Estágio Supervisionado em Filosofia

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
SEMANA DE PEDAGOGIA 2013
“GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM ALAGOAS: AMEAÇAS E DESAFIOS”
Estágio Supervisionado em Filosofia: relato de experiência numa escola
pública de Alagoas
Carlos Artur Costa Rodrigues
Licenciando do Curso de Filosofia/UFAL
e-mail: [email protected]
Orientação: Elizabete Amorim de Almeida Melo
Professora do Centro de Educação/CEDU-UFAL
e-mail: [email protected]
RESUMO:
O presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência numa escola da rede estadual de
ensino, fruto das observações requisitadas pela disciplina de Estágio Supervisionado em Filosofia 1,
sendo um dos componentes curriculares para a formação do graduando do curso de Licenciatura em
Filosofia, da Universidade Federal de Alagoas. Para tanto, foi realizada uma observação in loco em
relação a alguns aspectos da escola, analisando desde a sua estrutura física, o quadro de funcionários e,
principalmente, quanto a sua relação com a disciplina de Filosofia, isto é, de qual forma ela está sendo
ministrada aos seus alunos. Essa última análise citada é um importante ponto de pesquisa para a nossa
área, sobretudo depois da lei 11.684 de 2008, a qual promulgou a obrigatoriedade do ensino desta
disciplina no currículo do ensino médio. Portanto, este artigo pretende, além de revelar a realidade de
uma escola de educação básica sob alguns aspectos, analisar, a partir de fundamentações teóricas, a
Filosofia enquanto componente curricular do ensino médio e a importância que a disciplina de Estágio
Supervisionado tem para o aluno-estagiário de graduação da referida área. Assim, nos baseamos nos
seguintes referenciais teóricos: BRASIL (2011), BRASIL (2006), LORIERI (2002), LÜDKE e
ANDRÉ, (1986) e PIMENTA E LIMA (2005).
PALAVRAS-CHAVE: Relato de experiência. Ensino de Filosofia. Estágio Supervisionado.
1 INTRODUÇÃO
O seguinte trabalho tem por objetivo relatar o meu contato com uma escola pública da
rede estadual de ensino. Essa é a segunda escola em que desenvolvo algum tipo de trabalho
acadêmico durante a minha graduação, pois na primeira que comecei a frequentar, foi como
bolsista do PIBID em Filosofia, onde ainda cumpro o cronograma de atividades iniciados no
ano de 2011.
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No decorrer deste relato irei explanar alguns pontos que caracterizam a escola que
escolhi para a coleta de dados, como por exemplo, a sua estrutura física, o seu quadro de
funcionários e a sua relação com a Filosofia, esta enquanto disciplina obrigatória do currículo
do ensino médio. Além disso, mostrarei alguns pontos determinantes que caracterizam o
ensino de Filosofia no nosso país, a partir de bases teóricas, e como a disciplina de Estágio
Supervisionado contribuiu para minha formação acadêmica.
A escola onde desenvolvi esta pesquisa faz parte da minha formação do ensino básico,
onde estudei nela entre os anos letivos de 2003 a 2007 (este último encerrado em março de
2008, por conta de greves), período pelo qual cursei da 5ª série do Ensino Fundamental (atual
6º ano) até 1º ano do Ensino Médio. Com relação a esse último ano que estudei por lá, foi o
primeiro ano em que foi implementado o Ensino Médio, a partir da criação de, somente, uma
turma de 1º ano na escola (privilégio meu participar desse marco).
Agora, cinco (5) anos depois, volto a frequentar essa escola, só que com um olhar de
estudante de licenciatura de um curso de graduação, tendo uma percepção diferente daquela
que eu tinha enquanto aluno de ensino fundamental e médio. E, além disso, perceber
mudanças em relação à distribuição dos funcionários e à própria estrutura da escola, que
mudaram de 2008 para cá.
Ao todo, utilizei cinco (5 dias) não consecutivos para observar, desde anotações sobre
as características da escola, seu quadro funcional, sua estrutura física, até a participação como
ouvinte em uma aula de Filosofia numa turma de 2º ano.
Atualmente, essa escola já iniciou o ano letivo de 2013, desde o começo do mês de
março do mesmo ano. Utilizei esse mês de início do ano letivo para fazer tal observação para
elaboração deste trabalho.
2 A ESCOLA: CONHECENDO O SEU ESPAÇO FÍSICO
A escola de minha pesquisa possui uma estrutura muito bem articulada no que diz
respeito ao espaço físico. Primeiramente, as salas de aula, que somam ao todo em treze (13)
salas, possuem as seguintes características: as carteiras utilizadas pelos alunos foram repostas
este ano, possuindo as cores azul e cinza (outras escolas estaduais também passaram por esta
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mudança); não possuem ventiladores, porém, a localização das mesmas permitem uma
ventilação muito boa, pois as janelas são colocadas de modo a favorecer a passagem de ar; as
lâmpadas utilizadas são fluorescentes tubuladas, as quais são postas no teto, este forrado com
PVC.
Com relação às aulas de informática, a escola, atualmente, passa por dificuldades. Ela
possui um bom espaço para essas aulas, onde pude constatar que, ainda, possui arcondicionado. Porém, em minhas conversas com uma diretora adjunta, fui informado que a
maioria dos computadores está com defeito, sendo que, aquelas máquinas que funcionam, são
insuficientes para os alunos utilizarem em uma aula. Além disso, a escola não possui um
professor ou um monitor para auxiliar os estudantes e coordenar a sala.
Em contraste com essa situação, o espaço multimídia da escola possui uma riqueza em
relação aos equipamentos necessários. Atualmente, ela possui um (1) televisor, um (1) DVD,
um (1) datashow, uma (1) caixa de som, entre outros equipamentos que completam o
funcionamento desse espaço. Frequentemente, os professores utilizam essa sala para ministrar
as suas aulas, complementando-as com a exibição de algum vídeo ou filme, segundo o relato
de uma das diretoras.
Quero destacar, ainda, que os alunos possuem uma opção para aulas fora do ambiente
escolar, uma vez por semana, em horário diferente de suas aulas regulares: as aulas de
natação. Desde 2011, elas são oferecidas pela Coordenadoria Regional de Ensino (CRE) onde
a escola está inserida, num espaço de recreação muito conhecido da nossa cidade, o qual
possui uma quadra desportiva e uma piscina. Em várias oportunidades, as aulas de educação
física também são realizadas nesse espaço.
Com relação à biblioteca da escola, não há ninguém que a coordene atualmente. Nesse
caso, ela fica fechada grande parte do tempo, sendo utilizada, basicamente, quando algum
professor solicita aos seus alunos a realizarem pesquisas específicas. Infelizmente, a sala de
leitura, que é o espaço que complementa a biblioteca, se encontra na mesma situação. Porém,
fui informado que já há um funcionário para tomar conta dela futuramente.
Outro ponto que tive a oportunidade de analisar tem a ver com a alimentação dos
alunos. O refeitório possui um bom quadro de funcionários e o cardápio é bem diversificado,
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como, por exemplo, cuscuz, arroz doce e etc. (é tão diversificado que se eu for citar todos os
alimentos aqui, acabaria por utilizar várias páginas).
A cantina da escola é terceirizada. Ela funciona, atualmente, com dois vendedores (que
são irmãos) que alugam o espaço e se revezam de acordo com o turno.
Destaco, ainda, outros pontos que caracterizam a escola. Em algumas dependências,
ela possui gramados e plantas muito bem tratados, os quais possuem irrigadores. Ela também
possui algumas árvores como, por exemplo, palmeiras e coqueiros. Foi instalado também na
escola câmeras de monitoramento, onde seus equipamentos centrais estão instalados na sala
da diretoria. Outra coisa que achei importante foi o fato da escola possuir lixeiros ecológicos,
que são conhecidos por organizar o lixo pelo tipo de material, identificados por quadro (4)
cores: amarelo, os metais; verde, os vidros; vermelho, os plásticos; e azul, os papéis.
Infelizmente, acabei me esquecendo de apurar a quanto tempo esse sistema foi implementado
e se os alunos são conscientizados para utilizá-lo de maneira adequada.
3 OS SUJEITOS EDUCACIONAIS: PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS E ALUNOS
Farei agora a descrição dos agentes que compõem o quadro de funcionários da escola,
principalmente no que diz respeito ao profissional da área de Filosofia.
Quero ressaltar que não obtive os dados relativos à quantidade de alunos matriculados
na escola, nas respectivas turmas que a compõem. Primeiramente, quando conversei com o
coordenador, este me informou que eu poderia obter esses dados na secretaria. Chegando lá, a
justificativa que me foi dada é que, como estão em início de ano letivo, a quantidade deles se
alternavam bastante. Também não consegui obter os dados acerca da quantidade de
professores que atuam no ensino médio, sendo a justificativa que me foi dada é que eles ainda
estavam compondo o resto dos profissionais para atuar na escola durante o ano letivo.
Em relação ao número de turmas, apresentamos os quadros a seguir:
Quadro nº 1: Relação do Número de Turmas do Ensino Fundamental no Ano
Letivo de 2013
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SÉRIE/ANO
6º ano
7º ano
8º ano
9º ano
TOTAL
MANHÃ
3
2
2
2
9
TARDE
4
2
2
1
9
NOITE
-----------
TOTAL
7
4
4
3
18
Fonte: informações coletadas pelo estagiário na secretaria da escola.
Quadro nº 2: Relação do Número de Turmas do Ensino Médio no Ano Letivo
de 2013
SÉRIE/ANO
1º ano
2º ano
3º ano
TOTAL
MANHÃ
2
1
1
4
TARDE
1
1
--2
NOITE
---------
TOTAL
3
2
1
6
Fonte: informações coletadas pelo estagiário na secretaria da escola.
A partir desses quadros, podemos notar que não há turmas do ensino regular no turno
da noite. Neste turno, na escola, funcionam as aulas do EJA (Educação de Jovens e Adultos Fundamental e Médio). Porém, não tivemos acesso aos dados referentes a este turno, pois a
secretária não sabia informar.
Pelos quadros, é possível detectar que a escola tem um número maior de turmas de
ensino fundamental, um total de dezoito (18) turmas e apenas seis (6) turmas do ensino
médio.
Outro fato que chama atenção no quadro nº 2 é a quantidade de turmas no ensino
médio: três (3) turmas de 1º ano, duas (2) turmas do 2º ano e apenas uma (1) turma do terceiro
ano. Parece que, em pleno século XXI, aqui em Alagoas, há, ainda, uma grande evasão
escolar neste nível de ensino, ou seja, nem todos os que se matriculam no ensino médio,
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conseguem terminá-lo, apenas um terço, mais ou menos. Este é um aspecto que ainda merece
futuras pesquisas mais detalhadas sobre este acontecimento.
Eis agora a relação do número de funcionários que trabalham na escola campo de
estágio e suas respectivas situações funcionais, ou seja, se pertencem ao quadro de
funcionários concursados e efetivos ou se são apenas prestadores de serviço.
Quadro nº 3: Relação do Número de Funcionários na Escola em 2013
FUNCIONÁRIOS
e SITUAÇÃO
FUNCIONAL
MANHÃ
EFETIVO
Direção
Diretor adjunto
Coordenadora
pedagógica
Técnicos
administrativos
Serviços gerais
Porteiro
Merendeira
TOTAL
Prestadores
de serviço
TARDE
EFETIVO
Prestadores
de serviço
NOITE
EFETIVO
Prestadores
de serviço
TOTAL
EFETIVO
Prestadores
de serviço
-------
----
---
2
---
2
---
1
2
4
2
---
2
---
3
---
7
---
1
--2
-------
2
--2
-------
2
1
2
-------
5
1
6
-------
Fonte: informações coletadas pelo estagiário na direção da escola.
Analisando o quadro anterior, pode-se notar que todos os funcionários são efetivos do
estado. No entanto, quero destacar a falta de porteiro na escola nos turnos matutino e
vespertino, pois se ela funciona os três (3) turnos, deveria haver profissionais suficientes para
a referida função. Além disso, percebi que a escola não possui Assistente Social, Psicólogos,
Bibiliotecários e nem Ajudantes de disciplina. A partir dos estudos de fundamentação teórica
realizados na universidade, considero que estes profissionais fazem falta no universo escolar e
que eles poderiam colaborar com o trabalho pedagógico dos professores.
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4 A DISCIPLINA FILOSOFIA: PROBLEMAS E DESAFIOS NO CONTEXTO
CONCRETO DE UMA ESCOLA PÚBLICA
Através da pesquisa realizada, constatei que a professora de Filosofia da escola é a
única que ministra as aulas dessa disciplina. Ela possui formação acadêmica em Psicologia e é
professora efetiva do Estado, através de concurso público para a disciplina de Ensino
Religioso. Na escola, ela acaba, então, complementando a sua carga horária de vinte (20)
horas semanais ministrando aulas de Filosofia e Sociologia nos turnos da manhã e da tarde.
Tive a oportunidade de observar duas horas-aulas seguidas da professora que leciona
filosofia nesta escola, numa turma de 2º ano do turno da tarde. Curiosamente, a primeira horaaula foi de Sociologia. Quando bateu o sinal para a segunda aula, ela continuou na sala, mas
começando a lecionar a disciplina de Filosofia.
Uma experiência bastante curiosa essa e que me fez refletir acerca da importância da
formação específica dessa disciplina, e, também, da dificuldade que o estado tem para
contratar um quadro docente qualificado para as instituições de ensino público. Uma das
causas para isso pode ser constatada nos editais de Seleção de Professores para a área de
filosofia, que no ano passado (2012) não exigia a formação do professor de filosofia na área
específica, mas poderiam se inscrever para a vaga, graduandos de História e de Pedagogia.
Com relação à aula de Filosofia, a professora ministrou um conteúdo introdutório,
tendo como base teórica a Teoria do Conhecimento, porém, sem citar nenhum filósofo. Este
fato é relevante para analisarmos a importância do texto filosófico em sala de aula e as
consequências de sua falta para a formação dos alunos e para a própria especificidade do
ensino de filosofia no ensino médio.
Com relação aos recursos utilizados, observei que os alunos já estão em posse do livro
de Filosofia. O título escolhido foi Fundamentos de Filosofia, de Gilberto Cotrim e Mirna
Fernandes, edição de 2011. Essa obra é analisada do seguinte modo pelo Guia do PNLD:
No que diz respeito à metodologia de ensino/aprendizagem, a obra valoriza de modo
suficiente a diversidade temática própria da especulação filosófica ocidental,
oferecendo ao aluno uma efetiva possibilidade de contato com um bom número de
fragmentos selecionados de textos clássicos de filósofos e de comentadores
relevantes. Note-se, no entanto, que, no que diz respeito à História da Filosofia (tal
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como registrada na Unidade 3), a obra exigirá do professor um esforço adicional de
estratégia didática. (BRASIL, 2011, p. 25).
Conversei bastante com a professora logo após a aula. Ela me disse que também usa
frequentemente a sala multimídia da escola, principalmente, para a exibição de filmes. Ela me
contou que já exibiu um título este ano: Quem somos nós?, de William Arntz, Betsy Chasse
e Mark Vicente.
No último dia que compareci à escola, o qual utilizei para conferir alguns documentos
da disciplina de Estágio 1, tive a oportunidade de acompanhar, brevemente, por alguns
minutos, a uma exibição nessa sala. O filme em exibição era A Origem, do diretor
Christopher Nolan.
Durante minha pesquisa pude atentar para diversas coisas acerca de como a Filosofia
enquanto disciplina obrigatória no ensino médio é tratada no contexto de uma escola da rede
pública de ensino.
Essa disciplina tornou-se obrigatória no ano de 2008, através da lei 11.684 do mesmo
ano, que alterou parte da LDB de 1996, no que diz respeito aos currículos necessários para a
formação do estudante do ensino médio, reforçado da seguinte maneira: “serão incluídas a
Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio”
(BRASIL, 2008).
Esse ano (1996) foi um marco para a educação de nosso país, pois, finalmente, a
Filosofia tem o seu espaço garantido na formação do sujeito que se formará nessa etapa da
educação básica.
É importante ressaltar que, mesmo antes da promulgação de 2008, a disciplina
Filosofia se tornou componente curricular nesta escola, na primeira turma de ensino médio
instalada na escola (o 1º ano), no ano letivo de 2007, no qual eu era aluno, como já afirmei
anteriormente. Este foi, efetivamente, o meu primeiro contato com os filósofos. No entanto,
neste ano, não tivemos aulas de Sociologia.
Atualmente, as aulas de Filosofia na escola são ministradas apenas por uma
professora, de formação em Psicologia, conforme já descrevi acima. Porém, para uma boa
transmissão dos conhecimentos necessários para uma iniciação filosófica por parte dos
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alunos, é necessária uma boa formação acadêmica por parte dos professores dessa disciplina.
É o que vai alertar as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, elaborada no ano de
2006.
[...] a qualificação desejada para nossos profissionais decorre, em grande medida, da
ampliação e da melhoria dos cursos de graduação e da clara ampliação da rede de
pós-graduação, com a existência de quase trinta programas de pós-graduação em
Filosofia em todo o país. [...] Não basta então o talento do professor se não houver
igualmente uma formação filosófica adequada e, de preferência, contínua [...]. Com
isso, a boa formação em Filosofia é, sim, condição necessária, mesmo quando não
suficiente, para uma boa didática filosófica. (BRASIL, 2006, p. 16 e 17).
Entretanto, embora o que esteja escrito na lei seja uma coisa, o que percebi de fato
durante a aula que tive a oportunidade de assisti foi a ausência de um referencial filosófico,
pois nenhum filósofo foi citado. Dessa forma, acabei não percebendo uma postura filosófica
por parte do professor, o que seria determinante para os alunos iniciarem, em conjunto com
ele, uma atividade reflexiva acerca do conteúdo abordado em aula.
Claro que essa disciplina não pode desconsiderar as outras disciplinas do currículo da
educação básica, principalmente no que se refere a uma abordagem mais crítica acerca das
coisas. Neste sentido, Marco Antônio Lorieri (2002), admite a possibilidade da Filosofia se
assemelhar com as demais formas de conhecimento, estudados em outras disciplinas:
Talvez possamos dizer que a Filosofia é igual às outras formas de conhecimento,
porque ela é um conjunto de procedimentos da consciência humana que, ordenados
de certa forma, procuram produzir respostas, o mais garantidas possível, para
questões com as quais os seres humanos se deparam em suas vidas ou para questões
que eles se fazem quando se põem a pensar mais atentamente (LORIERI, 2002, p.
34).
Porém, os objetivos específicos da Filosofia são clarificados, também, pelas OCEM,
onde o referido documento afirma que tal disciplina
cumpre, afinal, um papel formador, uma vez que articula noções de modo bem mais
duradouro que outros saberes, mais suscetíveis de serem afetados pela volatilidade
das informações. [...] Os conhecimentos de Filosofia devem ser para ele vivos e
adquiridos como apoio para a vida, pois do contrário dificilmente teriam sentido
para um jovem nessa fase de formação (BRASIL, 2006, p. 28).
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Portanto, penso que um dos papeis da Filosofia mais destacados é de buscar e suscitar
no alunado certas habilidades em que o envolvam, de maneira crítica, na nossa sociedade.
Principalmente no nosso estado, os alunos ainda visam, de modo desinteressado, os objetivos
do Ensino Médio, onde o foco principal dessa etapa é apenas de garantir uma boa formação
para o mercado de trabalho.
Se bem ministrados, os ramos da Filosofia podem ajudar a revelar aspectos
importantes acerca da sociedade aos alunos do ensino médio, garantindo a eles autonomia de
pensamento.
5 CONSIDERAÇÕES ACERCA DA DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Em minha graduação no curso de Licenciatura em Filosofia, percebi que um dos
componentes curriculares obrigatórios e determinantes para uma boa formação nessa área é a
disciplina de Estágio Supervisionado. Nela, o graduando é inserido, de forma ativa, no
contexto de uma escola de ensino básico, onde, geralmente, seu foco volta-se à análise das
instituições de ensino público. Dessa forma, o estudante de Filosofia põe em prática suas
competências adquiridas ao longo de sua graduação acadêmica.
Primeiramente, o que percebi durante o cumprimento da primeira disciplina de Estágio
Supervisionado é que a observação e a abordagem que nós, eu e colegas do curso de Filosofia,
fizemos nas escolas que participamos se mostraram efetivamente de caráter qualitativo.
Simplesmente, não fomos designados às escolas para comprovar suas qualidades e suas
deficiências, nos mais variados aspectos que a caracterizam, fazendo levantamento de dados
quantitativos para essa confirmação.
Acerca desse caráter que levantei, Marli André e Menga Lüdke (1986) dizem o
seguinte:
A observação direta permite também que o observador chegue mais perto da
“perspectiva dos sujeitos”, um importante alvo nas abordagens qualitativas. Na
medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos,
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pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à
realidade que os cerca e às suas próprias ações (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p. 26).
De fato, a partir do momento em que o graduando em licenciatura é colocado no
contexto de uma escola de ensino básico, ele tem a preocupação em refletir sobre essa
realidade. Seu contato direto com o ambiente de estudo exige a interpretação dos dados
colhidos durante a observação. Esse processo deve complementar a atividade do alunoestagiário, fazendo com que ele não siga na disciplina de estágio apenas para obter nota no
seu registro acadêmico e conseguir o seu status de “aprovado”.
Confesso que, quando estive na escola realizando a pesquisa do estágio, minha visão
sobre a escola básica na rede pública de ensino, está mais aperfeiçoada no que diz respeito ao
seu funcionamento nos dias de hoje.
Certamente, uma das grandes contribuições que a disciplina de Estágio
Supervisionado traz ao aluno de graduação é a de fazer com que ele reflita, a partir de suas
observações e análises, fundamentados em referencial teórico estudados acerca da profissão
docente na realidade das instituições de ensino, o fazendo refletir até se gostaria de seguir na
carreira ou não.
De fato, estes componentes curriculares (Estágio Supervisionado 1, 2, 3 e 4) no Curso
de Filosofia, contribuem ainda mais para os que decidem seguir na carreira de professor,
principalmente da disciplina de Filosofia, pelo fato de haver a possibilidade de “envolver
todas as disciplinas do curso de formação, [...] possibilitando que a relação entre saberes
teóricos e os saberes das práticas ocorra durante todo o percurso da formação.” (PIMENTA E
LIMA, 2005, p. 21).
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalizado minha pesquisa de campo e concluindo a produção deste artigo, quero
ressaltar alguns pontos importantes sobre esse grandioso trabalho acadêmico, de grande valor
para o estudante dos cursos de licenciatura da Universidade.
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Primeiramente, garanto que estou com um olhar diferenciado acerca dos componentes
de uma escola pública. Isso despertou, ainda mais, a vontade de atuar como professor da área
de Filosofia algum dia.
No primeiro dia que passei na escola para a pesquisa deste trabalho, fui recepcionado
pelo coordenador pedagógico provisório, o qual foi meu professor de Matemática no ensino
fundamental; sendo encaminhado, em seguida, à sala da diretoria, onde fui recepcionado por
uma das diretoras adjuntas, que não a conhecia antes, mas, a mesma foi bastante atenciosa
comigo. Já no dia seguinte, encontrei a diretora geral e a outra diretora adjunta, ambas,
minhas antigas professoras de Língua Portuguesa e Ciências no ensino fundamental,
respectivamente.
Confesso que tive algumas dificuldades para a coleta dos dados. Uma delas foi a falta
de informações importantes que não consegui obter, principalmente os números do Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) para a etapa do ensino médio e o número de
professores que atuam na escola e a situação de cada um: se efetivo ou monitor (pelo menos
essa segunda dificuldade citada foi coerentemente justificada pela secretária com quem falei).
Além disso, confesso que a minha postura um pouco tímida acabou contribuído para essas
dificuldades. Porém, as diretoras foram bem atenciosas comigo, me fornecendo a maioria das
informações que eu precisava.
Agradeço a elas pela elaboração do meu relatório e deste trabalho de experiência; ao
coordenador pedagógico da escola que me atendeu, de maneira muito gentil, na minha
primeira visita; e, principalmente, à minha de Estágio Supervisionado 1, que me propiciou a
praticar minhas competências adquiridas ao longo de minha graduação, me incentivando a
produzir este relato em forma de artigo.
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REFERÊNCIAS
BRASIL, MEC. Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível
em: <<http://www.mec.gov.br>>. Acesso em: 31 Mar 2013.
___________. Guia de Livros Didáticos - PNLD 2012 Filosofia. Brasília: MEC/SEF, 2011.
Disponível em: <<http://www.mec.gov.br>>. Acesso em: 31 Mar 2013.
___________. Orientações Curriculares para o Ensino Médio. Brasília: MEC. Disponível em:
<<http://www.mec.gov.br>>. Acesso em: 31 Mar 2013.
PIMENTA, Selma Garrido. LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência: diferentes
concepções. REVISTA POÍESIS, v 3, n. 3 e 4, p .5-24, 2005
LORIERI, Marcos Antônio. Filosofia: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
LÜDKE, Menga e ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas.
São Paulo: EPU, 1986.
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