avaliação do conhecimento sobre a doença celíaca em

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AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A DOENÇA
CELÍACA EM UNIVERSITÁRIOS DO VALE DO
ARAGUAIA.1
Prof. Esp.Paulo C.L. Guimarães2
Romayne P. França3
Cristiane C.P.Hara4
Rosa M. Jacinto Volpato5
Profa.Silvia H.B.Ratto6
Prof. Dr. Carlos K. B.Ferrari7
Profa. Dra. Adenilda C.Honório França8
Profa. Dra. Paula C.S. Souto109
Prof. Dr. Eduardo L. França
RESUMO
A enteropatia sensível ao glúten mais conhecida como Doença Celíaca (DC) é uma doença que compromete o
trato gastrointestinal. É caracterizada por uma lesão inflamatória crônica da mucosa do intestino delgado. O
objetivo deste trabalho foi avaliar o conhecimento dos universitários do Campus Universitário do Araguaia da
Universidade Federal de Mato Grosso sobre a doença celíaca. Foram aplicados 210 questionários para os
universitários das áreas de Exatas, Biológicas e Saúde e Humanas. A faixa de idade predominante foi de 16 a
20 anos, e o gênero foi o feminino. O nível de conhecimento dos concluintes dos cursos foi maior em relação
aos ingressantes, exceto para a área de Humanas. Na área de Exatas (6,25%), Biológicas e Saúde (16,85%),
dos estudantes reconhecem o principal órgão afetado pela doença, enquanto, na Humanas (2,4%), acreditam
ser o estômago. Todas as áreas que disseram conhecer os sinais da DC afirmaram ser diarréia ou vômito os
principais sintomas. A respeito da predisposição genética na DC (7,5%) na área de Exatas, (17,98%),
Biológicas e Saúde e (4,88%) na área de Humanas possuem esse conhecimento e (25%) na área de Exatas,
(23,6%) na área de Biológicas e Saúde e (9,76%) na Humanas reconhecem que a intolerância ao glúten é por
toda vida. Para o diagnóstico da DC, (6,25%) na área de Exatas, (4,5%) Biológicas e Saúde e (2,44%) na área
de Humanas acreditam que se todos os exames para avaliar má absorção forem sugestivos da DC, não há
necessidade da biópsia do intestino delgado. Quanto à manutenção da dieta isenta de glúten para o indivíduo
com DC, (21,25%) na área de Exatas, (22,47%) Biológicas e Saúde e (7,32%) na Humanas afirmam manter
dieta totalmente isenta de glúten. E (11,25%) na área de Exatas afirmam que o glúten é uma proteína, (4,88%)
1
Este trabalho faz parte de monografia de conclusão de curso de graduação em Farmácia pela Universidade
Federal de Mato Grosso (UFMT).
2
Tecnólogo em Alimentos Docente SECITEC – MT e das F a c u l d a d e s U n i d a s d o V a l e d o A r a g u a i a
( U N I V A R ) E-mail: [email protected]
3
Discente do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
4
Discente do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
5
Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
6
Enfermeira Docente das F a c u l d a d e s U n i d a s d o V a l e d o A r a g u a i a ( U N I V A R ) E-mail:
[email protected]
7
Biomédico Docente do Curso de Biomedicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
8
Biomédica Docente do Curso de F a r m á c i a da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
9
Biomédica Docente do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
10
Biomédico, Docente do Curso de Biomedicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) E-mail:
[email protected]
e (24,71%) acreditam ser um carboidrato na área de Humanas e Biológicas e Saúde. Todas as áreas que sabiam
em quais dos cereais o glúten está presente, responderam ser no trigo. Em relação aos produtos que substituem
o glúten, que podem ser utilizados pelos portadores da DC, Exatas e Biológicas e Saúde afirmam ser fécula de
batata enquanto a área de Humanas acredita ser o polvilho. E (15%) na área de Exatas, (22,47%) Biológicas e
Saúde, e (14,63%) na área de Humanas concordam ser incorreta a ausência de lesão intestinal quando o
portador da DC ingere glúten e não apresenta sintomas, enquanto que (11,25%) na área de Exatas, (24,72%)
em Biológicas e Saúde e (9,75%) em Humanas, concordam que a doença causará, no futuro, lesão intestinal
quando ocorre a ingestão de glúten regularmente em pequena quantidade sem a ocorrência de sintomas.
Podemos concluir que o conhecimento dos universitários sobre a Doença Celíaca é limitado, uma vez que mais
que 70% responderam desconhecer a doença. O nível de informação sobre a enfermidade só não foi ampliado
ao longo do curso universitário para a área de Humanas. Percebe-se a necessidade de realização de palestras
educativas para um melhor conhecimento da Doença Celíaca por parte dos universitários do Araguaia.
Palavras-chave: Doença Celíaca; Glúten; conhecimento; Universitários.
ABSTRACT
The gluten sensitive enteropathy known as Celiac Disease (CD) affects the gastrointestinal tract. This disease
is characterized by a chronic inflammatory lesion of the small intestinal mucosa. The objective of this research
was to value the knowledge students of Araguaia university campus from Mato Grosso Federal University
about the celiac disease. 210 questionnaires were applied for students from Exact, Biological and Health and
Humans areas. The predominant age range was from 16 to 20 years, and the gender was the female. The
knowledge level of the senior college students were greater related to freshman college students, except for
Humans areas. In the Exact area (6,25%), Biological and Health (16,85%), the students recognize the main
affected organ by the disease, while, in the Humans (2,4%), the students believe that the main organ is the
stomach. Concerning the genetic predisposition at the CD (7,5 %) students in the Exact area, (17, 98%)
Biological and Health and (4,88%) in the Humans area possesses this knowledge and (25%) in the Exact area,
(23,6%) in the Biological and Health and (9,76%) in the Humans areas recognize that the intolerance is for all
life. For the CD diagnostic, (6,25 %) in the Exacts area, (4,5%) Biological and Health and (2,44%) in the
Humans area believe that if all exams to value bad absorption were suggestive of CD, there isn’t necessity of
small intestine biopsy. About the diet maintenance without gluten for the CD individual, (21,25%) in the Exact
area, (22, 47%) Biological and Health and (7,32%) in the Humans area affirm keep the diet totally without
gluten. And (11, 25%) in the Exact area affirm that gluten is a protein, (4,88 %) and (24,71%) believe that it is
a carbohydrate in the Humans and Biological and Health. All the areas that knew in which cereals the gluten is
present, answered the wheat. About the products that replace the gluten, that can be used by CD carriers,
Exacts and Biological and Health affirm that is potato starch while the Humans believe be the powder. And
(15%) in the Exacts area, (22,47%) Biological and Health, and (14,63%) in the Humans area agree be incorrect
the intestinal lesion lack when the CD carrier ingest gluten and don’t present symptom, while (11,25%) in the
Exact area, (24,72%) in Biological and Health and (9,75%) in the Humans, agree that the disease will cause in
the future, intestinal lesion when occurs gluten ingest regularly in small quantity without symptoms occurs.
We can conclusion that the academics knowledge about celiac disease is limited, since more than 70%
answered ignore the disease. The level of information about the illness not only was enlarged along the
university course for Humans area. We can realize the need of educational lectures for a better knowledge of
celiac disease by Araguaia academics.
Keywords: Celiac Disease; Gluten; Knowledge; University.
1 INTRODUÇÃO
A Doença Celíaca é uma doença que compromete o trato gastrointestinal em
indivíduos geneticamente predispostos, através do consumo de proteínas presentes na cevada,
no trigo e centeio. É caracterizada por uma lesão inflamatória crônica da mucosa do intestino
delgado, que induz o aumento dos linfócitos intra-epiteliais, atrofia das vilosidades e
hiperplasia de criptas. O objetivo geral deste trabalho foi avaliar o conhecimento dos
universitários do Vale do Araguaia sobre a Doença Celíaca. Especificamente, investigamos o
nível de conhecimento dos alunos do Campus do Araguaia sobre a Doença Celíaca.
Relacionamos se existia conhecimento diferenciado sobre a Doença Celíaca em função dos
perfis de área de ensino, e avaliamos a diferença do conhecimento sobre a Doença Celíaca
entre anos iniciais e anos finais por área de ensino. A literatura científica sobre a Doença
Celíaca é limitada e estudos sobre o conhecimento desta Doença em universitários brasileiros
em função da área de conhecimento ainda não foi objeto de estudo.
2 A DOENÇA CELÍACA
A Doença Celíaca não é uma doença rara. Estudos têm revelado que é alta a incidência
desta doença, tanto em crianças como em adultos visivelmente saudáveis. No entanto, a sua
prevalência é muito variável de um país para outro, acredita-se que esta afecção seja mais
comum do que se supõe, pois ela pode permanecer sem diagnóstico por períodos delongados.
Sabe-se que a prevalência desta tanto na Europa como nos Estados Unidos é de 1/120 e 1/300
na população em geral e no Brasil é de 1/681, 1/273, e até 1/214 o que demonstra que esta
doença também não é rara em nosso país e justifica a necessidade de se empreender estudo
sobre a mesma (CASSOL et al., 2007). Segundo Boscolo et al. (2010), a doença celíaca,
também conhecida como enteropatia sensível ao glúten, espru celíaco, espru não-tropical,
enteropatia glúten induzida, esteatorréia idiopática ou espru idiopático. É uma desordem
gastrointestinal auto-imune, que é caracterizada pela presença de anticorpos antitransglutaminase 2 (TG2) e anticorpos anti-gliadina. É comum 1 em 90 o estado de resposta
imunológica aumentada com a ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos a
ter classe HLA DQ2 ou DQ8 haplótipo II. Kotze (2006), a proteína glúten é insolúvel em
água, substância albuminóide que na presença de outros compostos e juntamente com o amido
se encontra no centeio, cevada, aveia, malte e farinha de trigo, sendo sua intolerância
permanente. Ele constitui a massa coesiva que permanece quando a pasta de farinha dos
cereais é lavada para se retirar os grânulos de amido. A interação entre o sistema imunológico
e o glúten pode se expressar não apenas em doença celíaca como também em dano na pele
(dermatite herpetiforme), na mucosa oral (estomatite aftosa de repetição), nas articulações
(algumas artrites) ou nos rins (nefropatia por IgA). Ainda de acordo com Silva et al. (2006), o
tratamento da Doença Celíaca é basicamente dietético e baseia-se na retirada do glúten da
dieta durante toda a vida, tanto dos indivíduos sintomáticos, quanto assintomáticos, devendo
acatar as necessidades nutricionais do paciente de acordo com a fase da vida. A proteína
glúten poderá ser trocada pelo arroz (farinha de arroz), batata (fécula de batata), milho
(farinha de milho, amido de milho, fubá) e mandioca (farinha de mandioca e polvilho). No
Brasil, diante dos problemas existentes para garantir a prática da dieta sem o glúten, foi
promulgada, no ano de 1992, a Lei Federal número 8.543, que obriga a impressão da
advertência “contém glúten” nas embalagens e rótulos de alimentos industrializados e também
devem empregar e legalizar o símbolo internacional “sem glúten”. Desta forma, os pacientes
acometidos pela DC podem identificar os alimentos que não devem conter em sua dieta
(ESCOUTO, 2004). A Doença Celáca pode ser considerada no mundo todo, um problema de
saúde pública, sobretudo devido à habitual associação com morbidade variável e nãoespecífica e em longo prazo, à probabilidade acrescida de surgimento de sérias complicações
(SILVA et al., 2006).
3 MÉTODOS
Realizou-se um estudo transversal do tipo seccional com observação direta, com 210
universitários domiciliados nos municípios de Barra do Garças/MT, Pontal do Araguaia/MT
e Aragarças/GO. Através de questionário elaborado por Sdepnian et al. (2001) e modificado
em 2010 contendo 15 questões objetivas com o intuito de avaliar o grau de conhecimento
dos estudantes com relação a Doença Celíaca. Os critérios de inclusão para o estudo foram
acadêmicos matriculados nos cursos das áreas de Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências
Humanas e Sociais, Ciências Exatas e da Terra que aceitaram ser entrevistados. Critério de
Exclusão acadêmicos ausentes no dia da entrevista e os que recusaram a participar da
entrevista. As variáveis Coletadas sobre os entrevistados incluíram idade, sexo, área de
conhecimento, condição aluno inicio e de final do curso. A cerca da Doença Celíaca foram
questionados sobre o conhecimento pregresso da doença, onde obteve este conhecimento,
conhecimento sobre órgão afetado, sinais e sintomas, diagnóstico e prevenção. Após de
serem tabulados pelo Programa Microsoft Office Excel 2007, os dados foram analisados
pelo Programa estatístico INSTAT, utilizando-se da avaliação de análise de variância
(ANOVA).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Total de entrevistados foram 210, sendo que 199 acadêmicos deram informações
sobre sua idade. Quanto a variável idade a faixa etária predominante foi de 16 – 20 anos,
sendo que a idade média dos participantes foi de 22,51 anos. A idade mínima de 16 anos e a
máxima 51 anos. A idade mais freqüente encontrada (MODA) foi de 18 anos.
Quanto ao gênero há predominância do sexo feminino (53,75%) em relação ao sexo
masculino e nas áreas de Ciências Exatas (76,4%), Biológicas e da Saúde e Humanas
(78,05%).
Quanto ao nível de conhecimento dos ingressantes e concluintes sobre Doença
Celíaca na área de Ciências Exatas (72,3%) dos ingressantes nunca ouviram falar a respeito
da Doença Celíaca, enquanto dos Concluintes (53,34%) já ouviram falar a respeito da
Doença Celíaca. Conclui-se que os alunos adquirem este conhecimento durante o período do
curso, o que justifica no curso de Engenharia de Alimentos os alunos terem conhecimento a
respeito da lei e do glúten.
Figura 01 - Nível de conhecimento dos ingressantes e concluintes sobre doença
celíaca na área de Exatas.
Quanto ao nível de conhecimento dos ingressantes e concluintes sobre Doença
Celíaca na área de Ciências Biológicas e da Saúde (90%) dos ingressantes não ouviram falar
a respeito da Doença Celíaca, e os Concluintes (65,52%) já ouviram falar na Doença
Celíaca, isso se justifica, pois os concluintes desta área estão predispostos a possuir contato
com pacientes portadores de doenças e devem possuir conhecimento teórico e habilidade
prática sobre todas elas.
Figura 02 - Nível de conhecimento dos ingressantes e concluintes sobre doença
celíaca na área de Biológicas e Saúde.
Quanto ao nível de conhecimento dos ingressantes e concluintes sobre Doença
Celíaca na área de Ciências Humanas (86,67%) dos ingressantes não ouviram falar da
Doença Celiaca. pois de acordo com Leonardo et al. (2006), “atribuímos esse fato, a um
desconhecimento sobre doenças hereditárias”, confirmados no estudo sobre o conhecimento
dos universitários sobre o hábito de fumar como desencadeador da Hipertensão Arterial
Sistêmica (HAS), visto que a doença celíaca também pode ser considerada como
proveniente de fatores genéticos.
Figura 03 - Nível de conhecimento dos ingressantes e concluintes sobre doença
celíaca na área de Humanas.
Quanto aos meios pelos quais os universitários tiveram conhecimento da Doença
Celíaca, os universitários na área de Exatas e Biológicas declaram ter ouvido falar da
Doença Celíaca na Faculdade com maior freqüência, na área de Ciências Humanas
obtiveram o conhecimento através de televisão e através de outras pessoas. De acordo com
Camossa et al. (2005) “pesquisas indicam deficiências na formação em educação nutricional
na graduação de estudantes de nutrição e também de outros profissionais da área de saúde,
visto que a educação nutricional é apontada como estratégia de ação, no campo da educação
em saúde, a ser adotada prioritariamente em saúde pública,outros estudos colaboram como
exemplo, Pratesi & Gandolfi (2005), ao considerar a DC mundialmente, como sendo um
problema de saúde pública, principalmente devido à alta prevalência, freqüente associação
com morbidade variável e não-específica para conter o avanço de doenças crônico
degenerativas, uma vez que a alimentação de má qualidade é considerada um fator de risco
para inúmeras doenças”. Já que a doença celíaca é uma doença crônico degenerativa, e os
profissionais da área de saúde e Biológicas devem saber a respeito na universidade.
Figura 04 - Meios pelos quais os universitários tiveram conhecimento da doença
celíaca.
Quando questionados a cerca de qual Órgão é afetado pela Doença Celíaca área de
exatas (82,5%) dos acadêmicos da área de Exatas (82,5%) não reconhecem o órgão afetado,
na área de Biológicas e Saúde (16,85%) afirmam ser o intestino delgado, e na área de Exatas
(6,25%) e na área de Humanas (2,4%) acreditam ser o estômago órgão afetado. Silva et al.
(2006), “esta enfermidade caracteriza-se por atrofia total ou subtotal das vilosidades do
intestino delgado proximal tendo como conseqüência a má absorção da grande maioria de
nutrientes”.
Figura 05 - Órgão afetado pela doença celíaca.
Quanto ao conhecimento do problema causado pela Doença Celíaca na área de
Exatas (75%), área de Biológicas e da Saúde (75,29%), área de Humanas (90,24%) não
possuem conhecimento a cerca do problema que ocorre na doença celíaca. Sendo que na
área Exatas (16,25%) afirmam que o problema ocorre na digestão dos alimentos. Na área
Biológicas e Saúde (12,35%) e Humanas com 7,32% afirmam que o problema ocorre na
absorção dos alimentos. Stringheta et al. (2006) “a doença ocorre em indivíduos
geneticamente susceptíveis, caracterizada por atrofia total ou parcial das vilosidades da
mucosa do intestino delgado, provocando má absorção de nutrientes da dieta”.
Figura 06 – Problema que ocorre na doença celíaca.
Quanto ao conhecimento dos sinais e sintomas da Doença Celíaca os acadêmicos na
área de Exatas (62), área Biológica e da Saúde (65) e área Humanas (39) responderam que
não sabiam os sinais e sintomas da Doença Celíaca.
Alencar (2007) afirma que: “a forma clássica da doença se mostra evidenciada por
esteatorréia, distensão abdominal, e edema e importante letargia, entretanto, atualmente,
sabe-se que a diarréia ocorre em menos de 50% dos casos e a esteatorréia, menos comum
(40%), sinaliza uma doença mais grave”.
Figura 07 - Sinais e sintomas da doença celíaca.
Quanto ao conhecimento a respeito da predisposição genética na doença Celíaca
mostra que 88,75% na área de Exatas, 80,9% na área de Biológicas e Saúde e 92,68% na
área de Humanas não possuem prévio. De acordo com Brito et al. (2009), “o conhecimento
de genética do público leigo é muito rudimentar, mesmo considerando estudantes de
diferentes graus de escolaridade, inclusive universitário”.
Figura 8 - Existência da predisposição genética na doença celíaca
Em relação a intolerância ao glúten obteve que 72,5% na área de Exatas, 70,78% na
área de Biológicas e Saúde e 90,24% não sabem dizer se a intolerância ao glúten é transitória
ou por toda vida, enquanto que somente 25% na área de Exatas, 23,6% em Biológicas e
Saúde e 9,76% sabem afirmar que a intolerância ao glúten é por toda vida. De acordo com
Sdepanian et al. (1999), “o tratamento da DC é basicamente dietético, devendo-se excluir o
glúten da dieta durante toda a vida, tanto nos indivíduos sintomáticos como assintomáticos.”
Figura 9 - Intolerância ao glúten.
Para o diagnóstico da DC, 87,5% na área de Exatas, 86,51% na área de Biológicas e
Saúde e 97,56% na área de Humanas dizem não saber a respeito, enquanto que 6,25% dos
estudantes de Exatas, 4,5% dos estudantes da área de Biológicas e Saúde e 2,44% na área de
Humanas afirmam que se todos os exames para avaliar má absorção forem sugestivos da
doença celíaca, não há necessidade de biópsia do intestino delgado, já que “para o
diagnóstico da DC é imprescindível a realização da biópsia de intestino delgado, no entanto,
contrariando as recomendações da literatura, 19,0% dos pacientes da amostra estudada não
realizariam este procedimento antes de iniciar a dieta sem glúten. Tal fato acarreta extrema
dificuldade no manejo e no acompanhamento do paciente, pois não foi constatada atrofia
vilositária subtotal ou total em vigência da dieta com glúten, a presença de quadro clínico
muito sugestivo ou de sorologia positiva para DC não invalidam a obrigatoriedade da
biópsia de intestino delgado e de modo algum autorizam o teste terapêutico, isto é, a retirada
do glúten da dieta e a observação da resposta clínica, deve ser enfatizado que, apesar da
existência dos inúmeros novos métodos sorológicos não invasivos de rastreamento para o
diagnóstico da DC, é imprescindível a realização da biópsia de intestino delgado, obtida de
preferência na junção duodeno-jejunal” (SDEPANIAN et al., 2001).
Figura 10 - Diagnóstico da doença celíaca.
Quanto a manutenção da dieta isenta de glúten para o indivíduo com DC, a área de
Exatas com 77,5%, Biológicas e Saúde com 73,03% e Humanas com 90,24% responderam
com maior prevalência não saber a respeito, enquanto que a minoria na área de Exatas com
21,25%, 22,47% na área de Biológicas e Saúde e 7,32% em Humanas como mostrado na
Figura 15 responderam que o indivíduo com doença celíaca deverá manter dieta totalmente
isenta de glúten evidenciando que “ para o tratamento da DC, requer a exclusão rigorosa do
glúten da dieta por toda a vida”, como relatado por ESCOUTO (2004).
Figura 11 - Manutenção da dieta isenta de glúten.
Quanto a característica do glúten, 71,25% dos estudantes na área de Exatas, 50,56%
na área de Biológicas e Saúde e 85,36% na área de Humanas não sabem afirmar o que seria
o glúten, mas o gráfico 16 revela que na área de Exatas 11,25% afirmaram ser uma proteína,
24,71% na área de Biológicas e Saúde e 4,88% disseram ser um carboidrato na área de
Humanas.
Figura 12 - Constituição do glúten.
A cerca do conhecimento em quais cereais o glúten esta presente obteve-se: a
freqüência de 56 estudantes da área de Exatas, 46 de Biológicas e Saúde e 32 da área de
Humanas não possuíam conhecimento sobre qual dos cereais o glúten está presente, de
acordo com 19 estudantes da área de Exatas, 33 da área de Biológicas e Saúde e 9 da área de
Humanas concordaram que fosse o trigo.
Figura 13 - Presença do glúten nos cereais.
Quanto aos produtos que substituem o glúten, disseram não saber para todas as áreas
a freqüência das respostas foi de 64 para Exatas, 58 Biológicas e Saúde e 37 Humanas. Na
área de Exatas, Biológicas e Saúde, a maior freqüência encontrada foi fécula de batata, visto
que de acordo com Silva et al. (2006), “o glúten poderá ser substituído pelo milho (farinha
de milho, amido de milho, fubá), arroz (farinha de arroz), batata (fécula de batata), e
mandioca (farinha de mandioca e polvilho)”. Por outro lado na área de Humanas a
predominância do produto que substitui o glúten foi o polvilho.
Figura 14 - Produtos que substituem o glúten na alimentação.
Quanto aos portadores de Doença Celíaca assintomáticos, 85% dos universitários na
área de Exatas, 77,53% na área de Biológicas e Saúde e 85,37% na área de Humanas não
sabem afirmar se o portador da doença celíaca ingere glúten e não apresenta sintomas, então
o intestino não apresentará lesão alguma. Enquanto 15% na área de Exatas, 22,47% na área
de Biológicas e Saúde e 14,63% dos estudantes responderam ser incorreta esta afirmativa.
De acordo com Soares (2006), com o advento, na década de 50, de técnicas de biópsia
intestinal evidenciando a presença de típicas lesões atróficas de mucosa jejunal de celíacos,
estabeleceram-se os primeiros critérios precisos para firmar o diagnóstico de doença celíaca.
De acordo com estes critérios três biópsias seriam necessárias para definitivamente firmar o
diagnóstico demonstrando deterioração de mucosa em conseqüência da utilização do glúten
na dieta.
Figura 15 - Análise da afirmativa: Se o portador da doença celíaca ingere glúten e
não apresenta sintomas, então o intestino não apresentará lesão alguma.
Quanto a ingestão do glúten em pequenas quantidades sem ocorrência de sintomas,
83,75% dos estudantes na área de Exatas, 69,67% na área de Biológicas e Saúde e 90,25%
na área de Humanas não reconhecem que a ingestão de glúten em pequenas quantidades sem
ocorrência de sintomas pode ocasionar em lesão intestinal mais tarde ou não, enquanto que
11,25% na área de Exatas, 24,72% em Biológicas e Saúde e 9,75% em Humanas,
concordam que causará lesão intestinal mais tarde, pois de acordo com Alencar (2007), “no
atual modelo da história natural da DC, sabe-se que em certos momentos, a enfermidade
pode não ser associada com sinal ou sintoma típico, que no decorrer dos anos, há
possibilidade de progredir da fase latente para a fase silenciosa ou ativa e vive- versa”.
Figura 16 – Conseqüência da Ingestão do glúten em pequenas quantidades.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados em conjunto indicam deficiências na formação em educação
nutricional dos universitários do Vale do Araguaia, visto que a educação nutricional é
apontada como estratégia de ação, no campo da educação em saúde, a ser adotada
prioritariamente em saúde pública para conter o avanço de doenças crônico degenerativas,
uma vez que a alimentação de má qualidade é considerada um fator de risco para inúmeras
doenças, estratégias devem ser estimuladas no sentido de reverter a presente realidade no
âmbito da Universidade para que os futuros profissionais tenham a capacidade de exercerem
um futuro papel de educadores em saúde.
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