pelos enfermeiros nos ensinos realizados à
pessoa com osteoporose;
ii) ii) estratégias utilizadas pelos enfermeiros para a realização de ensinos aos
doentes portadores de osteoporose.
Apresentamos nas tabelas 1e 2 as categorias e subcategorias inerentes bem como as
unidades de registo, extraídas dos relatos.
103
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Tabela 1.
Áreas de intervenção privilegiadas pelos enfermeiros nos ensinos realizados à pessoa com osteoporose
Subcategoria
Alimentação
Confeção dos
alimentos
Adequação da
prática do
exercício
Alerta para o
risco de queda
Categoria - Áreas de intervenção privilegiadas pelos enfermeiros nos ensinos à pessoa
com osteoporose
Unidade de análise
“(...) insistimos na necessidade do consumo de peixe (...)” (E1); “(...) devem de ingerir comidas
ricas em cálcio, em vitamina D, em magnésio (...) leite e derivados, ovos, sardinhas envasadas,
legumes, frutas secas como amêndoas e as avelãs, a soia” (E2); “(...) evitar os alimentos que
contêm a Vitamina A (...)” (E2); “(...) realizar 5-6 refeições ao dia.” (E2); “(...) consumir alimentos
com cálcio (...)” (E3).
“(...) que cozinhem alimentos ao vapor, no grelhador, assados uma vez por semana, e nunca usar
fritos (...)” (E2).
“(...) incido na importância de caminhar (...)” (E1); “(...) bases para os exercícios (...)” (E2); “(...)
praticar exercício de resistência” (E2); “(...) realizar exercícios aeróbicos (...)” (E3); “(...) caminhar
diariamente, durante pelo menos uma hora, em casa ou no exterior se puderem.” (E2); (...)
caminhar de meia a uma hora por dia (...)” (E3); “(...) caminhar diariamente (...)” (E2); “(...)
impedir que a musculatura se atrofie (...)” (E3).
“(...) incido (...) na precaução sobre o risco de quedas e fraturas.” (E1); “(...) com a osteoporose
tem mais risco de fratura óssea (...)” (E3); “(...) o aumento de peso e com ele as fraturas (...)” (E3)
“(...) evitar escadas, áreas oleosas, húmidas (...)” (E2); “(...) o cuidado com os sapatos, solo
húmido, as escadas, a graduação dos óculos, etc (...)” (E3).
O uso da
exposição ao sol
“(...)insisto também na importância da exposição ao sol (...)” (E1), (E3)
“(...) É recomendada a exposição solar, (...)” (E2)
“(...) exposição de uns 15 minutos por dia para obter uma quantidade suficiente (...)” (E2), (E1)
“(...)ainda que seja nos braços e pernas é suficiente(...)” (E1), (E2)
“(...)para obter a vitamina D necessária(...) no processo de pérda óssea.” (E1) “(...)para a obtenção
da vitamina D de modo natural, (...)ajuda a fixar o cálcio nos ossos.” (E2)
Recomendações
sobre
dispositivos de
segurança
Administração
de
medicamentos
“(...) é recomendado o uso de tapetes antiderrapantes no banheiro (...)” (E2); “(...) instalação de
barras de segurança em áreas de risco, como na banheira, nas escadas ou locais de possível
deslizamento.” (E2)
“Sobre as quantidades indicadas de cálcio diário, (…) excesso deste mineral afeta a função dos
rins” (E2)
“(...)são advertidos para que não tomem certos medicamentos que elevem a mais perda óssea
(…)” (E2)
“(...)ensino a autoadministração do medicamento como seja subcutâneo, oral, em jejum...” (E3)
Dos resultados, emerge a categoria Áreas de intervenção privilegiadas pelos
enfermeiros nos ensinos à pessoa com osteoporose, a adquirir significado através das
subcategorias: Alimentação; Confeção dos alimentos; Adequação da prática do
exercício; Alerta para o risco de queda; O uso da exposição ao sol; Recomendações
sobre dispositivos de segurança; e a Administração de medicamentos.
104
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Tabela 2.
Estratégias privilegiadas pelos enfermeiros na realização de ensinos aos doentes portadores de
osteoporose.
Subcategoria
Avaliação da
condição física
Categoria - Estratégias privilegiadas pelos enfermeiros na realização de ensinos à
pessoa com osteoporose
Unidade de analise
“(...) uma exploração e provas complementares, como a densitometría óssea (...)” (E3).
Informação
individualizada
“(...) ensinos adequados a aquela doente (...)” (E1).
“Os pacientes estão individualmente informados (...)” (E2).
“A informação dada ao paciente é individualizada (...)” (E3).
Uso de folhetos
informativos
“(...) com ajuda de um folheto complementar (...)” (E2).
“Não se utilizam folhetos informativos (...)” (E3).
Recomendações
escritas
individualizadas
“(...) existem casos nos que se lhe recorda por escrito os pontos fundamentais mais
recomendados no seu caso.” (E3).
Construção de um
diário sobre práticas
adotadas
“(...) solicitamos uma listagem sobre o tipo de alimentação que ingere durante o dia (...)” (E1)
“(...) pedimos para fazer uma listagem das atividades e exercício diário que realiza (...)” (E1)
Relativamente à categoria Estratégias privilegiadas pelos enfermeiros na realização
de ensinos à pessoa com osteoporose, surgem as subcategorias: Avaliação da condição
física; Informação individualizada; Uso de folhetos informativos; Recomendações
escritas individualizadas; e a Construção de um diário sobre práticas adotadas.
4 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Dos resultados obtidos destacamos as áreas de intervenção e as estratégias privilegiadas
pelo enfermeiro no processo de ensino à pessoa com osteoporose, que passamos
discutir. A primeira categoria realça as áreas de intervenção privilegiadas pelos
enfermeiros, nos ensinos realizados aos doentes portadores de osteoporose. Nestes
ensinos, adquire significado para os enfermeiros abordar as áreas da: alimentação,
confeção dos alimentos, adequação do exercício físico, alerta sobre risco de quedas,
exposição ao sol, e à administração de medicamentos. Subcategorias, que orientam para
aspetos da atividade de vida diária, recomendações e alertas em situação de doença já
diagnosticada. Infere-se uma preocupação orientada para o não agravamento da doença,
enfatizando aspetos tendentes a ficar comprometidos, e a autonomia a nível da
medicação. Das diferentes áreas, a orientação converge para o não agravamento da
situação da doença, ou seja, uma orientação patogénica, o que de certo modo corrobora
105
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
o descrito por Lopez Castañón (2011), quando diz que muitos dos estudos estão
centrados na prevenção dos riscos, face à doença já diagnosticada, daí, a preocupação
no ensino sobre o autocuidado comprometido e não no seu desenvolvimento. Ideia, que
sobressai dos nossos resultados, na medida em que a visão patogénica sustenta as áreas
de intervenção privilegiadas, desconhecendo-se, áreas de intervenção específicas de
acompanhamento e emancipação ativa da pessoa, na sua adaptação à nova situação de
saúde. Até porque, segundo Lopez et al. (2012), ultimamente, a atenção sobre a mulher
com osteoporose incorpora programas focados na prevenção e promoção da saúde, e
não somente, no tratamento dos sintomas físicos, daí, serem orientados para o
desenvolvimento do seu autocuidado e incorporem, no processo assistencial de
educação e promoção para a saúde, as atitudes, sentimentos, crenças valores e
comportamentos que afetem os estilos de vida. Para além das alterações fisiológicas
normais que ocorrem na mulher, são precisos cuidados para continuar o
desenvolvimento pessoal de modo harmonioso. Perspetiva que não emerge dos nossos
resultados. A propósito, a OMS (2008) alerta para a atitude de cada um e, da sociedade
no processo de envelhecimento, pelo que recomenda medidas de prevenção da doença e
da promoção como parte de uma atenção integral à pessoa. Como defende Duro (2008),
a educação para a saúde é um instrumento imprescindível para nossos objetivos.
A segunda categoría: estratégias privilegiadas pelos enfermeiros na realização de
ensinos aos doentes portadores de osteoporose, é composta pelas seguintes
subcategorias: avaliação da condição física, para centralizar os ensinos segundo a
necessidade; informação individualizada; uso de folhetos informativos, que sendo
resumido e apelativo, capta o interesse e compreensão mais facilmente; recomendações
escritas individualizadas, pormenorizando a informação importante para aquela pessoa
com osteoporose; a construção de um diário de práticas adotadas, é tida como
imprescindível para um ótimo seguimento e avaliação da pessoa com osteoporose. Esta
surge a representar a co-responsabilização e consciencialização para a mudança e
adaptação à nova condição de saúde, por parte da pessoa, método que vai ao encontro
do preconizado pelos princípios da educação e promoção da saúde (OMS, 2008). A
complementar esta informação vem o recurso à informação individualizada nos ensinos
realizados, pois é usada por todos os enfermeiros. Estratégia, para eles, importante e
efetiva, até porque a pessoa está perante uma doença, insidiosa e degenerativa, que em
106
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
cada doente se desenvolve de modo diferente. Significado que nos advém de relatos
como: “(...) ensinos adequados a aquela doente (...)” E1; “Os pacientes estão
individualmente informados (...)” E2; “A informação dada ao paciente é individualizada
(...)” E3. Dos relatos resulta a ideia, de que devem ser usadas todas as estratégias ao
dispor do enfermeiro em consulta, de maneira individualizada. Resultados que de certo
modo refletem o afirmado por López et al. (2012), nomeadamente a importância da
prevenção e diminuição do impacto negativo que ocasiona a doença na saúde da pessoa
com osteoporose, mas, há que procurar levar um conhecimento e apoio generalizado
entre e para todas as pessoas envolvidas.
Por outro lado, do estudo de Hawkins e Díaz (2007) retira-se que os profissionais de
saúde concordam na necessidade de desenvolver estratégias preventivas e de manuseio
clínico, para determinar os grupos a intervir e como atuar, tendo a qualidade de vida
como conceito chave, e prosseguir nos objetivos de ensinos sob alimentação, exercício e
segurança, para evitar fraturas e a dependência. Ideia que se revê também no nosso
estudo, e se completa ao olharmos sobre o significado emergido das duas categorias
discutidas, áreas de intervenção e estratégias privilegiadas pelos enfermeiros.
Da discussão das duas vertentes privilegiadas no processo de ensino, áreas de
intervenção e as estratégias, surge um aparente conflito, dado o significado emergido de
cada uma delas. Ou seja, a primeira enquanto orientada para visão patogénica e a
segunda, o conjunto de estratégias a orientar para uma visão individualizada e de
compromisso, visão salutógenica, a promoção da saúde, o que implica refletir o
processo de ensino e conceitos usados.
5 - CONCLUSÕES
Perante os objetivos do estudo, conseguimos alcançar um desenho do processo de
ensino realizado pelo enfermeiro à pessoa com osteoporose, no âmbito da consulta de
reumatologia, apurando as áreas de intervenção e estratégias privilegiadas e com
significado atribuído nesse processo. Como principais conclusões, podemos destacar
que:
Adquire preocupação e significado para os participantes, a inclusão no processo de
107
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
ensino, áreas de intervenção como a alimentação, sua confeção, uso do exercício, do sol,
medicação, e recomendações sobre segurança. São tidas como relevantes, no processo
de ensino à pessoa com osteoporose, o envolvimento das estratégias: a avaliação da
condição física, informação individualizada, folhetos informativos e construção de
diário. As áreas de intervenção privilegiadas no processo de ensino, surgem orientadas
para a necessidade do não agravamento da situação da doença, enfatizando aspetos
tendentes a ficar comprometidos, pelo que sobressai implicitamente, uma visão de
orientação patogénica. Dos resultados decorre a ideia, de que o conjunto de estratégias
privilegiadas pelos enfermeiros no processo de ensino, convergem para a sustentação da
informação individualizada e o seguimento centrado na pessoa com osteoporose.
A construção de um diário das práticas adotadas, surge como estratégia imprescindível
para um ótimo seguimento da pessoa, representando a coresponsabilização,
compromisso e implicação da própria, no processo de mudança e adaptação à nova
condição de saúde. De salientar um aparente conflito entre o significado emergido das
áreas de intervenção privilegiadas, enquanto orientadas para visão patogénica e, o
conjunto de estratégias orientar para uma visão individualizada e de compromisso, da
promoção da saúde. Sobre as limitações do estudo devemos realçar o número de
participante no estudo, pelo que seria vantajoso partir para um outro estudo, e incluir
mais participantes a fim de aprimorar o significado das áreas e estratégias identificadas
no processo de ensino à pessoa com osteoporose. Por outro lado, além das entrevistas
realizadas, seria oportuno complementar a informação com o recurso ao método de
observação, durante o processo de ensino. Também a utilização de um outro desenho de
investigação poderia ser considerado.
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Professora na Superior de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, Chaves. Mestre em
promoção e educação para a saúde. Doutora em Enfermagem.
Cristina Nogueiras
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves
Esmeralda Guedella
Estudante, do quarto ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem
Dr. José Timóteo Montalvão Machado, em Chaves
109
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Biofilme bacteriano e infeção hospitalar
1
2
3
4
5
6
Alves, M. ; Rebelo, M. ; Gonçalves. V. ; Piedade, J. ; Rocha, R. ; Barreira, J. & Ferreira, I.
7
Resumo - A existência de biofilmes resulta num sério problema para a saúde pública devido ao aumento
da resistência dos microrganismos e ao grande potencial que estes têm de causar infeções em pacientes
mais suscetíveis ou portadores de próteses ou implantes. O objetivo deste trabalho consistiu em detetar a
prevalência de bactérias produtoras de biofilme em isolados clínicos de diferentes produtos (próteses,
cateteres venosos centrais, feridas, hemoculturas e urinas) provenientes dos diversos serviços do Centro
Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro – Unidade de Vila Real. A análise de resultados foi aplicada
de forma a verificar a existência de grupos de pacientes, espécies bacterianas, serviços ou equipamentos
médicos que apresentassem risco acrescido de formação de biofilme. De um total de 682 isolados foram
obtidos 126 produtores de biofilme o que confere uma percentagem de 18,5%. O STAPHYLOCOCCUS
AUREUS resistentes à meticilina (MRSA) foi a bactéria mais produtora de biofilme (65,4%) seguida da
Serratia marcescens (42,9%) e do STAPHYLOCOCCUS AUREUS sensível à meticilina (MSSA)
(30,4%). Variáveis como a espécie bacteriana e tipo de produto influenciam a produção de biofilme. As
próteses, sempre que testadas, apresentaram bactérias produtoras de biofilme, enquanto entre as espécies
isoladas de cateteres, 40% apresentaram essa característica. Em suma, uma parte significativa de isolados
clínicos em ambiente hospitalar é produtora de biofilme, estando as bactérias mais produtoras associadas
a elevados perfis de resistência e sendo detetadas em infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS).
Palavras-chave: Biofilme; dispositivos médicos; isolados clínicos; IACS.
Abstract - The existence of biofilms results in a serious problem for public health due to increased
resistance of microorganisms and the great potential they have is to cause infections in susceptible
patients or patients with prostheses or implants. The objective of this study was to detect the prevalence
of producing bacterial biofilms in clinical isolates of different products (prostheses, central venous
catheters, wounds, blood cultures and urine) from the various services of the Hospital of Trás-os-Montes
and Alto Douro - Vila Real unit. The results of the analysis was applied in order to verify the existence of
groups of patients, bacterial species, services or medical equipment to present risk of biofilm formation.
From a total of 682 isolates were obtained 126 biofilm producers which gives a percentage of 18.5%. The
methicillin-resistant Staphylococcus aureus (MRSA) has been the most biofilm producing bacteria
(65.4%) followed by Serratia marcescens (42.9%) and methicillin-sensitive Staphylococcus aureus
(MSSA) (30.4%). Variables such as the bacterial species and product type influence the production of
biofilm. Dentures, when tested, showed producing bacteria biofilm, while among species isolated
catheters, 40% had this feature. In short, a significant portion of clinical isolates in a hospital environment
is producing biofilms, being the most producing bacteria biofilms associated with high resistance profiles
and being detected in infections associated with health care (IACS).
Keywords: Biofilm; medical devices; Clinical isolates; IACS.
___________________________
1
Maria José Alves - Centro de Investigação da Montanha (CIMO), ESA, Instituto Politécnico de Bragança,
Bragança, Portugal - Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal [email protected]
2
Mara Rebelo - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
3
Vânia Gonçalves - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
4
Jussara Piedade - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
5
Rosiane Rocha - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
6
João C. M. Barreira - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
7
Isabel C.F.R. Ferreira - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
110
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
1 - INTRODUÇÃO
O biofilme é uma comunidade biológica com um elevado grau de organização, onde
as bactérias formam estruturas coordenadas e funcionais, estando estas, embebidas em
matrizes poliméricas produzidas por elas próprias. A associação dos microrganismos em
biofilme constitui uma forma de proteção ao seu desenvolvimento, favorecendo relações
simbióticas e permitindo a sobrevivência em ambientes hostis (Davey & O'toole, 2000).
Um dos principais fatores de virulência dos biofilmes é a capacidade dos
microrganismos que o compõem, aderirem a superfícies inertes, e colonizarem material
médico invasivo como são o caso dos cateteres e próteses (Pavithra & Doble, 2008).
A existência de biofilmes resulta num sério problema para a saúde pública devido ao
aumento da resistência dos microrganismos a agentes antimicrobianos e ao grande
potencial que estes têm de causar infeções em pacientes mais suscetíveis ou portadores
de próteses ou implantes (Donlan, 2001), estando por isso diretamente ligados a IACS
(Adam, Baillie & Douglas, 2002). Este tipo de infeção é uma epidemia silenciosa, que
afeta centenas de milhares de doentes em todo o mundo, causando incapacidade e
obrigando a um aumento do tempo de internamento e consequentemente a altos custos
associados ao seu tratamento, para além de uma relevante diminuição da qualidade de
vida do paciente, que em situações extremas pode provocar a morte (Batista &
Rodrigues, 2012; Hota, 2004; Gudlaugsson, Gillespie, Lee, Vande & Hu, 2003).
A tendência para um aumento da incidência das IACS ligadas ao biofilme é notória,
sendo que estas representam a quarta causa de doença nos países industrializados
(Guggenbichler, Assadian, Boeswald & Kramer 2011). Nasce assim a necessidade de
compreender a formação de biofilme em ambiente hospitalar com o intuito de o
combater ou mesmo erradicar. Assim, pretendemos com este estudo:
I) Detetar a prevalência de bactérias produtoras de biofilme em isolados clínicos de
diferentes produtos (próteses, cateteres venosos centrais, feridas, hemoculturas e
urinas) provenientes dos vários serviços do Centro Hospitalar de Trás-osMontes e Alto Douro – Unidade de Vila Real;
II) Avaliar a relação entre produção de biofilme e resistência a antibióticos;
111
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
III) Avaliar a relação de diferentes variáveis referentes ao doente (sexo, idade
imunossenescência, local de internamento, produto, espécie bacteriana) com a
formação de biofilme, estabelecendo assim as condições indutoras de maior
prevalência de risco.
2 – MÉTODO
2.1 - Isolados bacterianos
Trata-se de um estudo retrospetivo, que foi realizado durante um período de 5 meses
(fevereiro a junho de 2016). Durante este período, foram identificados 682 isolados
clínicos provenientes de diferentes produtos (próteses, cateteres, feridas, hemoculturas e
urinas) resultantes dos vários serviços do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto
Douro (CHTMAD) – Unidade de Vila Real. Este estudo foi devidamente aprovado pela
Comissão de Ética deste Centro Hospitalar.
2.2 - Identificação e testes de suscetibilidade a antimicrobianos dos isolados clínicos
A identificação e os testes de suscetibilidade foram efetuados recorrendo à metodologia
de microdiluição em placa através dos painéis MicroScan (Beckman).
2.3 - Deteção da formação do biofilme
Foi detetada a produção de biofilme em 682 isolados clínicos recorrendo à metodologia
de adesão do biofilme aos tubos de borossilicato, segundo a metodologia de
Christensen e seus colaboradores (1985) ligeiramente modificada. Cada isolado puro foi
inoculado em tubos de borossilicato com 10 ml de meio de Caldo Soja Tripticaseína
TSB e incubada sob condições aeróbias a 37 °C, durante 24 h (Tielen et al.,
2011; Hassan et al., 2011). Em seguida, o sobrenadante foi descartado e os tubos foram
corados com 3 ml de cristal de violeta (Sigma-Aldrich) durante 5 min. Seguidamente
112
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
foram lavados 3 vezes consecutivas com água destilada e procedeu-se à secagem (AlMathkhury, Ali & Ghafil, 2011; Hassan et al., 2011). Um resultado positivo foi definido
como a presença de uma camada de material corado aderente à parede interna do tubo.
3 - ANÁLISE DE RESULTADOS
Os resultados foram avaliados através da análise de tabelas de contingência,
relacionando a formação de biofilme com cada um dos fatores em estudo: 1) género
(masculino ou feminino), 2) serviço hospitalar (urgência, consulta ou internamento), 3)
escalão etário (<16, 16-35, 36-55, 56-75, >75), 4) espécie bacteriana, 5) produto
(prótese, cateter, exsudado de ferida, hemocultura ou urina) e imunossenescência
(imunodeprimido ou imunocompetente). A determinação da maior predisposição de
qualquer um dos níveis de todos os fatores anteriores foi feita aplicando o teste de qui
quadrado de Pearson. Em todos os testes efetuados foi considerada uma percentagem de
certeza de 95% (α = 0,05).
4 – DISCUÇÃO DE RESULTADOS
O biofilme é a causa de uma grande percentagem de IACS (Bryers & Ratner, 2004). Por
sua vez, estas infeções são hoje, de longe, as complicações mais comuns que afetam os
pacientes hospitalizados (Guggenbichler, Assadian, Boeswald, & Kramer,2011).
No nosso estudo, de um total de 682 isolados foram obtidos 126 produtores de biofilme
o que confere uma percentagem de 18,5%. Sanchez e seus colaboradores (2013), num
estudo semelhante, obtiveram uma percentagem de biofilme de 61,4%, o que representa
uma percentagem mais significativa do que a obtida neste estudo. Esta divergência de
resultados poderá ter origem no facto de a pesquisa de biofilme ter sido feita
exclusivamente em bactérias potencialmente produtoras como o STAPHYLOCOCCUS
AUREUS resistentes à meticilina (MRSA), o STAPHYLOCOCCUS AUREUS
sensível à meticilina (MSSA), ACINETOBACTER BAUMANNII, PSEUDOMONAS
AERUGINOSA, KLEBSIELLA PNEUMONIAE, e ESCHERICHIA COLI, AO
CONTRÁRIO DO QUE ACONTECEU NESTE ESTUDO, CUJA PESQUISA FOI
113
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
EFETUADA SEM UMA PRÉ-SELEÇÃO DO TIPO DE BACTÉRIA. ALÉM DISSO,
NO ESTUDO de Sanchez e seus colaboradores, a deteção de biofilme foi efetuada
recorrendo a um método de microtitulação em placa e microscopia eletrónica de
varrimento (MEV), sendo estes métodos mais sensíveis que o de adesão de biofilme em
tubo de borossilicato feito no nosso estudo. Alves e seus colaboradores em (2014),
apresentaram uma percentagem de produtores de biofilme de 37,2 %, que no entanto
não pode ser comparada diretamente com o resultado atual, uma vez que essa pesquisa
se restringiu apenas a um tipo de produto biológico (urina).
Os pacientes cujos microrganismos foram produtores de biofilme (126 isolados)
apresentaram uma média de idades de 69 anos (5 meses a 94 anos) em que o sexo
feminino foi o predominante com 61,1 %; no entanto, no nosso estudo não existe uma
relação estatisticamente significativa entre o género e produção de biofilme, tal como
indicado pelo valor da significância do teste de qui quadrado de Pearson (p = 0,845).
Alves e seus colaboradores (2014), aquando da pesquisa de biofilme apenas em isolados
provenientes de urina, numa amostra de pacientes em que se verificou o predomínio do
sexo feminino, concluíram que o género tinha uma influência significativa para o
desenvolvimento de biofilme, com uma percentagem significativamente maior entre os
pacientes do sexo feminino. Tal como no nosso estudo, a média de idades era elevada
(64 anos) entre os doentes com microrganismos produtores de biofilme. Esta média de
idades elevada pode refletir a progressão da imunossenescência normalmente associada
à progressão da idade, causando a diminuição da eficiência da resposta do sistema
imunitário, e em consequência uma maior vulnerabilidade a infeções graves (Tonet &
Nobrega, 2008).
No entanto, e apesar da elevada média de idades, apenas 11,1% dos doentes com
microrganismos produtores de biofilme eram imunocomprometidos. Na realidade, não
foi detetada uma associação significativa entre a imunossupressão e a produção de
biofilme (qui quadrado de Pearson: 1,505; p=0,102), o que sugere que a formação de
biofilme é independente do estado imunológico do paciente.
Relativamente ao serviço, a urgência apresentou maior número de bactérias produtoras
de biofilme (38,9%), seguida da consulta externa (31%) e do internamento (30,2%).
Porém, mais uma vez não foi verificada uma relação estatisticamente significativa entre
114
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
o local de internamento do doente e a produção de biofilme (p=0,458), à semelhança do
resultado obtido num estudo similar (Alves et al., 2014).
Em relação à percentagem de produtores de biofilme no total de isolados de cada
espécie bacteriana (Tabela 1), pode verificar-se por espécie uma predominância do
MRSA (65,4%) seguido da Serratia marcescens (42,9%) e do MSSA (30,4%).
De um total de 26 bactérias identificadas como MRSA, 17 (65%) foram produtoras de
biofilme, sendo esta percentagem inferior à detetada por Barsoumian e seus
colaboradores (2015), que demonstraram uma percentagem de MRSAs produtores de
biofilme de 87,5%. O microrganismo mais produtor de biofilme entre os Gram negativo
foi a Pseudomonas aeruginosa (22,4%) seguida do Proteus mirabilis e Morganella
morganii com 16,7%. Num estudo realizado apenas em úlceras do pé diabético (Zubair
et al., 2011), as bactérias Gram negativo produtoras de biofilme isoladas com maior
frequência foram a Escherichia coli (42,2%), a Pseudomonas aeruginosa (23,7%), a
Klebsiella oxytoca (11,3%), a Klebsiella pneumonia (9,2%), o Proteus vulgaris (5,1%),
a Acinetobacter sp (5,1%), o Proteus mirabilis (2%) e a Morganella morganii (1,0%).
Ao analisarmos a relação entre espécie bacteriana e a variável produção de biofilme
constatamos a existência de uma relação estatisticamente significativa (qui quadrado de
Pearson: 51,966; p<0,001), de onde pode concluir-se que a espécie bacteriana
influencia significativamente a probabilidade de formação de biofilme.
Tabela 1.
Bactérias produtoras e não produtoras de biofilme por espécie
MRSA
Produtoras
N
%
17
65,4
Não produtoras
N
%
9
34,6
Serratia marcescens
3
42,9
4
57,1
7
Staphylococcus aureus
7
30,4
16
69,6
23
Enterococcus faecalis
10
27,0
27
73,0
37
Pseudomonas aeruginosa
11
22,4
38
77,6
49
Staphylococcus epidermidis
2
18,2
9
81,8
11
Proteus mirabilis
5
16,7
25
83,3
30
Morganella morganii
1
16,7
5
83,3
6
Escherichia coli
48
15,2
268
84,8
316
Klebsiella pneumoniae
15
11,8
112
88,2
127
Outras espécies
7
14,0
43
86,0
50
Bactérias
Total
126
556
Total
26
682
115
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Ao avaliarmos a influência do tipo de produto na formação de biofilme, pode também
constatar-se a influência significativa deste fator na ocorrência de formação de biofilme
(qui quadrado de Pearson: 1,586; p<0,001). Todos os microrganismos isolados em
protéses (Tabela 2) foram produtores de biofilme (100%). No nosso estudo o MRSA foi
o microrganismo produtor de biofilme mais isolado em próteses, similarmente ao que
foi verificado num outro estudo, embora nesse caso o Staphylococcus epidermidis
também tenha sido isolado com bastante frequência (Georgopapadakou, 2005).
No caso dos cateteres (Tabela 2), 40% dos isolados causaram infeções com produção de
biofilme, um resultado semelhante ao de Oufrid, Ghazlane, Jamali, El Otmani e Talmi
(2015), que obtiveram uma taxa de produção de 48,9%. As bactérias produtoras mais
isoladas foram o Staphylococcus lugdunensis e a Pseudomonas aeruginosa, dados
semelhantes aos de um estudo publicado recentemente (Sampaio et al., 2016). Esta
informação reforça a ideia de que a presença de um dispositivo médico aumenta
significativamente a probabilidade de infeção por um patogénico produtor de biofilme.
Por outro lado, reforça o conceito de que os dispositivos médicos devem ser evitados
para prevenir infeções e diminuir as resistências (Guggenbichler et al., 2011).
Do total de isolados de ferida, 35,3% das bactérias foram produtoras de biofilme, sendo
o MRSA a bactéria mais frequente, o que vem de encontro aos dados publicados
recentemente por Banu, Noorul Hassan, RajKumar e Srinivasa (2015). Deve ser referido
que entre os exsudados de ferida, 6 isolados foram provenientes de deiscências de
sutura, dos quais 5 apresentam bactérias produtoras de biofilme. Esta informação deve
ser explorada em estudos posteriores no sentido de perceber o porquê desta elevada
prevalência de produtores de biofilme neste tipo de exsudado de ferida. As
hemoculturas apresentam 24,1% de bactérias produtoras de biofilme, em que o MRSA
foi a bactéria mais produtora. No entanto, outros estudos referem os Staphylococcus
coagulase negativo como um dos produtores isolados com maior frequência
(Biedenbach, Moet, Jones., 2004; Alpern, Alessandrini, Bell, Shaw & McGowan,
2000).
Relativamente à urina, apesar de ser o produto com maior número de isolados (78), foi
também o que apresentou menor percentagem de produtores de biofilme (15,1%), com
especial destaque para a Escherichia coli, tal como verificado noutros estudos (Alves et
116
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
al., 2014; Guggenbichler et al., 2011; Niveditha, Pramodhini, Umadevi, Kumar &
Stephen, 2012; Ronald, 2002). Esta baixa percentagem de produtores de biofilme nas
urinas poderá dever-se ao facto de grande parte das amostras serem provenientes da
consulta externa, isto é, de infeções urinárias ocorridas na comunidade e não em
ambiente hospitalar.
O MRSA (Tabela 2) é microrganismo produtor de biofilme isolado o maior número de
vezes em próteses, exsudados de ferida e hemoculturas. Diferentes estudos têm
demonstrado elevada percentagem (>60%) de infeções por MRSA em infeções
adquiridas em unidades hospitalares (Griffin, 2007; Patel, Hoesley, Moser, Stamm &
Baddley, 2008). Dos 126 isolados produtores de biofilme, 22,2 % foram responsáveis
por uma infeção associada aos cuidados de saúde, sendo o MRSA a bactéria produtora
mais isolada neste grupo. Estes dados comprovam a preocupação da Organização
Mundial de Saúde (WHO, 2005) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das
Doenças (ECDPC, 2014) que apresentam o MRSA como o agente mais preocupante
entre aqueles diretamente associados às IACS e às resistências bacterianas.
Tabela 2.
Percentagem de produtores de biofilme por produto
Produto
Prótese
Produtores
n
%
Não
produtores
n
%
0
Bactérias /produtoras
2
2
100
Cateter
2
40,0
3
60
5
MRSA e Klebsiella pneumoniae
Staphylococcus lugdunensis e Pseudomonas
aeruginosa
Esxudado de ferida
24
35,3
44
64,7
68
MRSA
Hemocultura
20
24,1
63
75,9
83
MRSA
Urina
78
14,8
446
85,1
524
Escherichia coli
Total
126
556
0
Total
682
No que diz respeito às resistências a antibióticos por microrganismos produtores de
biofilme (Tabela 3), a Escherichia coli apresentou resistência superior a 22% às
quinolonas testadas, sendo também visível alguma resistência aos antibióticos βlactâmicos, como a Amoxicilina/ácido clavulânico (20,8%), e ao grupo dos
aminoglicosídeos, como por exemplo a gentamicina (10,4 %). Também o Proteus
mirabilis apresentou elevada resistência às quinolonas (>30%), Amoxicilina/ácido
clavulânico (16,7%) e gentamicina (16,7 %). Deve ser referida também a elevada
resistência ao ertapenem (16,7%). A Klesbiella pneumoniae supera a Escherichia coli e
117
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
o Proteus mirabilis que apresentou resistências muito elevadas à amoxicilina/ácido
clavulâmico (53%); superior a 46% às quinolonas, mas também superior a 33% para os
aminoglicosídeos. Relativamente à Pseudomonas aeruginosa produtora de biofilme a
resistência ao aztreonan e co- trimoxazole foi total. De referir também elevada
resistência à gentamicina (36,4%) e à levofloxacina (45,5%), e de forma ainda mais
preocupante aos carbapenémicos (>18%). Relativamente aos Gram positivo, é notória a
elevada resistência às quinolonas (>82%)
pelo
MRSA,
mas também aos
aminoglicosídeos (>17%). É possível ainda verificar que o Enterococcus faecalis
apresentou um comportamento semelhante ao MRSA relativamente às resistências às
quinolonas e aos aminoglicosídeos. Desta forma, podemos concluir que os
microrganismos que lideram a produção de biofilme como MRSA, a Pseudomonas
aeruginosa, e Enterococcus faecalis são os que apresentam perfis de resistência mais
preocupantes.
Tal como no nosso estudo, Alves e seus colaboradores (2014) constataram que as
bactérias produtoras de biofilme apresentam elevados perfis de resistência ao grupo dos
antibióticos β-lactâmicos e quinolonas, mas também já era visível um aumento das
resistências aos aminoglicosídeos.
Diferentes estudos (Alves et al., 2014; Mishra et al., 2015), após comparação de
bactérias produtoras de biofilme com bactérias não produtoras, constataram elevadas
percentagens de resistência das produtoras comparativamente com as não produtoras.
Num estudo semelhante (Sanchez et al., 2013), o perfil de resistência aos antibióticos
foi mais elevado, provavelmente pelo facto de se tratar de um país fora do território
Europeu, que se gere por pontos de corte da Clinical and Laboratory Standards Intitute
(CLSI) muito superiores aos praticados na Europa pela European Committee on
Antimicrobial Susceptibility Testing (EUCAST).
Podemos desta forma constatar que apesar de os perfis de resistência não serem
alarmantes, temos resistência aos carbapenémicos, resultados que preocupam a
Organização Mundial de Saúde (OMS).
118
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Tabela 3.
Percentagem de resistência das bactérias produtoras de biofilme aos antibióticos
Antibióticos
Isolados produtores de Biofilme
Klesbiella
Pseudomonas
pneumoniae
aeruginosa
Escherichia
coli
Proteus
mirabilis
MRSA
MSSA
Enterococcus
Faecalis
Amoxicilina/Clavulânico
20,80
16,70
53,30
Ampicilina
50%
50
100
NT
100
14,30
NT
NT
100
71,40
0
Aztreonan
NT
NT
NT
100
NT
NT
NT
Cefepime
NT
NT
NT
27,30
NT
NT
NT
Cefotaxima
6,30
16,70
46,70
100
NT
NT
NT
Cefoxitina
6,30
16,70
13,30
NT
NT
NT
NT
Ceftazidima
6,30
0
46,70
45,50
NT
NT
NT
Cefuroxima
8,30
0
46,70
NT
NT
NT
NT
Ciprofloxacina
22,90
33,30
53,30
27,30
82,40
14,30
80
Clindamicina
NT
NT
NT
NT
88,20
85,70
100
Daptomicina
NT
NT
NT
NT
5,90
0
0
Ertapenem
2,10
16,70
20,00
NT
0
NT
NT
Fosfomicina
4,20
16,70
6,70
NT
5,90
0
NT
Gentamicina
10,40
16,70
33,30
36,40
17,60
28,60
NT
Imipenem
2,10
0%
6,70
18,20
NT
NT
NT
80
Levofloxacina
22,90
33,30
46,70
45,50
100
14,30
Linezolide
NT
NT
NT
NT
0%
0
0
Meropnem
0
6,70
18,20
NT
NT
NT
Acido Nalidíxico
22,90%
33,30
NT
NT
NT
NT
NT
0
100
6,70
NT
NT
NT
NT
27,10
50
53,30
NT
NT
NT
NT
NT
NT
NT
NT
100
14,30
NT
Nitrofurantoína
Norfloxacina
Oxicilina
Penicilina
NT
NT
NT
36,40
100
71,40
100
10,40
0
20
27,30
NT
NT
NT
Teicoplanina
NT
NT
NT
NT
0
0
0
Tobramicina
10,40
0
33,30
27,30
17,60
28,60
NT
Co-trimoxazole
22,90
66,70
46,70
100
0
0
100%
NT
NT
NT
NT
0
0
0
Piperacilina/Tazobactam
Vancomicina
NT= Antibiótico não testado
5 - CONCLUSÕES
Em suma, uma parte significativa de isolados clínicos é produtora de biofilme, as
bactérias mais produtoras de biofilme são microrganismos associados a elevados perfis
de resistência e isoladas em IACS. É ainda importante salientar que ser portador de um
dispositivo médico tem risco acrescido, isto porque os microrganismos detetados nestes
119
Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
dispositivos quase sempre são produtores de biofilme. Estas conclusões permitem-nos
retirar a ilação de que são necessários estudos futuros no sentido de perceber
características intrínsecas aos doentes e às bactérias que poderão interferir nesta
produção de biofilme e que permitirão perceber e limitar esta produção de biofilme
pelas bactérias em ambiente hospitalar.
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Maria José Alves - Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal
Centro de Investigação da Montanha (CIMO), ESA, Instituto Politécnico de Bragança, Bragança,
Portugal
[email protected]
Mara Rebelo - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, [email protected]
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Conexões e Sustentabilidade para o Entendimento Global
Saúde
Vânia Gonçalves - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, [email protected]
Jussara Piedade - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, [email protected]
Rosiane Rocha - Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, [email protected]
João C. M. Barreira - Centro de Investigação da Montanha (CIMO), ESA, Instituto Politécnico de
Bragança, Bragança, Portugal- [email protected]
Isabel C. F. R. Ferreira - Centro de Investigação da Montanha (CIMO), ESA, Instituto Politécnico de
Bragança, Bragança, Portugal - [email protected]
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Saúde: Conexões e
Sustentabilidade para
o Entendimento
Global
ISBN: 978-989-97708-7-4
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