4 - Nutricao de Plantas

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Original Article
CARACTERÍSTICAS DE DEFICIÊNCIA NUTRICIONAL DO
AMENDOINZEIRO SUBMETIDO À OMISSÃO DE N, P, K
CHARACTERISTICS OF NUTRITIONAL DEFICIENCY IN GROUNDNUT
SUBMITTED TO THE ABSENCE OF N, P, AND K
Dryelle Menezes LOBO1; Petterson Costa Conceição SILVA2; Joctã Lima do COUTO3;
Matheus Almeida Machado SILVA2; Anacleto Ranulfo dos SANTOS4
1. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Solos e Qualidade de Ecossistemas, Universidade Federal do Recôncavo
Baiano - UFRB, Cruz das Almas, BA, Brasil, [email protected]; 2. Estudante de Agronomia da UFRB, Cruz das Almas,
BA, Brasil; 3. Mestre em Ciências Agrárias e Consultor da Fundação Mokiti Okada, Cruz das Almas, BA, Brasil; 4. Professor,
Doutor em Solos e Nutrição de Plantas da CCAAB - UFRB, Cruz das Almas, BA, Brasil, [email protected]
RESUMO: O amendoim é uma excelente alternativa agrícola para a região Nordeste do Brasil, porém, poucos
estudos têm sido realizados para esta cultura, no tocante à sua adubação. Sendo assim, foi realizado um estudo com o
objetivo de avaliar o rendimento e as características visuais de deficiência nutricional do amendoinzeiro (Arachis
hypogaea L.) submetido à omissão de N, P e K. O experimento foi realizado em casa de vegetação da Universidade
Federal do Recôncavo da Bahia, no Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, situada em Cruz das Almas –
BA, no período de Agosto a Outubro de 2010. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, constando de sete
tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos estudados foram: T1- Solução Completa; T2- Omissão de N; T3- Omissão
de P; T4 - Omissão K; T5- Omissão de NP; T6- Omissão PK e T7- Omissão de NPK. Durante todo o ciclo da cultura
avaliou-se os possíveis aspectos visuais de deficiência. Ao final do experimento foram avaliados dados de altura e teor de
clorofila. Aos 60 dias após a emergência, as plantas foram coletadas e particionadas em folhas, hastes e raízes, e secadas a
65ºC em estufa com circulação forçada de ar até atingir peso constante para quantificar a massa seca da parte aérea e da
raiz. Nestas condições experimentais a omissão de K não se mostrou um fator limitante para o acúmulo de massa seca de
folhas e haste nas plantas de amendoim. O fósforo se mostrou bastante requerido para o crescimento em altura e acúmulo
de massa seca das folhas e hastes. O teor de clorofila da planta foi menor nos tratamento onde houve a omissão de N. Dos
tratamentos aplicados, o que se mostrou mais limitante foi o tratamento com omissão de NPK, confirmando a importância
da aplicação destes nutrientes às plantas de amendoim.
PALAVRAS - CHAVE: Arachis hypogaea L. Diagnose visual. Carência nutricional. Nutrição Mineral
INTRODUÇÃO
A planta do amendoim é uma
dicotiledônea, da família Leguminosae, subfamília
Papilionidae, gênero Arachis que apresenta cerca
de 80 espécies, amplamente distribuídas no bioma
Cerrado e em outros ambientes de vegetação aberta
tendo como limites de distribuição a Ilha de Marajó
ao Norte, o Uruguai ao Sul, o Nordeste brasileiro a
Leste e a Oeste, o sopé da Cordilheira dos Andes.
Dentre as espécies conhecidas, 48 são restritas ao
Brasil. Sua origem é apontada para a Serra de
Amambaí, que divide as bacias atuais dos rios
Paraguai e Paraná, estabelecendo parte do limite
entre o estado do Mato Grosso do Sul e o Paraguai
(SILVA, 1997).
A importância do amendoim é ressaltada
pelo seu valor nutricional, pois possui praticamente
mais calorias do que qualquer outro alimento, e as
proteínas, ricas em aminoácidos essenciais à
nutrição, compõem entre 21% e 36% do peso do
grão (FREIRE et al., 1998). Os grãos de amendoim
são ricos em óleo (aproximadamente 50%). Além
Received: 31/07/11
Accepted: 05/11/11
disso, contêm carboidratos, sais minerais e
vitaminas, constituindo-se num alimento altamente
energético (585 calorias/100 g de grãos). O sabor
agradável torna o amendoim um produto destinado
também ao consumo "in natura", como aperitivos,
salgados, torrados, na indústria de doces, como
grãos inteiros com diversas coberturas ou grãos
moídos na forma de paçocas ou substituindo a
castanha de caju em cobertura de sorvetes. Os grãos
também podem ser utilizados para extração do
óleo, empregado diretamente na alimentação
humana, na indústria de conservas (enlatados) e em
produtos medicinais (AGROBYTE, 2009).
Predominantemente o nitrogênio (N) é
encontrado no solo na forma orgânica, apenas uma
pequena parcela é encontrada na forma inorgânica.
As formas de N no solo disponíveis para absorção
pelas plantas são a amônio (NH4+) e o nitrato (NO3), também chamadas de N mineral. Em condições
de boa aeração e pH não muito baixo, a amônio é
rapidamente convertido em nitrato, o qual
representa a principal fonte para as plantas nessas
condições (RAIJ, 1981).
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Características de deficiência...
Segundo Manica (1999), os sintomas de
deficiência de N no campo são diferentes daqueles
normalmente encontrados no cultivo em solução
nutritiva. Geralmente, uma planta que aparenta
evidente
deficiência
de
nitrogênio
terá
amarelecimento nas folhas mais velhas porque o
nitrogênio dessa planta é translocado para as folhas
mais novas.
O fósforo (P) total do solo encontra-se em
formas orgânicas e inorgânicas. O P orgânico,
embora possa servir como nutriente às plantas após
a mineralização até formas inorgânicas parece
apresentar pouca importância prática (GATIBONI,
2003).
Nas plantas, a carência de fósforo resulta
em menor crescimento, redução da expansão na
área e no número de folhas (FURLANI, 2004); e,
atraso no florescimento e na senescência precoce
das folhas mais velhas (MALAVOLTA, 1997);
prejudica o enchimento de aquênios e pode resultar
num menor rendimento e teor de óleo (ROSSI,
1998).
O potássio (K), depois do nitrogênio, é o
nutriente mais extraído pelas plantas (EPSTEIN;e
BLOOM, 2004). Esse elemento é pouco móvel no
solo (CERETTA; PAVINATO, 2003), porém sua
forma catiônica apresenta comportamento muito
distinto do P no solo. A fração na fase sólida do
solo se encontra em torno de 95% do K total, em
equilíbrio com a fase líquida, que facilmente passa
de uma fração para outra.
Os sintomas visuais de deficiência de
potássio surgem como um mosqueado nas bordas
dos folíolos das folhas da parte inferior da planta.
Estas áreas cloróticas avançam para o centro dos
folíolos, ocorrendo então o início da necrose das
áreas mais amareladas nas bordas dos folíolos e um
aumento progressivo do sintoma, que ao passar os
dias avança para o centro dos folíolos. Plantas com
deficiência de potássio produzem grãos pequenos,
enrugados de deformados, ocorrendo um atraso na
maturação das plantas, podendo ocorrer também
hastes verdes, retenção foliar e vagens chochas
(BORKEY et al, 1994).
O objetivo deste trabalho foi avaliar o
rendimento e as características visuais de
deficiência nutricional do amendoinzeiro (Arachis
hypogaea L.) submetido à omissão de N, P e K.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi realizado no período de
Agosto a Outubro de 2010, em casa de vegetação
LOBO, D. M. et al.
na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia,
no Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e
Biológicas, no município de Cruz das Almas.
Utilizou-se o cultivar vagem lisa, cujo ciclo
de maturação é de 90-110 dias. O substrato
utilizado foi areia passada em peneira de 2 mm,
lavada com água da torneira e posteriormente com
água destilada para descontaminação de possíveis
resíduos minerais. A lavagem da areia e o preparo
dos vasos ocorreram dois dias antes do plantio.
Foram utilizados vasos plásticos com capacidade
para 5 kg. Os vasos foram forrados com sacos
plásticos com o objetivo de impedir que ocorressem
perdas de solução por lixiviação. Foram semeadas
oito sementes por vaso, duas plantas por vaso, após
o desbaste.
O delineamento experimental foi em blocos
casualizados, composto de sete tratamentos e
quatro repetições, totalizando vinte e oito vasos. Os
tratamentos foram aplicados em solução nutritiva
sugerida por Hoagland e Arnom (1950), modificada
por Sarruge e Haag (1974). Os tratamentos
estudados foram: T1- Solução Completa; T2Omissão de N; T3- Omissão de P; T4 - Omissão K;
T5- Omissão de NP; T6- Omissão PK e T7Omissão de NPK (Tabela 1). A aplicação dos
tratamentos teve inicio quando as plantas atingiram
20 DAE.
O pH das soluções foi corrigido
semanalmente e mantido em 6,1(±1), utilizando
NaOH a 0,01N ou HCl a 0,01N, conforme as
necessidades.
As plantas foram regadas diariamente com
50 ml de solução nutritiva em cada vaso até o final
do experimento (60 DAE).
Semanalmente foram avaliados os aspectos
visuais de deficiência nutricional e registradas em
fotografias utilizando maquina digital 8 Mega
pixels modelo GE-850.
A partir dos 40 dias após a primeira
aplicação dos tratamentos, mediu-se com o auxilio
de uma régua graduada a altura da haste principal e
avaliou-se o teor de clorofila das folhas, para isso
foram selecionadas aleatoriamente 5 folhas de cada
planta (10 folhas por vaso) e as leituras foram
realizadas utilizando medidor portátil de clorofila
Falker, modelo – CFL1030.
Para determinação de massa seca as plantas
foram particionadas em folhas, hastes e raízes,
colocadas em estufa de circulação forçada de ar a
65ºC, até atingirem peso constante, posteriormente
foram pesadas em balança de precisão 10-3.
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Características de deficiência...
LOBO, D. M. et al.
Tabela 1. Volume (ml) das soluções estoque para formar 1 L de solução nutritiva modificada, utilizando
omissão de N, P e K, conforme os respectivos tratamentos.
Solução estoque
Completa
-N
-P
-K
-NP
-PK
-NPK
(concentração)
KH2P04 (1M)
1
1
-
-
-
-
-
NH4NO3 (1M)
-
-
-
2
-
2,5
-
KCl (1M)
-
5
1
-
6
-
-
CaCl2(1M)
MgS04 (1M)
2
5
2
2
2
5
2
2
5
2
KNO3 (1M)
5
-
5
-
-
-
-
Ca (NO3)2 (1M)
5
-
2
5
-
5
-
(NH4)3PO4 (1M)
-
-
-
1
-
-
-
Ferro-EDTA*
1
1
1
1
1
1
1
Micronutrientes**
1
1
1
1
1
1
1
*Solução de Ferro-EDTA: Foram dissolvidos 26,1 g de EDTA dissódico em 286 ml de Na0H 1N + 24,9g de FeS04.7H20 e aerado por
uma noite; **Solução de micronutrientes (g/l): H3B03 = 2,86; MnCl2 4H20 = 1,81; ZnCl2 = 0,10; CuCl2 = 0,04; H2Mo04 H20 = 0,02.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados coletados foram submetidos à análise de
variância e os efeitos significativos do teste F
foram comparados pelo teste de Tukey (5%),
utilizando o programa estatístico SISVAR 5.3®
(Ferreira, 2008).
A Tabela 2 mostra os resultados da análise
de variância com os respectivos quadrados médio
para as variáveis estudadas.
Tabela 2. Análise de variância para as variáveis de desenvolvimento do amendoinzeiro em função da omissão
de N, P e K, Cruz das Almas, BA, 2010.
FONTES DE VARIAÇÃO MSF
MSH
MSR
ALT
C.A
C.B
C.T
----------------------------------Quadrados médios--------------------------TRAT
0,6209**
0,3214*
3,0017ns
28,6741**
1001,0**
346,0**
2500,0**
BLOCO
0,1635
0,2822
0,3200
4,9687
28,66
1,02
37,12
RESÍDUO
0,0971
0,0752
1,7841
3,0044
13,70
3,44
28,56
CV (%)
20,88
19,99
39,13
20,02
19,20
28,58
20,74
* 5% de significância; ** 1% se significância; ns: não significativo pelo teste F; Variáveis: MSF (Massa Seca de Folha), MSH (Massa
Seca de Haste), MSR (Massa Seca da Raiz), ALT (Altura), C.A (Clorofila A), C.B (Clorofila B) e C.T (Clorofila Total).
Os tratamentos aplicados promoveram
efeito significativo para as variáveis analisadas
exceto para a variável MSR.
Os tratamentos -PK, –P e – NPK
apresentaram tendência de serem os mais limitantes
para o acúmulo de MSF, se diferenciando
estatisticamente do tratamento com a aplicação de
solução nutritiva completa (Tabela 3). As omissões
destes nutrientes promoveram uma redução de
40,09, 43,86 e 44,59%, respectivamente, quando
comparados ao tratamento completo. Os resultados
mostram que o elemento P é um dos nutrientes
mais limitantes para a produção de MSF do
amendoinzeiro.
Para a variável MSH ocorreu resultado
semelhante, porém só houve diferença estatística
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Características de deficiência...
para os tratamento -NPK em relação aos tratamento
com aplicação de solução nutritiva completa, -N e –
K (Tabela 3), sendo assim o fósforo se mostrou
novamente uma fator limitante para o crescimento
da planta. A omissão de nitrogênio, fósforo e
potássio promoveu uma redução de 47,21% em
relação ao tratamento completo.
Prado e Leal (2006), observaram que a
omissão de fósforo promoveu uma diminuição de
90% na produção de matéria seca da folha em
girassol. Resultados semelhantes foram relatados
por Cassman (1993), com relação à redução do
LOBO, D. M. et al.
crescimento, induzida pela omissão de P em várias
culturas.
Para a variável altura das plantas os
resultados mostraram que o tratamento onde houve
apenas omissão de K proporcionou valores
equivalentes aos encontrados nas plantas que
tiveram aplicação de solução nutritiva completa
(Tabela 3). Esses resultados foram semelhantes aos
encontrados por Rodrigues et al. (2002), que
trabalhando com capim Brachiaria brizantha
observaram que em Latossolos Amarelos coesos da
região sudeste da Bahia, a omissão de K não foi
limitante para o estabelecimento da B. brizantha.
Tabela 3. Valores médios de massa seca das folhas (MSF), massa seca das hastes (MSH) e altura (ALT) das
plantas do amendoinzeiro submetidas à omissão de N, P e K em solução nutritiva, Cruz das Almas,
2010.
TRATAMENTOS
MSF
MSH
ALT
---------------------Gramas-------------------(cm)
COMPLETO
2,05 a
1,83 a
13,62 a
-K
1,96 ab
1,62 ab
10,87 ab
-N
1,83 abc
1,51 ab
8,75 bcd
-NP
1,40 abc
1,41 abc
8,25 bcd
-PK
1,23 bc
1,19 abc
9,12 bc
-P
1,15 c
1,29 abc
6,75 cd
-NPK
1,14 c
0,97 c
6,87 bcd
*Médias seguidas pela mesma à letra não diferem entre si, a 5% do teste de Tukey;DMS: 0,73; 0,65 e 4,11; respectivamente.
Sintomas visuais de deficiência de fósforo
foram observados no início do desenvolvimento
das plantas, apresentando pontos necróticos nas
folhas mais velhas.
As folhas mais novas apresentaram
coloração verde opaco e ficaram levemente
murchas. De acordo com Malavolta (1980), a
rápida redistribuição do fósforo dos órgãos mais
velhos para os mais novos, quando ocorre a
carência do elemento, faz com que as folhas mais
velhas sejam as primeiras a mostrar os sintomas, ou
seja, a carência deste elemento no substrato induz a
planta a utilizar o fósforo não metabolizado,
localizado no vacúolo das folhas mais velhas,
sendo redistribuído para os órgãos mais novos cujo
crescimento cessa quando acaba tal reserva.
Os teores de clorofila A, clorofila B e
clorofila Total das plantas de amendoim tiveram
praticamente o mesmo comportamento (Tabela 4),
quando submetidas à ausência de nutrientes.
O maior teor de clorofila encontrado foi no
tratamento com omissão de K, se diferindo de todos
os outros inclusive do tratamento com solução
completa. Este tratamento proporcionou um
acréscimo de aproximadamente 20, 60 e 30 % no
teor de clorofila A, clorofila B e clorofila Total,
respectivamente.
O potássio é um forte competidor com os
outros cátions por causa da sua eficiência de
absorção. Na ausência do íon K+ na solução, a
absorção dos outros cátions é aumentada, uma vez
que ocorre a diminuição da competição pela falta
do potássio (ROSOLEM, 2005). Os efeitos internos
entre o potássio, cálcio e magnésio
ocorrem na
membrana celular na forma de inibição competitiva
(EPSTEIN, 1975).
O magnésio é um dos principais
elementos para a planta, pois é elemento
central da molécula de clorofila, tendo sua
principal função relacionada à fotossíntese.
Fonseca e Meurer (1997) concluíram que a
competição entre o K e o Mg ocorre em grande
intensidade, isso se dá devido à similaridade entre
seus raios iônicos e seu potencial eletroquímico nos
sítios de absorção promovendo um efeito
antagônico entre eles.
Todos os tratamentos onde foram aplicadas
soluções com omissão de N apresentaram um
decréscimo em relação aos demais tratamentos
(Tabela 4). Dentre eles, os tratamentos –N e –NPK
Biosci. J., Uberlândia, v. 28, n. 1, p. 69-76, Jan./Feb. 2012
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Características de deficiência...
LOBO, D. M. et al.
foram os mais prejudiciais. Uma estimativa média
dos dois tratamentos promoveu uma redução de
aproximadamente 40% para clorofila A, 54% para
a clorofila B e 44% para a clorofila Total, em
relação ao tratamento completo.
Tabela 4. Valores médios de teor de clorofila A, clorofila B e clorofila Total das folhas do amendoinzeiro
submetidas à omissão de N, P e K em solução nutritiva, Cruz das Almas, 2010.
TRATAMENTOS
Clorofila A
Clorofila B
Clorofila Total
-K
COMPLETO
-P
-PK
-NP
-N
-NPK
-----------------------------------------ICF---------------------------------------29,32 a
13,39 a
42,71 a
24,36 b
8,46 b
32,83 b
21,56 bc
7,02 c
28,59 c
19,11 cd
6,41 cd
25,53 cd
17,79 d
5,45 d
23,24 d
14,12 e
3,85 e
17,97 e
14,88 e
3,88 e
18,76 e
*Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, a 1% do teste de Tukey; DMS: 2,83; 1,41 e 4,08; respectivamente; ICF: Índice
de clorofila Falker
Segundo Stancheva e Dinev (1995), o
conteúdo máximo dos pigmentos fotossintéticos em
folhas de milho e trigo foi observado nas plantas
que apresentaram maior crescimento vegetativo.
Caires e Rosolem (1999) relatam que o aumento na
produção de amendoim tem se relacionado com o
aumento da concentração de clorofila nas folhas
devido à maior absorção de nitrogênio.
Trabalhando com trigo Shadchina e Dmitrieva
(1995) citam que a determinação do conteúdo de
COMPLETA
-N
clorofila representa um parâmetro apropriado para
a avaliação de aquisição de nitrogênio. Giunta et al.
(2002) verificaram que as leituras de clorofila
(SPAD) foram positivamente correlacionadas com
a concentração de nitrogênio nas folhas em
cultivares de trigo.
Os sintomas de deficiência nutricional
começaram a se manisfestar de maneira efetiva
com 40 dias após a aplicação dos tratamentos
(Figura 1).
-P
-K
Figura 1. Sintomas de deficiência nutricional de plantas de amendoim cultivadas em solução nutritiva,
submetidas à omissão de N, P e K, Cruz das Almas - BA, 2010.
Os efeitos causados com a omissão dos
nutrientes de forma combinada foram formados da
soma das características apresentadas nos
tratamentos com aplicação da omissão de forma
isolada, portanto neste trabalho, serão descritos
apenas os efeitos isolados de cada omissão
aplicada.
O tratamento com aplicação da solução
nutritiva completa não apresentou sintomas de
deficiência nutricional, pois ao longo do ciclo da
planta as folhas se mantiveram com cores de verde
intenso, mostrando que as plantas tiveram um bom
desenvolvimento.
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Características de deficiência...
A omissão de N provocou uma clorose nos
folíolos mais velhos (Figura 1), uma vez que o
nitrogênio é um elemento bastante móvel no floema
e compõe a molécula de clorofila (pigmento verde)
(DEVLIN, 1969).
O tratamento –P apresentou clorose e,
posteriormente, necrose nas bordas da folhas e no
centro superior do limbo dos folíolos. Estes
sintomas ocorreram nas folhas mais velhas e, com o
decorrer do tempo, se distribuiu para as folhas mais
novas.
As plantas com omissão de P mostraram
um retardo de crescimento quando comparadas
com o tratamento completo.
A omissão de K nas plantas de amendoim não
promoveu sintomas visíveis de deficiência
nutricional.
LOBO, D. M. et al.
CONCLUSÕES
A omissão de K não se mostrou um fator
limitante para o acúmulo de massa seca de folhas e
haste nas plantas de amendoim.
O elemento fósforo foi um elemento que se
mostrou bastante requerido para o crescimento em
altura e acúmulo de massa seca das folhas e haste.
O teor de clorofila da planta foi menor nos
tratamento onde houve a omissão de N.
Dos tratamentos aplicados, o que se
mostrou mais limitante foi o tratamento com
omissão de NPK, mostrando a importância da
aplicação destes nutrientes às plantas de amendoim.
Os Tratamentos –PK e –P foram iguais a –
NPK para MSF, MSH e ALT.
O tratamento –N foi igual a –NPK para
clorofila A, B e total.
ABSTRACT: The groundnut is a great agricultural alternative for the Northeast region of Brazil, but few
studies have been carried out for this crop in relation to its fertilization. Thus, a study was conducted to evaluate the
performance and visual characteristics of nutritional deficiency in groundnut (Arachis hypogaea L.) submitted to the
absence of N, P, and K. The experiment was conducted in a greenhouse at the Federal University of Bahia Recôncavo, at
the Center for Agricultural, Environmental and Biological Sciences, located in Cruz das Almas, BA, from August to
October 2010. The experimental design was in randomized blocks, consisting of seven treatments and four replications.
The treatments were: T1 - Complete Solution; T2 - Omission of N; T3 - Omission of P; T4 - Omission of K; T5 Omission of NP; T6 – Omission of PK; and T7 - Omission of NPK. Throughout the crop cycle possible visual aspects of
deficiency were assessed. At the end of the experiment, the data were evaluated in height and chlorophyll content. At sixty
days after emergence (DAE) plants were collected and partitioned into leaves, stem and root for drying in air forced oven
at 65°C until constant weight was obtained to measure the dry mass of shoot and root. Under these experimental
conditions the omission of K was not a limiting factor for dry mass of leaves and stem in peanut plants. Phosphorus is an
element that proved to be enough for the required growth in height and accumulation of dry mass of leaves and stem. The
chlorophyll content of the plant was lower in the treatment in which there was the omission of N. The treatment with
omission of NPK was the most limiting, demonstrating the importance of applying these nutrients to the groundnut plants.
KEYWORDS: Arachis hypogaea L. Visual diagnosis. Nutritional deficiency. Mineral nutrition.
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