Comportamento e adestramento de cães

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Comportamento e
adestramento de cães
Andréa de Paula
C A P Í T U L O
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Adestramento
A palavra adestramento muitas vezes assusta os proprietários, pois as pessoas
acham que adestrar é transformar se animal de estimação em um robô que sabe
sentar, deitar, dar a pata, só para se exibir para os amigos e para as visitas. Na
verdade, adestrar é o ato de EDUCAR o animal, e através dele, o cão e o dono podem ter uma melhor relação, pois um animal mal educado torna-se desagradável
e será rejeitado pelas pessoas e muitas vezes até por seus próprios donos, ao
contrário de um cão devidamente educado, que não late em excesso, não morde
sem motivo, não desenvolve problemas graves de comportamento, não destrói
as coisas, não foge de casa e nem morre atropelado ou envenenado.
Assim, o adestramento não se define apenas em comandos, mas também em
ensinar situações que você poderá usar no dia-dia para sua segurança e também
para segurança do seu animal de estimação, como por exemplo: o comando
fica, pode ser usado em situações para que o cão não fuja de casa, não pule nas
visitas, pare quando for atravessar a rua, entre outros.
O treinamento deve começar em lugares calmos e com poucas distrações. Conforme o animal já corresponda bem aos comando nesse local, aumente neste
mesmo ambiente as distrações com outros cães, barulhos, etc. A partir daí come-
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ce a treina-lo em outros lugares e com um pouco mais de estímulos. Isso deve
ser feito de forma gradual, essa variação de ambiente é necessária para que o
cão se sinta confortável e confiante em todas as situações.
O tempo de treinamento não deve ser muito longo. Faça sessões curtas todas as
vezes que o ambiente for novo e diferente. As aulas de longa duração desestimulam o cão, cansando-o e fazendo com que perca o interesse e a concentração. Ele
cometerá mais erros e pode acabar frustrado. É muito importante que todos os
momentos do aprendizado sejam divertidos. Interrompa o treino enquanto você
e ele ainda estão animados para que no próximo treino, o cão comece com uma
boa lembrança do anterior.
6.1 Clicker
A teoria do condicionamento operante é que faz do clicker um instrumento tão
poderoso. Sua função é basicamente modelar comportamentos que operam no
ambiente. Todo comportamento gera uma consequência. A diferença é que , com
esta ferramenta, o resultado é a própria consequência, uma vez que o animal se
foca em suas ações.
O clicker é um instrumento usado como marcador do comportamento correto. Na
da mais é do que uma caixinha de plástico com uma placa de metal que faz um
barulho parecido com um “click”, que é o som que o animal ouve e associa com a
recompensa. Várias coisas podem ser adaptadas como clicker, apitos, brinquedos
de criança, caneta ou até um barulho com a boca, porém o instrumento escolhido
deve ter as seguintes características:
»» Precisão: O som deve ser bastante curto, pois assim consegue
indicar com precisão até mínimas alterações no comportamento;
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Capítulo 6
Adestramento
»» Referência: não deve ser um som comum ao cotidiano. O cão
deve saber que, ao ouvir este barulho, ele será recompensado;
»» Praticidade: o clicker deve ser muito fácil de ser acionado e manejado.
Quando se deseja ensinar algo ao animal, é necessário indicar o comportamento
EXATO que se quer recompensar. Sem o clicker, o correto seria entregar a recompensa enquanto este ocorre. Mas, o que quase sempre acontece, é que o tempo
em que o comportamento ocorreu e a entrega da recompensa, o cão já está
fazendo outra coisa. O clicker marca com precisão o momento em que o cão será
recompensado. Outra vantagem é que o clicker funciona muito bem à distância.
6.1.1 Carregar o clicker
Para a maioria dos cães o som do clicker é um som neutro e, por isso, a associação acaba sendo rápida e fácil. Para que o som do clicker tenha algum sentido,
devemos condicioná-lo a um Reforço Primário (recompensa). Devemos clicar e
logo em seguida entregar o alimento para o animal, fazendo isso diversas vezes
até perceber que o cão começa a olhar para você quando ouve o clique.
É importante clicar sem ter o petisco evidente, assim evitamos que o cão fique
“hipnotizado”e não preste atenção no som.
No começo não é necessário procurar um comportamento para clicar, porem
quando vamos começar, procuramos já mostrar ao cão um comportamento adequado, como não pular para pegar o petisco, fazer contato visual ou até mesmo
sentar.
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6.1.2 A hora certa de clicar
A ideia é clicar no exato momento do comportamento correto. Muitas vezes não
estamos atingindo o objetivo desejado por não estarmos clicando na hora certa,
assim reforçando outro comportamento.
O cão aprende desde o começo que quando escuta o som do clicker, irá ganhar
um reforço, ou seja, sempre que você clicar irá entregar a recompensa e o comportamento terminou.
6.1.3 Capturar e modelar comandos
Se clicarmos sempre que um cão tem aquele comportamento, por exemplo
sentar, ele começará a sentar sempre na expectativa de ser recompensado. Esse
comportamento já existia no “repertório” do cão, mas por não ser recompensado diretamente, só ocorria quando o animal achava necessário. Quando o cão
tem certeza que esse comportamento provoca o click, pode-se considerar comportamento capturado. Muitas vezes pretende-se ensinar coisas que o cão não
apresenta naturalmente ou com frequência suficiente. Nesses casos, utiliza-se
modelagem de comportamentos. Modelagem de comportamento deve ser feita
aos poucos até chegar onde realmente deseja, para isso, basta ir aumentando o
grau de exigência em relação ao que se pretende alcançar.
6.1.4 Indução de comandos
Quando se trabalha com recompensas é muito importante que o cão não seja
fisicamente obrigado a fazer nada. Neste método o animalé induzido à ação,
onde não é necessário nem contato físico. Devemos fazer o cão se interessar
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Adestramento
em uma recompensa que ele tentará de diversas maneiras consegui-la. Não há
uma regra para se induzir um cão, existem várias formas de ensinar um mesmo
comando a um animal, precisamos usar a criatividade e tentar.
Após várias repetições de indução, quando o animal já estiver fazendo o comando
automaticamente, inclua o comando de voz, que deve ser dito antes do sinal
com a mão, a cada comando aumentar aos poucos a distância entre sua mão e
o cachorro até que você consiga dar o comando de longe.
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6.1.4 Comandos básicos
Senta: Com o petisco perto do focinho, vá levando devagar em direção à cauda do cão com
a palma da mão voltada para cima, quando
encostar no chão clica e recompensa. Alguns
cães sentam só de você levantar a mão, outros
resistem sentar em qualquer lugar e preferem
só lugares aconchegantes.
Deita: Com o cachorro sentado e o petisco perto do focinho, a palma da sua mão deve estar
voltada para baixo, direcione o focinho até o
chão sem que o cão levante. Quando deitar
clique e recompense.
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Adestramento
Dá a pata: Com o cão sentado deixe ele tentar
tirar o petisco da sua mão, quando ele tentar
tirar com a pata clique e libere o petisco a ele.
Vem: Comece a uma curta distância e em um
ambiente sem distrações chamando seu cão,
quando vier clique e recompense. Vá aumentando a distância e depois as distrações.
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Fica: Coloque seu cão sentado em um ambiente sem distrações, clique e recompense por ele
ter ficado um pouco. Peça o comando fica, e a
cada pouquinho de tempo que ele ficar clique
e recompense. Aos poucos aumente o tempo
e a distância da recompensa e as distrações.
Se o animal sair do lugar que você o colocou,
coloque de volta e reinicie o treino.
Não (limites): A intensidade do tom de voz e a quantidade de frustração que seu
cão rebe depende da sensibilidade dele e do nível de ansiedade no momento.
Alguns animais são bastante sensíveis e um simples “não” já é o suficiente para
que ele não faça o que estava querendo, outros são mais insistentes e teimosos.
O segredo é sempre que você falar a palavra NÃO, NUNCA deixar que o cão consiga o que quer. Quando ele sempre tenta e não consegue, a tendência é desistir,
se ele conseguir em algum momento, sempre irá tentar. É importante também
recompensá-lo quando não tentar fazer aquilo novamente.
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