Avenca Miguel Boieiro* No que respeita à botânica, ramo do

Propaganda
Avenca
Escrito por Miguel Boieiro
Sexta, 29 Outubro 2010 20:40 -
Avenca
Miguel Boieiro*
No que respeita à botânica, ramo do conhecimento que me continua a fascinar pelo
encadeamento de lógicas que regem a evolução dos seres vivos, houve um pequeno livro, cuja
leitura me marcou profundamente. Estou a falar de "La Prodigieuse Aventure des Plantes" de
Jean-Marie Pelt e Jean-Pierre Cuny. Esta obra, apresentada de forma cuidada mas acessível a
todos os tipos de leitores, encontra-se traduzida para português, tendo sido editada pela
Gradiva, como elemento da sua colecção "Ciência Aberta". Nela se conta como apareceu o
primeiro organismo unicelular e daí, após milhões de anos, como surgiram as algas, depois os
musgos e os líquenes, depois os fetos e finalmente as plantas com flor com a sua
incomensurável paleta de cores e feitios, culminando nas compostas e nas sofisticadas
orquidáceas. Vale a pena ler o livrinho que está escrito em forma divertida e didáctica, sem
recurso a termos científicos, inacessíveis a leigos.
Numa etapa transitória da evolução das espécies, as plantas não possuíam flores nem
sementes, reproduzindo-se por esporos. O aparecimento da flor é uma invenção muito recente
(30 milhões de anos? - mais milhão menos milhão, não tem importância) do mundo vegetal. Se
bem que a maior parte dessas plantas primitivas desaparecesse completamente, sobreviveram
alguns exemplares, um dos quais, a avenca, é a nossa convidada para a presente croniqueta.
A avenca é um pequeno feto herbáceo vivaz da família das polipodiáceas de que se conhecem
cerca de 200 espécies espalhadas por todos os climas temperados e tropicais. Julga-se que a
maior diversidade de espécies se encontra na região andina. A planta prefere locais húmidos
com escorrimento de águas, calor e luz indirecta. É vulgar aparecer nas paredes dos poços,
ravinas não expostas ao sol, grutas e fontes. De resto, os esporos que produz em grande
quantidade, fazem com que rapidamente brotem avencas por todo o lado, desde que haja
humidade e protecção contra a luz directa.
A variedade mais conhecida ostenta a designação científica de Adiantum capillus-veneris L,
que significa "cabeleira de Vénus que não se molha". De facto, as gotas da chuva deslizam
pela folhagem sem a molhar, o que constitui uma característica curiosa desta planta. Refira-se
que as folhas são pecioladas, alternas, polimorfas, finas e delicadas com bordos crenados ou
1/3
Avenca
Escrito por Miguel Boieiro
Sexta, 29 Outubro 2010 20:40 -
denteados, por vezes em forma de leque. Os caules e pecíolos, de cor negra, contrastando
com o verde das folhas, apresentam-se lisos, brilhantes e delgados.
A avenca tinha antigamente uma grande reputação como planta medicinal com inúmeras
propriedades. Destas, ficaram cientificamente comprovadas as seguintes: béquica, emoliente,
diurética, expectorante, fortalecedora do cabelo e anti-espasmódica uterina.
Contém flavonóides, mucilagens, taninos, açúcares e óleo essencial.
É apontada como benéfica para debelar bronquites, eczemas, problemas do couro cabeludo
(sobretudo para evitar a queda do cabelo), menstruações dolorosas, irritação da garganta,
faringites e tosses rebeldes.
Utilizam-se as folhas em infusão para "chás", lavagens e gargarejos, as cataplasmas e o
xarope.
De entre os vários preparados, escolhemos estes:
Infusão de 30 g de folhas de avenca num litro de água. Serve para a lavagem e higiene do
couro cabeludo ou para ingerir, adoçando com mel e bebendo quatro chávenas por dia.
Xarope, através da decocção de 100 g da planta num litro de água. Deixar ferver até que o
líquido fique reduzido a um terço. Coar e juntar 250 g de mel. Tomar às colheradas.
Resta acrescentar que actualmente a avenca é menos utilizada como planta medicinal e mais
(muito mais) como espécie ornamental, dada a sua delicada beleza.
*Diplomado pelo Instituto Hipócrates de Ensino e
2/3
Avenca
Escrito por Miguel Boieiro
Sexta, 29 Outubro 2010 20:40 -
Ciência
3/3
Download