História da Fotografia A primeira fotografia reconhecida é uma

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História da Fotografia
A primeira fotografia reconhecida é uma imagem produzida em 1825 por
Nicéphore Niépce numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo
chamado betume da Judeia. Foi produzida com uma câmera, sendo exigidas cerca
de oito horas de exposição à luz solar. Em 1839 Jacques Daguerre desenvolveu um
processo usando prata numa placa de cobre denominado daguerreotipo. Quase
simultaneamente, William Fox Talbot desenvolveu um diferente processo
denominado calotipo, usando folhas de papel cobertas com cloreto de prata. Este
processo é muito parecido com o processo fotográfico em uso hoje, pois também
produz um negativo que pode ser reutilizado para produzir várias imagens positivas.
Hippolyte Bayard também desenvolveu um método de fotografia, mas demorou para
anunciar e não foi mais reconhecido como seu inventor.
O daguerreotipo tornou-se mais popular pois atendeu à demanda por retratos
exigida da classe média durante a Revolução Industrial. Esta demanda, que não
podia ser suprida em volume nem em custo pela pintura a óleo, deve ter dado o
impulso para o desenvolvimento da fotografia. Nenhuma das técnicas envolvidas (a
câmara escura e a fotossensibilidade de sais de prata) era descoberta do século
XIX. A câmara escura era usada por artistas no século XVI, como ajuda para
esboçar pinturas, e a fotossensibilidade de uma solução de nitrato de prata foi
observada por Johann Schultze em 1724.
Recentemente, os processos fotográficos modernos sofreram uma série de
refinamentos e melhoramentos sobre os fundamentos de William Fox Talbot. A
fotografia tornou-se para o mercado em massa em 1901 com a introdução da
câmera Brownie-Kodak e, em especial, com a industrialização da produção e
revelação do filme. Muito pouco foi alterado nos princípios desde então, além de o
filme colorido tornar-se padrão, o foco automático e a exposição automática. A
gravação digital de imagens está crescentemente dominante, pois sensores
eletrônicos ficam cada vez mais sensíveis e capazes de prover definição em
comparação com métodos químicos.
Para o fotógrafo amante da fotografia em preto e branco, pouco mudou desde a
introdução da câmera Leica de filme de 35mm em 1925.
Fotografia em preto e branco
A fotografia nasceu em preto e branco, ou melhor, preto sobre o branco, no inicio do
século XIX Desde as primeiras formas de fotografia que se popularizaram, como o
daguerreótipo, aproximadamente na década de 1830, até aos filmes preto e branco
atuais, houve muita evolução técnica, e diminuição dos custos. Os filmes atuais hoje
têm uma grande gama de tonalidade, superior mesmo aos coloridos, resultando em
fotos muito ricas em detalhes. Por isso as fotos feitas com filmes PB são superiores
ás fotos coloridas “transformadas” em PB.
Fotografia colorida
A fotografia colorida foi explorada durante os anos de 1800. 0s experimentos iniciais
em cores não puderam fixar a fotografia nem prevenir a cor de enfraquecimento. A
primeira fotografia colorida permanente foi tirada em 1861 pelo físico James Clerk
Maxwell. O primeiro filme colorido, o Autocromo, não chegou ao mercado antes de
1907 e era baseado em pontos tingidos de extrato de batata. O primeiro filme
colorido moderno, o Kodachrome, foi introduzido em 1935 baseado em três
emulsões coloridas. A maioria dos filmes coloridos modernos, exceto o Kodachrome,
são baseados na tecnologia desenvolvida pela Agfacolor em 1936. O filme colorido
instantâneo foi introduzido pela Polaroid em 1963.
A fotografia colorida pode formar imagens como uma transparência positiva,
planejada para uso em projetor de diapositivos ou em negativos coloridos, planejado
para uso de ampliações coloridas positivas em papel de revestimento especial. A
último é atualmente a forma mais comum de filme fotográfico colorido (não digital),
devido à introdução do equipamento de fotoimpressão automático.
Fotografia digital
A fotografia tradicional era um fardo considerável para os fotógrafos que
trabalhavam em localidades distantes (como correspondentes de órgãos de
imprensa) sem acesso às instalações de produção. Com o aumento da competição
com a televisão, houve um aumento de pressão para transferir imagens aos jornais
mais rapidamente. Fotógrafos em localidades remotas carregariam um
minilaboratório fotográfico com eles, e alguns meios de transmitir suas imagens pela
linha telefônica. Em 1990, a Kodak lançou o DCS 100, a primeira câmera digital
comercialmente disponível. Seu custo impediu o uso em fotojornalismo e em
aplicações profissionais, mas a fotografia digital nasceu.
Em 10 anos, as câmeras digitais se tornaram produtos de consumo, e estão
provavelmente substituindo gradualmente suas equivalentes tradicionais em muitas
aplicações, pois o preço dos componentes eletrônicos cai e a qualidade da imagem
melhora.
A Kodak anunciou em Janeiro de 2004 que não vai mais produzir câmeras
reutilizáveis de 35 milímetros após o fim desse ano. Entretanto, a fotografia "líquida"
vai durar, pois os amadores dedicados e artistas qualificados preservam o uso de
materiais e técnicas tradicionais.
Na fotografia digital, a luz sensibiliza um sensor, chamado de CCD ou CMOS, que
por sua vez converte a luz num código electrónico digital, uma matriz de números
digitais (quadro com o valor das cores de todos os pixels da imagem), que será
armazenado num cartão de memória. Tipicamente, o conteúdo desta memória será
mais tarde transferido para um computador. Já é possível tambem transferir os
dados diretamente para uma impressora, gerar uma imagem em papel, sem o uso
de um computador. Uma vez transferida para fora do cartão de memória, este
poderá ser apagado e reutilizado.
fonte ; http://pt.wikipedia.org/wiki/Fotografia#Hist.C3.B3ria_da_Fotografia
-----------------------------------------------------------------------------------------------------Quando a França ainda vivia um período de instabilidade política, em
meados do século XIX, consequência da Revolução
Francesa e do Império
Napoleônico, surgiu uma nova profissão, reconhecida mais tarde, também como
arte: a fotografia. Na verdade, registros revelam que na época de Aristóteles já se
conhecia o fenômeno de produção de imagens pela
passagem da luz através de
um pequeno orifício e boa parte dos princípios básicos da óptica e da química que
envolveriam
mais tarde o surgimento da fotografia.
No século X, o erudito árabe Alhazen mostrou como observar um eclipse
solar no interior de uma câmara obscura: um quarto
às escuras, com um pequeno
orifício aberto para o exterior. Durante a Renascença, uma lente foi colocada num
pequeno orifício e obteu-se uma melhor qualidade da imagem. A câmara
obscura
começou a se tornar cada vez menor, até se transformar em um objeto que pudesse
ser levado para qualquer lugar. Já com um tamanho portátil, no século XVII, a
câmara obscura era utilizada por muitos pintores na execução de suas obras. Um
cientista italiano, Angelo Sala, em 1604, observou o escurecimento de um certo
composto de prata por exposição ao sol,
mas não conseguia fixar a imagem que
acabava desaparecendo. Foram muitos os estudiosos que ao passar dos anos
acrescentaram novas descobertas: em 1725 com Johan Heinrich
Schulze, um
professor de medicina da Universidade de Aldorf, na Alemanha e no início do século
XIX com Thomas Wedgwook,
que, assim como Schulze obteve silhuetas fixas em
negativo, mas a luz continuava a escurecer as imagens.
A Fotografia de fato, surgiu no verão de 1826, pelo inventor e litógrafo
francês Joseph Nicéphore Niépce. Em fevereiro de 1827,
Niépce recebeu uma
carta de Louis Daguerre, de Paris, que manifestou seu interesse em gravar imagens.
Em 1829, tornaram-se sócios, mas Niépce morre em 1833. Seis anos depois, em 7
de janeiro de 1839, Daguerre revela à Academia
Francesa de Ciências um
processo que originava as fotografias ou os daguerreótipos. A fotografia atraiu a
atenção de tantas pessoas que, movidos pelo entusiasmo, tornaram-se adeptos
daquela técnica. Assim,
tanto em Londres como em Paris, houve um boom na
compra de lentes e reagentes químicos. Os fotógrafos e suas câmeras fotográficas
(caixas de formas estranhas) começavam a registrar suas imagens.
Fotografar tornou-se uma atividade em franca expansão. Rapidamente
tomou conta do mundo. Em 1853, cerca de 10 mil americanos produziram três
milhões de fotos, e três anos mais tarde a Universidade de Londres já incluía em
seu currículo a fotografia. Em junho de 1888, com George Eastman, surge a
Kodak. A fotografia tornou-se mais popular com este tipo de câmera que
era bem
mais leve, de baixo custo e simples de operar.
A fotografia deu ao homem um visão real do mundo, tornando-se assim, um
instrumento de como captar imagens dos
registros da História.
A primeira descrição de algo parecido com uma máquina fotográfica foi
escrita por um árabe, Alhaken de Basora, que viveu há aproximadamente 1000
anos. Ele descobriu como se formavam as imagens no interior de sua tenda quando
a luz do sol passava pelas frestas do tecido. Assim foram relatados os princípios do
que viria a ser a câmera fotográfica.
Câmera significa pequeno quarto. Mais tarde, a câmera escura, quando não
existia a fotografia, era um artifício empregado para conseguir imagens projetadas
desde o exterior e cujas siluetas eram desenhadas na referida câmera escura. Sua
existência é conhecida desde o século XVI, quando artistas como Leonardo da Vinci
e outros pintores a usavam para desenhar.
No século XVII, as câmeras escuras deixam de ser grandes e passaram a
ser móveis, desmontáveis e semiportáteis. Desenhar com luz, este, na verdade, era
a utilidade destes objetos, por isso o significado etimológico das palavras gregas:
foto (luz) e grafein (desenhar).
Os irmãos franceses Jean Niceforo e Claude Niepce são os primeiros a
relacionar a imagem realizada com luz e uma câmera escura. Mas eles não foram
os únicos investigadores desta atividade, em que pese que foram os únicos a
chegar ao fim de esta prática.
Mais tarde, o artista francês Louis Jaques Mandé Daguerre (1789 – 1851) trabalhou,
durante anos, em um sistema para conseguir que a luz incidisse sobre uma
suspensão de sais de prata, de tal maneira que a escurecesse seletivamente e
fosse capaz de produzir a duplicação de alguma cena. Em 1839, Daguerre tinha
aprendido a dissolver os sais intatos mediante uma solução de tissulfato de sódio o
que permitia gravar permanentemente a imagem.
Mesmo o avanço tendo sido notável, levava de 25 a 30 minutos para tirar
uma fotografia, e se houvesse sol. Mas este não era seu principal inconveniente,
senão a dificuldade de obter cópias. E foi outro inventor, William Henry Talbot (1800
– 1877), que fazia experiências com o que chamou de calótipos, que superou o
problema em 1841. Com seus calótipos obtinham-se negativos que logo deveriam
ser passados aos positivos em outras folhas. Em 1844, foi publicado o primeiro livro
com fotografias.
A partir de então, as investigações se concentraram em conseguir um papel
para os negativos que fosse suficientemente sensível para ser rapidamente
impresso. Em 1848, um escultor inglês, Frederick Scott Archer, inventou o processo
de colódio úmido. O colódio (composto por partes iguais de éter e álcool numa
solução de nitrato e celulose) era empregado como substância ligante para fazer
aderir o nitrato de prata fotossensível à chapa de vidro que constituía a base do
negativo. A exposição era feita com o negativo úmido (esta é a origem do nome
colódio úmido). A revelação tinha de ser feita logo após a tomada da fotografia.
Só depois de alguns avanços científicos foram obtidas fotografias coloridas.
Gabriel Lippman foi o primeiro investigador que mediante um complexo método
conseguiu fotografar o espectro visível com toda sua riqueza cromática. Os irmãos
Lumière também contribuíram, mas foram Luis Ducos du Hauron e Carlos Cross as
pessoas que criaram um método que consistia na impressão de três negativos
através de filtros coloridos em vermelho e azul.
História da Fotografia no Brasil
A segunda metade do século XIX acordou com a proliferação de uma invenção que
soube, definitivamente, marcar o advento de um novo tempo. A pequena caixa de
madeira, criada por Louis Mande Daguerre, em 1839, conseguiu realizar um sonho
desejado há milênios. O homem conquistou um novo passo para a eternidade. Seu
registro, após séculos de tentativas, adquiriu a dinâmica da reprodução do real.
De todas as manifestações artísticas, a fotografia foi a primeira a surgir dentro do
sistema industrial. Seu nascimento só imaginável frente à possibilidade da
reprodução. Pode-se afirmar que a fotografia não poderia existir conforme a
conhecemos, sem o advento da indústria. Buscando atingir a todos. Por meio de
novos produtos culturais, ela possibilitou a maior democratização do saber.
A fotografia, enquanto princípio fundamental já fora descrita por Platão na Antiga
Grécia que, ao se encontrar no interior de uma caverna escura, viu imagens
projetadas em sua parede.
Mesmo no Antigo Oriente, um árabe conhecido por Alhazen mencionava uma “tenda
às escuras”, dentro da qual se podia observar o eclipse solar.
O sonho de poder embalsamar as imagens perdidas no tempo só se transformaria
em realidade, apesar de todos os esforços, com o advento do Renascimento
Cultural, na Europa. Em um quarto escuro, com um minúsculo orifício em uma de
sua faces, o artista da época descobria como facilitar seu trabalho mimético,
contornando com pincel a imagem refletida na parede oposta. Adaptar uma lente
para “dar mais força à luz”, foi quase um nada, e o passo seguinte foi simplificar o
suplício que era a caixa da câmera em si: torná-la mais leve e desmontável, e com o
passar do tempo, reduzir seu tamanho, para garantir a melhor produção do artista.
Nadar Félix, aparece logo após o advento da fotografia, como o melhor fotografo de
sua época.
Nadar, pseudónimo de Gaspard-Félix Tournachon (Paris, 5 de Abril de 1820 – Paris,
21 de Março de 1910) foi o fotógrafo, caricaturista e jornalista francês. E também o
melhor fotografo retratista de seu período.
Estudou medicina em Lyon, França, mas devido à falência da editora do pai teve
que abandonar os estudos e começar a trabalhar. Começou por escrever para
jornais assinando os seus artigos com o pseudónimo «Nadar». Em 1842 foi viver
para Paris, tendo começado por vender caricaturas aos jornais humorísticos.No
princípio dos anos 50, Nadar já era considerado um fotógrafo de mérito, tendo
mesmo aberto um estúdio.
Começou a ser conhecido devido às suas ações espectaculares. Mandou pintar o
edifício onde se encontrava seu estúdio e colocou na fachada um painel de 15
metros com o seu nome. O edifício, no boulevard des Capucines, no centro dos
Grands Boulevards, tornou-se uma local de referência e o estúdio um ponto de
encontro dos intelectuais parisienses.
Em 1854 acabou o seu primeiro «PanthéonNadar», um conjunto de dois painéis
gigantes apresentando caricaturas de parisienses conhecidos. Foi ao preparar o seu
segundo «PanthéonNadar», que começou a fotografar as personagens que
tencionava caricaturar. É por isso que os retratos do ilustrador Gustave Doré e do
poeta Charles Baudelaire, assim como os do escritor Théophile Gautier e do pintor
Eugène Delacroix, todos realizados por volta de 1855, têm uma pose natural, que
contrastava com as poses hirtas e formais dos retratos da época.
Nadar era um inovador e em 1855 patenteou a idéia de utilizar a fotografia aérea na
cartografia. Tipo de fotografia que só conseguiu realizar três anos depois, em 1858,
quando conseguiu tirar a primeira fotografia aérea de sempre de um balão.
Por volta de 1863, Nadar construíu um enorme balão de ar quente, com cerca de
6000 m3, chamado Le Géant (“O Gigante”), inspirando Júlio Verne na sua obra Cinq
semaines en ballon (Cinco Semanas em Balão). Foi criada a “The Society for the
Encouragement of Aerial Locomotion by Means of Heavier than Air Machines”, com
Nadar como presidente, e Júlio Verne como secretário.
Em Abril de 1874, cedeu o seu estúdio de fotografia a um grupo de pintores (Monet,
Renoir, Pissarro, Sisley, Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas), numa altura em
que o impressionismo era rejeitado pela crítica, o que lhes possibilitou apresentarem
a primeira exposição de impressionismo, sem ser no Salon des Refusés (Salão dos
Recusados).
Em 1885, fotografou Victor Hugo na sua cama, aquando a sua morte. É referido
como sendo o autor (em 1886) da primeira “entrevista fotográfica” (do químico
Michel Eugène Chevreul). Tirou também fotografias com motivos eróticos.
A nova invenção veio para ficar…
A nova invenção veio para ficar. A Europa se viu aos poucos, substituída por sua
imagem fotográfica. O mundo tornou-se, assim portátil e ilustrado.
O homem moderno diante desse novo cenário, não tinha mais tempo para ler. Tinha
que ver para crer! Não podia mais contar com a lentidão e imperfeição das imagens
produzidas artesanalmente por desenhistas e pintores de sua época.
A chegada da fotografia no Brasil
Enquanto a Europa durante o período do século XIX passava por profundas
revoluções no universo artístico, cultural, intelectual e mesmo na essência
humanística, no Brasil o invento de Daguerre era recebido com outra conotação.
Poucos meses se passaram da tarde de 19 de agosto de 1839, quando a invenção
foi consagrada em Paris, para que a fotografia chegasse ao Rio de Janeiro em
16.01.1840, trazida pelo Abade Louis Compte, de posse de todo o material
necessário para a tomada de vários daguerreótipos, conforme ilustra o Jornal do
Commércio deste período:
“É preciso ter visto a cousa com os seus próprios olhos para se fazer idéia da
rapidez e do resultado da operação. Em menos de 9 minutos, o chafariz do Largo do
Paço, a Praça. do Peixe e todos os objetos circunstantes se achavam reproduzidos
com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido
feita pela mão da natureza, e quase sem a intervenção do artista.” (Jornal do
Comércio, 17.01.1840,p.2)
fastados geograficamente das metrópoles, o estágio de desenvolvimento do país era
bem inferior àqueles das metrópoles européias. As novidades aqui eram muito bem
recebidas, tornando- se moda num prazo bem curto de tempo. Os debates na
Europa em relação a validade ou não da fotografia enquanto manifestação artística,
comparada à pintura, não encontrariam espaço no Brasil durante as primeiras
décadas. A sociedade brasileira do período do Império estava mais preocupada em
usufruir a nova técnica, conhecida até então teoricamente, em se deixar fotografar
do que em refletir sobre os aspectos artísticos e culturais do novo invento.
O Brasil desta época, agrário e escravocrata, tinha a sua economia voltada para a
cultura do café, visando exclusivamente o mercado externo e dependendo dele para
importações de outros produtos. A sociedade dominante ainda cultuava padrões e
valores estéticos arcaicos, puramente acadêmicos, já ultrapassados em seus
respectivos países de origem, que só seriam questionados e combatidos com a
Semana de Arte Moderna de 1922.
Os Senhores do Café e a sociedade como um todo, tinham uma visão de mundo
infinitamente estreita e só poderiam conceber a fotografia como mágica divertida,
mais uma invenção européia maluca!
A fotografia brasileira, de D. Pedro II a Santos Dumont
Em 21 de Janeiro do mesmo ano, Compte dava uma demonstração especial para o
Imperador D .Pedro II, registrando alguns aspectos da fachada do Paço e algumas
vistas ao seu redor. Estes e muitos outros originais se perderam e já em novembro,
surgem os primeiros classificados da venda de equipamentos fotográficos na Rua do
Ouvidor, 90-A..
Desde o dia que Compte registrou as primeiras imagens no Rio de Janeiro, D Pedro
II se interessou profundamente pela fotografia, sendo o primeiro fotografo brasileiro
com menos que 15 anos de idade. Tornou-se praticante, colecionador e mecenas da
nova arte. Trouxe os melhores fotógrafos da Europa, patrocinou grande exposições,
promoveu a arte fotográfica brasileira e difundiu a nova técnica por todo o Brasil.
Os profissionais liberais da época, grandes comerciantes e outros donos de uma
situação financeira abastada, já podiam se dedicar à fotografia em suas horas
vagas. Para essa nova classe urbana em ascensão, carente de símbolos que a
identificassem socialmente, a fotografia veio bem a calhar criando-lhe uma forte
identidade cultural. O grande exemplo disso foi o jovem Santos Dumont.
Em suas constantes idas a Paris, Dumont apaixona-se por fotografia e compra seu
primeiro equipamento fotográfico.
De volta ao Brasil, monta seu laboratório e aos poucos vai demonstrando interesse
em registrar o vôo dos pássaros até conceber os primeiros princípios da aviação.
Daí para chegar ao 14 Bis e ao Relógio de Pulso foi um pequeno passo…
A descoberta isolada no Brasil
Por mais paradoxal que seja, foi justamente dentro desse cenário que o Brasil, do
outro lado do Atlântico, disparava na frente das grandes metrópoles européias,
descobrindo a fotografia no interior do Estado de São Paulo, em 15 de agosto de
1832.
A quase inexistência de recursos para impressão gráfica daquela época, levou
Hércules Romuald Florence, desenhista francês, radicado no Brasil, a realizar
pesquisas para encontrar fórmulas alternativas de impressão por meio da luz solar.
Francês, natural de Nice, Florence chegou ao Brasil em 1824 e durante os 55 anos
que aqui viveu até a sua morte, na antiga Vila de São Carlos – Atual Campinas/SP,
dedicou-se a uma série de invenções. Entre 1825 e 1829, participou como
desenhista de uma expedição científica, para registrar a Fauna e Flora Brasileira,
chefiada pelo Barão Georg Heirich von Langsdorff, cônsul geral da Rússia no Brasil.
De volta da expedição, Florence casou-se com Maria Angélica Alvares Machado e
Vasconcelos, em 1830.
Durante a década de 30, Florence deu sentido prático á sua descoberta que ele
próprio denominou de “Photographie”: imprimia fotograficamente diplomas
maçônicos, rótulos de medicamentos, bem como fotografara desde 1832 alguns
aspectos de sua Vila, isto é, cinco anos antes do Inglês John Herschel, a quem a
história sempre atribuiu o mérito de ter criado o vocábulo.
Em 1833 Florence aprimora seu invento, e passa a fotografar com chapa de vidro e
papel pré-sensibilizado para contato. Foi o primeiro a usar a técnica
“Negativo/Positivo” empregado até hoje. Enfim, totalmente isolado, contando apenas
com os seus conhecimentos e habilidade, e sem saber as conquistas de seus
contemporâneos europeus, Népce, Daguerre e Talbot, Florence obteve em terras
brasileiras o primeiro resultado fotográfico da história.
O Nitrato de Prata, agente sensibilizante e princípio ativo da invenção de Florence,
tinha um pequeno inconveniente: a imagem após revelada, passava por uma
solução “fixadora” que removia os sais não revelados, mantendo a durabilidade da
imagem. Constatou que a amônia além de ter essa função, também reagia com os
sais oxidados durante a revelação, rebaixando o contraste da imagem final.
Conforme seu diário passou a usar a urina, rico em amônia como fixador “fiz isso por
acaso”! De fato, um dia enquanto revelava, esqueceu e preparar o Fixador
tradicional. Como a vontade e urina apareceram de rependente, não poderia abrir a
porta de seu laboratório, com risco de velar seus filmes. Acabou urinando em uma
banheira e na confusão, acidentalmente passou suas chapas para lá. Além de
descobrir a própria fotografia, descobriu também o processo mais adequado para a
fixação da imagem, que atualmente foi substituído pelo “Tiossulfato de Amônia”
utilizado atualmente na fotografia Preto & Branco, Colorida, Cinema, Artes Gráficas
e Radiologia.
Alguns exemplares de Florence existem até hoje, e podem ser vistos no Museu da
Imagem e do Som, SP. Sua contribuição, entretanto, só ficou sendo conhecida pelos
habitantes de sua cidade, e por algumas pessoas na Capital de São Paulo e Rio de
Janeiro, não surtindo, na época, qualquer outro tipo de efeito, conforme exaustivas
pesquisas e investigações do Historiador Boris Kossoy.
(Artigo de Prof. Dr. Enio Leite )
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