Especiarias do Luxo

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Business
Batemos um papo com o primeiro gestor de
luxo do Brasil e ele abriu o jogo sobre o avanço
do mercado em solo nacional, seus projetos e
se ainda está em forma para exercer tudo isso.
texto LUCAS BICUDO
A
os 45 anos, Carlos Ferreirinha é fundador e presidente da
MCF Consultoria e sócio da Bento Store. Atua nas áreas
de gestão de luxo, desenvolvimento de negócios, marketing, vendas, comunicação e inteligência estratégica de mercado.
Referência no ramo é respeitado e admirado por todo o segmento
na América Latina, onde ministra palestras, seminários e simpósios
sobre sua visão de mercado e luxo. Ferreirinha recebeu a redação
da Black Card em seu escritório e, gentilmente, mostrou um pouco
das diversas variáveis e constantes desse universo que ainda é traduzido por poucos no Brasil.
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agosto 2014
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Carlos Ferreirinha é gestor,
empreendedor e referência do ramo
de luxo em toda a América Latina
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Procuro fazer algo de relevante
para todos aqueles que me cercam
Black Card: Antes de consultor de luxo e empreendedor, quem foi Carlos Ferreirinha?
Carlos Ferreirinha: Acima de tudo eu não sou um
personagem, esse é um ponto fundamental. Sou
uma pessoa muito real, muito concreta e que tem
basicamente os mesmos tipos de atitude desde
sempre, tanto no âmbito profissional, quanto no
pessoal. Eu trabalho muito, produzo muito, gosto e procuro sempre estar conectado a tudo, sou
incansável e procuro fazer algo de relevante para
todos aqueles que me cercam.
BC: O que é preciso ter a princípio, de bate pronto,
para se destacar no segmento de luxo? O que você
julga ser o fermento desse bolo de sucesso?
Ferreirinha: Como gestor, meu olhar sempre irá se
basear na empresa, no produto e no serviço oferecido. Talvez o que mais me chama a atenção em
um projeto, talvez o fermento que faça esse bolo
crescer, seja a decisão estratégica por detrás e
a coragem de fazer um movimento diferenciado
com um produto absurdamente inegociável. As
marcas de luxo são de atributos e códigos diferenciados, contando já com a certeza de um produto
extraordinário. Essa é uma máxima. Muita gente
confunde, achando que marcas de luxo precisam
de muito dinheiro. Claro, dinheiro precisa, mas,
além disso, é preciso muita coragem, consistência,
paciência, persistência e trabalho em longo prazo.
Tudo isso é muito. O dinheiro é apenas uma consequência.
BC: Você é presidente da MCF Consultoria. Expliquenos um pouco mais sobre as atividades da empresa.
Ferreirinha: A MCF é uma consultoria que foca estrategicamente na gestão do luxo. Somos tradutores das ferramentas de gerenciamento do luxo.
Possuímos toda uma inteligência, trazemos os códigos que estão por detrás das marcas de luxo e
utilizamos isso como conhecimento de aplicação
no mercado. Apresentamos elementos de diferenciação, excelência, e singularidade que consolidam esse tipo de status.
BC: Você recebe mais procura em solo brasileiro ou
estrangeiro? Quais as diferenças entre esses tipos de
clientes?
Ferreirinha: Nossos clientes mais rentáveis estão
em solo nacional. São empresas brasileiras de diversos níveis que querem aprender com a gestão
do luxo. Elas buscam na MCF a possibilidade de
fazer algo diferenciado. Já as empresas internacionais nos buscam para informação, para que a gente compartilhe com elas a nossa visão de mercado,
como uma bússola para validar, para orientar e para
conseguir levá-los a uma percepção mais apurada do mercado latino americano de luxo. A principal diferença está na cultura empresarial brasileira.
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Business
Bento Store: um
conceito que une
luxo, bem-estar
e lifestyle.
Trata-se de uma cultura mais imediatista, ansiosa e
de curto prazo. As perspectivas internacionais são
mais pacientes e de longo prazo.
BC: Vimos uma grande mudança no cenário nacional
nos últimos 25 anos - mais ou menos seu tempo de
carreira. O que mudou de lá pra cá no mercado de luxo?
Ferreirinha: Nossa. Há 25 anos éramos uma mera
caricatura de uma oportunidade. O que nós temos
hoje é verdadeiramente um país que cresceu, que
expandiu e que criou um processo de estabilidade.
O Brasil se tornou uma oportunidade de fato e com
isso aumentou a relevância do conhecimento do
brasileiro sobre o luxo. Os últimos 25 anos encurtaram a distância e capacitaram o Brasil a dialogar
com todos os níveis de negócio. Claro que ainda
falta muito, mas estamos no caminho certo.
BC: O cenário de luxo no Brasil atualmente permitiu
que você colocasse toda teoria da MCF em prática,
com a Bento Store. Fale um pouco sobre como surgiu
esse projeto.
Ferreirinha: A Bento surgiu como uma vontade minha e do meu sócio Carlos Otávio. Nós somos amigos há muito tempo, fazemos parte de um grupo
de amigos executivos e já vínhamos conversando sobre a possibilidade de fazer algo junto. Seria também a chance da MCF exercitar muito do
que orientava para os seus clientes. Uma vez que
nós decidimos ir adiante, estudamos uma série de
oportunidades que pudessem dar frutos dentro de
uma parceria entre nós dois.
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BC: Fale um pouco sobre seus produtos. O nome
Bento seria alguma referência ao bentô, tradicionais
marmitas japonesas? Você patentearia a expressão
“marmita de luxo”?
Ferreirinha: Não, não. O mercado patenteou como
marmita de luxo, nós não. Na verdade nós somos
uma loja de marmitas e garrafas. Lunch boxes são
as marmitas e as lunch bags geralmente são sacolas térmicas. O que nos fascinou por esses produtos são suas funções, suas releituras sobre o
conceito da marmita, sua inteligência aplicada no
design, tecnologia, modernidade e o investimento
em portabilidade do alimento. O nome Bento vem
mesmo do bentô, mas também aproveitamos para
homenagear São Bento, já que eu e o Otávio somos muito religiosos.
BC: Bastante dinheiro foi investido em pesquisa de
hábitos e de consumo. Após esse estudo, o que você
tem a dizer sobre o consumidor brasileiro?
Ferreirinha: O brasileiro tem demonstrado cada
vez mais interesse por tudo que está relacionado ao bem-estar. No Brasil, tudo que fala com
condicionamento físico, com beleza e estética
tem um crescimento muito importante. Isso co-
Fundador da MCF Consultoria,
Ferreirinha decidiu colocar todos seus
conhecimentos teóricos sobre a gestão
de luxo em prática com a Bento Store
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fotos divulgação
A MCF foi uma
empresa que falou
sobre a inteligência de
luxo antes de todos
A Bento Store comercializa lunch bags e lunch boxes em
uma releitura sobre o conceito de marmita, traduzido de
forma que inova a portabilidade do alimento
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loca o país como um dos principais mercados do
mundo e um dos consumidores mais animados
desse segmento.
BC: As previsões para esse novo negócio estavam certas? A sua atuação na MCF colocou a Bento Store um
degrau acima?
Ferreirinha: A Bento Store está muito alinhada com
as nossas expectativas. Diria que até um pouco
mais, já que estamos até acelerando o processo
de expansão. Isso, porque fomos surpreendidos
com um crescimento positivo, com a forma que
a Bento Store vem sendo recebida. Olha, eu não
acredito em sorte, eu acredito em resultado de um
trabalho estratégico.
BC: Projetos para o futuro. Há ainda muito que explorar
dentro da MCF e Bento Store? Ou a tendência é sempre empreender e inovar nos negócios?
Ferreirinha: A Bento Store é ainda um projeto embrionário. Ainda está dentro de uma equação absolutamente de inovação. O futuro ainda está muito longe, acreditamos fortemente em um projeto
de expansão, de mudança de hábito. Eu quero dizer que com toda a presunção que me é cabida e
ao mesmo tempo com toda a humildade que carrego, é que a Bento possui grandes planos para o
futuro. Já a MCF foi uma empresa que falou sobre
a inteligência de luxo antes de todos. Meu maior
desafio hoje é redesenhá-la de acordo com os padrões que o mercado impõe. A MCF do futuro não
pode ser a de hoje, temos sempre que nos mantermos nivelados com a evolução da sociedade.
E por aí vai. Estamos em um exercício grande de
sempre nos reinventarmos, em cima de nossa longa experiência.
BC: Por fim, você ainda sente prazer com o que faz?
Ferreirinha: Muito. Ainda duvido dos meus 45 anos,
esteticamente e emocionalmente. Sou absolutamente inquieto, carrego gravador no bolso, trabalho muito, me forço demais a ser verdadeiro. Estou
longe da possibilidade de percepção de um determinado cansaço ou vontade de fazer outra coisa.
Todos os meus projetos conversam entre si e respiro MCF e Bento Store. Sinto-me realizado. BC
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