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Anais
VI CIETA
ISBN: 978-85-7506-231-9
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VI CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE ESTUDOS TERRITORIAIS E AMBIENTAIS
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), SÃO PAULO
8 A 12 DE SETEMBRO DE 2014.
Organização
Comissão Organizadora
Comissão Científica
Mónica Arroyo (Presidente)
Aldo Dantas da Silva (UFRN)
Emerson Galvani (Presidente)
Antônio Carlos Colângelo (USP)
Alfredo Pereira de Queiroz Filho
Ailton Luchiari (USP)
Bianca Carvalho Vieira
Amélia Luisa Damiani (USP)
Fabio Betioli Contel
Ana Fani Alessandri Carlos (USP)
Manoel Fernandes de Souza Neto
André Roberto Martin (USP)
Antônio Carlos Robert Moraes (USP)
Comissão de Apoio
Aline Oliveira Silva
André Pasti
Igor Venceslau
Luciana da Costa Feitosa
Melissa Steda
Patrícia Maria de Jesus
Paula Borin
Rodolfo Finatti
Victor Zuliani Iamonti
Wagner Nabarro
Cleide Rodrigues (USP)
Eliseu Savério Sposito (UNESP)
Ermínio Fernandes (UFRN)
João Batista Pereira Cabral (UFG)
João Lima Sant´Anna (UNESP)
José Borzacchiello da Silva (UFC)
Jurandyr Sanches Ross (USP)
Leila Christina Dias (UFSC)
Leonardo Cordeiro Santos (UFPR)
Lia Osória Machado (UFRJ)
Lígia Vizeu Barrozo (USP)
Lisandra Pereira Lamoso (UFGD)
Luis Alberto Basso (UFRGS)
Secretaria
Ana Elisa Rodrigues Pereira
Clenes Louzeiro
Rogério Rozolen Alves
Luis Antônio Bittar Venturi (USP)
Marcio Cataia (UNICAMP)
Marta Inez Medeiro Marques (USP)
Nelson Fernandes Ferreira (UFRJ)
Olga Lúcia C. Firkowski (UFPR)
Reinaldo Perez Machado (USP)
Rita de Cássia Ariza da Cruz (USP)
Rogério Haesbaert (UFF)
Saint Clair C. da Trinidade Jr. (UFPA)
Sandra Lencioni (USP)
Sueli Ângelo Furlan (USP)
Wagner Costa Ribeiro (USP)
Wanderley Messias da Costa (USP)
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GEOPROCESSAMENTO APLICADO AO
MAPEAMENTO DAS FORMAS DE USO E
OCUPAÇÃO DA TERRA NO MUNICÍPIO DE
ITAREMA, CEARÁ
Valeska Lima Soares
Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará
[email protected]
Cleyber Nascimento de Medeiros
Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará
[email protected]
Emanuel Lindemberg Silva Albuquerque
Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará e Programa de Pós-Graduação em
Geografia da Universidade Estadual do Ceará
[email protected]
INTRODUÇÃO
Desde a última década do século XX, o campo de ação da pesquisa geográfica
vem sendo influenciada por novos paradigmas do mundo moderno, sobretudo, quando
atrelado ao uso das geotecnologias. Esse novo instrumental vem retratando, de forma
marcante, as reais potencialidades no que concerne ao mapeamento das formas de uso e
ocupação
da
terra,
na
perspectiva
de
subsidiar
o
planejamento
ambiental
na
contemporaneidade.
A rigor, com menciona Albuquerque (2012), quando o processo de uso e
ocupação da terra é realizado de forma inadequada, ocasiona uma ação significativa de
reestruturação da paisagem, como, por exemplo, nas condições de erosão dos solos,
poluição/contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas, desmatamentos
indiscriminados, assoreamento dos canais fluviais, aumento do desconforto térmico, entre
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outras variáveis inerentes às questões socioambientais vivenciadas in loco.
Nesse sentido, o levantamento do processo de uso e ocupação da terra é
imprescindível para analisar a forma pela qual determinado espaço está sendo ocupado,
podendo este servir para planejadores e legisladores, pois ao verificar a utilização do solo
em determinada área, pode-se elaborar uma melhor política de uso da terra para o
desenvolvimento da região (PRUDENTE; ROSA, 2007).
Dessa
forma,
o
processo
de
ocupação
do
território,
apontado
por
condicionantes naturais e sociais, e as suas consequências sobre os sistemas ambientais,
causam efeitos no ambiente que precisam ser compreendidos de forma integrada, tendo
em vista que as ações acontecem em lugares específicos e os problemas a serem resolvidos
encontram-se num espaço definido, ou seja, presente no tempo e no espaço (MEDEIROS,
2004).
Com isso, as geotecnologias, por meio das técnicas de geoprocessamento e
sensoriamento remoto, podem auxiliar no planejamento e no controle ambiental. Decisões
estratégicas exigem uma grande quantidade de informações que podem ser analisadas com
o uso destas ferramentas, tais como: o uso do solo e a influência do relevo, do clima e da
hidrografia nas características físicas e ocupacionais de uma dada região.
Neste contexto, a utilização das geotecnologias vêm se tornando uma alternativa
viável e confiável nas metodologias de aquisição de dados e classificação do uso do solo,
reduzindo consideravelmente as deficiências relativas ao cumprimento das normas
ambientais e jurídicas (NASCIMENTO et al., 2005).
Destaca-se que o conceito de geoprocessamento pode ser descrito como um
conjunto de técnicas matemáticas e ferramentas computacionais capazes de operar sobre
uma informação ou dado que tenha expressão espacial. É definido por Xavier-da-Silva (2001)
como uma tecnologia computacional integrada que opera sobre bases de dados, ou seja,
possui capacidade para integrar os elementos georreferenciados e transformá-los em
informação, que é o acréscimo de conhecimento ao dado bruto com uma determinada
finalidade.
Nessa mesma perspectiva, parafraseando Rosa (2009), o sensoriamento remoto
e os sistemas de informações geográficas são instrumentos poderosos no levantamento,
mapeamento e monitoramento dos recursos naturais, apresentando-se como um subsídio
que se mostra exitoso no desenvolvimento de ações que visam o planejamento ambiental.
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Destarte, a pesquisa tem o intuito de mapear as classes do uso e ocupação da
terra do município de Itarema, Estado do Ceará, de acordo com as classes propostas pelo
Manual Técnico de Uso da Terra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,
2013). Foram mapeadas 8 tipologias de uso e ocupação da terra no município, a saber:
Áreas descobertas (campo de dunas, áreas desmatadas), Área urbana, Culturas
permanentes diversificadas (agricultura e agroextrativismo), Corpos d’água, Carcinicultura,
Caatinga arbustiva, Mata ciliar e Extrativismo animal em área florestal (mangue).
A partir desse mapeamento, busca-se auxiliar as ações de gestão e
planejamento ambiental por meio da análise dos tipos de uso e ocupação da terra, com o
intuito de fornecer subsídios à elaboração de propostas concretas ao manejo ambiental no
município de Itarema.
LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GEOAMBIENTAL DA ÁREA DE ESTUDO
A área em estudo compreende o município de Itarema, Estado do Ceará. O
município está localizado na região litorânea norte (Litoral Oeste) e tem como coordenadas
geográficas a latitude 2º55’13’’(S) e a longitude de 39º54’54”(W). Com uma área de 720,7km²,
equivale a 0,5% do território estadual (Figura 1).
Possui uma altitude média de 20 metros em relação ao nível do mar, limita-se ao
norte com o Oceano Atlântico e o município de Acaraú; ao sul com os municípios de Acaraú
e Amontada; à leste com o município de Amontada e Oceano Atlântico; e à oeste com o
município de Acaraú. Encontra-se distante cerca de 220 km de Fortaleza e o acesso ao
município pode ser feito pelas seguintes rodovias: CE 434/354, CE 085, BR 402 e BR 222.
Possui uma população de 37.471 habitantes, conforme o último censo demográfico (IBGE,
2010).
De acordo com o IPECE (2013), Itarema está inserida na Mesorregião Geográfica
do Noroeste Cearense, junto aos municípios de Acaraú, Barroquinha, Bela Cruz, Camocim,
Chaval, Cruz, Granja, Jijoca de Jericoacoara, Marco, Martinópole e Morrinhos, e também faz
parte da Microrregião Geográfica do litoral de Camocim e Acaraú. Encontra-se na
Macrorregião de Planejamento Litoral Oeste – Região Administrativa 03, juntamente com os
municípios de: Acaraú, Bela Cruz, Cruz, Jijoca de Jericoacoara, Marco e Morrinhos e está
associado à Associação dos Municípios do Baixo Acaraú (AMBA), onde estão todos os
municípios mencionados.
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Figura 1. Mapa de localização do município de Itarema, estado do Ceará.
Fonte: Adaptado de IPECE (2013).
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O município de Itarema é caracterizado, do ponto de vista geoambiental, pela
faixa de tabuleiros pré-litorâneos, que é a paisagem predominante no município. Em direção
à costa, destaca-se a presença do campo de dunas móveis/fixas e a planície flúvio-marinha,
ao sul, as formas suaves da Depressão Sertaneja, com altitudes abaixo dos 100 metros. No
que diz respeito ao relevo, Itarema apresenta uma superfície aplainada, com a presença de
interflúvios típica dos ambientes de tabuleiro. Sua cota altimétrica é em média de 20 metros,
chegando a 50 metros em algumas regiões mais ao Sul (SOUZA, 2000).
A geologia do município em epígrafe está representada pelas seguintes unidades
litológicas: areias (na porção litorânea); arenitos e conglomerados na quase totalidade do
território; argilas, areias argilosas e cascalhos nas margens do Rio Aracatimirim; e
Paragnaisses, Ortognaisses, Metabásicas e metacalcários na porção do extremo sul. Os
sedimentos de praia ocupam toda a faixa costeira, com larguras muito variáveis.
Compõem-se de areias quartzosas médias e grosseiras, sem qualquer consolidação. Os
trabalhos de deflação e acumulação eólica são responsáveis pelo desenvolvimento dos
cordões de dunas (CPRM, 1998).
O clima em Itarema, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e
Recursos Hídricos (FUNCEME, 2013), é caracterizado por dois tipos climáticos: Tropical
quente semi-árido brando nas porções central e norte e Tropical quente semi-árido na
porção sul. Verifica-se que o clima regional apresenta uma variação de temperatura muito
baixa durante o ano todo, com valores médios estimados, entre mínimas de 26ºC e máximas
de 28ºC, com totais pluviométricas anuais em torno de 1.139,7 mm.
Os tipos de associação de solos encontrados no município são os seguintes,
segundo a taxonomia proposta pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA,
1999): Areias Quartzosas Marinhas, Argissolos Vermelho-Amarelos Distróficos, Neossolos
Quartzarênicos Distróficos, Neossolos Flúvicos.
Destaca-se que Itarema pertence à região hidrográfica do litoral, e tem como
principais cursos d’água os rios Aracatimirim e Aracatiaçu, e os córregos Grande, da Volta e
Mineiro. De forma específica, o município é banhado pela Bacia Hidrográfica do
Aracatimirim, que abrange 100% da área territorial do município. Esta bacia hidrográfica
ocupa 1.672 km² de área e apresenta volume médio anual de 142.854,400m³ disponível de
escoamento (COGERH, 2013).
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METODOLOGIA
A fundamentação teórico-metodológica baseou-se na abordagem sistêmica
dirigida ao estudo da paisagem, partindo dos preceitos de Souza (2000). O conceito de
paisagem em uma abordagem sistêmica procura relacionar os fatores bióticos e abióticos
num processo dinâmico entre si. Logo, para compreender a paisagem é necessário entender
o processo interativo dos fatores que modelam o meio, onde a ação humana atua
intensificando o processo de construção e de desconstrução da paisagem.
Dentro dessa analise, a paisagem pode ser conceituada, em determinada
amostra do espaço, como “o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de
elementos físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros,
fazem da paisagem um conjunto único e indissociável em perpétua evolução” (BERTRAND,
1972, p. 141).
Nesta perspectiva integrativa, salienta-se que a ação humana destaca-se entre
os processos atuantes no ambiente. De acordo com Casseti (1995), o homem se apropria da
natureza e a transforma, com isso pode trazer alterações significativas na exploração
biológica, gerando gradativamente modificações no potencial ecológico. Tem-se assim a
sociedade como um elemento produtor e modificador da paisagem, trazendo disparidades
ao meio natural, ou seja, ocasionando tensores para a degradação ambiental.
Neste contexto, a pesquisa propõe o mapeamento do uso e ocupação da terra
do município de Itarema, na perspectiva de analisar as formas de apropriação da terra que
acarretam modificações impressas na paisagem.
Para tanto, foram utilizadas técnicas de geoprocessamento, pois esta vem se
mostrando uma ferramenta capaz de realizar procedimentos técnicos e operacionais
aplicados ao estudo do uso e ocupação da terra.
Dessa maneira, as técnicas de geoprocesamento e sensoriamento remoto
constituem hoje um conjunto de ferramentas aplicáveis para obtenção de dados a serem
utilizados no planejamento e mapeamento, tanto em níveis regionais quanto em níveis
municipais. Para Nascimento (2006), a funcionalidade e eficácia desses procedimentos,
integrada às informações produzidas pelas imagens de satélite, sobretudo as de alta
resolução espacial, podem produzir diagnósticos e fortalecer as ações ambientais de
monitoramento, como suporte para os instrumentos jurídicos de controle e fiscalização
desses ambientes.
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A primeira ação realizada para a construção da base de dados georreferenciadas
foi à delimitação do município de Itarema, Estado do Ceará, onde foram obtidos os arquivos
shapefiles (.shp) do IBGE/IPECE. Para a realização da pesquisa e confecção dos planos de
informação foram utilizados os arquivos digitais: shapefile (.shp) dos rios e riachos e dos
açudes do Ceará na escala de 1:100.000 (COGERH) e Imagem multiespectral do satélite
Landsat8-TM,
procedendo ao mapeamento na escala de 1:50.000 no software SPRING
5.1.8®, no qual se realizou a confecção das composições coloridas em RGB (Red, Green,
Blue) com diferentes combinações de bandas espectrais. Posteriormente, os dados foram
exportadas para o ArcGIS 9.3®. Salienta-se que todo o projeto encontra-se referenciado ao
sistema de projeção Universal Transversa de Mercator (UTM) e emprega o Datum SIRGAS2000.
Com relação ao software ArcGIS 9.3®, utilizou-se a licença registrada do Instituto de Pesquisa
e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE).
Com as composições coloridas, foi possível escolher o melhor modo para fazer a
análise interpretativa da região estudada, exibindo assim diferentes cores, para diferentes
comportamentos espectrais na imagem. A composição utilizada para a obtenção do
resultado foi a R4 G3 B2, tendo em vista que essa demonstrou ser a mais adequada para o
estudo.
O procedimento metodológico (Figura 2) para se chegar ao resultado final do
mapeamento, seguiu-se as seguintes etapas: aquisição da imagem orbital, criação do banco
de dados, tratamento matricial, classificação da imagem, validação das informações em
campo e confecção do mapa de uso e ocupação da terra.
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Figura 2. Fluxograma metodológico do mapeamento das formas de uso e ocupação da terra no
município de Itarema, estado do Ceará.
Fonte: Elaboração dos autores (2014).
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Corrobora-se que o método de segmentação (NASCIMENTO, 1997) permite que
uma imagem seja subdividida em partes constituintes ou regiões, a partir de propriedades
dos pixels, tais como nível de cinza e textura. Florenzano (2011) descreve que as técnicas de
classificação das imagens digitais visam ao reconhecimento automático de objetos, em
função de determinado critério de decisão.
Para a classificação, foi utilizado como princípios norteadores as tipologias
utilizadas pelo IBGE (2013), em seu manual técnico de uso da terra. Desse modo, foram
selecionadas 8 (oito) tipologias que mais se adequavam ao município de Itarema, na qual
podemos citar: Áreas descobertas (campo de dunas, áreas desmatadas), Área urbana,
Culturas permanentes diversificadas (agricultura e agroextrativismo), Corpos d’água,
Carcinicultura, Caatinga arbustiva, Mata ciliar e Extrativismo animal em área florestal
(mangue).
USO E OCUPAÇÃO DA TERRA: MUNICÍPIO DE ITAREMA, ESTADO DO
CEARÁ
O uso e ocupação da terra no município de Itarema, em síntese, é caracterizado
economicamente pela cultura de subsistência de feijão, milho e mandioca, além da
monocultura de algodão, cana-de-açúcar, castanha de caju e frutas diversas, com destaque
para o coco. A pesca industrial é praticada na faixa costeira. Na pecuária extensiva
destaca-se a criação de bovinos, criação de ovinos, suínos e aves. O extrativismo vegetal
sobressai com a extração de madeiras diversas, além das atividades extrativistas com a
oiticica e a carnaúba.
As principais formas de uso e ocupação da terra, para Oliveira (2011) são: áreas
residenciais, pesca artesanal, plantação de coqueiros, áreas destinadas à agropecuária
(principalmente agricultura de subsistência e pecuária extensiva), carcinicultura e antigas
salinas e, a partir de 2009, deu-se a instalação de usinas de energia eólica na região.
De posse dos dados bibliográficos e geocartográficos, procedeu-se ao
mapeamento do processo de uso e ocupação da terra do município de Itarema. Na
perspectiva de validar as informações processadas digitalmente, procedeu-se ao
reconhecimento da verdade terrestre, tendo em vista que o trabalho de campo é
imprescindível nos estudos geográficos.
Os resultados obtidos foram cartografados a partir da análise de imagens
orbitais e foram escolhidas 8 (oito) tipologias de uso e ocupação, a saber: Áreas descobertas
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(campo de dunas, áreas desmatadas), Área urbana, Culturas permanentes diversificadas
(agricultura e agroextrativismo), Corpos d’água, Carcinicultura, Caatinga arbustiva, Mata
ciliar e Extrativismo animal em área florestal (mangue).
Diante do trabalho realizado, podem-se constatar as diferentes tipologias das
formas do uso e ocupação da terra no município de Itarema (Figura 3), com destaque para
as culturas permanentes diversificadas (agricultura e o agroextrativismo).
Figura 3. Mapa das formas de uso e ocupação da terra no município de Itarema, Ceará.
Ainda de acordo com o mapeamento, chegam-se as seguintes análises e
reflexões: as áreas descobertas que incluem os campos de dunas e áreas desmatadas
somam uma parcela considerável nessa classificação; campo de dunas é uma das melhores
maneiras de identificar a planície litorânea, no município em estudo (SILVA et al., 2002),
sendo uma paisagem que existem em demasia.
Por outro lado, predomina no campo de dunas uma intensa especulação por
parte da população mais abastada do município e por empresários nacionais e
internacionais. Em Itarema, os estabelecimentos da rede hoteleira e/ou de segunda
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residência (Figura 4) são uns dos grandes responsáveis, por conta da beleza cênica do lugar,
em contribuir com o processo de degradação ambiental local.
Figura 4. Construções na faixa litorânea.
Fonte: autores, 2013.
Com base no mapeamento realizado, merece destaque a tipologia intitulada
Culturas permanentes diversificadas (agricultura e agroextrativismo). Segundo o Plano
Diretor do município de Itarema, tem-se na cultura do coco (Figura 5) um expoente da
economia, pois além do consumo por parte dos moradores, esse coco é vendido para
empresas locais como a Ducoco e Ecoco.
Figura 5. Cultivo de coco, Itarema, Ceará.
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Fonte: autores, 2013.
A agricultura (Figura 6) é outra forma do uso e ocupação constatada na pesquisa.
São expressas por cultivos de hortaliças e plantas frutíferas, em sua maioria para
subsistência. Tal prática, além da descaracterização da paisagem, acarreta também uma
série de implicações ambientais quando realizada de forma inadequada, tais como a
utilização de produtos químicos para aumentar a produtividade e/ou eliminar pragas e
doenças nas plantações. Atrelado a esse problema, encontra-se o desmatamento
indiscriminado
da
vegetação
nativa
para
expansão
dos
campos
cultiváveis
e,
consequentemente, a contaminação do solo e dos corpos hídricos pelos agrotóxicos.
Figura 6. Agricultura de subsistência em Itarema, Ceará.
Fonte: autores, 2013.
Quanto ao uso e ocupação da terra, a maioria dos proprietários rurais é
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categorizada como pequenos proprietários, tendo em vista que possuem pequena parte das
terras (minifúndio). Vale salientar que nos últimos anos, o pequeno grupo dos latifundiários
ligados à produção de coco, bem como a produção de cultivos diversificados, está utilizando
técnicas mais inovadoras com o intuito de melhorar a produtividade, porém sem nenhuma
preocupação com o manejo adequado do solo e dos recursos hídricos.
Outra tipologia que merece destaque é a carcinicultura (Figura 7). Hoje o cultivo
do camarão em cativeiro é um dos setores, depois do cultivo do coco, que mais prospera no
município. Não obstante, o cultivo do camarão tem provocado impactos e prejuízos, como
poluição das águas, pois os viveiros jogam seus dejetos nos canais de marés e chegam ao
mar através das planícies flúvio-marinha. A reboque da expansão da carcinicultura está o
desmatamento dos manguezais, devendo esta atividade ser fiscalizada e monitorada pelos
órgãos ambientais.
A pesca industrializada de peixes e lagosta também tem gerado vários danos ao
meio ambiente, devido à forma predatória como é realizada, sobretudo no período de
defeso. A atividade pesqueira é feita de maneira artesanal, sendo comum o emprego de
embarcações movidas a remo e a vela, com o uso de caçoeira, tarrafa, linha de mão e canoa,
sendo que os artefatos de pesca, os tipos de embarcações utilizadas e a forma de
armazenamento do pescado, são os fatores determinantes que confirmam a prática da
pesca artesanal no litoral, que não deixa de ser ilegal quando praticada em
desconformidade com a legislação ambiental pertinente.
Figura 7. Carcinicultura em Itarema, Ceará.
Fonte: autores, 2013.
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Quanto à expansão urbana, esta retrata a ocupação desordenada em áreas de
risco, como nas planícies flúvio-marinhas e fluviais, o que ocasiona o desequilíbrio ambiental
e riscos a salubridade da população. Nos setores mais distantes da área urbanizada, nota-se
uma planície flúvio-marinha mais conservada, como pode ser visualizada na Figura 8.
Figura 8. Planície flúvio-marinha num trecho preservado.
Fonte: autores, 2013.
Neste contexto, vale mencionar, conforme Medeiros (2014), que por meio do
levantamento do uso e cobertura da terra pode-se identificar e monitorar as atividades
(usos preponderantes) inadequadas e conflitivas da região, auxiliando no planejamento
territorial, na elaboração de projetos setoriais de uso do solo, na localização de atividades
diversas e nos zoneamentos em geral.
De acordo com IBGE (2003), este tipo de mapeamento contribui para o acervo
de conhecimento sobre determinada área e aliado aos mapeamentos geológicos,
geomorfológicos e pedológicos pode indicar o nível de vulnerabilidade ambiental de uma
região, fornecendo assim subsídios para avaliações dos impactos ambientais em diversos
níveis de intensidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do mapeamento realizado, percebe-se que o processo de uso e ocupação
da terra pressupõe o entendimento do complexo jogo de relações entre os sistemas
naturais e socioeconômicos, amparando-se na moderna concepção da sustentabilidade do
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desenvolvimento, buscando-se no planejamento ambiental uma das dimensões de maior
relevância na Geografia.
Dentre as tipologias de uso e ocupação mapeadas para o município de Itarema
(Áreas descobertas (campo de dunas, áreas desmatadas), Área urbana, Culturas
permanentes diversificadas (agricultura e agroextrativismo), Corpos d’água, Carcinicultura,
Caatinga arbustiva, Mata ciliar e Extrativismo animal em área florestal (mangue)), todas as
tipologias merecem uma atenção especial, tendo em vista as suas particularidades
(potencialidades e limitações) ambientais frente aos mais diversos processos de uso e
ocupação da terra.
A partir das análises realizadas, pode-se constatar a necessidade urgente da
elaboração de um plano de monitoramento para a região por parte dos órgãos
competentes (Municipal, Estadual e Federal), tendo em vista a dinamicidade dos processos
naturais e humanos que se processam na zona costeira cearense.
Diante do cenário atual, é fundamental a incorporação dos princípios da
preservação e da conservação dos recursos naturais. Com isso, almeja-se trabalhar e
compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a preservação da qualidade do meio
ambiente e do equilíbrio ecológico, imbricando as diversas variáveis ambientais e sociais, a
partir da inter-relação entre a sociedade e a natureza.
Dessa
forma,
as
modificações
impressas
no
município
acarretam
transformações na paisagem que comprometem a qualidade ambiental. Assim, faz-se
necessário um conjunto de ações integradas que visem sistematizar e implementar o
planejamento ambiental, visando atenuar e mitigar o intenso processo de uso e ocupação
da terra, antes que os processos degradacionais tornem-se irreversíveis.
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, E. L. S. Análise geoambiental
como subsídio ao ordenamento territorial
do município de Horizonte - Ceará.
Dissertação de Mestrado. Programa de
Pós-Graduação em Geografia. UECE. Fortaleza
- CE. 131 p. 2012.
CASSETI, V. Ambiente e Apropriação do Relevo.
São Paulo: Contexto, 2ª ed. 1995.
COGERH. Companhia de Gestão dos Recursos
Hídricos. Recursos Hídricos. 2013. Disponível
em: http://portal.cogerh.com.br. Acesso em: 20
de maio de 2014.
BERTRAND, G. Paisagem e Geografia Física global Esboço Metodológico 13. Caderno de Ciências
da Terra. São Paulo, Instituto de Geografia,
USP, 1972.
CPRM. Serviço Geológico do Brasil. Atlas digital dos
recursos hídricos subterrâneos do estado do
Ceará. Diagnostico do município de Itarema.
Fortaleza, 1998.
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ISBN: 978-85-7506-232-6
EMBRAPA.
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária.
Sistema
brasileiro
de
classificação de solos. Brasília. Rio de Janeiro:
Embrapa Solos, 1999.
FLORENZANO, T. G. Iniciação em Sensoriamento
Remoto. São Paulo: Oficina, 2011.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Sinopse do Censo 2010. Rio de Janeiro, 2010.
Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Sinopse/Agregados_
por_Setores_Censitarios/>.
Acesso
em:
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GEOPROCESSAMENTO APLICADO AO MAPEAMENTO DAS FORMAS
DE USO E OCUPAÇÃO DA TERRA NO MUNICÍPIO DE ITAREMA, CEARÁ
EIXO 6 – Representações cartográficas e geotecnologias nos estudos territoriais e ambientais
RESUMO
As formas inadequadas de uso e ocupação do espaço geográfico têm provocado sucessivos e
inúmeros problemas ambientais, que geram intensa degradação ao meio ambiente, como por
exemplo: contaminação do solo e da água, poluição do ar, perda da capacidade produtiva dos
solos, erosão, entre outros. Nesse sentido, surge a necessidade de estudos que abordem as
formas de apropriação destes espaços no sentido de disciplinar as atividades prejudiciais ao meio
ambiente, e ao mesmo tempo promover formas adequadas de utilização dos espaços em
concordância com as suas capacidades de suporte. Nesta perspectiva, objetiva-se neste estudo
analisar e mapear os tipos de uso e ocupação da terra existente no município de Itarema, Estado
do Ceará. A área em análise está localizada na região litorânea oeste do Ceará, com uma porção
territorial aproximada de 720,7 Km². A pesquisa foi desenvolvida com base sistêmica, por meio da
análise integrada, contemplando a avaliação das modificações impressas na paisagem a partir das
técnicas de geoprocessamento e dos produtos de sensoriamento remoto. Para a elaboração do
mapa de uso e ocupação da terra foram utilizadas imagens do satélite Landsat 8-TM do ano de
2013, que foram tratadas por meio de técnicas de processamento digital de imagens, gerando o
mapeamento na escala 1:50.000. Foram mapeadas 8 tipologias de uso e ocupação da terra no
município, a saber: Áreas descobertas (campo de dunas, áreas desmatadas), Área urbana, Culturas
permanentes diversificadas (agricultura e agroextrativismo), Corpos d’água, Carcinicultura,
Caatinga arbustiva, Mata ciliar e Extrativismo animal em área florestal (mangue). Diante deste
mapeamento, constatam-se diferentes tipos de uso e ocupação da terra no município de Itarema,
os quais podem contribuir para a degradação ambiental, tendo em vista que predomina a tipologia
Culturas permanentes diversificadas (agricultura e agroextrativismo). Desse modo, sugere-se à
implementação de um plano de monitoramento na região, na perspectiva de subsidiar os estudos
territoriais e ambientais ao nível municipal.
Palavras-chave: geotecnologias; uso e ocupação da terra; Itarema.
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