Não comutatividade no espaçotempo: algumas propostas

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Não comutatividade no espaçotempo:
algumas propostas alternativas
Alysson Fábio Ferrari
III Oficina Nacional de Teoria de Campos!
!
22 a 24 de Novembro de 2013 - Brasília, DF
Histórico
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Já na década de 1940, a NC do espaçotempo surgiu como uma
proposta para regularizar as divergências da TQC. Inicialmente
devida a Heisemberg, a idéia chegou a Snyder que publicou dois
trabalhos sobre o tema.!
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Snyder tomou todo o cuidado de preservar a invariância
relativística: discretização não implica necessariamente em violação de
Lorentz!
Histórico
✤
O programa de renormalização mostrou-se uma abordagem mais
conservadora, e de enorme sucesso na descrição das interações
fundamentais, o que levou até o Modelo Padrão das partículas
elementares.!
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A motivação para modificar a estrutura do espaçotempo em
determinadas escalas foi cada vez mais apoiada no problema da
quantização da gravitação.
Gravitação
“Geometria!
Quantizada”?
Geometria
Relatividade!
Geral
Quantização
Histórico
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A grande questão: qual a estrutura do espaçotempo na escala de
Planck?
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O fato da gravitação ser descrita pela própria geometria torna
difícil conceber que a gravidade possa tornar-se quântica, sem
mudar radicalmente a geometria do espaçotempo. !
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Isso poderia ser concebível na aproximação de campo fraco
(Minkowski + campo de spin 2), mas aí obtemos uma teoria não
renormalizável.
Histórico
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Um vínculo muito forte: a simetria de Lorentz.
(Kostelecky et al, arXiv: 0801:02873).
Histórico
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Na década de 1990, Alain Connes
desenvolve sua geometria não
comutativa.!
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Além do interesse matemático em si
(conceito mais geral de geometria),
uma motivação seria descrever uma
estrutura mais fundamental para o
espaçotempo.!
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Chega a formular (ao menos
classicamente) um modelo padrão não
comutativo.
01
Histórico
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Doplicher, et al (1995): argumentos semiclássicos de gravitação
sugerem a existência de um limite na localização de eventos no
espaçotempo:
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Poderiam ser entendidas como as “relações de incerteza”
oriundas de uma não comutatividade entre coordenadas:
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Simetria de Lorentz é preservada por essa construção.
Histórico
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κ-Poincaré: deformação da álgebra de Poincaré, incluindo um
parâmetro com dimensão de energia κ, tal que o limite κ → ∞
retorna a álgebra de Lorentz usual (Kosinski, Lukierski et al).!
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Está relacionado com um espaçotempo não comutativo,
denominado κ-Minkowski.!
!
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Esta deformação surge da gravitação quântica em (2+1)D (Freidel,
Kowalski-Glikman, Smolin), e pode estar relacionada a existência
da escala invariante de comprimento (Doubly Special Relativity).
NC Canônica
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Seiberg, Witten, Douglas: não
comutatividade na teoria de
cordas.
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Parâmetro de NC é um
tensor constante, que define
direções preferenciais:
Violação da simetria de Lorentz
NC Canônica
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Implementação muito simples via produto Moyal:
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TQC implementada via integral funcional:
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Termos quadráticos (propagadores) não são modificados,
enquanto que vértices são modificados por fatores
trigonométricos (razoavelmente) simples.
NC Canônica
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Ao longo da 1a década deste século, esse formalismo foi
extensivamente estudado, numa série de modelos.!
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Mistura UV/IR: desafio a renormalizabilidade dos modelos bem
conhecidos.!
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Teorias de calibre Abelianas: autointeração mesmo na teoria livre.!
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Teorias de calibre não Abelianas: restrições nos grupos de calibre.!
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Teorias supersimétricas: supersimetria não deformada, ameniza o
problema UV/IR.
Além da NC canônica
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Muitos modelos interessantes estudados, mas…!
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Emboras sempre existam questões em aberto, acredita-se que as
propriedades fundamentais já foram todas elucidadas…!
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O que acontece com a quebra da simetria de Lorentz?!
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De um ponto de vista mais geral, a NC canônica pode ser vista
como uma primeira aproximação para uma situação mais geral:
Não comutatividade de spin
Não comutatividade de spin (NR)
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Falomir, Gamboa et al, 2009: não-comutatividade em MQ não
relativística envolvendo o spin.
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Motivação: um limite NR da álgebra de Snyder.!
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Aplicação: conexão com condensação de Bose-Einstein de
átomos de Cromo.
Não comutatividade de spin (R)
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Gomes, Kupryianov & da Silva (2010): o mesmo tipo de nãocomutatividade é obtida a partir da quantização de um sistema clássico
(Berezin-Marinov)!
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Generalização Relativística:
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Não comutatividade:
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Equação de Dirac:
Não comutatividade de spin (R)
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Envolve apenas objetos covariantes (θ é um escalar), e por isso
essa construção preserva a simetria de Lorentz.
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Nesta construção, o operador x tem uma estrutura não
trivial no espaço de spin. Em, particular, x não é
Hermiteano, mas satisfaz:
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Como interpretar x neste caso?
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Por outro lado: x e γ não-comutam, então temos um problema de
ordenamento no termo γ A(x).!
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Única possibilidade consistente: ordenamento simétrico,
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Em termos do “produto” estrela:
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✤
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Explicitamente:
Derivadas temporais de altas ordens! Será possível definir uma
dinâmica Hamiltoniana unitária?
Primeiro resultado: podemos definir uma corrente elétrica ( ∼
densidade de probabilidade do elétron) conservada nesta teoria.
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Isso é fácil de ver em primeira ordem em θ. !
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A equação de Dirac proposta é derivada da seguinte ação:
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Em O(θ), não há derivadas superiores, e o teorema de Noether
pode ser aplicado diretamente.
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Com um pouco de trabalho algébrico, contudo, é possível provar
a existência da corrente conservada em qualquer ordem de θ.
A corrente conservada depende do potencial elétrico.
(Vassilevich et al, 2011)
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Por fim: conseguimos definir uma dinâmica Hamiltoniana
consistente?
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Caso particular, Problema de Landau: A = ( 0, 0, Bx , 0)
Só sobra um termo
com uma!
derivada, de !
ordem θ
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Hamiltoniana Hermiteana:
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Teoria de Perturbação usual para calcular correções no espectro
de energia:!
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Primeira ordem em θ: δE = 0.!
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Segunda ordem em θ: resultados não-triviais, quebra parcial
da degenerescência.!
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Várias questões que não sabemos responder em geral, mas ao
menos neste caso simples, tudo parece consistente. AFF et al., PLB 718 (2013) 1475.!
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Potenciais mais gerais? É possível definir uma TQC neste
formalismo?
NC de spin: potencial de Coulomb
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Com A. Manzoni, estamos estudando agora o problema de
Coulomb.
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A equação de Dirac contem correções em todas as ordens de θ, e
o que conseguimos fazer é truncar a série em 1a ordem:
NC de spin: potencial de Coulomb
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Modificação da Hamiltoniana em 1a ordem:
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Hamiltoniana Hermiteana, correções no espectro já em 1a ordem,
também levanta parcialmente a degenerescência.!
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Em primeira ordem de θ tudo parece OK, mas o que podemos
dizer em geral? Under progress…
Simetria de Lorentz
Torcida
01
Simetria de Lorentz Torcida
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Chaichian, Balachandram (~2005): é possível “conciliar” de
alguma forma a NC canônica com a simetria de Lorentz, usandose a linguagem de álgebras de Hopf, em particular, usando a
ferramenta chamada de torção de Drinfeld (Drinfeld twist).!
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Possíveis consequências fenomenológicas: violações do princípio
de Pauli? !
!
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Trivialidade?
Dualidade: álgebras e coálgebras
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Álgebras são bem conhecidas dos físicos, pois são fundamentais
para entender os grupos contínuos que representam simetrias
fundamentais em física.!
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O conceito de dualidade também é bem conhecido de qualquer
estudante de MQ: dualidade entre o espaço de bras e de kets.!
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Dualidade para um espaço vetorial é razoavelmente simples.
Para uma álgebra é um pouco mais complicado.
Dualidade: álgebras e coálgebras
Álgebra: operação fundamental!
é o produto: !
Associatividade
Coálgebra: operação fundamental!
é o coproduto: ∆
Coassociatividade
Dualidade: álgebras e coálgebras
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Do ponto de vista físico, a Álgebra é usualmente representada como
operadores atuando num certo espaço de estados. Neste caso, o
coproduto ensina como a Álgebra opera em estados de muitas
partículas.!
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Por exemplo, o coproduto “usual” para o operador momento
implica simplesmente na regra de Leibnitz.
Não comutatividade como “Twist”
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O produto Moyal pode ser entendido como um produto
deformado por uma torção de Drinfeld
Torção de Drinfeld
Não comutatividade como “Twist”
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Correspondentemente, deve ser feita uma mudança no coproduto,
que também é deformado.!
!
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Ou seja, a regra de Leibnitz é modificada.
Supersimetria torcida
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A NC canônica foi incorporada a teorias supersimétricas de
forma a deixar intocada a estrutura da supersimetria, mas
queremos estudar situações mais gerais. !
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Com C. Palechor, estamos estudando a aplicação das torções de
Drinfeld para teorias supersimétricas.!
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Em quatro dimensões espaçotemporais, há várias torções
possíveis, que definem espaços não anticomutativos, ou seja,
deformações não triviais da supersimetria devido a não
comutatividade do (super)espaço.
Supersimetria torcida
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O caso de quatro dimensões é difícil por causa da noção de
quiralidade.!
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Por exemplo: SUSY N=1/2 de Seiberg et al:!
!
!
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Em três dimensões, a situação é mais simples pois não temos a
noção de quiralidade, e as supercoordenadas são reais.
SUSY deformada em 3D
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AFF et al, PRD 74 (125016) 2006: várias propostas para SUSY N=1 com
deformação, em 3D. !
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A questão é: como introduzir a deformação nas coordenadas fermiônicas,
sem destruir a supersimetria?!
!
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Queremos manter a álgebra dos geradores que caracteriza SUSY.!
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A saída foi começar com N=2, introduzindo a deformação em um
conjunto de coordenadas fermiônicas. A teoria resultante possui SUSY
N=1 e “lembra" de alguma forma a simetria que foi quebrada.
SUSY deformada em 3D
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Outra saída: geradores deformados.!
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Geradores não são operadores de 1a ordem: não respeitam Leibnitz
⇒ coproduto deformado.!
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O cálculo de superdiagramas, se possível, deverá ser bastante
complicado por este fato.!
✤
Estamos estudando a conexão deste fato com o formalismo de
torção. Under progress…
Obrigado!
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