UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO NÚCLEO DE PESQUISA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Avaliação, in vitro, da resposta imune de neutrófilos de camundongos C57BL/6 estimulados com diferentes espécies de Leishmania MAURICIO AZEVEDO BATISTA OURO PRETO -MG Março de 2013 Avaliação, in vitro, da resposta imune de neutrófilos de camundongos C57BL/6 estimulados com diferentes espécies de Leishmania Orientadora: Dra. Denise da Silveira Lemos Giunchetti – Laboratório de Imunoparasitologia - Departamento de Ciências Biológicas, Instituto de Ciências Exatas e Biológicas / Núcleo de Pesquisa em Ciências Biológicas - Universidade Federal de Ouro Preto. Co-orientador: Dr. Luís Carlos Crocco Afonso – Laboratório de Imunoparasitologia - Departamento de Ciências Biológicas, Instituto de Ciências Exatas e Biológicas / Núcleo de Pesquisa em Ciências Biológicas Universidade Federal de Ouro Preto. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do Núcleo de Pesquisa em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Ouro Preto, como parte integrante dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Ciências Biológicas, área de concentração: Imunologia de Protozoários. Universidade Federal de Ouro Preto Ouro Preto - MG Março 2013 ii iii BATISTA, M.A. Prefácio PREFÁCIO "O principal objetivo da educação é criar indivíduos capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram." Jean Piaget. iv BATISTA, M.A. Agradecimento AGRADECIMENTOS A minha família em especial a minha mãe, pelo apoio incondicional, experiência inigualável e atitude que me motivaram e continuaram me motivando por toda a minha vida. Aos meus irmãos e companheiros deles, que participaram e foram de grande importância na minha caminhada, pois sem a minha família nada teria acontecido. A Denise por todos os ensinamentos durante todos os anos que estamos juntos, por me fazer amadurecer e crescer enquanto pessoa e pesquisador. Agradeço pela oportunidade, pela paciência e compreensão em todos os momentos, independente dos problemas que passamos desde a minha chegada em Ouro Preto. Você é um exemplo de pesquisadora, sempre ética, profissional e sempre esteve disponível, independente do momento em que eu precisava de um auxilio em experimentos ou apenas de um conselho. Serei sempre grato a você, minha felicidade por conviver com você não pode ser descrita em palavras e sim em atitudes que pretendo continuar tendo durante toda a minha vida, pois o nosso caminho juntos apenas começou. Ao Luís Carlos agradeço pela oportunidade de vislumbrar um mundo diferente do que eu estava familiarizado e, dessa forma, abrir meu horizonte. As oportunidades que ele me proporcionou são impossíveis de serem descritas e penso que me tornei um pesquisador melhor graças as suas críticas e sugestões para melhorar o trabalho desenvolvido. Considero-me hoje um estudante de sorte por ter tido a oportunidade de conviver com esse pesquisador que se tornou um guia para continuar a minha caminhada. A Ana Carolina Campi minha eterna professora e amiga que mesmo longe esteve presente em momentos cruciais dessa jornada, que mais do que professora é uma mestre que jamais esquecerei e que está em meu pensamento, atitude e caminho durante toda a minha vida. Aos amigos do laboratório Leandro (chuchu), Marco, Tiago, Bijay, Amanda, Miríam, Pauline, Hellem, Renata, Flávia, Juliana, Letícia, Priscila, que me receberam de braços abertos e tornaram esses dois anos muito agradáveis. Foram muitos momentos para lembrar, mais cada um de vocês sabe o meu sentimento e o quanto gosto de cada um. São pessoas especiais que jamais pretendo esquecer e que farei o possível e o impossível para manter contato durante toda a minha vida. Aos fiéis amigos de todos os momentos Daniela, Bruna, Rafaela, Diogo, Cyntia, Zorel e João Renato que tornaram esses dois anos, os melhores anos da minha vida, sem dúvida. Cada um de vocês conquistou em meu coração um lugar que jamais perderá. Esses dois anos de convívio foram v BATISTA, M.A. Agradecimento repletos de experiências singulares, momentos inesquecíveis, algumas brigas e rusgas, mas nada que pudesse abalar a nossa união. Sem vocês, a conquista desse título seria vazia, pois não importa a chegada e sim as pessoas que te acompanharam durante a caminhada. Não vou citar a importância de cada um, mas acredito que vocês saibam o quanto gosto de vocês com as suas singularidades e peculiaridades. Muito obrigado por compartilhar ótimos momentos comigo, serei sempre grato por toda a experiência vivida. Aos amigos da Pós-graduação Alines (Arlindo e Costa), Ludmila, Gleiciane, Jamille, Fernando, Carol, Milla, Gabrielas (Souza e Faria), Glaucy, Cintia, Raquel, Suianne pelo apoio, amizade e conselhos em todos os momentos. Aos amigos da “república Kzazul” (Ivan, Mateus, Denis e Rodrigo) que foram a minha família durante esses dois anos, me recebendo de braços abertos. Nesse período foram muitos ensinamentos que jamais poderia imaginar aprender em 10 anos de vida. Hoje somos grandes amigos e nunca vou me esquecer dos apelidos, festas e todos os bons momentos vividos juntos. Todos vocês podem contar comigo para qualquer momento. Em geral, gostaria de agradecer a todos que colaboraram de maneira direta ou indireta para o desenvolvimento desse trabalho. À CAPES, À FAPEMIG, CNPq e UFOP pelo Financiamento. vi BATISTA, M.A. Resumo RESUMO Neutrófilos prevalecem nas primeiras horas após a infecção por Leishmania e representam, portanto, a primeira população celular a migrar para o local do inóculo, sendo cerca de 80 a 90% do infiltrado celular e, dessa forma, pode contribuir para resposta imune protetora na infecção por este parasito. Entretanto, diferentes estudos mostraram que neutrófilos podem auxiliar no estabelecimento da infecção, via inativação dos mecanismos leishmanicidas de macrófagos. Considerando que a maior parte dos trabalhos aborda a infecção por Leishmania major, torna-se de grande relevância o estudo do papel de neutrófilos na infecção por outras espécies de Leishmania. Neste sentido foi avaliada, in vitro, a resposta imune de neutrófilos na presença de diferentes espécies de Leishmania. Para isso, neutrófilos obtidos de medula óssea de camundongos C57BL/6 e isolados por gradiente de Percoll® foram cultivados na presença de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou L. major, por 3 horas a 37°C / 5%CO2. Primeiramente, foi avaliada a viabilidade dos neutrófilos infectados por parasitos do gênero Leishmania, onde os resultados mostraram que o percentual de células viáveis não foi alterado, independentemente da espécie de Leishmania. Em seguida, foi avaliada a capacidade fagocítica através da marcação dos parasitos com éster de succinimidil-carboxifluoresceína (CFSE) e os resultados mostraram maior percentual de fagocitose de L. braziliensis por neutrófilos quando comparados a L. amazonensis ou L. major. Posteriormente, foi avaliado o perfil funcional dessas células através da avaliação da expressão de óxido nítrico (NO) e espécies reativas de oxigênio (EROs) intracelulares, por citometria de fluxo, e os resultados demonstraram maior expressão tanto de NO como de EROs por neutrófilos infectados por L. braziliensis quando comparados a L. amazonensis ou L. major. Adicionalmente, foi avaliado a expressão de moléculas de ativação (CD11b/CD49d/CD62L e TLR2/TLR4/TLR9) e os resultados mostraram diminuição da expressão de CD62L e aumento na expressão de TLR2 e TLR9 em neutrófilos infectados pelas três espécies de Leishmania. Além disso, foi observado aumento na expressão de TLR4 em neutrófilos infectados por L. braziliensis, quando comparado à população sem estimulo, bem como, aumento de TLR2 quando comparado com as demais espécies. Posteriormente foi realizada a dosagem dos níveis de quimiocinas (MCP-1, MCP-3, MIP-1α, MIP1β e RANTES) no sobrenadante de cultura e os resultados mostraram que apenas neutrófilos infectados por L. amazonensis ou L. braziliensis produziram MIP-1α, além disso, independente do estímulo, neutrófilos foram capazes de produzir MIP-1β. Por fim, os resultados da avaliação do perfil de expressão intracelular das citocinas IL-12, TNF-α, IL-10 e TGF-β mostraram maior expressão de TNF-α por neutrófilos infectados pelas três espécies do parasito. Além disso, esse mesmo resultado foi observado em neutrófilos expressando IL-10 infectados por L. amazonensis ou L. braziliensis, bem como, em neutrófilos expressando IL-12p40 infectados por L. amazonensis, quando comparados aos neutrófilos sem estímulo. Nenhuma diferença foi observada para a citocina TGF-β nos neutrófilos infectados pelas três espécies do parasito. Em conjunto, os dados demonstraram que neutrófilos podem ter papel importante para o controle da infecção, bem como no estabelecimento e direcionamento de resposta protetora. Além disso, pode-se sugerir que L. braziliensis foi mais eficiente na indução de perfil de ativação e expressão de mediadores inflamatórios quando comparado às demais espécies, o que indica um possível mecanismo de controle da infecção desencadeado por neutrófilos. Palavras-Chave: Neutrófilo, Leishmania, Resposta Imune vii BATISTA, M.A. Abstract ABSTRACT Neutrophils prevail during the first hours after infection by Leishmania and therefore represent one of the first cell populations to migrate to the site of the infection, representing about 80 to 90% of the cellular infiltrate and, thus can contribute to a protective immune response on infection by this parasite. However, different studies have shown that neutrophils may assist in establishment of infection, via inactivation of macrophage antileishmanial mechanisms. Whereas most studies address the infection by Leishmania major, it is of great importance to study the role of neutrophils in other species of Leishmania. In our study, we evaluated in vitro response of neutrophils in the presence of different Leishmania species. For this, neutrophils harvested from bone marrow of C57BL/6 mice and then purified by Percoll gradient were cultured in the presence of L. amazonensis, L. braziliensis or L. major for 3 hours at 37°C / 5%CO2. Initially, we evaluated the viability of neutrophils infected by parasites of the genus Leishmania. The results showed that the percentage of viable cells did not change, regardless of the species of Leishmania used in the infection. We, then, evaluated the phagocytic ability by stainning parasites with carboxyfluorescein succinimidyl ester (CFSE) and the results showed a higher percentage of neutrophil phagocytosis in the presence of L. braziliensis when compared to L. amazonensis or L. major. Subsequently, we assessed the functional activation of these cells through the evaluation of nitric oxide (NO) and reactive oxygen species (ROS) intracellular expression by flow cytometry. Our results showed an increased expression of both NO and ROS by neutrophil infected with L. braziliensis when compared to L. amazonensis or L. major. In addition, we evaluated the expression of activation molecules (CD11b/CD49d/CD62L and TLR2/TLR4/TLR9) and the results showed a decreased expression of CD62L and an increase in the expression of TLR2 and TLR9 on neutrophils infected by three Leishmania species. Moreover, we observed an increase in expression of TLR4 in neutrophils infected by L. braziliensis, when compared to the population without stimulation, as well as increased TLR2 when compared with the other species. In addition, we evaluated the levels of chemokines (MCP-1, MCP-3, MIP-1α, MIP-1β and RANTES) in the culture supernatant and the results showed that only neutrophils infected by L. amazonensis or L. braziliensis produced MIP1α. Moreover, independently of the stimulus, neutrophils were able to produce MIP-1β. Finally, the results of IL-12, TNF-α, IL-10 and TGF-β intracellular expression showed increased levels of TNFα in neutrophils infected by the three species of the parasite. Additionally, this same result was observed in neutrophils expression of IL-10 infected by L. amazonensis or L. braziliensis and, in neutrophils expression IL-12p40 infected by L. amazonensis, when compared to non stimulated neutrophils. No difference was observed for the cytokine TGF-β in neutrophils infected by the three species of the parasite. Together, these data demonstrated that neutrophils may have an important role in the control of infection, as well as establishing and directing a protective response. Furthermore, it can be suggested that L. braziliensis was more effective in inducing a profile activation and expression of inflammatory mediators when compared to other species, suggesting a possible mechanism of control neutrophils triggered by the infection. Keywords: Neutrophils, Leishmania, Immune response viii BATISTA, M.A. Índice ÍNDICE AGRADECIMENTOS.................................................................................................................. v RESUMO....................................................................................................................................... vii ABSTRACT.................................................................................................................................. viii LISTA DE FIGURAS................................................................................................................... xii LISTA DE TABELAS.................................................................................................................. xiv LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS................................................................................... xv 1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 17 1.1 - Aspectos gerais da Leishmaniose Tegumentar: epidemiologia, ciclo biológico e formas clínicas........................................................................................................................ 18 1.2 - Aspectos gerais da resposta imune inata na infecção por Leishmania .......................... 22 1.3 - Papel de neutrófilo na infecção por Leishmania: capacidade fagocítica, produção de mediadores leishmanicidas e desenvolvimento da resposta inflamatória.......................... 24 2 –JUSTIFICATIVA..................................................................................................................... 30 3 – OBJETIVOS............................................................................................................................ 32 3.1 - Objetivo geral................................................................................................................. 33 3.2 - Objetivos específicos...................................................................................................... 33 4 - MATERIAL E MÉTODOS..................................................................................................... 34 4.1.1 - Caracterização dos animais......................................................................................... 35 4.1.2 - Cultura de parasitos..................................................................................................... 35 4.1.3 - Preparação dos estímulos inespecíficos zimosan e phorbol 12-myristate 13-acetate (PMA)..................................................................................................................................... 36 4.1.4 -Purificação de neutrófilos de medula óssea de camundongos C57BL/6...................... 37 4.1.5 - Cultura de neutrófilos, in vitro, na presença de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A...................... 39 4.1.6 - Marcação imunofenotípica de neutrófilos, in vitro, após cultura na presença de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A............................................................................................................................... 40 4.1.7 - Avaliação da viabilidade de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A... 40 4.1.8 - Avaliação da fagocitose de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A por neutrófilos........................................... 41 ix BATISTA, M.A. Índice 4.1.9 - Detecção da expressão de óxido nítrico por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A............................................................................................................................... 42 4.1.10 - Avaliação da expressão de espécies reativas do oxigênio por neutrófilos, in vitro, infectados com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A....................................................................................................... 43 4.1.11 - Avaliação da ativação celular em neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A... 44 4.1.12 - Detecção dos níveis de quimiocinas e do fator estimulador de colônia para monócitos e granulócitos (GM-CSF) por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A .. 45 4.1.13 – Avaliação do perfil de expressão de citocinas intracelulares e expressão de TLR9 por neutrófilos, in vitro, infectados com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A............................................... 46 4.2 - Estratégia de Análise...................................................................................................... 48 4.2.1 - Análise do processo de apoptose em neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A............................................................................................................................... 48 4.2.2 - Análise da fagocitose de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou zimosan A por neutrófilos................................................................... 49 4.2.3 - Análise do perfil de expressão intracelular de espécies reativas do oxigênio e óxido nítrico por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A.............................................. 50 4.2.4 - Análise da ativação de neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A.. 51 4.2.5 - Análise do perfil de expressão de citocinas intracelulares por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A....................................................................................... 52 4.3 - Análise Estatística dos Dados............................................................................................... 53 5 – RESULTADOS....................................................................................................................... 54 5.1 - Avaliação da viabilidade celular e fagocitose por neutrófilos infectados com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major............................. 55 x BATISTA, M.A. Índice 5.2 – Perfil de expressão de óxido nítrico (NO) e espécies reativas de oxigênio (EROS) por neutrófilos infectados, in vitro, com promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major....................................................................... 56 5.3 – Perfil de expressão de marcadores de ativação e dos receptores do tipo Toll em neutrófilos infectados, in vitro, por promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major....................................................................... 59 5.4 - Produção de quimiocinas por neutrófilos infectados, in vitro, com promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major........................... 62 5.5 - Avaliação do perfil de expressão de citocinas intracelulares por neutrófilos infectados, in vitro, com promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major........................................................................................... 64 6 – DISCUSSÃO........................................................................................................................... 67 7 – CONCLUSÃO......................................................................................................................... 76 8 – PERSPECTIVAS..................................................................................................................... 78 9 – REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA......................................................................................... 80 10 – ANEXO................................................................................................................................. 93 10.1 – Protocolo de Aprovação pelo Comitê de Ética............................................................ 94 xi BATISTA, M.A. Lista de Figuras, Fluxograma e Tabelas LISTA DE FIGURAS Figura 1: Ciclo de vida da Leishmania.......................................................................................... 20 Figura 2: Distribuição das espécies de Leishmania causadoras da leishmaniose tegumentar no Brasil.............................................................................................................................................. 21 Figura 3. Caracterização do perfil celular após purificação de neutrófilos da medula óssea de camundongos C57BL/6................................................................................................................. 39 Figura 4. Marcação de Leishmania com CFSE............................................................................. 42 Figura 5: Avaliação do processo de apoptose de neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.............. 48 Figura 6: Avaliação da fagocitose de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou zimosan por neutrófilos.............................................................................. 49 Figura 7: Avaliação do perfil de expressão intracelular de óxido nítrico e espécies reativas do oxigênio por neutrófilos infectados por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.............................................................................. 50 Figura 8: Avaliação do perfil de ativação de neutrófilos infectados por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.............. 51 Figura 9: Avaliação do perfil de expressão de citocinas intracelular por neutrófilos com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.......................................................................................................................................... 52 Figura 10: Avaliação da viabilidade celular de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.......................................................................................................................................... 55 Figura 11: Capacidade fagocítica de neutrófilos infectados, in vitro, por de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.............. 56 Figura 12: Perfil de expressão de óxido nítrico intracelular por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.......................................................................................................................................... 57 Figura 13: Perfil de expressão de espécies reativas de oxigênio intracelular de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan............................................................................................................ 58 Figura 14: Expressão das integrinas (CD11b/CD49d) e da selectina (CD62L) por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan............................................................................................................ 60 xii BATISTA, M.A. Lista de Figuras, Fluxograma e Tabelas Figura 15: Expressão dos receptores toll like (TLR2, TLR4 e TLR9) por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major, na presença de zimosan ou Phorbol 12-myristate 13-acetate............................................. 62 Figura 16: Dosagem de quimiocinas no sobrenadante de cultura de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan...................................................................................................................... 63 Figura 17: Perfil de expressão de citocinas intracelulares de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan.......................................................................................................................................... 65 Figura 18: Sumário dos resultados................................................................................................ 66 xiii BATISTA, M.A. Lista de Figuras, Fluxograma e Tabelas LISTA DE TABELAS Tabela 1. Descrição dos anticorpos monoclonais marcados com fluorocromos........................... 45 Tabela 2. Anticorpos monoclonais para identificação de citocinas e receptor TLR9 intracelulares.................................................................................................................................. 47 FLUXOGRAMA Fluxograma 1. Delineamento experimental proposto.................................................................... 35 xiv BATISTA, M.A. Lista de Abreviaturas e Símbolos LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS AF647 – Alexa Fluor 647 AG – Aminoguanidina ANOVA - Análise de variância APC – Allophycocyanin BSA – Albumina bovina sérica carboxy-H2DCFDA – (5-ou-6)-carboxy-2′,7′ dichlorodihydro fluorescein diacetate CEP – Comitê de ética em pesquisa CFSE – Éster de succinimidil-carboxifluoresceína CTCM – Meio de cultura completo para células e tecidos Cy5– Cyanine 5 DAF-2T – Diacetato de 4,5-diaminofluoresceína DMEM – Dulbecco Modified Eagle Médium DPI – Diphenyleneiodonium chloride EROs – Espécies reativas de oxigênio FITC – isotiocianato de fluoresceína fMLP – n-formil-metionil-leucil-fenilalanina Gate – Região selecionada em gráfico de dispersão pontual GM-CSF – Fator estimulador de colônia para granulócitos e macrófagos Hank’s – Solução balanceada de sais HEPES – [4-(2-hydroxyethyl)-1-piperazineethanesulfonic acid)] IFN-γ – Interferon gama Ig – Imunoglobulina IL – Interleucina iNOS – óxido nítrico sintase induzida IMF – Intensidade Média de Fluorescência xv BATISTA, M.A. Lista de Abreviaturas e Símbolos IP – Iodeto de Propídio LPG – Lipofosfoglicano glicoconjugado LPS – Lipopolissacarídeo LT – Leishmania tegumentar MCP– Proteína quimiotática de monócito MFF – Solução fixadora MIP – Proteína inflamatória de macrófago NADPH oxidase – nicotinamida adenina dinucleótido fosfato oxidase NETs – Redes extracelulares de neutrófilos NK – Células natural killer NO – Óxido nítrico NRLs – Receptores NOD PAMPs – Padrões moleculares associados a patógenos PBS – Salina tamponada com fosfato PBS (W) – PBS Wash PBS (P) – PBS permeabilizante PE – Phycoerythrin PMA – Phorbol 12-myristate 13-acetate PRR – Receptor de reconhecimento padrão RANTES – regulated on activation, normal T cell expressed and secreted RIG-Is – Retinoic acid inducible gene 1 SFB – Soro fetal bovino TGF-β – Fator de transformação do crescimento beta TNF-α – Fator de necrose tumoral TLRs – Receptores o tipo toll UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto xvi BATISTA, M.A. Introdução 1 - INTRODUÇÃO BATISTA, M.A. Introdução 1.1 - Aspectos gerais da Leishmaniose Tegumentar: epidemiologia, ciclo biológico e formas clínicas A leishmaniose tegumentar (LT) é uma doença que acompanha o homem desde a antiguidade, existindo relatos e descrições encontrados na literatura desde o século I d.C (Lainson, 1997). No Brasil, a primeira descrição de LT encontra-se no documento da Pastoral Religiosa Político-Geográfica de 1827, em um relato de uma viagem pela região da Amazônia (Lainson, 1997; Basano & Camargo, 2004). Em 1909, Lindenberg encontrou formas semelhantes à Leishmania tropica em lesões cutâneas de indivíduos que trabalhavam nas matas do interior do Estado de São Paulo (Ministério da Saúde, 2007; Basano & Camargo, 2004). Gaspar Vianna, em 1911, por considerar o parasito diferente da L. tropica, o batizou de L. braziliensis, ficando assim denominado o principal agente etiológico da LT no Brasil até a década de setenta. Atualmente, com o aprimoramento de técnicas de identificação e classificação dos parasitos, já foram registradas seis espécies causadoras da LT no Brasil (Ministério da Saúde, 2007; Basano & Camargo, 2004; Lainson, 1997). A LT compreende um grupo de doenças não contagiosas causadas por protozoários intracelulares obrigatórios (Desjeux, 2004). É uma antropozoonose considerada problema de saúde pública, em regiões tropicais e subtropicais em todo o mundo, que apresentam diferentes síndromes com sinais e sintomas clínicos extremamente distintos (Desjeux, 2004; Ministério da Saúde, 2007). O complexo ciclo de vida deste parasito permitiu a disseminação desse protozoário pelo Velho e Novo Mundo através de diferentes vetores e animais reservatórios. A capacidade de evasão do sistema imune faz com que essa espécie se mantenha crescendo e multiplicando-se nas próprias células de defesa do hospedeiro. Essas e outras características do gênero Leishmania fazem com que hoje, mais de um século após seu isolamento, ainda não se conheça completamente os mecanismos da resposta imune do hospedeiro envolvido na destruição e controle dos protozoários causadores das leishmanioses. Segundo a Organização Mundial de Saúde (2007) a LT é um problema de saúde pública em diversos países em desenvolvimento em todo o mundo. Está presente em 88 países, distribuídos nos quatro continentes e é considerada como uma das seis mais importantes doenças infecciosas pelo seu alto coeficiente de detecção e capacidade de produzir deformidades (Desjeux, 1996). A prevalência global é de 12 milhões, com incidência estimada de 1,5 milhões de novos casos de leishmaniose tegumentar por ano, sendo que cerca de 350 milhões de pessoas estão em risco de contrair a doença. No âmbito mundial, levando em consideração os casos descritos, países como Afeganistão, Arábia Saudita, Bolívia, Brasil, Irã, Peru e Síria concentram mais de 90% dos casos (www.who.int/leishmaniasis/burden). Nesse sentido, considerando a importância epidemiológica dos países da América do Sul é interessante destacar a distribuição geográfica da leishmaniose 18 BATISTA, M.A. Introdução tegumentar neste continente. Segundo o Ministério da Saúde (2007) no continente americano há registro de casos desde o extremo sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, com exceção do Chile e Uruguai. No Brasil, a LT é uma das infecções dermatológicas que merece atenção, devido à sua magnitude, assim como pelo risco de ocorrência de deformidades em humanos, bem como, pelo envolvimento psicológico, com reflexos no campo social e econômico, uma vez que, na maioria dos casos, pode ser considerada doença ocupacional (Desjeux, 2004). No período de 1988 a 2007, a LT apresentou média anual de 27.736 casos autóctones registrados e coeficiente de detecção médio de 17,3 casos por 100.000 habitantes (Ministério da Saúde, 2007). Além disso, ao realizar uma análise da evolução e expansão geográfica da LT no Brasil foi demonstrada que no início da década de 80 apenas 19 unidades federativas tinham registrados casos autóctones. Entretanto, no ano de 2003 foi confirmada a presença desses casos em todas as unidades federativas (Ministério da Saúde, 2007). Portanto, fica evidente a importância do controle da doença em nosso país. O parasito apresenta ciclo heteroxênico, com um estágio de desenvolvimento intracelular em mamíferos e estágio extracelular em flebotomíneos do gênero Phlebotomus (Velho Mundo) e Lutzomyia (Novo Mundo) (Figura 1). A infecção inicia-se quando fêmeas de flebotomíneos durante o repasto sanguíneo em indivíduos infectados (ciclo antroponótico) ou em reservatórios animais (ciclo zoonótico), ingerem macrófagos que albergam formas amastigotas intracelulares obrigatórias as quais são liberadas na porção anterior do intestino dos insetos. Imediatamente após a ingestão, as formas amastigotas transformam-se em formas alongadas, flageladas e extracelulares denominadas promastigotas capazes de multiplicar-se por divisão binária após migrarem para a porção posterior do intestino médio do inseto. Na porção posterior do intestino do inseto as formas promastigotas passam por diversas etapas de diferenciação, num processo chamado de metaciclogênese, se transformando em formas promastigotas metacíclicas com alta mobilidade, corpo celular curto e longo flagelo, sendo altamente adaptadas para a transmissão ao hospedeiro mamífero. Posteriormente, ocorre a migração das formas metacíclicas para a probóscide dos insetos vetores permitindo a infecção de hospedeiros mamíferos durante novo repasto sanguíneo do vetor infectado. Uma vez no hospedeiro mamífero, as promastigotas são internalizadas por macrófagos, principal célula hospedeira e, rapidamente, convertem-se em amastigotas multiplicando-se avidamente no interior dos fagolisossomos de macrófagos e eventualmente ocasionam a lise celular. As amastigotas liberadas são capturadas por outros macrófagos promovendo a continuidade do ciclo (Awasthi e cols., 2004; Kamhawi, 2006; Chappuis e cols., 2007). 19 BATISTA, M.A. Introdução Amastigota intracelular Proliferação Fagolissosomo Lise Fagocitose Re-infecção Macrófago infecção Flebótomo Flebótomo Promastigota metacíclica Amastigota Promastigota procíclica Proliferação no intestino Figura 1: Ciclo de vida da Leishmania. Adaptado de Chappuis e cols., 2007. No Brasil já foram identificadas sete espécies do gênero Leishmania, sendo seis do subgênero Viannia e uma do subgênero Leishmania. As três principais espécies causadoras da LT são: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (Viannia) guyanensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis (Marzochi, 1992). Cada espécie tem diferentes padrões epidemiológicos / demográficos, sendo transmitida entre animais por meio de diferentes vetores (Marzochi, 1992). É importante destacar que a Leishmania braziliensis destaca-se de outras espécies por apresentar ampla distribuição no Brasil (do sul do Pará ao Nordeste, atingindo também o centro-sul do país e algumas áreas da Amazônia Oriental) causando lesões cutâneas e mucosas metastáticas (Gontijo & Carvalho, 2003). O mapa abaixo representa a distribuição das principais espécies de Leishmania responsáveis por causar a LT no Brasil (Figura 2). 20 BATISTA, M.A. Introdução Leishmania (Viannia) braziliensis Leishmania (Viannia) lainsoni Leishmania (Viannia) naiffi Leishmania (Viannia) shawi Leishmania (Viannia) guyanensis Leishmania (Viannia) amazonensis Leishmania (Viannia) lindenberg Figura 2: Distribuição das espécies de Leishmania causadoras da leishmaniose tegumentar no Brasil. Adaptada de Ministerio da Saúde, 2007. Do ponto de vista clínico, as diferentes manifestações da leishmaniose tegumentar resultam de uma combinação de fatores entre a espécie do parasito causador da infecção e a resposta imune montada pelo hospedeiro (Awasthi e cols., 2004). A leishmaniose tegumentar é subdividida em quatro formas clínicas: (1) leishmaniose cutânea, causada principalmente por L. braziliensis e L. guyanensis no Novo Mundo, e L. tropica, L. major (forma zoonótica) e Leishmania aethiopica no Velho Mundo, e caracterizada por úlcera no local da picada do inseto e, na maioria dos casos, com resolução espontânea; (2) leishmaniose cutânea disseminada, causada principalmente por L. braziliensis, e caracterizada por várias lesões não contíguas formadas pela disseminação do parasito por vias hematogênica ou linfática; (3) leishmaniose mucocutânea, causada normalmente por L. braziliensis, e caracterizada por resposta imune exacerbada e ineficaz, com acometimento das mucosas, principalmente da região nasofaringe, onde são encontradas lesões destrutivas que podem levar a desfiguração; e (4) leishmaniose difusa, forma clínica rara, porém grave, associada à lesão difusa não ulcerada, rica em parasito, e também a um processo anérgico, onde a resposta de linfócitos T é ausente ou muito prejudicada, tendo como principal agente etiológico L. amazonensis e Leishmania pifanoi (Herwaldt 1999; McMahon-Pratt & Alexander, 2004; González e cols., 2009). 21 BATISTA, M.A. Introdução Mediante o exposto, fica evidente a importância do estudo da leishmaniose tegumentar, principalmente pelo fato da espécie do parasito possuir diferentes graus de virulência (Handman & Goding, 1985; Mossar & Brittingham, 1997). 1.2 - Aspectos gerais da resposta imune inata na infecção por Leishmania A leishmaniose é um modelo interessante para demonstrar a complexa interação entre parasito e hospedeiro. O resultado da infecção por Leishmania é determinado não só pela espécie de parasito, mas também pela resposta imune do hospedeiro (Awasthi e cols., 2004). A maioria dos trabalhos desenvolvidos com a intenção de avaliar as causas da resistência ou susceptibilidade a este parasito utilizou a espécie L. major em linhagens de camundongos que eram geneticamente resistentes (CH3, C57BL/6 ou CBA) ou susceptíveis (BALB/c) ao parasito. O modelo murino, apesar de não apresentar perfil de resposta imune completamente semelhante ao humano, é capaz de mimetizar muitos aspectos fisiológicos da infecção humana e permite, dessa forma, compreender vários aspectos da resposta do hospedeiro durante a infecção (Chorilli e cols., 2007). Atualmente sabe-se que a caracterização de um perfil de susceptibilidade ou resistência à infecção por Leishmania, tem como base as informações obtidas nos trabalhos que utilizaram o modelo murino infectado por L. major (Kopf e cols., 1996; Anderson e cols., 2005) ou L. amazonensis (Afonso & Scott, 1993, Soong e cols., 1997; Jones e cols., 2000; Jones e cols., 2002). Estes trabalhos descrevem que, utilizando o mesmo hospedeiro e diferentes cepas ou espécies dos parasitos, muito embora a resposta protetora fosse sempre dependente da produção de interferon-gama (IFN-γ), a susceptibilidade à infecção nem sempre dependia da produção da interleucina (IL)-4. Além disso, estes trabalhos demonstraram que o parasito tem papel crucial no estabelecimento da infecção e na forma clínica, como é observado em casos humanos. Estudos de Kobayashi & DeLeo, (2009) e Charmoy e cols. (2010A) mostraram que os eventos iniciais da infecção por Leishmania (primeiras horas até 3 dias) são de extrema importância no desenvolvimento de uma resposta imune protetora ou favorável à infecção. Neste sentido, o estudo das células da imunidade inata como neutrófilos, macrófagos e células dendríticas são de grande relevância para o entendimento da formação do ambiente inflamatório, bem como, para o recrutamento de células da resposta imune adaptativa que vão efetivamente direcionar o curso da infecção. Apesar de macrófagos serem considerados as principais células hospedeiras, permitindo a sobrevivência e multiplicação de amastigotas de Leishmania (na ausência dos mecanismos leishmanicidas), outros tipos celulares, como os neutrófilos e células dendríticas, são também infectadas e desempenham papel importante na infecção (Awasthi e cols., 2004; Peters e cols., 22 BATISTA, M.A. Introdução 2008; Ribeiro-Gomes e cols., 2012B). Neutrófilos são as primeiras células a migrarem para o local da infecção (Beil e cols., 1992; Tacchini-Cottier e cols., 2000; Peters e cols., 2008) sendo capazes de fagocitar os parasitos e destruí-los pela ação de enzimas proteolíticas estocadas em grânulos, bem como, pela produção de espécies reativas do oxigênio (EROs) (Awasthi e cols., 2004). Neutrófilos ainda produzem IL-8 e proteína inflamatória de macrófago tipo-1 alfa (MIP- 1α) e beta (MIP-1β) que tem a função de recrutar mais neutrófilos e monócitos/macrófagos para o local da infecção (Awasthi e cols., 2004). Entretanto, diferentes trabalhos mostraram que neutrófilos podem prejudicar a eliminação do parasito, uma vez que, macrófagos não ativam os mecanismos leishmanicidas após a fagocitose de neutrófilos infectados e apoptóticos, favorecendo assim a sobrevivência do parasito no hospedeiro (Laskay e cols., 2003; Afonso e cols., 2008; John & Hunter, 2008; Peters e cols., 2008; Novais e cols., 2009). Estudos de Beil e cols. (1992) e Sunderkotter e cols. (1993) mostraram que em camundongos C57BL/6, após 3 dias de infecção por L. major, o número de neutrófilos reduz significativamente, enquanto que, em camundongos BALB/c, o número de neutrófilos no sítio de infecção permanece alto após 10 dias de infecção, refletindo em inflamação crônica e demonstrando assim que a infecção pode aumentar a sobrevivência de neutrófilos. Além disso, estudo de Allenbach e cols. (2008) mostraram, em modelo murino C57BL/6 que, na ausência do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), ocorreu atraso na apoptose de neutrófilos infectados por L. major, o que levaria ao aumento da sobrevida dessas células. De maneira semelhante, estudos com neutrófilos humanos (van Zandbergen e cols., 2004) e murinos BALB/c (Aga e cols., 2002) revelaram que a infecção, in vitro, por L. major inibe a apoptose, via caspase, induzindo, dessa forma, maior sobrevida dos neutrófilos. Estudo de Ribeiro-Gomes e cols. (2004) mostraram que a interação, in vitro, entre macrófagos infectados e neutrófilos apoptóticos alteram o perfil da infecção por L. major, uma vez que ocorreu aumento da carga parasitária em animais BALB/c. Entretanto, em animais C57BL/6 foi observado aumento na produção de TNF-α e morte do parasito, além disso, este estudo mostrou também que a depleção de neutrófilos, in vivo, causa aumento da carga parasitária em camundongos C57BL/6. De maneira interessante, outro estudo de Ribeiro-Gomes e cols. (2012A) mostraram que células dendríticas reduzem a expressão de marcadores de ativação e capacidade de apresentação do antígeno após a fagocitose de neutrófilos apoptótico/infectados. Diferentes estudos, in vitro, e, in vivo, têm buscado compreender o papel de neutrófilos na infecção por Leishmania (Tacchini-Cottier e cols., 2000; Aga e cols., 2002; Ribeiro-Gomes e cols., 2004, 2007; Peters e cols., 2008, Peters & Sacks, 2009; Charmoy e cols., 2010; Filardy e cols., 2010), entretanto, devido a grande diversidade de espécies de hospedeiro (humano, cão, camundongo resistente ou susceptível), ou pelo tecido fonte/local de recrutamento (sangue, peritônio, pele, medula óssea) ou tempo de recrutamento 23 BATISTA, M.A. Introdução (horas, dias, semanas) o impacto da resposta de neutrófilos em promover resistência ou susceptibilidade à infecção por Leishmania permanece em debate. Sendo assim, compreender a contribuição dos neutrófilos no estabelecimento, bem como, no direcionamento da resposta imune torna-se extremamente interessante. 1.3 – Papel de neutrófilos na infecção por Leishmania: capacidade fagocítica, produção de mediadores leishmanicidas e desenvolvimento da resposta inflamatória Considerando a importância das células da resposta imune inata frente à infecção por parasitos do gênero Leishmania, vários estudos na literatura mostram o papel crítico de neutrófilos. Charmoy e cols. (2010B) mostraram que em modelo experimental resistente, neutrófilos são recrutados com poucas horas de infecção e diminuem sua migração após três dias de infecção. Guimarães-Costa e cols. (2009) mostraram que neutrófilos humanos infectados, in vitro, por L. amazonensis liberam produtos da explosão respiratória, bem como, as redes extracelulares de neutrófilos (NETs) aumentando o tempo da Leishmania no local da infecção o que auxilia na morte do parasito. Além disso, Jacobs e cols. (2005) mostraram que neutrófilos, in vivo, são ativados continuamente pelo componente C3 do complemento durante a infecção por L. major, demonstrando a cooperação entre dois componentes da resposta imune inata no auxílio da fagocitose do parasito em animais BALB/c. De maneira interessante, o recrutamento dessas células pode ser desencadeado por fatores liberados pelo parasito. De fato, van Zandbergen e cols. (2002) utilizaram o ensaio de transwell, in vitro, para demonstrar que diferentes espécies de Leishmania secretam no sobrenadante o fator quimiotático lipídico de Leishmania para atrair granulócitos humanos, sendo essa molécula capaz de atrair neutrófilos, mas não macrófagos. Neste sentido, a depleção de neutrófilos em camundongos C57BL/6 infectados por L. major mostrou aumento da carga parasitária após 35 dias da infecção, entretanto, esse foi um efeito transitório e não houve alteração no perfil de resposta Th1 e cura da lesão (Tacchini-Cottier e cols., 2000; Chen e cols., 2005). De maneira semelhante, a depleção de neutrófilos em camundongos BALB/c infectados por L. donovani mostrou alteração tanto no controle da carga parasitária, quanto no perfil Th1 da resposta imune do hospedeiro (McFarlane e cols., 2008). Deste modo, fica evidente o papel de neutrófilos na resposta imune frente à infecção por Leishmania, bem como o seu importante papel no desenvolvimento de resposta protetora (Awasthi e cols., 2004; Peters e cols., 2008; Charmoy e cols., 2010B; Ribeiro-Gomes e cols., 2012B). A função clássica atribuída a neutrófilos é a capacidade de fagocitar e matar microorganismos através da ativação dos mediadores da explosão respiratória (Scapini e cols., 24 BATISTA, M.A. Introdução 2000; Awasthi e cols., 2004). Deane (1938) demonstrou, in vivo, que neutrófilos são capazes de fagocitar amastigotas de L. donovani em esfregaço de medula óssea de pacientes infectados. De maneira interessante, diferentes estudos usando parasitos marcados com fluorocromo mostraram que a célula predominantemente infectada após poucas horas de infecção por L. major ou L. donovani, na derme da orelha de camundongos (C57BL/6 e BALB/c), foram os neutrófilos (Peters e cols., 2008; Thalhofer e cols., 2011; Ribeiro-Gomes e cols., 2012A). A capacidade fagocítica está diretamente relacionada à produção de metabólitos da explosão respiratória, como as espécies reativas de oxigênio (EROs) e óxido nítrico (NO) que são importantes mediadores leishmanicidas (Horta e cols., 2011; Charmoy e cols., 2007). Estudo de Nathan & Shiloh (2000) mostraram que neutrófilos e macrófagos, em resposta ao IFN-γ, juntamente com o segundo sinal gerado pelos receptores de reconhecimento de patógenos ou TNF-α podem produzir óxido nítrico. Além disso, Charmoy e cols. (2007) mostraram que a produção de NO por neutrófilos murinos (C57BL/6) infectados por L. major estava relacionado ao perfil de proteção à infecção. Diferentes estudos, in vitro, mostraram que neutrófilos humanos infectados com diferentes formas de L. donovani induziram a morte do parasito através dos metabólitos do oxigênio gerados pela explosão respiratória, após processo de fagocitose (Chang, 1981; Pearson & Steigbigel, 1981). Neste sentido, diferentes estudos com Leishmania sp. mostraram que neutrófilos humanos e murinos induziram a morte do parasito através da produção de NO (Nussler & Billiar, 1993) e EROs (Segal, 2005). De fato, outros estudos, in vitro, mostraram que neutrófilos infectados por L. major produziram NO e EROs em diferentes modelos experimentais como camundongos (C57BL/6 ou BALB/c), (Blos e cols., 2003), coelhos (Mallinson e cols., 1989) e humanos (Laufs e cols., 2002). Em virtude da rápida migração para o sítio de infecção, neutrófilos contribuem para o início do processo inflamatório local, no qual é formado um microambiente que é essencial para o direcionamento da resposta imune adaptativa. Poucos estudos mostram o papel dessas células pelo fato de neutrófilos não proliferarem e apresentarem uma vida relativamente curta quando comparada a outras populações celulares (Nathan, 2006). No entanto, esse enfoque vem sendo mudado com trabalhos atuais que demonstram o papel de neutrófilos como componente importante da resposta inflamatória, bem como, seu papel regulador durante infecções microbianas (Romani e cols., 1997; Tacchini-Cottier e cols., 2000; Tateda e cols., 2001; Tsuda e cols., 2004; Easton e cols., 2007; Charmoy e cols., 2010B; Ribeiro-Gomes e cols., 2012B). A inflamação é um mecanismo complexo de defesa caracterizado pela migração e ativação de leucócitos para o tecido no qual o agente infeccioso está presente. A migração de neutrófilos para o local é um bom marcador da inflamação aguda (Ryan & Majno, 1977). Vários trabalhos vêm estudando os mecanismos envolvidos na migração de neutrófilos para o local. Sabe-se que a 25 BATISTA, M.A. Introdução migração dessas células está relacionada à cinética de expressão das moléculas de adesão endotelial. A adesão de leucócitos ao endotélio é um processo com várias etapas caracterizado pela interação inicialmente lenta mediada pelas selectinas e receptores de carboidratos que auxiliam o movimento de rolamento. Iniciado esse rolamento, os leucócitos são ativados por agentes quimiotáticos induzindo a ativação de β integrinas na superfície dessas células, que interagem com membros endoteliais da superfamília das imunoglobulinas presentes no endotélio e auxiliam assim a estabilizar a adesão entre epitélio e leucócito (Springe, 1994; Bevilacqua & Nelson, 1993). Neutrófilos expressam grande variedade de integrinas e selectinas na sua superfície. Dentre elas é interessante destacar o papel das integrinas CD11b e CD49d da subfamília β que apresentam papel importante durante a migração (Coxon e cols., 1996), bem como, na infecção por L. major, como mostrado em diferentes trabalhos (Rosenthal e cols., 1996; Sullivan e cols., 2004; Charmoy e cols., 2007). A selectina CD62L é expressa em leucócitos, sendo a principal molécula de adesão em neutrófilos, e comumente utilizada como marcador de ativação, uma vez que neutrófilos ativados deixam de expressar essa molécula (Geng e cols., 1992; Berg & James, 1990; Utgaard e cols., 1998; Smalley & Ley, 2005; Mastej & Adamiec, 2008), como mostrado em estudo, in vitro, de neutrófilos infectados por L. major (Laufs e cols., 2002). Ainda no contexto da migração e ativação de neutrófilos é importante comentar sobre o papel do GM-CSF na proliferação e diferenciação de células progenitoras de neutrófilos/monócitos, bem como na modulação da ativação funcional e maturação dessas células (Cheng e cols., 2001). Diferentes estudos mostraram que o GM-CSF é um fator multifuncional que apresenta importante papel no desenvolvimento de neutrófilos efetores em resposta in vivo (Fossati e cols., 1998) além de prolongar a sua sobrevivência no sítio inflamatório (Al-Shami e cols., 1998). Neutrófilos tratados com GM-CSF aumentam a mobilização de cálcio, bem como, produzem as quimiocinas MIP-1α, proteína quimiotática de monócitos-3 (MCP-3) e a proteína regulated on activation normal T cell expressed and secreted (RANTES) (Cheng e cols., 2001). Além disso, Safaiyan e cols. (2011) mostraram, in vivo, que a produção de GM-CSF pode ativar neutrófilos frente à infecção por L. major, entretanto, esses mecanismos de ativação ainda não foram elucidados. Durante o processo inflamatório, a produção de diferentes citocinas e outros fatores solúveis são elementos-chave para o recrutamento de leucócitos, de forma que as quimiocinas têm importante papel na migração de células. Quimiocinas são pequenas proteínas com quatro cisteínas conservadas que formam duas pontes de dissulfeto. Estão agrupadas em duas diferentes famílias de acordo com a posição das duas primeiras cisteínas, que estão adjacentes (CC), ou separadas por um aminoácido (CXC) (Baggiolini, 1998). A maioria das quimiocinas é produzida em condições patológicas pelas células teciduais e pelo infiltrado leucocitário (Moser & Willimann, 2004). As 26 BATISTA, M.A. Introdução quimiocinas produzidas durante processos inflamatórios são determinantes da extensão, do tipo e da duração do processo migratório de células para o tecido, sendo a regulação celular da expressão dos receptores destas moléculas fator importante no processo de migração (Sallusto e cols., 2000). Estudo de Kobayashi (2002) mostrou que neutrófilos são capazes de produzir diferentes quimiocinas em resposta a vários estímulos, incluindo o lipopolissacarídeo (LPS), TNF-α e IFN-γ. Cassatella e cols. (1999) demonstraram que neutrófilos liberam MIP-1α/β após diferentes estímulos como LPS, TNF-α e produtos microbianos originados de bactérias, fungos ou protozoários. von Stebt e cols. (2003) mostraram que neutrófilos são capazes de produzir MIP-1α/β durante o processo inflamatório cutâneo gerado pela poliacrilaminda. Adicionalmente, Bennouna e cols. (2003) mostraram que Toxoplasma gondii desencadeia a liberação de MIP-1α/β por neutrófilos após a ativação pelas células dendríticas. Além disso, na infecção por L. major, foi demonstrado que neutrófilo libera MIP-1β induzindo o recrutamento de macrófagos (van Zandbergen e cols., 2004). Charmoy e cols. (2010A) mostraram, in vitro, que neutrófilos nos momentos iniciais da infecção por L. major induzem o recrutamento de células dendríticas de medula pela expressão de RNAm de MIP-1α/β e pela liberação da proteína MIP-1α no sobrenadante de cultura. Além disso, foi observado in vivo o papel crítico de MIP-1α como importante fator quimiotático para células dendríticas migrarem para o sítio de inoculação. A resposta inicial do hospedeiro ao patógeno é rapidamente gerada pela resposta imune inata que pode levar à eliminação do microorganismo. Este tipo de resposta depende de um sofisticado arranjo de receptores de reconhecimento padrão (PRR) que reconhecem padrões moleculares associados aos patógenos (PAMPs) como lipoproteínas, lipopeptídeos, peptidioglicanos, lipopolissacarídeos, dentre outros (Creagh & O'Neill, 2006, Meneghin & Hogaboam, 2007). Os mais reconhecidos PRRs são os TLRs (Toll Like Receptors) (Akira, 2006, Pasare & Medzhitov, 2005), os NLRs (Receptores NOD) (Martinon & Tschopp, 2005) e os receptores RIG-Is (Retinoic acid-Inducible Gene-I) (Kato e cols., 2005). A expressão destes PPRs ocorre em células do sistema imune como macrófagos, eosinófilos, neutrófilos, células dendríticas, células natural killer (NK) além de fibroblastos, células epiteliais e adipócitos (Takeda & Akira, 2004). Os receptores do tipo Toll são proteínas transmembrana capazes de reconhecer patógenos extracelulares, direta ou indiretamente, mediando à ativação intracelular de forma específica para a defesa do hospedeiro (Charmoy e cols., 2007). A ativação dos TLRs em uma determinada célula pode alterar seu perfil de migração, apoptose bem como secreção de citocinas (Parker e cols., 2005). Parasitos do gênero Leishmania expressam em sua superfície moléculas que interagem com células da resposta imune inata. Neste sentido, os receptores TLRs tem papel importante na 27 BATISTA, M.A. Introdução infecção por este parasito. Diferentes trabalhos mostraram que os receptores TLR2, TLR4 e TLR9 atuam no controle da infecção por Leishmania (Kropf e cols., 2004A/B; De Veer e cols., 2003; Charmoy e cols., 2007). O LPG presente em promastigotas de Leishmania é um dos ligantes de TLR2 e já foi descrito como ativador de macrófagos e células NK (Beil e cols., 1992; Becker e cols., 2003). Além disso, Kropf e cols. (2004A/B) foram os primeiros trabalhos a mostrar, em camundongos (C57BL/6 e BALB/c), a contribuição efetiva de TLR4 no controle da carga parasitária durante a infecção, in vivo, por L. major, uma vez que esses resultados estavam relacionados ao menor número de parasitos e maior expressão de iNOS na lesão. Estudo de Weinkopff e cols. (2013) demonstraram que a sinalização em células dendríticas induzida por TLR9 é importante durante a resposta inicial para o controle do desenvolvimento da lesão e da carga parasitária, mas é dispensável para a diferenciação de células Th1 secretoras de IFN-γ em modelo murino (C57BL/6). Além disso, mostrou que os níveis elevados dessa citocina não são suficientes para controlar a replicação do parasito nos momentos iniciais da infecção por L. braziliensis. No microambiente inflamatório gerado após a liberação de promastigotas metacíclicas, as citocinas são proteínas solúveis que têm importante papel para formação deste microambiente inflamatório, bem como, no direcionamento da resposta imune adaptativa. O conceito de que neutrófilos são fonte de citocinas foi revisado por Cassatela (1999). Considerando a grande diversidade de citocinas descritas (Tacchini-Cottier e cols., 2000; Ribeiro-Gomes e cols., 2004 Tsuda e cols., 2004; Charmoy e cols., 2007; Novais e cols., 2009; de Souza Carmo e cols., 2010; Safaiyan e cols., 2011) é importante destacar as citocinas TNF-α, TGF-β, IL-10 e IL-12p40. WitkoSarsat e cols. (2000) mostraram que o TNF-α produzido por neutrófilo estimula o processo de migração, expressão de moléculas de adesão, degranulação e produção de espécies reativas do oxigênio, auxiliando assim a resolução da infecção. Diferentes trabalhos mostraram que camundongos C57BL/6 deficientes em TNF-α e infectados por L. major desenvolvem lesão e não apresentam cura (Wilhelm e cols., 2001; Chakour e cols., 2003; Ritter e cols., 2004; Allenbach e cols., 2008). Outros estudos mostraram que a citocina TGF-β é expressa e liberada por neutrófilo com importante papel na sobrevivência dessa célula (Grotendorst e cols., 1989; Fava e cols., 1991). Vale mencionar que a liberação TGF-β durante a infecção por Leishmania é um dos alicerces que suportam a teoria de que neutrófilos apoptóticos infectados por L. major silenciam a ativação dos mecanismos leishmanicidas de macrófagos (van Zandbergen e cols., 2004; Laskay e cols., 2008). Neutrófilos apresentam estoque intracelular de TGF-β e estímulos como n-formil-metionil-leucilfenilalanina (fMLP) e citocalasina B podem induzir a sua liberação (Bry e cols., 1994). RibeiroGomes e cols. (2004) mostraram, in vitro, que a produção de TGF-β por macrófagos de camundongos BALB/c infectados por L. major levou ao aumento na carga parasitária. Além disso, 28 BATISTA, M.A. Introdução Charmoy e cols. (2007) mostraram, in vitro, a expressão do RNAm, bem como, a proteína liberada no sobrenadante de cultura de neutrófilos infectados por L. major. Diferentes mecanismos podem estar envolvidos no controle do processo inflamatório, sendo que a citocina IL-10 está intimamente envolvida (Vieth e cols., 1994; Couper e cols., 2008). Vários trabalhos mostraram que a IL-10 inibe a produção de citocinas inflamatórias como IL-12 e TNF-α em neutrófilos (Moore e cols., 2001; Cassatela e cols., 1993) bem como, a produção das quimiocinas MIP-1α/β (Witko-Sarsat e cols., 2000). Charmoy e cols. (2007) mostraram, in vitro, pequena expressão de RNAm, bem como, baixos níveis de IL-10 no sobrenadante de cultura de neutrófilos de camundongos C57BL/6 infectados por L. major. Diferentes estudos mostram que a citocina IL-12 bioativa é um heterodímero de 70 kDa, chamado de IL-12p70, que possui duas cadeias ligadas covalentemente sendo uma de 40 kDa (IL-12p40) e outra de 35 kDa (IL-12-p35). Essa citocina tem papel crucial no direcionamento da resposta adaptativa por polarizar a diferenciação de linfócitos TCD4+ para um perfil Th1, além disso, apresentam papel efetor na indução da produção de IFN-γ por células NK. A subunidade IL-12p40 é secretada na forma de monômeros ou homodímeros cerca de 5 a 90 vezes mais que a forma biologicamente ativa IL-12p70 (Trinchieri, 2003). Além disso, a forma homodímera da IL-12p40 apresenta papel antagônico ao IL-12, uma vez que induz resposta Th2. Isso ocorre porque o IL-12p40 pode ser agonista da IL-12p70 se ligando competitivamente ao receptor de IL-12, suprimindo assim a resposta contra vários antígenos, in vitro (Kato e cols., 1996; Ling e cols., 1995) e in vivo (Heizel e cols., 1997; Hino e cols., 2004; Obata e cols., 2006). Charmoy e cols. (2007) mostraram, in vitro, a expressão do RNAm, bem como, os níveis dessa proteína no sobrenadante de cultura de neutrófilos infectados por L. major. Portanto, considerando os vários estudos relacionados à biologia dos neutrófilos e seu papel na infecção por diferentes espécies de Leishmania, fica evidente o importante papel dessas células como componente da resposta inflamatória, entretanto, ainda não está claro os mecanismos utilizados por neutrófilos para destruição e controle dos protozoários causadores da leishmaniose. Dessa forma, o estudo do papel dos neutrófilos durante os eventos iniciais da infecção por diferentes espécies de Leishmania torna-se extremamente relevante, pois contribuirá para melhor compreensão dos mecanismos imunológicos advindos dos neutrófilos visando o melhor entendimento e o controle da infecção. 29 BATISTA, M.A. Justificativa 2 -JUSTIFICATIVA BATISTA, M.A. Justificativa A infecção por parasitos do gênero Leishmania causa uma série de manifestações clínicas, que podem variar dependendo da espécie do parasito e da resposta imune do hospedeiro. A resposta inicial do hospedeiro a um patógeno é rapidamente gerada pela resposta imune inata que pode levar à eliminação do microorganismo. Neste sentido, estudos em macrófagos se destacam devido ao tropismo do parasito por estas células, permitindo a sobrevivência e multiplicação das formas amastigotas desse parasito, na ausência de mecanismos leishmanicidas. No entanto, considerando a importância e a participação de diferentes células da resposta imune inata na defesa do hospedeiro frente à infecção por Leishmania, vale ressaltar que diversos trabalhos na literatura têm mostrado extensivamente que os neutrófilos desempenham importante papel na morte da Leishmania, bem como, no desenvolvimento de resposta imune adquirida efetora. Entretanto, vários estudos mostraram que os neutrófilos podem auxiliar no estabelecimento da infecção, via inativação dos mecanismos leishmanicidas de macrófagos, bem como pela permanência no sítio inflamatório devido ao aumento de sua sobrevivência. Em contrapartida, diferentes estudos mostraram que essas células podem ter papel protetor na infecção por Leishmania, uma vez que, podem matar o parasito através de seus mediadores leishmanicidas (EROS e NO), além de auxiliarem no direcionamento da resposta adquirida efetora pela produção de quimiocinas (IL-8 e MIP-1α/β) a fim de atrair outras células para o local da infecção ou pela produção de citocinas como o TNF-α e IL-12 que auxiliam no estabelecimento e direcionamento da resposta adaptativa. Ainda é importante mencionar que a maior parte dos trabalhos aborda a infecção por L. major e, nesse sentido, é de grande relevância a abordagem proposta nesse trabalho a fim de ampliar os conhecimentos atuais sobre o papel de neutrófilos durante a infecção por parasitos do gênero Leishmania. Dessa forma, neste trabalho foi avaliado o efeito da infecção por diferentes espécies de Leishmania, com graus de virulência variáveis, sobre a resposta imune de neutrófilos. Assim, este trabalho constituiu ferramenta importante para o entendimento do papel desta célula nos eventos iniciais da infecção por diferentes espécies de Leishmania, a fim de, contribuir para melhor compreensão dos mecanismos imunológicos advindos dos neutrófilos visando o melhor entendimento da infecção. 31 BATISTA, M.A. Objetivos 3 - OBJETIVOS BATISTA, M.A. Objetivos 3.1 - Objetivo geral Avaliar, in vitro, a resposta imune de neutrófilos de camundongos C57BL/6 estimulados com diferentes espécies de Leishmania. 3.2 - Objetivos específicos 3.2.1 – Avaliar a viabilidade de neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major. 3.2.2 – Avaliar a capacidade fagocítica de neutrófilos na presença de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major. 3.2.3 – Avaliar o perfil de expressão de óxido nítrico e espécies reativas de oxigênio intracelulares em neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major. 3.2.4 – Avaliar a expressão de moléculas de ativação CD11b/CD49d/CD62L e TLR2/TLR4/TLR9 em neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major. 3.2.5 – Avaliar os níveis do fator estimulador de colônia para macrófagos e granulócitos (GM-CSF) e das quimiocinas MCP-1, MCP-3, MIP-1α, MIP-1β e RANTES em sobrenadante de cultura de neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major. 3.2.6 – Avaliar o perfil de expressão das citocinas intracelulares IL-12, TNF-α, IL-10 e TGF-β em neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major. 33 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4 - MATERIAL E MÉTODOS BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.1.1 - Caracterização dos animais Com relação ao modelo experimental utilizado, sabe-se que a infecção utilizando formas promastigotas de L. major, em linhagens de camundongos resistentes (C57BL/6, C3H ou CBA) levam a formação de pequenas lesões que normalmente se curam e controle da carga parasitária. Entretanto, linhagens de camundongos susceptíveis (BALB/c) observam-se o desenvolvimento de lesão inflamatória e ausência no controle da carga parasitária (Sacks & Nober-Trauth, 2002; Louis e cols., 1998). Baseado no que foi descrito até o momento foi escolhida à linhagem isogênica C57BL/6 para a realização dos experimentos. Camundongos foram obtidos e mantidos no Centro de Ciência Animal da Universidade Federal de Ouro Preto. Todos os experimentos aos quais os animais foram submetidos foram aprovados pela Câmara de Experimentação Animal do Comitê de Ética em Pesquisa, dessa mesma instituição, pelo Oficio CEP n° 005/2009, de 16 de janeiro de 2009 (documento em anexo). O fluxograma abaixo apresenta o delineamento experimental proposto, com o número total de animais utilizado para cada objetivo específico, bem como, as principais condições de controle dos animais. Camundongos C57BL/6 Saudáveis* 50 animais de 8-10 semanas 25 Machos 25 Fêmeas Padronização dos Métodos 10 animais 8M 8F *Condições: Temperatura ambiente 21-22 C Umidade 50-55% 12h dia/12h noite Ração/água ad libitum. Controle parasitológico Peso 20-25g ic. = intracelular Viabilidade Celular 4 animais 2M 2F Fagocitose 6 animais 3M 3F NO ic. 6 animais 3M 3F EROs ic. 6 animais 3M 3F Ativação celular 6 animais 3M 3F Citocina ic. 6 animais 3M 3F Sobrenadante de cultura Quimiocinas Fluxograma 1. Delineamento experimental proposto. Apresentação das principais condições sanitárias e de saúde animal, bem como, o número de animais utilizados para cada objetivo específico. 4.1.2 - Cultura de parasitos Promastigotas de L. amazonensis, cepa PH8 (IFLA/BR/67/PH8), L. braziliensis, cepa M2903 (MHOM/BR/75/M2903) e L. major, cepa Friedlin (MHOM/IL/80/Friedlin) foram cultivadas em meio Grace (Sigma-Aldrich, St Louis, MO, EUA) suplementado com 10% de soro 35 BATISTA, M.A. Material e Métodos fetal bovino inativado (SFB – LGC, Cotia, SP, Brasil), L-glutamina (Gibco BRL, Grand Island, NY, EUA) 2mM e penicilina G (USB Corporation, Cleveland, OH, EUA) 100 U/mL, pH 6,5 e mantidas em estufa à 25°C. Promastigotas de fase estacionária obtidas após cultivo de 5 dias em meio Grace (Afonso & Scott, 1993) foram lavadas duas vezes com salina tamponada com fosfato (PBS- pH 7,2) e centrifugadas à 1540 x g / 4°C / 10 minutos. As células foram ressuspendidas em meio de cultura completo para células e tecidos (CTCM), constituído de DMEM (Sigma-Aldrich) suplementado com 10% de SFB inativado, L-glutamina 2mM, penicilina G 100 U/mL, 50µM de mercaptoetanol (Pharmacia Biotech, Uppsala, Suíça) e HEPES 25mM, pH 7,2. Para ajustar a concentração, as promastigotas foram contadas em câmara de Neubauer, em microscópio óptico. Para os experimentos de viabilidade, taxa de fagocitose, expressão de óxido nítrico, espécies reativas do oxigênio e citocinas intracelulares foram utilizados 25x105 parasitos/mL, e nos experimentos de avaliação do fenótipo celular foi utilizado 5x105 parasitos/mL. 4.1.3- Preparação dos estímulos inespecíficos zimosan e phorbol 12-myristate 13-acetate (PMA) O zimosan A (Sigma-Aldrich) é formado por um complexo proteína-carboidrato obtido da parede celular da levedura Saccharomyces cerevisiae. O zimosan A induz perfil pró-inflamatório em células da resposta imune inata (Macrae & Pryzwansky, 1984) levando a produção de citocinas pró-inflamatórias, produção de espécies reativas do oxigênio e do nitrogênio sendo, também, utilizado como controle positivo de fagocitose (Vasconcelos e cols., 2012; Takeuchi e cols., 2012). Nesse sentido, o zimosan A foi utilizado como controle positivo nos experimentos de fagocitose, expressão dos receptores de superfície, produção de citocinas intracelulares, quimiocinas, espécies reativas do oxigênio e óxido nítrico. Inicialmente o zimosan foi preparado conforme descrito por Nuutila & Lilius (2005), com pequenas modificações. Dessa forma, 100mg de zimosan foi diluído em 5mL de PBS (pH 7,2) e submetido a aquecimento (90°C) por 30 minutos, sob agitação. A suspensão foi submetida à centrifugação à 11 x g / 25°C / 2 minutos. O sobrenadante foi descartado e o pellet foi ressuspendido em 20mL de PBS (pH 7,2). Posteriormente, a solução foi guardada no freezer -80 °C em alíquotas de 1mL na concentração de 20mg/mL. Para promover e facilitar o processo de fagocitose, o zimosan foi opsonizado utilizando soro de camundongos C57BL/6 não infectados, conforme descrito por Lovrien e cols. (1989), com pequenas modificações. Assim, 240L de zimosan (20mg/mL) foi diluído em 760L PBS (pH 7,2) e submetido a centrifugação à 11 x g / 25°C / 2 minutos. O sobrenadante foi descartado e o pellet 36 BATISTA, M.A. Material e Métodos ressuspenso em 200L de soro autólogo fresco e 800L de PBS (pH 7,2). A solução foi incubada por 30 minutos em banho-maria à 37°C, e agitada em intervalos de 10 minutos. Posteriormente, a solução foi submetida novamente a centrifugação à 11 x g / 25°C / 2 minutos, o sobrenadante descartado e o pellet ressuspendido em 1mL de PBS (pH 7,2). O volume de zimosan A opsonizado utilizado nos experimentos foi de 30L para cada mL de cultura, na concentração de 36g/mL. Essa concentração e volume utilizados correspondem a aproximadamente cinco partículas de zimosan por célula. Essa estimativa foi realizada após contagem das partículas de zimosan A em microscópio óptico. O PMA (Sigma-Aldrich) é um éster de forbol diterpeno com características inespecíficas. Diferentes trabalhos (de Mello e cols., 1994; Sharma e cols., 2004) mostraram o seu papel na produção de radicais livres, como ativador da proteína quinase C ou diferenciador celular, sendo comumente utilizado como controle positivo de ativação celular (Azuma e cols., 1993; Pan e cols., 2011). Assim, neste trabalho, o PMA foi utilizado como estímulo inespecífico nos experimentos de ativação celular relacionados à avaliação da expressão do receptor TLR9. Para a preparação do PMA, o mesmo foi ressuspendido em 1mL de RPMI, na concentração de 1mg/mL. O PMA diluído foi separado em alíquotas de 10L e estocadas no freezer -20°C. Para o experimento foi utilizado 50L para cada mL de cultura, na concentração de 50ng/mL. 4.1.4 -Purificação de neutrófilos de medula óssea de camundongos C57BL/6 A metodologia para purificação de neutrófilos de medula óssea foi realizada segundo Tanaka e cols. (2004) modificada por Itou e cols. (2006) com pequenas modificações. Os fêmures e tíbias de camundongos C57BL/6 foram retirados e imergidos em álcool 70°GL por 2 minutos, seguido da imersão em PBS (pH 7,2). Posteriormente, as epífises foram cortadas e foram injetados, pelas extremidades, 10mL de solução balanceada de sais (Hank’s) sem Ca2+ e Mg2+ (pH 7,4). A suspensão celular obtida foi submetida à centrifugação à 400 x g / 4°C / 10 minutos. O sobrenadante foi descartado e a suspensão celular lavada por mais duas vezes com 10mL de Hank’s, empregandose as mesmas condições de centrifugação citadas acima. As células foram ressuspendidas em 2mL de Hank’s e aplicadas sobre o gradiente de Percoll®. O gradiente de Percoll® foi preparado conforme descrito por Itou e cols. (2006) com pequenas alterações. Dessa forma, as células de medula óssea foram adicionadas acima de três distintos gradientes de Percoll ® com densidade de 1.095, 1.085 e 1.070g/mL. Em tubos de 15mL de poliestireno foram adicionados 3mL de cada uma das soluções de Percoll® preparada nas densidades descritas acima e posteriormente foi adicionado 37 BATISTA, M.A. Material e Métodos as células de medula óssea para centrifugação à 500 x g / 4°C / 80 minutos. A fração de neutrófilos foi obtida na interface dos gradiente 1.085 e 1.095. Os neutrófilos foram lavados em 10mL de Hank’s, sendo submetidos à centrifugação à 400 x g / 4°C / 10 minutos, por duas vezes. As células foram ressuspendidas em meio CTCM e ajustadas para uma concentração de 1x105 células/mL e utilizadas nos experimentos da avaliação do fenótipo celular. Para os demais experimentos a suspensão celular foi ajustada para uma concentração de 5x105células/mL, sendo realizada a contagem do número total de células em microscopia óptica. A fração de neutrófilos obtida na interface dos gradiente 1.085 e 1.095 foi submetida a imunofenotipagem, a fim de caracterizar a população celular obtida após a centrifugação em gradiente de Percoll®. Neste sentido, foram utilizados anticorpos monoclonais anti-Ly6G APC, CD11b PE , F4/80 PE, CD14 FITC, CD3 PECy5 e CD19 FITC (Tabela 1). A figura 3 apresenta a avaliação da pureza após a purificação em gradiente de Percoll®, sendo todas as análises realizadas com as mesmas células. Dessa forma, a figura 3A representa o perfil de dispersão celular de tamanho versus granulosidade. A figura 3B representa um gráfico de fluorescência para avaliar o perfil gerado pela combinação de anticorpos anti-Ly6G APC/CD11b PE, a fim de determinar a população de neutrófilos (R1). A figura 3C representa um gráfico de fluorescência para avaliar o perfil gerado pela combinação de anticorpos anti-Ly6G APC/F4/80 PE, para determinar a população de macrófagos (R2). A figura 3D representa um gráfico de fluorescência para avaliar o perfil gerado pela combinação de anticorpos anti-Ly6G APC/CD14 FITC, para determinar a população de monócitos (R4). A figura 3E representa um gráfico de fluorescência para avaliar o perfil gerado pela combinação de anticorpos anti-CD19 FITC/CD3 PECy5, para determinar a população de linfócitos B (R6) e linfócitos T (R7). 38 BATISTA, M.A. Material e Métodos B C R1 F4/80 PE CD11b PE R2 R3 Granulosidade A Ly6G APC Ly6G APC D E R4 R5 CD3 PECy5 CD14 FITC Tamanho R7 R6 Ly6G APC CD19 FITC Figura 3. Caracterização do perfil celular após purificação de neutrófilos da medula óssea de camundongos C57BL/6. A fração de neutrófilos foi obtida na interface dos gradiente 1.085 e 1.095 submetida a uma imunofenotipagem utilizando os anticorpos monoclonais anti-Ly6G APC, CD11b PE, F4/80 PE, CD14 FITC, CD3 PECy5 e CD19 FITC a fim de caracterizar a população celular obtida, bem como a eficiência de purificação da metodologia. A – Perfil de distribuição pontual em gráfico de tamanho versus granulosidade. B – Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 4 (FL4-Ly6G/APC) versus fluorescência 2 (FL2- CD11b/PE). C – Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 4 (FL4-Ly6G/APC) versus fluorescência 2 (FL2- F4/80/PE). D – Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 4 (FL4-Ly6G/APC) versus fluorescência 1 (FL1- CD14/FITC). E – Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 1 (FL1- CD19/FITC) versus fluorescência 3 (FL3CD3/PECy5). O número ao lado de cada região (R1-R7) selecionada nos gráficos indica porcentagem de células relativa à região selecionada. 4.1.5 - Cultura de neutrófilos, in vitro, na presença de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A Para a avaliação dos marcadores de ativação, neutrófilos de camundongos C57BL/6 foram purificados e obtidos de medula óssea, conforme descrito anteriormente. Os neutrófilos (1x105/mL) foram cultivados na presença ou ausência de promastigotas de L. amazonensis, L. braziliensis, L. major (5x105/mL), zimosan (36g/mL) ou PMA (50ng/mL), em tubos de polipropileno. A cultura foi mantida em meio de cultura completo para células e tecidos (CTCM), por 3 horas a 37°C / 5% CO2. É importante salientar que para os demais experimentos realizados nesse trabalho a quantidade 39 BATISTA, M.A. Material e Métodos de neutrófilos foi de 5x105/mL e a quantidade de parasito foi 25x105/mL, sendo mantidas as mesmas condições de cultura descritas anteriormente. Para a realização de cada objetivo específico proposto nesse projeto foram utilizados dois animais (n=2) para cada repetição. 4.1.6 - Marcação imunofenotípica de neutrófilos, in vitro, após cultura na presença de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A Após o tempo de cultura, como descrito acima, a suspensão celular foi submetida à centrifugação à 400 x g / 4°C / 10 minutos. O sobrenadante foi coletado e mantido em freezer -20°C para a dosagem de quimiocinas. A suspensão celular foi lavada em 2mL de PBS 1%BSA (pH 7,2), empregando as mesmas condições de centrifugação anteriormente citadas. Neutrófilos foram submetidos ao bloqueio do receptor de imunoglobulina – Fc-gama (anticorpo anti-CD16/CD32) (Tabela 1), por 10 minutos. Posteriormente, a suspensão celular foi incubada com a combinação dos anticorpos monoclonais marcados com fluorocromo para o receptor celular de interesse anti-Ly6G FITC ou APC e anti-CD11b FITC ou PE (Tabela 1) para determinação da população de neutrófilos. A suspensão foi mantida a temperatura ambiente, por 30 minutos, ao abrigo da luz. Em seguida, foram realizadas marcações específicas para cada objetivo específico deste trabalho, que serão descritos posteriormente. 4.1.7 - Avaliação da viabilidade de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A Para a avaliação da viabilidade de neutrófilos infectados, in vitro, por L. amazonensis, L. braziliensis ou L. major foram empregados dois procedimentos, como descritos a seguir. A avaliação do processo de apoptose foi realizada posteriormente ao cultivo e marcação imunofenotípica descrita anteriormente. Dessa forma, no momento em que os neutrófilos foram incubados na presença dos anticorpos anti-Ly6G FITC foi também adicionado com anexina V Alexa Fluor 647 (Tabela 1). As amostras foram incubadas por 20 minutos, a temperatura ambiente e ao abrigo de luz. Após a incubação foi adicionado a cada tubo o corante Iodeto de Propídio (IP) na concentração 0,5µg/mL e novamente os tubos com a suspensão celular foram incubados por 10 minutos, a temperatura ambiente e ao abrigo de luz. Posteriormente, a suspensão celular foi lavada 40 BATISTA, M.A. Material e Métodos com 2mL de PBS (pH 7,2). Em seguida, as células foram fixadas com 200L de solução fixadora – Macs Facs Fix (MFF) (10g/L de paraformaldeído, 1% de cacodilato de sódio, 6,67g/L de cloreto de sódio, pH 7,2-SIGMA, E.U.A.). A aquisição dos dados foi realizada e foram lidos 10.000 eventos dentro do “gate” de neutrófilos. Além da avaliação da viabilidade celular empregando marcadores de apoptose, ao final das 3 horas de incubação da cultura a viabilidade celular foi avaliada também em microscópio óptico através da contagem de células que conseguem eliminar o corante azul de Tripan do seu interior, utilizando a câmara de Neubauer. 4.1.8 - Avaliação da fagocitose de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A por neutrófilos O ensaio da fagocitose por neutrófilos, in vitro, foi realizado utilizando-se promastigotas após 5 dias de cultivo, como descrito anteriormente. Os parasitos foram ressuspendidos em PBS 5% SFB, pH 7,2, e ajustados na concentração de 25x105 parasitos/mL. Posteriormente, os mesmos foram incubados com éster de succinimidil-carboxifluoresceína (CFSE – Sigma-Aldrich) 5mM, a 37°C, por 10 minutos, ao abrigo de luz, e lavados por duas vezes, sendo que na primeira lavagem foi utilizado PBS 10% SFB, pH 7,2, e na segunda foi utilizado PBS (pH 7,2) (Gonçalves e cols., 2005). Adicionalmente, o zimosan A (Sigma-Aldrich) foi submetido ao mesmo protocolo de marcação com CFSE descrito acima. A eficiência da marcação foi avaliada por citometria de fluxo, como exemplificado na figura 4. A figura 4A representa o perfil de dispersão celular de tamanho versus granulosidade, para determinação da região R1. A figura 4B representa a sobreposição (overlay) das células selecionadas na região R1 em relação a intensidade de fluorescência da marcação com CFSE, onde o histograma preenchido (cinza) representa os parasitos não marcados e o histograma vazio representa os parasitos marcados com CFSE, com percentual de marcação de 99,9%. A figura 4 é representativa para a marcação das demais espécies de Leishmania e estímulo inespecífico zimosan. 41 BATISTA, M.A. Material e Métodos A B N de Células Granulosidade R1 Tamanho CFSE Figura 4. Marcação de Leishmania com CFSE. Promastigotas de fase estacionária de L. amazonensis foram incubadas na presença de CFSE, conforme descrito anteriormente e realizada a aquisição por citometria de fluxo para avaliar a eficácia de marcação por CFSE. A - Perfil de distribuição celular em gráfico de tamanho versus granulosidade para selecionar a população de L. amazonensis na janela R1 do gráfico A. B – Histograma representativo referente a sobreposição (overlay) da população celular selecionada na janela R1 do gráfico A, onde o histograma preenchido em cinza representa a L. amazonensis não marcada com CFSE e o histograma sem preenchimento representa a L. amazonensis marcada com CFSE. A figura 4 é representativa para a marcação das demais espécies de Leishmania e estímulo inespecífico zimosan. Posteriormente à marcação com CFSE, os parasitos foram colocados em cultura com os neutrófilos isolados da medula óssea por 3 horas a 37°C / 5% CO2. Posteriormente, a suspensão celular foi lavada para retirar os parasitos que não foram fagocitados com 2mL de PBS (pH 7,2) e os tubos foram submetidos à centrifugação à 400 x g / 4°C / 10 minutos. Em seguida, as células foram fixadas com 200L de solução fixadora (MFF). A aquisição dos dados foi realizada em citômetro de fluxo BD FACSCalibur™, utilizando o software CellQuestTM , onde foram lidos 30.000 eventos dentro do “gate” de neutrófilos, conforme descrito anteriormente. A análise dos resultados foi feita utilizando o programa FlowJo (Tree Star, Ashland, OR, EUA). 4.1.9 - Detecção da expressão de óxido nítrico por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A A detecção da produção do óxido nítrico (NO) foi realizada utilizando o diacetato de 4,5diaminofluoresceína (DAF-2DA) (Calbiochem, San Diego, CA, USA) (Strijdom & Lochner, 2004) que permite a detecção do NO intracelular por citometria de fluxo. A técnica utiliza um marcador 42 BATISTA, M.A. Material e Métodos fluorogênico não fluorescente (4,5-diaminofluoresceína - DAF-2), que quando oxidado pelo NO torna-se fluorescente (DAF-2T), e a medida da fluorescência obtida é proporcional a concentração de NO intracelular (Havenga e cols., 2001; Strijdom & Lochner, 2004). A inibição da produção do NO foi realizada através da inibição da isoforma induzida da enzima óxido nítrico sintase, utilizando a aminoguanidina (AG) (Uchida e cols., 2007). A detecção da produção de óxido nítrico em neutrófilos infectados, in vitro, por L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou na presença de zimosan A foi realizada posteriormente ao cultivo e marcação imunofenotípica descrita anteriormente. É importante salientar que 10L da solução de DAF-2DA 10M (concentração final de 2M) foi adicionado após 10 minutos do início do cultivo celular. Além disso, foi adicionado a esse desenho experimental um tubo contendo neutrófilos estimulados com zimosan no qual foi também adicionado AG (10mM), sendo o protocolo de cultura e marcação imunofenotípica realizado conforme descrito anteriormente. Posteriormente, os neutrófilos foram lavados com 2mL de PBS (pH 7,2). Em seguida, as células foram fixadas com 200µL de solução fixadora (MFF). A aquisição dos dados foi realizada em citômetro de fluxo BD FACSCalibur™, utilizando o software CellQuestTM , onde foram lidos 30.000 eventos dentro do “gate” de neutrófilos, conforme descrito anteriormente. 4.1.10 - Avaliação da expressão de espécies reativas do oxigênio por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A A avaliação da produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) foi realizada utilizando o Kit Image-iT™ LIVE Green Reactive Oxygen Species (Invitrogen®) que permite a detecção de EROs intracelular por citometria de fluxo. A técnica utiliza um marcador fluorogênico não fluorescente (5-ou-6)-carboxy-2′,7′ dichlorodihydro fluorescein diacetate (carboxy-H2DCFDA), que quando quebrado por esterases intracelulares não específicas, gera a molécula carboxy-DCFH que é susceptível a reagir com as EROs não específicas tornando-se fluorescente. A inibição da produção de EROs foi realizada através do bloqueio da enzima NADPH oxidase. O Diphenyleneiodonium chloride (DPI) é capaz de inibir a enzima NADPH oxidase que é a principal produtora de espécie reativa de oxigênio intracelular (Osaki e cols., 2011). A detecção da produção de EROs em neutrófilos infectados, in vitro, por L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou na presença de zimosan A foi realizada posteriormente ao cultivo e marcação imunofenotípica descrita anteriormente, sendo importante salientar que no mesmo momento em que neutrófilos foram 43 BATISTA, M.A. Material e Métodos incubados na presença dos anticorpos anti-Ly6G APC/CD11b PE foi adicionado 1L do marcador carboxy-H2DCFDA 10mM (concentração final de 20M). Além disso, foi adicionado a esse desenho experimental um tubo contendo neutrófilos estimulados com zimosan A no qual foi também adicionado DPI (10mM) na cultura, sendo o protocolo de cultura e marcação imunofenotípica realizado conforme descrito anteriormente. As amostras foram incubadas por 30 minutos a temperatura ambiente e ao abrigo de luz. Posteriormente, a suspensão celular foi lavada com 2mL de PBS (pH 7,2). Em seguida, as células foram fixadas com 200L de solução fixadora (MFF). A aquisição dos dados foi realizada em citômetro de fluxo BD FACSCalibur™, utilizando o software CellQuestTM , onde foram lidos 30.000 eventos dentro do “gate” de neutrófilos, conforme descrito anteriormente. 4.1.11 - Avaliação da ativação celular em neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A A avaliação da ativação em neutrófilos infectados, in vitro, por L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou na presença de zimosan A foi realizada posteriormente ao cultivo e marcação imunofenotípica descrita anteriormente. Dessa forma, a estratégia de marcação foi realizada da seguinte forma: neutrófilos foram incubados na presença dos anticorpos anti-Ly6G FITC e CD11bPE para caracterizar a população de neutrófilos e ao mesmo momento foi adicionado o anti-TLR2 Alexa Fluor 647. Além disso, em outros tubos foram adicionados os anticorpos antiLy6G APC e CD11b FITC para caracterizar a população de neutrófilos e ao mesmo momento foram adicionados os anticorpos anti-CD49d PE/CD62L PE/TLR4 Biotina (Tabela 1) em diferentes tubos. As amostras foram incubadas por 30 minutos, a temperatura ambiente e ao abrigo da luz. Após a incubação, a suspensão celular foi lavada com 2mL de PBS (pH 7,2). No caso do anticorpo anti-TLR4 Biotina foi necessária uma segunda incubação com o revelador da biotina, estreptavidina (Cy5). Essas células foram incubadas e lavadas, novamente, nas mesmas condições descritas anteriormente. Em seguida, as células foram fixadas com 200L de solução fixadora (MFF). A aquisição dos dados foi realizada em citômetro de fluxo BD FACSCalibur™, utilizando o software CellQuestTM , onde foram lidos 10.000 eventos dentro do “gate” de neutrófilos, conforme descrito anteriormente. 44 BATISTA, M.A. Material e Métodos Tabela 1. Descrição dos anticorpos monoclonais marcados com fluorocromos. Anticorpo anti Fluorocromo Clone CD3 ε PECy5 145–2C11 Linfócito T CD19 FITC 6D5 Linfócito B CD14 FITC rmC5-3 Monócito F4/80 PE BM8 Macrófago CD11b FITC ou PE M1/70 Molécula de adesão de granulócito (Integrina) CD49d PE R1-2 Molécula de adesão de granulócito (Integrina) CD62L PE MEL-14 Molécula de adesão de neutrófilos (selectina) LY 6G FITC ou APC RB6-8C5 Neutrófilos TLR2 Alexa Fluor 647 6C2 Neutrófilo ativado MTS510 Neutrófilo ativado TLR4 Biotina / Streptoavidina Cy5 Anexina V Alexa Fluor 647 - Anti-CD16/CD32 - 2.4G2 Fenótipo Alvo Fase inicial de apoptose Bloqueio dos receptores de Fc 4.1.12 - Detecção dos níveis de quimiocinas e do fator estimulador de colônia para monócitos e granulócitos (GM-CSF) por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A A avaliação das quimiocinas produzidas por neutrófilos infectados, in vitro, por L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou na presença de zimosan A foi realizada posteriormente ao cultivo, no sobrenadante de cultura, dos experimentos de expressão de EROs e marcadores de ativação. A dosagem foi realizada utilizando microesferas fluorescentes presentes no Kit comercial FlowCytomix Mouse Chemokine 6plex Kit (BMS821FF) – Bender MedSystems®. Esse Kit permite a dosagem das quimiocinas MCP-1, MCP-3, MIP1-α, MIP1-β e RANTES e do fator estimulador de colônia para monócitos e granulócitos (GM-CSF). A metodologia empregada permite a avaliação simultânea de diversas quimiocinas ou GM-CSF no mesmo ensaio, empregando pequeno volume de amostra. Assim, alíquotas de 10µL do padrão de quimiocinas ou de GM-CSF foram submetidas à diluição seriada com uma solução tampão presente no Kit (“Top Standart” – 20.000pg/mL, 1:2 – 6.666pg/mL, 1:4 – 2.222pg/mL, 1:8 – 741pg/mL, 1:16 – 247pg/mL, 1:32 – 82pg/mL, 1:64 – 27pg/mL). Em seguida, a cada tubo foram adicionados 25µL do sobrenadante, juntamente com 25µL da mistura de esferas de captura, conjugadas com anticorpos monoclonais anti-MIP1-β/MCP1/GM-CSF e conjugadas com anticorpos policlonais anti-MCP-3/MIP1-α/RANTES. Ao mesmo 45 BATISTA, M.A. Material e Métodos momento foi adicionado 50µL da mistura dos conjugados de biotina para cada esfera de captura com subsequente incubação por 120 minutos, a temperatura ambiente e ao abrigo da luz. Após a incubação, as esferas de captura foram lavadas por duas vezes com 1mL da solução tampão e, o sobrenadante, cuidadosamente aspirado e descartado nos dois momentos. As esferas foram então novamente incubadas na presença de 50µL da solução de estreptavidina, por 60 minutos, a temperatura ambiente e ao abrigo da luz. Após incubação, as esferas de captura foram novamente lavadas com 1mL da solução tampão e o sobrenadante cuidadosamente aspirado e descartado. As esferas foram ressuspendidas em 250µL da solução tampão. A aquisição de 1.800 eventos nas regiões (R1) e (R2) foi realizada no citômetro BD FACSCanTM, para posterior análise utilizando o software FlowCytomix Pro 2.2 indicado pelo Kit. 4.1.13 – Avaliação do perfil de expressão de citocinas intracelulares e expressão de TLR9 por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A A detecção intracelular da expressão de citocinas e expressão do receptor TLR9 por neutrófilos infectados, in vitro, com L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou na presença de zimosan A foi realizada posteriormente ao cultivo e marcação imunofenotípica descrita anteriormente. É importante mencionar que foi adicionado 1L de Brefeldina A (SIGMA 1mg/mL concentração final de 1g/mL) em todos os tubos no mesmo momento da preparação da cultura com intuito de assegurar a retenção das citocinas no interior da célula. Dessa forma, após a incubação com os anticorpos anti-Ly6G FITC ou APC/CD11b FITC ou PE, as amostras foram lavadas com 2mL de PBS Wash (W) (PBS contendo 0,5% de BSA e 0,1% de azida sódica – reagentes SIGMA). Em seguida, as amostras foram fixadas utilizando 2mL de solução de lise comercial (BD FACSTM Lysing Solution), por 10 minutos, à temperatura ambiente. Posteriormente, as preparações celulares foram permeabilizadas com 2mL de PBS-permeabilizante (P) (PBS contendo 0,5% de BSA, 0,1% de azida sódica e 0,5% de saponina - reagentes SIGMA) por 10 minutos, a temperatura ambiente. Em seguida, as amostras foram incubadas com os anticorpos anticitocinas (anti-IL-10 APC/IL-12 PE/TGF-PETNF-APCbem como com o anticorpo antiTLR9 Biotina por 30 minutos, a temperatura ambiente e ao abrigo de luz (Tabela 2). Após a incubação, a suspensão celular foi lavada com 2mL de PBS (pH 7,2). No caso do anticorpo antiTLR9 Biotina foi necessário uma segunda incubação com o revelador da biotina, estreptavidina (Cy5). Essas células foram incubadas e lavadas, novamente, nas mesmas condições descritas 46 BATISTA, M.A. Material e Métodos anteriormente. Em seguida, as células foram fixadas com 200L de solução fixadora (MFF). A aquisição dos dados foi realizada em citômetro de fluxo BD FACSCalibur™, utilizando o software CellQuestTM , onde foram lidos 30.000 eventos dentro do “gate” de neutrófilos, conforme descrito anteriormente. Tabela 2. Anticorpos monoclonais para identificação de citocinas e receptor TLR9 intracelulares. Anticorpo anti Fluorocromo Clone IL-12 PE C17.8 TNF-α APC MP6XT22 TGF-β PE TW7-16B4 IL-10 APC JES5-16E3 TLR9 Biotina eB72-1665 47 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.2 - Estratégia de Análise 4.2.1 - Análise do processo de apoptose em neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan A Para análise do percentual de neutrófilos viáveis após a cultura, in vitro, os neutrófilos foram selecionados por suas características morfométricas e imunofenotípicas, através de gráficos de distribuição pontual de FL1/Ly6G FITC versus granulosidade (Figura 5A). Após a seleção da região de interesse (R1), a mesma foi analisada para verificar o processo de apoptose através da construção de gráficos de fluorescência 4 (Anexina V Alexa Fluor 647) versus fluorescência 3 (Iodeto de propídio - IP) (Figura 5B). B A IP FL3 Granulosidade R1 Ly6G FITC Anexina V AF647 Figura 5: Avaliação do processo de apoptose de neutrófilos infectados por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de L. amazonensis, L. braziliensis ou L. major na proporção de 5 parasitos por célula para análise do processo de apoptose. A - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 1 (Ly6G/FITC) versus granulosidade. B - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 4 (Anexina V /Alexa Fluor 647) versus fluorescência 3 (Iodeto de Propídio - IP) da população selecionada na janela R1 do gráfico A. O percentual de células viáveis foi obtido a partir do quadrante 4 (Q4) do gráfico 5B. A figura 5 é representativa para a marcação dos neutrófilos frente ao estímulo com as demais espécies de Leishmania. 48 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.2.2 - Análise da fagocitose de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou zimosan A por neutrófilos Para análise do percentual de neutrófilos infectados por Leishmania marcadas com CFSE, os neutrófilos foram selecionados por suas características morfométricas e imunofenotípicas, através de gráficos de distribuição pontual de FL4/Ly6G APC versus FL2/CD11b PE (Figura 6A). Após a seleção da região de interesse (R1), a mesma foi analisada para verificar a capacidade fagocítica com os parasitos marcados com CFSE através da construção de gráficos de fluorescência 1 (CFSE) versus fluorescência 4 (Ly6G APC) (Figura 6B). A B CD11b PE Ly6G APC R1 Ly6G APC CFSE FL1 Figura 6: Avaliação da fagocitose de Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou zimosan por neutrófilos. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou zimosan marcados com CFSE na proporção de 5 parasitos ou partículas por célula para análise da taxa de fagocitose. A - Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 4 (Ly6G/APC) versus fluorescência 2 (CD11b/PE). B - Perfil de distribuição celular de fluorescência 1 (CFSE) versus fluorescência 4 (Ly6G/APC) da população selecionada na janela R1 do gráfico A. O percentual da fagocitose foi obtido a partir do quadrante 2 (Q2) do gráfico 6B. A figura 6 é representativa para a marcação dos neutrófilos frente ao estímulo com as demais espécies de Leishmania e estímulo inespecífico zimosan. 49 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.2.3 - Análise do perfil de expressão intracelular de espécies reativas do oxigênio e óxido nítrico por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A Para análise do perfil de expressão de NO e EROs por neutrófilos infectados com Leishmania, os neutrófilos foram selecionados por suas características morfométricas e imunofenotípicas, através de gráficos de distribuição pontual de FL4/Ly6G APC versus FL2/CD11b PE independentes (Figura 7A). Após a seleção da região de interesse (R1), a mesma foi analisada para verificar a expressão de óxido nítrico intracelular através da construção de gráficos de fluorescência 4 (Ly6G APC) versus fluorescência 1 (DAF-2T) (Figura 7B), bem como, pela construção de fluorescência 4 (Ly6G APC) versus fluorescência 1 (EROs) para avaliar a expressão de EROs intracelular (Figura 7C). A C B EROs FL1 DAF-2T FL1 CD11b PE R1 Ly6G APC Figura 7: Avaliação do perfil de expressão intracelular de óxido nítrico e espécies reativas do oxigênio por neutrófilos infectados com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll ® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou zimosan na proporção de 5 parasitos ou partículas por célula para análise da expressão de NO e EROs. A - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 2 (CD11b/PE) versus fluorescência 4 (Ly6G/APC). B - Perfil de distribuição celular de fluorescência 4 (Ly6G/APC) versus fluorescência 1 (DAF-2T) da população selecionada na janela R1 do gráfico A. A expressão de NO foi obtido a partir do quadrante 2 (Q2). C - Perfil de distribuição celular de fluorescência 4 (Ly6G/APC) versus fluorescência 1 (EROs) da população selecionada na janela R1 do gráfico A. A expressão de EROs foi obtido a partir do quadrante 2 (Q2). A figura 7 é representativa para a avaliação da expressão de NO e EROs por neutrófilos frente ao estímulo com as demais espécies de Leishmania e estímulo inespecífico zimosan. 50 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.2.4 - Análise da ativação de neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A Para análise do percentual de neutrófilos ativados infectados por Leishmania, os neutrófilos foram selecionados por suas características morfométricas e imunofenotípicas, através de gráficos de distribuição pontual de FL1/CD11b FITC versus FL4/Ly6G APC (Figura 8A) ou através de gráficos de distribuição pontual de FL2/CD11b PE versus FL1/Ly6G FITC (Figura 8C). Após a seleção da região de interesse (R1 ou R2), a mesma foi analisada para verificar o perfil de ativação através da construção de gráficos de fluorescência 2 (anti-CD49/CD62L PE ou TLR4/TLR9 Biotina) versus fluorescência 4 (Ly6G APC) (Figura 8B) ou através da construção de gráficos de fluorescência 4 (anti-TLR2 APC) versus fluorescência 1 (Ly6G FITC) (Figura 8D) respectivamente. A B C R2 CD11b FITC CD49d PE Ly6G FITC Ly6G FITC Ly6G APC Ly6G APC R1 D CD11b PE TLR2 APC Figura 8: Avaliação do perfil de ativação de neutrófilos infectados por Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou zimosan na proporção de 5 parasitos ou partículas por célula para análise do perfil de ativação celular utilizando marcadores fenotípicos. A - Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 1 (CD11b/FITC) versus fluorescência 4 (Ly6G/APC). B - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 2 (CD49d/PE) versus fluorescência 4 (Ly6G/APC) da população selecionada na janela R1 do gráfico A. C - Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 2 (CD11b/PE) versus fluorescência 1 (Ly6G/FITC). D - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 4 (TLR2/APC) versus fluorescência 1 (Ly6G/FITC) da população selecionada na janela R2 do gráfico C. O percentual do perfil de ativação celular foi obtido a partir do quadrante 2 (Q2) do gráfico 8B e 8D. A figura 8 é representativa para a avaliação do perfil de ativação dos neutrófilos frente ao estímulo com as demais espécies de Leishmania e estímulo inespecífico zimosan. 51 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.2.5 - Análise do perfil de expressão de citocinas intracelulares por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major ou na presença de zimosan A Para análise do percentual de expressão de citocinas por neutrófilos infectados com Leishmania ou na presença de zimosan, os neutrófilos foram selecionados por suas características morfométricas e imunofenotípicas, através de gráficos de distribuição pontual de FL2/CD11b PE versus FL1/Ly6G FITC (Figura 9A) ou através de gráficos de distribuição pontual de FL1/CD11b FITC versus FL4/Ly6G APC (Figura 9C). Após a seleção da região de interesse (R1 ou R2), a mesma foi analisada para verificar a expressão de citocinas intracelulares através da construção de gráficos de fluorescência 4 (anti-TNF-α/IL-10 APC) versus fluorescência 1 (Ly6G FITC) (Figura 9B) ou através da construção de gráficos de fluorescência 2 (anti-IL-12/TGF-β PE) versus fluorescência 4 (Ly6G APC) (Figura 9D) respectivamente. C D Ly6G APC R2 Ly6G APC R1 B Ly6G FITC Ly6G FITC A R1 CD11b PE TNF- APC CD11b FITC TGF- PE Figura 9: Avaliação do perfil de expressão de citocinas intracelulares por neutrófilos infectados com Leishmania amanzonesis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO 2 com promastigotas de L. amazonensis, L. braziliensis, L. major ou zimosan na proporção de 5 parasitos ou partículas por célula para análise da expressão de citocinas. A - Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 2 (CD11b/PE) versus fluorescência 1 (Ly6G/FITC). B - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 4 (TNF-α/APC) versus fluorescência 1 (Ly6G/FITC) da população selecionada na janela R1 do gráfico A. C - Perfil de distribuição celular em gráfico de fluorescência 1 (CD11b/FITC) versus fluorescência 4 (Ly6G/APC). D - Perfil de distribuição celular em gráficos de fluorescência 2 (TGF-β/PE) versus fluorescência 4 (Ly6G/APC) da população selecionada na janela R2 do gráfico C. O percentual da produção de citocinas foi obtido a partir do quadrante 2 (Q2) do gráfico 9B e 9D. A figura 9 é representativa para a avaliação da expressão de citocinas intracelulares por neutrófilos frente ao estímulo com as demais espécies de Leishmania e estímulo inespecífico zimosan. 52 BATISTA, M.A. Material e Métodos 4.3 - Análise Estatística dos Dados O software Graph Pad Prism 5.0 (San Diego, CA) foi utilizado para as análises estatísticas desse estudo. As análises foram feitas através do teste ANOVA one-way seguida do pós teste de Tukey, comparando os dados de cada grupo entre si, uma vez que os dados apresentaram distribuição normal. Os dados obtidos foram considerados estatisticamente significativos quando o valor de p foi menor que 0,05 (p<0,05). As diferenças significativas estão identificadas pelo símbolo “#”, quando comparado ao grupo de neutrófilos sem estímulo e pelo símbolo “*” quando comparado ao grupo de neutrófilos na presença de zimosan (controle positivo). As demais diferenças foram representadas por linhas conectoras entre os grupos avaliados. 53 BATISTA, M.A. Resultados 5 - RESULTADOS BATISTA, M.A. Resultados 5.1 – Avaliação da viabilidade celular e fagocitose por neutrófilos infectados com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major Neutrófilos isolados da medula óssea de camundongos C57BL/6 foram cultivados na presença de L. amazonensis, L. braziliensis ou L. major, para avaliação da viabilidade celular, uma vez que neutrófilos não viáveis (apoptóticos) influenciam o perfil e o direcionamento da resposta imune frente à infecção por Leishmania (Ribeiro-Gomes e cols., 2004; Ribeiro-Gomes e cols., 2012A). Nesse sentido, a viabilidade dos neutrófilos na ausência ou presença de diferentes espécies de Leishmania foi avaliada por exclusão de azul de Trypan (Figura 10A) ou pela marcação com anexina V (AF647) juntamente com o corante iodeto de propídio (IP) (Figura 10B) que avaliam a apoptose celular. Os resultados mostraram que após as 3 horas de cultivo celular, a viabilidade dos neutrófilos não foi afetada, independentemente do estímulo utilizado (Figura 10A e B). B A 120 4.0 10 4 0 % Neutrófilo- IP-/Anexina V- N Neutrófilos v iáveis 8.0 10 4 60 0 Figura 10: Avaliação da viabilidade celular de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de Leishmania na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan (36µg/mL). Posteriormente, foi realizada a análise da viabilidade celular por exclusão de azul de Trypan em microscópio óptico (A) ou por marcação com anexina V e com o corante iodeto de propídio, por citometria de fluxo (B). Os resultados representam a média e desvio padrão de dois experimentos independentes (n=4). Uma vez observado que os neutrófilos infectados estavam viáveis, posteriormente foi avaliada a capacidade fagocítica dessas células após cultivo na presença de L. amazonensis, L. braziliensis ou L. major, previamente marcadas com CFSE. Os resultados mostraram que após 3 horas de incubação, neutrófilos fagocitaram mais L. braziliensis quando comparados com a fagocitose de L. amazonensis ou L. major (p<0,01). Além disso, a fagocitose da L. amazonensis foi 55 BATISTA, M.A. Resultados superior quando comparada a L. major (p<0,05). É importante comentar ainda que os neutrófilos fagocitaram mais zimosan (controle positivo da fagocitose) quando comparados à fagocitose por neutrófilos frente às diferentes espécies de Leishmania (Figura 11). % Neutrófilos Leish-CFSE+ 120 * * 60 * 0 Figura 11: Capacidade fagocítica de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de Leishmania na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan (36µg/mL) marcados com CFSE. Posteriormente foi realizada a análise da porcentagem de células CFSE+ por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolo acima do grupo, onde “*”diferença em relação aos neutrófilos na presença de zimosan; as linhas conectoras representam a diferença em relação aos grupos infectados por Leishmania. 5.2 – Perfil de expressão de óxido nítrico (NO) e espécies reativas de oxigênio (EROS) por neutrófilos infectados, in vitro, com promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major Com intuito de verificar se neutrófilos possuem papel funcional/protetor na resposta imune frente à infecção por Leishmania, foi realizada a avaliação da expressão de NO intracelular. Diferentes trabalhos mostraram que a fagocitose induz a produção de óxido nítrico e consequentemente a morte do parasito (Horta e cols., 2011; Charmoy e cols., 2007 Laufs e cols., 2002; Nathan & Shiloh 2000; Nussler & Billiar, 1993). Neste sentido, neste trabalho foi avaliada a expressão de NO intracelular, através da sonda DAF-2DA, por neutrófilos infectados, in vitro, com diferentes espécies de Leishmania. Os resultados mostraram aumento na expressão de NO por neutrófilos na presença de zimosan e quando infectados por L. amazonensis ou L. braziliensis em comparação aos neutrófilos sem estímulo (p<0.05). Além disso, a análise entre as espécies mostrou 56 BATISTA, M.A. Resultados maior expressão de NO em neutrófilos infectados por L. braziliensis quando comparados às demais espécies de Leishmania (p<0.05). Os resultados mostraram ainda que os neutrófilos infectados por L. amazonensis, L. braziliensis ou L. major tiveram menor produção de NO quando comparados aos neutrófilos na presença de zimosan. Vale ressaltar que foi utilizado o controle negativo da expressão de NO, utilizando a aminoguanidina (AG), inibidor da enzima óxido nítrico sintase induzida e principal indutora de NO em neutrófilos. Os resultados mostraram que neutrófilos na presença de zimosan e tratados com AG apresentaram uma redução de aproximadamente 50% na expressão de NO quando comparados aos neutrófilos na presença de zimosan (p<0.05) (Figura 12). % Neutrófilos DAF-2T + 100 #* # 50 #* * #* 0 Figura 12: Perfil de expressão de óxido nítrico intracelular por neutrófilos infectados, in vitro, com de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de Leishmania na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan (36µg/mL). Posteriormente foi realizada a análise da expressão de NO por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolo acima do grupo, onde “#” representa diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo; “*”diferença em relação aos neutrófilos na presença de zimosan; a linha conectora representa a diferença em relação aos grupos infectados por Leishmania. Outro componente relacionado ao papel funcional/protetor de neutrófilos na resposta imune à infecção por Leishmania é a produção das espécies reativas de oxigênio (EROs) (Chang, 1981; Pearson & Steigbigel, 1981). Diferentes trabalhos mostram que a fagocitose induz a produção de metabólitos da explosão respiratória pela ativação da enzima NADPH oxidase (Segal, 2005; Blos e cols., 2003; Laufs e cols., 2002; Mallinson e cols., 1989; Pearson & Steigbigel, 1981) e que a produção de EROs é importante para a morte desse parasito (Chang, 1981; Pearson & Steigbigel, 1981). Dessa forma, foi avaliada a expressão intracelular de EROs, através da marcação com a 57 BATISTA, M.A. Resultados sonda carboxy -H2DCFDA, por neutrófilos infectados com diferentes espécies de Leishmania por citometria de fluxo. Os resultados mostraram que neutrófilos expressam EROs independente do estímulo (zimosan ou Leishmania), quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0.05). No entanto foi observado maior expressão de EROs por neutrófilos infectados por L. braziliensis, quando comparados as demais espécies (p<0.05). Além disso, os resultados mostraram maior expressão de EROs em neutrófilos estimulados por L. amazonensis quando comparados a L. major (p<0.05). Os resultados mostraram ainda que os neutrófilos infectados por L. amazonensis ou L. major tiveram menor expressão de EROs quando comparado aos neutrófilos na presença de zimosan (p<0.05). É interessante comentar ainda que foi utilizado o Diphenyleneiodonium chloride (DPI) como controle negativo da expressão de EROS, pois o DPI atua como inibidor da enzima NADPH oxidase, principal responsável pela produção de EROs. Assim, neutrófilos estimulados por zimosan e tratados com DPI apresentaram uma redução de aproximadamente 50% na expressão de NO quando comparados aos neutrófilos estimulados com zimosan (p<0.05) (Figura 13). % Neutrófilos EROs+ 150 # # #* 75 #* #* 0 Figura 13: Perfil de expressão de espécies reativas de oxigênio intracelular por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll ® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan (36µg/mL). Posteriormente foi realizada a análise dos níveis de EROs por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolo acima do grupo, onde o “#” representa diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo; “*” representa diferença em relação aos neutrófilos na presença de zimosan; a linha conectora representa a diferença em relação aos grupos infectados por Leishmania. 58 BATISTA, M.A. Resultados 5.3 – Perfil de expressão de marcadores de ativação e dos receptores do tipo Toll em neutrófilos infectados, in vitro, por promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major Diversos trabalhos têm mostrado que diferentes espécies de Leishmania são capazes de alterar a expressão de moléculas de superfície em neutrófilos (Beil e cols., 1992; Becker e cols., 2003; Kropf e cols., 2004; De Veer e cols., 2003; Charmoy e cols., 2007; Weinkopff e cols., 2013). A imunofenotipagem dos neutrófilos foi realizada após 3 horas de cultivo com diferentes espécies de Leishmania com intuito de caracterizar o perfil de ativação de neutrófilos. Os resultados mostraram aumento da intensidade média de fluorescência de CD11b (Figura 14A) e CD49d (Figura 14B) em neutrófilos na presença de zimosan, quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0,05). Entretanto, não foi observada alteração na expressão dessas moléculas quando a comparação foi realizada entre as diferentes espécies de Leishmania (Figura 14A-B). Diferentemente, quando avaliada a intensidade média de fluorescência de CD62L foi observada redução significativa em neutrófilos infectados independente da espécie de Leishmania (Figura 14C), quando comparadas aos neutrófilos sem estímulo (p<0,05). 59 BATISTA, M.A. Resultados A B 400 300 IMF Neutrófilo CD11b + IMF Neutrófilos CD49d + # # 150 200 0 0 C IMF Neutrófilos CD62L+ 300 150 # # # 0 Figura 14: Expressão das integrinas (CD11b/CD49d) e da selectina (CD62L) por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll ® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de Leishmania na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan(36µg/mL). Posteriormente foi realizada a análise do perfil de ativação de neutrófilos através da expressão de CD11b (A), CD49d (B) e CD62L (C) por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolo acima do grupo, onde “#” representa diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo. O reconhecimento realizado pelas células da resposta imune inata tem papel crucial para a eliminação do parasito (Akira, 2006, Pasare & Medzhitov, 2005; Parker e cols., 2005). A avaliação dos Toll Like Receptors (TLR2, TLR4 e TLR9) foi realizada nos neutrófilos após 3 horas de cultivo com diferentes espécies de Leishmania com intuito de verificar quais os receptores participam do reconhecimento desse patógeno, uma vez que, Parker e cols. (2005) mostraram que a ativação dos receptores do tipo Toll pode levar a alteração na migração, produção de citocinas e apoptose de neutrófilos, demonstrando a importância dessa molécula na ativação celular, bem como no direcionamento da resposta imune adaptativa. Vale salientar que a utilização do PMA como 60 BATISTA, M.A. Resultados estímulo inespecífico nos experimentos relacionados a expressão do receptor TLR9 foi devido a incapacidade do zimosan ativar esse receptor (dados não mostrados). A análise da expressão de TLR2/TLR9 mostrou aumento na expressão desses marcadores independente do estímulo utilizado quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0,05). Além disso, a expressão de TLR4 mostrou aumento em neutrófilos infectados com L. braziliensis e na presença de zimosan quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0,05) (Figura 15). Além disso, a análise entre as espécies de Leishmania mostrou maior expressão de TLR2 em neutrófilos infectados por L. braziliensis, quando comparados às demais espécies (p<0,05) (Figura 15A). De maneira semelhante, a expressão de TLR4 foi maior em neutrófilos infectados por L. braziliensis, quando comparados aos neutrófilos infectados por L. amazonensis (p<0,05) (Figura 15B). Os resultados mostraram ainda que os neutrófilos infectados por L. amazonensis, L. braziliensis ou L. major tiveram menor expressão de TLR2 do que neutrófilos na presença de zimosan (p<0.05), entretanto, apenas observamos uma menor expressão de TLR4 em neutrófilos infectados por L. amazonensis quando comparados aos neutrófilos na presença de zimosan. Vale ressaltar que houve maior expressão de TLR9 em neutrófilos infectados por L. amazonensis quando comparados ao estímulo inespecífico PMA (p<0.05) (Figura 15C). 61 BATISTA, M.A. Resultados B A 100 100 # #* 50 #* #* % Neutrófilos TLR4 + % Neutrófilos TLR2 + # 0 # * 50 0 C % Neutrófilos TLR9 + 30 #* # # 15 # 0 Figura 15: Expressão dos receptores toll like (TLR2, TLR4 e TLR9) por neutrófilos infectados, in vitro, com Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major, na presença de zimosan ou Phorbol 12myristate 13-acetate. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll ® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas na proporção de 5 parasitos por célula, zimosan (36µg/mL) e o PMA (50ng/mL). Posteriormente foi realizada a analise do perfil de ativação de neutrófilos através da expressão de TLR2 (A), TLR4 (B) e TLR9 (C) por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolos acima do grupo, onde “#” indica diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo; “*”diferença em relação aos neutrófilos na presença de zimosan; a linha conectora representa a diferença em relação aos grupos infectados por Leishmania. 5.4 - Produção de quimiocinas por neutrófilos infectados, in vitro, com promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major Durante o processo inflamatório gerado pela infecção por parasitos do gênero Leishmania, os mediadores solúveis, em especial, as quimiocinas, são extremamente importantes no recrutamento de diferentes células (Awasthi e cols., 2004). Dessa forma, foi avaliado se neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, são capazes de produzir quimiocinas, auxiliando assim o recrutamento de células da resposta imune. Neste sentido, foi utilizado o Kit comercial 62 BATISTA, M.A. Resultados FlowCytomix Mouse Chemokine 6plex Kit que permite a dosagem simultânea no sobrenadante de cultura de diversas quimiocinas (MCP-1, MCP-3, MIP1-α, MIP1-β e RANTES) e GM-CSF. Os resultados mostraram que apenas neutrófilos estimulados por zimosan, L. amazonensis e L. braziliensis foram capazes de produzir MIP-1-α (Figura 16A). Além disso, foi verificada redução na produção por neutrófilos na presença de L. amazonensis e L. braziliensis quando comparado aos neutrófilos estimulados por zimosan (p>0,05) (Figura 16A). A avaliação de MIP-1 β mostrou aumento desta quimiocina independente do estímulo (zimosan ou Leishmania) (Figura 16B). Adicionalmente, foi verificada maior produção de MIP-1β em neutrófilos estimulados com zimosan e L. amazonensis quando comparado aos neutrófilos sem estímulo (p>0,05). Além disso, foi observada redução na produção desta quimiocina independente da espécie de Leishmania quando comparado aos neutrófilos na presença de zimosan. Vale ressaltar ainda que a análise entre as espécies do parasito mostrou que neutrófilos estimulados por L. amazonensis produziu mais MIP-1β quando comparado ao estímulo gerado pela L. major (Figura 16B). Por fim, é importante comentar que não foi possível detectar as demais quimiocinas presentes neste Kit. A B 400 400 * * 0 MIP-1β + (pg/mL) MIP-1α+ (pg/mL) 800 # 200 #* * * 0 Figura 16: Dosagem de quimiocinas no sobrenadante de cultura de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan (36µg/mL). Após a incubação, o sobrenadante foi coletado e acondicionado em freezer -20°C para posterior dosagem pelo kit FlowCytomix Mouse Chemokine 6plex Kit para determinar os níveis das quimiocinas por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolos acima do grupo, onde “#” indica diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo; “*”diferença em relação aos neutrófilos na presença de zimosan; a linha conectora representa a diferença em relação aos grupos infectados por Leishmania. 63 BATISTA, M.A. Resultados 5.5 – Avaliação do perfil de expressão de citocinas intracelulares por neutrófilos infectados, in vitro, com promastigotas de Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis ou Leishmania major Na instalação inicial do microambiente inflamatório, as citocinas têm importante papel no direcionamento da resposta imune adaptativa (Ritter e cols., 2008; Witko-Sarsat e cols., 2000; Liew e cols., 1990). Dessa forma, torna-se de extrema importância a avaliação da expressão de citocinas por neutrófilos infectados com Leishmania. Neste sentido, foi avaliado o perfil de expressão intracelular das citocinas TNF-α, IL-12p40, IL-10 e TGF-β por neutrófilos infectados com diferentes espécies de Leishmania. Os resultados mostraram aumento na expressão de neutrófilos TNF-α+ independente do estímulo (zimosan ou Leishmania) quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0.05) (Figura 17A). Além disso, esse mesmo perfil de expressão de citocina foi observado por neutrófilos IL-10+ infectados com L. amazonensis, L. braziliensis ou na presença de zimosan quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0.05) (Figura 17B). Adicionalmente, neutrófilos infectados com L. amazonensis ou na presença de zimosan expressam mais IL-12p40 quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (p<0.05) (Figura 17C). Diferentemente, não foi observada alteração na expressão de TGF-β por neutrófilos infectados com diferentes espécies de Leishmania, quando comparados aos neutrófilos sem estímulo, no entanto, houve aumento de TGFβ em neutrófilos na presença de zimosan (p<0.05) (Figura 17D). Vale ressaltar a expressão das diferentes citocinas por neutrófilos na presença de Leishmania foi inferior quando comparados aos neutrófilos na presença de zimosan. Além disso, a análise entre as espécies de parasito não mostrou nenhuma diferença (Figura 17). 64 BATISTA, M.A. Resultados A B 100 # 50 #* 15 #* #* % Neutrófilo IL-10 + % Neutrófilo TNF-α+ 100 50 10 #* #* * 0 0 C D 30 100 # # 50 15 #* * * % Neutrófilo TGF-β+ % Neutrófilo IL-12p40 + # 15 5 * * * 0 0 Figura 17: Perfil de expressão de citocinas intracelulares de neutrófilos infectados, in vitro, por Leishmania amazonensis, Leishmania braziliensis, Leishmania major ou na presença de zimosan. Neutrófilos de medula óssea foram purificados em gradiente de Percoll® e incubados por 3 horas a 37°C/5%CO2 com promastigotas de Leishmania na proporção de 5 parasitos por célula e zimosan (36µg/mL). Posteriormente foi realizada a análise da expressão das citocinas intracelulares TNF-α (A), IL-10 (B), IL-12p40 (C) e TGF-β (D) por citometria de fluxo. Os resultados representam a média e desvio padrão de três experimentos independentes (n=6). A diferença estatística (p<0,05, ANOVA one-way seguida pelo pós-teste de Tukey) está representada na forma de símbolo acima do grupo, onde “#” representa diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo; “*”diferença em relação aos neutrófilos na presença de zimosan. A fim de sumarizar os resultados encontrados nesse projeto foi montada a figura 18. As cores representam as diferenças entre os grupos, onde a cor vermelha e azul representam diferenças entre as espécies de Leishmania, onde o vermelho esta associado ao aumento e o azul a redução. Além disso, a cor preta representa diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo. A direção da seta indica aumento ou redução da molécula posterior, bem como, o quadrado verde chama a atenção para os dados mais importantes encontrados nesse projeto. 65 BATISTA, M.A. Resultados Sumário dos resultados L. amazonensis L. braziliensis L. major ↑ Infecção ↑ ↑ Infecção ↓ Infecção ↓ NO ↑ ↑ NO ↓ NO ↑ EROs ↑ ↑ EROs ↓ EROs ↓ TLR2 / TLR4 ↑ TLR2 / TLR4 ↓ TLR2 / ------- ↑ TLR9 / ↓ CD62L ↑ TLR9 / ↓ CD62L ↑ TLR9 / ↓ CD62L ---------↑ MIP-1β ------------------- ---------↓ MIP-1β ↑ TNF-α ↑ IL-12p40 ↑ IL-10 ↑ TNF-α ---------↑ IL-10 ↑ TNF-α ------------------- BATISTA, M.A. Discussão Figura 18: Sumário dos resultados. Nessa figura foram compilados os resultados desse projeto. Cor vermelha (aumento) e azul (redução) representam diferenças entre as espécies de Leishmania. A cor preta representa diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo. A seta indica aumento ou redução da molécula posterior. O quadrado verde chama a atenção para os resultados mais importantes. 66 BATISTA, M.A. Discussão 6 - DISCUSSÃO BATISTA, M.A. Discussão Os efeitos da infecção por parasitos do gênero Leishmania na sobrevivência, bem como, o perfil de ativação fenotípico/funcional de neutrófilos depende de fatores como a espécie do parasito, estágio de desenvolvimento do mesmo, bem como, do modelo utilizado para o estudo da função biológica dos neutrófilos (estudos in vitro, in vivo, modelo susceptível ou resistente à infecção), como revisado por Ribeiro-Gomes & Sacks, (2012B). Neutrófilos são células de vida curta que podem prejudicar a eliminação do parasito, uma vez que, macrófagos não ativam os mecanismos leishmanicidas após a fagocitose de neutrófilos apoptótico/infectados, favorecendo assim a sobrevivência do parasito no hospedeiro (Laskay e cols., 2003; Afonso e cols., 2008; John e Hunter, 2008; Peters e cols., 2008; Novais e cols., 2009). Ribeiro-Gomes e cols. (2004) mostraram que a interação in vitro entre macrófagos infectados e neutrófilos apoptóticos pode alterar o destino da infecção por L. major, uma vez que em animais suscetíveis, ocorre um aumento da carga parasitária e em animais resistentes ocorre um aumento da produção de TNF-α e morte do parasito. Além disso, a depleção de neutrófilos in vivo leva ao aumento na carga parasitária em camundongos C57BL/6 (Ribeiro-Gomes e cols., 2004). RibeiroGomes e cols. (2012A) mostraram, in vivo, que células dendríticas reduzem a expressão de marcadores de ativação e capacidade de apresentação do antígeno após a fagocitose de neutrófilos apoptótico/infectados. Vale ressaltar que os nossos resultados mostram que não houve alteração na viabilidade celular e que neutrófilos não estão em processo apoptótico após 3 horas de cultivo, independente da espécie do parasito (Figura 10). Aga e cols. (2002) e Zandbergen e cols. (2004) demonstraram que a infecção por L. major leva a um aumento na sobrevivência de neutrófilos. Além disso, Charmoy e cols. (2010) mostraram que a infecção por L. major em neutrófilos, in vitro, leva a uma redução na expressão dos marcadores de fase inicial e tardia de apoptose, após 24 horas de interação entre neutrófilos e L. major. Adicionalmente, Sarkar e cols. (2013) mostrou que a neutrófilos infectados por L. major ativa a fosforilação de ERK1/2, aumenta e mantém a expressão de fatores anti-apoptóticos (Bcl-1 e Bf1, respectivamente) e reduz a expressão de FAS indicando que a infecção por L. major afeta as vias de apoptose utilizadas por neutrófilos, levando a um aumento da sua sobrevivência. Considerando o exposto, os resultados do projeto mostraram que a viabilidade dos neutrófilos não foi alterada após 3 horas de cultura, in vitro, com diferentes espécies de Leishmania, entretanto, vale salientar que a capacidade de diferentes espécies de Leishmania induzir apoptose em neutrófilos deve ir além dos eventos inicias da infecção com intuito de caracterizar melhor os momentos tardios da infecção. Neutrófilos são as primeiras células a migrarem para o local da infecção (Beil e cols., 1992; Tacchini-Cottier e cols., 2000; Peters e cols., 2008), sendo capaz de fagocitar e destruir o parasito (Awasthi e cols., 2004). No presente trabalho foi demonstrada a fagocitose de diferentes 68 BATISTA, M.A. Discussão espécies de Leishmania por neutrófilos (Figura 11). Os resultados deste estudo foram semelhantes aos apresentados por Deane (1938), in vivo, que demonstrou através da análise de esfregaço de medula óssea de pacientes infectados que neutrófilos são capazes de fagocitar amastigotas de L. donovani. Além disso, diferentes estudos empregando parasitos marcados (L. major ou L. donovani), por citometria de fluxo, mostraram que neutrófilos são as células predominantemente infectadas após horas de infecção, na derme da orelha de camundongos (Peters e cols., 2008; Thalhofer e cols., 2011; Ribeiro-Gomes e cols., 2012A). Nosso estudo mostrou também que neutrófilos fagocitam diferentes espécies de Leishmania de maneira distinta, e foi observado que neutrófilos fagocitam mais L. braziliensis quando comparado a L. amazonensis ou L. major, bem como, mais L. amazonensis quando comparado a L. major (Figura 11). Em um estudo com células dendríticas realizado por Colmenares e cols. (2004) mostraram que o CD209 presente em células dendríticas seria o responsável por reconhecer as formas promastigotas e amastigotas de L. infantum ou L. pifanoi, mas o CD209 não interagiu com formas promastigotas metacíclicas de L. major. Além disso, a ligação entre Leishmania e a célula dendrítica, via receptor CD209, mostrou ser independente de LPG. Vale ressaltar que esse trabalho mostrou que o receptor presente em células dendríticas apresenta afinidade variável entre diferentes espécies de parasito, o que reflete diretamente no estabelecimento e direcionamento da resposta imune. Considerando o exposto, podemos sugerir que exista também em neutrófilos algum receptor semelhante ao demonstrado por Colmenares e cols. (2004) que explicaria a distinta capacidade fagocítica de neutrófilos frente à infecção por diferentes espécies de Leishmania. Além disso, outros fatores como características particulares das espécies de Leishmania e estágio de desenvolvimento dos parasitos, além do modelo experimental empregado nesse trabalho poderiam influenciar nessa distinta capacidade fagocítica, uma vez que, existe uma escassez de estudos sobre nessa linha de pensamento. A produção de NO e EROs está diretamente ligada a capacidade fagocítica de neutrófilos, bem como, a sua capacidade de matar patógenos (Horta e cols., 2011; Charmoy e cols., 2007). Com o objetivo de avaliar a resposta imune funcional de neutrófilos, neste trabalho foi realizada a análise da expressão intracelular de NO e EROs por neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, após 3 horas de co-cultivo. Os resultados mostraram que neutrófilos expressam NO e EROs independente da espécie do parasito (Figura 12 e 13, respectivamente). Além disso, foi observado que a infecção por L. braziliensis induz maior expressão de NO e EROs quando comparada a infecção por L. amazonensis e L. major. Vale salientar ainda que a expressão de EROs em neutrófilos infectados por L. amazonensis foi superior ao encontrado na infecção por L. major. Neutrófilos são classicamente conhecidos pela liberação dos produtos da explosão respiratória induzido pela fagocitose (Chang, 1981; Pearson & Steigbigel, 1981). Apesar dos poucos estudos 69 BATISTA, M.A. Discussão disponíveis mostrando a produção de NO e EROs por neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, vale destacar que estudo de Charmoy e cols. (2007) mostraram que a produção de NO por neutrófilos inflamatórios de camundongos C57BL/6 co-cultivados com formas metacíclicas de L. major estava relacionado a um perfil de proteção a infecção. Além disso, Rousseau e cols. (2001) e McFarlane e cols. (2008) mostraram que neutrófilos de camundongos BALB/c induzem a morte do parasito e auxiliam no estabelecimento de uma resposta protetora na infecção por L. donovani ou L.infantum através da produção de NO e EROs. Neste sentido, os dados deste trabalho mostraram que neutrófilos fagocitam mais L. braziliensis e são capazes de expressar mais NO e EROs, quando comparados à infecção por L. amazonensis ou L. major. Dessa forma, estes resultados permitem inferir que neutrófilos têm importante papel no controle da infecção por L. braziliensis. Neutrófilos são células fagocíticas profissionais que utilizam receptores do complemento como o CR1 (CD35) e integrinas αMβ2 (Mac-1) para fagocitar microorganismos opsonizados pelo complemento (C3b e C3bi) (Ravetch, 1997; van Egmond e cols., 2001). Além disso, Mac-1 é composto pela combinação das moléculas CD11b/CD18, sendo rapidamente expresso na superfície de neutrófilos após a ativação por citocinas e quimiocinas (Sengelov e cols., 1993), sendo o principal receptor presente em neutrófilos que reconhece β-glicano, principal componente polissacarídeo expresso na membrana de fungos e leveduras (van Bruggen e cols., 2009). Além disso, o CD11b faz parte da molécula Mac-1 que é importante para criar a sinapse imunológica, de forma que, a presença das integrinas tornam a fagocitose de bactérias opsonizadas mais eficiente (van Spriel e cols., 2001). Nessa perspectiva, o nosso trabalho avaliou a expressão da integrina CD11b em neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, após 3 horas de co-cultivo e não foi observada alteração na expressão dessa molécula em neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania (Figura 14), no entanto, neutrófilos estimulados com zimosan foram capazes de aumentar a expressão dessa molécula quando comparados aos neutrófilos sem estímulo. Esse resultado pode ser explicado pela presença do complemento no co-cultivo com zimosan, uma vez que o zimosan foi tratado com soro, conforme descrito na metodologia, e observamos um aumento da expressão de CD11b nesse grupo de neutrófilos. Além disso, vale salientar que Charmoy e cols. (2007) demonstraram que neutrófilos inflamatórios de camundongos C57BL/6 cocultivados com formas metacíclicas de L. major apresentaram maior expressão de CD11b. Dessa forma, podemos sugerir que a expressão de CD11b por neutrófilos, é dependente de opsonização pelo complemento ou do estágio evolutivo do parasito. Além disso, foi avaliada a expressão da integrina CD49d em neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, após 3 horas de co-cultivo e não foi observada alteração na expressão dessas moléculas em neutrófilos infectados 70 BATISTA, M.A. Discussão por Leishmania (Figura 14). Esse resultado foi semelhante ao apresentado por Charmoy e cols. (2007) onde neutrófilos inflamatórios de camundongos C57BL/6 co-cultivados com formas metacíclicas de L. major não alteram a expressão de CD49d. Além disso, Tsuda e cols. (2004) mostraram, in vitro, que neutrófilos resistentes a Staphylococcus aureus não alteram a expressão de CD49d. Neste sentido, alterações fenotípicas de moléculas de superfície como integrinas (CD11b e CD49d) são importantes para a migração, mas também nos eventos posteriores à migração, como para a ativação de neutrófilos no sítio inflamatório (Charmoy e cols., 2007; Charmoy e cols., 2010B). Nesse contexto de avaliação das moléculas de superfície de neutrófilos é importante destacar o papel da selectina CD62L que é a principal molécula de adesão em neutrófilos, e comumente utilizada como marcador de ativação, uma vez que neutrófilos ativados deixam de expressar essa molécula (Geng e cols., 1992; Berg & James, 1990; Utgaard e cols., 1998; Smalley e cols., 2005; Mastej & Adamiec, 2008). Dessa forma, foi avaliada a expressão de CD62L em neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, após 3 horas de co-cultivo e foi observada uma redução na expressão dessas moléculas em neutrófilos infectados pelas diferentes espécies de Leishmania (Figura 14). Estes dados são semelhantes aos já descritos na literatura e citados acima. Além disso, Laufs e cols. (2002) demonstraram que neutrófilos humanos infectados, in vitro, por L. major apresentam redução na expressão de CD62L e aumento na expressão de CD66, o que caracteriza a ativação celular de neutrófilos. Sendo assim, podemos inferir fundamentado nos resultados apresentados nesse projeto que neutrófilos co-cultivados com diferentes espécies de Leishmania se apresentam ativados, entretanto, não existindo perfil de ativação distinto entre as espécies avaliadas. Os receptores da imunidade inata são de extrema importância no reconhecimento de patógenos, uma vez que esses reconhecimentos levam a ativação intracelular específica que auxilia na defesa do hospedeiro (Charmoy e cols., 2007). Além da avaliação de integrina e selectinas foi analisada a expressão dos receptores da imunidade inata do tipo Toll (TLRs) nos neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania. Os resultados mostraram que neutrófilos infectados por Leishmania apresentaram maior expressão de TLR2 e TLR9 quando comparado aos neutrófilos sem estímulo, além disso, neutrófilos infectados por L. braziliensis apresentaram maior expressão de TLR4 quando comparados aos neutrófilos sem estímulo. Além disso, foi observado que a infecção por L. braziliensis induz maior expressão de TLR2 quando comparada a infecção por L. amazonensis e L. major. Vale salientar ainda, que a expressão de TLR4 foi maior em L. braziliensis quando comparada à L. amazonensis (Figura 15). Nesse sentido, Charmoy e cols. (2007) mostraram que existe perfil distinto da expressão de toll (TLR2, TLR4, TLR7, TLR9) em neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania e que esse diferente perfil de expressão 71 BATISTA, M.A. Discussão pode refletir no controle da carga parasitária do hospedeiro. Além disso, Safaiyan e cols. (2011) mostraram que neutrófilos de pacientes com leishmaniose tegumentar, com lesões não curadas, apresentam aumento na expressão de TLR2, TLR4 e TLR9, sugerindo que estas células estão ativadas, uma vez que esses receptores são importantes para o reconhecimento do patógeno, além de auxiliar no direcionamento da resposta imune adaptativa e na progressão da doença. Becker e cols. (2003) mostraram a ativação via TLR2 de células NK humanas infectadas, in vitro, por formas promastigotas procíclica ou metacíclica de L. major. Além disso, Charmoy e cols. (2007) mostraram que neutrófilos de camundongos C57BL/6 infectados, in vitro, também apresentam aumento na expressão de TLR2. Estudo de Kropf e cols. (2004A/B) foram os primeiros trabalhos a mostrar, em camundongos (C57BL/6 e BALB/c), a contribuição efetiva de TLR4 no controle da carga parasitária durante a infecção, in vivo, por L. major, uma vez que os resultados estavam relacionados ao menor número de parasitos e maior expressão de iNOS na lesão. Os resultados encontrados no nosso projeto estão de acordo com o papel atribuído ao TLR2 e TLR4 que é de reconhecimento do patógeno, sendo importante ainda salientar que esse resultado mostra mais uma vez que os neutrófilos são ativados na presença, principalmente, de L. braziliensis, e que desta forma, os neutrófilos poderiam ter importante papel no controle da infecção. No entanto, estudos in vivo, são necessários para relacionar o controle da carga parasitária com o perfil de ativação dos neutrófilos. Outro resultado interessante em nosso estudo mostrou que neutrófilos infectados, in vitro, têm maior expressão de TLR9, quando comparado aos neutrófilos sem estímulo (Figura 15). Esses resultados foram semelhantes aos dados apresentados por Weinkopff e cols. (2013) em camundongos C57BL/6 onde foi demonstrado que a sinalização em células dendríticas de induzida por TLR9 é importante no controle da resposta inicial, bem como para o controle do desenvolvimento da lesão e da carga parasitária, mas é dispensável para a diferenciação de células Th1 secretoras de IFN-γ. Além disso, estes autores mostraram que os níveis elevados de IFN-γ não são suficientes para controlar a replicação do parasito nos momentos iniciais da infecção por L. braziliensis. Os resultados encontrados no nosso estudo estão de acordo com esse papel atribuído ao TLR9, onde neutrófilos são capazes de reconhecer diferentes espécies de Leishmania e, uma vez ativados, poderiam auxiliar no controle da carga parasitária e consequentemente da infecção. Neutrófilos são importantes na resposta inflamatória bem como para o controle de infecções microbianas (Tacchini-Cottier e cols., 2000; Tsuda e cols., 2004). Vale salientar que Ryan & Majno, (1977) descreveram que a migração de neutrófilos para o foco inflamatório é um bom marcador da inflamação aguda. Durante o processo inflamatório, a liberação de fatores solúveis é de grande importância no direcionamento e migração de células para o sítio de infecção. Dentre a vasta gama de fatores liberados, as quimiocinas têm papel crucial nesse contexto. Dessa forma, 72 BATISTA, M.A. Discussão considerando que neutrófilos são capazes de produzir quimiocinas (Kobayashi, 2002), foi realizada a análise da produção de quimiocinas por neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania, após 3 horas de cultivo. Os resultados encontrados mostram que após o cultivo, apenas neutrófilos na presença de L. amazonensis e L. braziliensis produziram MIP-1α. Com relação à MIP-1β, foi possível detectar a produção em todos os grupos avaliados, sendo que neutrófilos na presença de L. amazonensis produziram mais dessa quimiocina quando comparado a L. major (Figura 16). Cassatella e cols. (1999) demonstraram que neutrófilos liberam MIP-1α/β após diferentes estímulos como LPS, TNF-α, e produtos microbianos originados de bactérias, fungos ou protozoários. Vale destacar que o MIP-1β é um importante fator quimiotático para a migração de monócitos (Wang e cols., 1993). Além disso, Zandbergen e cols. (2004) mostraram que neutrófilos infectados, in vitro, por L. major produzem MIP-1β que auxiliam na migração (ensaio transwell) de monócitos. Charmoy e cols. (2010A) mostraram, in vitro, que neutrófilos de camundongos (C57BL/6 ou BALB/c) infectados por L. major induzem, parcialmente, o recrutamento de células dendríticas de medula pela liberação da proteína MIP-1α no sobrenadante de cultura. Além disso, foi observado, in vivo, o papel crítico de MIP-1α como importante fator quimiotático para células dendríticas migrarem para o sítio de inoculação. de Moura e cols. (2010) mostraram, in vivo, que a imunização utilizando saliva de Lutzomyia intermedia aumenta o número de neutrófilos no sítio de infecção, além de aumentar a expressão de MIP-1α/β e TNF-α no local da infecção. Além disso, foi observado que a infecção, in vivo, por L. braziliensis associada a saliva de L. intermedia em animais já sensibilizados com esta saliva apresentam aumento na expressão de MIP-1α/β, TNF-α e IL-10 quando comparado aos animais infectados apenas com L. braziliensis. Esses resultados demonstram que neutrófilos ativados produzem quimiocinas que estão envolvidos no recrutamento de monócitos e células dendríticas para o sítio de infecção, caracterizando assim papel funcional para estas células nos momentos iniciais da infecção por Leishmania. Assim, os resultados deste trabalho referente às quimiocinas sugerem que neutrófilos podem contribuir no estabelecimento de resposta protetora a infecção, sendo este um possível mecanismo que auxilia no controle da infecção local, considerando que são as primeiras células a migrarem para o sítio de infecção. A produção de citocinas é crucial para o estabelecimento do microambiente inflamatório, bem como, no direcionamento da resposta imune adaptativa. Estudo de Cassatela (1999) mostrou que neutrófilos são produtores de diferentes citocinas como TNF-α, IL-12, IL-6, IL-1 β, TGF-β. Dessa forma, neste estudo foi avaliado se neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania são capazes de produzir citocinas após 3 horas de cultivo. Os resultados demonstram que neutrófilos foram capazes de produzir as citocinas TNF-α, IL-12p40, TGF-β bem como IL-10. De maneira interessante, nossos resultados mostraram que L. amazonensis, L braziliensis ou L. 73 BATISTA, M.A. Discussão major estimularam neutrófilos a produzirem TNF-α quando comparado aos neutrófilos sem estímulo (Figura 17A). Esses resultados são semelhantes aos apresentados por Tsuda e cols. (2004) que demonstram que a produção de TNF-α por neutrófilos, in vitro, está relacionada à morte do Staphylococcus aureus. Além disso, Ritter e cols. (2004) demonstraram que a infecção, in vivo, por L. major em animais knockout para TNF causa lesão progressiva que não se cura, além de ser fatal para o animal. Vale ressaltar que o trabalho de Novais e cols. (2009) mostraram que neutrófilos de animais BALB/c infectados por L. braziliensis matam o parasito através da produção de ROS e TNF no local da infecção. De maneira interessante, o resultado desse projeto mostrou que neutrófilos produzem TNF-α, independente da espécie de Leishmania, podendo assim induzir a formação de um microambiente inflamatório. Neste sentido, podemos sugerir que, semelhante ao trabalho de Novais e cols. (2009), os neutrófilos avaliados neste estudo são capazes de matar a Leishmania através da produção de EROs e TNF-α. Além do TNF-α, diferentes estudos mostraram que a citocina IL-12 também é de extrema importância para a formação do microambiente inflamatório (Cassatella e cols., 1995; Trinchieri, 2003). Resultados deste trabalho mostraram que apenas neutrófilos infectados por L. amazonensis expressam IL-12p40 quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (Figura 17C). Sabe-se que IL-12p40 tem papel antagônico a forma bioativa da IL-12 (IL-12p70), já que a IL-12p40 compete pelo receptor reprimindo respostas in vitro (Kato e cols., 1996; Ling e cols., 1995) e in vivo (Heizel e cols., 1997; Hino e cols., 2004; Obata e cols., 2006). Vale destacar que a IL-12p40 é secretada de 5 a 90 vezes mais que a forma bioativa (Trinchieri, 2003). Vale ressaltar que Charmoy e cols. (2010B) mostraram que neutrófilos de animais resistentes infectados, in vitro, por L. major secretam IL-12p70, entretanto, esse resultado não foi observado após o desafio por L. major em neutrófilos de camundongos BALB/c. Outro trabalho de Charmoy e cols. (2007) mostraram que neutrófilos de camundongos BALB/c quando infectados, in vitro, por L. major são fonte de IL-12p40. Considerando o exposto podemos sugerir que L. amazonensis induz a expressão de IL-12p40 por neutrófilos sendo esse um possível mecanismo modulador da resposta imune desencadeado pela infecção. Citocinas anti-inflamatórias como IL-10 e TGF-β são importantes para regularem o microambiente inflamatório. Os resultados desse trabalho mostram que neutrófilos infectados por L. amazonensis ou L braziliensis produziram IL-10 quando comparados aos neutrófilos sem estímulo (Figura 17B). Sabe-se que a citocina IL-10 tem papel modulador da resposta imune podendo atuar em várias células e inibir a resposta inflamatória (Vieth e cols., 1994; Couper e cols., 2008). Em neutrófilos essa modulação pode ser via inibição de citocinas, como IL-12 e TNF-α (Moore e cols., 2001; Cassatela e cols., 1993), bem como, das quimiocinas MIP-1α/β (Witko-Sarsat e cols., 2000). Vale ressaltar que Charmoy e cols. (2010B) mostraram que neutrófilos de animais resistentes 74 BATISTA, M.A. Discussão infectados, in vitro, por L. major secretam IL-10, entretanto, esse resultado não foi observado após o desafio por L. major em neutrófilos de camundongos BALB/c. Esse resultado é interessante, já que demonstra que neutrófilos podem apresenta papel modulador durante a infecção por parasitos do gênero Leishmania, o que nos permite sugerir que esse perfil de resposta pode ser importante a fim de evitar danos no hospedeiro, gerado pelo processo inflamatório local. Os resultados da produção de TGF-β por neutrófilos mostraram que não existe diferença na produção de TGF-β por neutrófilos infectados por diferentes espécies de Leishmania em relação aos neutrófilos sem estímulo (Figura 17D). Sabe-se que a produção/liberação da citocina TGF-β durante a infecção por Leishmania é um dos alicerces que suportam a teoria de que neutrófilos apoptóticos infectados por L. major silenciam a ativação dos mecanismos leishmanicidas de macrófagos (van Zandbergen e cols., 2004; Laskay e cols., 2008). Neutrófilos apresentam estoques intracelulares de TGF-β que após estímulo por fMLP e citocalasina B são liberados (Bry e cols., 1994). RibeiroGomes e cols. (2004) mostraram, in vitro, que a produção de TGF-β por macrófagos de camundongos BALB/c infectados com L. major estava associada ao aumento na carga parasitária. Além disso, Charmoy e cols. (2007) mostraram, in vitro, a expressão de RNAm dessa citocina, bem como, a proteína liberada no sobrenadante de cultura de neutrófilos infectados por L. major. De maneira interessante, ao contrário do observado em relação aos neutrófilos produtores de TNF-α, os resultados do nosso estudo trabalho mostraram que neutrófilos são capazes de produzir TGF-β, entretanto não existe diferença em relação aos neutrófilos sem estímulo, além disso, não existe diferença independente da espécie de Leishmania, reforçando nossa hipótese de que os neutrófilos possuem um perfil pró-inflamatório e podem, portanto controlar a infecção. Assim, os resultados deste trabalho no que se refere às citocinas sugerem que neutrófilos podem contribuir no controle da infecção e, além disso, podem contribuir no estabelecimento de resposta protetora. Em conjunto, nossos resultados contribuem para ampliar os conhecimentos a respeito da resposta imune de neutrófilos frente à infecção por três diferentes espécies de Leishmania, sendo esta uma abordagem importante no sentido de compararmos os efeitos causados por cada espécie desse parasito. O papel dos neutrófilos no controle da infecção verificado através da avaliação da capacidade fagocítica de neutrófilos, bem como pela produção de mediadores leishmanicidas (NO e EROs) foi muito relevante na infecção por L. braziliensis. A ativação funcional de neutrófilos infectados por L. braziliensis refletiu também em alteração fenotípica de moléculas importantes que estão diretamente relacionadas à ativação celular, como o CD62L, TLR2, TLR4 e TLR9. Além disso, vale ressaltar que em relação às citocinas e quimiocinas, os resultados sustentam nossa hipótese de que neutrófilos estão contribuindo no estabelecimento de resposta protetora a infecção, e podem, dessa forma, direcionar a resposta imune. 75 BATISTA, M.A. Conclusão 7 – CONCLUSÃO BATISTA, M.A. Conclusão Nossos dados demonstraram que neutrófilos podem ter papel importante para o controle da infecção, bem como no direcionamento e estabelecimento de resposta protetora. Além disso, os resultados da avaliação da capacidade fagocítica e da ativação dessas células mostraram ser espécie dependente. Neste sentido, pode-se sugerir que L. braziliensis foi capaz de induzir a expressão de mediadores inflamatórios, como NO e EROs, após 3 horas de cultivo, in vitro, além de apresentar perfil de ativação mais proeminente quando comparado às demais espécies utilizadas nesse trabalho o que indica um possível mecanismo de controle da infecção desencadeado por neutrófilos. 77 BATISTA, M.A. Perspectivas 8 – PERSPECTIVAS BATISTA, M.A. Perspectivas O trabalho proposto é o início de uma linha de pesquisa que busca aprofundar os conhecimentos sobre o papel de neutrófilos na infecção por diferentes espécies de Leishmania, uma vez que poucos estudos abordam o papel de neutrófilos em diferentes infecções, apesar de ser uma célula extremamente importante nos momentos iniciais do processo patológico bem como no direcionamento da resposta imune adaptativa. Nesse sentido, para dar continuidade ao projeto, pretende-se ainda realizar experimentos, in vivo, com as três espécies de Leishmania com intuito de confirmar o papel dos neutrófilos. Além disso, pretende-se avaliar neutrófilos no contexto das vias de sinalização purinérgica na infecção por diferentes espécies de Leishmania. 79 BATISTA, M.A. . Referências Bibliográficas 9 - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS BATISTA, M.A. Referência Bibliográfica AFONSO L., BORGES V.M., CRUZ H., RIBEIRO-GOMES F.L., DOSREIS G.A., DUTRA A.N., CLARÊNCIO J., DE OLIVEIRA C.I., BARRAL A., BARRAL-NETTO M., & BRODSKYN C.I. (2008) Interactions with apoptotic but not with necrotic neutrophils increase parasite burden in human macrophages infected with Leishmania amazonensis. J Leukoc Biol. 84, 389-396. AFONSO L.C.C & SCOTT P. (1993) Immune response associated with susceptibility of C57BL10 mice to Leishmania amazonensis. Infect. Immun. 61, 2952-2959. 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