Estratégias para Aumentar a Adesão do Autocuidado aos

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ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA DO CEARÁ
ESPECIALIZAÇÃO EM PRÁTICAS CLÍNICAS EM SAÚDE DA FAMÍLIA
MARIA DA CONCEIÇÃO SABÓIA COELHO
ESTRATÉGIAS PARA AUMENTAR A ADESÃO DO
AUTOCUIDADO AOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS NA
UBASF CAETANOS (Beberibe-CE)
FORTALEZA
2009
1
MARIA DA CONCEIÇÃO SABÓIA COELHO
ESTRATÉGIAS PARA AUMENTAR A ADESÃO DO
AUTOCUIDADO AOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS NA
UBASF CAETANOS (Beberibe-CE)
Projeto de Intervenção submetido à Escola de Saúde
Pública do Ceará, como parte dos requisitos para a
obtenção do título de Especialista em Práticas
Clínicas em Saúde da Família.
Orientadora:
Profª. Ms Ana Roberta Vilarouca da Silva.
FORTALEZA
2009
2
MARIA DA CONCEIÇÃO SABÓIA COELHO
ESTRATÉGIAS PARA AUMENTAR A ADESÃO DO
AUTOCUIDADO AOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS NA
UBASF CAETANOS (Beberibe-CE)
Especialização em Práticas Clínicas em Saúde da Família
Escola de Saúde Pública do Ceará
Aprovado em ____/____/____
Banca Examinadora:
Ana Roberta Vilarouca da Silva
Mestre
______________________________________
Maria Eliane Maciel de Brito
Mestre
_______________________________________
Ana Débora Assis Moura
Mestre
_______________________________________
3
RESUMO
A partir da experiência profissional com os diabéticos através da consulta de enfermagem na
Unidade Básica de Saúde de Caetanos, no município de Beberibe, observou-se que os
pacientes encontravam dificuldades na adesão de atitudes ao autocuidado no seu cotidiano,
como: perda de peso, mudanças alimentares, prática de atividade física, além de motivações
individuais aos portadores de diabetes, na tentativa de obter um resultado satisfatório. Atribuise esta problemática do baixo autocuidado dos diabéticos a alguns fatores, como o
desconhecimento sobre diabetes, a idade, o baixo poder aquisitivo para a adoção de uma dieta
adequada e a baixa escolaridade. Considerando que o autocuidado no diabético implica na
melhora de sua qualidade de vida e na promoção da saúde, o projeto de intervenção tem por
finalidade verificar o conhecimento dos portadores de diabetes com relação ao autocuidado e
complicações da patologia antes e após as intervenções, identificar barreiras ao autocuidado
no paciente diabético através de ações educativas para os grupos em atendimento e estimular
o autocuidado por meio da formação de grupos com atividades educativas entre profissionais
de saúde e usuários diabéticos. O projeto tem como objetivo sensibilizar o portador de
Diabetes mellitus para aquisição de comportamentos de adesão ao autocuidado. Trata-se de
um projeto de intervenção que acontecerá numa Unidade Básica de Saúde da Família de
Caetanos, no período de julho a dezembro de 2009, onde 15 diabéticos participarão de uma
entrevista na consulta de Enfermagem e de encontros semanais ministrados pela Enfermeira
da Unidade de Saúde e uma equipe multiprofissional. Durante este processo, os portadores de
diabetes serão reavaliados durante a consulta de enfermagem quanto a hábitos alimentares,
uso de medicamentos, prática de atividade física e dados como a mensuração da glicemia
capilar, pressão arterial, circunferência abdominal, peso e altura. Espera-se que a intervenção
possa trazer contribuições à prática de profissionais de saúde que se dedicam ao
acompanhamento clínico dos portadores de diabetes e, com isto aumente a adesão de
comportamentos referentes ao autocuidado, uma vez que esta clientela é resistente à adoção
de medidas que alterem o seu cotidiano.
Palavras-chaves: adesão; autocuidado; diabetes mellitus.
4
ABSTRACT
From the professional experience with the diabetic patients through the nursing consultation
in the Basic Unit of Health of Caetanos, in the city of Beberibe - Ceara, it was observed that
the patients found problems following their daily self-care, such as: weight management,
dietary changes, physical activity, personal motivations, in the attempt to get satisfactory
health results. Some of the problems found in the adherence to diabetic daily self-care were:
low knowledge about diabetes, age, low financial status, inability to follow an adequate diet,
and low level of education. Considering that the self-care of the diabetic implies an
improvement of quality of life and in the promotion of the health, the intervention project has
the purpose to verify the knowledge of the diabetic patients in regards of self-care and the
complications of the pathology before and after the interventions, to identify barriers to the
self-care of the diabetic patient through the participation of educative actions for the groups,
and to stimulate self-care through the formation of groups with educative activities between
health professionals and the diabetic patients. The project has as objective to encourage the
individual with diabetes mellitus to change behaviors and to adopt the daily self-care. This is
about an intervention project that will happen in a Basic Unit of Health of the Family of
Caetanos, between July and December of 2009. Fifteen diabetic patients will participate in an
interview in a nursing consultation, and weekly meetings given by the Nurse of the Basic Unit
of Health, and a multi professional team. During this process, the patients with diabetes will
be reevaluated during the nursing consultation in regards to their alimentary habits,
medication use, physical activity, and also data including: measurement of the blood glucose
levels, arterial pressure, abdominal girth measurement, weight, and height. It is expected that
the intervention contributes to the practice of health professionals who are dedicated to the
clinical care of the patients with diabetes and increases the adhesion of these patients to a
modification of their behaviors related to the self-care since this clientele is resistant to the
adoption of health promoting behaviors that modify their daily lives.
Word-keys: adhesion; self-care; diabetes mellitus.
5
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 06
2 OBJETIVO ........................................................................................................................ 09
2.1 Objetivo Geral.................................................................................................................. 09
2.2 Objetivos Específicos....................................................................................................... 09
3 REVISÃO DE LITERATURA......................................................................................... 10
4 METODOLOGIA.............................................................................................................. 16
4.1 Cenário e Sujeitos da Intervenção.................................................................................. 16
4.2 Procedimentos da Intervenção........................................................................................ 16
4.3 Resultados Esperados...................................................................................................... 18
4.4 Avaliação da Intervenção................................................................................................ 18
5 CRONOGRAMA................................................................................................................ 19
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 20
6
1 INTRODUÇÃO
O Diabetes mellitus (DM) é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da
falta de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus efeitos. As
conseqüências do DM, a longo prazo, incluem disfunção e falência de vários órgãos,
especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos (BRASIL, 2001).
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2007), o número de indivíduos
diabéticos está aumentando devido ao crescimento e ao envelhecimento populacional, à maior
urbanização, à crescente prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como a maior
sobrevida do paciente com diabetes.
Dados epidemiológicos revelam que uma epidemia de Diabetes mellitus está em
curso. Estimava-se que em 1985 existissem 35 milhões de adultos com DM no mundo; esse
número cresceu para 135 milhões em 1995, atingindo 173 milhões em 2002, com projeção de
chegar a 300 milhões no ano de 2030. A epidemia tem maior intensidade nos países em
desenvolvimento, afetando em grande proporção grupos etários mais jovens (SBD, 2007).
Enquanto nos países desenvolvidos a maioria dos diabéticos estará com 65 anos ou mais, nos
países em desenvolvimento as pessoas mais afetadas estarão na faixa de 45-65 anos, ou seja,
nos seus anos mais produtivos (OPAS, 2003).
No Brasil, dados mostram que as taxas de mortalidade por DM (por 100 mil
habitantes) apresentam acentuado aumento com o progredir da idade, variando de 0,58 para a
faixa etária de 0-29 anos, até 181,1 para a de 60 anos ou mais, ou seja, um gradiente superior
de 300 vezes. Estudos brasileiros sobre mortalidade por DM, analisando as causas múltiplas
de morte, ou seja, quando existe menção ao diabetes na declaração de óbito, mostram que a
taxa de mortalidade por essa enfermidade aumenta até 6,4 vezes. É válido salientar que os
custos com o DM afetam todos, porém não é apenas um problema econômico. A dor, a
ansiedade, a inconveniência e perda de estilo de vida são custos que apresentam forte impacto
na vida das pessoas com diabetes e suas famílias, além de serem custos intangíveis (SBD,
2007).
7
Os pacientes diabéticos devem ser instruídos sobre a nutrição, efeitos dos
medicamentos e efeitos colaterais, exercício físico, progressão da doença, estratégias de
prevenção, técnicas de monitoração da glicose sangüínea e ajuste da medicação (BEEBE ;
O’DONNELL, 2001 apud SMELTZER e BARE, 2005, p. 1239).
Iniciou-se este trabalho a partir da experiência profissional com os diabéticos
através da consulta de enfermagem na Unidade Básica de Saúde de Caetanos, no município de
Beberibe, onde observou-se que os pacientes encontravam dificuldades na adesão de atitudes
ao autocuidado no seu cotidiano. Neste momento, percebeu-se a necessidade de mudanças no
estilo de vida, como: perda de peso, mudanças alimentares, prática de atividade física, além
de motivações individuais aos portadores de diabetes, na tentativa de obter um resultado
satisfatório.
Essas mudanças são possíveis através da conscientização e implementação do
autocuidado, que é uma prática individualizada onde gera benefícios à vida do ser humano e
pode ser orientada pelo profissional enfermeiro.
Atribui-se a problemática do baixo autocuidado dos diabéticos a alguns fatores,
como o desconhecimento sobre diabetes, a idade, o baixo poder aquisitivo para a adoção de
uma dieta adequada e a baixa escolaridade para compreender cálculos da insulinoterapia.
Para Orem (1980), o autocuidado é a prática de atividades que o indivíduo inicia e
executa em seu próprio benefício, na manutenção da vida, da saúde e do bem-estar. Tem
como propósito as ações, que seguindo um modelo, contribui de maneira específica na
integridade, nas funções e no desenvolvimento humano. Esses propósitos são expressos
através de ações denominadas requisitos de cuidados.
Com a educação dos portadores de diabetes, é possível conseguir reduções
importantes das complicações e consequente melhoria da qualidade de vida, porque entendese que a educação para a saúde, feita por grupos especializados, poderá ajudar os profissionais
de saúde, pessoas portadoras de diabetes e famílias a atingirem a qualidade de vida, ao longo
do processo da doença. Como a educação para a saúde é uma tarefa que requer
8
conhecimentos, dedicação e persistência, é de responsabilidade de cada integrante da equipe
de saúde. Como parte essencial do tratamento, constitui-se num direito e num dever do
paciente e dos profissionais responsáveis pela promoção da saúde.
Vale destacar, também, que o sucesso de todas essas instruções depende do
empenho do profissional de saúde, no caso do enfermeiro, mas, também, do pacientes através
do autocuidado. Assim, considerando que o autocuidado no diabetes implica na melhora de
sua qualidade de vida e na promoção da saúde, será realizado o presente estudo.
9
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
- Sensibilizar o portador de Diabetes mellitus para a aquisição de comportamentos de
adesão ao autocuidado.
2.2 Objetivos Específicos
- Verificar o conhecimento dos portadores de DM com relação ao autocuidado e
complicações da patologia antes e após as intervenções;
- Identificar barreiras ao autocuidado no paciente diabético através de ações
educativas para os grupos em atendimento;
- Estimular o autocuidado por meio da formação de grupos com atividades
educativas entre profissionais de saúde e usuários diabéticos.
10
3 REVISÃO DE LITERATURA
A partir da industrialização, a mudança do estilo de vida passou a se associar a um
aumento dos comportamentos de risco para o desenvolvimento e agravamento das doenças
crônicas e à dificuldade, entre seus portadores, de manter níveis satisfatórios de autocuidado e
adesão ao tratamento. As doenças cardiovasculares continuam incapacitando e matando
milhares de pessoas, o diabetes e a obesidade tomam dimensões epidêmicas e hábitos
prejudiciais à saúde – como o tabagismo, a dieta rica em calorias e gorduras, e o sedentarismo
continuam como desafios a serem vencidos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003).
As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morbimortalidade na
população brasileira, sendo que a hipertensão arterial e o diabetes mellitus representam dois
dos principais fatores de risco, contribuindo decisivamente para o agravamento deste cenário,
em nível nacional (BRASIL, 2001).
As doenças crônicas figuram como principal causa de mortalidade e incapacidade
no mundo, responsável por 59% dos 56,5 milhões de óbitos anuais. Também chamados de
agravos não-transmissíveis, que incluem doenças cardiovasculares, como diabetes, obesidade,
câncer e doenças respiratórias. Gradativamente, o problema afeta as populações dos países
desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo isso tudo reflexo das grandes mudanças no estilo
de vida, adotado pelas pessoas do mundo inteiro, sobretudo nos hábitos alimentares,
tabagismo e níveis de atividade física (OPAS, 2003).
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2003), cerca de 177
milhões de pessoas sofrem de diabetes no mundo e esse índice deverá dobrar em 2030.
Estima-se que no Brasil, em 2025, possam existir cerca de 11 milhões de diabéticos. Os dados
do estudo multicêntrico sobre prevalência em diabetes revelou o alto desconhecimento da
doença, em que 46,5% dos diagnosticados desconheciam o fato de ser portador de diabetes
(BRASIL, 2001).
O diabetes mellitus (DM) se refere a uma enfermidade metabólica, não
transmissível e de etiologia multifatorial, caracterizada por hiperglicemia resultante de defeito
11
na secreção de insulina, ação da insulina ou ambos. (AMERICAN DIABETES
ASSOCIATION - ADA, 2004).
Após a alteração do critério de diagnóstico de Diabetes mellitus através da
American Diabetes Association (ADA), em 1997, posteriormente aceito pela Organização
Mundial de Saúde (OMS) e pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), foram estabelecidos
os seguintes critérios para o diagnóstico de DM: - Sintomas de poliúria, polidipsia e perda
ponderal acrescidos de glicemia casual acima de 200 mg/dl. Compreende-se por glicemia
casual aquela realizada a qualquer hora do dia, independentemente do horário das refeições;
- Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl. Em caso de pequenas elevações da glicemia,
o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste no outro dia; - Glicemia de 2 horas
pós- sobrecarga de 75g de glicose acima de 200mg/dl.
Existe, ainda, um grupo intermediário de indivíduos em que os níveis de glicemia
não preenchem estes critérios para o diagnóstico de DM, sendo consideradas as categorias de
glicemia de jejum alterada e tolerância à glicose diminuída, e são apresentados: - Glicemia de
jejum alterada ( glicose de jejum acima de 100 mg/dl e abaixo de 126 mg/dl); - Tolerância à
glicose diminuída (quando, após uma sobrecarga de 75 mg/dl de glicose, o valor de glicemia
de 2 horas se situa entre 140 e 199 mg/dl).
É válido salientar que o jejum é definido como a falta de ingestão calórica por no
mínimo 8 horas (SBD, 2007).
Nettina (1999) destaca o processo de enfermagem dentro da assistência ao
paciente diabético com os seguintes diagnósticos de enfermagem: - Alteração da nutrição
(superior às necessidades do organismos) devida à ingesta
superior aos gastos com a
atividade; - Medo da injeção de insulina; - Risco de lesão (hipoglicemia) devido aos efeitos
da insulina e da incapacidade de se alimentar; - Intolerância à atividade devido ao precário
controle da glicemia; - Déficit de conhecimento sobre o uso de hipoglicemiantes orais; Risco de alteração da integridade tecidual devido à diminuição da sensibilidade e da
circulação para as extremidades inferiores; - Deficiência em lidar com a doença crônica e
com o esquema complexo de autotratamento.
12
Para Beebe e O’Donnell (2001 apud SMELTZER e BARE, 2005, p. 1239), os
diabéticos devem ter uma vida de comportamentos especiais autogerenciados e aprender a
equilibrar múltiplos fatores, como a dieta, a atividade física, estresse físico e emocional que
afetam o seu controle pessoal. Devem, ainda, adquirir habilidades de autocuidado diário para
evitarem as flutuações agudas na glicose sangüínea; também devem incorporar no estilo de
vida muitos comportamentos preventivos para evitar complicações do diabetes a longo prazo.
Com o envelhecimento do paciente diabético existem alguns problemas que
podem afetar o tratamento, como o envelhecimento cerebral, redução dos hormônios contraregulatórios (catecolaminas e cortisol), redução do glicogênio hepático, catarata,
enfermidades cardiovasculares e redução do potencial de sobrevida. No entanto, os princípios
básicos do tratamento no paciente idoso (acima de 65 anos de idade), não diferem daqueles
estabelecidos aos indivíduos diabéticos mais jovens, incluindo os critérios no diagnóstico, na
classificação e nas metas de controle metabólico (glicêmico e lipídico) e outros, como a
pressão arterial e a massa corpórea (SBD, 2007).
Uma das preocupações do Ministério da Saúde e medida de controle do Programa
de controle do diabetes é promover a formação e o aperfeiçoamento de profissionais que
atuam na rede de atenção básica, de modo a estimular e aprimorar o desenvolvimento de
ações e atividades de apoio, e realização do auto cuidado pelo portador de diabetes (BRASIL,
2007).
Segundo Schimith et al (2004), o Programa Saúde da Família visa atender o
indivíduo de forma integral e educativa, com um modelo de atenção que pressupõe a saúde
como um direito à cidadania que é expressa em melhores condições de vida. Os grupos
realizados pelo PSF visam também esse direito ao cidadão, proporcionando-lhes mais
condições de sanar suas dúvidas quanto à patologia que são acometidos e como forma de
prevenir-se das demais complicações adversas.
Segundo Smeltzer e Bare (2005), os grupos de apoio propiciam uma oportunidade
para a discussão das estratégias para lidar com o diabetes e seu tratamento e para esclarecer e
verificar as informações com os profissionais de saúde. Esclarecem, ainda, para os usuários e
13
seus familiares a ficarem mais instruídos sobre o diabetes e seu controle, e pode promover a
adesão ao plano de tratamento e ao autocuidado.
Deve ser encorajada a participação frequente dos pacientes diabéticos em grupos
de apoio, pois esta ação ajuda o paciente e a família no enfrentamento das alterações no estilo
de vida que acontecem com o início do diabetes e suas complicações, além de compartilhar
informações e experiências valiosas e aprenderem com os outros. O Ministério da Saúde está
desenvolvendo uma Estratégia de Educação em Saúde para o Auto-Cuidado voltado para o
portador de diabetes e sua família, com a construção de uma rede de tutores e multiplicadores
em âmbitos regional, estadual e local. O objetivo é desencadear metodologia ativa que tenha
impacto na prática de cada profissional e capacitá-lo a executar ações com a finalidade de
desenvolver autonomia para o autocuidado, construção de habilidades e desenvolvimento de
atitudes que conduzam o portador de diabetes à contínua melhoria do controle sobre a doença,
alcançando o progressivo aumento da qualidade de vida e a redução das complicações do
diabetes mellitus (BRASIL, 2007).
Um estudo realizado no Hospital de Ribeirão Preto, em 2000, com o objetivo de
identificar o perfil de diabéticos em um grupo de educação em saúde, enfatiza que o processo
de educação deve acontecer de forma gradativa, contínua, interativa e adequada,
considerando-se as características do educando e através de atendimento individual ou de
grupos. Como a educação para a saúde é uma tarefa que requer conhecimentos, dedicação e
persistência, é da responsabilidade de cada integrante da equipe de saúde cumprir ações de
promoção da saúde (CAZARINI et al., 2002, p. 142).
A educação voltada para o autocuidado em doenças crônicas é denominada
educação terapêutica, por se considerar que possui valor terapêutico adicional ao dos demais
que integram os tratamentos. Assim como em outras patologias crônicas, a educação
terapêutica é recomendada como um dos recursos obrigatórios para a boa assistência às
pessoas com diabetes (WHO, 1998).
Um dos aspectos mais significativos do cuidado de enfermagem, dentro do
contexto de educação em saúde, é o ensino do paciente e da família, porém a enfermeira deve
reconhecer que os pacientes recentemente diagnosticados com condições crônicas graves e
14
suas famílias podem precisar de tempo para captar o significado de suas condições e os efeitos
destas sobre suas vidas ( RIDDER et al, 1997 apud SMELTZER e BARE, 2005, p. 162).
De acordo com Orem (2001), a enfermagem tem como principal preocupação a
necessidade de ações de autocuidado do indivíduo, e o oferecimento e controle disso, de
forma contínua para sustentar a vida e a saúde, recuperar-se de uma doença e compatibilizarse dos seus efeitos.
A idéia da enfermagem do “autocuidado” evoluiu para o conceito de que quando
os indivíduos são capazes, os indivíduos cuidam de si mesmos. Porém, quando a pessoa é
incapaz de proporcionar o autocuidado, então à enfermeira providencia a assistência
necessária (FOSTER e BENNETT, 2000 apud GEORGE, 2000).
Segundo Orem (2001), a teoria do autocuidado constitui a essência da teoria geral
da enfermagem e identifica cinco métodos de ajuda: 1. Agir ou fazer para o outro; 2. Guiar o
outro; 3. Apoiar o outro (física ou psicologicamente); 4. Proporcionar um ambiente que
promova o desenvolvimento pessoal, quanto a tornar-se capaz de satisfazer demandas futuras
ou atuais de ação e 5. Ensinar o outro.
Carpenito (2003) define a síndrome de déficit do autocuidado como o estado em
que o indivíduo apresenta prejuízos na função motora ou cognitiva, causando uma diminuição
na capacidade de desempenhar cada uma das cinco atividades de autocuidado, que são:
alimentação, banho/higiene, uso do vaso sanitário e, vestir-se/arrumar-se. As atividades da
vida diária são aprendidas ao longo do tempo e tornam-se hábitos que duram toda a vida.
Cabe ao enfermeiro investigar o funcionamento em cada uma das quatro áreas e identificar o
nível de participação do qual o indivíduo é capaz.
Nunes (1993) acredita que os déficits de capacidades motivacionais para o
autocuidado devem ser analisadas individualmente, no relacionamento terapêutico
enfermeiro/cliente, pois representam necessidade de intervenção, buscando mudanças em
relação ao autocuidado.
15
Smeltzer e Bare (2005) enfatizam a promoção do cuidado domiciliar e
comunitário, ensinando o autocuidado aos paciente e destacando a adesão ao plano
terapêutico como a meta mais importante do autocuidado que o paciente deve dominar. As
condutas a serem tomadas pelo profissional de enfermagem são valiosas na promoção de
habilidades de controle do autocuidado: 1. Abordar qualquer forma subjacente, como: déficit
de conhecimento,déficit de autocuidado, doença que possam interferir no controle do
diabetes; 2. Simplificar o esquema de tratamento, caso seja de difícil execução pelo paciente;
3. Estabelecer um plano específico ou acordo com o paciente, com metas simples e
mensuráveis; 4. Fornecer o reforço positivo dos comportamentos de autocuidado realizados
em lugar de focalizar os comportamentos que foram negligenciados; 5. Ajudar o paciente a
identificar os fatores de motivação pessoal em lugar de focalizar o desejo do profissional de
saúde e 6. Encorajar o paciente a perseguir metas de vida e interesse em desencorajar um
enfoque indevido sobre o diabetes.
Mais do que repassar informações e induzir determinados comportamentos, o
empoderamento comunitário busca apoiar pessoas e coletivos a realizarem suas próprias
análises para que tomem as decisões que considerem corretas, desenvolvendo a consciência
crítica e a capacidade de intervenção sobre a realidade. Esta categoria corporifica a razão de
ser da Promoção à Saúde enquanto um processo que procura possibilitar que indivíduos e
coletivos aumentem o controle sobre os determinantes da saúde para, desta maneira, terem
uma melhor saúde (WHO, 1998).
16
4 METODOLOGIA
4.1 Cenário e Sujeitos da Intervenção
O município de Beberibe está situado no litoral leste do Ceará, possuindo uma
área geográfica de 1.616 km² e com uma distância de 74 km de Fortaleza. Sua população é de
46.439 habitantes. Possui uma cobertura de 11 Equipes de Saúde da Família (ESF), dentre
elas o distrito de Caetanos, localizado a 12 km da sede do município.
A ESF de Caetanos possui 1.090 famílias distribuídas em 12 microáreas:
Caetanos(sede), Uberaba, Carrapicho, Ponta D’Água1, Ponta D’Água 2, Córrego da Cutia,
Sítio Onofre, Praia das Fontes, Diogo, Córrego do Buriti, Córrego do Cajueiro e Lagoa dos
Teobaldos.
Trata-se de um projeto de intervenção que acontecerá numa Unidade Básica de
Saúde da Família, na sede de Caetanos, localizada no município de Beberibe. Este local foi
escolhido devido a melhores condições de acesso da população à Unidade de Saúde e pelo
espaço físico adequado para as ações de intervenção.
Na Unidade de Saúde da Família referida são cadastrados 60 portadores de
diabetes tipos 1 e 2, distribuídos em 12 microáreas do distrito. No entanto, os participantes da
intervenção serão todos os portadores de diabetes atendidos na Unidade de Saúde de
Caetanos, totalizando 15 diabéticos.
4.2 Procedimentos da Intervenção
17
No primeiro momento, participarão das intervenções um total de quinze
diabéticos, adultos ou idosos, de ambos os sexos, que apresentarem déficit de autocuidado,
pois entende-se que um grupo não pode ser muito grande para não dificultar as estratégias a
serem desenvolvidas e para melhorar o aprendizado de cada participante.
Essas intervenções envolverão entrevista individual durante as consultas de
enfermagem, de acordo com o cronograma de atendimento do grupo de diabéticos e
hipertensos, programado para todas as terças-feiras, no turno da tarde. O instrumento de
registro utilizado na entrevista será o prontuário do paciente e neste terão dados, como:
hábitos alimentares, prática de atividade física, uso de medicamentos, e serão mensurados a
glicemia capilar, pressão arterial, circunferência abdominal, peso e estatura para cálculo do
Índice de Massa Corpórea (IMC).
Após as entrevistas e formação do grupo de portadores de diabetes, serão
agendados encontros onde abordarão assuntos de suma importância para os participantes e o
controle do Diabetes mellitus, sendo as atividades ministradas pela enfermeira da Equipe de
Saúde da Família e uma equipe multiprofissional, visando assim, o interesse dos ouvintes aos
demais profissionais, como: médico do PSF, fisioterapeuta, nutricionista e educador físico.
Cada profissional será responsável por um ou mais assuntos e, pretende-se em cada encontro,
estimular a participação dos diabéticos para identificar suas dúvidas.
Realizar oficinas educativas para grupos de diabéticos significa aumentar a
longevidade desses pacientes, prevenir hospitalizações, diminuindo assim, os gastos em saúde
pública e favorecendo o bem estar destes pacientes.
A periodicidade dos encontros será semanal e cada um terá duração máxima de 60
minutos e os temas a serem abordados serão direcionados ao autocuidado, como: - O
significado de diabetes para o portador da enfermidade; - O uso correto das medidas
preventivas voltadas para o autocuidado referentes a hábitos alimentares, prática de atividade
física, uso de medicamentos, cuidado com a visão e os pés; - Ilustração de pacientes com
seqüelas de DM, através de vídeos; - Atividades lúdicas em ambiente propício à execução de
atividade física. Serão convidados um educador físico e a Equipe Saúde da Família de
Caetanos, como meio de melhorar o estilo de vida.
18
Conhecendo-se a relevância da realização de trabalhos que melhorem a qualidade
de vida e saúde das pessoas com diabetes, a autora desse estudo, após ter efetivado as ações
planejadas, poderá avaliar com exatidão se os seus objetivos serão alcançados e satisfatórios.
No final dos encontros, cada participante será agendado para a consulta de
enfermagem e avaliação das intervenções, de acordo com o cronograma de atendimento.
4.3 Resultados Esperados
Espera-se que o projeto possa trazer contribuições à prática de profissionais de
saúde que se dedicam ao acompanhamento clínico dos portadores de diabetes e, com isto
aumente a adesão de comportamentos referentes ao autocuidado, uma vez que esta clientela é
resistente à adoção de medidas que alterem o seu cotidiano. Pretende-se, ainda, fortalecer e
ampliar o nível de conhecimento do grupo de diabéticos, enfatizando a continuidade desta
intervenção como forma de contribuir para a ampliação de estratégias para a promoção do
autocuidado em diabetes. Destaca-se a educação da pessoa com diabetes, como um aspecto
fundamental do cuidado na obtenção do controle da enfermidade e, assim, prevenir ou
retardar o desencadeamento de complicações agudas e crônicas, ajudando-os na promoção da
qualidade de vida.
4.4 Avaliação da Intervenção
Com o intuito de promover o permanente acompanhamento do Projeto de
Intervenção, da execução das ações, da avaliação dos resultados obtidos e do eventual
redirecionamento ou adequação das estratégias adotadas, será realizada uma avaliação das
intervenções através do prontuário do cliente, a cada semestre. Durante este processo, os
portadores de diabetes serão reavaliados durante a consulta de enfermagem quanto a hábitos
alimentares, uso de medicamentos, prática de atividade física e dados como a mensuração da
glicemia capilar, pressão arterial, circunferência abdominal, peso e altura. Em seguida, os
19
resultados serão analisados pela equipe multiprofissional e posteriormente apresentados ao
gestor de saúde do município para apreciação e/ou sugestões das ações.
5 CRONOGRAMA
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
AÇÕES
2009
Jul
Ago
X
X
Set
Out
Nov
X
X
Dez
E
N
T
R
E
V
- Realizar consulta de
Enfermagem;
I
- Registrar dados
S
antropométricos.
T
A
- Compreender e explicar o
significado de Diabetes para o
portador da enfermidade
X
(Enfermeira do PSF).
- Orientar sobre o autocuidado
E
referente à alimentação
N
saudável (Nutricionista).
C
- Orientar sobre a prática de
O
N
T
atividade física (Educador
X
X
físico).
R
- Orientar sobre o uso de
O
medicamentos (Médica do
S
PSF).
X
- Orientar sobre o autocuidado
referente à visão e pés;
- Apresentar vídeos sobre
seqüelas de Diabetes
(Fisioterapeuta).
A
V
A
- Realizar consulta de
X
X
20
- Mensurar novamente os
L
dados antropométricos e
I
comparar com os valores
A
Ç
anteriores.
Ã
- Reunir a equipe
O
multiprofissional e analisar
os resultados obtidos.
X
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