De bem com o Parkinson

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De bem com o Parkinson
A doença ainda não tem cura, mas a ciência tem progredido para, por meio de
terapias alternativas, recuperar movimentos e proporcionar qualidade de vida aos
pacientes
Revista Saúde - Ago-2007
POR JOSIANE GREGÓRIO
Um procedimento novo e com resultados
compensadores tem sido usado em São José do
Rio Preto, região do interior de São Paulo, para
estimular portadores de doenças como o mal de
Parkinson. Conhecida como reabilitação em
multimídia,
usa
programas
simples
de
computador — Word, Excel e Power Point — para
estimular a concentração e a coordenação
motora.
“Aplicamos
uma
seqüência
de
atividades, como fazer um traçado ou um
desenho”, diz a técnica em reabilitação Luciana
Depieri Freire, responsável pela aplicação dos
exercícios. “O paciente mexe com o mouse e o
teclado, desenvolvendo a habilidade manual.”
O QUE É?
Uma doença crônica que provoca a degeneração de áreas do sistema nervoso
central. Foi descrita pela primeira vez pelo médico James Parkinson, no século
XIX. Ela se caracteriza pelo déficit de uma substância neurotransmissora que
permite a condução nervosa — a dopamina. Essa substância é a responsável
pela transmissão dos impulsos elétricos que tornam os movimentos e os
gestos suaves, precisos. Sem a dopamina ou com pouca quantidade dela,
esses impulsos não chegam aos músculos. A doença afeta diretamente a
atividade motora do paciente, causando tremor e rigidez. Normalmente, as
primeiras manifestações são unilaterais — devido à assimetria com que ocorre
a degeneração do cérebro. Afeta os membros superiores de um lado, para
depois atingir os membros inferiores. Na sequência, passam para o outro lado.
Na terceira fase, afetam o equilíbrio.
Essa é apenas uma das novidades que a ciência tem colocado ao alcance dos
pacientes que desenvolveram a doença. Como o Parkinson ainda não tem cura
e ataca diretamente os movimentos, causando tremores, lentidão, rigidez
muscular, alterações na fala e na escrita, os tratamentos que são realizados
visam melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Não combatem o mal,
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mas minimizam seus efeitos e, em alguns casos, até impedem o progresso da
doença.
É por isso que as terapias, antes consideradas alternativas, como a acu pun tura, também têm conseguido resultados bastante satisfatórios. “Se estiver na
fase inicial, essas técnicas suavizam os sintomas e até retardam sua
evolução”, afirma o médico Ysao Yamamura, chefe do Setor de Medicina
Chinesa e Acupuntura da Disciplina de Fisiatria da Unifesp (SP).
Além da parte motora, outras funções são atingidas com freqüência, quando o
assunto é Parkinson. Dentre as mais comuns, estão alterações na voz, que
atingem de 75% a 92% das pessoas com a doença. O resultado disso é o
comprometimento da fala que, conseqüentemente, interfere no convívio
familiar, social e profissional — e influencia diretamente a auto-estima do
paciente, que acaba até se isolando. Por esses e outros problemas, a
fonoaudiologia é um dos recursos usados para minimizar esses efeitos. “O
tratamento devolve a capacidade de falar e de deglutir os alimentos, muito
comprometidas nesses casos”, confirma a fonoaudióloga Alice Estevo Dias, do
Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.
O método mais usado nesses casos é o Lee Silverman de Tratamento Vocal
(LSTV®). Nada mais são do que exercícios como falar em voz alta as vogais AE-I-O-U, procurando exagerar nos movimentos dos lábios, bochechas e língua
e colocar a ponta da língua nos quatro cantos da boca. Ao todo, são 16
sessões distribuídas em um mês, realizadas quatro vezes por semana.
Outras alternativas
Quando os medicamentos — como a levedopa (o mais comum entre os
empregados no tratamento, pois se transforma em dopamina no cérebro e
supre, em parte, a ausência desse neurotransmissor) — nem as terapias
apresentam resultados, uma opção é a cirurgia. Mas só em casos de rigidez e
tremor, cujos resultados pós-intervenção são melhores.
Conhecida como estereotaxia, essa cirurgia consiste em fixar eletrodos no
cérebro do paciente. Quando estimulados, esses eletrodos ativam o sistema
nervoso central e liberam do pamina. A boa nova é que o procedimento está
sendo oferecido, desde março, no Setor de Neurocirurgia do Hospital dos
Servidores do Estado (HSE), no Rio de Janeiro, pelo Sistema Único de Saúde
(SUS).
Segundo o chefe do setor de neu rocirurgia desse hospital, José Carlos Lynch,
os pacientes que desenvolveram a doença de Parkinson apresentam melhoras
visíveis nos tremores após a intervenção — que é contra-indicada caso a
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pessoa seja idosa ou não tenha condições clínicas de suportar a cirurgia. “E
também se a doença já está em estágio avançado, em que os benefícios não
serão tão evidentes”, observa Alexandre Amaral, responsável pela seção de
neurocirurgia funcional do HSE.
Tratamentos, como fisioterapia e terapia ocupacional, também têm sido
considerados tão importantes quanto os medicamentos. Tudo porque me lhoram a auto-estima do paciente. A fisioterapia, por exemplo, mantém a
flexibilidade por meio de exercícios específicos que não deixam os músculos
atrofiarem. Já a terapia ocupacional ajuda a pessoa a conviver com as
limitações da doença e a superálas nas atividades mais simples e corriqueiras
do dia-a-dia — como tomar banho e escovar os dentes.
Como posso desenvolver?
Não se sabe ao certo qual o mecanismo que deflagra o mal de Parkinson. De
certo mesmo, só que a doença pode afetar qualquer pessoa — sem fazer
distinção de raça, sexo, cor ou nível social. Os primeiros sintomas começam a
surgir por volta dos 50 anos, mas há casos em que aparecem em pessoas mais
jovens. Pesquisas mostram que 1% dos adultos com mais de 65 anos
desenvolvem a doença — que já esteve associada a hábitos alimentares, como
o consumo de carnes. O neurologista Cícero Galli Coimbra, professor do
Departamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que o
rumo das pesquisas sobre o Parkinson nessa direção foi influenciado por casos
médicos registrados na década de 1980, nos Estados Unidos, a partir de uma
substância — a metilfeniltetrahidropiridina (MTTP). Essa substância é muito
similar, descobriu-se anos depois, às aminas heterocíclicas, que se formam
durante o cozimento de carnes (brancas ou vermelhas) e que portadores do
mal de Parkinson possuem em grande quantidade no sangue. Galli atribui,
porém, a doença mais ao estresse e à depressão do que à dieta. “O sofrimento
envelhece o cérebro, e o mal de Parkinson é uma doença de envelhecimento
cerebral”, diz.
http://revistavivasaude.uol.com.br/Edicoes/52/artigo57507-1.asp?o=r
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