assistência de enfermagem a criança com

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Trabalho 45 - 1/3
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A CRIANÇA COM
DIAGNÓSTICO DE HIDROCEFALIA
Luciana Pacheco Soares (1)
Rafaela Pereira Vila Real (2)
Virna Yane Bezerra Lopes(3)
Camila Pontes Rocha(4)
INTRODUÇÃO: No interior do cérebro existem espaços chamados de ventrículos que
são cavidades naturais que se comunicam entre si e são preenchidas pelo líquido
cefalorraquidiano ou simplesmente líquor, como também é conhecido. O termo
hidrocefalia refere-se a uma condição na qual a quantidade de líquor aumentado dentro
da cabeça. Este aumento anormal do volume de líquido dilata os ventrículos e comprime
o cérebro contra os ossos do crânio provocando uma série de sintomas que devem ser
sempre rapidamente tratados para prevenir danos mais sérios. Muitas vezes pode ser
detectada antes mesmo do nascimento, quando se emprega o exame de ultra-som no
acompanhamento da gravidez. O líquido cefalorraquidiano passa, no cérebro, de um
ventrículo para o seguinte (existem, ao todo, quatro) através de canais relativamente
estreitos, circulando depois na superfície do cérebro e sendo, finalmente, absorvido pela
sistema sanguíneo. Existe ainda uma parte do líquido que circula ao longo da medula
espinhal. A hidrocefalia ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e a
reabsorção desse líquido. A condição mais comum é uma obstrução da passagem do
líquor, seja por prematuridade, cistos, tumores, traumas, infecções ou uma malformação
do sistema nervoso como a mielomeningocele. Em casos raros, a causa é o aumento da
produção do líquido em vez de obstrução. Quando o líquido cefalorraquidiano é
constantemente produzido mas, de facto, está impedido de circular, acumula-se e causa
um aumento, por vezes muito grande, da pressão no interior do cérebro. Os ventrículos
incham e o tecido cerebral pode vir a sofrer lesões. É tipicamente associado com
dilatação ventricular e aumento da pressão intracraniana; pode ocorrer em crianças
(diversas faixas etárias) ou adultos, tendo causas específicas. As causas para a
hidrocefalia podem decorrer de três mecanismos:Secreção aumentada de LCR, como
ocorre nos tumores do plexo coróide (papilomas); Obstrução das vias de circulação do
LCR, seja no interior do sistema ventricular, seja na sua saída para o espaço
subaracnóideo, ou nas cisternas da base tais como: cisto colóide, craniofaringeomas,
meduloblastomas, tumores, estenose; Bloqueio na absorção do LCR, conseqüente à
aderência ao nível das vilosidades aracnóideas ou trombose dos seios durais.
Manifestações Clínicas Nas crianças pequenas (abaixo de 2 anos), os ossos do crânio
não estão soldados ainda e a hidrocefalia se torna óbvia. A cabeça cresce e a fontanela
(moleira) pode estar tensa ou mesmo abaulada. O couro cabeludo parece esticado e fino
e com as veias muito visíveis. Palpando-se a cabeça, é possível perceber um aumento do
espaço entre os ossos do crânio. A criança pode parecer incapaz de olhar para cima, com
os olhos sempre desviados para baixo e podendo ainda apresentar vômitos,
irritabilidade, sonolência e convulsões. Nas crianças maiores (acima de 2 anos), como
os ossos já se soldaram, o excesso de líquor levará a um aumento da pressão dentro da
cabeça o que pode ocasionar cefaléia, náuseas, vômitos, distúrbios visuais,
incoordenação motora, alterações na personalidade e dificuldade de concentração. Outro
sinal comum é uma piora gradual no desempenho escolar. Tais sintomas exigem
avaliação médica imediata. Se houver alargamento dos ventrículos cerebrais, ele poderá
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ser facilmente observado por ultra-sonografia, tomografia ou ressonância magnética.
OBJETIVOS: Aplicar a sistematização da assistência de enfermagem a um paciente
portador de hidrocefalia, descrever o quadro clínico de um paciente portador desta
patologia, buscar diagnósticos e intervenções de enfermagem intermitentes ao caso
estudado, reconhecer sinais e sintomas do paciente voltado a essa patologia.
METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória, qualitativa, tipo
estudo de caso. O estudo foi realizado em um hospital de referência em saúde infantil do
Estado do Ceará. Para a coleta de dados foi utilizado como instrumentos: exame físico
na criança e consulta ao prontuário durante o mês de abril de 2010. Nesse estudo
usamos o prontuário da criança com diagnóstico de hidrocefalia, durante o período de
aplicação dos instrumentos de pesquisa. Durante o estudo foram obedecidas as normas
da Resolução 196/96. RESULTADOS: J.V.D.P., masculino, 5 meses, solteiro, natural
de Caucaia-CE, residente em Fortaleza. Paciente com diagnóstico de hidrocefalia e
sepse. Proveniente de transferência de um hospital infantil e admitido em outro hospital
de referência em saúde infantil do Estado do Ceará no dia 10/05/10, sem acompanhante.
No dia da admissão encontrava-se sedado, reativo, sincrônico ao VM, hipersecretivo,
hidratado, anasarca, acianótico. Com AVC em VSCE single lúmen. Alimentação por
SNG, entubado, presença de SVD. Realizou-se os seguintes exames: gasometria
arterial, hemograma completo, líquor, TC de crânio, diagnosticando o germe Klebsiella
e Hidrocefalia. Ao exame físico de admissão, crânio apresentou-se aumentado de
tamanho com PC = 44 cm, couro cabeludo sem alterações visíveis e perceptíveis, olhos
e ouvidos sem alterações com acuidade visual e auditiva normais, tórax simétrico.
Ausculta pulmonar MVU + som timpânico à percussão, com presença de ruídos
adventícios do tipo roncos, normopnéico. Ausculta cardíaca: RCR em 2T, BNF, sem
sopro, taquicárdio. Abdômen flácido e RHA +. Eliminações intestinais e diurese
preservada. Desidratado leve, febre, acianótico. SSVV- FC: 185 bpm, FR: 56rpm, T: 37,
8 º C, Sat. O2: 94%. Avaliações e diagnóstico médico: A suspeita de hidrocefalia deve
ser feita nas crianças que têm os sintomas; verificação na anamnese com a mãe sobre
dados do pré-natal, exame neurológico (com medição de perímetro cefálico diário).
Observar macrocefalia e/ou sinais de hipertensão intracraniana. Observar o quadro
clínico. Em lactentes: crescimento excessivo do perímetro cefálico, e sinais decorrentes
do aumento da PIC (fontanela tensa; disjunção das suturas; couro cabeludo adelgaçado e
com rica drenagem venosa; sinal do sol poente; sinal do pote rachado). Exames
Complementares tais como: TC- de maneira fidedigna, confirma e fornece elementos
para avaliação do grau e da extensão da dilatação ventricular,
podendoinclusiveevidenciarsuaetiologia. Exame de LCR pode contribuir revelando um
processo inflamatório crônico, ou alterações compatíveis com lesões tumorais.
CONCLUSÃO: O estudo de caso realizado permitiu o conhecimento dos fatores de
risco locais e gerais que favorecem o desenvolvimento da Hidrocefalia. Foi observada a
importância da sistematização individualizada de enfermagem para pacientes portadores
da patologia. Esse acompanhamento permitiu a elaboração de um planejamento e
intervenções de enfermagem para dar suporte ao cliente, com conseqüente avaliação dos
resultados e sua validação. As linhas de tratamento devem ser bastante debatidas entre
as pessoas que atuam nessa área, pois a conduta pode trazer conseqüências e seqüelas ao
paciente. Deverá ser pesquisado o aspecto psicossocial, biológico e físico em que o
portador da Hidrocefalia está inserido. A enfermeira (o) também deve estar atenta ao
informar sobre os cuidados que o cliente deverá ter ao sair do hospital, tornando-se
indispensável o trabalho da enfermagem para educar o paciente, mostrando-lhe a melhor
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forma do mesmo voltar mais rapidamente à vida social. O trabalho preventivo e
terapêutico da enfermagem visa a proporcionar alívio dos sintomas e prevenções das
complicações, baseado nos registros dos achados e na evolução do cliente. Referências:
1. Brunner & Suddarth. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgico. Guanabara Koogan
S.A, editora. Volume 3; 2005. 2. Carpenito, Lynda Juall. Manual de diagnóstico de
enfermagem. 8ª ed. Artmed, editora. Porto Alegre; 2002. 3. Ferreira, J. P. & col.
Pediatria: Diagnóstico e tratamento. Artmed. Porto Alegre; 2005. 4. Goldenzwaig,
Nelma Rodrigues S. Choiet. Administração de Medicamentos na Enfermagem. 6ª ed.
Guanabara Koogan, editora. Ano 2006/2007.2. 5. Nanda. Diagnóstico de Enfermagem
da Nanda: definições e classificações- 2007-2008. (Org) Nort Americam Nursing
Diagnosis Association. Artes Médicas Sul, editora. Porto Alegre; 2008.
Palavras chaves: Hidrocefalia, líquor, pressão intracraniana.
Sistematização da Assistência de Enfermagem na Atenção à Saúde ao indivíduo nas
diferentes fases da vida.
(1)
Acadêmica de Enfermagem do 8º semestre da Universidade Fortaleza. Monitora do
Curso de Atendimento Pré-Hospitalar – SALVE. Endereço: Rua Neudélia Monte, 1004.
Bairro: José de Alencar. CEP: 60830-135. Email: [email protected]
(2)
Acadêmica de Enfermagem do 6º semestre da Universidade de Fortaleza. Monitora do
Curso de Atendimento Pré-Hospitalar – SALVE.
(3)
Acadêmica de Enfermagem do 8º semestre da Universidade de Fortaleza;
(4)
Acadêmica de Enfermagem do 8º semestre da Universidade de Fortaleza;
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