Páginas 214-216

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Artigo Original
ABORDAGEM DOS TUMORES DE GLÂNDULAS
SALIVARES MENORES
MANAGEMENT OF MINOR SALIVARY GLAND TUMORS
1
ROGÉRIO A. DEDIVITIS
2
ELIO G. PFUETZENREITER JÚNIOR
doença. Não houve nenhum outro caso de recidiva.
RESUMO
Introdução: Tumores de glândulas salivares
menores são uma patologia incomum. Elas deveriam ser
consideradas entre as lesões da cavidade oral. A decisão
sobre o tratamento permanece controversa. O objetivo desse
estudo é relatar nossa experiência com tumores de glândulas
salivares menores. Casuística e Método: Os prontuários de
18 pacientes com tumores de glândulas salivares menores
tratados cirurgicamente no Serviço de Cirurgia de Cabeça e
Pescoço do Hospital Ana Costa, Santos, entre 1997 e 2003
foram revisados. Resultados: Dos 18 pacientes, nove tinham
adenoma pleomórfico e nove tinham neoplasias malignas.
Dentre os pacientes com adenoma pleomórfico, cinco eram
homens e quatro eram mulheres. A idade variou de 37 a 75
anos (média, 43,5 anos). O tempo de sintomatologia various
de 6 a 120 meses (mediana, 12 meses). O palato duro é o sítio
predominante de ocorrência (cinco). Dentre os pacientes com
tumores malignos, quatro eram homens e cinco eram
mulheres. A idade variou de 26 a 63 anos (média, 32,7 anos).
O tempo de sintomatologia variou de 1 a 36 meses (mediana, 6
meses). Carcinoma mucoepidermóide de baixo grau foi a
lesão maligna mais comum (seis), seguido pelo carcinoma
adenóide cístico (dois) e carcinoma de células acinares (um).
A área retromolar e a mucosa bucal foram os sítios
predominantes de ocorrência (três, cada). Todos os pacientes
foram tratados com excisão local. O paciente com tumor em
seio etimóide apresentou recidiva local e faleceu devido à
1- Doutor em Medicina pelo Curso de Pós-Graduação em Otorrinolaringologia e Cirurgia de
Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina.
2- Residente de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa.
Palavras-chave: glândulas salivares menores; neoplasias de
glândulas salivares.
ABSTRACT
Introduction: Minor salivary gland tumors are an
uncommon entity. They should be considered among the
lesions of the oral cavity. The decision regarding treatment
remains controversial. The aim of this study is to report our
experience with minor salivary gland tumors. Patients and
methods: The charts of 18 patients with minor salivary gland
tumors surgically treated in the Service of Head and Neck
Surgery of Hospital Ana Costa, Santos, Brazil, from 1997 to
2003 were reviewed. Results: There were 9 patients with
pleomorphic adenoma and 9 patients with malignant
neoplasms. Among the patients with pleomorphic adenoma, 5
were men and 4 were women. The age varied from 37 to 75
(mean, 43.5). The symptoms time ranged from 6 to 120 months
(median, 12). The hard palate is the predominant site of
occurrence (5). Among the patients with malignant tumors, 4
were men and 5 sere women. The age varied from 26 to 63
(mean, 32.7). The symptoms time ranged from 1 to 36 months
(median, 6). Low-grade mucoepidermoid carcinoma was the
most common malignant lesion (6), followed by adenoid cystic
carcinoma (2) and acynar cell carcinoma (1). The retromolar
area and the buccal mucosa were the predominant sites of
occurrence (3 each). All patients were treated surgically by
wide local excision. The patient with etmoid sinus tumor
presented local recurrence died due to the disease. There
were no other recurrence cases.
Instituição: Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa, Santos.
Correspondência: Rogério A. Dedivitis, Rua Dr. Olinto Rodrigues Dantas, 343 conj. 92 –
11050-220 Santos, SP. Brazil. E-mail: [email protected]
Key words: minor salivary glands; neoplasms of salivary
glands.
Recebido em: 02/05/2006; aceito para publicação em: 29/07/2006
214
Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v. 35, nº 4, p. 214 - 216, outubro / novembro / dezembro 2006
INTRODUÇÃO
Tumores de glândulas salivares menores são
patologias incomuns. Eles formam um grupo de tumores
heterogêneos. A incidência de tumores de glândulas salivares
é de aproximadamente 3% de todas as neoplasias de cabeça
e pescoço1. Destes, de 10 a 15% são têm origem em
glândulas salivares menores2. Esses tumores estão
espalhados pela cavidade oral, seios paranasais, orofaringe,
laringe e traquéia3. Eles poderiam ser considerados entre as
lesões da cavidade oral, especialmente aqueles originados
no palato duro. A decisão a respeito do tratamento permanece
controversa.
Há poucos artigos que estudam tumores de
glândulas salivares menores separadamente4. O objetivo
deste estudo é relatar nossa experiência com tumores de
glândulas salivares menores.
CASUÍSTICA E MÉTODO
Os prontuários de 18 pacientes com tumores de
glândulas salivares menores tratados cirurgicamente no
serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana
Costa, Santos, Brasil de 1997 a 2003 foram revisados. Os
pacientes passaram por biópsia incisional prévia sob
anestesia local. Tomografia computadorizada pré-operatória
foi realizada para determinar a extensão dos tumores
malignos. A excisão cirúrgica dos tumores malignos auferiu
uma ressecção com margem mínima de 1 cm. Os arquivos
foram revistos com respeito a dados demográficos,
histopatologia, tratamento e recorrência. Os pacientes
tiveram seguimento de 9 a 120 meses (média, 40 meses).
RESULTADOS
Havia nove pacientes com adenoma pleomórfico e
nove pacientes com neoplasias malignas. A queixa mais
comum era a presença de massa indolor na boca, de
crescimento lento e progressivo.
Entre os pacientes com adenoma pleomórfico, cinco
eram homens e quatro mulheres, com uma proporção
homem/mulher de 1,25:1. A idade variou de 37 a 75 anos
(média, 43,5). O tempo de evolução variou de 6 a 120 meses
(mediana, 12 meses). O palato duro é o local predominante de
ocorrência (cinco casos), seguido pela mucosa bucal (dois),
palato mole e lábio inferior.
Entre os pacientes com tumores malignos, quatro
eram homens e cinco eram mulheres, com uma proporção de
mulheres para homens de 0,8:1. A idade variou de 26 a 63
anos (média, 32,7). O tempo de evolução variou de 1 a 36
meses (mediana, 6 meses). Carcinoma mucoepidermóide de
baixo grau foi a lesão maligna mais comum (seis casos),
seguido pelo carcinoma adenóide cístico (dois) e carcinoma
de células acinares (um). Todos os casos de carcinoma
mucoepidermóide eram de baixo grau. A área retromolar e a
mucosa bucal foram os locais predominantes de ocorrência
(três, cada), seguidos pelo palato duro (dois) e seio etmoidal
(um).
Todos pacientes foram tratados cirurgicamente por
excisão local completa. A excisão completa com margens
histopatológicas livres foi confirmada pela biópsia de
congelação. O paciente com tumor em seio etmoidal foi
submetido à radioterapia adjuvante. Este paciente em
particular não teve margens cirúrgicas livres na histopatologia
devido a seu estágio avançado. Ele apresentou recorrência
local após quatro meses e evoluiu a óbito, em virtude da
doença, após sete meses. Não houve nenhum outro caso de
recorrência.
DISCUSSÃO
A porcentagem de tumores malignos de glândulas
salivares menores varia de 27,5 a 76,3% na literatura. Por
outro lado, a incidência de adenoma pleomórfico varia de
21,3% até 70%4,5.
Como não é possível diferenciar lesões benignas de
malignas clinicamente, realizamos uma biópsia incisional
prévia com esse objetivo. A apresentação clínica mais comum
é um crescimento indolor progressivo na cavidade oral.
Entretanto, outros sintomas podem estar relacionados ao
local anatômico, como obstrução nasal 6 . Sintomas
relacionados a envolvimento de nervos estão associados a
um pior prognóstico no carcinoma adenóide cístico7.
Os locais anatômicos mais freqüentes são os
palatos duro e mole ou o antro maxilar. Carcinomas
mucoepidermóides são mais comuns na cavidade oral,
enquanto carcinomas adenóide-císticos têm predileção pelo
trato sinonasal6,8. Nosso estudo confirma a prevalência do
carcinoma mucoepidermóide.
O curso clínico é variável e, muitas vezes, é
caracterizado por recidiva tardia muitos anos após o
tratamento9. O resultado depende do sítio anatômico e do tipo
histológico. Carcinoma adenóide-cístico nasossinusal
apresenta um pior prognóstico6. Esse tipo histopatológico
ocorre mais freqüentemente nas cavidades nasossinusais,
onde os tumores tendem a estar avançados no momento da
apresentação.
O tratamento padrão de tumores malignos de
glândulas salivares menores é a excisão cirúrgica completa,
obtendo margens cirúrgicas adequadas6,10. Nossos seis
pacientes com carcinoma mucoepidermóide tinham estádio
clínico precoce à apresentação.
Em uma série de 128 pacientes, linfonodos
metastáticos eram palpáveis em 21 pacientes (3,8%)9. As
taxas de sobrevida geral em cinco anos foi, respectivamente,
85,9% e 87,7% nos grupos de pacientes tratados com cirurgia
ou terapia combinada. Houve diferenças significativas nas
taxas de sobrevida de acordo com o estádio N, envolvimento
ósseo, histologia do tumor, gênero e tipo de cirurgia. A maioria
das recorrências ocorreu no sítio primário do tumor;
metástases cervicais eram raras na apresentação e após o
tratamento inicial. Como as recorrências podem ocorrer
tardiamente, um seguimento de longo tempo é essencial.
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