O texto literário: um pouco de gramática, deslocada e que corre atrás do sentido Docente: Helena Topa Valentim Objetivos É Maria Gabriela Llansol quem afirma que, para “trabalhar a partir de livros”, se vale de “um pouco de gramática, […] com a preocupação de fazer compreender que a gramática está aí, mas que podemos sempre deslocá-la, uma vez que a língua está aí, mas corre sempre atrás do sentido” (Uma data em cada mão. Livro de horas I. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009: 80.). Conceber a existência de uma relação entre os estudos linguísticos e os estudos literários não se traduz na subordinação de um destes domínios ao outro, mas antes na criação de um espaço de convergência entre ambos, exatamente por via das “deslocações” que o género literário impõe à língua, e que evidenciam a deformabilidade que lhe é, por inerência, constitutiva. O presente curso visa propor, por via da análise das formas e construções linguísticas em textos literários, uma reflexão sobre as potencialidades da língua, tendo em conta a tensão entre o que lhe é estável (ou invariável) e o que, simultaneamente, se apresenta como deformável (ou variável), porque permanentemente sujeito à dinâmica da modulação intersubjetiva. Começar-se-á por uma breve abordagem do percurso epistemológico que vai da estilística à descrição do funcionamento da língua em termos de construção da significação. Depois, proceder-se-á à identificação e descrição de um conjunto de recursos linguísticos que concorrem para a construção da significação linguística, conjugando a construção da referência e as formas de inscrição do enunciador. As análises serão feitas partindo de um corpus de textos de diversos autores portugueses contemporâneos, tais como, entre outros, Maria Gabriela Llansol, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Mário de Carvalho, Paulo José Miranda e Adília Lopes.