a escola de braga no contexto luso-brasileiro

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A ESCOLA DE BRAGA NO CONTEXTO
LUSO-BRASILEIRO
Ricardo Vélez Rodríguez
Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa”, da UFJF.
Coordenador do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos da UFJF.
Membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – Lisboa e
da Academia Brasileira de Filosofia – Rio de Janeiro.
[email protected]
RESUMO
Não se pode falar, em sentido estrito, de uma influência direta da Escola de Braga sobre o pensamento
filosófico brasileiro, embora essa influência seja visível em Portugal. No entanto, a importância conferida pela
mencionada Escola ao tema do “Humanismo Cristão”, encontra manifestação semelhante no contexto
brasileiro. Deve ser tributada essa característica ao fato de, tanto a Escola de Braga quanto os pensadores
brasileiros de inspiração neotomista, terem sido inspirados por fontes semelhantes, que poderiam ser
identificadas com as seguintes variáveis: 1) inspiração comum em vertentes próximas ao “Humanismo
Integral” de Jacques Maritain; 2) longínqua inspiração de ambas as correntes de pensamento na denominada
“segunda escolástica” ibérica, notadamente nas idéias do padre Francisco Suárez, que tendeu liames
sistemáticos entre o legado da filosofia tomista e a ciência moderna; 3) situação semelhante enfrentada pela
Igreja Católica no Brasil e em Portugal, na primeira metade do século XX, ao ensejo do confronto entre a
doutrina católica com as filosofias que se contrapunham à vivência cristã; desse fato emergiria, pela mão dos
pensadores de Braga e da corrente neotomista no Brasil, uma tentativa de avaliação crítica das mencionadas
filosofias, num clima de abertura em face do pensamento moderno e o universo da ciência, superando os
extremos apologético e de simples claudicação perante as concepções imanentistas vigentes, mas
reformulando as próprias idéias com a fecunda influência de conceitos e perspectivas provenientes do
pensamento contemporâneo. Na comunicação serão desenvolvidos os seguintes itens:
I - O neotomismo da Escola de Braga e as manifestações neotomistas no Brasil.
II – O papel desempenhado, em Portugal, pela Revista Portuguesa de Filosofia e pelas Revistas Brasileira de
Filosofia e Convívio, no Brasil, no esforço em prol de reconstituir o passado filosófico nacional.
III – O significado do 1º Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia, reunido em Braga, em 1981.
IV – A iniciativa editorial mais importante inspirada pela Escola de Braga: a Logos – Enciclopédia LusoBrasileira de Filosofia (1989-1992).
PALAVRAS-CHAVE: Escola de Braga – Filosofia Portuguesa – Filosofia Brasileira – Filosofia neotomista
em Portugal – Filosofia neotomista no Brasil – Humanismo cristão
ABSTRACT - THE BRAGA SCHOOL IN PORTUGUESE-BRAZILIAN CONTEXT
Although visible in Portugal, it is not possible to identify a direct influence of Braga School on brazilian
philosophical thought in a scrict sense. However, the emphasis that such school gives to Christian Humanism
can be found on brazilian context. The reason is that either Braga School or brazilian thinkers from neo-tomist
strain found inspiration in similar sources, which can be identified as follows: 1) they were both inspired by
Integral Humanism by Jacques Maritain; 2) both strain thoughts were distantly inspired by the so-called
iberian‘second scholastic’, mainly on father Francisco Suarez’s ideas, who established systematic links
between tomist philosophy legacy and modern science; 3) in the first half of the 20th century both brazilian
and portuguese Catholic churches faced similar situations of confrontation between catholic doctrine and the
philosophy strains that were antagonic to the Christian living. From this confrontation would emmerge, by the
hands of Braga thinkers and neo-tomist strain in Brazil, an attempt to make a critical evaluation of such
strains in an open way, based on modern and scientific thoughts, overcoming the effective apologetic and
hesitating approach of imanentist views, and reviewing their own ideas on the influence of concepts and
perspectives taken from contemporary thought. The following subjects will be delevoped during the lecture:
I – Braga School neotomism and neotomist manifestation in Brazil.
II – The role, in Portugal, of Revista Portuguesa de Filosofia (Portuguese Philosophy magazine) and in
Brazil, of Revista Brasileira de Filosofia (Brazilian Philosophy magazine) and Convívio magazine, in the
effort to rebuild the national philosophical past.
III – The importance of the 1st Brazilian-Portuguese Philosophy Congress, held in 1981, in Braga.
IV – The most important editorial initiative inspired by Braga School: the Logos – Enciclopédia LusoBrasileira de Filosofia [Logos - Brazilian-Portuguese Encyclopedia] (1989-1992).
KEY WORDS: Braga School – Portuguese Phìlosophy – Brazilian Philosophy – Neo-tomist Philosophy in
Portugal – Neo-tomist Philosophy in Brazil – Christian Humanism
Introdução.1
A Escola de Braga, no contexto português, constitui tendência cultural da maior
importância, que encontrou, do outro lado do Atlântico, no Brasil, não propriamente um
prolongamento direto, mas uma tendência de semelhante valor teórico, centrada, de um
lado, ao redor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e, de outro, ao redor
do Instituto Brasileiro de Filosofia, criado por Miguel Reale (1910-2006) em 1949, em São
Paulo. É meu propósito destacar, aqui, os principais aspectos de ambas as manifestações
culturais, me somando, assim, às comemorações que a Universidade Católica Portuguesa
realiza ao redor da temática da herança humanística da Escola de Braga.
Quero registrar aqui, em primeiro lugar, o meu agradecimento aos organizadores
deste evento, que tiveram a gentileza de me convidar para expor o tema que me foi
encomendado e que dá título a esta conferência. Gostaria de agradecer, outrossim, ao amigo
Professor Doutor António Braz Teixeira, pelas oportunas diretrizes que me deu para a
elaboração do meu texto.
Desenvolverei quatro itens: I - O neotomismo da Escola de Braga e as
manifestações neotomistas no Brasil. II – O papel desempenhado, em Portugal, pela
Revista Portuguesa de Filosofia e pelas Revistas Brasileira de Filosofia e Convívio, no
Brasil, no esforço em prol de reconstituir o passado filosófico nacional. III – O significado
do 1º Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia, reunido em Braga, em 1981. IV – A
iniciativa editorial mais importante inspirada pela Escola de Braga: a Logos – Enciclopédia
Luso-Brasileira de Filosofia (1989-1992).
1
Conferência proferida no Colóquio sobre “A Escola de Braga e a Formação Humanística – Tradição e
Inovação”, realizado, em Braga – Portugal, pela Universidade Católica Portuguesa, nos dias 16 e 17 de
Outubro de 2009.
I –O Neotomismo da Escola de Braga e as Manifestações Neotomistas
no Brasil.
Embora no decorrer do século XX tenha havido, no panorama europeu e latinoamericano, uma variadíssima presença de correntes filosóficas, muitas delas conflitantes
com a tradicional filosofia inspirada no tomismo, o que ensejou a reação forte de setores
receosos da quebra da ortodoxia doutrinária, com o fechamento do diálogo e a adoção de
posições apologéticas, no entanto, em Portugal e no Brasil floresceram versões do
neotomismo abertas ao mundo moderno. É o que aconteceu ao redor da Escola de Braga,
em Portugal, bem como do Instituto Brasileiro de Filosofia e da Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro, no Brasil. Assinalarei, a seguir, os aspectos mais marcantes da
Corrente Neotomista em Portugal e em terras brasileiras.
O Neotomismo da Escola de Braga.
Característica fundamental desta escola de pensamento foi, por um lado, a sua
fidelidade ao que poderíamos denominar de Humanismo Cristão, ou seja, a defesa clara do
ideal de pessoa humana, de acordo à visão transcendente herdada do Tomismo; de outro
lado, a corajosa abertura ao mundo contemporâneo, traduzida na simpatia e rigor intelectual
com que esta escola acolheu a problemática filosófica em face do homem hodierno, bem
como diante dos grandes avanços científicos que têm caracterizado esta quadra da história
humana. Ambas as notas que acabo de destacar em relação à Escola de Braga, já as tinha eu
vivenciado, quando da minha formação filosófica na Pontifícia Universidade Javeriana de
Bogotá, no início dos anos sessenta do século passado. Lembro, com admiração, a
seriedade intelectual e a abertura dos meus saudosos mestres da Companhia de Jesus.
Mencionarei, a seguir, de forma sucinta, os mais destacados representantes da
Escola de Braga, todos eles sacerdotes da Companhia de Jesus, bem como a sua
contribuição ao terreno da filosofia.
Cassiano dos Santos Abranches (1896-1983).- Foi professor e prefeito de estudos
na Faculdade de Filosofia de Braga. A respeito do papel desempenhado nessa Faculdade,
Lúcio Craveiro da Silva escreve: “Foi notável a sua obra (...) na sua acção renovadora na
actualização do plano de estudos, no aperfeiçoamento dos métodos de ensino e no rasgar de
novas perspectivas na mesma concepção e missão da filosofia. Neste sentido, foi o
principal obreiro da Faculdade de Filosofia de Braga, tendo sido mestre da maior parte dos
professores da Faculdade”.2
O interesse filosófico de Cassiano dos Santos Abranches estava voltado para a
Metafísica e para a História da Filosofia. Na sua obra intitulada Metafísica (Braga, 1955)
aprofundou no pensamento tomista, na linha da interpretação de P. Scheuer e J. Marechal.
No tocante à História da Filosofia, sobressaem os seus estudos sobre Pedro da Fonseca, que
foram publicados na Revista Portuguesa de Filosofia, a partir de 1946. 3
Diamantino Martins (1910-1979).- Cursou os estudos secundários no Liceu de
Santarém e no Seminário de San Martín de Trevejo (Cáceres, Espanha), tendo ingressado
na Companhia de Jesus em 1927. Concluiu o curso de Humanidades e Filosofia em Val-dePuy (Haute-Loire, França), onde obteve a licenciatura. Recebeu, nessa Faculdade, a
influência de Blaise Romeyer, professor de psicologia e especialista em Bergson, tendo
despertado no jovem estudante o interesse por este autor, acerca do qual versou a sua tese
de doutoramento, intitulada: Bergson (publicada em Madri, em 1943).
2
Lúcio Craveiro da Silva, “Abranches (Cassiano dos Santos)”, in:Logos – Enciclopédia luso-brasileira de
filosofia, vol. I, Lisboa: Editorial Verbo, 1989, p. 18-19.
3
Cf. Lúcio Craveiro da Silva, art. cit., p. ibid.
José do Patrocínio Bacelar e Oliveira (1916-1999).- Obteve a Licenciatura em
Filosofia em Madri, em 1944, e a Licenciatura em Teologia em Granada, em 1947.
Doutorou-se em Filosofia na Universidade Gregoriana, em Roma, em 1949. A partir desse
ano lecionou Epistemologia, Gnoseologia, Lógica e Questões Antropológicas na Faculdade
de Filosofia de Braga, da qual foi diretor (de 1962 até 1968). Foi o principal responsável
pela implantação da Universidade Católica Portuguesa, da qual foi reitor por quatro
mandatos sucessivos, entre 1972 e 1988. Recebeu da Santa Sé o título de Reitor Honorário.
Organizou a Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, da qual foi
presidente. Foi, outrossim, co-diretor e colaborador da Enciclopédia Logos.
Dois temas sobressaem na investigação filosófica e nos escritos de Bacelar e
Oliveira: em primeiro lugar, no terreno da Antropologia Filosófica, o autor segue uma linha
de inspiração neoplatónico-tomista e conimbricense. O homem é entendido, frisa Roque
Cabral, como síntese do universo, “centro de convergência e articulação dos corpos com o
espírito, do tempo com a eternidade, do indivíduo e da pessoa”.
4
Esta concepção
antropológica encontra-se na Tese de Doutoramento de Bacelar e Oliveira, intitulada: O
homem como antinomia e harmonia, na concepção metafísica de São Tomás de Aquino
(1949). Síntese da mencionada tese foi publicada na Revista Portuguesa de Filosofia, com
o título: “No horizonte da eternidade e do tempo. Antinomia da duração humana”. 5
Em segundo lugar, no terreno da inter-relação entre a Crítica e a Ontologia, Bacelar
e Oliveira ensaia um ponto de partida para a fundamentação sistemática dos tratados de
filosofia teorética. O autor parte para a “interpretação da noção de metafísica como núcleo
4
Roque Cabral, “Oliveira (José do Patrocínio Bacelar e)”, in: Enciclopédia Logos, vol. III, Lisboa: Editorial
Verbo, 1991, p. 1225-1226.
5
José do Patrocínio Bacelar e Oliveira, “No horizonte da eternidade e do tempo. Antinomia da duração
humana”. In: Revista Portuguesa de Filosofia, Braga, nº 10 (1954): p. 225-268.
de actividade constituinte e constituída, no processo de afirmação transcendental do ser”. 6
Em dois artigos publicados, em 1954 e 1957, na Revista Portuguesa de Filosofia, Bacelar
e Oliveira deixou exposta esta parte do seu pensamento. 7
Na parte final de sua meditação, o nosso autor deixou esboçada uma nova
perspectiva relacionada à dinâmica e prospectiva da ontologia sob o ponto de vista da
liberdade que, no entanto, não chegou a desenvolver plenamente. Esta nova faceta do seu
pensamento encontra-se no artigo intitulado: “Ontologia e Ontogonia”, publicado em
1961.8
Júlio Moreira Fragata (1920-1985).- Professor de História da Filosofia Moderna e
Contemporânea da Faculdade de Filosofia de Braga, a partir de 1954. Foi diretor da mesma
Faculdade de 1968 até 1971 e de 1978 até 1985. Entre 1972 e 1977 desempenhou as
funções de Superior Provincial da Companhia de Jesus. Foi sócio fundador e membro da
direção do Centro de Estudos Fenomenológicos de Coimbra.
A fenomenologia husserliana foi o tema central da meditação de Júlio Fragata, a
partir da elaboração de sua tese de doutoramento, intitulada: A Fenomenologia de Husserl
como fundamento da Filosofia (1959). O autor dá prosseguimento aos estudos
fenomenológicos até o final de seus dias, sendo a obra intitulada: Fenomenologia e
Gnoseologia (1983) um dos seus últimos escritos.
Á maneira de Husserl, Fragata considera a filosofia como um saber que exige
fundamentação radical, na busca de uma “universalis sapientia”, o que obriga a uma
6
Roque Cabral, “Oliveira (José do Patrocínio Bacelar e)”, art. cit., p. 1226.
José do Patrocínio Bacelar e Oliveira, “A crítica perante a ontologia no âmbito da metafísica”. In: Revista
Portuguesa de Filosofia, Braga, nº 10 (1954): p. 343-382. Do mesmo autor, “Bases para a construção de uma
crítica”, in: Revista Portuguesa de Filosofia, Braga, nº 13 (1957), p. 223-258.
8
José do Patrocínio Bacelar e Oliveira, “Ontologia e Ontogonia”. In: Revista Portuguesa de Filosofia, Braga,
nº 18 (1961): p. 344-360.
7
superação de quaisquer pressupostos, a fim de atingir as coisas mesmas, numa evidência
intuitiva originária. A evidência direta do mundo natural deve ser abandonada e substituída
por uma evidência reflexa, que revele o objeto numa relação intencional com o sujeito. O
filósofo não deve ficar preso, portanto, à realidade objectiva, mas precisa buscar a realidade
no fenômeno, no seio da consciência. A evidência apodítica do fenômeno liberta ao filósofo
da coisa em si, dando ensejo a um idealismo transcendental. Um dos pontos mais originais
da fenomenologia de Júlio Fragata reside em mostrar que o fenômeno puro não abandona o
sujeito no solipsismo, mas o abre ao mundo transcendente. Este, portanto, não é negado
pela fenomenologia do nosso autor, apenas posto entre parêntese. Analisando o fenômeno
em profundidade, essa realidade transcendente aparece ao sujeito como dada, ao mesmo
tempo com a vivência interna do fenômeno. Este é o ponto alto da sua doutrina filosófica.
Toda idéia, para Fragata, encerra uma representação e uma significação. Graças à
representação, a idéia se liga a uma imagem referida diretamente a um objeto sensível. Por
força da significação, no entanto, a idéia ganha um sentido, graças ao qual o sujeito toma
conta do objeto enquanto objeto conhecido. Diferentemente do que acontece no terreno das
ciências físicas e da matemática (onde há coincidência entre o objeto significado e o objeto
representado), no plano filosófico, como frisa Alexandre Morujão, “a idéia representa uma
coisa e significa uma outra que a primeira implica, mas que não pode ser demonstrada nem
verificada. Apercebo-me do objecto significado na representação e distinto desta, mas não o
percebo. Não se demonstra, como nas matemáticas, nem se prova, como nas ciências
exatas”. 9
Para Júlio Fragata é claro que a Filosofia intui por especulação e atinge, de forma
análoga, o que está presente de maneira implícita naquilo que conhecemos. A respeito,
escreve Morujão: “A realidade transcendente não é negada pela atitude transcendental,
9
Alexandre Fradique Morujão, “Fragata (Júlio Moreira)”. In: Logos – Enciclopédia Luso-brasileira de
Filosofia, volume II, Lisboa: Editorial Verbo, 1990, p. 703-704.
pode alcançar-se por intuição, não como é em si, mas por associação, intuição esta
apodítica por se dar inseparável com o fenômeno puro”. 10
Na sua concepção do Ser e do Mundo, Júlio Fragata elabora uma original síntese, de
caráter metafísico, inspirada, em parte, pelo aristotelismo e em parte pelo espiritualismo
evolucionista, presente na filosofia de Teilhard de Chardin. Três princípios metafísicos
presidem a síntese teórica de Júlio Fragata: interioridade, exterioridade e totalidade. O
Essente (que constitui um elemento do conjunto comumente designado pelo termo seres)
pressupõe o Ser (ou aquilo graças ao qual os seres são), mas não o esgota. O conjunto dos
Essentes tampouco esgota o Ser. Este os penetra e os transcende, e cada Essente, na sua
caminhada evolutiva, manifesta o Ser. Cada Essente diversifica-se constantemente nos
vários momentos ou estágios da sua evolução particular. O Essente, em decorrência disso,
carece de unidade perfeita, sendo vários os seus componentes, que o nosso autor apresenta
da seguinte forma:
a)
Um princípio de interioridade (na medida em que o Essente só é quando se
encontra em unidade com o Ser e consigo mesmo);
b)
Um princípio de exterioridade (em virtude do fato de o Essente não esgotar
o Ser, sendo apenas uma exterior e limitada manifestação deste);
c)
Um princípio de totalidade (na medida em que Essente individual e
totalidade de Essentes encontram-se, à sombra do Ser, em união dinâmica de dinamismo
transitivo). Em virtude dessa inserção na dinâmica do Ser, qualquer Essente é material e
espiritual, devido ao fato de que não é nem pura interiorização, nem unidade perfeita.
10
Alexandre Fradique Morujão, “Fragata (Júlio Moreira)”, art cit., p. 704.
No contexto da visão metafísica anteriormente exposta, Júlio Fragata desenvolve a
concepção acerca da pessoa e da sua dinâmica. À luz da teoria dos três princípios
mencionados (interioridade, exterioridade e totalidade), o autor coloca a pessoa humana
numa perspectiva evolutiva visando à unidade. A pessoa desenvolve-se como identidade do
eu (que se apreende como ele mesmo), superando as condições biológicas do universo
físico-químico, incluindo aí a morte. A pessoa perpassa essas circunstâncias, preservando
sempre a identidade do seu eu. Júlio Fragata expõe as conseqüências que, do ângulo
teológico, decorrem de sua concepção antropológico-metafísica, na obra intitulada Morte e
perenidade (1984).
No que tange à temática da causalidade, o autor introduz, na obra intitulada: O
problema da causalidade (1986), original distinção entre causalidade dutiva (que seria a
causalidade de Deus no mundo, criativa ou não), causalidade produtiva (própria dos
Essentes, enquanto derivados da causalidade dutiva de Deus sobre eles) e causalidade
indutiva (que constitui o fundamento de interação de todos os Essentes no Universo).
Victorino de Sousa Alves (1915-2002).- Professor de Lógica Matemática e de
Filosofia na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa. Licenciou-se em
Filosofia e em Teologia na Universidade Gregoriana de Roma (1950). Doutorou-se em
Filosofia na Faculdade de Filosofia de Braga, com a tese intitulada: Dialéctica do espaço e
do tempo (1957). Nessa Faculdade lecionou Matemática, Questões Científicas, Cosmologia
e Filosofia das ciências. Redator da Revista Portuguesa de Filosofia, nela publicou vários
artigos e estudos de pesquisa sobre Lógica e Filosofia das Ciências.
Dentre as suas pesquisas publicadas, podem ser salientadas as seguintes: Teoria do
espaço e tempo em Pedro da Fonseca (1961), A lógica moderna (1965), A lógica de
Leibniz (1967), O conceito de estrutura na lógica e na matemática (1976), O enigma do
universo (1978), Análise lógica dos primeiros princípios (1980), Redução lógica da
filosofia em Wittgenstein (1982). Colaborou na Enciclopédia Verbo Luso-brasileira de
Cultura, assumindo parte da direção da área de Ciências Puras e escrevendo vários artigos
sobre Matemática, Lógica e Filosofia das Ciências. Foi sócio de várias Academias:
Görresgeselschaft (Munich), Sociedade de Geografia (Lisboa), Association of Symbolic
Logic (Estados Unidos), Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa e
Sociedade Católica Mexicana de Filosofia. No final de sua vida foi professor catedrático
das disciplinas: Lógica Matemática e Epistemologia Geral, na Faculdade de Filosofia de
Braga e na sua extensão em Funchal (Ilha da Madeira).11
As Manifestações Neotomistas no Brasil.
A corrente neotomista teve, na realidade brasileira, duas fontes inspiradoras, ao
longo do século XX: de um lado, a obra pioneira do grande pensador católico Jacques
Maritain (1882-1973) e, de outro, o Concílio Vaticano II (1962-1965) que formalizou
doutrinariamente o denominado “aggiornamento”12 da Igreja Católica no mundo
contemporâneo.
No terreno das idéias filosóficas, duas personalidades deram impulso definitivo à
corrente neotomista, estabelecendo o diálogo entre o legado do Doctor Angelicus e as
correntes de pensamento em que se traduziu a angustiosa problemática do homem do
século XX.
11
Cf. Lúcio Craveiro da Silva, “Alves (Victorino de Sousa)”, in: Logos – Enciclopédia Luso-brasileira de
Filosofia, vol. I, Lisboa: Editorial Verbo, 1989, p. 203.
12
Termo utilizado pelo Papa João XXIII (1881-1963).
Essas duas personalidades foram Alceu Amoroso Lima (pseudônimo Tristão de
Athaíde, 1893-1983) e Dom Irineu Penna (1916-2008). Quanto ao primeiro, frisa Antônio
Paim: “O surto tomista suscitou, através da obra de Alceu Amoroso Lima, uma temática de
grande significação – o valor da pessoa e a herança representada pela moral judaico-cristã -,
apta a estabelecer um diálogo profícuo entre a meditação católica e a filosofia brasileira de
inspiração laica. Assim, despojada de imposições extrafilosóficas, a filosofia católica
revelou-se capaz de expressar suas virtualidades no plano próprio, notadamente na sua
relação com a intelectualidade que não comunga das mesmas crenças fundamentais”.13
Dom Irineu Penna (monge da Ordem Beneditina), tendo recebido rigorosa
formação matemática e científica na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, deu uma
contribuição fundamental ao diálogo entre a filosofia neotomista e a ciência moderna. A
propósito, frisa Paim: “D. Irineu ocupou-se, sobretudo, da difusão e do aprofundamento do
conceito contemporâneo de ciência, com o propósito de correlacioná-lo à possibilidade da
inquirição metafísica, superando a interdição positivista. Neste particular, cabe ter presente
que um dos grandes feitos do movimento neoescolástico reside na adequada conceituação
da ciência e, por essa via, no estabelecimento das regras de sua coexistência com a filosofia
cristã. (...) O mérito de D. Irineu consiste em haver destacado essa contribuição,
evidenciando a possibilidade de fixar-se um patamar comum entre as principais correntes
da contemporânea filosofia brasileira, no que se refere à conceituação da ciência, já que a
partir daí é que se definem as divergências”.14
Além das duas personalidades precursoras que acabo de mencionar, três figuras
apresentam-se como representativas da corrente neotomista no Brasil: Leonel Franca,
Leonardo Van Acker e Henrique Cláudio de Lima Vaz.
13
Antônio Paim, “Neotomismo no Brasil”, in: Logos – Enciclopédia Luso-brasileira de Filosofia, vol. 3,
Lisboa: Editorial Verbo, 1991, p. 1131.
14
Antônio Paim, art. cit., p. 1132.
Leonel Franca (1893-1948).- Ingressou na Companhia de Jesus em 1908. Estudou
em Roma, onde se doutorou em Filosofia e Teologia (1925). Foi uma das figuras-chave no
renascimento do Catolicismo no Brasil, movimento presidido pelo Cardeal Dom Leme.
Fundou, em 1940, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, tendo sido o seu
Reitor até o falecimento. Em 1921 publicou, como Apêndice ao seu Compêndio de
Filosofia (o livro de texto mais seguido no Brasil, ao longo de várias décadas) o
suplemento intitulado A Filosofia no Brasil. Nele, frisa Antônio Paim, “sustenta a tese de
que, apresentando a filosofia moderna o triste espetáculo da mais deplorável anarquia, e
achando-se o pensamento brasileiro inserido em tais limites, só poderia reduzir-se a um
amontoado de erros e equívocos. Na verdade, ele não cuidou de estudar o pensamento
brasileiro em sua validade intrínseca, estando mais preocupado em demonstrar a
necessidade do retorno ao tomismo, o que dá à sua obra um cunho apologético. Não
obstante isto, deixou-nos observações valiosas sobre as teorias filosóficas na história do
Brasil, com dados que serviram de base à reapreciação da história das idéias de maneira
mais objectiva”. 15
No que tange ao aspecto apologético do pensamento de Leonel Franca, o seu
esforço esteve comandado basicamente pela defesa da doutrina da Igreja Católica, em face
das novas tendências de pensamento do século XX. A propósito, escreve Paim: “Leonel
Franca desenvolveu ampla actividade polêmica, quer contra a pedagogia de carácter
naturalista e pragmática (Anísio Teixeira), quer em defesa dos valores da Igreja Católica,
em confronto com a contribuição protestante na civilização ocidental. A sua obra mais
importante, considerada a melhor interpretação da cultura brasileira à luz dos valores
cristãos, é A crise do mundo moderno, de 1940”. 16
15
Antônio Paim, “Franca (Leonel)”, in: Logos – Enciclopédia Luso-brasileira de Filosofia, vol. 2, Lisboa:
Editorial Verbo, 1990p. 731.
16
Antônio Paim, “Franca (Leonel)”, art. cit., p. 731.
Embora para muitos dos seus alunos e vários estudiosos das idéias católicas, Leonel
Franca fosse um tomista aberto ao pensamento moderno, essa atitude ficaria restrita aos
cursos. Já nos seus escritos, o que prevalece é o tomista conservador que apologeticamente
combate as posições diferentes da sua. A respeito, Paim frisa: “Nos seus livros, o que
prevalece (...) é o apego à escolástica tradicional, sem a abertura que depois o tomismo
viria a assumir no Brasil, mantendo um diálogo crítico com outras correntes do pensamento
contemporâneo”. 17
A respeito da abertura do padre Leonel Franca na sua atividade docente, escreveu
Antônio Carlos Villaça: “foi um tomista atento às correntes modernas de renovação. Leu
Marechal, voltado para Kant e o problema crítico, Sertillanges, Maritain, Gilson,
Roussetot”. 18
Leonardo Van Acker (1896-1986).- Nascido na Bélgica, fixou residência no
Brasil, em 1922, após ter concluído o seu doutoramento em Filosofia, na Universidade de
Louvain. Tornou-se o principal representante da corrente neotomista. A sua vinda ao Brasil
decorreu do convênio existente entre a Faculdade de Filosofia de São Bento (criada em
1908), em São Paulo, e a Universidade de Louvain. Ensinou Filosofia nessa Faculdade,
mesmo após a incorporação dela pela Universidade Católica. O seu magistério encerrou-se,
na Faculdade de São Bento, em 1969, em decorrência da aposentadoria. Mas as atividades
de pesquisa continuaram no Instituto Brasileiro de Filosofia praticamente até o seu
falecimento, em 1986.
Na trilha da formação recebida na Universidade de Louvain, Van Acker
desenvolveu um pensamento tomista aberto às hodiernas correntes e à discussão dos mais
17
18
Paim, “Franca (Leonel)”, art. cit., p. 731-732.
Apud Paim, “Franca (Leonel)”, art. cit., p. 732.
prementes problemas do mundo atual. São suas as seguintes palavras: “É pela via altruísta
do conhecimento e da estima do outro que o tomismo deve chegar ao conhecimento e à
justa apreciação de si mesmo”.19
A atuação de Van Acker, no meio intelectual brasileiro, traduziu-se em um
ambiente de abertura compreensiva e crítica do pensamento filosófico contemporâneo,
superando definitivamente o clima de polêmica ensejado pela atitude apologética. Segundo
Paim, Van Acker “estudou as principais correntes da filosofia contemporânea, consagrando
no Brasil o entendimento do tomismo como uma perspectiva filosófica, aberta ao diálogo, e
não como um corpo rígido de doutrinas a que se devem enquadrar os problemas teóricos
emergentes. No esforço de aproximação compreensiva que praticou em relação aos mais
importantes filósofos de seu tempo, considerava como contribuição original o estudo que
dedicou à epistemologia e ao método de Bergson”. 20
Henrique Cláudio de Lima Vaz (1921-2002).- Sacerdote jesuíta, discípulo de
Leonel Franca. Lima Vaz procurou conferir ao neotomismo um sentido social e histórico, o
que, na visão de alguns de seus críticos, o torna vizinho do marxismo, com as conseqüentes
decorrências no plano político. Embora o historicismo hegeliano exerça grande inspiração
no autor, ele consegue superá-lo, no entanto, em decorrência do seu enraizamento no
existencialismo cristão, bem como na filosofia tomista.
Miguel Reale, ao meu entender, sintetizou de maneira equilibrada a contribuição do
autor ao pensamento católico brasileiro: “Embora Lima Vaz faça amplas concessões ao
historicismo, que exerce inegável sedução sobre seu espírito, não se pode concluir que ele
seja historicista. Seu intento primordial é desenvolver uma reflexão sobre o homem, que
19
Apud Antônio Paim, “Van Acker (Leonardo)”, in: Logos – Enciclopédia luso-brasileira de Filosofia, vol.
5, Lisboa: Editorial Verbo, 1992, p. 400.
20
Antônio Paim, “Acker (Leonardo Van)”, in: Logos – Enciclopédia luso-brasileira de Filosofia, vol. 5,
Lisboa: Editorial Verbo, 1992, p. 400.
permita conceituar adequadamente o processo histórico, ou seja, a cultura e suas
ampliações, em contraponto com o tema clássico do Absoluto. Este revela-se no curso da
história, sem que a história se apresente como o devir mesmo do Absoluto. Somente em
termos de projecção mítica seria possível falar de um fim da história que seja transcendente
às suas condições estruturais e imanente ao seu desenvolvimento. Enquanto funda o sujeito
singular e a comunidade dos sujeitos no seu desdobramento dialéctico (relação reflexiva e
relação intersubjectiva), a exigência do Absoluto é a exigência mesma de um sentido ou de
uma inteligibilidade a ser dada à história como criação humana. Como se vê, a
compreensão ontológica de Lima Vaz revela uma tentativa de superamento das exigências
do historicismo hegeliano-marxista, pondo a intersubjectividade, como problema radical do
outro, perante o Absoluto, o que mostra a influência do existencialismo cristão em seu
pensamento”.21
Se bem é certo que o pensamento de Lima Vaz se situa, como fica patente a partir
do texto que acaba de ser citado, no contexto do pensamento neotomista, a sua atuação à
frente dos Conselhos da CAPES e do CNPq (órgãos, respectivamente, do Ministério de
Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil) foi de todo nociva para a
continuidade dos Cursos de Mestrado e Doutorado em Filosofia Brasileira e LusoBrasileira, que surgiram nas décadas de 70 e 80 do século passado. 22
21
Miguel Reale, “Vaz (Henrique Cláudio de Lima)”, in: Logos – Enciclopédia luso-brasileira de Filosofia,
vol. 5, Lisboa:Editorial Verbo, 1992, p. 420-421.
22
Efetivamente, os discípulos de Lima Vaz, vinculados à Ação Popular, que foram guindados ao papel de
Conselheiros de ambos os organismos, sob a coordenação dele próprio, não só obstaculizaram, como também
conseguiram que fossem extintos, sucessivamente, o Curso de Mestrado em Pensamento Brasileiro da
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (criado em 1972 e extinto em 1979), o Curso de Mestrado
e Doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro da Universidade Gama Filho (criado em 1978 e extinto em
1993) e o Curso de Mestrado em Filosofia Brasileira da Universidade Federal de Juiz de Fora (criado em
1984 e extinto em 1996). Cf., em relação às atitudes dos ex-militantes da AP face aos programas de Pósgraduação em Filosofia Brasileira, Antônio Paim – organizador – Liberdade acadêmica e opção totalitária –
Um debate memorável. (Introdução e compilação de A. Paim), Rio de Janeiro: Artenova, 1979.
II – O papel desempenhado, em Portugal, pela Revista Portuguesa de
Filosofia e pelas Revistas Brasileira de Filosofia e Convívio, no Brasil, no
esforço em prol de reconstituir o passado filosófico nacional.
Papel pioneiro representou, em Portugal, a Revista Portuguesa de Filosofia, na
reconstituição do passado filosófico nacional. Não me deterei na análise da mencionada
publicação quanto ao diálogo da filosofia neotomista com o mundo moderno, aspecto que é
evidente. Pretendo, melhor, reivindicar o pioneirismo da Revista no estímulo ao estudo
sistemático dos pensadores portugueses. A publicação de números especiais, para
aprofundar no conhecimento de autores portugueses é um dos pontos-chave do grande labor
de pesquisa desenvolvido pela publicação em apreço. Vale a pena mencionar esses títulos,
que abarcam praticamente todos os períodos da mencionada publicação. Eis a enumeração
dos mesmos: Suárez e Balmes, 1948; Francisco Sanches, 1951; Pedro Hispano, 1952;
Pedro da Fonseca, 1953; Perspectivas do Curso Bracarense, 1954; I Congresso Nacional
de Filosofia (Actas), 1955; Leonardo Coimbra. Inéditos, 1956; Filosofia Portuguesa
Actual, 1960; Teixeira de Pascoaes, 1973; Inácio Monteiro (1724-1812), 1973;
Homenagem ao Professor Cassiano Abranches, 1978; Contribuição para a Filosofia em
Portugal, 1980; I Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia, 1982; Leonardo Coimbra (Centenário
do nascimento), 1983; II Colóquio Português de Fenomenologia, 1985; Homenagem ao
Professor Júlio Fragata, 1986; Filosofia Portuguesa Contemporânea, 1987; Homenagem
ao Professor Diamantino Martins, 1988; Filosofia em Portugal - IV, 1989; Filosofia em
Portugal - V, 1990; Antero de Quental (Centenário da morte), 1991; Dom Duarte (6º
centenário do nascimento), 1991; 450 anos da Companhia de Jesus, 1991; Filosofia em
Portugal - VII, 1992; Homenagem ao Professor José Bacelar e Oliveira, 1994; 50 anos da
Revista Portuguesa de Filosofia, 1995; Filosofia em Portugal - VIII, 1995; Homenagem
Professor Lúcio Craveiro da Silva, 1996; Padre António Vieira, 1997; Os Jesuítas e a
Ciência, 1998; Ratio Studiorum da Companhia de Jesus, 1999.
O Instituto Brasileiro de Filosofia foi criado em São Paulo, em 1949, pelo saudoso
jurista e filósofo Miguel Reale (1910-2006). O órgão de divulgação do Instituto, a Revista
Brasileira de Filosofia, tem sido editada sem interrupção desde 1951, e é uma das mais
antigas publicações periódicas de caráter filosófico da América Latina. Segundo destacava
o professor Reale em 2005, “A grande missão do IBF foi estabelecer um contato
permanente entre os pensadores brasileiros, devido à Revista Brasileira de Filosofia e a
periódicos congressos nacionais e internacionais. Com isso, o Brasil passou a ter o seu
lugar no mundo filosófico universal, não ficando, porém, limitado à exegese do pensamento
estrangeiro”.
Quando foi comemorado o cinqüentenário do IBF, reuniu-se em São Paulo, há dez
anos atrás, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o VI Congresso Brasileiro
de Filosofia. Do evento, presidido por Miguel Reale, participou uma centena de docentes e
pesquisadores vindos dos vários Estados do Brasil e também de outros países como
Argentina, Itália, Peru, Espanha, Alemanha e Portugal. Ao ensejo do VI Congresso
Brasileiro de Filosofia teve lugar também o Colóquio Antero de Quental, dedicado ao
estudo de filósofos portugueses.
As comemorações pelos sessenta anos do Instituto têm ocorrido em vários lugares,
sendo que um dos eventos mais marcantes foi o VIII Colóquio Luso-Brasileiro de Filosofia
que se reuniu em São João Del Rei (Minas Gerais), na Universidade Federal dessa cidade,
entre 14 e 18 de Setembro. O evento foi promovido, conjuntamente, pela Universidade
Federal de São João Del Rei e pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira (criado em 1991,
seguindo a inspiração pluralista do IBF). Participaram desse colóquio vários membros do
IBF, bem como pesquisadores e professores universitários brasileiros e portugueses.
O mais importante significado do Instituto Brasileiro de Filosofia consiste em que
estimulou, no Brasil, a consolidação e a expansão dos estudos acerca da filosofia nacional.
No que tange a este item, Miguel Reale formulou a metodologia que tornou possível o
estudo isento dos diversos pensadores. O método histórico-interpretativo de Reale inspirase em Hegel, Kant, Husserl, Nicolai Hartmann e Mondolfo. Não se fecha perante nenhuma
contribuição por modesta que seja. Parte da tentativa de compreender com honestidade a
posição do autor a ser estudado, tentando identificar qual é o problema ou os problemas a
que tentava responder, para fixar, a partir desse contexto, as linhas essenciais do seu
pensamento e o seu entroncamento com correntes filosóficas e com sistemas. Essa abertura
no terreno epistemológico coadunou-se, em Reale, com a sua inspiração liberal, que o
tornou um incondicional defensor da liberdade e da democracia. Como filósofo, Reale
representa para nós, brasileiros, a maturidade do nosso pensar.
A metodologia elaborada por Reale consta dos seguintes passos, segundo a síntese
que dela fez Antônio Paim: 1) identificar o problema (ou os problemas) que tinha pela
frente o pensador, prescindindo do empenho de filiá-lo a essa ou àquela corrente; 2)
abandonar o confronto de interpretações e, portanto, o cotejo excludente das idéias do
pensador estudado em face de outros autores ou correntes de pensamento; 3) ocupar-se
preferentemente da identificação de elos e derivações que permitam apreender as linhas de
continuidade de nossa meditação.
Graças a esta metodologia foi possível, aos pesquisadores do IBF e aos alunos dos
Cursos de Pós-graduação em Filosofia Brasileira que funcionaram entre 1979 e 1996,
estudar um número bastante representativo de pensadores brasileiros, pertencentes a
correntes doutrinárias as mais variadas, sem preconceitos de credo religioso ou ideologia
política. É esta, sem lugar a dúvidas, a mais importante contribuição que, do ângulo
metodológico, fez o Instituto Brasileiro de Filosofia, no contexto ibero-americano. À luz
dessa metodologia formaram-se, ao longo dos últimos quarenta anos, várias gerações de
estudiosos da Filosofia Luso-Brasileira, bem como das demais filosofias presentes na
América Latina.
No que tange à divulgação do Pensamento Brasileiro, além da realização de vários
Congressos nacionais e internacionais, o IBF desenvolveu ampla tarefa de edição de textos,
de que surgiram as coleções: Estante do Pensamento Brasileiro (com apoio da editora da
USP) e Biblioteca do Pensamento Brasileiro (em convênio com a Editora Convívio). Este
trabalho editorial foi precedido pela publicação da parte intitulada “Documentário de
Filosofia no Brasil”, em alguns números da Revista Brasileira de Filosofia. Assim, foram
publicadas “páginas destacadas” de pensadores brasileiros, a saber: Clovis Bevilaqua
(volumes I e V), Farias Brito (Volume II), Jackson de Figueiredo (volume IV), Pedro Lessa
(volume III), etc.
Na segunda metade dos anos 70, o IBF deu início ao programa de reedições críticas,
tendo sido publicadas obras de Diogo Antônio Feijó, Silvestre Pinheiro Ferreira, Eduardo
Ferreira França, Tobias Barreto, Silvio Romero, Clovis Bevilaqua, Artur Orlando, Farias
Brito, Pereira Barreto e Amoroso Costa. A iniciativa editorial do IBF foi secundada, no
final dos anos 70, por Celina Junqueira, idealizadora da coleção Textos Didáticos do
Pensamento Brasileiro, que lançou os seguintes nove títulos com o apoio do Conselho
Federal de Cultura e da Editora Documentário, do Rio de Janeiro: Moralistas do século
XVIII, 1979; Verney, o nascimento da moderna pedagogia, 1979; Genovesi: a lógica e o
empirismo mitigado em Portugal, 1976; Silvestre Pinheiro Ferreira: Ensaios filosóficos,
1979; Silvestre Pinheiro Ferreira: Idéias políticas, 1976; Frei Caneca: ensaios políticos,
1976; Corrente eclética na Bahia, 1979; A filosofia política positivista I, 1979; A filosofia
política positivista II, 1979. 23
23
Cf. Antônio Paim (organizador), Índice da Revista Brasileira de Filosofia (1951-1980), Salvador-Bahia:
CDPB, 1983.
Pesquisadores do IBF participaram, outrossim, entre 1989 e 1992, sob a orientação
de Antônio Paim, Roque Cabral e outros catedráticos portugueses, da elaboração da
Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia (publicada em Lisboa pela Editorial Verbo). A
partir de 1986, alguns pesquisadores do IBF têm participado do Projeto Ensayo,
desenvolvido pela Universidade de Geórgia (Estados Unidos) sob a coordenação de José
Luis Gómez-Martínez. Dessa iniciativa surgiram os cinco volumes do Anuário
bibliográfico do Pensamento ibérico e ibero-americano, que podem ser consultados no
portal
do
mencionado
projeto
(http://www.ensayistas.org),
junto
com
sínteses
biobibliográficas de autores brasileiros e portugueses.
A comemoração dos sessenta anos do IBF representou a conquista de um espaço
livre e pluralista para a formulação e a divulgação do pensamento filosófico brasileiro. E
indica que já foi conquistado o objetivo que Miguel Reale traçou para a meditação
filosófica nacional, com as seguintes palavras: "Quando vivermos realmente inseridos na
problemática de nossas circunstâncias, natural e espontaneamente, sem sentirmos mais a
necessidade de proclamá-lo a todo instante, quando houver essa atitude nova, saberemos
conversar sobre nós mesmos e entre nós mesmos, recebendo idéias estrangeiras como
acolhemos uma visita que nos enriquece, mas que não chega a privar-nos da intimidade do
nosso lar".
A Revista Convivium, publicada em São Paulo entre 1962 e 1993, sob a direção de
Adolpho Crippa (1929-2000) constituiu, junto com a Revista Brasileira de Filosofia,
importante espaço para a pesquisa do pensamento filosófico nacional. Nos quase dois mil
artigos que foram publicados na Revista, encontra-se significativo cabedal de contribuições
que visam a estudar os pensadores brasileiros e portugueses. Os trabalhos de Adolpho
Crippa projetaram-se especialmente sobre os autores da denominada “Escola de São
Paulo”, cujos principais representantes foram Miguel Reale (1910-2006), Vicente Ferreira
da Silva (1916-1963), Eudoro de Sousa (1911-1987) e Agostinho da Silva (1906-1994).
A amplitude de horizontes teóricos possibilitou que a Revista acolhesse autores das
mais variadas orientações doutrinárias, sendo que entre os colaboradores mais destacados
aparecem os nomes de Hélio Furtado do Amaral, Creusa Capalbo, José Geraldo Vidigal de
Carvalho, Luiz Feracine, Romano Galeffi, Leônidas Hegenberg, Gilberto de Mello
Kujawski, Ida Laura, Hubert Lepagneur, Guido Logger, Ubiratan Macedo, Manuel Pedro,
Ricardo Vélez Rodríguez, Alcântara Silveira, Homero Silveira, Miguel Reale, José Osvaldo
de Meira Penna Eduardo Prado de Mendonça, Paulo Gouveia da Costa, Oliveiros Ferreira,
Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Georges Gusdforf, Rui Afonso da Costa Nunes, Ronaldo
Poletti, Paulo Edmur de Souza Queiroz, Jaime Rodrigues, Nelson Saldanha e Urbano Zilles
(este último, um dos mais importantes representantes da corrente neotomista na
contemporaneidade, no Rio Grande do Sul, autor do ensaio intitulado: “A Filosofia
Neotomista e a sua influência no Brasil” 24).
Paralelamente à Revista, Adolpho Crippa desenvolveu, na Sociedade Brasileira de
Cultura Convívio, por ele criada em 1962, amplo trabalho de divulgação de escritos de
pensadores brasileiros, que em muito estimulou o estudo da filosofia nacional. Foram
publicadas obras de Amoroso Costa, Leonardo Van Acker, Alexandre Correia, Miguel
Reale, Antônio Paim, etc., na coleção que levou o título de “Biblioteca do Pensamento
Brasileiro” (em convênio com o Instituto Brasileiro de Filosofia).
III – O significado do 1º Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia,
reunido em Braga, em 1981.
24
Cf. Urbano Zilles, “A Filosofia Neotomista e a sua influência no Brasil”, Convivium, São Paulo, nº 4, 1984:
p. 259-281.
O I Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia reuniu-se em Braga, de 18 a 22 de
fevereiro de 1981, tendo finalizado com uma sessão solene que teve lugar em Lisboa, em
23 de fevereiro, acerca do tema: “Aspectos do pensamento luso-brasileiro”. As Atas do
Congresso foram publicadas em fascículo especial da Revista Portuguesa de Filosofia, em
1982.25 A iniciativa para a realização do Congresso foi da Universidade Gama Filho do Rio
de Janeiro e da Universidade Católica Portuguesa (que delegou à Faculdade de Filosofia de
Braga a tarefa de organizar o evento).
Papel de relevo, nesse empreendimento, tiveram, pela Universidade Gama Filho,
Tarcísio Meireles Padilha, Antônio Paim e o saudoso Eduardo Abranches de Soveral
(1927-2003). Este último, com a colaboração de Antônio Paim, tinha criado, nessa
Universidade carioca, o Curso de Doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro, em 1979.
Integrou a Comissão Organizadora, do lado brasileiro, também Miguel Reale, fundador e
diretor do Instituto Brasileiro de Filosofia, em São Paulo.
Pela Faculdade de Filosofia de Braga desempenharam as funções organizadoras
Júlio Fragata, Francisco da Gama Caeiro (1928-1994) e Alexandre Fradique Morujão. O
secretariado geral do Congresso coube a Manuel G. Morais, auxiliado por Lúcio Craveiro
da Silva e José Pereira Borges. Lúcio Craveiro da Silva destacou o significado que o I
Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia teve para o estímulo ao estudo da filosofia
portuguesa, na trilha da pesquisa sobre a história da filosofia em Portugal, aberta pelo I
Congresso Nacional de Filosofia, realizado em março de 1955 pela Faculdade de Filosofia
de Braga.
25
Cf. Actas do I Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia. Braga: Faculdade de Filosofia, 1982, 976 pgs.
(Tomo XXXVIII da Revista Portuguesa de Filosofia, Braga, volume II, fascículo 4, outubro/dezembro de
1982).
A respeito, escreveu Craveiro da Silva: “Há muito que em Portugal se sentia a falta
de um Congresso que reunisse todos os que se dedicavam às lides do pensamento.
Multiplicavam-se, então, numa fecundidade nunca antes atingida, entre nós, as revistas de
filosofia: delas apenas resta, vinte e cinco anos volvidos, a Revista Portuguesa de
Filosofia. Além disso, muitas revistas culturais admitiam secções e colaboração de temas
filosóficos. Devido a este interesse generalizado, publicaram-se várias colecções de livros
de interesse filosófico, entre os quais a colecção filosofia, desta Faculdade. Com a
separação dos ramos de história e de filosofia nos planos de estudos dos cursos das nossas
universidades, deu-se maior dignidade e relevância ao estudo da filosofia. Pululavam as
reuniões, simpósios e conferências sobre os vários ramos de investigação ligados direta ou
indiretamente ao saber filosófico. Intensificou-se a pesquisa na história da filosofia
portuguesa, o que originou a criação e desenvolvimento da cadeira de História da Filosofia
em Portugal, nas nossas Universidades. Este interesse que despertava tinha a força de um
vigor primaveril e preparava admiravelmente o ambiente cultural para a realização de um
congresso”.26
O I Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia contou com a participação de 230
congressistas do Brasil, Espanha e Portugal, tendo sido representadas 14 Universidades ou
Faculdades do Brasil, 4 Universidades da Espanha e 10 de Portugal, num total de 28
instituições. Estas se discriminaram assim:
Brasil: Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro), Universidade Católica de
Campinas, Universidade Católica de São Paulo, Universidade Federal de Santa Maria,
Universidade Católica de Pernambuco (Recife), Universidade Federal Fluminense (Niterói,
RJ), Universidade Católica de Petrópolis, Universidade Federal de Pernambuco (Recife),
Universidade Federal do Maranhão, Faculdade Renascença (São Paulo), Faculdade Camilo
26
Lúcio Craveiro da Silva, “Evocação do I Congresso Nacional de Filosofia”, in: Actas do I Congresso LusoBrasileiro de Filosofia. Braga: Faculdade de Filosofia, 1982, p. 18.
Castelo Branco (São Paulo), Faculdade Nossa Senhora Medianeira (São Paulo), Faculdade
de Educação da Feevale (Novo Hamburgo, RS) e Faculdade Notre Dame (Rio de Janeiro).
Espanha: Universidade Pontifícia de Salamanca, Universidade Civil de Salamanca,
Universidade de Navarra (Pamplona) e Universidade de Comillas.
Portugal:
Universidade
de
Coimbra,
Universidade
Clássica
de
Lisboa,
Universidade do Porto, Universidade de Aveiro, Universidade do Minho, Universidade dos
Açores, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Livre (Lisboa), Universidade Livre
(Porto) e Universidade Católica Portuguesa (Lisboa, Braga e Porto).
IV – A iniciativa editorial mais importante inspirada pela Escola de
Braga: a Logos – Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia (1989-1992).
Esta Enciclopédia representa, hoje, a mais importante obra de referência na área da
História da Filosofia, em língua portuguesa. Em relação ao termo “Logos” com que foi
batizada a Enciclopédia, reza assim a Introdução à obra, destacando o seu significado, no
contexto do filosofar, na história da cultura ocidental: “Logos é conceito que acompanha as
vicissitudes da cultura do Ocidente. Razão universal no mundo clássico, lei de todas as
coisas e nelas tornando possível uma ordem, princípio unificante do inteligível. (...). Se tal
conceito se encontra, a todo momento, ligado à inteligibilidade do real e portanto à idéia do
saber, é designação adequada para uma enciclopédia de Filosofia, uma enkyklios paideia,
uma cultura totalizante no âmbito filosófico. Ou seja, de fundamentação de filosofemas,
relacionamento entre os vários domínios noéticos, e de exposição de doutrinas, escolas e
autores, em ordem a uma organização global. É a um resultado semelhante que aspira a
Logos – Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. A sua intenção consiste em fornecer
ao homem de hoje uma visão segura da problemática da Filosofia, na sua dimensão
histórica e sistemática. Como Enciclopédia Luso-Brasileira, ao lado das dilucidações de
ordem terminológica e da análise dos filosofemas universais, prestará atenção ao
pensamento português e brasileiro, presente nos temas fundamentais, em suas correntes
mais relevantes e nas figuras que particularmente se destacam no exercício filosófico.
Cremos que o interesse pela Filosofia, que entre nós se vem avolumando, traduzindo-se em
estudos, alguns de alto rigor científico, em revistas de especialidade e em larga série de
traduções, por vezes de obras essenciais, junto ao conhecimento mais completo do cultivo
da Filosofia no Brasil, tornam pertinente o aparecimento desta enciclopédia. Virá a ser um
elo a permitir a compreensão recíproca dos cultores luso-brasileiros da Filosofia”.27
Já no que respeita ao panorama luso-brasileiro, a obra é apresentada como um
instrumento de trabalho destinado a servir, principalmente, aos leitores e estudiosos
portugueses e brasileiros, na busca das suas raízes culturais, profundamente plantadas no
contexto do Humanismo Cristão, que constitui a nossa herança comum. A respeito, a
“Introdução” reza assim: “Elaborada segundo o espírito do Humanismo Cristão, de que a
comunidade lusíada procede, dirige-se a Logos primariamente ao homem português e ao
homem brasileiro; a todo o estudante e a todo o professor de Filosofia, que nela poderão
encontrar uma fonte de informação e um complemento formativo actualizados; aos
estudiosos que pretendem adquirir conhecimentos fora de sua área de especialização, mais
do que nunca necessários, pois a ciência mais positiva não se pode impedir de, consciente
ou inconscientemente, nas suas zonas liminares, invocar hipóteses metafísicas; e,
naturalmente, encontra-se dirigida a todo aquele que deseja aprofundar noções básicas no
domínio filosófico”.28
A Edição da magna obra, em cinco volumes, foi realizada sob o patrocínio da
Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, cabendo a direção da mesma a
27
28
“Introdução”, in: Logos – Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa: Editorial Verbo, 1989, p. I.
“Introdução”, in: Logos – Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, ob. cit., p. II.
seis importantes figuras do pensamento luso-brasileiro: Roque Cabral (da Universidade
Católica Portuguesa), Francisco da Gama Caeiro (Universidade Clássica de Lisboa),
Manuel da Costa Freitas (Universidade Católica Portuguesa), Alexandre Fradique Morujão
(Universidade de Coimbra), José do Patrocínio Bacelar e Oliveira (Universidade Católica
Portuguesa) e Antônio Paim (Instituto Brasileiro de Filosofia). A Secretaria-Geral da
publicação esteve a cargo do Departamento de Enciclopédias da Editorial Verbo, sob a
direção de João Bigotte Chorão. A obra foi publicada ao longo do período compreendido
entre janeiro de 1989 e novembro de 1992. Constitui, junto com a História do Pensamento
Filosófico Português (publicada em Lisboa, em cinco volumes, entre 1999 e 2000, sob a
coordenação de Pedro Calafate)
29
, o Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros
(publicado em Salvador-Bahia em 1999, pelo Centro de Documentação do Pensamento
Brasileiro)30 e a História das Idéias Filosóficas no Brasil (de Antônio Paim)31, marco
fundamental, no que tange a obras de referência, no estudo da meditação luso-brasileira.
29
Pedro Calafate (organizador). História do Pensamento Filosófico Português, Lisboa: Editorial Caminho,
1999-2000, 5 Volumes.
30
Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro, Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros –
Filosofia, Pensamento Político, Sociologia, Antropologia. Salvador-Bahia: CDPB / Brasília: Senado
Federal, 1999. Colação “Biblioteca Básica Brasileira”.
31
Antônio Paim, História das Idéias Filosóficas no Brasil, 5ª Edição revisada, Londrina: Universidade
Estadual de Londrina, 1997.
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