RUBENS CALIXTO
Juiz Federal e Professor
COMO ESTUDAR: UMA PEQUENA CIÊNCIA
SUMÁRIO
1. Introdução
1.1.Encontrando um caminho
1.2.Medidas importantes
2. Estabelecendo um objetivo
2.1.Criar uma meta consistente
2.2.Conservar sua meta
2.3.Ter perseverança e paciência
2.4.Autoconfiança e humildade
3. Motivação: o combustível mais valioso
3.1.Desejar muito o seu objetivo
3.2.Maximizar a recompensa e minimizar o sacrifício
3.3.Recompensas virtuosas
4. Estratégia: agindo com inteligência
4.1.Analisar seus obstáculos
4.2.Traçar um plano de ação
4.3.Executar seu plano
4.4.Avaliar periodicamente os resultados
5. O método: organizando o estudo
5.1.O que estudar
5.2.Onde estudar
5.3.Quando estudar
5.4.Como estudar
6. O aprendizado: estudando com eficiência
6.1.Compreensão e memória
6.2.Leitura eficiente
7. Conclusão
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1. INTRODUÇÃO
1.1.
ENCONTRANDO UM CAMINHO
Estudar com eficiência é uma preocupação que atravessa os
séculos desde que Gutenberg inventou a imprensa, por volta do ano
1450, e a busca do conhecimento se expandiu de forma inusitada com a
massificação da leitura.
Todavia, se os livros ficaram ao alcance de todos – ou quase
todos –, o estudo eficiente não se vulgarizou na mesma proporção, pois
muitos não conseguem extrair da leitura tudo que ela pode oferecer.
A quantidade de horas ou dias devotados aos estudos não é um
parâmetro seguro do proveito do que se estudou. Estudar muito nem
sempre equivale a estudar bem.
Estudar com qualidade é uma pequena ciência que muitos não
dominam, às vezes, por falta de orientação.
Vamos tentar abordar um pouco deste universo, contando com
a preciosa contribuição de algumas ciências auxiliares como a Filosofia, a
Psicologia Cognitiva e a Pedagogia.
A Filosofia cuida do próprio conhecimento, em si. Em sua
definição mais aceita, busca conhecer tudo que nos cerca, mediante a
utilização do intelecto humano.
Sobre a antiga disputa filosófica entre racionalistas (que fundam
o conhecimento no intelecto) e empiristas (que atribuem o conhecimento
à experiência), BATTISTA MONDIN, na obra Introdução à filosofia, pontua
que o conhecimento necessita de ambos, pois “qualquer ação, para não
ser cega e boba, precisa ser guiada, iluminada por um pensamento que a
dirige”.
Neste sentido, a busca do estudo eficiente não deve ser pautada
pura e exclusivamente na intensa dedicação do estudante. Esta ação
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precisa também ser guiada por informações que possam conduzir a um
bom resultado.
1.2.
MEDIDAS IMPORTANTES
O passo inaugural para estudar com boa qualidade é definir e
analisar precisamente o objeto do estudo. O que vamos estudar? Em que
contexto? Com que finalidade? Qual a sua extensão?
A motivação também é imprescindível para que se extraia do
estudo o melhor que ele pode oferecer. Conforme veremos, este fator é
preponderante para o sucesso acadêmico ou em qualquer outra atividade
humana.
Definir uma boa estratégia de estudo também contribui bastante
para o sucesso da empreitada, pois, sem um plano de ação, a dedicação
ao estudo será um tanto quanto “cega”.
Importante, ainda, é estabelecer um bom método de estudo,
para que cada minuto dedicado a essa atividade proporcione o melhor
rendimento possível.
Finalmente, precisamos tratar com carinho do melhor amigo do
nosso
aprendizado:
nosso
cérebro.
Sob
este
aspecto,
existem
importantes informações da Psicologia Cognitiva sobre as principais
operações
do
conhecimento:
apreensão,
codificação,
organização,
armazenamento e recuperação das informações.
Tratemos de cada um destes fatores nos tópicos seguintes deste
texto.
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2. ESTABELECENDO UM OBJETIVO
2.1.
CRIAR UMA META CONSISTENTE
Pode até soar banal, mas estabelecer uma meta consistente é
fundamental para o sucesso nos estudos, principalmente quando se trata
de um projeto ambicioso, como a aprovação em disputados concursos
públicos.
MORGAN e DEESE afirmam, no clássico livro “Como estudar”,
baseado em ampla pesquisa com universitários, que com um propósito
bem definido o estudante achará mais fácil adquirir os hábitos e as
habilidades necessárias a um estudo eficiente.
Não é raro encontrar pessoas que se dedicam ao estudo sem
uma definição do que realmente pretendem. Com este espírito, o
estudante é um sério candidato a se transformar numa espécie de “zumbi
acadêmico”, que vaga por aí sem saber exatamente o que busca.
Esta postura descompromissada se torna um verdadeiro muro
entre o estudante e o sucesso, pois não permite que ele tenha foco no
que deve ser feito.
Se não há foco em algo concreto, jamais conseguiremos ter um
bom desempenho nos estudos ou em qualquer atividade, pois não
estaremos suficientemente concentrados no que fazemos.
Portanto, é imprescindível definir o alvo do nosso desejo, o que
pode exigir orientações e aconselhamentos específicos.
2.2.
CONSERVAR SUA META
Tão importante quanto definir uma meta é conservá-la de forma
obstinada. Não podemos negligenciá-la e nem substituí-la como trocamos
de roupa.
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Uma vez definido o nosso objetivo, temos que nos agarrar a ele
e procurar cultivá-lo, salvo se houver ótimas razões para alguma
mudança.
Frequentemente, nos deparamos com pessoas que, ao menor
pretexto, mudam de objetivo a cada mês ou mesmo semana, o que
implode qualquer projeto de estudo.
Esta fugacidade de objetivos certamente dificulta a aprovação
em concursos ou coisa parecida, pelas mesmas razões que a falta deles
nos prejudica: a ausência de foco e concentração no que é necessário ser
feito.
2.3.
PERSEVERANÇA E PACIÊNCIA
Alguns atribuem a Shakespeare a frase “a paciência é a mãe de
todas as virtudes”.
Perseverança e paciência são realmente virtudes muito úteis
frente a desafios árduos e duradouros.
Em sua jornada, sempre haverá momentos em que o estudante
receberá a visita do cansaço e do desânimo, seja em razão do prolongado
estudo ou por algum outro fator negativo.
É nesta hora que precisamos reunir forças e não perder de vista
nossos objetivos. Talvez seja o momento de fazer algumas concessões ao
descanso e ao lazer.
O desânimo é péssima companhia, mas não tarda em ser
repelido pela paciência e pela perseverança, assim que energizamos
nosso espírito com pensamentos positivos.
Quando temos um objetivo importante e bem definido, devemos
ter a sabedoria de esperar que os maus momentos sejam espantados por
nossa disposição em conquista-lo.
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2.4.
AUTOCONFIANÇA E HUMILDADE
Confiar nas próprias possibilidades e estar seguro dos seus
propósitos também são valiosas atitudes na caminhada por um longo
período de estudos.
O poeta mexicano Amado Nervo, em poema intitulado “A vitória
da vida”, exalta a importância da autoconfiança. Merece transcrição o
seguinte trecho de sua obra:
Pobre de ti se pensas ser vencido!
Tua derrota é caso decidido.
Queres vencer, mas como em ti não crês,
Tua descrença esmaga-te de vez.
Se imaginas perder, perdido estás.
Quem não confia em si, marcha para trás;
A força que te impele para a frente,
É a decisão firmada em sua mente.
Autoconfiança e segurança proporcionarão a tranquilidade e a
certeza de que se está no caminho certo e de que os objetivos serão
alcançados em prazo razoável.
Isso tornará mais produtivos os estudos e provocará no
estudante um estado de ânimo que o impulsionará em direção à sua
meta, com minimização dos sacrifícios exigidos na empreitada.
A autoconfiança resultará da energização mental do estudante,
aliada a uma firmeza de propósito e ao planejamento adequado dos seus
estudos.
Normalmente, quanto melhor planejados e executados os
estudos, maior será a autoconfiança de quem se dedica a eles.
Entretanto, é preciso cuidado para não confundir autoconfiança
com arrogância, o que requer algumas pitadas de temperança e da
humildade.
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A pessoa autoconfiante tem noção do seu valor e dos seus
conhecimentos, mas está sempre aberta a novos ensinamentos e
eventuais correções do que aprendeu.
Por outro lado, a pessoa arrogante é tomada pela prepotência e
empáfia, o que geralmente provoca erros de avaliação e isolamento, de
consequências muito nefastas.
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3. MOTIVAÇÃO: O COMBUSTÍVEL MAIS VALIOSO
3.1.
DESEJAR MUITO O SEU OBJETIVO
Em seu livro Psicologia Cognitiva, o professor Robert J.
Sternberg afirma que “aprende-se muito melhor quando se está motivado
a aprender”.
Estudos atestam a importância da motivação em qualquer
atividade humana, inclusive nos estudos, pois ela atua, por exemplo, na
produção natural do neurotransmissor “dopamina”, que atua no cérebro
para aguçar a atenção e melhorar a aprendizagem.
A motivação é o combustível mais valioso do ser humano e sua
ausência certamente prejudica bastante qualquer atividade acadêmica ou
profissional.
Para estar motivado, o primeiro passo é desejar intensamente o
que se busca. A indiferença não faz arder a chama que nos impele aos
nossos objetivos principais.
3.2.
MAXIMIZAR A RECOMPENSA E MINIMIZAR O SACRIFÍCIO
Em qualquer desafio que enfrentamos, sempre há a perspectiva
de recompensas e a realização de sacrifícios.
Para que estejamos sempre motivados, sempre é importante
maximizar a recompensa e minimizar o sacrifício.
Valorizar a recompensa, em detrimento do sacrifício, é medida
que nos tornará muito mais motivados para buscar o objetivo que
estabelecemos em nosso desafio.
Por outro lado, dimensionar e lamentar demasiadamente o
sacrifício nos levará ao estado de desânimo e será um passo decisivo em
direção ao fracasso.
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3.3.
RECOMPENSAS VIRTUOSAS
Ao pensar em recompensas, escolha aquelas que pareçam mais
virtuosas, no sentido de corresponderem a sentimentos e valores mais
profundos.
Não é pecado buscar os bens materiais e confortos que o
sucesso poderá proporcionar, mas as motivações mais consistentes são as
que estão ligadas aos nossos familiares, amigos e ao sentimento de dever
cumprido.
Recompensas virtuosas são representadas pelo sentimento de
realização profissional, de exercer uma atividade socialmente relevante,
de poder ajudar familiares, amigos e pessoas carentes, na medida do
possível.
Quanto mais virtuosas as recompensas, maior será a motivação
para estudar e alcançar o sucesso.
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4. ESTRATÉGIA: AGINDO COM INTELIGÊNCIA
4.1.
ANALISAR SEUS OBSTÁCULOS
Denomina-se estratégia o plano traçado para se alcançar um
objetivo específico.
No mundialmente conhecido livro “A arte da guerra”, Mestre Sun
Tzu destaca a importância da estratégia para vencer uma guerra:
“O que tem muitos fatores estratégicos a seu favor, vence; o
que tem poucos fatores estratégicos a seu favor, perde – tanto
mais isso se aplica a quem não tem nenhum fator estratégico a
seu favor. Sob esse ângulo, posso ver quem vencerá e quem
perderá”.
Sun Tzu recomenda que a ação militar seja avaliada em relação
a cinco coisas: o modo, o clima, o terreno, a liderança e a disciplina.
No desafio de provas e concursos, o estudante também deve
estar amparado em alguma boa estratégia.
Claro que ele não se preocupará com fatores como clima e o
terreno, mas deverá identificar as dificuldades e obstáculos para atingir
seu objetivo, assim como as maneiras de superá-los.
Ele se deverá se preocupar, por exemplo, com as modalidades
de provas que terá pela frente, as matérias exigidas, o peso atribuído a
cada matéria, o tempo e o melhor modo de estudá-las, bem como as
condições pessoais necessárias para ter êxito.
Cada prova ou concurso recomenda uma estratégia específica,
por suas características: prova objetiva, escrita ou oral; tempo até o dia
da prova; duração do exame; formação acadêmica dos integrantes da
banca, etc.
Estratégia é fundamental para vencer este ou qualquer outro
desafio.
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4.2.
TRAÇAR UM PLANO DE AÇÃO
Após analisar os vários fatores que podem interferir na
realização de uma prova ou concurso, o estudante deve elaborar o seu
plano de ação com o objetivo de superar cada obstáculo que tenha pela
frente.
Agindo
dessa
maneira,
fará
aumentar
muito
as
suas
possibilidades de sucesso.
Quanto melhor for a sua estratégia, maior a probabilidade de
alcançar seus objetivos.
4.3.
EXECUTAR SEU PLANO
Definida a estratégia, é hora de colocá-la em prática, o que
presumirá a montagem da estrutura necessária para isso, no que diz
respeito a material, local e tempo de estudo.
Também será necessário investigar as condições pessoais para o
bom desenvolvimento deste estudo, como o domínio do vocabulário,
avaliação do nível de conhecimento e o estado emocional para enfrentar o
desafio.
É de suma importância se aproximar o máximo possível das
condições ideais para a execução do plano de ação.
4.4.
AVALIAR PERIODICAMENTE OS RESULTADOS
Quando estabelecemos a nossa estratégia, não sabemos se tudo
funcionará da forma como esperamos. Somente a execução do plano nos
trará essa resposta.
Em razão disso, é salutar que, periodicamente, seja feita uma
avaliação dos resultados.
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O que estiver dando certo deve ser mantido. Ao contrário, o que
não saiu a contento deve ser modificado ou, até mesmo, eliminado do
nosso plano de ação.
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5. O MÉTODO: ORGANIZANDO O ESTUDO
5.1.
O QUE ESTUDAR
Método, segundo Aurélio Buarque de Holanda, é o procedimento
organizado que conduz a certo resultado; revela regularidade e coerência
na ação.
Para que se tenha mais sucesso nos estudos, é necessário
adotar uma rotina metódica, com práticas regulares e produtivas, que
tornem mais profícuo o tempo dedicado a isso.
Como se pode perceber, o método implica na constância de um
procedimento, no caso, resolvendo preocupações sobre o que, onde,
quando e como estudar.
No entanto, sabemos que alguns estudantes adotam métodos
muito precários de estudos, sem observar nenhuma rotina produtiva, seja
pela rotatividade do local, pela alternância de horários ou mesmo pela
falta de técnica na leitura.
Caso queira melhorar seu rendimento, terá que mudar sua
postura acadêmica e estabelecer um bom método de estudo.
O passo inicial é demarcar com clareza todo o objeto do estudo
e dimensionar quanto tempo será necessário para levar a cabo esta
empreitada.
Se
o
completamente
tempo
a
disponível
matéria,
não
haverá
a
for
suficiente
necessidade
para
de
estudar
estabelecer
prioridades, em detrimento de matérias que não sejam tão importantes
naquele momento ou que não tenham o mesmo peso na atribuição de
uma nota.
Além disso, é importante estudar as matérias em que se tenha
mais deficiência. Aquelas em que o estudante já tem bom domínio não
devem ser prioritárias.
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5.2.
ONDE ESTUDAR
Outra providência do bom estudante é procurar um local
adequado para estudar.
Isso significa um lugar silencioso, arejado, com uma iluminação
propícia e um mobiliário suficiente para a acomodação do estudante e do
seu material de estudo.
Este local deve ser de fácil e rápido acesso, para que não se
perca muito tempo e energia para chegar até ele.
Além disso, não deve haver interrupções frequentes de amigos,
parentes ou quaisquer outras pessoas.
Não é adequado estudar em lanchonetes, cafés ou praças
públicas, pois dificilmente o estudante encontrará as condições mínimas
para um bom desempenho.
5.3.
QUANDO ESTUDAR
Uma característica dos estudantes com bom aproveitamento
escolar é a existência de um horário regular de estudos.
MORGAN e DEESE (“Como estudar”) alertam que nenhuma
outra pessoa pode fazer o horário do estudante, pois cada um deve
ajustar o horário às suas horas de aula, atividades, trabalhos etc.
De qualquer modo, ter um horário fixo é importante para que
nosso organismo e nosso cérebro se adaptem a uma rotina, o que acaba
tornando o estudo muito mais produtivo.
Outra vantagem do horário de estudos é a planificação do que
deverá ser estudado, com a divisão das horas disponíveis para todas as
matérias que devem ser abordadas.
Fazer o horário também permitirá as indispensáveis concessões
ao descanso e ao lazer, sem qualquer sentimento de culpa do estudante,
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consciente de que alguns momentos deverão ser reservados à sua
recuperação física e mental.
5.4.
COMO ESTUDAR
A eficiência do ato de estudar é resultado de uma somatória de
fatores.
Em primeiro lugar, é importante não estudar de forma contínua
e prolongada a mesma matéria, regra que muitos alunos deixam de
observar.
MORGAN e DEESE apontam que as pesquisas sobre eficiência no
trabalho mostram que as pessoas têm melhor proveito quando trabalham
intensamente durante algum tempo e, após uma pausa, mudam para
outra atividade.
Recomendam que, em média, o estudo se prolongue por um
período de quarenta a cinquenta minutos, seguido de aproximadamente
dez minutos de descanso.
É importante, também, que o estudante evite fatores de
interrupção da concentração, como olhar para uma televisão, ouvir
músicas em alto som, atender o celular, entrar em redes sociais, sair para
buscar lápis ou coisas parecidas.
Alguns também recomendam que os estudos sejam feitos pouco
tempo após uma aula expositiva sobre um assunto, pois isso poderá
contribuir para melhor aproveitamento.
Outra regra útil é fazer boa documentação do que foi estudado,
visando futura revisão. A documentação deve ser concisa e organizada
através de palavras chaves, que permitam extrair a essência do texto e
fazer rápida recuperação do que foi lido.
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6. O APRENDIZADO: ESTUDANDO COM EFICIÊNCIA
6.1.
COMPREENSÃO E MEMÓRIA
A memória é um elemento imprescindível na vida do ser
humano, pois é ela que permite reter informações sobre todas as
experiências, seja no plano familiar, social, acadêmico ou profissional.
No que diz respeito ao estudo, é preciso trabalhar com a
chamada “memória explícita”, que consiste na lembrança consciente das
informações.
Além
disso,
nossa
memória
explícita
deve
lidar
com
o
“armazenamento de longo prazo”, em contraposição às retenções breves
ou armazenamento de curto prazo.
Para isso, o funcionamento eficiente da memória explícita
dependerá, basicamente, de três operações: codificação, armazenamento
e recuperação da informação.
O armazenamento de longo prazo é facilitado pela “codificação
semântica” (compreensão do sentido da leitura). O contrário disso é o que
vulgarmente conhecemos como “decoreba”.
Quando estudamos, devemos buscar o entendimento do sentido
das palavras e das frases. Se assim não for, as palavras serão simples
símbolos gráficos, de “codificação episódica” e armazenamento de curto
prazo.
A
boa
“agrupamento
memorização
em
também
categorias”
das
pode
ser
facilitada
informações,
através
pelo
do
estabelecimento de afinidade com outros itens que já aprendemos e
memorizamos.
Também
contribui
para
a
boa
memorização
a
“atenção
deliberada à informação”, em que procuramos refletir sobre a razão da
informação, sua importância e seu contexto.
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Os estudiosos da Psicologia Cognitiva também atestam que a
memorização é facilitada pelo que chamam de “prática distribuída”, que
corresponde ao espaçamento das sessões estudos ao longo do tempo, ao
invés do estudo contínuo e prolongado.
Além destes mecanismos, também contribuem para a boa
memorização: o sono regular, atividades físicas, alimentação adequada e
a eliminação de situações de estresse.
6.2.
LEITURA EFICIENTE
O estudo produtivo pressupõe que o estudante saiba fazer
leituras eficientes.
A primeira exigência para a leitura eficiente é que o estudante
tenha um bom vocabulário, que lhe permita compreender com razoável
facilidade tudo que está lendo.
Caso ainda não tenha o nível de vocabulário que os textos
exigem, o estudante deve construí-lo através da anotação sistemática das
palavras desconhecidas em um caderno, para depois formular frases com
a utilização destas palavras, até que as assimile.
Também ajuda muito ler como uma finalidade, o que exige um
exame inicial do texto e o questionamento da importância do que está
escrito ali.
No que diz respeito à técnica de leitura, deve-se evitar mover os
lábios quando se lê, pois o movimento ocular é muito mais rápido do que
o movimento labial, que torna a leitura bem mais lenta.
Os estudiosos também recomendam que o leitor procure
visualizar a frase e não as palavras, isoladamente, pois é nas frases que
encontrará o sentido do texto.
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A variação da velocidade da leitura também é algo a se
transformar em hábito, pois a complexidade do texto pode também ser
muito variada.
Se o texto se mostra mais árido, a leitura deverá ser mais lenta.
Ao contrário, se o texto tiver pouca complexidade, a leitura deverá ser
mais rápida.
Finalmente, a leitura será muito mais eficiente se o estudante
tiver alguma habilidade para perceber e extrair do texto as ideias
principais, que constituem a essência daquilo que o autor buscou
transmitir.
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7. CONCLUSÃO
Saber estudar é uma pequena ciência, que pode ser dominada
através de algumas informações pelo estudante e pela prática habitual
das boas técnicas de estudo.
Frequentemente, o estudante se depara com o desânimo,
convencido de que é menos inteligente ou tem mais dificuldade de
aprender do que outros colegas.
Em geral, essa ideia não é verdadeira, pois o que mais contribui
para o sucesso nos estudos, provas e concursos é a habilidade adquirida
para estudar, que normalmente demanda algum tempo.
O estudante deve evitar os mitos e fantasmas que são criados
em torno do estudo.
Se tiver objetivos consistentes, motivação, estratégia, método e
boas
práticas
de
memorização,
os
resultados
certamente
serão
surpreendentes e gratificantes.
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